Domingo, 1 de Julho de 2018

Gorillaz – The Now Now

Pouco mais de um ano depois de Humanz, já chegou aos escaparates The Now Now, o mais recente disco dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, um trabalho produzido por James Ford e Remi Kabaka Jr e anunciado logo após o lançamento do antecessor e durante a longa digressão de promoção de Humanz.

Apesar de contar com dois produtores de créditos firmados, The Now Now é um disco muito centado na capacidade criativa, quer lírica, quer sonora e instrumental de Damon Albarn. Se Humanz, um registo em que Albarn pouco cantou, continha uma vasta lista de convidados, que cantaram e tocaram em quase todo o alinhamento do álbum, desta vez, à excepção de George Benson, Snoop Dog e Jamie Principle, é Albarn que toma as rédeas, quem mais canta e, servindo-se de um isolamento que potenciou tremendamente a sua capacidade de criar e compôr, cria um dos trabalhos mais interessantes da carreira dos Gorillaz.

Resultado de imagem para Gorillaz The Now Now

Com particular ênfase numa pop de cariz eminentemente sintético, com raízes do lado de lá do atlântico e que diz cada vez mais a Albarn, The Now Now é um sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B na mira, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula. Mas este rock parece cada vez mais afastado do ponto concetual nevrálgico do projeto, com a eletrónica a abraçar-se principalmente a outras vertentes que sustentam muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje. Assim, se Humility serve-se das teclas sintetizadas e de diversos efeitos para se tornar num dos mais deliciosos apontamentos de charme, seneridade e harmonia da carreira dos Gorillaz e se Hollywood, muito por culpa de Snoop Dog, mantém viva a melhor tradição de abordagem a uma urbanidade americana que esteve sempre impressa no grupo, canções como a desafiante Kansas, a futurista Sorcererz, o dub tremendamente dançavel de Lake Zurich, ou a mais contemplativa e etérea Idaho, para mim a melhor canção do álbum, servem-se de alguns dos melhores artefactos tecnológicos que é possível encontrar hoje num estúdio de gravação para firmarem de modo arrojado este capítulo seguro numa linha de continuidade que, tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, busca uma filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido, um público que procura também na dita pop uma filosofia de criação sonora que foge ao mainstream e que não necessita de ter como objetivo principal o airplay radiofónico.

Aos cinquenta anos Damon Albarn continua a escrever canções para a banda animada mais famosa do mundo porque acredita na ideia romântica de que um grupo mundialmente famoso pode transformar o planeta em que vivemos num sítio melhor. Se em 2010 Plastic Beach centrava-se nas alterações climáticas e na poluição e se o ano passado Humanz dissertava sobre alguns dos principais dilemas e tiros nos pés que a sociedade contemporânea insiste em dar, ainda nos dias de hoje, com o Brexit, Trump e o racismo, The Now Now é súmula e materialização de tudo aquilo que cada um de nós, na sua individualidade, precisa diariamente, independentemente da origem, para se sentir realizado e feliz sem depender da dita classe dominante, uma elite feita de políticos e milionários que pensam em tudo menos no bem comum. Magic City é, muito provavelmente, a descrição, na óptica de Albarn, do local perfeito para encontrarem paz todos aqueles que acreditam que ainda há esperança para todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Gorillaz The Now Now

01. Humility (Feat. George Benson)

02. Tranz
03. Hollywood (Feat. Snoop Dogg And Jamie Principle)
04. Kansas
05. Sorcererz
06. Idaho
07. Lake Zurich
08. Magic City
09. Fire Flies
10. One Percent
11. Souk Eye


autor stipe07 às 18:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 1 de Maio de 2018

Unknown Mortal Orchestra - Sex & Food

Três anos depois do excelente Multi-Love, os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielson e de Jake Portrait e Greg Rogove, instalados em Portland, no Oregon há já aguns anos, estão de regresso ao formato longa duração com Sex & Food, uma extraordinária compilação de doze canções que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contêm a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, reforçando de forma ainda mais comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda.

Resultado de imagem para Unknown Mortal Orchestra 2018

Produzido pelo próprio Ruban Nielson, gravado entre Seoul (Coreia do Sul), Hanoi (Vietname), Reykjavik (Islândia), Cidade do México (México), Auckland (Nova Zelândia) e Portland (Estados Unidos), lançado com a chancela da Jagjaguwar e fortemente influenciado pela internet, Sex & Food além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, tão bem impressas na vibe escandalosamente urbana de Major League Chemicals, também ressuscita de novo uma das imagens de marca dos Unknown Mortal Orchestra e um dos terrenos onde se sentem mais à vontade, aquelas referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior, deliciosamente presentes no efeito da guitarra e no reverb vocal de Ministry Of Alienation. Mas não se pense que este é um disco unicamente revivalista; Aliás, um dos seus grandes atributos é o seu cariz futurista e inovador, sendo, claramente, um dos registos mais criativos e indutores de novas nuances dos últimos tempos, tendo em conta o universo sonoro em que se movimenta. O modo como o rugoso e inebriante efeito da guitarra de American Guilt é acompanhado pela bateria e pela distorção vocal, transportam-nos para um rock que entre uma psicadelia progressiva e o classicismo punk oferecem-nos uma abordagem ao género pouco vista e, logo depois, The Internet Of Love (That Way) acaba por nos facultar o mesmo vigor de inedetismo, desta vez olhando para uma improvável simbiose entre blues e R&B, com um resultado final bastante apelativo. E a seguir, na falsa acusticidade orgânica de Doomsday, na batida, no groove e na riqueza dos arranjos da Everyone Acts Crazy Nowadays e no travo lisérgico das variações rítmicas de How Many Zeros a banda volta a guinar constantemente e a pisar universos nostálgicos, mesmo que díspares, mas apresentando sempre um clima geral muito inovador e difícil de comparar com outros projetos atuais.

Ecletismo é também, por tudo isto, uma palavra de ordem em Sex & Food, que podia ser descrito de modo simplista e tremendamente redutor por uma abrangente mistura entre rock e eletrónica, mas o modo como esse ecletismo se define ao longo do registo contém uma multiplicidade quase infinita de detalhes e aspetos que o que importa realmente exaltar é, dentro de toda a salutar amálgama do alinhamento, o modo como Ruben idealizou o volume e a densidade instrumental das canções, todas assentes em ambientes díspares, tornando indisfarçável mais uma busca dos Unknown Mortal Orchestra de melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e assentes em texturas com uma grandiosidade controlada, que possam conter um forte apelo às pistas de dança, mas também servir de banda sonora para instantes de maior intimidade, sozinho ou a dois.

A conquistarem um número cada vez maior de adeptos devido a uma especificidade sonora cada vez mais aprimorada e criativa mas sem deixar de ser acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao quarto tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados de outra décadas , mas oferecendo aos ouvintes essa viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Tame Impala – Currents B-Sides And Remixes EP

Dois anos depois de Currents, um disco onde os Tame Impala de Kevin Parker continuaram a explorar o universo muito pessoal e privado do grande mentor do projeto, mas de um modo mais pop, dançante e eletrónico que os discos antecessores, eis que voltamos a ter novidades deste projeto australiano, um ep intitulado Currents B-Sides And Remixes. São cinco canções, três inéditos e duas remisturas de dois temas fulcrais de Currents, uma da autoria de Gum para Reality In Motion e outra dos belgas Soulwax para Let It Happen.

A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos Tame Impala, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E o primeiro inédito deste ep, List Of People (To Try And Forget About) reflete de modo clarividente esse propósito de oferecer ao ouvinte uma visão muito particular do universo que os Tame Impala adoram recriar, sonoramente sustentado em constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se junta um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois, em Powerlines, a aposta acaba por recair em texturas mais sintéticas e experimentais, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo do tema, com eletrónica e psicadelia a darem as mãos de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop. Finalmente, Taxis Here pisca um pouco o olho à soul do R&B e à eletrónica mais ambiental e à nostalgia deste genero, num ambiente sonoro que se aconchega nos nossos ouvidos e que se cola à pele com o amparo certo para que se expresse na canção a melíflua melancolia que Parker certamente quis que dela deslizasse. Quanto às remisturas, têm o natural objetivo de aproximar os Tame Impala ainda mais do circuito disco, com a aposta a recair naquele típico groove viajante lisérgico que tão bem recriam, sem que a identidade dos autores das novas versões seja colocada em causa, com destaque para a faixa revista pelos Soulwax e que contém todos os habituais tiques das remisturas feitas pelos belgas.

Acervo que merece toda a atenção por parte dos apreciadores deste género sonoro muito peculiar, Currents B-Sides And Remixes é um excelente complemento ao conteúdo de Currents, um naipe de canções com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira está presente, ampliando a aura resplandecente e romântica de uns Tame Impala cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - Currents B-Sides And Remixes

01. List Of People (To Try And Forget About)
02. Powerlines
03. Taxi’s Here
04. Reality In Motion (Gum Remix)
05. Let It Happen (Soulwax Remix)


autor stipe07 às 21:33
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Walk The Moon – What If Nothing

Os norte americanos Walk The Moon de Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo cheio de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis e paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas, uma receita que está de regresso de modo ainda mais aprimorado e exuberante em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati lançou a dez de novembro último.

Resultado de imagem para walk the moon band 2017

Produzido por Mike Crossey e Mike Elizondo, What If Nothing tem o selo da RCA Records e coloca este quarteto norte-americano no trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa, algumas vezes até com diversos tiques do r&b em ponto de mira, como é o caso de Press Restart, mas também a olhar de frente e com notória gula para o rock mais anguloso e expansivo. Assim, não faltam aqui canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores, outras a pedirem um punho firme e cerrado e ainda diversos instantes que convidam à introspeção e, no melhor pano, canções que fazem uma súmula de toda esta amálgama sonora certamente controlada em que os Walk The Moon se movem.

É indubitável a capacidades destes Walk The Moon em olharem para o lado estético daquela pop algo negra e belicosa, feita de batidas algo minimais e sintetizadores impregnados de efeitos repletos de charme, mas eles também são exímios a navegar em águas banhadas por cordas exemplarmente eletrificadas e carregadas de fuzz e distorção. E, na sequência deste modus operandi, não terá sido inocente a escolha dos dois primeiros singles a retirar do álbum. Assim, se em Kamikaze temos um feliz exemplar do primeiro género de canções cuja bitola é, pouco depois, reforçada pelo arsenal sintético que sustenta a exuberância de All Night, já Headphones não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura sua melódica. Depois, canções como a épica e efervescente All I Want ou Tiger Teeth, uma lindíssima balada onde sobressai um piano sintetizado que acompanha com mestria aquele efeito agridoce com que Petricca costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, acabam por nos proporcionar a tal junção estética que tem como grande e constante motor o reviver de marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta e, simultaneamente, o ressuscitar de referências mais clássicas, consentâneas com a própria pop psicadélica, sendo indisfarçável, ao longo das treze canções do registo, a busca constante de melodias agradáveis e marcantes, mas também ricas em detalhes e texturas.

São vários os territórios sonoros onde os Walk The Moon se sentem como peixe na água, estabelecendo definitivamente neste trabalho o vasto leque de influências que sempre moldaram uma carreira livre de constrangimentos ou de obediência direta a uma determinada bitola sonora mais específica, até porque em What If Nothing aquilo que não falta é um som intrincado mas cativante e pleno de texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegra e nos conduz à diversão, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Walk The Moon - What If Nothing

01. Press Restart
02. Headphones
03. One Foot
04. Surrender
05. All I Want
06. All Night
07. Kamikaze
08. Tiger Teeth
09. Sound Of Awakening
10. Feels Good To Be High
11. Can’t Sleep (Wolves)
12. In My Mind
13. Lost In The Wild


autor stipe07 às 20:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 8 de Setembro de 2017

The Mynabirds - Be Here Now

No ocaso do passado mês de agosto chegou aos escaparates Be Here Now, o novo capítulo da saga discográfica dos The Mynabirds um coletivo indie pop encabeçado pela cantora e compositora Laura Burhenn. Depois de What We Lose in the Fire We Gain in the Flood (2010), Generals (2012) e Lovers Know (2015), sempre através da Saddle Creek Records, este último um disco gravado em Los Angeles, Joshua Tree, Nashville e Auckland, na Nova Zelândia e produzido por Bradley Hanan Carter, agora chegou a vez de Be Here Now, nove canções abrigadas pela mesma etiqueta e que contêm, como é habitual nesta exímia intérprete, uma variada paleta de sons, replicados por sintetizadores, guitarras elétricas, uma percussão eminentemente sintética e uma voz que encaixa claramente numa sonoridade que bebe essencialmente no indie rock do final do século passado.

Resultado de imagem para the mynabirds Laura Burhenn 2017

Disco com uma tonalidade bastante atual e com uma componente política quase óbvia e declarada, em Be Here Now Laura trabalhou com o produtor Patrick Damphier no estúdio do mesmo em Nashville e refletiu sobre alguns dos dilemas que atormentam uma américa cada vez mais presa em diversos dilemas antigos que a subida de Trump ao poder potenciou, nomeadamente as dificuldades de integração das minorias e dos imigrantes e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres.

Os sintetizadores viajantes da balada Cocoon, a nostálgica e ritmada Ashes In The Rain e o rock pulsante de Witch Wolf, três temas conjugados com uma orgânica sentimental e bastante emotiva, acabam por nos mostrar com clareza a filosofia estilística de um disco cheio de canções com uma profundidade épica sustentada num catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, mas que não descura a visceralidade típica do indie rock mais portentoso. Mesmo alguns instantes mais delicados atestam esse vínculo forte com um ambiente sedutor, particularmente feminino e intenso, mas sem colocar de lado a presença de uma distorção ou um detalhe mais rugoso.

Como costuma suceder nos discos dos The Mynabirds, a voz é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai. A produção está melhor do que nunca, com Laura a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente e sem violar a essência de quem adora afogar-se em metáforas, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada.

Profundo e expansivo, Be Here Now constitui um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo dos The Mynabirds, ampliado também por alguns arranjos inéditos, que oferecem um acrescento claro a esse cardápio, até pelo inedetismo do seu arquétipo, olhando para outras composições do grupo. É mais um tesouro rico, belo e que merece ser incensado e divulgado, até por causa do tal olhar contemporâneo, abrigado numa sonoridade claramente vintage, sem rodeios, medos ou concessões e com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Mynabirds - Be Here Now

01. Be Here Now
02. New Moon
03. Golden Age
04. Shouting at the Dark
05. Cocoon
06. Witch Wolf
07. Ashes In The Rain
08. Hold On
09. Wild Hearts


autor stipe07 às 19:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

Mura Masa - Mura Masa

No sul de Inglaterra, em pleno canal da Mancha, situa-se a minúscula ilha de Guernsey, terra natal de Alex Crossan, um músico nascido a cinco de abril de mil novecentos e noventa e seis e que desde muito cedo começou a utlizar a composição musical e o DJing como principal refúgio para a natural sensação de isolamento que sempre sentiu e de modo a materializar também um forte desejo de sair do meio do atlântico e passar viver em Londres. Ele assina a sua música como Mura Masa (nome de um sabre japonês) e estreou-se recentemente nos discos com um homónimo, editado à boleia da Polydor Records e que conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Damon Albarn, Charli XCX e A$AP Rocky, entre outros.

Resultado de imagem para alex crossan mura masa

Produtor, compositor e multi-instrumentista, Alex Crossan começou a ser notado pela crítica quando em setembro do ano passado apresentou ao mundo Lovesick, um dos temas deste seu álbum de estreia e que conta com a voz de A$AP. A partir daí a ansiedade por novas canções por parte de uma já interessante legião de fãs foi aumentando até ficar finalmente satisfeita com estas treze canções que, do rap à eletrónica, passando pela pop ambiental, o hip-hop, o house tropical, o dubstep e o próprio jazz, abraçam uma multiplicidade de estilos e tendências sonoras que fazem deste Mura Masa um dos discos mais interessantes e multifacetados do momento. 

Caldo sonoro, mas também multicultural, Mura Masa tem instantes que nos incitam à pista de dança e a deixar extravasar o nosso lado mais libidinoso, que irá certamente deliciar-se com a batida afro de Nuggets ou o clima envolvente particularmente sensual do efeito metálico sintético que conduz All Around the World e outros em que predomina um clima de maior introspeção, com particular destaque para o intimismo de Blue, canção que ganha um charme muito próprio devido ao modo como as vozes de Alex e Albarn se entrelaçam. E este jogo entre estas duas vozes contém uma ainda maior simbologia porque encerra um disco que instrumentalmente, entre os vários estilos que cruzam as treze canções, acaba por firmar a atmosfera de um álbum que obriga-nos a esperar o inesperado e a ouvi-lo em constante sobressalto, excitados pela sensualidade de algumas letras e por nunca sabermos muito bem o que poderá vir a seguir. E um dos temas que mais me impressionou e fez-me crer que realmente o inesperado está sempre ao virar da esquina, foi Nothing Else! e a abordagem vocal algo minimalista mais impressiva de Jamie Lidell ao universo mais negro do r&b, o grande detalhe que sustenta a soul essa canção. Mas também merecem, na minha opinião, especial referência o cardápio instrumental sintético que trespassa o frenesim de Helpline e a luminosidade harmónica de Second 2 None.

Mura Masa plasma com particular eloquência e impressiva criatividade a míriade sonora que influencia o seu autor e leva-nos facilmente a admirar o mesmo pelo bom gosto com que navega de influência em influência e acaba, com essa viagem descomprometida, mas inspirada, por construir algo inédito e a sua própria marca sonora identitária, que faz de si um dos produtores mais interessantes da nova pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Mura Masa - Mura Masa

1.Messy Love
2. Nuggets (feat. Bonzai)
3. Love$Ick (feat. A$AP Rocky)
4. 1 Night (feat. Charli XCX)
5. All Around the World (feat. Desiigner)
6. give me the ground
7. What If I Go?
8. Firefly (feat. NAO)
9. Nothing Else! (feat. Jamie Lidell)
10. Helpline (feat. Tom Tripp)
11. Second 2 None (feat. Christine and the Queens)
12. Who Is It Gonna B (feat. A.K. Paul)
13. Blu (feat. Damon Albarn)


autor stipe07 às 14:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 25 de Julho de 2017

Toro Y Moi - Boo Boo

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009 e onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian.

Resultado de imagem para toro y moi 2017

Depois dessa estreia auspiciosa, no ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013. Dois anos depois chegou What For?, o quarto tomo da sua carreira, a piscar o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, fruto da sua relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, e agora, o capítulo mais recente desta saga sonora é Boo Boo, um tomo de doze canções lançado a sete de julho através da Carpak Records e que além de aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins, também olha com particular ênfase para territórios um pouco mais ambientais e um pouco cósmicos, como se percebe logo nos flashes sintetizados que rodeiam a batida e o baixo de Mirage.

Disco que transmite uma falsa sensação de minimalismo, já que é vasta a míriade instrumental que o sustenta é, em muitos instantes, pouco percetível, Boo Boo convivepacificamente com a filosofia sonora que acompanha a tendência atual de quem se dedica a este espetro sonoro que é olhar para as raízes deixadas noutros tempos e readaptá-las, dando-lhes uma nova roupagem, mais moderna e que acompanhe a evolução tecnológica. Assim, se nos teclados fluorescentes e nas oscilações rítmicas de Monalisa ou no requinte melancólico com que em You And I, Toro Y Moi nos dá as mãos, para nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, com elevada carga poética, percebe-se o olhar curioso para os anos oitenta, mas de um ponto de vista bastante contemporâneo, já nos ecos de Pavement ou no efeito do baixo de Show, Toro Y Moi procurou perservar o mais intacta possível a essência vintage que o inspirou. Depois, pérolas como o fuzz vocal particularmente assertivo e o ambiente cinematográfico que escorre do doce mel minimal a que sabe a percussão sintetizada de Windows e de Labyrinth e o charme sedutor e intrigante do piano de Girl Like You, conferem ao disco uma fulgor e uma essência intensamente pop, mas fazendo-o de modo a convocar para uma espécie de orgia encapotada outros sub-géneros deste género sonoro.

Boo Boo é um disco onde tudo se sustenta de maneira adulta, como se o R&B de Frank Ocean e até detalhes de veteranos como Prince se derretessem no meio de sintetizadores e batidas irregulares, comprovando, uma vez mais, a força de Bundick e um fôlego renovado no modo como este artista estabelece uma multiplicidade de novos caminhos, testando sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para toro y moi boo boo

01. Mirage
02. No Show
03. Mona Lisa
04. Pavement
05. Don’t Try
06. Windows
07. Embarcadero
08. Girl Like You
09. You and I
10. Labyrinth
11. Inside My Head
12. W.I.W.W.T.W.


autor stipe07 às 14:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 3 de Junho de 2017

Arcade Fire – Everything Now

Arcade Fire - Everything Now

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire aproveitaram a tomada de posse de Donald Trump e os seus devaneios para apresentarem ao mundo as primeiras canções do seu próximo álbum, que será um claro manifesto político e de protesto claro, parece-me, ao novo rumo tomado pelo país vizinho.

Assim, a nova canção divulgada pelo grupo chama-se Everything Now e segue um pouco a linha delineada já em Reflektor, ou seja, cada vez mais distante do rock impetuoso dos primórdios. Os Arcade Fire apostam agora na preponderância de sonoridades com outra luminosidade, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para primeiro plano e com o grupo a ter uma nova aúrea, completamente remodelada.

Infinite Content é o título mais plausível para o novo registo da banda, ainda sem data de lançamento definida. Confere...


autor stipe07 às 00:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 6 de Maio de 2017

POND - The Weather

Depois do excelente Man It Feels Like Space Again (2015), os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em 2017 com The Weather, um álbum que viu a luz do dia através da Marathon Artists e idealizado por uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Resultado de imagem para pond 2017

A expressão rock cósmico talvez seja feliz para catalogar o caldeirão sonoro que os POND reservam para nós cada vez que entram em estúdio para compor. E o receituário habitual destes australianos inclui guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro do ideário sonoro do grupo, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e que desta vez estão mais acompanhadas do que nunca por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Para compor o ramalhete não falta ainda uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade

The Weather inicia com 3000 Megatons, um vendaval de lisergia fortemente sintética apenas equiparável ao que realmente sucederia se o mundo sofresse as consequências da deflagração de tal quantidade de pólvora, mas o clima é logo amainado pela delicada sensibilidade das cordas que suportam a monumentalidade comovente de Sweep Me Off My Feet, canção que resgata e incendeia o mais frio e empedrenido coração que se atravesse. Depois, a leveza contagiante de Paint Me Silver, que proporciona-nos um instante de eletrofolk psicadélica, mais habitual na outra banda de Allbrook, o eletropunk blues enérgico e libertário de Colder Than Ice e, principalmente, a esmagadora monumentalidade da viagem esotérica setentista proporcionada pelas duas metades que compôem Edge Of The World, ampliam a sensação de euforia e de celebração de um alinhamento que tanto ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, como nos faz querer que se dançarmos sem pudor acabaremos por embarcar numa demanda triunfal de insanidade desconstrutiva e psicadélica, cientes de que ao som dos POND não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

Torna-se, pois, indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e apaixonada, que The Weather está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, a fina ironia, quer melódica quer lírica, do ambiente cósmico de All I Want For Xmas (Is A Tascam 388), permite-nos diferentes interpretações acerca do verdadeiro sentido genuíno do Natal enquanto celebração da fraternidade ou um enorme pretexto puramente comercial. Depois, o frenesim descontrolado inicial de A/B, na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico, é algo enganador já que a canção é subitamente alvo de um intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição, embalados por um piano e uma voz distorcida que clamam por um anjo que nos agita a mente. Finalmente, o tema homónimo parece um simples devaneio sonoro minimalista, mas acaba por constituir-se num imenso instante de rock progressivo, onde os POND gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, numa canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais e orgânicos que proporcionam sensações únicas.

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os POND são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é The Weather, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os POND sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - The Weather

01. 30000 Megatons
02. Sweep Me Off My Feet
03. Paint Me Silver
04. Colder Than Ice
05. Edge Of The World, Pt. 1
06. A / B
07. Zen Automaton
08. All I Want For Xmas (Is A Tascam 388)
09. Edge Of The World, Pt. 2
10. The Weather

 


autor stipe07 às 13:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Gorillaz - Saturn Barz (feat Popcaan)

Depois de há alguns dias atrás a página oficial do órgão Phonographic Performance Limited, entidade que no Reino Unido regista novas canções de artistas do país, ter criado enorme alarido ao informar que novos temas dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, estariam prestes a ver a luz do dia, eis que acaba de ser divulgado o título do novo álbum deste projeto liderado por Damon Albarn, assim como a sua data de lançamento e respetivo alinhamento de canções.

Resultado de imagem para gorillaz humanz

Assim, Humanz, o próximo disco dos Gorillaz, produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011), irá ver a luz do dia a vinte e oito de abril e terá dezanove canções e seis interlúdios, que incluirão a participação especial de nomes tão relevantes como Mavis Staples, Carly Simon, Grace Jones, De La Soul, Jehnny Beth das Savages, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela e D.R.A.M., entre outros. Humanz foi gravado em cinco locais diferentes, nomeadamente Londres, Paris, Nova Iorque, Chicago e na Jamaica.

Com o anúncio destes detalhes do novo disco dos Gorillaz, foi também dado a conhecer o vídeo integral, realizado por Jamie Hewlett, de Saturnz Barz, o primeiro single retirado de Humanz e que conta com a participação especial vocal de Popcaan, assim como excertos de Ascension, Andromeda e We Got The Power, outras três canções do álbum, também já disponíveis para audição integral, abaixo.

1. Ascension feat. Vince Staples
2. Strobelite feat. Peven Everett
3. Saturnz Barz feat. Popcaan
4. Momentz feat. De La Soul
5. Submission feat. Danny Brown & Kelela
6. Charger feat. Grace Jones
7. Andromeda feat. D.R.A.M.
8. Busted and Blue
9. Carnival feat. Anthony Hamilton
10. Let Me Out feat. Mavis Staples & Pusha T
11. Sex Murder Party feat. Jamie Principle & Zebra Katz
12. She’s My Collar feat. Kali Uchis
13. Hallelujah Money feat. Benjamin Clementine
14. We Got The Power feat. Jehnny Beth
Bonus material on Deluxe:
15. The Apprentice feat. Rag’n’ Bone Man, Zebra Katz & RAY BLK
16. Halfway To The Halfway House feat. Peven Everett
17. Out Of Body feat. Kilo Kish, Zebra Katz & Imani Vonshà
18. Ticker Tape feat. Carly Simon & Kali Uchis
19. Circle Of Friendz feat. Brandon Markell Holmes

 


autor stipe07 às 09:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 50 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Julho 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
13
14

15
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Gorillaz – The Now Now

Unknown Mortal Orchestra ...

Tame Impala – Currents B-...

Walk The Moon – What If N...

The Mynabirds - Be Here N...

Mura Masa - Mura Masa

Toro Y Moi - Boo Boo

Arcade Fire – Everything ...

POND - The Weather

Gorillaz - Saturn Barz (f...

Coldplay - Hypnotised

Foxygen - Hang

Arcade Fire - I Give You ...

Terrakota - Oxalá

Glass Animals - How To Be...

The Invisible – Patience

Beck - Wow

Unknown Mortal Orchestra ...

Inca Gold – Rewilder

The 1975 – I like It When...

X-Files

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds