Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

The Proper Ornaments - Six Lenins

Já viu a luz do dia Six Lenins, o terceiro registo de originais de um dos segredos mais bem guardados da indie britânica contemporânea. Refiro-me aos londrinos The Proper Ornaments de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy, que conseguiram ultrapassar um período bastante complicado, ainda antes da edição de Foxhole, o registo que lançaram há pouco mais de dois anos. Foram tempos conturbados, após uma estreia auspiciosa com Wooden Head, em dois mil e catorze, peripécias infelizes que incluiram episódios de doença, divórcio e abuso de drogas, mas que não impediram que três anos depois chegasse aos escaparates esse tal Foxhole, o segundo tomo do grupo.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove e depois de uma digressão pelo outro lado do atlântico e de uma estadia bastante profícua no estúdio caseiro de James em Finsbury Park, Londres, que também serviu para afastar definitivamente todos os fantasmas que foram apoquentando os The Proper Ornaments neste meia década, a banda entrega finalmente aos seus fãs Six Lenins, uma espetacular coleção de dez canções que nos convidam a contemplar o grupo a dominar o seu som aparentemente sem qualquer esforço e com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram cada vez mais surpreendentes.

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A impressão imediata que se tem logo após a audição de Six Lenins é que este é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, principalmente porque a sensação de intuição e espontaneidade é tal que, ao ouvi-los, parece que não se importaram nada de poderem, eventualmente, transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, desde que levem à tona a sonoridade com que realmente se identificam e se sentem realizados em replicar. E tal facto representa, desde logo, a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo.

Six Lenins, o terceiro álbum dos The Proper Ornaments, que contou com as participações especiais de Danny Nellis (Charles Howl) no baixo e Bobby Syme (Wesley Gonzalez) na bateria, está, portanto, repleto de composições refinadas e exemplarmente elaboradas. A sonoridade é sempre controlada de modo a criar um clima homogéneo que se torna transversal ao alinhamento, enganando quem ouvir o disco desinteressadamente, porque irá sentir, erradamente, que as canções soam muito iguais. Mas este é um álbum que merece audição dedicada e que deve ser saboreado com o tempo e a velocidade que exige. A sua crueza plena de ricos detalhes, o charme analógico e o carisma vintage nada pretensioso e que não se desbota na contemporaneidade dos nossos dias em que a ferocidade do sintético e da pop fácil arrastam multidões tantas vezes iludidas e a riqueza melódica que contém e que nos permite encontrar a tal individualidade que cada composição claramente possui, só são devidamente assimilados, compreendidos e saboreados através de um modus operandi auditivo que seja dedicado à descoberta do que cada tema tem para oferecer e para nos enriquecer e desprendido de qualquer preconceito relativamente às influências e ao histórico sombrio, nublado e até algo decadente subjacente à incubação deste alinhamento solarengo, otimista e sorridente.

Assim, do ternurento efeito metálico que divaga por Apologies, até à intuitiva Crepuscular Child, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, passando pela jovialidade dos efeitos do sintetizador que conduz Song For John Lennon, pelo travo psicadélico de Where Are You Now, pela vibe surf sessentista de Please Release Me, ou pelo forte odor nostálgico a que exalam as teclas e as cordas de Bullet From A Gun, Six Lenins é um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden


autor stipe07 às 21:30
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