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STRFKR – Ambient 1

Quinta-feira, 10.09.20

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

The band from outer space: STRFKR | Bozeman | bozemandailychronicle.com

Assim, depois de no início da última primavera nos termos alegrado todos e acreditado piamente que a paz iria ser de novo restaurada nos vales, as vacas voltariam a ser felizes e as águas seriam purificadas, porque os STRFKR nos garantiram um futuro mais feliz com o lançamento de um alinhamento de dez canções intitulado, Future Past Life, agora estão de regresso com Ambient 1, doze composições que, conforme o título indica, são de forte índole etérea, experimental e ambiental.

Ambient 1 teve como fonte de inspiração tripla, uma coleção de cassetes que o Hodges adquiriu em saldo de música ambiental, as sessões de gravação de Future Past Life e uma viagem do músico ao conhecido parque nacional Joshua Tree, localizado na Califórnia e que inclui partes dos desertos Colorado e Mojave. Já agora, só em jeito de curiosidade, o seu nome provém de uma espécie de cacto, encontrada quase exclusivamente nesta zona, denominada Joshua tree ou árvore de Josué. Nessa estadia campestre Hodges experimentou um sintetizador de um amigo, surgindo assim o esqueleto de um trabalho único e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas que deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e que privilegiam uma sensibilidade pop inédita.

Neste disco único na discografia dos STRFKR, é atingido, em alguns momentos, um forte cariz épico e monumental, nomeadamente no largo espetro de cruzamentos que se executam entre a eletrónica ambiental e um rock de cariz mais experimental e alternativo, uma filosofia sonora que nos possibilita obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou nos pode afetar num determinado momento. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Ambient 1

01. Rainzow
02. Work Smoothly Lifetime Peace
03. Bunji
04. Kaleidoscope
05. Telescope
06. Anxiety
07. Zee Majoor
08. Concentrate
09. Vergeten
10. Nexus
11. Zij Aan Zij
12. Sleep

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publicado por stipe07 às 11:40

The Bright Light Social Hour – Jude Vol. II

Quarta-feira, 02.09.20

Jackie O'Brien, Curtis Roush, Edward Braillif e Zac Catanzaro são os The Bright Light Social Hour, uma banda sedeada em Austin, no Texas, e já bastante reconhecida no universo alternativo norte-americano, muito por causa dos excelentes concertos que costumam proporcionar, além dos discos, tendo já tocado em festivais míticos como Lollapalooza ou Austin City Limits. Jude Vol. II é o título do novo registo de originais do quarteto, oito canções que submergiram de um evento algo trágico e que marcou imenso o coletivo. Há cinco anos, depois de terem lançado Space Is Still The Place, o segundo album da carreira, os The Bright Light Social Hour viram Alex, o manager da banda e irmão de Jack, o vocalista, afundar-se num caos depressivo profundo, que culminou com um diagnóstico de desordem bipolar e o suicídio num lago em Travis, mesmo junto ao estúdio da banda. A partir daí, as novas canções do grupo e que fazem parte deste Jude Vol. II, contêm a marca desse evento e mesmo as que não abordam diretamente o mesmo, contêm uma indesmentível espiritualidade e travo a algo de transcendente e profundamente marcante.

BrightLightSocialHr (@tblsh) | Twitter

Foram dezoito as composições que a banda levou para Los Angeles, em novembro de dois mil e dezassete, para os míticos estúdios Sunset Sound, onde os The Doors ou Prince, entre outros gravaram alguns dos discos mais improtantes da sua carreira. Com a ajuda do produtor Chris Coady (Beach House, Slowdive, Yeah Yeah Yeahs), selecionaram o núcleo duro desse novo catálogo, aprimoraram-no e incubaram um registo de catarse e esperança, um álbum que faz a cura de toda a angústia e dor que o grupo teve de suportar e superar por causa da partida precoce e inusitada de um dos seus membros, não músico.

De facto, Jude Vol. II é mais uma prova concreta de como grandes tragédias podem motivar superiores criações artísticas. Todas as oito composições do registo são belíssimos instantes sonoros, que resultam de uma agregação bem sucedida de alguns dos melhores detalhes identitários do shoegaze, do indie rock, da electrónica e do alt-pop, um caldeirão sonoro que se fundiu num som amplo, robusto, bastante charmoso e tremendamente identitário, sendo difícil encontrar outros grupos e projetos comparáveis ou que sejam facilmente identificáveis como sendo influências vincadas destes The Bright Light Social Hour.

Logo no baixo imponente que marca a batida que induz a psicadélica You Got My Feel e no modo como a guitarra e o sintetizador vão adicionando diversos entalhes e arranjos, fica bem omnipresente toda a trama sonora vibrante, intensa e mística que marca todo o disco. Depois, o forte pendor experimental e lisérgico, rematado por um solo de guitarra esplendoroso e um registo rítmico intenso, em So Come On, o groove insinuante da percurssão e do riff de guitarra hipnótico que marca o clima pop da dançável Enough, o travo mais roqueiro e rugoso de Mexico City Blues, a melancolia que transpira em todos os segundos da experimental Ouroboros' 20 e o tom épico e faustoso de Feel U Deep, mostram-nos não só o elevado leque de estilos que Jude Vol. II abraça, mas também a materialização feliz de uma jornada preconizada por quatro músicos que transpuseram com incrível mestria a mistura agridoce de beleza avassaladora e perda terrível, que inundou as suas vidas recentes.

Em suma, Jude Vol.II é uma joia psicadélica absoluta, um trabalho impressionante, celebrando tudo o que existe de bom numa banda que bateu no fundo da forma mais dura que se pode imaginar, mas que tem muito de bom guardado dentro de si e que encontrou uma extroardinária forma de nos mostrar, tenhamos nós a predispoção que estes The Bright Light Social Hour claramente merecem, um discos fundamentais de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Bright Light Social Hour - Jude Vol. II

01. You Got My Feel
02. So Come On
03. Enough
04. Mexico City Blues
05. Ouroboros ’20
06. Feel U Deep
07. Aegean Mirror
08. Revolution Thom

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publicado por stipe07 às 14:04

Polyenso – Dust Devil

Sexta-feira, 28.08.20

Polyenso - Dust Devil

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. 

Agora, ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com duas novas canções que fazem adivinhar sucessor. A primeira foi Red Colored Pencil e agora chega a vez da fresquíssima Dust Devil, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Ora ouçam...

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publicado por stipe07 às 10:57

Spun Out – Touch The Sound

Quinta-feira, 27.08.20

É fácil perdermos o tino à medida que somos enredados pelo perfil exótico das músicas exuberantes e envolventes de Touch The Sound, o disco de estreia do projeto Spun Out de Mikey Wells, James Weir e Alex Otake, três músicos amigos que já davam cartas no universo alternativo de Chicago com a banda NE-HI, da qual faziam parte e que viu o seu ocaso há cerca de dois anos. Neste pontapé de saída de uma carreira dos Spun Out que se antevê bastante promissora, o trio norte-americano criou um alinhamento expansivo e emocionante, composto por dez temas plenos de groove hipnotizante, um orgasmo de pop melancólica e experimental pleno de emoção e cor, onde não faltam composições perfeitas para o airplay radiofónico, mas também para a introspeção pura e dura.

Spun Out Touch the Sound – 7th Level Music

Registo que nos agarra e comove a cada audição, Touch The Sound resulta de um sobrebo exercício exploratório de diferentes sons, instrumentos, influências, nuances e conceitos, aquilo que é muitas vezes descrito como o picotar de uma verdadeira amálgama sonora, mas que pouco tem de caótico. Se lisergia e epicidade podem, pelos vistos, dar as mãos sem rodeios, como se percebe em Another House, canção que cresce lenta mas seguramente até um pico de arrepiar os cabelos, completo com sintetizadores pulsantes e uma cacofonia de bateria e guitarras, já o travo melancólico do tímido krautrock do single Such Are The Lonely e a propulsora Running It Backwards, tema onde uma batida seca, sustentada por um baixo intenso, sabe como receber de braços dados flashes planantes de uma guitarra e uma linha de teclado de forte cariz retro, de modo a criar uma majestosa composição que comprova o elevado grau criativo e uma banda operando a plena gás, são outros momentos maiores de um disco que tem no indie rock a grande pedra de toque, mas que ganha toda a sua notoriedade e requinte nas texturas dançantes, espaciais e inebriantes que rodeiam esse género musical.

Produzido pelo exímio mestre Josh Wells dos Destroyer e com as participações especiais de JP Carter, também dos Destroyer, Caroline Campbell, o saxofonista Kevin Jacobi, Patrick Donohoe, o teclista Sean Page, o guitarrista Jake Gold, Shiraz Bhatti e Nic Gohl dos Deeper, Touch The Sound tem também esta faceta de resultar do funcionamento de uma porta giratória por onde foram entrando vários amigos de Wells, Weir e Otake, sendo o resultado claro de um turbilhão de criatividade e de busca de uma alma e uma energia singulares. De facto, este é um álbum diferente também por ser realmente aberto e colaborativo, quer emocional, quer artisticamente, não só porque destila sentimentos de toda a espécie, mas também porque capta uma singular energia e luminosidade de vários seres que juntos e instintivamente deixaram fluir, sem rodeios e receios, o fulgor interpretativo que os define, quer individual quer coletivamente. Canção sobre a entrada na vida adulta, Off The Vine é, de certo modo, o âmago deste processo que deu vida a Touch The Sound, uma canção ancorada por uma linha de baixo rodopiante e pelo trompete de Carter, aos quais se juntam guitarras que destilam hamonias eufóricas, um microcosmos que reproduz fielmente o modo como os Spun Out funcionam em estúdio.

Enquanto este álbum investiga o confuso território emocional que se apodera de tods aqueles que têm de conviver com as indiespensáveis dores do crescimento, Touch The Sound também aproveita para fortalecer laços, funcionando como uma espécie de carta de amor à amizade de três artistas, mas também à vibrante comunidade musical de Chicago. Espero que aprecies a sugestão...

Spun Out - Touch The Sound

01. Another House
02. Such Are The Lonely
03. Dark Room
04. Running It Backwards
05. Antioch – Easy Detroit
06. Off The Vine
07. Don’t Act Down
08. Pretender
09. Cruel And Unusual (Feat. Caroline Campbell)
10. Plastic Comet

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publicado por stipe07 às 15:15

The Notwist - Ship EP

Quarta-feira, 26.08.20

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que acaba de ver a luz do dia à boleia da Morr Music, etiqueta alemã, sendo o primeiro sinal de vida do projeto em seis anos. Recordo que em dois mil e catorze este grupo alemão incrível lançou o disco Close to The Glass, um tomo de onze canções assentes numa eletrónica cheia de elementos do krautrock, mas que também passava pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, um verdadeiro caldeirão sonoro onde cada elemento foi cuidadosamente tratado e que estava minuciosamente carregado de vida.

The Notwist prep new EP & album, share “Ship” ft. Saya of Tenniscoats

Já com um novo longa duração prometido ainda este ano, os The Notwist afagam-nos, para já, um pouco a alma e acalmam as expetativas desse longa duração, com três excelentes novos temas em que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral dos cerca de doze minutos do EP, tudo soa muito polido, notando-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e bem conseguido.

Abrindo, como seria de esperar, com o single homónimo do registo, uma canção que conta com a participação vocal da japonesa Saya, vocalista da banda Tenniscoats e que impressiona pelo rigor percurssivo, percebe-se, logo à partida, que Ship EP será um registo tremendamente hipnótico. Nesta canção, a batida seca que lateja sem cessar, enquanto é constantemente rodeada por uma espiral sintetizada repetitiva e diversas aparições de uma guitarra que se insinua sempre à espreita do momento ideal para explodir em riffs e distorções incontroláveis, são nuances típicas de um grupo exímio a tricotar, sem receio do risco, os alicerces fundamentais de um rock que se entrega a toda o universo sonoro alternativo, sem se alimentar apenas da clássica tríade guitarra, baixo e bateria.

Depois, a incomensurável diversidade sónica que, entre luminosas cordas, efeitos cósmicos, uma bateria embaladora e guitarras metálicas, dá sentido e cor ao sublime experimentalismo de Loose Ends e, para rematar, o forte pendor espiritual e reflexivo do instrumental Avalanche, são mais duas canções que carimbam, de modo indelével, a sagacidade e a sensação catártica de um alinhamento curto mas impressivo, criado por uns The Notwist hábeis a convidar-nos a uma real libertação de sentimentos ou emoções reprimidas, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:20

Tim Bowness – Northern Rain

Quinta-feira, 13.08.20

Tim Bowness - Northern Rain

Nascido e criado no noroeste de Englaterra, Tim Bowness começou a sua carreira nos anos noventa, tendo sido representado pelas etiquetas Probe Plus, One Little Indian e Sony/Epic 550, tendo começado por se destacar como vocalista e compositor dos No-Man, banda onde também tocava Steven Wilson, membro dos Porcupine Tree. Nesse projeto participou em seis discos e um documentário, mas ainda arranjou tempo para colaborar com a italiana Alice e com Robert Fripp, Hugh Hopper (Soft Machine), OSI e Phil Manzanera dos Roxy Music, entre outros, além de ter feito parte dos Henry Fool, dos Slow Electric e dos Memories Of Machines.

Além disso, Tim ainda gravou o álbum Flame (1994) com Richard Barbieri (Porcupine Tree), coproduziu e compôs para o aclamado Talking With Strangers (2009), um álbum de Judy Dyble, antigo membro dos Fairport Convention e colaborou com Peter Chilvers, um músico que costuma acompanhar Brian Eno e Karl Hyde. Desde dois mil e um dirige a bem sucedida etiqueta e loja de música online Burning Shed, juntamente com o baixista Pete Morgan, seu antigo companheiro nos No-Man.
Agora, quase três décadas após o disco de estreia dos No-Man e cerca de quinze anos depois de My Hotel Year, o seu primeiro registo a solo, Tim Bowness está de regresso aos lançamentos discográficos com Late Night Laments, o seu terceiro álbum a solo, lançado pela etiqueta Inside Out, com as participações especiais de Richard Barbieri, Colin Edwin e Tom Atherton e que irá ver a luz do dia a vinte e oito deste mês de agosto.

Northern Rain, uma canção sobre alguém que assiste impotente ao companheiro de uma vida a ser engolido pelas garras da demência, é o mais recente avanço divlgado de Late Night Laments, um tema fabuloso e extremamente sensorial, que conta com as participações especiais de Melanie Woods (Sidi Bou Said, Knifeworld) e Evan Carson (Kate Rusby, iamthemorning) e que está carregado com uma densidade e ao mesmo tempo leveza sonora, difíceis de descrever, graças não só a uma guitarra com um timbre bastante vincado, mas também devido a teclados atmosféricos e ao glamour inigualável da voz nasalada bastante sedutora e intrigante deste gentleman do indie rock britânico. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:06

The Notwist – Ship

Quarta-feira, 05.08.20

The Notwist - Ship

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que irá ver a luz do dia ainda durante este mês de agosto, à boleia da Morr Music, etiqueta alemã, e que será o primeiro sinal de vida do projeto em seis anos. Recordo que em dois mil e catorze este projeto alemão único lançou o disco Close to The Glass, um tomo de onze canções assentes numa eletrónica cheia de elementos do krautrock, mas que também passava pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, um verdadeiro caldeirão sonoro onde cada elemento foi cuidadosamente tratado e que estava minuciosamente carregado de vida.

Para antecipar o lançamento deste EP, ao qual se seguirá, ainda de acordo com a banda, um novo longa duração ainda em 2020, os The Notwist acabam de divulgar o single homónimo do registo, uma canção que conta com a participação vocal da japonesa Saya, vocalista da banda Tenniscoats e que impressiona pelo rigor percurssivo, assente num registo tremendamente hipnótico, devido a uma batida seca que lateja sem cessar, enquanto é constantemente rodeada por uma espiral sintetizada repetitiva e diversas aparições de uma guitarra que se insinua sempre à espreita do momento ideal para explodir em riffs e distorções incontroláveis, algo que acaba por não acontecer. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

The Psychedelic Furs – Made Of Rain

Segunda-feira, 03.08.20

Trinta anos é uma eternidade, o disco a que se refere este artigo quebra um dos mais longos hiatos da historia do indie rock, mas é exatamente este o tempo que separa World Outside, disco que os londrinos The Psychedelic Furs lançaram no início da década de noventa do século passado, de Made Of Rain, o oitavo e novo registo de originais desta banda londrina de pós punk, liderada pelos irmãos Butler, Richard e Tim, aos quais se juntam, atualmente, o guitarrista Rich Good, o baterista Paul Garisto, o saxofonista Mars Williams e a teclista Amanda Kramer, e cujas raízes remontam a mil novecentos e setenta e sete, tendo o projeto estreado-se nos lançamentos discográficos em mil novecentos e oitenta com um homónimo que, apesar de ter sido um relativo fracasso comercial, foi bem aceite pela crítica e colocou logo este projeto nos holofotes do cenário indie britânico.

The Psychedelic Furs Anuncia Lançamento Do Novo Álbum, Made Of Rain -  RockBizz

Basta ouvir Made Of Rain uma única vez para se perceber que esté um disco de rock puro e duro, pleno de profundidade e força, instrumentalmente luxuoso, adulto, impressionista e com alguns instantes emocionalmente sublimes. Para quem atualmente aprecia nomes tão sobejamente conhecidos como os The National, Interpol, Editors ou The Killers e nunca se esqueceu da herança dos Cure ou Echo & The Bunnymen, Made Of Rain é o registo perfeito para a agregação num só alinhamento de todas as boas sensações que cada uma destas ilustres figuras nos proporcionam isoladamente e com as suas próprias especificidades, já que este é um álbum exuberante, texturizado e moderno, mas nitidamente atemporal.

Uma das grandes virtudes dos The Psychedelic Furs durante os anos oitenta foi sempre o cultivo de uma faceta algo enigmática, dissidente e extravagante, com a vertente comercial a estar sempre em segundo plano. Trinta anos poderiam ter feito mudar esse modo de ver a arte musical e este regresso à atividade poderia muito bem obedecer a um imperativo de aproveitamente de um nome e de uma herança para faturar mais uns milhões e assegurar a segurança financeira definitiva dos três irmãos. Mas nem a essa lógica Made Of Rain parece obedecer, porque mais do que a busca de canções melodicamente radiofónicas, o intuíto terá sido o reencontro com o simples prazer de compôr e criar, tendo apenas como bitola, além da herança rica da banda, o gosto pessoal do núcleo duro que se mantém integro e que não sofreu qualquer desgaste com o tempo. Existem semelhanças na abordagem estética relativamente ao que o grupo fez há quatro décadas atrás, mas há também uma sensação de modernidade indesmentível.

Assim, na enganadora gentileza de Tiny Hands, na absoluta epicidade de You'll Be Mine, no travo gótico do single Don't Believe e de Turn Your Back On Me e na grandiosidade lírica e dramaticamente maleóvola de No-One, situam-se os alicerces fundamentais de um disco imponente, repleto de drama mas também de humor, um alinhamento ao qual é transversal um niilismo melancólico amiúde arrepiante, encharcado de narrativas em que as palavras e frases são como cores feitas para criar pinturas abstratas e impressionistas, mas sentimentalmente bastante evocativas de uma espiritualidade que foi sempre muito intrínseca a um Richard Butler, o grande poeta destes The Psychedelic Furs, ávido por se afogar com as contradições inerentes a quem se deixa ver exteriormente como alguém alegre e sorridente, mas que guarda no seu âmago uma dose nada pequena de negatividade e dramatismo. É esta ambiguidade e este belo caos emocional que Made Of Rain, um disco cinematográfico, impressionista e expressionista, destila por todos os poros. Espero que aprecies a sugestão...

The Psychedelic Furs - Made Of Rain

01. The Boy That Invented Rock And Roll
02. Don’t Believe
03. You’ll Be Mine
04. Wrong Train
05. This’ll Never Be Like Love
06. Ash Wednesday
07. Come All Ye Faithful
08. No-One
09. Tiny Hands
10. Hide The Medicine
11. Turn Your Back On Me
12. Stars

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publicado por stipe07 às 16:31

Cold Showers – 07.13.19 Part Time Punks EP

Sábado, 04.07.20

Desde que teve inicio este período pandémico, a plataforma de divulgação e comércio digital sonoro bandcamp tem colocado em prática, em algumas sextas-feiras, uma iniciativa intitulada Bandcamp Friday Strikes Again, cujo objetivo é ajudar alguns artistas a suportarem melhor as percas que o Covid-19 acabou por provocar na sua vida profissional. O dia três de julho, que terminou há poucos minutos, foi palco de mais um capítulo dessa saga, com nomes como Nadja, Lambchop, Marissa Madler, ou os Cold Showers a publicarem alguns temas, em formato single, album ou EP, nessa plataforma.

Cold Showers – Dais Records

De todos estes nomes e lançamentos, acabou por chamar a atenção desta redação o EP 07.13.19 Part Time Punks, da autoria dos Cold Showers, banda formada há uma década ao sol da Califórnia e que o ano passado nos ofereceu o registo Motionless, que foi considerado o oitavo melhor álbum de dois mil e dezanove para este blogue.

Os cinco temas que fazem parte do alinhamento de 07.13.19 Part Time Punks EP foram gravados ao vivo, na data indicada no título, nos estúdios da rádio KXLU 88.9 FM. Nessa atuação, os Cold Showers misturaram novas versões dos seus singles Shine e Faith, momentos altos de Motionless, dando à efervescência da guitarra que conduz o primeiro e à monumentalidade instrumental e vocal do segundo, uma toada mais orgânica e visceral. Além disso, também revisitaram o clássico da banda Plantlife, incluído no disco Matter Of choice que os Cold Showers editaram em dois mil e quinze e, para rematar, ainda tocaram duas novas versões de Whatever You Want e Only Human, também momentos altos desse tomo com já meia década de vida.

Para quem só contactou com os Cold Showers devido a Motionless, este EP é uma excelente oportunidade para ficar com uma perceção mais ampla das vastas virtudes de um grupo exímio a navegar nas águas efervescentes daquela espécie de meio termo que fica entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia, interpretado de modo simultaneamente nostálgico e luminoso e sempre com elevado cariz progressivo. São cinco canções que firmam a solidez do post punk que trespassa o catálogo do grupo e oferecem ao mesmo um lustro mais pop e um cariz de maior abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Showers - 07.13.19 Part Time Punks

01. Only Human
02. Whatever You Want
03. Shine
04. Plantlife
05. Faith

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publicado por stipe07 às 00:27

Fontaines D.C. – Televised Mind

Quarta-feira, 01.07.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo, intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e a semana passada, como certamente se recordam, foi destaque neste espaço o single homónimo e o tema I Don't Belong, duas amostras que fizeram por cá adivinhar, desde logo, um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Televised Mind, a nova canção que veio a público nas últimas horas do alinhamento de A Hero's Death, confirma e reforça tais impressões. A canção, com o adn típico dos Fontaines D.C., é um convite direto à dança e ao movimento, apelo assente em guitarras combativas e um registo percussivo vibrante e claramente marcado, tema que, de acordo com vocalista dos Fontaines D.C., Grian Chatten, reflete sobre a câmara de eco e como a personalidade é arrancada pela aprovação circundante. As opiniões das pessoas são reforçadas por um acordo constante e somos roubados da nossa capacidade de nos sentirmos errados. Nunca recebemos realmente a educação de nossa própria falibilidade. As pessoas fingem estas grandes crenças para parecerem modernas, em vez de chegarem independentemente aos seus próprios pensamentos.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

Fontaines D.C. - Televised Mind

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publicado por stipe07 às 11:15






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