Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Preoccupations – Ricochet

Segunda-feira, 20.06.22

Quatro anos depois do registo New Material, os canadianos Preoccupations de Matt Flegel, Mike Wallace, Scott Munro e Daniel Christiansen, voltam finalmente a dar sinais de vida com o anúncio de um novo registo de originais que terá um alinhamento de sete canções. O novo álbum dos Preoccupations chama-se Arrangements e será o primeiro lançado pela etiqueta do próprio grupo que cessou a sua ligação à Jagjaguwar.

Preoccupations (@pre_occupations) / Twitter

Ricochet é o primeiro avanço revelado do alinhamento de Arrangements. É uma contundente canção, que de algum modo condensa todos os atributos sonoros dos Preoccupations, já que nela, cascatas de guitarras e inebriantes sintetizadores situam-se em posição de elevado destaque, um modus operandi estilístico muito identitário e que combina post punk com shoegaze. Na composição o ruído não funciona com um entrave à sua expansão, mas como mais um veículo privilegiado para lhe dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, Ricochet certamente não teria. É, em suma, uma composição criada num clima marcadamente progressivo e rugoso, mas simultaneamente harmonioso, provando, uma vez mais, o modo exímio como este quarteto ímpar faz da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:47

Cold Showers - Strenght In Numbers EP

Sexta-feira, 10.06.22

Chegou finalmente o dia do lançamento de Strenght In Numbers, o novo EP dos Cold Showers, uma banda formada há pouco mais de uma década ao sol da Califórnia e que impressionou a nossa redação em dois mil e dezanove com o registo Motionless, que foi considerado o oitavo melhor álbum desse ano para este blogue.

Strength in Numbers | Cold Showers

Strenght In Numbers começou a ser incubado quando em outubro de dois mil e vinte, cansado dos sucessivos confinamentos devido à pandemia covid, o cantor Jonathan Weil propôs aos restantes membros da banda viajarem com ele até parque ao nacional de Joshua Tree, para gravarem algumas canções. O resultado é este Strength In Numbers, um registo que capta os Cold Showers num período particularmente inspirado, nomeadamente no que concerne à replicação de alguns dos cânones fundamentais daquele estonteante punk rock que começou a ser incubado do lado de cá do Atlântico, por Terras de Sua Majestade, há umas quatro décadas. É essa a essência instrumental das cinco composições do EP; um ímpar vigor percussivo conferido por uma bateria sagaz e um baixo sempre pulsante, sintetizações incandescentes que se espraiam pelas melodias sem recearem dar-lhes a tonalidade melancólica e até algo cósmica que elas exigem e guitarras plenas de efeitos vibrantes e efervescentes, sempre prontas a conferir aquela toada orgânica e visceral que é uma das grandes imagens de marca do grupo.

Canções como How Do You Know This Love, um portento de majestosidade, Lock And Key, uma ode feliz aos melhores argumentos que a pop eminentemente sintética nos ofereceu nos anos oitenta do século passado e a inquietude cinematográfica de Epicene, são excelentes oportunidades para se ficar com uma perceção ampla das vastas virtudes de um projeto exímio a navegar nas águas efervescentes daquela espécie de meio termo que fica entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia, interpretado de modo simultaneamente nostálgico e luminoso e sempre com elevado cariz progressivo. São cinco canções que firmam a solidez do post punk que trespassa o catálogo dos Cold Showers e oferecem ao mesmo um lustro mais pop e um cariz de maior abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:51

Interpol – Fables

Segunda-feira, 23.05.22

Os Interpol de Banks, Fogarino e Kessler, continuam a revelar detalhes de The Other Side Of Make-Believe, um registo que irá ver a luz do dia a quinze de julho próximo, com a chancela da Matador Records e que surge quatro anos depois de Marauder e três do EP Fine Mess. Recordo que durante este período Paul Banks não deixou de estar ativo, porque ofereceu-nos o espetacular disco homónimo de estreia do projeto Muzz, que partilha com Matt Barrick dos The Walkmen e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman.

Interpol lança o single "Fables" do álbum 'The Other Side of Make-Believe'

Assim, depois de terem sido divulgados os singles Toni e Something Changed, de um álbum que começou a ser incubado em dois mil e vinte numa casa alugada nas Catskills e que ganhou definitivamente forma no Norte de Londres com os co-produtores Flood e Alan Moulder, agora chega a vez de conferir Fables, uma curiosa composição que faz a banda resvalar para territórios mais próximos do hip-hop e do próprio R&B clássico, imagine-se, muito graças a um curioso e bem conseguido registo percussivo, a cargo de Daniel Fogarino.

Fables também já tem direito a um espetacular vídeo assinado por Van Alpert, o mesmo realizador dos filmes dos dois singles anteriores. Confere...

Website

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:00

The Smile – A Light For Attracting Attention

Sexta-feira, 13.05.22

Chega hoje mesmo aos escaparates A Light For Attracting Attention, o disco de estreia do projeto The Smile que reúne Thom Yorke e Jonny Greenwood, o chamado núcleo duro dos Radiohead, com Tom Skinner, baterista do Sons of Kemet. Este é um álbum que tem vindo a agitar, com ânsia, burburinho e excitação, o acervo discográfico do ano de dois mil e vinte e dois, algo compreensível tendo em conta as amostras que foram sendo disponibilizadas nas últimas semanas do fabuloso conteúdo sonoro, lírico e conceptual de um alinhamento que tem a chancela da XL Recordings.

The Smile Debut Album “Free in the Knowledge” Announced with New Single |  Illustrate Magazine

Depois da audição deste disco, a primeira impressão que fica bem vincada no ouvido de quem está familiarizado com o cardápio único e incontornável de uma certa banda de Abingdon, nos arredores de Oxford, são duas questões bastante simples: Se este A Light For Attracting Attention conta com Thom Yorke e Jonny Greenwood em dois dos papéis principais da lista de créditos e se Nigel Godrich, um dos responsáveis máximos pela arquitetura sonora inconfundível dos Radiohead, é o produtor, porque é que este não é um disco assinado pelos próprios Radiohead? Se Yorke e Greenwood tiveram a ideia de um projeto paralelo, porque é que o som que idealizaram é tão semelhante ao da banda mãe de onde provêm, ao contrário do que é normal suceder? De facto, se A Light For Attracting Attention fosse o título de um novo álbum dos Radiohead, o seu conteúdo, tal como está, sem adaptações, seria, claramente, um dos destaques da exuberante discografia do mítico grupo britânico liderado por Thom Yorke e, consequentemente, apetece mesmo questionar se Ed O'Brien e Philip Selway sentir-se-ão confortáveis a ouvir este disco, podendo ter, legitimamente, a mesma sensação que nós temos.

Hipotéticas polémicas à parte, debruçando-nos com alguma minúcia no conteúdo sonoro de A Light For Attracting Attention, damos de caras (e ouvidos) com um álbum que disserta com gula, cinismo, ironia, sarcasmo, têmpera, doçura e esperança, sobre a nossa cada vez mais estranha contemporaneidade, algo que não espanta porque foi concebido por um trio cujo nome, (The Smile), não se refere àquele riso inocente e doce que todos apreciamos, seja qual for a sua proveniência, mas àquele riso típico de quem nos mente diariamente e fá-lo sem pudor, nomeadamente aquele riso pateta dos políticos que nos tentam convencer do contrário daquilo que geralmente dizem. E este disco tem, então, todos os ingredientes que é usual encontrar-se num alinhamento dos Radiohead, contando com uma fina e vigorosa interseção entre o melhor dos dois mundos que de modo mais fiel abarcam a herança sonora do grupo Oxford, o mundo do orgânico e o mundo do sintético. Para que tal se materialize, não faltam mesmo várias marcas identitárias, claramente audíveis ao longo do alinhamento, quer nas distorções das guitarras e na rudeza do baixo, quer na panóplia de sintetizações, com que facilmente nos familiarizamos, porque não fazem parte do cardápio de nenhum outro projeto além do projeto dos Radiohead, a não ser daqueles que tentam, quase sempre sem sucesso, replicar uma sonoridade sem paralelo no rock alternativo das últimas três décadas.

Assim, todas as doze canções deste A Light For Attracting Attention, de uma maneira ou de outra, umas mais exuberantes, outras mais cruas e contidas, têm os seus pilares assentes numa dimensão sonora eminentemente épica e orquestral. São composições detalhísticamente ricas em nuances, pormenores, sobreposições e encadeamentos, quase sempre guiadas por um cardápio de cordas geralmente com um timbre abrasivo e rugoso, mas também por um registo percussivo de forte travo jazzístico, ou seja, canções que exalam aquele habitual ambiente soturno que decalca um terreno auditivo muito confortável para Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia.

Assim, tomando como referência o típico universo radioheadiano, aquele rock mais cru e vigoroso que todos conhecemos e que a banda de Oxford replicou com enorme argúcia, em especial nos primeiros três discos da sua carreira, está exemplarmente representado em temas como We Don’t Know What Tomorrow Brings, um portentoso hino de synth rock para se escutar de punhos bem cerrados, mas também na elegância das distorções que acamam Skrting On The Surface, ou na abrasiva You Will Never Work In Television Again, composição que em pouco mais de três minutos nos inebria com um punk rock de elevadíssimo calibre, com guitarras ruidosas e um registo percurssivo frenético a acamarem a voz de Yorke que permanece intacta e pujante, mesmo após tantos anos. Na outra face da mesma moeda, ou seja, na herança mais sintética, ambiental e experimental, que começou a ganhar forma no início deste milénio com a mítica dupla Kid A e Amnesiac, cabem temas como Pana-vision, uma canção que nos proporciona um maravilhoso momento sonoro intimista e acolhedor, mas que depois resvala para uma pujante trama orquestral, sustentado pelas teclas do piano, adornadas, depois, com sopros sedutores e uma bateria de forte travo jazzístico, enquanto o típico falsete de Yorke, conduz o andamento do baixo, assim como em Free In The Knowdlege, música bastante reflexiva, íntima e sentimentalmente poderosa, talvez a que, em vinte e sete anos de The Bends, mais perto chegou à fronteira de Fake Plastic Treesmelodicamente assente numa belissima melodia de uma viola, que está sempre, ao longo dos quatro minutos e treze segundos que o tema dura, exemplarmente acompanhada por excelsos violinos e por diversos detalhes percussivos de forte travo jazzístico. Depois, e numa espécie de simbiose entre os dois pólos, temos o funk anguloso e vibrante de The Opposite e, num registo menos fulgurante, mas igualmente sensual, principalmente na beleza dos sopros, The Smoke, duas canções que encaixariam na perfeição no alinhamento do magistral In Rainbows, a hiperativa Thin Thing e a charmosa e melancólica Open The Floodgates. Estes são quatro exemplos de músicas que têm de modo mais ou menos declarado a eletrónica presente, mas sem abafar aquele bucolismo etéreo e introspetivo que, curiosamente, fica ainda mais vincado e realista quando conta com linhas de guitarra ligeiramente agudas e com uma bateria que parece, amiúde, rodar sobre si própria, tal é o seu grau de imediatismo e intuição, no modo como se cola às melodias e amplia o colorido das mesmas.

Disco muito desejado desde que se tornou pública a sua concretização, A Light For Attracting Attention é um álbum excitante e obrigatório, não só para todos os seguidores dos Radiohead, mas também para quem procura ser feliz à sombra do melhor indie rock atual, independentemente do seu espetro ou proveniência estilística. O alinhamento do registo contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica, materializando a feliz junção de três músicos que acabaram por agregar, no seu processo de criação, o modus operandi que mais os seduz neste momento e que, em simultâneo, melhor marcou a sua carreira, quer nos Radiohead, quer nos Sons Of Kemet. Surgiu, assim, um disco experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas, como tão bem prova a fabulosa e surpreendente Waving A White Flag, forte candidata ao pódio das mais bonitas canções de dois mil e vinte e dois. Espero que aprecies a sugestão...

The Smile 'A Light For Attracting Attention' Review

 

The Same

The Opposite

You Will Never Work In Television Again

Pana-vision

The Smoke

Speech Bubbles

Thin Thing

Open the Floodgates

Free in the Knowledge

A Hairdryer

Waving a White Flag

We Don’t Know What Tomorrow Brings

Skrting on the Surface

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 01:45

Interpol - Something Changed

Quarta-feira, 13.04.22

Quatro anos depois de Marauder e três do EP Fine Mess, os Interpol de Banks, Fogarino e Kessler, preparam-se para regressar aos discos com The Other Side Of Make-Believe, um registo que irá ver a luz do dia a quinze de julho próximo, com a chancela da Matador Records. Recordo que durante este período Paul Banks não deixou de estar ativo, porque ofereceu-nos o espetacular disco homónimo de estreia do projeto Muzz, que partilha com Matt Barrick dos The Walkmen e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman.

Interpol tease first single from seventh album with clip from new video

The Other Side Of Make-Believe será o sétimo disco da carreira da banda nova-iorquina e terá um alinhamento de onze canções. Delas começoiu por ser revelado, há alguns dias atrás, o tema Toni, a composição que abre o registo e agora chega a vez de conferirmos Something Changed.

Tal como sucedeu em Toni, tema em que pudemos apreciar o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, em Something Changed volta a fazer mossa aquele timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo, mas percebe-se que existe um cuidado por criar temas que tenham a componente melódica em declarado ponto se mira, como se os Interpol quisessem agora colocar rédea curta num rock que nunca deixou de ser sedutor, adulto e até charmoso, mas que passa a ser minuciosamente arquitetado, principalmente ao nível dos arranjos e da diversidade instrumental e alvo de um trabalho de produção irrepreensível.

Something Changed surge também na sequência do vídeo de Toni, ou seja, é a segunda parte de um filme dirigido por Van Alpert, que mostra uma coreografia incrível, à semelhança do que sucedeu no filme da primeira canção. Nela, segundo Paul Banks, a realidade e o devaneio convergem e os dois personagens principais encontram-se numa espécie de estado de sonho sendo perseguidos inexoravelmente por uma figura sinistra (interpretada pelo vocalista.) As vidas dos três estão entrelaçadas numa nebulosa de medo, retribuição, desejo e desafio. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:45

Interpol - Toni

Sexta-feira, 08.04.22

Quatro anos depois de Marauder e três do EP Fine Mess, os Interpol de Banks, Fogarino e Kessler, preparam-se para regressar aos discos com The Other Side Of Make-Believe, um registo que irá ver a luz do dia a quinze de julho próximo, com a chancela da Matador Records. Recordo que durante este período Paul Banks não deixou de estar ativo, porque ofereceu-nos o espetacular disco homónimo de estreia do projeto Muzz, que partilha com Matt Barrick dos The Walkmen e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman.

Interpol tease first single from seventh album with clip from new video

The Other Side Of Make-Believe será o sétimo disco da carreira da banda nova-iorquina e terá um alinhamento de onze canções e delas acaba de ser revelado o tema Toni, que é, por sinal, a composição que abre o registo.

Em Toni podemos apreciar o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É uma canção que contém uma controlada e íntima virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico, nuances que oferecem a Toni uma charme extraordinário.

Charme é também um adjetivo que se pode utilizar para qualificar o vídeo de Toni, a primeira parte de um filme dirigido por Van Alpert, que mostra uma coreografia incrível e cujo segundo tomo está já prometido para breve. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:42

White Lies – As I Try Not To Fall Apart

Sexta-feira, 01.04.22

As I Try Not To Fall Apart, um disco gravado nos estúdios Assault & Battery, no oeste de Londres e produzido por Ed Buler, é o título do sexto e novo disco dos White Lies, de Charles Cave, Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown. Esse novo registo do trio chegou aos escaparates recentemente e a sua audição tem colocado justificadamente em polvorosa os fãs da banda relativamente ao seu conteúdo, já que é, possivelmente, o melhor trabalho da carreira da banda britânica.

WHITE LIES share 'Blue Drift' the latest track from their forthcoming sixth  album, As I Try Not To Fall Apart | XS Noize | Online Music Magazine

Abordando questões como a saúde mental, a alienação e o narcisismo, As I Try Not To Fall Apart coloca os White Lies a explorarem com notável grau de impressionismo a herança do melhor indie rock dos anos oitenta, que olhava com gula para aquela faceta pop que a eletrónica dos anos setenta gerou e que, abraçando as guitarras, na década seguinte se cimentou.

É notável e marcante a forma como este trio exala esse cariz retro, transversal a praticamente todo o alinhamento do disco, e consegue, ao mesmo tempo, dotá-lo de uma ímpar contemporaneidadade. Além da ímpar majestosidade do tema homónimo, ou da inconsolável nostalgia da ode aos Simple Minds a que sabe Breathe, canções como Am I Really Going To Die, uma composição que reflete sobre o modo como uma pessoa supostamente importante e influente lida com um diagnóstico terminal, ou I Don't Want To Go To Mars, tema que disserta sobre uma personagem imaginária que tem de passar a viver num outro planeta e, em paralelo, reflete a vertigem atual que existe na comunidade científica sobre a exploração das possibilidades de habitar outros planetas e como isso se pode refletir no bem estar da humanidade, são canções que sonoramente apostam nesse elevado equilibrio entre os sintetizadores e teclados com timbres variados e o pulsar das guitarras, sempre em busca de uma toada que não olhe apenas para o óbvio comercial mais radiofónico, mas também para uma acolhedora face mais sombria e nostálgica. Depois, um registo percurssivo sempre bem marcado, quer pelo baixo, quer pela bateria, é mais uma nuance fundamental neste cimentar de uma filosofia sonora interpretativa que não encontra paralelo qualitativo no panorama indie britânico atual.

As I Try To Fall Apart é capaz de arrebatar um estádio inteiro ou o coração mais escondido, lá no canto mais aconchegante do teu quarto. O disco está encharcado com melodias simples mas aditivas, enriquecidas com vozes vigorosas cantadas com o habitual registo grave mas luminoso e que dá vida a letras que muitas vezes se socorrem da mesma métrica nas diferentes músicas.  As suas dez canções, amplamente influenciadas por uma sonoridade transversal a várias décadas, mas repletas de modernidade, criam as suas próprias personagens enquanto trabalham para resgatar, com sucesso, algo de novo no post punk. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:45

Fontaines D.C. – Skinty Fia

Segunda-feira, 28.03.22

Skinty Fia é o curioso título do novo disco dos irlandeses Fontaines D.C., que parecem verdadeiramente apostados em não colocar rédeas na sua veia criativa, estando a conseguir lançar um disco por ano, em média, e sem beliscarem a sua bitola qualitativa, desde que em dois mil e dezanove iniciaram uma fabulosa saga discográfica com Dogrel, que teve sequência no ano seguinte à boleia de A Hero’s Death, um dos grandes discos desse ano para a nossa redação.

Skinty Fia é o terceiro single do novo álbum de Fontaines D.C. | MHD

Skinty Fia, um palavrão irlandês atualmente com uma conotação mais diliuída e que faz referência a uma espécie de veado desse país já extinto, irá ver a luz do dia daqui a algumas semanas, mais concretamente a vinte e dois de abril e volta a contar com Dan Carey na produção.

Jackie Down The Line foi o primeiro single revelado de um alinhamento que terá dez temas, uma canção que nos impressionou pela versatilidade e variedade das cordas, sendo conduzida por uma espetacular linha de baixo, que acama uma melodia algo hipnótica e sombria e diversos arranjos percurssivos enleantes. Algum tempo depois foi possível escutarmos I Love You, uma canção com um título enganador, já que o seu conteúdo lírico é eminentemente político, pretendendo personificar ironicamente o ponto de vista de um bem sucedido irlandês que, de modo algo corrosivo, em forma de elogio fúnebre, se congratula com o país onde vive e o orgulho que sente no seu sucesso, mesmo que deite para trás das costas questões tão prementes como a atual política climática de quem o governa e a sua herança histórica.

Agora, na reta final do mês d março, é possível conferirmos o tema homónimo do disco, uma canção que versa sobre a adição ao álcool e às drogas e que impressiona, sonoramente, pela rudeza das guitarras e pelo vigor percussivo que a conduz, álem de um registo vocal interpretativo algo sinistro. O vídeo, assinado pelo realizador Hugh Mulhern, contém uma estética que obedece claramente à filosofia da composição. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:54

Bloc Party – Sex Magik

Sexta-feira, 04.03.22

Será a vinte e seis de abril e à boleia do consórcio infectious/BMG que chegará aos escaparates Alpha Games, o sexto e novo trabalho dos britânicos Bloc Party, uma banda londrina liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Kele Okereke e referência fundamental do indie rock alternativo do início deste século.

Bloc Party Get Nostalgic on Pulsating New Single 'Sex Magik' - Rolling Stone

Alpha Games chega seis anos depois de Hymns, foi produzido pela dupla Nick Launay e Adam Greenspan e depois de no passado mês de novembro termos tido a oportunidade conferir o primeiro single do disco, um tema intitulado Traps e que era uma explosão de pós punk, com apreciável crueza e espontaneidade instrumental, agora chega a vez de termos a oportunidade de escutar Sex Magik. Nesta canção Okereke debruça-se sobre um antigo relacionamento e sonoramente tem um saudável travo nostálgico encharcado com alguns dos melhores ingredientes de um punk rock de primeira água. Confere Sex Magik e a tracklist de Alpha Games...

1. Day Drinker
2. Traps
3. You Should Know the Truth
4. Callum Is a Snake
5. Rough Justice
6. The Girls Are Fighting
7. Of Things Yet to Come
8. Sex Magik
9. By Any Means Necessary
10. In Situ
11. If We Get Caught
12. The Peace Offering

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:19

Fugly - Mom

Sexta-feira, 25.02.22

Quase meia década depois do excelente Millenial Shit, os portuenses FUGLY estão de regresso aos lançamentos com um novo disco intitulado Dandruff, que irá ver a luz do dia a dezoito de Março com selo da portuense Saliva Diva. Recordo que os Fugly são liderados por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito.

Fugly antecipam novo disco com “Mom” - Threshold Magazine

Mom é um dos singles de Dandruff, cujo alinhamento tem sido desvendado já desde dois mil e vinte, uma canção rugosa, intensa e vibrante, assente numa desbravada e inquieta guitarra e num ritmo frenético com um inconfundível vigor punk, que, de acordo com a sua nota de lançamento, pretende ser uma carta de amor tipo carta de reclamação para as mães das crianças crescidas da sociedade sem salário no fim do mês. Objectivos diferentes, estradas mais aos “ésses” do que se quer, nas metas parecidas e cumpridas com distinção. Confere...

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCiA17QHA29eFaO0rg5p82Fg

Facebook: https://www.facebook.com/fuglyfuglyfugly/

Instagram: https://www.instagram.com/fuglyfuglyfugly/

Twitter: https://twitter.com/fuglyfuglyband

Bandcamp: https://fuglyfuglyfugly.bandcamp.com/

Spotify: https://open.spotify.com/artist/5CrUuS7NQvUeHwPFnzVKcS?si=xuqdMZa8RvKS5TNQzy40yQ

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:37






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 482


Disco da semana 152#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Julho 2022

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.