Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

Tame Impala – Posthumous Forgiveness

Tame Impala - Posthumous Forgiveness

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida comThe Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Posthumous Forgiveness é já o quarto tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline e It Might Be Time

Quanto ao seu conteúdo, Posthumous Forgiveness é, na verdade, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas, com o resultado final a oferecer-nos pouco mais de seis minutos de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 12:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019

Moon Duo – Stars Are The Light

O fabuloso rock psicadélico dos Moon Duo está de regresso em dois mil e dezanove com Stars Are The Light, o sétimo registo de estúdio deste projeto formado pela dupla Ripley Johnson e Sanae Yamada e um nome incontornável do cenário indie atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e com vários pontos altos, os Moon Duo têm tido uma segunda metade desta década bastante profícua, com o lançamento de Occult Architecture Vol. 1 e Vol., há dois anos, dois álbuns que nos levaram de novo rumo à pop psicadélica setentista, através dos solos e riffs da guitarra de Ripley a exibirem muitas vezes linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, mas também de sintetizadores inspirados e com efeitos cósmicos plenos de groove. No início do ano seguinte voltaram com o lançamento de um duplo single, à boleia da Sacred Bones, o refúgio perfeito que encontraram há já algum tempo para explorar todo o hipnotismo lisérgico que carimba o seu adn e agora, com este Stars Are The Light, cimentam uma posição forte, dentro de um espetro sonoro muito peculiar e tremendamente aditivo.

Resultado de imagem para Moon Duo Stars Are The Light

Com um olhar bastante anguloso numa mescla entre o funk setentista e o salutar caos em que se instalou o rock progressivo no final do século passado, Stars Are The Light oferece-nos oito canções que refletem as experiências humanas que têm no amor, na mudança e na luta interna, muitas vezes a maior força motriz. Em Flying levantamos logo voo nas asas de uma batida inebriante e um sintetizador repleto de cosmicidade e a partir daí ficamos, rapidamente absorvidos por este caldo algo entropecedor, mas nada bafiento. Depois, a curiosa toada épica e vibrante do tema homónimo e, principalmente, o riff abrasivo que define o punk inspirado de Eye 2 Eye afunda-nos definitivamente na espiral filosófica dos Moon Duo, uma espécie de catarse psicadélica que, pouco depois, em Lost Heads, ao assentar numa batida inspirada e em flashes de efeitos e timbres de cordas divagantes, faz-nos dançar em altos e baixos enleantes, ao som de uma química interessante e única entre o orgânico e o sintético.

O que mais impressiona nos Moon Duo é que, registo após registo, a fórmula selecionada é muito simples e semelhante, mas conceitos como inovação, diferença e inquietude estão timbrados com indelével marca porque aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que, melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois dos anos setenta, definidores da nossa contemporaneidade cultural.

Álbum que prova que ainda é possível, várias décadas depois, haver um som que pode ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, Stars Are The Light tem essa subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria world music (escute-se Eternal Shore), uns com mais groove e outros mais relaxantes, mas sempre com a tónica do experimentalismo na linha da frente e sem este projeto de São Francisco se perder em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Moon Duo - Stars Are The Light

01. Flying
02. Stars Are The Light
03. Fall In Your Love
04. The World And The Sun
05. Lost Heads
06. Eternal Shore
07. Eye 2 Eye
08. Fever Night


autor stipe07 às 12:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 17 de Novembro de 2019

Local Natives – Nova

Local Natives - Nova

Foi em abril e à boleia da Loma Vista Records, que chegou aos escaparates Violet Street, um marco discográfico essencial de dois e dezanove e que elevou os seus autores, os Local Natives, para um novo patamar instrumental mais arrojado, mantendo-se, no entanto, a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzidos em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto norte americano.

Agora, quase no ocaso do ano, o grupo de Salt Lake acaba de divulgar Nova, uma  composição inspirada no filme Interstellar e no vídeo de Location, um original do rapper e compositor norte-americano de Atlanta, Playboi Carti, que também utiliza imagens dessa obra cinematográfica protagonizada por Emma Thomas e Matthew McConaughey , nomeadamente o momento em que o último mergulha num buraco negro.

Nova foi gravada durante as sessões de Violet Street e estava pensada para fazer parte do alinhamento desse álbum, o que acabou por não acontecer. Em boa hora os Local Natives resolveram divulgá-la, pois trata-se de uma lindíssima canção, tremendamente climática e que, apesar da rugosidade da guitarra, aposta numa toada eminentemente classicista e com forte cariz pop, sendo, de acordo com o grupo, sobre aquela áurea e aquele zumbido constante que invadem a nossa mente quando nos apaixonamos pela primeira vez e que todos nós já experimentámos. Confere...

Website
[mp3 320kbps] rg tb zs uc fu


autor stipe07 às 17:39
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 16 de Novembro de 2019

TOY – Songs Of Consumption

Depois do lançamento já em dois mil e dezanove de Happy In The Hollow, o quarto registo da carreira, os TOY de  Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold, estão de regresso com Songs Of Consumption, uma coleção de oito canções que são, nada mais nada menos, que reinterpretações da banda de temas que inspiraram a carreira dos TOY, originais de alguns nomes míticos do coletivo britânico, nomeadamente os Stooges, Amanda Lear, Nico, The Troggs, Soft Cell, John Barry e Pet Shop Boys, entre outros.

Resultado de imagem para TOY – Songs Of Consumption
Sonoramente, Songs of Consumption é um feliz apêndice da filosofia que esteve subjacente à gravação de Happy In The Hollow, ampliando, portanto, a nova visão sonora dos TOY, cada vez mais distintiva e original e que se vai distanciando do chamado krautrock sujo e aproximando-se de uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que, diga-se de passagem, sempre caraterizou o ambiente sónico deste quinteto.

Sintetizadores e uma vasta miríade de elementos eletrónicos, incluindo as cada vez mais famosas drum machines, e uma opção ao nível da produção, pelo lo fi, sempre aliado a um aturado trabalho de exploração experimental, foram, claramente, as traves mestras que nortearam o processo de incubação de Songs Of Consumption, com os TOY a tentarem sempre puxar as canções para um universo sonoro distinto das versões originais, mas sem nunca colocar em causa a essência das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Songs Of Consumption

1.   Down On The Street (The Stooges)
2.   Follow Me (Amanda Lear)
3.   Sixty Forty (Nico)
4.   Cousin Jane (The Troggs)
5.   Fun City (Soft Cell)
6.   Lemon Incest (Charlotte Gainsbourg & Serge Gainsbourg)
7.   Always On My Mind (B.J. Thomas)
8.   A Dolls House (John Barry)


autor stipe07 às 17:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

Born-Folk - Come Inside! EP

Têm apenas alguns meses de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa constituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, e tem já no seu catálogo um EP intitulado Come Inside!, um alinhamento de cinco temas bastante influenciado pela indie de final do século passado, intercetado por alguns dos pilares fundamentais do rock clássico, com pitadas de jazz, do punk e do grunge a comporem este delicioso ramalhete.

Resultado de imagem para Born-Folk banda

Assumidamente ecléticos, sem se quererem amarrar demasiado a fronteiras ou a um modus operandi sonoro demasiado específico e que os castre naquilo que é a sempre indispensável liberdade criativa, os Born-Folk têm nos conceitos de simbolismo e ironia pedras basilares não só da sua filosofia sonora, mas também do seu ideário lírico. Assim, se o tema Heat And Rum assume-se como uma típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, (o) l (a) é um buliçoso e agreste exercício de recriação de como seria recriar Seattle em plena andaluzia espanhola e Le F*ck, um psicadélico devaneio punk que a melhor herança de uns Pavement não hesitaria em colocar em plano de destaque no seu catálogo. Já Fall-Inn, o tema que encerra o alinhamento do EP, conduzido por um eletrificação de cordas agreste e abrasiva, mas tremendamente charmosa e com um travo punk delicioso, tem um clima mais outunal, oferecendo-nos um possível retrato de um peculiar “rendez vous” outonal falhado com uma “patinadora artística” que vai pirateando corações com o seu sorriso alemão. De facto, de acordo com o grupo, no hotel FALL-INN (uma espécie de open space hostel) somos saqueados por uma coelhinha pirata que embala os hóspedes com o seu olho empalado. A enigmática mensagem em “alemão da região da baixa googlândia” é o hall de entrada. Segue-se uma imperial overdrive interminável até à infusão fatal, um cházinho relaxante e inebriante carregado de wah wah “delayano” que nos levará até ao grand finale, onde a queda é uma aposta segura. Willkommen!!!  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

Resultado de imagem para Pond – Sessions

O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 7 de Novembro de 2019

Mikal Cronin – Seeker

Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, na Califórnia, está de regresso aos discos com Seeker, dez canções com a chancela da Merge Records e que rematam um ano bastante profícuo do autor, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon e que tinha dado o pontapé de saída em dois mil e dezanove com a edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe, através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

Resultado de imagem para Mikal Cronin Seeker

Gravado ao vivo nos estúdios Palmetto, em Los Angeles, com a banda que costuma acompanhar Ty Segall e com o produtor Jason Quever, Seeker quebra uma sequência de títulos homónimos e um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico e que nos tem feito viajar no tempo, disco após disco, à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk.

Para escrever Seeker, Cronin passou um mês numa cabana nas montanhas do sul da Califórnia, com o seu gato como única companhia, um retiro bucólico perfeito, de acordo com o próprio músico, e que acabou por ser essencial para um forte cariz biográfico do disco. O resultado final é, pois, um excitante documento de mudança e de reinvenção, um tomo de canções estilisticamente rico e diversificado, com Seeker a plasmar a necessidade de Cronin se reinventar, erguer e seguir em frente depois de um período atribulado, quer a nível pessoal quer a nível profissional, decorrente de relações falhadas, digressões termendamente cansativas e os típicos dilemas existências da fase inicial da vida adulta.

Logo no clima psicadélico algo pomposo de Shelter percebe-se uma ânsia de amplitude e de epicidade, um pouco amainada em Show Me, um devaneio de (falsa) acusticidade folk rock onde não faltam ligeiras distorções. Mas logo depois, com os curiosos arranjos de cordas e a soul melancólica de Feel It All, a intensidade indie lo fi da guitarra que sustenta Fire, o forte odor nativo do piano e da harmónica de Guardian Well e a vibe mais experimental do fuzz que se insinua em I've Got Reason, ficamos esclarecidos acerca do vasto calcorrear de estilos, tendências e exposições que fazem de Seeker um registo com elevada bitola qualitativa, não só porque sobrevive à custa do modo astuto como o autor continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos, sem descurar um lado mais snesível e ameno, muitas vezes na mesma composição e, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, a plasma um inédito sentido de urgência, fruto certamente da tal ânsia de virar de página e seguir em frente com altivez e com uma centelha de sucesso bem acesa. Espero que aprecies a sugestão...

Mikal Cronin - Seeker

01. Shelter
02. Show Me
03. Feel It All
04. Fire
05. Sold
06. I’ve Got Reason
07. Caravan
08. Guardian Well
09. Lost A Year
10. On The Shelf


autor stipe07 às 21:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 6 de Novembro de 2019

Vetiver – Up On High

Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia, alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, está de regresso aos discos, com um trabalho intitulado Up On High, o sétimo da sua carreira, um alinhamento de dez canções que chegou aos escaparates a um de novembro, através das etiquetas Mama Bird Recording Co. (US/World) e Loose Music (UK/EU).

Resultado de imagem para Vetiver Up On High

Andy Cabic assina com exemplar bitola qualitativa um dos projetos mais bonitos da indie folk contemporânea. E não é como dizer isto de outra forma, porque bonito é mesmo um adjetivo feliz para caraterizar o seu catálogo. De facto, cada disco de Vetiver é um regalo para os ouvidos e para a mente de quem aprecia relaxar e viajar para um universo sonoro que seja melodicamente acessível, mas sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que Cabic sabe plasmar na perfeição através de canções geralmente  sentidas e honestas no modo como partilham sensações e eventos, que até podem ser factos que o autor experimentou em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida.

Esta faceta auto biográfica da discografia de Vetiver é um dos seus maiores atributos e Up On High não foge a essa regra, num álbum mágico e em que o autor parece recolher-se muito sobre si próprio, enrolando-se numa espécie de concha onde dança sozinho estas canções, enquanto reflete sobre si e o o seu passado, de modo a viver o presente com altivez e alegria e sem nunca elevar demasiado o tom delicado da sua voz, nem a míriade instrumental que a sustenta.

Assim, se a cândida acusticidade de The Living End, o tema que abre Up On High, tem, desde logo, a generosidade de nos mostrar aquela folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, uma receita que se repete em Filigree e que Vetiver recria melhor que ninguém, To Who Knows Where adensa ainda mais a trama, indo ao âmago da matriz da melhor herança tradicional americana, com nomes como George Harrison ou até o próprio Reed a serem influências mais ou menos nítidas. Tal também sucede em Wanted, Never Asked, outra aconchegante composição, que contém na sua essência a melhor herança da mais genuína folk do outro lado do atlântico, uma canção com um travo de pureza e simplicidade únicos, amena, íntima e cuidadosamente produzida, mas também arrojada no modo como, através da suavidade das cordas e do groove da bateria exala uma enorme elegância e sofisticação. Depois, canções como Swaying, um tratado de indie rock oitocentista que nos traz à memória momentos maiores da discografia de uns The Feelies, Yo La Tengo, Wilco ou os próprios R.E.M., Hold Tight, curiosa no modo como pisca olho ao reggae e All We Could Want, uma composição buliçosa, sorridente e assente numa orgânica percurssiva com um certo travo psicadélico, acabam por dar a indispensável riqueza e diversidade a um alinhamento que é bem capaz de nos dar a mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções com esse vincado propósito individual.

Registo em que se sente à tona uma curiosa e sensação de positivismo, bom humor e crença em dias melhores, Up On High é capaz de nos colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal, enquanto nos ajuda, por exemplo, a finalmente traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar. De facto, a música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterrando-nos num mundo paralelo que espicaça as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que, entre a luz e a melancolia, realizam-se, provando que Andy sabe como ser um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Up On High

01. The Living End
02. To Who Knows Where
03. Swaying
04. All We Could Want
05. Hold Tight
06. Wanted, Never Asked
07. A Door Shuts Quick
08. Filigree
09. Up On High
10. Lost (In Your Eyes)


autor stipe07 às 17:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 2 de Novembro de 2019

Deerhunter – Timebends

Parece que ainda foi ontem, mas já foi em janeiro que os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, nos ofereceram o seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Agora, a poucos dias de Bradford Cox editar um EP intitulado Myths 004, a meias com o músico e produtor galês e seu amigo Cate Le Bon, que produziu Why Hasn’t Everything Disappeared?, os Deerhunter divulgam um novo inédito, um verdadeiro épico intitulado Timebends, gravado em Nova Iorque na passada noite de doze de setembro.

Resultado de imagem para Deerhunter – Timebends

Em pouco mais de treze minutos, Timebends possibilita ao ouvinte contemplar uma peça sonora de eminentemente experimental, um tratado de pop rock setentista de forte cariz psicadélico, que vai progredindo até um final catárquico e portentoso, uma composição sustentada num piano cru e enevoado e numa guitarra repleta de fuzz, além de um trabalho percurssivo brilhante, nuances que poderão indicar novas coordenadas sonoras por parte dos Deerhunter em futuros registos, que poderão ter na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogarem. Confere...

Deerhunter - Timebends


autor stipe07 às 15:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 29 de Outubro de 2019

Tame Impala – It Might Be Time

Tame Impala - It Might Be Time

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com It Might Be Time, tema que fará parte de The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

It Might Be Time é já o terceiro tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline. No entanto esta é a primeira canção a confirmar alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte.

Quanto ao seu conteúdo, It Might Be Time oferece-nos quatro minutos e meio de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, é dado um enorme ênfase na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da filosofia sonora dos Tame Impala.Confere...


autor stipe07 às 13:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 28 de Outubro de 2019

The Growlers – Natural Affair

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e em dois mil e catorze, com uma cadência quase anual, os The Growlers regressaram às edições com Chinese Fountain, um trabalho que cimentou definitivamente o adn de um projeto que aposta numa sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta.

Resultado de imagem para The Growlers – Natural Affair

Após Chinese Fountain os The Growlers entraram num período de relativo pousio e criaram a sua própria etiqueta, a Beach Goth Records and Tapes. Casual Acquaintances, disco editado o ano passado, foi o primeiro sinal de vida do grupo nesta nova fase da carreira, um levantamento de algumas demos, lados b e temas inacabados que a banda foi juntando ao longo das sessões de gravação dos discos anteriores e que acabam de ver finalmente sucessor, um trabalho intitulado Natural Affair e que merece ser descoberto com alguma minúcia já que contém canções com elevada bitola qualitativa.

Frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, a sonoridade do projeto vai muito além dessa simples catalogação e Natural Affair é mais uma demonstração cabal dessa permissa. Se no tema homónimo do registo é a pop radiante e efusiva que dita leis, logo a seguir, em Long Hot Night (Halfway To Certain) e em Shadow Woman a toada é um pouco mais à blues, com Pulp Of Youth e Foghorn Town a olharem com astúcia para climas algo etéreos e psicadélicos e Social Man a ter um travo tropical que se saúda, até porque se espraia com enorme deleite pelos nossos ouvidos. A partir daí, no chill lo fi de Truly ou no modo astuto como a banda exercita alguns dos cânones fundamentais do rock psicadélico setentista em Tune Out, percebe-se claramente o charme e a personalidade ímpar de um disco cuja aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso, mas a obediência clara a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela apresentação de um alinhamento de canções que agrade às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com a herança do rock das últimas quatro ou cinco décadas, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e fazem-no com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade num álbum que deve estar no radar de todos aqueles que se interessam por este espetro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

The Growlers - Natural Affair

01. Natural Affair
02. Long Hot Night (Halfway To Certain)
03. Pulp Of Youth
04. Social Man
05. Foghorn Town
06. Shadow Woman
07. Truly
08. Tune Out
09. Coinstar
10. Stupid Things
11. Try Hard Fool
12. Die And Live Forever


autor stipe07 às 21:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Panda Bear – Playing The Long Game

Panda Bear - Playing The Long Game

Pouco mais de meio ano após a edição do excelente registo Buoys, o seu sexto álbum de estúdio, o músico norte-americano Panda Bear acaba de dar mais um vigoroso passo em frente na sua carreira a solo, com a divulgação de um novo tema intitulado Playing The long Game e que não fazia parte do alinhamento desse registo. Além da canção, este músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto, também deu a conhecer ao grande público o vídeo da mesma, realizado pela portuguesa Fernanda Pereira e onde se pode ver Noah Lennox a deambular por uma floresta enquanto uma horda de mascarados vagueia à distância.

Canção sobre dilemas existenciais mais ou menos óbvios, como confessou o próprio Lennox (The song is about a brief series of thoughts I had one morning about who I am, what I’m doing, and where I’m going), Playing The Long Game foi produzida pelo próprio músico com a colaboração de Rusty Santos e Sebastian Sartor e assenta numa pop experimental eminentemente sintética e com um indesmentível travo R&B, uma composição de forte cariz etéreo e contemplativo, mas também com uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 12 de Outubro de 2019

Allah-Las - Lahs

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Foi ontem, onze de outubro, que viu a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que chegou aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Resultado de imagem para Allah-Las - LAHS

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais tão variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

A música dos Allah-Las é algo que se esprai deliciosamente nos nossos ouvidos, sem pressas, arrufos ou complicações desnecessárias. Há uma constante sensação de conforto, calma, quietude e etérea contemplação nas composições deste quarteto e Lahs, o registo mais heterógeneo e completo da carreira do projeto, amplia esta filosofia interpretativa, adocicando-a com novas nuances, nomeadamente aquelas que foram retiradas da lista de arquétipos fundamentais do rock clássico e do alternativo. A soul da guitarra de Holding Pattern é, desde logo, uma primeira demonstração inequívoca de um maior experimentalismo, de um desejo de divagar que contraste com o cariz mais direto e incisivo dos dois trabalhos anteriores dos Allah-Las. Depois, se o efeito metálico da guitarra que ciranda por Keeping Dry espreguiça os nossos sentidos, fazendo também abanar ligeiramente a anca, a tal diversidade atinge píncaros de criatividade em Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

À medida que nos embrenhamos no âmago do disco, na frescura dançante de In The Air,  na luminosidade de Roco Ono, no clima contemplativo de Star, na radiofonia feliz de Polar Onion, na mescla entre folk e o country sulista americano em Royal Star ou no reverb empoeirado que conduz Electricity, percebemos que a receita dos Allah-Las mantém-se tremendamente eficaz e ainda mais aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca que é, no seu todo, Lahs, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks, deixa-nos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que pode servir como uma feliz homenagem ao final de um verão que se tem estendido um pouco mais além do necessário. Em suma, estamos na presença de um alinhamento com sabor a despedida do sol e do calor, feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Lahs

01. Holding Pattern
02. Keeping Dry
03. In The Air
04. Prazer Em Te Conhecer
05. Roco Ono
06. Star
07. Royal Blues
08. Electricity
09. Light Yearly
10. Polar Onion
11. On Our Way
12. Houston
13. Pleasure


autor stipe07 às 17:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 7 de Outubro de 2019

DIIV - Deceiver

Já chegou aos escaparates e à boleia da Captured Tracks Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver sucede ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Deceiver não sacode a toalha da mesa de toda a trama anterior que os DIIV criaram, quer em Oshin, o disco de estreia, quer em Is The Is Are, mas é um claro passo em frente rumo a sonoridades algo diferentes e mais abrangentes. E feita esta ressalva, convém esclarecer a situação pessoal atual de Zachary e que marca, indivutavelmente o conteúdo deste álbum. Assim, recordo que Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas do músico com a adição às drogas, mas o mesmo confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no seu conteúdo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos Zachary tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Deceiver é, portanto, claramente marcado por esta realidade, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia. A canção debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso.

A partir daí, o que temos é, no fundo, uma banda sonora tremendamente confessional relativamente a este processo de reabilitação e de catarse e que alarga o espetro sonoro que tipifica os DIIV, oferecendo ao seu cardápio uma dose mais carregada daquele rock com forte pendor nostálgico, que marcou a última década do século passado. Das diversas camadas de guitarras, das mudanças rítmicas e do registo vocal abafado de Horsehead, passando pelo clima melancólico que ressuscita a melhor herança de bandas como os The smashing Pumpkins, no período Gish, em, Like Before You Were Born, até ao rock efusiante e com forte travo aos Sonic Youth em Skin Game, ou a suprema melancolia de uns My Bloody Valentine na lindíssima Between Tides, são várias as referências de elite dessa década que marcaram o processo de composição melódica e instrumental de Deceiver, com especial ênfase na primeira metade do registo. A partir daí, no portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza que é Blankenship, na tonalidade progressiva e suja de Taker, no travo grunge de For The Guilty e na luminosidade vibrante de The Spark, completa-se o ciclo de um disco em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o consumiram durante tantos anos e que parecem finalmente ter sido plenamente exorcizados. Se para isso foi preciso criar um dos melhores discos do ano, já que este é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, principalmente pelo modo como faz um piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que vive permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia, melhor ainda. Espero que aprecies a sugestão...

DIIV - Deceiver

01. Horsehead
02. Like Before You Were Born
03. Skin Game
04. Between Tides
05. Taker
06. For The Guilty
07. The Spark
08. Lorelai
09. Blankenship
10. Acheron


autor stipe07 às 21:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 30 de Setembro de 2019

Temples - Hot Motion

Foi à boleia da ATO Records que já viu a luz do dia Hot Motion, o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora foi a vez de Hot Motion, onze canções que reavivam mais uma vez e com notável esforço, mas de um modo menos intuitivo, aquele som que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico.

Resultado de imagem para Temples Hot Motion

Ao terceiro disco os Temples brindam-nos com aquele que é, claramente, o alinhamento mais intrincado, complexo e grandioso da carreira do projeto. E fazem-no com uma abordagem, quer sonora quer lírica algo sombria, que talvez seja reflexo do período conturbado em que se vive atualmente nas Terras de Sua Majestade, fruto de todas as indefinições e até já de um certo caos instalado, devido ao brexit.

Portanto, Hot Motion pode muito bem ser, se o ouvinte quiser, um espelho de todo esse clima, com canções como a tremendamente nostálgica You’re Either On Something, uma composição liricamente muito bem sucedida (You're either on something or you're onto something), a homónima Hot Motion, que versa sobre as tensões do desejo, sobre sonhos e pesadelos e já com direito a um hipnótico vídeo da autoria de David Lynch, ou a desconcertante e aguda The Howl, a ficarem um pouco a milhas daquela postura mais direta, luminosa e até algo lo fi que caraterizou Sun Structures, o maravilhoso disco de estreia do grupo, que apostava em melodias contagiantes e com forte perfil radiofónico, uma premissa deixada agora para segundo plano, na minha opinião.

Assim, onde antes havia cor, espírito de aventura, jovialidade e crueza, existe agora desejo de majestosidade, de conjurar o complexo e de confrontação até, por parte de uns Temples mais sérios, digamos assim e que parecem ter sido apanhados numa teia conjuntural que terá mirrado aquela faceta divertida, ligeira e festiva que já os caraterizou e que agora parece um pouco distante. Espero que aprecies a sugestão...

Temples - Hot Motion

01. Hot Motion
02. You’re Either On Something
03. Holy Horses
04. The Howl
05. Context
06. The Beam
07. Not Quite The Same
08. Atomise
09. It’s All Coming Out
10. Step Down
11. Monuments


autor stipe07 às 18:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019

Ride - This Is Not A Safe Place

Produzido por Erol Alkan e misturado por Alan Moulder e Caesar Edmunds, This Is Not A Safe Place é o nome do novo registo de originais dos britânicos Ride de Andy Bell, que, recordo, depois de um hiato de mais de duas décadas, reuniram-se e lançaram um novo disco há três anos, intitulado Weather Diaries. Esse trabalho vê agora sucessor, depois do EP Tomorrow Shore, editado o ano passado e que continha quatro temas que sobraram das gravações de Weather Diaries.

Resultado de imagem para Ride This Is Not A Safe Place

Verdadeiras lendas do shoegaze contemporâneo, os Ride contrariam um pouco o comportamento habitual de algumas lendas do rock que se reúnem depois de uma longa ausência, editam um disco e acabam por desaparecer novamente na penumbra. De facto, existe aqui uma busca de continuidade, materializada em This Is Not A Safe Place, registo que começa a todo o vapor com R.I.D.E., uma composição cujo título não terá sido escolhido ao acaso já que plasma a nova têmpera deste grupo, além dos fundamentos essenciais do processo criativo que norteiam o projeto. Guitarras efusiantes em perfeita simbiose com sintetizadores plenos de rugosidade e uma opção estilística ao nível dos arranjos e dos detalhes que vá de encontro às noções de grandiosidade, definem o cariz geral deste tema e, de um modo geral, de todo o disco, mesmo que, logo a seguir, em Future Love, sejamos impressionados com grandiosa canção assente numa aditiva melodia com leves pitadas de surf pop e garage rock, embrulhada com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que terá o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa a habitual ousadia experimental dos Ride. Pouco depois, Clouds Of Saint Marie, o melhor momento do disco, na minha opinião, também procura replicar nuances melódicas mais luminosas e atrativas e, quase no ocaso do registo, na etérea acusticidade plena de psicadelia de Dial Up e na mais melancólica de Shadows Behind the Sun, os Ride procuram mostrar-se ecléticos, abrangentes e, principalmente, modelos, mesmo que também não tenham pudor em expôr algumas das suas principais referências. Por exemplo, o período aúreo dos Depeche Mode é, por exemplo, uma daquelas memórias significativas que surgem de modo algo espontâneo durante a audição de This Is Not A Safe Place.

Seja como for, temas como Repetition e até End Game voltam a colocar o foco na base sintética do tema inicial, através de um rock progressivo pleno de aspereza e monumentalidade e que, de certo modo nos recorda aquela amálgama de sons distorcidos e ambientações etéreas tipicamente novecentistas, com a bateria seca, os riffs planantes e o registo vocal algo cavernoso de Kill Switch a aprimorarem ainda mais todo um receituário que também não deixa de nos transportar nostalgicamente para algumas das bandas que melhor definiram a história essencial da pop de final so século passado.

Disco que vai de encontro a um desejo de renovação do grupo que se saúda e que não disfarça a elevada influencia da dupla de produtores acima referida e em especial Alan Moulder, This Is Not A Safe Place cimenta ainda mais os Ride num lugar de destaque do rock alternativo contemporâneo, não só devido ao modo como aprimoram a cada vez mais perfeita relação que mantêm com as guitarras e o modo como elas se refinam com a restante heterogeneidade instrumental para criar blocos de som plenos de criatividade, mas também pela busca de um desempenho melódico e lírico que seja o mais emocional possível. Espero que aprecies a sugestão...

Ride - This Is Not A Safe Place

01. R.I.D.E.
02. Future Love
03. Repetition
04. Kill Switch
05. Clouds Of Saint Marie
06. Eternal Recurrence
07. 15 Minutes
08. Jump Jet
09. Dial Up
10. End Game
11. Shadows Behind The Sun
12. In This Room


autor stipe07 às 12:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 20 de Agosto de 2019

Surfer Blood – Hourly Haunts EP

Parece que ainda foi ontem, mas já está a comemorar uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa. Para assinalar a efeméride o grupo anunciou o lançamento do sucessor de Snowdonia (2017), um novo álbum ainda sem nome, que irá chegar aos escaparates no próximo ano e divulgou Hourly Haunts, um EP com seis canções e com uma identidade própria já que nenhum destes novos temas do quarteto fará parte desse trabalho que irá ver a luz do dia em dois mil e vinte.

Resultado de imagem para Surfer Blood Hourly Haunts EP

Atualmente formados por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McCleary e Lindsey Mills e com um percurso algo acidentado mas sempre profícuo e balizado por um surf rock claramente feliz no modo como pisca o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, os Surfer Blood oferecem-nos em Hourly Haunts talvez a coleção de canções mais inspirada dos seus dez anos de carreira. São seis composições solarengas, assentes num rock direto e incisivo, tremendamente luminoso e otimista, bastante festivo e exuberante, feito à boleia de guitarras em que abundam várias camadas de distorção, um detalhe imprescindível para o dinamismo de um EP extremamente criativo e pleno de melodias únicas e com um forte cariz radiofónico.

Assim, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Around Your Sun à nostalgia ensolarada de Atom Bomb e ao frenesim pop de Nm Sky Song, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em Windy e, no ponto alto do EP, pelo energia otimista que exala de Cariboo, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado. Não restam dúvidas que os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Este é claramente o caso. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - Hourly Haunts

01. Around Your Sun
02. Cariboo
03. Windy
04. NM Sky Song
05. Atom Bomb
06. Edge Of The World


autor stipe07 às 14:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

Allah-Las – Polar Onion

Allah-Las - Polar Onion

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Polar Onion é o mais recente single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, uma composição imbuída de uma indesmentível vibe sessentista, assente em luminosas cordas, uma percurssão tremendamente groove e alguns efeitos hipnóticos na guitarra, detalhes que sustentam uma das mais belas melodias de um disco que certamente abraçará também a folk e o country sulista americano, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las. Confere...


autor stipe07 às 17:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019

Temples – You’re Either On Something

Temples - You're Either On Something

Será a vinte e sete de setembro próximo e à boleia da ATO Records que irá ver a luz do dia o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora será a vez de Hot Motion, onze canções das quais já se conhece a que dá nome ao álbum e que abre o seu alinhamento e You’re Either On Something, a segunda composição do registo.

Música tremendamente nostálgica e liricamente muito bem sucedida (You're either on something or you're onto something), You’re Either On Something contém uma sonoridade eminentemente lisérgica e com aquele forte travo setentista, que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico, uma abordagem algo sombria por parte dos Temples e que faz adivinhar um registo mais intrincado, grandioso e complexo que os antecessores. Confere...


autor stipe07 às 21:41
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 6 de Agosto de 2019

Ty Segall - First Taste

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Segall tem editado ultimamente, em média, dois registos por ano, adicionando à sua discografia, tomo após tomo, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se First Taste e viu a luz no início deste mês de agosto, por intermédio da Drag City.

Resultado de imagem para ty segall first taste

Décimo segundo trabalho discográfico da carreira do músico e o primeiro do californiano sem ter as guitarras na linha da frente do processo de composição das suas canções, First Taste é também um dos seus mais ecléticos e heterogéneos registos, porque nos oferece novas nuances que conferem um grau de inedetismo ao seu alinhamento quando comparado com os antecessores mais recentes. Convém, no entanto, salientar que se as guitarras foram substituidas por teclados, sintetizadores e cordas de outras proveniências, First Taste não deixa de soar a um registo típico de Ty Segall porque, mesmo tendo optado por um caminho diferente do habitual, acabou por entroncar, como seria de esperar, naquela caraterística crueza do fuzz que define a personalidade sonora do autor, mas também, tendo em conta a luminosidade do banjo que sustenta The Arms e a indisfarçável melancolia que exala da fabulosa ode festiva do banjo que aquece Lone Comboys, na limpidez que nunca se mostra exageradamente pop e que também marca alguns dos melhores momentos da sua carreira.

Ty Segall tem uma visão muito própria da dita psicadelia e em First Taste, com a tal opção pelo aparente desprezo relativamente à sua fiel amiga guitarra, mostra não só uma bem sucedida saída da sua habitual zona de conforto, mas também uma nova forma de atingir o noise lo fi que tanto lhe diz. Taste, o ruidoso imponente tema que abre o alinhamento do disco, tem esse cunho de acessibilidade, com o travo blues de Whatever, a majestosidade vocal que depois é afagada por um subtil piano em Ice Plant e a imponente parede percurssiva que cerra os punhos aos sons abrasivos sintetizados que se intrometem em Self Esteem, a serem outros momentos altos de mais uma espécie de viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

Confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas ou projetos têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso de Ty Segall a fórmula selecionada desta vez é muito simples, sair da tal zona de conforto. E aquilo que sobressai de First Taste acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução deste verdadeiro mestre do improviso psicadélico, capaz de utilizar um receituário diferente e continuar a criar aquelas atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, feita de imensa aúrea crua e visceral e, como é seu apanágio, eminentemente sessentista. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Dezembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Tame Impala – Posthumous ...

Moon Duo – Stars Are The ...

Local Natives – Nova

TOY – Songs Of Consumptio...

Born-Folk - Come Inside! ...

Pond – Sessions

Mikal Cronin – Seeker

Vetiver – Up On High

Deerhunter – Timebends

Tame Impala – It Might Be...

The Growlers – Natural Af...

Panda Bear – Playing The ...

Allah-Las - Lahs

DIIV - Deceiver

Temples - Hot Motion

Ride - This Is Not A Safe...

Surfer Blood – Hourly Hau...

Allah-Las – Polar Onion

Temples – You’re Either O...

Ty Segall - First Taste

Dope Lemon – Smooth Big C...

Night Moves - Can You Rea...

The Laurels – Sound Syste...

Clinic – Wheeltappers And...

Temples - Hot Motion

X-Files

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds