Terça-feira, 17 de Julho de 2018

Gruff Rhys - Babelsberg

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta, faz amanhã quarenta e oito anos, é um músico do País de Gales conhecido tanto pela sua carreira a solo como pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário.

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A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destacou também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dosi mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século XVIII. Agora, em dois mil e dezoito, Babelsberg é o novo registo de originais do artista, dez canções que ampliam a um superior nível qualitativo a sua visão incomum daquelas que serão hoje os grandes eixso orientadores de uma pop que se quer cada vez mais alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existam limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais.

Com a paricipação especal da BBC National Orchestra Of Wales, preponderante em muitos dos arranjos dos temas, ao longo do alinhamento de Babelsberg somos confrontados com uma sequência bastante criativa de canções que, do rock sessentista à pop mais psicadélica da década seguinte, passando pela eletrónica oitocentista, oferecem-nos uma viagem no tempo algo atípica porque nunca deixa de haver um travo de contemporaneidade em toda esta amálgama.

Tomando como ponto de partida o habitual olhar crítico e clínico do autor perante o mundo atual, uma atitude bem expressa no título que alude à conhecida Torre de Babel do Antigo Testamento, um dos conceitos mais utilizados no momento de colocar na mesa cenários apocalípticos, Babelsberg está repleto de momentos bastante inspirados e que  comprovam que através da fusão de diferentes plataformas sonoras é possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história de um mundo que tem aonsciência de estar à beira do precipício mas que insiste no absurdo de não fazer marcha atrás. Assim, na pop classicista de Frontier Man, uma ode à herança de Cohen, passando pelo esplendor dos arranjos que abastecem Limited Edition Heart, pelo modo encantador como Rhys se entrelaça com a voz da cantora Lily Cole em Selfies In The Sunset, ou pela nostalgia de Same Old Song, percebe-se, com naturalidade, todo um clima de superior requinte e o modo como o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico e harmonioso.

Babelsberg é, sem dúvida, o disco mais ambicioso da carreira de Gruff Rhys, um trabalho coeso, dinâmico e conceptual e mais um marco na trajetória do músico. No seu âmago o disco transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys, um luxuoso naipe de canções que quase nos fazem desejar que o apocalipse realmente aconteça, caso seja esta a sua banda sonora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:07
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

William Duke - Quatro

Foi a vinte e sete de junho último que viu a luz do dia Quatro, o segundo registo de originais de William Duke, um músico e escritor natural de São Francisco, na Califórnia e que se movimenta dentro daquele típico indie rock norte-americano mais genuíno, que foi criando raízes no último meio século e que deve grande parte da sua identidade ao modo como incorpora alguns detalhes do jazz, do blues e da folk típica não só da costa oeste, geralmente de cariz algo lisérgico, mas também aquela folk mais sulista, que tem no banjo o instrumento de eleição. O resultado final é um álbum com uma filosofia sonora descontraída e bastante aditiva, comandada invariavelmente pelas cordas e enriquecida por letras com um elevado sentido de humor e descontração, onde abundam descrições muito expressivas acerca da contemporaneidade americana, onde a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude têm plano de destaque.

Foto de William Duke Presents.

Neste Quatro embarcamos numa viagem sonora inspirada e inspiradora, uma jornada que em pouco mais de meia hora nos permite pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este artista norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança local deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas. Assim, do extraordinário jogo de cordas que abastece Hotels And Meetings ao tremendo travo surf pop de Cue Up The Memories, passando pelo clima jovial e luminoso do single Caroline And The Silver Screen e pelo perfil nostálgico de Thank You, descobrimos ao longo do registo uma sonoridade simples, mas plena de expressividade e vida e que vai ampliando a nossa boa impressão acerca do autor, enquanto ele expôe todos os seus atributos para compôr telas sonoras com uma tonalidade algo cinza, mas plenas de sentimentos e emoções. A mais contemplativa e charmosa de As Good As It Gets é um bom exemplo deste nível apurado de abrangência, uma canção que acaba por enriquecer o elevado grau de ecletismo de um alinhamento que, recordando com particular nitidez alguns dos nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo, acaba por ser também uma banda sonora perfeita para um verão que se quer descontraído e vivido com alegria e boa disposição.

Quatro é, em suma, um desfilar exuberante de sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas, a navegarem numa espécie de meio termo entre a pop, o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

William Duke - Quatro

01. Caroline And The Silver Screen
02. Junk#2
03. Hotels And Meetings
04. Hotels End
05. Cue Up The Memories
06. As Good As It Gets
07. Complications#1
08. Thank You


autor stipe07 às 10:21
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2018

Dusted – Blackout Summer

Como membro fundador do projeto de eletrónica progressiva Holy Fuck, o canadiano Brian Borcherdt passou grande parte da sua carreira artística a compôr música de dança e ativo em sucessivas digressões desse projeto, sempre acompanhadas por milhares de seguidores da banda, conhecida por dar concertos capazes de levar o público quase à exaustão. Mas por trás dessa cortina, Brian foi compondo canções cuja sonoridade está sonora e dramaticamente a milhas dos Holy Fuck e um dia, num breve interregno da agenda frenética do grupo, Brian resolveu que também deveria dar vida a esses temas. Para isso incubou o projeto Dusted, contou com a ajuda de Leon Taheny e abrigado pela Hand Drawn Dracula, estreou-se em 2012 com o registo Total Dust. Agora, seis anos depois, viu finalmente a luz do dia o sucessor, um registo intitulado Blackout Summer, com nove canções criadas a partir de uma guitarra e da voz do autor, um encantador minimalismo que tem levado o grupo a abrir concertos de bandas como os Great Lake Swimmers, Perfume Genius ou A Place To Bury Strangers. Entretanto, aos Dusted juntaram-se Anna Edwards, na guitarra, Loel Campbell na bateria e ocasionalmente Anna Ruddick no baixo.

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Se a música dos Holy Fuck é perfeita para servir de banda sonora de uma noite de festa e diversão, Blackout Summer é aquele disco que queremos por a tocar na manhã seguinte. À medida que conferimos o seu alinhamento cruza-se com os nossos ouvidos uma cortina de sons de forte cariz etéreo e contemplativo e onde bom gosto e sobriedade são caraterísticas muito presentes, logo em Seasons, canção onde Brian mostra todos os seus predicados quer como cantor, quer como criador de melodias com uma luminosidade ímpar. Depois, na ode à pop inebriante do single Backwoods Ritual e no forte travo folk de All I Am, somos brindados com aquilo que mais precisamos numa manhã de ressaca, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze que, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave, possibilita instantes de relaxamento, mas também pode adequar-se a momentos de sedução e que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa, porque é comum essas noites não terminarem sem uma companhia muitas vezes inesperada.

Os Dusted servem-se, então, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. Às vezes pressente-se que Brian não sabe muito bem se queria que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinha a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Dusted, um projeto que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Dusted - Blackout Summer

01. Seasons
02. Backwoods Ritual
03. All I Am
04. Cut Corners
05. Dead Eyes
08. Will Not Disappear
07. No Prison
08. Five Hundred And Four
09. Outline Of A Wolf


autor stipe07 às 14:19
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Tape Deck Mountain – Echo Chamber Blues

Travis Trevisan, Andy Gregg e Sully Kincaid são os Tape Deck Mountain, um trio norte americano que se divide entre Nashville, no Tenessee e São diego na Califórnia e que acaba de regressar aos discos com Echo Chamber Blues, nove canções misturadas por Andy Gregg, o baterista do grupo e assentes num indie rock de forte travo progressivo e de elevada bitola qualitativa.

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Os Tape Deck Mountain já andam nestas andanças há uma década, mas Echo Chamber Blues é apenas o terceiro disco da carreira do grupo. Estrearam-se em dois mil e nove com Ghost, quatro anos depois aprimoraram a fórmula da estreia com o excelente Sway e agora, cinco anos depois, neste Echo Chamber Blues, limam arestas e proporcionam ao ouvinte um caldeirão sonoro assente num shoegaze que, entre ambientes mais contemplativos e outros mais arrojados, não vive só do baixo e da guitarra (abastecida por onze pedais diferentes só neste disco), mas também da bateria, a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como o amor e alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea.

Acaba por ser através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime, que temas como a imponente I Will Break You, a intrincada Morse Code, ou o sublime instrumental Bueu, nos permitem contemplar belíssimas improvisações melódicas, cheias de detalhes e sem grande excesso, num disco rematado por um belíssimo acabamento açucarado, fruto do excelente trabalho de produção do baterista da banda e pleno de potencial para criar em nós paisagens melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Deck Mountain - Echo Chamber Blues

01. Is
02. Loopers Of Bushwick
03. Morse Code
04. Elephant
05. Bueu
06. I Will Break U
07. IQU
08. Halo
09. Locations


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2018

Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel

Já chegou aos escaparates Tell Me How You Really Feel, o segundo registo de originais da australiana Courtney Barnett, um trabalho produzido pela própria e por Burke Reid e Dan Luscombe e lançado pela Milk! Records, etiqueta da própria Barnett e ainda pela Mom + Pop Music e pela Marathon Artists. Tell Me How You Really Feel sucede a Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, o feliz título do arrebatador disco de estreia de Courtney Barnett, que viu a luz do dia há pouco mais de três anos e que à epoca sucedeu aos EPs I've Got a Friend Called Emily Ferris (2011) e How to Carve a Carrot into a Rose (2013), editados depois conjuntamente em The Double EP: A Sea of Split Peas, em 2013.

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No radar da crítica especializada desde o EP A Sea of Split Peas, Courtney Barnett tem-se mostrado nesta última meia década bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida comum e do seu próprio quotidiano e os transforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. E se na estreia, há três anos, procurou um ambiente eminentemente festivo e jovial que nos levasse a colocar o nosso melhor sorriso eufórico e enigmático e a passar a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, ao som de uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilhava daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, agora a opção foi por uma atmosfera menos imediata e um pouco mais intrincada e até amargurada e agressiva, com Hopefulessness, tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra, a define, logo à partida, não o clima instrumental do alinhamento, mas, pelo menos, a sua temática algo agreste (No one’s born to hate, We learn it somewhere along the way, Take your broken heart, Turn it into art).

A partir desse prometedor início de alinhamento, no azedume abrasivo de City Looks Pretty, canção que conta com as irmãs Deal dos The Breeders nas vozes secundárias, no turbilhão ruminante da distorção que sustenta Charity, no modo como a autora depreza todos aqueles que a julgam no charme algo displiscente mas feliz de Need A Little Time, no modo tenso como o ruído trespassa a voz no refrão de Nameless, Faceless e, principalmente, na raiva incontida do grunge que arquiteta e agita I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch fica expresso, de modo sintomático, um certo paradoxo sonoro, uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, onde o rock e a pop, o doce e o amargo e, enfim, aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético se entrelaçam.

Álbum repleto de alusões ao desentendimento e ao lado menos radiante do amor, Tell Me How You Really Feel terá como importante propósito mostrar que a vida pode tornar-se num caminho sinuoso, mas que percorrer essa estrada não tem de ser algo vivido em permanente inquietude e depressão, desde que os fantasmas sejam exorcizados no momento certo. Os acordes deambulantes que empoeiram com ruído e frenesim a maioria das canções manifestam instrumentalmente estas experiências de vida sincera e fazem do registo uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar e saborear em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas.. Espero que aprecies a sugestão...

Courtney Barnett - Tell Me How You Really Feel

01. Hopefulessness
02. City Looks Pretty
03. Charity
04. Need A Little Time
05. Nameless, Faceless
06. I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch
07. Crippling Self Doubt And A General Lack Of Self Confidence
08. Help Your Self
09. Walkin’ On Eggshells
10. Sunday Roast


autor stipe07 às 14:10
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Domingo, 1 de Julho de 2018

Gorillaz – The Now Now

Pouco mais de um ano depois de Humanz, já chegou aos escaparates The Now Now, o mais recente disco dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, um trabalho produzido por James Ford e Remi Kabaka Jr e anunciado logo após o lançamento do antecessor e durante a longa digressão de promoção de Humanz.

Apesar de contar com dois produtores de créditos firmados, The Now Now é um disco muito centado na capacidade criativa, quer lírica, quer sonora e instrumental de Damon Albarn. Se Humanz, um registo em que Albarn pouco cantou, continha uma vasta lista de convidados, que cantaram e tocaram em quase todo o alinhamento do álbum, desta vez, à excepção de George Benson, Snoop Dog e Jamie Principle, é Albarn que toma as rédeas, quem mais canta e, servindo-se de um isolamento que potenciou tremendamente a sua capacidade de criar e compôr, cria um dos trabalhos mais interessantes da carreira dos Gorillaz.

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Com particular ênfase numa pop de cariz eminentemente sintético, com raízes do lado de lá do atlântico e que diz cada vez mais a Albarn, The Now Now é um sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B na mira, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula. Mas este rock parece cada vez mais afastado do ponto concetual nevrálgico do projeto, com a eletrónica a abraçar-se principalmente a outras vertentes que sustentam muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje. Assim, se Humility serve-se das teclas sintetizadas e de diversos efeitos para se tornar num dos mais deliciosos apontamentos de charme, seneridade e harmonia da carreira dos Gorillaz e se Hollywood, muito por culpa de Snoop Dog, mantém viva a melhor tradição de abordagem a uma urbanidade americana que esteve sempre impressa no grupo, canções como a desafiante Kansas, a futurista Sorcererz, o dub tremendamente dançavel de Lake Zurich, ou a mais contemplativa e etérea Idaho, para mim a melhor canção do álbum, servem-se de alguns dos melhores artefactos tecnológicos que é possível encontrar hoje num estúdio de gravação para firmarem de modo arrojado este capítulo seguro numa linha de continuidade que, tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, busca uma filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido, um público que procura também na dita pop uma filosofia de criação sonora que foge ao mainstream e que não necessita de ter como objetivo principal o airplay radiofónico.

Aos cinquenta anos Damon Albarn continua a escrever canções para a banda animada mais famosa do mundo porque acredita na ideia romântica de que um grupo mundialmente famoso pode transformar o planeta em que vivemos num sítio melhor. Se em 2010 Plastic Beach centrava-se nas alterações climáticas e na poluição e se o ano passado Humanz dissertava sobre alguns dos principais dilemas e tiros nos pés que a sociedade contemporânea insiste em dar, ainda nos dias de hoje, com o Brexit, Trump e o racismo, The Now Now é súmula e materialização de tudo aquilo que cada um de nós, na sua individualidade, precisa diariamente, independentemente da origem, para se sentir realizado e feliz sem depender da dita classe dominante, uma elite feita de políticos e milionários que pensam em tudo menos no bem comum. Magic City é, muito provavelmente, a descrição, na óptica de Albarn, do local perfeito para encontrarem paz todos aqueles que acreditam que ainda há esperança para todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Humility (Feat. George Benson)

02. Tranz
03. Hollywood (Feat. Snoop Dogg And Jamie Principle)
04. Kansas
05. Sorcererz
06. Idaho
07. Lake Zurich
08. Magic City
09. Fire Flies
10. One Percent
11. Souk Eye


autor stipe07 às 18:55
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Mimicking Birds – Layers Of Us

Quase quatro anos depois do excelente Eons, os Mimicking Birds, de Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, estão de regresso com Layers Of Us, um trabalho editado no início deste ano através da Glacial Pace Records, estando disponivel para audição e aquisição na página bandcamp do projeto.

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O efeito da guitarra e os efeitos rugosos do tema que dá nome ao disco e a melodia cinematográfica que sustenta o tema, são detalhes únicos que, abrindo o disco, preparam-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nu, sem truques, no ritmo frenético e no clima rugoso de Another Time e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que divagam pela canção. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança norte americana deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas no outro lado do atlântico.

Layers Of Us é um trabalho que cresce audição após audição; Mesmo não estando na lniha da frente do processo de criação melódica, os sintetizadores conseguem conciliar a efervescência dos efeitos que debitam, com a indispensável dinâmica que constroem com as guitarras, um abraço instrumental que conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem expansivo e épico, mas também com uma intimidade muito própria e familiar.

Um dos aspetos mais interessantes de Layers Of Us é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração. Se a acusticidade orgânica de Island Shore não é beliscada pela eletrificação da guitarra, o baixo e a percussão também são elementos estruturalmente dominantes em várias canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em A Part e no rock de One Eyed Jack, à abordagem mais eletrónica de Great Wave, ou da mais ambiental Belongings, Layers Of Us está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Sunlight Daze e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite.

No epílogo de Layers Of Us percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Layers Of Us

01. Dust Layers
02. Another Time
03. Sunlight Daze
04. Island Shore
05. Great Wave
06. A Part
07. Belongings
08. Lumens
09. Time To Waste
10. One Eyed Jack


autor stipe07 às 21:21
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Jorge Ferraz - Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?

Numa edição da sempre muito recomendável Cobra Discos, já viu a luz do dia Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o novo capítulo discográfico de Jorge Ferraz, um consagrado músico e guitarrista que embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, tem na guitarra a sua grande obsessão. Este compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde o início dos anos oitenta, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, um projeto cujo primeiro registo foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da FNAC, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997. Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X, foram outros projetos em que se envolveu, tendo sido também cofundador da efémera banda João Peste & o Acidoxibordel que reuniu, entre outros, músicos dos Pop Dell’Arte e dos Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, bem como o saxofonista Rodrigo Amado.

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Em 2006 Jorge Ferraz passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns, um em dois mil e oito e outro em dois mil e dez. Foi produtor dos seus discos a solo e de grande parte das edições das bandas que integrou, tendo ainda desempenhado essas funções com os Pop Dell’Arte e os The Great Lesbian Show. Publicou também poesia e ensaio em revistas como Vértice e Bumerangue, bem como um livro de contos, Telescópio Quebrado Scanner Descontínuo, na Black Sun Editores. Desde 2013 que é igualmente membro fundador do colectivo multimédia Cellarius Noisy Machinae.

No que concerne ao conteúdo de Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o registo contém dezasseis canções que são compêndios de poesia-ruído assumidamente radicais, serenamente aquáticas e borbulhantes e/ou violentas e distorcidas, organizadas em quatro movimentos/partes - talvez pseudo-géneros musicais distintos - com uma duração de cerca de 40 min. Um caminho que vai de infantis melodias de adeus a súbitas atonalidades intrometidas, num sempre aberto jogo de manipulação analógica e digital de tempos, “pitches” e “loops” que resulta do confronto entre a guitarra e outras máquinas. Um vaivém entre o interventivo e o contemplativo, a ruptura activa e a desistência, o rigor maníaco e a displicência ladina, o romântico e o desencantamento irónico. Música e temas onde também se pergunta o que é a identidade de um artista e criador e de onde vem. Qual é a sua liberdade e onde reside a sua coerência? Um romantismo derrotado... de que nunca se desiste.

Rock , eletrónica e jazz são, de certo modo, os grandes eixos orientadores da filosofia sonora deste Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, disco onde tudo aquilo que se escuta sabe a uma verdadeira e inspirada ode ao improviso, numa busca constante de sons e melodias que de anárquico terão muito pouco. Assim, do jazz funk de Beirut, the policeman said, versão de uma música incubada no seio dos Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!, ao travo eminentemente jazzístico do rock que sustenta Free Rock Songs for Losers and Romantics, que se repete de modo mais subversivo e caricatural em Sax Bitch e que assume uma toada mais abrasiva em Fake-Jazzy Adventures with Alien Breakdowns and Broken Instruments até ao travo pop e de certo modo mais radiofónico de  There is No Second Time and I Feel Fine, este é um disco que procura unificar, através daquilo que o autor apelida de guitartrónica pessoal, toda a miríade de ruídos, ritmos, cadências e pulsares que o  inspiram, mas também o inquietam. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:52
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

The Wave Pictures – Brushes With Happiness

Uma das bandas mais profícuas e queridas do cenário indie britânico são os The Wave Pictures de David Tattersall, Franic Rozycki e Johnny 'Huddersfield' Helm, nestas andanças há uns doze anos, mas que estrearam uma segunda vida discográfica em 2011 com Beer In The Breakers e que têm habituado os seus seguidores a pelo menos um lançamento discográfico de relevo por ano. Em 2018 elevam a fasquia e editam dois compêndios, sendo o primeiro Brushes With Happiness, nove canções gravadas espontaneamente pelo trio em apenas um dia de janeiro, num pequeno estúdio caseiro, abrigadas à sombra da Moshi Moshi Records e que, conforme explica Dave Tattersall, o líder da banda, têm um lado muito espiritual e sentimental; We recorded this album live in a small room to tape on one night in January, playing music into the wee hours. Listening to the album feels like being in a ceremony. It takes you to that place. This is music that emanates from one group of people in one place in space and time. Listening to it is like being let in on a secret. Depois deste Brushes With Happiness, chegará em outubro aos escaparates Look Inside Your Heart, um disco menos intuitivo e mais elaborado e refletido, o que não significa automaticamente que venha a ser qualitativamente superior. Veremos.

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Brushes With Happiness mostra o lado mais contemplativo e cru dos The Wave Pictures. É um registo eminentemente acústico onde canções como The Little Window, que mistura blues e folk com uma certa psicadelia, ou a mais orgânica Jim, assim como as nuances classicistas do rock que abastece o tema homónimo, são excelentes instantes sonoros para se perceber o modo como o processo de composição do trio assenta, acima de tudo, na mente criativa de Dave Tatterstall e na sua guitarra. Esse instrumento é o eixo orientador do processo melódico e rítmico das canções, que segue muitas vezes pelo caminho mais simples e minimal no processo de criação, uma aparente ligeireza que acaba por dar um ar mais familiar e ligeiro às canções, o que faz com que o disco flua com enorme prazer.

Os The Wave Pictures não gostam muito de obedecer a convenções e acima da perfeição colocam o seu talento tipicamente indie ao serviço do gozo que lhes dá criarem composições que toquem no âmago pela tal familiariedade que exalam, mas que também tenham uma tonalidade acessível e otimista. A longa Laces é um excelente exemplo da facilidade com que os The Wave Pictures modelam canções que, pela sua duração poderiam ser aborrecidas, mas que, devido neste caso à toada blues que a sustenta, tornam-se em instantes de elevado prazer.

O disco terá nascido, naturalmente, com processos eminentemente analógicos, normais num ambiente bastante intimista; Este toque algo vintage acaba por conferir ao trabalho um certo charme algo indisfarçável. E ao longo das nove canções Tattersall revela-se, mais uma vez, um brilhante escritor de canções, nas quais escreve imensas vezes na primeira pessoa e referindo-se certamente a ele próprio. Mas o que mais impressiona na sua escrita é a combinação recorrente entre a sinceridade e o sarcasmo e o detalhe com que pinta determinados cenários que quase conseguimos visualizar.

Brushes With Happiness é uma aparente repetição mais intimista de uma fórmula que tem sido muito bem sucedida num projeto já com uma extensa discografica, mas que não completou ainda uma década de carreira no regresso à ribalta, mas é mais uma acha certeira para a fogueira do culto que esta banda já usufrui, principalmente em terras de Sua Majestade, alimentada em grande parte por uma fórmula sonora que nos mostra que na música são os prazeres mais simples, aqueles que melhor recompensam o ouvinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Wave Pictures - Brushes With Happiness

01. The Red Suitcase
02. Rise Up
03. Jim
04. Laces
05. The Little Window
06. Crow Jane
07. The Burnt Match
08. Brushes With Happiness
09. Volcano


autor stipe07 às 23:22
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

Spiritualized – I’m Your Man / A Perfect Miracle

Spiritualized - I'm Your Man - A Perfect Miracle

Será a sete de setembro próximo e à boleia da Fat Possum que irá ver a luz do dia And Nothing Hurt, disco que quebra um hiato de seis anos dos britânicos Spiritualized e que sucede ao muito aclamado Sweet Heart Sweet Light, um dos álbuns que mais rodou na nossa redação em 2012. And Nothing Hurt será o oitavo disco da carreira dos Spiritualized e foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do projeto, numa pequena divisão da sua casa, contendo nove canções que, num processo contínuo de tentativa vs erro, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

Como primeira amostra do álbum, os Spiritualized acabam de divulgar duas das nove canções do seu alinhamento, os temas, A Perfect Miracle e I’m Your Man. As duas canções assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o habitual travo lisérgico de Pierce, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma. Confere...


autor stipe07 às 19:05
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