Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

Copeland - Pope

Copeland - Pope

Os norte-americanos Copeland de Aaron Marsh (voz, guitarra, baixo, piano), Bryan Laurenson (guitarra) e Stephen Laurenson (guitarra) já andam por cá, algo despercebidos, é certo, mas tremendamente criativos, desde o início do novo milénio. Têm cinco discos em carteira, sendo o último IXORA, um registo editado em novembro de dois mil e catorze e que vai ter finalmente sucessor, já no início do próximo ano.

Gravado nos dois últimos dois anos no The Vanguard Room, o estúdio de Aaron Marsh, em Lakeland, Florida, terra natal da banda e misturado em Nova Iorque por  Michael Brauer, Blushing é o nome desse novo álbum dos Copeland e irá ver a luz do dia a catorze de fevereiro, à boleia da tooth & nail records.

Com a habitual escrita algo intrincada e levemente lúgubre, que carateriza o cardápio lírico dos Copeland, envolvida por um arquétipo sonoro que, piscando também o olho à eletrónica, consegue ser, com superior subtileza, sereno e majestoso, Pope, o single já extraído de Blushing, faz adivinhar mais um álbum emotivo e capaz de mexer com o âmago de quem se predispuser a destrinçar o seu conteúdo, que vai sempre muito além, no caso dos Copeland, da simples vertente musical. Confere...


autor stipe07 às 13:28
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

Steve Mason – Walking Away From Love

Steve Mason - Walking Away From Love

O escocês Steve Mason esteve recentemente ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas está novamente focado na sua carreira a solo. Assim, acaba de divulgar o tema Walking Away From Love, mais uma composição do alinhamento de About The Light, o seu quarto registo de originais. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda de Stephen Street, About The Light vai ver a luz do dia a dezoito de janeiro próximo e sucede aos aclamados registos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016).

Com uma sonoridade bastante efusiva e radiofónica, cimentada num rock que replica alguns dos traços identitários da vibrante herança brit, sempre melodicamente aditiva e assente em cordas exuberantes, Walking Away From Love, faz adivinhar um disco com uma dose divertida de experimentalismo e que continuará a colocar nas luzes da ribalta este nome influente do cenário indie britânico contemporâneo. Confere...


autor stipe07 às 14:39
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

Broken Bells – Shelter

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Quatro anos depois do álbum After The Disco e três depois do single Is That Talk Again, lançado em dois mil e quinze como avanço do filme concerto Broken Bells: Live At The Orpheum, os Broken Bells de Brian Burton aka Danger Mouse e James Mercer, vocalista dos The Shins, estão de regresso aos lançamentos com Shelter, um tema que ainda não se sabe se antecipa um novo disco dos Broken Bells, mas que foi sendo anunciado por um conjunto de teasers publicados na conta de instagram do projeto em que os dois músicos surgem em estúdio e a gravar juntos.

Repleto de harmonias subtis embrulhadas na voz efusiva de Mercer e com uma forte toada pop, proporcionada por uma batida cheia de groove e que clama por climas etéreos e intimistas, Shelter mantém os Broken Bells na rota de um caminho coeso, assertivo e refinado, numa parceria que sabe como mostrar o real potencial dos seus dois pólos. Confere...

Broken Bells - Shelter


autor stipe07 às 13:35
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Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Deerhunter – Element

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox já têm prontoWhy Hasn’t Everything Disappeared?, um registo gravado em Marfa, no Texas, que será lançado a dezoito de Janeiro próximo à boleia da 4AD Records e que foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

Deerhunter

O mais recente single divulgado deste Why Hasn’t Everything Disappeared?, o oitavo disco da carreira dos Deerhunter, que sucede ao aclamado disco Fading Frontier (2015), é Element, o quarto tema do alinhamento, uma composição descrita por Cox como uma ode ao ambiente e à natureza, um tema com uma tremenda sensibilidade pop e que resplandesce pelo modo como as cordas e os sopros vão interagindo entre si de um modo muito calculado, o que resulta, no seu todo, em quase três minutos de puro deleite sonoro, com indisfarçável leveza e beleza melódica. Confere...

Deerhunter - Element


autor stipe07 às 18:20
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2018

Generationals – State Dogs: Singles 2017-18

Após o lançamento do excelente álbum Alix, em 2014, a dupla norte americana Generationals, de Ted Joyner e Grant Widmer, natural de Nova Orleães, Louisiana, reslveu deixar de lado o habitual formato físico e de alinhamentos, passando a optar pelo lançamento de singles em formato digital. E nestes dois últimos anos os Generationals acabaram por ser bastante profícuos quer criativamente quer na exposição de canções, pelo que acaba de se justificar este State Dogs: Singles 2017-18 que, conforme o título indica, compila todos estes singles que a dupla lançou digitalmente após Alix.

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O registo contém um total de nove singles, além de mais um novo original, o tema Beggars In The House Of Plenty, sendo, portanto, um alinhamento de dez canções de forte cariz radiofónico, que resultam, todas agregadas, num tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo e feliz no modo como nos faz dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo.

State Dogs: Singles 2017-18 é um álbum perfeito para se perceber como este projeto, já com quatro discos de originais além desta compilação, deambula de modo escorreito entre abordagens mais electrónicas e tonalidades que exalam um indie sombrio e nublado, sempre com uma base melódica muito elaborada e coesa, com pronunciadas influências quase sempre relacionadas com os teclados típicos do anos oitenta e que acabam por cair facilmente no goto do grande público, já que para os Generationals, independentemente da receita, uma toada experimental animada, luminosa e feliz é sempre algo transversal ao conteúdo musical que criam. Espero que aprecies a sugestão...

Generationals - State Dogs Singles 2017-18

01. Keep It Low
02. It May Get Bad When You’re Lonely And Cold
03. Catahoula Man
04. Silent Ocean
05. Mythical
06. Avery
07. Beggars In The House Of Plenty
08. Days Alone
09. Kid
10. Turning The Screw


autor stipe07 às 17:38
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

White Lies – Finish Line

White Lies - Finish Line

Pouco mais de dois anos após Friends, os ingleses White Lies de Charles Cave, Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown, que entretanto passaram a fazer parte da [PIAS] Recordings, preparam-se para colocar nos escaparates, lá para fevereiro do próximo ano, mais um registo de originais. É um álbum que servirá também para marcar os dez anos de carreira do grupo. Será um alinhamento de nove canções intitulado Five e que irá continuar a firmar o grupo num lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock, se tivermos em conta não só as composições já divulgadas do seu alinhamento, mas também o rock épico e esplendoroso esplanado nas cordas vibrantes, acústicas e eletrificadas e nas variações do ritmo marcial de Finish Line, a última a ser conhecida.

Five foi gravado em Inglaterra e nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Los Angeles, onde os White Lies estiveram em estúdio com Ed Buller, produtor de To Lose My Life e Big TV, os dois antecessores deste Five. Também participaram nas sessões de gravação o engenheiro de som James Brown (que já trabalhou com Arctic Monkeys e Foo Fighters) e o renomado produtor Flood, que também tocou sintetizadores e teclados em algumas canções. Quanto à mistura de Five, ficou a cargo do carismático e reputado Alan Moulder, que já tinha trabalhado com os White Lies nos dois primeiros capítulos da discografia do grupo. Confere...


autor stipe07 às 13:45
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2018

Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel And Casino (single)

Lançado no auge da última primavera, Tranquility Base Hotel And Casino é o sexto álbum na carreira dos britânicos Arctic Monkeys de Sheffield, liderados por Alex Turner, ao qual se juntam Matt Helders, Jamie Cook e Nick O'Malley. Produzido por James Ford e pelo próprio Alex Turner, Tranquility Base Hotel And Casino viu a luz via Domino Records e sucedeu ao já longínquo AM, lançado em 2013.

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Tranquility Base Hotel And Casino contém onze canções liricamente bastante enigmáticas e recheadas de referências retro e do nosso imaginário cinematográfico, além de conter algumas críticas à modernidade, sendo bons exemplos desse modus operandi Star Treatment, canção com referências diretas ao icónico romance Blade Runner de Phillip K Dick e American Sports, tema que fala de uma base lunar onde os humanos habitam e olham de longe para o nosso planeta.

O conteúdo do discoTranquility Base Hotel And Casino foi destrinçado na altura pela nossa redação, pelo que este novo artigo sobre o registo, mais de meio ano após o seu lançamento, serve para destacar o rock lisérgico setentista do tema homónimo que contém, lançado recentemente em formato single, num vinil de sete polegadas, juntamente com a divulgação do documentário Warp Speed Chic, que mostra como decorreram as gravações do álbum e que pode ser visto aqui.

Esta edição single do tema Tranquility Base Hotel And Casino que, como já referi, deu nome ao último álbum dos Arctic Monkeys, contém no lado b uma canção intitulada Anyways que vale também bem a pena escutar. Esse tema obedece à filosofia que orientou o conteúdo de Tranquility Base Hotel And Casino, alinhamento em que os Arctic Monkeys, abrigados por um novo e vasto manancial de referências, piscaram o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que se movimentam, enriquecendo tremendamente o seu cardápio e elevando o quarteto a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Confere...

Arctic Monkeys - Tranquility Base Hotel And Casino

01. Tranquility Base Hotel And Casino
02. Anyways


autor stipe07 às 13:33
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Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Coldplay – Coldplay: Deep Cuts

Revelado e publicado digitalmente este ano, Coldplay: Deep cuts é um interessante alinhamento sonoro que documenta um extrato do lado menos comercial e mais negligenciado dos Coldplay de Chris Martin, uma banda que começou por conquistar a sempre ávida crítica britânica há quase vinte anos com o extraordinário Parachutes e pouco depois o mundo com ma sequência de discos que agregaram uma legião cada vez mais numerosa de fãs ávidos e dedicados, mas que, na minha opinião, foram, principalmente a partir de X&Y, reduzindo a bitola qualitativa do cardápio do grupo, essencialmente porque Chris Martin foi olhando com cada vez maior gula para a pop, principalmente a que se foi fazendo do outro lado do atlântico, onde montou residência depois do casamento com a atriz norte-americana Gwineth Paltrow, entretanto terminado, mas que teve como frutos Apple e Moses. Este enlace acabou por inspirar Martin em algumas canções, sendo uma delas Moses, canção editada apenas a vivo e que serviu de single de lançamento do registo Coldplay Live 2003.

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Depois do folk rock alternativo e intimista de Parachutes, foi logo a seguir, em A Rush Of The Blood To The Head, que os Coldplay inauguraram uma demanda discográfica que tinha a intenção firme de criar alinhamentos cada vez mais luminosos e festivos e que fossem melodicamente amplos e épicos, repletos de canções que celebrassem o otimismo e a alegria e que, misturando rock e eletrónica, ajudados por uma máquina de produção irrepreensível, consolidassem um virar de agulhas, que acabou por ser definitivo, ao encontro de sonoridades eminentemente pop. Neste Coldplay: Deep Cuts, temas como Miracles, canção que faz parte da banda sonora do filme Unbroken de Angelina jolie, ou Up&Up (estes dois temas também constam do alinhamento de A Head Full Of Dreams) firmam essa filosofia, mas, curiosamente, também colocam a nu aquele lado mais intimista e humano que sempre caraterizou os Coldplay. Depois, no riff de guitarra e nos samples e sintetizações empolgantes de Charlie Brown, no excelente trabalho percussivo de Cemeteries Of London, na emotividade profunda de Amsterdam, um dos momentos altos da carreira do grupo e talvez dos mais negligenciados e, principalmente, no festim auditivo que nos proporciona Lovers In Japan – Reign Of Loveo grupo britânico toca nos dois opostos da temporais da sua carreira enquanto despe algumas máscaras e justifica porque detém o título máximo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hoje, sucedendo isso porque também soube ir adaptando-se com sucesso aos cânones essenciais dos estilos sonoros que quis abarcar nas duas décadas que já leva de existência. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Coldplay Deep Cuts

01. Charlie Brown
02. Rainy Day
03. Til Kingdom Come
04 .Lovers In Japan – Reign Of Love
05. Crests Of Waves
06. Up&Up
07. Fix You (Live)
08. Homecoming (Feat. Chris Martin)
09. Amsterdam
10. Christmas Lights
11. Miracles
12. Moses (Live In Sydney)
13. Cemeteries Of London
14. Green Eyes
15. Brothers And Sisters


autor stipe07 às 21:15
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2018

Ultimate Painting – Up!

Dois anos depois do excelente Dusk, já se conhece o conteúdo de Up!, o quarto disco da carreira dos Ultimate Painting, uma dupla inglesa formada por Jack Cooper e James Hoare, habituais colaboradores dos Mazes e de Veronica Falls e que, curiosamente, no início deste ano, portanto alguns meses antes do lançamento deste registo, tinham anunciado a separação devido a divergências criativas irreconciliáveis. Na altura, a dupla chegou a solicitar à Bella Union, o novo selo da banda depois dos três alinhamentos anteriores terem sido abrigados pela Trouble In Mind Records, para que este disco, que já estava pronto, não fosse lançado, mas a verdade é que, felizmente, Up! viu a luz do dia para gaúdio de todos aqueles que, tal como eu, vibram com esta banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, para lhes dar um certo toque psicadélico, coberto por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, tudo rematado com uma inconfundível pitada de charme.

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Os Ultimate Painting são exímios na criação de melodias que transmitem sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja e, nesse particular, distinguem-se pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor, envolvidas com um certo toque psicadélico.

Portanto, em Up!, as solarengas e levitantes cordas de Needles In My Eyes, o ternurento efeito metálico do single Not Gonna Burn Myself Anymore, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, o tom confessional de I Am Your Gun, o piano melancólico de Someone's Out To Get You ou a luminosidade melódica que chega a inebriar em Foul & Fair e a ofuscar no cerrar de punhos a que sabe Take Shelterpermitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre tão nobre sentimento e tudo aquilo que de bom tem para nos oferecer, enquanto percebemos os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Em Up! vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um bom gosto ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting encerram em grande forma e de um modo extraordinariamente jovial, uma curta mas profícua carreira que seduziu-me pela forma genuína e simples como nela retrataram sonoramente e com superior clarividência eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, mas onde o amor é a grande força motriz no modo como nos encadeamos uns nos outros. Espero que aprecies a sugestão...

Ultimate Painting - Up!

01. Needles In My Eyes
02. Not Gonna Burn Myself Anymore
03. I Am Your Gun
04. Foul And Fair
05. Someone’s Out To Get You
06. Take Shelter
07. My Procedure
08. Lying In Charles Street
09. Darkness In His Eyes
10. Snake Pass


autor stipe07 às 12:57
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018

Galo Cant’Às Duas - Sobre Um Tanto Medo

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já anunciaram o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que verá a luz do dia em janeiro e do qual já se conhece o single de apresentação, um tema intitulado Sobre Um Tanto Medo, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão e que serviu-se de um salutar experimentalismo psicadélico para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. 

De acordo com o press release de lançamento do single, para o respectivo vídeo, interessou a ideia de filmar o lugar onde realizaram a capa do disco. Naturalmente sem acompanhar a cadência da música quiseram provocar a dúvida da sua real existência. De um não-lugar, de um universo que é nosso ou criado por nós. Sentiram assim a necessidade de imortalizar/revitalizar aquele lugar que o vídeo vai mostrando e dando vida.

No dia vinte e oito de Dezembro acontecerá uma festa de pré lançamento que se intitula Cantar de Galo. No Carmo’81, em Viseu, os Galo Cant’Às Duas convidam também o percussionista João Pais Filipe, que recentemente lançou o seu disco a solo, para abrir o que será uma noite de celebração cheia de pessoas bonitas que fizeram também parte deste processo de criação. Confere o single de apresentação de Cabo da Boa Esperança...

 


autor stipe07 às 18:36
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Preoccupations – Pontiac 87

Preoccupations - Pontiac 87

Õs canadianos Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um projeto que terminou a carreira há alguns anos mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material foi o registo discográfico que deu o pontapé de saída a esta nova vida do projeto no início da última primavera, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

Agora, pouco mais de meio ano depois de New Material, os Preoccupations preparam-se para ir para a estrada na América do Norte com os Protomartyr, uma banda de pós-punk norte americana formada há já uma década em Detroit e que conta com Joe Casey nas vozes, Greg Ahee na guitarra, Alex Leonard na bateria e Scott Davidson no baixo. Para comemorar este avanço em conjunto para os palcos, os dois grupos resolveram editar uma cover de ambos, disponível digitalmente e num single em vinil de sete polegadas, este último via Domino Records e com o título Telemetry At Howe Bridge. Assim, se os Protomartyr gravaram uma cover de Forbidden, um tema dos Preoccupations disponível no lado b desta edição, no lado a está Pontiac 87, um original dos Protomartyr que os Preoccupations revisitaram através de um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária. Confere...


autor stipe07 às 08:45
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018

Ten Fé - No Night Lasts Forever

Ten Fé - No Night Lasts Forever

Os londrinos Ten Fé vão lançar a oito de março do próximo ano, à boleia do consórcio Some Kinda Love/PIAS, Future Tense, Present Tense, o novo registo do grupo e que sucede ao aclamado disco de estreia, Hit The Light, lançado o ano passado. Future Tense, Present Tense foi produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode) e misturado por Craig Silvey (Arcade Fire, Florence & The Machine) e do seu alinhamento já se conheciam os singles Won’t Happen Not Tonight, sendo o mais recente um tema intitulado No Night Lasts Forever e que, à semelhança dos temas anteriores, aborda noções temporais, nomeadamente o tempo que demora para chegar a algo, o tempo que nunca voltará e o tempo que ainda está para vir.

Com uma sonoridade assente numa onda sintética particularmente expansiva e luminosa, No Night Lasts Forever é um tratado pop inspirado e rico que, juntamente com as outras canções já conhecidas, faz antecipar um excelente sempre difícil segundo disco deste projeto. Já agora, acerca desta composição a banda referiu recentemente: there was a debate when we were writing the song as to whether that’s an optimistic or a pessimistic statement. But we decided we liked the ambiguity – that it didn’t have to be one or the other. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018

The Smashing Pumpkins – Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Billy Corgan acaba de dar mais um passo fundamental para que os seus The Smashing Pumpkins, uma banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas, consigam regressar aos bons e velhos tempos, com a edição recente de Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., um compêndio de oito canções gravadas com a ajuda de Rick Rubin e que viu a luz do dia há alguns dias via Napalm Records.

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Já não é a primeira vez que Billy Corgan tenta fazer com que os The Smashing Pumpkins regressem às luzes da ribalta, depois da espetacular sucessão discográfica que o projeto criou no início da década de noventa do século passado. Oceania, disco lançado há mais ou menos seis anos pela EMI, e Monuments To An Elegy, dois anos depois, tinham sido as últimas tentativas concretas dessa ressurreição de uma saga que se tinha tornado algo penosa depois de Adore (1998), Machina (2000) e Teargarden by Kaleidyscope (2007), disco inspirado no universo das cartas do tarot e com quarenta e quatro canções e, principalmente, depois da saída da banda de Jimmy Chamberlin e James Iha, elementos fulcrais na extraordinária sonoridade que compôs Siamese Dream e Mellon Collie and the Infinite Sadness, dois discos que são para mim uma referência incontornável da música que ouvi apaixonadamente há pouco mais de vinte anos. Desta vez, parece-me haver uma maior possibilidade de sucesso porque, além de contar com o guitarrista Jeff Schroeder, colaborador de longa data de Corgan, finalmente conseguiu fazer regressar a casa Iha e Chamberlin e assim, voltar a colocar no cardápio do projeto canções com aquele timbre de guitarra metálico único sustentado por uma densidade encorpada que todos nós conhecemos e que, neste Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., as amostras Silvery Sometimes (Ghosts) e Solara exemplarmente replicam.

Os pouco mais de trinta minutos deste registo que, pelo título, terá certamente, em breve, um egundo capítulo, são, portanto, uma mistura entre os melhores detalhes do rock alternativo da década de noventa, com algumas das atuais tendências, com os violinos e o piano de Knights Of Malta acamados por um baixo vibrante, a serem, logo a abrir o alinhamento, um exemplo claro deste novo fôlego de quem pretende não renegar as suas origens e mostrar-se competente na abordagem a uma contemporaneidade que exige mestria para encaixar devidamente no seu ADN sonoro.

O disco contém letras interessantes e apelativas, com o apelo sentido de Travels a ser a mais curiosa de um disco onde a temática do amor mais inocente e puro opôe-se às ideias de raiva e angústia que dominaram a escrita de Corgan durante muito tempo e que sempre encaixaram como uma luva na sua voz, novamente espontânea e ingénua. O registo num quase falsete que Corgan canta neste tema e que eu apreciei particularmente, é complementado, de modo assertivo, com a simplicidade do riff que remata o refrão e em Alienation, o modo como, a espaços, em vez de cantar quase declama, e aquela raiva incontida que nos é tão cara e que ele volta a exalar no emo punk de Marchin’ On, são mais duas demonstrações superiores da maturidade e do grau de integridade que Corgan consegue mostrar relativamente ao seu registo vocal único e ainda inconfundível.

Impecavelmente produzido,  Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun. é um disco curto, mas ousado no modo como procura fazer com que os The Smashing Pumpkins se tornem novamente relevantes, sendo louvável o modo como Corgan procurou reunir novamente os seus parceiros mais queridos e com eles oferecer-nos novas amostras que complementam superiormente todas as vidas que já viveu na banda que lidera, com um resultado coeso e que se escuta com particular interesse. Espero que aprecies a sugestão...

The Smashing Pumpkins - Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 - LP No Past. No Future. No Sun.

01. Knights Of Malta
02. Silvery Sometimes (Ghosts)
03. Travels
04. Solara
05. Alienation
06. Marchin’ On
07. With Sympathy
08. Seek And You Shall Destroy


autor stipe07 às 17:56
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God, The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegou aos escaparates há alguns dias. É um estrondoso trabalho discográfico, produzido por Tony Visconti e que poderá muito bem vir a figurar em várias listas dos melhores álbuns de dois mil e dezoito.

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O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn é, obviamente, a personagem central deste projeto que junta quatro músicos de insuspeita qualidade e com provas dadas no panorama indie britânico há várias décadas. Assim, falar da filosofia que Damon Albarn pretende como artista para este projeto The Good, The Bad And The Queen, que esperou quase uma dúzia de anos para ter um novo registo depois da espetacular estreia, e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou a solo, é algo impossível, já que em todos eles há um ponto em comum bem vincado, o modo como o homem Damon Albarn vê a contemporaneidade e em especial a Inglaterra e como, na pele do artista Damon Albarn, transporta as suas ideias e essa sua visão crítica bastante clínica, lúcida e clarividente para as canções que compôe e que, independentemente do género e estilo que abarcam (e os seus vários projetos permitem-lhe uma abrangência e um ecletismo ímpares), têm sempre um marco de excelência, de brilho e de bom gosto.

Assim, se o homónimo The Good, The Bad & The Queen narrava, de certo modo, uma jornada imaginária por algumas ruas mais obscuras de uma Londres cosmopolita mas ainda com fortes marcas ancestrais e com tradições que remontam à revolução industrial, Merrie Land deve imenso a algumas viagens que Albarn fez pelo norte de Inglaterra, nomeadamente pela zona costeira de Blackpool, de certo modo descritas quer no tema homónimo quer em Lady Boston, oferecendo-nos, assim, uma visão mais abrangente sobre o reino de sua majestade, com as suas onze canções a ganharem vida através de poemas comuns sobre o quotidiano ordinário de um típico bife, na busca de explicarem aquilo que é hoje o ser inglês, com a realidade civilizacional, social, económica e cultural do mesmo muito marcada pela crise financeira de início desta década em Inglaterra, as consequentes medidas de austeridade que potenciaram o brexit e, mais recentemente, a comemoração dos cem anos do fim da primeira grande guerra e as memórias familiares que este evento despoletou em muitas famílias inglesas que têm aproveitado o momento para homenagearem e recodarem alguns dos seus heróis esquecidos e as suas façanhas.

É pois, nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções como a descontraída e animada Gun To The Head ou a intrincada homónima. Esta última, por exemplo, é uma lindíssima peça sonora que nos coloca no meio de um teclado cósmico, de leves batidas e de uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Mas também nos detalhes doces da contemplativa Ribbons, no clima mais soturno de Nineteen Seventeen ou na sedutora Drifters & Trawlers se consegue sentir aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns. Espero que aprecies a sugestão... 

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree


autor stipe07 às 21:05
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Domingo, 18 de Novembro de 2018

The Vaccines – All My Friends Are Falling In Love

The Vaccines - All My Friends Are Falling In Love

Produzido por Ross Orton, Combat Sports foi o registo discográfico que os britânicos The Vaccines de Justin Young, Freddie Cowan, Pete Robertson, Árni Árnason, editaram na passada primavera, o quarto registo de originais da carreira deste projeto que se estreou em 2011 com o aclamado  What Did You Expect from The Vaccines? e que desde então tem pautado o seu percurso discográfico pela consolidação de uma estética sonora que, numa esfera indie rock, nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes dopunk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Agora, cerca de meio ano depois de colocarem nos escaparates esse alinhamento, os The Vaccines acabam de divulgar um novo single intitulado All My Friends Are Falling In Love, uma exuberante canção assente em cordas inspiradas e com uma luminosidade radiofónica ímpar, pouco mais de três minutos e meio de uma pop animada, dançavel e positiva, que antecipam uma nova digressão do grupo pelas ilhas britânicas. Confere...


autor stipe07 às 15:18
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Sábado, 17 de Novembro de 2018

Cat Power – Wanderer

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia Wanderer, o  décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que foi cedo viver para Nova Iorque onde conheceu  Steve Shelley (baterista dos Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista dos Two Dollar Guitar) que a encorajaram a gravar Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), os seus primeiros registos de originais e que, desde logo, chamaram a atenção de Matador Records, sendo este Wanderer o primeiro alinhamento que ela publica noutra etiqueta, neste caso a também insuspeita Matador Records.

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Uma das personalidades mais carismáticas e íntegras do indie rock atual, Cat Power oferece-nos em Wanderer mais um disco cheio de emoção e repleto de testemunhos de uma vivência pessoal que é, no fundo, comum a tantas mulheres da sua idade. E é curioso perceber que esta artista não é propriamente púdica no modo como se expôe aos seus admiradores e lhes conta eventos através das suas canções, quase como se estivesse a fazê-lo num balcão de um bar a uma das suas amigas numa noite de diversão. Aliás, escuta-se o dueto dela com Lana Del Rey em Woman e parece que estamos a testemunhar algo parecido com essa descrição. E depois, quando em Robin Hood ela disserta sobre as dificuldades da vida de quem tenta sobreviver com menos posses, ou quando em Me Voy ela fala diretamente connosco quase em jeito de despedida, percebemos esta proximidade que ela faz questão de ter com o ouvinte, esta busca clara de uma conexão que, como seria de esperar, faz que Wanderer tenha um clima geral bastante introspetivo, cheio de momentos de rara beleza e a exalarem a um forte travo a vulnerabilidade.

Produzido também com a ajuda da autora e com todos os instrumentos a serem tocados pela mesma, Wanderer deambula entre a folk, o blues e o melhor cancioneiro norte-americano, sabendo, por isso, sonoramente, a toda a carreira de Cat Power, já que foram estas as bitolas pelas quais ela se foi guiando nestas duas décadas, mesmo quando em Sun, o antecessor, ela explorou territórios mais eletrónicos e sintéticos, ou quando, neste mesmo Wanderer, nos oferece uma versão de Stay, um tema que Mikky Ekko produziu para o Unapologetic (2012), de Rihanna. Assim, cheio de pianos e guitarras inspiradas é, em suma, um registo de celebração de uma autenticidade rara nos dias de hoje, um disco que sabe a oferenda, mas também a versatilidade e empenho, por parte de uma das artistas mais marcantes, maduras e criativas do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Cat Power - Wanderer

01. Wanderer
02. In Your Face
03. You Get
04. Woman (Feat. Lana Del Rey)
05. Horizon
06. Stay
07. Black
08. Robbin Hood
09. Nothing Really Matters
10. Me Voy
11. Wanderer/Exit


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

Sea Pinks – Rockpool Blue

Belfast, na República da Irlanda, é o poiso dos Sea Pinks, de Neil Brogan e Davey Agnew, que estão de regresso aos discos com Rockpool Blues, oito canções fundidas por uma pop particularmente luminosa e incisiva, apimentada por um saboroso pendor lo fi e que viram a luz do dia há algumas semanas à boleia da CF Records. Gravado em Belfast, com o engenheiro de som Ben McAuley, em quatro dias, apos um período de composição que durou praticamente meio ano, entre outubro do ano passado abril deste ano, Rockpool Blues é já o sétimo álbum da carreira dos Sea Pinks, o primeiro sem a presença do baixista Steven Henry e sucede à dose dupla que foi Watercourse (2017) e Soft Days (2016), dois trabalhos que colocaram definitivamente este trio no trilho certo, firmemente posicionado naquela ténue fronteira que separa o chamado post punk daquela indie pop particularmente colorida e sorridente.

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Neste Rockpool Blue os Sea Pinks renovam com elevada dose de frescura e luminosidade o seu já rico cardápio, em vinte e oito minutos que se espraiem em composições assentes em guitarras estratosféricas e coloridas, que sustentam melodias intensas e cativantes, misturadas eficazmente com acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto. São canções que se debruçam sobre as pressões inerentes à vida adulta e ao choque que muitos de nós sentimos ao avançarmos na idade e, interiormente, muitas vezes, não acompanharmos, em termos de maturidade e aceitação de responsabilidades, a inevitabilidade cronológica a que ninguém consegue escapar.

Do impressionismo efusiante de Watermelon Sugar (Alcohol), à pop efervescente de Bioluminescence, passando pelo post punk que exala da guitarra do tema homónimo, pelo piscar de olhos ao melhor rock alternativo americano dos anos oitenta em Dumb Angel, ou pela exploração de territórios mais intrincados e acústicos no dedilhar sedutor das cordas em Versions Of You, este é um disco que se escuta devidamente se estiver bem presente a noção de que foi pensado à sombra de um universo muito específico que percorre vias menos óbvias, mas que mesmo dentro da temática algo angustiante sobre a qual se debruça, não deixou de buscar um intenso sentido melódico e uma cândura geral muito própria e aconchegante, capaz de soar sempre com enorme prazer nos nossos ouvidos, independentemente do nosso momento e do nosso estado de espírito.

Disco com felizes ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Rockpool Blue entra pelos nossos ouvidos com propósitos firmes e sacode-nos com composições contemplativas que nos permitem refletir e, ao mesmo tempo, obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar. Espero que aprecies a sugestão...

Sea Pinks - Rockpool Blue

01. Watermelon Sugar (Alcohol)
02. Rockpool Blue
03. Bioluminescence
04. Dumb Angel
05. Grown Up Kids
06. A Man In My Condition
07. Versions of You
08. The Apple


autor stipe07 às 17:40
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

Graveyard Club – Witchcraft

Graveyard Club - Witchcraft

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com o anúncio de um álbum intitulado Goodnight Paradise, que verá a luz do dia muito em breve. Dele já se conhece o single Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho  orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, uma receita que resulta num tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

Anna Calvi - Hunter

Já viu a luz do dia, à boleia da Domino Records, Hunter, o terceiro registo de originais da britânica Anna Calvi, sucessor do já longínquo One Breath, editado em dois mil e treze e que sucedeu ao aclamado registo de estreia, lançado dois anos antes, no início desta década. Num momento crucial da carreira, já que a autora, cantora e compositora tem chamado a si os holofotes da crítica devido ao seu registo vocal único e a um modus operandi sempre de difícil catalogação no que concerne ao modo como manuseia a guitarra, simultaneamente rugosa e gentil, percebe-se que Calvi ponderou com todo o detalhe o conteúdo de Hunter, não só porque não queria defraudar as elevadas expetativas que sobre si têm recaído, mas também, e principalmente, porque queria doar novas nuances, inclusive temáticas (a identidade de género é um tema muito presente em Hunter) ao seu já rico e heterógeneo cardápio sonoro.

Resultado de imagem para Anna Calvi 2018

Tendo PJ Harvey e Kate Bush como referências ímpares, Anna Calvi, mostra-se intrincada, subtil e sinuosa no modo como constroi melodias e a elas agrega arranjos e poemas, ao longo dos pouco mais de quarenta minutos que dura Hunter, um registo muito orgânico e profundo e com uma elevada dose de dramatismo, caraterísticas muito presentes logo no clima envolvente de As A Man e no modo incisivo e confessional como se refere à identidade de géneros no tema homónimo, em particular no refrão (Don’t Beat the Girl out of My Boy). Depois, na selvática e tremendamente sensual Indies or Paradise, por excelência o tema do registo que melhor mostra os enormes predicados vocais de Calvi, na majestosidade teatral de Swimming Pool, na agressividade sentida de Chain, no travo rock vintage da algo macabra Wish, na subtileza de Alpha e, na sequência, na melancolia de Away, somos tragados para o âmago de um registo que sabe a um catárquico exercício de individualidade. Tem esse cariz marcante porque vem do fundo da mente de uma mulher bem resolvida com a vida e com o modo como lida com a sua sexualidade e o prazer, mas Hunter pode ser interpretado de um modo ainda mais vasto e coletivo, já que também tem muito presente e subtilmente uma crítica e um desalinhameto relativamente às correntes mais conservadoras que têm plasmado à sua maneira a temática do feminismo, do sexismo e da igualdade de géneros, temas tão em voga na nossa contemporaneidade.

Hunter é, sem dúvida, o disco mais experimental, arriscado e dramático da carreira de Anna Calvi e, tendo em conta essas permissas e a sua elevada bitola qualitativa, é um notório marco de excelência sonora que nos é oferecido em bandeja de ouro por uma mulher adulta, mas também a tapar os buracos que o sucesso cada vez maior foi abrindo na sua alma numa década pessoal conturbada, fazendo-o com o máximo grau de autenticidade e com um vigor, confiança e clarividência, relativamente a si e ao mundo que a rodeia, que chega, às vezes, a ser inquietante. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:21
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Cloud Nothings – Last Building Burning

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que já tem finalmente sucessor. O novo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e viu a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

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Mais enérgicos e agressivos, no bom sentido, do que nunca, em Last Building Burning os Cloud Nothings aproximam-se sem rodeios e receios daquele rock que, algures entre o grunge e o emo, volta a colocar o grupo num rumo sonoro mais direto e espontâneo, em detrimento de um certo calculismo e polimento que marcou o antecessor Life Without Sound. De facto, logo na emergente On An Edge ou na frenética Leave Him Now, os Cloud Nothings mostram-se altivos, confiantes e entusiasticos no modo como se movimentam naquela que é, claramente, a sua zona de conforto, uma sonoridade que se orienta por guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, que acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade e uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia, como se percebe n clima progressivo de The Echo Of The World, um dos singles já retirados do registo.

Há em Last Building Burning uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido também para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade do disco acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Com firmeza, bom gosto, pujança e altivez, o grupo de Dylan Baldi dá, em dois mil e dezoito, mais um passo nobre e bem sucedido no histórico de uma banda que, sem deixar de ser rugosa, intensa e visceral, procurou recentemente um brilho mais acessivel e imediato, mas que realmente só mostra plenamente todos os seus predicados quando aposta numa abordagem ao noise através de um enraivecido negrume punk, que aqui é elástico, orelhudo, anguloso e até radiofónico. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - The Echo Of The World

01. On An Edge
02. Leave Him Now
03. In Shame
04. Offer An End
05. The Echo Of The World
06. Dissolution
07. So Right So Clean
08. Another Way Of Life


autor stipe07 às 18:26
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