Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Tame Impala – The Slow Rush

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour


autor stipe07 às 13:11
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Sábado, 15 de Fevereiro de 2020

Elephant Stone - Hollow

Os canadianos Elephant Stone são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada por Rishi Dhir, baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde dois mil e nove e nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado para os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de dois mil e onze dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de dois mil e treze, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records, quase três anos, em dois mil e dezasseis, vê a luz dia Ship Of Fools e agora, no dealbar de dois mil e vinte, chega aos escaparates Hollow, o novo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

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Hollow, o sexto disco dos Elephant Stone, é, antes de mais, um assumir preciso das verdadeiras motivações de Dhir relativamente ao projeto, já que ele é o cérebro dominante na conceção deste trabalho. De facto, nunca um disco dos Elephant Stone dependeu tanto da criatividade e da criação do mentor de um projeto inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock

Olhando então para o disco, Hollow é um álbum ambicioso e distópico, um compêndio que olha com gula para o universo sci-fi e que, segundo Dhir, é fortemente inspirado nos The Who e no White Album dos Beatles, bandas e registos que, segundo o músico, criavam canções para pessoas infelizes que procuravam encontrar uma saída nas canções, o significado da vida e algo em que acreditar ... ou nada em que acreditar. Assim, Dhir, com isso em mente, começou a escrever um conjunto de canções que relata um mundo de almas infelizes que perderam a conexão entre si, uma história contada pela alquimia psíquica dos Elephant Stone e que ocorre imediatamente após a destruição catastrófica da Terra pela humanidade e o que acontece quando a mesma elite responsável pelo desastre climático que destruiu o mundo aterrou na Nova Terra, um planeta recém-descoberto vendido com a mesma vida de prosperidade que o que eles acabaram de destruir. Assim que os poucos escolhidos abandonam a nave Harmonia e começam a colonizar o novo planeta, fica claro que a humanidade parece destinada a cometer os mesmos erros, replicando-os no novo lar.

Tendo esta trama como pano de fundo, Hollow dá vida e cor a esta sequência de eventos, à boleia de uma sequência de canções abastecidas por guitarras planantes e faustosas, repletas de efeitos em eco, teclados cósmicos, riffs empolgantes e distorções inebriantes, que criam melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop, detalhe bem patente logo em Hollow World. Depois, a cítara que vagueira pela etérea Harmonia e que introduz a rugosa e impulsiva Land Of Dead, a luminosidade do timbre metálico das cordas que conduzem We Cry For Harmonia e a tal quase tão desejada perfeição pop que exala dos tambores e dos teclados de I See You, são nuances que neste Hollow conferem o habitual grau de exotismo dos Elephant Stone, que criaram mais um verdadeiro maná de revivalismo psicadélico. Espero que aprecies a sugestão... 

Elephant Stone - Hollow

01. Hollow World
02. Darker Time, Darker Space
03. The Court and Jury
04. Land Of Dead
05. Keep The Light Alive
06. We Cry For Harmonia
07. Harmonia
08. I See You
09. The Clampdown
10. Fox On The Run
11. House On Fire
12. A Way Home


autor stipe07 às 16:52
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020

Grand Sun - Veera

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, estream-se a vinte e sete de março próximo no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, deverá, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, encarnar um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

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Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Veera é um dos momentos maiores de Sal Y Amore, uma canção que plasma o nome de uma rapariga decidida a ser enigmática, descrita através de uma alegoria pop particularmente luminosa, conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, uma maravilhosa amostra do primeiro sal saudável para hipertensão, que os Grand Sun pretendem colocar nos nossos pratos em dois mil e vinte. Confere...

https://www.facebook.com/grandsunband/

https://www.instagram.com/grand.sun/

https://grandsun.bandcamp.com/

https://www.youtube.com/channel/UC5M5a9i4DhXJi47yNcaqoMQ    


autor stipe07 às 13:11
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

Happyness – Vegetable

Happyness - Vegetable

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan voltam a dar sinais de vida com Vegetable, um belo prenúncio de um novo trabalho do trio, o terceiro, que deverá chegar aos escaparates na segunda metade deste ano de dois mil e vinte.

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Vegetable é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo da canção acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...


autor stipe07 às 11:43
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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020

Real Estate – Paper Cup

Real Estate - Paper Cup

Será a vinte e oito de fevereiro próximo que irá ver a luz do dia, à boleia da Domino Records, The Main Thing, o quarto e novo registo de originais dos Real Estate, sucessor do excelente In Mind, editado em dois mil e dezassete e que estava repleto de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, nuances que ajudaram o projeto a assumir-se definitivamente como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual.

The Main Thing será o primeiro disco do coletivo natural de Rodgewood, em Nova Jersey, sem a presença de Matt Mondanile, a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual. Mondanile foi substituido pelo multi-instrumentista Julian Lynch, que se junta a Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman e Jackson Pollis e, de acordo com Paper Cup, o primeiro single divulgado de The Main Thing e que conta com a participação especial de Amelia Meath, uma das metades da dupla Sylvan Esso, tal mudança na formação não alterou decisivamente o som que típifica o adn dos Real Estate, uma constatação, a meu ver, positiva, refletida em Paper Cup, o primeiro avanço divulgado do trabalho, uma canção em que piano, cordas e uma vasta míriade de arranjos de elevada luminosidade e com um indisfarçável travo tropical, conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial. Confere Paper Cup e a tracklist de The Main Thing...

The Main Thing

01 Friday
02 Paper Cup
03 Gone
04 You
05 November
06 Falling Down
07 Also A But
08 The Main Thing
09 Shallow Sun
10 Sting
11 Silent World
12 Procession
13 Brother


autor stipe07 às 11:17
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020

Papercuts – Kathleen Says EP

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts regressaram às luzes da ribalta em outubro de dois mil e dezoito com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América. Sexto disco do cardápio dos Papercuts e, como já referi, primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues continha um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta era, de facto, uma nuance fundamental desse novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles, ocorrida à época.

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Foram vários os singles já retirados desse excelente trabalho dos Papercuts, sendo, talvez, o mais badalado, Laughing Man, uma composição que, como os mais atentos se recordarão, estava coberta por um manto de monumentalidade e epicidade únicos. No entanto, um dos temas mais relevantes de Parallel Universe Blues e que merece também superior destaque é, sem dúvida, Kathleen Says, a sexta composição do alinhamento do registo. Foi editada em single, no início da passada primavera, com direito a um EP próprio, com 2 b sides: uma cover do clássico Blues Run The Game, da autoria de Jackson C. Frank e uma versão acústica de Comb In Your Hair., um dos temas mais emblemáticos do passado discográfico dos Papercuts.

Em Kathleen Says, uma guitarra abrasiva e com um elevado timbre metálico, variações percurssivas constantes e deliciosamente encadeadas com o baixo e uma luminosidade melódica ímpar, são os grandes atributos de uma canção repleta de diversos detalhes preciosos, fundamental para conferir uma tonalidade refrescante e inédita ao alinhamento de um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que melhor propõe atualmente a música independente americana contemporânea. Confere o EP Kathleen Says, o alinhamento de Parallel Universe Blues e espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Kathleen Says

01. Kathleen Says
02. Blues Run The Game
03. Comb In Your Hair


autor stipe07 às 10:08
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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2020

Elephant Stone – Keep The Light Alive

Elephant Stone - Keep The Light Alive

Os canadianos Elephant Stone são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada por Rishi Dhir, baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado para os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de dois mil e onze dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de dois mil e treze, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records, quase três anos, em dois mil e dezasseis, vê a luz dia Ship Of Fools e agora, no dealbar de dois mil e vinte, é-nos anunciado Hollow, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Hollow chegará aos escaparates a catorze de fevereiro e Keep The Light Alive é o primeiro single divulgado do alinhamento desse registo, uma composição com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. Confere...


autor stipe07 às 11:05
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2020

The Proper Ornaments – Purple Heart

The Proper Ornaments - Purple Heart

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns do ano passado para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, que irá ver a luz do dia a vinte e oito de fevereiro próximo.

Missin Bells será o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy e começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins. Do seu alinhamento acaba de ser revelado o conteúdo de Purple Heart, a canção que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme. Confere Purple Heart e o alinhamento de Mission Bells...

1. Purple Heart
2. Downtown
3. Black Tar
4. The Wolves At The Door 5. Broken Insect
6. The Impeccable Lawns
7. Echoes
8. Flophouse Calvary
9. Strings Around Your Head
10. The Park
11. Music Of The Traffic
12. Cold
13. Tin Soldiers


autor stipe07 às 09:43
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2020

Tame Impala – Lost In Yesterday

Tame Impala - Lost In Yesterday

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Lost In Yesterday é já o quinto tema divulgado de The Slow Rush e o último antes de o disco chegar aos escaparates. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições PatienceBorderline, It Might Be Time e Posthumous Forgiveness. Quanto ao seu conteúdo, Lost In Yesterday é uma canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados. Esse exercício contemplativo é idealizado por Kevin Parker à boleia de uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 10:34
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2020

Black Marble – Bigger Than Life

Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, mas agora sedeada em Los Angeles, que se estreou nos discos em outubro de dois mil e doze, através da Hardly Art, com o registo A Different Arrangement, onze canções que carimbaram desde logo a sonoridade de uma banda, que nos remeteu, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. Tal impressão teve sequência com o excelente sucessor It's Immaterial, editado também em outubro, mas de dois mil e dezasseis, mantendo-se o décimo mês do ano como período período predileto paras o lançamento de registos, já que Bigger Than Life, o terceiro álbum do projeto, viu a luz do dia precisamente nesse mês do último ano.

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Apesar de serem uma dupla, nos Black Marble quem assume as rédeas é Chris Stewart, que começou a escrever o conteúdo de Bigger Than Life depois da mudança recente de Nova Iorque para a outra costa, uma mudança física e ambiental que acabou por inspirar o músico, que, de acordo com o próprio, no primeiro dia em que entrou em estúdio para gravar e olhou pela janela, ficou logo fascinado com a luz e o contraste entre o ceú e as montanhas que rodeiam a cidade dos anjos, um ambiente natural único que fax da principal cidade da costa oeste dos Estados Unídos um lugar especial e muito procurado.

A partir daí, e tendo presente esta conjuntura relativamente à incubação de Bigger Than Life, conforntamo-nos com um alinhamento bastante coeso de onze canções de forte cariz retro, já que têm como receituário fundamental o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. é uma estética que não recusa a originalidade e a autenticidade que já são imagem de marca do som identitário dos Black Marble, mas que os mesmos tentam recontextualizar e fazer progredir, tendo sempre como pano de fundo aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.

A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo, irrepreensível em Grey Eyeliner, e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar uma certa tensão melancólica, que também é uma das traves mestras do disco e que terá como ponto forte a vibe surf de Daily Driver, uma das composições mais encantadoras do registo, a par dos fragmentos de sons sintetizados e distorcidos de Feels.

Em suma, neste Bigger Than Life as composições refletem, com alguma minúcia, estados de alma e os contextos que definem o momento atual de Stewart, através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão nelas plasmadas. Tema após tema, o álbum transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, tudo agregado através de uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...

Black Marble - Bigger Than Life

01. Never Tell
02. One Eye Open
03. Daily Driver
04. Feels
05. The Usual
06. Grey Eyeliner
07. Bigger Than Life
08. Private Show
09. Shoulder
10. Hit Show
11. Call


autor stipe07 às 18:05
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Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2020

MOMO - I Was Told To Be Quiet

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já tem sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

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I Was Told To Be Quiet foi gravado em Los Angeles e produzido pelo norte-americano Tom Biller, amigo pessoal de Marcelo e que já trabalho com nomes tão influentes como Fiona Apple, Sean Lennon, Elliot Smith, Kanye West e Warpaint, entre outros. O seu alinhamento é uma resposta sensível ao mundo atribulado que vivemos e junta a herança calorosa e afetiva das sonoridades tupiniquins, nomeadamente a bossa nova e o samba, com a estética arrojada do indie contemporâneo. O resultado é um reportório brilhante e original, no qual o autor exibe diversas nuances de sua musicalidade. Entre composições cantadas em português, inglês e francês, temos contato com seu lado mais sonhador (Higher Ground), o mais confessional (For I Am Just a Reckless Child) e, como não podia deixar de ser, o mais ensolarado (Diz a Verdade). Depois, enquanto em Vida MOMO regressa um pouco aos ambientes psicadélicos de inicío da carreira, Mon Neant, Marigold e Lillies for Eyes impressionam pela riqueza estilística ao nível dos arranjos. Já Stupid Lullaby e Sereno Canto, composições mais exigentes e intrincadas, revelam toda a sua formosura à medida que o ouvinte se deixa conquistar pela voz e pelos sentimentos que MOMO lhes induziu.

Com uma lista notável de convidados, nomeadamente Wado, Thiago Camelo e Ana Lomelino (Mãeana) e com as participações especiais nas gravações dos músicos Régis Damasceno (baixo) e Marco Benevento (piano, polli synth, cordas synth), I Was Told To Be Quiet é um álbum alegre, livre e libertador, parco em pensamentos negativos e que, fazendo a antítise do seu título encharcado em ironia, nos oferece um MOMO buliçoso e salutarmente crítico relativamente ao modo como observa o mundo que o rodeia e como reflete sobre a feliz irrequietude da sua própria existência. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:58
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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

Greg Dulli – Pantomima

Greg Dulli - Pantomima

Após um longo hiato de dezasseis anos, os The Afghan Whigs de Greg Dulli, regressaram às edições discográficas em dois mil e catorze com Do The Beast, um álbum que sucedeu ao aclamado registo1965 (1998) e do qual houve, felizmente, sucessor, o disco In Spades, editado em dois mil e dezassete, pouco antes da morte de Dave Rosser, o guitarrista à altura dos The Afghan Whigs. No entanto, Greg Dulli, um músico que envolveu-se em outros projetos, várias vezes de mãos dadas com Josh Homme, o carismático lider dos The Queens Of The Stone Age e também com Mark Lanegan, parece querer dar um fôlego na sua carreira a solo, com a divulgação do lançamento de Random Desire, o primeiro disco que terá a sua assinatura única, apesar de já ter tido um projeto alternativo chamado Twilight Singers, que resultou, em dois mil e cinco no registo Amber Headlights, e que cessou as hostilidades devido a outro desaparecimento, neste caso do amigo Ted Demme.

Random Desire terá dez canções escritas por Dulli nos últimos dois anos e delas já se conhece o single Pantomima, composição que mostra que o rock visceral e sujo, carregado com guitarras poderosas e incisivas, continua a ser a bitola que orienta e define o processo de composição deste mítico músico que não aprecia muito a fama, a exposição pública e o sucesso, mas que poderá muito bem, de acordo com esta amostra, estar a preparar-se para lançar um dos trabalhos dicográficos obrigatórios do próximo ano. Confere...


autor stipe07 às 21:49
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Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

MGMT – In The Afternoon

MGMT - In The Afternoon

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, volta a dar sinais de vida com o anúncio do lançamento de um single de 12 polegadas do tema In The Afternoon, que inclui o b side As You Move Through The World, sendo a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

In The Afternoon, canção também já com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann, coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes, nuances que mostram que os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções deliciosias no modo como contêm uma dupla faceta de nostalgia e contemporaneidade. Confere...


autor stipe07 às 12:45
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

Tame Impala – Posthumous Forgiveness

Tame Impala - Posthumous Forgiveness

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida comThe Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Posthumous Forgiveness é já o quarto tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline e It Might Be Time

Quanto ao seu conteúdo, Posthumous Forgiveness é, na verdade, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas, com o resultado final a oferecer-nos pouco mais de seis minutos de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 12:38
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Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019

Moon Duo – Stars Are The Light

O fabuloso rock psicadélico dos Moon Duo está de regresso em dois mil e dezanove com Stars Are The Light, o sétimo registo de estúdio deste projeto formado pela dupla Ripley Johnson e Sanae Yamada e um nome incontornável do cenário indie atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e com vários pontos altos, os Moon Duo têm tido uma segunda metade desta década bastante profícua, com o lançamento de Occult Architecture Vol. 1 e Vol., há dois anos, dois álbuns que nos levaram de novo rumo à pop psicadélica setentista, através dos solos e riffs da guitarra de Ripley a exibirem muitas vezes linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, mas também de sintetizadores inspirados e com efeitos cósmicos plenos de groove. No início do ano seguinte voltaram com o lançamento de um duplo single, à boleia da Sacred Bones, o refúgio perfeito que encontraram há já algum tempo para explorar todo o hipnotismo lisérgico que carimba o seu adn e agora, com este Stars Are The Light, cimentam uma posição forte, dentro de um espetro sonoro muito peculiar e tremendamente aditivo.

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Com um olhar bastante anguloso numa mescla entre o funk setentista e o salutar caos em que se instalou o rock progressivo no final do século passado, Stars Are The Light oferece-nos oito canções que refletem as experiências humanas que têm no amor, na mudança e na luta interna, muitas vezes a maior força motriz. Em Flying levantamos logo voo nas asas de uma batida inebriante e um sintetizador repleto de cosmicidade e a partir daí ficamos, rapidamente absorvidos por este caldo algo entropecedor, mas nada bafiento. Depois, a curiosa toada épica e vibrante do tema homónimo e, principalmente, o riff abrasivo que define o punk inspirado de Eye 2 Eye afunda-nos definitivamente na espiral filosófica dos Moon Duo, uma espécie de catarse psicadélica que, pouco depois, em Lost Heads, ao assentar numa batida inspirada e em flashes de efeitos e timbres de cordas divagantes, faz-nos dançar em altos e baixos enleantes, ao som de uma química interessante e única entre o orgânico e o sintético.

O que mais impressiona nos Moon Duo é que, registo após registo, a fórmula selecionada é muito simples e semelhante, mas conceitos como inovação, diferença e inquietude estão timbrados com indelével marca porque aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que, melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois dos anos setenta, definidores da nossa contemporaneidade cultural.

Álbum que prova que ainda é possível, várias décadas depois, haver um som que pode ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, Stars Are The Light tem essa subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria world music (escute-se Eternal Shore), uns com mais groove e outros mais relaxantes, mas sempre com a tónica do experimentalismo na linha da frente e sem este projeto de São Francisco se perder em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Moon Duo - Stars Are The Light

01. Flying
02. Stars Are The Light
03. Fall In Your Love
04. The World And The Sun
05. Lost Heads
06. Eternal Shore
07. Eye 2 Eye
08. Fever Night


autor stipe07 às 12:40
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Domingo, 17 de Novembro de 2019

Local Natives – Nova

Local Natives - Nova

Foi em abril e à boleia da Loma Vista Records, que chegou aos escaparates Violet Street, um marco discográfico essencial de dois e dezanove e que elevou os seus autores, os Local Natives, para um novo patamar instrumental mais arrojado, mantendo-se, no entanto, a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzidos em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto norte americano.

Agora, quase no ocaso do ano, o grupo de Salt Lake acaba de divulgar Nova, uma  composição inspirada no filme Interstellar e no vídeo de Location, um original do rapper e compositor norte-americano de Atlanta, Playboi Carti, que também utiliza imagens dessa obra cinematográfica protagonizada por Emma Thomas e Matthew McConaughey , nomeadamente o momento em que o último mergulha num buraco negro.

Nova foi gravada durante as sessões de Violet Street e estava pensada para fazer parte do alinhamento desse álbum, o que acabou por não acontecer. Em boa hora os Local Natives resolveram divulgá-la, pois trata-se de uma lindíssima canção, tremendamente climática e que, apesar da rugosidade da guitarra, aposta numa toada eminentemente classicista e com forte cariz pop, sendo, de acordo com o grupo, sobre aquela áurea e aquele zumbido constante que invadem a nossa mente quando nos apaixonamos pela primeira vez e que todos nós já experimentámos. Confere...


autor stipe07 às 17:39
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Sábado, 16 de Novembro de 2019

TOY – Songs Of Consumption

Depois do lançamento já em dois mil e dezanove de Happy In The Hollow, o quarto registo da carreira, os TOY de  Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold, estão de regresso com Songs Of Consumption, uma coleção de oito canções que são, nada mais nada menos, que reinterpretações da banda de temas que inspiraram a carreira dos TOY, originais de alguns nomes míticos do coletivo britânico, nomeadamente os Stooges, Amanda Lear, Nico, The Troggs, Soft Cell, John Barry e Pet Shop Boys, entre outros.

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Sonoramente, Songs of Consumption é um feliz apêndice da filosofia que esteve subjacente à gravação de Happy In The Hollow, ampliando, portanto, a nova visão sonora dos TOY, cada vez mais distintiva e original e que se vai distanciando do chamado krautrock sujo e aproximando-se de uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que, diga-se de passagem, sempre caraterizou o ambiente sónico deste quinteto.

Sintetizadores e uma vasta miríade de elementos eletrónicos, incluindo as cada vez mais famosas drum machines, e uma opção ao nível da produção, pelo lo fi, sempre aliado a um aturado trabalho de exploração experimental, foram, claramente, as traves mestras que nortearam o processo de incubação de Songs Of Consumption, com os TOY a tentarem sempre puxar as canções para um universo sonoro distinto das versões originais, mas sem nunca colocar em causa a essência das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Songs Of Consumption

1.   Down On The Street (The Stooges)
2.   Follow Me (Amanda Lear)
3.   Sixty Forty (Nico)
4.   Cousin Jane (The Troggs)
5.   Fun City (Soft Cell)
6.   Lemon Incest (Charlotte Gainsbourg & Serge Gainsbourg)
7.   Always On My Mind (B.J. Thomas)
8.   A Dolls House (John Barry)


autor stipe07 às 17:56
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

Born-Folk - Come Inside! EP

Têm apenas alguns meses de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa constituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, e tem já no seu catálogo um EP intitulado Come Inside!, um alinhamento de cinco temas bastante influenciado pela indie de final do século passado, intercetado por alguns dos pilares fundamentais do rock clássico, com pitadas de jazz, do punk e do grunge a comporem este delicioso ramalhete.

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Assumidamente ecléticos, sem se quererem amarrar demasiado a fronteiras ou a um modus operandi sonoro demasiado específico e que os castre naquilo que é a sempre indispensável liberdade criativa, os Born-Folk têm nos conceitos de simbolismo e ironia pedras basilares não só da sua filosofia sonora, mas também do seu ideário lírico. Assim, se o tema Heat And Rum assume-se como uma típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, (o) l (a) é um buliçoso e agreste exercício de recriação de como seria recriar Seattle em plena andaluzia espanhola e Le F*ck, um psicadélico devaneio punk que a melhor herança de uns Pavement não hesitaria em colocar em plano de destaque no seu catálogo. Já Fall-Inn, o tema que encerra o alinhamento do EP, conduzido por um eletrificação de cordas agreste e abrasiva, mas tremendamente charmosa e com um travo punk delicioso, tem um clima mais outunal, oferecendo-nos um possível retrato de um peculiar “rendez vous” outonal falhado com uma “patinadora artística” que vai pirateando corações com o seu sorriso alemão. De facto, de acordo com o grupo, no hotel FALL-INN (uma espécie de open space hostel) somos saqueados por uma coelhinha pirata que embala os hóspedes com o seu olho empalado. A enigmática mensagem em “alemão da região da baixa googlândia” é o hall de entrada. Segue-se uma imperial overdrive interminável até à infusão fatal, um cházinho relaxante e inebriante carregado de wah wah “delayano” que nos levará até ao grand finale, onde a queda é uma aposta segura. Willkommen!!!  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:54
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

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O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2019

Mikal Cronin – Seeker

Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, na Califórnia, está de regresso aos discos com Seeker, dez canções com a chancela da Merge Records e que rematam um ano bastante profícuo do autor, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon e que tinha dado o pontapé de saída em dois mil e dezanove com a edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe, através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

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Gravado ao vivo nos estúdios Palmetto, em Los Angeles, com a banda que costuma acompanhar Ty Segall e com o produtor Jason Quever, Seeker quebra uma sequência de títulos homónimos e um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico e que nos tem feito viajar no tempo, disco após disco, à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk.

Para escrever Seeker, Cronin passou um mês numa cabana nas montanhas do sul da Califórnia, com o seu gato como única companhia, um retiro bucólico perfeito, de acordo com o próprio músico, e que acabou por ser essencial para um forte cariz biográfico do disco. O resultado final é, pois, um excitante documento de mudança e de reinvenção, um tomo de canções estilisticamente rico e diversificado, com Seeker a plasmar a necessidade de Cronin se reinventar, erguer e seguir em frente depois de um período atribulado, quer a nível pessoal quer a nível profissional, decorrente de relações falhadas, digressões termendamente cansativas e os típicos dilemas existências da fase inicial da vida adulta.

Logo no clima psicadélico algo pomposo de Shelter percebe-se uma ânsia de amplitude e de epicidade, um pouco amainada em Show Me, um devaneio de (falsa) acusticidade folk rock onde não faltam ligeiras distorções. Mas logo depois, com os curiosos arranjos de cordas e a soul melancólica de Feel It All, a intensidade indie lo fi da guitarra que sustenta Fire, o forte odor nativo do piano e da harmónica de Guardian Well e a vibe mais experimental do fuzz que se insinua em I've Got Reason, ficamos esclarecidos acerca do vasto calcorrear de estilos, tendências e exposições que fazem de Seeker um registo com elevada bitola qualitativa, não só porque sobrevive à custa do modo astuto como o autor continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos, sem descurar um lado mais snesível e ameno, muitas vezes na mesma composição e, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, a plasma um inédito sentido de urgência, fruto certamente da tal ânsia de virar de página e seguir em frente com altivez e com uma centelha de sucesso bem acesa. Espero que aprecies a sugestão...

Mikal Cronin - Seeker

01. Shelter
02. Show Me
03. Feel It All
04. Fire
05. Sold
06. I’ve Got Reason
07. Caravan
08. Guardian Well
09. Lost A Year
10. On The Shelf


autor stipe07 às 21:32
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