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Dream People - People Think

Sexta-feira, 15.01.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, com edição prevista para março e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.

Dream People regressam com “Putos de Portugal” – Glam Magazine

People Think é o mais recente single divulgado do alinhamento de Almost Young, uma canção aparentemente optimista e até eufórica - reminescente os anos oitenta - mas que é acompanhada de uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto. A quem com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência. A quem se esquece da juventude. O tema também já tem direito a um videoclipe conta com a participação do dançarino João Reis Moreira. Confere...

 

 

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publicado por stipe07 às 15:34

Sun Kil Moon – Snowbound

Quinta-feira, 14.01.21

Sun Kil Moon é o projeto atual de cantor e compositor Mark Kozelek, que ficou conhecido por ter sido o líder dos carismáticos Red House Painters. Sun Kil Moon encontra então Kozelek ao volante de uma banda que se estreou em dois mil e três com o fabuloso disco Ghosts of the Great Highway, e que tem um novo trabalho intitulado Welcome To Sparks, que será analisado por esta redação nos próximos dias.

Sun Kil Moon – Snowbound – The Predatory Wasp

Para já, a primeira nota do ano deste blogue para Sun Kil Moon centra-se em Snowbound, uma canção que Kozelek divulgou logo após o último natal e que afirma com subtil beleza a habitual sonoridade frágil e cândida deste projeto, através de um belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave que transborda uma majestosa e luminosa melancolia. Confere...

Sun Kil Moon - Snowbound

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publicado por stipe07 às 17:53

The Telescopes - Strange Waves

Terça-feira, 12.01.21

Com mais de trinta anos de carreira e já descritos pela imprensa musical britânica como uma revolução da psique, os The Telescopes estão prestes a regressar aos discos com Songs Of Love And Revolution, o décimo segundo álbum do quarteto e, pelos vistos, mais uma explosão solar de ritmos indutores de transe, presa no leme por uma parede de baixo pulsante e mantida no lugar por um enxame de guitarras ao redor, como é apanágio num projeto com um legado cheio de momentos “eureka”, alimentados via intravenosa através de uma racha no ovo cósmico, e que sempre revelou algo novo dentro de um espetro indie de forte cariz lisérgico e ampamente progressivo.

The Telescopes share the video for Strange Waves | Louder Than War

Depois de termos ficado a conhecer o tema Mesmerised no início de dezembro último, agora chega a vez de conferirmos Strange Waves, o terceiro tema do alinhamento de Songs Of Love And Revolution, canção em que a tónica é colocada, primordialmente, na criação de um ambiente com forte travo lisérgico e cósmico, proporcionado pela eficaz interseção entre um efeito tenebroso de uma guitarra e um efeito reverbante de outra, numa espécie de fuzz psicadélico, que impressiona pela majestosidade e ímpeto, nuances conjuradas com elevada mestria no âmago mais inquietante de um um projeto que foi, é e será sempre visionário, revolucionário e marcadamente experimental. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:37

David Bowie – Tryin’ To Get To Heaven & Mother

Segunda-feira, 11.01.21

Se ainda estivesse entre nós, David Bowie, o camaleão nascido em Brixton, em 1947, teria feito setenta e quatro primaveras na última sexta-feira, dia oito de janeiro. Essa data acabou por não passar em claro porque foram reveladas nesse dia duas raras versões de originais de John Lennon e Bob Dylan, assinadas por Bowie, disponíveis fisicamente numa edição em vinil de sete polegadas, limitada a oito mil cento e quarenta e sete unidades apenas, com a chancela da Rhino Records.

LISTEN: David Bowie - 'Tryin' To Get To Heaven' / 'Mother'

O original de Lennon que Bowie revisitou foi Mother, uma canção lançada pelo ex-Beatle em mil novecentos e setenta e Tryin’ To Get To Heaven foi criada no ano seguinte por Dylan, composição que fazia parte do alinhamento de Time Out Of Mind, o álbum que o músico natural de Duluth, no Minnesota, lançou em mil novecentos e setenta e um e que ganhou um grammy nesse mesmo ano.

Com uma carreira cheia de momentos marcantes e que dificilmente serão esquecidos, estas duas versões agora lançadas à tona obedecem fielmente a um modus operandi com mais de quatro décadas no qual este músico britânico transformou histórias pessoais em canções, numa cruzada sonora intensa, próxima e subtilmente encantadora, idealizada por um intérprete exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e que sabia, de forma bastante peculiar e única, como converter simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Confere...

David Bowie - Tryin' To Get To Heaven - Mother

01. Tryin’ To Get To Heaven
02. Mother

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publicado por stipe07 às 17:06

Kings Of Leon – The Bandit & 100,000 People

Domingo, 10.01.21

Meia década depois do disco Walls, os irmãos Followill e restante trupe estão de regresso com When You See Yourself o novo registo de originais dos norte-americanos Kings Of Leon. Esse novo trabalho do coletivo de Nashville, o oitavo da carreira do projeto, foi produzido por Markus Dravs e viu a data de lançamento adiada devido ao período pandémico, sendo só confirmado o momento em que iria ver a luz do dia, já depois do último natal.

Kings of Leon Preview New Album With 'The Bandit' and '100,000 People' -  Rolling Stone

The Bandit e 100,000 People são os dois temas já divulgados de When You See Yourself, duas canções que se perfilam na segunda e terceira posições do alinhamento do disco mas algo antagónicas. Assim, se The Bandit é uma espécie de avalanche sonora em que guitarras e baixo se esgrimem para criar uma composição vibrante e com uma filosofia roqueira inconfundível, já 100,000 People, mesmo crescendo em intensidade e sentimentalismo, contém um clima sonoro mais ponderado, delicado e calculado. Confere... 

Kings Of Leon - The Bandit - 100,000 People

1. "When You See Yourself, Are You Far Away"
2. "The Bandit"
3. "100,000 People"
4. "Stormy Weather"
5. "A Wave"
6. "Golden Restless Age"
7. "Time In Disguise"
8. "Supermarket"
9. "Claire And Eddie"
10. "Echoing"
11. "Fairytale"

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publicado por stipe07 às 16:06

Louis Philippe & The Night Mail - Thunderclouds

Sexta-feira, 08.01.21

Francês, mas a viver em Londres há já trinta e quatro anos, Louis Philippe tem já no seu catálogo discográfico um interessante cardápio com mais de uma dezena de discos dos quais é nome de destaque nos seus créditos. De facto, tem sido uma vida inteira dedicada à escrita, produção, composição e interpretação, de mãos dadas com nomes como os The High Llamas, Towa Tei, Martin Newell, Big Big Train, Testbild!, The Clientele e Bertrand Burgalat e produzindo para artistas abrigados pela É! Records de Mie Alway.

Louis Philippe & The Night Mail editam “Thunderclouds” – Glam Magazine

Assim, depois de Louis Philippe ter aberto as hostilidade em dois mil e vinte com o lançamento de The Devil Laughs, a sua segunda colaboração com Stuart Moxham (Young Marble Giant), perto do ocaso desse ano atípico e através da Tapete Records divulgou Thunderclouds, o título da sua nova obra-prima e o primeiro álbum do músico feito com uma banda ao vivo em estúdio, neste caso  os The Night Mail, um trio formado pelo músico e jornalista Robert Rotifer na guitarra (ex-Acid Jazz e Weller), o DJ, produtor e enciclopédia ambulante de pop Andy Lewis no baixo e o supremo Papernut Cambridge, ex-membro de Thrashing Doves e Death in Vegas Ian Button na bateria. Já agora, esta colaboração entre Louis Philippe e os The Night Mail, começou a ser incubada  em dois mil e dezassete, na festa de duas noites do aniversário dos quinze anos da Tapete Records no Lexington de Londres, quando tocaram juntos, pela primeira vez, na segunda noite.

Thunderclouds contém treze composições encharcadas por uma pop bastante inspirada e concebidas quer por Louis Philippe quer por Rotifer, dois amigos de há muitos anos que se inspiraram na sua experiência compartilhada de espectadores democraticamente marginalizados da agitação em torno da saída da Grã-Bretanha da União Europeia e da confluência dessa crise crescente com a pandemia atual para criarem um disco no momento certo das vidas de ambos.

No final do primeiro período de confinamento, Rotifer foi ver Louis Philippe para lhe mostrar a infindável pilha de demos musicais que ele tinha acumulado ultimamente. No início de setembro, a banda finalmente reuniu-se para dois ensaios antes de ir para os Rimshot Studios na zona rural de Kent gravar as faixas de base para todas as treze músicas do álbum, bem como as cordas (tocadas pela violinista Rachel Hall de Big Big Train) e partes do trompete (por Shanti Jayasinha), seguido por outra sessão de vozes, teclados, percussão e mais algumas guitarras, habilmente projectadas por Andy Lewis no estúdio caseiro de Rotifer em Canterbury. O resultado é um álbum que evoca a marca lendária do progressivo caprichoso daquela cidade, tanto quanto as raízes profundas de Philippe na arte da música francesa e um amor compartilhado pelo lado outonal da pop ensolarada.

Transcrevendo a press release de lançamento do registo, Thunderclouds inicia as hostilidades com “Living on Borrowed Time, um cativante tema que soa a uma música de um filme perdido de Lemmy Caution. Enquanto a faixa-título do álbum esconde a antecipação de uma tempestade de acordes Wyattesque com toques de jazz que se erguem magicamente do barulho musical que emana de umas obras dum edifício junto à casa de Shepherd's Bush de Louis Philippe, valsas leves como "Fall in a Daydream" e “Once in a Lifetime of Lies” conseguem fazer Londres parecer Paris, antes da faixa de encerramento “When London Burns” convidar o ouvinte para uma pista de dança imaginária onde o anglófono Michel Polnareff encontra o disco. Entre tudo isso, atravessamos as misteriosas paisagens urbanas aurais de “Alphaville”, a ampla gama dinâmica de duas suítes de música (“The Man who had it All” e “Rio Grande”), a Tropicália/ subtileza folk de “The Mighty Owl ”, os surpreendentes ritmos gospel de“ Love is the Only Light ”, os cativantes dramáticos de“ No Sound ”, os tons celtas inesperados de“ Do I ”e o igualmente maluco e belo semi-instrumental“ Willow ”.

Como Louis Philippe conseguiu manter todas estas ideias reprimidas dentro de si por todos estes anos permanece um mistério, mas assim que elas começam a jorrar, ele é verdadeiramente imparável. E como ele previu com razão em 2017, The Night Mail provou ser capaz de acompanhá-lo a todo gás. Sem dúvida, porém, essa urgência recém-descoberta é um testemunho dos tempos desafiadores que todos nós estamos passando. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:43

Molly Burch – Emotion

Quinta-feira, 07.01.21

Depois do excelente registo de natal The Molly Burch Christmas Album lançado em dezembro de dois mil e dezanove, a norte-americana Molly Burch, volta a dar sinais de vida com um novo single intitulado Emotion, abrigado pela Captured Tracks e que terá direito nos próximos dias a edição em formato de sete polegadas, juntamente com a canção Needy, uma cover de um original de Ariana Grande como b-side.

Molly Burch links with Wild Nothing for new track “Emotion”

Emotion coloca esta cantora e compositora natural de Austin, no Texas, no terreno que se sente mais confortável, já que nos proporciona, através de um vigoroso baixo, uma hipnótica batida e diversos efeitos sintetizados plenos de groove, um portento melódico de charme e sedução, desenhado à sombra de ambientes algo nebulosos e jazzísticos e que não descuram uma leve pitada de R&B, mas que têm como base os cânones fundamentais da melhor indie pop atual. Confere...

Molly Burch - Emotion

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publicado por stipe07 às 17:26

Bill Callahan & Bonnie ‘Prince’ Billy – Rooftop Garden

Quarta-feira, 06.01.21

Nomes proeminentes da mítica etiqueta Drag City, Bill Callahan e Will Oldham, que assina a sua música como Bonnie “Prince” Billy, têm vindo a abençoar-nos, desde outubro último e mês após mês, com uma fascinante coleção de versões de originais de nomes que respeitam e veneram, juntando sempre, em cada nova gravação, um terceiro elemento convidado.

Bill Callahan and Bonnie "Prince" Billy Cover Lou Reed's "Rooftop Garden":  Listen

A mais recente composição criada ao abrigo dessa iniciativa é a cover de Rooftop Garden, um clássico assinado por Lou Reed, incluído no disco Legendary Hearts que este músico norte-americano, natural de Brooklyn, em Nova Iorque, editou no já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e três.

Para gravar esta nova roupagem de Rooftop Garden, Bill Callahan e Bonnie "Prince" Billy convidaram George Xylouris, mentor do projeto Xylouris White, dando ao tema uma sonoridade mais contemporânea e atual, tipicamente americana, que sobrevive impecavelmente numa base eminentemente elétrica, mas que não deixa de ter embutidos alguns tiques e detalhes que roçam um curioso noise experimental de forte cariz lo-fi. Confere...

Bill Callahan And Bonnie 'Prince' Billy - Rooftop Garden

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publicado por stipe07 às 17:26

Cloud Nothings – Life Is Only One Event

Terça-feira, 05.01.21

Os Cloud Nothings de Dylan Baldi, Jayson Gerycz, TJ Duke e Chris Brown preparam-se para editar no próximo dia vinte e seis de fevereiro, The Shadow I Remember, o sexto disco da carreira do grupo de Cleveland, no Ohio. No entanto o complicado período pandémico que vivemos tem inspirado com particular relevância este grupo, que lançou no último verão um trabalho intitulado The Black Hole Understands, alinhamento disponível em exclusivo na plataforma de streaming e compra digital bandcamp e que na altura sucedeu ao excelente Last Building Burning, um álbum datado de dois mil e dezoito e que nos ofereceu oito canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock.

Cloud Nothings Announce New Album, Share Video for New Song: Watch |  Pitchfork

Em jeito de antecipação do lançamento de The Shadow I Remember, os Cloud Nothings surpreenderam-nos no início de dezembro último com Life Is Only One Event, dez composições criadas durante o processo de gravação dos temas que fazem parte de The Black Hole Understands e que, merecem audição atenta já que sendo eminentemente feitas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com a surf music e o garage rock, numa embalagem caseira e íntima e que não coloca em causa o adn sonoro identitário dos Cloud Nothings, também é um compêndio onde pujança, crueza e até uma certa monumentalidade caminham de mãos dadas, nas asas de guitarras plenas de momentos melódicos mas também de pura distorção, vozes muitas vezes quase inaudíveis e uma bateria que não receia plasmar, em simultâneo, raiva e quietude, no fundo alguns dos atributos essenciais para a definição justa do melhor adn deste grupo e que, nesta nova etapa que virá em fevereiro, atingirá, certamente, um patamar superior de maturidade. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - Life Is Only One Event

01. Alive In The World
02. Violent Reality
03. Saw This Light
04. The Horror You Found
05. I Rise At Dawn
06. To A Future Audience
07. On Different Earth
08. Heaven In The Wall
09. Patter Of This Place
10. An Older Road

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publicado por stipe07 às 17:00

Future Islands – As Long As You Are

Segunda-feira, 04.01.21

Pouco mais de três anos depois do excelente registo The Far Field, à época o quinto registo de originais dos Future Islands, este projeto norte-americano de Baltimore regressou perto do ocaso de dois mil e vinte com As Long As You Are, um novo tomo de canções de uma banda com uma carreira já bem cimentada no panorama índie contemporâneo, não só por causa da elevada bitola qualitativa do cardápio sonoro que credita, mas também por causa do carisma de Samuel Harring, um agitador nato, fabuloso dançarino e um dos melhores frontmen da atualidade.

Future Islands: As Long As You Are — drenched in synths | Financial Times

Os Future Islands chegam ao sexto disco já com a percepção clara de que fazem parte, com inteiro mérito, dos lugares de topo do panorama sonoro em que se movimentam. Com essa conquista no bolso, a tentação de acomodação e repetição da fórmula vencedora dos trabalhos antecessores poderia ser grande, mas As Long As You Are não cai nessa esparrela, sendo, claramente, mais um passo evolutivo do projeto, num disco que reflete imenso as experiências pessoais de Harring, sonorizadas através de inspiradas e felizes interseções entre uma componente sintética bem vincada e onde os sintetizadores são reis e uma secção rítmica fluída, como é apanágio deste grupo.

São vários os exemplos do disco que refletem este cenário. Um dos mais inspirados é For Sure, tema que conta com a participação especial vocal de Jenn Wasner dos Wye Oak, nos coros e um portento de epicidade que faz juz à estética sonora habitual dos Future Islands, nomeadamente no modo como olha de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente. Depois merece também audição dedicada Born A War, composição que reflete algumas das tais vivências pessoais de Harring e novamente com uma veia nostálgica oitocentista muito marcada, não só no baixo pulsante, mas, principalmente, no efeito agudo sintetizado que deambula em redor dele e nos restantes arranjos percussivos, num resultado final eloquente, algo etéreo e contemplativo e de elevada amplitude e luminosidade

Estes ingredientes acabam por se repetir noutras canções, resultando num disco que faz uma espécie de mescla entre o melhor retro e vintage que a pop contém na sua herança identitária e que teve a penúltima década do século passado como período mais feliz. O modo como o refrão de Waking abraça o céu e a terra sem se perceber onde termina e acaba essa copúla, ou o modo luxuriante como o baixo e o sintetizador se unem ao tom grave da voz em I Knew You aprofundam ainda mais a filosofia estilística deste As Long As You Are, para que não haja dúvidas que estes Future Islands apontam neste registo algumas novas matrizes, precisando uma inédita definição de pop, que juntando rock e eletrónica, não renega o rico passado que o grupo contém, mas que sabe cada vez melhor como continuar a conjugar dois mundos que sempre pareceram como água e azeite, mas que afinal podem tocar-se, envolver-se e emocionar-nos sem haver fronteiras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos.

Disco sobre confiança, cheio de honestidade, redenção e desapego, permitindo que velhas feridas cicatrizem ao encerrar capítulos dolorosos, conforme declara o quarteto norte-americano, que assumiu funções de produção pela primeira vez, juntamente com Steve Wright, As Long As You Are encarna uma abundância de fragmentos sonoros cheios de vida e cor, dispostos de modo orgânico e enérgico, com a sua audição a oferecer-nos uma viagem ao passado e ao futuro, com aquela sensualidade que apela diretamente às emoções. Espero que aprecies a sugestão...

Future Islands - As Long As You Are

01. Glada
02. For Sure
03. Born In A War
04. I Knew You
05. City’s Face
06. Waking
07. The Painter
08. Plastic Beach
09. Moonlight
10. Thrill
11. Hit The Coast

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publicado por stipe07 às 15:36






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