Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018

Idles - Joy As An Act Of Resistance

Já viu a luz do dia, através da Partisan Records, Joy As An Act Of Resistance, o tão aguardado sucessor de Brutalism, o extraordinário registo de estreia, editado em março do ano passado, dos Idles, considerados por muita crítica como a melhor banda punk inglesa da atualidade. Incubados em Bristol no início desta década e atualmente formados por Joe Talbot, Adam Devonshire, Mark Bowen, Lee Kiernan e Jon Beavis, os Idles são já um caso sério de popularidade e não só nas Ilhas Britânicas, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e de uma postura anti-sistema, muito plasmada nas canções deste novo álbum que abraçam temas como a imigração, o brexit, a vulnerabilidade das minorias, o sexismo e os nacionalismos. Aliás, Danny Nedelko, o primeiro single extraído de Joy As An Act Of Resistance, é uma homenagem a um amigo da banda, um imigrante de nacionalidade ucraniana, que é também o protagonista do vídeo do tema.

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Produzido por Space e misturado por Adam Greenspan & Nick Launay (Arcade Fire, Yeah Yeah Yeahs, Kate Bush), Joy As An Act of Resistance é um disco sonoramente enérgico e liricamente consistente, como se exige a registos que se debruçem sobre a contemporaneidade e que queiram abrir discussão com consistência e suscitar polémica. Logo em Colossus, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom grave da voz, percebemos esta duplicidade estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Idles têm a dizer, quase sempre com ironia e sarcasmo em questões tão sensíveis como a homofobia (Samaritans), o Brexit (Great), a extrema direita (I'm Scum) ou a imigração (Danny Nedelko), as temáticas principais do registo.

 A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde as guitarras de Mark Bowen e Lee Kiernan, o baixo de Adam Devonshire e a bateria de Jon Beavis conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de sons, ruídos, samples e arranjos calculado e onde sobressai, pela diferença, o intimismo da canção June, uma composição onde Talbot, o vocalista e princial letrista dos Idles, canta sobre uma filha sua que não chegou a nascer. É curioso constatar que esta exposição pessoal do músico, apesar de versar sobre uma temática diferente das questões sociais, acaba por entroncar na filosofia do registo, porque fá-lo com a mesma sinceridade e abertura com que aborda as outas questões que o disco atinge. O já referido tema Samaritans e Television são outras duas canções que, de algum modo, debruçando-se sobre questões mais sociais, também focam-se no individualismo e no sofrimento pessoal, uma abertura pessoal ao exterior que deve ser realçada e que demonstra também o já elevado nível de segurança e maturidade deste projeto.

Disco que impressiona pelo grau de proximidade que estabelece entre grupo e ouvintes (a última palavra que se ouve no disco é Unity), uma faceta dos Idles que tem sequência nos concertos que têm dado de promoção ao registo, Joy As An Act Of Resistance é uma portentosa explosão de imediatismo e de assertividade apaixonada por parte dos Idles relativamente às agruras que sentem na sociedade em que vivem, uma demonstração clara de que a música também pode ser um veículo privilegiado não só de contestação mas também de provocação no ouvinte, para que este também reflita sobre aquilo que ouve e se sinta motivado a passar à ação. O mundo em que vivemos hoje e o marasmo geral bem precisam de bandas como os Idles para que a agitação pacífica mas profunda aconteça e este álbum é uma excelente banda sonora para servir de ignição. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 15:40
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2018

Shame - Songs Of Praise

É com genuína mágoa que confesso ter sido já tardiamente que descobri Songs Of Praise, o disco de estreia dos britânicos Shame, um quinteto formado por Eddie Green, Charlie Forbes, Josh Finerty, Sean Coyle-Smith e Charlie Steen, oriundo dos arredores de Londres, abrigado pela chancela da Dead Oceans e que em dez canções oferece-nos um punk rock de primeira água, com um espetro identitário abrangente que, dos The Fall aos Stone Roses, passando pelos Buzzcocks, Ride, os Blur, os Primal Scream, os Joy Division e os mais contemporâneos Parquet Courts ou Interpol, encontra as suas origens no rock psicadélico setentista e no punk da década seguinte e que não renegando algumas caraterísticas essenciais do rock alternativo noventista, também não enjeita abraçar a herança nova iorquina que tentou salvar o rock no início deste século.

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Songs Of Praise foi um dos discos mais comentados pela crítica britânica no início deste ano e a publicação New Musical Express chegou mesmo a dar nota máxima (cem valores) ao seu conteúdo quando publicou a crítica do álbum, um valor incomum e que expressa, de certo modo, a ânsia que existe nesse mercado pela descoberta e posterior garantia de sobrevivência de projetos sonoros que fujam ao apelo radiofónico e que consigam também oferecer ao rock novos fôlegos e heróis. E de facto, para os amantes do género, Songs Of Praise é um disco que merece audição cuidada e que irá, certamente, tornar-se objeto de culto e de devoção durante algum tempo.

Realmente Songs Of Praise está repleto de instantes que impressionam e deliciam. No clima intuitivo e ao mesmo tempo imponente de Dust On Trial, no modo como a bateria e as guitarras se entrelaçam com o baixo em Concrete, no punk direto de Donk, na energia intiuitiva de Lampoon, na riqueza instrumental de Tasteless, canção que cita o lendário Bigby de Trainspotting ou na simplicidade melódica assustadoramente feliz de Friction, talvez os dois temas que melhor homenageiam a britpop no disco e, principalmente, no clima contemplativo e denso de Angie, uma canção que fala de um amor não correspondido que um adolescente sente por alguém que está prestes a suicidar-se, aborve-se até ao tutano uma obra repleta de méritos e de acertadas conexões criativas entre diferentes espetros de um mesmo universo sonoro, que abraça o lado mais negro do amor e as suas habituais agonias, mas também as dores e os medos de quem procura sobreviver nesta típica urbanidade ocidental cada vez mais decadente de valores e referências, a viver o brexit e social e politicamente cada vez mais crispada e bipolarizada.

Songs Of Praise é o reflexo contundente, seco e profuso de um rock de guitarras que emergiu para dias de infinita glória de um canto escuro dos subúrbios de uma problemática Londres e da sua zona sul em parte decadente, um rock que mostra sem medo as suas garras, um rock feito intuitivamente e que não quer dar concessões ao mainstream. Os seus autores são cinco jovens britânicos de gema, rudes e efervescentes, que parecem já ter o seu modus operandi presente e, devido a esta extraordinária estreia, brilhante, madura e refrescante, um futuro devidamente consolidado na primeira linha do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 14:54
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018

Interpol - Marauder

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já ofereceram aos escaparates Marauder, o novo disco desta banda nova iorquina liderada por Paul Banks. Marauder viu a luz do dia através da Matador Records e estão já agendadas algumas datas de uma extensa digressão para promover um registo que mantém este trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que têm replicado com elevado quilate. Esta trajetória leva já seis registos e ainda não é em Marauder que os Interpol largam aquele porto seguro onde Banks, Fogarino e Kessler atracaram um dia e que Dave Fridmann (Weezer, MGMT, The Flaming Lips, Tame Impala, Spoon), o produtor deste trabalho, parece ter sabiamente destrinçado, já que também não é ele que coloca em causa a herança identitária do trio, ao longo das treze canções do registo.

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Não é necessário escutar demasiados acordes de If You Really Love Nothing, o tema de abertura de Marauder, para se perceber essa evidência, à medida que iniciamos uma viagem alicerçada num Banks incisivo como sempre, nomeadamente no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário da banda, aquele timbre metálico que lançou os Interpol para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. Depois, mesmo que falte ao baixo aquele incisivo groove punk que os Interpol nunca mais mostraram desde que Carlos D abandonou a banda, Sam Fogarino cola, na bateria, todos os elementos acima referidos, com uma coerência exemplar. A receita repete-se em The Rover, mas de modo mais ritmado, um tema intenso e visceral, melodicamente bastante sedutor, um psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo que, não sendo uma cover do clássico dos Led Zepellin com o mesmo nome, como à partida muitos poderão pensar, não deixa de conter aquela virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição de Paul Banks, também caraterizava muitos instantes sonoros da carreira do grupo de Jimmy Page e Robert Plant.

Este prometedor arranque de Marauder não é defraudado nas canções seguintes, caso o ouvinte tenha ficado entusiasmado com o mesmo. O modo como a guitarra se insinua em Complications, à espera que as distorções cheguem e se aconcheguem, fora de tempo, aos tambores da bateria e o cerrar de punhos que somos convidados a fazer em Flight Of Fancy, um dos momentos maiores de Marauder, pelo modo como homenageia aquele rock sombrio e nostálgico mas que nos preenche a alma porque nos faz vibrar e pular sem que haja amanhã e o piscar de olhos quase abusador que os Interpol fazem a territórios mais psicadélicos e progressivos no groove de Stay In Touch, além de nos permitirem renovar aquele prazer, tantas vezes difícil de descrever, que eles sempre provocaram no nosso íntimo, são canções que servem como resposta eloquente por parte da banda a todos aqueles que já duvidavam das capacidades do grupo em se focar novamente no som que melhor os identifica e na temática lírica que exemplarmente sempre abordaram, relacionada com o lado mais complicado das relações, a frustração, o tal absurdo e uma faceta algo provocatória que nunca enjeitaram demonstrar.

Até ao ocaso de Marauder, na inquietude crescente de Mountain Child, uma canção que, em espiral, mantém-nos empolgados do início ao fim, no post punk de Nysman, na insinuante melancolia que transborda de Surveillance, no frenesim de Number 10 e na sensualidade algo enigmática de Party's Over, o tal timbre da guitarra tão caraterístico dos Interpol mantém-se convincente, imperial e não deixa que o trio caia na armadilha de se deixar enredar por novas tendências mais intrincadas pelas quais tantos colegas se enlearam com o objetivo de mostrarem novos caminhos e uma superior heterogeneidade, mas acabaram por se perder. Essa opção coerente é, a meu ver, bem sucedida porque mostra uma superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã exatamente aquilo que ele espera de um disco dos Interpol e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - Marauder

01. If You Really Love Nothing
02. The Rover
03. Complications
04. Flight Of Fancy
05. Stay In Touch
06. Interlude 1
07. Mountain Child
08. Nysmaw
09. Surveillance
10. Number 10
11. Party’s Over
12. Interlude 2
13. It Probably Matters


autor stipe07 às 22:04
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2018

Cloud Nothings – The Echo Of The World

Cloud Nothings - The Echo Of The World

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que parece ter finalmente sucessor. O próximo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e vai ver a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

O primeiro single divulgado de Last Building Burning é a quinta canção do seu alinhamento, um tema intitulado The Echo Of The World e que assentando em guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade, uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia. Há na canção uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade da canção acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Confere The Echo Of The World e o alinhamento de Last Building Burning...


autor stipe07 às 11:59
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2018

Confidence Man - Confident Music For Confident People

Foi a insuspeita Amplifire em parceria com a Heavenly Recordings quem teve a honra de colocar nos escaparates Confident Music For Confident People, o álbum de estreia de Confidence Man, um projeto sedeado em Melbourne, na Austrália e que está a dar muito que falar neste verão, sendo considerada uma das bandas mais desinibidas e dançantes que surgiu no universo sonoro indie e alternativo em dois mil e dezoito. Com uma abordagem animada e charmosa ao universo sonoro feito com aquele rock convincente que se mistura com uma eletrónica de apurado faro relativamente às tendências mais contemporâneas e que têm colocado em ponto de mira alguns dos melhores tiques da pop das últimas duas décadas do século passado, este é um disco cheio de groove, um trabalho discográfico perfeito para criar um ambiente festivo único e inédito tendo em conta o som que vai predominando nas pistas de dança atuais.

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Logo no clima incisivo e luminoso da batida e das nuances rítmicas e vocais de Try Your Luck fica expressa a sonoridade típica de um disco assente numa pafernália de instrumentos eletrónicos bastante heterogénea e peculiar. Os sintetizadores repletos de efeitos cósmicos e as baterias eletrónicas que debitam uma pafernália alargada de timbres, possibilitam-nos dançar de modo acelerado e enérgico em diversos universos míticos que marcam a história mais recente da música de dança. Por exemplo, se o clima punk de Don't You Know I'm In A Band consegue fazer-nos viajar até ao underground nova iorquino de dois mil e uns pozinhos e C.O.O.L. Party aos subúrbios de Brooklyn em plenos anos noventa, já o piano de Catch My Breath suspira por uma remistura efusiva no catálogo de Fatboy Slim, com Out Of The Window a levar-nos até à herança que resultou da onda de Manchester, liderada, no auge, pelos Primal Scream e Fascination a acentuar esse olhar anguloso sobre alguns dos melhores atributos que foram deixados pela britpop de pendor mais psicadélico há umas duas décadas atrás.

As canções de Confident Music For Confident People são, sem dúvida, uma imensa lufada de ar fresco no panorama musical do chamado eletropunk atual. Além de entrarem facilmente no goto e nas ancas chegam para semear discórdia e inquietar os nossos ouvidos. Os Confidence Man disparam ao longo das onze canções do alinhamento do registo, os seus gostos musicais em várias direcções, fazendo-o sem preconceitos nem compromissos, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, salpicada com a indispensável qualidade melódica e uma interessante dose de acessibilidade, dizendo-nos sem qualquer pudor que as pistas de dança podem também ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 15:12
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018

Huggs - Cocaine

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia, dos Ditch Days, que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

Foto de Huggs.

Os Huggs vão estrear-se nos lançamentos a vinte e um de setembro próximo com Did I Cut These Too Short?, um EP que é uma edição Cão da Garagem e que faz dos Huggs uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock e indie da actualidade. Gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda, desse registo ficámos a conhecer em plena primavera Take My Hand, canção também já com direito a um video realizado por Manuel Casanova, que trabalhou ao longo da carreira com bandas como os Comeback Kid, Japandroids ou os Hills Have Eyes. Agora, tres meses depois, chegou a vez de conferirmos Cocaine, mais um tema assente num rock acessível e bastante melódico, mais mais frenético e impulsivo que o tema anterior, uma filosofia sonora que contém, no geral, um charme vintage particularmente luminoso e apelativo. O vídeo de Cocaine também tem a assinatura de Miguel Casanova e mostra a banda a tocar o tema ao vivo. Confere este segundo single dos Huggs e as próximas datas ao vivo do projeto...

13 de Agosto: Festas do Barreiro, Barreiro

30 de Agosto: Indie Music Fest, Baltar

01 de Setembro: Gliding Barnacles, Figueira da Foz


autor stipe07 às 15:33
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Blueberries For Chemical - Live Agrival 2018

Com arraiais assentes em Penafiel e formados por Tiago Mota, Marcos Moreira, Filipe Mendes e Miguel Lopes, os Blueberries For Chemical andam por cá desde 2013 e já contam com algumas promissoras atuações ao vivo em carteira, que lhes conferem atualmente uma já sólida reputação no cenário musical alternativo local.

Como é natural, os Blueberries For Chemical pretendem dar-se a conhecer a um número cada vez maior de ouvintes e essas mesmas atuações ao vivo são, claramente, a melhor forma de atingir esse desiderato. Assim, é exatamente daqui a um mês, dia vinte e três de agosto, pelas vinte e duas horas, que os Blueberries For Chemical se apresentam ao vivo na próxima edição da Agrival, em Penafiel, para um concerto que se adivinha imperdível, até porque a banda vai jogar em casa. Do alinhamento desse espetáculo fará certamente parte So Come And Go Let's Go!, uma canção que explora territórios sonoros que olham o sol radioso de frente e enfrentam-no com uma percussão vigorosa e compassada, o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho e com uma intensa vertente experimental, uma composição onde um rock com um espetro que pode ir do punk a territórios mais progressivos é dedilhado e eletrificado com particular mestria. Fica a sugestão...

 


autor stipe07 às 14:23
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Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Linda Martini - É só uma canção vs Quase se fez uma casa

Os Linda Martini de André Henriques (Voz e Guitarra), Cláudia Guerreiro (Baixo e Voz), Hélio Morais (Bateria e Voz) e Pedro Geraldes (Guitarra e Voz), continuam a retirar dividendos do excelente homónimo que editaram recentemente e que os catapultou, definitivamente e com toda a justiça, para o pódio dos melhores projetos de indie rock alternativo nacionais da atualidade.

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Sucessor do aclamado Sirumba, editado em dois mil e dezasseis, Linda Martini foi gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, com produção da própria banda e Santi Garcia e com todos os detalhes pensados até ao mais ínfimo pormenor. Por exemplo, o retrato a óleo da capa é a rapariga italiana a quem a banda pediu emprestado o nome no início do século, quando o projeto surgiu e o seu conteúdo sonoro não pretende ser uma mera continuidade da sonoridade habitual, mas antes uma fuga da zona de conforto, com um equilíbrio cada vez maior de elementos como o ritmo, a melancolia e o intimismo, relativamente não só ao antecessor, mas também a todo o cardápio do projeto, que conta já com seis tomos.

Em suma, os Linda Martini de hoje podem ser Rock e Fado, Fugazi e Variações, Fela Kuti e Afrobeat, Tim Maia e Funk, sem nunca soarem a outra coisa que não eles e são poucas as bandas que, remexendo e criando desconforto à primeira audição, conseguem depois, da harmonia ao caos, do balanço lânguido às cavalgadas épicas, soarem harmoniosos e profundamente cativantes.

Para espalhar ainda mais a sua doutrina, os Linda Martini acabam de retirar de Linda Martini dois singles e em simultâneo, os temas É só uma canção e Quase se fez uma casa. De acordo com o press release do lançamento, neste duplo videoclip, o grupo abre com É só uma canção, composição que nos fala sobre o peso da maldita folha em branco. São eles a contornar o que já fizeram, a contrariar rotinas para descobrirem outro ângulo e em Quase se fez uma casa, o segundo filme, amachucam o rascunho para que nada fique de pé. Peritos em adocicar a tragédia, a amargar-nos a felicidade, entram num jogo de tensão e libertação; um workshop de gestão de raiva do qual todos saíram ilesos e um pouco mais leves. Confere...


autor stipe07 às 09:40
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Sábado, 16 de Junho de 2018

Hooded Fang – Dynasty House EP

Já chegou aos escaparates à boleia da DAPS Records Dinasty House, o novo EP dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta, ao punk setentista, passando pelo rock experimental e de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais alternativo. Este EP sucede ao aclamado álbum Venus On Edge, editado há pouco mais de dois anos, um alinhamento que chamou ainda mais a atenção da crítica para o grupo e com temas que chegaram a fazer parte da banda sonora de vários anúncios comerciais em televisões europeias e em programas de televisão norte-americanos, tais como The Flash, Parenthood e CSI New York.

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Este quarteto tem vindo a apresentar, registo após registo, um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Nene Of The Light, o single entretanto extraído de Dinasty House, é uma boa amostra desta evolução e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam um trabalho exploratório que tem feito sempre parte do adn dos Hooded Fang que, sem colocarem de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, usam uma impressiva veia experimentalista para piscarem com cada vez maior confiança o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.

Embrenhamo-nos corajosamente em Dinasty House e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Mama Pearl vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção metálica e as insinuantes cadências rítmicas de Queen Of Agusan Del Norte e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento punk de Sister And Suns, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, já merecedores de uma posição de relevo na esfera indie punk rock internacional

Os Hooded Fang são canadianos, mas é o rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva que se torna no verdadeiro cavalo de batalha do seu som, montado numa crueza lo fi e rugosa, muitas vezs algo inquietante, mas sempre sedutora, até porque este verdadeiro caldeirão insinuante de ruído é ordenado e feito com propósito, num grupo que, lançamento após lançamento, tem aperfeiçoado a sua linguagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

Hooded Fang - Dynasty House

01. Queen Of Agusan Del Norte
02. Sister And Suns
03. Nene Of The Light
04. Paramaribo Prince
05. Doñamelia
06. Mama Pearl


autor stipe07 às 12:05
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2018

We Are Scientists - Megaplex

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists viu a luz do dia a vinte e sete de abril através da Grönland Records e foi produzido por Max Hart.

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Escuta-se os últimos discos dos We Are Scientists e a sensação que muitas vezes fica é que estamos na presença de uma daquelas bandas que não quer ser levada muito a sério. Não indo mais longe, basta pensar no antecessor deste Megaplex, o disco Helter Seltzer, título que resultou de um trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter, para ficar expressa a habitual boa disposição de uma banda que, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

Sendo assim, uma das primeiras impresões que fica após a audição deste portento sonoro chamado Megaplex é que a habitual banda sonora destes We Are Scientists firmada no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos e carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que aqui, em canções como Notes In A Bottle ou a rugosa Your Heart Has Changed se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto, não foi colocado inteiramente de parte, mas houve, desta vez uma clara preocupação em olhar para uma faceta mais synthpop e até retro, como demonstram, desde logo, os sintetizadores e a toada épica de forte cariz oitocentista de One In One Out. Para que esta opção resultasse de modo tão eficaz houve certamente uma elevada dose de responsabilidade do produtor Max Hart, que orientou um trabalho de produção e mistura que não descurou quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabaram por adornar e dar mais brilho e cor à maioria das composições. Lá mais para o meio do disco, em No Wait At Five Leaves, esta abordagem mais sintética ganha ainda um maior fulgor ao encostar-se a alguns tiques do punk nova iorquino de início deste século, com os Interpol a serem, quanto a mim, uma influência declarada não só neste tema mas em outros momentos de Megaplex.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem, reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de composições que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo e que perceberão certamente o grau de inedetismo deste Megaplex. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:15
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