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Yellow Days – Special Kind Of Woman

Segunda-feira, 22.12.25

Oito após o EP de estreia Harmless Melodies e o seu primeiro longa duração, Is Everything OK In Your World?, e meia década depois do registo A Day In A Yellow Beat, o cantor e multi-instrumentista britânico George van den Broek, de vinte e seis anos e que assina a sua música como Yellow Days, está de regresso ao nosso radar com Special Kind Of Woman, o mais recente avanço revelado de Rock And A Hard Place, o novo disco do músico natural de Manchester, um alinhamento de catorze canções que vai ver a luz do dia a treze de fevereiro do próximo ano, com a chancela da Independent Co..

Yellow Days has shared new single "Special Kind Of Woman." The track is off his album Rock And A Hard Place, on February 13, 2026
pic by  Charlotte Manuel

Tema que pretende encarnar uma sentida declaração de amor à atual companheira de van den Broek, Special Kind Of Woman é um incrível tratado de indie pop de forte toada jazzística, com elevada influência da soul, do blues, do R&B e do funk e, por isso, sonoramente bastante eclético. É uma canção bastante orgânica, charmosa e angulosa, com um travo retro delicioso e que transmite bastante alegria e positividade. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:49

Geese - Getting Killed

Segunda-feira, 20.10.25

Caos e tensão são adjetivos que se ajustam às mil maravilhas aos Geese, uma banda de Nova Iorque que teve a sua génese há quase uma década no profícuo e efervescente bairro de Brooklyn e que é atualmente formada por Cameron Winter, Emily Green, Dominic DiGesu e Max Bassin, quarteto ao qual se junta o teclista Sam Revaz, quando o projeto toca ao vivo. Estrearam-se nos discos já esta década, em dois mil e vinte e um, com o registo Projector, ao qual se sucedeu 3D Country dois anos depois e agora, há poucos dias, Getting Killed, um alinhamento de onze canções produzidas por Kenneth Blume e que têm a chancela da Partisan Recordings.

Pujantes e, ao mesmo tempo íntimos, contundentes e simultaneamente emotivos, os Geese são o exemplo perfeito de como na música muitas vezes a ausência de regras estilísticas rigidas, de seguidismos ou de balizamentos é, também, uma boa fórmula para se chegar ao sucesso e à tão almejada perfeição. Getting Killed, o novo álbum do quarteto, pode ser catalogado, de modo simplista, como um disco de indie rock, mas é claramente muito mais do que isso. Os seus quarenta e cinco minutos condensam, sem ordem definida e numa espécie de caos ordenado, world music, jazz, folk, rock, pop, R&B, grunge, garage, psicadelia, punk e tudo aquilo que mais quiseres colocar nesta listagem. Depois, qual cereja no topo do bolo, temos Cameron Winter, considerado já por muitos como um dos vocalistas mais carismáticos do cenário indie e alternativo atual. Se num segundo ele choca-te e instiga-te com um voz ensurdecedora e, imagine-se, algo desconfortável, pouco depois está a falar, de modo contundente, ao teu coração, sussurrando-te ao ouvido com o registo mais adoçicado que possas imaginar. Pelo meio, captando a nossa atenção frequentemente de uma forma pouco convencional e até algo chocante, mantém uma performance algo arrastada, mas sempre tensa, atributos que ampliam ainda mais o modo bem sucedido como ele comunica connosco, mesmo que a disposição para o escutar não esteja nos píncaros.

Começa-se a escutar Trinidad, o tema que abre Getting Killed e, numa espécie de alegoria aquele jazz da primeira metade do século passado, percebe-se logo a cadência e o travo de um perfil sonoro ansioso, fragmentado e descontrolado, aspetos que vão ser transversais a todo o disco, independentemente do perfil interpretativo selecionado para cada composição, que explora sempre um som vibrante e que parece estar permanentemente a querer fugir ao típico arquétipo estrutural do formato canção, na sua forma mais pura e natural.

Feitas as apresentações, logo a seguir Cobra escancara, de par em par, as janelas da nossa alma para a contemplação de uma pop lisérgica e luminosa, com Husbands a colocar as fichas num perfil mais minimal e eletrónico, mas nem por isso menos abundante em detalhes, tiques e nuances, geralmente percussivas, que nos mantêm permanentemente alerta relativamente ao rumo que a canção possa levar.

Getting Killed prossegue em grande estilo e 100 Horses é outro exemplo feliz desta filosofia interpretativa musculada e quase irreal, em que os instrumentos frequentemente se confundem e mal se distinguem, deixando-nos sempre em absoluto suspense; No travo funk da composição saboreia-se um arsenal instrumental que tem na rugosidade do baixo e na aspereza das guitarras, elementos decisivos na indução de extase a uma canção de elevado pendor lisérgico. Antes, já o ímpeto vibrante do tema homónimo e o modo como as cordas crescem em intensidade e astúcia em Islands Of Men, tinham-nos mostrado que as guitarras são também uma arma de arremesso essencial do disco e que a guitarrista Emily Green e o baixista Dominic DiGesu são peças vitais no seu movimento sinuoso que, por incrível que Às vezes possa parecer, nunca resvala nem se despista.

Até ao ocaso de Getting Killed, o refrão gospel e a alegria contagiante de Half Real, uma belíssima canção de amor e o hino Taxes, um tema que tem tudo para se tornar numa das melhores canções do século XXI, são outros instantes impressivos de um disco cheio de reviravoltas e imprevistos, que escapa constantemente às expetativas que sobre ele se possam colocar e que parece saciar uma curiosidade inquieta e indomável que os Geese sentiram de explorar o máximo possível o potencial criativo que neles existe e o arsenal intrumental que dispôem.

Num dos discos do ano, cheio de força e vigor criativo, timbres e dinâmicas, este quarteto nova iorquino mostra que o sucesso e a felicidade no seio desta forma de arte chamada música, podem andar de mãos dadas, desde que se ponha de lado convenções e regras e se aposte numa fé inabalável no instinto e naquilo que ele nos pedir que seja feito no momento de criar e de desconstruir, porque aí, quando a realidade se dissolve, vale mesmo tudo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 12:38

Gorillaz – The Manifesto (feat. Trueno and Proof)

Segunda-feira, 13.10.25

Dois anos e meio depois de Cracker Island, os britânicos Gorillaz, projeto formado por Russell, Noodle, 2D e Murdoc e conduzido pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, estão de regresso aos discos com The Mountain, o nono álbum da carreira do projeto, um alinhamento de quinze canções que vai chegar aos escaparates a vinte de março de dois mil e vinte e seis, com a chancela da KONG, etiqueta criada pelo próprio grupo.

Gorillaz Share New Song “The Manifesto” Featuring Trueno and Proof: Listen  | Pitchfork

The Mountain será mais um disco conceptual, como é hábito nos Gorillaz, pretendendo, neste caso, ser uma espécie de banda sonora de uma festa na fronteira entre este mundo e o seguinte, explorando a jornada da vida e a emoção de existir. Para conseguir isso, o quarteto refugiou-se em Mumbai, na Índia, chegando lá à boleia de passaportes falsos fornecidos a Murdoch, por um mafioso de Nova Iorque. Na metrópole asiática, deixaram-se envolver pelo misticismo local e deixaram fluir corpo e mente pelos terrenos íngremes e montanhosos daquilo a que chamamos vida.

O resultado final desta jornada intimista, produzida pelos próprios Gorillaz, com a ajuda de James Ford, Samuel Egglenton e Remi Kabaka Jr. e gravada nos estúdios no Studio 13, em Londres e Devon, em diversos locais da Índia, incluindo Mumbai, Nova Deli, Rajasthan e Varanasi e em Ashgabat, Damasco, Los Angeles, Miami e Nova Iorque, são quinze canções repletas de participações especiais de excelência, como são os casos de Bizarrap, Black Thought, Anoushka Shankar, Omar Souleyman, Johnny Marr (The Smiths), Mark E. Smith (The Fall), Paul Simonon (The Clash), Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def), os Idles e os Sparks, dos veteraníssimos irmãos Ron e Russell Mael.

The Happy Dictator, uma canção ímpar no modo como recria um verdadeiro oásis de pop sintética, à boleia de uma batida frenética cósmica, um teclado encharcado em sintetizações retro e um sem fim de entalhes, foi o primeiro single divulgado do alinhamento de The Mountain. Agora, cerca de um mês depois, temos a possibilidade de conferir The Manifesto, canção que conta com as participações especiais do rapper argentino Trueno e com um pequeno trecho de Proof, membro dos D12, que faleceu há quase vinte anos, em abril de dois mil e seis.

Descrito por Russell Hobbs, o baterista fictício dos Gorillaz, como uma meditação musical recheada de luz e uma viagem do nosso âmago à boleia de batidas, The Manifesto é, sonoramente, um verdadeiro oásis lisérgico e contemplativo, em que world music, R&B, eletrónica, jazz, rap e hip-hop, conjuram entre si com particular deleite. Tema quente, algo inebriante até, The Manifesto é, realmente, um cinematográfico convite à aceitação da morte como uma inveitabilidade, mas também como um possível ritual de passagem para uma outra dimensão, contando, também, nos créditos do tema com vários músicos indianos, nomeadamente os irmãos Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash, Ajay Prasanna, a banda Jea Band Jaipur e o coro Mountain Choir, dirigido por Vijayaa Shanker. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:40

Allah-Las – Countryman ’82 & Dume Room

Quinta-feira, 07.08.25

Os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia, lançaram em outubro de dois mil e vinte e três Zuma 85, um alinhamento de treze canções que viu a luz do dia com a chancela da Calico Discos, a editora do grupo.

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Banda fundamental do indie surf rock contemporâneo, os Allah-Las teimaram, com esse disco, em acrescentar ao seu catálogo naipes de canções que, por um lado mostraram coerência com um adn bem definido e que, por outro, não deixaram de oferecer ao projeto um sempre indispensável grau de inedetismo. As treze canções de Zuma 85, um registo que teve como propósito essencial criar uma banda sonora que fugisse aquilo que os Allah-Las apelidam de monotonia radiofónica assente em alinhamentos criados por algoritmos, como confessam logo em The Stuff, obedeceram, portanto, à premissa de obedecerem a uma filosofia sonora assente num surf rock vibrante, luminoso, festivo, repleto de groove e que nunca descurasse um delicioso travo garage, enquanto procuraram alargar o espetro de experimentações do projeto de Los Angeles que, por essa altura, já piscava o olho com cada vez mais gula a territórios tão díspares como o jazz, e at´o reggae.

Agora, dois anos depois do lançamento de Zuma 85, os Allah-Las oferecem-nos dois instrumentais que foram incubados durante o processo de gravação desse disco, que decorreu nos estúdios  Panorama Studio e Bounce House, em los Angeles. Tratam-se de Countryman ’82 e Dume Room, dois verdadeiros oásis de nostalgia psicadélica. São duas paisagens etéreas narcóticas que exalam toda essa vasta miríade de influências que, empacotadas numa embalagem muito fresca, deixam-nos completamente absorvidos por um experimentalismo instrumental feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópica e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:34

WHY? - The Well I Fell Into

Sexta-feira, 16.08.24

Natural de Cincinnati, o norte-americano Yoni Wolf juntou-se, em dois mil e quatro, ao coletivo de hip hop Anticon, um dos mais estimulantes laboratórios de invenção de novos caminhos e recontextualizações de referências, formas e linguagens de genética hip hop. Passaram então a ser um trio, rebatizaram o projeto de cLOUDDEAD e juntos elevaram o hip hop delirante, neurótico e fragmentado ao estatuto de entidade essencial para a compreensão do século XXI.

Why? announce new album, The Well I Fell Into - Treble

Entretanto os cLOUDDEAD deram o berro, mas Yoni Wolf (aka WHY?) seguiu em frente e formou, com o seu nome artístico, uma nova banda com o seu irmão Josiah. Estrearam-se nos discos em dois mil e cinco com Elephant Eyelash, registo ao qual se seguiu Alopecia, em dois mil e oito, o glorioso expoente da união entre pop, hip hop e o experimentalismo, no fundo a bitola pela qual se rege a sonoridade deste projeto. Em dois mil e nove deram-nos Eskimo Snow, um álbum cheio de canções mais sombrias e nasaladas, com um tom provocador e afectado, uma receita milagrosa que se repetiu três anos depois com Mumps, Etc, treze canções repletas de humor negro e que mostravam uma estranha obsessão de Yoni pela morte, algo que o artista admitia, à época, com uma honestidade, quase desarmante, plasmar na escrita das suas canções. 

Doze anos depois de Mumps, Etc, este projeto WHY? regressa ao nosso radar devido a um novo disco, um alinhamento de catorze canções intitulado The Well I Fell Into, que viu a luz do dia a dois de agosto com a chancela da Waterlines Label, etiqueta detida pela própria banda e que comprova a ascenção meritória deste projeto rumo a um patamar de excelência que merece amplo destaque, guindado por um disco que segue as permissas estilísticas acima discriminadas, que vivem essencialmente, como de certa forma foi descrito, de uma junção cuidada de diversos estilos e influências.

Explorando temas tão profundos como o sentimento de perca ou de auto descoberta, The Well I Fell Into é um mergulho sugestivo, impressivo e detalhisticamente rico e complexo, na mente de Yoni, um artista que chamou a estúdio, para gravar o álbum, um naipe de talentosos músicos e artistas, dos quais se destacam Gia Margaret, Macie Stewart, Lillie West, Serengeti, ou Ada Lea. O resultado final são pouco mais de quarenta e cinco minutos intensos e luminosos, mas também cheios de emoção e profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos.

Carregamos no play e em Marigold, a voz grave e nasalada de Yoni e o modo como se entrelaça com o piano e os violinos, oferece-nos uma espécie de receita milagrosa, na forma de um portento de indie pop que não descura, como também seria de esperar, uma aproximação angulosa à herança do melhor R&B contemporâneo, nomeadamente no registo percussivo. Depois, o clima intimista das cordas que acamam Brand New, amplia a sagacidade sonora do disco, ao mesmo tempo que testa a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil.

Com início tão prometedor, é difícil abandonar a audição do disco, algo de que não nos arrependemos, logo a seguir, na arrebatadora G-dzillah G’dolah, uma extraordinária canção, que recria a história de alguém que viaja de avião ao encontro da amada que já não vê há algum tempo e que, sonoramente, tem como base um simples mas algo hipnótico trecho instrumental conferido por um piano que vai depois recebendo diversos adornos e interseções, que começam num violoncelo insinuante, que é depois abraçado por uma bateria de forte travo jazzístico e por violinos e outras sintetizações, num resultado final que recria uma melodia lindíssima e comovente, que quase nos leva às lágrimas. Depois, no meio de algumas incursões, mais ou menos escondidas, pelo dub e pelo jazz, a simplicidade cósmica de When We Do The Dance, as aproximações contundentes ao hip-hop nas asas das confessionais Jump e, principalmente, da épica Sin Imperial, a acusticidade solarenga de The Letters, Etc., o vigor sónico de Nis(s)an Dreams, Pt. 1, o rock simultaneamente emotivo e progressivo de Versa Go!, o delicioso travo blues e jazzístico de Sending Out A Pamphlet e o perfil psicadélico de Atreyu, escutamos uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por Yoni ao longo da sua carreira e que parece ter sido alvo de uma espécie de súmula neste seu novo cardápio, um festim de canções pop exemplarmente polidas, picotadas e fragmentadas e que penetram profundamente no nosso subconsciente.

Após repetidas audições, The Well I Fell Into acaba por impregnar-se como uma lapa, porque nos oferece a inolvidável sensação de estarmos na presença de uma coleção de canções que poderiam ter sido idealizadas por uma criança que ganhou voz de adulto, aprimorou os seus dotes musicais, instrumentais, de escrita e melódicos, mas que, bem lá no fundo, nunca cresceu, nunca deixou de brincar com os instrumentos e assim conseguiu mais uma metáfora perfeita dos extremos desiquilíbrios em que vive o seu eu e o mundo em que ele vive, que é, como todos bem sabemos, também o nosso. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:43

Orville Peck – Death Valley High (feat. Beck)

Quinta-feira, 18.07.24

A revelação country Orville Peck está de regresso aos discos no início do próximo mês de agosto, com Stampede, o terceiro ábum do músico sul africano, um alinhamento de quinze canções, muitas delas duetos, que conta com várias participações especiais de nomeada, com especial destaque para Beck Hansen, Elton John, JT Nero, Bernie Taupin, Drew Lindsay, Ben Cramer, Amiel Gonzales, Tobias Jesso Jr., Molly Tuttle e Nathaniel Rateliff, entre outros.
See Orville Peck, Beck Team for New 'Death Valley High' Video

Já foram divulgados varios singles do alinhamento de Stampede e o mais recente é Death Valley High, a canção que conta com a participação especial de Beck e que cruza, com elevada mestria, o melhor dos dois mundos dos dois protagonistas. Várias interseções sintéticas e uma batida encharcada num groove corrosivo, duas imagens de marca do catalogo de Beck, cruzam-se com um registo melódico eminentemente country, adornado por cordas vintage, uma marca indelevel do catálogo de Peck, enquanto os dois músicos dissertam sobre uma noite bem vivida em Las Vegas, com jogos de azar, festas e comportamentos extravagantes, como não podia deixar de ser.

Death Valley High já tem direito a um vídeo, dirigido por Austin Peters e que conta com as participações especiais de Sharon Stone e da drag queen Gigi Goode. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:38

Andrew Belle – Swimmers (Hushed)

Quinta-feira, 08.02.24

Nascido em Chicago, no Illinois e dono de uma das vozes mais apaixonantes do universo sonoro contemporâneo, Andrew Belle é também um dos intérpretes mais interessantes da indie pop do lado de lá do atlântico, um artista que conhece, com minúcia e destreza, como replicar um ambiente sonoro multicolorido e espetral, sendo claramente influenciado pela paisagem multicultural de Los Angeles, cidade onde o músico vive atualmente.

Dive Deep | Andrew Belle

Em dois mil e vinte e um Andrew Belle lançou o quarto disco da sua carreira, um trabalho intitulado Nightshade, um lindíssimo alinhamento de dez canções que contou nos créditos com James McAlister, habitual colaborador de Belle. Nightshade estava repleto de canções intensas e charmosas, que escorriam à sombra de um clima claramente pop, que jogava em três tabuleiros distintos, o R&B, a folk e a eletrónica.

Quase três anos depois do lançamento de Nightshade, um dos seus grandes momentos, o tema Swimmers, que abria o alinhamento do registo, acaba de ser revisto por Andrew Belle. A nova versão de Swimmers intitula-se Swimmers (Hushed), coloca de lado os sintetizadores do original e, apenas com a viola e o piano, a canção ganha um clima ainda mais envolvente e etéreo, sem colocar em causa a sua estrutura melódica, num resultado final que nos leva numa viagem bastante impressiva por um mundo muito peculiar e intimista. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:43

Matt Corby – Desert Land

Terça-feira, 24.10.23

Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Matt Corby, con los pies en la arena R&B en 'Desert Land' - Binaural

Já na alvorada da primavera deste ano de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.

Agora, já no outono, Matt Corby volta a fazer-nos companhia devida a Desert Land, uma nova canção que o músico australiano incubou juntamente com o acima referido Chris Collins (Gang of Youths, Middle Kids) e Nat Dunn (Rita Ora, Tkay Maidza), seus habituais colaboradores e que também fazem parte, como se depreende, dos créditos de Everything’s Fine.

Desert Land versa sobre as relações, a força mental que muitas vezes é necessário dispender para as manter e o modo como as mesmas chocam muitas vezes com os nossos vícios e adições. Sonoramente, com os dois pés bem fincados no R&B, Desert Land é um curioso tratado sonoro repleto de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares, conferidas por uma bateria de forte timbre nostálgico e cósmico e um piano insinuante. O resultado é uma espécie de indie jazz psicadélico, bastante vibrante e policromático, um soft punk charmoso que, em quase três minutos, demonstra alguns dos melhores atributos de um artista inovador, bastante criativo e que, no modo como agrega, burila e mistura o orgânico e o sintético, mostra uma saudável e sedutora faceta marcadamente futurista, aprofundada pelo cariz sensual da sua postura vocal. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:39

Black Pumas – Angel

Sexta-feira, 20.10.23

A dupla Black Pumas, formada por Eric Burton e Adrian Quesada, estreou-se nos lançamentos discográficos com um registo homónimo lançado em dois mil e dezanove, um álbum que venceu sete Grammys e recebeu imensos elogios por parte da crítica especializada. Agora, quatro anos depois dessa auspiciosa estreia, a dupla prepara-se para voltar a impressionar à boleia de Chronicles of a Diamond, um registo que chegará aos escaparates no final deste mês de outubro. São dez composições produzidas pelo próprio Adrian Quesada e que irão, certamente, burilar ainda mais uma mescla de estilos, nomeadamente o rock, a soul, o blues, o jazz e o funk psicadélico, um modus operandi que faz já parte do adn Black Pumas.

Black Pumas revela a poderosa “Angel”

More Than A Love Song, a canção que abre o alinhamento de Chronicles of a Diamond, foi a primeira amostra revelada do disco, um tema que esteve em alta rotação na nossa redação há pouco mais de um mês, como certamente os leitores e os ouvintes mais atentos se recordam. Depois, também escutámos, mais recentemente, Mrs. Postman, uma divertida e insinuante composição, que impressionou pelo modo como um piano pleno de soul, exemplarmente tocado por JaRon Marshall, convidado especial da dupla, a sustentava.

Agora chega a vez de nos deliciarmos com Angel, o terceiro single retirado do disco e a quinta do alinhamento de Chronicles Of A Diamond. Angel é uma canção mais intimista e, de certo modo, mais intrincada que as anteriores. Uma viola acústica dá o mote para quase cinco minutos simultaneamente singelos e hipnóticos, plenos de emoção e que demonstram, uma vez mais, o modo como o registo vocal sensual de Eric Burton é exímio a contar eventos aparentemente ordinários, mas que ganham, através do seu registo interpretativo exemplar, uma amplitude sentimental ímpar. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:35

Jonathan Wilson - Eat The Worm

Quinta-feira, 21.09.23

O aclamado produtor norte-americano Jonathan Wilson que, conforme demos conta na primavera de dois mil e vinte dois, ajudou Father John Misty a dar mais uma guinada conceptual e até sonora no seu catálogo, ao produzir Chloë And The Next 20th Century, tem uma reputadíssima carreira de produtor, tendo também, à semelhança do que fez com Misty, produzido discos de Angel Olsen, Margo Price e muitos outros. Além disso, é também vocalista e guitarrista da banda de Roger Waters. Importa ainda referir que Wilson tem uma curiosa carreira musical interpretativa, primeiro como membro integrante do projeto Muscadine, que fez furor no final do século passado e depois, a partir de dois mil e sete, a solo, uma fase individual criativa que viu o seu último capítulo recentemente com um trabalho intitulado Eat The Worm, que sucede ao aclamado registo Dixie Blur, lançado em dois mil e vinte.

Jonathan Wilson Announces New Album 'Eat The Worm' & Shares Sprawling  'Charlie Parker' Single

Eat The Worm é um álbum com treze canções, anunciado em março último, quando Wilson divulgou Marzipan, o primeiro single extraído de um registo que foi gravado, quase na íntegra, nos estúdios do músico, em Topanga Canyon, na Califórnia. Neste trabalho, o reputado músico ensaia, como é seu apanágio, uma abordagem tremendamente empática e próxima com o ouvinte, sem se deslumbrar e perder a sua capacidade superior de criar canções assentes num luminoso e harmonioso enlace entre cordas e teclas, que dão vida a temas carregados de intimidade e classicismo, mas também de ironia e, por isso, de certo modo provocadores.

Marzipan, o tema que abre o álbum, coloca-nos imediatamente numa mesa redonda de uma sala fumarenta, mesmo em frente a um palco escuro onde o músico, vestido impecavelmente, nos oferece audácia e esplendor, suportado por metais, sopros e cordas, tudo liderado por um piano exemplar. Logo de seguida, Bonamossa induz-nos num universo de puro requinte e de experimentação minimalista, enquanto são calcorreados alguns dos melhores traços identitários do R&B, trespassados por um sintetizador insinuante, que depois entrega todos os méritos a um lindíssimo coro de violinos. Já Ol’ Father Time, uma canção que impressiona pelo modo como viola e bateria afagam alguns efeitos planantes, pisca o olho aquela sempre curiosa e mescla entre acusticidade folk, blues e eletrónica, num resultado final de imensa beleza. Estas três composições esclarecem o ouvinte, logo a abrir, acerca da vincada identidade de Eat The Worm, um disco que consegue abraçar, quase sem se notar, diversos universos sonoros díspares e heterogéneos, que parecem conjurar entre si para incubar uma trama de caraterísticas únicas e que merecem, também por isso, dedicada audição.

A partir dessa notável introdução, canções como Hollywood Vape, uma paleta sonora pintada com rock sinfónico de primeira água, que introduz notavelmente Charlie Parker, um fabuloso tratado sonoro, tremendamente cinematográfico, que materializa uma espécie de colagem de vários trechos díspares numa única composição, enquanto abraça um elevado leque de influências que vão do jazz à folk, passando pelo rock psicadélico e progressivo, ou The Village Is Dead, tema que expressa impressivamente e com um frenesim intuitivo luminoso e festivo, todos os atributos crativos de Wilson, de modo rápido e incisivo e que assentando numa efusiante vertigem percussiva, impressiona pelo modo como um piano sem rédeas se junta à guitarra para homenagear o movimento folk que, na década de sessenta do século passado, florescia em Greenwich Village, bairros dos subúrbios de Nova Iorque, hoje transformado num complexo residencial apenas acessível à elite, são apenas três exemplos felizes de um alinhamento repleto de laivos musicais de excelência, que proporcionam, entre muitas outras sensações que só a vivência da sua audição consegue descrever, beleza e melancolia ímpares.

Eat The Worm é, pois, uma obra criativa única e indispensável, incubada por um autor que gosta de cantar e contar na primeira pessoa e assumir, ele próprio, o protagonismo das histórias que nos relata, enquanto prova ao mundo inteiro, mais uma vez, que é imcomparável a recriar diferentes personagens, cenas e acontecimentos, geralmente sempre dentro de um mesmo território criativo, neste caso o cinema. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:38






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