Dois anos e alguns meses depois de El Camino, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney está de regresso com um novo disco. Turn Blue chegou a treze de maio através da Nonesuch e ao oitavo disco, os The Black Keys consolidam o estouro de popularidade desejada. Para chegar aqui esta dupla contou com a ajuda essencial do mítico produtor Danger Mouse, que já pode ser considerado um terceiro membro dos The Black Keys e que voltou a produzir mais um trabalho do grupo.

A sonoridade hard rock, do rock setentista, do rock de garagem e do blues mantém-se como a pedra de toque desta dupla que já tem um estatuto forte no universo sonoro alternativo e que após treze anos de parceria parece ter atingido o ponto mais alto de uma carreira com alguns momentos marcantes, mas agora com novas nuances e um som mais experimental e menos planeado para as rádios e os estádios.
Confortáveis com o passado, mas cientes da capacidase que têm de prosseguirem a carreria sem cair na repetição, em Turn Blue os The Black Keys perderam alguma potência, mas ganharam um certo charme e uma nova personalidade, devido a a alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais longe do rock de garagem e mais perto da psicadelia. Quem quiser ouvir o blues rock minimal puro e duro, em discos recheados de potenciais singles só tem que ficar no antecessor e regressar a Brother e aos primeiros trabalhos do grupo, porque a duração do solo de guitarra do funk psicadélico da épica Fever surpreendeu os seguidores mais puristas e não terá sido por acaso que o tema foi escolhido para single de avanço do disco. A própria postura da voz, a linha do baixo e a precisão da bateria não deixam de ter os genes The Black Keys, mas há um ambiente novo em que se dança, mas numa toada mais intíma. Mas antes, logo a abrir, a bússola já aponta noutro sentido quando na expansiva Weight of Love somos surpreendidos com uma batida lenta, detalhes eletrónicos e uma guitarra que persegue uma maior proximidade dos The Black Keys connosco. Isso é algo que se depreende também da sensação de espontaneidade da maioria do alinhamento, como se tivesse sido composto para ser escutado por amigos e não para a massa homónima que uma banda que agrega multidões em seu redor e suscita enorme expetativa sempre que respira, geralmente coleciona no seu cardápio de seguidores.
Momentos como o groove que destila imenso soul de In Time, ou a acústica vintage que abre Bullet In The Brain e que depois desliza até ao krautrock, são outros dois exemplos que mostram que Auerbach e Carney estão no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojados do que nunca.
Em suma, este disco não é um documento único daqueles que perduram quando se contar a história definitiva do rock, mas é um marco importante numa dupla que parece apostada em calcorrear novos territórios e comprova a entrada em grande estilo dos mesmos na primeira divisão do campeonato indie e alternativo, podendo até figurar em algumas listas dos melhores discos lançados este ano. Turn Blue prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra para se renovar e quantas vezes for necessário. Espero que aprecies a sugestão...
01. Weight Of Love
02. In Time
03. Turn Blue
04. Fever
05. Year In Review
06. Bullet In The Brain
07. It’s Up To You Now
08. Waiting On Words
09. 10 Lovers
10. In Our Prime
11. Gotta Get Away
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