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Gorillaz - Damascus (feat. Omar Souleyman and Yasiin Bey)

Segunda-feira, 15.12.25

Dois anos e meio depois de Cracker Island, os britânicos Gorillaz, projeto formado por Russell, Noodle, 2D e Murdoc e conduzido pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, estão de regresso aos discos com The Mountain, o nono álbum da carreira do projeto, um alinhamento de quinze canções que vai chegar aos escaparates a vinte de março de dois mil e vinte e seis, com a chancela da KONG, etiqueta criada pelo próprio grupo.

The Mountain será mais um disco conceptual, como é hábito nos Gorillaz, pretendendo, neste caso, ser uma espécie de banda sonora de uma festa na fronteira entre este mundo e o seguinte, explorando a jornada da vida e a emoção de existir. Para conseguir isso, o quarteto refugiou-se em Mumbai, na Índia, chegando lá à boleia de passaportes falsos fornecidos a Murdoch, por um mafioso de Nova Iorque. Na metrópole asiática, deixaram-se envolver pelo misticismo local e deixaram fluir corpo e mente pelos terrenos íngremes e montanhosos daquilo a que chamamos vida.

O resultado final desta jornada intimista, produzida pelos próprios Gorillaz, com a ajuda de James Ford, Samuel Egglenton e Remi Kabaka Jr. e gravada nos estúdios no Studio 13, em Londres e Devon, em diversos locais da Índia, incluindo Mumbai, Nova Deli, Rajasthan e Varanasi e em Ashgabat, Damasco, Los Angeles, Miami e Nova Iorque, são quinze canções repletas de participações especiais de excelência, como são os casos de Bizarrap, Black Thought, Anoushka Shankar, Omar Souleyman, Johnny Marr (The Smiths), Mark E. Smith (The Fall), Paul Simonon (The Clash), Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def), os Idles e os Sparks, dos veteraníssimos irmãos Ron e Russell Mael.

The Happy Dictator, uma canção ímpar no modo como recria um verdadeiro oásis de pop sintética, à boleia de uma batida frenética cósmica, um teclado encharcado em sintetizações retro e um sem fim de entalhes, foi o primeiro single divulgado do alinhamento de The Mountain. Em outubro, tivemos a possibilidade de conferir The Manifesto, canção que conta com as participações especiais do rapper argentino Trueno e com um pequeno trecho de Proof, membro dos D12, que faleceu há quase vinte anos, em abril de dois mil e seis. Era uma tema que, de acordo, com Russell Hobbs, o baterista fictício dos Gorillaz, encarnava uma meditação musical recheada de luz e uma viagem do nosso âmago à boleia de batidas. O resultado final foi, como certamente se recordam, um verdadeiro oásis lisérgico e contemplativo, em que world music, R&B, eletrónica, jazzrap e hip-hop, conjuravam entre si com particular deleite e também com a ajuda de vários músicos indianos, nomeadamente os irmãos Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash, Ajay Prasanna, a banda Jea Band Jaipur e o coro Mountain Choir, dirigido por Vijayaa Shanker.

Já em novembro, tivemos para escuta The God Of Lying, canção que contava com a participação especial de Joe Talbot, vocalista dos IDLES, artista que induziu no tema o seu habitual registo vocal carismático e bastante vincado. Sonoramente, The God Of Lying ofereceu-nos uma espécie de reggae psicadélico, feito com sintetizadores buliçosos, um registo percussivo anguloso, a cargo do indiano Viraj Acharya e diversos arranjos acústicos algo subtis, dos quais se destacavam os que são proporcionados por um banjuri tocado pelo também indiano Ajay Prasanna.

Agora, quase no final do ano, temos para escuta Damascus, composição que conta com as participações especiais do cantor sírio Omar Souleyman e do rapper nortem-americana Yasiin Bey, que já foi Mos Def. Damascus impressiona pela imponência e pelo misticismo que exala. Cascatas de camadas diversas de sintetizações retro, rematadas por aquele clima percussivo frenético típico do crescente asíático e um olhar anguloso ao melhor hip-hop, adornando-o com referências óbvias ao mundo árabe, encarnam um festim multicultural de world music enérgico, rico, festivo e intenso. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 13:36

Tame Impala – Deadbeat

Quinta-feira, 23.10.25

Cinco anos após The Slow Rush e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltaram, finalmente, aos discos com Deadbeat, o quinto e novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker no estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside e que, tendo a chancela da Columbia Records, é bastante inspirado na cultura bush doof na cena rave da Austrália Ocidental.

Tame Impala 'Deadbeat' Review

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie, habituaram-se, na última década e meia, a estar sempre particularmente atentos a tudo aquilo em que Kevin Parker fosse criando, quer nos Tame Impala, quer noutros projetos paralelos, ou como convidado. Ao início as cordas do baixo e das guitarras foram sempre suas fiéis aliadas, mas a verdade é que os sintetizadores têm vindo, ao longo dos anos, a ganhar cada vez maior primazia no seu modus operandi e a pop a tornar-se o princial alvo, em detrimento do rock progressivo e psicadélico.

Esta constante mutação sonora, que nunca deixou de ser também evolutiva, acabou por plasmar um importante aspeto da personalidade deste músico, que sempre se mostrou avesso a restrições, seguidismos e balizamentos e que foi perdendo o receio de assumir-se como amante da música de dança, reforçando, ao mesmo tempo o desejo de se vir a tornar num DJ de referência. 

Deadbeat é o culminar de toda esta epopeia transformadora e reveladora, num disco que já tem muito pouco, ou praticamente nada, de Currents e que acaba também por cornfirmar as fortes suspeitas relativamente a esta guinada definitiva, que o álbum The Slow Rush já nos tinha deixado em dois mil e vinte. Ao longo de quase uma hora, Parker transforma a sua mente numa enorme pista de dança e oferce-nos um lugar na fila da frente da sua festa privada, com stream aberto, cimentando um ponto forte que este músico sempre teve, que é a capacidade de se conetar com cada um de nós, em particular com todos aqueles que se sentem mais excluídos ou marginalizados, algo bem patente no tema Loser, que tem nas poucas cordas mágicas de uma guitarra do disco e no registo vocal ecoante de Parker aquela marca psicotrópica setentista que tipifica grande parte do catálogo sonoro dos Tame Impala. No entanto, o curioso travo funk do perfil percurssivo do tema, oferece ao mesmo uma tonalidade psicadélica incontestável, numa canção plena de contemporaneidade, mas também com um forte pendor nostálgico, uma das imagens de marca deste projeto.

Antes disso, a abrir o registo, na batida orgânica e lo fi de No Reply, Parker amplifica ainda mais esta ligação que pretende estabelecer com uma audiência que raramente se revê no mainstream, com My Old Ways, tema que abre o disco, a calcorrear territórios um pouco mais intimistas, através de um perfil sonoro com levado travo jazzístico, apesar do registo percussivo sintético, mais uma marca que não é propriamente transversal ao catálogo Tame Impala.

A partir daí, a ecoante Oblivion tem a curiosidade de tocar perigosamente nas fronteiras do techno e a flutuante Not My World acaba por ter um efeito algo hipnótico, apenas afagado por uma melodia cintilante em tom de sino, numa espécie de deep house experimental, também pouco visto no projeto.

Até ao ocaso de Deadbeat, um disco cheio de batidas grandes e vazias que ecoam pelo espaço, na curiosa abordagem ao trance em Ethereal Connection, no piscar de olhos à pop sessentista em See You On Monday (You're Lost) e na eletropop de Dracula, uma canção que aponta baterias para aquilo que nomes como os Justice ou The Weeknd trouxeram para a ribalta já neste século, continua um desfile algo inócuo e inconsequente daquilo a que se pode chamar de uma admirável tentativa de Parker de propor algo novo e que de algum modo redifina a sua própria identidade enquanto artista.

Em suma, essencialmente através de drum machines ligadas desleixadamente a amplificadores de guitarra e deixadas a rodar enquanto reproduzem loops algo rudimentares, Deadbeat acaba, no seu todo, por ter um efeito algo oposto aquilo que a boa música de dança deveria de ter, nomeadamente um poderoso efeito libertador e até terapêutico. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:38

Ayom - Samba Para O Vazio

Terça-feira, 28.01.25

Ayom é um grupo de seis viajantes: Jabu, brasileira, Alberto, italiano residente em Espanha, Timoteo, de ascendência grega e italiana, Francesco, também italiano e Ricardo e Walter, ambos angolanos. Unem-se por causa de uma história de amor e compartilham uma paixão comum pela música da diáspora africana, incluindo canções do Brasil, Angola e Cabo Verde, que encontraram em Lisboa uma espécie de lar.

Ayom lançam novo single e anunciam residência artística em Lisboa |  e-cultura

Apesar da forte influência musical afro-lusitana e afro-latina, a música de Ayom rompe barreiras culturais. Cria uma experiência tão forte com o público que as pessoas se reconhecem como uma comunidade, transcendendo origem, género, raça e ideologia. Essas forças se organizam em três almas universais; as cores que usam falam sobre a sua história e referências, mas as emoções que compartilham são universais.

Sa.Li.Va. é o título do novo disco dos Ayom, um acrônimo que representa os três impulsos distintos presentes na música de Ayom: “SA-grado” (sacralidade), “LI-berdade” (liberdade e amor) e “VA-lentia” (coragem). O álbum é uma trilogia onde cada capítulo contém três músicas.

Produzido por Kastrup, Sa.Li.Va. tem canções em português, espanhol e italiano, enquanto nos oferece uma mistura de instrumentos orgânicos, acústicos e eletrónicos. Mais moderno e ousado, mas com o mesmo espírito e poesia de sempre, o registo incorpora ritmos tradicionais, nomeadamente o samaba, mas também o funaná, frevo, maracatu, coladeira, congado, kizomba, xote, maloya, congo de ouro e outros, para falar a linguagem sonora do projeto e expressar a sua música original, sem deixar de dar também a primzia ao sintético.

Samba Para o Vazio é o mais recente tema retirado do alinhamento de Sa.Li.Va. em formato single. Trata-se de uma música que fala sobre o fim de uma história de amor, quando um dos amantes sente a nostalgia de estar preso na memória das suas idealizações, lamentando o fim de uma relação que talvez nunca tenha existido. O processo de gravação trouxe o desafio de cantar uma música numa língua desconhecida, que tem muitas nuances fonéticas e a mais pequena alteração no tom de uma palavra pode alterar o seu significado. Confere...

https://www.instagram.com/ayommusic/

https://www.facebook.com/ayomband

https://open.spotify.com/artist/6FuNhq3bFG1UdhupNqHeeS?si=_zNrCYd4TrGHMi1RnsgTSw

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publicado por stipe07 às 20:47

Mira Kendô - Yo Debo

Sexta-feira, 17.01.25

Braima Galissá nasceu na Guiné-Bissau e cresceu na tradição familiar dos griots, figuras íntimas da história cultural e identitária do povo Mandinga. Durante anos, dedicou-se a explorar as profundezas da sua herança, praticando a arte e o ofício da Kora.

Nenhuma descrição de foto disponível.

A história sonora do projeto Mira Kendô começa no estúdio do holandês Jori Collignon, quando Braima lhe foi apresentado por um amigo comum, Francisco Sousa (Fininho). Assim que Braima começou a tocar a Kora, surgiram composições maravilhosas. Instintivamente, Jori agarrou nas suas drum machines e começou a adicionar camadas. Foi tudo muito natural, como se estivessem a conversar através da música. Apesar de terem referências musicais tão diferentes, começaram imediatamente a compor juntos.

Juntamente com o célebre guitarrista da Guiné-Bissau, Eliseu Forna Imbana e o baterista de Selma Uamusse, Gonçalo Santos, reuniram-se para criar algo verdadeiramente especial, misturando influências diversificadas e a paixão comum por uma música que transcende fronteiras e incubando, deste modo, o disco homónimo de estreia do projeto, um alinhamento de sete canções que viu a luz do dia em novembro último.

Já foram extraídos vários singles de Mira Kendô, um testemunho do poder da colaboração e da beleza que surge quando diferentes culturas e tradições se encontram e dialogam através do som. O mais recente chama-se Yo Debo; É uma canção sobre ciclos, que conta uma história sobre como podemos inspirar os nossos filhos a serem as melhores versões de si próprios e que, de modo simples e cativante, representa o que existe de mais clássico nas composições musicais de Braima Galissá, tendo sido feita para dançar, para unir as pessoas, música para fazer as pessoas sentirem-se bem. Confere...

Spotify: https://open.spotify.com/Mira_Kendô

Instagram: https://www.instagram.com/mirakendo/

Facebook: https://www.facebook.com/mirakendo.musica/

Bandcamp: https://mirakendo.bandcamp.com/album/mira-kend

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publicado por stipe07 às 16:42

Crystal Fighters – Carolina

Segunda-feira, 07.08.23

O coletivo de músicos ingleses e espanhóis Crystal Fighters, que se divide entre Londres e Navarra, é atualmente formado por Sebastian Pringle, Gilbert Vierich e Graham Dickson. É um trio ao qual se juntam em digressão Eleanor Fletcher, Louise Bagan e Daniel Bingham e que se estreou há quase  década e meia com o excelente registo Star Of Love. Em dois mil e dezanove chamaram a nossa atenção por causa do álbum Gaya & Friends, que sucedeu a Everything Is My Family, de dois mil e dezasseis e ao EP Hypnotic Sun, lançado também nesse ano e que continha as composições Another Level, que faz parte da banda sonora do Fifa 19, Going Harder (feat. Bomba Estereo) e All My Love.

Crystal Fighters - 'Carolina' — When The Horn Blows

Agora, em dois mil e vinte e três, este curioso coletivo Crystal Fighters volta à nossa antena: Começaram por fazê-lo no início de julho à boleia de Manifest, o primeiro tema que divulgaram desde Gaya & Friends. Agora regressam à carga com Carolina, mais uma animada canção, ideal para esta época do ano. Carolina é um delicioso e anguloso tratado de world music, que mistura pop contemporânea, com nuances tribalistas de origem tradicional. É uma canção bastante dançante e extrovertida, que impressiona pela amplitude percurssiva extremamente angulosa, que vai sendo trespassada por diversas cordas e teclados, num resultado final divertido, sorridente e muito agradável de ouvir e que aguça a curiosidade relativamente ao restante conteúdo de um disco que a banda já prometeu ainda para este ano e que será o quinto do projeto. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:56

Y La Bamba – Lucha

Segunda-feira, 08.05.23

Quase meia década após o excelente Mujeres, e quatro anos do EP Entre Los Dos, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Lucha, um novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland, masterizado e produzido por Coco Hernán Godas e Ryan Neil Oxford e que chegou aos escaparates por estes dias através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

Y La Bamba Opens Up About Breaking Curses on “Lucha” – Rolling Stone

Elena Mendoza é uma ativista e uma poetisa ímpar, e obteve desde muito nova essas duas caraterísticas pessoais naturalmente, como não podia deixar de ser tendo em conta a sua ascendência e o país onde reside, mas também por ser alguém que se intitula como uma transmissora dos ecos que recebe dos espíritos dos seus ancestrais. Tomando esse ponto de partida filosófico e pessoal como fundamental no seu processo criativo, os movimentos migratórios da América Central para norte, em direção ao chamado El Dorado e o modo como essas comunidades se tentam inserir e viver no seio de uma suposta multiculturalidade que é cada vez mais conservadora e menos acolhedora, acaba por ser a grande inspiração para a sua música. Nela, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados, de modo particularmente etéreo e contemplativo, com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde reside, a autora reflete as lutas, as angústias, os anseios e as pequenas vitórias de uma comunidade que lucha diariamente para viver um sonho que, na verdade, acaba por se tornar, geralmente, um prolongar agonizante de um pesadelo que começou, logo à nascença, no país natal.

Assim, ao sétimo disco, Elena expôe-se uma vez mais, enquanto explora toda uma multiplicidade cultural e o modo como a mesma choca com a batalha diária que os gringos travam para serem aceites, ao mesmo tempo que uma pandemia reforça os sentimentos de isolamento e de rejeição. E, de facto, a sonoridade das onze composições do disco têm esse perfil etéreo, introvertido e intimista, que se opôe aquela alegria e vivacidade que carateriza a música tradicional mexicana e dos restantes países da América Central.

Logo a abrir o registo, em Eight, as cordas tensas, o piano enferrujado e a voz complacente de Elena, que clama por libertação (quiero vivir e gozar) induzem-nos nesta atmosfera muito peculiar e de algum modo sofrida. Depois, Dibujos De Mi Alma amplifica este olhar crítico e até algo impressionista e cínico que a autora faz sobre si própria, no modo como se deixa aprisionar por um amor que não é particularmente saudável, uma fórmula que, de certo modo, se repete em Hues, tema que conta com a participação especial de Devendra Banhart, um autor e compositor de ascendência venezuelana e natural de Houston, que ajuda Elena a criar um verdadeiro retrato musical vivo de tudo aquilo que esta artista única guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que ganha impressionante clareza devido ao sedutor jogo vocal que se estabelece entre os dois protagonistas, nuance que amplia ainda mais o perfil luminoso e charmoso de uma canção lindíssima. Collapse oferece-nos um clima um pouco mais sintético e caliente, mas mantém a aposta num registo poeticamente intenso, com a cover tremendamente orgânica e vintage do clássico de Hank Williams, I’m So Lonesome I Could Cry, a ter neste disco o papel central de exorcização de algumas memórias da infância que ainda dilaceram a autora, um tema também é muito querido na discografia de Y La Bamba.

Mais um intrigante exemplo sonoro de mescla de diversas culturas, num pacote seguro e familiar, Lucha oferece a Luz outra oportunidade de vincar, uma vez mais, a sua naturalidade, personalidade e as influências americanas que carrega, mas sempre com um toque da personalidade mexicana. Nestas suas novas canções ela continua a contornar todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isenta de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e fazê-lo com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si própria. De facto, esta vontade de conjugar o melhor da sonoridade de realidades tão díspares, a folk e a música tradicional e, ao mesmo tempo, criticar a raíz das mesmas, não é inédita, mas a forma inspirada como o demonstra, fazem dela e dos Y La Bamba uma referência atual, não só na pop, como na world music atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:09

Trio Alcatifa - Sempre Na Viagem

Quinta-feira, 03.03.22

Especialistas em enfeitiçar tudo e todos com o seu apelo irresistível à alegria e à dança, os Trio Alcatifa são os inebriantes, hilariantes e festivos, dr. Alban (trompete), dr. Bombazine (sax alto) e dr. Rashid (teclado), três músicos que deram descanso aos tapetes voadores, assentaram arraiais no estúdio e gravaram um disco intitulado Triofásico, com doze composições que misturam diversas e exóticas influências desde o turbo folk ao arábico psicadélico e que resultam de uma pesquisa intensa, com o objectivo de aproximar sonoridades de diversas culturas, através da experimentação e fusão de elementos distintos, para criar uma sonoridade original.

Trio Alcatifa antecipam disco de estreia “Triofásico” com single “Sempre na  viagem” – Glam Magazine

Triofásico conta com as participações especiais de Senhora do Ó (voz), Mateja Dolsak (saxofone), Drezaro (turntables), Gulami Yesildal (sax), Ululo (gimbri) e Marc Planells (alaúde), músicos que, tal como os membros dos Trio Alcatifa, trazem no sangue as melodias inebriantes do oriente. Todos juntos criaram um compêndio vestido com a modernidade das batidas electrónicas e pintado de alegria e festa com os sopros inspirados na música de leste, num álbum de estreia capaz de reflectir definitivamente a identidade criativa de um projeto que irá contribuir, certamente, para a diversidade musical no panorama cultural português.

Sempre na Viagem é uma das canções já conhecida do alinhamento de Triofásico. A composição abre as portas ao universo dos Trio Alcatifa. Passando por montes e montanhas, camelos e pirâmides, convida a fechar os olhos e a seguir viagem a bordo de um tapete voador musical que nunca para de subir e trazer paisagens e aromas exóticos. O videoclipe, realizado por Mateja Dolsak, é um aperitivo para a viagem que sempre nos propõe a música dos Trio Alcatifa. Confere...

https://www.facebook.com/TrioAlcatifa

https://www.instagram.com/trio_alcatifa

https://www.youtube.com/channel/UCuTgdYJdb9IDkeuYldEc7YQ

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publicado por stipe07 às 17:42

YAGMAR - Mítica Luz

Sexta-feira, 16.04.21

Os lisboetas YAGMAR (You Actually Gave Me A Ride) têm já uma carreira com interessante longevidade, mas só começaram a dar realmente nas vistas há cerca de dois anos com o EP Amargo, o segundo da banda, um registo que levou a banda a muitos palcos deste país e a fazer parte da colectânea Fnac Novos Talentos 2019. Acabaram por tocar no festival com o mesmo nome e também no Super Bock em Stock, em dois mil e dezanove. No início do ano passado arregaçaram as mangas para incubar o primeiro longa duração, com a ajuda do produtor e engenheiro de som Vitor Carraca Teixeira, conhecido pelo seu trabalho com nomes emergentes e já consolidados do panorama musical em Portugal como Dream People, Meses Sóbrio, Vila Martel, Left., entre outros, refugiando-se no seu estúdio para criar um disco que terá o nome de Homem Severo e que vê a luz dentro de dias.

Yagmar antecipam edição do primeiro LP “Homem Severo” com single “Mítica Luz”  – Glam Magazine

Homem Severo terá um alinhamento de oito composições que, por premonição ou não, se tivermos em conta o atual período pandémico que vivemos, acabam por se adequar a estes tempos conturbados e ao estado de espírito que de algum modo nos assalta quase todos e que está cheio de interrogações e ansiedades. Sonoramente, será, certamente, um flirt aos ritmos africanos acompanhados de melodias de outras regiões, tal como sucedeu nos EPs anteriores, mas com outra maturidade e acuidade melódica.

Há sempre algo que nos guia nos momentos de aperto, aquilo que nos faz ter perseverança e lutar contra os momentos desafortunados desta vida. É este o mote de Mítica Luz, o mais recente tema retirado do alinhamento de Homem Severo, um turbilhão melódico e rítmico mas que, por vezes, nos deixa respirar. Confere....

Facebook: https://www.facebook.com/yagmarband/

Instagram: https://www.instagram.com/yagmar.jovem/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC9iIEutk-qrsKOMI6Fy-kZw

Soundcloud: https://soundcloud.com/user-556339908

Spotify: https://open.spotify.com/artist/4MH8poPCB7vchDU77AG6C8?si=O4ZxyirjRw6hXK2F8ktHdg

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Os melhores discos de 2020 (20 - 11)

Domingo, 20.12.20

20 - Sufjan Stevens - The Ascension

The Ascension é uma jornada eletrónica climática e intimista, mas também algo inquietante, feita de um psicadelismo eminentemente experimental. Mesmo contendo alguns dos tiques identitários que marcam uma carreira de quase duas décadas, impressos na intimidade dialogante da sua escrita, que atingiu o apogeu no antecessor que se debruçava sobre o súbito desaparecimento da mãe e na seleção de alguns arranjos e detalhes que ainda têm um travo folk inconfundível, The Ascension oferece-nos, acima de tudo, um vasto e barroco festim eletrónico, justificado em diversas composições recheadas de uma vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que servem bem à medida da imensidão e do silêncio que carateriza o vazio cósmico a que o músico de Chicago nos tem habituado ultimamente.

Sufjan Stevens - The Ascension

01. Make An Offer I Cannot Refuse
02. Run Away With Me
03. Video Game
04. Lamentations
05. Tell Me You Love Me
06. Die Happy
07. Ativan
08. Ursa Major
09. Landslide
10. Gilgamesh
11. Death Star
12. Goodbye To All That
13. Sugar
14. The Ascension
15. America

 

19 - Woods - Strange To Explain

Os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e que se mantêm, com enorme primor, em Strange To Explain, um disco eminentemente cru, envolvido por um doce travo psicadélico, enquanto passeia por diferentes universos musicais, sempre com um superior encanto interpretativo e um sugestivo pendor pop.

Woods - Strange To Explain

01. Next To You And The Sea
02. Where Do You Go When You Dream?
03. Before They Pass By
04. Can’t Get Out
05. Strange To Explain
06. The Void
07. Just To Fall Asleep
08. Fell So Hard
09. Light Of Day
10. Be There Still
11. Weekend Wind

 

18 - Destroyer - Have We Met

Have We Met é um disco algo intrincado, mas bastante sedutor, um dobrar de esquina consistente e apurado, mesmo sendo o trabalho recente dos Destroyer que mais se aproxima da herança atmosférica da obra-prima Kaputt (2011). Tal sucede porque é feito por um grupo que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. São, portanto, composições conduzidas por uma ímpar diversidade instrumental, com o modo como as teclas do piano são enormes protagonistas, a meias com a guitarra maravilha de Nicolas Bragg, a serem dois trunfos maiores deste modus operandi com elevado charme quilate.

Destroyer - Have We Met

01. Crimson Tide
02. Kinda Dark
03. It Just Doesn’t Happen
04. The Television Music Supervisor
05. The Raven
06. Cue Synthesizer
07. University Hill
08. Have We Met
09. The Man In Black’s Blues
10. Foolssong

 

17 - The Strokes - The New Abnormal

The New Abnormal solidifica e tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste projeto nova iorquino que depois de ter começado a carreira com um formato sonoro claramente balizado, foi apalpando terreno noutros espetros,  sendo um disco com uma espécie de dupla identidade, porque além de culminar com elevado esplendor um regresso ao punk rock como trave mestra da maioria das composições do disco, aquele rock mais enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste século, permite que este modus operandi seja adornado por uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon pop dos anos oitenta.

The Strokes - The New Abnormal

01. The Adults Are Talking
02. Selfless
03. Brooklyn Bridge To Chorus
04. Bad Decisions
05. Eternal Summer
06. At The Door
07. Why Are Sundays So Depressing
08. Not The Same Anymore
09. Ode To The Mets

 

16 - Bill Callahan - Gold Record

Mais do que um simples registo de canções avulsas e que procuram dissertar abstratamente e filosoficamente sobre o amor ou as agruras ou benesses deste mundo em que vivemos, Gold Record é um compêndio de histórias simples, mas cheias de brilho, intensidade e mérito, porque são concretas. Às vezes, uma coleção bem pensada de histórias simples, contada com as palavras certas e acessíveis e sem desnecessárias preocupações estilísticas, é meio caminho andado para assegurar um registo discográfico de superior quilate. E este é, sem dúvida, o grande trunfo de dez temas que escavam a cultura norte americana para encontrar um tesouro de raízes identitárias, fazendo-o, sonoramente, com a toada eminentemente acústica que define o adn do músico, plasmada num registo interpretativo que privilegia aquele formato canção que vai gradativamente agrupando novos elementos e sons distintos, até um final envolvente e, liricamente, feito com uma sucessão de histórias com as quais todos nós nos identificamos facilmente, já que certamente, apropriando-nos delas e dando-lhes um ou outro retoque, temos impressivos relatos de alguns momentos marcantes da nossa existência pessoal. Este disco com essa notável componente narrativa também comprova, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade, a superior capacidade interpretativa de Callahan aos comandos de uma viola, uma espécie de trovador da era moderna, que sussura contos pessoais, enquanto comunica directamente connosco e, ao mesmo tempo, parece que fala consigo próprio.

Bill Callahan -  Gold Record

01. Pigeons
02. Another Song
03. 35
04. Protest Song
05. The Mackenzies
06. Let’s Move To The Country
07. Breakfast
08. Cowboy
09. Ry Cooder
10. As I Wander

 

15 - The Magnetic Fields - Quickies

Vinte anos depois da mítica obra conceptual 69 Love Songs, Stephin Merritt mantém uma insciável gula interpretativa, que alimenta uma espécie de mania das grandezas à qual os fâs dos The Magnetic Fields já se habituaram e que nunca os deixa ficar mal, diga-se na verdade. Quickies, o novo registo deste projeto natural de Boston, no Massachussetts, é mais uma prova inequívoca de toda uma trama com já três décadas de existência, um tomo de vinte e oito canções que enriquece substancialmente o cardápio de um grupo que tem dado ao indie rock experimental norte-americano, registo após registo, uma notoriedade e uma relevância ímpares, através de canções quase sempre assentes em sonoridades eminentemente clássicas, geralmente acústicas e de forte pendor orgânico.

The Magnetic Fields - Quickies

01. Castles Of America
02. The Biggest Tits In History
03. The Day The Politicians Died
04. Castle Down A Dirt Road
05. Bathroom Quickie
06. My Stupid Boyfriend
07. Love Gone Wrong
08. Favorite Bar
09. Kill A Man A Week
10. Kraftwerk In A Blackout
11. When She Plays The Toy Piano
12. Death Pact (Let’s Make A)
13. I’ve Got A Date With Jesus
14. Come, Life, Shaker Life!
15. (I Want To Join A) Biker Gang
16. Rock ‘n’ Roll Guy
17. You’ve Got A Friend In Beelzebub
18. Let’s Get Drunk Again (And Get Divorced)
19. The Best Cup Of Coffee In Tennessee
20. When The Brat Upstairs Got A Drum Kit
21. The Price You Pay
22. The Boy In The Corner
23. Song Of The Ant
24. I Wish I Had Fangs And A Tail
25. Evil Rhythm
26. She Says Hello
27. The Little Robot Girl
28. I Wish I Were A Prostitute Again

 

14 - Jeff Tweedy - Love Is The King

Love Is The King é a mais recente obra discográfica de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo. De facto, Love Is The King é um voo picado que o autor faz sobre si próprio, a sua existência e a daqueles que lhe são mais próximos, nomeadamente os seus herdeiros Spencer e Sam. Acaba por ser um disco feito em família, com a participação direta da mesma na sua concepção e definição do conteúdo sonoro e que, como é natural, sendo eminentemente autobiográfico, constitui um exercício sonoro de exorcização de alguns dos demónios, angústias, eventos traumáticos e conflitos interiores de Tweedy. Este é, pois, um alinhamento com um travo melancólico particularmente abundante, mas também um registo quente, positivo e sorridente, um álbum direto, cru, tremendamente orgânico, claramente lo-fi, um impressivo e jubilante tratado folk, dominado por timbres de cordas particularmente estridentes, que abastecem uma constante dicotomia entre sentimentos e confissões.

Jeff Tweedy - Love Is The King

01. Love Is The King
02. Opaline
03. A Robin Or A Wren
04. Gwendolyn
05. Bad Day Lately
06. Even I Can See
07. Natural Disaster
08. Save It For Me
09. Guess Again
10. Troubled
11. Half-Asleep

 
13 - Matt Berninger - Serpentine Prison

Por muitas voltas que Matt Berninger dê à sua carreira musical, seja a solo, seja nos The National ou no projeto El VY, há sempre um tronco comum a todas as suas abordagens artísticas, as ideias de melancolia, de angústia amorosa e de sofrimento mais ou menos profundo devido a esse sentimento único. Serpentine Prison não foge à regra, num registo instrumentalmente riquíssimo e repleto de arranjos das mais diversas proveniências, com uma toada emotiva crescente e na qual cordas e piano se deixam cobrir com mestria por uma nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos, impressões ampliadas pela superior delicadeza do registo vocal grave de Berninger, um músico, na sua essência, confessionalmente monocromático e, artisticamente, uma fonte inesperada de soul. Em suma, Serpentine Prison oferece-nos com tremenda nitidez alguns dos maiores medos e inseguranças do autor e Berninger fá-lo aqui tornando-se na própria estrela que interpreta o estilo particulamente cinematográfico de uma escrita sempre tocante, intensa e realista.

Matt Berninger - Serpentine Prison

01. My Eyes Are T-Shirts
02. Distant Axis
03. One More Second
04. Loved So Little
05. Silver Springs (Feat. Gail Ann Dorsey)
06. Oh Dearie
07. Take Me Out of Town
08. Collar Of Your Shirt
09. All For Nothing
10. Serpentine Prison

 

12 - Gorillaz - Sound Machine, Season One: Strange Timez

Song Machine, Season One: Strange Timez, o sétimo álbum dos britânicos Gorillaz, a última materialização e a maior do mais recente e inovador projeto da banda, intitulado Song Machine, uma aventura que tem no seu âmago o enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro. Melhor álbum dos Gorillaz desde o fabuloso Plastic Beach (2012), Sound Machine, Season One: Strange Timez é um passo seguro e estrondosamente feliz deste projeto, no que concerne ao modo como mais uma vez se reinventa, sem renegar, como seria de esperar, a sua essência. Refiro-me a criar canções onde a experimentação é uma matriz essencial, tem a eletrónica aos comandos, o hip-hop e o R&B na mira, mas também olha para o rock com uma certa gula. E nestas dezassete canções encontramos tudo isto e com um grau de ecletismo nunca visto, estando o centro nevrálgico em redor do qual gravita toda esta diversidade em muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente a que tem como origem o lado de lá do atlântico. E uma das facetas mais curiosas das dezassete composições é todas elas conseguirem atingir com enorme mestria o propósito simbiótico entre aquilo que é o som Gorillaz e o adn do convidado desse tema.

Gorillaz - Sound Machine Season One - Strange Timez

01. Strange Timez (Feat. Robert Smith)
02. The Valley Of The Pagans (Feat. Beck)
03. The Lost Chord (Feat. Leee John)
04. Pac-Man (Feat. ScHoolboy Q)
05. Chalk Tablet Towers (Feat. St Vincent)
06. The Pink Phantom (Feat. Elton John And 6LACK)
07. Aries (Feat. Peter Hook And Georgia)
08. Friday 13th (Feat. Octavian)
09. Dead Butterflies (Feat. Kano And Roxani Arias)
10. Désolé (Feat. Fatoumata Diawara) (Extended Version)
11. Momentary Bliss (Feat. slowthai And Slaves)
12. Opium (Feat. EARTHGANG)
13. Simplicity (Feat. Joan As Police Woman)
14. Severed Head (Feat. Goldlink And Unknown Mortal Orchestra)
15. With Love To An Ex (Feat. Moonchild Sanelly)
16. MLS (Feat. JPEGMAFIA And CHAI)
17. How Far? (Feat. Tony Allen And Skepta)

 

11 - Kevin Morby - Sundowner

Sundowner é um relato impressivo e clarividente de uma América claramente dividida entre dois pólos e que talvez, no campo musical, tenha na típica folk o instrumento mais eficaz de busca de pontes entre tão vincado antagonismo. Kevin Morby vem, disco após disco, aprimorando um modus operandi bem balizado, que se define por opções líricas em que dominam ambientes nublados, intimistas e reflexivos e um catálogo sonoro emimentemente delicado e fortemente orgânico, sem artifícios desnecessários, ou uma artilharia instrumental demasiado intrincada. E é este, claramente, o travo geral de Sundowner, um disco minimalista, que procura a interação imediata, mas também profunda, com o ouvinte e que tem no piano e nas cordas as armas de arremesso preferenciais. Kevin Morby é sagaz no modo como vai, disco após disco, subindo degraus no que concerne ao conteúdo qualitativo dos seus registos, fazendo-o com segurança e altivez, nunca beliscando uma apenas aparente dicotomia entre aquilo que é a grandiosidade da sua filosofia criativa e o modo minimal, simples e direto como a expôe, através de canções repletas de beleza, sensibilidade e conteúdo.

Kevin Morby - Campfire

01. Valley
02. Brother, Sister
03. Sundowner
04. Campfire
05. Wander
06. Don’t Underestimate Midwest American Sun
07. A Night At The Little Los Angeles
08. Jamie
09. Velvet Highway
10. Provisions

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publicado por stipe07 às 23:25

Taïs Reganelli - Tanto Mar (Chico Buarque)

Sábado, 07.12.19

Filha de pais brasileiros, Taïs Reganelli nasceu em Berna, na Suíça, há quarenta e um anos, durante o exílio político de seu pai, o jornalista Wilson Roberto Reganelli, que foi embora do Brasil após a morte de seu companheiro de trabalho, o também jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. A família viveu na Suíça doze anos antes de voltar definitivamente ao país natal, para Campinas, no interior de São Paulo, quase no ocaso da década de oitenta do século passado.

Resultado de imagem para Taïs Reganelli - Tanto Mar Chico Buarque

Taïs Reganelli iniciou sua carreira ainda na adolescência, cantando em bares, teatros e espaços culturais da cidade, sempre acompanhada de seu irmão mais velho, o violonista Henrique Torres, com quem formou um duo por mais de vinte anos. Em mil novecentos e noventa e nove, fixou-se em Itália onde durante dois anos deu vários concertos com o irmão,  regressando de novo ao Brasil em dois mil e um para cimentar um lugar de relevo no cenário musical do país irmão e dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira. Ao longo desses anos tocou em vários países da América Latina e da Europa, entre eles Nicarágua, Chile, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Portugal. Lançou quatro álbuns de carreira, destacando-se Leve, há oito anos, que ganhou posições de destaque em várias listas dos melhores discos brasileiros desse ano.

Atualmente a cantora e compositora Taïs Reganelli, vive em Portugal, está apaixonada por Lisboa e a explorar a nossa cultura musical e conceitos tão nossos como a saudade e a solidão. Na sequência, a intérprete estreou-se no nosso país com o lançamento do single Vem (Além de toda solidão), um original da Madredeus composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes e que Taïs canta com pronúncia brasileira, dando ao original um cunho muito pessoal e uma identidade diferente da original sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas.

Agora, dois meses depois dessa feliz estreia por cá e da revisitação à Madredeus, Taïs Reganelli dá-nos a conhecer outra versão, neste caso de Tanto Mar, um original icónico de Chico Buarque e que é, segundo a autora, uma forma de aproximar ainda mais Portugal e Brasil, com histórias parecidas de luta e resistência durante os períodos em que foram submetidos a regimes ditatoriais.

Com a ajuda novamente de Pablo Lapidusas, Reganelli ofereceu ao original de Buarque uma toada mais roqueira e contemporânea, desconstruindo-o e conseguindo com felicidade um contraponto certeiro entre guitarras distorcidas e a sua voz suave. A presença inicial e a espaços de um sintetizador melodicamente inspirado, ajuda a ampliar o grau de emotividade e o colorido de um tema cujo original fala sobre o nosso vinte e cinco de abril e cuja escolha se entende devido ao facto de a ditadura ser algo muito presente dentro do seio familiar da cantora, como referi acima.

Realizado por Juliana Frug, o video da composição apropria-se, de acordo com o seu press release, de uma profusão de cravos para celebrar um dos principais acontecimentos de Portugal, ocorrido em 25 de abril de 1974. A ideia foi produzir um clipe conceitual, apenas com cravos e água (simbolizando o mar que separa os Continentes), interpretando assim toda a letra, afirma Taïs. A cartela de cores foi pensada de acordo com as cores das bandeiras do Brasil e de Portugal com algumas pequenas variações de tons, acrescenta Juliana Frog.

Importa ainda referir que o concerto de lançamento deste single está marcado para dia 14 de dezembro, às 21h, no AveNew, em Lisboa. Confere...

Web: https://www.taisreganelli.com/

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publicado por stipe07 às 14:06






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