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Ty Segall - Manipulator

Sexta-feira, 12.09.14

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011 e do excelente Twins, (2012), Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se Manipulator e viu a luz no passado dia vinte e oito de agosto, por intermédio da Drag City.

O alinhamento deste novo disco de Ty Segall contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um disco que surprende não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em temas como The Singer e The Clock, assim como pelas já habituais linhas de baixo absolutamente incríveis que, em It’s Over, atingem um grau de maturidade que surpreende, mesmo quando falamos de um músico que já não tem muito a provar e que pode dar-se ao luxo de, com sete bons discos em carteira, poder apresentar um alinhamento que vá ao encontro daquilo que realmente considera significativo e o preenche.

Conhecido pelo acerto com que domina o indie rock mais garageiro e por não se mostrar particularmente reservado e piedoso quando pretende criar climas sonoros verdadeiramente psicadélicos, Ty surpreende neste Manipulator também pela forma como sugere canções ritmicamente bastante apetecíveis. Basta escutar Feel para se perceber que apesar de ter amainado um pouco a habitual toada visceral e rugosa que o acompanha, Ty consegue manter intocável o seu ADN feito com o habitual ambiente psicadélico de outrora e sem deixar mal a sua alma de guerreiro do noise rock. E depois, mesmo que instrumentalmente ele se torne um pouco mais ousado, seja na toada folk e blues das cordas acústicas e elétricas da tal The Singer ou no baixo de It's Over, apresenta sempre imensos argumentos para que nunca tenhamos a ousadia de duvidar da sua capacidade de estar sempre num patamar qualitativo superior, algo que impressiona os mais atentos que estão a par da regularidade impressionante com que este músico cria, como se a permanente prática e o teste de toda a pafernália que o indie rock certamente suscita em quem se apresta a usar a sua criatividade em prol da criação musical fosse, neste caso, a melhor forma de atingir a perfeição.

Em Manipulator, Ty excede, na realidade, tudo aquilo que já produziu, evolui imenso e atinge o topo, não só no que concerne à qualidade da produção, que consegue conciliar com mestria a caraterística crueza do fuzz e da personalidade sonora do autor, com uma limpidez que nunca se mostra exageradamente pop, mas que permite que praticamente todas as dezassete canções sejam acessíveis, mesmo a quem não aprecia particularmente o desconforto que é intrínseco, geralmente, ao noise rock psicadélico. Esta junção simbiótica eficaz de dois pólos geralmente opostos, faz com que Manipulator possa ser visto como um disco completo, com canções mais garageiras, típicas do legado de Segall (It's Over) e outras que apontam para a pop dos anos sessenta (The Faker), ao blues (Feel) e ainda outras em que, como já referi, o acústico e elétrico se complementam com notável precisão (The Clock e The Hand), havendo mesmo lugar para a aparição de violinos em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melódicos.

Manipulator é, por estas e muitas outras razões, o ponto alto da carreira de Ty Segall e já um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico, uma banda sonora perfeita para este final de verão e que deixa água na boca para o concerto que o músico vai dar a vinte e cinco de Outubro na galeria Zé dos Bois (ZBD) no Lux Frágil, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around

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publicado por stipe07 às 22:23






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