
E já a dezoito de outubro que chega aos escaparates Bang, o novo registo de originais dos suecos Mando Diao, uma banda de rock alternativo formada em dois mil e um, com origem em Borlänge e formada atualmente por Björn Dixgård, Mats Björke e Carl-Johan Fogelklou. Bang será o nono tomo da carreira dos Mando Diao, sucedendo ao excelente trabalho Good Times, editado na primavera de dois mil e dezassete.
Long Long Way é o mais recente single divulgado de Bang, uma composição bastante otimista e que impressiona pela exuberância das cordas e dos arranjos que as adornam, fazendo adivinhar um trabalho um pouco diferente de uma suposta escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock, cheio de adrenalina e com uma forte filosofia garageira, talvez o território onde este quarteto sueco se tem sentido mais confortável ao longo da carreira. Será, portanto, um registo um pouco diferente do que estamos habituados nos Mando Diao, que se têm valorizado pela originalidade simultaneamente vintage e contemporânea das suas obras, discos que sustentam uma identidade firme e coesa de uma banda que merece, claramente, uma superior projeção. Confere...
Produzido por Pontus Winnberg (Miike Snow), Johannes Berglund e Måns Lundberg e gravado nos estúdios Skolhaus, em Mariefred, nos arredores de Estocolmo, Re-Dreaming, é o novo EP do trio sueco Deportees, um registo com cinco canções que colocam este projeto liderado por Peder Stenberg, debaixo dos holofotes da crítica fora das fronteiras de uma Suécia onde são já um caso sério de popularidade.

Com forte tonalidade oitocentista, Re-Dreaming é um daqueles registos optimistas e luminosos, muito à imagem de outras propostas oriundas dos países nórdicos, em que guitarras e sintetizadores conjuram entre si para criar ambientes sonoros amplos, emotivos e com um elevado cariz retro.
Assim, se Bright Eyes, um dos grandes destaques do EP, tem uma atmosfera bastante emotiva, empática e sentimental e debruça-se sobre a capacidade que todos devemos ter de nos reerguermos depois de instantes de dissabor em que tudo parece desmoronar em nosso redor, já Time Is The Tiger, por exemplo, aposta num clima mais progressivo e visceral e Patterns numa abordagem mais melancólica e reflexiva, num resultado final que procura incutir no ouvinte, de acordo com Stenberg, otimismo e esperança relativamente a um futuro que não se prevê particularmente animador. Confere...
01. Bright Eyes
02. Time Is The Tiger
03. Wild Repeat
04. A Love Design
05. Patterns
I Love You. It’s A Fever Dream. é o quinto e novo registo de originais do sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, um álbum de difícil gestação e muito querido pelo próprio autor que confessou no verão passado que estava a ser complicado conseguir aprimorar o seu conteúdo devido à digressão de Dark Bird Is Home, o álbum que o músico lançou há quatro anos. Aliás, esta digressão acaba por ser o grande mote de dez canções que reforçam o estatuto de excelência de um autor que tem, com toda a justiça, cada vez maior aceitação e reconhecimento público e que possui o dom raro de transformar histórias particulares e melancolias próprias em música acessível a todos.

De facto, I Love You. It’s A Fever Dream., sendo, de acordo com o autor, um relato de diferentes banalidades, rotinas e curiosidades que estão sempre subjacentes à vida de um músico, geralmente intercalada entre a estrada e o estúdio, procura ter o atributo maior de responder a algumas das questões filosóficas mais prementes da nossa existência, nomeadamente quais os melhores caminhos que devemos percorrer, nos obstáculos que todos temos de contornar ou ultrapassar durante a vida.
Assim, este disco é, essencialmente, um feliz exercício biográfico, onde The Tallest Man On Earth estabelece uma forte vontade de aproximação, como se cantasse diretamente para nós, de forma verdadeiramente confessional, enquanto tem o duplo objetivo de se abrir e desabafar, mas também aconselhar e inspirar. Por exemplo, em Hotel Bar Matsson relata alguns dos constrangimentos da digressão, nomeadamente a solidão, mas também a beleza de um concerto, que reside na arte comunicar com uma audiência de estranhos, utilizando uma forma de manifestação artística sublime, a criação musical. E fá-lo comparando-se a um leopardo que vive uma epopeia que, quer passe por Brooklyn ou por uma savana africana, tem sempre necessidade de escalar a uma árvore ou a um arranha-céus para ver se encontra alguém familiar e da sua espécie. Pouco depois, em I’m A Stranger Now, Matsson regressa à temática da solidão, ampliando porque confessa cruzar-se e conhecer imensas pessoas mas percebe que são poucas aquelas que realmente marcam e que na sua profissão é sempre escasso o tempo e a dispopnibilidade para cultivar a amizade. Já em Waiting For My Ghost explora a estranha sensação de anonimato que a presença constante na estrada provoca, por serem imensos os dias em que se sente rodeado apenas por estranhos e em There's A Girl ele clama por um novo amor que o faça libertar-se de toda esta realidade sombria, rotineira e pouco recompensadora em que vive.
Em suma, I Love You. It’s A Fever Dream. é um daqueles discos que encanta pelo modo como as melancolias afloram, canção após canção, de uma forma muito honesta e ao mesmo tempo comercial. Quer seja através da country ou da folk, nestas dez canções o cantor apodera-se de sentimentos universais, para criar um clima intenso e uma verdadeira espiral sentimental, que atinge com precisão o lado mais sensível de cada um de nós, sem apelo nem agravo. O modo como Matsson cria neste registo metáforas sobre si próprio é feito com um grau de realismo e de criatividade tal que quase nem nos apercebemos da própria instrumentalidade, que conduz o disco. Mas convém referir que nesta tal instrumentalidade, The Tallest Man On Earth é exemplar no modo como usa as cordas, as teclas e diversos efeitos percussivos para ampliar o toque intimista de um álbum inteligente e particularmente belo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Hotel Bar
02. The Running Styles Of New York
03. There’s A Girl
04. My Dear
05. What I’ve Been Kicking Around
06. I’m A Stranger Now
07. Waiting For My Ghost
08. I’ll Be A Sky
09. All I Can Keep Is Now
10. I Love You. It’s A Fever Dream.
Elva é o novo projecto do casal Elizabeth Morris ((Allo Darlin) e Ola Innset (Making Marks e Sunturns) e em norueguês a palavra significa rio. É, pois, um projeto sonoro encabeçado por uma dupla que rema na mesma direção e em cujas veias escorre uma seiva artística comum, um casal que se inspirou no mundo natural, na beleza do verão escandinavo e na dureza do inverno, para incubar um álbum intitulado Winter Sun, dez canções que também devem muito do seu conteúdo ao nascimento da filha de ambos. Winter Sun foi gravado no último outono numa escola antiga na floresta sueca, durante a época de caça aos alces e tal atmosfera acabou por potenciar o cunho sonoro fortemente identitário do disco relativamente a uma área geográfica bastante específica, um registo criado por dois artistas nórdicos mas que, curiosamente, também encontram no outro lado do atlântico um oásis inspirador.

Lançado pela Tapete Records, gravado e produzido por Michael Collins, baterista dos Allo Darlin e com as participações especiais de Dan Mayfield no violino, Diego Ivars no baixo e Jørgen Nordby na bateria, Winter Sun tem, como se percebe logo na luminosidade folk de Athens e, adiante, na mais intimista Harbour In The Storm, elevado sustento na exuberância de inspiradas cordas de forte pendor acústico. Mas engana-se quem considerar que será este o único suporte sonoro de Winter Sun, porque, logo a seguir, no ritmo incisivo de Tailwind e, pouco depois, na tonalidade oitocentista vincada de Ghost Writer, percebe-se que, no modo como essas mesmas cordas são eletrificadas, o registo contém também a força de uma pop distinta, acondicionando não só cenários melódicos eminentemente acústicos, mas também algumas das principais linhas orientadoras da country, da folk norte-americana e do melhor rock alternativo das últimas três décadas.
Seja como for, apesar da evidente predominância das cordas, se o ouvinte escutar com a devida e merecida devoção Winter Sun, certamente perceberá que teclados charmosos e de forte cariz vintage e um registo vocal intrincado e até algo complexo, a espaços, são também a alma de um registo lirica e melodicamente profundo e que também convive da combinação de detalhes e nuances opostas, justificados pela opção por elementos acústicos ou elétricos, orgânicos e sintéticos e mais reflexivos ou expansivos, muitas vezes numa mesma canção.
De facto, os Elva sabem muito bem como transmitir e explorar sensações únicas e intensas através de uma sonoridade sempre sóbria e adulta, mas também com um forte cunho envolvente, climático e melancólico. Em Airport Town, na nuance do efeito da guitarra e no modo como os restantes instrumentos se encaixam na mesma enquanto intercalam epicidade com intimismo e no timbre vocal grave de Elizabeth, percebe-se esse elevado índice de maturidade e abrangência, com o odor que afaga e adoça em Everything Is Strange e o travo algo setentista e lisérgico que exala do sereno dedilhar da guitarra de Don't Be Afraid, a reforçarem toda uma complexidade de abordagens felizes a diferentes géneros sonoros e que, numa mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibram sempre de forma vincada e segura.
Disco intenso, mas também bastante relaxante e até, em alguns instantes, algo soporífero, Winter Sun conquista o coração de quem escuta estes Elva, que usam melodias doces para nos fazer despertar no nosso âmago sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...
![]()
Já está nos escaparates Kings Cross, o décimo segundo álbum do sueco Jay-Jay Johanson, mais um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentam o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinmetográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Com a participação especial de Robin Guthrie dos míticos Cocteau Twins em Lost Forever e com um dueto com Jeanne Added em Fever, Kings Cross consiste num inspirado compêndio de eletropop idealizado por um Jay-Jay Johanson que teve o firme intuíto de nos captar com a sua voz melancólica, ao som de arrebatadoras melodias, revestidas de sons intrincados e algo misteriosos, geralmente de origem sintética e batidas e efeitos percurssivos de cariz emimentemente experimental.

Not Time Yet, a canção que abre o alinhamento de Kings Cross, torna logo explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente reflexivo e ambiental, como grande suporte sonoro, conforme já referi, mas é demasiado redutor, aviso desde já, parcelar de modo tão concreto todo o emaranhado de referências estilísticas que o artista sueco absorveu, degustou e depois esplanou neste seu novo álbum.
Assim, se no caso dessa primeira composição do álbum, temos um som polido, mas desafiante por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, na tonalidade mais descontraída e cativante do jazz que alinha Heard Somebody Whistle, na soul da percurssão, do baixo e do insinuante piano de Smoke, na romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que nos embala em Hallucination, na guitarra que ressoa com vigor em Niagara Falls e no clima íntimo e de forte pendor clássico de Old Dog ficamos devidamente esclarecidos acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

01. Not Time Yet
02. Heard Somebody Whistle
03. Smoke
04. Lost forever (Feat. Robin Guthrie)
05. Hallucination
06. Old Dog
07. Niagara Falls
08. Fever (Feat. Jeanne Added)
09. Swift Kick In The Butt
10. We Used To Be So Close
11. Everything I Own
12. Dead End Playing

Produzido por Pontus Winnberg (Miike Snow) e gravado nos estúdios Skolhaus, em Mariefred, nos arredores de Estocolmo, Bright Eyes é o mais recente single divulgado de Re-Dreaming, o EP que o trio sueco Deportees vai lançar a dezassete de maio.
Com forte tonalidade oitocentista, Bright Eyes tem uma atmosfera bastante emotiva, empática e sentimental e debruça-se sobre a capacidade que todos devemos ter de nos reerguermos depois de instantes de dissabor em que tudo parece desmoronar em nosso redor, conforme confessou recentemente Peder Stenberg, o vocalista e letrista do grupo. Confere...
Sebastian Murphy, Benjamin Vallé, Tor Sjödén, Henrik Höckert e Martin Ehrencrona são os Viagra Boys, um coletivo sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de surpreender os mais incautos com Street Worms, nove canções assentes num indie rock encorpado, volumoso e efusivo, que mistura baixo e guitarras com batidas sintetizadas e aproxima o projeto não só de uma sonoridade eminentemente punk, mas também daquele garage rock cru, sujo e vibrante que fez escola há duas e três décadas atrás nos dois lados do Atlântico.

Street Worms é um banquete de melodias repletas de momentos de glória e celebração, onde letras e voz, se cruzam com uma vasta miríade instrumental para dissertar com particular acidez e ironia sobre um conservadorismo que vai tomando cada vez mais conta da nossa urbanidade ocidental mais elitista, que não tem sabido muito bem como reagir ao saudável crescimento da importância das minorias e do medo que esse movimento, que tem também cada vez mais força na internet, acaba por provocar nas esferas dominantes pouco dispostas a repartir o pão que têm absorvido apenas e só para si, há já várias décadas. E os Viagra Boys parecem dispostos a levar o seu garage rock nessa direção eminentemente intervencionista, fazendo-o com assinalável mestria dançavel e psicadélica, quer no sintético groove negro de Down In The Basement, mas também no aditivo refrão da irónica masculinidade de Sports, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som do quinteto no pós punk de Just Like You e ainda no modo inédito como o saxofone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta Slow Learner, canção que espraia-se nos nossos ouvidos e nos faz vibrar de alto a baixo com particular languidez.
Street Worms é um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora que a que habitual se escuta por baixo da bola de espelhos, vinda de uma Suécia que é país modelo no acolhimento de refugiados, mas também um território fértil em convulsões e pátria de uma das extremas direitas mais ativas e violentas da Europa. A música dos Viagra Boys, uma banda que do nome à performance algo descontraída e espontânea parece não querer ser levada demasiado a sério, mas que tem o firme controle sobre aquilo que defende e pretende instigar no ouvinte, tem esse elan teatral trágico comediante, esse sabor a crítica e a chamada de alerta para um fenómeno de resistência e repulsa aos movimentos migratórios que tem vindo a ganhar repercurssões particularmente alarmantes nos países nórdicos e que pouco tem de parodiante ou que seja passível de ser objeto de ligeiro sarcasmo. The same worms that eat me/Will someday eat you, too, assim termina no sinistro negrume de Worms, um disco que quer, no fundo, mostrar-nos que, mais tarde ou mais cedo, acabamos por ser todos iguais. Espero que aprecies a sugestão...
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
as minhas bandas
The Good The Bad And The Queen
My Town
eu...
Outros Planetas...
Isto interessa-me...
Todos Diferentes Todos Especiais
Rádio
Na Escola
Free MP3 Downloads
Cinema
Editoras
Records Stream