Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019

The Moth And The Flame – Ruthless

Cerca de três anos depois de Young & Unafraid, disco que preservava a sonoridade pop atmosférica do registo homónimo de estreia, lançado em 2012, porque tinha canções que nos envolviam em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa, os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett e Andrew Tolman estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ruthless, um alinhamento de onze temas produzido pelos premiados Peter Katis (Interpol, The National, Middle Kids) e Nate Pyfer (Kaskade), e que viu a luz do dia através da Thirty Tigers.

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Ruthless marca o fim de um longo hiato dos The Moth And The Flame, um período muito marcado pela doação por Robbins de um rim a Corey Fox, um dos grandes fâs da banda e dono do Velour, uma sala de espetáculos em Provo, no Utah, terra natal da banda e onde o trio deu os primeiros concertos, que foram muito importantes numa fase inicial da carreira. Este é um disco muito marcado pelo ideário da depressão, com várias canções que abordam diretamente essa temática, logo a começar no single The Great Depression, que abre estrategicamente o registo, uma canção sobre os demónios que todos temos dentro de nós e que temos de enfrentar diariamente, muitas vezes sem que os outros que nos são mais próximos se apercebam. Este tema é uma espécie de apelo por parte dos The Moth And The Flame para que cada m de nós, nos momentos de maior dificuldade interior, nunca se isole e procure ajuda e conforto nos nossos melhores amigos e confidentes, porque todos temos sempre alguém a quem recorrer.

Sonoramente, ao longo de Ruthless a banda pega firmemente no seu som e usa-o como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, como é o caso do dedilhar no single já citado, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que tanto pode oscilar por um registo grave sussurrante até notas mais agudas e estridentes e na mesma composição, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

De facto, além da sapiência melódica e estrutural que conduz The Great Depression, claramente o grande destaque de Ruthless, canções como Only Just Begin, uma ode ao rock oitocentista nostálgico e efusiante e a lindíssima balada Wait Right Here, que impressiona pela beleza planante do piano e da flauta e pela lisura das cordas, sendo composições díspares, atestam a elevada abrangência e maturidade de um trio cada vez mais disponível para descolar da zona de conforto sonora dos dois primeiros trabalhos, para ir partir em busca de ambientes igualmente épicos, mas com uma instrumentalização ainda mais diversificada.

indie rock que plana entre a experimentação, o psicadelismo e ambientes algo progressivos mantém-se, assim, como elemento ativo de um arquétipo de onde também sobressai uma presença ainda mais forte da sintetização do que o registo anterior, uma tendência que Beautiful Couch, uma das canções mais impetuosas e viscerais do registo, imprime de modo bastante impressivo.

Seja como for, este é, claramente, um trabalho liderado pelas guitarras, um registo onde este instrumento acaba por ser o grande eixo orientador do processo de construção sonora, num alinhamento em que se ouve canções melodicamente intuitivas e ao mesmo tempo complexas, no modo como nos oferecem variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.

Ruthless é, em suma, um registo que pega nas experiências pessoais mais recentes do grupo e nas típicas agruras e peripécias de quem nem sempre se sente confortável com o mundo em redor, para incubar uma espécie de manual de auto ajuda para quem vive mentalmente deprimido, ao mesmo tempo que dá vida à nova filosofia interpretativa dos Moth And The Flame, mais eclética, abrangente e sofisticada. Além das composições já referidas, basta escutar a toada negra e intrincada de What Do I Do, as guitarras agrestes e o baixo impulsivo de Ozymandias ou o sumptuoso exercício percurssivo que alicerçou a emotividade que transparece de Do What You Love, para se perceber uma busca pela construção de hinos, mas também por encetar uma caminhada firme e triunfante rumo a um território mais negro, sombrio e encorpado, através de um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que seduz este grupo norte-americano. Espero que aprecies a sugestão...

The Moth And The Flame - Ruthless

01. The New Great Depression
02. Only Just Begun
03. Wait Right Here
04. Beautiful Couch
05. What Do I Do
06. Do What You Love
07. Ozymandias
08. Red Rising
09. What Do I Do (Continued)
10. Eliza Eden
11. Lullaby IV


autor stipe07 às 08:33
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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

Galo Cant’Às Duas - Cabo da Boa Esperança

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já colocaram nos escaparates o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que marca, claramente, um rumo mais abrangente, ousado e criativo para a dupla, algo que se percebe de imediato e com clareza no cortejo alegórico de distorções e diferentes nuances rítmicas que abastecem a jam session A Dança do Tempo, o tema de abertura do registo.

Cabo da Boa Esperança não mais levanta o pé do acelerador impressivo. O clima caleidoscópico que trespassa o sintetizador melódico de Coro a Cara, o indisfarçavel travo punk inicial de Guia do Fazer que depois se amansa para territórios mais etéreos, para voltar a carregar num ruído progressivo, ou o salutar experimentalismo psicadélico que brota do single Sobre Um Tanto Medo, uma canção sobre a ténue fronteira entre a ânsia de descobrir, ao medo de ser descoberto e que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão, deixam-nos de olhos e ouvidos em bico e à bica. E o festim prolonga-se nménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre bateria, guitarra e sintetizador em Foto Grama e na espiral rugosa feita de flashes de samples, de alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, de uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e loops percussivos inquietos em Mudo, mais duas composições feitas para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor.

Ao longo das oito canções de Cabo da Boa Esperança, mais do que ser-nos dada a possibilidade de descobrirmos o rumo certo da nossa jornada pessoal ou a fórmula infalível que nos vai levar para o lado certo da razão, é-nos facultada uma sequência muito física de sensações, através de um delicioso caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que os autores designaram para cada uma, individualmente. E os Galo Cant’Às Duas fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que polvilham os trinta e cinco minutos de Cabo da Boa Esperança com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo chamado rock progressivo, indie rock, popfolk, eletrónica e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão…


autor stipe07 às 11:33
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2019

Indoor Voices – Gaslight Ephemera

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de três anos com um outro EP, intitulado Auratic, que vê finalmente sucessor, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, todas escritas por Relph, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the Face, Always the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My.

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Disponivel no bandcamp do projeto, Gaslight Ephemera flui algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo e uma bateria que seguem a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível na imponência de Breathe, Barely e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de I'm Sorry, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Punch Me In The Face é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conferem, através do sintetizador, leves pitadas de punk ou o garage, aquilo que é, no fundo, uma simbiose entre shoegaze e post rock, amplificada com superior requinte no clima pop de A Little Slow e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Gaslight Ephemera têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always The Same, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Gaslight Ephemera exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Gaslight Ephemera

01. Gaslight Ephemera
02. Breathe, Barely
03. I’m Sorry
04. Punch Me In The Face
05. A Little Slow
06. You’re My
07. Always The Same

08. I Dunno, Kid

09. Shit World


autor stipe07 às 16:59
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2018

The Twilight Sad – Videograms

The Twilight Sad - Videograms

Os The Twilight Sad são uma banda de indie rock de Kilsyth, na Escócia, com onze anos de carreira e já lançaram quatro discos: Fourteen Autumns & Fifteen Winters (2007), Forget the Night Ahead (2009), No One Can Ever Know (2012), e Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave é editado em dois mil e catorze. No início de dois mil e dezanove chegará aos escaparates It Won/t Be Like This All the Time, o quinto registo de originais dos The Twilight Sad, um trabalho que verá a luz do dia a dezoito de janeiro através da Rock Action, a etiqueta dos Mogway.

It Won/t Be Like This All the Time é o primeiro álbum dos The Twilight Sad a contar com Brendan Smith e Johnny Docherty nos créditos, dois músicos que têm tocado ao vivo com o grupo e que se juntam a MacFarlane e ao líder do projeto, James Alexander Graham. Videograms é o primeiro single retirado do novo registo do quarteto, uma canção onde o post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze está bastante presente, algumas das principais caraterísticas dos genes identitários dos The Twilight Sad. Confere...


autor stipe07 às 16:07
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Domingo, 16 de Dezembro de 2018

Wintersleep – Surrender

Wintersleep - Surrender

Os canadianos Wintersleep vão regressar aos discos em março do próximo ano com In The Land Of, o sexto álbum da carreira deste projeto liderado por Paul Murphy e que verá a luz através da Dine Alone Records.

Álbum que será bastante centrado no que é ser um estranho num território adverso e as implicações que a mudança provoca sempre, de acordo com declarações recentes do guitarrista Tim D'Eon, In The Land Of acaba de ver o seu primeiro single divulgado, um tema intitulado Surrender, assente num rock que começa por ser intimista, mas que depois ganha uma majestosidade e um sentido emotivo muito pronunciados. De acordo com o baterista Loel Campbell, Surrender é uma canção de amor que versa sobre a luta interior que todos aqueles que optam pela tal mudança acabam por sentir, devido às dúvidas que sentem acerca da retidão dessa decisão. Confere...


autor stipe07 às 22:47
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

Copeland - Pope

Copeland - Pope

Os norte-americanos Copeland de Aaron Marsh (voz, guitarra, baixo, piano), Bryan Laurenson (guitarra) e Stephen Laurenson (guitarra) já andam por cá, algo despercebidos, é certo, mas tremendamente criativos, desde o início do novo milénio. Têm cinco discos em carteira, sendo o último IXORA, um registo editado em novembro de dois mil e catorze e que vai ter finalmente sucessor, já no início do próximo ano.

Gravado nos dois últimos dois anos no The Vanguard Room, o estúdio de Aaron Marsh, em Lakeland, Florida, terra natal da banda e misturado em Nova Iorque por  Michael Brauer, Blushing é o nome desse novo álbum dos Copeland e irá ver a luz do dia a catorze de fevereiro, à boleia da tooth & nail records.

Com a habitual escrita algo intrincada e levemente lúgubre, que carateriza o cardápio lírico dos Copeland, envolvida por um arquétipo sonoro que, piscando também o olho à eletrónica, consegue ser, com superior subtileza, sereno e majestoso, Pope, o single já extraído de Blushing, faz adivinhar mais um álbum emotivo e capaz de mexer com o âmago de quem se predispuser a destrinçar o seu conteúdo, que vai sempre muito além, no caso dos Copeland, da simples vertente musical. Confere...


autor stipe07 às 13:28
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Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Deerhunter – Element

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox já têm prontoWhy Hasn’t Everything Disappeared?, um registo gravado em Marfa, no Texas, que será lançado a dezoito de Janeiro próximo à boleia da 4AD Records e que foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

Deerhunter

O mais recente single divulgado deste Why Hasn’t Everything Disappeared?, o oitavo disco da carreira dos Deerhunter, que sucede ao aclamado disco Fading Frontier (2015), é Element, o quarto tema do alinhamento, uma composição descrita por Cox como uma ode ao ambiente e à natureza, um tema com uma tremenda sensibilidade pop e que resplandesce pelo modo como as cordas e os sopros vão interagindo entre si de um modo muito calculado, o que resulta, no seu todo, em quase três minutos de puro deleite sonoro, com indisfarçável leveza e beleza melódica. Confere...

Deerhunter - Element


autor stipe07 às 18:20
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018

Galo Cant’Às Duas - Sobre Um Tanto Medo

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já anunciaram o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que verá a luz do dia em janeiro e do qual já se conhece o single de apresentação, um tema intitulado Sobre Um Tanto Medo, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão e que serviu-se de um salutar experimentalismo psicadélico para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. 

De acordo com o press release de lançamento do single, para o respectivo vídeo, interessou a ideia de filmar o lugar onde realizaram a capa do disco. Naturalmente sem acompanhar a cadência da música quiseram provocar a dúvida da sua real existência. De um não-lugar, de um universo que é nosso ou criado por nós. Sentiram assim a necessidade de imortalizar/revitalizar aquele lugar que o vídeo vai mostrando e dando vida.

No dia vinte e oito de Dezembro acontecerá uma festa de pré lançamento que se intitula Cantar de Galo. No Carmo’81, em Viseu, os Galo Cant’Às Duas convidam também o percussionista João Pais Filipe, que recentemente lançou o seu disco a solo, para abrir o que será uma noite de celebração cheia de pessoas bonitas que fizeram também parte deste processo de criação. Confere o single de apresentação de Cabo da Boa Esperança...

 


autor stipe07 às 18:36
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Preoccupations – Pontiac 87

Preoccupations - Pontiac 87

Õs canadianos Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um projeto que terminou a carreira há alguns anos mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material foi o registo discográfico que deu o pontapé de saída a esta nova vida do projeto no início da última primavera, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

Agora, pouco mais de meio ano depois de New Material, os Preoccupations preparam-se para ir para a estrada na América do Norte com os Protomartyr, uma banda de pós-punk norte americana formada há já uma década em Detroit e que conta com Joe Casey nas vozes, Greg Ahee na guitarra, Alex Leonard na bateria e Scott Davidson no baixo. Para comemorar este avanço em conjunto para os palcos, os dois grupos resolveram editar uma cover de ambos, disponível digitalmente e num single em vinil de sete polegadas, este último via Domino Records e com o título Telemetry At Howe Bridge. Assim, se os Protomartyr gravaram uma cover de Forbidden, um tema dos Preoccupations disponível no lado b desta edição, no lado a está Pontiac 87, um original dos Protomartyr que os Preoccupations revisitaram através de um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária. Confere...


autor stipe07 às 08:45
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018

The Smashing Pumpkins – Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Billy Corgan acaba de dar mais um passo fundamental para que os seus The Smashing Pumpkins, uma banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas, consigam regressar aos bons e velhos tempos, com a edição recente de Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., um compêndio de oito canções gravadas com a ajuda de Rick Rubin e que viu a luz do dia há alguns dias via Napalm Records.

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Já não é a primeira vez que Billy Corgan tenta fazer com que os The Smashing Pumpkins regressem às luzes da ribalta, depois da espetacular sucessão discográfica que o projeto criou no início da década de noventa do século passado. Oceania, disco lançado há mais ou menos seis anos pela EMI, e Monuments To An Elegy, dois anos depois, tinham sido as últimas tentativas concretas dessa ressurreição de uma saga que se tinha tornado algo penosa depois de Adore (1998), Machina (2000) e Teargarden by Kaleidyscope (2007), disco inspirado no universo das cartas do tarot e com quarenta e quatro canções e, principalmente, depois da saída da banda de Jimmy Chamberlin e James Iha, elementos fulcrais na extraordinária sonoridade que compôs Siamese Dream e Mellon Collie and the Infinite Sadness, dois discos que são para mim uma referência incontornável da música que ouvi apaixonadamente há pouco mais de vinte anos. Desta vez, parece-me haver uma maior possibilidade de sucesso porque, além de contar com o guitarrista Jeff Schroeder, colaborador de longa data de Corgan, finalmente conseguiu fazer regressar a casa Iha e Chamberlin e assim, voltar a colocar no cardápio do projeto canções com aquele timbre de guitarra metálico único sustentado por uma densidade encorpada que todos nós conhecemos e que, neste Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., as amostras Silvery Sometimes (Ghosts) e Solara exemplarmente replicam.

Os pouco mais de trinta minutos deste registo que, pelo título, terá certamente, em breve, um egundo capítulo, são, portanto, uma mistura entre os melhores detalhes do rock alternativo da década de noventa, com algumas das atuais tendências, com os violinos e o piano de Knights Of Malta acamados por um baixo vibrante, a serem, logo a abrir o alinhamento, um exemplo claro deste novo fôlego de quem pretende não renegar as suas origens e mostrar-se competente na abordagem a uma contemporaneidade que exige mestria para encaixar devidamente no seu ADN sonoro.

O disco contém letras interessantes e apelativas, com o apelo sentido de Travels a ser a mais curiosa de um disco onde a temática do amor mais inocente e puro opôe-se às ideias de raiva e angústia que dominaram a escrita de Corgan durante muito tempo e que sempre encaixaram como uma luva na sua voz, novamente espontânea e ingénua. O registo num quase falsete que Corgan canta neste tema e que eu apreciei particularmente, é complementado, de modo assertivo, com a simplicidade do riff que remata o refrão e em Alienation, o modo como, a espaços, em vez de cantar quase declama, e aquela raiva incontida que nos é tão cara e que ele volta a exalar no emo punk de Marchin’ On, são mais duas demonstrações superiores da maturidade e do grau de integridade que Corgan consegue mostrar relativamente ao seu registo vocal único e ainda inconfundível.

Impecavelmente produzido,  Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun. é um disco curto, mas ousado no modo como procura fazer com que os The Smashing Pumpkins se tornem novamente relevantes, sendo louvável o modo como Corgan procurou reunir novamente os seus parceiros mais queridos e com eles oferecer-nos novas amostras que complementam superiormente todas as vidas que já viveu na banda que lidera, com um resultado coeso e que se escuta com particular interesse. Espero que aprecies a sugestão...

The Smashing Pumpkins - Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 - LP No Past. No Future. No Sun.

01. Knights Of Malta
02. Silvery Sometimes (Ghosts)
03. Travels
04. Solara
05. Alienation
06. Marchin’ On
07. With Sympathy
08. Seek And You Shall Destroy


autor stipe07 às 17:56
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

Viagra Boys - Street Worms

Sebastian Murphy, Benjamin Vallé, Tor Sjödén, Henrik Höckert e Martin Ehrencrona são os Viagra Boys, um coletivo sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de surpreender os mais incautos com Street Worms, nove canções assentes num indie rock encorpado, volumoso e efusivo, que mistura baixo e guitarras com batidas sintetizadas e aproxima o projeto não só de uma sonoridade eminentemente punk, mas também daquele garage rock cru, sujo e vibrante que fez escola há duas e três décadas atrás nos dois lados do Atlântico.

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Street Worms é um banquete de melodias repletas de momentos de glória e celebração, onde letras e voz, se cruzam com uma vasta miríade instrumental para dissertar com particular acidez e ironia sobre um conservadorismo que vai tomando cada vez mais conta da nossa urbanidade ocidental mais elitista, que não tem sabido muito bem como reagir ao saudável crescimento da importância das minorias e do medo que esse movimento, que tem também cada vez mais força na internet, acaba por provocar nas esferas dominantes pouco dispostas a repartir o pão que têm absorvido apenas e só para si, há já várias décadas. E os Viagra Boys parecem dispostos a levar o seu garage rock nessa direção eminentemente intervencionista, fazendo-o com assinalável mestria dançavel e psicadélica, quer no sintético groove negro de Down In The Basement, mas também no aditivo refrão da irónica masculinidade de Sports, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som do quinteto no pós punk de Just Like You e ainda no modo inédito como o saxofone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta Slow Learner, canção que espraia-se nos nossos ouvidos e nos faz vibrar de alto a baixo com particular languidez.

Street Worms é um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora que a que habitual se escuta por baixo da bola de espelhos, vinda de uma Suécia que é país modelo no acolhimento de refugiados, mas também um território fértil em convulsões e pátria de uma das extremas direitas mais ativas e violentas da Europa. A música dos Viagra Boys, uma banda que do nome à performance algo descontraída e espontânea parece não querer ser levada demasiado a sério, mas que tem o firme controle sobre aquilo que defende e pretende instigar no ouvinte, tem esse elan teatral trágico comediante, esse sabor a crítica e a chamada de alerta para um fenómeno de resistência e repulsa aos movimentos migratórios que tem vindo a ganhar repercurssões particularmente alarmantes nos países nórdicos e que pouco tem de parodiante ou que seja passível de ser objeto de ligeiro sarcasmo. The same worms that eat me/Will someday eat you, too, assim termina no sinistro negrume de Worms, um disco que quer, no fundo, mostrar-nos que, mais tarde ou mais cedo, acabamos por ser todos iguais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:17
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018

Naevus – Curses

Foi à boleia da GH-Records que viu a luz do dia Curses, o oitavo e mais recente registo de originais dos Naevus, um coletivo londrino formado atualmente por Lloyd James, Ben McLees, Hunter Barr e Sam Astley. Formados há já duas décadas por Lloyd e Joanne Owen, que já não faz parte do projeto, os Naevus eram frequentemente categorizados como mestres do neo-folk, tendo entretanto virado agulhas para territórios mais experimentais e lisérgicos, sendo sistematicamente comparados com nomes tão influentes como os Swans e Wire, expoentes máximos de um dos subgéneros mais subestimados do indie rock de cariz mais experimental.

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É na exuberância das cordas, majestosas no single Odour, e num forte travo melancólico que subsiste a sonoridade destes Naevus, mestres em replicar um som com um travo de religiosidade vincado, que consegue ser contundente e vibrante, mas também contido e convidativo, quer ao recolhimento, quer à introspeção. Os arranjos que flutuam em redor de melodias geralmente conduzidas pela guitarra e pela viola, têm, geralmente, aquele travo místico e tipicamente celta, como se percebe logo em The Wall In The Sun, umas das canções mais marcantes deste Curses, um registo que quebra um hiato de seis anos do grupo, sucedendo ao excelente The Division of Labour que, em dois mil e doze, juntou mais um enorme punhado de seguidores há já enorme legião de ouvintes que seguem este grupo com particular devoção.

De facto, Curses é o disco mais introspetivo e pessoal dos Naevus, que têm em Lloyd James a grande força motriz, que leva-nos numa alucinante viagem pela sua mente, um autor que consegue ser particularmente impressivo a debruçar-se sobre algumas das questões essenciais que toda e qualquer individualidade tem forçosamente de enfrentar num mundo cada vez mais competitivo e sempre em constante mutação. A acidez da guitarra de Abacus, o modo sinistro como disserta aobre algumas das suas agruras no claustrofóbico tema homónimo ou a a história de terror que narra em Dead Man Circling são outros notáveis exemplos do elevado cariz pessoal de um disco complexo, não só pela atmosfera muito própria que replica, mas também pelo modo como estes Naevus conseguem servir em bandeja de ouro um mundo sonoro onde pessoas estranhas e com vidas depressivas encontram alegria e utilidade na vida ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...

Naevus - Curses

01. The Wall In The Sun
02. Dead Man Circling
03. Abacus
04. Heart Fell Foul
05. Aria/Acqua
06. Curses
07. The Pit
08. Odour
09. Surface


autor stipe07 às 21:46
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2018

Deerhunter - Death In Midsummer

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox acabam de anunciar a edição de Why Hasn’t Everything Disappeared?, um registo que será lançado a dezoito de Janeiro próximo à boleia da 4AD Records e que foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

Deerhunter

O primeiro single divulgado deste Why Hasn’t Everything Disappeared?, o oitavo disco da carreira dos Deerhunter, que sucede ao aclamado disco Fading Frontier (2015), é Death In Midsummer, o primeiro tema do alinhamento, uma composição com uma tremenda sensibilidade pop e que vai crescendo de intensidade à medida que vai recebendo cordas e sopros de um modo muito calculado, o que resulta, no seu todo, em pouco mais de quatro minutos de puro deleite sonoro que mais do que agregarem diversos fragmentos, incorporam uma canção com um corpo uno e de indisfarçável leveza e beleza melódica. Confere o video de Death In Midsummer e a capa e o alinhamento de Why Hasn’t Everything Disappeared?...

Deerhunter WHEAD Album Packshot_00Death in Midsummer

No One’s Sleeping

Greenpoint Gothic

Element

What Happens to People?

Détournement

Futurism

Tarnung

Plains

Nocturne


autor stipe07 às 10:51
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

The KVB – Only Now Forever

Foi no passado dia doze de outubro à boleia da Invada Records que chegou aos escaparates Only Now Forever, o sexto registo de originais da carreira dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Liderados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, o núcleo duro do projeto, os The KVB gravaram este Only Now Forever em Berlim, no apartamento que a banda tem nessa cidade alemã, depois de um ano de dois mil e dezasseis particularmente intenso e repleto de concertos.

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Only Now Forever é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e conduzidas por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta a voluptuosa epicidade de Above Us, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de On My Skin e a melodia enleante de Only Now Forever, o tema homónimo do disco, três dos vários momentos altos deste agregado, Only Now Forever está recheado de canções onde os sintetizadores se posicionam numa posição cimeira, mas onde a primazia melódica foi entregue às guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vibrante que nos recorda a importância que este instrumento ainda tem no punk rock mais sombrio que influencia tanto e tão bem esta banda. E há que realçar que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal.

Only Now Forever é mais uma cabal demonstração do modo exemplar como os The KVB são capazes de se insinuar nos nossos ouvidos com uma toada geral de elevado travo orgânico e fazem-no de modo inédito, porque são poucos os projetos contemporâneos que conseguem aliar desta forma a monumentalidade das cordas eletrificadas e da percurssão, com uma abundância de arranjos delicados, quer sintéticos, quer feitos com metais minimalistas. De facto, enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB já balizaram com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Only Now Forever

01. Above Us
02. On My Skin
03. Only Now Forever
04. Afterglow
05. Violet Noon
06. Into Life
07. Live In Fiction
08. Tides
09. No Shelter
10. Cerulean


autor stipe07 às 21:42
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

We Were Promised Jetpacks – The More I Sleep The Less I Dream

Foi no passado dia catorze de setembro que viu a luz do dia The More I Sleep The Less I Dream, o novo registo de originais dos We Were Promised Jetpacks, quarto disco desta banda de indie rock escocesa, natural de Edimburgo e já com década e meia de carreira. O projeto é composto atualmente por Adam Thompson, Michael Palmer, Sean Smith e Darren Lackie e tem apostado, registo após registo, num som que plana entre a experimentação e o psicadelismo e que se mostra cada vez mais maduro e consistente.

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Este projeto começou a sua carreira em 2003 num concurso de bandas de escola e o primeiro disco, These Four Walls, deveu muito do sucesso às músicas que colocou em várias séries de televisão e filmes. Tal facto não alçou os We Were Promised Jetpacks à fama no imediato, mas deixou-os debaixo do olho clinico de muita gente que, como eu, se interessa pela sonoridade tipica do grupo. Foi no segundo disco, In The Pit Of The Stomach, que este coletivo escocês obteve a consagração definitiva junto da crítica e do grande público, uma visibilidade que se cimentou há cerca de quatro anos com Unravelling, o antecessor deste The More I Sleep The Less I Dream, um disco liderado pelas guitarras e onde se escuta canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados.

Um dos factores que vai fazendo elevar a bitola qualitativa dos registos dos We Were Promised Jetpacks é o cada vez mais aturado trabalho de produção, desta vez a cargo de Jonathan Low. Percebe-se, ao longo das dez canções do alinhamento, que nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.

Sendo assim, The More I Sleep The Less I Dream é um registo que pega nas experiências pessoais mais recentes do grupo e nas típicas agruras e peripécias de uma banda que passa bastante tempo em digressão, para incubar um som que, não renegando a instintiva simplicidade que sempre pautou a filosofia interpretativa dos We Were Promised Jetpacks, acaba por representar uma nova fase mais eclética, abrangente e sofisticada no formato sonoro do grupo. Basta escutar a toada negra e intrincada do single Hanging In, as guitarras luminosas de Thompson e Michael em In Light, o sumptuoso exercício percurssivo que alicerçou Impossible e o groove do baixo de Sean, exemplar em Someone Else’s Problem, para perceber uma busca pela construção de hinos de estádio à boa maneira do rock britânico, num disco cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência, aquele que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira no arquipélago de Sua Majestade. Espero que aprecies a sugestão...

We Were Promised Jetpacks - The More I Sleep The Less I Dream

01. Impossible
02. In Light
03. Someone Else’s Problem
04. Make It Easier
05. Hanging In
06. Improbable
07. When I Know More
08. Not Wanted
09. Repeating Patterns
10. The More I Sleep, The Less I Dream


autor stipe07 às 20:44
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Sábado, 15 de Setembro de 2018

Smashing Pumpkins – Silvery Sometimes (Ghosts)

Smashing Pumpkins - Silvery Sometimes (Ghosts)

Billy Corgan continua a tentar que os seus The Smashing Pumpkins, uma banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas, consigam regressar aos bons e velhos tempos. Desta vez, parece-me haver uma maior possibilidade de sucesso porque, além de contar com o guitarrista Jeff Schroeder, colaborador de longa data de Corgan, finalmente conseguiu fazer regressar a casa James Iha e Jimmy Chamberlin, elementos fundamentais no conteúdo dos discos mais emblemáticos da banda, lançados na primeira metade da década de noventa.

Após meses de ensaio, o trio tem vindo a apresentar as suas primeiras amostras em dezoito anos, sendo a mais recente um tema intitulado Silvery Sometimes (Ghosts), canção que deverá fazer parte de Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., um álbum gravado com a ajuda de Rick Rubin e que verá a luz do dia a dezasseis de novembro via Napalm. A canção encaixa de modo assertivo na melhor herança dos The Smashing Pumpkins e mostra que a química afinal pode ainda existir. Confere...


autor stipe07 às 10:59
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2018

Shame - Songs Of Praise

É com genuína mágoa que confesso ter sido já tardiamente que descobri Songs Of Praise, o disco de estreia dos britânicos Shame, um quinteto formado por Eddie Green, Charlie Forbes, Josh Finerty, Sean Coyle-Smith e Charlie Steen, oriundo dos arredores de Londres, abrigado pela chancela da Dead Oceans e que em dez canções oferece-nos um punk rock de primeira água, com um espetro identitário abrangente que, dos The Fall aos Stone Roses, passando pelos Buzzcocks, Ride, os Blur, os Primal Scream, os Joy Division e os mais contemporâneos Parquet Courts ou Interpol, encontra as suas origens no rock psicadélico setentista e no punk da década seguinte e que não renegando algumas caraterísticas essenciais do rock alternativo noventista, também não enjeita abraçar a herança nova iorquina que tentou salvar o rock no início deste século.

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Songs Of Praise foi um dos discos mais comentados pela crítica britânica no início deste ano e a publicação New Musical Express chegou mesmo a dar nota máxima (cem valores) ao seu conteúdo quando publicou a crítica do álbum, um valor incomum e que expressa, de certo modo, a ânsia que existe nesse mercado pela descoberta e posterior garantia de sobrevivência de projetos sonoros que fujam ao apelo radiofónico e que consigam também oferecer ao rock novos fôlegos e heróis. E de facto, para os amantes do género, Songs Of Praise é um disco que merece audição cuidada e que irá, certamente, tornar-se objeto de culto e de devoção durante algum tempo.

Realmente Songs Of Praise está repleto de instantes que impressionam e deliciam. No clima intuitivo e ao mesmo tempo imponente de Dust On Trial, no modo como a bateria e as guitarras se entrelaçam com o baixo em Concrete, no punk direto de Donk, na energia intiuitiva de Lampoon, na riqueza instrumental de Tasteless, canção que cita o lendário Bigby de Trainspotting ou na simplicidade melódica assustadoramente feliz de Friction, talvez os dois temas que melhor homenageiam a britpop no disco e, principalmente, no clima contemplativo e denso de Angie, uma canção que fala de um amor não correspondido que um adolescente sente por alguém que está prestes a suicidar-se, aborve-se até ao tutano uma obra repleta de méritos e de acertadas conexões criativas entre diferentes espetros de um mesmo universo sonoro, que abraça o lado mais negro do amor e as suas habituais agonias, mas também as dores e os medos de quem procura sobreviver nesta típica urbanidade ocidental cada vez mais decadente de valores e referências, a viver o brexit e social e politicamente cada vez mais crispada e bipolarizada.

Songs Of Praise é o reflexo contundente, seco e profuso de um rock de guitarras que emergiu para dias de infinita glória de um canto escuro dos subúrbios de uma problemática Londres e da sua zona sul em parte decadente, um rock que mostra sem medo as suas garras, um rock feito intuitivamente e que não quer dar concessões ao mainstream. Os seus autores são cinco jovens britânicos de gema, rudes e efervescentes, que parecem já ter o seu modus operandi presente e, devido a esta extraordinária estreia, brilhante, madura e refrescante, um futuro devidamente consolidado na primeira linha do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 14:54
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Domingo, 9 de Setembro de 2018

Menace Beach – Black Rainbow Sound

Pouco mais de ano e meio após o excelente Lemon Memory, a dupla Menace Beach de Ryan Needlham e Liza Violet está de regresso aos lançamentos discográficos com Black Rainbow Sound, um compêndio de dez canções que, sendo o terceiro da carreira deste projeto oriundo de Leeds, na Inglaterra, tem tudo para lançar definitivamente o grupo para uma projeção superior que o antecessor e Ratworld, o álbum de estreia, editado no início de dois mil e quinze, têm vindo a prometer e a projetar desde que viram a luz do dia.

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Apesar das origens, os Menace Beach continuam com os ouvidos muito colocados no outro lado do atlântico, continuando a apostar numa sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, mas desta vez também olham com especial atenção para a Europa, com a herança do punk de Manchester e da eletrónica alemã e a própria contemporaneidade de nomes como os Bauhaus, TOY, The Horrors, Spacemen 3 e outros a saltarem ao pensamento do ouvinte mais atento à medida que se escuta este Black Rainbow Sound. E isso sucede porque, desta vez, os Menace Beach oferecem um alinhamento com uma menor crueza lo fi que os registos anteriores, em favor de um som mais elaborado, negro e intrincado, com Black Rainbow Sound, o tema homónimo e que conta com a participação especial de Brix Smith, a mostrar esse lado inédito no grupo, assente numa mistura do sintético com as guitarras, com um nível de psicadelia incomum tendo em conta o historial anterior da banda.

Esta caraterística nova dos Menace Bech, plasmada logo nesse primeiro tema de Black Rainbow Sound e, por sinal o homónimo, serve para o grupo afirmar essa espécie de virar de página, que funciona, neste caso concreto, como um avanço em frente rumo a novos territórios, fruto não só da ânsia de experimentar nvas receitas mas também de provar o amadurecimento e o grau de confiança cada vez maior de uma dupla que percebe que já conseguiu grangear uma bade de fâs sólida e devota e que quer agora alargar o seu espetro sonoro e chegar a outros ouvintes. Os teclados Cósmicos de Satellite e o clima progressivo, negro e rugoso de Crawl In Love, além de abrirem portas para o habitual mundo paralelo feito de guitarras distorcidas governado pela nostalgia do grunge e do punk rock a que os Menace Beach nos habituaram, já não está impregnado por aquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções que era apanágio da dupla, plasmando agora um clima mais adulto, ponderado e, acima de tudo, mais elaborado e amplo.

À medida que Black Rainbow avança notamos, em suma, que as canções dos Menace Beach estão menos simples e diretas e, por isso, mais desafiantes. Se em 8000 Molecules as vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras e pelos efeitos das teclas e se em Hypnotiser Keeps The Ball Rolling há uma demanda por territórios mis viscerais e crus, já em Tongue alguns dos principais ingredientes típicos do grunge e do punk rock direto e preciso também estão presentes, nomeadamente no baixo, mas é mais intrincada e feliz a mistura destes elementos com travos de shoegaze, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o habitual grunge, mas que, honrando a herança desse subgénero do rock alternativo, também não é apenas delírio e pura experimentação sónica, até porque, logo a seguir, em Mutator, os Menace Beach até colocam a própria eletrónica setentista em elevado ponto de mira e em Holy Crow o rock psicadélico típico dessa mesma década.

Caldeirão sonoro contundente e mais elaborado que os dois discos anteriores dos projeto, Black Rainbow Sound coloca os Menace Beach na senda de um clima mais pop, com as guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso, a serem também agora acompanhadas, em termos de protagonismo, por uma vertente sintética, uma nuance nova que dá à banda novos horizontes, sendo o resultado final uma espécie de eletropop rock, neste caso baseado num leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, tudo aliado a um trabalho de exploração experimental pleno de bom gosto, criatividade e consistência. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Black Rainbow Sound

01. Black Rainbow Sound (Featt. Brix Smith)
02. Satellite
03. Crawl In Love
04. Tongue
05. Mutator
06. 8000 Molecules
07. Hypnotiser Keeps The Ball Rolling
08. Holy Crow
09. Watermelon
10. (Like) Rainbow Juice (Feat. Brix Smith)


autor stipe07 às 16:16
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

Spiritualized - And Nothing Hurt

Chegou hoje mesmo aos escaparates e à boleia da Fat Possum And Nothing Hurt, disco que quebra um hiato de seis anos dos britânicos Spiritualized e que sucede ao muito aclamado Sweet Heart Sweet Light, um dos álbuns que mais rodou na nossa redação em 2012. And Nothing Hurt é o oitavo disco da carreira dos Spiritualized e foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do grupo, numa pequena divisão da sua casa, contendo nove canções que, num processo contínuo de tentativa vs erro, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

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Jason Pierce é um eterno insatisfeito e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a um artista que se serve desse eterno incómodo relativamente à sua obra, neste caso musical, para, disco após disco, tentar sempre superar-se e apresentar algo de inédito e que surpreenda os fãs. E no caso específico dos Spiritualized, uma daquelas bandas nada concensuais e, por isso, com seguidores que são, na sua esmagadora maioria, bastante devotos, como é o meu caso, ainda mais exigente se torna para o íntimo deste cantor, poeta e compositor britânico conseguir que esta sua filosofia de vida tenha efeitos práticos e seja bem sucedida. Assim, para Jason Pierce, não deverão haver dúvidas, neste dia em que o disco é finalmente colocado à venda, que And Nothing Hurt é a sua obra-prima, o melhor trabalho do catálogo dos Spiritualized, apesar de conter obras-primas do calibre de Songs In A&E (2008) ou ladies and gentlemen we are floating in space (1997), só para citar dois registos que são verdadeiros icônes sonoros da história da música das últimas duas décadas.

Logo em I'm Your Man, o segundo tema do disco, Jason Pierce expôe este seu modus operandi com ímpar clarividência e, além da o fazer através da letra da canção (I could be faithful, honest and true … dependable all down the line. But if you want wasted, loaded, permanently folded … I’m your man.), também no edifício melódico e instrumental da mesma, coloca todas as fichas em cima da mesa relativamente aquele que é o adn conceptual dos Spiritualized, exímios criadores de canções que assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o notável travo lisérgico, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma.

Este modo de criar acaba por ser transversal num alinhamento particularmente homogéneo, que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, peças montadas e agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurarem as mais básicas tentações pop e onde tudo soa, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. De facto, se nos sopros de I'm Your Man há um calafrio na espinha que não nos deixa duvidar acerca das boas intenções de Pierce, se nas teclas sintetizadas, na bateria frenética e na guitarra agreste de On The Sunshine é possível obtermos uma portentosa tomada de consciência acerca dos nossos maiores atributos e se na delicadeza crescente e progressiva de Let's Dance escuta-se um convite explícito ao optimismo, é na soul da guitarra e no riff do refrão do single Here It Comes (The Road) Let’s Go, que se cerra os punhos (Take the road down to the stream, Be sure to keep your licence clean.) e que se deixa para trás todas as dúvidas acerca da capacidade que este álbum poderá ter para ser uma banda sonora indicada para instantes da nossa existência em que somos desafiados e superar obstáculos que à partida, por falta de coragem, fé e alento, poderiam ser insuperáveis, mas que durante a audição do registo sabem a meros precalçõs ou areias na engrenagem de fácil superação.

Esta capacidade que a música dos Spiritualized tem de fazer-nos sorrir sem razão aparente, de nos conseguir pôr a correr mais depressa, a pensar com mais clarividência e a sentir e a amar com maior arrojo, emoção e intensidade, está, mais uma vez, exemplarmente plasmada neste And Nothing Hurt, um disco onde gospel, rock, country, pop e psicadelia se juntaram mais uma vez para fazer a vontade a Pierce e, pelo menos por alguns meses, deixá-lo descansado, satisfeito e realizado com esta grandiosa e lindíssima obra, que tem tudo e mais alguma coisa para surgir no topo de algumas listas dos melhores registos do ano, lá para dezembro. Espero que aprecies a sugestão...

Spiritualized - And Nothing Hurt

01. A Perfect Miracle
02. I’m Your Man
03. Here It Comes (The Road) Let’s Go
04. Let’s Dance
05. On The Sunshine
06. Damaged
07. The Morning After
08. The Prize
09. Sail On Through

 


autor stipe07 às 16:01
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018

El Ten Eleven - Banker's Hill

Kristian Dunn e Tim Fogarty são a dupla que dá vida ao projeto El Ten Eleven, uma banda com origem em Los Angeles e um nome fundamental do chamado post rock. É uma dupla que desde dois mil e dois vem direcionando o seu processo de criação sonora dentro de uma psicadelia rock ampla, progressiva e elaborada, através de um som firme e definido e onde a bateria e a guitarra assumem uma função de controle simbiótico, nunca se sobrepondo demasiado um instrumento ao outro, com Banker's Hill, o mais recente disco do grupo, a encarnar toda esta trama com elevada bitola qualitativa, através de um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às nove canções do seu alinhamento e que, sendo devidamente degustado, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

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Começa-se a escutar com a merecida devoção Banker's Hill e percebe-se, no imediato, o superior grau de cumplicidade dos dois músicos que esculpem, com denodo, composições que são verdadeiras telas sonoras que exigem demorada contemplação para serem devidamente saboreadas e entendidas, tendo em conta o espetro sonoro que baliza alguns dos cânones fundamentais da história do rock contemporâneo que guiam o percurso musical destes El Ten Eleven.

Assim, logo no ambiente etéreo e imersivo criado pelos riffs planantes da guitarra de Three And A Half High And Rising ficamos esclarecidos acerca da constante omnipresença daquele experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que tem vindo a definir alguns dos nomes fundamentais desse género e que hoje está a ser replicado com enorme sucesso, principalmente do lado de lá do atlântico. Depois, o baixo vincado, a bateria elaborada e a distorção agreste de Phenomenal Problems, assim como a majestosidade das guitarras que conduzem We Don't Have A Sail But We Have A Rudder e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em You Are Enough e o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo de Gyroscopic Precession, além de arrancarem o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas, acabam também por ser, cada tema à sua maneira, um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, provam o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que parece estar sempre em ritmo ascendente e que acaba por ter o seu momento maior, na minha opinião, no tema homónimo, pouco mais de seis minutos de altos e baixos, mudanças ritmicas e melódicas com um travo sempre nostálgico e até, em alguns instantes, algo inquietante, que parece querer retratar fielmente nada mais do que o simples ocaso.

Disco assertivo e onde os El Ten Eleven utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente, Banker's Hill é marcado pela proximidade entre as canções que faz-se de uma instrumentação focada em estruturas técnicas particularmente elaboradas, que ampliam claramente os horizontes e os limites que vão sendo traçados por uma dupla que criou neste alinhamento mais uma fornada de instrumentais que têm tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos do chamado rock experimental. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:08
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