Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

The Black Keys – Go

The Black Keys - Go

Cinco anos depois de Turn Blue, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney estará de regresso em dois mil e dezanove com um novo disco, o nono da carreira do projeto, um registo do qual já se conhecem algumas composições.

Let´s Rock é o título desse próximo álbum de estúdio da dupla de rock americana, irá ver a luz do dia a vinte e oito de junho próximo pela Easy Eye Sound em parceira com a Nonesuch Records e Go é a canção mais recente divulgada do seu alinhamento, uma divertida composição, com groove intenso e pleno de soul, conduzida por uma guitarra mais perto do que nunca do punk rock de garagem.

Depois da intensa digressão de promoção a Turn Blue, Dan e Patrick entraram num período relacional entre ambos bastante complicado que acabou por provocar uma pausa no projeto. Bryan Schlam, o realizador do vídeo de Go, satiriza no filme essa situação entretanto resolvida, abordando o elefante na sala e colocando a dupla a fazer terapia, num retiro espiritual numa comuna, um lugar de paz e de união e com a banda a odiar cada segundo que lá passa. Foi um vídeo certamente desafiador, mas bem conseguido porque oferece-nos uma narrativa cinematográfica e engraçada ao mesmo tempo. Confere...


autor stipe07 às 16:05
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Domingo, 19 de Maio de 2019

Interpol - Fine Mess EP

Quase um ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no verão de dois mil e dezanove com Fine Mess, um EP que a banda acaba de lançar à boleia, obviamente, da Matador Records e que contém cinco canções gravadas por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Maraudero tal disco que os Interpol editaram no verão passado.

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É impossível indissociar o conteúdo de Fine Mess do alinhamento de Marauder,  até porque o EP mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate. Seja como for, parece-me não ter havido apenas um exercício de junção de composições que ficaram de fora desse registo, mas antes algo mais aturado e refletido. De facto, Fine Mess tem uma identidade muito própria e será redutor e injusto considerar este EP como uma espécie de apêndice de Marauder. Escuta-se o tema homónimo e somos confrontados com o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém uma ímpar virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações.

As nuances rítmicas de No Big Deal e a energia intuitiva de Real Life acabam por ser duas balizas identitárias deste alinhamento e de marcação da tal ruptura com Marauder, com a toada invulgarmente pop de The Weekend a ser a cereja no topo do bolo de um EP que atesta, uma vez mais, a superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã um extra inesperado e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - A Fine Mess

01. Fine Mess
02. No Big Deal
03. Real Life
04. The Weekend
05. Thrones


autor stipe07 às 18:19
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019

Mikal Cronin – Undertow / Breathe

Foi através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES que viu a luz do dia recentemente o novo lançamento discográfico de Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, Na Califórnia. Trata-se de uma edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe e que quebram um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon.

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Canção feita com arranjos sujos e guitarras desenfreadas e que nos faz viajar no tempo à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk, Undertow fala-nos do modo como muitas vezes nos deixamos influenciar demasiado pelos outros e do erro que todos cometemos quando nos deixamos ir na corrente da maioria. Já Breathe, composição mais melancólica e experimental, assente numa acusticidade psicadélica intensa e que deve muito a um sintetizador analógico monofónico MOOG Sub 37, foi incubada numa quente manhã ateniense, após Cronin ter acordado com umas estranhas explosões, no quarto de hotel da capital grega em que se encontrava, durante uma digressão com Ty Segall. É um tema que fala-nos da necessidade que todos sentimos de voltar à superfície e nos reerguermos depois de um período mais sombrio. Confere...

Mikal Cronin - Undertow - Breathe

01. Undertow
02. Breathe

 


autor stipe07 às 16:56
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Bear Hands – Fake Tunes

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e parrtiularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

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Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)


autor stipe07 às 17:47
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Terça-feira, 14 de Maio de 2019

Idlewild - Interview Music

Os britânicos Idlewild, formados atualmente por Roddy Woomble, Rod Jones, Colin Newton, Allan Stewart e Gareth Russell, estão de regresso aos registos discográficos com Interview Music, um disco produzido por Dave Eringa, que trabalhou nos álbuns anteriores da banda, 100 Broken Windows e The Remote Part e que viu a luz do dia a cinco de abril, sucedendo ao aclamado registo Everything Ever Written, lançado há já quatro anos.

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Oitavo disco da carreira de uma banda com uma história já longa e feita de períodos aúreos e outros menos resplandescentes, que perigaram o futuro do projeto e fizeram Roddy, o líder, pensar em dar primazia a um projeto a solo, Interview Music abre em grande estilo com o portentoso single Dream Variations, uma canção assente num rock incisivo e agreste, duas imagens de marca dos Idlewild e que plasma, desde logo, a evidência de que mantêm-se intactos os atributos maiores desta mítica banda. Depois do clima mais dançante e que pisca um olho à eletrónica angulosa de There's A Place For Everything, somos confrontados com outro momento alto do disco, o single Interview Music, uma canção que atesta o regresso dos Idlewild a territórios mais experimentais e que exalando muita da energia adolescente de bandas como os Superchunk ou os Sonic Youth e experiências dissonantes ao estilo Pavement, nomeadamente na guitarra, acaba por, no seu todo, abarcar heranças diretas do pós punk, onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, tudo acomodado por aquele jeito meio desajeitado e aparentemente pouco sóbrio de cantar, típico de Roddy. Ele mistura bem a sua voz, mesmo que às vezes soe algo agressiva, com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que pode ser abafado pela distorção, já que o red line das guitarras é atributo essencial do cardápio sonoro dos Idlewild.

Até ao ocaso do registo, o travo punk de Same Things Twice, amaciado pelo clima mais arejado de I Almost Didn’t Notice e o exercício supremo de criatividade em que assenta Mount Analogue, uma composição em que guitarras e sopros conjuram entre si de modo particularmente simbiótico, são outros exemplos concretos da superior capacidade dos Idlewild de nos proporcionar o acesso à memória daquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primórdios do rock alternativo, mas também de envolver a nossa mente com uma elevada toada emotiva e delicada, mesmo que a sonoridade pareça, a espaços, algo sombria e rugosa. Espero que aprecies a sugestão...

Idlewild - Interview Music

01. Dream Variations
02. There’s a Place For Everything
03. Interview Music
04. All These Words
05. You Wear It Secondhand
06. Same Things Twice
07. I Almost Didn’t Notice
08. Miracles
09. Mount Analogue
10. Forever New
11. Bad Logic
12. Familiar To Ignore
13. Lake Martinez

 


autor stipe07 às 16:07
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

Cayucas – Real Life

Depois de passarem os últimos dois anos a escrever canções, os Cayucas dos gémeos Zach e Ben Yudin, estão de regresso aos discos com Real Life, o terceiro trabalho desta banda sedeada em Santa Mónica, na Califórnia e que sucede ao aclamado registo Dancing At The Blue Lagoon editado no ocaso do verão de dois mil e quinze. Recordo que na altura esse álbum era aguardado com enorme expetativa porque sucedia a Bigfoot (2012), um disco que, logo na estreia da dupla, colocou os dois irmãos nas bocas da crítica mais especializada e grangeou uma legião vasta de fãs que tem tudo para aumentar tendo em conta o conteúdo luminoso e feliz de Real Life.

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Produzido por Dennis Herring (Elvis Costello, Modest Mouse, Camper Van Beethoven), Real Life é um verdadeiro festim pop, meia hora de canções que se esfumam com uma altivez ímpar, enquanto nos proporcionam um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estabelece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo aquele conforto que o capitalismo pode oferecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético.

Escutamos Jessica WJ ou Girl e imaginamos facilmente Sunset Boulevard e atrizes a desfilar passeio abaixo com vestidos insinuantes e os braços repletos de sacos de papel carregados de trapinhos de alta costura,mas também é fácil sermos levados até ao passado, sentados num manto de nostalgia retro, ao som de Melrose Place ou para uma sunset party, com direito à fogueira da praxe, à boleia do banjo e das palmas de Tears.

A receita para todo este clima envolvente e único? Simples, mas eficaz! Melodias que ganham vida conduzidas por guitarras carregadas de timbres metálicos e que mesclam algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo com aquela pop vibrante e que deve muita da sua essência a sintetizadores plenos de efeitos com elevada cosmicidade. What It Feels Like é, talvez, o malhor exemplo desta opção estilística dos Cayucas, mas que também não descura uma vertente acústica, audivel nas cordas e nos elementos percurssivos de Alligator.

Escutar Real Life é, pois, uma experiência divertida e nostálgica sobre um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que afirma inspirar-se muito nas memórias do seu passado e daqueles que se foram cruzando nas suas vidas, nomeadamente amigos e colegas da escola e do meio onde cresceram. Aliás, a já citada canção Jessica WJ é sobre uma amiga dos dois irmãos que era popular porque tocava baixo na escola secundária que frequentaram e Winter of 98 fala de tardes passadas a jogar bilhar em bares e salas de jogos de Santa Mónica, no final do século passado. Portanto, estando na fase mais madura e profícua de uma carreira que é olhada com intesidade e devoção na costa oeste dos Estados Unidos da América, os Cayucas certamente procuraram neste Real Life criar canções que contassem histórias reais e comuns a qualquer mortal, tramas com que o ouvinte se identificasse espontaneamente e que fluissem naturalmente, transmitindo, ao mesmo tempo, aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Missão cumprida! Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Real Life

01. Jessica WJ
02. Real Life
03. Girl
04. Melrose Place
05. Tears
06. Naked Shower Scene
07. Winter Of ’98
08. What It Feels Like
09. Alligator


autor stipe07 às 16:07
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Domingo, 12 de Maio de 2019

Ride – Future Love

Ride - Future Love

Produzido por Erol Alkan e misturado por Alan Moulder e Caesar Edmunds, This Is Not A Safe Place é o nome do novo registo de originais dos britânicos Ride de Andy Bell, que, recordo, depois de um hiato de mais de duas décadas, reuniram-se e lançaram um novo disco há três anos, intitulado Weather Diaries. Esse trabalho vê agora sucessor, depois do EP Tomorrow Shore, editado o ano passado e que continha 4 temas que sobraram das gravações de Weather Diaries.

Verdadeiras lendas do shoegaze contemporâneo, os Ride contrariam um pouco o comportamento habitual de algumas lendas do rock que se reúnem depois de uma longa ausência, editam um disco e acabam por desaparecer novamente na penumbra. De facto, existe aqui uma busca de continuidade, materializada em This Is Not A Safe Place, registo que sairá lá para o verão. Future Love é o primeiro single já retirado desse álbum, uma grandiosa canção assente numa aditiva melodia com leves pitadas de surf pop e garage rock, embrulhadas com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que terá o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa a habitual ousadia experimental dos Ride. Confere...


autor stipe07 às 17:37
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Sábado, 11 de Maio de 2019

Night Moves – Strands Align

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...


autor stipe07 às 13:29
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019

Starflyer 59 – Young In My Head

Os míticos Starflyer 59 de Jason Martin, ao qual se juntam, atualmente o baixista Steven Dail (Project 86, Inner Means, Crash Rickshaw, Bloodshed), o teclista TW Walsh (TW Walsh, Pedro the Lion, Lo-Tom, The Soft Drugs) e o baterista Charlie, filho de Jason, estão de regresso aos discos com Young In My Head, um compêndio de dez canções que sucedem a Slow, um registo lançado há cerca de três anos. Young In My Head viu a luz do dia através da Tooth & Nail Records, a editora de sempre desta banda oriunda de Riverside, na Califórnia.

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Com já quase três décadas de existência, os Starflyer 59 começaram por apostar em abordagens ao shoegaze, logo no registo homónimo de estreia lançado em mil novecentos e noventa e quatro, uma opção que se manteve nos sucessores Gold Americana. Depois, com The Fashion FocusEverybody Makes Mistakes, e Leave Here a Stranger, os Starflyer 59 entraram num período de transição e começaram a migrar para um som mais limpido e acessivel e próximo dos arquétipos fundamentais do típico indie rock alternativo norte-americano, sendo considerados, na atualidade, como um dos projetos mais profícuos do cenário alternativo do outrolado do atlântico.  Já agora, aos discos que o grupo já lançou, juntam-se nove EPs, quatro edições ao vivo, três compilações e um sem número de edições de singles em vinil, além da participação do grupo em outros projetos paralelos, sendo os mais célebres os Pony Express, Bon Voyage, Dance House Children, The Brothers Martin, White Lighter, Neon Horse e os Lo-Tom.

Young In My Head é, então, o décimo quinto registo de originais do catálogo do grupo, um alinhamento de dez canções que coloca os Starflyer 59 a replicar uma sonoridade com um travo muito nativo e profundamente americano, com as guitarras e os sintetizadores a mostrarem-nos alguns dos maiores méritos daquele rock oitocentista que ainda hoje está bem impresso na memória de muitos. Basta escutar o ritmo frenético do tema homónimo e o modo como a guitarra encaixa e os teclados planam acima da melodia, para recuarmos facilmente até esse período aúreo da história musical contemporânea. Depois, o clima mais blues da guitarra que conduz a subtileza melódica de Cry, a curiosa e inesperada beleza que emana da mais negra e depressiva Remind Me e o rock agreste e poeirento que conduz Crash, atestam a força, o vigor e a vitalidade de um disco bem definido em termos de sonoridade e exemplar na forma como a recria, através de canções que nos oferecem algum do melhor rock que se escuta por aí, às vezes tão rugoso e quente como o asfalto que pisamos todos os dias. Espero que aprecies a sugestão...

Starflyer 59 - Young In My Head

01. Hey, Are You Listening?
02. Young In My Head
03. Not That I Want To
04. Cry
05. Remind Me
06. Smoke
07. Wicked Trick
08. Junk
09. Cain
10. Crash


autor stipe07 às 16:39
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2019

Vampire Weekend – Father Of The Bride

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, um álbum duplo, que viu a luz do dia através da Columbia Records e que tem como eixos basilares orientadores da sua escrita noções como alegria, luminosidade e o renascer para uma nova vida, no fundo, ideias que deverão estar neste momento muito presentes no dia-a-dia de um projeto que perdeu há três anos Rostam Batmanglij, uma das suas pedras basilares, multi-instrumentista e anterior responsável pela função de principal produtor do grupo e que procura agora colocar-se novamente nos eixos. Ezra Koenig é, portanto, a grande força motriz atual de um projeto muito centrado neste músico, vocalista e compositor, que durante este longo hiato constituiu família com a atriz Rashida Jones, lançou a sua série de animação Neo Yokio no Netflix, continuou a apresentar o programa Time Crisis e co-escreveu Hold Up de Beyoncé, enquanto vivia algumas experiências descritas neste novo álbum dos Vampire Weekend.

Esta banda nova iorquina sempre evoluiu e enriqueceu o seu cardápio à custa de canções divididas entre um travo afro e o rock alternativo, um modus operandi que com Contra, e no anterior Modern Vampires Of The City também evoluiu para sonoridades mais maduras e experimentais. Com as participações especiais de Steve Lacy dos The Internet em dois temas e de Danielle Haim em três, Father Of The Bride continua a apostar nesta lógica de continuidade evolutiva e de busca de uma maior heterogeneidade e complexidade para o cardápio do grupo.

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Desta vez tal demanda centrou-se na busca de interseções apuradas entre a herança pop do último meio século, com especial ênfase para o período sessentista dominado pela exuberância das cordas, mas também pelo uso das teclas de um modo menos clássico e mais experimental. Assim, dentro dessa baliza estilística, importa referir Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, assim como Big Blue, composição com uma intimidade e uma acusticidade ímpares. Depois, num plano mais exuberante, canções como a vibrante Married In A Gold RushThis Life, um buliçoso tema solarengo e com um groove bastante charmoso, assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante, atestam a já habitual asseritividade rítmica do grupo, também preenchida com elementos tropicais e étnicos. Já agora, o tema This Life, um dos que conta com a participação especial vocal de Danielle Haim, tem uma letra inspirada nas canções It Never Rains in Southern California, um sucesso de mil novecentos e setenta e dois da autoria de Albert Hammond, pai de Albert Hammond Jr., membro dos The Strokes e presença assídua neste blogue (Baby I know pain is as natural as the rain, I just thought it didn’t rain in California) e, no refrão, na composição Tonight, do rapper californiano iLoveMakonnen (You’ve been cheating on, cheating on me, So I’ve been cheating on, cheating on you).

No meio de toda esta diversidade e ecletismo, importa ainda referir a aposta em algumas da principais tendências estilísticas da eletrónica atual, bem patentes, por exemplo, em 2021, uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar e em Unbearably White, tema que se debruça no modo cínico como a questão do racismo é hoje tratada numa cada vez mais politizada e dividida América (There’s an avalanche coming, Cover your eyes), uma composição melancólica e intimista, com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre uma melodia intrigante e algo densa. Sympathy é talvez aquela canção que melhor condensa todo este receituário, no modo como cruza batidas e ritmos com funk e com um travo hispânico delicioso, com alguns dos arquétipos essenciais do rock progressivo setentista, rematados por detalhes de cordas de forte indole orgânica.

Toda esta trama conceptual faz movimentar um trabalho que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um registo entregue, de forma experimental e criativa à busca algo incessante de melodias com um forte cariz pop e radiofónico, mas sem deixarem de piscar o olho ao universo underground e mais alternativo que foi quem sustentou e ajudou os Vampire Weekend, no início da carreira, a obterem a notoriedade que hoje os distingue. Espero que aprecies a sugestão...

Vampire Weekend - Father Of The Bride

01. Hold You Now (Feat. Danielle Haim)
02. Harmony Hall
03. Bambina
04. This Life
05. Big Blue
06. How Long?
07. Unbearably White
08. Rich Man
09. Married In A Gold Rush (Feat. Danielle Haim)
10. My Mistake
11. Sympathy
12. Sunflower (Feat. Steve Lacy)
13. Flower Moon (Feat. Steve Lacy)
14. 2021
15. We Belong Together (Feat. Danielle Haim)
16. Stranger
17. Spring Snow
18. Jerusalem, New York, Berlin


autor stipe07 às 14:27
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

Elva - Winter Sun

Elva é o novo projecto do casal Elizabeth Morris ((Allo Darlin) e Ola Innset (Making Marks e Sunturns) e em norueguês a palavra significa rio. É, pois, um projeto sonoro encabeçado por uma dupla que rema na mesma direção e em cujas veias escorre uma seiva artística comum, um casal que se inspirou no mundo natural, na beleza do verão escandinavo e na dureza do inverno, para incubar um álbum intitulado Winter Sun, dez canções que também devem muito do seu conteúdo ao nascimento da filha de ambos. Winter Sun foi gravado no último outono numa escola antiga na floresta sueca, durante a época de caça aos alces e tal atmosfera acabou por potenciar o cunho sonoro fortemente identitário do disco relativamente a uma área geográfica bastante específica, um registo criado por dois artistas nórdicos mas que, curiosamente, também encontram no outro lado do atlântico um oásis inspirador.

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Lançado pela Tapete Records, gravado e produzido por Michael Collins, baterista dos Allo Darlin e com as participações especiais de Dan Mayfield no violino, Diego Ivars no baixo e Jørgen Nordby na bateria, Winter Sun tem, como se percebe logo na luminosidade folk de Athens e, adiante, na mais intimista Harbour In The Storm, elevado sustento na exuberância de inspiradas cordas de forte pendor acústico. Mas engana-se quem considerar que será este o único suporte sonoro de Winter Sun, porque, logo a seguir, no ritmo incisivo de Tailwind e, pouco depois, na tonalidade oitocentista vincada de Ghost Writer, percebe-se que, no modo como essas mesmas cordas são eletrificadas, o registo contém também a força de uma pop distinta, acondicionando não só cenários melódicos eminentemente acústicos, mas também algumas das principais linhas orientadoras da country, da folk norte-americana e do melhor rock alternativo das últimas três décadas.

Seja como for, apesar da evidente predominância das cordas, se o ouvinte escutar com a devida e merecida devoção Winter Sun, certamente perceberá que teclados charmosos e de forte cariz vintage e um registo vocal intrincado e até algo complexo, a espaços, são também a alma de um registo lirica e melodicamente profundo e que também convive da combinação de detalhes e nuances opostas, justificados pela opção por elementos acústicos ou elétricos, orgânicos e sintéticos e mais reflexivos ou expansivos, muitas vezes numa mesma canção.

De facto, os Elva sabem muito bem como transmitir e explorar sensações únicas e intensas através de uma sonoridade sempre sóbria e adulta, mas também com um forte cunho envolvente, climático e melancólico. Em Airport Town, na nuance do efeito da guitarra e no modo como os restantes instrumentos se encaixam na mesma enquanto intercalam epicidade com intimismo e no timbre vocal grave de Elizabeth, percebe-se esse elevado índice de maturidade e abrangência, com o odor que afaga e adoça em Everything Is Strange e o travo algo setentista e lisérgico que exala do sereno dedilhar da guitarra de Don't Be Afraid, a reforçarem toda uma complexidade de abordagens felizes a diferentes géneros sonoros e que, numa mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibram sempre de forma vincada e segura.

Disco intenso, mas também bastante relaxante e até, em alguns instantes, algo soporífero, Winter Sun conquista o coração de quem escuta estes Elva, que usam melodias doces para nos fazer despertar no nosso âmago sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

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  1. Athens
  2. Tailwind
  3. Dreaming With Our Feet
  4. Ghost Writer
  5. Harbour In The Storm
  6. Airport Town
  7. Don't Be Afraid
  8. Everything Is Strange
  9. I Need Love
  10. Winter Sun

 


autor stipe07 às 16:31
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Terça-feira, 7 de Maio de 2019

The Leisure Society – Arrivals And Departures

Foi à boleia da Ego Drain Records que viu recentemente a luz do dia Arrivals And Departures, o novo registo de originais dos The Leisure Society de Nick Hemming e Christian Hardy, quinto disco da carreira de um grupo com uma década de existência bastante profícua e materializada nos excelentes trabalhos The Sleeper (2009), Into The Murky Water (2011), Alone Aboard The Ark (2013) e The Fine Art of Hanging On (2015). É um disco apresentado em dose dupla, com oito canções em cada tomo, uma duplicidade acentuada pelo artwork do disco da autoria de Owen Davey e que no dia e noite que ilustram o cenário que domina a capa e contracapa ganha ainda maior relevo e equilíbrio.

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Arrivals And Departures desafia-nos a embarcarmos numa viagem particularmente profunda e reflexiva, sem ser complexa, levando o ouvinte como única bagagem uma mente desimpedida de preconceitos e de preocupações de maior, juntamente com estas dezasseis canções criadas com o firme propósito de nos levar até vastos territórios sonoros, que da chamada chamber pop, ao folk, passando pela pop e o próprio rock alternativo, acabam por entroncar numa filosofia sonora com forte cariz identitário, um modo de compôr que reforça a ideia de estes The Leisure Society serem uma daquelas bandas com um adn firme e que não defruadam os mais fiéis seguidores, sem cairem na redundância e na monotonia. De facto, canção após canção e disco após disco, os The Leisure Society replicam a fórmula certa para exalarem riqueza e diversidade dentro do cosmos sonoro em que residem e se sentem mais confortáveis. No caso de Arrivals And Departures essa proeza é conseguida à custa de um arsenal instrumental certeiro e assertivo, em que as cordas têm o lugar de primazia no esqueleto das canções, exímias no dedilhar que conduza luminosidade otimista e feliz de Overheard, no banjo exuberante que adorna Be You Wherever, ou na imponente eletrificação da oitocentista Mistakes On The Field (Part I) e, na sequência, de Mistakes On The Field (Part II), composição que nos desassossega e plasma a típica monumentalidade espiritual deste projeto, com tambores, sopros e cordas a revezarem-se entre si numa complexa teia relacional que muitas vezes faz suster a respiração, tal é a imensidão com que nos submerge. Mas as guitarras também impôem a ordem, mesmo que de um modo mais subtil, na enigmática e insinuante God Has Taken A Vacation, na incontida epicidade de Leave Me To Sleep, na festiva Beat Of A Drum e na algo lasciva e fumarenta Don't Want To Do It Again, uma composição que deve grande parte da sua riqueza aos arranjos de sopros que lhe dão uma alma e um vigor indesmentíveis. Mas o piano também consegue, a espaços, intrometer-se com superior sagacidade e bom gosto em todo este enredo. I’ll Pay For It Now é um extraordinário exemplo desta feliz opção pelas teclas sem colocar em causa um fio condutor que soa sempre bem, independentemente do modo como vai sendo alinhavado. Let Me Bring You Down acaba por ser uma daquelas composições que, de algum modo, mescla e resume toda esta trama, idealizada por um conjunto de músicos que não são insensíveis ao mundo que os rodeiam e gostam de servir-se da música como veículo privilegiado de uma demanda reflexiva, mas também para procurar alertar quem se predispuser a aceitá-los como mais um bando de conselheiros seguros e que merecem crédito.

Em Arrivals And Departures escutamos um álbum desafiante porque só revela todo o seu potencial instrumental e todos os detalhes e nuances que o trespassam após repetidas audições e embarques à boleia de um veículo sonoro gracioso e nada turbulento, alimentado por um conjunto de telas sonoras que nos descrevem com minúcia a importância de uma vivência plena e feliz e que tendo a mira bastante apontada aquele experimentalismo folk que começou a impressionar e a espevitar tantos nomes hoje consagrados na década de setenta do século passado, sabe a uma intocável e até algo surpreendente contemporaneidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Leisure Society - Arrivals And Departures

CD 1
01. Arrivals And Departures
02. A Bird, A Bee, Humanity
03. God Has Taken A Vacation
04. I’ll Pay For It Now
05. Overheard
06. Let Me Bring You Down
07. Be You Wherever
08. Arundel Tomb

CD 2
01. Don’t Want To Do It Again
02. Mistakes On The Field (Part I)
03. Mistakes On The Field (Part II)
04. Leave Me To Sleep
05. Beat Of A Drum
06. There Are No Rules Around Here
07. You’ve Got The Universe
08. Ways To Be Saved


autor stipe07 às 16:13
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

Cage The Elephant - Social Cues

Já tem sucessor Tell Me I'm Pretty, o álbum que os norte americanos Cage The Elephant, de Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra), lançaram no final de dois mil e quinze e que na altura nos conduziu por uma verdadeira road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica que contou com um complemento de versões acústicas dois anos depois, intitulado UnpeeledSocial Cues é o nome do quinto e novo registo discográfico desta banda oriunda de Bowling Green, no Kentucky, viu a luz a dezanove de abril, foi produzido por John Hill e contém um alinhamento de treze temas que conta com a participação especial de Beck na canção Night Running.

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A composição deste novo álbum dos Cage The Elephant é bastante inspirada no final de uma relação amorosa de Matt Schultz, que criou nas letras que escreveu para alguns dos temas personagens que recriam eventos e pensamentos da sua história pessoal mais recente. Aproveitando esse momento introspetivo, Matt acabou por ir um pouco mais além da sua esfera pessoal e refletiu também sobre o modo como nos dias de hoje nos relacionamos pessoal e socialmente, enquanto vivemos e procuramos ser felizes em ambientes onde o frenesim, a impessoalidade, a competitividade, a ausência constante de valores e a busca incessante do material são presenças constantes e factores de pressão indesmentíveis.

Descrito este enredo musical, feito de poesia que tanto pode exalar descontentamente e frustração, como uma certa euforia e júbilo, a materialização sonora do mesmo assenta numa filosofia interpretativa bastante heterogénea, num alinhamento que oscila também entre dois pólos aparentemente opostos, ou seja, numa lógica de coerência entre letras e musica, entre momentos ruidosos e expansivos e instantes menos ritmados e agitados. Assim, se uma constante sensação de irritação percetível em Broken Boy ganha vida à custa de uma guitarra que a espaços se insinua, no meio de uma batida dominante, já Ready To Let Go balança entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. Este lado mais ritmado e eufórico do registo é reforçado pelo fuzz da guitarra da luminosa Black Madonna, pelo rugoso travo psicadélico de House of Glass e pelo instinto pop que sustenta The War Is Over. Já o tema homónimo, por exemplo, querendo dar ao ouvinte algumas pistas sobre como deve agir socialmente perante determinada situação menos pacífica, acaba por fazer parte do conjunto de composições mais minimalistas e soporíferas, no modo como vê a componente da letra enfatizada através de uma opção sonora que primou pela discrição, apenas com a bateria e uma suave guitarra a servirem de pano de fundo para a mensagem. O piano que conduz Goodbye, a melodia sintética e os flashes cósmicos que adocicam Skin And Bones e o clima algo enevoado e lisérgico de What I'm Becoming, sendo canções que oferece ao disco uma maior dose de imprevisibilidade e ineditismo e talvez pensadas para fugirem aos habituais cânones em termos de formatação sonora dos Cage The Elephant, proporcionam-nos os tais instantes mais reflexivos e intimistas.

Álbum com um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, Social Cues suga-nos para uma centrifugadora que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual, com um resultado que te faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes, num alinhamento que nos deixa constantemente à espera que surja nos nossos ouvidos algo de imprevisível e inédito e que contribui para que sejamos definitivamente absorvidos pela mente insana de uma banda sem preocupações estilísticas ou de obediência cega a fronteiras sonoras e que voltou a criar um conjunto de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa, enquanto brincam com os nossos sentimentos mais íntimos. Espero que aprecies a sugestão...

Cage The Elephant - Social Cues

01. Broken Boy
02. Social Cues
03. Black Madonna
04. Night Running (Feat. Beck)
05. Skin And Bones
06. Ready To Let Go
07. House Of Glass
08. Love’s The Only Way
09. The War Is Over
10. Dance Dance
11. What I’m Becoming
12. Tokyo Smoke
13. Goodbye


autor stipe07 às 18:22
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Sábado, 4 de Maio de 2019

The National – Hairpin Turns

The National - Hairpin Turns

Continuam a ser divulgadas novas composições de I Am Easy To Findo novo registo de originais dos norte-americanos The National, que verá a luz do dia a dezassete de maio, através da 4AD. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções, também já divulgado.

A última canção divulgada do disco é Hairpin Turns, o décimo terceiro tema do seu alinhamento, mais uma belíssima balada que coloca os The National no trilho de uma sonoridade que também lhes é familiar e na qual se movimentam confortavelmente. Assente num delicado piano, em diversas nuances rítmicas, numa guitarra flutuante e na voz cada vez mais madura, assertiva e positiva de Berninger, Hairpin Turns possui aquela toada algo melancólica e reflexiva que é tão do agrado dos seguidores desta banda nova iorquina.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum. O vídeo de Hairpin Turns também foi realizado por Mike Mills, mas é uma produção independente desse filme, mostrando uma interpretação de dança, protagonizada por Sharon Eyal e que, de acordo com Mills, acaba por funcionar neste video como uma espécie de alter ego da personagem interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander no filme 20th Century Women. No video deste tema, feito em colaboração com o espaço La Blogothèque, é também possível apreciar o modo como os instrumentos foram protagonizando a canção e construindo o seu arquétipo melódico e sonoro e os outros protagonistas no tema, além dos músicos dos The National, nomeadamente Gail Ann Dorsey, Pauline Delasser (aka Mina Tindle) e Kate Stables. Confere...


autor stipe07 às 16:32
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019

Lamb - The Secret of Letting Go

A dupla de Manchester Lamb, formada por Lou Rhodes e Andy Barlow, já anda por cá desde meados dos anos noventa, altura em que lançaram um disco homónimo de estreia que é um verdadeiro clássico da pop contemporânea. Depois disso, a dupla tem-se mantido sempre à tona, mesmo durante longos hiatos em que Rhodes se dedicou a uma promissora carreira a solo a Barlow à produção de outros artistas.

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O último sinal de vida dos Lamb tinha sido em dois mil e catorze com o álbum Backspace Unwind, que tem finalmente sucessor. O sétimo e novo trabalho da dupla chama-se The Secret of Letting Go, viu a luz do dia através da Cooking Vynil e contém um alinhamento que tem no espaço a sua ideia central e que foi gravado entre o estúdio dos Lamb e Ibiza e Goa, na Índia.

The Secret Of Letting Go vive, no seu todo, de uma simbiose feliz entre a pop soturna e clássica, a eletrónica mais sofisticada e um rock eminentemente experimental. Contém um alinhamento suave e bastante adocicado, recheado de composições sustentadas por uma elevada consistência instrumental e melódica, dominado, especialmente, nas últimas canções, por belíssimos acordes de piano, cordas certeiras e sintetizadores cósmicos, detalhes que se acamam com elevada mestria ao registo vocal de Rhodes. Por exemplo, se quase no ocaso do disco, em Silence Inbetween, quase se consegue sentir a ténue vibração das cordas dentro da caixa de um piano tocado com enorme pureza e que se entrelaça com o violino com uma química de uma paixão avassaladoras, já Armageddon Waits, uma composição vibrante, rugosa e evocativa, oferece-nos um feliz exercício de fusão de diversos cânones da eletrónica com um rock de cariz eminentemente progressivo, assente numa percussão bastante ritmada, guitarras planantes e diversos arranjos de sopros.

É, pois, através deste jogo fluído e simbiótico entre dois grandes universos e os diversos mundos de cada um, que The Secret Of Letting Go vai deixando cada vez mais para trás aquela sedutora ingenuidade dos primórdios dos Lamb. Continuam a escutar-se temas mais dançantes, como é o caso de Moonshine e o travo trip-hop de Bulletproof e outros essencialmente introspetivos, nomeadamente One Hand Clapping, uma bonita fusão entre metais, teclas e cordas que nos mostram aquele lado mais romântico e delicado do trio, num resultado final charmoso e sofisticado, como não podia deixar de ser nos Lamb e que deverá ajudar a revitalizar a carreira de um grupo que já estava algo esquecido mas que, pelos vistos, ainda tem muito para oferecer aos apreciadores de um género sonoro pleno de especificidades. Espero que aprecies a sugestão...

Lamb - The Secret Of Letting Go

01. Phosphorous
02. Moonshine
03. Armageddon Waits
04. Bulletproof
05. The Secret Of Letting Go
06. Imperial Measures
07. The Other Shore
08. Deep Delirium
09. Illumina
10. The Silence in Between
11. One Hand Clapping


autor stipe07 às 16:35
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Terça-feira, 30 de Abril de 2019

Local Natives – Violet Street

Cerca de dois anos depois de Sunlit Youth, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso aos discos com Violet Street, um registo produzido por Shawn Everett e que viu a luz do dia a vinte e seis de abril, à boleia da Loma Vista Recordings. Quarto disco do grupo californiano, Violet Street eleva o quinteto para um novo patamar instrumental mais arrojado, mantendo-se, no entanto, a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzidos em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto.

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Impecavelmente produzido, Violet Street mantém, como de certo modo já referi, a banda de Salt Lake dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade entre as vertentes lírica e musical, algo que ficou logo bem patente em Gorilla Manor, a obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo logo na estreia, há cerca de uma década. De facto, basta escutar o piano inicial e depois a inserção da batida e do registo vocal em falsete típico tremendamente lisérgico de Taylor, no ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente do tema When Am I Gonna Lose You, para se perceber que esses elementos marcantes desde a estreia, muitas vezes agregados a detalhes pontuais, como palmas, distorções de guitarra e efeitos sintetizados, mantêm-se, mas de um modo ainda mais renovado, emotivo e delicioso. Depois, se em Café Amarillo, nos efeitos de cordas, no compasso da bateria e numa guitarra apenas insinuante, mas muito presente, somos puxados para ambientes mais melancólicos, amenos e nostálgicos, no neopsicadelismo progressivo de Gulf Shores e, principalmente, no ritmo efervescente de Megaton Mile e de Shy somos soterrados em variadas emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, que sobrevivem muito à custa da tal complexidade e riqueza estilística que faz muitas vezes parecer que uma mesma composição dos Local Natives resulta de uma colagem simbiótica de diferentes puzzles com tonalidades e características diferentes, uma agregação que tanto pode ser feita por sobreposição, como se estivessemos a escutar dois temas em simultâneo, um por cima do outro, ou por sequência. Someday Now arrefece um pouco estes ânimos e puxa novamente o registo para um clima mais sombrio e resguardado, fazendo-o com a curiosidade de se suportar numa vasta miríade de efeitos percurssivos, nomeadamente metais, detalhes étnicos e conceptuais que puxam esse tema para uma latitude claramente tropical. Gardens Of Elysian também tem esta faceta mais climática, mas, apesar da rugosidade da guitarra, aposta numa toada eminentemente classicista e com forte cariz pop.

Em suma, num cruzamento feliz entre eletrónica e indie rock, toda esta pormenorizada descrição da vasta heterogeneidade de elementos e nuances que caraterizam cada um dos tema de um registo que, quanto a mim apenas peca pelo curto alinhamento, serve para justificar não só a coerência de Violet Street, até porque cada canção parece introduzir e impulsionar a seguinte, numa lógica de progressão, mas, principalmente, para clarificar a sua enorme riqueza e complexidade, aspetos que sustentam a enorme beleza de um disco que deve ser apreciado com cuidado e real atenção e que se assume, na minha opinião, como um dos melhores lançamentos do ano até ao momento. Espero que aprecies a sugestão...

Local Natives - Violet Street

01. Vogue
02. When Am I Gonna Lose You
03. Cafe Amarillo
04. Munich II
05. Megaton Mile
06. Someday Now
07. Shy
08. Garden Of Elysian
09. Gulf Shores
10. Tap Dancer


autor stipe07 às 15:48
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019

Booby Trap - Stand Up And Fight

Depois de terem reeditado há pouco mais de um ano Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Tó Jó e Hugo Lemos, estão de regresso aos originais com Stand Up And Fight, treze novos temas que contam algumas participações especiais, como é o caso de Lex Thunder (Midnight Priest, Toxikull) e Inês Menezes (Albert Fish, ex-Asfixia, ex-Nostragamus), entre outras e que foi gravado e produzido pela banda no seu próprio estúdio no final do ano transacto.

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Em Stand Up And Fight os Booby Trap consolidam a elevada bitola qualitativa de um grupo que está hoje na linha da frente na defesa de um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.

Os Booby Trap estão, claramente, no apogeu de um percurso que foi sendo calcorreado a pulso, com momentos altos e outros menos efusivos, mas a verdade é que hoje, quase três décadas depois do pontapé de saída com o mítico registo Brutal Intervention, estão bem vivos e em condições de se assumirem como porta estandartes nacionais de um movimento musical que tem como uma das suas maiores valências, o facto de ser seguido por legiões de fãs bastante devotos e que sugam até ao tutano canções com uma personalidade e uma amplitude sonora mais agressiva do que o habitual, no bom sentido.

Um grande passo em frente que a banda dá neste disco relativamente ao cardápio discográfico anterior é a inserção de alguns detalhes e elementos técnicos inéditos. Logo nas sirenes, na percurssão marcante e na guitarra imponente e lasciva que introduz o tema homónimo do disco, asim como no timbre vocal com um sotaque intenso e pronunciado e num tom que sustenta o seu charme e, principalmente, na coerente tonalidade do mesmo em relação à melodia, percebe-se que estes fantásticos atributos justificam, por si só, a tal catalogação dos Booby Trap como estando no seu melhor momento de sempre. Depois, o clima garage punk de Set The World On Fire, puro, vibrante e feito sem amarras e concessões, sujo e distorcido e carregado de sentimento e emoção latente e a toada mais progressiva da guitarra e uma maior omnipresença do baixo em Big Disgrace, uma composição feita de avanços e recuos particularmente lascivos, cativam definitivamente o ouvinte para um registo orelhudo, feito com uma filosofia instrumental rugosa mas que inflama distorções verdadeiramente inebriantes e que aprofundam, à medida que o alinhamento avança, o exuberante sentimento de exclamação inicial que o tema homónimo continha e que nunca mais abandona o ouvinte dedicado, porque essa energia vai ser uma constante em Stand Up And Fight, até ao ocaso de um alinhamento que coloca a nú as grandes virtudes instrumentais da banda, enfatizadas nos efeitos das cordas eletrificadas e no modo como se encadeiam com mudanças de ritmo e como as letras e as rimas se colam às melodias, ganhando vida e flutuando com notável precisão pelo limbo sentimental que transborda das canções. A própria voz do Pedro, além de manter as caraterísticas acima descritas com enorme vigor até ao final, consegue sempre variar o volume de acordo com a componente instrumental, nunca havendo uma sobreposição pouco recomendável de qualquer uma das partes ao longo das canções, como se exige em registos onde predominam temas curtos, crus, sujos e diretos, mas vigorosos, emocionados e sentidos, como é o caso.

Em suma, os Booby Trap sabem muito bem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas destes temas, com os riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente monumental, comprime tudo aquilo que sonoramente seduz este grupo aveirense em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Importa ainda referir que a capa ficou mais uma vez a cargo do aveirense Deivis Tavares e, segundo Pedro Junqueiro, vocalista da banda, tem a intenção de transmitir aquele sentimento de luta contra o sedentarismo instituído, contra tudo aquilo que nos oprime mas que a letargia e comodismo dos tempos modernos não nos faz levantar o cu do sofá e lutar pelo que é nosso por direito. Espero que aprecies a sugestão...

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1 - Stand Up And Fight 
2 - Set The World On Fire 
3 - Big Disgrace 
4 - O Bom, O Mau E O Filho Da Puta 
5 - Fuckers 
6 - A Message Of Love 
7 - Spiders 
8 - Full Of Shit 
9 - I'd Rather See You Dead 
10 - Psycho Trap 
11 - Alcohol 
12- Bombing For Oil 
13 - The Ritual


autor stipe07 às 16:13
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Sábado, 27 de Abril de 2019

Jay-Jay Johanson – Kings Cross

Já está nos escaparates Kings Cross, o décimo segundo álbum do sueco Jay-Jay Johanson, mais um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentam o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinmetográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Com a participação especial de Robin Guthrie dos míticos Cocteau Twins em Lost Forever e com um dueto com Jeanne Added em Fever, Kings Cross consiste num inspirado compêndio de eletropop idealizado por um Jay-Jay Johanson que teve o firme intuíto de nos captar com a sua voz melancólica, ao som de arrebatadoras melodias, revestidas de sons intrincados e algo misteriosos, geralmente de origem sintética e batidas e efeitos percurssivos de cariz emimentemente experimental.

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Not Time Yet, a canção que abre o alinhamento de Kings Cross, torna logo explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente reflexivo e ambiental, como grande suporte sonoro, conforme já referi, mas é demasiado redutor, aviso desde já, parcelar de modo tão concreto todo o emaranhado de referências estilísticas que o artista sueco absorveu, degustou e depois esplanou neste seu novo álbum.

Assim, se no caso dessa primeira composição do álbum, temos um som polido, mas desafiante por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, na tonalidade mais descontraída e cativante do jazz que alinha Heard Somebody Whistle, na soul da percurssão, do baixo e do insinuante piano de Smoke, na romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que nos embala em Hallucination, na guitarra que ressoa com vigor em Niagara Falls e no clima íntimo e de forte pendor clássico de Old Dog ficamos devidamente esclarecidos acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

Jay-Jay Johanson - Kings Cross

01. Not Time Yet
02. Heard Somebody Whistle
03. Smoke
04. Lost forever (Feat. Robin Guthrie)
05. Hallucination
06. Old Dog
07. Niagara Falls
08. Fever (Feat. Jeanne Added)
09. Swift Kick In The Butt
10. We Used To Be So Close
11. Everything I Own
12. Dead End Playing


autor stipe07 às 14:04
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019

Glen Hansard – This Wild Willing

Pouco mais de um ano depois do excelente registo Between Two Shores, o irlandês Glen Hansard, um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em dois mil e doze, está de regresso aos lançamentos discográficos com This Wild Willingdoze canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico no verão passado em Paris, cidade onde Hansard se refugiou durante uma breve temporada com o propósito de compôr depois de uma extenuante digressão europeia e na ressaca de uma infeção pulmonar que o atormentou por algum tempo. Depois de vários esboços sonoros prontos, no final do ano partilhou algumas dessas ideias com dois músicos da área da eletrónica experimental, David Cleary (DEASY) e Dunk Murphy (Sunken Foal), tendo até, informalmente, incubado uma banda chamada The Invisible Brethren com esta dupla. Este contacto de Hansard com um espetro sonoro a que estava pouco habituado acabou por enriquecer a sua experiência ao nível da composição e por influenciar decisivamente o refinamento do arquétipo sonoro de um registo que contou ainda com as participações especiais de Graham Hopkins e Earl Harvin na bateria e na percurssão, Michael Buckley nos sopros, Breanndán Ó Beaglaoich, Cape Breton, Rosie MacKenzie, a já referida Markéta Irglová e a iraniana Aida Shahghasemi, nas vozes, Eamon O’Leary (The Murphy Beds) no banjo e no bandolim e Anna Roberts-Gevalt (Anna & Elizabeth) e Brían Mac Gloinn (Ye Vagabonds) no violino, além de Una O’Kane, Katie O’Connor e Paula Hughes, que já costumam acompanhar o artista irlandês na estrada.

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Gravado nos estúdios da Black Box e produzido pelo próprio autor com a ajuda de David Odlum, This Wild Willing oferece-nos um Glen Hansard mais charmoso e desafiador do que nunca, com um registo vocal eminentemente sussurante, visceralmente emotivo e algo misterioso enquanto se debruça sobre a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras, aspetos que permanecem bem presentes na sua escrita. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country, perdeu agora protagonismo no processo de condução melódica, fruto do tal contacto do autor com um espetro sonoro de cariz mais sintético, o que acabou por resultar em canções mais buriladas, diversificadas e instrumentalmente ricas. Assim, se em Brother's Keeper, Mary e Threading Water, Glen Hansard preserva essa filosofia eminentemente acústica, com a ajuda de banjos e bandolins, na alternância entre silêncio e explosão de I'll Be You, Be Me, ele oferece às drum machines a liderança e em Race To The Bottom ao baixo. Depois, na majestosidade de Don't Settle são as teclas que dirigem a orquestra e em The Closing Door já são os sopros que sobressaiem, assim como em Fool's Game, à boleia do saxofone, num emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Famoso também por ter sido durante largos anos frontman dos míticos The Frames, Glen Hansard oferece-nos em The Wild Willing o momento maior e mais ousado da sua carreira a solo. Nele o autor privilegia novas estéticas, cheias de subtilezas e detalhes inéditos, onde não falta um sample de uma parceria esquecida de David Bowiecom os Queen, trilha diversos caminhos, expande horizontes e aprimora o modo como se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira. Dando uma espécie de passo no desconhecido, mas com altivez e coragem, Hansard enche-nos de paixão e luz ao longo de pouco mais de uma hora que deve ser saboreada com esperança, ânimo e devoção. Espero que aprecies a sugestão...

Glen Hansard - This Wild Willing

01. I’ll Be You, Be Me
02. Don’t Settle
03. Fool’s Game
04. Race To The Bottom
05. The Closing Door
06. Brother’s Keeper
07. Mary
08. Threading Water
09. Weight Of The World
10. Who’s Gonna Be Your Baby Now
11. Good Life Of Song
12. Leave A Light


autor stipe07 às 13:28
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Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

Modest Mouse – I’m Still Here

Modest Mouse - I'm Still Here

Outro dos grandes destaques da edição deste ano do Record Store Day foi, claramente, a edição em formato vinil de sete polegadas de dois novos temas de Modest Mouse, uma edição pensada em exclusivo para esta iniciativa anual amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles, em edição limitada, às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

Assim, se na altura da efeméride, no início deste mês, ficámos a conhecer Poison The Well, o lado a do referido lançamento deste projeto de Portland, agora já é possível escutar I'm Still Here, o b side do lançamento, uma canção que navega à boleia de um garage rock incisivo e vibrante, feito de uma estreita ligação entre a bateria e guitarras carregadas de fuzz, uma opção estilística que salvaguarda alguns dos melhores detalhes da herança sonora do grupo.

Esta edição em exclusivo para o Record Store Day é a primeira de Modest Mouse após o álbum Strangers To Ourselves de dois mil e quinze, não havendo ainda nenhuma previsão de novo registo do projeto, apenas o anúncio de uma digressão com os The Black Keys a partir de setembro próximo. Confere...


autor stipe07 às 11:42
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