Sábado, 16 de Junho de 2018

Hooded Fang – Dynasty House EP

Já chegou aos escaparates à boleia da DAPS Records Dinasty House, o novo EP dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta, ao punk setentista, passando pelo rock experimental e de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais alternativo. Este EP sucede ao aclamado álbum Venus On Edge, editado há pouco mais de dois anos, um alinhamento que chamou ainda mais a atenção da crítica para o grupo e com temas que chegaram a fazer parte da banda sonora de vários anúncios comerciais em televisões europeias e em programas de televisão norte-americanos, tais como The Flash, Parenthood e CSI New York.

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Este quarteto tem vindo a apresentar, registo após registo, um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Nene Of The Light, o single entretanto extraído de Dinasty House, é uma boa amostra desta evolução e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam um trabalho exploratório que tem feito sempre parte do adn dos Hooded Fang que, sem colocarem de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, usam uma impressiva veia experimentalista para piscarem com cada vez maior confiança o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.

Embrenhamo-nos corajosamente em Dinasty House e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Mama Pearl vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção metálica e as insinuantes cadências rítmicas de Queen Of Agusan Del Norte e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento punk de Sister And Suns, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, já merecedores de uma posição de relevo na esfera indie punk rock internacional

Os Hooded Fang são canadianos, mas é o rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva que se torna no verdadeiro cavalo de batalha do seu som, montado numa crueza lo fi e rugosa, muitas vezs algo inquietante, mas sempre sedutora, até porque este verdadeiro caldeirão insinuante de ruído é ordenado e feito com propósito, num grupo que, lançamento após lançamento, tem aperfeiçoado a sua linguagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

Hooded Fang - Dynasty House

01. Queen Of Agusan Del Norte
02. Sister And Suns
03. Nene Of The Light
04. Paramaribo Prince
05. Doñamelia
06. Mama Pearl


autor stipe07 às 12:05
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2018

Wooden Shjips – V.

Editado recentemente pela Thrill JockeyV. é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. V. sucede ao aclamado Back To Land, disco dos Wooden Shjips editado em 2013 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson com os Wooden Shjips, um guru do rock psicadélico que também é cabeça de cartaz dos extraordinários Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin, Dusty Jermier e Nash Whalen.

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A sugestiva capa de V., representando de modo expressivo o título do registo e o ambiente colorido de uma espécie de utopia tropical, personifica, de modo feliz, o conteúdo de um registo que é uma verdadeira trip de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria. Assim, e como convém a um projeto que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se em V. guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, um arsenal instrumental que nos leva numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Já agora, confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso dos Wooden Shjips a fórmula selecionada é muito simples e aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e, como já foi referido, eminentemente sessentista.

Aliás, os Wooden Shjips são uma banda perfeita para nos recordar aquele som de protesto e incendiário que teve o seu auge na ressaca de Woodstock e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois, a nossa contemporaneidade cultural. No fuzz constante da guitarra de Eclipse e no teclado que amiúde plana sobre a melodia de In The Fall percebe-se, com nitidez, como ainda é possível, várias décadas depois, este som ainda ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, apesar de muitos projetos insistirem em servir-se dessa herança para criar instantes sonoros muitas vezes amorfos e  despidos não só de qualidade mas, principalmente, de um conceito que os justifique. Depois, nas cordas vibrantes e luminosas de Already Gone, para mim o momento maior deste caldo que é V. e no cósmico clima entorpecedor de Staring At The Sun e no travo hindu de Golden Flower, sentimos facilmente uma outra mais valia dos Wooden Shjips, a sua subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria da world music, uns com mais groove e outros mais relaxantes, sempre com o tal experimentalismo na linha da frente e sem se perderem em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Wooden Shjips - V.

01. Eclipse
02. In The Fall
03. Red Line
04. Already Gone
05. Staring At The Sun
06. Golden Flower
07. Ride On


autor stipe07 às 11:40
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2018

Wye Oak – The Louder I Call, The Faster It Runs

Foi a seis de abril e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o novo registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Este é o sexto disco da carreira destes norte-americanos até há pouco tempo denominados mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy e que solidifcam neste registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

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Logo na miríade de sons e batidas sintetizadas de The Instrument percebe-se que há o objetivo claro de presentear o ouvinte com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. E essa dupla faceta é algo que a coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos do tema homónimo, solidifica, uma canção que evolui e cresce, segundo após segundo, enquanto nos emerge num ambiente carregado de batidas e ritmos, mas suavizado por uma encantadora prestação vocal. 

A partir daí, à medida que o disco avança e se percebe o alargado leque de influências que ditou o seu conteúdo, ficam claras as transições sonoras em que os Wye Oak apostam e nota-se, dentro do objetivo acima referido, a experimentação de diferentes estilos, cabendo, no alinhamento, ecos bem audíveis de dream pop, quer na guitarra de Lifer, quer no piano de It Was Not Natural, mas também de synthpop, irrepreensível em Symmetrydance punk oitocentista em Over and Over e aquela eletrónica mais ambiental e progressiva, bem exemplificada, por exemplo, em Say Hello. Esta sucessão de heterogeneidade que acaba por se justificar no próprio título do registo, mostrando uma alternância entre momentos de cor e outros sombrios e instantes instrumentalmente algo minimais e outros mais intrincados, pessimismo e otimismo, razão e crença, entronca sempre numa ânsia de dissertar acerca de alguns dilemas existenciais comuns a todos nós, incertezas e medos, ciência e filosofia, mas também triunfos e clarezas, com a maior simplicidade e honestidade possíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Wye Oak - The Louder I Call, The Faster It Runs

01. (Tuning)
02. The Instrument
03. The Louder I Call, The Faster It Runs
04. Lifer
05. It Was Not Natural
06. Symmetry
07. My Signal
08. Say Hello
09. Over And Over
10. You Of All People
11. Join
12. I Know It’s Real


autor stipe07 às 17:17
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Domingo, 3 de Junho de 2018

Imploding Stars - Riverine

Três anos depois do excelente A Mountain And A Tree, da banda sonora Mizar & Alcor (2016) para a versão portuguesa do documentário From Earth to Universe e da participação com Treeless prairie na coletânea T(h)ree – Vol. 5 – Portugal – Cazaquistão – Uzbequistão (2017), os bracarenses Imploding Stars de Élio Mateus, Francisco Carvalho, Jorge Cruz, João Figueiredo e Rafael Lemos, regressaram aos discos com Riverine, disco com oito temas que, de acordo com o press release do lançamento desta banda das Taipas, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver.

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Sendo assim, no alinhamento de Riverine os Imploding Stars recriaram com notável mestria os diferentes estágios temporais que fazem parte da existência humana e que, no fundo, definem o trajeto de vida de cada um de nós, sendo possível, tendo em conta a abordagem da banda a esse ideário, cada ouvinte, à medida que se embrenha no álbum, adaptar os temas à sua experiência pessoal e aos seus pensamentos, experiências, sonhos, conquistas e desejos.

A partir desta permissa e tendo-a bem presente, as oito canções avançam na sequência lógica desses tais estágios de desenvolvimento (nascimento, infância, adolescência, idade-adulta meia-idade, velhice, morte e renascimento), com cada composição a retratar de modo sui generis um clima sonoro que encontra paralelismo na essência de cada um desses estágios e aquelas que são as nossas formas mais comuns de pensar, de ser, de agir e de comunicar nessa fase da nossa vida. Por exemplo, se Birth é um tema mais contemplativo, já Adulthood são nove minutos de altos e baixos, mudanças ritmícas e melódicas e Senescence tem um travo mais nostálgico e, no final, algo inquietante, retratando fielmente o ocaso.

Transversal ao alinhamento é a sua beleza utópica. Nele os Imploding Stars reproduziram um bloco único de som feito de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçam esta busca de uma expressão melódica incisiva e inteligente da nossa natureza animal e dos sentimentos inerentes à nossa condição de humanos. De facto, em Riverine tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. É, como se percebe, um álbum conceptual, que impressiona por uma beleza utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, através de um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, ,as também um disco que nos fecha dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui e se orienta de modo a fazer-nos levitar, enquanto ficamos certos que passa pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que está a deixar marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 18:10
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2018

Capitão Fausto - Sempre Bem

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Depois da promissora estreia em 2011 com Gazela e do excelente sucessor, um trabalho intitulado Pesar o Sol, da participação em projetos como os Modernos, BISPO e El Salvador, da criação de um selo próprio e do terceiro álbum em 2016, um registo intitulado Capitão Fausto Têm Os Dias Contados, os lisboetas Capitão Fausto de Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein, acabam de revelar Sempre Bem, uma nova canção, que irá constar do quarto registo de originais do grupo. O trabalho vai-se chamar A Invenção do Dia Claro, foi gravado no Red Bull Studios São Paulo em Dezembro de 2017, pelas mãos e os ouvidos do Rodrigo Funai Costa e deverá ver a luz do dia no último trimestre deste ano.

 Segundo a banda, o disco foi imaginado para incluir a ideia que tínham de "Brasil" na sua forma habitual de fazer música. Nunca foi intenção fazê-la à maneira de lá mas sim procurar a apropriação de alguns elementos sónicos ou melódicos mais específicos, retirando-os do seu contexto habitual para servirem as suas canções. Nos textos fala-se da relação com a rotina, da complexidade das relações humanas e do fatalismo inexorável do amor.

A canção Sempre Bem contém um registo tipicamente rock, algo experimental e eminentemente cru e psicadélico, como é habitual nos Capitão Fausto e nos coros conta com a participação de Catarina Wallenstein, Constança Rosado e Madalena Tamen. O vídeo do tema foi realizado por Gonçalo Perestrelo. Confere...

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autor stipe07 às 13:52
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

Parquet Courts - Wide Awake!

Lançado a dezoito de maio último por intermédio da Rough Trade Records, Wide Awake! é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

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Abrigados numa filosofia instrumental que se tem servido fundamentalmente de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica, os Parquet Courts sempre foram uma banda insatisfeita com o seu adn e disposta a potenciar o seu som de acordo com o momento criativo do coletivo, sem grandes preocupações acerca de eventuais limites ou fronteiras relativamente a esse exercício libertário. Tal opção acabou por fazer do cardápio já disponível do grupo, um emaranhado heterogéneo, que ganha ainda maior abrangência neste Wide Awake!, provavelmente o disco mais eclético e abrangente dos Parquet Courts. E isso também sucede porque além de terem criado Wide Awake! na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira, também é clara a vontade de baterem com ainda maior estrondo às portas de um sucesso que materialize uma superior e merecida exposição do projeto a um número cada vez maior de ouvintes e de críticos. Sendo assim, a missão está cumprida porque este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores da atualidade, dentro do espetro musical em que se movimenta.

Se logo nos loopings bizarros da insana cartilha de garage folk que costura o punk shoegaze incisivo de Total Football se percebe que, como é norma no projeto, Wide Awake! é um disco muito concentrado no uso das guitarras, logo a seguir, no devaneio psicadélico funk de Violence, regista-se um incremento da importância da sintetização, com as teclas que conduzem a melodia de Before The Water Gets Too High a cimentarem de modo particularmente impressivo esta nuance, à qual não será alheia a escolha de Danger Mouse para a produção do registo.

O modo harmonioso e eficaz como este núcleo parece funcionar também deve muito ao caos aparente que reina no seu seio. Aí, cada um extraí o melhor de si próprio, dentro das suas responsabilidades líricas e instrumentais, mas fá-lo para proveito imediato do todo. Por exemplo, chega-se ao âmago do disco e em Freebird II fica latente uma certa tensão entre aquilo que é essa individualidade de cada um dos executantes do grupo e a mente de Andrew Savage, que canta uma canção escrita pelo próprio e dedicada à sua mãe e onde disserta sobre a importância dela num período da sua vida em que dominou a solidão e a adição a algumas substâncias psicotrópicas. O espírito descontraído e vibrante da vertente instrumental do tema, contradiz, de algum modo, o cariz depressivo do poema, mas este paradoxo é já uma imagem de marca e funciona, como se percebe na composição, na perfeição. Depois, Mardi Gras Beads, o tema mais etéreo e contemplativo de Wide Awake!, dissertando sobre um vocalista de uma banda punk que sonha constantemente em flutuar sobre uma multidão em êxtase, reforça esse paradoxo e a antítese entre aquilo que é a realidade lírica e a materialização sonora de algumas das canções deste alinhamento. Além disso, o groove setentista do punk rock de Normalization, o piscar de olhos assumidamente sexy a um coito efervescente entre o jazz, a bossa nova e a tropicália no tema homónimo e o blues fumarento e sulista do piano de Tenderness, carimbando de modo qualitativamente superior a tal abrangência, mostra-nos que a banda está a mover-se muito rapidamente para um universo sonoro bastante mágico e com um estilo muito vincado e identitário, sendo difícil prever quais serão, daqui para a frente, os próximos passos musicais dos Parquet Courts.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Wide Awake! possa suscitar, este tomo raivoso de canções que mostram os dentes sem receio, possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, instalados no seu trabalho mais divertido, mas também ousado, uma sucessão incrível de canções que são passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Terça-feira, 22 de Maio de 2018

Damien Jurado – The Horizon Just Laughed

Já chegou aos escaparates um disco novo de Damien Jurado. Chama-se The Horizon Just Laughed e é o décimo terceiro álbum de estúdio deste cantautor norte-americano, sucedendo a Visions Of Us In The Land, disco de 2016 que pôs fim a uma trilogia iniciada com Maraqopa (2012), registo ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.

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Produzido pelo próprio Jurado e gravado com uma pequena banda num modesto estúdio na Califórnia, The Horizon Just Laughed volta a justificar porque é que Damien Jurado é um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Como é apanágio na discografia de JuradoThe Horizon Just Laughed começou com um sonho que, no caso deste registo, acabou por culminar em onze das canções mais complexas e incisivas da discografia do autor, que já confessou ser este o seu trabalho mais pessoal e enraizado, ainda mais do que aquilo que sucedeu na trilogia Maraqopa.
Ao longo dos cerca de trinta e sete minutos da obra, todas as notas, melodias, versos, acordes, palavras, ideias e arranjos posicionam-se com o firme propósito de apresentar um cantor simultaneamente simples e genuíno, mas também sofisticado, não faltando, nas suas canções, além da típica folk acústica, também abordagens ao samba, ao rock e à pop, numa narrativa sonora vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que acaba por se tornar num dos momentos maiores da sua carreira, principalmente pelo modo como nele este músico se coneta com a sua mente e os seus dilemas e desejos mais profundos e assim se expôe triunfalmente, sem receio e despudor, tornando-nos confidentes de alguns dos arquétipos essenciais da sua intimidade maior. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - The Horizon Just Laughed

01. Allocate
02. Dear Thomas Wolfe
03. Percy Faith
04. Over Rainbows And Rainier
05. The Last Great Washington State
06. Cindy Lee
07. 1973
08. Marvin Kaplan
09. Lou – Jean
10. Florence – Jean
11. Random Fearless


autor stipe07 às 22:32
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2018

Pavo Pavo – Statue Is A Man Inside

Pavo Pavo - Statue Is A Man Inside

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso esta primavera com um novo tema intitulado Statue Is A Man Inside que é, como seria de esperar, uma canção com uma elegância ímpar, incubada no seio de uma dupla que é a menina dos olhos da Bella Union e que cria música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário.

Canção sustentada numa guitarra que debita um efeito planante pleno de charme, que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, Statue Is A Man Inside é a banda sonora perfeita para nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. Sobre ela, Oliver referiu recentemente: Statue is a Man Inside got its start in the couple months after Eliza and I split up – it was around the same moment that our first record came out and we started touring, and all the changes at once conspired to create this uncanny feeling, a hardening of the boundaries between me and the rest of the world. I thought of two marble statues, cracking and bleaching in the sun, maybe with eyes and fingers that can still move like a human being. We sang the words to each other at the organ, and as we started playing it with the band, an interesting thing happened where the louder and lusher the arrangement got, the more intimate the singing felt. So we kept elevating and orchestrating the track, trying to make it a spiritualization of our quietest, most inward thoughts. Confere...


autor stipe07 às 17:45
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Bed Legs - Bed Legs

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo, David Costa e agora também Leandro Araújo são os Bed Legs, que, de acordo com Marcio Freitas dos Dead Men Talking, autor do press release de lançamento do novo registo discográfico do grupo, se afirmam cada vez mais como criadores de música embebida, entornada e enrolada em melodias que despertam a maior das emoções e sensações, numa roda-viva que brota vivências por todos os lados. Esta banda começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e, dois anos depois, através de Black Bottle, o longa duração de estreia, nove canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

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Agora, dois anos depois, os Bed Legs editaram o sempre difícil segundo disco, um homónimo gravado na Mobydick Records, com o apoio do GNRation, por Budda Guedes e masterizado por Frederico Cristiano. Dele ficou-se a conhecer há algum tempo Spillin' Blood, o tema que abre um alinhamento onde, citando novamente Marcio Freitas, abunda a soltura dos teclados e do baixo, a riqueza dos ecos das guitarras e da bateria multi-ritualista, (...) num delicioso frenesim que inebria o mais puro dos seres.

De facto, escuta-se Bed Legs na íntegra e a primeira constatação óbvia é que, tendo em conta o registo anterior, os Bed Legs estão cada vez mais maduros e consistentes. Continuam a firmar o seu adn sonoro, impregnado-o e mascarando-o com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas não faltam novos arranjos, quase sempre fornecidos por uma guitarra nada longe do rock de garagem e a piscar o olho a territórios cada vez mais progressivos (ouça-se Lift Me Up) e a uma salutar vibe psicadélica, exemplarmente replicada no solo eletrificado planante de Keep On, um tratado de lisergia enleante e submersivo.

A voz está também a tornar-se num caso sério da lista de predicados que os Bed Legs possuem, extravasando de modo superior o rol de emoções que as letras suscitam, sendo o complemento perfeito para um emaranhado sonoro, que parece resultar de uma espécie de rasgo das cordas vocais e que se destaca particularmente nas mudanças de tonalidade que executa à boleia da guitarra de Dreams On Fire, principalmente após a guinada ritmica e textural que o tema sofre a meio e no delicioso tratado de rhythm and blues que é Back On Track, uma ode ao melhor rock americano e onde, ao ouvir-se a postura vocal de Fernandes é fácil imaginar que uma lágrima de dor escorre-lhe da garganta ao coração, tal é a emoção com que ele canta. Esta emoção também se sente perfeitamente em Dance! quando Fernandes se cruza com a guitarra e berra literalmente uma espécie de último suspiro antes de um momento de dança desenfreada, claramente há muito contido.

Bed Legs é um título feliz para este disco, exatamente porque no seu conteúdo está impressa a identidade de um projeto onde por detrás da amálgama estilística que abrange, dentro de um espetro sonoro claramente delimitado, existe existe um universo inteiro de detalhes, sobreposições e arranjos que vale a pensa descobrir e que faz dos Bed Legs um nome a reter no cada vez mais intrincado e valioso universo sonoro alternativo nacional. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:23
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Terça-feira, 8 de Maio de 2018

Landing – Bells In New Towns

Oriundos de New Heaven, no Connecticut, os Landing de Daron Gardner, Aaron Snow, Adrienne Snow e John Bent, são um dos nomes fundamentais do shoegaze norte-americano e para marcar os vinte anos de carreira, acabam de lançar Bells In New Towns, um novo compêndio de canções, o segundo na conceituada etiqueta El Paraiso Records, casa de nomes tão fundamentais do indie rock norte-americano como Os Monarch, Brian Ellis, Papir, Sun River, Mythic Sunship, Jonas Munk, entre outros. Apesar de uma carreira já tão longa, os Landing parecem não abrandar criativamente nem colocar em causa a elevada bitola qualitativa da sua herança discográfica, oferecendo-nos, talvez, o alinhamento mais consistente de uma já longa e meritória carreira.

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Uma das explicações para o facto de Bells In New Towns ser um disco tremendamente coeso e apelativo será, certamente, o facto de ter a mão de Justin Pizzoferrato (Dinosaur Jr., Elder, Pixies, Sonic Youth), na gravação de grande parte do mesmo. Este nome conceituado da produção acaba por ser fundamental no modo como o habitual som multitextural e abrangente dos Landing, que oscila entre aquele fuzz psicadélico mais contemplativo e luxuosos cenários luminosos e progressivos, consegue incorporar elementos etéreos e melodicamente acessíveis, sem ser necessário renegar a habitual toada lo fi do projeto.
Desse modo, as canções dos Landing estão mais apelativas e acessíveis a outros públicos, mas não renegam a força motriz sonora que está no cerne de um projeto que se foi habituando a apresentar um indie rock contemplativo, melancólico e atmosférico, mas mesmo assim incisivo. E isso acaba por ser uma tremenda mais valia deste Bells In New Towns, não só porque contém uma sonoridade que vai ao encontro daquilo que são hoje importantes premissas de quem acompanha as novidades deste espetro sonoro, mas também porque, num período de algum marasmo, esta tem sido uma estética que tem encontrado bom acolhimento junto do público.
De algum modo mestres da melancolia, instrumentalmente os Landing acabam por emergir-nos num universo muito próprio onde, da criteriosa seleção de efeitos da guitarra à densidade do baixo, passando por uma ímpar subtileza percussiva e um exemplar cariz lo fi na produção, são diversos os elementos que costuram e solidificam um som muito homogéneo e subtil e, também por isso, bastante intenso e catalizador.

Escuta-se os versos quase impercetíveis de Nod e embarcamos numa demanda doutrinal que sabemos, à partida, que não nos vai deixar indiferentes e iguais e depois, impulsionados pela nebulosa pujança do dedilhar das cordas inicial de Secret, uma daquelas canções cujas diversas camadas de som impelem ao cerrar de punhos, pelo encanto etéreo de By Two e pelo doce balanço do baixo que conduz Bright, ficamos certos que a opção tomada foi, como seria de esperar, a mais certeira.

Até ao ocaso de Bells In New Towns, na deliciosa ode ao amor que justifica a filosofia subjacente a Trace, uma canção onde a interação entre a viola e a voz fica muito perto de atingir os píncaros, na crueza orgânica e hipnótica de Wait or Hide e no modo como as distorções impregnadas de shoegaze embelezam toda a subtileza que fica impressa no rasto de Second Sight, fica atestada a segurança, o vigor e o modo ponderado e criativamente superior como este grupo tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, comunica com a nossa mente e os nossos sentidos de modo particularmente libertador e esotérico. Espero que aprecies a sugestão...

Landing - Bells In New Towns

01. Nod
02. By Two
03. Gravitational VII
04. Bright
05. Secret
06. Fallen Name
07. Wait Or Hide
08. Gravitational VIII
09. Trace
10. Second Sight


autor stipe07 às 17:52
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