Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Preoccupations – Pontiac 87

Preoccupations - Pontiac 87

Õs canadianos Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um projeto que terminou a carreira há alguns anos mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material foi o registo discográfico que deu o pontapé de saída a esta nova vida do projeto no início da última primavera, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

Agora, pouco mais de meio ano depois de New Material, os Preoccupations preparam-se para ir para a estrada na América do Norte com os Protomartyr, uma banda de pós-punk norte americana formada há já uma década em Detroit e que conta com Joe Casey nas vozes, Greg Ahee na guitarra, Alex Leonard na bateria e Scott Davidson no baixo. Para comemorar este avanço em conjunto para os palcos, os dois grupos resolveram editar uma cover de ambos, disponível digitalmente e num single em vinil de sete polegadas, este último via Domino Records e com o título Telemetry At Howe Bridge. Assim, se os Protomartyr gravaram uma cover de Forbidden, um tema dos Preoccupations disponível no lado b desta edição, no lado a está Pontiac 87, um original dos Protomartyr que os Preoccupations revisitaram através de um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária. Confere...


autor stipe07 às 08:45
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

Viagra Boys - Street Worms

Sebastian Murphy, Benjamin Vallé, Tor Sjödén, Henrik Höckert e Martin Ehrencrona são os Viagra Boys, um coletivo sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de surpreender os mais incautos com Street Worms, nove canções assentes num indie rock encorpado, volumoso e efusivo, que mistura baixo e guitarras com batidas sintetizadas e aproxima o projeto não só de uma sonoridade eminentemente punk, mas também daquele garage rock cru, sujo e vibrante que fez escola há duas e três décadas atrás nos dois lados do Atlântico.

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Street Worms é um banquete de melodias repletas de momentos de glória e celebração, onde letras e voz, se cruzam com uma vasta miríade instrumental para dissertar com particular acidez e ironia sobre um conservadorismo que vai tomando cada vez mais conta da nossa urbanidade ocidental mais elitista, que não tem sabido muito bem como reagir ao saudável crescimento da importância das minorias e do medo que esse movimento, que tem também cada vez mais força na internet, acaba por provocar nas esferas dominantes pouco dispostas a repartir o pão que têm absorvido apenas e só para si, há já várias décadas. E os Viagra Boys parecem dispostos a levar o seu garage rock nessa direção eminentemente intervencionista, fazendo-o com assinalável mestria dançavel e psicadélica, quer no sintético groove negro de Down In The Basement, mas também no aditivo refrão da irónica masculinidade de Sports, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som do quinteto no pós punk de Just Like You e ainda no modo inédito como o saxofone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta Slow Learner, canção que espraia-se nos nossos ouvidos e nos faz vibrar de alto a baixo com particular languidez.

Street Worms é um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora que a que habitual se escuta por baixo da bola de espelhos, vinda de uma Suécia que é país modelo no acolhimento de refugiados, mas também um território fértil em convulsões e pátria de uma das extremas direitas mais ativas e violentas da Europa. A música dos Viagra Boys, uma banda que do nome à performance algo descontraída e espontânea parece não querer ser levada demasiado a sério, mas que tem o firme controle sobre aquilo que defende e pretende instigar no ouvinte, tem esse elan teatral trágico comediante, esse sabor a crítica e a chamada de alerta para um fenómeno de resistência e repulsa aos movimentos migratórios que tem vindo a ganhar repercurssões particularmente alarmantes nos países nórdicos e que pouco tem de parodiante ou que seja passível de ser objeto de ligeiro sarcasmo. The same worms that eat me/Will someday eat you, too, assim termina no sinistro negrume de Worms, um disco que quer, no fundo, mostrar-nos que, mais tarde ou mais cedo, acabamos por ser todos iguais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:17
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

We Were Promised Jetpacks – The More I Sleep The Less I Dream

Foi no passado dia catorze de setembro que viu a luz do dia The More I Sleep The Less I Dream, o novo registo de originais dos We Were Promised Jetpacks, quarto disco desta banda de indie rock escocesa, natural de Edimburgo e já com década e meia de carreira. O projeto é composto atualmente por Adam Thompson, Michael Palmer, Sean Smith e Darren Lackie e tem apostado, registo após registo, num som que plana entre a experimentação e o psicadelismo e que se mostra cada vez mais maduro e consistente.

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Este projeto começou a sua carreira em 2003 num concurso de bandas de escola e o primeiro disco, These Four Walls, deveu muito do sucesso às músicas que colocou em várias séries de televisão e filmes. Tal facto não alçou os We Were Promised Jetpacks à fama no imediato, mas deixou-os debaixo do olho clinico de muita gente que, como eu, se interessa pela sonoridade tipica do grupo. Foi no segundo disco, In The Pit Of The Stomach, que este coletivo escocês obteve a consagração definitiva junto da crítica e do grande público, uma visibilidade que se cimentou há cerca de quatro anos com Unravelling, o antecessor deste The More I Sleep The Less I Dream, um disco liderado pelas guitarras e onde se escuta canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados.

Um dos factores que vai fazendo elevar a bitola qualitativa dos registos dos We Were Promised Jetpacks é o cada vez mais aturado trabalho de produção, desta vez a cargo de Jonathan Low. Percebe-se, ao longo das dez canções do alinhamento, que nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.

Sendo assim, The More I Sleep The Less I Dream é um registo que pega nas experiências pessoais mais recentes do grupo e nas típicas agruras e peripécias de uma banda que passa bastante tempo em digressão, para incubar um som que, não renegando a instintiva simplicidade que sempre pautou a filosofia interpretativa dos We Were Promised Jetpacks, acaba por representar uma nova fase mais eclética, abrangente e sofisticada no formato sonoro do grupo. Basta escutar a toada negra e intrincada do single Hanging In, as guitarras luminosas de Thompson e Michael em In Light, o sumptuoso exercício percurssivo que alicerçou Impossible e o groove do baixo de Sean, exemplar em Someone Else’s Problem, para perceber uma busca pela construção de hinos de estádio à boa maneira do rock britânico, num disco cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência, aquele que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira no arquipélago de Sua Majestade. Espero que aprecies a sugestão...

We Were Promised Jetpacks - The More I Sleep The Less I Dream

01. Impossible
02. In Light
03. Someone Else’s Problem
04. Make It Easier
05. Hanging In
06. Improbable
07. When I Know More
08. Not Wanted
09. Repeating Patterns
10. The More I Sleep, The Less I Dream


autor stipe07 às 20:44
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018

El Ten Eleven - Banker's Hill

Kristian Dunn e Tim Fogarty são a dupla que dá vida ao projeto El Ten Eleven, uma banda com origem em Los Angeles e um nome fundamental do chamado post rock. É uma dupla que desde dois mil e dois vem direcionando o seu processo de criação sonora dentro de uma psicadelia rock ampla, progressiva e elaborada, através de um som firme e definido e onde a bateria e a guitarra assumem uma função de controle simbiótico, nunca se sobrepondo demasiado um instrumento ao outro, com Banker's Hill, o mais recente disco do grupo, a encarnar toda esta trama com elevada bitola qualitativa, através de um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às nove canções do seu alinhamento e que, sendo devidamente degustado, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

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Começa-se a escutar com a merecida devoção Banker's Hill e percebe-se, no imediato, o superior grau de cumplicidade dos dois músicos que esculpem, com denodo, composições que são verdadeiras telas sonoras que exigem demorada contemplação para serem devidamente saboreadas e entendidas, tendo em conta o espetro sonoro que baliza alguns dos cânones fundamentais da história do rock contemporâneo que guiam o percurso musical destes El Ten Eleven.

Assim, logo no ambiente etéreo e imersivo criado pelos riffs planantes da guitarra de Three And A Half High And Rising ficamos esclarecidos acerca da constante omnipresença daquele experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que tem vindo a definir alguns dos nomes fundamentais desse género e que hoje está a ser replicado com enorme sucesso, principalmente do lado de lá do atlântico. Depois, o baixo vincado, a bateria elaborada e a distorção agreste de Phenomenal Problems, assim como a majestosidade das guitarras que conduzem We Don't Have A Sail But We Have A Rudder e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em You Are Enough e o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo de Gyroscopic Precession, além de arrancarem o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas, acabam também por ser, cada tema à sua maneira, um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, provam o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que parece estar sempre em ritmo ascendente e que acaba por ter o seu momento maior, na minha opinião, no tema homónimo, pouco mais de seis minutos de altos e baixos, mudanças ritmicas e melódicas com um travo sempre nostálgico e até, em alguns instantes, algo inquietante, que parece querer retratar fielmente nada mais do que o simples ocaso.

Disco assertivo e onde os El Ten Eleven utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente, Banker's Hill é marcado pela proximidade entre as canções que faz-se de uma instrumentação focada em estruturas técnicas particularmente elaboradas, que ampliam claramente os horizontes e os limites que vão sendo traçados por uma dupla que criou neste alinhamento mais uma fornada de instrumentais que têm tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos do chamado rock experimental. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:08
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Tape Deck Mountain – Echo Chamber Blues

Travis Trevisan, Andy Gregg e Sully Kincaid são os Tape Deck Mountain, um trio norte americano que se divide entre Nashville, no Tenessee e São diego na Califórnia e que acaba de regressar aos discos com Echo Chamber Blues, nove canções misturadas por Andy Gregg, o baterista do grupo e assentes num indie rock de forte travo progressivo e de elevada bitola qualitativa.

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Os Tape Deck Mountain já andam nestas andanças há uma década, mas Echo Chamber Blues é apenas o terceiro disco da carreira do grupo. Estrearam-se em dois mil e nove com Ghost, quatro anos depois aprimoraram a fórmula da estreia com o excelente Sway e agora, cinco anos depois, neste Echo Chamber Blues, limam arestas e proporcionam ao ouvinte um caldeirão sonoro assente num shoegaze que, entre ambientes mais contemplativos e outros mais arrojados, não vive só do baixo e da guitarra (abastecida por onze pedais diferentes só neste disco), mas também da bateria, a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como o amor e alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea.

Acaba por ser através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime, que temas como a imponente I Will Break You, a intrincada Morse Code, ou o sublime instrumental Bueu, nos permitem contemplar belíssimas improvisações melódicas, cheias de detalhes e sem grande excesso, num disco rematado por um belíssimo acabamento açucarado, fruto do excelente trabalho de produção do baterista da banda e pleno de potencial para criar em nós paisagens melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Deck Mountain - Echo Chamber Blues

01. Is
02. Loopers Of Bushwick
03. Morse Code
04. Elephant
05. Bueu
06. I Will Break U
07. IQU
08. Halo
09. Locations


autor stipe07 às 21:44
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

A Place To Bury Strangers - Pinned

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers têm, disco após disco, reformulado o seu cardápio sonoro sempre dentro de bitola semelhante, uma filosofia assente em linhas de baixo simples mas vincadas, uma percurssão vigorosa, letras algo violentas e instigadoras e toda uma amálgama de sons e efeitos onde reina o ruido e um caos que parece estar sempre aparentemente controlado. No início desta primavera eles estão de regresso aos discos com Pinned, o quinto alinhamento da carreira do trio, renovado recentemente com a presença de Lia Braswell, ex Le Butcherettes, na bateria. Pinned é o sucessor do excelente Transfixiation, um álbum editado editado à quase três anos e que na altura sucedeu a Worship, um registo lançado em 2012 e que explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze, algo que seis anos depois é ainda uma realidade bastante audível num dos projetos essenciais de um espetro sonoro em que a Dead Oceans continua a apostar vigorosamente.

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Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, com novas texturas e vocalizações (além da bateria, Lia também canta, como se percebe logo no primeiro tema) quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Never Coming Back, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e o modo como a bateria se eleva, sempre numa espécie de coito interrompido e, lá para o meio, a guitarra corrosiva e a percussão inebriante do punk rock de Frustrated Operator e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, é não só percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, mas também no modo como escapa a todas as categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarca num enorme armário que tem tanto de caótico como de hermético. Acaba por ser uma estratégia que não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Assim, há um forte sentido melódico no efeito da guitarra do shoegaze lo fi de Situation Changes e na vibe mais etérea, mas mesmo assim rugosa, de Was It Electric assim como um ambiente psicadélico no falso minimalismo de There's Only One Of Us que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver no festim sintético de Execution possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem frequentemente de elo de ligação entre os temas, Pinned parece agregar um emaranhado de melodias, mas uma audição atenta mostra-nos que este é um daqueles alinhamentos que encadeiam-se através de um tronco de forte cariz identitário e genuíno, onde não faltando a espaços o típico clima de ocaso que o experimentalismo proporciona, tem como resultado uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva dos A Place To Bury Strangers, feita, como já referi, de ruído, mas também de odes insinuantes e particularmente inspiradas ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:21
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Domingo, 15 de Abril de 2018

PAUS - Madeira

Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria são a força motriz dos já míticos PAUS, banda que ganhou recentemente o consagrado certame Red Bull Music Culture Clash e que está de regresso aos discos com Madeira, nove canções que devem muito a uma viagem que o quarteto fez no final do verão passado ao arquipélago que dá nome a este registo a convite de Pedro Azevedo e da família ALESTE. O propósito dessa viagem era filmar e fotografar todo o aspecto visual de um disco que tinham começado a preparar em Julho, mas a presença do grupo no arquipélago acabou por ser determinante no polimento e no resultado final do alinhamento.

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Nove canções e vídeos, um videodisco, portanto, compôem Madeira, um álbum que, de acordo com o press release do respetivo lançamento, inspira-se na ideia de uma ilha que flutua e que não tem sítio certo na geografia, uma ilha esquecida por um continente e de tão feliz por estar esquecida que se encontra na interceção das Américas, África e Europa. Tal conceito acabou por lhes parecer um retrato preciso do som que estavam a ouvir. Um mapa com fronteiras apagadas, uma ilha que se deixa levar e gosta de quem quer e está sempre à espera do barco e que acabou por funcionar para os PAUS como uma plataforma criativa e, também por isso, uma outra casa.

À frente de um baixo, de teclados e de uma bateria siamesa, ainda as ferramentas do seu ofício, os PAUS conseguem neste Madeira uma viagem sonora bastante inspirada em que deambulam, com a natural dose de experimentalismo e de improviso que os carateriza, pos vários esptros do rock, desde o psicadélico, ao progressivo, passando também pelo ambiental e pelo mais clássico. E nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso da voz e dos arranjos do tema homónimo, como ao próprio jazz, exuberante nos efeitos percurssivos de 970 Espadas, indo também até ao blues experimental em Sebo na Estrada, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em L123_PAUS e ao mais vigoroso e frenético, mas que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a canção A Mutante, para mim a melhor do disco, plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de nove canções ecléticas e que independentemente do balizar temporal em que surgiram, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como a produção do disco teve um forte cunho dos próprios PAUS, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Madeira, um disco para ser escutado e saboreado condignamente, um postal da felicidade que a banda sente na incerteza. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:58
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Quinta-feira, 15 de Março de 2018

Booby Trap reeditam Brutal Intervention

Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e o novo baterista Hugo Lemos, preparam-se para reeditar Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.

Foto de Booby Trap.

Nessa reedição de Brutal Intervention, remasterizada e editada fisicamente em formato vinil com o selo da Firecum Records e que serve para comemorar os vinte e cinco anos de carreira dos Booby Trap, além do alinhamento original constarão quatro temas extras, entre os quais, uma cover de War Inside My Head, um dos momentos altos da discografia dos Suicidal Tendencies.

Confere, via bandcamp, Brutal Intervention, um álbum que impressiona pelas guitarras bem elaboradas, uma bateria impecável no modo como transmite alma e robustez e a voz inconfundível de Pedro Junqueiro a mostrar-se irreprensível no modo com replica os inconfundíveis traços deste género sonoro, sem deixar de se mostrar afinada e particularmente melodiosa.


autor stipe07 às 17:20
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é o título do novo álbum Moby, um disco lançado no início deste mês à boleia da Mute e que tem como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Este registo sucede ao muito recomendável These Systems Are Failing lançado  o ano passado e mostra que este músico e produtor nova iorquino, com nove álbuns só nos últimos dez anos, vive uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio.

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Com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, é sempre com elevada dose de ansiedade que os seguidores de Moby se preparam para escutar um novo alinhamento do artista, sempre à espera de algo que supere ou pelo menos iguale a elevada bitola qualitativa desse disco de estreia, prestes a fazer vinte anos de vida. Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt ainda não é o tal álbum que destrona Play do pódio do melhor registo do cardápio de Moby, mas é, talvez, aquele que mais se aproxima do seu grau de excelência.

Disco com uma tremenda sensibilidade e cheio de melodias bastante aditivas, Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e descrito logo no início desta análise e a verdade é que ao longo das suas doze canções e de alguns dos vídeos já produzidos de promoção aos singles, o autor consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Assim, e debruçando-me em alguns daqueles que são, na minha opinião, os melhores instantes do registo, se The Tired And The Hurt é um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o sagrado e o profano se entrelaçam sem pudor e se Mere Anarchy sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros, já Like A Motherless Child, canção que conta com a participação especial vocal de Raquel Rodriguez, é um verdadeiro assombro orquestral intenso e belo e The Waste Of Suns revela-se uma daquelas canções que constroem um universo quase obscuro em torno de si e que se vão transformando à medida que avançam, surpreendendo em cada nota, timbre ou inflexão ritmíca e melódica.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir em The Sorrow Tree um toque de lustro dos anos oitenta, através de um sintetizador que apenas permanece o tempo suficiente para nos preparar para uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante, algo que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em The Middle Is Gone, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quandonas asas de um piano se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Nesse tema, os efeitos robóticos carregados de poeira da voz de Moby e aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como um subtil efeito de guitarra colocam-nos na rota certa de um álbum que do tecno minimal ao space rock, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

01. Mere Anarchy
02. The Waste Of Suns
03. Like A Motherless Child
04. The Last Of Goodbyes
05. The Ceremony Of Innocence
05. The Tired And The Hurt
07. Welcome To Hard Times
08. The Sorrow Tree
09. Falling Rain And Light
10. The Middle Is Gone
11. This Wild Darkness
12. A Dark Cloud Is Coming


autor stipe07 às 21:43
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

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Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 24 de Outubro de 2017

Walk The Moon – Headphones

Walk The Moon - Headphones

Os norte americanos Walk The Moon Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo impregnado de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis, paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas e que poderão estar de regresso em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati irá lançar a dez de novembro próximo.

Headphones é o primeiro single já divulgado de What If Nothing, um tema que não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e que, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que o sustenta. Confere...


autor stipe07 às 21:29
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

Oh Sees - Orc

Viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto último, através da Castle Face, a editora do próprio John Dwyer, Orc, o novo e décimo nono álbum da carreira dos norte americanos Thee Oh Sees, um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que também acaba de mudar mais uma vez de nome, algo que não é inédito nas cerca de duas décadas que já leva de carreira.

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Querendo ser conhecido a partir de agora simplesmente como Oh Sees (sem o The), este quinteto apresenta em Orc dez canções que mantêm uma elevada bitola qualitativa que sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral, que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes agora Oh Sees.

Logo no frenesim impulsivo e até algo inquietante de The Static God Dwier e no fulgor progressivo de Raw Optics Dwyer baliza, nesses que são os temas de abertura e de encerramento do disco, o ambiente geral de Orc, sendo ajudado de modo particular pelos bateristas Dan Rincon e Paul Quattrone nessa demanda. Se nestes dois temas ambos exalam uma deliciosa cumplicidade percurssiva, a mesma atinge o ponto mais alto quando nos instantes instrumentais da majestosa Keys To The Castle, sem serem tão exuberantes, responsabilizam-se por juntar todos os cacos, na forma de efeitos, cordas de guitarra e até de violino que Dwyer atira, conforme lhe apetece, para cima de uma base sonora tremendamente lisérgica e sensorial. Depois, no blues boémio e desmedido de Jettisoned, no arsenal de efeitos que abastece Paranoise e nas teclas setentistas que recriam o experimentalismo psicadélico de Cadaver Dog, Dwyer não disfarça minimamente a predileção que atualmente nutre por misturar de modo aparentemente anárquico alguns dos cânones clássicos do rock alternativo com o heavy metal e o rock progressivo, além de outros subgéneros de um rock que não se coibe de receber de braços abertos tudo aquilo que o músico tiver para testar. E realmente Dwyer testa, experimenta e recria sem ter o mínimo receio de colocar em causa, se tal for necessário, a impossibilidade de confrontar o ouvinte com o melodicamente acessível, já que aquilo que realmente lhe parece importar verdadeiramente é criar e recriar sobrepondo e alternando climas e formatos, de modo a dar vida à sua incasiável alma roqueira.

Edifício sonoro brilhante e cheio de vida e cor, Orc possibilita aos Oh Sees atravessarem novamente as barreiras do tempo e manterem-se, ao mesmo tempo, joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de garage folk rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... 

Download Oh Sees   Orc (2017) Mp3

01. The Static God
02. Nite Expo
03. Animated Violence
04. Keys to the Castle
05. Jettisoned
06. Cadaver Dog
07. Paranoise
08. Cooling Tower
09. Drowned Beast
10. Raw Optics

 

 


autor stipe07 às 20:51
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

The Feelies – In Between

Há já quatro décadas a ditar regras e a tornarem-se influência primordial no cenário do indie rock norte americano, os The Feelies estão de regresso aos discos com In Between, onze canções abrigadas pela insuspeita Bar None Records e que além de não envergonharem toda a herança deste grupo de Nova Jersey, acrescentam ainda ao seu cardápio alguns instantes sonoros que merecem figurar num plano de elevado destaque no momento de referir algumas das melhores canções que atualmente suportam o espetro sonoro em que os The Feelies navegam e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido respeitar e elogiar.

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Com momentos discográficos tão relevantes como Crazy Rhythms (1980), o soberbo disco Only Life (1988), ou o antecessor Here Before (2011), os The Feelies não se podem dar ao luxo de se exporem sonoramente sem que tal não signifique que existirá uma elevada bitola qualitativa por trás das suas novas canções. E este In Between é uma segura e confiante adição à lista dos melhores álbuns de um grupo que com a herança de nomes tão díspares como os The Velvet Underground ou os The Kinks, por trás da sua filosofia sonora, tem-se abrigado à sombra de uma fórmula de composição muito específica e que faz da luminosidade lo fi das cordas e da criação de melodias aditivas a sua maior premissa.

Logo no tema homónimo deste In Between conseguimos imaginar um enorme e amplo prado verdejante num dia de sol ameno e no dedilhar pulsante da guitarra de Turn Back Time percebe-se essa incessante busca de texturas em que sobressaia uma curiosa leveza rugosa que nos incite a viajar por aqueles recantos mais amplos de uma América também profundamente selvagem e mística. Essa demanda mais real que nunca também em Stay The Course, tema que tem como curiosidade maior o facto de a bateria se chegar à frente na condução e também na eletrificação da guitarra de Flag Days, que nos oferece o que de melhor ainda tem o vigor e a autenticidade de um povo hoje mais dividido que nunca, mas que encontra a sua génese numa vasta miscelânea de culturas e raízes.

A música dos The Feelies sempre teve essa capacidade de plasmar autênticos quadros impressionistas de uma América cheia de contrastes e o forte odor à herança de um Lou Reed em Been Replaced ou, em oposição, a vibe psicadélica assertiva de Pass The Time, assim como a sensibilidade emotiva das cordas e dos metais que vagueiam por Time Will Tell, tornam bem sucedido esse desejo que o grupo certamente conjura de levar os seus ouvintes a viajarem através das suas canções, intensas, poéticas e cheias de alma, até aos mais diversos cenários naturais e espirituais que lhes servem de inspiração e que, ainda mais do que isso, ajudaram a moldar aquelas que são as suas vidas atuais.

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada mais grunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)


autor stipe07 às 11:50
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016

The Notwist – Superheroes, Ghostvillains And Stuff

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Superheroes, Ghostvillains And Stuff, um trabalho editado no final de outubro à boleia da Sub Pop Records e que ao longo de mais de hora e meia nos oferece uma viagem ao vivo muito calculada e de algum modo hipnótica pelo universo sonoro que os carateriza enquanto banda de rock, mas cada vez mais dominados pela eletrónica.

Resultado de imagem para the notwist band 2016

Registo gravado na segunda de três noites consecutivas, sempre esgotadas, em dezasseis de dezembro de 2015, no espaço Connewitz, em Leipzig, na Alemanha, país natal dos The Notwist, Superheroes, Ghostvillains And Stuff revisita o extenso e rico catálogo de um projeto que logo no balanço dos metais de They Follow Me, uma canção que ameaça continuamente uma incomensurável explosão sónica, no krautrock de Close To the Glass e no luminoso andamento progressivo de Kong nos mostra as suas variadas facetas. Aliás, quando no início do espetáculo parecemos positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio sintético, surgem as cordas e a guitarra luminosa cheia de distorção desta Kong para provar essa génese de uns The Notwist exímios a piscar o olho ao indie rock psicadélico e a sonoridades mais orgânicas, mesmo em concerto.

Daí em diante, seja através desses ambientes mais crus e orgânicos ou outros mais sintéticos e intrincados, os The Notwist conseguem ser eficazes e bastante criativos no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às suas canções. E ao vivo essa sensação amplia-se, num registo onde, ao contrário da maioria dos trabalhos do género, a produção é mesmo uma das mais valias já que, seja entre o processo dos arranjos selecionados para cada tema, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num concerto muito homogéneo e conseguido.

Trabalho tremendamente catártico, até pelo modo como em Pick Up The Phone não destoa da fórmula cúmplice, madura e melodicamente acessível que esta canção exige, sem que isso coloque em causa o seu encaixe no restante alinhamento, Superheroes, Ghostvillains And Stuff é a demonstração clara de uma banda versátil, que tem sabido ao longo do tempo adaptar-se e encontrar um sopro de renovação e que servindo-se de elementos do krautrock, passando pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, mostra-se, ao vivo, como um verdadeiro caldeirão cuidadosamente tratado e minuciosamente carregado de vida. Espero que aprecies a sugestão...

The Notwist - Superheroes, Ghostvillains And Stuff

01. They Follow Me
02. Close To The Glass
03. Kong
04. Into Another Tune
05. Pick Up The Phone
06. One With The Freaks
07. This Room
08. One Dark Love Poem
09. Trashing Days
10. Gloomy Planets
11. Run Run Run
12. Gravity
13. Neon Golden
14. Pilot
15. Consequence
16. Gone Gone Gone


autor stipe07 às 17:37
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

The History Of Colour TV – Wreck

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Os berlinenses The History Of Colour TV estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos com Something Like Eternity, um álbum que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de novembro próximo. De acordo com Wreck, o avanço já divulgado do trabalho, será um registo que certamente nos colocará bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações típicas do melhor rock alternativo lo fi dos anos oitenta. Refiro-me a uma canção que se define como um edifício sonoro ruidoso que não dispensa uma forte presença dos sintetizadores e teclados, que agregados a guitarras plenas de distorção e a uma batida vigorosa, acaba, neste caso, por conferir uma explícita dose de um pop punk dance que mescla orgânico e sintético com propósitos bem definidos. O download do tema pode ser feito via bandcamp. Confere...

The History Of Colour TV - Wreck

01. Wreck
02. August Twenty First

 


autor stipe07 às 21:30
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

DTHPDL - The Future

Cmeçou por ser um projeto a solo de Alastair J Chivers, mas é hoje um dos coletivos mais interessantes do cenário alternativo escocês. Falo dos DTHPDL (Deathpodal), um coletivo formado pelo músico mencionado, ao qual se juntaram DMacz, HumdrumJetset e Ross Taylor e que acaba de se estrear nos lançamentos dicográficos, em formato digital e cassete, com um EP intitulado The Future e que contém cinco canções com a chancela de qualidade da insuspeita Song By Toad Records.

The Future, o tema homónimo e que abre o alinhamento deste EP, coloca-nos bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações típicas do melhor rock alternativo lo fi dos anos oitenta, um edifício sonoro ruidoso e que não dispensa uma forte presença dos sintetizadores e teclados, que agregados a guitarras plenas de distorção e a uma batida vigorosa, acaba, neste caso, por conferir uma explícita dose de um pop punk dance que mescla orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Na verdade, para estes DTHPDL, mesmo que a receita procure um som encorpado e amplo, como se percebe, logo de seguida, em Captain Average, é igualmente propositada a criação de uma proposta de som também voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em Good vs Eevil, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um alinhamento de significativo pendor hipnótico, intenso e efervescente e onde uma rugosidade intensa e algo caótica, acaba por reforçar tal impressão com racionalidade objetiva,  em vez de a colocar em causa.

The Future é feliz no modo como exprime um agregado sonoro com um intenso teor ambiental denso e complexo, que vai revelando, ao longo das cinco canções, uma variedade de texturas e transformações que encarnam uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do EP, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada e sem exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:39
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2015

Girls Names – Arms Around A Vision

Cathal, Claire, Phil e Gib são os Girls Names, uma banda oriunda de Belfast, na Irlanda do Norte, de regresso aos discos com Arms Around A Vision, o  sucessor do aclamado The New Life (2013) e terceiro registo de originais deste quarteto. Este novo compêndio de canções viu a luz do dia no início de outubro através da Though Love, que o apresenta como uma carta de amor à elegância europeia, futurismo italiano, construtivismo russo, Zero alemão (de Heinz Mack e Otto Piene) e a Berlim de Bowie e Neubauten.

Sendo já um dos nomes mais interessantes do pós punk europeu contemporâneo, os Girls Names têm vindo a assumir uma sonoridade própria e particularmente intensa, sem deixarem de nos oferecer, dentro de um aparente caos e uma elevada dose ruido, um som adulto e jovial. E, com efeito, disco após disco, eles têm revelado o modo aprimorado como exploram uma abordagem crua ao rock, de modo progressivo, mas apimentado com uma elevada toada shoegaze, que procura captar o ouvinte mais sensível ao primor melódico, mas sem nunca colocar em causa a essência ruidosa do projeto. Reticence, o tema que abre o alinhamento de Arms Around A Vision, contém estes ingredientes, impressos no efeito metálico da guitarra que se estende depois na vigorosa An Artificial Spring, canção com uma densidade muito particular também por causa do ritmo imposto por uma bateria e um baixo que não desarmam em nenhum instante, enquanto nos oferecem um rock que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, mas que replicado por estes Girls Names soa intemporal, influente e até obrigatório.

Cada vez mais atraídos por um lado sonoro negro e cavernoso, este quarteto coloca o ruído e a distorção para o centro do seu processo criativo, com uma potência sonora intrigante, enquanto tentam escapar a todas categorias e gavetas do rock, ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Desire Oscilations e no punk caótico de Chrome Rose, que se torna mais incisivo em A Hunger Artist e Dysmorphia, assim como um ambiente psicadélico em Exploit Me que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que, neste tema, o teclado e a voz possam distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Arms Around A Vison é um compêndio que impressiona pela monumentalidade rugosa que agrega um emaranhado de melodias que juntas constituem uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta o adn destes Girls Names, num disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

Girls Names - Arms Around A Vision

01. Reticence
02. An Artificial Spring
03. Desire Oscillations
04. (Obsession)
05. Chrome Rose
06. A Hunger Artist
07. Málaga
08. Dysmorphia
09. (Convalescence)
10. Exploit Me
11. Take Out The Hand
12. I Was You


autor stipe07 às 18:17
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2015

Half Moon Run – Sun Leads Me On

Devon Portielje, Conner Molander, Dylan Phillips, Isaac Symonds são os Half Moon Run, um projeto canadiano oriundo de Montreal e que já faz música desde 2009. Estrearam-se nos discos três anos depois com Dark Eyes e agora, após o mesmo hiato temporal, regressaram à boleia de Sun Leads Me On, o novo registo de originais da banda, editado a vinte e três de outubro pelo selo Glassnote Records.

No seio de um indie rock que tanto pode infletir, em determinados momentos, para a folk como para a própria eletrónica, os Half Moon Run parecem não sentir-se confortáveis com o ideal de continuidade e apostam em pequenos detalhes sonoros que fazem ponte entre dois territórios, numa espécie de simbiose de risco, mas particularmente bem sucedida, entre Radiohead e Fleet Foxes, raramente ouvida nas propostas atuais. Esta fusão assenta em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Neste Sun Leads Me On, produzido por Jim Abbiss, o falsete etéreo de Devon é um dos trunfos maiores do alinhamento, como se pecebe desde logo na cândura de Warmest Regards, mas a instrumentação intrincada, os elementos eletrónicos e a própria escrita de algumas canções, exalam uma qualidade hipnótica e aventureira, mas sempre acessível. Os violinos, a bateria insistente e o ambiente progressivo das guitarras de I Can’t Figure Out What’s Going On e os detalhes eletrónicos que vão piscando o olho à guitarra na incandescente Turn Your Love assim como o minimalismo omnipresente da mesma no tema homónimo, são exemplos do modo exemplar como os Half Moon Run complementam a ímpar capacidade vocal do líder da banda, com um arsenal instrumental diversificado e abrangente sempre a postos para criar melodias que recusam ter um comportamento linear, preferindo mostrar-se apoiadas em constantes variações de volume, intensidade e epicidade. As variações de intensidade e ritmo da bateria em It Works Itself Out, assim como a alternância entre detalhes eletrónicos sintetizados e dedilhares acústicos de cordas, nesse mesmo tema, transformam o mesmo numa súmula feliz de todo o ideário intencional destes Half Moon Run e daquilo que os resliza enquanto compositores criativos e intérpretes inspirados.

Melódicos e intencionalmente acessíveis na mesma medida, os Half Moon Run transformaram cada uma das canções de Sun Leads Me On em criações duradouras, ricas em texturas e versos acolhedores que ultrapassam os limites do género, num disco que busca uma abrangência, mas que não resvala para um universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Espero que aprecies a sugestão...

Half Moon Run - Sun Leads Me On

01. Warmest Regards
02. I Can’t Figure Out What’s Going On
03. Consider Yourself
04. Hands in the Garden
05. Turn Your Love
06. Narrow Margins
07. Sun Leads Me On
08. It Works Itself Out
09. Everybody Wants
10. Throes
11. Devil May Care
12. The Debt
13. Trust


autor stipe07 às 18:01
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Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Muse – Drones

Os britânicos Muse de Matthew Bellamy, Dominic Howard e Rich Costey estão de regresso aos discos com Drones, o sétimo trabalho da banda e que teve o pontapé de saída em Vancouver, no início de 2014. De acordo com o líder da banda, Drones é uma metáfora moderna sobre o que é perder a empatia através da tecnologia moderna representada pelos drones, acresecentando que é possível na verdade fazer coisas horríveis com controle remoto, a grandes distâncias, sem sentir nenhuma consequência, ou até não se sentir responsável de qualquer modo.

Produzido por John Lange, Drones obedece à essência que tornou os Muse uma das maiores bandas de rock alternativo da atualidade, assente numa mescla de ficção e surrealismo, à boleia dos peculiares falsetes de Bellamy e um som poderoso e épico, feito de guitarras com arranjos carregados de distorção e que têm em Psycho um dos melhores momentos da carreira do grupo, um baixo rugoso e uma percussão vigorosa e amiúde um piano elétrico que, no caso deste disco, tem um protagonismo interessante na balada Mercy. No entanto, Drones é um regresso dos trio às origens e a um espetro mais sombrio e orgânico depois do piscar de olhos à eletrónica no antecessor The 2nd Law

Com dez músicas e dois outros momentos sonoros, uma de um sargento exasperado com alguns cadetes, bem ao estilo do The Wall, do Pink Floyd e o outro um trecho de um discurso do presidente Kennedy, Drones é, também nestes detalhes, uma revisão nostálgica, mas feliz, do passado mais gloroiso dos Muse, mas é, acima de tudo, um passo em frente dos autores rumo à alegoria do amor pela música como um agregado de guitarras melodiosas de mãos dadas com uma voz capaz de converter uma arena inteira a uma causa que, neste caso, pretende alertar, como já foi referido, para os perigos escondidos pelos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos e o modo como são utilizados na guerra moderna, utilizando o amor como uma metáfora gloriosa, num mundo cada vez mais familiarizado com a violência e, desse modo, mais perto e intímo da sua própria ruína.

Nos Muse a música é a materialização sonora de uma postura intervencionista, quase sempre encabeçada por Bellamy, que frequentemente dá a cara em algumas campanhas sociais. O longo épico cheio de climas e mudanças de direção, ruídos e silêncio, chamado The Globalist, é uma materialização contundente deste vigoroso olhar sobre o mundo global, mas a frenética Reapers, os efeitos e as sirenes de Revolt e a cinematográfica e sombria Aftermath também desempenham com notável precisão essa visão musical habilidosa que mistura estéticas de períodos temporais diferentes, tornando-as atuais e inovadoras, ao mesmo tempo que cimentam o som padrão do trio. Espero que aprecies a sugestão...

Muse - Drones

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones


autor stipe07 às 16:14
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Sábado, 6 de Junho de 2015

A Place To Bury Strangers - Transfixiation

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers estão de regresso aos discos com Transfixiation, um trabalho editado a dezassete de fevereiro pela Dead Oceans e que sucede a Worship, um álbum lançado em 2012 e que, tal como este novo registo, explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze.

Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Supermaster, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e a percussão inebriante do noise rock de Straight, reproduzida por Robi Gonzalez e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, está no modo como os A Place To Bury Strangers escapam a todas categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Love High e no punk de What We Don't See, assim como um ambiente psicadélico em We've Come So Far que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver Ackerman, em Deeper, possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Transfixiation avança com o ambiente a tornar-se cada vez mais rugoso, ao mesmo tempo que o ritmo da bateria abranda, com o instrumental Lower Zone, a dividir, de certo modo, o disco em duas partes distintas, no modo como parece agregar um emaranhado de melodias que, por si só, parecem temas distintos, enquanto faz a súmula de todo o conteúdo do alinhamento.

A já citada We've Come So Far, acaba por colocar tudo no devido lugar e se Fill The Void tem o típico clima de ocaso, é ao quase instrumental I Will Die que cabe a tarefa de encerrar uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva do trio, à boleia de algumas frases soltas e curiosos efeitos, que termina um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

1. Supermaster
2. Straight
3. Love High
4. What We Don’t See
5. Deeper
6. Lower Zone
7. We’ve Come So Far
8. Now It’s Over
9. I’m So Clean
10. Fill The Void
11. I Will Die


autor stipe07 às 23:20
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