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DIIV - Sometime / Human / Geist EP

Segunda-feira, 27.06.22

Dois mil e vinte e dois é um ano marcante para todos os fãs dos DIIV, já que a banda norte-americana formada por Zachary Cole Smith (voz e guitarra), Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria), comemora uma década do lançamento de Oshin o mítico álbum que lançou o grupo natural de Nova Iorque para as luzes da ribalta. E um dos eventos que marca a efeméride é o lançamento do EP Sometime / Human / Geist, um tomo que junta as primeiras três canções que os DIIV gravaram, um ano antes de incubarem Oshin e os respetivos b side, todas alvo de reimpressão recente em formato vinil de sete polegadas, já disponível no bandcamp do grupo.

DIIV Brasil (@DIIV_BR) / Twitter

Este EP é um registo obrigatório para todos aqueles que querem entender o processo evolutivo dos DIIV e o modo como, a darem o pontapé de saída, escavaram as fundações desse Oshin, compêndio que é, ainda hoje, um marco discográfico fundamental do milénio. E, de facto, a audição destas seis composições, que inclui uma curiosa versão de Bambi Slaughter, um original da autoria de Kurt Cobain, esclarece-nos que eram doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica que conduzia a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar, a grande força motriz do processo criativo do quarteto, bem impressa em Sometime, a primeira canção do grupo a causar furor no mainstream e que também não renegava aproximações mais ou menos declaradas à herança do melhor garage rock de final do século passado, como se percebe em Geist.

Sombra, rugosidade e monumentalidade, misturando-se entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o vão consumindo, são os pilares fundamentais dos DIIV e estes seis temas merecem figurar num superior lugar de destaque na indie contemporânea, porque são os grandes responsáveis pelo desabrochar triunfante de uma banda indispensável e única. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:31

Warpaint – Radiate Like This

Quinta-feira, 23.06.22

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que é o quarto disco das Warpaint, sucessor do registo Heads Up, lançado já no longínquo ano de dois mil e dezasseis. Produzido por Sam Petts-Davies e as próprias Warpaint, Radiate Like This viu a luz do dia no início do passado mês de maio à boleia da Heirlooms em parceria com a Virgin Records e nele estas quatro miúdas deixaram, mais uma vez, as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta eminentemente polida e luminosa, para criar um álbum tipicamente rock, etéreo q.b. e esculpido com cordas ligadas à eletricidade e com uma identidade muito particular.

Warpaint lança seu quarto álbum, “Radiate Like This” - Vitrolando

Repleto de lindíssimas melodias, Radiate Like This é um portento de luminosidade e astúcia criativa. Como é óbvio, o seu alinhamento plasma todas as transformações que as integrantes do projeto sofreram na sua vida pessoal durante um hiato de seis anos desde o álbum anterior, com artistas que emigraram, que foram mães ou que tiveram alguns problemas de saúde delicados, mas é curioso perceber que, felizmente, o som identitário e tipicamente Warpaint mantém-se intocável e, melhor do que isso, ainda mais aprimorado. O trip hop exótico de Champions, o perfil simbólico e ousadamente etéreo de Hard To Tell You, o sensualismo percurssivo de Melting e o intimismo aconchegante de Send Nudes, são belíssimos exemplos de uma heterogeneidade que foi sempre imagem de marca das Warpaint e que se afinou, sem ofuscar a típica densidade orgânica, harmoniosa e vibrante do quarteto, criada a partir de uma espécie de cruzamento feliz entre alguns dos detalhes fundamentais da dream pop e do chamado trip-hop que fez escola nos anos noventa, uma combinação que nestes pouco mais de quarenta minutos que duram Radiate Like This, se inunda de nostalgia e contemporaneidade, sempre com elevado groove e uma clara sapiência melódica.

Quando a pausa é prolongada, o retorno só se justifica se com ele for satisfeita e, já agora, bem sucedida a incessante busca por algo diferente e inovador. E, de facto, Radiate Like This plasma nitidamente as Warpaint a darem mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manter no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea emotiva, que as despe de um mistério tantas vezes artificial. É um dis com uma inegável atmosfera psicadélica, experimentalmente rico e que nos envolve sem mácula, mostrando, sem rodeios e mais uma vez, com ousadia, a verdadeira personalidade de um coletivo inegavelmente maduro e confiante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:04

The Afghan Whigs – The Getaway

Quarta-feira, 11.05.22

How Do You Burn? é o título do novo registo de originais dos The Afghan Whigs de Greg Dulli, o nono disco da banda norte-americana natural de Cincinnati, no Ohio, um estrondoso projeto em atividade desde mil novecentos e oitenta e seis e já com uma reputação mítica no universo sonoro indie e alternativo, das últimas quatro décadas.

The Afghan Whigs lançam novo single… “The Getaway” – Glam Magazine

How Do You Burn? irá ver a luz do dia a nove de setembro à boleia do consórcio Royal Cream/BMG e sucede aos registos Do To The Beast (2014) e In Spades (2017), álbuns que marcaram uma nova fase da banda depois de um longo hiato, durante parte da primeira década deste milénio. O disco contém dez canções que começaram a ganhar forma em setembro de dois mil e vinte, com a questão pandémica a ter um papel decisivo no modus operandi do processo de gravação.

As composições deste disco, cujos créditos assinalarão as participações especiais do falecido Mark Lanegan, de Susan Marshall, Van Hunt, Marcy Mays, Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, foram gravadas em diferentes estúdios, nomeadamente na Califórnia, onde estiveram Dulli, o baterista Patrick Keeler e o produtor Christopher Thorn e em nova Jersey, Nova Orleães e Cincinnati, locais onde o guitarrista Jon Skibic, o baixista John Curley e o multi-instrumentista Rick Nelson, gravaram as suas contribuições para o posterior processo de mistura e produção.

The Getaway é o primeiro single revelado de How Do You Burn?, uma composição que assenta os seus pilares naquele rock eminentemente denso, mas com elevada sagacidade melódica, um rock carregado com guitarras poderosas e incisivas que não descuram uma faceta psicadélica que se aplaude e que é reforçada pela presença infatigável e marcante da clássica bateria. É, em suma, uma canção onde as cordas e a voz de Dulli ajudam a transportar-nos para paisagens áridas e quentes, como se exige a um bom tema dos The Afghan Whigs. Confere The Getaway e a tracklist de How Do You Burn?...


I’ll Make You See God
The Getaway
Catch A Colt
Jyja
Please, Baby, Please
A Line Of Shots
Domino and Jimmy
Take Me There
Concealer
In Flames

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publicado por stipe07 às 15:40

bdrmm - Three

Segunda-feira, 09.05.22

Ryan Smith, Jordan Smith, Joe Vickers, Danny Hull e Luke Irvin são os bdrmm, um projeto natural de Hull, em Inglaterra e que começou a fazer furor com If Not, When?, um EP de seis canções que viu a luz do dia à boleia da Sonic Cathedral Recordings e que foi gravado e masterizado por Alex Greaves.

bdrmm

Agora, em plena primavera de dois mil e vinte e dois, os bdrmm voltam à carga, com Three, uma honesta e intimista composição, gravada durante as sessões de Port, o disco de estreia que os bdrmm lançaram o ano passado. Three é uma composição plena de sentimento e emoção, alicerçada em opulentas sintetizações que vão ganhando espaço e vigor à medida que o tema flui e vai crescendo em majestosidade e amplitude. É uma canção ímpar, que exala uma suja nostalgia, que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi e shoegaze com aquela psicadelia particularmente luminosa que atingiu o êxtase nas décadas finais do século passado e que, graças a projetos como este, se mantém mais atual do que nunca. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:49

Spiritualized - Everything Was Beautiful

Sexta-feira, 22.04.22

O extraordinário registo And Nothing Hurt, de dois mil e dezoito, assinado pelo projeto britânico Spiritualized, tem finalmente sucessor. Everything Was Beautiful é o nome do novo alinhamento de sete maravilhosas canções da banda de Jason Pierce e viu a luz do dia hoje mesmo, para gaúdio da nossa redação, com as chancelas da Bella Union e da Fat Possum.

Spiritualized - 'Everything Was Beautiful': a sonic feast

Everything Was Beautiful é um clássico instantâneo, diga-se. O nono disco da carreira dos Spiritualized foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do grupo, um músico, cantor e compositor extraordinário, que também tocou variadíssimos instrumentos no álbum. E fê-lo em mais de uma dezena de estúdios diferentes e com um elevado naipe de músicos convidados legível nos seus créditos, incluindo Poppy, a filha, num processo contínuo de tentativa vs erro, que se tornou num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente luminoso e de forte pendor ambiental, sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

De facto, a voz sussurrante de Jason Pierce e o glorioso e vastíssimo arsenal instrumental que o circunda, fazem-nos sentir, logo que se carrega no play, que tudo é realmente bonito à nossa volta, como refere o título do álbum, numa viagem com sete paragens que nos levam das profundezas do espaço sideral às ruas desertas de uma grande metrópole, passando, pelo meio, por uma simples linha de caminho-de-ferro. E nem vale a pena pensar sequer em tentar resistir a este inapelável convite que o disco faz, canção após canção, à nossa mente e aos nossos sentidos, para que embarquemos numa epopeia que nos envolve também naquilo que é, sem dúvida, um verdadeiro analgésico soporífero em forma de música. 

Neste disco Jason Pierce, que nunca é artista de meias medidas ou de minimalismos incipientes, colocou mais uma vez a carne toda no assador. Cascatas de guitarras mais ou menos distorcidas, sintetizações cósmicas variadas, espirais de violinos em catadupa, impacientes e rebeldes sopros e um registo percurssivo com a dinâmica e o vigor indicados, são o receituário que suporta a arquitetura sonora de um alinhamento que também se define, como não podia deixar de ser, pela sua destreza melódica, um expediente essencial nas canções dos Spiritualized que buscam sempre os atalhos mais diretos para o coração do ouvinte. Crazy, a quarta canção do alinhamento de Everything Was Beautiful, estrategicamente situada no âmago do disco, é a composição que exagera, no bom sentido da palavra, na beleza e no romantismo, e que, por isso mesmo, espelha com clareza enorme esta caraterística essencial no momento de caraterizar o adn dos Spiritualized. Crazy é mais um bom exemplo de variações eletromagnéticas emanadas por planetas, ruídos intergaláticos e uma série de elementos que ao serem posicionados de forma correta se transformam em música. O tema, que conta com a participação especial vocal da artista country Nikki Lane, é uma lindíssima balada, plena de soul e emotividade, com uma linha eminentemente country pop, mas há outra canção, também estrategicamente posicionada, que não fica atrás de Crazy na hora de nos fazer sorrir sem razão aparente. Refiro-me a Always Together With You, o tema que abre o alinhamento de Everything Was Beautiful, outra estrondosa composição gravada pela primeira vez em dois mil e catorze, na altura com uma roupagem mais agreste e intitulada, à época, Always Forgetting With You (The Bridge Song), sob o pseudónimo Mississippi Space Program.

Para esclarecer de vez os mais exigentes de que este álbum é, sem qualquer possibilidade de rebate ponderado, um dos discos do ano, escuta-se The Mainline Song/ The Lockdown Song, talvez a composição conceptualmente mais de acordo com aquela que é outra grande matriz identitária dos Spiritualized, o confronto com a realidade e a indispensável crítica analítica à mesma. É um longo tema sobre comboios, mas também sobre as agruras que estes dois anos de confinamentos provocaram em todos nós, com uma base melódica de forte cariz hipnótico e progressivo, assente em cordas reluzentes e arranjos sofisticados que vão sendo inseridos na canção de modo a que ela tenha uma progressão contínua rumo aquela majestosidade que quase sempre se confunde com o habitual pendor psicadélico do projeto.

Jason Pierce é um eterno insatisfeito e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a um artista que se serve desse eterno incómodo relativamente à sua obra, neste caso musical, para, disco após disco, tentar sempre superar-se e apresentar algo de inédito e que surpreenda os fãs. E no caso específico dos Spiritualized, uma daquelas bandas nada consensuais e, por isso, com seguidores que são, na sua esmagadora maioria, bastante devotos, como é o meu caso, ainda mais exigente se torna para o íntimo deste cantor, poeta e compositor britânico conseguir que esta sua filosofia de vida tenha efeitos práticos e seja bem sucedida. Everything Was Beautiful, disco repleto de calafrios na espinha e nós na garganta, faz isso na perfeição. É um fabuloso tratado de indie rock experimental, mas, principalmente, mais uma banda sonora indicada para instantes da nossa existência em que somos desafiados e superar obstáculos que à partida, por falta de coragem, fé e alento, poderiam ser insuperáveis, mas que durante a audição do registo sabem a meros precalços ou areias na engrenagem de fácil superação. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:33

Beach House - Once Twice Melody

Terça-feira, 12.04.22

Quase meia década depois de 7, os Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, estão de regresso com Once Twice Melody, a sua obra mais grandiosa, um megalómano alinhamento de dezoito canções que duram mais de oitenta minutos verdadeiramente épicos e que comprovam que esta dupla nunca foi nem será nada timida a cortejar o infinito, porque não receia desafiá-lo.

Beach House – “Once Twice Melody” - Festival da Noção

Entre a luz e a escuridão é muitas vezes efémera a distância que separa estes dois mundos tão díspares. Mas a música dos Beach House consegue sublimar, quase sem se distinguir a fronteira entre duas realidades que, ao som desta dupla, parecem tudo menos distintas. De facto, este Once Twice Melody, que é, curiosamente, o primeiro registo que os próprios Beach House produzem, tem logo no tema homónimo esse perfume de interação, com os sintetizadores a fornecerem nuances predominantemente claras e reluzentes e o baixo e as guitarras a pintarem tonalidades mais obscuras, mas repletas de charme, numa composição que nos coloca de frente, sem apelo nem agravo, para a filosofia estilística que encharca todo o disco. Entre esses dois pontos efêmeros, Victoria Legrand e Alex Scally se deleitam na interação de sombra e luz, o perfume das flores desabrochando à noite, a rapsódia da própria sensação. Superstar, logo a seguir, dá um cariz ainda mais superlativo e sumptuoso, com Pink Funeral a dissolver definitivamente o nosso ouvido numa trama que tem também, diga-se, uma forte componente cinematográfica no seu âmago.

Já capturados e sem possibilidade de nos libertarmos de tais amarras, na ziguezagueante cosmicidade de Through Me, na languidez metálica de Runaway e no perfume aveludado de ESP prossegue este verdadeiro devaneio pop, que sem deixar de descrever a habitual marca registada dos oito registos que fazem já parte do cardápio dos Beach House, ganha, neste Once Twice Melody, laivos de superlativo requinte.

Até ao ocaso do registo, o caráter e o cenário nunca mudam, mesmo que no techno melódico de Only You Know, nos coros celestiais de Over And Over e em Illusion Of Forever pareça haver uma vontade de espreitar territórios um pouco mais agrestes e progressivos. Há guitarras acústicas repletas de vocoders mágicos, sintetizadores analógicos aquosos e mudanças de acordes que explodem como fogos de artifício contra o céu noturno, refrões crescentes e conjuntos sumptuosos de sintetizadores, mas a essência de som permanece sempre inabalável e suporta com distinção o natural desgaste dos minutos, dada a duração do alinhamento do disco.

Colocando Once Twice Melody em perspetiva, relativamente ao trajeto da banda, parece-me claro referir que toda a carreira dos Beach House sabe a um longo e gradual processo de transformação, um caminho lentamente sinuoso que levou a dupla até este ponto. Ao longo dos anos, eles fizeram ajustes subtis no lânguido modelo de slowcore que criaram para si desde o homónimo de dois mil e seis, passando pela veludez de Depression Cherry e o musculado shoegaze de 7,  até chegarem a um ponto em que, tendo construído nesse longínquo disco de estreia a embarcação em que navegam, ao longo da viagem é como se tivessem substituido, gradualmente, todas as suas peças, desde o mastro, ao cordame, passando pelas velas e o casco, até não restar uma única peça original do barco, com o definitivo novo navio personificado neste Once Twice Melody  a ser, no fundo, exatamente a mesma embaracação com que iniciaram a jornada. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:31

Hatcham Social – We Are The Weirdos

Terça-feira, 05.04.22

Toby Kidd, Finnigan Kidd e David Claxton são os Hatcham Social, uma banda britânica oriunda da capital Londres e We Are The Weirdos o quinto trabalho do cardápio de um projeto cujas raízes remontam a dois mil e seis, altura em que com a benção de Tim Burgess, o líder dos Charlatans e de Alan McGee, patrão da Creation Records, os irmãos Kidd e Claxton, antigo baterista dos Klaxons, deram o pontapé de saída numa trip sonora que tem mergulhado, disco após disco, num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa sempre poderoso, jovial e inventivo.

Hatcham Social – MP3 & 4 NYC shows including Cake Shop w/ Crystal Stilts &  TPOBPAH, Merc/

Sucessor do extraordinário registo The Birthday Of The World  de dois mil e quinze, We Are The Weirdos proporciona-nos mais uma mirabolante viagem rumo à melhor herança do rock britânico do último meio século. São catorze canções, repletas de vários convidados especiais e que fazem uma espécie de súmula de uma notável carreira de um dos projetos mais interessantes do cenário indie de terras de Sua Majestade. Falamos de uma banda cuja estreia nos discos ocorreu em dois mil e nove depois de alguns singles de sucesso editados anteriormente. You Dig The Tunnel and I'll Hide the Soil, foi o nome desse debut, um álbum produzido pelo já referido Tim Burgess e por Faris Badwan, dos The Horrors. O sempre difícil segundo disco, intitulado About Girls, chegou três anos depois e o elevado apreço por parte da crítica especializada manteve-se com Cutting Up The Present Leaks Out The Future, no início de dois mil e catorze. No outono do ano seguinte a fasquia ficou ainda mais elevada com esse The Birthday Of The World, uma esplendorosa coleção de dez canções, particularmente luxuriante, espiritual e hipnótica.

O que encontramos, então, neste We Are The Weirdos é uma coleção de canções verdadeiramente desconcertante e com uma produção cuidada, que aposta numa elevada dose de reverb e no típico espírito lo fi. É uma compilação que faz da sua audição um desafio constante, quer devido ao modo como coloca em causa, permanentemente e sem concessões, o típico formato canção, mas também pela amálgama heterogénea de arranjos, samples e sons que rodeiam e sustentam as suas composições.

Instrumentalmente, desde a bateria ao baixo, passando pelo orgão, o piano, sintetizadores, guitarras, violas acústicas e um arsenal alargado de instrumentos de percussão, é extenso o rol de convidados para esta festa única e lisérgica, não faltando um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Abundam as sobreposições instrumentais em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa curiosa busca de acessibilidade, havendo o propósito claro de aproximação ao ouvinte, cativando-o para uma audição dedicada.

Logo em If You Go Down To The Woods Today (Three Cheers For Our Side), a voz e a metalização da guitarra dão corpo a uma melodia plena de majestosidade e cor, encharcada com o melhor código genético de uns The Smiths, para depois, em In My Opinion o espraiar cuidadoso das cordas de uma agreste guitarra, cimentarem o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Hatcham Social, feito de uma enorme assertividade e bom gosto. Depois o blues rock stoniano de I Cannot Cure My Pure Evil, a essência punk vintage do baixo que conduz Sidewalk e a herança aditiva e luminosa que o efeito sintético e o espírito barroco das cordas e de um efeito planante nos transmitem em Lion With A Lazer Gun, assim como a monumentalidade pop da garageira de So So Happy Making, confirmam os mais incautos que estes Hatcham Social são uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze, o chamado space rock e uma reforçada dose de experimentalismo sem regras e concessões, se deliciam com a mistura de vertentes e influências sonoras, sempre em busca de uma espécie de movimento estético de vanguarda sonoro, que desafia convenções e métodos e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:51

Night Moves – Vulnerable Hours

Quinta-feira, 17.03.22

A dupla norte-americana Night Moves é formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Vulnerable Hours, o mais recente tema divulgado pelo projeto.

Local Band Night Moves is Back in Minneapolis - Mpls.St.Paul Magazine

Vulnerable Hours é o mais recente capítulo de uma série de singles que estão a ser lançados à boleia de uma iniciativa patrocinada pela emissora norte-americana NPR que convidou algumas bandas a transformarem histórias anónimas em canções. Nesta canção, que sucede ao tema Fallacy Actually que os Night Moves revelaram em novembro do ano passado, Micky e John proporcionam-nos uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:36

Spiritualized – The Mainline Song

Sábado, 12.03.22

O extraordinário registo And Nothing Hurt, de dois mil e dezoito, assinado pelo projeto britânico Spiritualized, tem finalmente sucessor. Everything Was Beautiful é o nome do novo alinhamento da banda de Jason Pierce e irá ver a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro próximo, com as chancelas da Bella Union e da Fat Possum.

Spiritualized Announce New Album Everything Was Beautiful, Share New Song  “Always Together With You”: Listen | Pitchfork

Everything Was Beautiful contém sete composições que foram gravadas em mais de uma dezena de estúdios diferentes e com um elevado naipe de músicos convidados legível nos seus créditos, incluindo Poppy, a filha de Jason Pierce, músico, cantor e compositor extraordinário e que também toca variadíssimos instrumentos durante o alinhamento daquele que será o nono disco do grupo.

Always Together With You, o tema que abre o alinhamento de Everything Was Beautiful, foi o primeiro single retirado do disco, uma estrondosa composição gravada pela primeira vez em dois mil e catorze, na altura com uma roupagem mais agreste e intitulada, à época, Always Forgetting With You (The Bridge Song), sob o pseudónimo Mississippi Space Program.

Há algumas semanas atrás foi possível escutar também Crazy, a quarta canção do alinhamento de Everything Was Beautiful e que foi mais um bom exemplo de variações eletromagnéticas emanadas por planetas, ruídos intergaláticos e uma série de elementos que ao serem posicionados de forma correta se transformam em música. O tema, que conta com a participação especial vocal da artista country Nikki Lane, era, como certamente se recordam, uma lindíssima balada, plena de soul e emotividade, com uma linha eminentemente country pop.

Agora, quase na data de lançamento do disco, chega a vez de contemplarmos The Mainline Song, o quinto tema do seu alinhamento e talvez a composição conceptualmente mais de acordo com aquela que é a grande matriz identitária dos Spiritualized. É um longo tema sobre comboios, com uma base melódica de forte cariz hipnótico e progressivo, assente em cordas reluzentes e arranjos sofisticados que vão sendo inseridos na canção de modo a que ela tenha uma progressão contínua rumo aquela majestosidade que quase sempre se confunde com o habitual pendor psicadélico do projeto. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:41

Widowspeak – The Jacket

Segunda-feira, 21.02.22

Quase dois anos depois de Plum, um dos melhores discos de dois mil e vinte para a nossa redação, os Widowspaek estão de regresso aos lançamentos discográficos no próximo mês de março. O novo registo da dupla formada pela cantora e escritora Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo, chama-se The Jacket, tem dez canções e irá ver a luz do dia a onze de março, com a chancela da insuspeita Captured Tracks.

Widowspeak announce new album 'The Jacket', share lead single 'Everything  Is Simple'

Everything Is Simple foi o primeiro single divulgado de The Jacket, uma composição que explora, com a ajuda das cordas do baixo e da guitarra, a mescla de alguns cânones fundamentais do melhor rock setentista, com a graciosidade única da folk-pop atual. Alguma semanas depois chegou a vez de conferirmos While You Wait, um gracioso tema que fazia jus às melhores virtudes meditativas e psicadélicas dos Widowspeak, com alguns sopros, de elevado travo centro africano, a ofereceram ao mesm um resultado bastante charmoso e emoldurado com uma identidade declaradamente vintage. Agora, no ocaso de fevereiro, já é possível escutar o tema homónimo do registo, uma canção que versa sobre o modo como as nossas escolhas relativamente ao que vestimos podem dizer muito de nós e que sonoramente nos oferece uns Widowspeak um pouco mais hipnóticos, minimalistas e psicadélicos que o habitual, centrando numa guitarra encharcada de blues e nas diferentes nuances que a mesma pode criar, o arquétipo sonoro da composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:32






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