music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Continuam a ser reveladas estrondosas composições de Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). E à medida que se abre o pano sobre aquele que será, certamente, um dos melhores discos de dois mil e dezanove, ficamos cada vez mais entusiasmados com a proximidade da data de lançamento, prevista para quatro de outubro, à boleia da Captured Tracks.
Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.
Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou, pouco depois do lançamento desse trabalho, que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas.
Sendo o conteúdo de Deceiver também muito centrado nessa questão psicotrópica, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo há já dois meses, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia e emTaker, a segunda composição também manteve essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa. Blankenship, a nova canção divulgada do registo, atesta, de vez, esta teoria, oferecendo-nos a composição mais ruidosa, efervescente e crua das três já conhecidas, um portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza, idealizado por um um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Confere...
Com raízes nos extintos Tornados e no sempre pulsante e inovador movimento criativo da cidade do Porto, os LOLA LOLA formaram-se há meia década, fruto da junção de um trio já muito experimentado nas lides musicais, Tiago Gil (Guitarra), Miguel Lourenço (Baixo) e Hélder Coelho (Bateria), que receberam de braços abertos a desconcertante voz de Carla Capela, conhecida da noite portuense como DJ Just Honey e o sax barítono de Rui Teixeira.
Alimentados pelo universo musical das décadas de 50 e 60 e inspirados pelo R&B/Popcorn, 60´s Beat e Rock n’ Roll, os LOLA LOLA assinaram, no início de 2015, pela prestigiada editora independente Sleazy Records, à boleia da qual lançaram os singles Money in the Can (Junho/2015), Sweet Lovin' (Dezembro/2016) e o double-siderVoodoo Man/ Voodoo Woman (Fevereiro/2018).
Com as suas canções destacadas um pouco por todo o mundo por djs de culto, rádios e blogosfera musical, os LOLA LOLA também têm tocado por toda a Península Ibérica, granjeando uma cada vez mais vasta e fiel legião de fãs que irá certamente ampliar-se devido a Killed A Man In The Field, o novo lançamento do grupo, um sete polegadas que tem como b side uma recriação enérgica do clássico Somebody’s always trying de Joy Byers e que marca a estreia dos LOLA LOLA pela soberana Chaputa! Records.
Este quarto registo fonográfico dos LOLA LOLA, ilustrado por Rui Ricardo, produzido por Nuno Riviera e masterizado por Mike Mariconda, vê a luz do dia amanhã, mas o tema principal, uma canção que nos leva a viajar por uma larga paisagem de cor e infinito, (...) um rasgo de primordial simplicidade, com uma melodia assente numa base densa e segura, já tem direito a um video captado na Reserva Natural do Estuário do Douro e com brilhantes interpretações de Carla Capela e Tiago André Sue. No filme, assinado por Rodrigo Areias e Susana Abreu, contemplamos uma história de amor trágico que trespassa corações, revelando-se na eternidade da paisagem que a vida é efémera.
Sempre com sede de estrada, os LOLA LOLA aproveitam o lançamento deste 7’ para regressar aos concertos, no Sabotage Club, dia 18 de Outubro e no Barracuda Clube de Roque, no dia seguinte. Confere...
Depois da devastação provocada pelo furacão Dorian em algumas regiões das Caraíbas, com especial enfoque no arquipélago das Bahamas, foram várias as iniciativas do meio artístico com vista à angariação de fundos para os milhares que sofreram com esse fenómeno natural. Os R.E.M. foram um desses casos mais visíveis, com a divulgação de uma canção do grupo que estava guardada há quase vinte anos e à espera do momento certo para se revelar.
Fascinating é o nome desse tema inédito da banda de Athens, na Georgia, uma composição gravada em dois mil e um nos Compass Point Studions, em Nassau, capital das Bahamas, durante as sessões de Around The Sun, o décimo terceiro álbum da carreira dos R.E.M. e que esteve para fazer parte do alinhamento do álbum seguinte, Reveal, editado três anos depois.
À época Fascinating era um dos temas preferidos de Michael Stipe de todas as composições que os R.E.M. estavam a compôr mas, por motivos pouco claros, acabou por não fazer parte de Reveal. Seja como for, esta belíssima melodia, assente num piano suplicante, uma batida sintetizada suave e vários efeitos borbulhantes, onde não faltam sopros, revelou-se em boa hora, com as receitas da sua venda, cerca de dois dólares, a reverterem para a fundação Mercy Corps, uma das mais ativas na ajuda imediata às vitimas do furacão e no apoio futuro à reconstrução das Bahamas. Confere...
“We first became aware of Mercy Corps around the time of Hurricane Katrina, and we supported their efforts to help in that situation, I spend a lot of time every year in the Abaco Islands, which was literally ground zero for this disaster. I know a lot of people who lost everything—their homes, their businesses, literally everything they own is gone. I approached [R.E.M. manager] Bertis [Downs], and said, ‘ want to do something as a band to help out however we can. He suggested Mercy Corps, and I said, ‘That’s great—they’re a great organization.” (Mike Mills, baixista dos R.E.M.).
Cordas acústicas ou eletrificadas e de diferentes fontes, mas dedilhadas com inusitado prazer e uma prestação melódica irreprrensível, são o prato forte da banda sonora original do filme Days of the Bagnold Summer , um maravilhoso trabalho de interpretação sonora de uma trama realizada por Simon Bird e baseada no romance homónimo de Joff Winterhart que conta a história de um adolescente amante de heavy metal cujos planos para o verão vão por água abaixo no último minuto. Assim, vê-se preso por três longos meses à pessoa com quem mantém a relação mais enervante do mundo, a sua mãe. O protagonista desta história é interpretado por Earl Cave, actor já conhecido por participar na série The End of the F***ing World e os autores da banda sonora os escoceses Belle And Sebastian de Stuart Murdock, abrigados, como é habitual, pela Matador Records.
A banda sonora de Days Of The Bagnold Summer conduz-nos até ao âmago daquela indie pop plena de sentimento e emotividade e, também por isso, tremendamente orelhuda. Canções do calibre de I Know Where the Summer Goes, uma daquelas canções que nos fazem sorrir de orelha a orelha mesmo que sem razão aparente, assim como os sopros da mais roqueira e atrevida Get Me Away From Here I’m Dying, já agora dois temas antigos dos Belle And Sebastian que estavam guardados na gaveta, têm esse efeito soporífero de nos agarrar pela mão e nos permitir fazer uma pausa melancólica e introspetiva, mas também festiva e colorida, dos nossos afazeres quotidianos, instigando-nos a imaginar e a recriar a nossa própria trama de um filme que terá, certamente, um travo fascinante e envolvente, até porque esta banda sonora é um registo que soa, no seu todo, otimista, alegre e descontraído e todos sabemos bem da importância que esta componente sonora dos filmes tem no sucesso dos mesmos no grande público.
També por causa deste conjunto de canções criadas pelos Belle And Sebastian, Days of the Bagnold Summer será, claramente, um filme tipicamente indie, coberto por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, adornado com canções de elevada bitola qualitativa e que seduzem pela forma genuína e simples como retratam eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro e fantástico de um adolescente e uma mãe que terão, nos seus opostos, dicotomias e divergências profundas, marcas e traços identitários comuns a qualquer um de nós. Espero que aprecies a sugestão...
01. Sister Buddha (Intro) 02. I Know Where The Summer Goes 03. Did The Day Go Just Like You Wanted? 04. Jill Pole 05. I’ll Keep It Inside 06. Safety Valve 07. The Colour’s Gonna Run 08. Another Day, Another Night 09. Get Me Away From Here I’m Dying 10. Wait And See What The Day Holds 11. Sister Buddha 12. This Letter 13. We Were Never Glorious
Os escoceses Belle And Sebastian já têm sucessor para o aclamado álbum How to Solve Our Human Problems, lançado o ano passado. O novo trabalho discográfico da banda liderada por Stuart Murdock é a banda sonora do filme Days of the Bagnold Summer e irá ver a luz do dia amanhã, através da etiqueta habitual da banda, a Matador Records.
Realizado por Simon Bird, Days of the Bagnold Summer é um filme tipicamente indie, baseado no romance homónimo de Joff Winterhart. A trama conta a história de um adolescente amante de heavy metal cujos planos para o verão vão por água abaixo no último minuto. Assim, vê-se preso por três longos meses à pessoa com quem mantém a relação mais enervante do mundo, a sua mãe. O protagonista desta história é interpretado por Earl Cave, actor já conhecido por participar na série The End of the F***ing World. O filme está previsto para estrear no próximo ano.
Sister Buddha foi o primeiro single revelado deste novo álbum dos Belle And Sebastian e tema principal da banda sonora da película, que contém onze canções originais e duas novas versões de temas antigos do grupo escocês, I Know Where the Summer Goes e Get Me Away From Here I’m Dying. Safety Valve, a sexta canção do alinhamento, também é um tema antigo dos Belle And Sebastian, mas nunca foi gravado em estúdio anteriormente.
Quanto a This Letter, o mais recente single retirado da banda sonora, é uma canção melodicamente feliz e que conduzindo-nos de volta aos melhores instantes acústicos dos Belle And Sebastian, contém aquele requinte vintage que um dedilhar de cordas exemplar e luminoso nos oferece, sendo mais uma excelente porta de entrada para um alinhamento que será certamente instrumentalmente irrepreensível e sem atropelos ou agressividade desnecessária. Confere...
Formados em mil novecentos e noventa e sete, os míticos Pernice Brothers já não davam notícias desde o excelente registo Goodbye, Killer, editado em dois mil e dez. Depois desse disco, Joe Pernice, o grande mentor deste curioso projeto natural de Massachusetts e ao qual se junta o irmão Bob, voltou a reunir-se com os the Scud Mountain Boys, formou os New Mendicants com Norman Blake e Mike Belitsky, editou um álbum com o nome artístico Roger Lion, ajudado pelo produtor de hip-hop Budo e ainda escreveu para uma série televisiva canadiana intitulada The Detail. Agora, nove anos depois de Goodbye, Killer, os Pernice Brothers regressaram finalmente à linha da frente das prioridades artísticas de Joe, à boleia de Spread The Feeling, registo em que além da dupla de irmãos podemos conferir nos seus créditos nomes tão ilustres como Peyton Pinkerton, James Walbourne, Patrick Berkery, Ric Menck, Neko Case, Pete Yorn, Liam Jaeger e muitos outros.
Sexto disco da carreira dos Pernice Brothers, Spread The Feeling foi gravado e misturado em Boston, Toronto e Washington e oferece-nos uma ode bastante realista e inspirada à herança sonora mais genuína de uma América que tem no garage rock com laivos de grunge, retratado com mestria em Mint Condition, uma das suas melhores inovações e adições à história musical contemporânea. Mas apesar de serem confessos apreciadores de um registo sonoro particularmente sujo e lo fi, os Pernice Brothers também nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante.
Assim, se aquela pop particularmente luminosa, radiofónica e tipicamente oitocentista é retratada com encanto na vibe soalheira que mistura cordas e pianos com esplendor em The Devil And The Jinn, também é audível no efeito da guitarra e no andamento frenético de Throw Me To The Lions e, numa filosofia estilística semelhante, no baixo imponente que conduz Lullabye. Depois, se o rock mais clássico está carimbado na ligeireza nada subtil de Skinny Jeanne e aquela indispensável abordagem mais soul presente em I Came Back, também somos, neste alinhamento rico e variado, convidados a viajar nas asas da folk mais genuína, irrepreensivelmente retratada nas cordas e na harmónica de Whiter On The Vine e, de modo mais intimista, na balada The Queen Of California.
Disco com um têmpero lo fi muito próprio e, no computo geral, guiado por um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista, Spread The Feeling escuta-se de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles trabalhos que provam que o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...
01. Mint Condition 02. Lullabye 03. The Devil And The Jinn 04. Always In All Ways 05. Evidently 06. Wither On The Vine 07. Throw Me To The Lions 08. Skinny Jeanne 09. The Queen Of California 10. I Came Back 11. Eric Saw Colors 12. Frank Say (Bonus Track) 13. Unsound (Bonus Track)
No último ano do século passado, mil novecentos e noventa e nove, os Death Cab For Cutie tinham apenas um par de anos de carreira. Nesse ano , um gasoduto explodiu em Bellingham, a cidade natal do grupo, perto de Washington e em resultado desse evento três crianças morreram, um rapaz de dezoito anos e dois com apenas dez. Este é, de certo modo, o ponto de partida para The Blue EP, o novo tomo de canções deste projeto formado atualmente por Ben Gibbard, Nick Harmer, Jason McGerr, Dave Depper e Zac Rae e que continua, esplendorosamente, a testar a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe, como muito poucas, como agradar aos fãs.
In the waters where we used to swim, Where we thought we would be young forever, But beads that glisten on your sunburnt skin, Evaporated in the flames and embers, canta Ben Gibbard em Kids In ’99, o tema nevrálgico de The Blue EP e que nos oferece aquela irresistível sonoridade ampla, límpida, mas também indesmentivelmente intrincada e detalhisticamente rica que carateriza este trio. Nela, a voz cristalina de Gibbard, a delicadeza da guitarra e o vigor percursivo, mostram-se sem qualquer parcimónia, aglutinando um indie rock puro e genuíno, de calibre ímpar e com uma radiofonia que também não é, certamente, inocente.
Mas não é este single apenas o grande momento alto de The Blue EP. Aliás, o alinhamento começa em grande estilo com To The Ground, um portento sonoro épico conduzido por uma bateria grave que dá à tarola um protagonismo raro, um baixo eficaz e uma guitarra insinuante, sempre ali, a meio caminho de uma postura groove, mas de setas apontadas a riffs cheios de distorção, um tratado de pós punk que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste subgénero do indie rock. Depois, num registo oposto, a cândura da acusticidade singela de Man In Blue, uma canção sobre a recusa em dialogar com um amor antigo, proporciona-nos o contacto feliz com a tal faceta mais sentimental e profunda dos Death Cab For Cutie. Depois, Before The Bombs, uma descrição de uma zona devastada por um cenário de guerra, ganha raízes numa toada mais pop e radiofónica e, por fim, Blue Bloods, nas asas de guitarras planantes e efeitos bastante sedutores e de timbre eminentemente metálico, induz-nos, sem dó nem piedade, aquele habitual grau de emotividade que carateriza o adn do grupo.
Gravado e produzido por Peter Katis, Rich Costey e a própria banda durante as mesmas sessões de gravação que incubaram Thank You For Today, o disco que os Death Cab For Cutie editaram o ano passado, The Blue EP mantém o projeto norte-americano na senda de uma narrativa geral em que o conceito de tragédia e dor é, decerto modo, o eixo fulcral do arquétipo filosófico das suas criações sonoras, mas em que é audível um equilibrio e balanço feliz, já que a opção sonora geral é rica em momentos deslumbrantes e que viciam facilmente. Espero que aprecies a sugestão...
01. To The Ground 02. Kids In ’99 03. Man In Blue 04. Before The Bombs 05. Blue Bloods
E já a dezoito de outubro que chega aos escaparates Bang, o novo registo de originais dos suecos Mando Diao, uma banda de rock alternativo formada em dois mil e um, com origem em Borlänge e formada atualmente por Björn Dixgård, Mats Björke e Carl-Johan Fogelklou. Bang será o nono tomo da carreira dos Mando Diao, sucedendo ao excelente trabalho Good Times, editado na primavera de dois mil e dezassete.
Long Long Way é o mais recente single divulgado de Bang, uma composição bastante otimista e que impressiona pela exuberância das cordas e dos arranjos que as adornam, fazendo adivinhar um trabalho um pouco diferente de uma suposta escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock, cheio de adrenalina e com uma forte filosofia garageira, talvez o território onde este quarteto sueco se tem sentido mais confortável ao longo da carreira. Será, portanto, um registo um pouco diferente do que estamos habituados nos Mando Diao, que se têm valorizado pela originalidade simultaneamente vintage e contemporânea das suas obras, discos que sustentam uma identidade firme e coesa de uma banda que merece, claramente, uma superior projeção. Confere...
22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseis, já tem sucessor. O novo trabalho do grupo liderado por este músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, tem novamente a chancela do selo Jagjaguwar e contém treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.
i,i é o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver e conta com as participações especiais de James Blake, Aaron e Bryce Dessner, Moses Sumney, Velvet Negroni, Sean Carey, Andrew Fitzpatrick, Mike Lewis, Matt McCaughan, Rob Moose, Jenn Wasner, Phil Cook, Bruce Hornsby, Channy Leaneagh, Naeem Juwan, Veludo Negroni, Marta Salogni, Francis Starlite, Moses Sumney, TU Dance, o coro Brooklyn Youth e muitos outros, uma infindável lista que atesta o grau de ecletismo e de heterogeneidade de treze canções com uma sonoridade única e peculiar. É um alinhamento repleto de paisagens sonoras que, do minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental, ao R&B, passando pelo hip-hop e a típica pop do outro lado do atlântico, estão impregnadas com uma beleza e uma complexidade tal que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início.
Nos efusiantes sopros e nas cordas vibrantes e luminosas de iMi, mas também na tonalidade eminentemente grave de We, induzida por um baixo vigoroso, acompanhada por uma vasta miríade instrumental, sempre insinuante, que busca a criação de uma paisagem algo inquietante, é-nos apresentado um álbum que até ao seu ocaso está repleto de paisagens onde o orgânico e o sintético se misturam com superior elegância. Estamos, sem dúvida, na presença de um conjunto notável de composições que, no seu todo, homogéneo e impressivo, nos oferecem um amplo panorama de descobertas sonoras, incubadas durante um processo criativo que terá sido claramente exaustivo e onde cada contributo, cada fragmento sonoro, cada peça de um puzzle repleto de emaranhados e detalhes difíceis de destrinçar, por mínimo que tenha sido, foi fundamental para o painel final, já que, se lá não estivesse, este catálogo de explosivas sensações ficaria incompleto e sem o fulgor e a beleza que transpira.
Disco imaginado por Justin Vernon, mas onde, como insinuei, cada artista convidado vestiu a sua própria pele enquanto se dedicou, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor lhe designou, i,i é, liricamente, um clamor ruidoso à necessidade imperiosa do autor de nos converter a uma causa que é muito sua, mas também passível de ser apropriada por qualquer um de nós, enquanto mostra ao mundo a sua identidade vincada e se assume explicitamente como um ser humano que tem as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tem um lado muito corajoso e interventivo. Nele, canções como Faith, uma composição que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e de um sentimento e que nos enche de paixão e luz, mas também o modo delicado como o piano de U (Man Like) nos afaga a alma e a superior prestação vocal de Naeem, aliada a uma ala percurssiva que vai aumentando de arrojo à medida que nos reergue, ou o tom fortemente denso e contemplativo e os timbres de voz únicos em Jelmore, que, nesse tema, conseguem trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, são outros momentos obrigatório de contemplação enquanto se relacionam connosco com elevada empatia. Espero que aprecies a sugestão...
01. Yi 02. iMi 03. We 04. Holyfields, 05. Hey, Ma 06. U (Man Like) 07. Naeem 08. Jelmore 09. Faith 10. Marion 11. Salem 12. Sh’Diah 13. RABi
Depois de há pouco mais de três anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Stay Together, à altura o sucessor do excelente Education, Education, Education & War, de dois mil e catorze, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, está de regresso com Duck, um novo registo de originais que viu a luz do dia à boleia da Polydor Records e que, sendo uma espécie de continuação do conteúdo do antecessor, foi produzido pela própria banda de Leeds, com a ajuda de Ben H. Allen, que já tinha trabalhado com os Kaiser Chiefs em Education, Education, Education & War.
Disco de difícil incubação, de acordo com o grupo e liricamente profundo, Duck encontra os Kaiser Chiefs numa espécie de natural encruzilhada entre a sustentação de uma herança sonora com mais de uma década e que nunca conteve um indesmentivel apelo radiofónico e o desejo nada disfarçado de explorarem sonoridades menos imediatas, uma vontade que se foi firmando no seio do grupo desde que o baterista Vijay Mistry substituiu Nick Hodgson em dios mil e catorze, até à altura o principal compositor da banda e que deixou, com a sua saída, um buraco difícil de preencher. Assim, se Education, Education, Education & War foi, à época, já um disco de ruptura e se Stay Together, um disco muito centrado na temática do amor, calcorreou territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto no início da carreira, Duck acaba por quebrar este processo evolutivo já que pouco acrescenta de inédito ao cardápio dos Kaiser Chiefs além do ambiente sonoro do antecessor. Tal constatação não é propriamente uma crítica negativa ao registo, sendo, principalmente, uma espécie de formulação da teoria que considera que o grupo encontrou uma nova zona de conforto e que quis, desta vez, explorá-la até à exaustão, ficando para discos futuros novos avanços na indução de nuances inéditas ao cardápio sonoro global da banda.
Assim, nesta espécie de limbo criativo em que assenta Duck, em canções como a efusiante People Know How To Love One Another, a melancólica Target Market, a vibrante Electric Heart ou a cósmica Record Collection, um single repleto de groove, conferimos, numa mesca de teclados e guitarras com a peculiar tonalidade grave e imponente da secção ritmíca deste quarteto, composições com o habitual acerto melódico e, por isso, contagiante e radiofónico, dos Kaiser Chiefs. Quem quiser encontrar mais do que isso neste registo poderá sentir-se, na minha opinião, algo defraudado. Confere...
01. People Know How To Love One Another 02. Golden Oldies 03. Wait 04. Target Market 05. Don’t Just Stand There, Do Something 06. Record Collection 07. The Only Ones 08. Lucky Shirt 09. Electric Heart 10. Northern Holiday 11. Kurt Vs Frasier (The Battle For Seattle)
Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos há quase meia década com A Restless House, através da etiqueta I OH YOU. O sempre difícil segundo disco, intitulado Echoes In Blue, viu a luz do dia o ano passado e agora, quase no ocaso deste inconstante verão de dois mil e dezanove, chegou aos escaparates Television, o terceiro compêndio de uma das bandas mais excitantes e inovadoras do cenário indie australiano.
Gravado com a ajuda do produtor Burk Reid(Courtney Barnett, DZ Deathrays, Julia Jacklin) nos estúdios The Grove Studios de Sidney, Television tem dez composições que em pouco mais de meia hora plena de emoção, arrojo e amplitude sonora, nos oferecem, sempre de forma progressiva, um apelo sentido aos nossos sentidos, sugerindo-nos que nos mantenhamos sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. De facto, em canções como as efusivas e muito britishTelevision e Mother, as mais intrincadas e emotivas Visions Of Graceland e A Seat In The Trees, a contemplativa Lucy Bradley, as solarengas Weatherman e New Year's Eve e o singleStuck (On The Eastern), uma canção que sobrevivendo à custa de uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recria com inesperada luminosidade aquela poppunk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado, é constantemente espevitado o nosso lado mais humano e profundo ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, teclas inspiradas e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.
Disco enérgico, musculado, sonoramente direto, mas liricamente exigente para quem se quiser dedicar a destrinçar toda a carga emotiva e a trama filosófica que os City Calm Down pretenderam colocar no seu dorso, mas também tremendamente apelativo caso a audição tenha um fim meramente recreativo, Television é o melhor trabalho da carreira de um quarteto que pode muito bem vir a ser a próxima grande exportação sonora dos antípodas. Espero que aprecies a sugestão...
01. Television 02. Visions Of Graceland 03. Mother 04. Stuck (On The Eastern) 05. Lucy Bradley 06. Flight 07. Weatherman 08. Mental 09. New Year’s Eve 10. Cut The Wires
Três anos depois do excelente Curve Of The Earth, os britânicos Mystery Jets de Blaine Harrison, William Rees, Kapil Trivedi, Kai Fish, já têm pronto A Billion Heartbeats, o sexto registo de estúdio desta banda oriunda de Eel Pie Island, nos arredores de Londres.
A Billion Heartbeats irá ver a luz do dia a vinte e sete de setembro, à boleia da Caroline International e History Has Its Eyes On You é o mais recente single divulgado do seu alinhamento, um excelente cartão de visitas de um disco que, como é hábito no cardápio dos Mystery Jets, abarca algumas das referências inglesas fundamentais dos anos setenta, nomeadamente a atmosfera psicadélica dos Pink Floyd e o ritmo e a melodia vocal de uns Fleetwood Mac.
Importa ainda referir que History Has Its Eyes On You é inspirada nas marchas dos direitos da mulher queocorreram em janeiro de dois mil e dezassete em várias cidades dos Estados Unidos, conforme confessou Blaine Harrison recentemente ("The inspiration for this song came from the Women’s March in January 2017. At the time I was away on a writing trip in Iceland, staying in a remote fishing village which was very cut off from civilisation. One afternoon I was out hiking and when I found some phone signal, I saw all these pictures my friends were sharing from the march, not just in the UK but all over the world - it was the largest single-day march in US history. I felt very emotional and suddenly had this strong sense of the need to return home and be present, to show up. The messages on the placards permeated the lyrics - they were some of the funniest and saddest things I had ever read, many of them written by young girls. What I saw compelled me to try and communicate how important female role models had been not only in my life growing up, but in cultural spaces throughout history."). Confere...
Três anos depois do muito recomendável I Dreamt I Was A Cowboy, os nova iorquinos Miniature Tigers de Charlie Brand, Rick Schaier, Algernon Quashie e Brandon Lee, mais uma banda natural de Brooklyn, um dos bairros musicalmente mais profícuos da maior cidade da costa leste dos Estados Unidos da América, estão de regresso com Vampires In The Daylight, um álbum que irá ver a luz do dia a onze de outubro e do qual já se conhece Manic Upswings, o primeiro single retirado do registo.
Fundindo de modo bastante criativo, com cordas exuberantes e uma percurssão frenética, os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica, Manic Upswings é uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, um tema que faz adivinhar um disco particularmente exótico e texturalmente bastante rico. Confere...
Cinco anos depois do excelente So Long, See You Tomorrow, o quarto álbum de estúdio dos Bombay Bicycle Club, o projeto britânico volta finalmente a dar sinais de vida com Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), o primeiro avanço de um novo alinhamento de canções da banda dos arredores de Londres, formada por Jack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash.
Tendo em conta o conteúdo de Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), uma sumptuosa e efervescente composição assente numa filosofia sonora que dá primazia ao baixo e às guitarras, apesar da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos, o próximo trabalho do grupo, ainda sem nome nem data de lançamento, deverá colocar a banda no trilho de um rock mais cru e direto, em vez das sagazes interseções com a eletrónica que os Bombay Bicycle Club efetuaram no disco que lançaram à meia década. Confere...
Têm apenas algumas semanas de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa consituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, tendo já na forja um EP intitulado Come Inside! e do qual já se conhece o tema Heat And Rum.
Típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, Heat and Rum é uma alegoria para outros títulos foneticamente possíveis, uma composição também já com direito a um vídeo cuja ideia inicial era ter uma série de imagens de ambiente descontraído de surfistas a tentar domar o mar agitado e de mulheres vistosas e provocantes a passear como se de ondas se tratassem, mas que na montagem procurou recriar um equilíbrio da cor com o preto-e-branco de forma a criar um jogo que depois se inverte. É um exercício visual que pretende acompanhar a vibe imposta pelo som mas, seguramente, é mais fácil visualizar do que explicar. Quiçá, faltou o Rum! Confere...
The Unforgiving Current é o título do quarto registo de originais dos britânicos Horsebeach, um quarteto natural de Manchester e formado por Ryan Kennedy (voz) Matt Booth (bateria), Tom Featherstone (guitarra) e Tom Critchley (baixo). Os Horsebeach estrearam-se nos discos há cerca de meia década com um homónimo e este The Unforgiving Current sucede a Beauty & Sadness, um álbum com dois anos e que reforçou a aposta da banda em sonoridades eminentemente etéreas e melancólicas, dentro de um catálogo indie virtuoso, com uma atmosfera particularmente íntima e envolvente.
Uma das boas surpresas da temporada são, claramente, estes Horsebeach, mestres no balanço inspirado entre uma rugosidade bastante vincada e plena de groove, bem patente no baixo que conduz Net Cafe Refuge, uma das canções do ano para esta redação e aquela dream pop de forte cariz lo fi, conduzida por uma guitarra com um efeito metálico particularmente vibrante, acompanhada por um registo vocal ecoante e uma bateria multifacetada e bastante omnipresente, em Dreaming. E é no meio destes dois opostos de The Unforgiving Current, bem explícitos no tema homónimo, conduzido por um baixo e uma guitarra com as diretrizes identificadas nas duas composições acima descritas, mas também no ecoante frenesim de Unlucky Strike e muitas vezes numa filosofia simbiótica de fronteiras que carecem de simples definição e recorte, que escorre um disco bastante homogéneo, uma perfeita banda sonora de um dia de verão, com quarenta e cinco minutos repletos de boas letras e onde abundam, como seria de esperar, arranjos feitos de detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta.
De facto, se além do protagonismo do baixo e da guitarra, se a bateria e a secção rítmica são também intervenientes preciosos no arquétipo sonoro do registo, com destaque para o excelente exercício rítmico que ambos protagonizam nos avanços e recuos de Trust, ali no meio, quando surge uma espécie de mistura entre surf rock e chillwave na complacência deVanessa, no encanto vintage, relaxante e atmosférico do instrumental Yuuki e no insinuante charme das teclas que adornam Mourning Thoughts, é feito o indispensável contraponto que confere a este alinhamento a tal riqueza estilística que faz de The Unforgiving Current também um claro favorito, caso o objetivo do ouvinte seja recriar e dar vida a um ambiente que também tenha algo de soturno e melancólico.
Disco descontraído, jovial e que carece de audição atenta e dedicada, The Unforgiving Current é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor pop lo fi contemporânea, um oásis de contida elegância que impressiona pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras. Espero que aprecies a sugestão...
01. Net Cafe Refuge 02. The Unforgiving Current 03. Dreaming 04. Mourning Thoughts 05. Vanessa 06. Yuuki 07. Trust 08. Unlucky Strike 09. Mother 10. Acting
Um dos nomes mais interessantes do catálogo da Fat Possum Records são os The Districts, um coletivo de indie rock lo fi oriundo da Pensilvânia e que teve como último grande sinal de vida o excelente registo Popular Manipulations, lançado em dois mil e dezassete. Dois anos depois, o quarteto formado por Rob Grote, Connor Jacobus, Braden Lawrence e Pat Cassidy acaba de divulgar um novo tema, feito propositadamente para apoiar a Everytown For Gun Safety, uma organização norte-americana que luta pelo fim da atual lei de posse de armas em vigor nesse país e que, na opinião de muitos cidadãos dessa nação, é uma das principais causas da onda recente de tragédias com armas de fogo nos Estados Unidos da América.
Loving Protector Guy é uma efusiante composição assente num rock vibrante feito com uma percurssão ritmada, teclas melodicamente sagazes e uma distorção na guitarra bastante apelativa e, de acordo com o press release de lançamento do tema, a ideia dos The Districts de compôr uma música cujas receitas revertessem a favor dessa organização e que chamasse ainda mais a atenção para esta temática surgiu depois de um amigo da banda ter tido uma experiência algo traumática relacionada com essa questão (a relative of the band’s had an eccentric encounter with a man who pulled up next to his car and rolled down the window, with a sheriff hat on. He pulled out a water gun and shot the relative in the face with it. It was beyond eerie, beyond poor taste). Confere...
Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, os The 1975 de Matt Healy preparam-se para uma verdadeira inflexão sonora à boleia deNotes On A Conditional Form, o ábum que o grupo britânico se prepara para lançar no início do próximo ano.
É possível fazer essa constatação à boleia de People, o primeiro single revelado de Notes On A Conditional Form, uma contundente e tenebrosa canção, que traçando uma linha reta entre a herança de nomes tão proeminentes do metal como os Rammstein ou os Marilyn Manson, nos oferece quase três minutos de um punk rock direto e cru, sólido, vibrante e efusivo. Tematicamente, People volta a ser uma montra da habitual propensão dos The 1975 para a crítica contundente acerca do estado atual do mundo em que vivemos, com a política, o terrorismo, as questões ambientais e a religião a serem abordadas na canção. Confere...
Será a quatro de outubro e à boleia da Captured Tracks que chegará aos escaparates Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.
Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Sendo, portanto, o conteúdo de Deceiver, muito centrado nessa questão, como se percebeu igualmente há algumas semanas em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia, Taker, a segunda composição que já podemos destrinçar do disco, mantém essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Sonoramente, Taker é um instante sonoro em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso. Confere...
Produzido por Erol Alkan e misturado por Alan Moulder e Caesar Edmunds, This Is Not A Safe Place é o nome do novo registo de originais dos britânicos Ride de Andy Bell, que, recordo, depois de um hiato de mais de duas décadas, reuniram-se e lançaram um novo disco há três anos, intitulado Weather Diaries. Esse trabalho vê agora sucessor, depois do EP Tomorrow Shore, editado o ano passado e que continha quatro temas que sobraram das gravações de Weather Diaries.
Verdadeiras lendas do shoegaze contemporâneo, os Ride contrariam um pouco o comportamento habitual de algumas lendas do rock que se reúnem depois de uma longa ausência, editam um disco e acabam por desaparecer novamente na penumbra. De facto, existe aqui uma busca de continuidade, materializada em This Is Not A Safe Place, registo que começa a todo o vapor com R.I.D.E., uma composição cujo título não terá sido escolhido ao acaso já que plasma a nova têmpera deste grupo, além dos fundamentos essenciais do processo criativo que norteiam o projeto. Guitarras efusiantes em perfeita simbiose com sintetizadores plenos de rugosidade e uma opção estilística ao nível dos arranjos e dos detalhes que vá de encontro às noções de grandiosidade, definem o cariz geral deste tema e, de um modo geral, de todo o disco, mesmo que, logo a seguir, em Future Love, sejamos impressionados com grandiosa canção assente numa aditiva melodia com leves pitadas de surf pop e garagerock, embrulhada com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que terá o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa a habitual ousadia experimental dos Ride. Pouco depois, Clouds Of Saint Marie, o melhor momento do disco, na minha opinião, também procura replicar nuances melódicas mais luminosas e atrativas e, quase no ocaso do registo, na etérea acusticidade plena de psicadelia de Dial Up e na mais melancólica de Shadows Behind the Sun, os Ride procuram mostrar-se ecléticos, abrangentes e, principalmente, modelos, mesmo que também não tenham pudor em expôr algumas das suas principais referências. Por exemplo, o período aúreo dos Depeche Mode é, por exemplo, uma daquelas memórias significativas que surgem de modo algo espontâneo durante a audição de This Is Not A Safe Place.
Seja como for, temas como Repetition e até End Game voltam a colocar o foco na base sintética do tema inicial, através de um rock progressivo pleno de aspereza e monumentalidade e que, de certo modo nos recorda aquela amálgama de sons distorcidos e ambientações etéreas tipicamente novecentistas, com a bateria seca, os riffs planantes e o registo vocal algo cavernoso de Kill Switch a aprimorarem ainda mais todo um receituário que também não deixa de nos transportar nostalgicamente para algumas das bandas que melhor definiram a história essencial da pop de final so século passado.
Disco que vai de encontro a um desejo de renovação do grupo que se saúda e que não disfarça a elevada influencia da dupla de produtores acima referida e em especial Alan Moulder, This Is Not A Safe Place cimenta ainda mais os Ride num lugar de destaque do rock alternativo contemporâneo, não só devido ao modo como aprimoram a cada vez mais perfeita relação que mantêm com as guitarras e o modo como elas se refinam com a restante heterogeneidade instrumental para criar blocos de som plenos de criatividade, mas também pela busca de um desempenho melódico e lírico que seja o mais emocional possível. Espero que aprecies a sugestão...
01. R.I.D.E. 02. Future Love 03. Repetition 04. Kill Switch 05. Clouds Of Saint Marie 06. Eternal Recurrence 07. 15 Minutes 08. Jump Jet 09. Dial Up 10. End Game 11. Shadows Behind The Sun 12. In This Room