music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, os The 1975 de Matt Healy preparam-se para uma verdadeira inflexão sonora à boleia deNotes On A Conditional Form, o ábum que o grupo britânico se prepara para lançar no início do próximo ano.
É possível fazer essa constatação à boleia de People, o primeiro single revelado de Notes On A Conditional Form, uma contundente e tenebrosa canção, que traçando uma linha reta entre a herança de nomes tão proeminentes do metal como os Rammstein ou os Marilyn Manson, nos oferece quase três minutos de um punk rock direto e cru, sólido, vibrante e efusivo. Tematicamente, People volta a ser uma montra da habitual propensão dos The 1975 para a crítica contundente acerca do estado atual do mundo em que vivemos, com a política, o terrorismo, as questões ambientais e a religião a serem abordadas na canção. Confere...
Um dos nomes míticos do catálogo da Tapete Records são os Stereo Total, dupla que começou a fazer música antes da internet existir, antes do Euro, antes da Alemanha se reunir e antes ainda de haver bandas ou músicas. Aliás, pelo andar da carruagem, os Stereo Total provavelmente ainda estarão a tocar quando tudo isso for consignado ao lixo da história. O grupo é composto por Françoise Cactus, também apresentadora de rádio e Brezel Göring, um homem cuja escolha do nome artístico foi motivada pelo desejo de não ser levado a sério pela música e pelos escribas.
Quando começaram a fazer música juntos, os Stereo Total tinham como missão romper as regras, desestabilizar as ideias e sarcasticamente repelir amantes sérios de música enquanto os chocam com uma engenharia de som muito abaixo dos padrões dos ouvintes do mainstream. Ah! Quel Cinéma!, o novo álbum da dupla e décimo segundo da carreira dos Stereo Total, é um descendente fiel de toda uma linhagem de discos que têm reforçado a já mítica propensão deste projeto para o jogo de palavras, mesmo que tal desiderato não esteja em evidência em todas as letras que apresentam. Sendo um álbum com não um, mas dois pontos de exclamação no título, aprimora ainda mais essa caraterística única da dupla, com temas como lesões pessoais (Ich bin cool), traição (Mes copines), deficiências de personalidade provocadas pelo abuso de drogas (Methedrine), raiva (Hass-Satellit) opiniões inflamadas de si próprio (Brezel says), suicídio (Le Spleen), luto (Dancing with a memory) e almas atormentadas (Elektroschocktherapie) a serem apresentadas em formato panorâmico e, muitas vezes, da forma mais divertida possível.
Musicalmente, Ah! Quel Cinéma! acaba por ser de difícil catalogação e esse é, naturalmente, um dos principais elogios que se pode fazer ao panorama geral criado pelas suas catorze composições. Se álbuns anteriores dos Stereo Total ressoaram com influências de chanson, trash, disco para punk, rock'n'roll e NDW (New Wave alemão), Ah! Quel Cinéma! tem como grande enfoque uma espécie de rock de garagem Lo Fi, trespassado por uma eletrónica sagaz que não descura uma forte toada orgânica e sensitiva, assente numa vasta gama instrumental de instrumentos mais propensos a serem encontrados nas mãos de crianças em lares onde uma educação musical não está na agenda. Um órgão de plástico de bébé, um piano de brincar, acompanhado por guitarras caseiras e um Casio adquirido numa feira em segunda mão, são alguns dos exemplos dessa pafernália. Nela, cada instrumento musical provavelmente poderia ser traduzido em coordenadas sociais e, nesse sentido, as ferramentas do comércio de Stereo Total falam uma linguagem inequívoca. Espero que aprecies a sugestão...
Cinco anos depois de Turn Blue, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney está de regresso em dois mil e dezanove com um novo disco, o nono da carreira do projeto, um registo intitulado Let´s Rock e que viu a luz do dia a vinte e oito de junho pela Easy Eye Sound em parceira com a Nonesuch Records. As doze canções de Let's Rock recolocam a dupla norte-americana nos eixos, depois da intensa digressão de promoção a Turn Blue ter feito com que Dan e Patrick entrassem num período relacional entre ambos bastante complicado que acabou por provocar uma pausa no projeto, finalmente quebrada.
Logo no riff efusivo da guitarra que ornamenta o refrão de Shine A Little Light e das inflexões rítmicas do tema, percebe-se que os The Black Keys quiseram neste Let's rock regressar um pouco às origens, depois de em Turn Blue terem perdido alguma potência, apesar do upgrade de charme e da nova personalidade que alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais longe do rock de garagem e mais perto da psicadelia, conferiram à época ao projeto.
De facto, Let's Rock é um vigoroso mas feliz retrocesso, um regresso saudável aquela especie de blues rock minimal puro e duro, tão bem expresso no solo da guitarra e nas pandeiretas de Eagle Birds, mas também no carisma, na vibração, na potência de Lo/Hi, uma canção com um groove intenso e pleno de soul, conduzida por uma guitarra mais perto do que nunca do punk rock de garagem. Depois, a divertida e irónica Go, a vibrante Get Yourself Together, o elevado charme da balada Walk Across The Water e o travo funk de Tell Me Lies esclarecem-nos acerca da manutenção da elevada alquimia entre Dan e Patrick, num disco com uma vertente orgânica bem vincada e em que esta dupla de Nashville também apostou em letras simples e diretas.
Disco intenso e com aquele brilho discreto que carateriza a douradoura consistência de uns The Black Keys de volta ao melhor rock independente e clássico, Let's Rock confirma aquela máxima que todos conhecemos que o melhor de uma zanga entre duas pessoas apaixonadas é mesmo o momento da reconciliação. Espero que aprecies a sugestão...
01. Shine A Little Light 02. Eagle Birds 03. Lo/Hi 04. Walk Across The Water 05. Tell Me Lies 06. Every Little Thing 07. Get Yourself Together 08. Sit Around And Miss You 09. Go 10. Breaking Down 11. Under The Gun 12. Fire Walk With Me
Já considerados, com toda a justiça, míticos mestres do indie rock psicadélico, os britânicos Clinic de Ade Blackburn, Hartley, Brian Campbell e Carl Turney, têm uma inquestionável carreira de mais de duas décadas aos ombros, alicerçada num modo muito peculiar e sui generis e até quase marginal de criar música e de a expôr ao grande público, fazendo-o sempre com uma elevada dose de sarcasmo e de fina ironia.
Wheeltappers and Shunters, o novo disco deste projeto oriundo de Liverpool, editado a dez de maio pela Domino Records, gravado na cidade natal da banda e misturado por Dilip Harris, chega sete anos depois do escelente registo Free Reign e, ao contrário do antecessor, que contou com a colaboração do músico e produtor norte-americano Daniel Lopatin, mentor do projeto Oneohtrix Point Never e que estava recehado com algumas canções de longa duração e particularmente intrincadas, é um trabalho de curta duração, com doze temas sempre abaixo dos três minutos mas, nem por isso, menos majestoso, cósmico e experimentalista que esse Free Reign.
Oitavo álbum do grupo, Wheeltappers and Shunters tem o seu nome inspirado num programa de variedades dos anos setenta e que satirizava de modo contundente a sociedade britânica desse tempo. Movendo-se nas areias movediças de uma psicadelia lisérgica particularmente narcótica, estes Clinic são ricos no modo como utilizam uma hipnótica subtileza, assente, essencialmente, na dicotómica e simbiótica relação entre o fuzz da guitarra e vários efeitos sintetizados arrojados, com uma voz peculiar e muitas vezes manipulada a rematar este ménage, que fica logo tão bem expresso no clima corrosivo e incisivo de Laughing Cavalier. É uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e bem humoradas e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie e renove com indiscutível contemporaneidade o já rico catálogo destes verdadeiros mestres do punk rock experimental, que começou a ser listado em dois mil com o extraordinário Internal Wrangler, já depois de três promissores eps terem deixado a crítica em sobressalto no ano anterior.
Já perfeitamente identificados com o modus operandi dos Clinic que vai trespassar o resto do alinhamento do disco, em Complex, com a passagem de uma batida seca e um efeito no teclado algo cínico e acompanhado por um flash e um rugoso e cru riff de guitarra, percebe-se uma saudável insolência, insinuando-se um clima punk que pisa um terreno bastante experimental e que, algures entre os Liars e os The Flaming Lips, é banhado por uma psicadelia ampla e elaborada, sem descurar um lado íntimo e resguardado, que dá, não só a esta canção, mas a todo um disco, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo.
A tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Se a rebeldia que exala da crueza percurssiva e dos efeitos e samples que adornam a ríspida Rubber Bullets, se as nuances mais translúcidas do clima western spaghetti de Ferryboat Of The Mind, se o travo grunge de Rejoice! e o frio e contemplativo efeito planante que abraça a batida deMirage mostram-nos que este é um registo onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demasiado aos restantes, evitando a todo momento que o alinhamento desande, apesar das batidas e das teclas mostrarem uma constante omnipresença, já a aparente toada jazzística que define o baixo e a bateria de Flying Fish e o travo sensual ecoante e esvoaçante de Congratulations, uma ode majestosa ao rock experimental setentista, fazem o contraponto num disco que sem nunca descurar a faceta algo obscura e misteriosa que estes Clinic apreciam radiar, também contém momentos de inegável destreza melódica, esculpida com superior criatividade e bom gosto.
Em suma, a receita que os Clinic assumiram em Wheeltappers And Shunters arrancou do seio do grupo o melhor alinhamento que apresentaram até hoje, expresso em doze canções que exaltaram o superior quilate de cada intérprete. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas e se bases suaves sintetizadas, acompanhadas de batidas, cruzam-se com o baixo, também num piscar de olhos insinuante a um krautrock, já o constante enganador minimalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa, dividida entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela cidade que acaba de se sagrar com toda a justiça campeã europeia. Espero que aprecies a sugestão...
01. Laughing Cavalier 02. Complex 03. Rubber Bullets 04. Tiger 05. Ferryboat Of The Mind 06. Mirage 07. D.I.S.C.I.P.L.E. 08. Flying Fish 09. Be Yourself / Year Of The Sadist 10. Congratulations 11. Rejoice! 12. New Equations (At The Copacabana)
Depois de terem reeditado há pouco mais de um ano Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Tó Jó e Hugo Lemos, estão de regresso aos originais com Stand Up And Fight, treze novos temas que contam algumas participações especiais, como é o caso de Lex Thunder (Midnight Priest, Toxikull) e Inês Menezes (Albert Fish, ex-Asfixia, ex-Nostragamus), entre outras e que foi gravado e produzido pela banda no seu próprio estúdio no final do ano transacto.
Em Stand Up And Fight os Booby Trap consolidam a elevada bitola qualitativa de um grupo que está hoje na linha da frente na defesa de um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.
Os Booby Trap estão, claramente, no apogeu de um percurso que foi sendo calcorreado a pulso, com momentos altos e outros menos efusivos, mas a verdade é que hoje, quase três décadas depois do pontapé de saída com o mítico registo Brutal Intervention, estão bem vivos e em condições de se assumirem como porta estandartes nacionais de um movimento musical que tem como uma das suas maiores valências, o facto de ser seguido por legiões de fãs bastante devotos e que sugam até ao tutano canções com uma personalidade e uma amplitude sonora mais agressiva do que o habitual, no bom sentido.
Um grande passo em frente que a banda dá neste disco relativamente ao cardápio discográfico anterior é a inserção de alguns detalhes e elementos técnicos inéditos. Logo nas sirenes, na percurssão marcante e na guitarra imponente e lasciva que introduz o tema homónimo do disco, asim como no timbre vocal com um sotaque intenso e pronunciado e num tom que sustenta o seu charme e, principalmente, na coerente tonalidade do mesmo em relação à melodia, percebe-se que estes fantásticos atributos justificam, por si só, a tal catalogação dos Booby Trap como estando no seu melhor momento de sempre. Depois, o clima garage punk de Set The World On Fire, puro, vibrante e feito sem amarras e concessões, sujo e distorcido e carregado de sentimento e emoção latente e a toada mais progressiva da guitarra e uma maior omnipresença do baixo em Big Disgrace, uma composição feita de avanços e recuos particularmente lascivos, cativam definitivamente o ouvinte para um registo orelhudo, feito com uma filosofia instrumental rugosa mas que inflama distorções verdadeiramente inebriantes e que aprofundam, à medida que o alinhamento avança, o exuberante sentimento de exclamação inicial que o tema homónimo continha e que nunca mais abandona o ouvinte dedicado, porque essa energia vai ser uma constante em Stand Up And Fight, até ao ocaso de um alinhamento que coloca a nú as grandes virtudes instrumentais da banda, enfatizadas nos efeitos das cordas eletrificadas e no modo como se encadeiam com mudanças de ritmo e como as letras e as rimas se colam às melodias, ganhando vida e flutuando com notável precisão pelo limbo sentimental que transborda das canções. A própria voz do Pedro, além de manter as caraterísticas acima descritas com enorme vigor até ao final, consegue sempre variar o volume de acordo com a componente instrumental, nunca havendo uma sobreposição pouco recomendável de qualquer uma das partes ao longo das canções, como se exige em registos onde predominam temas curtos, crus, sujos e diretos, mas vigorosos, emocionados e sentidos, como é o caso.
Em suma, os Booby Trap sabem muito bem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas destes temas, com os riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente monumental, comprime tudo aquilo que sonoramente seduz este grupo aveirense em algo genuíno e com uma identidade muito própria.
Importa ainda referir que a capa ficou mais uma vez a cargo do aveirense Deivis Tavares e, segundo Pedro Junqueiro, vocalista da banda, tem a intenção de transmitir aquele sentimento de luta contra o sedentarismo instituído, contra tudo aquilo que nos oprime mas que a letargia e comodismo dos tempos modernos não nos faz levantar o cu do sofá e lutar pelo que é nosso por direito. Espero que aprecies a sugestão...
1 - Stand Up And Fight 2 - Set The World On Fire 3 - Big Disgrace 4 - O Bom, O Mau E O Filho Da Puta 5 - Fuckers 6 - A Message Of Love 7 - Spiders 8 - Full Of Shit 9 - I'd Rather See You Dead 10 - Psycho Trap 11 - Alcohol 12- Bombing For Oil 13 - The Ritual
Ativos desde mil novecentos e sessenta e dois, os britânicos The Rolling Stones de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Brian Jones, são uma das bandas fundamentais e mais bem sucedidas da história da música e um ícone da cultura pop, não só contemporânea, mas também, naturalmente, do último meio século. Ainda ativos, sempre prontos a ir para a estrada e em estúdio a preparar um novo registo de originais que poderá muito bem ver a luz do dia ainda este ano, apesar dos recentes problemas de saúde de Jagger, os Rolling Stones acabam de editar Honk, uma obra que reune, em dois discos, os maiores sucessos do grupo.
Honk contém trinta e seis composições e nelas é atualizada toda a história discográfica do grupo britânico, desde clássicos da década de sessenta e de setenta como Start Me Up, Brown Sugar e Rocks Off, até Angie e Rock And A Hard Place, temas de final do século passado, assim como algumas composições presentes em Blue & Lonesome, o disco que o grupo lançou há quase três anos e que venceu um Grammy em dois mil e dezasseis.
A versão deluxe de Honk inclui um terceiro disco com dez composições gravadas ao vivo em digressões recentes dos The Rolling Stones. Entre elas estão Dead flowers, Bitche Wild Horses, que contam com as participações de Brad Paisley, Dave Grohl e Florence Welch respectivamente. Confere...
CD 1 01. Start Me Up (Remastered) 02. Brown Sugar 03. Rocks Off 04. Miss You 05. Tumbling Dice 06. Just Your Fool 07. Wild Horses 08. Fool To Cry 09. Angie 10. Beast Of Burden 11. Hot Stuff 12. It’s Only Rock’n’Roll (But I Like It) 13. Rock And A Hard Place 14. Doom And Gloom 15. Love Is Strong 16. Mixed Emotions 17. Don’t Stop 18. Ride ‘Em On Down
CD 2 01. Bitch 02. Harlem Shuffle 03. Hate To See You Go 04. Rough Justice 05. Happy 06. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker) 07. One More Shot 08. Respectable 09. You Got Me Rocking 10. Rain Fall Down 11. Dancing With Mr. D 12. Undercover (Of The Night) 13. Emotional Rescue 14. Waiting On A Friend 15. Saint Of Me 16. Out Of Control 17. Streets Of Love 18. Out Of Tears
CD 3 01. Get Off Of My Cloud (Live At Principality Stadium, Cardiff) 02. Dancing With Mr. D (Live At The Gelredome, Arnhem) 03. Beast Of Burden (Feat. Ed Sheeran) (Live At Arrowhead Stadium, Kansas) 04. She’s A Rainbow (Live At U Arena, Paris) 05. Wild Horses (Feat. Florence Welch) (Live At London Stadium) 06. Let’s Spend The Night Together (Live At Manchester Evening News Arena) 07. Dead Flowers (Feat. Brad Paisley) (Live At Wells Fargo Center, Philadelphia) 08. Shine A Light (Live At ArenA, Amsterdam) 09. Under My Thumb (Live At London Stadium) 10. Bitch (Feat. Dave Grohl) (Live At The Honda Center, Anaheim)
Õs canadianos Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um projeto que terminou a carreira há alguns anos mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material foi o registo discográfico que deu o pontapé de saída a esta nova vida do projeto no início da última primavera, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.
Agora, pouco mais de meio ano depois de New Material, os Preoccupations preparam-se para ir para a estrada na América do Norte com os Protomartyr, uma banda de pós-punk norte americana formada há já uma década em Detroit e que conta com Joe Casey nas vozes, Greg Ahee na guitarra, Alex Leonard na bateria e Scott Davidson no baixo. Para comemorar este avanço em conjunto para os palcos, os dois grupos resolveram editar uma cover de ambos, disponível digitalmente e num single em vinil de sete polegadas, este último via Domino Records e com o título Telemetry At Howe Bridge. Assim, se os Protomartyr gravaram uma cover de Forbidden, um tema dos Preoccupations disponível no lado b desta edição, no lado a está Pontiac 87, um original dos Protomartyr que os Preoccupations revisitaram através de um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária. Confere...
Sebastian Murphy, Benjamin Vallé, Tor Sjödén, Henrik Höckert e Martin Ehrencrona são os Viagra Boys, um coletivo sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de surpreender os mais incautos com Street Worms, nove canções assentes num indie rock encorpado, volumoso e efusivo, que mistura baixo e guitarras com batidas sintetizadas e aproxima o projeto não só de uma sonoridade eminentemente punk, mas também daquele garage rock cru, sujo e vibrante que fez escola há duas e três décadas atrás nos dois lados do Atlântico.
Street Worms é um banquete de melodias repletas de momentos de glória e celebração, onde letras e voz, se cruzam com uma vasta miríade instrumental para dissertar com particular acidez e ironia sobre um conservadorismo que vai tomando cada vez mais conta da nossa urbanidade ocidental mais elitista, que não tem sabido muito bem como reagir ao saudável crescimento da importância das minorias e do medo que esse movimento, que tem também cada vez mais força na internet, acaba por provocar nas esferas dominantes pouco dispostas a repartir o pão que têm absorvido apenas e só para si, há já várias décadas. E os Viagra Boys parecem dispostos a levar o seu garage rock nessa direção eminentemente intervencionista, fazendo-o com assinalável mestria dançavel e psicadélica, quer no sintético groove negro de Down In The Basement, mas também no aditivo refrão da irónica masculinidade de Sports, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som do quinteto no pós punk de Just Like You e ainda no modo inédito como o saxofone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta Slow Learner, canção que espraia-se nos nossos ouvidos e nos faz vibrar de alto a baixo com particular languidez.
Street Worms é um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora que a que habitual se escuta por baixo da bola de espelhos, vinda de uma Suécia que é país modelo no acolhimento de refugiados, mas também um território fértil em convulsões e pátria de uma das extremas direitas mais ativas e violentas da Europa. A música dos Viagra Boys, uma banda que do nome à performance algo descontraída e espontânea parece não querer ser levada demasiado a sério, mas que tem o firme controle sobre aquilo que defende e pretende instigar no ouvinte, tem esse elan teatral trágico comediante, esse sabor a crítica e a chamada de alerta para um fenómeno de resistência e repulsa aos movimentos migratórios que tem vindo a ganhar repercurssões particularmente alarmantes nos países nórdicos e que pouco tem de parodiante ou que seja passível de ser objeto de ligeiro sarcasmo. The same worms that eat me/Will someday eat you, too, assim termina no sinistro negrume de Worms, um disco que quer, no fundo, mostrar-nos que, mais tarde ou mais cedo, acabamos por ser todos iguais. Espero que aprecies a sugestão...
Foi no passado dia catorze de setembro que viu a luz do dia The More I Sleep The Less I Dream, o novo registo de originais dos We Were Promised Jetpacks, quarto disco desta banda de indie rock escocesa, natural de Edimburgo e já com década e meia de carreira. O projeto é composto atualmente por Adam Thompson, Michael Palmer, Sean Smith e Darren Lackie e tem apostado, registo após registo, num som que plana entre a experimentação e o psicadelismo e que se mostra cada vez mais maduro e consistente.
Este projeto começou a sua carreira em 2003 num concurso de bandas de escola e o primeiro disco, These Four Walls, deveu muito do sucesso às músicas que colocou em várias séries de televisão e filmes. Tal facto não alçou os We Were Promised Jetpacks à fama no imediato, mas deixou-os debaixo do olho clinico de muita gente que, como eu, se interessa pela sonoridade tipica do grupo. Foi no segundo disco,In The Pit Of The Stomach, que este coletivo escocês obteve a consagração definitiva junto da crítica e do grande público, uma visibilidade que se cimentou há cerca de quatro anos com Unravelling, o antecessor deste The More I Sleep The Less I Dream, um disco liderado pelas guitarras e onde se escuta canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados.
Um dos factores que vai fazendo elevar a bitola qualitativa dos registos dos We Were Promised Jetpacks é o cada vez mais aturado trabalho de produção, desta vez a cargo de Jonathan Low. Percebe-se, ao longo das dez canções do alinhamento, que nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.
Sendo assim, The More I Sleep The Less I Dream é um registo que pega nas experiências pessoais mais recentes do grupo e nas típicas agruras e peripécias de uma banda que passa bastante tempo em digressão, para incubar um som que, não renegando a instintiva simplicidade que sempre pautou a filosofia interpretativa dos We Were Promised Jetpacks, acaba por representar uma nova fase mais eclética, abrangente e sofisticada no formato sonoro do grupo. Basta escutar a toada negra e intrincada do single Hanging In, as guitarras luminosas de Thompson e Michael em In Light, o sumptuoso exercício percurssivo que alicerçou Impossible e o groove do baixo de Sean, exemplar em Someone Else’s Problem, para perceber uma busca pela construção de hinos de estádio à boa maneira do rock britânico, num disco cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência, aquele que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira no arquipélago de Sua Majestade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Impossible 02. In Light 03. Someone Else’s Problem 04. Make It Easier 05. Hanging In 06. Improbable 07. When I Know More 08. Not Wanted 09. Repeating Patterns 10. The More I Sleep, The Less I Dream
Kristian Dunn e Tim Fogarty são a dupla que dá vida ao projeto El Ten Eleven, uma banda com origem em Los Angeles e um nome fundamental do chamado post rock. É uma dupla que desde dois mil e dois vem direcionando o seu processo de criação sonora dentro de uma psicadelia rock ampla, progressiva e elaborada, através de um som firme e definido e onde a bateria e a guitarra assumem uma função de controle simbiótico, nunca se sobrepondo demasiado um instrumento ao outro, com Banker's Hill, o mais recente disco do grupo, a encarnar toda esta trama com elevada bitola qualitativa, através de um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às nove canções do seu alinhamento e que, sendo devidamente degustado, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.
Começa-se a escutar com a merecida devoção Banker's Hill e percebe-se, no imediato, o superior grau de cumplicidade dos dois músicos que esculpem, com denodo, composições que são verdadeiras telas sonoras que exigem demorada contemplação para serem devidamente saboreadas e entendidas, tendo em conta o espetro sonoro que baliza alguns dos cânones fundamentais da história do rock contemporâneo que guiam o percurso musical destes El Ten Eleven.
Assim, logo no ambiente etéreo e imersivo criado pelos riffs planantes da guitarra de Three And A Half High And Rising ficamos esclarecidos acerca da constante omnipresença daquele experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que tem vindo a definir alguns dos nomes fundamentais desse género e que hoje está a ser replicado com enorme sucesso, principalmente do lado de lá do atlântico. Depois, o baixo vincado, a bateria elaborada e a distorção agreste de Phenomenal Problems, assim como a majestosidade das guitarras que conduzem We Don't Have A Sail But We Have A Rudder e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em You Are Enough e o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo deGyroscopic Precession, além de arrancarem o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas, acabam também por ser, cada tema à sua maneira, um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, provam o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que parece estar sempre em ritmo ascendente e que acaba por ter o seu momento maior, na minha opinião, no tema homónimo, pouco mais de seis minutos de altos e baixos, mudanças ritmicas e melódicas com um travo sempre nostálgico e até, em alguns instantes, algo inquietante, que parece querer retratar fielmente nada mais do que o simples ocaso.
Disco assertivo e onde os El Ten Eleven utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente, Banker's Hill é marcado pela proximidade entre as canções que faz-se de uma instrumentação focada em estruturas técnicas particularmente elaboradas, que ampliam claramente os horizontes e os limites que vão sendo traçados por uma dupla que criou neste alinhamento mais uma fornada de instrumentais que têm tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos do chamado rock experimental. Espero que aprecies a sugestão...
Travis Trevisan, Andy Gregg e Sully Kincaid são os Tape Deck Mountain, um trio norte americano que se divide entre Nashville, no Tenessee e São diego na Califórnia e que acaba de regressar aos discos com Echo Chamber Blues, nove canções misturadas por Andy Gregg, o baterista do grupo e assentes num indie rock de forte travo progressivo e de elevada bitola qualitativa.
Os Tape Deck Mountain já andam nestas andanças há uma década, mas Echo Chamber Blues é apenas o terceiro disco da carreira do grupo. Estrearam-se em dois mil e nove com Ghost, quatro anos depois aprimoraram a fórmula da estreia com o excelente Sway e agora, cinco anos depois, neste Echo Chamber Blues, limam arestas e proporcionam ao ouvinte um caldeirão sonoro assente num shoegaze que, entre ambientes mais contemplativos e outros mais arrojados, não vive só do baixo e da guitarra (abastecida por onze pedais diferentes só neste disco), mas também da bateria, a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como o amor e alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea.
Acaba por seratravés duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime, que temas como a imponente I Will Break You, a intrincada Morse Code, ou o sublime instrumental Bueu, nos permitem contemplar belíssimas improvisações melódicas, cheias de detalhes e sem grande excesso, num disco rematado por um belíssimo acabamento açucarado, fruto do excelente trabalho de produção do baterista da banda e pleno de potencial para criar em nós paisagens melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...
01. Is 02. Loopers Of Bushwick 03. Morse Code 04. Elephant 05. Bueu 06. I Will Break U 07. IQU 08. Halo 09. Locations
Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers têm, disco após disco, reformulado o seu cardápio sonoro sempre dentro de bitola semelhante, uma filosofia assente em linhas de baixo simples mas vincadas, uma percurssão vigorosa, letras algo violentas e instigadoras e toda uma amálgama de sons e efeitos onde reina o ruido e um caos que parece estar sempre aparentemente controlado. No início desta primavera eles estão de regresso aos discos com Pinned, o quinto alinhamento da carreira do trio, renovado recentemente com a presença de Lia Braswell, ex Le Butcherettes, na bateria. Pinned é o sucessor do excelente Transfixiation, um álbum editado editado à quase três anos e que na altura sucedeu a Worship, um registo lançado em 2012 e que explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze, algo que seis anos depois é ainda uma realidade bastante audível num dos projetos essenciais de um espetro sonoro em que a Dead Oceans continua a apostar vigorosamente.
Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, com novas texturas e vocalizações (além da bateria, Lia também canta, como se percebe logo no primeiro tema) quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Never Coming Back, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e o modo como a bateria se eleva, sempre numa espécie de coito interrompido e, lá para o meio, a guitarra corrosiva e a percussão inebriante do punk rock de Frustrated Operator e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.
O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, é não só percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, mas também no modo como escapa a todas as categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarca num enorme armário que tem tanto de caótico como de hermético. Acaba por ser uma estratégia que não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Assim, há um forte sentido melódico no efeito da guitarra do shoegaze lo fi de Situation Changes e na vibe mais etérea, mas mesmo assim rugosa, de Was It Electric assim como um ambiente psicadélico no falso minimalismo de There's Only One Of Usque nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver no festim sintético de Execution possa distorcer a nossa mente.
Com a guitarra e a bateria a servirem frequentemente de elo de ligação entre os temas,Pinned parece agregar um emaranhado de melodias, mas uma audição atenta mostra-nos que este é um daqueles alinhamentos que encadeiam-se através de um tronco de forte cariz identitário e genuíno, onde não faltando a espaços o típico clima de ocaso que o experimentalismo proporciona, tem como resultado uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva dos A Place To Bury Strangers, feita, como já referi, de ruído, mas também de odes insinuantes e particularmente inspiradas ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...
Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria são a força motriz dos já míticos PAUS, banda que ganhou recentemente o consagrado certame Red Bull Music Culture Clash e que está de regresso aos discos com Madeira, nove canções que devem muito a uma viagem que o quarteto fez no final do verão passado ao arquipélago que dá nome a este registo a convite de Pedro Azevedo e da família ALESTE. O propósito dessa viagem era filmar e fotografar todo o aspecto visual de um disco que tinham começado a preparar em Julho, mas a presença do grupo no arquipélago acabou por ser determinante no polimento e no resultado final do alinhamento.
Nove canções e vídeos, um videodisco, portanto, compôem Madeira, um álbum que, de acordo com o press release do respetivo lançamento, inspira-se na ideia de uma ilha que flutua eque não tem sítio certo na geografia, uma ilha esquecida por um continente e de tão feliz por estar esquecida que se encontra na interceção das Américas, África e Europa. Tal conceito acabou por lhes parecer um retrato preciso do som que estavam a ouvir. Um mapa com fronteiras apagadas, uma ilha que se deixa levar e gosta de quem quer e está sempre à espera do barco e que acabou por funcionar para os PAUS como uma plataforma criativa e, também por isso, uma outra casa.
À frente de um baixo, de teclados e de uma bateria siamesa, ainda as ferramentas do seu ofício, os PAUS conseguem neste Madeira uma viagem sonora bastante inspirada em que deambulam, com a natural dose de experimentalismo e de improviso que os carateriza, pos vários esptros do rock, desde o psicadélico, ao progressivo, passando também pelo ambiental e pelo mais clássico. E nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso da voz e dos arranjos do tema homónimo, como ao próprio jazz, exuberante nos efeitos percurssivos de 970 Espadas, indo também até ao blues experimental em Sebo na Estrada, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em L123_PAUS e ao mais vigoroso e frenético, mas que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a canção A Mutante, para mim a melhor do disco, plasma na perfeição.
Este é, portanto, um compêndio de nove canções ecléticas e que independentemente do balizar temporal em que surgiram, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como a produção do disco teve um forte cunho dos próprios PAUS, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Madeira, um disco para ser escutado e saboreado condignamente, um postal da felicidade que a banda sente na incerteza. Espero que aprecies a sugestão...
Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e o novo baterista Hugo Lemos, preparam-se para reeditar Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.
Nessa reedição de Brutal Intervention, remasterizada e editada fisicamente em formato vinil com o selo da Firecum Records e que serve para comemorar os vinte e cinco anos de carreira dos Booby Trap, além do alinhamento original constarão quatro temas extras, entre os quais, uma cover de War Inside My Head, um dos momentos altos da discografia dos Suicidal Tendencies.
Confere, via bandcamp, Brutal Intervention, um álbum que impressiona pelas guitarras bem elaboradas, uma bateria impecável no modo como transmite alma e robustez e a voz inconfundível de Pedro Junqueiro a mostrar-se irreprensível no modo com replica os inconfundíveis traços deste género sonoro, sem deixar de se mostrar afinada e particularmente melodiosa.
Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é o título do novo álbum Moby, um disco lançado no início deste mês à boleia da Mute e que tem como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Este registo sucede ao muito recomendável These Systems Are Failing lançado o ano passado e mostra que este músico e produtor nova iorquino, com nove álbuns só nos últimos dez anos, vive uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio.
Com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, é sempre com elevada dose de ansiedade que os seguidores de Moby se preparam para escutar um novo alinhamento do artista, sempre à espera de algo que supere ou pelo menos iguale a elevada bitola qualitativa desse disco de estreia, prestes a fazer vinte anos de vida. Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt ainda não é o tal álbum que destrona Play do pódio do melhor registo do cardápio de Moby, mas é, talvez, aquele que mais se aproxima do seu grau de excelência.
Disco com uma tremenda sensibilidade e cheio de melodias bastante aditivas, Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e descrito logo no início desta análise e a verdade é que ao longo das suas doze canções e de alguns dos vídeos já produzidos de promoção aos singles, o autor consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.
Assim, e debruçando-me em alguns daqueles que são, na minha opinião, os melhores instantes do registo, se The Tired And The Hurt é um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o sagrado e o profano se entrelaçam sem pudor e se Mere Anarchy sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros, já Like A Motherless Child, canção que conta com a participação especial vocal de Raquel Rodriguez, é um verdadeiro assombro orquestral intenso e belo e The Waste Of Suns revela-se uma daquelas canções que constroem um universo quase obscuro em torno de si e que se vão transformando à medida que avançam, surpreendendo em cada nota, timbre ou inflexão ritmíca e melódica.
Daqui em diante ainda há tempo para sentir em The Sorrow Treeum toque de lustro dos anos oitenta, através de um sintetizador que apenas permanece o tempo suficiente para nos preparar para uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante, algo que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em The Middle Is Gone, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quandonas asas de um piano se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Nesse tema, os efeitos robóticos carregados de poeira da voz de Moby e aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como um subtil efeito de guitarra colocam-nos na rota certa de um álbum que do tecno minimal ao space rock, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Espero que aprecies a sugestão...
01. Mere Anarchy 02. The Waste Of Suns 03. Like A Motherless Child 04. The Last Of Goodbyes 05. The Ceremony Of Innocence 05. The Tired And The Hurt 07. Welcome To Hard Times 08. The Sorrow Tree 09. Falling Rain And Light 10. The Middle Is Gone 11. This Wild Darkness 12. A Dark Cloud Is Coming
É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.
Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.
Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...
Os norte americanos Walk The Moon Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo impregnado de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis, paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas e que poderão estar de regresso em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati irá lançar a dez de novembro próximo.
Headphones é o primeiro single já divulgado de What If Nothing, um tema que não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e que, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que o sustenta. Confere...
Viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto último, através da Castle Face, a editora do próprio John Dwyer, Orc, o novo e décimo nono álbum da carreira dos norte americanos Thee Oh Sees, um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que também acaba de mudar mais uma vez de nome, algo que não é inédito nas cerca de duas décadas que já leva de carreira.
Querendo ser conhecido a partir de agora simplesmente como Oh Sees (sem o The), este quinteto apresenta em Orc dez canções que mantêm uma elevada bitola qualitativa que sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral, que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes agora Oh Sees.
Logo no frenesim impulsivo e até algo inquietante de The Static God Dwier e no fulgor progressivo de Raw Optics Dwyer baliza, nesses que são os temas de abertura e de encerramento do disco, o ambiente geral de Orc, sendo ajudado de modo particular pelos bateristas Dan Rincon e Paul Quattrone nessa demanda. Se nestes dois temas ambos exalam uma deliciosa cumplicidade percurssiva, a mesma atinge o ponto mais alto quando nos instantes instrumentais da majestosa Keys To The Castle, sem serem tão exuberantes, responsabilizam-se por juntar todos os cacos, na forma de efeitos, cordas de guitarra e até de violino que Dwyer atira, conforme lhe apetece, para cima de uma base sonora tremendamente lisérgica e sensorial. Depois, no blues boémio e desmedido de Jettisoned, no arsenal de efeitos que abastece Paranoise e nas teclas setentistas que recriam o experimentalismo psicadélico de Cadaver Dog, Dwyer não disfarça minimamente a predileção que atualmente nutre por misturar de modo aparentemente anárquico alguns dos cânones clássicos do rock alternativo com o heavy metal e o rock progressivo, além de outros subgéneros de um rock que não se coibe de receber de braços abertos tudo aquilo que o músico tiver para testar. E realmente Dwyer testa, experimenta e recria sem ter o mínimo receio de colocar em causa, se tal for necessário, a impossibilidade de confrontar o ouvinte com o melodicamente acessível, já que aquilo que realmente lhe parece importar verdadeiramente é criar e recriar sobrepondo e alternando climas e formatos, de modo a dar vida à sua incasiável alma roqueira.
Edifício sonoro brilhante e cheio de vida e cor, Orcpossibilita aos Oh Seesatravessarem novamente as barreiras do tempo e manterem-se, ao mesmo tempo, joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de garage folk e rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Static God 02. Nite Expo 03. Animated Violence 04. Keys to the Castle 05. Jettisoned 06. Cadaver Dog 07. Paranoise 08. Cooling Tower 09. Drowned Beast 10. Raw Optics
Há já quatro décadas a ditar regras e a tornarem-se influência primordial no cenário do indie rock norte americano, os The Feelies estão de regresso aos discos com In Between, onze canções abrigadas pela insuspeita Bar None Records e que além de não envergonharem toda a herança deste grupo de Nova Jersey, acrescentam ainda ao seu cardápio alguns instantes sonoros que merecem figurar num plano de elevado destaque no momento de referir algumas das melhores canções que atualmente suportam o espetro sonoro em que os The Feelies navegam e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido respeitar e elogiar.
Com momentos discográficos tão relevantes como Crazy Rhythms(1980), o soberbo disco Only Life (1988), ou o antecessor Here Before (2011), os The Feelies não se podem dar ao luxo de se exporem sonoramente sem que tal não signifique que existirá uma elevada bitola qualitativa por trás das suas novas canções. E este In Between é uma segura e confiante adição à lista dos melhores álbuns de um grupo que com a herança de nomes tão díspares como os The Velvet Underground ou os The Kinks, por trás da sua filosofia sonora, tem-se abrigado à sombra de uma fórmula de composição muito específica e que faz da luminosidade lo fi das cordas e da criação de melodias aditivas a sua maior premissa.
Logo no tema homónimo deste In Between conseguimos imaginar um enorme e amplo prado verdejante num dia de sol ameno e no dedilhar pulsante da guitarra de Turn Back Time percebe-se essa incessante busca de texturas em que sobressaia uma curiosa leveza rugosa que nos incite a viajar por aqueles recantos mais amplos de uma América também profundamente selvagem e mística. Essa demanda mais real que nunca também em Stay The Course, tema que tem como curiosidade maior o facto de a bateria se chegar à frente na condução e também na eletrificação da guitarra de Flag Days, que nos oferece o que de melhor ainda tem o vigor e a autenticidade de um povo hoje mais dividido que nunca, mas que encontra a sua génese numa vasta miscelânea de culturas e raízes.
A música dos The Feelies sempre teve essa capacidade de plasmar autênticos quadros impressionistas de uma América cheia de contrastes e o forte odor à herança de um Lou Reed em Been Replaced ou, em oposição, a vibe psicadélica assertiva de Pass The Time, assim como a sensibilidade emotiva das cordas e dos metais que vagueiam por Time Will Tell, tornam bem sucedido esse desejo que o grupo certamente conjura de levar os seus ouvintes a viajarem através das suas canções, intensas, poéticas e cheias de alma, até aos mais diversos cenários naturais e espirituais que lhes servem de inspiração e que, ainda mais do que isso, ajudaram a moldar aquelas que são as suas vidas atuais.
Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada mais grunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...
01. In Between 02. Turn Back Time 03. Stay The Course 04. Flag Days 05. Pass The Time 06. When To Go 07. Been Replaced 08. Gone, Gone, Gone 09. Time Will Tell 10. Make It Clear 11. In Between (Reprise)
Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Superheroes, Ghostvillains And Stuff, um trabalho editado no final de outubro à boleia da Sub Pop Records e que ao longo de mais de hora e meia nos oferece uma viagem ao vivo muito calculada e de algum modo hipnótica pelo universo sonoro que os carateriza enquanto banda de rock, mas cada vez mais dominados pela eletrónica.
Registo gravado na segunda de três noites consecutivas, sempre esgotadas, em dezasseis de dezembro de 2015, no espaço Connewitz, em Leipzig, na Alemanha, país natal dos The Notwist, Superheroes, Ghostvillains And Stuff revisita o extenso e rico catálogo de um projeto que logo no balanço dos metais de They Follow Me, uma canção que ameaça continuamente uma incomensurável explosão sónica, no krautrock de Close To the Glass e no luminoso andamento progressivo de Kong nos mostra as suas variadas facetas. Aliás, quando no início do espetáculo parecemos positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio sintético, surgem as cordas e a guitarra luminosa cheia de distorção desta Kong para provar essa génese de uns The Notwist exímios a piscar o olho ao indie rock psicadélico e a sonoridades mais orgânicas, mesmo em concerto.
Daí em diante, seja através desses ambientes mais crus e orgânicos ou outros mais sintéticos e intrincados, os The Notwist conseguem ser eficazes e bastante criativos no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às suas canções. E ao vivo essa sensação amplia-se, num registo onde, ao contrário da maioria dos trabalhos do género, a produção é mesmo uma das mais valias já que, seja entre o processo dos arranjos selecionados para cada tema, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num concerto muito homogéneo e conseguido.
Trabalho tremendamente catártico, até pelo modo como em Pick Up The Phone não destoa da fórmula cúmplice, madura e melodicamente acessível que esta canção exige, sem que isso coloque em causa o seu encaixe no restante alinhamento, Superheroes, Ghostvillains And Stuff é a demonstração clara de uma banda versátil, que tem sabido ao longo do tempo adaptar-se e encontrar um sopro de renovação e que servindo-se de elementos do krautrock, passando pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, mostra-se, ao vivo, como umverdadeiro caldeirão cuidadosamente tratado e minuciosamente carregado de vida. Espero que aprecies a sugestão...
01. They Follow Me 02. Close To The Glass 03. Kong 04. Into Another Tune 05. Pick Up The Phone 06. One With The Freaks 07. This Room 08. One Dark Love Poem 09. Trashing Days 10. Gloomy Planets 11. Run Run Run 12. Gravity 13. Neon Golden 14. Pilot 15. Consequence 16. Gone Gone Gone