Terça-feira, 10 de Setembro de 2019

Pernice Brothers – Spread The Feeling

Formados em mil novecentos e noventa e sete, os míticos Pernice Brothers já não davam notícias desde o excelente registo Goodbye, Killer, editado em dois mil e dez. Depois desse disco, Joe Pernice, o grande mentor deste curioso projeto natural de Massachusetts e ao qual se junta o irmão Bob, voltou a reunir-se com os the Scud Mountain Boys, formou os New Mendicants com Norman Blake e Mike Belitsky, editou um álbum com o nome artístico Roger Lion, ajudado pelo produtor de hip-hop Budo e ainda escreveu para uma série televisiva canadiana intitulada The Detail. Agora, nove anos depois de Goodbye, Killer, os Pernice Brothers regressaram finalmente à linha da frente das prioridades artísticas de Joe, à boleia de Spread The Feeling, registo em que além da dupla de irmãos podemos conferir nos seus créditos nomes tão ilustres como Peyton Pinkerton, James Walbourne, Patrick Berkery, Ric Menck, Neko Case, Pete Yorn, Liam Jaeger e muitos outros.

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Sexto disco da carreira dos Pernice Brothers, Spread The Feeling foi gravado e misturado em Boston, Toronto e Washington e oferece-nos uma ode bastante realista e inspirada à herança sonora mais genuína de uma América que tem no garage rock com laivos de grunge, retratado com mestria em Mint Condition, uma das suas melhores inovações e adições à história musical contemporânea. Mas apesar de serem confessos apreciadores de um registo sonoro particularmente sujo e lo fi, os Pernice Brothers também nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante.

Assim, se aquela pop particularmente luminosa, radiofónica e tipicamente oitocentista é retratada com encanto na vibe soalheira que mistura cordas e pianos com esplendor em The Devil And The Jinn, também é audível no efeito da guitarra e no andamento frenético de Throw Me To The Lions e, numa filosofia estilística semelhante, no baixo imponente que conduz Lullabye. Depois, se o rock mais clássico está carimbado na ligeireza nada subtil de Skinny Jeanne e aquela indispensável abordagem mais soul presente em I Came Back, também somos, neste alinhamento rico e variado, convidados a viajar nas asas da folk mais genuína, irrepreensivelmente retratada nas cordas e na harmónica de Whiter On The Vine e, de modo mais intimista, na balada The Queen Of California.

Disco com um têmpero lo fi muito próprio e, no computo geral, guiado por um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista, Spread The Feeling escuta-se de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles trabalhos que provam que o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

Pernice Brothers - Spread The Feeling

01. Mint Condition
02. Lullabye
03. The Devil And The Jinn
04. Always In All Ways
05. Evidently
06. Wither On The Vine
07. Throw Me To The Lions
08. Skinny Jeanne
09. The Queen Of California
10. I Came Back
11. Eric Saw Colors
12. Frank Say (Bonus Track)
13. Unsound (Bonus Track)


autor stipe07 às 18:30
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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2019

Death Cab For Cutie – The Blue EP

No último ano do século passado, mil novecentos e noventa e nove, os Death Cab For Cutie tinham apenas um par de anos de carreira. Nesse ano , um gasoduto explodiu em Bellingham, a cidade natal do grupo, perto de Washington e em resultado desse evento três crianças morreram, um rapaz de dezoito anos e dois com apenas dez. Este é, de certo modo, o ponto de partida para The Blue EP, o novo tomo de canções deste projeto formado atualmente por Ben Gibbard, Nick Harmer, Jason McGerr, Dave Depper e Zac Rae e que continua, esplendorosamente, a testar a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe, como muito poucas, como agradar aos fãs.

In the waters where we used to swim, Where we thought we would be young forever, But beads that glisten on your sunburnt skin, Evaporated in the flames and embers, canta Ben Gibbard em Kids In ’99, o tema nevrálgico de The Blue EP e que nos oferece aquela irresistível sonoridade ampla, límpida, mas também indesmentivelmente intrincada e detalhisticamente rica que carateriza este trio. Nela, a voz cristalina de Gibbard, a delicadeza da guitarra e o vigor percursivo, mostram-se sem qualquer parcimónia, aglutinando um indie rock puro e genuíno, de calibre ímpar e com uma radiofonia que também não é, certamente, inocente.

Mas não é este single apenas o grande momento alto de The Blue EP. Aliás, o alinhamento começa em grande estilo com To The Ground, um portento sonoro épico conduzido por uma bateria grave que dá à tarola um protagonismo raro, um baixo eficaz e uma guitarra insinuante, sempre ali, a meio caminho de uma postura groove, mas de setas apontadas a riffs cheios de distorção, um tratado de pós punk que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste subgénero do indie rock. Depois, num registo oposto, a cândura da acusticidade singela de Man In Blue, uma canção sobre a recusa em dialogar com um amor antigo, proporciona-nos o contacto feliz com a tal faceta mais sentimental e profunda dos Death Cab For Cutie. Depois, Before The Bombs, uma descrição de uma zona devastada por um cenário de guerra, ganha raízes numa toada mais pop e radiofónica e, por fim, Blue Bloods, nas asas de guitarras planantes e efeitos bastante sedutores e de timbre eminentemente metálico, induz-nos, sem dó nem piedade, aquele habitual grau de emotividade que carateriza o adn do grupo.

Gravado e produzido por Peter Katis, Rich Costey e a própria banda durante as mesmas sessões de gravação que incubaram Thank You For Today, o disco que os Death Cab For Cutie editaram o ano passado, The Blue EP mantém o projeto norte-americano na senda de uma narrativa geral em que o conceito de tragédia e dor é, decerto modo, o eixo fulcral do arquétipo filosófico das suas criações sonoras, mas em que é audível um equilibrio e balanço feliz, já que a opção sonora geral é rica em momentos deslumbrantes e que viciam facilmente. Espero que aprecies a sugestão...

Death Cab For Cutie - The Blue EP01. To The Ground
02. Kids In ’99
03. Man In Blue
04. Before The Bombs
05. Blue Bloods


autor stipe07 às 20:36
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

Death Cab For Cutie - Thank You For Today

Cerca de três anos depois de Kintsugi os Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que eles são mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas, no caso desse registo, em letras profundas e intensas, que debruçavam-se sobre as relações humanas, num álbum possível de ser fonte de identificação para qualquer um de nós. Estas permissas mantêm-se neste novo registo intitulado Thank You For Today, o nono da banda, um disco produzido por Rich Costey e que viu a luz do dia através da Atlantic Records.

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Esta banda norte americana de indie rock sedeada atualmente em Washington e liderada por Ben Gibbard, tem mantido ao longo das quase duas décadas de carreira um rumo filosófico muito vincado, sustentado em canções que olham sempre para a pop e o rock alternativo contemporâneos com sagacidade e com letras a testar constantemente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil. Assim, disco após disco, os Death Cab For Cutie têm atestado com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe sempre como agradar aos fãs. Em Thank You For Today não fogem à regra; Gibbard, o cérebro criativo da banda após a partida de Chris Walla, ainda antes de Kintsugi, já passou a fasquia dos quarenta anos e um divórcio algo traumático e está cheio de cicatrizes e demónios que necessita de exorcizar, com o desprezo que sente por Trump a ser mais uma acha para essa fogueira depressiva que Thank Your Today de certo modo plasma. Assim, o que temos nas dez canções deste álbum são lindíssimas melodias quase seempre conduzidas por guitarras planantes e com efeitos bastante sedutores e de timbre eminentemente metálico, acompanhadas por sintetizadores e teclados que buscam induzir aquele hiabutal grau de emotividade que carateriza o adn do grupo. São temas impecavelmente produzidos e que materializam essa necessidade de testemunhar todas as transformações e dinâmicas que Gibbard tem vindo a viver e a observar nos últimos anos.

Assim, do acerto contemplativo de I Dreamt We Spoke Again, canção em que Gibbard exorciza as saudades que ainda possa sentir da sua antiga companheira (It’d been so long, it’d been so long, your voice was like a ghost), ao modo impressivo como em Gold Rush o músico reflete sobre a atual Seattle onde os Death Cab For Cutie, passando pela realismo como em Autumn Love é feito um balanço daquilo que é viver com o peso dos quarentas, (If there’s no beacon tonight to guide me, I’ll finally break the schakles of direction), ao clima sonhador e introspetivo de 60 & Punk, este é um alinhamento rico em momentos deslumbrantes, quer líricos quer sonoros e que viciam facilmente. O resultado final é mais um passo em frente seguro e qualitativamente assertivo em direção a um futuro pessoal e musical que será certamente promissor para Gibbard e os músicos que o acompanham nesta nobre aventura chamada Death Cab For Cutie, um grupo que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no universo sonoro que aprecia e que está sempre para continuar a projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte. Espero que aprecies a sugestão...

Death Cab For Cutie - Thank You For Today

01. I Dreamt We Spoke Again
02. Summer Years
03. Gold Rush
04. Your Hurricane
05. When We Drive
06. Autumn Love
07. Northern Lights
08. You Moved Away
09. Near/Far
10. 60 And Punk


autor stipe07 às 14:24
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018

Death Cab For Cutie – Autumn Love

Death Cab For Cutie - Autumn Love

Cerca de três anos depois de Kintsugi os Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que eles são mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas, no caso desse registo, em letras profundas e intensas, que debruçavam-se sobre as relações humanas, num álbum possível de ser fonte de identificação para qualquer um de nós.

Thank You For Today, o nono álbum da carreira desta banda norte americana de indie rock oriunda de Washington e formada por Ben Gibbard, Nick Harmer e Jason McGerr, deverá manter o trio nesse rumo filosófico, com Autumn Love, o terceiro single divulgado do seu alinhamento, a testar novamente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que saberá mais uma vez como agradar aos fãs. Confere...


autor stipe07 às 10:57
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Death Cab For Cutie – Gold Rush

Death Cab For Cutie - Gold Rush

Cerca de três anos depois de Kintsugi os Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que eles são mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas, no caso desse registo, em letras profundas e intensas, que debruçavam-se sobre as relações humanas, num álbum possível de ser fonte de identificação para qualquer um de nós.

Thank You For Today, o nono álbum da carreria desta banda norte americana de indie rock oriunda de Washington e formada por Ben Gibbard, Nick Harmer e Jason McGerr, deverá manter o trio nesse rumo filosófico, com Gold Rush, o primeiro single divulgado do seu alinhamento, a testar novamente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que saberá mais uma vez como agradar aos fãs. Confere...


autor stipe07 às 10:36
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