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GUM & Ambrose Kenny-Smith – Dud

Sexta-feira, 14.06.24

GUM é um projeto a solo liderado pelo australiano Jay Watson, um músico com ligações estreitas aos POND e aos Tame Impala, que em dois mil e vinte e três fez faísca no nosso radar devido a um disco intitulado Saturnia, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do verão e que sucedeu ao registo Out In The World, que o artista lançou em dois mil e vinte.

Jamie Terry

Agora, cerca de dez meses depois de Saturnia, GUM está de regresso e de mãos dadas com Ambrose Kenny-Smith, um dos elementos fundamentais dos King Gizzard. Juntos andaram a incubar um disco intitulado Ill Times, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia a dezanove de julho, com a chancela da p(doom) Records, a etiqueta dos King Gizzard.

Do alinhamento de III Times escutámos há algumas semanas o tema homónimo, um estrondoso hino à melhor herança do rock psicadélico setentista do século passado, uma canção imponente, repleta de guitarras encharcadas com riffs impetuosos, acamados por um baixo cavernoso.

Agora também já é possível escutar Dud, a canção que abre o disco. Dud é um tema que Kenny-Smith tinha começado a compôr com o seu avô Broderick Smith, um músico bastante conhecido na Austrália e que faleceu em maio do ano passado. A dupla acabou por terminar o serviço e o resultado final é uma estonteante canção com uma ímpar vibração cósmica, sensação conferida por sintetizações planantes, um registo percussivo enleante acamado por um baixo encorpado e diversos entalhes de guitarras e de sopros, num resultado final assente num puro e salutar experimentalismo. Confere Dud e o vídeo do tema dirigido pela dupla Matt Wallace e Jack Rule, da Recliner Films...

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publicado por stipe07 às 17:17

The Besnard Lakes – (Dizzy) Eagle

Terça-feira, 04.06.24

Pouco mais de dois anos depois de The Besnard Lakes Are The Last Of The Great Thunderstorm Warnings, os canadianos The Besnard Lakes, do casal Jace Lasek e Olga Goreas e aos quais se juntam Sheenah Ko, Kevin Laing, Gabriel Lambert, estão de volta ao nosso radar devido a uma nova canção intitulada (Dizzy) Eagle, gravada nos estúdios The Rigaud Ranch e que infelizmente ainda não traz atrelada o anúncio de um novo disco da banda de Montreal.

The Besnard Lakes (photo: Marc-Étienne Mongrain)

(Dizzy) Eagle é um fabuloso portento de rock progressivo, com um forte pendor cinematográfico e de elevado cariz experimental, um tema intrincado e complexo, repleto de nuances e variações rítmicas, como é apanágio deste quinteto. É uma canção eloquente e épica e onde das guitarras aos sintetizadores, todas as porções sonoras que nela desfilam encaixam como um enorme puzzle que, no seu todo, cria uma atmosfera sonhadora e plena de hipnotismo, muito por culpa também da voz única de Olga, que nos embala rumo a um mundo onde também abunda um elevado travo vintage particularmente psicadélico. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:58

DIIV – Frog In Boiling Water

Terça-feira, 28.05.24

Meia década depois de Deceiver, os DIIV de Zachary Cole-Smith, Andrew Bailey, Colin Caulfield e Ben Newman estão de regresso aos discos com Frog In Boiling Water, o quarto compêndio de originais da carreira da banda nova-iorquina que se estreou em dois mil e doze com o extraordinário álbum Doused. Com Chris Coady nos créditos da produção, Frog In Boiling Water tem dez canções e viu a luz do dia muito recentemente, com a chancela da Fantasy.

Albums Of The Week: Diiv | Frog In Boiling Water - Tinnitist

Banda com pouco mais de uma década de existência, os DIIV imprimiram desde o início no seu adn alguns atributos essenciais que, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, nos têm conduzido a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Frog In Boiling Water não renega totalmente esta essência, porque a marca das guitarras está bem presente, mas oferece aos DIIV uma apreciável guinada conceptual, já que os coloca na senda daquele rock com elevado travo shoegaze, feito de cordas sujas e tremendamente abrasivas, acamadas por um baixo imponente, mas discreto. A voz de Zachary sempre ecoante e um registo percussivo geralmente arrastado e simultaneamente hipnótico, são outros atributos transversais a todo o registo, com os sintetizadores a conferirem a toda a trama os indispensáveis adornos, além de ajudarem as canções a terem a alma e a filosofia desejadas.

De facto, logo no modo como em In Amber a guitarra inicial é cercada por outra repleta de riffs incandescentes e abrasivos, percebe-se o passo em diante que os DIIV dão com Frog In Boiling Water que, ao invés de envergonhar o catálogo do grupo, engrandece-o. De facto, rapidamente nota-se que este disco amplifica ainda mais a faceta oitocentista que instigou sempre o quarteto no momento de compor e de criar. Instrumentalmente nota-se um superior cuidado com os detalhes e a busca constante de majestosidade e têmpera são uma constante. Conceitos como densidade, nostalgia, crueza e hipnotismo, assaltam a nossa mente canção após canção, sempre com elevada essência pop e um acerto melódico que nunca vacila.

Brown Paper Bag, um incrível oásis de complacência e de infinitude cavernosa feitas de punhos cerrados à sombra de uma guitarra com uma distorção intrigante e um registo melódico impetuoso, o perfil tremendamente nostálgico de Raining On Your Pillow, uma canção que impressiona pelo modo como um timbre metálico da guitarra cria um contraste imensurável com o discreto perfil sintético que acama o tema, a mescla feliz entre um grunge rugoso e um shoegaze intenso de forte cariz lo fi no tema homónimo, uma canção que ironiza sobre o modo como o nosso mundo poderá estar prestes a implodir devido ao seu próprio peso, a nebulosa pujança de Reflected, o portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza que é Somber The Drums e, a rematar de modo grandioso Frog In Boiling Water, o vigoroso clima melancólico que exala da intrincada e tremendamente detalhística monumentalidade que sustenta Fender On The Freeway, completam o ciclo de um disco homogéneo e em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr, uma vez mais, sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o vão consumindo e que carecem constantemente de exorcização.

Frog In Boiling Water é, em suma, um incondicional atestado de segurança, de vigor e de superior capacidade criativa dos DIIV, que conceberam um lugar mágico que, mesmo sendo abastadamente ruidoso e sonoramente atiçador, não deixa de conter um toque de lustro de forte pendor introspetivo e que nos provoca um saudável torpor, devido à sua atmosfera densa e pastosa, mas também libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que não nos deixa iguais e indiferentes após a sua audição, desde que dedicada, também por causa do seu perfil intenso e catalisador. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:51

GUM – Ill Times

Quinta-feira, 16.05.24

GUM é um projeto a solo liderado pelo australiano Jay Watson, um músico com ligações estreitas aos POND e aos Tame Impala, que em dois mil e vinte e três fez faísca no nosso radar devido a um disco intitulado Saturnia, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do verão e que sucedeu ao registo Out In The World, que o artista lançou em dois mil e vinte.

King Gizzard Crown New Label With Jay Watson/Ambrose Kenny-Smith LP - SPIN

Agora, cerca de nove meses depois de Saturnia, GUM está de regresso e de mãos dadas com Ambrose Kenny-Smith, um dos elementos fundamentais dos King Gizzard. Juntos andaram a incubar um disco intitulado Ill Times, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia a dezanove de julho, com a chancela da p(doom) Records, a etiqueta dos King Gizzard.

Do alinhamento de III Times já se conhece o tema homónimo, um estrondoso hino à melhor herança do rock psicadélico setentista do século passado. É uma canção imponente, repleta de guitarras encharcadas com riffs impetuosos, acamados por um baixo cavernoso. Este perfil orgânico que sustenta a composição é depois embrulhado por uma vasta pafernália de sintetizações cósmicas, às quais compete um extraordinário papel de adorno, num resultado final repleto de guinadas, interseções, detalhes inesperados e trechos de puro experimentalismo. Confere o single III Times e a tracklist de III Times...

Dud
Ill Times
Minor Setback
Fool For You
Resilience
Powertrippn’
Old Transistor Radio
Emu Rock
Marionette
The Gloater

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publicado por stipe07 às 16:40

EELS – If I’m Gonna Go Anywhere

Segunda-feira, 13.05.24

Quase três anos depois do excelente registo Extreme Witchcraft, os Eels de E. (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo, estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e quatro com Eels Time!, o décimo quinto registo da carreira do grupo norte-americano, um alinhamento de doze canções que irá ver a luz do dia a sete de junho com a chancela do consórcio E Works e PIAS Recordings.

Gravado em Los Feliz, na Califórnia, e Dublin, na Irlanda, com a colaboração do músico e ator Tyson Ritter, Eels Time! irá conter alguns dos temas mais introspetivos e pessoais que Mark Oliver Everett escreveu e compôs na sua carreira, muito à imagem do que criou no disco End Times, em dois mil e dez, algo que estava bem patente em Time, o primeiro single retirado do álbum e que divulgámos no início do mês de março.

No entanto, não é só de intimidade e acusticidade que irá viver Eels Time!, tendo em conta Goldy, o segundo single retirado do registo e terceira canção no seu alinhamento e um dos temas escritos a meias com Ritter, canção que divulgámos no início do passado mês de abril e que apostava em territórios sonoros mais eletrificados e, de certo modo, mais angulosos.

Esta abrangência sonora bem patente nos dois primeiros singles não desmente a expetativa inicial relativamente a Eels Time! e que foi descrita acima, porque um evidente espírito predominantemente acústico foi permissa essencial da construção da base melódica dessas duas canções, mesmo de Goldy, algo que se mantém em If I'm Gonna Go Anywhere, o terceiro single retirado do alinhamento do disco. Trata-se de uma composição que, à semelhança de Goldy, foi escrita a meias com Ritter e que impressiona pelo inedetismo de um entalhe sintetizado que se vai insinuando por cordas acomodadas com sobriedade e por um registo percussivo bem vincado, criando um clima planante e algo psicadélico, com um elevado travo experimentalista, a fazer lembrar a sonoridade predominante dos primeiros discos da banda, nomeadamente o Beautiful Freak, de mil novecentos e noventa e seis.

If I'm Gonna Go Anywhere é, sem dúvida, mais uma belíssima amostra de um disco que deverá estar recheado de composições felizes e empolgantes, que irão manter bem viva a aúrea de um grupo essencial no momento de contar a história do melhor rock alternativo das últimas três décadas. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:46

Lionlimb – Underwater

Sexta-feira, 10.05.24

Amigos desde os tempos de escola, Stewart Bronaugh e Joshua Jaeger são o núcleo duro do projeto Lionlimb, que se estreou em dois mil e dezasseis com um disco intitulado Shoo. Dois anos depois chegou aos escaparates Tape Recorder e em dois mil e vinte e um Spiral Groove, um registo que já tem sucessor. Trata-se de um alinhamento de dez canções intitulado Limbo, que conta com a participação especial vocal de Angel Olsen em alguns temas e que irá ver a luz do dia a vinte e quatro de maio, com a chancela da Bayonet.

Lionlimb: Navegando en las profundidades del amor con 'Underwater' | Mindies

Hurricane, a segunda composição do alinhamento, foi o primeiro single retirado de Limbo, um álbum produzido pelo próprio Stewart Bronaugh e gravado em Nova Iorque, cidade onde a dupla está sedeada, com a ajuda do produtor Robin Eaton. A canção passou por cá no final do último mês de março e versava sobre o desafio constante em que cada um de nós vive, pela busca de algo que nos leve além das fragilidades inerentes à nossa condição humana e que também versa sobre as despedidas constantes e a eterna insatisfação em que todos vivemos. Depois, em meados de abril, chegou a vez de escutarmos Dream Of You, um dos temas que conta com a participação especial vocal de Angel Olsen e a quinta canção do alinhamento do disco.

Agora, cerca de um mês depois, conferimos Underwater, o terceiro tema do alinhamento do álbum, mais uma composição intensa e lisérgica. Underwater é um ziguezagueante tratado de melancolia, que navega nas águas turvas e profundas daquela dream pop de forte pendor psicadélico, destacando-se o modo como o piano confere ao tema uma densidade impactante e uma tonalidade emotiva ímpares. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:14

Frans Asthma – Wait Outside EP

Sexta-feira, 03.05.24

Uma das boas surpresas que entrou nos ouvidos da nossa redação por estes dias chama-se Wait Outside, o novo EP de Frans Asthma, um músico norte-americano, natural do Arizona e que se move tranquilamente em territórios sonoros assentes num indie rock atmosférico, com um elevado travo lo fi e um espírito shoegaze ímpar.

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Em pouco mais de oito minutos é possível absorver tranquilamente as quatro canções de Wait Outside, um EP em que sedução e melancolia se confundem e se arrastam, no bom sentido, tranquilamente, nas asas de uma guitarra crua, dedilhada com uma delicadeza muitas vezes surreal e uma simplicidade estonteante e que resulta, mas sem deixar de exalar um vigor e uma energia que mexe com os nossos sentimentos mais íntimos.

Tratam-se, portanto, de quatro temas que expandem no catálogo deste músico novos horizontes no campo da experimentação sonora, enquanto materializa um exercício comunicacional ávido com o lado mais indecifrável do ouvinte, o seu âmago, já que existe um travo cinematográfico intenso nestes oito minutos e um convite claro à introspeção, algo que, garantimos, acaba por suceder inconscientemente. De facto, estas quatro canções têm esse efeito mágico sobre quem as escuta e não se sai incólume da audição de um EP cheio de melodias harmoniosas e luminosas e que não deixam ninguém indiferente à sua passagem. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:50

Hallelujah The Hills – Here Goes Nothing (Feat. Titus Andronicus)

Quinta-feira, 02.05.24

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em dois mil e cinco por Ryan Walsh, ao qual se juntam atualmente, na formação, Elio DeLuca, Joe Marrett, Matt Brown, Eric Meyer, Brian Rutledge, Ryan Connelly. Estrearam-se em dois mil e dezassete com Collective Psychsis Begone, dois anos depois o sempre difícil segundo disco chamou-se Colonial Drones e chamaram a atenção da nossa redação em dois mil e doze com o registo No One Knows What Happens Next, um álbum que teve sucessor no dia treze de maio de dois mil e catorze, um trabalho intitulado Have You Ever Done Something Evil?, que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago e que também foi dissecado por cá.

Titus Andronicus' Patrick Stickles Guests On Hallelujah The Hills' "Here  Goes Nothing"

Agora, uma década depois dessa última aparição dos Hallelujah The Hills na nossa redação, a banda está de regresso ao nosso radar devido a Here Goes Nothing, um novo tema da banda que conta com a participação especial vocal de Patrick Stickles aka Titus Andronicus e que encarna a mais recente contribuição do grupo para o seu projeto DECK, um compêndio de cinquenta e duas canções que irão dar origem a quatro álbuns, com cada tema a corresponder a uma carta de um baralho convencional.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em composições que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, temas que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rock, pós punk e rock clássico.

Here Goes Nothing é um bom exemplo desse modus operandi, uma canção que incorpora uma sonoridade crua e rápida, assente na pujança da bateria e do baixo e em cordas inspiradas nesse cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas que também não descuram o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk, sem renegar algumas nuances mais psicadélicas. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:24

DIIV – Frog In Boiling Water

Segunda-feira, 29.04.24

Meia década depois de Deceiver, os DIIV de Zachary Cole-Smith, Andrew Bailey, Colin Caulfield e Ben Newman estão de regresso aos discos com Frog In Boiling Water, o quarto compêndio de originais da carreira da banda nova-iorquina que se estreou em dois mil e doze com o extraordinário álbum Doused. Com Chris Coady nos créditos da produção, Frog In Boiling Water terá dez canções e irá ver a luz do dia a vinte e quatro de maio, com a chancela da Fantasy.

DIIV Share New Album's Title Track "Frog In Boiling Water": Listen

Há quase três meses conferimos na nossa redação, Brown Paper Bag, o primeiro single retirado do alinhamento de Frog In Boiling Water, uma composição imponente e rugosa, que se ia arrastanto à boleia de um baixo encorpado que acamava cascatas de guitarras intensas, abrasivas e sujas. Depois, no início deste mês de abril, escutámos Everyone Out, o quinto tema do alinhamento de Frog In Boiling Water, uma composição com um perfil sonoro menos ruidoso que o primeiro tema revelado do disco, feita com diversos arranjos acústicos com uma crueza e um imediatismo irrepreensíveis, que acamavam um trecho melódico algo hipnótico.

Agora, no final do mês, chega a vez de conferirmos o tema homónimo deste novo álbum dos DIIV e a quarta composição do seu alinhamento. Frog In Boiling Water, uma canção que ironiza sobre o modo como o nosso mundo poderá estar prestes a implodir devido ao seu próprio peso, assenta num intenso perfil noventista, algures entre um grunge rugoso e um shoegaze intenso, à boleia de guitarras abrasivas e que enquanto se arrastam por uma melodia imponente, vão recebendo diversos detalhes e arranjos, num resultado final simultaneamente majestoso e de elevado travo lo fi, como é usual nas propostas dos DIIV. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:07

Woods – Five More Flowers EP

Domingo, 28.04.24

Com uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, aos quais se junta John Andrews, tem-nos habituado, tomo após tomo, a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. E foi isso que sucedeu em dois mil e vinte e três com Perennial, um álbum que, plasmando tais laivos de inedetismo, entroncou num fio condutor, com particular sentido criativo, já que, mantendo a tónica num perfil eminentemente indie folk, foi trespassado por algumas das principais nuances do rock alternativo contemporâneo e colocou um elevado ênfase num indisfarçável clima jazzístico.

Woods Release Surprise New EP 'Five More Flowers' - Our Culture

Agora, pouco mais de meio ano depois de Perennial, os Woods estão de regresso em formato EP com Five More Flowers, um tomo de cinco canções que foram gravadas durante as sessões de Perennial, mas que ficaram de fora do alinhamenrto do registo. São cinco composições que sobrevivem à custa de um experimentalismo sonoro eminentemente contemplativo e que, entre o indie rock e a folk, exalam um elevado travo psicadélico.

Melodias com um perfil sonoro eminentemente acústico, jogos de vozes que se intersetam entre si continuamente e delicados apontamentos sonoros apadrinhados por teclas e cordas, colocam a nú a elaborada e eficazmente arriscada filosofia experimental interpretativa de um grupo bastante seguro a manusear o arsenal instrumental de que se rodeia e que aposta cada vez mais em composições com arranjos inéditos e que são abordados e construídos através de uma perspetiva que se percebe ter resultado de um trabalho aturado de criação que, tendo pouco de intuitivo, diga-se, plasma, com notável impressionismo, a enorme qualidade musical dos Woods.

Assim, se o EP dá o pontapé de saída com Day Before Your Night, pouco mais de quatro minutos feitos com um som leve, cativante e repleto de texturas lisérgicas, a seguir, Lay With Luck, uma belíssima composição nostálgica, solarenga e ecoante, com um elevado travo reflexivo e íntimo, adornada por cordas exemplarmente dedilhadas, uma guitarra encharcada num fuzz fascinante e conduzida por uma bateria enleante, é um exemplo claro dessa tal aposta que mostra vigor, segurança e enorme cumplicidade. Depois, e ainda na senda dos instrumentais, uma nuance cada vez maior dos Woods e que também comprova este modus operandi abrangente, Stinson Morning, afirma com esplendor esta toada mais jazzística e subtilmente experimental.

Em suma, este EP além de servir de complemento eficaz e aditivo a um disco que tinha uma intenção clara de estabelecer um diálogo sonoro com o ouvinte que convidava à reflexão, ao mesmo tempo que nos induzia uma sonoridade agradável, sorridente e o mais orgânica possível, comprova aquela quase presunçosa segurança que os Woods demonstram na criação e na interpretação de canções que, tendo claramente o adn Woods, não são assim tão óbvias para os ouvintes. E isso acontece, e ainda bem, porque este projeto é exímio a passear por diferentes universos musicais sempre com superior encanto interpretativo e sugestivo pendor pop, enquanto se assume cada vez mais como uma banda fundamental do rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:56






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