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Cage The Elephant – Metaverse

Sábado, 11.05.24

Cinco anos depois de Social Cues, os norte americanos Cage The Elephant, de Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo), Nick Bockrath (guitarra) e Matthan Minster (teclados), estão finalmente de regresso com um novo disco intitulado Neon Pill. Este novo alinhamento de doze canções do projeto natural de Bowling Green, no Kentucky, foi gravado nos Texas, produzido por John Hill e irá ver a luz do dia a dezassete de maio, com a chancela da RCA Records.

Cage the Elephant Tease That Next Album Is Done | Billboard

Já foram extraídos vários singles do alinhamento de Neon Pill, tendo a saga tido início em janeiro deste ano com a divulgação do tema que dá nome ao disco e que foi dissecado na nossa redação. Depois disso, as composições Out Loud e Good Time já mereceram o mesmo destaque, chegando agora a vez de escutarmos Metaverse, a quinta composição do alinhamento de Neon Pill.

Metaverse é um tema rápido, cru e incisivo, um intratável tratado de punk rock feito com guitarras explosivas e com um fuzz abrasivo que não deixa ninguém indiferente, um baixo e uma bateria exemplarmente interligados e tremendamente encorpados, em suma, um festim sonoro explosivo que nos suga para uma espécie de centrifugadora psicadélica, que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual e nos faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:26

GRMLN – Apocalypse

Quinta-feira, 09.05.24

O projeto GRMLN, encabeçado pelo artista Yoodoo Park, nascido em Quioto, no Japão, mas a residir em Orange County, no sul da Califórnia, está de regresso aos discos em dois mil e vinte e quatro com um registo intitulado New World, que irá ver a luz do dia a vinte e sete de junho próximo, com a chancela da Carpark Records.

Temos dado conta dos singles que têm sido retirados do alinhamento de New World. Essa demanda começou em meados de fevereiro com Yoko, uma canção fervorosa e emocionalmente intensa. Depois, nos últimos dias de março, conferimos Yr Friend, a quarta composição do alinhamento de New World, uma canção rápida e incisiva no modo como replicava uma espécie de indie surf punk rock, numa espécie de mescla entre as heranças de bandas como os Wavves ou os The Strokes.

Agora chega a vez de escutarmos Apocalypse, a canção que encerra o alinhamento de onze canções de New World. É um tema que mantém a filosofia sonora dos singles anteriores, mas fá-lo de um modo ainda mais rugoso e imponente. Apocalypse assenta em guitarras abrasivas e uma bateria intensa, num resultado final com um irrepreensível travo noventista, atingido com astúcia, grandiosidade e luminosidade. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:49

Orlando Weeks – Dig (feat. Rhian Teasdale)

Quarta-feira, 08.05.24

Vocalista e membro fundador dos londrinos The Maccabees, Orlando Weeks tem também apostado na lançamento de uma carreira a solo que promete vir a ser promissora, tendo em conta as canções que já revelou e que têm a sua própria assinatura. A mais recente chama-se Dig, composição que teve uma primeira versão gravada em fevereiro do ano passado, nos estúdios Chale Abbey Studios, situados na ilha de Wight, com a ajuda dos músicos William Doyle, Luca Caruso, Sami El-Enany e Alexander Painter.

Orlando Weeks shares debut solo single 'Safe In Sound' • News • DIY Magazine

Quando Orlando Weeks gravou essa primeira versão de Dig, afirmou, logo nessa altura, que o tema iria ter direito a uma versão em formato dueto, algo que acontece agora, pouco mais de um ano depois, com a ajuda de Rhian Teasdale uma das duas metades da dupla Wet Leg. O resultado final é estrondoso, em quase três minutos assentes num clima punk que pisa um terreno bastante experimental, através de uma lisergia cósmica repleta de têmpora e invulgarmente pop, feita com sintetizações pulsantes e uma batida de forte travo disco, criando um ambiente sonoro que nos remete para aquele universo setentista algo corrosivo e exótico.

Dig é o primeiro avanço revelado do novo álbum de Orlando Weeks intitulado LOJA, que irá ver a luz do dia a seis de junho e que é inspirado num pequeno estabelecimento comercial que o músico possui em Lisboa. Cada tema de LOJA terá direito a uma ilustração concebida pelo próprio músico e o vídeo de Dig tem a assinatura de Matt Harris Freeth, mostrando uma sequência cinematográfica a preto e branco protagonizada por Weeks e por Teasdale, que vão juntos em busca de um tesouro em forma de coração. Confere Dig, o artwork do single e o artwork e a tracklist de LOJA...

Orlando-Weeks-Dig.jpg

Orlando Weeks - Loja

Longing
Best Night
Wake Up
Dig (Ft. Rhian Teasdale)
You & The Packhorse Blues
Good To See You
My Love Is (Daylight Saving)
Please Hold
Sorry Lyrics
Tomorrow Lyrics
Beautiful Place

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publicado por stipe07 às 16:46

Hallelujah The Hills – Here Goes Nothing (Feat. Titus Andronicus)

Quinta-feira, 02.05.24

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em dois mil e cinco por Ryan Walsh, ao qual se juntam atualmente, na formação, Elio DeLuca, Joe Marrett, Matt Brown, Eric Meyer, Brian Rutledge, Ryan Connelly. Estrearam-se em dois mil e dezassete com Collective Psychsis Begone, dois anos depois o sempre difícil segundo disco chamou-se Colonial Drones e chamaram a atenção da nossa redação em dois mil e doze com o registo No One Knows What Happens Next, um álbum que teve sucessor no dia treze de maio de dois mil e catorze, um trabalho intitulado Have You Ever Done Something Evil?, que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago e que também foi dissecado por cá.

Titus Andronicus' Patrick Stickles Guests On Hallelujah The Hills' "Here  Goes Nothing"

Agora, uma década depois dessa última aparição dos Hallelujah The Hills na nossa redação, a banda está de regresso ao nosso radar devido a Here Goes Nothing, um novo tema da banda que conta com a participação especial vocal de Patrick Stickles aka Titus Andronicus e que encarna a mais recente contribuição do grupo para o seu projeto DECK, um compêndio de cinquenta e duas canções que irão dar origem a quatro álbuns, com cada tema a corresponder a uma carta de um baralho convencional.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em composições que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, temas que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rock, pós punk e rock clássico.

Here Goes Nothing é um bom exemplo desse modus operandi, uma canção que incorpora uma sonoridade crua e rápida, assente na pujança da bateria e do baixo e em cordas inspiradas nesse cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas que também não descuram o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk, sem renegar algumas nuances mais psicadélicas. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:24

Fontaines D.C. – Starburster

Terça-feira, 23.04.24

Dois anos depois de Skinty Fia, o curioso título do disco que os irlandeses Fontaines D.C. lançaram na primavera de dois mil e vinte e dois, a banda formada pelo vocalista Grian Chatten, os guitarristas Carlos O’Connell e Conor Curley, o baixista Conor Deegan, o contrabaixista Conor Deegan III no contra-baixo e o baterista Tom Coll, parece verdadeiramente apostada em não colocar rédeas na sua veia criativa, tendo acabado de anunciar o regresso ao formato longa-duração, à boleia de Romance, um alinhamento de onze canções que irá ver a luz do dia a vinte e três de agosto, com a chancela da XL Recordings, a nova etiqueta do grupo.

Fontaines D.C. announce 4th album 'Romance' with new single 'Starburster' —  THE INDIE SCENE

Starbuster, o segundo tema do alinhamento de Romance, é o primeiro single retirado do disco. A canção é inspirada num ataque de pânico que Chatten viveu na famosa estação ferroviária londrina St. Pancras e tem uma sonoridade algo sinistra e inquietante. Um trecho de violinos e um piano fugídio introduzem um desfile sonoro encorpado e vigoroso, feito de guitarras sujas e abrasivas e um baixo tremendamente encorpado, com o rap a ser a inspiração do registo vocal de Chatten, nuance à qual não deverá ser alheia a colaboração que o músico encetou com o trio de hip-hop Kneecap, numa canção intitulada Better Way To Live, lançada no último outono. Confere o vídeo de Starburster dirigido por Aube Perrie e o artwork e a tracklist de Romance...

Romance
Starburster
Here’s The Thing
Desire
In The Modern World
Bug
Motorcycle Boy
Sundowner
Horseness Is The Whatness
Death Kink
Favourite

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publicado por stipe07 às 16:46

Vampire Weekend – Only God Was Above Us

Sexta-feira, 05.04.24

Cerca de meia década depois do excelente Father Of The Bride, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, estão de regresso aos discos com Only God Was Above Us, o quinto compêndio da carreira do grupo de Nova Iorque. Only God Was Above Us tem dez canções produzidas por Ariel Rechtshaid, habitual colaborador da banda e viu a luz do dia hoje mesmo, com a chancela da Columbia Records.

Album Review: Vampire Weekend reach fond heights in Only God Was Above Us  (2024 LP) - The AU Review

Ao quinto disco da carreira, os Vampire Weekend resolvem homenagear figuras e eventos importantes da história de Nova Iorque, a sua cidade natal, das duas décadas finais do século passado, enquanto apresentam o disco mais eclético e abrangentedo seu catálogo. O trio sempre enriqueceu o seu cardápio à custa de canções divididas entre um travo afro e o rock alternativo, bastante impresso no disco homónimo de estreia, de dois mil e dezoito, um modus operandi que com Contra e nos anteriores Modern Vampires Of The City e Father Of The Bride, também evoluiu para sonoridades mais maduras e experimentais, mas Only God Was Above Us, sem deixar de apostar nesta lógica de continuidade evolutiva, apresenta elementos inéditos que beliscam universos tão díspares como o hip-hop ou o punk rock, comprovando esta busca de uma ainda maior heterogeneidade e complexidade para o cardápio do grupo.

De facto, logo que foram conhecidas as composições Capricorn e Gen-X Cops , percebeu-se que os Vampire Weekend estavam a apostar numa tonalidade mais rugosa e crua do que as propostas anteriores, mas sem colocarem de lado a minúcia ao nível dos detalhes e dos arranjos que sempre caraterizou o arquétipo sonoro das canções do projeto. Depois, quando escutámos Classical, mesmo havendo uma maior preponderância, ao nível dos arranjos, das teclas e dos sopros, não amainou essa tónica num registo sonoro exuberante e ruidoso e instrumentalmente rico e diversificado.

Seja como for, a herança riquíssima da banda e o fio condutor com o seu catálogo não podia deixar de existir. De facto, canções como Mary Boone, composição que coloca todas as fichas numa mescla entre um clima intimista comandado pelo piano e um refrão encharcado em exuberância e cor, sensações proporcionadas por um coro gospel e diversos entalhes percussivos, onde não falta um sample do loop de bateria do clássico dos Soul II Soul, Back To Life (However Do You Want Me) e Ice Cream Piano, um bem suceiddo exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e, enquanto tema perfeito de abertura, nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, são excelentes exemplos de um adn sempre radiante e que também se explica pelo modo peculiar e sempre criativo como interseta toda a amálgama instrumental de que o trio se serve quando entra em estúdio, seja orgânica, seja sintética. Depois, se Connect nos oferece um planante e charmoso exercício rítmico que divide o protagonismo entre piano e bateria, na busca de um universo simultaneamente intrincado e lisérgico, Prep-School Gangsters acaba por ser a canção que melhor condensa todo este receituário, no modo como cruza uma guitarra elétrica buliçosa com batidas e ritmos com funk e com um travo tropical delicioso, com alguns dos arquétipos essenciais do rock psicadélico setentista, rematados por detalhes de cordas de forte indole orgânica.

Com um travo geral com um forte travo classicista, charmoso e sentimentalmente tocante, Only God Was Above Us divide-se constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, enquanto se entrega, de forma experimental e criativa, à busca incessante de melodias com um forte cariz pop e radiofónico, mas sem deixarem de piscar o olho aquele universo underground e mais alternativo que sempre serviu de inspiração aos Vampire Weekend e que acabou por ser um elemento chave para conseguirem criar mais um brilhante naipe de canões que amplifica ainda mais a notoriedade que já hoje os distingue. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:24

GRMLN – Yr Friend

Sexta-feira, 29.03.24

O projeto GRMLN, encabeçado pelo artista Yoodoo Park, nascido em Quioto, no Japão, mas a residir em Orange County, no sul da Califórnia, está de regresso aos discos em dois mil e vinte e quatro com um registo intitulado New World, que irá ver a luz do dia a vinte e sete de junho próximo, com a chancela da Carpark Records.

GRMLN's Yoodoo Park: “I want to make as much as I can while I'm alive”

Em meados de fevereiro divulgámos Yoko, o primeiro single revelado do alinhamento de New World, uma canção fervorosa e emocionalmente intensa. Agora chega a vez de conferirmos Yr Friend, a quarta composição do alinhamento de New World. Trata-se de uma canção rápida e incisiva no modo como replica uma espécie de indie surf punk rock, assente em guitarras abrasivas e uma bateria intensa, numa espécie de mescla entre as heranças de bandas como os Wavves ou os The Strokes. Confere...

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publicado por stipe07 às 19:00

Black Rebel Motorcycle Club – Black Tape EP

Quarta-feira, 07.02.24

Cinco anos depois de Wrong Creatures, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com novidades, um EP com quatro canções intitulado Black Tape, que ainda retira dividendos daquele que foi o oitavo disco da carreira de uma banda com mais de década e meia de carreira e que se estreou em dois mil e um com um extraordinário homónimo, cujo conteúdo fez destes músicos de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

El regreso de Black Rebel Motorcycle Club: escucha su nuevo EP «The Black  Tape» – Nación Rock

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e ofereceu-nos uns Black Rebel Motorcycle Club cientes não só do mundo em que vivem e das várias transformações que foram sucedendo nos últimos vinte e cinco anos, mas também das alterações estilísticas e de formação que moldaram a sobrevivência e o próprio crescimento de um projeto que se abastece de um espetro sonoro muito específico e com caraterísticas bastante vincadas. As quatro canções de Black Tape EP foram incubadas durante o processo de gravação do registo e, tendo ficado de fora do seu alinhamento, ganham agora protagonismo enquanto servem para nos recordar que os Black Rebel Motorcycle Club continuam bem vivos e em excelente forma.

De facto, logo com a toada lasciva e provocante de Bad Rabbit e o fuzz rugoso e cerrado de Bandung Hum, somos colocados bem no epicentro de um adn que também contém impressivos traços de post punk e blues e que, abraçando igualmente o noise rock, plasma uma simbiose perfeita entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah. São duas canções extraordinárias e que, reafirmando a interação brilhante entre estes três músicos, comprovam o indesmentível travo de diversidade e de perspicácia melódica e instrumental que sempre definiu o percurso dos Black Rebel Motorcycle Club, dentro dos limites bem definidos da filosofia sonora que os anima.

Depois do ruído incisivo e direto de Running In The Red (Messy) nos mostrar um perfil mais garageiro, Black Tape EP remata com uma versão longa e ainda mais experimental do tema DFF (For Those Who Can’t) que abria o alinhamento de Wrong Creatures. Recordo que DFF (For Those Who Can’t) era um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e uma percurssão com uma cadência crescente e neste EP acaba por se tornar numa excelente opção para o ocaso do alinhamento, na medida em que ajuda a sossegar os ânimos saudavelmente atiçados pelas três composições anteriores.

Black Tape EP é, em suma, um suplemento vitamínico bastante anguloso do conteúdo de Wrong Creatures que, fazendo-nos suspirar por um novo álbum do grupo, oferece-nos uns Black Rebel Motorcycle Club dentro da sua verdadeira essência, um projeto criador de canções assumidamente introspetivas, nebulosas e viscerais, que além de se debruçarem sobre o quotidiano, preocupam-se, estilisticamente, em colocar o puro rock negro e pesado em plano de assumido destaque. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 17:54

SPRINTS - Letter To Self

Segunda-feira, 08.01.24

Formados em dois mil e dezanove, os irlandeses SPRINTS de Karla Chubb (vocalista), Colm O’Reilly (guitarrista), Jack Callan (baterista) e Sam McCann (baixista), são uma das grandes sensações deste já vertiginoso início sonoro de dois mil e vinte e quatro. Sedeados em Dublin, apostam num indie rock incisivo, cru e imponente, à sombra de um catálogo interessante de influências que abraçam os cânones essenciais do grunge, do garage e do gótico, estilos que se cruzam e se mesclam sem receios nas suas criações sonoras, nomeadamente num alinhamento de onze canções intitulado Letter To Self, produzido por Daniel Fox e que viu a luz do dia por estes dias, com a chancela da City Slang.

Sprints: Letter to Self review — the explosive Irish band join a thriving  scene

Cada vez é mais difícil escutar um disco e sermos, no imediato, trespassados pelo seu conteúdo e tal suceder sem apelo nem agravo. Letter To Self é um forte, seco e contundente murro no estômago, um registo que nos recorda que a música ainda consegue surpreender e que ainda há esperança para quem já não acredita que é possível agitar as águas com algo de sustancialmente diferente do que o habitual e, melhor do que isso, inovador. Os SPRINTS não inventaram nenhuma fórmula nova, não descobriram a pólvora, como se costuma dizer, mas constate-se, em abono da verdade, que foram tremendamente eficazes no modo como sugaram para o seu âmago um leque de influências bem delineado e, dando-lhe um cunho pessoal que se transformou rapidamente em adn indistinto, criaram, logo na estreia, uma verdadeira obra-prima, porque é disso que Letter To Self se trata.

Logo a abrir o disco, na guitarra abrasiva e no modo como a bateria cresce em Ticking até à explosão eufórica rebarbada que é depois afagada pela voz de Karla, fica explícita a cartilha destes SPRINTS. Depois, em Heavy, com um ímpeto de imediatismo e de urgência indisfarçáveis e nos braços de uma melodia algo hipnótica e sombria, torna-se ainda mais óbvio o receituário que nos é aplicado, atingindo terrenos algo progressivos em Cathedrals, um festim punk que racha de alto a baixo qualquer convenção ou alicerce. Shaking Their Hands ainda tenta, sem sucesso felizmente, afagar um pouco a toada, através de um clima mais íntimo e clemente, mas o hino de estádio Can't Get Enough Of It, o travo psicadélico de Adore Adore Adore e, principalmente, o modo principesco como em A Wreck (A Mess) e Up And Comer o ruído torna-se sinónimo de coerência, enquanto estabelece uma relação íntima conosco que preenche, esclarecem-nos que este naipe de composições foi pensado para satisfazer até à exaustão a ânsia de todos aqueles que procuram projetos sonoros que fujam ao apelo radiofónico e que, simultaneamente, ofereçam ao rock novos fôlegos e heróis.

Neste disco ímpar, fabuloso, potente e visceral, o modus operandi é, portanto, coerente, claro, incisivo e explicito; Canção após canção é a guitarra que dá o mote, depois a bateria vai ao encontro dela, chocando os dois, muitas vezes, de frente e o baixo faz depois o trabalho sujo de contrabalançar e impôr ordem nessa luta satânica, mas que nunca se mostra desigual, entre cordas e baquetas. Em resultado disso, crueza, vigor, monumentalidade e destreza interpretativa andam sempre de mãos dadas, em quase quarenta minutos que se escutam, como tem que ser, com os punhos cerrados, o queixo altivo e as ancas desgovernadas. A energia e a vibração são constantes e enquanto isso sucede, exorcizamos demónios, enfrentamos os nossos medos e atiramos para trás das costas as nossas hesitações, gritando letras que falam das agruras típicas de quem entra na vida adulta e nem sempre sabe como lidar com os dilemas do amor, o peso da desilusão, as angústias do amanhã ou as marcas que o ontem nos deixou e que teimam em não passar.

Letter To Self é um disco que seduz, instiga e maravilha pela crueza e pela espontaneidade do rock que exala e que contendo aspetos identitários deslumbrantes de todo o espetro sonoro acima identificado, agrega-os com enorme mestria, ao mesmo tempo que define o adn de uma banda que vai ser, apostamos, referência e inspiração para outras. E quando esse patamar se atinge, um pódio ao alcance de poucos, mas que os SPRINTS já ocupam, estamos, obviamente, na presença de uma referência incontornável do indie rock atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:01

EELS – EELS So Good: Essential EELS, Vol. 2 (2007-2020)

Sexta-feira, 15.12.23

Quase dois anos depois do excelente registo Extreme Witchcraft, os Eels de E. (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo acharam que era altura de voltar a fazer um novo balanço da sua discografia, materializado em EELS So Good: Essential EELS, Vol. 2 (2007-2020), um alinhamento de vinte canções que, conforme o título indica, em pouco mais de setenta minutos revisita alguns dos momentos maiores dos oito discos que o grupo lançou entre dois mil e sete e dois mil e vinte.

Eels: Eels So Good - Essential Eels Vol. 2 (2007-2020) | SOUNDS & BOOKS

O hiato temporal a que se refere EELS So Good: Essential EELS, Vol. 2 (2007-2020), justifica-se porque os Eels já tinham lançado um tomo semelhante de canções em 2007, intitulado EELS So Good: Essential EELS, Vol. 1 (1996-2006), compilação que sumariou os destaques dos primeiros seis discos do grupo californiano.

Se o período inicial dos Eels foi, talvez, o mais interessante e criativo do grupo, a segunda fase da carreira da banda também teve vários momentos altos, com discos como Extreme Witchcraft e, a espaços, Earth To Dora, a abordarem aquele punk rock direto, abrasivo e contundente que, na primeira fase da banda, teve em Souljacker o momento maior, mas também com álbuns do calibre de End Times, a oferecerem-nos aquela folk intimista e melancólica, que só está ao alcance dos melhores cantuatores.

De facto, um dos grandes trunfos dos Eels, liderados por um Mr. E sempre enigmático, reflexivo, abrasivo e disposto a mostrar porque tem nos Beatles a sua inspiração maior, é, realmente, o elevado grau de ecletismo e a capacidade que este projeto com três décadas de existência sempre teve de se reinventar e de lançar, em cada álbum, mais achas para uma fogueira sonora que, da alt-pop, ao folk, passando pelo punk e o melhor rock alternativo, sempre sobreviveu, no seu âmago, à sombra das superiores capacidades interpretativas dos músicos que abraçaram Mr. E e fizeram desta banda um projeto sempre fresco e atual e, em cada trabalho, com a mala cheia de novas canções impecáveis para sobressairem em mais um punhado de grandes concertos, uma das faces essenciais do sucesso deste grupo.

EELS – EELS So Good: Essential EELS, Vol. 2 (2007-2020) é, em suma, um documento fundamental para todos os amantes de uma banda que acaba por ser, diga-se, o tubo de escape de uma existência conturbada e inusitada de Mark Everett, um músico que usa óculos desde que foi atingido por um laser num concerto dos The Who nos anos oitenta e que viveu a sua vida sempre habituado a conviver com a tragédia na sua vida pessoal e a superar eventos nefastos. Tudo começou em mil novecentos e oitenta e dois com a morte por ataque cardíaco do pai, o famoso físico Hugh Everett, na altura profundamente deprimido por nunca ter conseguido que a sua teoria sobre física quântica fosse aceite no meio científico. Década e meia depois aconteceu o suícidio da irmã Elizabeth em mil novecentos e noventa e seis e a partida da sua mãe, Nancy Everett, devido a um cancro, meses antes do lançamento do espetacular registo Electro-Shock Blues, (1998), disco que se debruça de modo particularmente impressivo sobre esta espiral de eventos marcantes da vida de Mr E., que ainda teve mais um capítulo no onze de setembro de dois mil e um, quando num dos aviões que foi desviado contra o Pentágono seguia a sua prima Jennifer Lewis Gore. Mesmo que muitas destas canções tenham sido incubadas na ressaca de mais algum revés na vida pessoal de Everett, com algumas chagas do seu segundo divórcio ainda muito vivas nesta segunda fase da carreira dos Eels, a maior parte destes vinte temas são, claramente, composições felizes e empolgantes e que mantêm bem viva a aúrea de um grupo essencial no momento de contar a história do melhor rock alternativo das últimas três décadas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:42






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