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The Drums – Encyclopedia

Quarta-feira, 24.09.14

Brooklyn, em Nova Iorque, é um verdadeiro viveiro musical sem paralelo no mundo inteiro, um éden para os amantes do universo sonoro indie e alternativo e os The Drums uma referência fundamental desse bairro da Big Apple. Atualmente formados pela dupla Jonathan (Jonny) Pierce e Jacob Graham, a mesma que fundou o grupo e já sem as presenças de Adam Kessler e Connor Hanwick, os The Drums já têm sucessor para o excelente Portamento (2011), um trabalho chamado Encyclopedia, lançado no último dia vinte e dois de setembro, por intermédio da Minor Records.

Logo que se conheceu, há algumas semanas, o primeiro avanço de Encyclopedia, percebeu-se que há uma inflexão sonora relativamente aquelas que têm sido as habituais propostas dos The DrumsMagic Mountain é um portento de post punk, que parece ter vindo diretamente do período aúreo e, por isso, mais sombrio, do indie rock, um género que floresceu em plena transição entre as décadas de setenta e oitenta, uma verdadeira montanha mágica sintetizada e movida com as guitarras mais ousadas e agressivas que se escutaram até hoje neste projeto.

Pouco tempo depois, com a divulgação de I Can't Pretend, o panorama anteriormente descrito confirmou-se, com os sintetizadores novamente na linha da frente do processo de construção melódica da canção e com as expetativas no seio dos mais atentos a subirem numa escala tão exponencial como a rugosa vitalidade experimental que os The Drums demonstravam ter nesta nova fase da sua existência, saudando-se a opção pelo encosto a tão importantes referências. Tal facto, na minha opinião, faz com que seja cada vez mais percetivel a evidente capacidade que esta dupla possui de criar algo único e genuíno com a sua discografia, algo que foi muito prometido nos primórdios da banda e que agora parece regressar com renovado vigor.

Com a audição integral de Encyclopedia e tendo em mente os dois temas previamente conhecidos, confirmaram-se as minhas suspeitas, que me diziam que, apesar de agora serem apenas dois músicos, ampliou-se o cardápio instrumental de que os The Drums se servem para criar, mais diversificado, com o sisntetizador a abrir um novo leque de possibilidades que a banda não se coibiu de explorar, de forma particularmente assertiva, em alguns momentos do disco. Além das duas canções já referidas, temas como a balada Kill My Heart, que fala de sonhos muitas vezes impossíveis, ou Face Of God” e Bell Laboratories, provam que os The Drums chegaram ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos, para assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, com sintetizadores flutuantes e uma voz particularmente inspirada. A postura vocal de Pierce está mais madura e suculenta e particularmente tocante e emocionada em alguns momentos, com canções como I Hope Time Doesn't Change e Kiss Me Again a serem aquelas em que melhor se pode apreciar esta nova formatação vocal algo nostálgica, amiúde feita com uma quase pueril simplicidade.

Outro dos momentos altos do álbum é Face Of God, uma boa canção que volta a abordar questões mentais, agora relacionadas com os nosso medos e como devemos ter a capacidade de controlar os nosso momentos de maior ansiedade, para que não sejamos paralisados por eles e incapacitados de poder ter uma vida normal e realizada numa sociedade contemporânea altamente competitiva e propícia à incubação de fobias e receios. Os The Drums sempre apreciaram a abordagem deste género de temáticas particularmente existencialistas e a já citada Bell Laboratories é outro tema que o demonstra, em especial no modo como nos convida e incita a nunca termos receio de dar aquele passo em frente que muitas vezes nos falta, rumo ao desconhecido, que pode ser compensador, devido aos tais receios que nos toldam a iniciativa.

Em Encyclopedia os The Drums alargam os seus horizontes e contrariam quem considera que as fórmulas bem sucedidas devem ser replicadas até à exaustão e que as formas antigas de composição são sempre as mais eficientes. É notório que a dupla quer fazer parte da equipa daqueles que se orgulham dos atalhos e das rotas divergentes que exploram e, fazendo-o com este nível qualitativo que Encyclopedia emana, não dar argumentos a quem quiser catalogar com injusto menosprezo um instante discográfico de uns The Drums que, mais que perceber zonas de conforto, talvez estejam com vontade de, radicalmente, procurar romper com as mesmas e, para já, ousar viver numa espécie de limbo criativo e ir vendo o que dá. Seja como for, estamos na presença de um trabalho que só demonstra a relevância deste projeto nova iorquino no universo indie atual, uma prova evidente que o grupo não desiste de ser uma referência e que procura fazê-lo com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

The Drums - Encyclopedia

01. Magic Mountain
02. I Can’t Pretend
03. I Hope Times Doesn’t Change Him
04. Kiss Me Again
05. Let Me
06. Break My Heart
07. Face Of God
08. U.S. National Park
09. Deep In My Heart
10. Bell Laboratories
11. There Is Nothing Left
12. Wild Geese

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publicado por stipe07 às 21:32






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