Domingo, 24 de Maio de 2020

Amusement Parks On Fire – Thankyou Violin Radiopunk

Nascido em dois mil e quatro através da mente brilhante de Michael Feerick, Amusement Parks On Fire começou por ser um projeto a solo deste músico e compositor, que escreveu e tocou todas as composições do registo homónimo de estreia, editado nesse mesmo ano, um trabalho que teve a chancela da conceituada Invada Records, etiqueta pertencente a Geoff Barrow dos Portishead. Pouco tempo depois, juntaram-se a Michael, Daniel Knowles (guitarra), Pete Dale (bateria), Jez Cox (baixo) e John Sampson (teclados e samples) e a banda mudou-se para a V2 Records, começando a gravar, em dois mil e cinco, em vários estudios britânicos e no estúdios islandeses Sundlaugin, pertencentes aos Sigur Rós, Out Of The Angeles, o sempre difícil segundo disco, um trabalho que ampliou o interesse da crítica especializada por este segredo bem guardado e que lhes valeu uma extensa digressão pela Europa, mas também no outro lado do atlântico.

Thankyou Violin Radiopunk | Amusement Parks On Fire

Com tão promissor pontapé de saída e com uma excelente dose dupla no catálogo, em dois mil e seis os Amusement Parks On Fire, já com Gavin Poole (baixo) e Joe Hardy (teclados e guitarra) na equipa, tocaram pela primeira vez no Japão, na edição desse ano do Summer Sonic Festival e ampliaram a sua discografia, no final dessa década, com uma série de EPs, que clarificaram ainda mais o adn de um projeto que navega nas ágas turvas do rock experimental de forte cariz lisérigco, com uma elevada toada shoegaze e um salutar grau de epicidade, uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

É exatamente isso que nos oferece, cerca de década e meia depois desse belíssimo início de carreira, Thankyou Violin Radiopunk, o novo disco dos Amusement Parks On Fire, uma belíssima coleção de oito canções, com um imparável travo orgânico, dominadas por cordas que, quer estejam eletrificadas ou não, replicam um delicioso timbre metálico e posicionam-se sempre na linha da frente do processo de construção melódica das canções. O modo como em Firth Of Third essas cordas vão recebendo, no seu regaço, lentamente e à vez, bateria, baixo e alguns efeitos subtis, é um extraordinário exemplo deste modus operandi, que em Venus Of Cancer (Rustic) ganha uma luz multicolorida extraordinaria, devido ao modo como cordas e bateria se envolvem, enquanto o charme vocal de Michael trata de oferecer ao tema uma tremenda sensibilidade e romantismo.

Com tão auspiciosa abertura, engane-se quem ache que os Amusement Parks On Fire, colocaram,  neste Thankyou Violin Radiopunk, todos os trunfos em cima da mesa logo nos dois primeiros temas do seu alinhamento. A magnificiência das guitarras de Come Of Age, uma canção que abraça sem rodeios o melhor que tinha o rock alternativo norte-americano de final do século passado, a obscuridade levitante de Water From The Sun (Demo) e, principalmente, a aspereza vibrante de Young Fight (New Wave), são verdadeiros soporíferos para todos os amantes de sonoridades simples e diretas, sem artifícios sintéticos tantas vezes desnecessários e em que o ruído existe, mas com um objetivo claro de funcionar como algo agradável, com substância, uma crueza lo fi que transborda charme e sedução por todos os poros, nesta que é, sem dúvida, uma das grandes surpresas discográficas de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Amusement Parks On Fire - Thankyou Violin Radiopunk

01. Firth Of Third
02. Venus In Cancer (Rustic)
03. Come Of Age
04. Water From The Sun (Demo)
05. Young Fight (New Wave)
06. Hopefully Yours
07. Lasts Forever
08. Tape Grip Addition (Prerise)

 


autor stipe07 às 16:41
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2020

Matt Berninger – Serpentine Prison

Matt Berninger - Serpentine Prison

Será ainda no presente ano de dois mil e vinte que irá ver a luz do dia o disco de estreia da carreira a solo de Matt Berninger, um registo intitulado Serpentine Prison, cuja produção está a ser ultimada e acabou por ser acelerada devido ao período de confinamento que o músico também viveu em Nova Iorque e que lhe permitiu debruçar-se com maior empenho neste seu projeto paralelo à realidade The National.

Serpentine Prison conta nos créditos com os produtores Booker T. Jones e Sean O’Brien e do seu alinhamento já se conhece o tema homónimo, uma lindíssima composição assente em cordas e sopros cobertas por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade, impressão ampliada pela superior delicadeza do registo vocal grave de Berninger, num resultado final que coloca o autor num pedestal de refinamento e classicismo. Confere...


autor stipe07 às 23:08
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2020

MOMO - Till the End of Summer Time

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro, mas a residir em Lisboa, que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já teve sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

MOMO. lança single “Till the End of Summer Time” – Glam Magazine

Agora, pouco mais de meio ano depois do lançamento desse registo, MOMO está de volta com um EP que deverá chegar em pleno verão e que irá contar com colaborações de artistas independentes como Alex Siegel (Amo Amo) e Helio Flanders (Vanguart). Do seu alinhamento já se conhecem dois temas, Rosto Zen, lançado a dezassete de Abril e agora, algumas semanas depois, Till the End of Summer Time.

Esta nova canção de MOMO, gravada pelo autor em casa e misturado em Los Angeles pelo produtor Tom Biller (Karen O, Elliott Smith, Kate Nash), que se tornou parceiro regular desde o trabalho anterior I Was Told To Be Quiet, é uma história de amor marcada pela mudança de estações e que pretende descrever a desilusão e o isolamento que sentimos nos últimos meses. O videoclipe destaca o sentimento de separação e foi filmado remotamente enquanto o músico brasileiro e a realizadora italiana Chiara Missaggia estavam isolados nas suas casas, durante a quarentena imposta pela COVID-19. É uma composição inspirada musicalmente nos clássicos de jazz de nomes como George Gershwin e Irving Berlin e em compositores da bossa nova como Tom Jobim. De acordo com o autor, a sua letra fala de um amor que não funcionou, deste o primeiro encontro até à última despedida. O título remete para a canção pop de mil novecentos e quarenta e cinco, Till the End of Time, gravada por Perry Como, Doris Day e outros artistas e que inspirou um filme com o mesmo título. Confere...


autor stipe07 às 21:19
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Terça-feira, 19 de Maio de 2020

The 1975 – Guys

The 1975 - Guys

Enquanto a nossa redação não se debruça sobre o conteúdo de Notes On A Conditional Form, o incrível novo trabalho dos The 1975 de Matt Healy e sucessor do registo A Brief Inquiry Into Online Relationships (2018), colocamos em cima da mesa Guys, mais um avanço divulgado em formato single de um disco com dezoito temas e que é, claramente, o projeto mais ambicioso deste coletivo de Manchester. Recordo que desde o verão passado os The 1975 já destaparam o conteúdo de People, Frail State Of Mind, Me & You Together Song, The Birthday Party, Jesus Christ 2005 God Bless AmericaIf You’re Too Shy (Let Me Know).

Tema que encerra o alinhamento de Notes On A Conditional Form, Guys é um portento indie de romantismo e nostalgia, uma vibrante composição em que Healy homenageia os seus companheiros de grupo e que versa sobre o modo como determinadas amizades são marcantes na nossa vida, mesmo que o passar dos anos e as vicissitudes da existência de cada um provoquem distanciamento físico, um tema em que as guitarras são amaciadas por uma tonalidade cândida ao nível dos arranjos a fazer recordar a euforia pop que marcou grandes sucessos de algumas bandas carismáticas, no dealbar dos anos noventa do século vinte. Confere...


autor stipe07 às 11:30
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Sábado, 16 de Maio de 2020

The Magnetic Fields – Quickies

Vinte anos depois da mítica obra conceptual 69 Love Songs, Stephin Merritt mantém uma insciável gula interpretativa, que alimenta uma espécie de mania das grandezas à qual os fâs dos The Magnetic Fields já se habituaram e que nunca os deixa ficar mal, diga-se na verdade. Quickies, o novo registo deste projeto natural de Boston, no Massachussetts, é mais uma prova inequívoca de toda uma trama com já três décadas de existência, um tomo de vinte e oito canções que enriquece substancialmente o cardápio de um grupo que tem dado ao indie rock experimental norte-americano, registo após registo, uma notoriedade e uma relevância ímpares.

The Magnetic Fields metem a tocar os "Kraftwerk in a Blackout" em ...

Quickies sucede a 50 Song Memoir, também um álbum conceptual, lançado em dois mil e dezassete e dividido em cinco discos, um por cada década da sua vida, cerca de duas horas e meia de música idealizada por Merritt, que começou a escrever e a compor as cinquenta canções do registo em dois mil e quinze, ano em que fez cinquenta anos de vida, com cada um dos temas a debruçar-se sobre cada um desses anos e a servir de crónica do mesmo. Agora, ao décimo segundo disco, abrigados novamente pela Nonesuch Records e três anos depois dessa obra inigualável, Merritt e os outros membros dos The Magnetic Fields, Sam Davol, Claudia Gonson, Shirley Simms e John Woo, aos quaise se juntaram os convidados Chris Ewen, Daniel Handler e Pinky Weitzman, proporcionam-nos mais um exuberante festim de canções, quase sempre assentes em sonoridades eminentemente clássicas, geralmente acústicas e de forte pendor orgânico.

A luminosidade das cordas de The Biggest Tits In History, o minimalismo acústicco que devaneia em Favorite Bar, o travo barroco e classicista de Kill A Man A Week, ou o climático e insinuante piano que desliza por The Day The Politicians Died são excelentes exemplos desta clássica matriz interpretativa, num disco que nunca resvala na monotonia, porque apesar de estar concetualmente claramente balizado, é melodicamente rico e diversificado.

Existe, obviamente, uma espécie de som standard nos The Magnetic Fields, um adn muito próprio, sui generis e inédito, mas é impressionante o modo como registo após registo, nunca desaparece aquela sensação de ligação entre as canções. E aqui assiste-se a mais uma nova espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável, desta vez traçando, liricamente, uma ténue fronteira entre aquilo que é a pura comédia e a hilariante blasfémia (You’ve Got a Friend in Beelzebub), ou a vulgarização da sexualidade (Bathroom Quickie) e a mais abosoluta e dolorosa devastação emocional (Love Gone Wrong).

Os notáveis arranjos de cordas dissolvidos em doses atmosféricas, mas sempre expressivos, mesmo que subtis, que suportam Quickies, comprovam, pela enésima vez na carreira deste projeto, que a experiência passada de Merritt no mundo do teatro foi bastante marcante e que na sua cabeça um disco só faz sentido se conter um elevado grau de dramatismo, uma narrativa condutora e indutora e uma intensidade sentimental inabalável. É este o caso de um registo que serve não só para os The Magnetic Fields saciarem, uma vez mais, de modo muito rico e saboroso a gula dos mais devotos seguidores, mas também para conquistar as mais novas gerações e despertarem nestas o interesse pela descoberta da sua notável discografia. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic Fields - Quickies

01. Castles Of America
02. The Biggest Tits In History
03. The Day The Politicians Died
04. Castle Down A Dirt Road
05. Bathroom Quickie
06. My Stupid Boyfriend
07. Love Gone Wrong
08. Favorite Bar
09. Kill A Man A Week
10. Kraftwerk In A Blackout
11. When She Plays The Toy Piano
12. Death Pact (Let’s Make A)
13. I’ve Got A Date With Jesus
14. Come, Life, Shaker Life!
15. (I Want To Join A) Biker Gang
16. Rock ‘n’ Roll Guy
17. You’ve Got A Friend In Beelzebub
18. Let’s Get Drunk Again (And Get Divorced)
19. The Best Cup Of Coffee In Tennessee
20. When The Brat Upstairs Got A Drum Kit
21. The Price You Pay
22. The Boy In The Corner
23. Song Of The Ant
24. I Wish I Had Fangs And A Tail
25. Evil Rhythm
26. She Says Hello
27. The Little Robot Girl
28. I Wish I Were A Prostitute Again

 


autor stipe07 às 22:33
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2020

Homem em Catarse - sem palavras | cem palavras

Homem em Catarse é o alter ego musical do músico Afonso Dorido, um exímio guitarrista que começou a sua aventura musical há já meia década com Guarda Rios, um EP auto-editado. Dois anos depois veio o tão aguardado registo de estreia em formato álbum, um trabalho intitulado Viagem Interior e que nos oferecia um percurso às principais cidades de Portugal profundo. sem palavras, cem palavras é a sua nova etapa discográfica, um disco com um brilho raro e inédito no panorama nacional, feito por um projeto que não conhecia antes de ouvir este trabalho, mas que já percebi que é  exímio a compôr canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

Sem Palavras, Cem Palavras”: teremos sempre a música, Homem em ...

Logo na deliciosa intimidade que sobressai do piano de Tu eras apenas uma pequena folha, percebe-se que o Afonso não tem pudores em servir-se da música como um veículo privilegiado para nos mostrar, de modo realisticamente impressivo, o seu ímpeto criativo e como isso lhe alimenta a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. Depois, a simplicidade melódica e o imediatismo planante das cordas que se entrecruzam na lisérgica Hey Vini! e o banquete sintético de forte cariz progressivo que conduz Hotel Saturnyo, acabam por personificar com excelência a (apenas) dicotomia de um título, que pode transmitir a ideia de que a idealização do conteúdo do registo não teve como permissa essencial o desejo de transmissão de ideias concretas, quando aquilo que acontece, ao longo da audição do trabalho, eminentemente instrumental, é, exatamente, um bombadeamento constante de pensamentos, conceitos e até opiniões, tenhamos nós, ouvintes,a predisposição para nos deixarmos enlear e enfeitiçar por estas canções.

O disco prossegue e se a crueza e a simplicidade acústica de Marie Bonheur parecem evocar a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula nas teclas que nos instigam em Calle del Amor, a simultaneamente intrigante e sedutora destreza maquinal e orgânica em que assenta Yo La Tengo e a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte ao que sabe a frenética Danças Marcianas, são mais momentos altos que comprovam a notável abrangência autoral de um artista que assina neste sem palavaras I cem palavras um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Homem em Catarse. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:49
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2020

EOB – Earth

Um importante marco discográfico de dois mil e vinte é, certamente, o disco de estreia da carreira a solo de Ed O'Brien, guitarrista dos Radiohead. Earth é o feliz nome desse trabalho e tem nos créditos Flood, como responsável pela produção, o experiente Alan Moulder na mistura e o baixista Colin Greenwood, também membro dos Radiohead, como destacado convidado, além de Laura Marling, Adrian Utley (Portishead), Nathan East, Glenn Kotche (Wilco), Omar Hakim, Adam “Cecil” Bartlett, David Okumu e Richie Kennedy, entre outros.

EOB – 'Earth' review: Radiohead guitarist Ed O'Brien proves ...

Disco fortemente marcado pelo período em que Ed O'Brien viveu no Barsil no início da década passada com a sua família, Earth é um álbum de homenagem, mas também de alerta. Pretende, antes de mais e primeiro que tudo, agradecer a esta bola azul que tantas vezes maltratamos, o facto de ter acolhido a nossa espécie, mas também, e de um modo bastante impressivo, chamar a atenção de todos nós para o modo agressivo como estamos a cuidar deste lar que é de todos, mas que, tantas vezes, parece ser de tão poucos. Canções como Banksters, a composição mais parecida com o catálogo mais recente da banda de origem dos Radiohead e onde se estranha apenas a ausência vocal de Thom Yorke, Shangri-La, um delicioso portento percurssivo que progride e oscila entre o orgânico e o sintético com inquestionável inquietude, a acusticidade climática do tratado pop que define Deep Days e, no mesmo hemisfério sonoro, mas de modo ainda mais íntimo, a soturna Long Time Coming, são canções criadas com o firme propósito de nos fazer contemplar as maravilhas do nosso planeta e consciencializar-nos para a necessidade de o tratarmos com amor e devoção

Santa Teresa, nome de um bairro dos arredores do Rio de Janeiro, oferece a faceta política de Earth,  uma composição de cariz eminentemente ambiental, assente em diversos fragmentos samplados, agregados em redor de um fluído de elevado travo orgânico e que nos faz sentir que estamos no local que serviu de inspiração à composição. Já Brasil, uma extensa canção que progride de uma eletrónica ambiental de pendor vincadamente acústico para um espetro rock amplificado pelo vigoroso baixo de Greenwood e pelo excelente trabalho percurssivo de Omar Hakim, é um espelho dos tempos em que vivemos e do modo intrigante e, de certo modo, confrangedor como a liderança desse país tem olhado para as riquezas em que vive e tudo aquilo que de prejudicial tem provocado nele.

Brasil, país assolado por diversas catástrofes naturais nos últimos tempos, com especial destaque para os fogos extensos que ocorreram recentemente na Amazónia e o descontrole pandémico provocado pelo Civd-19, acaba por ser um espelho fiel desse modo desregulado como tratamos a nossa casa. Entre o rock, a eletrónica, a soul e a chillwave, em Earth O'Brien quer colocar novamente os holofotes no centro desse flagelo, mas também procurar dar uma perspetiva otimista e mais poética de todo este enredo, acreditando que ainda é possível que a espécie humana se una no objetivo comum de não deixar que a sua casa se deteriore irreversivelmente. Espero que aprecies a sugestão...

EOB - Earth

01. Shangri-La
02. Brasil
03. Deep Days
04. Long Time Coming
05. Mass
06. Banksters
07. Sail On
08. Olympik
09. Cloak Of The Night (Feat. Laura Marling)


autor stipe07 às 12:04
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2020

Fugly - Space Migrant

Dois anos depois do excelente Millenial Shit, os portuenses Fugly estão de regresso aos lançamentos com um novo disco, ainda sem nome anunciado e que, de acordo com os próprios, substitui os problemas adolescentes pelos de adulto,  com uma visão (um bocadinho) mais amadurecida do mundo que os rodeia mas sem largar o lado enérgico, satírico e festivo. Será lá para o final do ano que o projeto liderado por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito, colocará nos escaparates o seu novo trabalho, um alinhamento com a chancela da O Cão da Garagem e produzido, mais uma vez, pelos próprios Fugly no Adega Studios.

Fugly estão de regresso com o single “Space Migrant” – Glam Magazine

O rock direto e sem espinhas de Space Migrant é, um tema que, de acordo com o seu press releasefala sobre a inclusão de todos numa sociedade que tem problemas em unir-se, é o primeiro single retirado desse novo álbum dos Fugly, uma composição feita com uma voz exultante, guitarras banhadas por um efusiante riff metálicopleno de reverb e um baixo vincado e cheio de ritmo que dá as mãos a uma bateria domada com elevada mestria. Confere...

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCiA17QHA29eFaO0rg5p82Fg

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Bandcamp: https://fuglyfuglyfugly.bandcamp.com/

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autor stipe07 às 15:16
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Sábado, 9 de Maio de 2020

The Growlers – Dream World

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em dois mil e doze à boleia de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e em dois mil e catorze, com uma cadência quase anual, os The Growlers regressaram às edições com Chinese Fountain, um trabalho que cimentou definitivamente o adn de um projeto que aposta numa sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta.

Stream The Growlers' New Song "Dream World" | Consequence of Sound

Após Chinese Fountain os The Growlers entraram num período de relativo pousio e criaram a sua própria etiqueta, a Beach Goth Records and Tapes. Casual Acquaintances (2018), foi o primeiro sinal de vida do grupo nesta nova fase da carreira, um levantamento de algumas demos, lados b e temas inacabados que a banda foi juntando ao longo das sessões de gravação dos discos anteriores e que viram sucessor há cerca de meio ano, um trabalho intitulado Natural Affair, repleto de canções com elevada bitola qualitativa e mais uma demonstração cabal que os The Growlers não são uma simples banda de surf rock como alguns defendem.

Agora, em pleno período pandémico, bastante conturbado e controverso em Terras de Tio Sam, animados, inspirados e fascindos com as deliciosas aparições diárias de Trump nos pequenos ecrâs para debitar as mais absurdas teorias da conspiração acerca do evento, os The Growlers compuseram um novo tema intitulado Dream World. É uma canção divertida, frenética e vibrante, conduzida por guitarras rebeldes, um piano encharcado numa essência pop radiante e efusiva e um Brooks Nielsen confiante e incisivo no modo como nos convida a todos a imaginarmos um mundo mais seguro, pacífico e justo, onde não precisamos de ter medo de amar seja quem for, em nenhuma circunstância (You can find love in the middle of a war). 

Editado em formato single, Dream World tem como lado b Random Everyone, uma composição com um travo tropical que se saúda, até porque se espraia com enorme deleite pelos nossos ouvidos. Confere...

The Growlers - Dream World

01. Dream World
02. Random Everyone


autor stipe07 às 18:31
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2020

Happyness – Floatr

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, incubado por um dos projetos mais subestimados da indie britânica e que após um aclamado EP homónimo editado em dois mil e treze, se estreou nos lançamentos no verão de dois mil e quinze com Weird Little Birthday, uma notável estreia que teve seguimento em Write In, dois anos depois, um registo com rara beleza, sobriedade e sensibilidade. Agora, mantendo a cadência de lançamentos, os Happyness brindam-nos com este Floatr, uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente e que se alimenta, essencialmente, da cadência de guitarras acústicas e eletrificadas, domadas com uma elevada toada experimental.

Happyness review, Floatr: Band explore what motivates us through ...

É, portanto, e como se percebe logo em title track, na deliciosa oscilação entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, que navegamos em Floatr, um disco em que estas mesmas cordas também oferecem ao baixo interessante protagonismo, evidente logo de seguida, em  Milk Float, instrumento que sustenta as diferentes variações rítmicas do tema, mas também os refrões esplendorosos de canções como Vegetable, uma daquelas composições que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental, ou Och (yup), tema frenético e abrasivo, com um forte cariz político e muito marcado pelo brexit.

O indispensável equilíbrio que oferece ao disco abrangência e heterogeneidade, como se exige a projetos que pretendam abraçar uma vasta multiplicidade de públicos sem perderem o seu adn alternativo, está bem vincado na delicadeza da bateria e no efeito metálico de Bothsidesing, na astuta sensibilidade do piano que conduz When I’m Far Away (From You), e nos diferentes arranjos orquestrais que contornam as teclas, assim como na contemplativa e luminosa acusticidade de Undone, que é depois trespassada por uma vigorosa trama orquestral feita dos melhores ingredients da pop contemporânea, uma das composições melodicamente mais felizes de Floatr

Este novo álbum dos Happyness é, sem sombra de dúvida, uma das surpresas mais refrescantes e animadoras deste início de primavera, um registo que atesta a ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância, enquanto encarna uma  fantástica viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Quem escutar este registo e não desejar ardentemente ser uma drag queen nem que seja só por um dia, não captou a plenitude da sua essência libertadora. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Floatr

01. Title Track
02. Milk Float
03. When I’m Far Away (From You)
04. Vegetable
05. What Isn’t Nurture
06. Bothsidesing
07. Undone
08. Anvil Bitch
09. Ouch (yup)
10. (I Kissed The Smile On Your Face)
11. Seeing Eye Dog


autor stipe07 às 10:44
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Terça-feira, 5 de Maio de 2020

Milky Chance & Jack Johnson – Don’t Let Me Down

Milky Chance And Jack Johnson - Don't Let Me Down

A dupla germânica Milky Chance, formada por Clemens Rehbein e Philipp Dausch Milky,lançou recentemente o single Don’t Let Me Down, em parceria como havaiano Jack Johnson. A canção combina perfeitamente a habitual toada eletrónica da dupla com o registo eminentemente acústico de Jackson, exímio a misturar rock e reggae. O resultado final é, naturalmente, exótico, luminoso, otimista e vincadamente pop.

Os Milky Chance têm estado particularmente ativos, apesar deste período de confinamento, já que no passado mês de abril também divulgaram o EP Stay Home Sessions, um alinhamento com novas roupagens de alguns dos melhores temas do álbum Mind The Moon, o terceiro disco da dupla, editado o ano passado. Confere...


autor stipe07 às 21:43
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2020

From Atomic - Deliverance

Nascidos em Coimbra há quase dois anos, os From Atomic nasceram da mente de Alberto Ferraz, que desafiou Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto. Mais tarde juntou-se Márcio Paranhos e tomou assim forma um projeto que tem nomes tão proeminentes como os Yeah Yeah Yeahs, The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, The Cure, DIIV, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, The Raveonettes ou Sonic Youth, como influências declaradas, na busca de uma mescla entre o post punk britânico da década de oitenta e o indie noise da década seguinte. Deliverance é o nome do disco de estreia dos From Atomic, um tomo de onze canções com a chancela da Lux Records.

Gerador

Gravado e produzido nos estúdios da Blue House por Henrique Toscano e João Silva e misturado e masterizado por João Rui, Deliverance mostra-nos que os From Atomic já têm um som identitário definido, um estilo sonoro eminentemente orgânico e negro, mas sem deixar de soar orelhudo apelativo e luminoso, uma simbiose nem sempre fácil de encontrar e que merece todo o destaque quando é bem sucedida, como é o caso. Esta capacidade indesmentível de abraçar o melódico e o poético sem colocar em causa a indispensável visceralidade que os From Atomic exigem que o seu adn exale, foi conseguida através de um registo intepretativo coeso, forte e intenso, que está, como se percebe logo em Better Than, assente em guitarras com um timbre metálico eminentemente agudo e, por isso, pleno de charme, acompanhadas por um baixo vigoroso e ecoante e teclados sempre prontos a abraçar a cosmicidade e a melancolia, muitas vezes em simultâneo.

Uma abordagem precisa ao melhor noise contemporâneo em Heavens Bless, o travo hard de Lights, a toada eminentemente psicadélica de Heartbeat, uma canção que, de acordo com o press release de lançamento do singlefala da relação metafísica de uma personagem com a realidade, com o diálogo lírico da faixa a expressar o jogo entre a inevitável materialização do corpo e a subjectividade da mente e a suprema majestosidade de Juliette, são outros momentos altos do registo que cimentam um modus operandi bastante vanguardista e apelativo, não só no que concerne à componente melódica, mas também à própria estrutura de canções, que têm sempre no refrão um elemento fulcral no transporte da alma e da poesia das mesmas.

Disco coeso, consistente e rico em detalhes e variadas nuances e estilos dentro de um espetro sonoro claramente definido, Deliverance assume-se, no seu todo, como um compêndio de garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduzindo-nos a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

https://www.facebook.com/From-Atomic-188655538613600/

https://www.instagram.com/from_atomic/


autor stipe07 às 18:08
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2020

Vila Martel - Nunca Mais É Sábado

Os Vila Martel são Francisco Botelho de Sousa, Rodrigo Marques Mendes, Francisco Inácio, Tiago Cardoso e Afonso Carvalho Alves, um coletivo da capital que se estreou há algumas semanas nos discos com Nunca Mais É Sábado, um espetacular cardápio de oito canções cantadas em português e gravadas há já quase um ano e que são, claramente e sem sombra de dúvida, uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama alternativo nacional.

Vila Martel antecipam edição de disco “Nunca Mais É Sábado” com ...

É o puro indie rock, mas de forte travo psicadélico, falsamente inocente, rude e agreste q.b. e buliçoso e optimista que sustenta Nunca Mais É Sábado, um disco que é, também, um verdadeiro portento sonoro que, em quase meia hora, nos instiga e nos abana com ímpar majestosidade. Nunca Mais É Sábado é festa e cor, mas também um impressivo e irrepreensível retrato da urbanidade e dos defeitos e qualidades que tingem o adn de uma grande cidade cosmopolita como é Lisboa no início da segunda década do século vinte e um, um enorme nicho em que centenas de milhares de seres formatados por rotinas, sonhos inatingíveis e superstições inócuas, vagueiam sempre pela mesma rota e com um objetivo sorridente comum... o sábado da libertação, o dia em que não há a obrigação da escala e do serviço e em que a única permissa que realmente interessa é a busca da libertação e da diversão, como se o amanhã fosse apenas uma miragem inócua e ínsipida.

O modus operandi dos Vila Martel para esta epifania, foca-se naquilo que é o elétrico, nomeadamente o modo como a manipulação da eletricidade em estúdio induz, quer nas teclas quer nas cordas,  um caudal massivo de tonalidades sonoras vibrantes, que acabam por funcionar como uma metafora perfeita para tudo aquilo que é o frenesim próprio da nossa contemporaneidade e as alterações que as tais rotinas e obsesões provocaram, inevitavelmente, no mundo que nos rodeia e na sociedade em que vivemos e o quanto isso tem de glorioso e de frenético.

Escorreito e eletrificado de fio a pavio, Nunca Mais É Sábado é redentor no modo como transpira uma profunda sensação de conforto coletivo, não só devido a tudo aquilo que certamente ofereceu aos seus criadores durante o seu período de incubação, mas também por causa do que nos proporciona agora, enquanto objeto sonoro de degustação simples mas contundente e profunda e com um duplo significado, por um lado muito pessoal e circunstancial, por ser capaz de nos fazer sorrir e animar o âmago, mas também, por outro, universal e mitológico, por retratar de modo tão fiel toda a trama que tece as prisões e as contigências que socialmente nos afligem. Espero que apreciesa sugestão...


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 29 de Abril de 2020

Foreign Fields – The Beauty Of Survival

Eric Hillman e Brian Holl são os Foreign Fields, uma dupla norte americana, natural de Nashville, que se tem notabilizado desde dois mil e doze, quando se estrearam com o registo Anywhere But Where Am I, uma consistente coleção de treze canções construídas com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o segundo longa duração do projeto, lançado no final de dois mil e dezasseis, assumiu-se como o lógico passo em frente desse glorioso percurso inicial, um disco assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

Resultado de imagem para Foreign Fields – Don’t Give Up

Agora, quando ainda se abrem as cortinas de dois mil e vinte, Take Cover tem finalmente sucessor anunciado.The Beauty Of Survival é o terceiro álbum da dupla, um trabalho misturado por Joe Visciano e que nos oferece mais uma banda sonora perfeita para elevar o ego e induzir a tua alma de boas vibrações neste período de confinamento e recolhimento, muito propício à letargia e à intropia mental.

Se quiseres mostrar-te disponível a ouvir The Beauty Of Survival com a devoção que este disco merece e se estiveres disposto a te deixares envolver pela indesmentível aúrea de beleza e esplendor que o seu alinhamento contém, então prepara-te porque ao longo dos seus quase quarenta minutos de duração vais ser trespassado por um verdadeiro oásis de poesia comovente, adornada por uma interpretação instrumental rica em detalhes e onde a folk mais clássica e luminosa, profundamente orgânica e sensorial, feita de pianos e cordas efervescentes, é quem mais dita a sua lei.

Do lindíssimo dedilhar de Brand New, um tema típico de início de disco, que nos atiça, levanta e coloca em apurado sentido os nossos sentidos, até ao clima mais orquestral e opulento de Terrible Times, passando pelo exercício de recolhimento sincero a que sabe Light On Your Face e a mestria do rugoso dedilhar acústico da guitarra que conduz Don't Give Up e em redor da qual diferentes texturas e arranjos, proporcionados por teclas e diversos elementos percurssivos e de sopros, se entrelaçam com um agridoce registo vocal, no qual se inclui uma belíssima segunda voz, plena de emotividade e nostalgia, são vários os instantes de absoluto deslumbramento de um registo carregado de esperança para todos aqueles que já duvidam que são reconhecidos lá fora e não percebem muito bem se ainda estão realmente vivos, apesar de habitarem num organismo palpitante de vida. The Beauty Of Survival indica-nos o caminho rumo à luz nestes tempos de escuridão. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Fields - The Beauty Of Survival

01. Brand New
02. Don’t Give Up
03. Terrible Times
04. Light On Your Face
05. Only Water
06. A Better Person
07. Rose Colored
08. The Beauty Of Survival
09. Terrible Times (Reprise)


autor stipe07 às 13:58
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2020

The Killers – Fire In Bone

The Killers - Fire In Bone

Continuam a ser revelados mais detalhes de Imploding The Mirage, o sexto registo de originais dos The Killers, que tinha edição prevista para o final de maio, mas que só verá a luz do dia mais adiante, por dificuldades e atrasos na conclusão do disco, de acordo com a própria banda liderada por Brandon Flowers. Produzido por Jonathan Rado e Shawn Everett, Imploding The Mirage irá contar com participações especiais de nomes tão proeminentes como Weyes Blood, K.D. Lang, Adam Granduciel, Blake Mills e Lucius, além de Lindsey Buckingham, que teve uma aparição vocal relevante em Caution, o primeiro single revelado do alinhamento do álbum, há algumas semanas.

Agora, no final de abril, acaba de ser revelado o conteúdo de Fire In Bone, o segundo single extraído de Imploding The Mirage e uma das composições preferidas da banda do seu alinhamento, uma canção repleta de groove, assente num baixo insinuante, um registo percurssivo vincado e efeitos sintetizados plenos de charme, num resultado final melodicamente marcante. Confere...


autor stipe07 às 22:34
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Sábado, 25 de Abril de 2020

The Rolling Stones – Living In A Ghost Town

The Rolling Stones - Living In A Ghost Town

O inesperado mas necessário período de confinamento que vivemos, devido ao surto pandémico que afeta o mundo inteiro, tem suscitado e inspirado, no universo sonoro, algumas edições, parcerias, contribuições e regressos, que têm sido, frequentemente, inusitados, inesperados e curiosos. Um desses momentos é, sem dúvida, a divulgação de uma nova canção dos The Rolling Stones, intitulada Living In A Ghost Town.

Primeiro tema que a banda de Mick Jagger revela em oito anos, Living In A Ghost Town tem como ponto de partida um esboço de uma canção que o grupo já tinha gravado há cerca de um ano, altura em que os The Rolling Stones entraram em estúdio para compôr e gravar novo material, um processo abruptamente interrompido devido a este evento de saúde pública. Jagger e Keith Richards acharam que a canção teria potencial para causar uma impressão positiva junto dos fãs, adaptaram a letra à situação atual e o resultado final tem aquele travo inédito e único da mistura de rock, blues e soul que, desde sempre, sustenta o adn deste projeto londrino. Confere... 


autor stipe07 às 15:16
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2020

Courteeners – More. Again. Forever.

Os britânicos Courteeners de Liam Fray estão de regresso aos discos com More. Again. Forever., o sexto álbum da carreira deste projeto oriundo de Middleton, nos arredores de Manchester e sucessor do aclamado registo Mapping The Rendezvous de 2016More. Again. Forever. viu a luz do dia no início do ano à boleia da Ignition Records e Better Man e as dez canções do seu alinhamento oferecem-nos, no seu todo, o registo mais maduro e consistente da trajetória discográfica deste projeto natural de terras de Sua Majestade.

The Courteeners — More. Again. Forever. - You! Me! Dancing! - Medium

A crise da meia idade, a adição aos álcool e as doenças mentais são os temas basilares de More. Again. Forever., um disco incubado por uma das bandas mais proeminentes do outro lado do Canal da Mancha e comercialmente das mais bem sucedidas na última década, nem tanto devido à quantidade de discos vendidos mas, principalmente, por causa da excelente reputação que posssuem como banda ao vivo. E nestas dez canções existem vários temas repletos de potencial para aumentarem ainda mais este estatuto de alto nível de live band de um grupo que olha com intensa gula para a herança da brit pop que nomes como os Blur, os Oasis, os Suede, os Primal Scream, os Pulp e tantos outros levaram ao mundo inteiro na última década do século passado, mas com um travo cada vez mais indie e repleto de nuances típicas do rock alternativo norte-americano.

De facto, se Better Man é um delicioso instante de indie brit rock, que numa espécie de cruzamento assertivo entrer as melhores heranças de nomes ímpares como os The Smiths ou os Doves, nos oferece, à boleia de cordas efusivas e uma percurssão vibrante, uma contundente reflexão pessoal, já a guitarra abrasiva e efusiante de Heart Attack e os acordes sujos de Take It On A Chin piscam o olho ao melhor punk rock nova iorquino e Heavy Jacket tem, no groove melódico e na vastidão de efeitos que cirandam pelo baixo e pela bateria, um clima dançante e vibrante capaz de medir forças com as melhores propostas de cariz lo fi de terras de Tio Sam. Por outro lado, o clima mais radiofónico e contemplativo de canções como Hanging Off Your CloudOne Day At A Time, convidam-nos a embarcar num tempero pop mais límpido e intimista, sem deixarem de ser canções capazes de fazer vibrar arenas, muito por causa das distorções hipnóticas que são incorporadas nos refrões, com o propósito evidente de ampliar o grau de emoção e de sentimentalismo da mensagem que os temas pretendem transmitir.

Disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical carregada de emoção e cor, More. Again. Forever. garante a esta banda inglesa a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda lhes permite margem de manobra para futuras experimentações. Há neste cardápio sonoro uma intemporalidade que se expressa na forma como os Courteeners plasmam, com elevada dose de criatividade, o que de melhor recria atualmente o rock alternativo de cariz mais comercial. Espero que aprecies a sugestão...

Courteeners - More. Again. Forever.

01. Heart Attack
02. Heavy Jacket
03. More. Again. Forever.
04. Better Man
05. Hanging Off Your Cloud
06. Previous Parties
07. The Joy Of Missing Out
08. One Day At A Time
09. Take It On the Chin
10. Is Heaven Even Worth It?


autor stipe07 às 21:40
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Terça-feira, 21 de Abril de 2020

Gengahr – Sanctuary

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são, atualmente,  Felix Bushe (vocal/guitarra), Hugh Schulte (baixo), Danny Ward (bateria) e João Victor (guitarra) e começaram por causar sensação no meio alternativo local quando já no longínquo mês de outubro de dois mil e catorze divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias à crítica que à época começou a ficar particularmente atenta ao quarteto. Depois desse início promissor, os álbuns A Dream Outside (2015), disco em que os Gengahr, logo na estreia, se mostraram assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram uma feliz simbiose entre a pop e o experimentalismo e Where Wildness Grows (2018), um compêndio de pop futurista com o ritmo e cadência certas, alicerçado em teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, cimentaram o travo sonhador, aventureiro e alucinogénico de um projeto único e bastante inventivo.

Gengahr – 'Sanctuary' review

Agora, já em dois mil e vinte, Sanctuary, o terceiro longa-duração dos Gengahr, apresenta o quarteto no seu estado maior de maturidade, abrilhantado por guitarras melodicamente sagazes e apelativas, entrelaçadas com metais, bombos, cordas e teclas, que desfilam orgulhosas e altivas, numa parada de cor, festa e alegria, onde todos os músicos certamente comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem o modo como incubam um agregado de sons no formato canção. E acaba por ser curioso sentir uma vibração positiva intensa durante a audição do disco quando o mesmo teve como ponto de partida a morte da mãe de Felix pouco depois da edição de Where Wildness Grows e, pouco tempo depois, a sua namorada, agora esposa, ter sido obrigada a mudar-se para a Austrália. O delicioso falsete de Felix parece ter sido contagiado de modo positivo pela dor, digamos assim, e a indie pop que carimba o adn dos Gengahr, capaz de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo e que tem um poder único de nos descolar da realidade, nunca esteve tão deslumbrante e majestosa como agora.

Sanctuary oferece-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de dez canções, fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. Mesmo quando Felix escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante. Em suma, ouvir este alinhamento é como contemplar um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que tem a curiosidade de facilitar aquela sensação estranha mas que todos já vivenciámos de resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - Sanctuary

01. Everything And More
02. Atlas Please
03. Heavenly Maybe
04. Never A Low
05. Fantasy
06. You’re No Fun
07. Soaking In Formula
08. Anime
09. Icarus
10. Moonlight


autor stipe07 às 22:16
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2020

The Sweet Serenades – City Lights

Cinco anos depois do registo Animal, o projeto sueco The Sweet Serenades, assinado agora apenas por Martin Nordvall, mas que já contou, em tempos, com a companhia de Mathias Näslund, tem um novo disco intitulado City Lights, oito canções abrigadas pela Leon Records, um selo da própria banda, e que abrilhantam com enorme intensidade um projeto discográfico que abriu as hostilidades em nove com Balcony Cigarettes, rodela que continha On My WayMona Lee Die Young, três canções que, à época, fizeram furor no universo musical indie e alternativo. Esse último tema fez parte da banda sonora da série Anatomia de Grey e reza a lenda que, na altura, a ainda dupla gastou os royalties muito bem gastos; Martin foi ao dentista, Mathias comprou um cão e investiram numa rouloute, para passar o tempo, escrever canções e discutir assuntos pertinentes relacionados com a existência humana.

The Sweet Serenades "City Lights" | Surviving the Golden Age

Projeto com uma filosofia sonora tipicamente indie e em que rock e eletrónica se fundem de modo a criar uma amálgama sonora, de caráter urbano e carregada de charme, os The Sweet Serenades mostram em City Lights uma cadência maior para o campo da eletrónica, certamente fruto do fim de uma relação a dois que contribuia para que o equilibrio entre dois territórios sonoros com especificidades bem vincadas fosse uma realidade. Nordvall parece ter uma apetência maior pela componente sintética e City Lights expressa essa natural tendência para plasmar os gostos do comandante atual do barco, apesar de canções como Out Of Time, uma composição vibrante e impulsiva, ou a mais escura e contemplativa Without You Baby I'm Lost,  deverem a sua alma e o seu espírito à presença da guitarra e à companhia ireepreensível de um baixo que não se envergonha de se mostrar com a típica impetuosidade que diferencia a maioria das propostas nórdicas bem sucedidas.

Seja como for, o pendor retro fortemente abrasivo da bateria eletrónica que conduz a secção rítmica do tema homónimo, o efeito vocal robótico e o clima ecoante dos flashes sintetizados que adornam The Night Goes On e o indisfarcável travo techno punk de Ring The Fire são as grandes marcas identitárias de um registo emocionalmente rico, trespassado por uma inquietude que acaba por personificar a atualidade e os tempos conturbados que vivemos e que,num misto de euforia e de contemplação, integra uma espantosa solidez de estruturas que reforçam a justeza da obtenção por parte destes The Sweet Serenades de uma posição de maior relevo, reconhecimento e abrangência junto do público em geral. Espero que aprecies a sugestão...  

The Sweet Serenades - City Lights

01. City Lights
02. Out Of Time
03. The Night Goes On
04. Runaway
05. Without You Baby I’m Lost
06. Bring The Fire
07. Close To Me
08. Distance


autor stipe07 às 19:20
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2020

Aníbal Zola - amortempo

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

Resultado de imagem para Anibal Zola - Vida de Cão

No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola está de volta aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

amortempo é heterogéneo e eclético, mas transpira cheiro e sol portugueses. É um álbum de tato sensível e apurado, um compêndio de afetos, uma ode à melhor tradição do nosso cancionieiro tradicional e que se torna aqui num banquete sensorial de elevada subtileza e encanto por ter sido mesclado com a rica pafernália de tiques e nuances que abastecem a mais altiva e charmosa contemporaneidade sonora que se vai fazendo neste jardim à beira-mar plantado.

O timbre das cordas e a rugosidade do efeito da guitarra de Marujo, forçam logo o ouvinte a percepcionar, mesmo que intuitivamente, essa feliz dicotomia em que acústico e elétrico namoram entre si, sem se perceber claramente quem tem a posição dominante nesta relação que, sendo abençoada por Zola, tem tudo para um final feliz. Depois, quando o orgânico e o romântico fundem-se com superior dose de lascívia, como não podia deixar de ser, em Tango da Lua Nova, quando é fácil saborearmos o sal e a intensa luz que irradiam das ondas que navegam ao sabor do vaivém de um piano que joga conosco ao esconde em redor da secção percurssiva que faz flutuar Mar Profundo, quando percebemos que é impossível à nossa anca resistir à portugalidade a que sabe Samba Pro Pulinho, ou quando o cão de Zola se torna, no regaço das cordas que afagam Vida de Cão, o nosso salvo conduto para a percepção de tantos corropios que nos atormentam, sem razão aparente, torna-se claro que amortempo tem essa facilidade de permitir apropriação por todos aqueles que precisam, de quando em vez, de um porto seguro que lhes mostre que há mais vida do que a rotineira aparência e superficialidade de cumprimento de horários e obrigações em que muitos de nós vivemos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:04
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