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Andrage - Andrage

Segunda-feira, 19.04.21

Margarida Marques (Voz), Daniel Gouveia (Trompete), Humberto Dias (Bateria), João Heliodoro (Saxofone Tenor), José Rego (Baixo) e Pedro Campos (Guitarra), são os Andrage, uma banda que começou o seu percurso em dois mil e dezassete e cujo nome é inspirado numa planta nativa do território Alentejano, uma escolha que se deve ao facto de grande parte dos elementos da banda serem naturais do Baixo Alentejo. Esta planta acaba por servir de metáfora para a filosofia interpretativa do grupo, que se assume como detentor de ideias delicadas à superfície mas bem firmes desde a baseNa passada sexta-feira, dia dezasseis de abril, chegou aos escaparates Andrage, o novo trabalho homónimo do grupo, um alinhamento de oito canções gravadas e masterizadas por Bruno Xisto nos estúdios Black Sheep Studios em Sintra e com a chancela da Throwing Punches.

Andrage a uma só voz - bodyspace.net

Disco que se escuta de fio a pavio com um sorriso sincero e instintivamente feliz nos lábios, Andrage está encharcado de composições diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionam-nos um baquete sonoro de forte cariz eclético e ímpar abrangência. Entre o rock e o jazz, neste deslumbrante festim de sons, cadências rítmicas e dissertações melódicas, é vasta a fusão de estilos e tiques, não só por causa de um arsenal instrumental feliz e que, além das habituais cordas, tem nos sopros e nas teclas elementos preponderantes na indução de emotividade, cor e substância aos temas, mas também devido a um registo vocal sem meios termos e constantemente nos píncaros da emotividade.

De facto, o abraço indulgente entre a guitarra e o saxofone em So Wrong, a subtileza dilacerante de Sign, o ambiente festivo de Getting Wild, uma composição assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, o travo glam de Wasting Time e o vigor rítmico que o baixo impôe em Stuck e que nunca resvala, são provas concretas da excentricidade dos Andrage e da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil, amiúde feito de improviso e claramente emocional, que sobrevive num universo subsónico e contrastante, que parece falar-nos ao ouvido e à anca de sonhos, de liberdade e de redenção.

Andrage é, pois, um disco que exala amadurecimento por todos os poros, uma firmeza artística assente num impecável trabalho de produção que permite que todo o arsenal instrumental utilizado pelos autores tenha o seu protagonismo no tempo certo, em suma, um verdadeiro banquete requintado, sedutor e repleto de charme, um oásis de cor e luz que evoca ambientes sonoros repletos de nostalgia, mas que, simultaneamente, também soam de uma forma muito nova e refrescante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:54

Lou Barlow – Over You

Segunda-feira, 12.04.21

Baixista dos Dinosaur Jr. e vocalista dos Sebadoh, o norte americano Lou Barlow, um músico oriundo de Greenfield, no Massachussets e considerado um dos grandes gúrus do indie alternativo desde a década de noventa, tem também uma profícua carreira a solo. E Lou Barlow está prestes a acrescentar um novo disco no seu cardápio, num momento em que os próprios Dinosaur Jr. têm igualmente novo álbum na forja, um registo intitulado Sweep It Into Space e que conta com o nome de Kurt Vile nos créditos da produção do mesmo.

Lou Barlow announces new solo album, shares “Over You”

Ora, o novo álbum a solo de Lou Barlow chama-se Reason To Live, irá ver a luz do dia em maio próximo e transportar-nos-á, mais uma vez, para um universo eminentemente recatado, mas onde o músico celebra a vida e todos aqueles que dela fazem parte e que ele muito ama, fazendo-o através de uma folk intimista, nostálgica e contemplativa e que terá nas cordas a principal arma de arremesso, mas onde também não faltará a curiosa exuberância vocal deste autor, se tivermos em conta o conteúdo da curta mas lindíssima composição Over You, uma das várias que farão parte do alinhamento de Reason To Live. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 17:38

Cold Cave – Night Light

Quinta-feira, 08.04.21

O projeto Cold Cave, liderado por Wesley Eisold, tem catorze anos de existência e não edita discos há uma década. Mas isso não significa que tenha estado em pousio desde então. De facto Wesley tem-se mostrado bastante ativo, nomeadamente depois de em dois mil e dezasseis nos ter presenteado com The Idea Of Love, um lançamento em formato físico e digital, de duas canções, o tema homónimo e Rue The Day. Esse género de edições pareceu ser, à altura, a filosofia de Wesley para a apresentação das canções dos Cold Cave, com o clássico formato álbum a ser, para o autor, uma realidade do passado. À época, o músico natural de Los Angeles confessou que esse seria um formato demasiado redutor e que pretendia publicar música livremente e sem a obrigatoriedade de o fazer à sombra de um alinhamento longo e definido no tempo, mesmo tendo em conta a excelente aceitação dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Ouça Cold Cave Channel 80ies Synth-Pop na nova música “Night Light” –  Celebrity Land Brasil

Agora, em dois mil e vinte e um, e depois de ter visto interrompida, devido à pandemia, uma digressão com o seu outro projeto, a banda hardcore American Nightmare e de se ter juntado a Mark Lanegan para produzirem juntos uma espetacular cover do clássico Isolation dos Joy Division, Eisold orientou de novo o seu foco para os Cold Cave e acaba de anunciar um novo EP intitulado Fate In Seven Lessons, um alinhamento que irá ver a luz do dia a onze de junho próximo, via Heartworm Press.

Night Life é o primeiro single retirado do EP, um imponente concentrado lo fi, com elevado pendor oitocentista, um tema em que a vibração da guitarra e um efeito sintetizado futurista suportam com superior magnificiência a voz manipulada de Eisold, uma belíssima caldeirada, feita com várias espécies sonoras, envolvida numa embalagem frenética, com uma atmosfera sombria e visceral, numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Confere Night Light e o alinhamento de Fate In Seven Lessons...

01 Prayer From Nowhere
02 Night Light
03 Psalm 23
04 Love Is All
05 Happy Birthday Dark Star
06 Honey Flower
07 Promised Land

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publicado por stipe07 às 17:41

Flock Of Dimes – Head Of Roses

Quarta-feira, 07.04.21

A cantora e compositora Jenn Wasner, membro fundamental da banda Wye Oak, mas também com uma respeitável carreira a solo assinada como Flock of Dimes, passou por cá há alguns meses por ter dado as mãos a Roberto Carlos Lange, aka Helado Negro e a Devendra Banhart, para assinarem, em conjunto, uma versão do clássico Lotta Love de Neil Young. Agora, no pontapé de saída da primavera de dois mil e vinte e um, Flock Of Dimes tem um novo disco nos escaparates, à boleia da Sub Pop Records. Chama-se Head Of Roses, foi gravado com a ajuda de Nick Sanborn, do projeto Sylvan Esso, nos estúdios Chapel Hill e conta com as participações especiais de Meg Duffy, Matt McCaughan, membro do projeto Bon Iver, Andy Stack, colega de Jenn nos Wye Oak e Adam Schatz, dos Landlady.

Watch Flock of Dimes' official video for “Hard Way,” a new offering from  Head of Roses in Sub Pop Records News

Head Of Roses é um registo muito íntimo e pessoal, um exercício de cedência aos instintos mais básicos de Wasner que clamam que a mesma confesse a quem a quiser escutar, algumas das suas maiores angústias do momento, utilizando a música como veículo privilegiado para esse exercício comunicacional. E a autora fá-lo com uma acolhedora e charmosa filosofia auditiva, sustentada entre climas acústicos e divagações eletrónicas, tudo preenchido com alguns dos cânones fundamentais daquele rock que também tem a folk mais clássica em ponto de mira. O resultado é uma simbiose feliz entre composições mais contemplativas como a confessional Lightning, a cósmica e deambulante Hardway, ou a serena e aconchegante Walking e outras com elevada vibração e sentimentalismo. Neste último parâmetro merece amplo destaque a rugosidade e o majestoso solo da guitarra de Price Of Blue, o superior registo interpretativo vocal de One More Hour, ou a salutar confusão sonora que norteia Two, uma composição vibrante, em que a percurssão assume uma faceta muito experimental e heterogénea.

Disco com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e eloquente, Head Of Roses plasma a ténue fronteira que exite no âmago de todos nós e que separa a nossa necessidade de independência, da inevitabilidade de precisarmos dos outros para nos sentirmos felizes, em suma, o desejo que todos sentimos de sermos autónomos e a necessidade biológica de criarmos laços com quem amamos. É, em suma, um espelho dos tempos em que vivemos, um modo eloquente mas também intrigante de demonstrar a nossa incapacidade de percebermos que é muito pouco aquilo que controlamos realmente do nosso destino, quando comparado com aquilo que pensamos e ansiamos controlar. Espero que aprecies a sugestão...

Flock Of Dimes - Two

01. 2 Heads
02. Price Of Blue
03. Two
04. Hard Way
05. Walking
06. Lightning
07. One More Hour
08. No Question
09. Awake For The Sunrise
10. Head Of Roses

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publicado por stipe07 às 17:20

Perpétua - Esperar Pra Ver

Sexta-feira, 02.04.21

Diogo, Rúben e Xavier têm arraiais montados no nosso distrito e conheceram-se ainda muito jovens numa escola de música na Gafanha da Nazaré, em Aveiro, onde lançaram as sementes de um interessantíssimo projeto nacional que ainda vai dar muito que falar, aposto, chamado Perpétua. Depois, o Diogo conheceu a Beatriz no ensino secundário e há cerca de dois anos deram início a uma banda que aposta o seu modus operandi numa bateria marcante, um baixo cavalgante, guitarras afundadas em reverberação, uma voz suave e teclados que cosem tudo isto em paisagens sonoras imaginativas e frescas, repletas de refrões orelhudos e melodias doces que marquem pela diferença, prometendo, assim, uma jornada sonora memorável.

Perpétua revelam primeiro single “Condição” de disco de estreia “Esperar  Pra Ver” – Glam Magazine

Os Perpétua acabam então de se estrear nos discos com Esperar Pra Ver, um trabalho sempre pensado num formato indie, com influências declaradas como os Parcels ou Men I Trust e que foi composto e gravado no ano passado por todos os membros da banda, tendo sido depois produzido, misturado e masterizado pelo Rúben e pelo Xavier, com ajuda à produção da Beatriz e do Diogo.

O press release de lançamento do disco é exímio na sua análise e, por isso, nada melhor do que o citar. Assim, de acordo com o mesmo, em Esperar Pra Ver, escutamos expressões de vários subgéneros da música indie. Nas duas primeiras músicas, “Perdi a Cor” e “Manhãs Longas”, é notório um ambiente marcadamente disco que faz lembrar nomes como os já citados Parcels ou a banda francesa L’Impératrice. Aliado a isto nota-se também a influência da música portuguesa dos anos oitenta, sendo possível encontrar na voz e melodias da Beatriz ecos de algo que podia ter sido cantado pelas Doce ou por António Variações. “Condição”, “Lugar” e “Dores de Cabeça” distanciam-se do universo disco e assumem-se como músicas de pop alternativo, ligeiras no ouvido e fáceis de cantar, sendo que a “Dores de Cabeça” se aproxima mais a um registo de balada que pode fazer lembrar os trabalhos de Tim Bernardes. A bridge de “Condição” traz à tona a faceta mais psicadélica da banda, que também encontra no shoegaze e no dreampop fontes de inspiração. Esta inspiração é notória em “Grilos” e “Blockbuster”, cuja sonoridade remete para nomes como Turnover ou Beach Fossils. Estas músicas vivem da atmosfera e da repetição dos riffs, fazendo-os ecoar em loop na cabeça do ouvinte. “Falei de Cor” é a wildcard do álbum. É a canção da qual não se está à espera quando se ouve as anteriores. É a mais rockeira do grupo, que nesta reta final aciona as distorções e se entrega à confusão. O álbum termina com “Brisinha”, um fecho calmo depois da erupção que é a música anterior, procurando terminar esta viagem de forma suave, deixando no ar um tom nostálgico que, avise-se já, pode ter como consequência a potenciação da vontade de ouvir tudo outra vez.

As letras do disco retratam experiências normais e mundanas de cada um. O que as inspira são experiências vividas, contadas, percebidas e imaginadas. No entanto, estas barreiras esbatem-se, deixando a cargo do ouvinte o grau de reconhecimento que procure imprimir nelas. Falam e refletem sobre conforto, crescimento, perda e todo esse tipo de sentimentos com as quais alguém é confrontado ao longo da vida, na relação consigo ou com os outros. Há sempre um tom melancólico, nostálgico, mas esperançoso e expectante transversal ao longo das músicas. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 20:51

Wavves – Sinking Feeling

Quinta-feira, 01.04.21

Pouco mais de três anos após o lançamento de You're Welcome, um disco com a chancela da Ghost Ramp, os californianos Wavves de Nathan Williams assinaram pela Fat Possum Records e estão de regresso com uma nova canção intitulada Sinking Feeling, primeira amostra para aquele que será o sétimo álbum deste grupo com praticamente década e meia de estrada e que, atingindo este marco temporal importante para bandas contemporâneas, angaria já uma certa maturidade em torno de si.

Wavves lança primeira música desde 2017; Ouça "Sinking Feeling"

Sinking Feeling conta com a produção de Dave Sitek, baterista e figura talismã responsável pelo sucesso dos TV On The Radio, mas também produtor de nomes como os Yeah Yeah Yeahs ou os Foals e aborda a temática da depressão. Sonoramente, é um atestado de uma cada vez maior abrangência e ecletismo de uns Wavves que sempre tiveram fortes ligações ao universo punk, mas que têm piscado nos últimos trabalhos com superior assertividade o olho aquele rock imbuído de uma filosofia eminentemente pop, porque assenta em acordes simples e facilmente digeriveis, com refrões orelhudos e uma elevada intensidade melódica, caraterísticas bem presentes neste tema que também já tem direito a um vídeo realizado por Jesse Lirola, com direção fotográfica de David Vollrath e produção de Ali Dawe. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:57

Chad VanGaalen – World’s Most Stressed Out Gardener

Segunda-feira, 29.03.21

Foi há poucos dias e por intermédio da Sub Pop Records que chegou aos escaparates World’s Most Stressed Out Gardenero novo trabalho do canadiano Chad Van Gaalen, um alinhamento de treze canções gravado, misturado e produzido pelo próprio nos seus estudios Yoko Eno Studio em Calgary, Alberta e masterizado por Ryan Morey em Montreal, no Quebeque.

Chad VanGaalen: 5 Albums That Changed My Life | TIDAL Magazine

Antes de tecer considerações sobre o conteúdo do alinhamento de World’s Most Stressed Out Gardener, é, como habitual, importante contextualizar o autor desta magnífica obra musical e esclarecer que Chad é, acima de tudo, um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. E basta ouvir World’s Most Stressed Out Gardener para perceber que, realmente, Chad comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada.

Esta filosofia sonora aventureira começou a ganhar forma sem rodeios em Infiniheart (2004) e Soft Airplane (2008), trabalhos que apostaram numa sonoridade folk eminentemente acústica e orgânica, mas a partir de Diaper Island (2011) e com mais vigor em Shrink Dust (2014) e Light Information (2017), o estilo foi aprimorado com um arsenal sintético cada vez mais diversificado, tendência que se mantém em World’s Most Stressed Out Gardener, um disco eclético, complexo e de audição verdadeiramente desafiante, mas altamente recompensadora.

Se dúvidas ainda existiam, World’s Most Stressed Out Gardener, o oitavo disco do autor e que tem este nome porque o músico gosta de cultivar vegetais no seu quintal e comê-los crus, como um animal no pasto, prova que é mesmo a eletrónica o terreno onde hoje musicalmente VanGaalen se move com maior conforto, utilizando-a até para reproduzir muitos dos sons mais orgânicos que podemos escutar neste álbum. Sintetizadores e teclados são a matriz do arsenal bélico com que o canadiano nos sacode e traduz em grande parte destas treze canções, que materializam, na forma de música, visões alienadas de uma mente criativa que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo. A visão apocalítica que nos oferece com a sua voz profusa e decadente sobre o futuro do mundo na lindíssima balada Nothing Is Strange, ou o frenesim roqueiro que avalia os diferentes níveis de realismo de alguns pesadelos em Nightwaves, são bons exemplos desta escrita e composição emocionalmente ressonante e que parte também, muitas vezes, de premissas absurdas, como sucede na sua visão de uma pêra mágica em Golden Pear, ou uma curiosa busca por uma espada de samurai perdida, plasmada em Samurai Sword, uma das canções mais bonitas do disco. Aliás, a própria criatura mutante que estampa a capa deste World’s Most Stressed Out Gardener, é também uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por VanGaalen ao longo da sua carreira e que parece ser alvo de uma espécie de súmula neste seu mais recente cardápio, um festim de canções pop ruidosas, exemplarmente picotadas e fragmentadas e que penetram profundamente no nosso subconsciente.

A trama adensa-se à medida que o álbum floresce nos nossos ouvidos, com a fantasia coalhante do rock estridente de Spider Milk, o clima sci-fi oitocentista dos instrumentais Earth From a Distance e Plant Musica energia alienígena positivamente agressiva de Starlight e o krautrock sombrio de Inner Fire, a servirem-se dos sonhos do autor como matéria-prima por excelência, para consolidar um verdadeiro jogo de texturas e distorções, em suma, um notável passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da sua existência pessoal e que nos oferece neste World’s Most Stressed Out Gardener, o disco mais estranho e abrasivo, mas também feliz, da sua carreira. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:34

Real Estate – Half A Human EP

Sexta-feira, 26.03.21

Cerca de um ano após o registo The Main Thing, os Real Estate de Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman, Jackson Pollis e o multi-instrumentista Julian Lynch, que substituiu também o ano passado Matt Mondanile, na altura a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual, estão de regresso com um EP intitulado Half A Human, uma coleção de seis canções criadas entre dois mundos diferentes. Enquanto a arquitetura de cada uma foi construída durante as sessões de The Main Thing, as canções ganharam vida quando a banda começou a trocar o material remotamente durante a pandemia.

Real Estate | Artists | Domino - Domino

Half A Human é, à semelhança de tantos outros registos que têm chegado ao nosso ouvido muito recentemente, não só um espelho criativo sonoro da pandemia global que nos assola, mas também a manifestação prática de um novo modus operandi que os Real Estate e muitos outros projetos e artistas tiveram de encontrar devido às restrições impostas. A intimidade é, desde sempre, fator fulcral no processo criativo musical de bandas que congregam diferentes espíritos, sensibilidades, gostos e aptidões e competências, as grandes obras de arte sonoras foram imesnas vezes fruto de longas jam sessions conjuntas e a impossibilidade atual de reunião física levou à busca de novos procedimentos criativos e maneiras de trabalhar. Foi isso o que os Real Estate colocaram em prática, num EP que, já agora prova que tais constrangimentos não são sinónimo de decréscimo qualitativo. De facto, os seis temas do registo, resultando de um conceito de exploração das paisagens emocionais que têm vindo a aperfeiçoar mais de uma década, assente estilisticamente em canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios, repletas de arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico e, ao fazer um balanço de si mesmos e da incerteza de seu futuro, ajudaram os Real Estate a chegar a uma espécie de nova declaração de tese para a banda que, na prática, conduz o grupo para a criação de canções sempre acessíveis e com um elevada luminosidade e que façam o ouvinte sorrir sem razão aparente, mas que sejam também e cada vez mais, assentes num rock que não receie nunca se espandir com requinte e majestosidade, enquanto se foca nas habituais questões do amor e de outras miudezas quotidianas.

De facto, canções como Desire Path, intrigante e típica canção de início de alinhamento, curta mas com uma alma e um encanto profundos, a sedutora homónima, que na sobreposição de diferentes timbres e arranjos de cordas capta na perfeição a essência atual dos Real Estate, a mais psicadélica e orgânica Soon, a rugosa D+ e o indisfarçavel travo tropical da climática Ribbon, atestam a tese descrita enquanto conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial, que tem a fabulosa voz de Courtney como a cereja no topo do bolo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:36

Said The Whale – Honey Lungs

Quarta-feira, 24.03.21

Os Said the Whale de Tyler Bancroft, Ben Worcester, Jaycelyn Brown e Lincoln Hotchen estão em estúdio com o produtor Steve Bays a ultimar alguns temas que poderão fazer parte de mais um disco desta banda de Vancouver, no Canadá, com catorze anos de vida e já seis álbuns no catálogo.

Said the Whale's growing up and letting go | Georgia Straight Vancouver's  News & Entertainment Weekly

Honey Lung é a primeira materialização divulgada dessa colaboração dos Said The Whale com Steve Bays, uma canção que se debruça sobre as temáticas das alterações climáticas e do turbilhão político em que todos vivemos nos dias de hoje, uma vibrante composição de forte índole sintetizada, que nos mostra um indie rock com pegadas de folkcountry e muita pop e onde é possível a apreciar delicadas harmonias vocais, pianos, guitarras limpas e o imenso impressionismo lírico que sustenta a filosofia descrita da composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:11

Warpaint – Paralysed

Terça-feira, 23.03.21

Como todos certamente se recordam, o ano passado partiu do nosso mundo Andy Gill, um dos pilares do mítico projeto britânico Gang Of Four, que se notabilizou por uma ímpar discografia, dentro de um punk rock adornado por tiques da funk e do dub e que olhava com gula para as mazelas sociais e políticas da sociedade, sendo Entertainment! a obra master do catálogo da banda de Leeds e uma das mais aclamadas da história do rock dos últimos quarenta anos.

Warpaint share Gang of Four cover, 'Paralysed' | News | DIY

Logo após o desaparecimento de Andy Gill começou a ser burilado um registo de tributo aos Gang Of Four, que começa finalmente a ganhar forma. O registo vai chamar-se The Problem With Leisure: A Celebration Of Andy Gill And Gang Of Four e irá ver a luz do dia já em maio. Um dos temas já conhecidos do alinhamento desse trabalho é a cover assinada pelas Warpaint da canção Paralysed, que fazia parte do disco Solid Gold que os Gang Of Four lançaram há precisamente quatro décadas. Esta nova roupagem do projeto formado por Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa adiciona a Paralysed uma nova envolvência e um clima mais refinado e cuidado, sem que isso coloque em causa a orgânica e o pulsar rítmico sui generis do original. Confere a cover e o original...

 

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publicado por stipe07 às 17:02






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