Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

The Laurels – Sound System

The Laurels - Sound System

Já tem sucessor anunciado Sonicology, o disco que os australianos The Laurels lançaram há cerca de três anos e que na altura sucedeu a Plains, o álbum de estreia, lançado em dois mil e doze. Ainda sem nome anunciad,o esse novo trabalho do grupo de Sidney, formado por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo) e Kate Wilson (bateria), contará com a participação especial de Kat Harley (Mezko) no baixo e na voz e tem já um single divulgado, uma canção chamada Sound System.

Tema que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soe necessariamente preso a esses géneros, com um registo vocal efusiante, um efeito de guitarra agudo imponente e um ritmo bastante dançável proporcionado por uma linha de baixo robusta e uma melodia bastante aditiva, Sound System pinta um quadro algo negro mas impressivamente realista daquilo que poderá ser o futuro próximo de um mundo cada vez mais influenciado pela realidade virtual, pelos grandes grupos empresariais e pela força dos media, conforme explica Luke O'Farell (Sound System lives of high rise apartments and rent prices loom large over this paean to a future dystopian city, the inhabitants of which are doomed to a lifetime of evenings spent in queues waiting to eat at fine dining restaurants after a round of putt putt golf. Sound System finds this group of part-time disc jockeys loading up their van with generators and loud speakers as they seek to reignite the street party.) Confere...


autor stipe07 às 17:38
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2019

Slowness – Berths

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott, à qual se juntou recentemente Christy Davis. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e em dois mil e treze surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Depois, em junho do ano seguinte, passaram com distinção o teste do sempre difícil segundo disco, à boleia de How to Keep From Falling Off a Mountain, um registo que tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado Berths e com seis canções que mantêm o trio na senda de um shoegaze de forte pendor ambiental e particularmente contemplativo.

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Algures entre Stereolab, Spacemen 3 os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar quase no final da segunda década do século vinte e um. Em Berths e à boleia da Schoolkids Records, expôem tal constatação através de composições com uma tonalidade cinza intensa e charmosa e um polimento muito próprio, lo fi q.b., um fórmula de composição enganadoramente simples, feita de guitarras carregadas de efeitos planantes, acompanhadas por uma percurssão de baixa intensidade, tudo embrulhado por um travo experimental intenso, logo explicíto no jogo de sobreposição de distorções que sustenta a majestosidade de The Fall, o primeiro tema do alinhamento de Berths. A seguir, no brilho pop da tonalidade de Rose, proporcionado por um timbre metálico bem vincado, somos conforntados com uma faceta menos obscura e mais luminosa dos Slowness, um barco onde o trio também navega com segurança e bom gosto, nessa toada mais climática e, no fundo, mais abrangente. Depois, no travo mais progressivo de Berlin, canção que parece ter sido incubada de uma bem sucedida jam session e respeitada a sua integridade inicial e, principalmente, no nervo de Breathe, dois dos grandes momentos do disco, percebe-se com ainda maior nitidez a filosofia de criação sonora destes Slowness, certamente muito assente em instantes bem sucedidos de improviso, mas também em acomodações felizes de uma vasta miríade de detalhes e nuances instrumentais, rematadas por uma voz colocada em camadas, com um resultado final que parece debitar, no seu todo, uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Berths.
Firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica, Berths atesta, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, com os Slowness a provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas. Espero que aprecies a sugestão..

Slowness - Berths

01. The Fall
02. Rose
03. Berlin
04. Breathe
05. Sand And Stone
06. Asunder


autor stipe07 às 16:35
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Quinta-feira, 6 de Junho de 2019

Temples - Hot Motion

Temples - Hot Motion

Será a vinte e sete de setembro próximo e à boleia da ATO Records que irá ver a luz do dia o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora será a vez de Hot Motion, onze canções das quais já se conhece a que dá nome ao álbum e que abre o seu alinhamento.

Música sobre as tensões do desejo, sobre sonhos e pesadelos e já com direito a um hipnótico vídeo da autoria de David Lynch, Hot Motion começa por impressionar pelo virtuosismo da bateria e pelo modo como esse instrumento assume as rédeas na condução do tema, tendo sempre uma posição cimeira, mesmo quando as guitarras mostram todo o seu esplendor, nomeadamente no refrão. A majestosidade e o esplendor instrumental da composição, acabam por fazê-la revalar para aquela aúrea setentista que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico, uma abordagem mais corajosa e lisérgica por parte dos Temples e que faz adivinhar um registo mais intrincado, grandioso e complexo que os antecessores. Confere Hot Motion e a tracklist do disco...

Hot Motion

You’re Either On Something

Holy Horses

The Howl

Context

The Beam

Not Quite The Same

Atomise

It’s All Coming Out

Step Down

Monuments


autor stipe07 às 12:35
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Quarta-feira, 5 de Junho de 2019

Cold Showers – Motionless

Formados em 2010 ao sol da Califórnia, os norte americanos Cold Showers prometeram altos voos logo no início da carreira com uma série de singles editados à sombra da Mexican Summer e da Art Fag, mas foi com a Dais Records, em 2012, que lançaram o álbum de estreia, um trabalho intitulado Love and Regret. Esse disco levou-os numa digressão juntamente com os The Soft Moon e os Veronica Falls e, três anos depois, chegou aos escaparates Matter of Choice, o sempre difícil segundo álbum. Agora, em plena primavera de dois mil e dezanove, já viu a luz do dia Motionless, o terceiro registo do grupo, oito canções gravadas no próprio estúdio dos Cold Showers e que do post punk ao rock alternativo, encarnam uma homenagem sentida e feliz aos sons melancólicos dos anos oitenta do século passado, assim como a todo o clima sentimental desse período, onde não faltavam também letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso.

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O período aúreo do punk rock mais sombrio foi, sem dúvida, a década de oitenta e depois de no final da anterior os Joy Division terem escancarado uma porta enorme para um universo ilimitado de possibilidades, nomes como os Cure, os Depeche Mode ou os The Sound, entre outros, atravessaram esse portal, com o rock e a eletrónica a balizarem percentualmente de modo diferenciado o estereótipo sonoro de cada projeto, mas com aquela toada sombria e nostálgica a servir de ponto comum a esta aposta em canções que contavam quase sempre com um uso assertivo de sintetizadores, uma percussão sintética ou orgânica, geralmente veloz, um baixo pulsante e vigoroso e guitarras plenas de efeitos algo elaborados, além de um registo vocal muitas vezes manipulado de modo a ecoar com uma certa gravidade e escuridão.

Os Cold Showers são assumidamente seguidores e fiéis depositários de tão nobre herança e neste seu novo trabalho espraiam todo o virtuosismo que existe no seu seio, relativamente a este período temporal. Por exemplo, a toada hipnotizante da sombria e charmosa de Tomorrow Will Come, canção que nos quer fazer acreditar em melhores dias, assente numa espiral experimental percussiva, num baixo vigoroso e numa clara busca de um apelo comercial ao nível do teclado, faz dela uma escolha nada inocente para abertura de Motionless, já que pode personificar uma súmula significativa do conteúdo do restante alinhamento. Depois, a efervescência da guitarra que conduz Shine, o baixo poderoso e o efeito sintetizado retro, que numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia, conduzem Measured Man, o clima nostálgico e particularmente luminoso do tema homónimo e o cariz progressivo e nostálgico das distorções que trespassam a bateria em Sinking World, são canções que, na primeira metade do alinhamento de Motionless, firmam a solidez do post punk que trespassa o catálogo do grupo e oferecem ao mesmo um lustro mais pop e um cariz de maior acessibilidade, um dos grandes atributos do disco, sendo esse o grande passo em frente relativamente aos antecessores. Depois, a monumentalidade instrumental e vocal de Faith, a epicidade frenética, crua e impulsiva de Dismiss e a sensualidade lasciva de Every Day On My Head agitam ainda mais a nossa mente e forçam-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine.

Apesar do número reduzido de canções que constam do seu alinhamento e de se escoarem em pouco mais de meia hora, uma das imagens de marca dos Cold Showers, o alinhamento de Motionless acaba por ter uma homonegeidade que se saúda amplamente, com o disco a rugir nos nossos ouvidos e a deixar-nos à mercê do fogo incendiário em que se alimenta. É, portanto, uma obra grandiosa e eloquente, um disco a preto e branco, mas pleno de ruido, com tudo aquilo que de melódico o ruído pode tantas vezes conter e que pode ser também um elemento importante para criar um ambiente de rara frescura e pureza sonora. No caso deste quarteto californiano é também um potenciador e um agregador de sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta um punk rock progressivo com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com uma majestosa sapiência melódica, bom gosto e vitalidade. Espero que aprecies a sugestão....

Cold Showers - Motionless

01. Tomorrow Will Come
02. Shine
03. Measured Man
04. Motionless
05. Sinking World
06. Faith
07. Dismiss
08. Every Day On My Head


autor stipe07 às 16:36
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Domingo, 12 de Maio de 2019

Ride – Future Love

Ride - Future Love

Produzido por Erol Alkan e misturado por Alan Moulder e Caesar Edmunds, This Is Not A Safe Place é o nome do novo registo de originais dos britânicos Ride de Andy Bell, que, recordo, depois de um hiato de mais de duas décadas, reuniram-se e lançaram um novo disco há três anos, intitulado Weather Diaries. Esse trabalho vê agora sucessor, depois do EP Tomorrow Shore, editado o ano passado e que continha 4 temas que sobraram das gravações de Weather Diaries.

Verdadeiras lendas do shoegaze contemporâneo, os Ride contrariam um pouco o comportamento habitual de algumas lendas do rock que se reúnem depois de uma longa ausência, editam um disco e acabam por desaparecer novamente na penumbra. De facto, existe aqui uma busca de continuidade, materializada em This Is Not A Safe Place, registo que sairá lá para o verão. Future Love é o primeiro single já retirado desse álbum, uma grandiosa canção assente numa aditiva melodia com leves pitadas de surf pop e garage rock, embrulhadas com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que terá o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa a habitual ousadia experimental dos Ride. Confere...


autor stipe07 às 17:37
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Sábado, 11 de Maio de 2019

Night Moves – Strands Align

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...


autor stipe07 às 13:29
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

The Proper Ornaments - Six Lenins

Já viu a luz do dia Six Lenins, o terceiro registo de originais de um dos segredos mais bem guardados da indie britânica contemporânea. Refiro-me aos londrinos The Proper Ornaments de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy, que conseguiram ultrapassar um período bastante complicado, ainda antes da edição de Foxhole, o registo que lançaram há pouco mais de dois anos. Foram tempos conturbados, após uma estreia auspiciosa com Wooden Head, em dois mil e catorze, peripécias infelizes que incluiram episódios de doença, divórcio e abuso de drogas, mas que não impediram que três anos depois chegasse aos escaparates esse tal Foxhole, o segundo tomo do grupo.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove e depois de uma digressão pelo outro lado do atlântico e de uma estadia bastante profícua no estúdio caseiro de James em Finsbury Park, Londres, que também serviu para afastar definitivamente todos os fantasmas que foram apoquentando os The Proper Ornaments neste meia década, a banda entrega finalmente aos seus fãs Six Lenins, uma espetacular coleção de dez canções que nos convidam a contemplar o grupo a dominar o seu som aparentemente sem qualquer esforço e com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram cada vez mais surpreendentes.

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A impressão imediata que se tem logo após a audição de Six Lenins é que este é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, principalmente porque a sensação de intuição e espontaneidade é tal que, ao ouvi-los, parece que não se importaram nada de poderem, eventualmente, transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, desde que levem à tona a sonoridade com que realmente se identificam e se sentem realizados em replicar. E tal facto representa, desde logo, a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo.

Six Lenins, o terceiro álbum dos The Proper Ornaments, que contou com as participações especiais de Danny Nellis (Charles Howl) no baixo e Bobby Syme (Wesley Gonzalez) na bateria, está, portanto, repleto de composições refinadas e exemplarmente elaboradas. A sonoridade é sempre controlada de modo a criar um clima homogéneo que se torna transversal ao alinhamento, enganando quem ouvir o disco desinteressadamente, porque irá sentir, erradamente, que as canções soam muito iguais. Mas este é um álbum que merece audição dedicada e que deve ser saboreado com o tempo e a velocidade que exige. A sua crueza plena de ricos detalhes, o charme analógico e o carisma vintage nada pretensioso e que não se desbota na contemporaneidade dos nossos dias em que a ferocidade do sintético e da pop fácil arrastam multidões tantas vezes iludidas e a riqueza melódica que contém e que nos permite encontrar a tal individualidade que cada composição claramente possui, só são devidamente assimilados, compreendidos e saboreados através de um modus operandi auditivo que seja dedicado à descoberta do que cada tema tem para oferecer e para nos enriquecer e desprendido de qualquer preconceito relativamente às influências e ao histórico sombrio, nublado e até algo decadente subjacente à incubação deste alinhamento solarengo, otimista e sorridente.

Assim, do ternurento efeito metálico que divaga por Apologies, até à intuitiva Crepuscular Child, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, passando pela jovialidade dos efeitos do sintetizador que conduz Song For John Lennon, pelo travo psicadélico de Where Are You Now, pela vibe surf sessentista de Please Release Me, ou pelo forte odor nostálgico a que exalam as teclas e as cordas de Bullet From A Gun, Six Lenins é um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden


autor stipe07 às 21:30
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Sexta-feira, 22 de Março de 2019

Be Forest – Knocturne

Knocturne foi lançado há algumas semanas à boleia da We Were Never Being Boring, uma editora já com um catálogo bastante interessante e importante para várias bandas underground e que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo. Falo do novo registo de originais do fabuloso projeto italiano Be Forest, oriundo de Pesaro, uma pequena cidade na costa do Adriático e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras. Formados atualmente por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz) e Nicola Lampredi (guitarra), este grupo do país dos césares estreou-se nos discos no início desta década com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Depois, Heartbeat, o sempre difícil segundo álbum, chegou quatro anos após esse promissor arranque e agora, mais ou menos após o mesmo hiato temporal, foi editado este Knocturne, um registo com nove canções produzido e misturado pela própria banda com a ajuda de Steve Scanu e masterizado por Josh Bonati.

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Knocturne é o disco mais ambicioso, rico, cru e atmosférico do catálogo dos Be Forest, um trio conhecido por apostar numa filosofia sonora que centra esforços em aproximações a um indie rock com uma componente eminentemente etérea e contemplativa e que tem impressionado pelo bom gosto com que, nos alinhamentos já criados, se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o lo fi a servir de elemento aglutinador das várias influências do trio. Knocturne não foge, portanto, a esta regra mas, honra seja feita ao seu conteúdo, assume-se como um registo mais ambicioso e amplo no modo como permite ao ouvinte contemplar não só uma pafernália alargada de sensações em que o cósmico e o espiritual são presenças imponentes, como é o caso do single Bengala, uma canção vibrante e fortemente intuitiva, mas também onde não falta um certo groove altivo e revigorante, não só plasmado na distorção aguda da guitarra de Alto I, mas também no vasto rol de efeitos que vagueiam por Empty Space e, principalmente, na percurssão de Gemini, uma composição com uma progressão quase incontrolada e que coloca os Be Forest mesmo na fronteira de um rock progressivo onde o experimentalismo das cordas distorcidas dita, como é óbvio, a sua lei.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de calcorrear uma imensidão de territórios sonoros e este Knocturne mostra que o fazem com uma maturidade imensa, assente em melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Knocturne

01. Atto I
02. Empty Space
03. Gemini
04. K
05. Sigfrido
06. Atto II
07. Bengala
08. Fragment
09. You, Nothing


autor stipe07 às 12:54
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Panda Bear – Buoys

Já está nos escaparates desde o início do passado mês de fevereiro Buoys, o sexto álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

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Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira de Panda Bear, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase quatro anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper e um do EP A Day With The Homies, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo deste Buoys, um regresso a um maior minimalismo e acusticidade, numa sequência de nove canções que não deixam de nos oferecer ainda primorosas e atrativas experimentações, mas com um menor nível de desordem sonora e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o ouvinte, com o próprio autor a confessar que pretendeu fazer desta vez canções que a sua descendência pudesse ouvir, compreender e apreciar.

Assim, num álbum sereno, apelativo e coerente, importa antes de mais referir que uma das maiores diferenças que notamos neste Buoys relativamente aos registos anteriores do autor é uma maior predominância da componente vocal na sonoridade global dos temas. Isso não significa necessariamente que exista uma maior abundância dessa vertente, desta vez gravada quase sempre num único take, mas é um facto que desta vez as batidas sintéticas e os efeitos maquinais das cordas ou a sua acusticidade, em vez de se sobreporem à voz, amparam-na e, em alguns casos, até ajudam a evidenciar os dotes de quem a replica. E para esta nova realidade plasmada em Buoys muito contribuiu o excelente trabalho de produção de Rusty Santos, além de diversos arranjos da autoria de DJ e cantora de trap e reggaetón chilena Lizz, não só vocais mas também, por exmplo, de gotas de água ou disparos de laser, só para citar alguns dos exemplos mais audíveis e felizes. Por exemplo, no caso das gotas de água, são elas que de certa forma marcam o ritmo de Dolphin, o single de apresentação do disco e ajudam a dar ao tema uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos.

Mas há outros momentos fortes e merecedores de devoção e audição atenta neste Buoys. O eco que ressoa das cordas e da voz que dá vida a Cranked, atravessada pelos tais lasers, o toque cósmico do dub crescente em Token, o belíssimo instante de folk psicadélica que é I Know I Don't Know ou o (falso) minimalismo tremendamente detalhístico de Master, fazem o disco fluir com uma salutar leveza e uma homogeneidade que acaba por fazer transparecer um certo humanismo que Lennox certamente quis que transbordasse de um alinhamento que entre o experimental e o atmosférico, seduz e emociona, um rol de canções em que, parecendo que não, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e Buoys, um disco corajoso e encantador, plasma mais uma completa reestruturação no som de Panda Bear, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que este artista se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Buoys

01. Dolphin
02. Cranked
03. Token
04. I Know I Don’t Know
05. Master
06. Buoys
07. Inner Monologue
08. Crescendo
09. Home Free


autor stipe07 às 17:48
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019

Swervedriver - Future Ruins

Foi no passado dia vinte e cinco de janeiro, à boleia da Dangerbird, que viu a luz do dia Future Ruins, o novo registo de originais dos Swervedriver de Adam Franklin, uma banda icónica de rock shoegaze, nascida há quase trinta anos das cinzas dos míticos Shake Appeal e que depois de um hiato de cerca de uma década voltou a reunir-se há cerca de três anos, tendo incubado na altura o registo I Wasn't Born To Lose You, que viu finalmente sucessor.

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Álbum com uma forte componente política, já que se centra particularmente na política climática dos países ditos desenvolvidos, Future Ruins pretende mostrar o quanto os Swervedriver se sentem infelizes e preocupados com aquilo que o homem está a fazer à sua própria casa, o planeta onde vive. O tema homónimo do registo é muito claro relativamente a essa intenção, já que oferece-nos uma sombria reflexão sobre o estado atual do mundo, considerando que o mesmo é hoje governado por pessoas insensatas que vão levar a nossa descendência à ruína. A própria sonoridade depressiva da canção casa na perfeição com o seu conteúdo lírico, cimentando, desde logo, um importante aspeto deste registo, que mostra uns Swrvedriver mais pessimistas e conformados do que o habitual. Recordo que ao longo da sua discografia, este projeto britânico sempre nos habituou a mostrar que por muito mau que seja o enredo, há sempre algo de positivo ao virar da esquina.

Assim, a força motriz sonora que está no cerne deste Future Ruins, incubado por um projeto que se foi habituando a apresentar um indie rock contemplativo, melancólico e atmosférico, mas mesmo assim incisivo, é um rock com uma elevada toada shoegazer, ali num meio termo entre o post punk e o rock mais progressivo. Acaba por ser uma sonoridade de forte cariz ambiental, uma espécie de space travel rock, em que guitarras e sintetizadores apostam em distorções rugosas e efeitos inebriantes rumo a uma cosmicidade sonora que, como não podia deixar de ser, conta também com uma elevada componente etérea e contemplativa.

Tendo em conta toda esta filosofia estilística do registo, Mary Winter acabou por ser uma opção óbvia para single de apresentação de Future Ruins, já que se trata de uma melancólica e imponente canção, assente numa guitarra distorcida que contrasta na perfeição com o registo vocal ecoante de Adam, que disserta sobre os pensamentos de um astronauta que passeia no espaço enquanto recorda bons momentos vividos cá em baixo (Been floatin’ out here so long, And you know I’m not coming down, With planet earth long gone, And my feet don’t touch the ground). Depois, na luminosidade melódica da guitarra que conduz Drone Lover e na nebulosa pujança de Golden Remedy conferimos outros dois momentos altos de um alinhamento com um universo muito próprio e que, no seu todo, comunica com a nossa mente e os nossos sentidos de modo particularmente perturbador, naquilo que essa sensação pode ter de positivo e esotérico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:42
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Sábado, 2 de Março de 2019

Funeral Advantage – Nectarine EP

Lançado há alguns dias à boleia da Sleep Well Records, Nectarine é o novo fôlego na carreira do projeto norte-americano Funeral Advantage de Tyler Kershaw, sete canções que sucedem a um outro EP intitulado Please Help Me, editado no início de dois mil e dezassete e ao longa duração do projeto, um trabalho intitulado Body Is Dead que viu a luz do dia no final do verão de dois mil e quinze.

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Natural de Boston, Tyler Kershaw é mestre a criar um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, através de canções tipicamente rock, esculpidas com cordas ligas à eletricidade, mas com um travo lo fi charmoso que lhes confere uma fragilidade incrivelmente sedutora, uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida e uma exibição consciente da sapiência melódica de um autor, cantor, produtor e compositor que tem na herança oitocentista o seu principal eixo orientador.

Em Nectarine, assistimos então a uma parada de composições bastante emotivas e intimistas e que além de serem construídas à base de guitarras com efeitos e distorções intrigantes e enleantes e uma percussão bastante vincada, sem ter uma tonalidade exageradamente grave, também estão cheias de boas letras que nos oferecem uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante apelativa.

O timbre metálico da guitarra de Peach Nectarine, o baixo pulsante que conduz o andamento incisivo e visceral de Black House, o frenesim encantador de Rinsed, o esplendor e a intensidade de Stone Around Your Neck são um convite direto e preciso ao acto de encarar estes últimos dias de inverno com esperança, enquanto ficamos envoltos numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, que nos despe de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, onde frequentemente nos refugiamos, para que não tenhamos receio de mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que nos carateriza, enquanto não chega a primavera que há-de finalmente libertar-nos de toda esta reclusão que nos entorpece. Espero que aprecies a sugestão...

Funeral Advantage - Nectarine

01. Rinsed
02. Black House
03. Peach Nectarine
04. Stone Around Your Neck
05. Bad Magnet
06. Take Me Down
07. It Never Gets Any Better, You Just Get Used To It


autor stipe07 às 15:15
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2019

TOY – Happy In The Hollow

Desde dois mil e dez os TOY têm vindo a ganhar uma reputação de banda íntegra, virtuosa e tremendamente criativa, com Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold (desde dois mil e quinze) a oferecerem a uma base já sólida de seguidores um leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, sempre aliadas a um aturado trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio. Happy in The Holow, registo produzido pela própria banda, é o último grande passo da carreira dos TOY, um trabalho que marca uma nova visão sonora ainda mais distintiva e original, agora à boleia da etiqueta Tough Love, a nova editora do projeto.

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Para quem conhece a discografia dos TOY a fundo, como é o caso desta redação que ainda hoje venera o homónimo de estreia e considera-o um registo essencial da década, Happy In The Hollow é o disco da banda mais incisivo na demonstração de um alargado de sonoridades, referidas acima, sempre aliadas a um trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio, cada vez mais aprimoradas. O andamento incisivo de Sequence One, acompanhado por uma constante vibração na guitarra e o sample fantasmagórico que paira sobre o swing do baixo do lento krautrock lisérgico de Mistake A Stranger, abrem todo esse leque de uma ponta à outra, logo no início do alinhamento e comprovam esta espécie de refresh do som típico dos TOY, que se torna, clarmamente, mais sofisticado, límpido, radiofónico e abrangente.

Dado esse mote, a partir daí assiste-se, portanto, a uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que costuma caraterizar o ambiente sónico deste quinteto, que em Energy é colocado a nú através de um contagiante frenesim elétrico, conduzido por um feroz riff de guitarra proporcionado por Dominic e um superior desempenho na bateria, a cargo de Charlie, num tema em que Max Dougall escreve sobre alguns rituais noturnos e que nos sete minutos de Willo nos levam numa inebriante viagem psicadélica ambiental, assente na astúcia acústica de Maxim e no orgão inspirado e elegante de Max. Pelo meio, o post rock psicadélico e soturno de Last Warmth Of The Day e o travo eletro particularmente dançante e indisfarçadamente lascivo de Jolt Awake, dão-nos aquela sensação de profundidade e imersão num universo muito próprio e inédito, que os devotos do quinteto sabem melhor que ninguém como caraterizar e que frequentemente exala aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por instrumentais épicos e marcantes, uma das principais caraterísticas arquitectónicas da maior parte das composições de Happy In The Hollow.

Disco que não nos deixa aterrar de imediato e que após a audição tem instantes que ficam a ressoar no âmago de quem o escutou com critério e devoção, Happy In The Hollow eleva-nos ainda mais alto e ao encontro do típico universo flutuante e inebriante em que assentam os TOY. Ouvi-lo levanta o queixo e empina o nariz, e prova, mais uma vez e com outro brilho, que os TOY tricotam as agulhas certas num rumo discográfico enleante, que tem trilhado percursos sonoros interessantes, mas sempre pintados por uma psicadelia que escorre, principalmente, nas guitarras, cimentando o cliché que diz que gostar de TOY continua a ser, mais do que nunca, também uma questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Happy In The Hollow

01. Sequence One
02. Mistake A Stranger
03. Energy
04. Last Warmth Of The Day
05. The Willo
06. Jolt Awake
07. Mechanism
08. Strangulation Day
09. You Make Me Forget Myself
10. Charlie’s House
11. Move Through The Dark


autor stipe07 às 15:16
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

Daniel Land – The Dream Of The Red Sails

Há sempre algo de especial e único na música do britânico Daniel Land,  que anda por cá há mais de duas décadas a oferecer-nos belíssimas composições, não só em nome próprio, mas também através da banda Daniel Land & The Modern Painters e do seu alter ego riverrun, além de colaborar assiduamente com os míticos Engineers. De facto, do seu registo vocal angelical à permanente sensação de vulnerabilidade comovente que exala das suas canções, são vários os atributos que sustentam os discos deste autor e que encarnam alguma da melhor indie pop contemporânea.

Resultado de imagem para Daniel Land The Dream Of The Red Sails

Cada canção de Daniel Land parece querer dar vida a sonhos lúcidos e a visões etéreas e cada acorde que nos oferece tem sempre uma luminosidade melancólica particularmente incomum. É como se cada tema fosse pensado para ser contemplado por causa da sua beleza e cor, assim como é um dia típico de primavera, depois de um inverno cinzento, frio e monocromático.

Escrito durante o ano de dois mil e dezasseis durante o início dos tufões brexit e Trump, The Dream of the Red Sails, o novo álbum de Daniel Land, não foge a estas permissas e pretende ser um porto de abrigo optimista para todos aqueles que se sentem algo perdidos com um mundo cada vez mais engolido pelo racismo e pela ignorância e pelo desrespeito, temáticas muito presentes na escrita do registo. Logo no instrumental Capistrano Beach, sentimos uma suave e encantadora brisa de luz, que se amplia, mas sem nunca ofuscar, no reverb metálico estridente e envolvente de Summer Song. Depois, no clima nostálgico que transparece das cordas de Long Before the Weather, na soul de Still Closed e no modo quase mágico como a guitarra e a bateria conjuram entre si em Under a Red Sky, assim como na delicada acusticidade de Self-Portrait in Autumn Colours, ficamos defintivamente impressionados com um alinhamento acessível e bastante melódico, pensado com uma filosofica sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes da angulosa pop oitocentita que bandas como os Talk Talk ajudaram a cimentar há cerca de três décadas, mas onde também não falta uma assertiva contemporaneidade, em especial na guitarra, num resultado final particularmente luminoso e apelativo. Espero que aprecies a sugestão...

Daniel Land - The Dream Of The Red Sails

01. Capistrano Beach
02. Summer Song
03. Long Before The Weather
04. Still Closed
05. Under A Red Sky
06. Self-Portrait In Autumn Colours
07. Starless
08. Alone With America
09. Fleur Du Mâle
10. Skindivers
11. Cobalt Blue


autor stipe07 às 10:33
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2019

Indoor Voices – Gaslight Ephemera

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de três anos com um outro EP, intitulado Auratic, que vê finalmente sucessor, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, todas escritas por Relph, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the Face, Always the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My.

Resultado de imagem para Indoor Voices Gaslight Ephemera
Disponivel no bandcamp do projeto, Gaslight Ephemera flui algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo e uma bateria que seguem a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível na imponência de Breathe, Barely e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de I'm Sorry, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Punch Me In The Face é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conferem, através do sintetizador, leves pitadas de punk ou o garage, aquilo que é, no fundo, uma simbiose entre shoegaze e post rock, amplificada com superior requinte no clima pop de A Little Slow e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Gaslight Ephemera têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always The Same, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Gaslight Ephemera exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Gaslight Ephemera

01. Gaslight Ephemera
02. Breathe, Barely
03. I’m Sorry
04. Punch Me In The Face
05. A Little Slow
06. You’re My
07. Always The Same

08. I Dunno, Kid

09. Shit World


autor stipe07 às 16:59
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2018

Swervedriver - Mary Winter

Será a vinte e cinco de janeiro próximo, à boleia da Dangerbird, que verá a luz do dia Future Ruins, o novo registo de originais dos Swervedriver, uma banda icónica de rock shoegaze, nascida há quase trinta anos das cinzas dos icónicos Shake Appeal e que depois de um hiato de cerca de uma década voltou a reunir-se há cerca de três anos, tendo incubado na altura o registo I Wasn't Born To Lose You, que vê finalmente sucessor.

Resultado de imagem para Swervedriver – Future Ruins

Um dos singles já divulgados de Future Ruins é Mary Winter, uma melancólica e imponente canção, assente numa guitarra distorcida que contrasta na perfeição com o registo vocal ecoante de Adam Franklin, o líder dos Swervedriver, que disserta sobre os pensamentos de um astronauta que passeia no espaço enquanto recorda bons momentos vividos cá em baixo ("Been floatin’ out here so long, And you know I’m not coming down, With planet earth long gone, And my feet don’t touch the ground”). Confere...

 


autor stipe07 às 21:09
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