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Vitorino Voador - O dia em que todos acreditaram

Domingo, 25.01.15

Depois do EP de estreia, Vitorioso Voo, O dia em que todos acreditaram é o primeiro disco de longa duração de Vitorino Voador, o projecto a solo de João Gil (membro dos Diabo na Cruz, You Can't Win Charlie Brown, entre outros projectos), um trabalho produzido e gravado pelo próprio João Gil e que conta com participações de diversos convidados, entre eles: David "Noiserv" Santos, António Vasconcelos Dias (Tape Junk, Hombres con Hambre) e José Joaquim de Castro. Já agora, em jeito de curiosidade, recordo que o nome Vitorino apareceu por acaso, devido ao erro num cartaz, mas acabou por ser o evento feliz que despoletou a escolha do alter ego. Quanto ao Voador, bastou uma fotografia dos Diabo Na Cruz em que João aparece a saltar para se dar o click.

Conheci o Vitorino Voador por causa de Vitorioso Voo e logo nesse instante percebi que o panorama musical português acabava de ganhar um novo projeto refrescante e um fazedor irrepreensível de emoções que se entranham, na altura um pouco em contra ciclo com o ambiente de crise e de angústia social instalado. Essa paisagem humana um pouco depressiva e angustiada que preenche as nossas cidades foi uma boa fonte de inspiração e esse EP de Vitorino Voador um veículo previligiado para afugentar medos e renovar com esperança e cor esta tal cor que mal nos ilumina.

Agora, dois anos depois, O dia em que todos acreditaram pode funcionar como uma espécie de catarse para todos aqueles que passaram mais ou menos incólumes pela tempestade e que vislumbram, finalmente, uma réstia de luz nas suas vidas prontas a uma renovação que se exige e que canções como Venha Ele ou O Caminho, por relatarem histórias carregadas de honestidade, intimidade e atualidade, enchem-nos a alma e, por isso, dão um forte contributo a este desiderato, diria-se que nacional, de alegrar quem se predispõe a conhecer este projeto e, através dele, ter consigo uma banda sonora da qual se pode apropriar e usar sempre que necessite de inspiração na busca de um novo rumo.

Disco com uma gestação atribulada já que o músico fraturou as duas mãos na mesma altura em momentos diferentes e quando teve a possibilidade de voltar a trabalhar a sério percebeu que tinha vontade de recomeçar de novo já que algum do material não fazia, algum tempo depois, igual sentido, O dia em que todos acreditaram está cheio de letras pessoais, que contam histórias na primeira pessoa de uma pessoa que também se apropria das histórias dos outros para as contar como se fossem suas, quando também são suas. Genuíno e eloquente no modo como dá vida a sentimentos, desejos e emoções de um ser humano que gosta de viver a vida ao máximo e que assume estar num período feliz da sua existência, este é um trabalho que quer fazer-nos felizes e que tem sempre, em cada uma das suas histórias, duas versões, a do Vitorino Voador e a do João Gil, com o músico a arranjar forma de uni-las às duas e isso continuar a fazer sentido na sua cabeça e depois, na de cada um de nós. O trabalho acaba por ser, apenas e só, uma grande música, já que, de acordo com aquilo que o João confessa na entrevista que me concedeu e que podes ler a seguir, a forma como as musicas se ligam entre si, os finais e os inícios de cada música pensados na música anterior e posterior, os fade ins e outs, a forma como os instrumentos se concentram por blocos ao longo do disco, a razão de ter cordas no início, a meio e no fim, tudo procurou essa razão.

Vitorino Voador não tem qualquer problema em confessar a sua timidez; É junto do piano, do teclado, do sintetizador e no palco  que ela se desvanece, por culpa da música que cria e que lhe permite desabafar as suas experiências pessoais e alguns dos seus segredos. Essa é uma das grandes razões pela qual O dia em que todos acreditaram enche-nos a alma e nos faz acreditar que é possível ser-se verdadeiramente feliz apreciando uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade do Vitorino Voador para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que ele combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Espero que aprecies a sugestão...

Já lá vão dois anos desde que te entrevistei pela primeira vez a propósito do excelente EP Vitorioso Voo. Na altura confessaste-me que o teu disco de estreia, este o dia em que todos acreditaram, estava praticamente pronto, mas só irá ver a luz do dia agora em janeiro de 2015. Porque é que teve de ser para nós, teus fãs, tão longa a espera?

Olá. É verdade, nessa altura já havia um disco praticamente pronto e eu desatei a gabar-me dele sempre que me lembrava disso, o problema é que pouco depois disso consegui fazer a maior proeza do mundo que foi partir as duas mãos em situações completamente diferentes, ambas bastante parvas… O que levou a um atraso gigante no disco e que me fez repensar num disco (quase) todo diferente. Quando voltei a poder trabalhar a sério, já não fazia sentido o que tinha e comecei a fazer um novo alinhamento, algumas musicas como o single ficaram mas outras tantas desapareceram e entraram novas musicas. Foi uma lição muito grande para mim, lição essa: não falar antes de tempo. Já agora, muito obrigado pelo “excelente” e por serem meus fãs, é muito bom saber que há realmente gente que gosta do que faço e que se preocupa, fazem-me querer fazer mais musica todos os dias!

Afirmas que Venha Ele é uma canção que compuseste há bastante tempo, ainda no período do EP de estreia e que, de certa forma, faz a ponte entre essa estreia e este teu primeiro longa duração. A escolha desse tema como single e primeiro avanço do álbum, deve-se a isso?

Sim, penso que sim. A música Venha Ele começou a entrar no meu alinhamento muito cedo, cheguei mesmo a não tocar o single do meu EP e a tocar sempre esta música, sempre me deu gozo. Não tendo entrado no EP, achei que fazia todo o sentido trazê-la comigo para o disco e assim foi. Sempre achei que era uma música orelhuda, que ficava no ouvido, por ser simples e bonita, isso fez com que a escolha para o single do disco fosse fácil. O segundo single não será tão fácil, mas posso estar enganado.

Nesta canção, David "Noiserv" Santos tem uma participação especial e relevante. Mas além dele também aparecem nos créditos de O dia em que todos acreditaram nomes tão importantes como António Vasconcelos Dias e José Joaquim de Castro. Meteste cunha para fazerem parte do disco apenas por serem teus amigos ou porque musicalmente correspondiam aquilo que pretendias para a sua sonoridade? Resumindo, a participação deles teve apenas em conta o teu trabalho prévio e as tuas ideias ou foi numa base democrática em que as sugestões deles também foram válidas e fizeram sentido para ti?

Eu adoro tocar com amigos, aliás, penso que só toco com amigos, sou um sortudo. Estes convidados são todos amigos próximos mas não foi só isso que me fez convidá-los. Cada um deles tem uma razão de ser muito grande para cada uma das músicas em que participou, quase como peças de um puzzle que encaixam naquelas musicas perfeitamente. Cada um teve carta-branca para fazer o que quisesse nas músicas em que participou, depois era só uma questão de discutirmos essas ideias até estarmos todos felizes.

Confessas também que O dia em que todos acreditaram é, entre muitas outras coisas, sobre promessas quebradas e outras cumpridas. Canções como Ser alguém, Sem Ninguém, ou Viver Bem Ou Morrer Mal falam muito, na minha opinião, de uma ideia de urgência em viver e de estar vivo e procurar, o mais possível, ser-se autêntico e não deixarmos que as rotinas nos absorvam. É correto imaginar que compuseste estas canções em redor de um desejo profundo pessoal e teu de veres todos aqueles que te rodeiam escutarem-nas de modo que elas façam com que, de algum modo, acordemos para a vida, a verdadeira e plena vida? O dia em que todos acreditaram é o dia em todos te escutaram e procuraram ser mais felizes por causa das tuas canções? Recordo que há dois anos me confessaste que irias surgir neste disco como um super-herói que já se afirmou e com o qual as pessoas podem contar...

Eu escrevo de uma forma muito pessoal, as histórias que conto são as minhas ou então aquelas que não são minhas mas que vivi quase como minhas. O que falei no início conta como uma dessas promessas quebradas, tanto falei e depois não cumpri, senti-me um mau político, mas ao mesmo tempo depois de uma luta grande consegui ver o disco cá fora e isso é uma promessa cumprida, faz-me feliz. Eu tenho uma necessidade grande de viver a vida ao máximo, se calhar todos temos, eu é que se calhar torno isso demasiado publico porque nem sempre a vivo dessa forma e falando sobre isso, sinto que estou novamente a encarrilar pelo caminho certo. Se eu fizer as pessoas mais felizes através da musica que faço, então atingi sem duvida um dos meus maiores objectivos de vida. Quando falámos sobre este disco, eu já tinha uma história na minha cabeça para essa personagem que é o Vitorino Voador, história essa que vai muito além deste disco. O que tento explicar às pessoas é que existem sempre duas versões da história na minha cabeça, a do Vitorino Voador e a minha como João Gil, o que tento fazer é arranjar forma de uni-las às duas e isso continuar a fazer sentido na minha cabeça, é um desafio, mas nada como um bom desafio.

Sentes-te bem junto do piano, das cordas e do sintetizador e, realmente, acho que o alinhamento demonstra-o já que, se nas primeiras canções há um predomínio do piano e do sintetizador na base melódica, a partir de Ser Alguém, Sem Ninguém parecem-me ser as cordas a tomar as rédeas das canções. A forma como o alinhamento do disco está estruturado procurou obedecer a esta ideia de sequencialidade, ou eu estou a ver as coisas de uma forma completamente errada e o espírito foi outro?

O alinhamento do disco foi mudando ao longo do tempo, aquilo que posso dizer é que o que ficou, cumpriu na perfeição aquilo que tinha sonhado antes de ter as musica, o sonho era ter um disco que soasse a uma grande musica (grande no sentido de ser longa) na minha cabeça, como muitos discos que adorei ao longo da minha vida, era um sonho que tinha e que quis também tentar fazer. A forma como as musicas se ligam entre si, os finais e os inícios de cada música pensados na música anterior e posterior, os fade ins e outs, a forma como os instrumentos se concentram por blocos ao longo do disco, a razão de ter cordas no início, a meio e no fim, tudo teve uma razão de ser e posso dizer com grande orgulho que consigo ouvir o disco do início ao fim e ter essa sensação, é apenas uma grande música.

Presumo que o João Gil que surge nos créditos como produtor do disco sejas tu. A que se deveu a opção de teres sido tu próprio a assumir essa responsabilidade? Era algo que querias muito fazer desde o início ou acabou por acontecer naturalmente?

O João Gil está cá sempre, mesmo quando não quero e só quero o Vitorino Voador, mas para o bem e para o mal está cá sempre. O que faço é uma coisa tão pessoal que acabo por fazer tantas funções diferentes, felizmente estive sempre rodeado de outras pessoas que pensam pelas suas próprias cabeças e que não tiveram medo de dizer o que pensavam, isso influenciou muito as decisões que fui tomando e o caminho que o disco seguiu. Por isso, foi um disco produzido por mim, mas não só por mim. Para responder à pergunta, foi uma coisa que aconteceu naturalmente, sendo também uma coisa que sempre gostei de fazer.

Como vai ser a promoção deste teu álbum? Onde poderemos ver e ouvir o Vitorino Voador num futuro próximo?

Segundo as minhas contas, as apresentações ao vivo devem começar em Fevereiro, gostava de dar tempo às pessoas para ouvirem o disco e perceberem se gostam ou não e depois poderem ir para os concertos conhecendo o novo trabalho e percebendo melhor o que vai acontecer em palco. As datas ainda estão a ser fechadas mas não tarda já devo ter essas informações todas online.

Fiz-te esta pergunta há dois anos e não resisto a repeti-la... O que podemos esperar do futuro do Vitorino Voador? Será paralelo ao do João Gil, como músico noutros projetos, ou a aventura do Vitorino Voador  terminará aqui?

O Vitorino Voador veio para ficar, isto é só o início da aventura. Esta é uma daquelas promessas que não posso quebrar.

Para terminar, ainda escreves cartas de amor foleiras ou tentas escrever sempre qualquer coisa que saiba a uma canção saída de um anúncio de televisão?

Escrevo muitas cartas de amor, foleiras que é como eu gosto delas, quanto mais foleiras mais bonitas. Canções de anúncio de televisão também são bonitas por isso podem esperar mais umas quantas assim!

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publicado por stipe07 às 20:57






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