Domingo, 24 de Maio de 2020

Amusement Parks On Fire – Thankyou Violin Radiopunk

Nascido em dois mil e quatro através da mente brilhante de Michael Feerick, Amusement Parks On Fire começou por ser um projeto a solo deste músico e compositor, que escreveu e tocou todas as composições do registo homónimo de estreia, editado nesse mesmo ano, um trabalho que teve a chancela da conceituada Invada Records, etiqueta pertencente a Geoff Barrow dos Portishead. Pouco tempo depois, juntaram-se a Michael, Daniel Knowles (guitarra), Pete Dale (bateria), Jez Cox (baixo) e John Sampson (teclados e samples) e a banda mudou-se para a V2 Records, começando a gravar, em dois mil e cinco, em vários estudios britânicos e no estúdios islandeses Sundlaugin, pertencentes aos Sigur Rós, Out Of The Angeles, o sempre difícil segundo disco, um trabalho que ampliou o interesse da crítica especializada por este segredo bem guardado e que lhes valeu uma extensa digressão pela Europa, mas também no outro lado do atlântico.

Thankyou Violin Radiopunk | Amusement Parks On Fire

Com tão promissor pontapé de saída e com uma excelente dose dupla no catálogo, em dois mil e seis os Amusement Parks On Fire, já com Gavin Poole (baixo) e Joe Hardy (teclados e guitarra) na equipa, tocaram pela primeira vez no Japão, na edição desse ano do Summer Sonic Festival e ampliaram a sua discografia, no final dessa década, com uma série de EPs, que clarificaram ainda mais o adn de um projeto que navega nas ágas turvas do rock experimental de forte cariz lisérigco, com uma elevada toada shoegaze e um salutar grau de epicidade, uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

É exatamente isso que nos oferece, cerca de década e meia depois desse belíssimo início de carreira, Thankyou Violin Radiopunk, o novo disco dos Amusement Parks On Fire, uma belíssima coleção de oito canções, com um imparável travo orgânico, dominadas por cordas que, quer estejam eletrificadas ou não, replicam um delicioso timbre metálico e posicionam-se sempre na linha da frente do processo de construção melódica das canções. O modo como em Firth Of Third essas cordas vão recebendo, no seu regaço, lentamente e à vez, bateria, baixo e alguns efeitos subtis, é um extraordinário exemplo deste modus operandi, que em Venus Of Cancer (Rustic) ganha uma luz multicolorida extraordinaria, devido ao modo como cordas e bateria se envolvem, enquanto o charme vocal de Michael trata de oferecer ao tema uma tremenda sensibilidade e romantismo.

Com tão auspiciosa abertura, engane-se quem ache que os Amusement Parks On Fire, colocaram,  neste Thankyou Violin Radiopunk, todos os trunfos em cima da mesa logo nos dois primeiros temas do seu alinhamento. A magnificiência das guitarras de Come Of Age, uma canção que abraça sem rodeios o melhor que tinha o rock alternativo norte-americano de final do século passado, a obscuridade levitante de Water From The Sun (Demo) e, principalmente, a aspereza vibrante de Young Fight (New Wave), são verdadeiros soporíferos para todos os amantes de sonoridades simples e diretas, sem artifícios sintéticos tantas vezes desnecessários e em que o ruído existe, mas com um objetivo claro de funcionar como algo agradável, com substância, uma crueza lo fi que transborda charme e sedução por todos os poros, nesta que é, sem dúvida, uma das grandes surpresas discográficas de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Amusement Parks On Fire - Thankyou Violin Radiopunk

01. Firth Of Third
02. Venus In Cancer (Rustic)
03. Come Of Age
04. Water From The Sun (Demo)
05. Young Fight (New Wave)
06. Hopefully Yours
07. Lasts Forever
08. Tape Grip Addition (Prerise)

 


autor stipe07 às 16:41
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2020

Fugly - Space Migrant

Dois anos depois do excelente Millenial Shit, os portuenses Fugly estão de regresso aos lançamentos com um novo disco, ainda sem nome anunciado e que, de acordo com os próprios, substitui os problemas adolescentes pelos de adulto,  com uma visão (um bocadinho) mais amadurecida do mundo que os rodeia mas sem largar o lado enérgico, satírico e festivo. Será lá para o final do ano que o projeto liderado por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito, colocará nos escaparates o seu novo trabalho, um alinhamento com a chancela da O Cão da Garagem e produzido, mais uma vez, pelos próprios Fugly no Adega Studios.

Fugly estão de regresso com o single “Space Migrant” – Glam Magazine

O rock direto e sem espinhas de Space Migrant é, um tema que, de acordo com o seu press releasefala sobre a inclusão de todos numa sociedade que tem problemas em unir-se, é o primeiro single retirado desse novo álbum dos Fugly, uma composição feita com uma voz exultante, guitarras banhadas por um efusiante riff metálicopleno de reverb e um baixo vincado e cheio de ritmo que dá as mãos a uma bateria domada com elevada mestria. Confere...

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autor stipe07 às 15:16
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2020

Happyness – Floatr

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, incubado por um dos projetos mais subestimados da indie britânica e que após um aclamado EP homónimo editado em dois mil e treze, se estreou nos lançamentos no verão de dois mil e quinze com Weird Little Birthday, uma notável estreia que teve seguimento em Write In, dois anos depois, um registo com rara beleza, sobriedade e sensibilidade. Agora, mantendo a cadência de lançamentos, os Happyness brindam-nos com este Floatr, uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente e que se alimenta, essencialmente, da cadência de guitarras acústicas e eletrificadas, domadas com uma elevada toada experimental.

Happyness review, Floatr: Band explore what motivates us through ...

É, portanto, e como se percebe logo em title track, na deliciosa oscilação entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, que navegamos em Floatr, um disco em que estas mesmas cordas também oferecem ao baixo interessante protagonismo, evidente logo de seguida, em  Milk Float, instrumento que sustenta as diferentes variações rítmicas do tema, mas também os refrões esplendorosos de canções como Vegetable, uma daquelas composições que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental, ou Och (yup), tema frenético e abrasivo, com um forte cariz político e muito marcado pelo brexit.

O indispensável equilíbrio que oferece ao disco abrangência e heterogeneidade, como se exige a projetos que pretendam abraçar uma vasta multiplicidade de públicos sem perderem o seu adn alternativo, está bem vincado na delicadeza da bateria e no efeito metálico de Bothsidesing, na astuta sensibilidade do piano que conduz When I’m Far Away (From You), e nos diferentes arranjos orquestrais que contornam as teclas, assim como na contemplativa e luminosa acusticidade de Undone, que é depois trespassada por uma vigorosa trama orquestral feita dos melhores ingredients da pop contemporânea, uma das composições melodicamente mais felizes de Floatr

Este novo álbum dos Happyness é, sem sombra de dúvida, uma das surpresas mais refrescantes e animadoras deste início de primavera, um registo que atesta a ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância, enquanto encarna uma  fantástica viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Quem escutar este registo e não desejar ardentemente ser uma drag queen nem que seja só por um dia, não captou a plenitude da sua essência libertadora. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Floatr

01. Title Track
02. Milk Float
03. When I’m Far Away (From You)
04. Vegetable
05. What Isn’t Nurture
06. Bothsidesing
07. Undone
08. Anvil Bitch
09. Ouch (yup)
10. (I Kissed The Smile On Your Face)
11. Seeing Eye Dog


autor stipe07 às 10:44
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2020

From Atomic - Deliverance

Nascidos em Coimbra há quase dois anos, os From Atomic nasceram da mente de Alberto Ferraz, que desafiou Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto. Mais tarde juntou-se Márcio Paranhos e tomou assim forma um projeto que tem nomes tão proeminentes como os Yeah Yeah Yeahs, The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, The Cure, DIIV, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, The Raveonettes ou Sonic Youth, como influências declaradas, na busca de uma mescla entre o post punk britânico da década de oitenta e o indie noise da década seguinte. Deliverance é o nome do disco de estreia dos From Atomic, um tomo de onze canções com a chancela da Lux Records.

Gerador

Gravado e produzido nos estúdios da Blue House por Henrique Toscano e João Silva e misturado e masterizado por João Rui, Deliverance mostra-nos que os From Atomic já têm um som identitário definido, um estilo sonoro eminentemente orgânico e negro, mas sem deixar de soar orelhudo apelativo e luminoso, uma simbiose nem sempre fácil de encontrar e que merece todo o destaque quando é bem sucedida, como é o caso. Esta capacidade indesmentível de abraçar o melódico e o poético sem colocar em causa a indispensável visceralidade que os From Atomic exigem que o seu adn exale, foi conseguida através de um registo intepretativo coeso, forte e intenso, que está, como se percebe logo em Better Than, assente em guitarras com um timbre metálico eminentemente agudo e, por isso, pleno de charme, acompanhadas por um baixo vigoroso e ecoante e teclados sempre prontos a abraçar a cosmicidade e a melancolia, muitas vezes em simultâneo.

Uma abordagem precisa ao melhor noise contemporâneo em Heavens Bless, o travo hard de Lights, a toada eminentemente psicadélica de Heartbeat, uma canção que, de acordo com o press release de lançamento do singlefala da relação metafísica de uma personagem com a realidade, com o diálogo lírico da faixa a expressar o jogo entre a inevitável materialização do corpo e a subjectividade da mente e a suprema majestosidade de Juliette, são outros momentos altos do registo que cimentam um modus operandi bastante vanguardista e apelativo, não só no que concerne à componente melódica, mas também à própria estrutura de canções, que têm sempre no refrão um elemento fulcral no transporte da alma e da poesia das mesmas.

Disco coeso, consistente e rico em detalhes e variadas nuances e estilos dentro de um espetro sonoro claramente definido, Deliverance assume-se, no seu todo, como um compêndio de garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduzindo-nos a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

https://www.facebook.com/From-Atomic-188655538613600/

https://www.instagram.com/from_atomic/


autor stipe07 às 18:08
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Terça-feira, 14 de Abril de 2020

The Strokes – The New Abnormal

Já chegou aos escaparates The New Abnormal o tão anunciado sucessor de Comedown Machine, um álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This ItThe New Abnormal é o sexto disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental no universo musical indie punk rock e tem um alinhamento de nove canções, produzido por Rick Rubin e com a chancela da Cult Records.

Por que “The New Abnormal” foi a volta do The Strokes que conhecíamos?

The New Abnormal solidifica e tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste projeto nova iorquino que depois de ter começado a carreira com um formato sonoro claramente balizado, foi apalpando terreno noutros espetros, atingindo o auge dessas derivas no festim sintético que banhou Angles há já quase uma década. A partir daí, nomeadamente em Comedown Machine, este projeto que é dos melhores do mundo a trabalhar em estúdio, voltou a fazer marcha atrás, algo que se saúda porque os The Strokes estão, sem dúvida, mais confortáveis a explorar os recantos obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora, o baixo, a guitarra e a bateria.

The New Abnormal tem, então, esta espécie de dupla identidade, porque além de culminar com elevado esplendor um regresso ao punk rock como trave mestra da maioria das composições do disco, aquele rock mais enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste século e que nomes tão influentes com os Franz Ferdinand, Radio 4, LCD Soundsystem ou The Rapture repicaram com astúcia, permite que este modus operandi seja adornado por uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon pop dos anos oitenta. Brooklyn Bridge To Chorus, uma composição que carrega no seu dorso melódico e instrumental a melhor herança do glam rock oitocentista, espelhado num sintetizador retro bastante incisivo, nostágico e que casa bem com a voz de Casablancas, que, já agora, em todo o disco volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, é, talvez, o melhor exemplo do álbum desta duplicidade. No entanto, Bad Decisions, um exuberante tratado de indie rock, festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo, já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes, a faustosa ode aquele experimentalismo psicadélico luminoso que conduz Why Are Sundays So Depressing e, em Selfless, o irresistível swing da guitarra que no refrão se torna particularmente buliçoso ao resvalar para um riff épico e de maior exaltação, são também instantes cativantes, joviais e harmonicamente exemplares do alinhamento e que carimbam com maturidade, força e honestidade esta revisão e enriquecimento de todo um percurso de duas décadas. Já a batida sintética abrasiva e o baixo imponente que desfilam pela insinuante The Adults Are Talking, assim como At The Door, uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro, são a outra face mais visível desta moeda chamada The New Abnormal, repleta de sons, tiques e detalhes disponíveis para a descoberta em audições sucessivas, um álbum que ensina que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por uma banda, mas o seu espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo. É esta, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados The Strokes como entidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Strokes - The New Abnormal

01. The Adults Are Talking
02. Selfless
03. Brooklyn Bridge To Chorus
04. Bad Decisions
05. Eternal Summer
06. At The Door
07. Why Are Sundays So Depressing
08. Not The Same Anymore
09. Ode To The Mets


autor stipe07 às 11:23
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Terça-feira, 7 de Abril de 2020

The Strokes – Brooklyn Bridge To Chorus

The Strokes - Brooklyn Bridge To Chorus

É já no final desta semana que chega aos escaparates the New Abnormal o tão anunciado sucessor de anunciado Comedown Machine, um álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

The New Abnormal será o sexto disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental no universo musical indie punk rock, e terá um alinhamento de nove canções, produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia à boleia da Cult Records. Delas já foram divulgados os singles Bad Decisions e At The Door, escalpelizados por esta redação em tempo útil, e agora chega a vez de nos deliciarmos com Brooklyn Bridge To Chorus, o terceiro tema retirado de The New Abnormal, uma composição que carrega no seu dorso melódico e instrumental a melhor herança do glam rock oitocentista, espelhado num sintetizador retro bastante incisivo, nostágico e que casa bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo. Confere...


autor stipe07 às 14:55
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2020

Happyness – Ouch (yup)

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, de onde já foram retirados três singles. De facto, Ouch (yup) é já o terceiro tema extraído do registo, depois de Vegetable e Seeing Eye Dog e mais um belo prenúncio do conteúdo do terceiro álbum do grupo, que chegará aos escaparates no primeiro dia do próximo mês de maio.

Happyness preview new album with third single “Ouch (Yup)”

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Ouch (yup) é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo desta canção, com um forte cariz político e muito marcada pelo brexit, acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...


autor stipe07 às 18:44
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Domingo, 5 de Abril de 2020

Born Ruffians – Juice

Os Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin provam estar no momento maior de forma de uma já irrepreensível e astuta carreira de quinze anos, uma evidência assente nas nove canções de Juice, o sexto e novo disco deste projeto canadiano que é atualmente abrigado pela Yep Roc Records em parceria com a Paper Bag Records.

Born Ruffians "Breathe" one last time before the drop of their new ...

Juice sucede ao aclamado registo Uncle, Duke & The Chief de dois mil e dezoito e em quase meia hora proporciona-nos um indie rock vibrante, afoito e jovial, muito também devido ao excelente trabalho de produção de Graham Walsh, que foi fundamental para o eclodir de um som polido e confiante e com fortes reminiscências no período mais aúreo daquele experimentalismo setentista que tanto dava enorme ênfase ao vigor das cordas, como à opção por arsenais instrumentais de proveniências menos orgânicas.

Os três temas que abrem o disco,  a majestosa e inebriante secção de sopros e a frenética percurssão de I Fall In Love Every Night, a ferocidade tribal de Breathe e a aspereza punk de Dedication, assumem, desde logo, esse nobre papel de fiéis sustentáculos desta permissa revivalista plena de atitude e firmeza que tem um objetivo que, quanto a mim, me parece claro, a vontade de incendiar as hostes para que reflitam sobre a sua realidade pessoal e assumam de uma vez por todas as suas inquietudes e as combatam sem dó.

A delicadeza dos arranjos acústicos que brilham em Hey You, tema que conta com a participação especial de Maddy Wilde, são um curioso antagonismo entre um travo sonoro algo sobranceiro e contemplativo e uma mensagem efusiva, direta e que nada tem de difuso ou intuitivo. Aliás, a canção é, sonoramente, em termos de luminosidade pop, um oásis num alinhamento pleno de eletricidade e vibração, encontrando apenas paralelo na soul enevoada de Wavy Haze, composição que encerra um disco pleno de consistência, mas também de frescura e de uma multiplicidade de sabores, como se exige a um sumo suculento e revigorante. Espero que aprecies a sugestão...

Born Ruffians - Juice

01. I Fall in Love Every Night
02. Breathe
03. Dedication
04. The Poet (Can’t Jam)
05. I’m Fine
06. Hey You (Feat. Maddy Wilde)
07. Squeaky
08. Hazy Wave
09. Wavy Haze


autor stipe07 às 22:16
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Domingo, 29 de Março de 2020

Young Knives – Sheep Tick

Young Knives - Sheep Tick

Tendo iniciado a carreira discográfica com Voices Of Animals And Men e depois Superabundance, os Young Knives dos irmãos Henry e Thomas Dartnall, aos quais se juntou Oliver Askew, obtiveram rapidamente uma boa reputação e um interessante sucesso comercial de vendas. Depois, em dois mil e onze, com Ornaments From The Silver Arcade, chegaram ainda mais longe na divulgação da sua música, mudaram um pouco o seu som, dando-lhe uma componente mais soul, introduziram novos instrumentos no processo de gravação, contaram com o reputado produtor Nick Launay e alguns músicos, cantores e percussionistas e, através desse trabalho, plasmaram o gosto pelo experimentalismo e pela chamada música de dança. O resultado foi uma míriade de sonoridades, assentes no punk, mas com pinceladas de groove, house, soul, jazz e até alguma eletrónica.

O passo seguinte deu-se quase no ocaso de dois mil e treze, com um trabalho dinâmico e cheio de pequenas surpresas chama-do Sick Octave, álbum que na altura nos propôs uma viagem intensa por diversas sonoridades, climas, emoções e inspirações, um alinhamento de treze temas pensado e desenvolvido numa atmosfera de total liberdade criativa, lançado pelos Young Knives de modo independente, com os próprios recursos financeiros do grupo e sem reportar fosse a quem fosse o andamento do trabalho e o conteúdo sonoro do mesmo.

Depois deste excelente registo os Young Knives ficaram um pouco fora de cena, mas parecem dispostos a voltar a ribalta em dois mil e vinte com um novo trabalho discográfico, que será o quinto da carreira do projeto, uma intenção revelada juntamente com Sheep Tick, o primeiro single desse disco ainda sem nome revelado. A canção é um portento sonoro que mescla algumas das traves mestras da melhor pop contemporânea de raízes eminentemente sintéticas com o indie rock, comercial, pincelado com deliciosos detalhes típicos do punk e do krautrock, num resultado final claramente glorioso e que nos deixa de apetite aguçado para as próximas cenas deste espetacular acordar dos Young Knives. Confere...


autor stipe07 às 22:47
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Sábado, 21 de Março de 2020

Baxter Dury – The Night Chancers

Três anos depois do excelente registo Prince of Tears, o irascível Baxter Dury, filho do icónico Ian Dury, vocalista dos extintos Blockheads, uma das bandas mais importantes do cenário pós punk britânico, está de regresso com The Night Chancers, dez composições abrigadas pela Heavenly Records, produzidas pelo próprio Baxter com o apoio inestimável de Craig Silvey (Arcade Fire, John Grant, Arctic Monkeys) e gravadas nos estúdios Hoxa em West Hampstead, Londres, na primavera do ano passado.

Resultado de imagem para Baxter Dury The Night Chancers

Sexto álbum da carreira de Dury, The Night Chancers aprimora a já habitual e bem sucedida fórmula interpretativa de um músico e compositor que se serve do rock, da pop e da eletrónica para alimentar a sua aúrea de exímio inquieto e provocador, assente em impressivas crónicas e relatos de experiências pessoais mais ou menos aventureiras, mas até comuns e ordinárias,que resultam numa enorme sátira e crítica à modernidade, tudo apimentado com aquele sarcástico humor típico de terras de Sua Majestade. 

Assim, num disco idealizado com superior requinte e ousadia, até porque Dury começa dizendo I’m not your fucking friend, se composições como a intrigante Slumlord, que nos faz divagar no regaço de uma guitarra planante, ou Carla's Got a Boyfriend, um lamento soul intenso, íntimo e sensual, protagonizado por alguém que acaba de descobrir que a ex tem outra pessoa (I spotted him on Instagram / Followed him about for a bit), são exemplos de canções que sobressaiem no modo como a gravidade vocal de alguém que se recusa a cantar e apenas declama, como se estivesse constantemente encharcado em álcool e numa manhã difícil depois de mais uma noite plena de aventura, é ampliada pela orgânica das cordas e pelo modo como alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar inquietude e mistério, já o baixo vigoroso e o sintetizador vintage de I'm Not Your Dog, a batida lenta mas indesmentivelmente hipnótica de Saliva Hog e, num registo mais clássico e chill, o monumental jogo de cintura constante, que o saxofone e a guitarra executam em Sleep People, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto, aprisionam-nos nesse tal universo sujo, reacionário e até criminoso, mas de um modo bem mais sereno e contemplativo e, por isso, talvez ainda mais perigoso.

Em The Night Chancers, o spoken word Dury, na altivez dos seus quarenta e oito anos, assume que vive num período negro e algo conturbado da sua existência. Escuta-se o álbum e percebe-se facilmente que, para ele, todos aqueles que o rodeiam não são de confiança, incluindo o próprio, a vida resume-se ao hoje, ao aqui e ao agora. O dia a dia é vivido enclausurado entre quatro paredes de duvidosos quartos de hotel, tendo como única companhia os pensamentos obscuros pelos quais se deixa manipular mais vezes que o recomendável e as noites das quais restam, geralmente, vagas memórias, são, uma após outra, sem intermitências, nada serenas ou agradáveis. Refletir sobre toda esta trama musicalmente e expô-la sem particular receio ou filtro, do modo que Baxter o faz, com crueza, despudor e até desprezo por quem se queira predispôr a ouvi-lo e ajudá-lo, pode não ser um exercício de exorcização minimamente eficaz, mas é um facto que artisticamente resulta, até porque, se calhar são mais do que se pensa aqueles que se podem sentir realmente identificados com toda esta narrativa de vida tão peculiar e realista e que, se todos refletirmos sem medo, espelha aquilo que é a verdade de tantos hoje, na dita sociedade ocidental contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury - The Night Chancers

01. I’m Not Your Dog
02. Slumlord
03. Saliva Hog
04. Samurai
05. Sleep People
06. Carla’s Got A Boyfriend
07. The Night Chancers
08. Hello, I’m Sorry
09. Daylight
10. Say Nothing

 


autor stipe07 às 21:48
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Quarta-feira, 18 de Março de 2020

Deap Lips - Deap Lips

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Resultado de imagem para Deap Lips - Deap Lips

Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:18
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Domingo, 15 de Março de 2020

Vundabar – Either Light

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records e bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, interpretada pelo malogrado ator James Gandolfini.

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De facto, estes Vundabar têm chamado a atenção da crítica e já foram alvo de algumas nomeações e artigos relevantes, mas a verdade é que nunca conseguiram fugir do universo mais underground e alternativo. No entanto, têm agora um trunfo de elevada valia paa chegarem à primeira divisão do indie rock, este trabalho intitulado Either Light, onze composições buriladas a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem a este cardápio de canções uma indesmentível toada pop.

Logo a abrir, o baixo de Out Of It e o modo como se alia a variações rítmicas, um refrão intenso e um efeito de guitarra metálico condutor das base melódica, são detalhes cósmicos inebriantes que merecem, por si só, a audição deste álbum, numa composição que pisca o olho com languidez ao melhor cardápio da pop atual. Depois, o hipnotico frenesim de Burned Off, a delicadeza da oitocentista Codeine, o charme único de Petty Crime, uma curiosa ode strokiana e os arranjos envolventes e sofisticados da sensibilidade melódica muito aprazível de Easyer, composição que intercala uma excelente interpretação vocal de Hagen com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, nomeadamente a bateria e a guitarra, são instantes que impressionam pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentam, quer estas quer as outras canções do registo, onde não faltam alguns arranjos claramente jazzísticos e o tal falsete vocal num registo em falsete, com um certo reverb que acentua o charme rugoso da mesma.

Dicso repleto de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, Either Light envolve-se, no seu todo, por uma pulsão rítmica ímpar, sendo um álbum consistente, carregado de referências assertivas, que também impressiona pela cadência frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, sendo, de certeza, um dos grandes lançamentos deste primeiro trimestre de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Vundabar - Either Light

01. Out Of It
02. Burned Off
03. Codeine
04. Petty Crime
05. Easier
06. Never Call
07. Montage Music
08. Jester
09. Paid For
10. Other Flowers
11. Wax Face


autor stipe07 às 20:38
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Quinta-feira, 5 de Março de 2020

Vundabar – Montage Music

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records.

Resultado de imagem para vundabar petty crime

Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light e algumas semanas depois Petty Crime, agora chega a vez de conferir Montage Music, mais um carrossel sonoro, burilado a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, mais um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos. Confere...

Vundabar - Montage Music


autor stipe07 às 13:07
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Mush - 3D Routine

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:45
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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

The Strokes – Bad Decisions

The Strokes - Bad Decisions

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

Depois de há poucos dias termos tido a possibilidade de contemplar pela primeira vez At The Door , uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casava bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, agora chega a vez de nos deliciarmo-nos com Bad Decisions, o segundo single retirado de The New Abnormal, um exuberante tratado de indie rock, festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo, já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes. 

Destaque também para o vídeo do tema, um filme assinado por Andrew Donoho e que nos oferece uma visão bastante curiosa do quinteto, numa versão retro. Confere Bad Decisions...


autor stipe07 às 13:59
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

Basic Plumbing – Keeping Up Appearances

No final do inverno de dois mil e dezoito o universo indie e alternativo britânico ficou em choque com o súbito desaparecimenro de Patrick Doyle, um músico escocês que contava, À altura, trinta e dois anos e que se notabilizava pela sua presença atrás da bateria no aclamado projeto Veronica Falls, mas também por estar a sobressair na sua carreira a solo. O pontapé de saída tinha sido dado em dois mil e dezasseis com um disco homónimo assinando Boys Forever e, à época, preparava-se para o sucessor, mas assinando, desta vez, como Basic Plumbing. Felizmente, quando Doyle faleceu o disco estava praticamente pronto e vê agora a luz do dia, postumamente, com o título Keeping Up Appearances, dez canções que viram a luz do dia no final de janeiro, com o alto patrocínio da Rough Trade.

Resultado de imagem para Basic Plumbing – Keeping Up Appearances

Gravadas com o apoio inestimável de Helen Skinner, baixista e companheira de digressão de Doyle, Keeping Up Appearances oferece-nos um indie rock exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos. São canções com uma arquitetura sonora muito centrada nas cordas de uma guitarra eletrificada com o nível de distorção certo para nos oferecer um clima tipicamente rock, aliado com um delicioso e orelhudo charme pop, tudo rematado com aquele requinte vintage que revive não só o punk lo fi dos gloriosos anos oitenta, bem patente no baixo que acomoda As You Disappear, mas principalmente o clima mais grunge da década seguinte, indisfarçável na melodia hipnótica que conduz Keeping Up Appearances, o tema homónimo do álbum e a sombria e intrigante Strangers.

Sendo estas três composições talvez os momentos maiores do registo e excelentes portas de entrada para um alinhamento instrumentalmente irrepreensível, sem atropelos e com uma dose de agressividade necessária e salutar, porque este foi um álbum concebido por Doyle para chorar a morte do seu marido, o jornalista Max Padilla, com quem se tinha mudado para Los Angeles à época, canções como Lilac, tema com um curioso toque psicadélico e que nos agarra pela mão e até à pista de dança mais próxima, a vibrante Bad Mood, a minimalista, mas encharcada de grooveToo Slow, ou a contemplativa e introspetiva Sunday, são também belíssimos instantes de um álbum com uma beleza muito imediata e acessível, porque pode ajudar qualquer um de nós a exorcizar sentimentos de perca que nos causam amargura e dor, de um modo algo radiante e otimista.

Quer Skinner quer a família de Patrick resolveram oferecer toda receita deste disco para as organizações LGBT Center de Los Angeles e a CALM, a Campaign Against Living Miserable, uma organização do Reino Unido que trabalha para prevenir o suicídio. Espero que aprecies a sugestão...

Basic Plumbing - Keeping Up Appearances

01. As You Disappear
02. Lilac
03. Keeping Up Appearances
04. Bad Mood
05. Sunday
06. It All Comes Back
07. Too Slow
08. Fantasy
09. Constant Attention
10. Strangers


autor stipe07 às 21:26
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020

The Strokes – At The Door

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

Resultado de imagem para The Strokes At The Door

The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

At The Door é o primeiro single divulgado de The New Abnormal, uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casa bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo. Destaque também para o vídeo do tema, um filme animado inspirado no universo sci-fi, idealizado pelo escritor e realizador Mike Burkaroff e que inclui um coelho mutante e um conflito sangrento num planeta alienígena. Confere At The Door e o alinhamento deThe New Abnormal...

The Strokes - At The Door

The Adults Are Talking
Selfless
Brooklyn Bridge To Chorus
0Bad Decisions
Eternal Summer
At The Door
Why Are Sunday’s So Depressing
Not The Same Anymore
Ode To The Mets


autor stipe07 às 08:20
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020

Vundabar – Petty Crime

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que irá chegar aos escaparates a três de março, através da Gawk Records.

Resultado de imagem para vundabar petty crime

Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light, agora chega a vez de conferir Petty Crime, mais um frenesim punk, burilado a guitarra, baixo e bateria, mas um devaneio indie mais intrincado e experimental que o tema anterior, sobressaindo a luminosidade do timbre metálico das cordas e variadas nuances rítmicas e melódicas, onde não falta um ecoante efeito vocal, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, protagonizada pelo malogrado ator James Gandolfini, algo explícito no vídeo desta Petty Crime. Confere...

Vundabar - Petty Crime


autor stipe07 às 11:41
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020

Vundabar – Burned Off

Vundabar - Burned Off

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e já um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que irá chegar aos escaparates a três de março, através da Gawk Records.

O tema Burned Off é o primeiro avanço divulgado de Either Light, um frenesim punk, burilado a guitarra, baixo e bateria, incisivo e minimalista, tremendamente intuitivo e cru, mas também salutarmente rico em diversos arranjos mais ou menos explícitos, ingredientes que fazem da composição uma das mais divertidas e animadas deste primeiro mês de dois mil e vinte, dentro do universo rock mais indie e alternativo.

Confere Burned Off e o alinhamento de onze canções que farão parte do alinhamento de Either Light...

01 “Out Of It”
02 “Burned Off”
03 “Codeine”
04 “Petty Crime”
05 “Easier”
06 “Never Call”
07 “Montage Music”
08 “Jester”
09 “Paid For”
10 “Other Flowers”
11 “Wax Face”


autor stipe07 às 12:37
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

Happyness – Vegetable

Happyness - Vegetable

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan voltam a dar sinais de vida com Vegetable, um belo prenúncio de um novo trabalho do trio, o terceiro, que deverá chegar aos escaparates na segunda metade deste ano de dois mil e vinte.

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Vegetable é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo da canção acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...


autor stipe07 às 11:43
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