Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Malaboos - Nada Cénico

Domingo, 18.07.21

Projeto com cinco anos de existência, os Malaboos são formados por Diogo Silva (Guitarra e Voz), Ivo Correia (Bateria, Voz e Sintetizador) e Rui Jorge (Baixo), um trio que é fruto de um entendimento musical e uma ligação pessoal muito vincada. Inauguraram o cardápio com dois EPs, Plântula e Matuta, trabalhos que permitiram ao grupo partilhar cartaz e palcos variados com artistas de renome e ganhar uma já apreciável reputação no universo indie nacional.

Malaboos antecipa novo disco “Nada Cénico” com videoclip – ineews the best  news

Depois desta auspiciosa estreia, rapidamente o grupo percebeu que dois mil e vinte e um era o momento certo de avançar para o passo seguinte, o disco de estreia. Chama-se Nada Cénico, viu a luz do dia no final do passado mês de maio e logo no punk rock majestoso e eloquente de Cavaco o ouvinte mais perspicaz percebe que tem nas mãos um registo que explora a simbiose entre a dureza, crueza e robustez do Rock Avant-Garde com a delicadeza e experimentalismo do Art-Rock,.

De facto, o press release de divulgação prometia que Nada Cénico iria conter uma fusão de belos riffs, com pesados e marcados beats de bateria. E a verdade é que neste disco somos constantemente esmurrados, no bom sentido da palavra, por uma inteligente crueza, trespassada por uma filosofia experimentalista muito alicerçada num modus operandi tipicamente jam,. Nele, e cintuando a citar o press release porque faz uma análise assertiva do conteúdo e desarma qualquer crítico mais experimentado, as constastes oscilações de dinâmicas e mudanças abruptas de tempo estabelecem o limbo entre a calma e o caos, sentimentos que causam um agradável massacre psicológicoQuando não há nada, encontra-se sempre mais do que se estaria à espera. Entre paisagens desprovidas de sentimento mas providas de textura, encontra-se o nosso refúgio. A filosofia destrutiva e pessimista da interpretação (escute-se Tudônada) é camuflada com entoações e melodias cantantes tornando assim este álbum num exercício enfático de  enaltecimento e ampliação do que é humano, desde os sentimentos mais banais até aos mais invulgares, tornando-se assim um lugar seguro para a libertação de emoções e da viagem conjunta pela solidão constante presente em nósEste álbum é uma tela em branco, fica ao encargo do espectador delinear o seu próprio percurso durante esta viagem atribulada, entre paisagens verdejantes, ao encanto do mar até ao fundo de um escuro poço. Tudo é possível, tudo é válido, tudo e nada coexiste no mesmo universo auditivo, criando assim a possibilidade de uma mancha abstrata no nosso mundo utópico. Espero que aprecies a sugestão...

YouTube https://www.youtube.com/c/MALABOOS/featured
Spotify https://open.spotify.com/artist/0Jb1nrRjiY3JwRk2esf2ew?si=_gy7ACzHSsSvFKFh3vfXWA
Bandcamp Music | Malaboos (bandcamp.com)
Instagram https://www.instagram.com/malaboosmalaboos/
Facebook 
https://www.facebook.com/Malaboos.oficial/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:04

We Were Promised Jetpacks – Fat Chance

Quarta-feira, 07.07.21

Depois de em abril último terem revelado uma canção chamada If It Happens, os escoceses We Were Promised Jetpacks acabam de anunciar, conforme se previa desde então, o sucessor para o registo The More I Sleep The Less I Dream, lançado no final do verão de dois mil e dezoito. Já agora, recordo que desde então, Michael Palmer, um dos membros fundadores do projeto, abandonou o grupo agora reduzido a um trio formado por Adam Thompson, Sean Smith e Darren Lackie.

O novo trabalho da banda de Edimburgo chama-se Enjoy The View, vai ver a luz do dia a dez de setembro à boleia da Big Scary Monsters e Fat Chance é o mais recente avanço divulgado do álbum, uma composição que se insere naquele universo sonoro algo nostálgico que mistura rock e pop, com uma toada noise qb e um elevado pendor shoegaze. O tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, dupla em volta da qual gravitam diferentes arranjos, que ampliam a luminosidade de uma composição que nos recorda que, numa situação pandémica como esta, somos todos iguais independentemente das nossa origens, credos, raças e ambições. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:41

Clinic - Fine Dining

Terça-feira, 08.06.21

Míticos mestres do indie rock psicadélico, os britânicos Clinic de Ade Blackburn, Hartley, Brian Campbell e Carl Turney, têm uma inquestionável carreira de mais de duas décadas aos ombros, alicerçada num modo muito peculiar e sui generis e até quase marginal de criar música e de a expôr ao grande público, fazendo-o sempre com uma elevada dose de sarcasmo e de fina ironia.

Clinic Share new single “Fine Dining”

O ano passado comemoraram os vinte anos do lançamento de Internal Wrangler, o disco de estreia, com o registo Wheeltappers And Shunters. e agora, cerca de um ano depois, regressam com um novo single intitulado Fine Dining, que não vem ainda, infelizmente, acompanhado do anúncio de um novo disco dos Clinic.

Em Fine Dining mantém-se aquela saudável insolência, típica deste projeto de Liverpool, que, ao longo dos quase três minutos da canção, insinua um clima punk que pisa um terreno bastante experimental, através de uma lisergia cósmica repleta de têmpora e invulgarmente pop, feita com sintetizações pulsantes e uma batida de forte travo disco, num ambiente sonoro que nos remete para aquele universo setentista algo corrosivo e exótico. Confere...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:20

Maxïmo Park – Nature Always Wins

Quinta-feira, 20.05.21

Já chegou aos escaparates Nature Always Wins o sétimo álbum dos ingleses Maxïmo Park, de Paul Smith, uma das bandas mais interessantes do cenário indie atual e que quando surgiu foi considerada um novo fenómeno fundamental para o ressurgimento da herança post punk da década de oitenta. De facto, os Maxïmo Park têm vindo, de disco para disco, a demonstrar um crescendo de maturidade e uma capacidade inata para apresentar novas propostas diversificadas sem se afastar do ADN que carateriza este coletivo de Newcastle.

Album Review: Maxïmo Park - Nature Always Wins - The Indie Masterplan

Importa esclarecer que Nature Always Wins é um disco de celebração ímpar, já que é muito marcado pela paternidade recente de vários dos elementos da banda. Fazê-lo é ir de encontro ao fulcro de um conpêndio de doze composições que têm uma áurea de esplendor, de otimismo e de vontade de espalhar nos nossos ouvidos sentimentos de crença num futuro risonho. De facto, canções como I Don’t Know What I’m Doing, Baby, Sleep e Child Of The Flatlands e All Of Me, exalam um empolgante modus operandi interpretativo, assente, quase sempre, em guitarras efusiantes trespassadas por sintetizadores que debitam muitas vezes efeitos algo delirantes e invulgares, mas também com o piano (Why Must A Building Burn) a ser elemento preponderante na estilização de uma faceta pop que é sempre de elogiar em registos deste calibre sonoro.

Alinhamento melodicamente maduro e assertivo, que deve muita da sua sagacidade ao irrepreensível trabalho de produção de Ben Allen (Deerhunter, Animal Collective), Nature Always Win é, em suma, um retrato conciso, mas fiel, do estado de espírito mais recente de uma banda que sempre se mostrou exímia no equilíbrio entre o sucesso radiofónico e a exposição criativa das suas habilidades coletivas e que se encontra, claramente, num momento de forma invejável. Espero que aprecies a sugestão...

Maxïmo Park - Nature Always Wins

01. Partly Of My Making
02. Versions Of You
03. Baby, Sleep
04. Placeholder
05. All Of Me
06. Ardour (feat. Pauline Murray)
07. Meeting Up
08. Why Must A Building Burn?
09. I Don’t Know What I’m Doing
10. The Acid Remark
11. Feelings I’m Supposed To Feel
12. Child Of The Flatlands

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:43

The Polyphonic Spree – Afflatus

Quarta-feira, 19.05.21

Os texanos The Polyphonic Spree não são uma banda no sentido mais restrito do termo. São liderados por Tim Delaughter, antigo vocalista dos extintos Tripping Daisy, mas são, de facto, uma instituição, já que têm uma constituição inconstante, que consiste geralmente de uma secção coral com dez pessoas, uma dupla de teclistas, um percussionista, um baterista, um baixista, um guitarrista, um flautista, um trompetista, um trombonista, um violinista, um harpista, um trompetista, um tocador de pedal steel e um técnico de efeitos eletrónicos.

The Polyphonic Spree Releases First New Music in Six Years with New EP We  Hope It Finds You Well Featuring Covers of The Rolling Stones, The Monkees,  Rush and More - mxdwn

Já tem sete anos Psychphonic, o último disco dos The Polyphonic Spree, que têm gravitado em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Independentemente da fórmula, é sempre habitual nos seus trabalhos oferecerem ao ouvinte verdadeiras orgias lisérgicas de sons e ruídos etéreos ou orquestrais e que os orientam muitas vezes, e a nós também, em simultâneo, para direções aparentemente opostas, geralmente da indie pop etérea e psicadélica, ao rock experimental.

O ano passado o grupo editou um EP intitulado We Hope It Finds You Well, na sua página bandcamp, que continha um alinhamento de versões de temas selecionados por Delaughter. Agora, além do anúncio de um novo disco dos The Polyphonic Spree para o próximo outono, chega-nos ao ouvido Afflatus, mais uma coleção de covers, que inclui também as que faziam parte do alinhamento desse We Hope It Finds You Well. O registo inclui revisitações de originais dos The Rolling Stones, The Bee Gees, Daniel Johnston, ABBA, Rush, The Monkees, Barry Manilow, INXS e muitos outros.

Afflatus não defrauda a essência dos originais que lhe servem de base, mas este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita que os The Polyphonic Spree transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético  de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:21

The Telescopes - Songs Of Love And Revolution

Sábado, 06.03.21

Com mais de trinta anos de carreira e já descritos pela imprensa musical britânica como uma revolução da psique, os The Telescopes estão de regresso aos discos com Songs Of Love And Revolution, o décimo segundo álbum do quarteto e mais uma explosão solar de ritmos indutores de transe, presa no leme por uma parede de baixo pulsante e mantida no lugar por um enxame de guitarras ao redor, como é apanágio num projeto com um legado cheio de momentos “eureka”, alimentados via intravenosa através de uma racha no ovo cósmico, e que sempre revelou algo novo dentro de um espetro indie de forte cariz lisérgico e amplamente progressivo.

The Telescopes – Songs of Love and Revolution – P3DRO

Neste Songs Of Love And Revolution, em quase quarenta minutos de absoluta hipnose e nebulosa alienação,  temas como Mesmerised, composição assente num registo minimalista e crú, com o vibrante hipnotismo da relação frutuosa que se estabelece entre um repetitivo dedilhar da guitarra e a voz a criarem uma espécie de fuzz acústico psicadélico, ou Strange Waves, tema em que a tónica é colocada, primordialmente, na criação de um ambiente com forte travo lisérgico e cósmico, proporcionado pela eficaz interseção entre um efeito tenebroso de uma guitarra e um efeito reverbante de outra, são pináculos de uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

Como se percebe então Songs Of Love And Revolution atiça, enquanto impressiona o ouvinte devido ao modo como se serve das guitarras para construir canções embrulhadas numa espécie de névoa radioativa, que intoxica pela majestosidade e ímpeto, nuances conjuradas com elevada mestria  e que cimentam essa relação simbiótica perfeita entre instrumento e intérprete, oferecida por um projeto sempre visionário, revolucionário e marcadamente experimental. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 18:29

The Horrors - Lout

Sábado, 27.02.21

Os The Horrors de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, preparam-se para lançar às feras o sexto tomo de uma discografia ímpar, idealizada por um quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quarenta anos atrás, mas que têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas donos de uma sonoridade própria e de um som adulto, jovial e tremendamente inovador, que, pelos vistos, se prepara para virar agulhas para o rock mais industrial.

The Horrors Announce Lout EP, Share New Song: Listen | Pitchfork

Tal suposição baseia-se no conteúdo do single que dá nome ao novo álbum dos The Horrors e que será, talvez, o disco mais arriscado e eclético da carreira do projeto natural de Southend-on-Sea. Falo de Lout, uma vigorosa composição sobre a relação entre a escolha e o acaso, a tomada compulsiva de riscos e o empurrar da sorte, conforme referiu recentemente Faris Badwan e que, da viscerilidade e do fuzz agreste das guitarras, à aspereza da bateria e dos arranjos, nos oferece um rock duro, corrosivo e denso. Sobre a canção, Tom Furse, o teclista, acrescentou que parece um regresso a um som mais pesado mas está a um milhão de milhas de distância de qualquer coisa que a banda tenha feito antes. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:29

Steven Wilson - The Future Bites

Segunda-feira, 22.02.21

Também conhecido pela sua contribuição ímpar nos projetos Porcupine Tree e Storm Corrosion, Steven Wilson tem já uma profícua carreira a solo, que viu recentemente um novo capítulo, com o registo The Future Bites. Sexto trabalho do catálogo de Steven Wilson, gravado em Londres e resultado de uma parceria entre Wilson e David Kosten, The Future Bites sucede ao aclamado álbum To The Bone, trabalho que há três anos comprovou que este é um dos músicos que na atualidade melhor mistura rock progressivo e eletrónica, fazendo-o sempre com grandiosidade e elevado nível qualitativo. Aliás, bastava escutar Hand. Cannot. Erase.,(2015) ou a obra-prima The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013), para se perceber como Steven Wilson é exímio nessa mescla e como convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidade, não tendo receio de arriscar, geralmente com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora.

STEVEN WILSON to release '1 of 1' box set for £10,000 to aid the Music  Venue Trust | XS Noize | Online Music Magazine

The Future Bites é, de acordo com o próprio Wilson um portal online para um mundo de elevado conceito de design construído especificamente para consumidores ultra-modernos. Nos seus pouco mais de quarenta minutos, somos constantemente bombardeados por uma ímpar riqueza melódica e por uma assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo, como se percebe logo na parelha UNSELF e SELF. Depois, a sagacidade orgânica que molda o falso minimalismo a que sabe King Ghost e o inconfundível timbre metálico aconchegante e o vigoroso ritmo de12 Things I Forgot, que nos remetem para a melhor herança daquele rock oitocentista mais nostálgico e efusiante, são outras composições a reter atentamente, juntamente com o orgasmo contemplativo de Man On The People, o efusiante krautrock que encharca Follower e a cuidadosa e bem planeada incursão ao R&B em Eminent Sleeze.

The Future Bites é, em suma, um disco extremamente sensorial e que está carregado com uma densidade e ao mesmo tempo leveza sonora, difíceis de descrever, graças não só a guitarras e elementos percurssivos debitados com uma contemporaneidade bastante vincada, mas também devido a teclados atmosféricos e ao glamour inigualável da voz nasalada bastante sedutora e intrigante deste gentleman do indie rock britânico. Espero que aprecies a sugestão...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 15:30

LNZNDRF – II

Terça-feira, 16.02.21

Depois de cerca de meia década de uma longa e penosa espera, já viu finalmente a luz do dia II, o novo registo de originais do super grupo LNZNDRF, que junta Ben Lanz e Aaron Arntz dos Beirut e Scott e Bryan Devendorf dos The National. Abrigado pela Rough Trade, II é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, criado por um quarteto que parece tocar submergido num mundo subterrâneo de onde debita música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco de composições que impressionam pelo forte cariz sensorial.

Resultado de imagem para LNZNDRF

II abre as hostilidades com um piano tocado em surdina, mas que rapidamente perde a vergonha e se deixa contagiar por uma incontida avidez que sobrevoa um baixo rugoso que vai rodando numa espiral continua e agregando cada vez mais detalhes sonoros, uns sinistros outros reluzentes, das mais diversas proveniências, sejam elas acústicas, percurssivas ou sintéticas. É The Xeric Steppe, uma indisfarçável busca por um clímax que por volta do quarto minuto se manifesta, através da bateria vigorosa de Bryan Devendorf, um baixo corpulento e uma tenebrosa guitarra, numa composição que acaba por nos esclarecer o estilo e marca de um disco que será, até ao seu ocaso, um verdadeiro orgasmo de rock com um cariz fortemente ambiental, mas também amplamente progressivo. Esta receita volta a deslumbrar-nos alguns minutos depois, de forma menos efusiva, mas igualmente burilada, em Cascade, um cenário idílico para os apreciadores do rock progressivo mais climático e lisérgico.

No entanto, o rock alternativo, na sua essência mais pura e imesiva, é um dos pontos mais fortes de II e um claro avanço relativamente ao antecessor homónimo, patente em algumas das melhores canções do registo. Por exemplo, em Brace Yourself debatemo-nos com um rock pleno de personalidade e força, onde é forte a dinâmica entre uma opção percurssiva arritmada exemplarmente acompanhada por um baixo que parece ser brotar da própria natureza e por um registo vocal efusivo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Uma receita mais nostálgica e na qual uma guitarra de forte cariz oitocentista assume relevância clara, mas mantendo a opção estilística por um registo sempre crescente, aprimora-se em You Still Rip, canção que rapidamente nos envolve numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no modo como a voz também se assume como membro pleno do arsenal instrumental, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Finalmente, Chicxulub, um instumental que poderia muito bem ter tido a assinatura dos DIIV, é uma verdadeira trip deambulante proporcionada por um baixo pouco meigo no modo como incorpora doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica e Ringwoodite ascende, nas asas de guitarras joviais e orgulhosamenre orgânicas, ao éden da melhor pop, que também se embrenha por todos os poros de Glaskiers, duas fabulosas composições que não se envergonham de dar as mãos a alguns dos pilares essenciais daquele krautrock de forte cariz sensorial.

Gravado em inspiradas jam sessions durante o outono de dois mil e dezanove, nos Estúdios Public Hi-Fi, em Austin, no Texas, II navega num universo fortemente cinematográfico e imersivo e aos seu conteúdo deve atribuir-se um claro nível de excelência, não só devido aos diferentes fragmentos que os LNZNDRF convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à pop, passando pelo rock progressivo criaram uma relação simbiótica bastante sedutora, mas também porque, embarcando nessa feliz demanda, também não deixaram de partir à descoberta de texturas sonoras que se expressaram com intensidade e requinte superiores, nomeadamente num transversal piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que aqui faz questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia. Para já, o momento discográfico maior de dois mil e vinte um. Espero que aprecies a sugestão...

LNZNDRF - II

01. The Xeric Steppe
02. Brace Yourself
03. You Still Rip
04. Cascade
05. Chicxulub
06. Ringwoodite
07. Glaskiers
08. Stowaway

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:27

Clap Your Hands Say Yeah – CYHSY, 2005

Quarta-feira, 03.02.21

Os norte americanos Clap Your Hands Say Yeah já têm sucessor para o excelente registo The Tourist lançado no início de dois mil e dezassete e que continha um olhar particularmente anguloso, para sonoridades mais ecléticas, tendo os anos oitenta em particular, como principal ponto de mira. New Fragility, título inspirado no conto de David Foster Wallace Forever Overhead, chega dentro de dias, sendo o título daquele que será o sexto trabalho da banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada pelo carismático por Alec Ounsworth e que há década e meia causou enorme furor com um fabuloso homónimo junto de uma blogosfera atenta, que sempre os seguiu com devoção e na qual me incluo, até se tornarem, aos dias de hoje, num projeto de dimensão mundial. New Fragility foi produzido pelo próprio Alec Ounsworth, com produção adicional de Will Johnson, gravado por Britton Beisenherz em Austin, no Texas, misturado por John Agnello e masterizado por Greg Calbi.

Clap Your Hands Say Yeah Share New Song "CYHSY, 2005": Listen

Depois de em pleno outono passado termos ficado a conhecer os temas Hesitating Nation, composição com uma toada minimal mas crescente, adornada por uma guitarra ondulante e que reflete sobre o modo como Alec Ounsworth se sente desiludido e até alienado com a tão propalada democracia americana eThousand Oaks que versa sobre o tiroteio que ocorreu em Thousand Oaks, na Califórnia, em mil novecentos e dezoito e que matou treze pessoas, assentando num formato mais contemplativo e altivo, agora chegou a vez de nos deliciarmos com CYHSY, 2005, tema conceptual sobre o às vezes nebuloso conceito de casa ou morada, sonoramente um verdadeiro braseiro de indie rock, conduzido por uma bateria vigorosamente ritmada e por guitarras com um polimento discreto, mas de inegável valia, trespassadas por majestosos violinos, num resultado final de forte pendor nostálgico, embrulhado com um espírito vintage marcadamente noventista e que se escuta de um só trago. Confere...

Clap Your Hands Say Yeah - CYHSY, 2005

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 11:56






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 435


Disco da semana 125#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Julho 2021

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.