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Suuns - The Witness

Segunda-feira, 01.11.21

Os Suuns são um dos segredos mais bem guardados do panorama alternativo canadiano. Apareceram em dois mil e sete pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em dois mil e dez com Zeroes QC e três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, tendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa. Já na segunda metade da última década a dose dupla Hold/Still e Felt manteve a bitola elevada, dois discos que confirmaram definitivamente que estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

SUUNS announce new album “The Witness”, out September 3rd | Secret City  Records

The Witness, o quinto e mais recente disco da carreira dos Suuns, verdadeiros músicos e filósofos, além de não colocar minimamente em causa a herança do projeto, oferece-nos, principalmente ao nível da escrita e da composição, mais um fantástico naipe de canções com um forte cariz impressivo e realístico. Neste alinhamento de oito canções, que tem na sua génese o jazz experimental, explícito, por exemplo, nos sopros e no baixo da sonhadora Clarity, mas também na pafernália de ruídos sintéticos que abastecem The Fix, nomeadamente no modo como as cordas espreitam no meio do caos, os Suuns refletem sobre a contemporaneidade que os inquieta e os absorve, criando um alinhamento sedutoramente intrigante, bem no centro de um noise rock apimentado, convém também dizê-lo, por uma implícita dose de punk dance.

Este piscar de olhos a terrenos mais progressivos e concorrenciais, digamos assim, torna-se explícita na desafiadora Witness Protection, mas The Witness ganha contornos de excelência quando abraça a eletrónica mais ambiental. Go To My Head, um tratado de luminosidade atmosférica bastante peculiar e climática, é a canção que de modo mais explícito carrega nos ombros esta medalha, mas Timebender é o exemplo máximo e mais feliz deste modus operandi sem paralelo, que baliza The Witness. É uma composição de forte travo R&B, repleta de sons da natureza das mais diversas proveniências, mescladas com um registo vocal robótico, que além de nos aproximar de uma sonoridade algo amena e introspetiva, também nos interpela com a ambiguidade atual em que vivemos ,entre a preservação do nosso lar e, fruto do avanço tecnológico, o rumo desenfreado até um futuro imprevisível.

Simultaneamente existencial e sinistro e arrebatadoramente humano, The Witness é, talvez, o disco mais cândido e direto do grupo. Assenta numa definição estrutural quase metódica e, independentemente das diversas abordagens que cada canção contém, tem aquele toque experimental que nos faz crer, logo à primeira audição, que este é um disco colossal, mas também tremendamente reflexivo. Os pássaros que chilrreiam e os trompetes que espreitam por entre cascatas de sintetizações várias, que se sucedem com uma cadência perfeita, em Third Stream, avisam-nos, no imediato, que este é um disco cinematograficamente luminoso, mas também profundamente orgânico, projetado num conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, ora banhadas por um doce toque de psicadelia narcótica a preto e branco, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo. The Witness é, em suma, música futurista para alimentar uma alquimia que quer descobrir o balanço perfeito entre idealismo e conflito, criada por músicos assertivos, mas também capazes de romper limites, quer entre belíssimas sonorizações instáveis, mas também no seio de pequenas subtilezas, numa busca clara de harmonia entre a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:01

JAGUWAR - GOLD

Terça-feira, 26.10.21

Os alemães Jaguwar são um trio formado por Oyèmi, Lemmy e Chris e que se divide entre Berlim e Dresden. chamaram a atenção da crítica há três anos com Ringthing, o disco de estreia e voltam agora a colocar os holofotes sobre si com Gold, um compêndio de sete canções que viu a luz do dia recentemente e que resultou, claramente, da predisposição da banda para experimentar sem limites pré-definidos.

O press release de lançamento do disco é feliz quando o descreve como uma explosão supercarregada de futuro pop, transcendendo fronteiras e desafiando os esconderijos, um álbum que não é apenas dançável, orelhudo e carinhosamente complexo, mas também vai contra o status quo, porque faz perguntas sobre o estado atual das coisas e os mecanismos opressores na nossa sociedade. GOLD não é uma denúncia directa mas sim uma trilha sonora para acompanhar a percepção de que há força na individualidade, desbloqueando assim um novo nível de produtividade. As suas melodias desviadas fundem-se com uma parede de som familiarmente vociferante para criar uma atmosfera que galvaniza a busca da banda pela liberdade.

Graças a um arsenal aparentemente ilimitado de dispositivos de efeito e uma pilha considerável de amplificadores, os JAGUWAR criaram, sem dúvida, um registo encharcado com uma riqueza de paisagens sonoras elegantes. Fragmentos tonais cintilantes infiltram-se em camadas e camadas de estratos auditivos, levando a ganchos de indie pop cativantes que preparam uma tempestade épica de guitarras estrondosas. Os vocais alternados de Oyèmi e Lemmy são os elos que faltam num mundo de contrastes gritantes.

O olhar desta banda alemã está claramente voltado para o futuro. GOLD é mais do que uma simbiose de brincadeira intrincada e a força fortalecedora dos desejos mais íntimos. GOLD é um pedido por justiça. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:53

Low – Hey What

Quarta-feira, 15.09.21

Três anos depois do excelente Double Regist, os Low de Alan Sparhawk, Mimi Parker e Steve Garrington voltam a impressionar-nos com a sua pop emotiva e sedutora à boleia de Hey What, o décimo terceiro disco deste grupo norte americano oriundo de Duluth, no Minnesota e que há cerca de três décadas nos oferece um maravilhoso cardápio que é, no seu todo, um marco significativo na carreira de um projeto ímpar do indie rock e da dream pop contemporânea.

Low's 'Hey What' Review: A Seamless Mix of Nighmarish and Romantic

Hey What é um registo que, na sua essência, está assente num som negro, mas potenciador no modo como suscita a vinda à tona de todos nós alguns dos receios, dores e angústias que guardamos no nosso âmago, de forma mais ou menos disfarçada. Em Days Like These, por exemplo, a limpidez do registo inicial à capella da dupla Alan e Mimi, agarra-nos, desde logo, a uma enganadora luminosidade, que rapidamente resvala para uma vasta míriade de ruídos, que em vez de terem um efeito abrasivo e repugnante, são facilmente entendidos como traves mestras de uma inesperada luz e positivismo.

De facto, esta bem pensada e criativa dicotomia arquitetada pelos Low, esconde, no seu seio, uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa e que, escutada com a merecida devoção, coloca em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. E, apesar de a acima referida Days Like These ser, talvez, a composição que melhor define Hey What, logo a abrir o disco, em White Horses, percebemos o que nos espera ao sermos agitados por um pendor abrasivo e até algo inquietante, que não é mais do que um esplendoroso dinamismo, feito com uma abordagem lânguida e, por incrível que possa parecer, harmoniosa, porque, na verdade, nos mostra o rock, uma forma de criação musical essencialmente agreste e ruidosa, na sua essência mais pura.

Hey What avança e, à boleia do travo maquinal cavernoso de I Can Wait e, um pouco adiante, da cosmicidade de All Night, quem conhece profundamente o cardápio dos Low vai rapidamente sentir-se nostálgico porque irá recordar o conteúdo de Things We Lost In The Fire, o clássico que a dupla lançou no início deste século e que continha uma beleza discreta e uma inconfundível tristeza sonora. Depois, em Disappearing, avançamos até dois mil e quinze e ao universo de Ones and Sixes, um trabalho que foi um dos melhores desse ano para a nossa redação e que, parecendo amiúde, desesperadamente assustador e claustrufóbico, como um fantasma apaixonado a tentar romper um véu, não deixava, no meio de tamanha hostilidade, de esconder uma lindíssima fidelidade canónica a uma espécie de lentidão melódica. A etérea Don't Walk Away, uma música que começa sem bússola, serpenteia por toda a parte e termina num lugar que é surpreendente e desconhecido e There Is A Comma After Still, um tratado esotérico, semelhante a um sinal de rádio interceptado de uma raça alienígena distante, amplificam ainda mais esta impressiva filosofia interpretativa que, no fundo, reescreve, com uma nova contemporaneidade, a linguagem essencial de um espetro do rock que, parecendo, à primeira vista, eminentemente sombrio e negativo, não deixa de, no fundo, desfilar emoções e jorrar sentimentos por todos os seus acordes, mesmo os menos percetíveis, podendo-se mesmo falar em poros, porque este é um modus operandi que transmite sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional.

Hey What e os seus antecessores, quer Ones And Sixes, quer o mais recente Double Negative, são, em jeito de conclusão, uma feliz personificação da evolução mundial nos últimos anos. Este planeta foi-se tornando mais hostil e inquietante, mas sem deixar de nos proporcionar eventos esperançosos e a música dos Low também seguiu essa demanda dualista com uma quase impercetível serenidade. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:45

Malaboos - Nada Cénico

Domingo, 18.07.21

Projeto com cinco anos de existência, os Malaboos são formados por Diogo Silva (Guitarra e Voz), Ivo Correia (Bateria, Voz e Sintetizador) e Rui Jorge (Baixo), um trio que é fruto de um entendimento musical e uma ligação pessoal muito vincada. Inauguraram o cardápio com dois EPs, Plântula e Matuta, trabalhos que permitiram ao grupo partilhar cartaz e palcos variados com artistas de renome e ganhar uma já apreciável reputação no universo indie nacional.

Malaboos antecipa novo disco “Nada Cénico” com videoclip – ineews the best  news

Depois desta auspiciosa estreia, rapidamente o grupo percebeu que dois mil e vinte e um era o momento certo de avançar para o passo seguinte, o disco de estreia. Chama-se Nada Cénico, viu a luz do dia no final do passado mês de maio e logo no punk rock majestoso e eloquente de Cavaco o ouvinte mais perspicaz percebe que tem nas mãos um registo que explora a simbiose entre a dureza, crueza e robustez do Rock Avant-Garde com a delicadeza e experimentalismo do Art-Rock,.

De facto, o press release de divulgação prometia que Nada Cénico iria conter uma fusão de belos riffs, com pesados e marcados beats de bateria. E a verdade é que neste disco somos constantemente esmurrados, no bom sentido da palavra, por uma inteligente crueza, trespassada por uma filosofia experimentalista muito alicerçada num modus operandi tipicamente jam,. Nele, e cintuando a citar o press release porque faz uma análise assertiva do conteúdo e desarma qualquer crítico mais experimentado, as constastes oscilações de dinâmicas e mudanças abruptas de tempo estabelecem o limbo entre a calma e o caos, sentimentos que causam um agradável massacre psicológicoQuando não há nada, encontra-se sempre mais do que se estaria à espera. Entre paisagens desprovidas de sentimento mas providas de textura, encontra-se o nosso refúgio. A filosofia destrutiva e pessimista da interpretação (escute-se Tudônada) é camuflada com entoações e melodias cantantes tornando assim este álbum num exercício enfático de  enaltecimento e ampliação do que é humano, desde os sentimentos mais banais até aos mais invulgares, tornando-se assim um lugar seguro para a libertação de emoções e da viagem conjunta pela solidão constante presente em nósEste álbum é uma tela em branco, fica ao encargo do espectador delinear o seu próprio percurso durante esta viagem atribulada, entre paisagens verdejantes, ao encanto do mar até ao fundo de um escuro poço. Tudo é possível, tudo é válido, tudo e nada coexiste no mesmo universo auditivo, criando assim a possibilidade de uma mancha abstrata no nosso mundo utópico. Espero que aprecies a sugestão...

YouTube https://www.youtube.com/c/MALABOOS/featured
Spotify https://open.spotify.com/artist/0Jb1nrRjiY3JwRk2esf2ew?si=_gy7ACzHSsSvFKFh3vfXWA
Bandcamp Music | Malaboos (bandcamp.com)
Instagram https://www.instagram.com/malaboosmalaboos/
Facebook 
https://www.facebook.com/Malaboos.oficial/

 

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publicado por stipe07 às 21:04

We Were Promised Jetpacks – Fat Chance

Quarta-feira, 07.07.21

Depois de em abril último terem revelado uma canção chamada If It Happens, os escoceses We Were Promised Jetpacks acabam de anunciar, conforme se previa desde então, o sucessor para o registo The More I Sleep The Less I Dream, lançado no final do verão de dois mil e dezoito. Já agora, recordo que desde então, Michael Palmer, um dos membros fundadores do projeto, abandonou o grupo agora reduzido a um trio formado por Adam Thompson, Sean Smith e Darren Lackie.

O novo trabalho da banda de Edimburgo chama-se Enjoy The View, vai ver a luz do dia a dez de setembro à boleia da Big Scary Monsters e Fat Chance é o mais recente avanço divulgado do álbum, uma composição que se insere naquele universo sonoro algo nostálgico que mistura rock e pop, com uma toada noise qb e um elevado pendor shoegaze. O tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, dupla em volta da qual gravitam diferentes arranjos, que ampliam a luminosidade de uma composição que nos recorda que, numa situação pandémica como esta, somos todos iguais independentemente das nossa origens, credos, raças e ambições. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:41

Clinic - Fine Dining

Terça-feira, 08.06.21

Míticos mestres do indie rock psicadélico, os britânicos Clinic de Ade Blackburn, Hartley, Brian Campbell e Carl Turney, têm uma inquestionável carreira de mais de duas décadas aos ombros, alicerçada num modo muito peculiar e sui generis e até quase marginal de criar música e de a expôr ao grande público, fazendo-o sempre com uma elevada dose de sarcasmo e de fina ironia.

Clinic Share new single “Fine Dining”

O ano passado comemoraram os vinte anos do lançamento de Internal Wrangler, o disco de estreia, com o registo Wheeltappers And Shunters. e agora, cerca de um ano depois, regressam com um novo single intitulado Fine Dining, que não vem ainda, infelizmente, acompanhado do anúncio de um novo disco dos Clinic.

Em Fine Dining mantém-se aquela saudável insolência, típica deste projeto de Liverpool, que, ao longo dos quase três minutos da canção, insinua um clima punk que pisa um terreno bastante experimental, através de uma lisergia cósmica repleta de têmpora e invulgarmente pop, feita com sintetizações pulsantes e uma batida de forte travo disco, num ambiente sonoro que nos remete para aquele universo setentista algo corrosivo e exótico. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 13:20

Maxïmo Park – Nature Always Wins

Quinta-feira, 20.05.21

Já chegou aos escaparates Nature Always Wins o sétimo álbum dos ingleses Maxïmo Park, de Paul Smith, uma das bandas mais interessantes do cenário indie atual e que quando surgiu foi considerada um novo fenómeno fundamental para o ressurgimento da herança post punk da década de oitenta. De facto, os Maxïmo Park têm vindo, de disco para disco, a demonstrar um crescendo de maturidade e uma capacidade inata para apresentar novas propostas diversificadas sem se afastar do ADN que carateriza este coletivo de Newcastle.

Album Review: Maxïmo Park - Nature Always Wins - The Indie Masterplan

Importa esclarecer que Nature Always Wins é um disco de celebração ímpar, já que é muito marcado pela paternidade recente de vários dos elementos da banda. Fazê-lo é ir de encontro ao fulcro de um conpêndio de doze composições que têm uma áurea de esplendor, de otimismo e de vontade de espalhar nos nossos ouvidos sentimentos de crença num futuro risonho. De facto, canções como I Don’t Know What I’m Doing, Baby, Sleep e Child Of The Flatlands e All Of Me, exalam um empolgante modus operandi interpretativo, assente, quase sempre, em guitarras efusiantes trespassadas por sintetizadores que debitam muitas vezes efeitos algo delirantes e invulgares, mas também com o piano (Why Must A Building Burn) a ser elemento preponderante na estilização de uma faceta pop que é sempre de elogiar em registos deste calibre sonoro.

Alinhamento melodicamente maduro e assertivo, que deve muita da sua sagacidade ao irrepreensível trabalho de produção de Ben Allen (Deerhunter, Animal Collective), Nature Always Win é, em suma, um retrato conciso, mas fiel, do estado de espírito mais recente de uma banda que sempre se mostrou exímia no equilíbrio entre o sucesso radiofónico e a exposição criativa das suas habilidades coletivas e que se encontra, claramente, num momento de forma invejável. Espero que aprecies a sugestão...

Maxïmo Park - Nature Always Wins

01. Partly Of My Making
02. Versions Of You
03. Baby, Sleep
04. Placeholder
05. All Of Me
06. Ardour (feat. Pauline Murray)
07. Meeting Up
08. Why Must A Building Burn?
09. I Don’t Know What I’m Doing
10. The Acid Remark
11. Feelings I’m Supposed To Feel
12. Child Of The Flatlands

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publicado por stipe07 às 16:43

The Polyphonic Spree – Afflatus

Quarta-feira, 19.05.21

Os texanos The Polyphonic Spree não são uma banda no sentido mais restrito do termo. São liderados por Tim Delaughter, antigo vocalista dos extintos Tripping Daisy, mas são, de facto, uma instituição, já que têm uma constituição inconstante, que consiste geralmente de uma secção coral com dez pessoas, uma dupla de teclistas, um percussionista, um baterista, um baixista, um guitarrista, um flautista, um trompetista, um trombonista, um violinista, um harpista, um trompetista, um tocador de pedal steel e um técnico de efeitos eletrónicos.

The Polyphonic Spree Releases First New Music in Six Years with New EP We  Hope It Finds You Well Featuring Covers of The Rolling Stones, The Monkees,  Rush and More - mxdwn

Já tem sete anos Psychphonic, o último disco dos The Polyphonic Spree, que têm gravitado em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Independentemente da fórmula, é sempre habitual nos seus trabalhos oferecerem ao ouvinte verdadeiras orgias lisérgicas de sons e ruídos etéreos ou orquestrais e que os orientam muitas vezes, e a nós também, em simultâneo, para direções aparentemente opostas, geralmente da indie pop etérea e psicadélica, ao rock experimental.

O ano passado o grupo editou um EP intitulado We Hope It Finds You Well, na sua página bandcamp, que continha um alinhamento de versões de temas selecionados por Delaughter. Agora, além do anúncio de um novo disco dos The Polyphonic Spree para o próximo outono, chega-nos ao ouvido Afflatus, mais uma coleção de covers, que inclui também as que faziam parte do alinhamento desse We Hope It Finds You Well. O registo inclui revisitações de originais dos The Rolling Stones, The Bee Gees, Daniel Johnston, ABBA, Rush, The Monkees, Barry Manilow, INXS e muitos outros.

Afflatus não defrauda a essência dos originais que lhe servem de base, mas este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita que os The Polyphonic Spree transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético  de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

 

 

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publicado por stipe07 às 16:21

The Telescopes - Songs Of Love And Revolution

Sábado, 06.03.21

Com mais de trinta anos de carreira e já descritos pela imprensa musical britânica como uma revolução da psique, os The Telescopes estão de regresso aos discos com Songs Of Love And Revolution, o décimo segundo álbum do quarteto e mais uma explosão solar de ritmos indutores de transe, presa no leme por uma parede de baixo pulsante e mantida no lugar por um enxame de guitarras ao redor, como é apanágio num projeto com um legado cheio de momentos “eureka”, alimentados via intravenosa através de uma racha no ovo cósmico, e que sempre revelou algo novo dentro de um espetro indie de forte cariz lisérgico e amplamente progressivo.

The Telescopes – Songs of Love and Revolution – P3DRO

Neste Songs Of Love And Revolution, em quase quarenta minutos de absoluta hipnose e nebulosa alienação,  temas como Mesmerised, composição assente num registo minimalista e crú, com o vibrante hipnotismo da relação frutuosa que se estabelece entre um repetitivo dedilhar da guitarra e a voz a criarem uma espécie de fuzz acústico psicadélico, ou Strange Waves, tema em que a tónica é colocada, primordialmente, na criação de um ambiente com forte travo lisérgico e cósmico, proporcionado pela eficaz interseção entre um efeito tenebroso de uma guitarra e um efeito reverbante de outra, são pináculos de uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

Como se percebe então Songs Of Love And Revolution atiça, enquanto impressiona o ouvinte devido ao modo como se serve das guitarras para construir canções embrulhadas numa espécie de névoa radioativa, que intoxica pela majestosidade e ímpeto, nuances conjuradas com elevada mestria  e que cimentam essa relação simbiótica perfeita entre instrumento e intérprete, oferecida por um projeto sempre visionário, revolucionário e marcadamente experimental. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:29

The Horrors - Lout

Sábado, 27.02.21

Os The Horrors de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, preparam-se para lançar às feras o sexto tomo de uma discografia ímpar, idealizada por um quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quarenta anos atrás, mas que têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas donos de uma sonoridade própria e de um som adulto, jovial e tremendamente inovador, que, pelos vistos, se prepara para virar agulhas para o rock mais industrial.

The Horrors Announce Lout EP, Share New Song: Listen | Pitchfork

Tal suposição baseia-se no conteúdo do single que dá nome ao novo álbum dos The Horrors e que será, talvez, o disco mais arriscado e eclético da carreira do projeto natural de Southend-on-Sea. Falo de Lout, uma vigorosa composição sobre a relação entre a escolha e o acaso, a tomada compulsiva de riscos e o empurrar da sorte, conforme referiu recentemente Faris Badwan e que, da viscerilidade e do fuzz agreste das guitarras, à aspereza da bateria e dos arranjos, nos oferece um rock duro, corrosivo e denso. Sobre a canção, Tom Furse, o teclista, acrescentou que parece um regresso a um som mais pesado mas está a um milhão de milhas de distância de qualquer coisa que a banda tenha feito antes. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:29






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