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Cold Showers – 07.13.19 Part Time Punks EP

Sábado, 04.07.20

Desde que teve inicio este período pandémico, a plataforma de divulgação e comércio digital sonoro bandcamp tem colocado em prática, em algumas sextas-feiras, uma iniciativa intitulada Bandcamp Friday Strikes Again, cujo objetivo é ajudar alguns artistas a suportarem melhor as percas que o Covid-19 acabou por provocar na sua vida profissional. O dia três de julho, que terminou há poucos minutos, foi palco de mais um capítulo dessa saga, com nomes como Nadja, Lambchop, Marissa Madler, ou os Cold Showers a publicarem alguns temas, em formato single, album ou EP, nessa plataforma.

Cold Showers – Dais Records

De todos estes nomes e lançamentos, acabou por chamar a atenção desta redação o EP 07.13.19 Part Time Punks, da autoria dos Cold Showers, banda formada há uma década ao sol da Califórnia e que o ano passado nos ofereceu o registo Motionless, que foi considerado o oitavo melhor álbum de dois mil e dezanove para este blogue.

Os cinco temas que fazem parte do alinhamento de 07.13.19 Part Time Punks EP foram gravados ao vivo, na data indicada no título, nos estúdios da rádio KXLU 88.9 FM. Nessa atuação, os Cold Showers misturaram novas versões dos seus singles Shine e Faith, momentos altos de Motionless, dando à efervescência da guitarra que conduz o primeiro e à monumentalidade instrumental e vocal do segundo, uma toada mais orgânica e visceral. Além disso, também revisitaram o clássico da banda Plantlife, incluído no disco Matter Of choice que os Cold Showers editaram em dois mil e quinze e, para rematar, ainda tocaram duas novas versões de Whatever You Want e Only Human, também momentos altos desse tomo com já meia década de vida.

Para quem só contactou com os Cold Showers devido a Motionless, este EP é uma excelente oportunidade para ficar com uma perceção mais ampla das vastas virtudes de um grupo exímio a navegar nas águas efervescentes daquela espécie de meio termo que fica entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia, interpretado de modo simultaneamente nostálgico e luminoso e sempre com elevado cariz progressivo. São cinco canções que firmam a solidez do post punk que trespassa o catálogo do grupo e oferecem ao mesmo um lustro mais pop e um cariz de maior abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Showers - 07.13.19 Part Time Punks

01. Only Human
02. Whatever You Want
03. Shine
04. Plantlife
05. Faith

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publicado por stipe07 às 00:27

Fontaines D.C. – Televised Mind

Quarta-feira, 01.07.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo, intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e a semana passada, como certamente se recordam, foi destaque neste espaço o single homónimo e o tema I Don't Belong, duas amostras que fizeram por cá adivinhar, desde logo, um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Televised Mind, a nova canção que veio a público nas últimas horas do alinhamento de A Hero's Death, confirma e reforça tais impressões. A canção, com o adn típico dos Fontaines D.C., é um convite direto à dança e ao movimento, apelo assente em guitarras combativas e um registo percussivo vibrante e claramente marcado, tema que, de acordo com vocalista dos Fontaines D.C., Grian Chatten, reflete sobre a câmara de eco e como a personalidade é arrancada pela aprovação circundante. As opiniões das pessoas são reforçadas por um acordo constante e somos roubados da nossa capacidade de nos sentirmos errados. Nunca recebemos realmente a educação de nossa própria falibilidade. As pessoas fingem estas grandes crenças para parecerem modernas, em vez de chegarem independentemente aos seus próprios pensamentos.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

Fontaines D.C. - Televised Mind

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publicado por stipe07 às 11:15

The Killers – My Own Soul’s Warning

Quinta-feira, 18.06.20

The Killers - My Own Soul's Warning

Continuam a ser revelados mais detalhes de Imploding The Mirage, o sexto registo de originais dos The Killers, que tinha edição prevista para o final do passado mês de maio, mas que só verá a luz do dia mais adiante, ainda sem data indicada, por dificuldades e atrasos na conclusão do disco, de acordo com a própria banda liderada por Brandon Flowers. Produzido por Jonathan Rado e Shawn Everett, Imploding The Mirage irá contar com participações especiais de nomes tão proeminentes como Weyes Blood, K.D. Lang, Adam Granduciel, Blake Mills e Lucius, além de Lindsey Buckingham, que teve uma aparição vocal relevante em Caution, o primeiro single revelado do alinhamento do álbum, há algumas semanas. Recordo que Fire In Bone, o segundo single extraído do disco e que foi divulgado neste espaço, chegou aos nossos ouvido no ocaso de abril último.

Agora, no final desta imprecisa primavera, acaba de ser revelado o conteúdo de My Own Soul’s Warning, o terceiro single extraído de Imploding The Mirage, uma daquelas típicas canções de rock de arena, majestosa e teatral, assente numa guitarra efusiante, um registo percurssivo vincado e efeitos sintetizados plenos de charme, num resultado final melodicamente marcante e que se debruça sobre as típicas lutas que muitas vezes travamos no nosso íntimo (If you could see through the banner of the sun, Into eternity’s eyes, Like a vision reaching down to you, Would you turn away?). Confere...

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publicado por stipe07 às 10:52

Nothing – GEORGE (A Live Part Time Punks Session, Los Angeles 12.07.2019) EP

Quinta-feira, 04.06.20

Editado em dois mil e catoze, Guilty of Everything foi o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo nesse primeiro disco clarificou deambular entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral. Após essa estreia, o grupo foi, com mais dois registos no catálogo, Tired Of Tomorrow e Dancing On The Blacktoop, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line, oferecendo, a quem os quisesse ouvir, o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.

Music: Nothing: 'George' (A Part Time Punks Session) | Punknews.org

Instrumentalmente muito rico, GEORGE (A Live Part Time Punks Session, Los Angeles 12.07.2019), o novo EP dos Nothing, é mais um documento essencial para se perceber a progressão do quarteto, um alinhamento de quatro temas, nos quais se inclui uma versão do clássico Sex And Candy, de Marcy’s Playground, em que apesar da primazia das guitarras, também conta com algumas sintetizações que conferem ao som do EP uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que ajuda a amenizar o cariz mais sombrio do rock que replicam quer em Zero Day, quer em (HOPE) Is Another Word With A Hole In It.

A voz é um dos detalhes mais assertivos do EP; Ela sopra na nossa mente e envolve-nos com uma toada emotiva e delicada, contrastante com a rudeza das distorções, provocando, apesar do ruido sombrio das guitarras, um cocktail delicioso de boas sensações. Geralmente em reverb, numa postura claramente lo fi, ela é uma consequência lógica das opções sonoras do grupo e um elemento importante para criar o ambiente soturno e melancólico pretendido.

EP com forte cariz social, bastente atual e claramente de intervenção, GEORGE (A Live Part Time Punks Session, Los Angeles 12.07.2019), contém um certo charme vintage que busca o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o indie rock com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com os punhos cerrados e a apelar ao nosso lado mais selvagem e cru. Espero que aprecies a sugestão...

Nothing - GEORGE (A Live Part Time Punks Session, Los Angeles 12.07.2019)

01. Zero Day
02. (HOPE) Is Another Word With A Hole In It
03. The Dead Are Dumb
04. Sex And Candy (Originally By Marcy’s Playground)

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publicado por stipe07 às 11:45

Everything Everything – Arch Enemy

Segunda-feira, 25.05.20

Everything Everything - Arch Enemy

O art rock crescente e explosivo dos britânicos Everything Everything, está de regresso neste verão com Re-Animator, o novo trabalho da banda de Jonathan Higgs, que chega às lojas no dia vinte e um  de agosto.

Do alinhamento do quinto registo do grupo oriundo de Manchester, acaba de ser retirado o single Arch Enemy, uma composição que tem, curiosamente, uma vibe orgânica bastante vincada, nomeadamente no modo exemplar como a bateria conduz o tema e lhe induz uma cadência e um groove deliciosos, mesmo quando guitarras e torrentes sintetizadas tomam conta da canção, principalmente durante o refrão. O resultado final é um rodopio eletrificado, carimbado por uma espécie de anarquia estrutural minuciosamente planeada e pelo falsete único de Higgs. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:38

Happyness – Floatr

Sexta-feira, 08.05.20

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, incubado por um dos projetos mais subestimados da indie britânica e que após um aclamado EP homónimo editado em dois mil e treze, se estreou nos lançamentos no verão de dois mil e quinze com Weird Little Birthday, uma notável estreia que teve seguimento em Write In, dois anos depois, um registo com rara beleza, sobriedade e sensibilidade. Agora, mantendo a cadência de lançamentos, os Happyness brindam-nos com este Floatr, uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente e que se alimenta, essencialmente, da cadência de guitarras acústicas e eletrificadas, domadas com uma elevada toada experimental.

Happyness review, Floatr: Band explore what motivates us through ...

É, portanto, e como se percebe logo em title track, na deliciosa oscilação entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, que navegamos em Floatr, um disco em que estas mesmas cordas também oferecem ao baixo interessante protagonismo, evidente logo de seguida, em  Milk Float, instrumento que sustenta as diferentes variações rítmicas do tema, mas também os refrões esplendorosos de canções como Vegetable, uma daquelas composições que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental, ou Och (yup), tema frenético e abrasivo, com um forte cariz político e muito marcado pelo brexit.

O indispensável equilíbrio que oferece ao disco abrangência e heterogeneidade, como se exige a projetos que pretendam abraçar uma vasta multiplicidade de públicos sem perderem o seu adn alternativo, está bem vincado na delicadeza da bateria e no efeito metálico de Bothsidesing, na astuta sensibilidade do piano que conduz When I’m Far Away (From You), e nos diferentes arranjos orquestrais que contornam as teclas, assim como na contemplativa e luminosa acusticidade de Undone, que é depois trespassada por uma vigorosa trama orquestral feita dos melhores ingredients da pop contemporânea, uma das composições melodicamente mais felizes de Floatr

Este novo álbum dos Happyness é, sem sombra de dúvida, uma das surpresas mais refrescantes e animadoras deste início de primavera, um registo que atesta a ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância, enquanto encarna uma  fantástica viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Quem escutar este registo e não desejar ardentemente ser uma drag queen nem que seja só por um dia, não captou a plenitude da sua essência libertadora. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Floatr

01. Title Track
02. Milk Float
03. When I’m Far Away (From You)
04. Vegetable
05. What Isn’t Nurture
06. Bothsidesing
07. Undone
08. Anvil Bitch
09. Ouch (yup)
10. (I Kissed The Smile On Your Face)
11. Seeing Eye Dog

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publicado por stipe07 às 10:44

Psychic Ills – Never Learn Not To Love vs Cease To Exist

Quinta-feira, 09.04.20

Os mais atentos ao universo sonoro indie e alternativo terão certamente ficado transtornados com o súbito desaparecimento na passada semana, aos quarenta e um anos, de Tres Warren, líder dos norte-americanos Psychic Ills, uma das mais curiosas apostas do catálogo da Sacred Bones Records. Oriundos da big apple, divagavam, desde dois mil e três, por um universo de explorações sonoras que criam pontos de interseção seguros e estreitos entre eletrónicarock ambiental e rock progressivo, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação, como se percebeu em Inner Journey Out, o quinto disco do grupo, editado em dois mil e dezasseis e que ficou em décimo primeiro lugar dos vinte melhores trabalhos discográficos desse ano para a nossa redação.

Sacred Bones edita novo 7'' dos Psychic Ills depois da morte do ...

Warren foi sempre um artista muito profícuo. No momento da sua morte já trabalhava em novas canções e preparava-se para entrar em estúdio com Helizabeth Hart, a sua companheira de sempre nos Psychic Ills, para gravar o sucessor de Inner Journey Out, o sexto e novo registo da dupla, que deveria ver a luz do dia no ocaso do presente ano de dois mil e vinte.

Infeizmente Warren não teve tempo de gravar esse disco, mas tinha já trabalhado com Hart num par de covers, os temas Never Learn Not To Love e Cease To Exist, que são, curiosamente, duas roupagens diferentes de um mesmo original. A canção Never Learn Not To Love foi gravada no final de mil novecentos e sessenta e oito pelos Beach Boys e creditada por Dennis Wilson, sendo ela própria já uma versão de Cease To Exist, original da autoria de Charles Manson, que faria parte do alinhmento do seu registo de estreia, Lie: The Love and Terror Cult, editado em março de mil novecentos e setenta.

As duas canções acabam então de ganhar uma nova vida através desta dupla Psychic Ills e tal sucede de um prisma bem diferente. Enquanto a primeira foi adornada através de um exercício de rock psicadélico com um ritmo efusiante, marcado pelo baixo rugoso e pelo compasso de uma bateria intransigente nos tempos e que se vai deixando enlear por uma distorção de guitarra a espumar aquele blues tipicamente americano até ao tutano, já Cease To Exist mereceu um toque de lustro que exala uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso. Confere...

Psychic Ills - Never Learn Not To Love - Cease To Exist

01. Never Learn Not To Love
02. Cease To Exist

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publicado por stipe07 às 14:06

Happyness – Ouch (yup)

Segunda-feira, 06.04.20

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, de onde já foram retirados três singles. De facto, Ouch (yup) é já o terceiro tema extraído do registo, depois de Vegetable e Seeing Eye Dog e mais um belo prenúncio do conteúdo do terceiro álbum do grupo, que chegará aos escaparates no primeiro dia do próximo mês de maio.

Happyness preview new album with third single “Ouch (Yup)”

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Ouch (yup) é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo desta canção, com um forte cariz político e muito marcada pelo brexit, acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:44

Deap Lips - Deap Lips

Quarta-feira, 18.03.20

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Resultado de imagem para Deap Lips - Deap Lips

Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:18

Vundabar – Either Light

Domingo, 15.03.20

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records e bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, interpretada pelo malogrado ator James Gandolfini.

Resultado de imagem para Vundabar Either Light

De facto, estes Vundabar têm chamado a atenção da crítica e já foram alvo de algumas nomeações e artigos relevantes, mas a verdade é que nunca conseguiram fugir do universo mais underground e alternativo. No entanto, têm agora um trunfo de elevada valia paa chegarem à primeira divisão do indie rock, este trabalho intitulado Either Light, onze composições buriladas a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem a este cardápio de canções uma indesmentível toada pop.

Logo a abrir, o baixo de Out Of It e o modo como se alia a variações rítmicas, um refrão intenso e um efeito de guitarra metálico condutor das base melódica, são detalhes cósmicos inebriantes que merecem, por si só, a audição deste álbum, numa composição que pisca o olho com languidez ao melhor cardápio da pop atual. Depois, o hipnotico frenesim de Burned Off, a delicadeza da oitocentista Codeine, o charme único de Petty Crime, uma curiosa ode strokiana e os arranjos envolventes e sofisticados da sensibilidade melódica muito aprazível de Easyer, composição que intercala uma excelente interpretação vocal de Hagen com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, nomeadamente a bateria e a guitarra, são instantes que impressionam pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentam, quer estas quer as outras canções do registo, onde não faltam alguns arranjos claramente jazzísticos e o tal falsete vocal num registo em falsete, com um certo reverb que acentua o charme rugoso da mesma.

Dicso repleto de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, Either Light envolve-se, no seu todo, por uma pulsão rítmica ímpar, sendo um álbum consistente, carregado de referências assertivas, que também impressiona pela cadência frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, sendo, de certeza, um dos grandes lançamentos deste primeiro trimestre de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Vundabar - Either Light

01. Out Of It
02. Burned Off
03. Codeine
04. Petty Crime
05. Easier
06. Never Call
07. Montage Music
08. Jester
09. Paid For
10. Other Flowers
11. Wax Face

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publicado por stipe07 às 20:38






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