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The Bright Light Social Hour – Jude Vol. II

Quarta-feira, 02.09.20

Jackie O'Brien, Curtis Roush, Edward Braillif e Zac Catanzaro são os The Bright Light Social Hour, uma banda sedeada em Austin, no Texas, e já bastante reconhecida no universo alternativo norte-americano, muito por causa dos excelentes concertos que costumam proporcionar, além dos discos, tendo já tocado em festivais míticos como Lollapalooza ou Austin City Limits. Jude Vol. II é o título do novo registo de originais do quarteto, oito canções que submergiram de um evento algo trágico e que marcou imenso o coletivo. Há cinco anos, depois de terem lançado Space Is Still The Place, o segundo album da carreira, os The Bright Light Social Hour viram Alex, o manager da banda e irmão de Jack, o vocalista, afundar-se num caos depressivo profundo, que culminou com um diagnóstico de desordem bipolar e o suicídio num lago em Travis, mesmo junto ao estúdio da banda. A partir daí, as novas canções do grupo e que fazem parte deste Jude Vol. II, contêm a marca desse evento e mesmo as que não abordam diretamente o mesmo, contêm uma indesmentível espiritualidade e travo a algo de transcendente e profundamente marcante.

BrightLightSocialHr (@tblsh) | Twitter

Foram dezoito as composições que a banda levou para Los Angeles, em novembro de dois mil e dezassete, para os míticos estúdios Sunset Sound, onde os The Doors ou Prince, entre outros gravaram alguns dos discos mais improtantes da sua carreira. Com a ajuda do produtor Chris Coady (Beach House, Slowdive, Yeah Yeah Yeahs), selecionaram o núcleo duro desse novo catálogo, aprimoraram-no e incubaram um registo de catarse e esperança, um álbum que faz a cura de toda a angústia e dor que o grupo teve de suportar e superar por causa da partida precoce e inusitada de um dos seus membros, não músico.

De facto, Jude Vol. II é mais uma prova concreta de como grandes tragédias podem motivar superiores criações artísticas. Todas as oito composições do registo são belíssimos instantes sonoros, que resultam de uma agregação bem sucedida de alguns dos melhores detalhes identitários do shoegaze, do indie rock, da electrónica e do alt-pop, um caldeirão sonoro que se fundiu num som amplo, robusto, bastante charmoso e tremendamente identitário, sendo difícil encontrar outros grupos e projetos comparáveis ou que sejam facilmente identificáveis como sendo influências vincadas destes The Bright Light Social Hour.

Logo no baixo imponente que marca a batida que induz a psicadélica You Got My Feel e no modo como a guitarra e o sintetizador vão adicionando diversos entalhes e arranjos, fica bem omnipresente toda a trama sonora vibrante, intensa e mística que marca todo o disco. Depois, o forte pendor experimental e lisérgico, rematado por um solo de guitarra esplendoroso e um registo rítmico intenso, em So Come On, o groove insinuante da percurssão e do riff de guitarra hipnótico que marca o clima pop da dançável Enough, o travo mais roqueiro e rugoso de Mexico City Blues, a melancolia que transpira em todos os segundos da experimental Ouroboros' 20 e o tom épico e faustoso de Feel U Deep, mostram-nos não só o elevado leque de estilos que Jude Vol. II abraça, mas também a materialização feliz de uma jornada preconizada por quatro músicos que transpuseram com incrível mestria a mistura agridoce de beleza avassaladora e perda terrível, que inundou as suas vidas recentes.

Em suma, Jude Vol.II é uma joia psicadélica absoluta, um trabalho impressionante, celebrando tudo o que existe de bom numa banda que bateu no fundo da forma mais dura que se pode imaginar, mas que tem muito de bom guardado dentro de si e que encontrou uma extroardinária forma de nos mostrar, tenhamos nós a predispoção que estes The Bright Light Social Hour claramente merecem, um discos fundamentais de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Bright Light Social Hour - Jude Vol. II

01. You Got My Feel
02. So Come On
03. Enough
04. Mexico City Blues
05. Ouroboros ’20
06. Feel U Deep
07. Aegean Mirror
08. Revolution Thom

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publicado por stipe07 às 14:04

Spun Out – Touch The Sound

Quinta-feira, 27.08.20

É fácil perdermos o tino à medida que somos enredados pelo perfil exótico das músicas exuberantes e envolventes de Touch The Sound, o disco de estreia do projeto Spun Out de Mikey Wells, James Weir e Alex Otake, três músicos amigos que já davam cartas no universo alternativo de Chicago com a banda NE-HI, da qual faziam parte e que viu o seu ocaso há cerca de dois anos. Neste pontapé de saída de uma carreira dos Spun Out que se antevê bastante promissora, o trio norte-americano criou um alinhamento expansivo e emocionante, composto por dez temas plenos de groove hipnotizante, um orgasmo de pop melancólica e experimental pleno de emoção e cor, onde não faltam composições perfeitas para o airplay radiofónico, mas também para a introspeção pura e dura.

Spun Out Touch the Sound – 7th Level Music

Registo que nos agarra e comove a cada audição, Touch The Sound resulta de um sobrebo exercício exploratório de diferentes sons, instrumentos, influências, nuances e conceitos, aquilo que é muitas vezes descrito como o picotar de uma verdadeira amálgama sonora, mas que pouco tem de caótico. Se lisergia e epicidade podem, pelos vistos, dar as mãos sem rodeios, como se percebe em Another House, canção que cresce lenta mas seguramente até um pico de arrepiar os cabelos, completo com sintetizadores pulsantes e uma cacofonia de bateria e guitarras, já o travo melancólico do tímido krautrock do single Such Are The Lonely e a propulsora Running It Backwards, tema onde uma batida seca, sustentada por um baixo intenso, sabe como receber de braços dados flashes planantes de uma guitarra e uma linha de teclado de forte cariz retro, de modo a criar uma majestosa composição que comprova o elevado grau criativo e uma banda operando a plena gás, são outros momentos maiores de um disco que tem no indie rock a grande pedra de toque, mas que ganha toda a sua notoriedade e requinte nas texturas dançantes, espaciais e inebriantes que rodeiam esse género musical.

Produzido pelo exímio mestre Josh Wells dos Destroyer e com as participações especiais de JP Carter, também dos Destroyer, Caroline Campbell, o saxofonista Kevin Jacobi, Patrick Donohoe, o teclista Sean Page, o guitarrista Jake Gold, Shiraz Bhatti e Nic Gohl dos Deeper, Touch The Sound tem também esta faceta de resultar do funcionamento de uma porta giratória por onde foram entrando vários amigos de Wells, Weir e Otake, sendo o resultado claro de um turbilhão de criatividade e de busca de uma alma e uma energia singulares. De facto, este é um álbum diferente também por ser realmente aberto e colaborativo, quer emocional, quer artisticamente, não só porque destila sentimentos de toda a espécie, mas também porque capta uma singular energia e luminosidade de vários seres que juntos e instintivamente deixaram fluir, sem rodeios e receios, o fulgor interpretativo que os define, quer individual quer coletivamente. Canção sobre a entrada na vida adulta, Off The Vine é, de certo modo, o âmago deste processo que deu vida a Touch The Sound, uma canção ancorada por uma linha de baixo rodopiante e pelo trompete de Carter, aos quais se juntam guitarras que destilam hamonias eufóricas, um microcosmos que reproduz fielmente o modo como os Spun Out funcionam em estúdio.

Enquanto este álbum investiga o confuso território emocional que se apodera de tods aqueles que têm de conviver com as indiespensáveis dores do crescimento, Touch The Sound também aproveita para fortalecer laços, funcionando como uma espécie de carta de amor à amizade de três artistas, mas também à vibrante comunidade musical de Chicago. Espero que aprecies a sugestão...

Spun Out - Touch The Sound

01. Another House
02. Such Are The Lonely
03. Dark Room
04. Running It Backwards
05. Antioch – Easy Detroit
06. Off The Vine
07. Don’t Act Down
08. Pretender
09. Cruel And Unusual (Feat. Caroline Campbell)
10. Plastic Comet

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publicado por stipe07 às 15:15

Aviator – All You Haters

Quinta-feira, 25.06.20

É Pete Wilkinson, antigo baixista dos projetos Cast, Shack e Echo & The Bunnymen, todos de Liverpool, de onde o músico também é natural, quem encabeça o projeto britânico Aviator. A ele juntam-se Paul Hemmings, Keith O'Neill e Nick Graff, para criarem composições com uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock. All You Haters é o novo registo de originais do projeto, dez canções que viram a luz do dia recentemente através da etiqueta The Viper Label.

FLYING: PETE WILKINSON AND AVIATOR |

All You Haters oferece-nos uma luxuosa pafernália de explosões sónicas, afirmadas e comprovadas num registo interpretativo em que a acusticidade vibrante das cordas não tem qualquer pudor em dar as mãos a riffs rugosos e enleantes, sendo este, claramente, o grande conceito definidor da sonoridade do disco. Canções como All Around You (Omni), The Ballad Of Tempest Brown, um tema hipnótico e intrigante e a composição homónima são excelentes exemplos desta trama interpretativa que, aliás, tinha ficado logo no início evidenciada em Scarecrow, um intro instrumental vibrante e no qual um violão desliza impecavelmente por uma melodia de forte pendor melancólico.

Depois, os arranjos percussivos que adornam K Tripper, tema de superior requinte letárgico, ou os efeitos sintetizados que sobram em Av8tor e que nos levam direitinhos rumo à melhor pop psicadélica setentista, alargam o espetro criativo de um trabalho exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos.

Álbum espontâneo, mágico e com com uma beleza muito imediata e acessível, All You Haters é uma manifestação de pura classe destes Aviator e muito em particular do líder Pete Wilkinson que é, dentro de um espetro eminentemente rock e com tudo o que isso implica em termos de ruído, sujidade e visceralidade, eximío a criar melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop. Espero que aprecies a sugestão...

Aviator - All You Haters

01. Scarecrow
02. The Wrong Turn
03. All Around You (Omni)
04. K Tripper
05. All You Haters
06. AV8TOR
07. The Ballad Of Tempest Brown
08. Here Comes The Gun
09. Catching The Blues
10. Scarecrow (Reprise)

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publicado por stipe07 às 14:45

The Flaming Lips – Flowers Of Neptune 6

Terça-feira, 02.06.20

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que o dia um de junho, o Dia Mundial da Criança, é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Este ano falhámos por pouco... Acontece no mesmo dia, + 1. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips, banda norte-americana natural de Oklahoma e um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto.

The Flaming Lips anunciam novo single… “Flowers of Neptune 6 ...

Se os The Flaming Lips foram sempre uma banda cheia de projetos e com uma agenda de lançamentos bastante preenchida, depois de Oczy Mlody, o trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no há três anos e que nos ofereceu uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que os orientaram, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o ritmo acelerou ainda mais e, felizmente, parece não se vislumbrar o último capítulo de uma saga alimentada também por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin), experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

De facto, ultimamente não tem sido fácil perceber, com clareza, que rumo concreto quer a banda dar ao seu percurso discográfico e o truque parece ser mesmo navegar ao sabor da corrente criativa dos seus membros e fazê-lo de modo (aparentemente) anárquico. Assim, se no verão de dois mil e dezoito revisitaram, numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits, todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados, nem um ano depois já tinham nos escaparates King's Mouth, um registo conceptual de doze canções baseado no estúdio de arte com este nome que a banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais. Logo de seguida, pouco antea do último Natal, revelaram The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, mais doze canções que se assumiram como o primeiro disco ao vivo da banda de Oklahoma, um trabalho que contou com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito instrumentistas e cinquenta e sete cantores e que reproduziu o alinhamento de The Soft Bulletin, a obra-prima dos The Flaming Lips, com vinte anos de vida.

Sem pausas, já em dois mil e vinte participaram numa das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo, dando as mãos ao projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards. O resultado final da equação, ainda fresco na memória e no ouvido, chamou-se Dead Lips e materializou-se com um disco homónimo que funde com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Agora, quase no início do verão, os The Flaming Lips voltam à carga com Flowers Of Neptune 6, uma composição que conta com a participação especial vocal de Kacey Musgraves e que coloca o projeto no trilho daquele que é, sem dúvida, o território sonoro em que o projeto se deu melhor ao longo da carreira,quando atingiu o topo e grangeou uma maior base de seguidores, à boleia dos fabulosos trabalhosYoshimi Battles the Pink Robots e The Soft Bulletin. Na luminosa acusticidade das teclas e das cordas, conjugada com uma ímpar grandiosidade psicadélica, induzida por um registo percurssivo heterogéneo e uma vasta miriade de efeitos e detalhes, Flowers Of Neptune 6, um verdadeiro tratado de sentimentalismo latente e pura melancolia, embarca-nos em mais uma viagem lisérgica ímpar, uma daquelas canções que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da audição nos apoquente. Confere...

The Flaming Lips - Flowers Of Neptune 6

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publicado por stipe07 às 18:43

Amusement Parks On Fire – Thankyou Violin Radiopunk

Domingo, 24.05.20

Nascido em dois mil e quatro através da mente brilhante de Michael Feerick, Amusement Parks On Fire começou por ser um projeto a solo deste músico e compositor, que escreveu e tocou todas as composições do registo homónimo de estreia, editado nesse mesmo ano, um trabalho que teve a chancela da conceituada Invada Records, etiqueta pertencente a Geoff Barrow dos Portishead. Pouco tempo depois, juntaram-se a Michael, Daniel Knowles (guitarra), Pete Dale (bateria), Jez Cox (baixo) e John Sampson (teclados e samples) e a banda mudou-se para a V2 Records, começando a gravar, em dois mil e cinco, em vários estudios britânicos e no estúdios islandeses Sundlaugin, pertencentes aos Sigur Rós, Out Of The Angeles, o sempre difícil segundo disco, um trabalho que ampliou o interesse da crítica especializada por este segredo bem guardado e que lhes valeu uma extensa digressão pela Europa, mas também no outro lado do atlântico.

Thankyou Violin Radiopunk | Amusement Parks On Fire

Com tão promissor pontapé de saída e com uma excelente dose dupla no catálogo, em dois mil e seis os Amusement Parks On Fire, já com Gavin Poole (baixo) e Joe Hardy (teclados e guitarra) na equipa, tocaram pela primeira vez no Japão, na edição desse ano do Summer Sonic Festival e ampliaram a sua discografia, no final dessa década, com uma série de EPs, que clarificaram ainda mais o adn de um projeto que navega nas águas turvas do rock experimental de forte cariz lisérgico, com uma elevada toada shoegaze e um salutar grau de epicidade, uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

É exatamente isso que nos oferece, cerca de década e meia depois desse belíssimo início de carreira, Thankyou Violin Radiopunk, o novo disco dos Amusement Parks On Fire, uma belíssima coleção de oito canções, com um imparável travo orgânico, dominadas por cordas que, quer estejam eletrificadas ou não, replicam um delicioso timbre metálico e posicionam-se sempre na linha da frente do processo de construção melódica das canções. O modo como em Firth Of Third essas cordas vão recebendo, no seu regaço, lentamente e à vez, bateria, baixo e alguns efeitos subtis, é um extraordinário exemplo deste modus operandi, que em Venus Of Cancer (Rustic) ganha uma luz multicolorida extraordinaria, devido ao modo como cordas e bateria se envolvem, enquanto o charme vocal de Michael trata de oferecer ao tema uma tremenda sensibilidade e romantismo.

Com tão auspiciosa abertura, engane-se quem ache que os Amusement Parks On Fire, colocaram,  neste Thankyou Violin Radiopunk, todos os trunfos em cima da mesa logo nos dois primeiros temas do seu alinhamento. A magnificiência das guitarras de Come Of Age, uma canção que abraça sem rodeios o melhor que tinha o rock alternativo norte-americano de final do século passado, a obscuridade levitante de Water From The Sun (Demo) e, principalmente, a aspereza vibrante de Young Fight (New Wave), são verdadeiros soporíferos para todos os amantes de sonoridades simples e diretas, sem artifícios sintéticos tantas vezes desnecessários e em que o ruído existe, mas com um objetivo claro de funcionar como algo agradável, com substância, uma crueza lo fi que transborda charme e sedução por todos os poros, nesta que é, sem dúvida, uma das grandes surpresas discográficas de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Amusement Parks On Fire - Thankyou Violin Radiopunk

01. Firth Of Third
02. Venus In Cancer (Rustic)
03. Come Of Age
04. Water From The Sun (Demo)
05. Young Fight (New Wave)
06. Hopefully Yours
07. Lasts Forever
08. Tape Grip Addition (Prerise)

 

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publicado por stipe07 às 16:41

The Proper Ornaments - Mission Bells

Sexta-feira, 20.03.20

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns de dois mil e dezanove para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting, ao qual se juntam Bobby Syme e Max Oscarnold e, mais recentemente, o baixista Nathalie Bruno.

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Mission Bells, um registo sombrio mas edificante, começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins, com o esboço de muitas das suas canções a verem a luz do dia em soundchecks e jam sessions, pela Europa fora, durante essa epopeia. Depois os quatro membros da banda começaram a gravar, no verão passado, no estúdio doméstico de Hoare em Finsbury Park, Londres, usando a mesma pafernália tecnológica utilizada no disco anterior, mas também a incorporarem um sequenciador moog e outros instrumentos eletrónicos, detalhes que explicam, desde logo, uma maior riqueza estilística e ao nível dos detalhes e dos arranjos, relativamente ao registo anterior, não faltando aquela espantosa simplicidade de Waiting For The Summer, o disco de estreia do projeto e a suprema melancolia que banhou Foxhole, um dos melhores álbuns de dois mil e dezassete, nuances que, no seu todo, suportam a elevada bitola qualitativa melódica de Mission Bells e, durante a sua interpretação instrumental, o claro domínio do som que tipifica este projeto.

Assim, escutar Mission Bells traz logo à tona aquela curiosa sensação que muitas vezes temos e que nos diz que estamos na presença de um álbum que foi concebido de modo bastante intuitivo e aparentemente sem qualquer esforço. De facto, este é um alinhamento com um clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo e que nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, fazendo-o com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram, como de certo modo já referi, intensas, ousadas e surpreendentes.

Composições do calibre de Purple Heart, o tema que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos oferece um delicioso banquete de cordas luminosas, a rugosa toada misteriosa e flutuante de Downtown, a pueril acusticidade solarenga de Black Tar, a luxuriante folk psicadélica que banha Broken Insect, o momento mais alto do registo, ou a deliciosa dança sedutora que várias guitarras, elétricas e acústicas, executam na intrigante The Impeccable Lawns, sustentam a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo, ampliada também pela maturidade lírica que os The Proper Ornaments exalam no seu alinhamento e que disserta essencialmente  sobre o que é viver nestes tempos distópicos e algo confusos e conturbados.

Mission Bells é, em suma, uma conquista majestosa, um turbilhão musical em que as suas harmonias nos levam a um estado sonâmbulo irreversível, deixando-nos presos entre a terra dos sonhos e as horas de vigília. E a maior beleza disso é que não vamos querer escapar depressa deste clausura, mesmo que a porta esteja aberta enquanto a vida pós-moderna nos espera do lado de fora. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:23

bdrmm - If Not, When?

Terça-feira, 10.03.20

Ryan Smith, Jordan Smith, Joe Vickers, Danny Hull e Luke Irvin são os brdmm, um projeto natural de Hull, em Inglaterra e que está a fazer furor com If Not, When?, um EP de seis canções que viu a luz do dia no passado outono à boleia da Sonic Cathedral Recordings e que foi gravado e masterizado por Alex Greaves.

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If Not, When? tem um alinhamento curto, mas intenso, assente num garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma suja nostalgia, que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi e shoegaze com aquela psicadelia particularmente luminosa que atingiu o êxtase nas décadas finais do século passado, mas que se mantém mais atual do que nunca.

Assim, na suprema melancolia e na luminosidade vibrante da lindíssima Shame, no clima nostálgico da etérea The Way I Want, nas diversas camadas de guitarras que tingem a tonalidade progressiva e sentimentalmente crua de Question Mark e no rock efusiante de C: U, somos agraciados por um alinhamento em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso.

Sendo este EP um ponto de partida na carreira dos bdrmm, que estarão no Hard Club no próximo dia vinte e três de maio, a base que ele firma no catálogo do projeto é tremendamente consistente e se a opção for permitir que a intuição tome as rédeas em posteriores lançamentos, este é já um belo ponto de partida rumo a sonoridades que poderão ser ainda mais abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 17:56

Tame Impala – The Slow Rush

Quinta-feira, 20.02.20

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour

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publicado por stipe07 às 13:11

The Proper Ornaments – Purple Heart

Segunda-feira, 13.01.20

The Proper Ornaments - Purple Heart

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns do ano passado para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, que irá ver a luz do dia a vinte e oito de fevereiro próximo.

Missin Bells será o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy e começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins. Do seu alinhamento acaba de ser revelado o conteúdo de Purple Heart, a canção que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme. Confere Purple Heart e o alinhamento de Mission Bells...

1. Purple Heart
2. Downtown
3. Black Tar
4. The Wolves At The Door 5. Broken Insect
6. The Impeccable Lawns
7. Echoes
8. Flophouse Calvary
9. Strings Around Your Head
10. The Park
11. Music Of The Traffic
12. Cold
13. Tin Soldiers

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publicado por stipe07 às 09:43

TOY – Songs Of Consumption

Sábado, 16.11.19

Depois do lançamento já em dois mil e dezanove de Happy In The Hollow, o quarto registo da carreira, os TOY de  Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold, estão de regresso com Songs Of Consumption, uma coleção de oito canções que são, nada mais nada menos, que reinterpretações da banda de temas que inspiraram a carreira dos TOY, originais de alguns nomes míticos do coletivo britânico, nomeadamente os Stooges, Amanda Lear, Nico, The Troggs, Soft Cell, John Barry e Pet Shop Boys, entre outros.

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Sonoramente, Songs of Consumption é um feliz apêndice da filosofia que esteve subjacente à gravação de Happy In The Hollow, ampliando, portanto, a nova visão sonora dos TOY, cada vez mais distintiva e original e que se vai distanciando do chamado krautrock sujo e aproximando-se de uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que, diga-se de passagem, sempre caraterizou o ambiente sónico deste quinteto.

Sintetizadores e uma vasta miríade de elementos eletrónicos, incluindo as cada vez mais famosas drum machines, e uma opção ao nível da produção, pelo lo fi, sempre aliado a um aturado trabalho de exploração experimental, foram, claramente, as traves mestras que nortearam o processo de incubação de Songs Of Consumption, com os TOY a tentarem sempre puxar as canções para um universo sonoro distinto das versões originais, mas sem nunca colocar em causa a essência das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Songs Of Consumption

1.   Down On The Street (The Stooges)
2.   Follow Me (Amanda Lear)
3.   Sixty Forty (Nico)
4.   Cousin Jane (The Troggs)
5.   Fun City (Soft Cell)
6.   Lemon Incest (Charlotte Gainsbourg & Serge Gainsbourg)
7.   Always On My Mind (B.J. Thomas)
8.   A Dolls House (John Barry)

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publicado por stipe07 às 17:56






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