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Nothing – Purple Strings (Feat. Mary Lattimore)

Segunda-feira, 05.01.26

Editado em dois mil e catorze, Guilty of Everything foi o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia liderada pelo vocalista Nicky Palermo, que logo nesse primeiro disco clarificou deambular entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral. Após essa estreia, o grupo foi, com mais dois registos no catálogo, Tired Of Tomorrow e Dancing On The Blacktoop, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line, oferecendo, a quem os quisesse ouvir, o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.

Em dois mil e vinte os Nothing chamaram a nossa atenção com The Great Dismal, o quarto disco do grupo liderado por Dominic Palermo e ao qual se juntam atualmente o guitarrista Doyle Martin, o baixista Bobb Bruno, o baterista Zachary Jones e o guitarrista Cam Smith.Esse álbum era mais um documento essencial para se perceber a progressão do quarteto. Tinha um alinhamento assente na primazia das guitarras, mas também contava com um elevado teor sintético, uma nuance que conferiu ao seu som uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que, na verdade, acabou por amenizar o cariz eminentemente sombrio do rock que os Nothing se gabam de saber replicar melhor que ninguém.

Agora, meia década depois, o projeto norte-americano regressa à nossa órbita à boleia de alguns avanços que tem revelado de A Short History of Decay. Trata-se do quinto disco da banda, um registo com nove canções, produzido pelo próprio Nicky Palermo, com a ajuda de Nicholas Bassett, líder dos Whirr e que foi gravado nos estúdios Sonic Ranch, no Texas, estando previsto ver a luz do dia a vinte e sete de fevereiro, com a chancela da Run For Cover Records.

Cru, sujo e rude, Cannibal World foi o primeiro single que passou por cá, em novembro último, do alinhamento de A Short History of Decay. O tema assentava a sua filosofia interpretativa no ruído sombrio de guitarras tocadas em reverb, numa postura claramente lo fi.

Agora temos para escuta Purple Strings, o quinto tema do alinhamento de A Short History of Decay. Com a participação especial da harpista Mary Lattimore, de Jason Adams aos comandos do violoncelo e de Camille Getz no violino, Purple Strings é uma composição intimista e sentimentalmente forte, com um registo melódico envolvente, que vai sendo trespassado por diversas nuances conferidas por cordas das mais variadas proveniências, criando um clima impactante, que vinca uma identidade sonora muito própria e que define, sem sombra de dúvida, o melhor adn dos Nothing. Confere...

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publicado por stipe07 às 19:35

Dumbo Gets Mad - Five Eggs

Sexta-feira, 12.12.25

Um dos grandes destaques discográficos de dois mil e vinte e cinco é, claramente, Five Eggs, o quinto registo de estúdio dos Dumbo Gets Mad, um projeto encabeçado desde dois mil e onze pelo cantor, compositor, produtor e designer de som italiano, Luca Bergomi. É um álbum com dez explosivas canções e que tem a chancela da Carosello Records.

Dumbo Gets Mad » Doornroosje

Five Eggs é uma elegante e bem sucedida viagem sonora, que nos proporciona, em pouco mais de trinta minutos, uma espetacular e efusiante trip psicadélica de elevado calibre e verdadeiramente narcótica para quem se deixar levar por uma doutrina que se serve de guitarras, acústicas ou eletrificadas e de sintetizadores inspirados para, com uma ímpar teatralidade e uma inimitável versatilidade estilística, criar grandiosas canções que versam sobre algumas dicotomias que, no fundo, regem a nossa existência mais metafísica.

Logo na atmosfera surreal, nos coros femininos sensuais e no clima marcial e com travo bolero de Psychedelic Breakfast, fica dado o mote para o que aí vem, um naipe de canções com elevado grau criativo e cinematográfico e que, se acreditarmos na infalível redenção de todos os nossos medos através da música, nos ajudarão a navegar numa vida melhor e mais prazeirosa, independentemente de passar a ser menos ou mais pecaminosa.

O ritmo acelerado de Spizza, com alguns momentos de pausa e com uma atmosfera que proporciona uma sensação particularmente vintage, é outro momento inebriante de Five Eggs, com Pariah a mergulhar de cabeça em ritmos muito mais urbanos e em vibrações de rua, brincando com o funk e acomodando vozes que, se parecem querer embalar, com o seu travo rap, a verdade é que o efeito que provocam é eminentemente instigador.

Five Eggs prossegue e se Biscaglione aposta num ambiente eminentemente pop e algo hipnótico, através de uma batida densa e crescente, já Gossip Playground coloca todas as fichas num clima mais contemplativo, com o hip-hop a ser mais uma prova da abrangência que os Dumbo Gets Mad transportam no seu adn. Depois, a atmosfera intimista e algo onírica de Life Doesn't Mean Much To You, o psicadelismo pós punk de Spacesomething, as cascatas de sintetizações cósmicas que adornam It Really Doesn't Matter e o clima acolhedor e reconfortante de Ritorni, atestam, com astúcia e minúcia, o modo impactante como Five Eggs, um disco compacto, mas multifacetado, solidifica a habitual estratégia de Luca Bergomi de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque é esse o efeito que o disco de certa forma transmite. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:37

Saccades – Between Two Bodies Of Water

Quarta-feira, 26.11.25

Os londrinos The KVB, formados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, construiram na última década um firme reputação que permite afirmar, com toda a segurança, que são, atualmente, uma das melhores bandas a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta.

No entanto, não é só dos The KVB, que se faz a carreira musical destes artistas. Wood tem também um projeto a solo que batizou com o nome Saccades, com vários singles já editados e disponíveis na plataforma bandcamp do músico.

Assim depois de no início de outubro último, Saccades ter causado mossa na nossa redação com Greek Fire, um tema com um perfil sonoro bastante solarengo e intimista, mas igualmente imponente e enleante, agora volta a fazê-lo à boleia de uma outra composição. Trata-se de Between Two Bodies Of Water, tema inspirado numa canção com o mesmo nome assinada pelo guitarrista espanhol Paco de Lucia.

Solarenga, charmosa e intimista, Between Two Bodies Of Water impressiona pela riqueza de entalhes e detalhes sintéticos que adornam uma composição com um elevado travo cósmico e com um perfil enleante e aconchegante. É uma canção em que o registo vocal ecoante de Wood, a subtileza das guitarras e a exuberância dos teclados se fundem e se confundem com minúcia e cálculo milimétrico, num resultado final que espreita perigosamente, e ainda bem, uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:26

Hazel English - Gimme

Terça-feira, 25.11.25

Artista debaixo dos holofotes da crítica mais atenta desde que lançou há pouco mais de meia década o EP Give In / Never Going Home, Hazel English estreou-se nos discos em dois mil e vinte com Wake Up!, um buliçoso alinhamento de dez composições que nos ofereceram uma bagagem nostálgica tremendamente impressiva, já que, ao escutarmos o registo, parecia que embarcavamos numa máquina do tempo rumo à melhor pop que se fazia há mais ou menos meio século e que ainda hoje influencia fortemente alguns dos melhores nomes da indie contemporânea.

Na primavera dois mil e vinte e três, e já depois de no final de dois mil e vinte e um nos ter brindado com um inédito intitulado Nine Stories, que foi grande destaque de um EP chamado Summer Nights, lançado no verão do ano seguinte, a cantora australiana a residir atualmente em Oakland, nos Estados Unidos, voltou à carga com uma belíssima cover de Slide, um icónico tema dos anos noventa assinado pelos míticos Goo Goo Dolls de Johnny Rzeznik, Robby Takac, George Tutuska e Mike Malinin.

No outono desse mesmo ano de dois mil e vinte e três, Hazel English deliciou-nos com uma novidade intitulada Heartbreaker, que na altura ainda não trazia atrelado o anúncio de um novo disco da artista e que contava nos créditos de produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, seu colaborador de longa data. No entanto, esse segundo registo de originais da cantora de Oakland tornou-se mesmo uma realidade em dois mil e vinte e quatro, com Real Life, um alinhamento de onze canções que marcou mais um capitulo nesta profícua parceria com Day Wave.

Real Life era um regalo para os ouvidos de quem aprecia canções com uma forte tonalidade pop e que estejam adocicadas com aquele registo sonoro que, sem ser demasiado ligeiro e radiofónico, consegue ser constantemente sedutor e instigador. Liricamente, e como seria de esperar, o álbum era uma espécie de tratado filosófico sobre desencontros amorosos e sobre a necessidade de saber seguir em frente quando uma relação termina, ou quando há algo na nossa vida que de certo modo nos emperra e não deixa que o rumo delineado seja calcorreado sem atropelos de maior.

Oito meses depois do lançamento de Real Life, em agosto último, Hazel English regressou ao nosso radar com Baby Blue, uma canção escrita e meias com Jackson Phillips e Rutger van Woudenberg, que também assinou a produção da composição, juntamente com Hazel. Baby Blue era um oásis de pop etérea e solarenga, com um forte travo chillwave, que assentava numa guitarra com um timbre metálico ziguezagueante intenso, algumas sintetizações subtilmente charmosas e um registo vocal ecoante.

Já em outubro tivemos para escuta mais uma novidade de Hazel English, intitulada Calgary, gravada em Londres e escrita com a inestimável ajuda de Frank Colucci. Versando sobre a magia de um amor que tem tudo para correr bem, Calgary começou por impressionar pelo timbre metálico ecoante e psicadélico de uma guitarra, que era depois trespassada por outros efeitos enleantes, uma bateria frenética e um baixo lúcido, num registo pop solarengo, cativante e charmoso.

Agora, quase no ocaso de novembro, temos para escuta Gimme, uma nova canção de Hazel English, que também conta nos créditos da escrita e da produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, já acima citado. Apostando no habitual registo sonoro da artista, já descrito e que aposta muito no frenesim percurssivo e no timbre metálico ecoante das guitarras, Gimme é uma canção charmosa e radiante, criada por uma cantora e compositora que, com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós. Confere Gimme e o vídeo do tema, gravado num terminal do aeroporto JFK, entretanto encerrado, chamado Twilight Flight Center, construído em mil novecentos e sessenta e dois e convertido num hotel temático em dois mil e um...

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publicado por stipe07 às 17:31

Nothing – Cannibal World

Quarta-feira, 12.11.25

Editado em dois mil e catoze, Guilty of Everything foi o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo nesse primeiro disco clarificou deambular entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral. Após essa estreia, o grupo foi, com mais dois registos no catálogo, Tired Of Tomorrow e Dancing On The Blacktoop, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line, oferecendo, a quem os quisesse ouvir, o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.

Em dois mil e vinte os Nothing chamaram a nossa atenção com The Great Dismal, o quarto disco do grupo liderado por Dominic Palermo e ao qual se juntam atualmente o guitarrista Doyle Martin, o baixista Bobb Bruno, o baterista Zachary Jones e o guitarrista Cam Smith.Esse álbum era mais um documento essencial para se perceber a progressão do quarteto. Tinha um alinhamento assente na primazia das guitarras, mas também contava com um elevado teor sintético, uma nuance que conferiu ao seu som uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que, na verdade, acabou por amenizar o cariz eminentemente sombrio do rock que os Nothing se gabam de saber replicar melhor que ninguém.

Agora, meia década depois, o projeto norte-americano regressa à nossa órbita à boleia de Cannibal World, o primeiro avanço revelado de A Short History of Decay, o quinto disco da banda, um registo com nove canções, que vai ver a luz do dia a vinte e sete de fevereiro de dois mil e vinte e seis e que terá a chancela da Run For Cover Records.

Crua, suja e rude, Cannibal World assenta a sua filosofia interpretativa no ruído sombrio de guitarras tocadas em reverb, numa postura claramente lo fi, além de um registo percurssivo imponente e vigoroso, nuances importantes para criar o clima shoegaze pretendido, caraterísticas bem vincadas de uma identidade sonora muito própria e que define, sem sombra de dúvida, o melhor adn dos Nothing. Confere Cannibal World e o artwork e a tracklist de A Short History of Decay...

Never Come Never Morning
Cannibal World
A Short History Of Decay
The Rain Don't Care
Purple Strings
Toothless Coal
Ballad Of The Traitor
Nerve Scales
Essential Tremors

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publicado por stipe07 às 20:27

King Hannah – This Hotel Room

Terça-feira, 11.11.25

Sedeada em Liverpool, a dupla King Hannah, formada por Hannah Merrick e Craig Whittle, tem uma curta carreira de menos de meia década, mas já dois excelentes discos, um intitulado I'm Not Sorry, I Was Just Being Me, lançado em dois mil e vinte e dois e Big Swimmer, o sucessor, editado em dois mil e vinte quatro, ambos sob a chancela da insuspeita City Slang.

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Este projeto King Hannah já tinha chamado a atenção da nossa redação perto do natal do ano passado com a cover que criaram para o clássico Blue Christmas, um original de mil novecentos e cinquenta e sete, assinado pelo king Elvis Presley e agora voltam a fazê-lo com o anúncio do lançamento de um single de sete polegadas com os temas This Hotel Room, no lado a) e Look At Miss Ohio, no lado b), este uma cover de um original de Gillian Welch, que faz parte do alinhamento do álbum Jimmy Carter: Man from Plains, que este músico natural de Nova Iorque lançou em dois mil e sete.

Temos para sugestão e escuta neste artigo o principal tema do lançamento, a composição This Hotel Room. É uma canção que brilha no modo como honra os alicerces fundamentais da mais pura indie folk, com destaque para uma bateria complacente e comodamente paciente no modo como acomoda cordas acústicas e eletrificadas, que vão subindo o tom e os decibéis, enquanto criam uma melodia inspirada, que se vai deixando enlear por uma quase impercetível vastidão de arranjos e detalhes e nuances das mais diversas proveniências, que adornam, com um charme intenso, um tema que, entre melancolia, contemplação e experimentalismo, contém uma enorme beleza, emoção e arrojo. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:30

GUM – Expanding Blue

Quinta-feira, 06.11.25

GUM é um projeto a solo liderado pelo australiano Jay Watson, um músico com ligações estreitas aos POND e aos Tame Impala, que em dois mil e vinte e três fez faísca pela primaira vez no nosso radar devido a um disco intitulado Saturnia, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do verão desse ano e que sucedeu ao registo Out In The World, que o artista lançou em dois mil e vinte.

Cerca de um ano depois, em julho de dois mil e vinte e quatro, GUM regressou à nossa esfera sonora devido a um álbum intitulado Ill Times, um alinhamento de dez canções que teve a chancela da p(doom) Records, a etiqueta dos King Gizzard e que Jay Watson incubou a meias com Ambrose Kenny-Smith, um dos elementos fundamentais dos King Gizzard. Este registo era um estrondoso hino à melhor herança do rock psicadélico setentista do século passado, cheio de canções imponentes, repletas de guitarras encharcadas com riffs impetuosos, um perfil orgânico muitas vezes embrulhado por uma vasta pafernália de sintetizações cósmicas, às quais competia um extraordinário papel de adorno, num resultado final repleto de guinadas, interseções, detalhes inesperados e trechos de puro experimentalismo.

Agora, na reta final de dois mil e vinte e cinco, Jay Watson oferece-nos um novo tema, um composição intitulada Expanding Blue. Mantendo o ADN identitário deste projeto GUM, Expanding Blue, uma canção sobre as sensações de serendidade e de liberdade que um amor correspondido oferecem-nos sempre, permite-nos contemplar quase cinco minutos sonoros de acusticidade ecoante e contemplativa, feitos com guitarras dedilhadas com minúcia e alguns arranjos de outros instrumentos de cordas, acompanhados por um subtil piano insinuante e por diversos efeitos de proveniência sintética que oferecem ao tema o indispensável travo lisérgico que este projeto carrega sempre consigo, independentemente da carga emotiva das suas composições. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:06

Geese - Getting Killed

Segunda-feira, 20.10.25

Caos e tensão são adjetivos que se ajustam às mil maravilhas aos Geese, uma banda de Nova Iorque que teve a sua génese há quase uma década no profícuo e efervescente bairro de Brooklyn e que é atualmente formada por Cameron Winter, Emily Green, Dominic DiGesu e Max Bassin, quarteto ao qual se junta o teclista Sam Revaz, quando o projeto toca ao vivo. Estrearam-se nos discos já esta década, em dois mil e vinte e um, com o registo Projector, ao qual se sucedeu 3D Country dois anos depois e agora, há poucos dias, Getting Killed, um alinhamento de onze canções produzidas por Kenneth Blume e que têm a chancela da Partisan Recordings.

Pujantes e, ao mesmo tempo íntimos, contundentes e simultaneamente emotivos, os Geese são o exemplo perfeito de como na música muitas vezes a ausência de regras estilísticas rigidas, de seguidismos ou de balizamentos é, também, uma boa fórmula para se chegar ao sucesso e à tão almejada perfeição. Getting Killed, o novo álbum do quarteto, pode ser catalogado, de modo simplista, como um disco de indie rock, mas é claramente muito mais do que isso. Os seus quarenta e cinco minutos condensam, sem ordem definida e numa espécie de caos ordenado, world music, jazz, folk, rock, pop, R&B, grunge, garage, psicadelia, punk e tudo aquilo que mais quiseres colocar nesta listagem. Depois, qual cereja no topo do bolo, temos Cameron Winter, considerado já por muitos como um dos vocalistas mais carismáticos do cenário indie e alternativo atual. Se num segundo ele choca-te e instiga-te com um voz ensurdecedora e, imagine-se, algo desconfortável, pouco depois está a falar, de modo contundente, ao teu coração, sussurrando-te ao ouvido com o registo mais adoçicado que possas imaginar. Pelo meio, captando a nossa atenção frequentemente de uma forma pouco convencional e até algo chocante, mantém uma performance algo arrastada, mas sempre tensa, atributos que ampliam ainda mais o modo bem sucedido como ele comunica connosco, mesmo que a disposição para o escutar não esteja nos píncaros.

Começa-se a escutar Trinidad, o tema que abre Getting Killed e, numa espécie de alegoria aquele jazz da primeira metade do século passado, percebe-se logo a cadência e o travo de um perfil sonoro ansioso, fragmentado e descontrolado, aspetos que vão ser transversais a todo o disco, independentemente do perfil interpretativo selecionado para cada composição, que explora sempre um som vibrante e que parece estar permanentemente a querer fugir ao típico arquétipo estrutural do formato canção, na sua forma mais pura e natural.

Feitas as apresentações, logo a seguir Cobra escancara, de par em par, as janelas da nossa alma para a contemplação de uma pop lisérgica e luminosa, com Husbands a colocar as fichas num perfil mais minimal e eletrónico, mas nem por isso menos abundante em detalhes, tiques e nuances, geralmente percussivas, que nos mantêm permanentemente alerta relativamente ao rumo que a canção possa levar.

Getting Killed prossegue em grande estilo e 100 Horses é outro exemplo feliz desta filosofia interpretativa musculada e quase irreal, em que os instrumentos frequentemente se confundem e mal se distinguem, deixando-nos sempre em absoluto suspense; No travo funk da composição saboreia-se um arsenal instrumental que tem na rugosidade do baixo e na aspereza das guitarras, elementos decisivos na indução de extase a uma canção de elevado pendor lisérgico. Antes, já o ímpeto vibrante do tema homónimo e o modo como as cordas crescem em intensidade e astúcia em Islands Of Men, tinham-nos mostrado que as guitarras são também uma arma de arremesso essencial do disco e que a guitarrista Emily Green e o baixista Dominic DiGesu são peças vitais no seu movimento sinuoso que, por incrível que Às vezes possa parecer, nunca resvala nem se despista.

Até ao ocaso de Getting Killed, o refrão gospel e a alegria contagiante de Half Real, uma belíssima canção de amor e o hino Taxes, um tema que tem tudo para se tornar numa das melhores canções do século XXI, são outros instantes impressivos de um disco cheio de reviravoltas e imprevistos, que escapa constantemente às expetativas que sobre ele se possam colocar e que parece saciar uma curiosidade inquieta e indomável que os Geese sentiram de explorar o máximo possível o potencial criativo que neles existe e o arsenal intrumental que dispôem.

Num dos discos do ano, cheio de força e vigor criativo, timbres e dinâmicas, este quarteto nova iorquino mostra que o sucesso e a felicidade no seio desta forma de arte chamada música, podem andar de mãos dadas, desde que se ponha de lado convenções e regras e se aposte numa fé inabalável no instinto e naquilo que ele nos pedir que seja feito no momento de criar e de desconstruir, porque aí, quando a realidade se dissolve, vale mesmo tudo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 12:38

Living Hour – Internal Drone Infinity

Sexta-feira, 17.10.25

O bucolismo de Winnipeg é o poiso dos Living Hour, um projeto sonoro canadiano que se estreou em dois mil e dezasseis nos discos com um homónimo que teve a chancela da conceituada Lefse Records e que em oito canções nos ofereceu uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos tem deixado, com fundamentos que remontam à psicadelia que começou a fazer escola na década de sessenta do século passado.

Living Hour Announce New Album, Share New Single Featuring Jay Som - Our  Culture

Em dois mil e vinte e dois e três anos após o registo Softer Faces, os Living Hour regressaram ao formato álbum com Someday Is Today, um trabalho que contava nos créditos da produção com a colaboração da multi-instrumentista e produtora norte-americana Melina Mae Duterte aka Jay Som, além de Jonathan Schenke e Samur Khouja e que sonoramente parecia estar preso num qualquer transístor há várias décadas, mas que foi libertado com o aconchego que a evolução tecnológica permite, ajudando-nos a olhar de frente para o vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, nos obrigam sempre a procurarmos uma estadia de magia e delicadeza invulgares, caso queiramos respostas consistentes e definitivas.

Agora, três anos depois de Someday Is Today, os Living Hour têm já nos escaparates um álbum intitulado Internal Drone Infinity, que viu a luz do dia com a chancela da Paper Bag Records e que estilisticamente acaba por seguir as premissas reflexivas do disco anterior, já que as suas dez canções incorporam, na íntegra, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, que nos leva a degustar, em pouco mais de trinta e cinco minutos, um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Temas como Wheel, que sobrevive à custa de cordas vibrantes, que são trespassadas por efeitos abrasivos ecoantes, num tema que vai crescendo em arrojo e emoção, ou Waiter, uma canção que os coloca na senda daquele rock com elevado travo shoegaze, feito de cordas sujas e tremendamente abrasivas, acamadas por um baixo imponente, mas discreto, são momentos impressivos de Internal Drone Infinity e que nos elucidam relativamente ao elevado nível de densidade, nostalgia, crueza e hipnotismo que o disco contém. No entanto, no superior travo intimista orgânico da guitarra que sustenta Best I Did It, no registo percussivo arrastado e simultaneamente hipnótico da épica e rugosa Firetrap e no clima grunge e enleante de Big Shadow, encontramos outros atributos transversais a todo o registo, com alguns sintetizadores a conferirem, amiúde, a toda a trama os indispensáveis adornos, além de ajudarem as canções a terem a alma e a filosofia desejadas.

Em suma, Internal Drone Infinity amplifica ainda mais a faceta oitocentista que sempre instigou este quarteto no momento de compor e de criar. Instrumentalmente, impressiona o elevado grau de lisergia das guitarras, melodicamente sagazes, que dão vida a um clima bastante sentimental e envolvente, mas também se nota um superior cuidado com os detalhes e a busca constante de majestosidade e de têmpera. Como já referi, conceitos como densidade, nostalgia, crueza e hipnotismo, assaltam a nossa mente canção após canção, sempre com elevada essência pop e um acerto melódico que nunca vacila. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:43

Saccades - Greek Fire

Terça-feira, 07.10.25

Os londrinos The KVB, formados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, construiram na última década um firme reputação que permite afirmar, com toda a segurança, que são, atualmente, uma das melhores bandas a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta.

No entanto, não é só dos The KVB, que se faz a carreira musical destes artistas. Wood tem também um projeto a solo que batizou com o nome Saccades, com vários singles já editados e disponíveis na plataforma bandcamp do músico. O mais recente chama-se Greek Fire e causou mossa na nossa redação.

Greek Fire é uma composição com um perfil sonoro bastante solarengo e intimista, mas igualmente imponente e enleante. O timbre metálico da guitarra que conduz o edifício melódico da canção e algumas sintetizações planantes, com um subtil travo cósmico, um baixo e uma bateria competentes e o registo vocal ecoante de Wood são atributos inegáveis de um tema que, como seria de esperar, espreita perigosamente, e ainda bem, uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:10






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