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Father John Misty - The Old Law EP

Segunda-feira, 12.01.26

Um dos grandes discos do ano de dois mil e vinte e quatro foi, sem dúvida, Mahashmashana, o sexto compêndio de originais da carreira do músico norte-americano Josh Tillman, que assina a sua música como Father John Misty. Esse álbum, com oito canções, foi produzido pelo próprio Father John Misty e por Drew Erickson e dissertava sobre o momento civilizacional atual e a ténue fronteira que todos nós sabemos que existe entre e vida e a morte, considerando, o autor, que temos os nossos arraiais assentes em Mahashmashana, (महामशान) uma palavra em sânscrito que significa grande campo de cremação. E, de facto, este registo oscilava entre canções com um intenso espírito roqueiro, viçoso, inquieto e irrequieto e baladas de elevado pendor melodramático e quase desesperante, sendo transversal a todo o registo uma permanentes sensação de tensão e de inquietude, que personifica, de certa forma, a tal fronteira ténue em que vivemos.

Father John Misty, photo by Bradley J. Calder

pic by Bradley J. Calder

Agora, cerca de catorze meses depois do lançamento de Mahashmashana, Father John Misty regressa ao nosso radar devido a um EP intitulado The Old Law que, tendo a chancela do consórcio Bella Union e Sub Pop Records, contém um novo tema original do autor, que dá nome ao registo, acompanhado de dois dos momentos mais altos de Mahashmashana, as canções Josh Tillman And The Accidental DoseI Guess Time Just Makes Fools Of Us All.

Este tema The Old Law, que já se chamou The God's Trash, foi produzido, uma vez mais, por Drew Erickson e pelo próprio Josh Tillman, misturado por Michael Harris e Jonathan Wilson nos estúdios Fivestar Studios, em Los Angeles e masterizado por Adam Amyan. É uma canção vigorosa e enleante, conduzida por uma guitarra agreste, exemplarmente entrelaçada com o piano e a bateria, num resultado final com um ímpar travo psicadélico, aprimorando, como não podia deixar de ser, a ímpar capacidade que Tillman tem demonstrado ultimamente para  criar sobreposições orgânicas e sintéticas e jogos de sedução entre sons das mais diversas proveniências, sempre com a mira apontada ao rock sessentista e ao clima mais experimental e progressivo da década seguinte, fazendo-o com um charme inconfundível. Confere...

01. The Old Law
02. Josh Tillman And The Accidental Dose
03. I Guess Time Just Makes Fools Of Us All

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publicado por stipe07 às 13:31

Matt Corby – Big Ideas

Terça-feira, 16.12.25

Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.

Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março do próximo ano e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.

Do seu alinhamento revelámos, no início do mês, o single Burn It Down, uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares. Agora temos para escuta Big Ideas, mais um dos momentos altos do alinhamento de Tragic Magic.

Tragic Magic é uma composição angulosa, com um perfil percussivo bastante vincado, assente num vigoroso baixo e em alguns entalhes orgànicos, num resultado final charmoso, intimista, mas intenso e que plasma alguns dos melhores atributos de um artista inovador, bastante criativo e que, no modo como agrega, burila e mistura o orgânico e o sintético, mostra uma saudável e sedutora faceta marcadamente contemporânea. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:49

Dumbo Gets Mad - Five Eggs

Sexta-feira, 12.12.25

Um dos grandes destaques discográficos de dois mil e vinte e cinco é, claramente, Five Eggs, o quinto registo de estúdio dos Dumbo Gets Mad, um projeto encabeçado desde dois mil e onze pelo cantor, compositor, produtor e designer de som italiano, Luca Bergomi. É um álbum com dez explosivas canções e que tem a chancela da Carosello Records.

Dumbo Gets Mad » Doornroosje

Five Eggs é uma elegante e bem sucedida viagem sonora, que nos proporciona, em pouco mais de trinta minutos, uma espetacular e efusiante trip psicadélica de elevado calibre e verdadeiramente narcótica para quem se deixar levar por uma doutrina que se serve de guitarras, acústicas ou eletrificadas e de sintetizadores inspirados para, com uma ímpar teatralidade e uma inimitável versatilidade estilística, criar grandiosas canções que versam sobre algumas dicotomias que, no fundo, regem a nossa existência mais metafísica.

Logo na atmosfera surreal, nos coros femininos sensuais e no clima marcial e com travo bolero de Psychedelic Breakfast, fica dado o mote para o que aí vem, um naipe de canções com elevado grau criativo e cinematográfico e que, se acreditarmos na infalível redenção de todos os nossos medos através da música, nos ajudarão a navegar numa vida melhor e mais prazeirosa, independentemente de passar a ser menos ou mais pecaminosa.

O ritmo acelerado de Spizza, com alguns momentos de pausa e com uma atmosfera que proporciona uma sensação particularmente vintage, é outro momento inebriante de Five Eggs, com Pariah a mergulhar de cabeça em ritmos muito mais urbanos e em vibrações de rua, brincando com o funk e acomodando vozes que, se parecem querer embalar, com o seu travo rap, a verdade é que o efeito que provocam é eminentemente instigador.

Five Eggs prossegue e se Biscaglione aposta num ambiente eminentemente pop e algo hipnótico, através de uma batida densa e crescente, já Gossip Playground coloca todas as fichas num clima mais contemplativo, com o hip-hop a ser mais uma prova da abrangência que os Dumbo Gets Mad transportam no seu adn. Depois, a atmosfera intimista e algo onírica de Life Doesn't Mean Much To You, o psicadelismo pós punk de Spacesomething, as cascatas de sintetizações cósmicas que adornam It Really Doesn't Matter e o clima acolhedor e reconfortante de Ritorni, atestam, com astúcia e minúcia, o modo impactante como Five Eggs, um disco compacto, mas multifacetado, solidifica a habitual estratégia de Luca Bergomi de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque é esse o efeito que o disco de certa forma transmite. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:37

Matt Corby – Burn It Down

Segunda-feira, 08.12.25

Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.

Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março do próximo ano e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.

Do seu alinhamento acaba de ser revelado o single Burn It Down. Uma bateria de forte timbre nostálgico, um baixo insinuante e um piano expressivo, instrumentos tocados pelo próprio Corby, são as grandes forças motrizes de uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares, que resultam numa espécie de indie jazz psicadélico, bastante vibrante e policromático, aprofundado pelo cariz sensual da postura vocal de Corby. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:34

Damien Jurado – Wearing Your Violence

Terça-feira, 02.12.25

O norte-americano Damien Jurado atravessa, claramente, desde há algum tempo para cá, uma das fases mais profícuas da sua já longa carreira, como se tem comprovado nos mais diversos artigos e análises a que tem tido direito neste espaço de crítica e divulgação musical. Depois de na primavera de dois mil e vinte e um ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, regressou, no verão do ano seguinte, com um novo disco também monstruoso, intitulado Reggae Film Star e em dois mil e vinte e três lançou Sometimes You Hurt The Ones You Hate, o décimo nono registo de originais deste músico e compositor natural de Seattle, um trabalho que, como é habitual neste artista, teve a chancela da Maraqopa Records, a sua própria etiqueta.

Damien Jurado — Little Saint

Já este ano, Damien Jurado voltou ao formato longa duração, à boleia de Private Hospital, uma coleção de onze músicas produzidas pelo próprio, dissecadas aqui e que, contando com as contribuições especiais de Lacey Brown, Aura Ruddell, Zach Alva e Stevan Alva, proporcionaram-nos, em pouco mais de trinta e dois minutos, um novo festim de indie pop rock luxuriante e vibrante, caraterísticas bem patentes logo em Celia Weston, o tema de abertura, um tratado de epicidade rugoso e simultaneamente luminoso, que dissertava, com sagaz ironia e requinte, sobre o inevitável fim da nossa passagem por esta vida terrena.

Além desse disco, o músico norte-americano tem andado a remexer no seu baú, nomeadamente nas gravações que sobraram da criação do álbum Maraqopa, que Jurado lançou em dois mil e doze e que vêm finalmente a luz do dia. Assim, depois de no início de outubro termos tido a possibilidade de escutarmos o split 7'' We Will Provide The Lightning que, na verdade, se divide em dois temas, The Notes Of Seasons e We Are What We Dream, com o primeiro tema a oferecer-nos um registo interpretativo imponente e rugoso, apostando numa filosofia estilística que colocava na linha da frente uma indisfarçável toada sintética e com o segundo a apostar num registo mais minimal, já em novembro chegou a vez de, no mesmo formato, escutarmos os temas On The Land Blues (Acoustic 12 String Version) e The Moon / The Son que, juntos, deram origem ao split 7'' Gathered And Stolen By Storm.

Entretanto chegou-nos à nossa redação mais um tema assinado por Damien Jurado, intitulado Wearing Your Violence e que fazia parte do alinhamento de I Must Be Out Of Your Mind, um compêndio de raridades e gravações avulsas e caseiras que o artista incubou entre dois mil e doze e dois mil e vinte e que viu a luz do dia o ano passado.

Intrigante, imersiva e até algo inquietante, Wearing Your Violence aposta numa tonalidade impactante, com o timbre metálico de diversos elementos percurssivos e o falsete de Jurado, a serem as chaves mestras de uma canção que também tem na robustez de um baixo e na delicadeza das cordas, detalhes fundamentais, em pouco mais de três minutos que representam, com notável riqueza estilística, a destreza deste artista em induzir emotividade, charme e altivez às suas criações que balançam, quase sempre, numa fronteira muito ténue entre o clássico, o retro e o futurista. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:37

The Notwist – X-Ray

Segunda-feira, 01.12.25

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Acher, Markus Acher e Micha Acher e aos quais se juntam atualmente Cico Beck, Andi Haberl, Max Punktezahl e Karl Ivar Refseth, regressaram no final do inverno de dois mil e vinte e um aos lançamentos discográficos com Vertigo Days, um disco maravilhoso com catorze temas, que viu a luz do dia à boleia da berlinense Morr Music e que contava com as participações especiais de Juana Molina, Ben Lamar Gay, Zayaendo, Angel Bat Dawid e Saya dos Tenniscoats.

pic by Peter Verstraeten

Vertigo Days marcava, nesse ano de dois mil e vinte e um, o fim de um longo hiato dos The Notwist, uma realidade que se voltou a repetir depois do lançamento desse registo. No entanto, está para breve o regresso da banda aos discos, depois de mais uma pausa discográfica, esta de um pouco mais de meia década. Será a três de março de dois mil e vinte e seis que chegará aos escaparates News From Planet Zombie, o décimo álbum dos The Notwist, um catálogo sonoro com onze temas gravados em Munique, terra natal do projeto e que voltará a ter a chancela da Morr Music.

X-Ray é o primeiro single divulgado do conteúdo de News From Planet Zombie. Ruidosa e impulsiva, mas com uma orgânica muito fluída, coesa e plena de sentimentalismo, X-Ray progride a partir de um riff de guitarra agudo simples e repetitivo, que depois começa a ser trespassado por uma bateria algo insolente, diversos efeitos rugosos e uma grande variedade rítmica, vinda das mais proveniências. Sem concessões ao nível do ruído e da agitação a canção resvala, até ao ocaso, para um clima eminentemente progressivo e psicadélico e de forte travo punk, num resultado final que é uma intensa demonstração da filosofia única de um projeto sempre imponente e vertiginoso, que irradia positividade e onde, do mais ínfimo detalhe até à manipulação geral do arsenal instrumental que usa, tudo soa milimetricamente calculado e com incomensurável diversidade sónica. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:07

Soft Kill – Feel This High

Quinta-feira, 27.11.25

Depois de terem colocado em sentido a crítica em outubro de dois mil e vinte e dois com o registo Canary Yellow, o projeto Soft Kill manteve-se extremamente ativo e profícuo, lançando mais dois discos desde então. Em dois mil e vinte e três incubaram o registo Metta World Peace, que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação e na primavera do ano passado um alinhamento de treze canções intitulado Escape Forever.

Soft Kill

Ainda em dois mil e vinte e quatro e algumas semanas depois do lançamento desse oitavo álbum da carreira da banda liderada por Tobias Grave, o projeto sedeado em Portland, mas natural de Chicago, no Ilinois, surpreendeu-nos com uma versão de In The Town Where I Was Born, um original que fazia parte do registo The Pain And The Pinkerton Thugs, que a banda The Pinkerton Thugs lançou em mil novecentos e noventa e sete. Se o original era uma canção de elevado pendor acústico e intimista, a versão assinada pelos Soft Kill colocou todas as fichas num perfil sonoro eminentemente pop, com o timbre metálico enleante de uma guitarra a suportar um shoegaze cósmico repleto de têmpora e invulgarmente  luminoso.

Agora, quase no ocaso de dois mil e vinte e cinco, os Soft Kill estão de regresso ao nosso radar devido a um novo single intitulado Feel This High, que tem como b) side o tema Cullerton Girls., ambos produzidos e masterizados por Trey Frye e com direito a uma edição física limitada e em formato maxi-single de 12'', com trezentos exemplares.

Feel this High é uma canção vibrante, um tema com as portas e as janelas escancaradas para um post punk bastante imersivo e exemplarmente nostálgico. O registo ecoante das guitarras, a robustez do baixo e o frenesim dos teclados, aprimoram essa filosofia estilística ímpar e com um adn muito próprio que, no caso dos Soft Kill, acaba por mover-se também nas areias movediças de uma psicadelia lisérgica particularmente narcótica. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:34

Saccades – Between Two Bodies Of Water

Quarta-feira, 26.11.25

Os londrinos The KVB, formados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, construiram na última década um firme reputação que permite afirmar, com toda a segurança, que são, atualmente, uma das melhores bandas a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta.

No entanto, não é só dos The KVB, que se faz a carreira musical destes artistas. Wood tem também um projeto a solo que batizou com o nome Saccades, com vários singles já editados e disponíveis na plataforma bandcamp do músico.

Assim depois de no início de outubro último, Saccades ter causado mossa na nossa redação com Greek Fire, um tema com um perfil sonoro bastante solarengo e intimista, mas igualmente imponente e enleante, agora volta a fazê-lo à boleia de uma outra composição. Trata-se de Between Two Bodies Of Water, tema inspirado numa canção com o mesmo nome assinada pelo guitarrista espanhol Paco de Lucia.

Solarenga, charmosa e intimista, Between Two Bodies Of Water impressiona pela riqueza de entalhes e detalhes sintéticos que adornam uma composição com um elevado travo cósmico e com um perfil enleante e aconchegante. É uma canção em que o registo vocal ecoante de Wood, a subtileza das guitarras e a exuberância dos teclados se fundem e se confundem com minúcia e cálculo milimétrico, num resultado final que espreita perigosamente, e ainda bem, uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:26

Hazel English - Gimme

Terça-feira, 25.11.25

Artista debaixo dos holofotes da crítica mais atenta desde que lançou há pouco mais de meia década o EP Give In / Never Going Home, Hazel English estreou-se nos discos em dois mil e vinte com Wake Up!, um buliçoso alinhamento de dez composições que nos ofereceram uma bagagem nostálgica tremendamente impressiva, já que, ao escutarmos o registo, parecia que embarcavamos numa máquina do tempo rumo à melhor pop que se fazia há mais ou menos meio século e que ainda hoje influencia fortemente alguns dos melhores nomes da indie contemporânea.

Na primavera dois mil e vinte e três, e já depois de no final de dois mil e vinte e um nos ter brindado com um inédito intitulado Nine Stories, que foi grande destaque de um EP chamado Summer Nights, lançado no verão do ano seguinte, a cantora australiana a residir atualmente em Oakland, nos Estados Unidos, voltou à carga com uma belíssima cover de Slide, um icónico tema dos anos noventa assinado pelos míticos Goo Goo Dolls de Johnny Rzeznik, Robby Takac, George Tutuska e Mike Malinin.

No outono desse mesmo ano de dois mil e vinte e três, Hazel English deliciou-nos com uma novidade intitulada Heartbreaker, que na altura ainda não trazia atrelado o anúncio de um novo disco da artista e que contava nos créditos de produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, seu colaborador de longa data. No entanto, esse segundo registo de originais da cantora de Oakland tornou-se mesmo uma realidade em dois mil e vinte e quatro, com Real Life, um alinhamento de onze canções que marcou mais um capitulo nesta profícua parceria com Day Wave.

Real Life era um regalo para os ouvidos de quem aprecia canções com uma forte tonalidade pop e que estejam adocicadas com aquele registo sonoro que, sem ser demasiado ligeiro e radiofónico, consegue ser constantemente sedutor e instigador. Liricamente, e como seria de esperar, o álbum era uma espécie de tratado filosófico sobre desencontros amorosos e sobre a necessidade de saber seguir em frente quando uma relação termina, ou quando há algo na nossa vida que de certo modo nos emperra e não deixa que o rumo delineado seja calcorreado sem atropelos de maior.

Oito meses depois do lançamento de Real Life, em agosto último, Hazel English regressou ao nosso radar com Baby Blue, uma canção escrita e meias com Jackson Phillips e Rutger van Woudenberg, que também assinou a produção da composição, juntamente com Hazel. Baby Blue era um oásis de pop etérea e solarenga, com um forte travo chillwave, que assentava numa guitarra com um timbre metálico ziguezagueante intenso, algumas sintetizações subtilmente charmosas e um registo vocal ecoante.

Já em outubro tivemos para escuta mais uma novidade de Hazel English, intitulada Calgary, gravada em Londres e escrita com a inestimável ajuda de Frank Colucci. Versando sobre a magia de um amor que tem tudo para correr bem, Calgary começou por impressionar pelo timbre metálico ecoante e psicadélico de uma guitarra, que era depois trespassada por outros efeitos enleantes, uma bateria frenética e um baixo lúcido, num registo pop solarengo, cativante e charmoso.

Agora, quase no ocaso de novembro, temos para escuta Gimme, uma nova canção de Hazel English, que também conta nos créditos da escrita e da produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, já acima citado. Apostando no habitual registo sonoro da artista, já descrito e que aposta muito no frenesim percurssivo e no timbre metálico ecoante das guitarras, Gimme é uma canção charmosa e radiante, criada por uma cantora e compositora que, com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós. Confere Gimme e o vídeo do tema, gravado num terminal do aeroporto JFK, entretanto encerrado, chamado Twilight Flight Center, construído em mil novecentos e sessenta e dois e convertido num hotel temático em dois mil e um...

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publicado por stipe07 às 17:31

Gorillaz – The God Of Lying (feat. IDLES)

Segunda-feira, 10.11.25

Dois anos e meio depois de Cracker Island, os britânicos Gorillaz, projeto formado por Russell, Noodle, 2D e Murdoc e conduzido pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, estão de regresso aos discos com The Mountain, o nono álbum da carreira do projeto, um alinhamento de quinze canções que vai chegar aos escaparates a vinte de março de dois mil e vinte e seis, com a chancela da KONG, etiqueta criada pelo próprio grupo.

The Mountain será mais um disco conceptual, como é hábito nos Gorillaz, pretendendo, neste caso, ser uma espécie de banda sonora de uma festa na fronteira entre este mundo e o seguinte, explorando a jornada da vida e a emoção de existir. Para conseguir isso, o quarteto refugiou-se em Mumbai, na Índia, chegando lá à boleia de passaportes falsos fornecidos a Murdoch, por um mafioso de Nova Iorque. Na metrópole asiática, deixaram-se envolver pelo misticismo local e deixaram fluir corpo e mente pelos terrenos íngremes e montanhosos daquilo a que chamamos vida.

O resultado final desta jornada intimista, produzida pelos próprios Gorillaz, com a ajuda de James Ford, Samuel Egglenton e Remi Kabaka Jr. e gravada nos estúdios no Studio 13, em Londres e Devon, em diversos locais da Índia, incluindo Mumbai, Nova Deli, Rajasthan e Varanasi e em Ashgabat, Damasco, Los Angeles, Miami e Nova Iorque, são quinze canções repletas de participações especiais de excelência, como são os casos de Bizarrap, Black Thought, Anoushka Shankar, Omar Souleyman, Johnny Marr (The Smiths), Mark E. Smith (The Fall), Paul Simonon (The Clash), Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def), os Idles e os Sparks, dos veteraníssimos irmãos Ron e Russell Mael.

The Happy Dictator, uma canção ímpar no modo como recria um verdadeiro oásis de pop sintética, à boleia de uma batida frenética cósmica, um teclado encharcado em sintetizações retro e um sem fim de entalhes, foi o primeiro single divulgado do alinhamento de The Mountain. Em outubro, tivemos a possibilidade de conferir The Manifesto, canção que conta com as participações especiais do rapper argentino Trueno e com um pequeno trecho de Proof, membro dos D12, que faleceu há quase vinte anos, em abril de dois mil e seis. Era uma tema que, de acordo, com Russell Hobbs, o baterista fictício dos Gorillaz, encarnava uma meditação musical recheada de luz e uma viagem do nosso âmago à boleia de batidas. O resultado final foi, como certamente se recordam, um verdadeiro oásis lisérgico e contemplativo, em que world music, R&B, eletrónica, jazzrap e hip-hop, conjuravam entre si com particular deleite e também com a ajuda de vários músicos indianos, nomeadamente os irmãos Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash, Ajay Prasanna, a banda Jea Band Jaipur e o coro Mountain Choir, dirigido por Vijayaa Shanker.

Agora, poucas semanas depois, do alinhamento de The Mountain, temos para escuta The God Of Lying, canção que conta com a participação especial de Joe Talbot, vocalista dos IDLES, artista que induz no tema o seu habitual registo vocal carismático e bastante vincado. Sonoramente, The God Of Lying oferece-nos uma espécie de reggae psicadélico, feito com sintetizadores buliçosos, um registo percussivo anguloso, a cargo do indiano Viraj Acharya e diversos arranjos acústicos algo subtis, dos quais se destacam os que são proporcionados por um banjuri tocado pelo também indiano Ajay Prasanna. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:45






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