Quinta-feira, 18 de Abril de 2019

Tricycles - Tricycles

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Trycicles, uma espécie de super grupo que se estreou recentemente nos registos discográficos com um extraordinário disco homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records. Descritos como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles começaram a ganhar vida quando o Sérgio (bateria) e o Edgar (baixo) se juntaram ao Afonso (guitarra, voz) e ao João (guitarra, teclas, voz), para dar corpo a uma coisa vagamente improvável, mas que resulta claramente e que em estúdio funciona porque lá brincam como putos irrequietos no parque infantil e ao vivo também já que nos concertos a ideia é que a energia da lua no alcatrão quente suba pelos pedais até ao volante e exploda de modo a que o público e a banda comunguem raivas e melodias.

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De facto, assim que começa All The Mornings, o primeiro tema do alinhamento de Tricyclesum jogo de reflexos e um irónico lamento contra o tic tac do relógio, duas ideias que nos são induzidas através de uma composição vibrante, de pêlo na venta, mas também com um travo melódico particularmente aditivo, percebemos que estamos na presença de um conjunto de amigos com uma inegável sensibilidade pop, feita dos mais variados ambientes, mas também com aquele cerrar de punhos no momento certo, indispensável num projeto que queira também marcar uma presença marcante num espetro mais rock e até garageiro, exemplarmente replicado em Climbing Down. Assim, com uma filosofia interpretativa que dá a primazia à guitarra quer no processo de criação melódica, quer também no modo como as canções vão sendo adornadas, geralmente com rudes baixos que conversam com educadas baterias e pianos falsamente corteses, avançamos algo inebriados ao longo de doze canções que acabam por funcionar, no seu todo, como um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos e transições entre um alargado e rico espetro sonoro, que abarca alguns dos melhores tiques e heranças do indie rock das últimas décadas. Por exemplo, se no caso de Hamburguer, os Tricycles nos oferecem uma visão algo solarenga e festiva, em Kill It Moon nuances eminentemente etéreas e em Into The Sun um registo mais acústico, mas bastante encantatório, já em Words e em Phone Call: Yesterday's Paper, nas asas de um buliçoso piano, o quarteto vira agulhas para uma atmosfera mais insinuante e charmosa, com Humble Hymn a piscar o olho para territórios mais rockeiros e sumptuosos, mas igualmente acessíveis e deslumbrantes e C para outros mais psicadélicos, experimentais e progressivos.

O resultado feliz deste alinhamento que exala com igual dose de inspiração contemporaneidade e tradição, é um exercício de criatividade e sensibilidade único, feito, como já referi, com os mais variados ambientes e que surpreende faixa a faixa. Nesta belíssima estreia, os Tricycles escancaram-nos um mundo inédito, cujos códigos e fechaduras só eles conhecem, mas que anseiam por partilhar com todos nós. E tal só sucederá eficazmente se estivermos sedentos de sensações revigorantes e reflexivas, já que este coletivo socorre-se continuamente de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade deste projeto para expressar e fazer desfilar, através da música que criam, um rol imenso de sensações, vivências e confissões. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:26
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019

Tame Impala - Borderline

Tame Impala - Borderline

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com o anúncio praticamente certo de um novo disco ainda este ano.

De facto, depois de há algumas semanas nos terem brindado com o tema Patience, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer a canção Borderline, que foi apresentada em primeira mão no famoso programa de televisão norte-americano Saturday Night Live. A mesma gravita em redor de um teclado inspirado, em redor do qual se insinua a bateria, diversos encaixes eletrónicos, uma guitarra indulgente e o habitual registo vocal ecoante, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 23:07
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

The Proper Ornaments - Six Lenins

Já viu a luz do dia Six Lenins, o terceiro registo de originais de um dos segredos mais bem guardados da indie britânica contemporânea. Refiro-me aos londrinos The Proper Ornaments de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy, que conseguiram ultrapassar um período bastante complicado, ainda antes da edição de Foxhole, o registo que lançaram há pouco mais de dois anos. Foram tempos conturbados, após uma estreia auspiciosa com Wooden Head, em dois mil e catorze, peripécias infelizes que incluiram episódios de doença, divórcio e abuso de drogas, mas que não impediram que três anos depois chegasse aos escaparates esse tal Foxhole, o segundo tomo do grupo.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove e depois de uma digressão pelo outro lado do atlântico e de uma estadia bastante profícua no estúdio caseiro de James em Finsbury Park, Londres, que também serviu para afastar definitivamente todos os fantasmas que foram apoquentando os The Proper Ornaments neste meia década, a banda entrega finalmente aos seus fãs Six Lenins, uma espetacular coleção de dez canções que nos convidam a contemplar o grupo a dominar o seu som aparentemente sem qualquer esforço e com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram cada vez mais surpreendentes.

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A impressão imediata que se tem logo após a audição de Six Lenins é que este é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, principalmente porque a sensação de intuição e espontaneidade é tal que, ao ouvi-los, parece que não se importaram nada de poderem, eventualmente, transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, desde que levem à tona a sonoridade com que realmente se identificam e se sentem realizados em replicar. E tal facto representa, desde logo, a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo.

Six Lenins, o terceiro álbum dos The Proper Ornaments, que contou com as participações especiais de Danny Nellis (Charles Howl) no baixo e Bobby Syme (Wesley Gonzalez) na bateria, está, portanto, repleto de composições refinadas e exemplarmente elaboradas. A sonoridade é sempre controlada de modo a criar um clima homogéneo que se torna transversal ao alinhamento, enganando quem ouvir o disco desinteressadamente, porque irá sentir, erradamente, que as canções soam muito iguais. Mas este é um álbum que merece audição dedicada e que deve ser saboreado com o tempo e a velocidade que exige. A sua crueza plena de ricos detalhes, o charme analógico e o carisma vintage nada pretensioso e que não se desbota na contemporaneidade dos nossos dias em que a ferocidade do sintético e da pop fácil arrastam multidões tantas vezes iludidas e a riqueza melódica que contém e que nos permite encontrar a tal individualidade que cada composição claramente possui, só são devidamente assimilados, compreendidos e saboreados através de um modus operandi auditivo que seja dedicado à descoberta do que cada tema tem para oferecer e para nos enriquecer e desprendido de qualquer preconceito relativamente às influências e ao histórico sombrio, nublado e até algo decadente subjacente à incubação deste alinhamento solarengo, otimista e sorridente.

Assim, do ternurento efeito metálico que divaga por Apologies, até à intuitiva Crepuscular Child, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, passando pela jovialidade dos efeitos do sintetizador que conduz Song For John Lennon, pelo travo psicadélico de Where Are You Now, pela vibe surf sessentista de Please Release Me, ou pelo forte odor nostálgico a que exalam as teclas e as cordas de Bullet From A Gun, Six Lenins é um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden


autor stipe07 às 21:30
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Domingo, 24 de Março de 2019

Tame Impala – Patience

Tame Impala - Patience

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com Patience, tema que deverá fazer parte de um novo disco deste coletivo que tem na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da sua filosofia sonora.

Esta canção Patience não foge à bitola concetual anteriormente descrita já que nos seus quase cinco minutos acomoda-se num rock psicadélico sonoramente sustentado numa guitarra mágica de forte índole setentista e que se manifesta com um charme vintage único e em constantes encaixes eletrónicos, detalhes aos quais se junta o já habitual almofadado conjunto de vozes em eco, num resultado final em que rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 10:48
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Sexta-feira, 22 de Março de 2019

Be Forest – Knocturne

Knocturne foi lançado há algumas semanas à boleia da We Were Never Being Boring, uma editora já com um catálogo bastante interessante e importante para várias bandas underground e que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo. Falo do novo registo de originais do fabuloso projeto italiano Be Forest, oriundo de Pesaro, uma pequena cidade na costa do Adriático e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras. Formados atualmente por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz) e Nicola Lampredi (guitarra), este grupo do país dos césares estreou-se nos discos no início desta década com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Depois, Heartbeat, o sempre difícil segundo álbum, chegou quatro anos após esse promissor arranque e agora, mais ou menos após o mesmo hiato temporal, foi editado este Knocturne, um registo com nove canções produzido e misturado pela própria banda com a ajuda de Steve Scanu e masterizado por Josh Bonati.

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Knocturne é o disco mais ambicioso, rico, cru e atmosférico do catálogo dos Be Forest, um trio conhecido por apostar numa filosofia sonora que centra esforços em aproximações a um indie rock com uma componente eminentemente etérea e contemplativa e que tem impressionado pelo bom gosto com que, nos alinhamentos já criados, se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o lo fi a servir de elemento aglutinador das várias influências do trio. Knocturne não foge, portanto, a esta regra mas, honra seja feita ao seu conteúdo, assume-se como um registo mais ambicioso e amplo no modo como permite ao ouvinte contemplar não só uma pafernália alargada de sensações em que o cósmico e o espiritual são presenças imponentes, como é o caso do single Bengala, uma canção vibrante e fortemente intuitiva, mas também onde não falta um certo groove altivo e revigorante, não só plasmado na distorção aguda da guitarra de Alto I, mas também no vasto rol de efeitos que vagueiam por Empty Space e, principalmente, na percurssão de Gemini, uma composição com uma progressão quase incontrolada e que coloca os Be Forest mesmo na fronteira de um rock progressivo onde o experimentalismo das cordas distorcidas dita, como é óbvio, a sua lei.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de calcorrear uma imensidão de territórios sonoros e este Knocturne mostra que o fazem com uma maturidade imensa, assente em melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Knocturne

01. Atto I
02. Empty Space
03. Gemini
04. K
05. Sigfrido
06. Atto II
07. Bengala
08. Fragment
09. You, Nothing


autor stipe07 às 12:54
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Panda Bear – Buoys

Já está nos escaparates desde o início do passado mês de fevereiro Buoys, o sexto álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

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Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira de Panda Bear, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase quatro anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper e um do EP A Day With The Homies, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo deste Buoys, um regresso a um maior minimalismo e acusticidade, numa sequência de nove canções que não deixam de nos oferecer ainda primorosas e atrativas experimentações, mas com um menor nível de desordem sonora e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o ouvinte, com o próprio autor a confessar que pretendeu fazer desta vez canções que a sua descendência pudesse ouvir, compreender e apreciar.

Assim, num álbum sereno, apelativo e coerente, importa antes de mais referir que uma das maiores diferenças que notamos neste Buoys relativamente aos registos anteriores do autor é uma maior predominância da componente vocal na sonoridade global dos temas. Isso não significa necessariamente que exista uma maior abundância dessa vertente, desta vez gravada quase sempre num único take, mas é um facto que desta vez as batidas sintéticas e os efeitos maquinais das cordas ou a sua acusticidade, em vez de se sobreporem à voz, amparam-na e, em alguns casos, até ajudam a evidenciar os dotes de quem a replica. E para esta nova realidade plasmada em Buoys muito contribuiu o excelente trabalho de produção de Rusty Santos, além de diversos arranjos da autoria de DJ e cantora de trap e reggaetón chilena Lizz, não só vocais mas também, por exmplo, de gotas de água ou disparos de laser, só para citar alguns dos exemplos mais audíveis e felizes. Por exemplo, no caso das gotas de água, são elas que de certa forma marcam o ritmo de Dolphin, o single de apresentação do disco e ajudam a dar ao tema uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos.

Mas há outros momentos fortes e merecedores de devoção e audição atenta neste Buoys. O eco que ressoa das cordas e da voz que dá vida a Cranked, atravessada pelos tais lasers, o toque cósmico do dub crescente em Token, o belíssimo instante de folk psicadélica que é I Know I Don't Know ou o (falso) minimalismo tremendamente detalhístico de Master, fazem o disco fluir com uma salutar leveza e uma homogeneidade que acaba por fazer transparecer um certo humanismo que Lennox certamente quis que transbordasse de um alinhamento que entre o experimental e o atmosférico, seduz e emociona, um rol de canções em que, parecendo que não, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e Buoys, um disco corajoso e encantador, plasma mais uma completa reestruturação no som de Panda Bear, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que este artista se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Buoys

01. Dolphin
02. Cranked
03. Token
04. I Know I Don’t Know
05. Master
06. Buoys
07. Inner Monologue
08. Crescendo
09. Home Free


autor stipe07 às 17:48
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019

Swervedriver - Future Ruins

Foi no passado dia vinte e cinco de janeiro, à boleia da Dangerbird, que viu a luz do dia Future Ruins, o novo registo de originais dos Swervedriver de Adam Franklin, uma banda icónica de rock shoegaze, nascida há quase trinta anos das cinzas dos míticos Shake Appeal e que depois de um hiato de cerca de uma década voltou a reunir-se há cerca de três anos, tendo incubado na altura o registo I Wasn't Born To Lose You, que viu finalmente sucessor.

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Álbum com uma forte componente política, já que se centra particularmente na política climática dos países ditos desenvolvidos, Future Ruins pretende mostrar o quanto os Swervedriver se sentem infelizes e preocupados com aquilo que o homem está a fazer à sua própria casa, o planeta onde vive. O tema homónimo do registo é muito claro relativamente a essa intenção, já que oferece-nos uma sombria reflexão sobre o estado atual do mundo, considerando que o mesmo é hoje governado por pessoas insensatas que vão levar a nossa descendência à ruína. A própria sonoridade depressiva da canção casa na perfeição com o seu conteúdo lírico, cimentando, desde logo, um importante aspeto deste registo, que mostra uns Swrvedriver mais pessimistas e conformados do que o habitual. Recordo que ao longo da sua discografia, este projeto britânico sempre nos habituou a mostrar que por muito mau que seja o enredo, há sempre algo de positivo ao virar da esquina.

Assim, a força motriz sonora que está no cerne deste Future Ruins, incubado por um projeto que se foi habituando a apresentar um indie rock contemplativo, melancólico e atmosférico, mas mesmo assim incisivo, é um rock com uma elevada toada shoegazer, ali num meio termo entre o post punk e o rock mais progressivo. Acaba por ser uma sonoridade de forte cariz ambiental, uma espécie de space travel rock, em que guitarras e sintetizadores apostam em distorções rugosas e efeitos inebriantes rumo a uma cosmicidade sonora que, como não podia deixar de ser, conta também com uma elevada componente etérea e contemplativa.

Tendo em conta toda esta filosofia estilística do registo, Mary Winter acabou por ser uma opção óbvia para single de apresentação de Future Ruins, já que se trata de uma melancólica e imponente canção, assente numa guitarra distorcida que contrasta na perfeição com o registo vocal ecoante de Adam, que disserta sobre os pensamentos de um astronauta que passeia no espaço enquanto recorda bons momentos vividos cá em baixo (Been floatin’ out here so long, And you know I’m not coming down, With planet earth long gone, And my feet don’t touch the ground). Depois, na luminosidade melódica da guitarra que conduz Drone Lover e na nebulosa pujança de Golden Remedy conferimos outros dois momentos altos de um alinhamento com um universo muito próprio e que, no seu todo, comunica com a nossa mente e os nossos sentidos de modo particularmente perturbador, naquilo que essa sensação pode ter de positivo e esotérico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:42
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Segunda-feira, 4 de Março de 2019

Pond – Tasmania

Quase dois anos depois de The Weather e quatro do excelente Man It Feels Like Space Again, os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em dois mil e dezanove com Tasmania, um álbum que viu a luz do dia através da Marathon Artists e idealizado por uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamadospace rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

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Oitavo disco da trajetória discográfica dos POND e produzido por Kevin Parker, vocalista dos Tame Impala, Tasmania começou a ser incubado quando Nick Albrook trocou impressões com um cientista especializado em meterologia e questões ambientais que lhe explicou que a temperatura média da Austrália iria continuar a subir consideravelmente nas próximas décadas e que não faltaria muito até a Tasmânia ser o único local habitável desse continente. De facto, canções como o rock orquestral, vibrante e épico de Daisy , o charme hipnótico dos sintetizadores que adornam a melodia de Selené ou o intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente do tema homónimo, (might go and shack up in Tasmania before the ozone goes. And paradise burns in Australia, who knows?) comprovam essa permissa conceptual do disco, alargada com maior abrangência na alegoria pop eletrónica eminentemente sintética de Hand Mouth Dancer, tema em que Albrook alarga as suas preocupações ambientais à realidade geopolítica europeia e à crise de refugiados que atualmente assola o nosso continente (I’m no hero; just do my hand mouth dance,[This is ] for all the actual heroes, dying to get the kids to France). E estes três exemplos, além de mostrarem o leque temático do disco, também podem servir para balizar a matriz sonora de dez canções que apostam, claramente, na diversidade e que têm apenas como ponto comum irem progredindo e aumentando de intensidade, dentro de um universo que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar.

Tasmania é, portanto, mais um retrato fiel do caldeirão sonoro que os POND reservam para nós cada vez que entram em estúdio para compor. Seja no andamento mais progressivo e experimental de Goodnight, P.C.C., no curioso travo R&B de The Boys Are Killing Me ou na vibe cósmica e etérea inicial e depois explosiva de Burnt Out Star, não faltam guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas, desta vez mais do que nunca, por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Para compor o ramalhete não falta ainda uma secção rítmica que aposta, frequentemente, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade enquanto passeamos por uma espécie de jardim contemplativo que nos proporciona um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante impressiva.

Com um clima glam muito próprio, Tasmania enche-nos com um espaço sonoro pleno de texturas e fôlegos e onde é transversal uma sensação de experimentação nada inócua e que espelha o cimento das coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração dos POND, sendo o resultado da ambição deste fabuloso projeto australiano em se rodear, cada vez mais, com uma áurea resplandecente e inventiva e de se mostrar mais heterogéneo e abrangente do que nunca. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Tasmania

01. Daisy
02. Sixteen Days
03. Tasmania
04. The Boys Are Killing Me
05. Hand Mouth Dancer
06. Goodnight, P.C.C.
07. Burnt Out Star
08. Selené
09. Shame
10. Doctor’s In


autor stipe07 às 22:06
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2019

TOY – Happy In The Hollow

Desde dois mil e dez os TOY têm vindo a ganhar uma reputação de banda íntegra, virtuosa e tremendamente criativa, com Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold (desde dois mil e quinze) a oferecerem a uma base já sólida de seguidores um leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, sempre aliadas a um aturado trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio. Happy in The Holow, registo produzido pela própria banda, é o último grande passo da carreira dos TOY, um trabalho que marca uma nova visão sonora ainda mais distintiva e original, agora à boleia da etiqueta Tough Love, a nova editora do projeto.

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Para quem conhece a discografia dos TOY a fundo, como é o caso desta redação que ainda hoje venera o homónimo de estreia e considera-o um registo essencial da década, Happy In The Hollow é o disco da banda mais incisivo na demonstração de um alargado de sonoridades, referidas acima, sempre aliadas a um trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio, cada vez mais aprimoradas. O andamento incisivo de Sequence One, acompanhado por uma constante vibração na guitarra e o sample fantasmagórico que paira sobre o swing do baixo do lento krautrock lisérgico de Mistake A Stranger, abrem todo esse leque de uma ponta à outra, logo no início do alinhamento e comprovam esta espécie de refresh do som típico dos TOY, que se torna, clarmamente, mais sofisticado, límpido, radiofónico e abrangente.

Dado esse mote, a partir daí assiste-se, portanto, a uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que costuma caraterizar o ambiente sónico deste quinteto, que em Energy é colocado a nú através de um contagiante frenesim elétrico, conduzido por um feroz riff de guitarra proporcionado por Dominic e um superior desempenho na bateria, a cargo de Charlie, num tema em que Max Dougall escreve sobre alguns rituais noturnos e que nos sete minutos de Willo nos levam numa inebriante viagem psicadélica ambiental, assente na astúcia acústica de Maxim e no orgão inspirado e elegante de Max. Pelo meio, o post rock psicadélico e soturno de Last Warmth Of The Day e o travo eletro particularmente dançante e indisfarçadamente lascivo de Jolt Awake, dão-nos aquela sensação de profundidade e imersão num universo muito próprio e inédito, que os devotos do quinteto sabem melhor que ninguém como caraterizar e que frequentemente exala aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por instrumentais épicos e marcantes, uma das principais caraterísticas arquitectónicas da maior parte das composições de Happy In The Hollow.

Disco que não nos deixa aterrar de imediato e que após a audição tem instantes que ficam a ressoar no âmago de quem o escutou com critério e devoção, Happy In The Hollow eleva-nos ainda mais alto e ao encontro do típico universo flutuante e inebriante em que assentam os TOY. Ouvi-lo levanta o queixo e empina o nariz, e prova, mais uma vez e com outro brilho, que os TOY tricotam as agulhas certas num rumo discográfico enleante, que tem trilhado percursos sonoros interessantes, mas sempre pintados por uma psicadelia que escorre, principalmente, nas guitarras, cimentando o cliché que diz que gostar de TOY continua a ser, mais do que nunca, também uma questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Happy In The Hollow

01. Sequence One
02. Mistake A Stranger
03. Energy
04. Last Warmth Of The Day
05. The Willo
06. Jolt Awake
07. Mechanism
08. Strangulation Day
09. You Make Me Forget Myself
10. Charlie’s House
11. Move Through The Dark


autor stipe07 às 15:16
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019

The Lemonheads – Varshons II

Dez anos depois de Varshons, a compilação de covers que continha composições da autoria de Gram Parsons, Wire, GG Allin, Leonard Cohen e Christina Aguilera, entre outros, os norte-americanos Lemonheads de Evan Dando estão de regresso às covers com o segundo capítulo dessa saga. Varshons II inclui versões de clássicos do calibre de Take It Easy dos Eagles, Straight To You de Nick Cave & The Bad Seeds, Speed of the Sound of Loneliness de John Prine, Abandoned de  Lucinda Williams e Can't Forget dos Yo La Tengo, o tema escolhido para single de apresentação deste registo de treze canções, que também inclui revisitações de originais dos Jayhawks, Florida Georgia Line, NRBQ, Paul Westerberg, The Eyes e Bevis Frond, entre outros.

Resultado de imagem para The Lemonheads Varshons II

Esta banda de Boston tem uma carreira de mais de trinta anos firmada em oito discos que nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva que inclui registos do calibre de Hate Your Friends (1987), Lovely (1990) ou Come On Feel The Lemonheads (1993), só para citar alguns dos exemplos mais emblemáticos da discografia dos Lemonheads, é a versatilidade instrumental de Dando, líder incontestável do projeto desde o início, à vontade seja no baixo, na guitarra ou na bateria e a capacidade que sempre teve de se rodear de intérpretes sonoros igulamente exímios, nomeadamente a baixista Juliana Hatfield e o baterista australiano David Ryan, dupla com quem gravou It's A Shame About  Ray (1992), outro álbum fundamental do cardápio do projeto. Ben Deily, com quem teve graves problemas de relacionamento por questões de ego que estiveram perto de ser esgrimidas na justiça, foi outro nome importante para a afirmação dos Lemonheads como banda fundamental da universo indie norte-americano da última década do século passado.

Esta saga intitulada Varshons, que vê agora o segundo capítulo, dez anos depois do primeiro, como já referi, acaba por ser uma opção natural por parte de um músico que sente necessidade de homenagear algumas das suas principais referências, fazendo-o, neste Varshons II, através de um modus operandi baseado na sua companheira mais fiel, a guitarra, que serve de base melódica às composições, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia a ela para marcar as várias nuances rítmicas de temas que se espraiam pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente. Assim, da vibe soalheira e etérea de Can't Forget, que depois também pisca o olho ao reggae, imagine-se, em Unfamiliar, passando por aquele rock genuínuo e tipicamene americano que todos reconhecemos e que é audível em Settled Down Like Rain, Things e Abandoned, até ao festim garage de Old Man Blank e com travo punk em TAQN e à folk intimista de Speed Of The Sound Of Loneliness e mais efusiva de Now And Then, assim como ao swing de Magnet e à crua acusticidade de Round Here, os Lemonheads homenageiam mas também provam a relevância que os originais ainda têm enquanto saciam o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. Varshons II é, portanto, um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Can’t Forget
02. Settled Down Like Rain
03. Old Man Blank
04. Things
05. Speed Of The Sound Of Loneliness
06. Abandoned
07. Now And Then
08. Magnet
09. Round Here
10. TAQN
11. Unfamiliar
12. Straight To You
13. Take It Easy


autor stipe07 às 17:21
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2019

Cosmic Mass - I've Become The Sun

É no primeiro dia do próximo mês de março que chega aos escaparates Vice Blooms, o disco de estreia do projeto nacional Cosmic Mass, um quarteto sedeado em Aveiro e formado por André Guimas, Miguel Menano, Pedro Teixeira e António Ventura, que se serve de um garage rock de primeira água, com um elevado pendor psicadélico, para criar canções ariscas, intrigantes e ousadas, que vão diretas ao âmago e ao assunto, sem falsos adereços ou enfeites desnecessários.

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I´ve Become The Sun, o single já retirado de Vice Blooms, é uma porta de entrada perfeita para a filosofia sonora destes Cosmic Mass, que neste tema se servem de uma guitarra hipnótica, esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, para incubar um rock de punhos cerrados, mas também de proporções incrivelmente épicas, que nos proporciona um verdadeiro orgasmo sonoro volumoso, soporífero e emocionalmente desconcertante.

O vídeo deste single dos Cosmic Mass foi gravado pelo próprio grupo e nele os quatro tentam levar o mais à letra e à imagem possível o conteúdo de I've Become The Sun. Confere I've Become The Sun e as próximas datas de concertos desta banda absolutamente frenética...

28 de Fevereiro, Aveiro, Mercado Negro

1 de Março, Lisboa, Sabotage

2 de Março, Porto, Barracuda

22 de Fevereiro, Esmoriz, Uncle Joe’s Bar

23 de Março, Guimarães, Oub’lá

29 de Março, Estarreja, Kola Moka

4 de Abril, Aveiro, GRETUA

10 de Maio, Évora, She

11 de Maio, Figueira da Foz, DRAC

13 de Julho, Ponte de Lima, Ecos do Lima

Bandcamp : https://cosmicmass.bandcamp.com/album/vice-blooms

Facebook: www.facebook.com/CosmicMass/

Instagram: www.instagram.com/cosmicmass/    


autor stipe07 às 09:36
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019

Cage The Elephant – Ready To Let Go

Cage The Elephant - Ready To Let Go

Já tem sucessor Tell Me I'm Pretty, o álbum que os norte americanos Cage The Elephant, de Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra), lançaram no final de dois mil e quinze e que na altura nos conduziu por uma verdadeira road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica que contou com um complemento de versões acústicas dois anos depois, intitulado Unpeeled. Social Cues é o nome do quinto e novo registo discográfico desta banda oriunda de Bowling Green, no Kentucky, vai ver a luz a dezanove de abril próximo, foi produzido por John Hill e Ready To Let Go é o primeiro single divulgado de um alinhamento de treze temas que conta com a participação especial de Beck na canção Night Running.

A composição deste novo álbum dos Cage The Elephant é bastante inspirada no final de uma relação amorosa de Matt Schultz, que criou nas letras que escreveu para alguns dos temas personagens que recriam eventos e pensamentos da sua história pessoal mais recente. Ready To Let Go insere-se nesse rol de temas autobiográficos e sonoramente balança entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. O single tem também já direito a um vídeo que foi pensado pelo próprio Matt, dominado pelo vermelho, preto e branco e onde se pode observar uma espécie de ritual bizarro, onde não faltam lágrimas de sangue, fatos exótics, danças peculiares. Confere...


autor stipe07 às 10:37
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

Wild Nothing – Blue Wings

Wild Nothing - Blue Wings

Depois de Gemini (2010), Nocturnal (2012) e Life Of Pause (2016), Jack Tantum, um músico, artista e compositor norte americano, oriundo da Virgínia, que assina a sua música como Wild Nothing, lançou o ano passado Indigo, o seu quarto registo de originais, mais um alinhamento de canções cheio de exuberância, cor e texturas e possibilidades ilimitadas que distingue-se das demais do género, porque proporciona-nos um manancial de interpretações físicas, psíquicas e sensoriais incomum. Eram, em suma, onze canções abrigadas numa indie pop que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos e agregados sonoros alegres e cheios de luz, que vêm agora um novo acrescento com o tema Blue Wings, disponibilizado pelo autor estes dias com a ajuda de Ben Talmi e que tendo sido arquitetado durante o período de gravação dos temas de Indigo, acabou por não constar do seu alinhamento.

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Assente numa melodia que se cola aos nossos ouvidos sem qualquer pudor, Blue Wings aposta todas as fichas naquela indie pop eminentemente clássica, como se percebe não só na sua riqueza instrumental, mas também nos efeitos robustos da guitarra, na pujança do sintetizador e na sobriedade da percussão, variáveis imprescidindíveis na adição à composição de uma indisfarçavel grandeza e epicidade.

Tematicamente, Blue Wings reforça a permissa de que Tantum é um verdadeiro prodígio na criação de canções que, estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, como sucede nesta canção sobre o modo como o outro, que nos ama, nos pode ajudar a percebermos melhor aquele lado mais oculto e inseguro que todos temos e que não sendo devidamente destrinçado pode levar a instantes de dúvida e desassossego. Confere Blue Wings e Indigo...


autor stipe07 às 14:45
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que têm vindo a consolidar uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, já têm finalmente o pronto seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Este registo sucede a Fading Frontier (2015), vê a luz do dia à boleia da 4AD Records e foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

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Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop e que possa entroncar numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Why Hasn't Everything Already Disappeared? mais um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tentam, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia.

Disco com dez canções com uma identidade muito própria, Why Hasn't Everything Already Disappeared? mostra logo os dentes na luminosidade do cravo que introduz os acordes de Death In Midsummer e no modo como o mesmo é dedilhado e flui de modo a receber de braços abertos a bateria e as guitarras. Nesta canção esbarramos com uma típica sonoridade rock setentista, um funk psicadélico particularmente alegre e bastante dançável, pensado por um Cox que curiosamente diz detestar a música psicadélica, com as distorções e os ruídos de fundo constantes, que já são uma imagem de marca dos Deerhunter, testada desde o versátil Microcastle (2008), a conduzirem o tema para um ambiente claramente festivo. Depois, No One's Sleeping, uma composição inspirada pela trágica morte de Jo Cox, uma política britânica assassinada em dois mil e dezasseis por Thomas Mair, um indivíduo com um histórico de doenças mentais, vai recebendo cordas, teclas e efeitos de sopros de um modo aparentemente anárquico, mas tremendamente calculado, uma fórmula que resulta, no seu todo, numa composição que, mais do que agregar diversos fragmentos, afirma-se como uma alegoria pop de indisfarçável leveza e beleza sonora.

A partir desse mote inicial,  Why Hasn't Everything Already Disappeared? prossegue a sua senda encantatória, frequentemente com uma toada até algo progressiva. Além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições em que o sintetizador é o elemento chave, como é o caso do instrumental Greenpoint Gothic e da experimental Détournement, outras em que é o piano, de mãos dadas com uma guitarra que às vezes parece planar, quem assume as rédeas, nomeadamente na nostalgia de What Happens To People e outras em que o colorido do cravo, um dos instrumentos predilectos de Cox, é, claramente, a grande força motriz, como é o caso de Element, uma ode dos Deerhunter ao meio ambiente e à natureza.

Até ao ocaso de Why Hasn't Everything Already Disappeared?, no clima buliçoso e descomprometido de Futurism, na mágica melancolia que trespassa o xilofone que sustenta Tarnung, no requinte do funk alegre e divertido que conduz Plains e, a encerrar as hostilidades, no devaneio algo caótico que, em Nocturne, dá vida a um minimalismo sintético que depois se transforma num tratado pop, somos convidados a deliciar-nos com um álbum onde a personalidade de cada uma das canções demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, já que imensos e variados são os detalhes precisos que as adornam.

Os Deerhunter vivem, de facto, no pico da sua capacidade criativa e mostram-se ao oitavo disco mais arrojados do que nunca, mostrando neste Why Hasn't Everything Already Disappeared? que conseguem navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. Este projeto de Atlanta, na Georgia, prova-nos que a imprevisibilidade continua a ser, felizmente, algo valioso e ímpar no mundo artístico e Bradford Cox, uma das personagens mais excêntricas no mundo da música contemporânea, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos, de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado aquele que é já, na minha opinião, um dos álbuns essenciais de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Why Hasn't Everything Already Disappeared

01. Death In Midsummer
02. No One’s Sleeping
03. Greenpoint Gothic
04. Element
05. What Happens To People?
06. Détournement
07. Futurism
08. Tarnung
09. Plains
10. Nocturne


autor stipe07 às 08:26
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2019

Indoor Voices – Gaslight Ephemera

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de três anos com um outro EP, intitulado Auratic, que vê finalmente sucessor, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, todas escritas por Relph, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the Face, Always the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My.

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Disponivel no bandcamp do projeto, Gaslight Ephemera flui algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo e uma bateria que seguem a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível na imponência de Breathe, Barely e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de I'm Sorry, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Punch Me In The Face é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conferem, através do sintetizador, leves pitadas de punk ou o garage, aquilo que é, no fundo, uma simbiose entre shoegaze e post rock, amplificada com superior requinte no clima pop de A Little Slow e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Gaslight Ephemera têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always The Same, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Gaslight Ephemera exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Gaslight Ephemera

01. Gaslight Ephemera
02. Breathe, Barely
03. I’m Sorry
04. Punch Me In The Face
05. A Little Slow
06. You’re My
07. Always The Same

08. I Dunno, Kid

09. Shit World


autor stipe07 às 16:59
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2018

Grand Sun - Little Mouse

Foi através da Aunt Sally Records que viu já na segunda metade deste ano a luz do dia The Plastic People of The Universe, o mais recente EP dos Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital e que aposta num exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições. Deste EP constam cinco canções que são autênticos passeios por um mesmo jardim contemplativo, onde, na sua concepção e gravação, nos Blacksheep Studios por Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier, nada mais interessou para os Grand Sun senão observar e cantar o que os rodeava.

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Dessas cinco composições de The Plastic People of The Universe acaba de ser ser extraído em formato single a canção Little Mouse, uma alegoria pop particularmente luminosa conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, também com direito a um inspirado vídeo realizado por Luís Judícibus. Esta edição em formato single de Little Mouse marca o fim da digressão de apresentação do EP que viajou pelo país em cidades como Lisboa, Porto, Aveiro, Freamunde, Coimbra e Torres Vedras. Confere...


autor stipe07 às 20:31
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

The Pains Of Being Pure At Heart – Full Moon Fever

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart regressaram aos discos este ano para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin', entre outros.

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Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Full Moon Fever, recaiu numa abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia. Com esse estilo sonoro sempre presente no momento de recriar temas tão intemporais como os que Tom Petty escreveu, os The Pains Of Being Pure At Heart acabaram por manter intacta a aúrea nostálgica e romântica de um disco ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado, criando um alinhamento tenso, planante e intrigante do início ao fim, com uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, mas com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

De facto, esta revisitação de Full Moon Fever impregna-nos com um ambiente contemplativo fortemente consistente, num resultado final que encarna um notório marco de libertação e de experimentação que homenageia e aprimora o espírito do original, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes The Pains Of Being Pure At Heart nos conseguem proporcionar. Espero que aprecies a sugestão...

The Pains Of Being Pure At Heart - Full Moon Fever

01. Free Fallin’
02. I Won’t Back Down
03. Love Is A Long Road
04. A Face In The Crowd
05. Runnin’ Down A Dream
06. I’ll Feel A Whole Lot Better
07. Yer So Bad
08. Depending On You
09. The Apartment Song
10. Alright For Now
11. A Mind With A Heart Of It’s Own
12. Zombie Zoo


autor stipe07 às 22:00
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2018

Ultimate Painting – Up!

Dois anos depois do excelente Dusk, já se conhece o conteúdo de Up!, o quarto disco da carreira dos Ultimate Painting, uma dupla inglesa formada por Jack Cooper e James Hoare, habituais colaboradores dos Mazes e de Veronica Falls e que, curiosamente, no início deste ano, portanto alguns meses antes do lançamento deste registo, tinham anunciado a separação devido a divergências criativas irreconciliáveis. Na altura, a dupla chegou a solicitar à Bella Union, o novo selo da banda depois dos três alinhamentos anteriores terem sido abrigados pela Trouble In Mind Records, para que este disco, que já estava pronto, não fosse lançado, mas a verdade é que, felizmente, Up! viu a luz do dia para gaúdio de todos aqueles que, tal como eu, vibram com esta banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, para lhes dar um certo toque psicadélico, coberto por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, tudo rematado com uma inconfundível pitada de charme.

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Os Ultimate Painting são exímios na criação de melodias que transmitem sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja e, nesse particular, distinguem-se pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor, envolvidas com um certo toque psicadélico.

Portanto, em Up!, as solarengas e levitantes cordas de Needles In My Eyes, o ternurento efeito metálico do single Not Gonna Burn Myself Anymore, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, o tom confessional de I Am Your Gun, o piano melancólico de Someone's Out To Get You ou a luminosidade melódica que chega a inebriar em Foul & Fair e a ofuscar no cerrar de punhos a que sabe Take Shelterpermitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre tão nobre sentimento e tudo aquilo que de bom tem para nos oferecer, enquanto percebemos os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Em Up! vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um bom gosto ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting encerram em grande forma e de um modo extraordinariamente jovial, uma curta mas profícua carreira que seduziu-me pela forma genuína e simples como nela retrataram sonoramente e com superior clarividência eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, mas onde o amor é a grande força motriz no modo como nos encadeamos uns nos outros. Espero que aprecies a sugestão...

Ultimate Painting - Up!

01. Needles In My Eyes
02. Not Gonna Burn Myself Anymore
03. I Am Your Gun
04. Foul And Fair
05. Someone’s Out To Get You
06. Take Shelter
07. My Procedure
08. Lying In Charles Street
09. Darkness In His Eyes
10. Snake Pass


autor stipe07 às 12:57
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018

Galo Cant’Às Duas - Sobre Um Tanto Medo

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já anunciaram o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que verá a luz do dia em janeiro e do qual já se conhece o single de apresentação, um tema intitulado Sobre Um Tanto Medo, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão e que serviu-se de um salutar experimentalismo psicadélico para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. 

De acordo com o press release de lançamento do single, para o respectivo vídeo, interessou a ideia de filmar o lugar onde realizaram a capa do disco. Naturalmente sem acompanhar a cadência da música quiseram provocar a dúvida da sua real existência. De um não-lugar, de um universo que é nosso ou criado por nós. Sentiram assim a necessidade de imortalizar/revitalizar aquele lugar que o vídeo vai mostrando e dando vida.

No dia vinte e oito de Dezembro acontecerá uma festa de pré lançamento que se intitula Cantar de Galo. No Carmo’81, em Viseu, os Galo Cant’Às Duas convidam também o percussionista João Pais Filipe, que recentemente lançou o seu disco a solo, para abrir o que será uma noite de celebração cheia de pessoas bonitas que fizeram também parte deste processo de criação. Confere o single de apresentação de Cabo da Boa Esperança...

 


autor stipe07 às 18:36
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
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