Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

The Dodos – Certainty Waves

Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Individ (2015). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Certainty Waves, foi produzido pelo próprio Meric Long e viu a luz do dia através da Polyvinyl Records. Nos últimos três anos, os The Dodos apenas deram dois sinais de vida; a participação com o tema Mirror Fake na compilação Philia: Artists Rise Against Islamophobia e quando revelaram uma cover de Never Meant, um original dos American Football, inserida na compilação que marcou o vigésimo aniversário da Polyvinyl. Individ foi um dos discos mais escutados na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante estes últimos três anos e impressionou, seduziu e conquistou, nas suas repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições, razão pela qual este sucessor está a ser aguardado por cá com enorme expetativa.

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Registo fértil num casamento feliz entre as cordas, os teclados e a percussão, elementos que conjuram entre si na exploração de um som amplo, épico e alongado, através do abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes, Certainty Waves está coberto, do início ao fim, por um manto de epicidade bastante vincado. As canções sucedem-se em catadupa e, uma após outra, somos bombardeados por luxuriantes paisagens sonoras, impregnadas de notáveis arranjos, que afastam cada vez mais a dupla da toada folk que marcou os seus primeiros trabalhos, em deterimento de uma filosofia interpretativa que dá cada vez maior importância ao sintético e à tecnologia. Apenas Center Of, por sinal um dos melhores momentos do registo, entronca na herança mais genuína dos The Dodos, onde as cordas eram líderes incontestáveis no processo de criação musical, com as guitarras e a percurssão de 3WW a aproximarem-se também, mas de forma menos objetiva, desses aúreos tempos do grupo. Curiosamente, Forum, o primeiro tema divulgado de Certainty Waves, assentando num deambulante efeito strokiano de uma guitarra e no reverb da mesma, mas, principalmente, no cariz épico de uma melodia que não dispensa teclas efusivas, uma bateria incessante e trompetes nos arranjos, terá sido uma escolha acertada para revelar as novas diretrizes do projeto, demonstradas com notável lucidez também na pop oitocentista que exala de Sort Of.

Disco pleno de personalidade, com uma produção cuidada e muito aguardado por cá, como já referi, Certainty Waves tem alma e caráter, força e uma positividade contagiante. Os The Dodos dão neste alinhamento um passo evolutivo importante na carreira, a carecer de aprimoração em próximos lançamentos, sem deixarem de se manter fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o adn do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Certainty Waves

01. Forum
02. IF
03. Coughing
04. Center Of
05. SW3
06. Excess
07. Ono Fashion
08. Sort Of
09. Dial Tone


autor stipe07 às 17:20
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2018

Papercuts - Parallel Universe Blues

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

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Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues contém um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta é, de facto, uma nuance fundamental deste novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança recente de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles.

O manto de epicidade que cobre a monumentalidade de Laughing Man e, em Sing To Me Candy, o hipnótico riff de guitarra distorcido e o modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, são boas portas de entrada para a compreensão clara deste universo sonoro dos Papercuts, um território de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de melodias tremendamente adocicadas e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Escuta-se também o single How To Quit Smoking, o ritmo frenético de Walk Backwards e, num registo mais contemplativo, a melancolia que exala do dedilhar das cordas de All Along St. Mary's e percebe-se esta clara duplicidade e o modo como a mesma está impregnada de diversos detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade refrescante e inédita a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Parallel Universe Blues

01. Mattress On The Floor
02. Laughing Man
03. How To Quit Smoking
04. Sing To Me Candy
05. Clean Living
06. Kathleen Says
07. Walk Backwards
08. All Along St. Mary’s
09. Waking Up


autor stipe07 às 21:13
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

Papercuts – Sing To Me Candy

Papercuts - Sing To Me Candy

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com uma digressão juntamente com os Beach House, que servirá para promover Parallel Universe Blues, dez canções que irão ver a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues terá certamente um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts, uma nuance que deverá continuar a estar muito presente, se tivermos em conta Sing To Me Candy, o mais recente single apresentado do álbum. A canção impressiona pelo hipnótico riff de guitarra distorcido e pelo modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um tema cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Confere...


autor stipe07 às 13:20
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2018

The Dodos - Forum

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Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Individ (2013). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Certainty Waves e vê a luz do dia a doze de outubro, através da Polyvinyl Records. Ao longo destes três anos, os The Dodos apenas deram dois sinais de vida com a participação com o tema Mirror Fake na compilação Philia: Artists Rise Against Islamophobia e quando revelaram uma cover de Never Meant, um original dos American Football, inserida na compilação que marcou o vigésimo aniversário da Polyvinyl. Individ foi um dos discos mais escutados na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante estes últimos três anos e impressionou, seduziu e conquistou, nas suas repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições, razão pela qual este sucessor está a ser aguardado por cá com enorme expetativa.

Forum é o primeiro tema divulgado de Certainty Waves e o seu deambulante efeito strokiano da guitarra e o reverb da mesma, assim como o cariz épico de uma melodia que não dispensa teclas efusivas, uma bateria incessante e trompetes nos arranjos, acentua ainda mais esta ânsia pela chegada dos disco aos escaparates, um registo que será certamente fértil num casamento feliz entre as cordas e a percussão e na exploração de um som amplo, épico e alongado, sustentado no abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes. Confere Forum e a tracklist de Certainty Waves...

Forum

IF

Coughing

Center of

SW3

Excess

Ono Fashion

Sort of

Dial Tone


autor stipe07 às 14:15
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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2018

Ty Segall & White Fence - Joy

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Mas este músico também gosta de alinhar em parcerias e nelas consegue potenciar a sua capacidade para nos embrenhar num universo sonoro labiríntico que nunca deixando de lado a estética lo fi que Ty tanto aprecia, também consegue entranhar alguns dos pilares fundamentais da sonoridade de quem a ele se alia na hora de compôr. Tim Presley, a mente que assina o projeto White Fence, foi um dos que se deixou enredar pela teia lançada por Ty, já em dois mil e doze com o excelente álbum Hair, o que nem admira até porque estamos na presença de dois artistas que têm na sua discografia muito pontos em comum, desde logo a apetência por aquele rock mais cru, que tanto abraça a folk como pisca o olho aquela psicadelia setentista que ainda hoje é muito marcante. Joy é o nome da segunda etapa desta parceria, quinze canções assentes num salutar experimentalismo sem fronteitas ou concessões a um género bem delimitado, cheias de guitarras sujas e riifs enérgicos, mas também sóbrios dedilhares de uma viola e constantes variações ritmícas com Please Don't Leave This Town a ser um bom tema para se perceber toda a essência deste disco.

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Alegria e diversão, cor e arrojo, são adjetivos felizes na hora de caraterizar o conteúdo de Joy e de imaginar o seu processo de gravação. São pouco mais de trinta minutos de pura exaltação indie, assentes numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, um alinhamento que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em diversos temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Assim, no inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Good Boy e no modo como a dupla cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação e no hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e no blues de Other Way e na toada hippie, vintage e acústico psicadélica de My Friend, assentam os momentos maiores de trinta minutos sonoros propostos por dois artistas que parecem querer buscar um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais têm a provar para terem direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com um nível superior de cumplicidade, em Joy os dois músicos que assinam o registo até deixam um pouco de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firmam na execução dos seus registos e, sem sofrerem de desgaste ou possíveis redundâncias, executam um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentarem de modo tremendamente atual tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 10:17
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

William Duke - Quatro

Foi a vinte e sete de junho último que viu a luz do dia Quatro, o segundo registo de originais de William Duke, um músico e escritor natural de São Francisco, na Califórnia e que se movimenta dentro daquele típico indie rock norte-americano mais genuíno, que foi criando raízes no último meio século e que deve grande parte da sua identidade ao modo como incorpora alguns detalhes do jazz, do blues e da folk típica não só da costa oeste, geralmente de cariz algo lisérgico, mas também aquela folk mais sulista, que tem no banjo o instrumento de eleição. O resultado final é um álbum com uma filosofia sonora descontraída e bastante aditiva, comandada invariavelmente pelas cordas e enriquecida por letras com um elevado sentido de humor e descontração, onde abundam descrições muito expressivas acerca da contemporaneidade americana, onde a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude têm plano de destaque.

Foto de William Duke Presents.

Neste Quatro embarcamos numa viagem sonora inspirada e inspiradora, uma jornada que em pouco mais de meia hora nos permite pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este artista norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança local deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas. Assim, do extraordinário jogo de cordas que abastece Hotels And Meetings ao tremendo travo surf pop de Cue Up The Memories, passando pelo clima jovial e luminoso do single Caroline And The Silver Screen e pelo perfil nostálgico de Thank You, descobrimos ao longo do registo uma sonoridade simples, mas plena de expressividade e vida e que vai ampliando a nossa boa impressão acerca do autor, enquanto ele expôe todos os seus atributos para compôr telas sonoras com uma tonalidade algo cinza, mas plenas de sentimentos e emoções. A mais contemplativa e charmosa de As Good As It Gets é um bom exemplo deste nível apurado de abrangência, uma canção que acaba por enriquecer o elevado grau de ecletismo de um alinhamento que, recordando com particular nitidez alguns dos nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo, acaba por ser também uma banda sonora perfeita para um verão que se quer descontraído e vivido com alegria e boa disposição.

Quatro é, em suma, um desfilar exuberante de sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas, a navegarem numa espécie de meio termo entre a pop, o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

William Duke - Quatro

01. Caroline And The Silver Screen
02. Junk#2
03. Hotels And Meetings
04. Hotels End
05. Cue Up The Memories
06. As Good As It Gets
07. Complications#1
08. Thank You


autor stipe07 às 10:21
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2018

Wooden Shjips – V.

Editado recentemente pela Thrill JockeyV. é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. V. sucede ao aclamado Back To Land, disco dos Wooden Shjips editado em 2013 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson com os Wooden Shjips, um guru do rock psicadélico que também é cabeça de cartaz dos extraordinários Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin, Dusty Jermier e Nash Whalen.

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A sugestiva capa de V., representando de modo expressivo o título do registo e o ambiente colorido de uma espécie de utopia tropical, personifica, de modo feliz, o conteúdo de um registo que é uma verdadeira trip de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria. Assim, e como convém a um projeto que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se em V. guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, um arsenal instrumental que nos leva numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Já agora, confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso dos Wooden Shjips a fórmula selecionada é muito simples e aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e, como já foi referido, eminentemente sessentista.

Aliás, os Wooden Shjips são uma banda perfeita para nos recordar aquele som de protesto e incendiário que teve o seu auge na ressaca de Woodstock e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois, a nossa contemporaneidade cultural. No fuzz constante da guitarra de Eclipse e no teclado que amiúde plana sobre a melodia de In The Fall percebe-se, com nitidez, como ainda é possível, várias décadas depois, este som ainda ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, apesar de muitos projetos insistirem em servir-se dessa herança para criar instantes sonoros muitas vezes amorfos e  despidos não só de qualidade mas, principalmente, de um conceito que os justifique. Depois, nas cordas vibrantes e luminosas de Already Gone, para mim o momento maior deste caldo que é V. e no cósmico clima entorpecedor de Staring At The Sun e no travo hindu de Golden Flower, sentimos facilmente uma outra mais valia dos Wooden Shjips, a sua subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria da world music, uns com mais groove e outros mais relaxantes, sempre com o tal experimentalismo na linha da frente e sem se perderem em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Wooden Shjips - V.

01. Eclipse
02. In The Fall
03. Red Line
04. Already Gone
05. Staring At The Sun
06. Golden Flower
07. Ride On


autor stipe07 às 11:40
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2017

Black Rebel Motorcycle Club – Haunt

Black Rebel Motorcycle Club - Haunt

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanosBlack Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e irá ver a luz do dia em janeiro próximo. Do seu alinhamento foi divulgado no início de outubro o single Little Thing Gone Wild, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah e agora chegou a vez de escutarmos Haunt, um tema mais calmo e orgânico, com uma toada algo lisérgica e contemplativa, proporcionada por uma bateria e uma guitarra carregadas de alma, um registo que, à imagem da primeira canção, faz antever um álbum mais cru e direto que o antecessor. Confere...


autor stipe07 às 22:29
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Black Rebel Motorcycle Club – Little Thing Gone Wild

Black Rebel Motorcycle Club - Little Thing Gone Wild

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e irá ver a luz do dia em janeiro próximo. Do seu alinhamento já se conhece o single Little Thing Gone Wild, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah. A canção tem traços de post punk e blues e também abraça o noise rock, fazendo antever um álbum mais cru e direto que o antecessor. Confere...


autor stipe07 às 18:13
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Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

Deerhoof - Mountain Moves

Os Deerhoof de São Francisco, formados por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier, estão de regresso aos discos com mais quinze canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela é já a décima quarta do grupo, chama-se Mountain Moves e viu  luz do dia através da Joyful Noise Recordings.

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Sempre inventivos e com uma intocável capacidade em proporcionar, disco após disco, canções e alinhamentos que tanto contêm um travo experimentalista indisfarçável como parecem ir ao encontro das regras mais convencionais da pop contemporânea, os Deerhoof mantêm-se convictamente decididos não só a rasgar toda a sua herança e ir apontando novos direções e rumos, mas também a reforçarem o arsenal de canções que têm à disposição para agradar ao mainstream e assim manterem-se na linha da frente dos projetos mais consensuais e escutados dentro do universo sonoro em que se inserem.

É um facto que nos Deerhoof quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e neste Mountain Moves aquele lixo sonoro, completamente metafórico e sublime que eles apresentaram em discos tão emblemáticos como Breakup Song, ou o antecessor La Isla Bonita, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.

Disco que também impressiona pela presença de algumas versões, com destaque para o tema Gracias a La Vida, um original da chilena Violeta Parra, assim como Freedoom Highway, tema do cardápio setentista dos The Staple Singers e ainda, no final do alinhamento, Small Axe, de Bob Marley, Mountain Moves conta também com as participações especiais do rapper Awkwafina em Your Dystopic Creation Doesn't Fear You, uma luminosa e divertida canção conduzida por cordas inebriantes e das cantoras Laetitia Sadier no funk assertivo de Come Down Here & Say That, Juana Molina, na estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Slow Motion Detonation e Jenn Wasner no rock enérgico de I Will Spite Survive. São artistas que conferem ao disco um clima ainda mais abrangente e onde abundam guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas, xilofones e uma praga de instrumentos que nos consomem, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado.

Mountain Moves é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo quarto trabalho da carreira e consegue sempre ser, ainda, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como constantemente se reinventa, é um dos maiores elogios que se pode fazer a um alinhamento que comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura, mantendo intacta a sua ideologia e abraçando, simultaneamente, o inedetismo com grande relevância. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:57
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Sábado, 16 de Setembro de 2017

The Fresh And Onlys – Wolf Lie Down

Lançado através da Sinderlyn Records, Wolf Lie Down é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a Long Slow Dance (2012), ao EP Soothsayer(2013) e ao aclamado House of Spirits (2014) sendo já o sexto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco, na Califórnia e formado por Tim Cohen, ao qual se juntam, atualmente, Shayde Sartin e Kyle Gibson, com James Kim e James Barone a serem os bateristas de serviço em várias canções deste disco.

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Tim Cohen tem tido um ano de 2017 bastante produtivo. Depois de um disco a solo intitulado Luck Man está de regresso com os seus The Fresh And Onlys à boleia de um álbum com oito canções que mantêm o projeto numa elevada bitola. É um registo composto por excelentes canções que logo a abrir, com o tema homónimo, refletem um indie rock portentoso, com aquela sonoridade tipicamente americana. Mas não é só Wolf Lie Down que nos esclarece acerca do feliz acerto deste alinhamento. Daí em diante não faltam outros instantes onde guitarras plenas de fuzz conduzem melodias cativantes, num som que sabe claramente às suas origens, porque exala um odor que se distingue de imediato, tal é a energia deste fio condutor que explora até à exaustão e com particular sentido criativo um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, transporta lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Se o referido tema homónimo debruça-se sobre alguém que anseia quase desesperadamente por um grande amor,  já Black Widow, a canção que encerra Wolf Lie Down, é uma narrativa profunda sobre o lado mais negro da mente humana, sustentada, curiosamente, numa gentil melodia acústica que serve de contraponto ao ideário lírico da canção. E acaba por ser nesta deriva entre dois pólos que muitas vezes se entroncam e misturam na história de cada um de nós que Cohen se inspira para escrever canções que atingem facilmente o nosso âmago, tal é a autenticidade e impressionismo que transportam. Pelo meio, na subtil indiferença do expermentalismo de Walking Blues, na visita que nos é oferecida ao antigo oeste selvagem na curiosa Becomings ou no charme funky que dá ainda mais cor à cósmica Qualm Of Innocence, ampliada por um coro gospel, nunca nos sentimos aborrecidos à medida que vão desfilando belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado, alguns arranjos de sopros e distorções hipnotizantes que impressionam até quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

É bom perceber que Cohen sente-se cada vez mais confortável e maduro na sua posição de reverendo denunciador de tudo aquilo que hoje cativa e inquieta toda uma geração que, a meio do seu percurso existencial, vê todo um legado de ideiais e valores prestes a esfumar-se no meio de uma sociedade cada vez mais frenética e tecnológica. O cariz orgânico e assumidamente rugoso de Dancing Chair expressa esta espécie de grito de revolta, enquanto agrega, bem no centro do alinhamento de Wolf Lie Down, esta viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula de variadas referências noise, folk e psicadélicas. Tal é conseguido através de um som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, sempre com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - Wolf Lie Down

01. Wolf Lie Down
02. One Of A Kind
03. Qualm Of Innocence
04. Walking Blues
05. Dancing Chair
06. Impossible Man
07. Becomings
08. Black Widow


autor stipe07 às 12:30
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017

Oh Sees - The Static God

Vai ver a luz do dia a vinte e cinco de agosto próximo, através da Castle Face, a editora do próprio John Dwyer, Orc, o novo e décimo nono álbum da carreira dos norte americanos Thee Oh Sees, que são liderados por este músico e ao qual se juntam atualmente Tim Hellman (baixo), Nick Murray (bateria), Brigid Dawson (teclados) e Chris Woodhouse (engenheiro de som). Este é um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que também vai mudar mais uma vez de nome, algo que não é inédito nas cerca de duas décadas que já levam de carreira.

Querendo ser conhecido a partir de agora simplesmente como Oh Sees (sem o The), este quinteto apresentará em Orc dez canções que, tendo em conta The Static God, a primeira amostra divulgada, manterão uma elevada bitola qualitativa que sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral, que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes agora Oh Sees. Confere The Static God e o alinhamento de Orc...

P.S. - No âmbito da iniciativa Follow Friday, recomendo o blogue http://jazzistica.blogs.sapo.pt/, uma lufada de ar fresco no panorama dos blogues de música nacionais.

01 “The Static God”
02 “Nite Expo”
03 “Animated Violence”
04 “Keys To The Castle”
05 “Jettisoned”
06 “Cadaver Dog”
07 “Paranoise”
08 “Cooling Tower”
09 “Drowned Beast”
10 “Raw Optics”


autor stipe07 às 00:11
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

The Blank Tapes - Ojos Rojos

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta, têm passado por esta publicação várias vezes e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles. Depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso desse ano, terem divulgado mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9 e de em janeiro de 2015 terem editado Geodesic Home Place, agora, já em 2016, oferecem-nos Ojos Rojos, mais catorze canções de intensidade festiva máxima e que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

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(pic by Sheva Kafai)

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte americanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemporâneas, basta ouvir-se Sexxy Skyype, um dos temas mais inebriantes e festivos de Ojos Rojos para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se na surf pop de Dance To Dance ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de La Baby ou Beach Party.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Léon justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

O disco prossegue e quer no rock n' roll tresmalhado de Spring Break ou no fuzz complacente de Biggest Blunt In Brazil e na cadência suave e profundamente veraneante de Let Me Hear You Rock, fica claro que Ojos Rojos balança entre uma contemporaneidade vintage e um glorioso suadosimo, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhe continua a dar margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros, que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Ojos Rojos é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:48
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016

Fine Points – Hover EP

Editado no início do verão do ano passado, Hover é o registo discográfico de estreia dos Fine Points, uma projeto norte americano oriundo da costa oeste e formado por Evan Reiss e Matt Holliman, dois músicos dos míticos Sleepy Sun. Refiro-me a um EP com sete canções, que viu a luz do dia à boleia da Dine Alone Records e que contém uma pop psicadélica invulgar, mas bastante atrativa, gravada numa antiga igreja em New Telos, em Oakland e que captou eficazmente a energia revigorante das ondas do pacífico e a paz cristalina que emana das paisagens de uma porção da imensa América que sempre transmitiu um calor intenso e mágico a quem se foi deixando, desde a década de sessenta do século passado, absorver por este ambiente cristalino único e invulgar.

Hover vale pelo modo como pisa um terreno fortemente experimental, banhado por uma psicadelia pop ampla e elaborada, onde um timbre cristalino debitado por guitarras inebriantes, uma percussão vigorosa e sedutora e uma panóplia de efeitos se cruzam de modo a fazer-nos ranger os dentes e elevar o queixo, guiados por um som luminoso, atrativo e imponente, mas que não descura aquela fragilidade e sensorialidade que, como se percebe logo em Astral Season, encarna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Com um som intenso, épico e esculpido à medida exata, Hover arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em The Painted Fox ou These Day e se um baixo imponente se cruza com cordas e outros elementos típicos da folk em Just Like That, já Future Hands torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um EP que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado.

Hover oferece-nos aquele sol da Califórnia que tantos de nós se habituaram a ver apenas nos filmes, replicado por uns Fine Points divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, enquanto escrevem versos que parecem dançar de acordo com harmonias magistrais, onde tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo deste Hover um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, onde foram usadas todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente. Este é um verdadeiro compêndio pop, no sentido mais restrito, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e cocktails e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia, não vai sentir-se tocado por este EP, que tem nas suas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, tornando-se num espetáculo fascinante, capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...

Fine Points - Hover

01. Astral Season
02. Just Like That
03. The Painted Fox
04. Amalia
05. Future Hands
06. These Days
07. In Lavender


autor stipe07 às 21:04
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016

Craft Spells – Our Park By Night

Craft Spells - Our Park By Night

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells lançaram em 2014 um espetacular disco intitulado Nausea, um trabalho que viu a luz por intermédio da Captured Tracks e que sucedeu a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.

No último ano, este grupo norte americano regressou aos lançamentos com a divulgação em formato single de Our Park By Night, canção que chegou finalmente à nossa redação e cujo groove descontraído e solarengo confirma o modo exímio como Vallesteros, o líder e principal compositor dos Craft Spells, sabe como nos presentear com uma chillwave pop simples e cativante, onde não falta uma letra profunda e consistente. Esta é, também instrumentalmente, uma canção com contornos verdadeiramente únicos, onde além do genial efeito da guitarra, também dita leis um baixo que nos conquista automaticamente e de modo envolvente e sedutor. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Domingo, 20 de Setembro de 2015

Painted Palms – Horizons

Depois de me ter debruçado em 2011 no EP Canopy e o ano passado no álbum Forever, estou de regresso aos Painted Palms para divulgar Horizons, o mais recente trabalho desta banda norte americana, natural de São Francisco, formada pelos primos Chris Prudhomme e Reese Donohue. Editado no passado dia quatro de setembro pela Polyvinyl Records, Horizons foi misturado por Eric Broucek, engenheiro da DFA. Refiro-me a um trabalho que da pop psicadélica de há cinco décadas atrás, passando pela eletrónica de final do século passado, é um disco excitante e multifacetado, um trabalho que procura meditar sobre as constantes mudanças que a sociedade contemporânea nos exige e como muitas vezes parece não ter fim esta busca constante, levada a cabo por todos aqueles que vivem insatisfeitos porque querem sempre mais e melhor.

Há algo na música destes Painted Palms que nos deixa num constante sobreaviso, uma espécie de eminência de perigo, um pessimismo incontrolável mas, ao mesmo tempo e como se isso fosse possível, de alguma forma sedutor. A eletrónica madura e encorpada de Disintegrate, talvez o destaque maior de horizons, permite-nos fazer uma ponte assertiva  entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, numa epopeia de quatro minuos e meio onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. E a verdade é que ao longo de Horizons abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual.

Escuta-se a forte comoção latente de Waterfall e antes, logo no início, o punk blues enérgico e libertário de Contact, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Painkiller e a incontestável beleza e coerência dos detalhes sintetizados que nos fazem levitar na sequência final feita com Gemini e Glaciers, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que os Painted Palms foram convocar à pop e ao indie rock, os dois universos sonoros que os rodeiam e com os quais se identificam, com um elevado índice de maturidade e firmeza, para se perceber o bom gosto como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras. E a verdade é que esta dupla parece confiar plenamente no seu instinto criativo e transborda uma vontade quase obsessiva de atingir a perfeição, talvez para provar a ela própria que o caminho que escolheu é o adequado para que a praia sonora onde se querem deitar nunca seja consumida por uma maré de dúvidas e hesitações sonoras implacáveis. 

Em suma, em Horizons os Painted Palms praticam o exercício de buscar referências de décadas passadas e procurar acrescentar os seus próprios elementos para compor uma obra musical que, no cômputo geral, carrega um enorme charme na forma como se equilibra entre o perigo de uma derrocada e a capacidade particularmente vincada de conjugar eletrónica e psicadelia, com um certo relevo e singularidade. Espero que aprecies a sugestão...

Painted Palms - Horizons

01. Refractor
02. Contact
03. Gemini
04. Glaciers
05. Echoes
06. Control
07. Disintegrate
08. Waterfall
09. Painkiller
10. Tracers


autor stipe07 às 21:29
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Terça-feira, 5 de Maio de 2015

Geographer – Ghost Modern

Os Geographer são uma banda natural de São Francisco, na Califórnia, um trio formado por Michael Deni (voz, guitarra), Nathan Blaz (violoncelo, sintetizadores) e Brian Ostreicher (bateria). No verão de 2005, após uma série de mortes na família de Deni, ele deixou Nova Jersey e foi viver para São Francisco. Aí conheceu Blaz e Ostreicher e juntos formaram este grupo que se estreou nos discos em 2008 com Innocent Ghosts. Dois anos depois, em 2010, surgiu o EP Animal Shapes e a vinte e oito de fevereiro Myth, o sempre difícil segundo álbum, através da Modern Art Records. Agora, três anos depois, os Geographer completam a sua triologia inicial com mais um Ghost, neste caso o Ghost Modern, um novo compêndio de doze canções, que viram a luz do dia a vinte e quatro de março atrsvés da Roll Call Records.

A música dos Geographer tem uma sonoridade bastante vincada e a própria formação artística e instrumental dos elementos da banda é muito peculiar, até por causa dos instrumentos que tocam. Reúnem influências de fontes musicais muito díspares e a sonoridade assenta muito no falsete de Deni, acompanhado por sintetizadores, enquanto Blaz e o seu violoncelo clássico dão um toque mais clássico às canções, impregando-as com uma elegância particularmente hipnótica e sedutora

Se o efeito sintetizado luminoso que conduz o single I'm Ready aproxima os Geographer de um espetro mais comercial e acessível, já a toada épica e experimental de Need exige uma dedicação e um gosto mais particulares, que serão ceetamente recompensados, porque é fácil sentirmo-nos absorvidos pelo espírito romântico e melancólico que a banda exala por todos os poros e que em temas como Too Much ou Read Your Palm ganham uma dimensão particularmente efusiva.

O sintetizador volta à carga, carregado de efeitos e flashes que disparam nas mais variadas direções e com um espírito pop vibrante em The Guest e de modo particularmente glam em You Say You Love Me, canção que nos leva numa máquina do tempo até à época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, mas as guitarras também têm uma palavra a dizer no processo de composição de parte do alinhamento, particularmente inspiradas quando, em temas como The Fire Is Coming ou Falling Apart, enrolam-se com os sintetizadores e com a percurssão sintética ou orgânica e cruzam terrenos tantas vezes lavrados por nomes tão díspares como os Arcade Fire, Bruce Springsteen ou Snow Patrol.

Objeto de um fantástico trabalho de produção que conferiu ao disco uma amplitude e uma limpidez sonora que exalta de modo bastante convincente a capacidade criativa de Michael Deni e destes Geographer, quer ao nivel da composição melódica, quer no que concerne aos arranjos e aos detalhes selecionados, Ghost Modern é um trabalho discográfico repleto de luz e emoção, uma paleta sonora bastante inspirada e colorida e que evocando sentimentos positivos e que nos tocam, merece a nossa mais dedicada e atenta audição. Espero que aprecies a sugestão...

Geographer - Ghost Modern

01. Intro
02. I’m Ready
03. Need
04. You Say You Love Me
05. Too Much
06. The Guest
07. Read Your Palm
08. The Fire Is Coming
09. Patience
10. Keep
11. Interlude
12. Falling Apart


autor stipe07 às 20:55
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso do último ano, divulgarem mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9, agora, a vinte e três de janeiro último, regressaram aos lançamentos discográficos com Geodesic Home Place, treze novas canções que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se Slippin' slide, um dos emas mais inebriantes e festivos de Geodesic Dome Piece para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Buff ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de Magic Leaves.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do baixo de So High e dos teclados de Oh My Muzak, assim como do experimentalismo instrumental de For Breakfast, que se aproxima do blues marcado pela guitarra em 4:20, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção. A campestre Brown Chicken Brown Cow e a baladeira e sentimental Do You Wanna Get High? mantêm a toada revivalista, com um certo travo surf, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Geodesic Dome Piece é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

01. Way Too Stoned
02. Oh My My
03. Buff
04. Magic Leaves
05. For Breakfast
06. So High
07. Oh My Muzak
08. Slippin’ Slide
09. 4:20
10. Brown Chicken Brown Cow
11. Do You Wanna Get High?
12. To Your Dome Piece
13. Do You Wanna Get High (Acoustic Demo)


autor stipe07 às 15:15
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Vetiver – Complete Strangers

Sexto álbum da discografia de Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, Complete Strangers é, conforme o título indica, uma compilação sentida e honesta da partilha de sensações e eventos que o autor experimentou recentemente em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida. Diário de bordo de um autor que tem tido diferentes músicos a colaborar consigo ao longa da carreira, mas que teve sempre em Thom Monahan, o engenheiro de som e produtor deste disco, o seu parceiro mais fiel, Complete Strangers foi gravado em Los Angeles, com a companhia dos músicos Bart Davenport, Gabe Noel e Josh Adams e quer a batida luminosa de Stranger Still, quer a viola que conduz From No On e, principalmente, Current Carry, além de, logo no início, situarem o ouvinte na heterogeneidade muito própria deste projeto, mostram-nos o efeito que o sol da costa oeste tem na música de Andy e como é bom ele ter-se deixado levar pelos insipradores raios flamejantes que esse astro atirou para as janeas do estúdio onde se instalou, para dar vida a uma folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, que deambulando entre o acústico e o sintético e psicando amiúde o olho a um certo travo psicadélico, criou canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, que pode muito bem ser a mundialmente famosa indie pop.

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. Que melhor exemplo do que o jogo de sedução que se estabelece entre o efeito da guitarra, as cordas de uma viola e um insinuante baixo em Confiding, uma canção sobre as vulnerabilidades próprias do amor, para plasmar o enorme charme da música de Vetiver? Que melhor instante do que aquele em que, em Backwards Slowly, variados efeitos percussivos e um sintetizado se cruzam com essa mesma guitarra e a cândura da voz de Andy, para nos levar fazer querer ir até à praia mais próxima e enfrentar esse mesmo sol bem de frente para sermos ilmunados pela mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções? Que melhor ritmo, do que aquele que sustenta Loose Ends ou a bossa nova de Time Flies By para nos fazer colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal e conseguirmos, finalmente, traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar?

A música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterra-nos num mundo paralelo onde só cabem as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que entre a luz e a melancolia tornam-se verdadeiras e realizam-se, provando que Andy sabe como contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Complete Strangers é um daqueles discos que nos vão soar sempre a algo familiar; Escutá-lo pela primeira vez é experimentar aquela sensação que estamos a rever alguém que já se cruzou na nossa vida em tempos e que nos causou sensações boas e partilhou conosco belos momentos quando tal sucedeu. E essa impressão sente-se porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza, ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah


autor stipe07 às 21:10
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Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Moon Duo – Shadow Of The Sun

Oriundos de São Francisco, na Califórnia, os norte americanos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, são já uma banda incontornável do indie rock psicadélico atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e já com vários pontos altos, nomeadamente Circles e Mazes, encontraram na Sacred Bones o refúgio perfeito para explorar o hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música. Gravado numa bafienta cave de Portland e editado no passado dia três de março, Shadow Of The Sun é o terceiro tomo de uma saga que merece figurar já nos anais dos melhores percursos discográficos da última década, mais uma coleção de nove excelentes canções e que elevam os Moon Duo para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que a dupla apresentou até então.

Quem conhece com algum detalhe a típica sonoridade dos Moon Duo vai reparar, logo a partir de Wilding, na maior amplitude do trabalho de produção, com a procura de uma textura sonora mais aberta, melódica e expansiva. Aquele pendor algo lo fi que muitas vezes era percetivel na própria distorção das guitarras, foi substituido por um maior vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem agora, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo.

É perigoso afirmar que os Moon Duo estão mais direcionados para o punk rock, apesar de Animal, um dos singles já retirados de Shadow Of The Sun, ser um espetacular tratado do género, aditivo, rugoso e viciante, até porque a sensibilidade do teclado de Yamada, que nos leva rumo à pop psicadélica dos anos setenta e os solos e riffs da guitarra de Ripley, a exibirem linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, continuam a fazer parte do menú. Mas neste Shadow Of the Sun é justo afirmar que estão mais corajosos e abertos a uma saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, mas mostra novos atributos e maior competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções. Se as linhas de teclado sublimes de Slow Down Low e o efeito da guitarra em In A Cloud são apenas dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos Moon Duo, é evidente, noutros casos, o diferente posicionamento melódico da dupla pela busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também mais acessíveis e do agrado de um público mais abrangente. Ice, é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os Moon Duo apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de seis minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Shadow Of The Sun é, como não podia deixar de ser, tendo em conta os autores, uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um casal que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Moon Duo, que atravessam o momento mais confiante, criativo e luminoso da sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

Moon Duo - Shadow Of The Sun

01. Wilding
02. Night Beat
03. Free The Skull
04. Zero
05. In A Cloud
06. Thieves
07. Slow Down Low
08. Ice
09. Animal


autor stipe07 às 22:16
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