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King Krule – Man Alive!

Quarta-feira, 11.03.20

Já está nos escaparates Man Alive!, o quarto e novo registo de originais do britânico Archy Marshall, que assina a sua inusitada música como King Krule e que nos oferece mais um alinhamento de catorze canções, gravadas entre os estúdios Shrunken Heads, em Nunhead, Londres e, mais tarde nos estúdios Eve, em Stockport, no norte de Inglaterra, para onde teve de se mudar após o nascimento da sua filha.  Co-produzido por Dilip Harris, Man Alive! sucedem ao intimista registo The Ooz (2017) e que fazendo, com a ajuda de Ignacio Salvadores (saxofone), George Bass (bateria), Jack Towell (vocoder) e James Wilson (baixo), interseções únicas entre o rock, a pop, o jazz, o rap, a eletrónica ambiental e o próprio punk lo-fi, proporciona-nos uma experiência sensorial única e até intrigante, já que cada audição é uma janela de oportunidade que se abre para descobrir mais um efeito, uma nuance, um flash, uma corda ou uma nota que ainda não tinha sido captada pelo nosso âmago.

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Guitarrista de formação, mas mestre na arte de sobrepôr a mais variada míriade instrumental que a sua profícua mente o induza a usar para adornar as composições sonoras que cria, King Krule revela-se, neste Man Alive!, também um exímio contador de histórias, tal é o travo de autenticidade poética das mesmas e que andam muito à volta do nascimento da sua filha, resultado da relação com a fotógrafa Charlotte Patmore e como esse evento o fez mudar de uma vida de bastantes períodos de bonomia, para uma realidade em que existe o foco concreto de ter de ser um bom pai e proporcionar à filha, material e emocionalmente, tudo aquilo que precisa. Assim, na cosmicidade boémia que abastece, na sobresposição entre guitarra e metais, Cellular, no cru minimalismo ecoante de Supermarché, no rap nebuloso e futurista de Stoned Again, na intrigante Comet Face, no rock experimental repleto de groove de Alone, Omen 3 ou no soturno blues de Perfecto Miserable, encontramos alguns dos melhores momentos de um alinhamento onde não falta luz, optimismo e preserverança, criado por uma das personagens mais queridas da indie britânica atual e que se expôe bem menos caótico e confuso do que antes e mais aprumado e organizado, fruto, certamente, de uma nova dinâmica existencial certamente mais feliz e que Man Alive! claramente exala. Espero que aprecies a sugestão...

King Krule - Man Alive!

01. Cellular
02. Supermaché
03. Stoned Again
04. Comet Face
05. The Dream
06. Perfecto Miserable
07. Alone Omen 3
08. Slinsky
09. Airport Antenatal Airplane
10. (Don’t Let The Dragon) Draag On
11. Theme for The Cross
12. Underclass
13. Energy Fleets
14. Please Complete Thee

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publicado por stipe07 às 22:47

Thievery Corporation – Treasures From The Temple

Quarta-feira, 30.05.18

Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. O ano passado os Thievery Corporation chegaram ao seu oitavo disco de originais, um registo intitulado The Temple Of I And I e com ele voltámos todos a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton, que agora, um ano depois, acaba de lançar Treasures from the Temple, um alinhamento de doze canções que são as gravações originais ou remisturas de temas incluídos em Temple of I & I e que surgiram durante as sessões de gravação desse álbum nos estúdios Geejam, em Port Antonio, na Jamaica.

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Em The Temple Of I And I foi a Jamaica que seduziu os Thievery Corporation, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch, mas também  a norte americana Lou Lou Ghelichkhani e a jamaicana Raquel Jones, que agora voltam a aparecer em alguns dos temas de Treasures From The Temple, esse foi um disco que absorveu e explanou com eficiência e enorme criatividade toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.

Tendo estado, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation nesse The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do alinhamento de Treasures From The Temple, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, logo a abrir, e dentro do reggae, a vibe que se espraia por San San Rock e a participação de Notch na mais sintética e climática Destroy The Wicked. Depois, as batidas inebriantes de History, canção em que Mr. Lif e Sitali dividem, a meias, os créditos vocais, a toada envolvente de Music To Make You Stagger, os sopros e o groove de Guidance e os flashes que vão adornando a batida hipnótica de Water Under The Bridge (Feat. Natalia Clavier), têm sempre o objetivo primordial de fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea, nomeadamente os de cariz eminentemente político.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, desta vez dando vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae, completando com Treasures From The Temple um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - Treasures From The Temple

01. San San Rock
02. History (Feat. Mr. Lif And Sitali)
03. Music To Make You Stagger
04. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
05. Destroy The Wicked (Feat. Notch)
06. Guidance
07. Water Under The Bridge (Feat. Natalia Clavier)
08. Voyage Libre (Feat. LouLou Ghelichkhani)
09. Road Block (Feat. Racquel Jones)
10. Joy Ride (Feat. Sitali And Mr. Lif)
11. La Force De Melodie (Feat. LouLou Ghelichkhani)
12. Waiting Too Long (Feat. Notch)

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publicado por stipe07 às 21:36

Mura Masa - Mura Masa

Quinta-feira, 10.08.17

No sul de Inglaterra, em pleno canal da Mancha, situa-se a minúscula ilha de Guernsey, terra natal de Alex Crossan, um músico nascido a cinco de abril de mil novecentos e noventa e seis e que desde muito cedo começou a utlizar a composição musical e o DJing como principal refúgio para a natural sensação de isolamento que sempre sentiu e de modo a materializar também um forte desejo de sair do meio do atlântico e passar viver em Londres. Ele assina a sua música como Mura Masa (nome de um sabre japonês) e estreou-se recentemente nos discos com um homónimo, editado à boleia da Polydor Records e que conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Damon Albarn, Charli XCX e A$AP Rocky, entre outros.

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Produtor, compositor e multi-instrumentista, Alex Crossan começou a ser notado pela crítica quando em setembro do ano passado apresentou ao mundo Lovesick, um dos temas deste seu álbum de estreia e que conta com a voz de A$AP. A partir daí a ansiedade por novas canções por parte de uma já interessante legião de fãs foi aumentando até ficar finalmente satisfeita com estas treze canções que, do rap à eletrónica, passando pela pop ambiental, o hip-hop, o house tropical, o dubstep e o próprio jazz, abraçam uma multiplicidade de estilos e tendências sonoras que fazem deste Mura Masa um dos discos mais interessantes e multifacetados do momento. 

Caldo sonoro, mas também multicultural, Mura Masa tem instantes que nos incitam à pista de dança e a deixar extravasar o nosso lado mais libidinoso, que irá certamente deliciar-se com a batida afro de Nuggets ou o clima envolvente particularmente sensual do efeito metálico sintético que conduz All Around the World e outros em que predomina um clima de maior introspeção, com particular destaque para o intimismo de Blue, canção que ganha um charme muito próprio devido ao modo como as vozes de Alex e Albarn se entrelaçam. E este jogo entre estas duas vozes contém uma ainda maior simbologia porque encerra um disco que instrumentalmente, entre os vários estilos que cruzam as treze canções, acaba por firmar a atmosfera de um álbum que obriga-nos a esperar o inesperado e a ouvi-lo em constante sobressalto, excitados pela sensualidade de algumas letras e por nunca sabermos muito bem o que poderá vir a seguir. E um dos temas que mais me impressionou e fez-me crer que realmente o inesperado está sempre ao virar da esquina, foi Nothing Else! e a abordagem vocal algo minimalista mais impressiva de Jamie Lidell ao universo mais negro do r&b, o grande detalhe que sustenta a soul essa canção. Mas também merecem, na minha opinião, especial referência o cardápio instrumental sintético que trespassa o frenesim de Helpline e a luminosidade harmónica de Second 2 None.

Mura Masa plasma com particular eloquência e impressiva criatividade a míriade sonora que influencia o seu autor e leva-nos facilmente a admirar o mesmo pelo bom gosto com que navega de influência em influência e acaba, com essa viagem descomprometida, mas inspirada, por construir algo inédito e a sua própria marca sonora identitária, que faz de si um dos produtores mais interessantes da nova pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

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1.Messy Love
2. Nuggets (feat. Bonzai)
3. Love$Ick (feat. A$AP Rocky)
4. 1 Night (feat. Charli XCX)
5. All Around the World (feat. Desiigner)
6. give me the ground
7. What If I Go?
8. Firefly (feat. NAO)
9. Nothing Else! (feat. Jamie Lidell)
10. Helpline (feat. Tom Tripp)
11. Second 2 None (feat. Christine and the Queens)
12. Who Is It Gonna B (feat. A.K. Paul)
13. Blu (feat. Damon Albarn)

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publicado por stipe07 às 14:09

Gorillaz – Sleeping Powder

Quinta-feira, 22.06.17

Gorillaz - Sleeping Powder

As sessões de gravação de Humanz, o último registo discográfico dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, terão deixado um legado interessantíssimo de canções ou trechos sonoros que acabaram por não constar do alinhamento de um disco com vinte e seis canções, na versão mais completa. Esse trabalho produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011), acaba por ser um monumental e sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B em ponto de mira, num universo eminentemente pop, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula.

Sleeping Powder é um dos temas que acabou por ficar de fora do vasto alinhamento de Humanz, uma canção que tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, entronca numa filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido, o hip-hop . Nesta composição e, no fundo, em todo o conteúdo de Humanz, foi o parceiro privilegiado da eletrónica, com a voz de Albarn a constituir-se, na música, como um inconfundível e delicioso apontamento de charme, seneridade e harmonia. Confere...

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publicado por stipe07 às 00:37

Gorillaz - Humanz

Terça-feira, 02.05.17

Já está nos escaparates Humanz, o mais recente disco dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, um trabalho produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011). O registo viu a luz do dia a vinte e oito de abril e tem dezanove canções e seis interlúdios, que incluem a participação especial de nomes tão relevantes como Mavis Staples, Carly Simon, Grace Jones, De La Soul, Jehnny Beth das Savages, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela e D.R.A.M., entre outros. Humanz foi gravado em cinco locais diferentes, nomeadamente Londres, Paris, Nova Iorque, Chicago e na Jamaica.

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Primeiro registo de canções desde o já longínquo The Fall (2011), Humanz é um sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B em ponto de mira, num universo eminentemente pop, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula. Mas este rock parece cada vez mais afastado do ponto concetual nevrálgico do projeto, com as outras vertentes que sustentam muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente do lado de lá do atlântico, a serem colocadas na linha da frente. Tal opção não é inédita e, dando só um outro exemplo, no início deste século não estaria propriamente no horizonte dos fãs mais puristas dos The Flaming Lips verem Wayne Coyne a convidar uma artista do espetro sonoro de uma Miley Cyrus e ter um papel de relevo num álbum desta banda de Oklahoma e a verdade é que hoje essa parceria é uma óbvia mais valia para esse grupo.

Quem, como eu, considera Demon Days um dos melhores álbuns da primeira década deste século, talvez olhe para este Humanz e veja, à primeira audição, poucas evidências da sonoridade que ficou impressa pelos Gorillaz nessa estreia. Mas talvez as semelhanças sejam mais do que as óbvias e, doze anos depois, 2017 marque mais um capítulo seguro numa linha de continuidade que, tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, busque uma filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido em cada registo. E não há dúvida que o hip-hop foi, desta vez, o parceiro privilegiado da eletrónica, num alinhamento onde abundam as participações especiais, mas onde a voz de Albarn continua a ser inconfundível e um delicioso apontamento de charme, seneridade e harmonia, numa multiplicidade e heterogeneidade de registos, quase sempre abruptos, graves, determinados, contestadores e buliçosos, não fosse este um álbum concetual que disserta sobre alguns dos principais dilemas e tiros nos pés que a sociedade contemporânea insiste em dar nos dias de hoje, com o Brexit, em Hallellujah Money, Trump e o aquecimento global em vários temas e o racismo, em Ascension, com o rapper Vince Staples, a serem apenas alguns exemplos desta gigantesta sátira em tom crítico. Seja como for, apesar de todo o ambiente fortemente político e de alerta e intervenção que marca Humanz, o alinhamento encerra com outra improbabilidade, ao ser possível escutar, em We Got The Power, os antigos inimigos de estimação Damon Albarn e Noel Gallagher a cantarem em uníssono We got the power to be loving each other. No matter what happens, we’ve got the power to do that. Afinam ainda há esperança para todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Gorillaz - Humanz

CD 1
01. Intro: I Switched My Robot Off
02. Ascension (Feat. Vince Staples)
03. Strobelite (Feat. Peven Everett)
04. Saturnz Barz (Feat. Popcaan)
05. Momentz (Feat. De La Soul)
06. Interlude: The Non-Conformist Oath
07. Submission (Feat. Danny Brown And Kelela)
08. Charger (Feat. Grace Jones)
09. Interlude: Elevator Going Up
10. Andromeda (Feat. D.R.A.M.)
11. Busted And Blue
12. Interlude: Talk Radio
13. Carnival (Feat. Anthony Hamilton)
14. Let Me Out (Feat. Mavis Staples And Pusha T)
15. Interlude: Penthouse
16. Sex Murder Party (Feat. Jamie Principle And Zebra Katz)
17. She’s My Collar (Feat. Kali Uchis)
18. Interlude: The Elephant
19. Halleujah Money (Feat. Benjamin Clementine)
20. We Got The Power (Feat. Jehnny Beth)

CD 2
01. Interlude: New World
02. The Apprentice (Feat. Rag’n’Bone Man, Ray BLK, Zebra Katz)
03. Halfway To The Halfway House (Feat. Peven Everett)
04. Out Of Body (Feat. Imani Vonsha, Kilo Kish, Zebra Katz)
05. Ticker Tape (Feat. Carly Simon, Kali Uchis)
06. Circle Of Friendz (Feat. Brandon Markell Holmes)

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publicado por stipe07 às 14:43

Yes, Gorillaz Returns

Quinta-feira, 05.02.15

Mais de três anos após o lançamento de The Fall, os Gorillaz de Damon Albarn e Jamie Hewlett deram finalmente indicações concretas de que o regresso poderá estar próximo e que o período de hibernação terá, finalmente, o seu epílogo.

Foi o próprio Jamie Hewlett quem confirmou a novidade no Instagram, com a mensagem de Yes, Gorillaz Returns, precedida de imagens de novos desenhos de Murdoc e Noodle.

Depois de Murdoc, Noodle e os restantes companheiros terem gravado The Fall numa ilha secreta flutuante no Pacífico Sul, onde instalaram o quartel-general da Plastic Beach, feito de detritos, ruínas e restos da humanidade, fica agora a curiosidade para perceber onde será o local de gravação do novo trabalho da banda virtual mais conhecida do planeta e umas das minhas preferidas, que deverá ver a luz do dia lá para 2016.
Em 2014, Damon Albarn lançou o seu primeiro álbum de originais, Everyday Robots , e tinha logo anunciado planos para este novo disco dos Gorillaz, mas também para os fantásticos The Good, The Bad & The Queen. Recordemos dois dos melhores momentos destes dois projetos.

 

 

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publicado por stipe07 às 14:03

Sisyphus - Sisyphus

Quarta-feira, 26.03.14

Depois de se terem estreado em 2012 com Beak & Claw, Sufjan Stevens, Son Lux e o rapper Serengeti estão de volta com o seu projeto alternativo, agora batizado de Sisyphus. Este novo grupo segue as pistas do anterior que se chamava S / S / S, ou seja, enquanto Stevens e Lux arquitetam o cenário instrumental que define as canções, cabe ao rapper Serengeti espalhar por elas um verdadeiro catálogo de rimas.

Sisyphus mistura o típico hip hop com alguns dos aspetos mais clássicos da pop e do indie rock, algo hoje muito em voga, nomeadamente o uso da sintetização. É um disco muito melódico e que expande novos horizontes no campo da experimentação sonora que aborda traços mais comuns da música negra e mais marginalizada pelo grande público e pelo espetro comercial, com honrosas exceções, nomeadamente aquilo que os Gorillaz de Damon Albarn conseguiram mostrar durante pouco mais de uma década.

Calm It Down, o primeiro single divulgado de Sisyphus, plasma um cardápio de referências já lançadas no disco anterior e que caminham em direção aos anos noventa, cruzando sintetizadores e vozes, numa canção com fortes reminiscências nos esboços sintéticos produzidos por Stevens em The Age Of AdzRhythm Of Devotion, mais outro tema já retirado do álbum no formato single, também aposta numa direção sonora que recua duas décadas, cruzando sintetizadores e vozes, mas com uma mais forte toada nostálgica e contemplativa.

Esta vertente de aproveitamento de traços sonoros identitários dos outros projetos destes músicos é muito audível nos Sisyphus que, em vez de aproveitarem este projeto alternativo das suas carreiras para abordagens díspares, resolveram fazer uma espécie de simbiose do que de melhor cada um tem para oferecer, tendo em conta o universo sonoro com que mais se identifica, com especial ênfase na herança de Stevens.

Esta interação entre artistas e géneros é, como se percebe, o grande valor desta obra e há ainda outros instantes em que o contraste entre a voz grave e direta de Serengetti com a verve melancólica de Sufjan traz alguns momentos agradáveis. O swing de Lion’s Share, as batidas tribais de Alcohol, ou a curiosa My Oh My, o tema onde melhor se percebe toda esta mescla, são mais três exemplos que me impressionaram, num meio termo entre a música eletrónica, o indie e o rap, numa busca de um ponto de intersecção, mas onde não se aprofunda nenhum dos estilos.

Sisyphus é um disco obrigatório para todos aqueles que dizem não gostar de rap e hip hop e que, sentindo desgosto por essa aparente repulsa e os ouvidos apurados para outros universos sonoros, têm o desejo de encontrar prazer em boas letras ritmadas, com batidas rápidas e cheias de sentimento, tudo misturado num caldeirão onde o experimntalismo é a pedra de toque de... canções feitas por três músicos extremamente criativos e competentes. Divertido, Sisyphus torna-se essencial para qualquer admirador dos diferentes projetos deste trio e mostra um imenso potencial desta banda para o futuro. Sisyphus chegou às lojas no passado dia dezoito via Asthmatic Kitty e Joyful Noise. Espero que aprecies a sugestão...


01 Calm It Down
02 Take Me
03 Booty Call
04 Rhythm of Devotion
05 Flying Ace
06 My Oh My
07 I Won't Be Afraid
08 Lion's Share
09 Dishes in the Sink
10 Hardly Hanging On
11 Alcohol

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publicado por stipe07 às 20:54

Chuck Inglish - Legs (feat Chromeo)

Quinta-feira, 16.01.14

A dupla rap de Chicago The Cool Kids regressou esta semana com duas novas canções, Computer School e Chop. Chuck Inglish, uma das metades da dupla, aproveitou o balanço para divulgar Legs, o primeiro single do seu disco de estreia a solo.

Convertibles é o nome desse trabalho e irá ver a luz do dia a oito de abril através da própria etiqueta do músico, a Sounds Like Fun, em parceria com a Federal Prism e conta com várias participações especiais, com destaque para Chance The Rapper, Action Bronson, Ab-Soul, Mac Miller, Vic Mensa e Chromeo, que faz a sua aparição nesta Legs, uma animado tema, com uma forte sonoridade disco, rap e funk, muito sexy, quente e intensa. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:15

Curtas... LXXIV

Sexta-feira, 07.12.12

Como já vem sendo habitual, a publicação Noise Trade acaba de disponibilizar, gratuitamente, o seu álbum de natal, uma compilação de vários temas cedidos por bandas e artistas do panorama índie e alternativo, relacionados com esta quadra festiva. A coleção deste ano conta com canções de Sufjan Stevens, Great Lake Swimmers, Hey Rosetta!, John Roderick e Jonathan Coulton entre outros. Fica esta dica de banda sonora para a ceia de natal. Confere e usufrui...

 

Os Interpol de Paul Banks estão a comemorar o décimo aniversário do lançamento de Turn On The Bright Lights, o álbum que os catapultou para a linha da frente do cenário musical internacional, com todo o mérito e um dos melhores discos da década passada. Fica a reedição especial comemorativa, que contém, além do alinhamento principal remasterizado, um disco bónus com várias demos, inéditos e raridades.

CD 1 (The Original Album, Remastered)

01. Untitled
02. Obstacle 1
03. NYC
04. PDA
05. Say Hello To The Angels
06. Hands Away
07. Obstacle 2
08. Stella Was A Diver And She Was Always Down
09. Roland
10. The New
11. Leif Erikson

CD 2 (The Bonus Material)
01. Interlude (iTunes single)
02. Specialist (Interpol EP)
03. PDA (First Demo, 1998)
04. Roland (First Demo, 1998)
05. Get The Girls (Song 5) (First Demo, 1998)
06. Precipitate (2nd Demo, 1999)
07. Song Seven (Original Version) (2nd Demo, 1999)
08. A Time To Be So Small (Orig Version) (2nd Demo,1999)
09. Untitled (Third Demo, 2001)
10. Stella (Third Demo, 2001)
11. NYC (Third Demo, 2001)
12. Leif Erikson (Third Demo, 2001)
13. Gavilan (Cubed) (Third Demo, 2001)
14. Obstacle 2 (Peel Session, 2001)
15. Hands Away (Peel Session, 2001)
16. The New (Peel Session, 2001)
17. NYC (Peel Session, 2001)

 

A paixão pela década de oitenta nunca foi um segredo muito guardado pelos Chromatics, que agora levaram ainda mais longe essa fixação ao aventurarem-se numa versão de Ceremony, um clássico dos New Order.

Ceremony foi lançada em 1981, poucos meses após a morte de Ian Curtis e já mereceu versões dos Radiohead e dos Galaxie 500, entre muitos outros. Esta versão dos Chromatics distingue-se pela delicadeza melódica e pela nuvem de letargia feita com sintetizadores que a cobre, fazendo com que o tema soe ainda mais obscuro que o original.


Donos de um disco de estreia bastante apreciado pela crítica e de um ótimo EP lançado em 2011, intitulado What A Pleasure, os Beach Fossils estão de regresso aos discos com Clash The Truth, trabalho que será editado em meados de fevereiro. Já é conhecido o tema Careless, o primeiro single retirado desse novo álbum, uma canção que prova que este grupo de Brooklyn, Nova iorque, está de regresso à boa forma, já que misturam, com coerência, as habituais guitarras típicas do rock de garagem com a leveza da surf music.


Dan Deacon tem tido um ano de 2012 bastante produtivo. Depois de ter lançado America, um dos melhores álbuns de 2012 para Man On The Moon, tem-se dedicado ultimamente a fazer remisturas e mashups, que compilou em Wish Book Volume 1, . Nesta primeira compilação de mixtapes do produtor canadiano ouve-se Grimes, Beach House e PSY, entre outros, em cerca de quarenta minutos de uma sequência de sobreposições curiosas e que unem rap, com hip hop, experimentalismo, eletrónica e toda uma variedade de colagens bastante divertidas.

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publicado por stipe07 às 16:07

Why? - Mumps, Etc

Terça-feira, 23.10.12

Yoni Wolf juntou-se, em 2004, ao coletivo de hip hop Anticon, um dos mais estimulantes laboratórios de invenção de novos caminhos e recontextualizações de referências, formas e linguagens de genética hip hop. Passaram então a ser um trio, rebatizaram o projeto de cLOUDDEAD e juntos elevaram o hip hop delirante, neurótico e fragmentado ao estatuto de entidade essencial para a compreensão do século XXI.

Entretanto os cLOUDDEAD deram o berro, mas Yoni Wolf (aka Why?) seguiu em frente e formou, com o seu nome artístico, uma nova banda com o seu irmão Josiah e estrearam-se nos discos em 2005 com Elephant Eyelash, ao qual se seguiu Alopecia, em 2008, o glorioso expoente da união entre pop, hip hop e o experimentalismo, no fundo a bitola pela qual se rege a sonoridade deste projeto. Em 2009 deram-nos Eskimo Snow, um álbum cheio de canções mais sombrias e nasaladas, com um tom provocador e afectado. Agora, em 2012, a tal receita milagrosa está de volta com Mumps, Etc, disco editado pela City Slang no passado dia oito de outubro.

Mumps, Etc ombreia com Alopecia em imaginação sónica e melódica. Tematicamente existe muito humor negro, centrado em ideias de alienação e terror e muitos animais mortos, algo abordado também nas canções dos cLOUDDEAD. Há uma estranha obsessão de Yoni pela morte e ele não tem medo de o admitir com uma honestidade, quase desarmante, durante a escrita das suas canções. No entanto, na escrita de Yoni não é tudo auto biográfico; O que ele escreve tem um certo lado de rapaz solitário, embora neste Mumps, Etc a componente diarística seja mais subtil e adulta.

A maioria das canções do álbum assentam em beats esquisitos sobre os quais harmonias infantis bailam em redor das melodias. Logo a abrir, Jonathan's Hope destaca-se pela batida, os xilofones, os coros e a harpa que compõe um refrão algures entre o humor depreciativo, o infantil e o desesperado, com uma referência final a pássaros, os tais animais alvos da obsessão de Yoni. Stramberry, Wolf tem acordos de piano simples, assobios, palmas e uma melodia lindíssima que quase nos leva às lágrimas. E no resto do disco, no meio de algumas incursões pelo dub, os tais xilofones e pianos assumem sempre a linha da frente.

Após repetidas audições acaba por impregnar-se uma inolvidável sensação de estarmos na presença de uma coleção de canções que poderiam ter sido idealizadas por uma criança que ganhou voz de adulto, aprimorou os seus dotes musicais, instrumentais, de escrita e melódicos, mas que, bem lá no fundo, nunca cresceu, nunca deixou de brincar com os instrumentos e assim, neste Mumps, Etc, conseguiu uma metáfora perfeita dos extremos desiquilíbrios deste mundo.

A banda anda neste momento por cá, na Europa, a promover este magnífico Mumps, Etc. Espero que aprecies a sugestão...

01. Jonathan’s Hope
02. Strawberries
03. Waterlines
04. Thirteen on High
05. White English
06. Danny
07. Sod in the Seed
08. Distance
09. Thirst
10. Kevin’s Cancer
11. Bitter Thoughts
12. Paper Hearts
13. As a Card

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publicado por stipe07 às 21:46






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