Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

The KVB – Only Now Forever

Foi no passado dia doze de outubro à boleia da Invada Records que chegou aos escaparates Only Now Forever, o sexto registo de originais da carreira dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Liderados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, o núcleo duro do projeto, os The KVB gravaram este Only Now Forever em Berlim, no apartamento que a banda tem nessa cidade alemã, depois de um ano de dois mil e dezasseis particularmente intenso e repleto de concertos.

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Only Now Forever é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e conduzidas por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta a voluptuosa epicidade de Above Us, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de On My Skin e a melodia enleante de Only Now Forever, o tema homónimo do disco, três dos vários momentos altos deste agregado, Only Now Forever está recheado de canções onde os sintetizadores se posicionam numa posição cimeira, mas onde a primazia melódica foi entregue às guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vibrante que nos recorda a importância que este instrumento ainda tem no punk rock mais sombrio que influencia tanto e tão bem esta banda. E há que realçar que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal.

Only Now Forever é mais uma cabal demonstração do modo exemplar como os The KVB são capazes de se insinuar nos nossos ouvidos com uma toada geral de elevado travo orgânico e fazem-no de modo inédito, porque são poucos os projetos contemporâneos que conseguem aliar desta forma a monumentalidade das cordas eletrificadas e da percurssão, com uma abundância de arranjos delicados, quer sintéticos, quer feitos com metais minimalistas. De facto, enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB já balizaram com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Only Now Forever

01. Above Us
02. On My Skin
03. Only Now Forever
04. Afterglow
05. Violet Noon
06. Into Life
07. Live In Fiction
08. Tides
09. No Shelter
10. Cerulean


autor stipe07 às 21:42
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Sons Of Kemet - Your Queen Is A Reptile

Your Queen Is a Reptile é o terceiro álbum do grupo britânico de jazz Sons of Kemet, um coletivo incubado em dois mil e onze e atualmente formado Shabaka Hutchings, Tom Skinner, Theon Cross e Eddie Hick. O grupo costuma servir-se do saxofone e do clarinete, instrumentos de sopro tocados por Hutchings, da tuba de Cross e de um exemplar trabalho de percurssão a cargo de Skinner e Hich para oferecer-nos um som que mistura o melhor do jazz, com alguns dos principais arquétipos do rock, da folk caribenha, do dub, da tropicalia e da música africana de cariz mais tradicional.

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Your Queen Is A Reptile é uma referência direta à rainha de Inglaterra e à coroa britânica, assim como as notas da capa do disco. O objetivo do grupo é denunciar um ponto de vista, segundo o qual a atual monarca britânica não representa os imigrantes negros e não os vê como humanos, discriminando-os racialmente. Assim, nas nove canções do registo, o coletivo serve-se de cada uma das composições para homenagear figuras femininas de relevo, todas reais e com histórias de vida conturbadas, que subiram a pulso e que os Sons Of Kemet assumem ser as mulheres que realmente lhes importam e que regem as suas vidas.
Produzido pelo próprio Shabaka Hutchings, Your Queen Is A Reptile tem como grande motor melódico o saxofone deste músico, instrumento que depois vai suscitar nos restantes elementos sonoros a inserção de arranjos e detalhes que vão dar corpo a composições sempre com uma tonalidade grave, bastante encorpada e tremendamente ritmada. 
Assim, só para citar alguns exemplos e deixando de lado a terminologia inicial My Queen Is, se em Angela Davis, canção que homenageia uma filósofa norte americana comunista acusada injustamente de matar um juiz na época de militância pelos Panteras Negras, na década de sessenta, presente-se os perigos e a perseguição que lhe foi movida através da gravidade da tuba, já em Mamie Phips Clark, uma psicóloga ativista que estudou a autoestima de crianças negras também nessa década, assistimos a uma espiral frenética que mistura dub e rock psicadélico, um efeito potenciado por uma superior performance na bateria. Depois, a coragem e a energia ativista da espiã do tempo da Guerra Civil americana, Harriet Tubman, um rosto recente das notas de vinte dólares e que se notabilizou por levar a cabo missões que libertaram centenas de escravos, é personificada pela modo ágil e virtuoso com que a melodia ganha vida com superior homogeneidade, através dos melhores recursos de todo o arsenal instrumental dos Sons Of Kemet.

Your Queen Is A Reptile tira do anonimato contemporâneo personagens que tiveram os seus momentos de dor, mas também de glória e de reconhecimento, mesmo que póstumo e cujos ideais que defenderam acabam por ser ainda muito atuais, num mundo que continua a não saber respeitar a diferença e as minorias. Numa Inglaterra aristocrática, a viver o Brexit em pleno, com uma certa fobia relativamente aos imigrantes e onde a Monarquia sempre mostrou um posicionamento político algo conservador, este disco faz ainda mais sentido, sendo um exercício claramente recompensador pesquisar acerca destas mulheres constestatárias de sistemas vigentes quase sempre impostos à força e depois relacioná-las com a abordagem sonora que os Sons Of Kemet criaram para lhes dar vida, cor, ritmo e voz. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:40
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Domingo, 30 de Setembro de 2018

Cave Story - Punk Academics

Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga têm novas histórias para contar, através de um registo de originais que é também um panfleto de estudos, intitulado Punk Academics e que viu a luz do dia à boleia da Lovers & Lollypops. É um alinhamento que disserta sobre a Punk Rock Academy mencionada no disco de 1997 A Society of People Named Elihu, do projeto Atom & His Package e que nos mostra alguns dos melhores atributos sonoros dos Cave Story, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre.

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Sucessor do excelente West, o disco de estreia dos Cave Story editado há quase dois anos, Punk Academics solidifica e tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste projeto das Caldas da Rainha sempre aberto e pronto para novas sonoridades, mas que confessa sentir-se mais confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora, o baixo, a guitarra e a bateria.

Punk Academics começa a escorrer pelos nossos ouvidos e logo no timbre metálico e na distorção rugosa de Available Markets somos apimentados por um manto de fundo, algo lo fi empoeirado, que vai cobrir o registo até ao seu ocaso. O grande alicerce deste edifício conceptual que ficou tão bem plasmado nesse tema inicial é uma guitarra vintage, sempre disponível para adaptar-se, tema após tema, aos diversos pressupostos que sustentam quer o indie rock lo fi, quer o de cariz mais psicotrópico. Se em composições como Modern Face ou Some More Bodies ela parece recuar quase meio século até à génese dos The Rolling Stones e à irremediável crueza dos The Kinks, depois, ao ser exemplarmente acompanhada por uma secção rítmica vigorosa e assertiva, impressiona pelo modo como se entrelaça com o baixo em Offered Forms Of Escape, canção com um travo indisfarçável e que encontra raízes no cenário punk setentista britânico, à semelhança do single Special Dinners e da frenética composição Real Racing. Já Nickel Sports e Motioned são instantes em que esse mesmo punk, olha com especial gula para o nova iorquino, que foi dominado já na alvorada deste século por nomes de relevo como os The Strokes. Para terminar em grande, o tema homónimo do disco remata com tremendo bom gosto e entusiasmo o mapa sonoro de Punk Academics através de uma faustosa ode aquele experimentalismo psicadélico setentista, algures entre os Sparks e os The Television, percebendo-se aí a elevada abrangência de uma banda cada vez mais vanguardista devido ao modo como consegue assimilar todas estas heranças e criar um mapa sonoro que nos conquista e seduz, e que acaba por ser tremendamente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

13 Outubro – Arco 8 – São Miguel, Ponta Delgada
20 de Outubro – Club Vila Real – Vila Real
10 de Novembro – Carmo 81 – Viseu
24 de Novembro – Salão Brazil – Coimbra 
8 de Dezembro – Stereogun – Leiria


autor stipe07 às 09:16
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2018

Caged Animals – Escape Artist

Foi a dez de agosto que viu a luz do dia Escape Artist, o mais recente registo de originais dos nova iorquinos Caged Animals, uma banda oriunda do bairro de Brooklyn e liderada por Vincent Cacchione. Recordo que os Caged Animals emergiram das cinzas dos Soft Black, banda que Vincent partilhava com Zachary Cole Smith, dos DIIV, juntamente com a sua irmã Talya e Magali Charron e Patrick Curry. Atualmente Cacchione conta com a companhia de Magali, que também é sua esposa, na liderança dos Caged Animals.

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Escape Artist é um registo com uma história bastante curiosa. Na última digressão da banda pelo país natal, há um par e anos, a carrinha foi roubada e e no seu interior estava a única cópia de um disco terminado. Poucos dias depois Vincent soube que a mulher estava grávida, mesmo a pouco tempo de fazer trinta anos, uma idade sempre marcante. Esta sequência de eventos deixou o músico bastante pensativo e algo desorientado, mas com a ajuda preciosa de Magali colocou novamente mãos à obra e, inspirado por toda esta sequência inusitada de eventos, que inclui já um segundo filho, começou a incubar um registo que junta um intricado conjunto de gostos eclécticos retro e futuristas e que vão do experimentalismo lo-fi às insinuações folk new-wave, passando pelo rock e a soporífera chillwave, uma eletrónica cintilante que é rematada com uma voz que única e que parece, a qualquer momento, poder vir a explodir a emocionalmente

Começamos a escutar os detalhes percurssivos sintéticos inebriantes de These Dark Times e percebemos logo que esta canção leva-nos para o interior de um trabalho cujo conteúdo sonoro e lírico pretende funcionar como uma espécie de estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na existência de algo superior a nós mesmos, mesmo que as adversidades pareçam querer dominar o nosso presente e enevoar o futuro. Depois no groove rugoso pleno de soul de Get It Through My Heart, no clima algo místico do saxofone de Wild Dances, na jazzística The Man Who Walked Alone, no piano demolidor que conduz o single Ghost Riding ou na pureza da folk de Lost In The Sand, somos definitivamente seduzidos por um disco arrebatador na sua simplicidade intimista e espiritual, uma sequência sonora perfeita para funcionar como estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na nossa capacidade de viver numa contínua ilusão, uma qualidade intrínseca a todo o ser humano.

 Escape Artist estende-nos a mão para nos levar numa viagem de texturas felpudas e sintetizadores futuristas que embalam palavras esperançosas embrulhadas com tiques sonoros peculiares que misturam de tudo um pouco com uma exuberância caleidoscópica. Curiosamente, tendo em conta a trama acima descrita, é um registo que parece servir para nos fazer refletir sobre as agruras da maioridade através de uma retórica sonora que não deixa de se imbuir de uma ingenuidade e uma melacolia que só pode ser degustada por quem quer conhecer um mundo onde só cabem os adultos que nunca puseram de parte o seu lado mais infantil. Espero que aprecies a sugestão...

Caged Animals - Escape Artist

01. These Dark Times
02. Get It Through My Heart
03. Wildflowers
04. Night Dances
05. Making Magic
06. The Man Who Walked Alone
07. Solid Steel
08. Escape Artist
09. Ghost Riding
10. Chris Metallic
11. The Oak And The Shrub
12. Lost In The Sand
13. Shadows


autor stipe07 às 21:09
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

TOY – The Willo vs Energy

Desde dois mil e dez os TOY têm vindo a ganhar uma reputação de banda íntegra, virtuosa e tremendamente criativa, com Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold (desde dois mil e quinze) a oferecerem a uma base já sólida de seguidores um leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, sempre aliadas a um aturado trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio.

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O próximo grande passo da carreira dos TOY será a edição de um novo álbum, já no início do próximo ano, um registo que irá marcar uma nova visão sonora ainda mais distintiva e original, agora à boleia da etiqueta Tough Love, a nova editora do projeto. Para quem conhece a discografia dos grupos, percebe esta progressão depois de ouvir The Willo e Energy, as duas novas canções acabadas de editar pelos TOY, em formato digital e em formato físico, este através de um vinil de doze polegadas, numa edição limitada a quinhentas cópias, duzentas delas em vinil transparente.

The Willo e Energy impressionam ainda mais porque são dois temas díspares e, por isso, uma prova cabal do elevado grau de ecletismo e de abrangência desta banda londrina. Na primeira conferimos sete minutos que nos levam numa inebriante viagem psicadélica ambiental, assente na astúcia acústica de Maxim e no orgão inspirado e elegante de Max. Já Energy é um contagiante frenesim elétrico, conduzido por um feroz riff de guitarra proporcionado por Dominic e um superior desempenho na bateria, a cargo de Charlie, num tema em que Max Dougall escreve sobre alguns rituais noturnos. Confere...

TOY - The Willo-Energy

01. The Willo
02. Energy


autor stipe07 às 18:01
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

Papercuts – Sing To Me Candy

Papercuts - Sing To Me Candy

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com uma digressão juntamente com os Beach House, que servirá para promover Parallel Universe Blues, dez canções que irão ver a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues terá certamente um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts, uma nuance que deverá continuar a estar muito presente, se tivermos em conta Sing To Me Candy, o mais recente single apresentado do álbum. A canção impressiona pelo hipnótico riff de guitarra distorcido e pelo modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um tema cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Confere...


autor stipe07 às 13:20
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2018

Shame - Songs Of Praise

É com genuína mágoa que confesso ter sido já tardiamente que descobri Songs Of Praise, o disco de estreia dos britânicos Shame, um quinteto formado por Eddie Green, Charlie Forbes, Josh Finerty, Sean Coyle-Smith e Charlie Steen, oriundo dos arredores de Londres, abrigado pela chancela da Dead Oceans e que em dez canções oferece-nos um punk rock de primeira água, com um espetro identitário abrangente que, dos The Fall aos Stone Roses, passando pelos Buzzcocks, Ride, os Blur, os Primal Scream, os Joy Division e os mais contemporâneos Parquet Courts ou Interpol, encontra as suas origens no rock psicadélico setentista e no punk da década seguinte e que não renegando algumas caraterísticas essenciais do rock alternativo noventista, também não enjeita abraçar a herança nova iorquina que tentou salvar o rock no início deste século.

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Songs Of Praise foi um dos discos mais comentados pela crítica britânica no início deste ano e a publicação New Musical Express chegou mesmo a dar nota máxima (cem valores) ao seu conteúdo quando publicou a crítica do álbum, um valor incomum e que expressa, de certo modo, a ânsia que existe nesse mercado pela descoberta e posterior garantia de sobrevivência de projetos sonoros que fujam ao apelo radiofónico e que consigam também oferecer ao rock novos fôlegos e heróis. E de facto, para os amantes do género, Songs Of Praise é um disco que merece audição cuidada e que irá, certamente, tornar-se objeto de culto e de devoção durante algum tempo.

Realmente Songs Of Praise está repleto de instantes que impressionam e deliciam. No clima intuitivo e ao mesmo tempo imponente de Dust On Trial, no modo como a bateria e as guitarras se entrelaçam com o baixo em Concrete, no punk direto de Donk, na energia intiuitiva de Lampoon, na riqueza instrumental de Tasteless, canção que cita o lendário Bigby de Trainspotting ou na simplicidade melódica assustadoramente feliz de Friction, talvez os dois temas que melhor homenageiam a britpop no disco e, principalmente, no clima contemplativo e denso de Angie, uma canção que fala de um amor não correspondido que um adolescente sente por alguém que está prestes a suicidar-se, aborve-se até ao tutano uma obra repleta de méritos e de acertadas conexões criativas entre diferentes espetros de um mesmo universo sonoro, que abraça o lado mais negro do amor e as suas habituais agonias, mas também as dores e os medos de quem procura sobreviver nesta típica urbanidade ocidental cada vez mais decadente de valores e referências, a viver o brexit e social e politicamente cada vez mais crispada e bipolarizada.

Songs Of Praise é o reflexo contundente, seco e profuso de um rock de guitarras que emergiu para dias de infinita glória de um canto escuro dos subúrbios de uma problemática Londres e da sua zona sul em parte decadente, um rock que mostra sem medo as suas garras, um rock feito intuitivamente e que não quer dar concessões ao mainstream. Os seus autores são cinco jovens britânicos de gema, rudes e efervescentes, que parecem já ter o seu modus operandi presente e, devido a esta extraordinária estreia, brilhante, madura e refrescante, um futuro devidamente consolidado na primeira linha do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 14:54
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Domingo, 9 de Setembro de 2018

Menace Beach – Black Rainbow Sound

Pouco mais de ano e meio após o excelente Lemon Memory, a dupla Menace Beach de Ryan Needlham e Liza Violet está de regresso aos lançamentos discográficos com Black Rainbow Sound, um compêndio de dez canções que, sendo o terceiro da carreira deste projeto oriundo de Leeds, na Inglaterra, tem tudo para lançar definitivamente o grupo para uma projeção superior que o antecessor e Ratworld, o álbum de estreia, editado no início de dois mil e quinze, têm vindo a prometer e a projetar desde que viram a luz do dia.

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Apesar das origens, os Menace Beach continuam com os ouvidos muito colocados no outro lado do atlântico, continuando a apostar numa sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, mas desta vez também olham com especial atenção para a Europa, com a herança do punk de Manchester e da eletrónica alemã e a própria contemporaneidade de nomes como os Bauhaus, TOY, The Horrors, Spacemen 3 e outros a saltarem ao pensamento do ouvinte mais atento à medida que se escuta este Black Rainbow Sound. E isso sucede porque, desta vez, os Menace Beach oferecem um alinhamento com uma menor crueza lo fi que os registos anteriores, em favor de um som mais elaborado, negro e intrincado, com Black Rainbow Sound, o tema homónimo e que conta com a participação especial de Brix Smith, a mostrar esse lado inédito no grupo, assente numa mistura do sintético com as guitarras, com um nível de psicadelia incomum tendo em conta o historial anterior da banda.

Esta caraterística nova dos Menace Bech, plasmada logo nesse primeiro tema de Black Rainbow Sound e, por sinal o homónimo, serve para o grupo afirmar essa espécie de virar de página, que funciona, neste caso concreto, como um avanço em frente rumo a novos territórios, fruto não só da ânsia de experimentar nvas receitas mas também de provar o amadurecimento e o grau de confiança cada vez maior de uma dupla que percebe que já conseguiu grangear uma bade de fâs sólida e devota e que quer agora alargar o seu espetro sonoro e chegar a outros ouvintes. Os teclados Cósmicos de Satellite e o clima progressivo, negro e rugoso de Crawl In Love, além de abrirem portas para o habitual mundo paralelo feito de guitarras distorcidas governado pela nostalgia do grunge e do punk rock a que os Menace Beach nos habituaram, já não está impregnado por aquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções que era apanágio da dupla, plasmando agora um clima mais adulto, ponderado e, acima de tudo, mais elaborado e amplo.

À medida que Black Rainbow avança notamos, em suma, que as canções dos Menace Beach estão menos simples e diretas e, por isso, mais desafiantes. Se em 8000 Molecules as vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras e pelos efeitos das teclas e se em Hypnotiser Keeps The Ball Rolling há uma demanda por territórios mis viscerais e crus, já em Tongue alguns dos principais ingredientes típicos do grunge e do punk rock direto e preciso também estão presentes, nomeadamente no baixo, mas é mais intrincada e feliz a mistura destes elementos com travos de shoegaze, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o habitual grunge, mas que, honrando a herança desse subgénero do rock alternativo, também não é apenas delírio e pura experimentação sónica, até porque, logo a seguir, em Mutator, os Menace Beach até colocam a própria eletrónica setentista em elevado ponto de mira e em Holy Crow o rock psicadélico típico dessa mesma década.

Caldeirão sonoro contundente e mais elaborado que os dois discos anteriores dos projeto, Black Rainbow Sound coloca os Menace Beach na senda de um clima mais pop, com as guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso, a serem também agora acompanhadas, em termos de protagonismo, por uma vertente sintética, uma nuance nova que dá à banda novos horizontes, sendo o resultado final uma espécie de eletropop rock, neste caso baseado num leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, tudo aliado a um trabalho de exploração experimental pleno de bom gosto, criatividade e consistência. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Black Rainbow Sound

01. Black Rainbow Sound (Featt. Brix Smith)
02. Satellite
03. Crawl In Love
04. Tongue
05. Mutator
06. 8000 Molecules
07. Hypnotiser Keeps The Ball Rolling
08. Holy Crow
09. Watermelon
10. (Like) Rainbow Juice (Feat. Brix Smith)


autor stipe07 às 16:16
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

Spiritualized - And Nothing Hurt

Chegou hoje mesmo aos escaparates e à boleia da Fat Possum And Nothing Hurt, disco que quebra um hiato de seis anos dos britânicos Spiritualized e que sucede ao muito aclamado Sweet Heart Sweet Light, um dos álbuns que mais rodou na nossa redação em 2012. And Nothing Hurt é o oitavo disco da carreira dos Spiritualized e foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do grupo, numa pequena divisão da sua casa, contendo nove canções que, num processo contínuo de tentativa vs erro, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

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Jason Pierce é um eterno insatisfeito e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a um artista que se serve desse eterno incómodo relativamente à sua obra, neste caso musical, para, disco após disco, tentar sempre superar-se e apresentar algo de inédito e que surpreenda os fãs. E no caso específico dos Spiritualized, uma daquelas bandas nada concensuais e, por isso, com seguidores que são, na sua esmagadora maioria, bastante devotos, como é o meu caso, ainda mais exigente se torna para o íntimo deste cantor, poeta e compositor britânico conseguir que esta sua filosofia de vida tenha efeitos práticos e seja bem sucedida. Assim, para Jason Pierce, não deverão haver dúvidas, neste dia em que o disco é finalmente colocado à venda, que And Nothing Hurt é a sua obra-prima, o melhor trabalho do catálogo dos Spiritualized, apesar de conter obras-primas do calibre de Songs In A&E (2008) ou ladies and gentlemen we are floating in space (1997), só para citar dois registos que são verdadeiros icônes sonoros da história da música das últimas duas décadas.

Logo em I'm Your Man, o segundo tema do disco, Jason Pierce expôe este seu modus operandi com ímpar clarividência e, além da o fazer através da letra da canção (I could be faithful, honest and true … dependable all down the line. But if you want wasted, loaded, permanently folded … I’m your man.), também no edifício melódico e instrumental da mesma, coloca todas as fichas em cima da mesa relativamente aquele que é o adn conceptual dos Spiritualized, exímios criadores de canções que assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o notável travo lisérgico, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma.

Este modo de criar acaba por ser transversal num alinhamento particularmente homogéneo, que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, peças montadas e agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurarem as mais básicas tentações pop e onde tudo soa, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. De facto, se nos sopros de I'm Your Man há um calafrio na espinha que não nos deixa duvidar acerca das boas intenções de Pierce, se nas teclas sintetizadas, na bateria frenética e na guitarra agreste de On The Sunshine é possível obtermos uma portentosa tomada de consciência acerca dos nossos maiores atributos e se na delicadeza crescente e progressiva de Let's Dance escuta-se um convite explícito ao optimismo, é na soul da guitarra e no riff do refrão do single Here It Comes (The Road) Let’s Go, que se cerra os punhos (Take the road down to the stream, Be sure to keep your licence clean.) e que se deixa para trás todas as dúvidas acerca da capacidade que este álbum poderá ter para ser uma banda sonora indicada para instantes da nossa existência em que somos desafiados e superar obstáculos que à partida, por falta de coragem, fé e alento, poderiam ser insuperáveis, mas que durante a audição do registo sabem a meros precalçõs ou areias na engrenagem de fácil superação.

Esta capacidade que a música dos Spiritualized tem de fazer-nos sorrir sem razão aparente, de nos conseguir pôr a correr mais depressa, a pensar com mais clarividência e a sentir e a amar com maior arrojo, emoção e intensidade, está, mais uma vez, exemplarmente plasmada neste And Nothing Hurt, um disco onde gospel, rock, country, pop e psicadelia se juntaram mais uma vez para fazer a vontade a Pierce e, pelo menos por alguns meses, deixá-lo descansado, satisfeito e realizado com esta grandiosa e lindíssima obra, que tem tudo e mais alguma coisa para surgir no topo de algumas listas dos melhores registos do ano, lá para dezembro. Espero que aprecies a sugestão...

Spiritualized - And Nothing Hurt

01. A Perfect Miracle
02. I’m Your Man
03. Here It Comes (The Road) Let’s Go
04. Let’s Dance
05. On The Sunshine
06. Damaged
07. The Morning After
08. The Prize
09. Sail On Through

 


autor stipe07 às 16:01
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018

El Ten Eleven - Banker's Hill

Kristian Dunn e Tim Fogarty são a dupla que dá vida ao projeto El Ten Eleven, uma banda com origem em Los Angeles e um nome fundamental do chamado post rock. É uma dupla que desde dois mil e dois vem direcionando o seu processo de criação sonora dentro de uma psicadelia rock ampla, progressiva e elaborada, através de um som firme e definido e onde a bateria e a guitarra assumem uma função de controle simbiótico, nunca se sobrepondo demasiado um instrumento ao outro, com Banker's Hill, o mais recente disco do grupo, a encarnar toda esta trama com elevada bitola qualitativa, através de um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às nove canções do seu alinhamento e que, sendo devidamente degustado, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

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Começa-se a escutar com a merecida devoção Banker's Hill e percebe-se, no imediato, o superior grau de cumplicidade dos dois músicos que esculpem, com denodo, composições que são verdadeiras telas sonoras que exigem demorada contemplação para serem devidamente saboreadas e entendidas, tendo em conta o espetro sonoro que baliza alguns dos cânones fundamentais da história do rock contemporâneo que guiam o percurso musical destes El Ten Eleven.

Assim, logo no ambiente etéreo e imersivo criado pelos riffs planantes da guitarra de Three And A Half High And Rising ficamos esclarecidos acerca da constante omnipresença daquele experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que tem vindo a definir alguns dos nomes fundamentais desse género e que hoje está a ser replicado com enorme sucesso, principalmente do lado de lá do atlântico. Depois, o baixo vincado, a bateria elaborada e a distorção agreste de Phenomenal Problems, assim como a majestosidade das guitarras que conduzem We Don't Have A Sail But We Have A Rudder e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em You Are Enough e o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo de Gyroscopic Precession, além de arrancarem o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas, acabam também por ser, cada tema à sua maneira, um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, provam o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que parece estar sempre em ritmo ascendente e que acaba por ter o seu momento maior, na minha opinião, no tema homónimo, pouco mais de seis minutos de altos e baixos, mudanças ritmicas e melódicas com um travo sempre nostálgico e até, em alguns instantes, algo inquietante, que parece querer retratar fielmente nada mais do que o simples ocaso.

Disco assertivo e onde os El Ten Eleven utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente, Banker's Hill é marcado pela proximidade entre as canções que faz-se de uma instrumentação focada em estruturas técnicas particularmente elaboradas, que ampliam claramente os horizontes e os limites que vão sendo traçados por uma dupla que criou neste alinhamento mais uma fornada de instrumentais que têm tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos do chamado rock experimental. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:08
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