man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Wand - Golem
Os Wand são uma banda norte americana, oriunda de Los Angeles e liderada por Cory Hanson, um músico que toca regularmente com Mikal Cronin e os Meatbodies, dois projetos que já foram referenciados em Man On The Moon. Nestes Wand, juntam-se a Cory, Evan Burrows, Daniel Martens e Lee Landey.

Os Wand tocam um indie punk rock psicadélico, progressivo, experimental e fortemente aditivo e Ganglion Reef, o disco de estreia, editado em 2014, foi um marco e uma referência para os amantes do género. Agora, um ano depois, os Wand já têm sucessor pronto; Golem chegou a dezassete de março através da etiqueta In The Red e tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Wand reservam para nós e que logo na imponência de The Unexplored Map e no festim grandioso de Self Hynosis In 3 Days, o primeiro single divulgado, fica claramente plasmado. Esta canção é um delicioso exemplar de indie rock astral e vigoroso, um tratado sonoro que ressuscita o que de melhor se pode escutar relativamente ao rock alternativo da última década do século passado, com um upgrade de adição psicotrópica e elevada lisergia.
As guitarras são, naturalmente, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Wand, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que se saúda.
O efeito abrasivo de Reaper Invert ao contrastar com o efeito sinistro da guitarra, mostra o enorme acerto de Cory na busca de um som grandioso e simultaneamente acessivel a todos os ouvidos. Melodicamente pattindo em busca de um sentido épico irrepreensível, a canção acaba por funcionar como um excelente interlúdio para Melted Rope, um grandioso instante sonoro psicadélico que ressuscita o glorioso espelndor do rock progressivo que fez escola na década de setenta do século passado e que encontra sequência mais ruidosa e ácida no inenso edifício sonoro pulsante e esplendoroso que alimenta Cave In. A sensibilidade da viola e o efeito da guitarra que trespassa a melodia de alto abaixo na primeira e o fuzz das guitarras e as constantes mudanças de ritmo na segunda, acentuam a monumentalidade de dois extraordinários tratados sonoros que, sendo o núcelo duro de Golem, resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, além de plasmarem o vasto espetro instrumental presente no disco e a capacidade que estes Wand têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop.
A viagem alucinante que a audição de Golem nos oferece prossegue sem intervalos ou concessões e vão-se multiplicando os diferentes efeitos que alimentam as guitarras dos Wand, sempre no limiar daquilo que é humanamente suportável e sonoramente majestoso, sem perca de controle ou equilibrio. Este constante experimentalismo fica novamente plasmado nas águas turvas e sombrias em que navega Flesh Tour e no grunge abrasivo e hipnótico de Floating Head, mas também, e de modo mais vincado, em Planet Golem, canção onde parece valer mesmo tudo e onde não terão havido concessões no que diz respeito às opções tomadas, quer no que diz respeito ao sabor inebriante das guitarras, quer no que que concerne à seleção de ruídos e detalhes de fundo que servem para dar corpo e substância a um clima sonoro intenso e nubloso.
Golem chega ao ocaso com um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, chamado The Drift, uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico e quando damos por nós, o disco terminou mais ainda estamos completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustenta os Wand e percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração estratosférica. Tens coragem para carregar novamente no play? Eu nem me paercebi que o fiz. Espero que aprecies a sugestão...

1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 03 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift