Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019

The Moth And The Flame – Ruthless

Cerca de três anos depois de Young & Unafraid, disco que preservava a sonoridade pop atmosférica do registo homónimo de estreia, lançado em 2012, porque tinha canções que nos envolviam em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa, os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett e Andrew Tolman estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ruthless, um alinhamento de onze temas produzido pelos premiados Peter Katis (Interpol, The National, Middle Kids) e Nate Pyfer (Kaskade), e que viu a luz do dia através da Thirty Tigers.

Resultado de imagem para The Moth And The Flame Ruthless

Ruthless marca o fim de um longo hiato dos The Moth And The Flame, um período muito marcado pela doação por Robbins de um rim a Corey Fox, um dos grandes fâs da banda e dono do Velour, uma sala de espetáculos em Provo, no Utah, terra natal da banda e onde o trio deu os primeiros concertos, que foram muito importantes numa fase inicial da carreira. Este é um disco muito marcado pelo ideário da depressão, com várias canções que abordam diretamente essa temática, logo a começar no single The Great Depression, que abre estrategicamente o registo, uma canção sobre os demónios que todos temos dentro de nós e que temos de enfrentar diariamente, muitas vezes sem que os outros que nos são mais próximos se apercebam. Este tema é uma espécie de apelo por parte dos The Moth And The Flame para que cada m de nós, nos momentos de maior dificuldade interior, nunca se isole e procure ajuda e conforto nos nossos melhores amigos e confidentes, porque todos temos sempre alguém a quem recorrer.

Sonoramente, ao longo de Ruthless a banda pega firmemente no seu som e usa-o como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, como é o caso do dedilhar no single já citado, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que tanto pode oscilar por um registo grave sussurrante até notas mais agudas e estridentes e na mesma composição, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

De facto, além da sapiência melódica e estrutural que conduz The Great Depression, claramente o grande destaque de Ruthless, canções como Only Just Begin, uma ode ao rock oitocentista nostálgico e efusiante e a lindíssima balada Wait Right Here, que impressiona pela beleza planante do piano e da flauta e pela lisura das cordas, sendo composições díspares, atestam a elevada abrangência e maturidade de um trio cada vez mais disponível para descolar da zona de conforto sonora dos dois primeiros trabalhos, para ir partir em busca de ambientes igualmente épicos, mas com uma instrumentalização ainda mais diversificada.

indie rock que plana entre a experimentação, o psicadelismo e ambientes algo progressivos mantém-se, assim, como elemento ativo de um arquétipo de onde também sobressai uma presença ainda mais forte da sintetização do que o registo anterior, uma tendência que Beautiful Couch, uma das canções mais impetuosas e viscerais do registo, imprime de modo bastante impressivo.

Seja como for, este é, claramente, um trabalho liderado pelas guitarras, um registo onde este instrumento acaba por ser o grande eixo orientador do processo de construção sonora, num alinhamento em que se ouve canções melodicamente intuitivas e ao mesmo tempo complexas, no modo como nos oferecem variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.

Ruthless é, em suma, um registo que pega nas experiências pessoais mais recentes do grupo e nas típicas agruras e peripécias de quem nem sempre se sente confortável com o mundo em redor, para incubar uma espécie de manual de auto ajuda para quem vive mentalmente deprimido, ao mesmo tempo que dá vida à nova filosofia interpretativa dos Moth And The Flame, mais eclética, abrangente e sofisticada. Além das composições já referidas, basta escutar a toada negra e intrincada de What Do I Do, as guitarras agrestes e o baixo impulsivo de Ozymandias ou o sumptuoso exercício percurssivo que alicerçou a emotividade que transparece de Do What You Love, para se perceber uma busca pela construção de hinos, mas também por encetar uma caminhada firme e triunfante rumo a um território mais negro, sombrio e encorpado, através de um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que seduz este grupo norte-americano. Espero que aprecies a sugestão...

The Moth And The Flame - Ruthless

01. The New Great Depression
02. Only Just Begun
03. Wait Right Here
04. Beautiful Couch
05. What Do I Do
06. Do What You Love
07. Ozymandias
08. Red Rising
09. What Do I Do (Continued)
10. Eliza Eden
11. Lullaby IV


autor stipe07 às 08:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Linda Martini - É só uma canção vs Quase se fez uma casa

Os Linda Martini de André Henriques (Voz e Guitarra), Cláudia Guerreiro (Baixo e Voz), Hélio Morais (Bateria e Voz) e Pedro Geraldes (Guitarra e Voz), continuam a retirar dividendos do excelente homónimo que editaram recentemente e que os catapultou, definitivamente e com toda a justiça, para o pódio dos melhores projetos de indie rock alternativo nacionais da atualidade.

Resultado de imagem para linda martini 2018

Sucessor do aclamado Sirumba, editado em dois mil e dezasseis, Linda Martini foi gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, com produção da própria banda e Santi Garcia e com todos os detalhes pensados até ao mais ínfimo pormenor. Por exemplo, o retrato a óleo da capa é a rapariga italiana a quem a banda pediu emprestado o nome no início do século, quando o projeto surgiu e o seu conteúdo sonoro não pretende ser uma mera continuidade da sonoridade habitual, mas antes uma fuga da zona de conforto, com um equilíbrio cada vez maior de elementos como o ritmo, a melancolia e o intimismo, relativamente não só ao antecessor, mas também a todo o cardápio do projeto, que conta já com seis tomos.

Em suma, os Linda Martini de hoje podem ser Rock e Fado, Fugazi e Variações, Fela Kuti e Afrobeat, Tim Maia e Funk, sem nunca soarem a outra coisa que não eles e são poucas as bandas que, remexendo e criando desconforto à primeira audição, conseguem depois, da harmonia ao caos, do balanço lânguido às cavalgadas épicas, soarem harmoniosos e profundamente cativantes.

Para espalhar ainda mais a sua doutrina, os Linda Martini acabam de retirar de Linda Martini dois singles e em simultâneo, os temas É só uma canção e Quase se fez uma casa. De acordo com o press release do lançamento, neste duplo videoclip, o grupo abre com É só uma canção, composição que nos fala sobre o peso da maldita folha em branco. São eles a contornar o que já fizeram, a contrariar rotinas para descobrirem outro ângulo e em Quase se fez uma casa, o segundo filme, amachucam o rascunho para que nada fique de pé. Peritos em adocicar a tragédia, a amargar-nos a felicidade, entram num jogo de tensão e libertação; um workshop de gestão de raiva do qual todos saíram ilesos e um pouco mais leves. Confere...


autor stipe07 às 09:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Cross Record – Wabi-Sabi

Emily Cross e Dan Duszynski são o casal de esposos que estende o manto em redor de Cross Record, um projeto que gravou o seu disco de estreia, intitulado Wabi-Sabi, num rancho de dezoito hectares, chamado Moon Phase, arrendado por ambos, perto de uma reserva de aves, em Dripping Springs, a trinta minutos de Austin, em pleno Texas, para onde se mudaram da metrópole Chicago. E a verdade é que este álbum soa a um disco incubado, concebido e gravado num rancho, tal é a força e a dimensão de um alinhamento de canções que plasma, com particular minúcia, uma simbiose feliz entre a naturalidade e a pureza que se observa no contraste do cinza e do laranja que dominou os céus durante a sua gravação, porque sucedeu, quase sempre, nas fases iniciais e finais dos dias e o ruído e o rigor estrutural de uma grande cidade. Steady Waves, o grandioso single já retirado de Wabi-Sabi, demonstra esta junção na simplicidade das cordas da viola e a imponência da distorção da guitarra de High Rise amplifica-a, só para citar dois exemplos que sustentam o universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Cross Record, exímios a dar asas às emoções que exalam desde as profundezas do refúgio bucólico onde agora residem e que, pelos vistos, os inspira de modo particularmente sensorial.

Tendo visto a luz do dia abrigado pela sempre recomendável Ba Da Bing Records, Wabi-Sabi impressiona, portanto, pela dinâmica fortemente ambiental, como se percebe dede logo nas várias camadas de efeitos e sopros sintetizados de The Curtains Part, canção que lança o disco numa espiral emotiva e onde tudo é quase sempre filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso.

Depois dos dois temas acima referidos, ficamos logo esclarecidos que, partindo do princípio que aceitamos uma audição atenta e dedicada deste disco, somos naturalmente convocados para uma viagem que nos conduz a diferentes universos sonoros, sempre na óptica da tal relação simbiótica bastante sedutora e que, sonoramente, se firma entre indie rock, punk e post rock, por um lado e folk e dream pop, por outro. E logo a seguir, a indisfarçável toada folk de de Something Unseen Touches A Flower To My Fore, que nem o pedal de uma guitarra e os tambores disfarçam, proporciona-nos um momento de rara frescura e pureza sonora, com o charme lo fi dos ruídos de fundo por baixo das cordas de The Depths, pouco depois, a fazerem-nos levitar rumo a uma nuvem repleta de sensações fortemente nostálgicas e contemplativas, enquanto atestam o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram algumas tendências sonoras mais atuais, onde muitas vezes o minimalismo se confunde com aquilo que é esculpido e complexo, sendo ténue a fronteira entre ambos e real um claro encadeamento entre dois pólos aparentemente opostos e que nos obrigam a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

Até ao final deste trabalho absolutamente maravilhoso, em Basket ouve-se estranheza, ouve-se escuridão. Mas também se ouve harmonias de vozes de outro planeta. E logo depois, em Wasp In A Jar, há sensualidade em jeito de lamúria ou desabafo e a certeza que ouvir Wabi-Sabi é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Cross Record - Wabi Sabi

01. The Curtains Part
02. Two Rings
03. Steady Waves
04. High Rise
05. Something Unseen Touches A Flower To My Forehead
06. The Depths
07. Basket
08. Wasp In A Jar
09. Lemon


autor stipe07 às 20:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Domingo, 9 de Agosto de 2015

I Was A Teenage Satan Worshipper – Gtthrgh

Antti, Pasi, Tuomo, Utu e Ringa são os I Was A Teenage Satan Worshipper, um quinteto finlandês oriundo de Helsinquia que se estreou em 2006 com Bees & Honey e que acaba de editar Gtthrgh, o quinto disco da carreira, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Gaea Records.

O apetite das bandas nórdicas por sonoridades simultaneamente épicas e etéreas, aliadas a guitarras plenas de distorção e que exploram ambientes progressivos é sobejamente conhecida e a Finlândia um território onde abundam projetos que perscutam os caminhos frequentemente tortuosos desta mescla de géneros que, no fundo, acaba por entroncar numa espécie de post rock, com caraterísticas muito próprias e um vincado cariz identitário.

O ar punk destes I Was A Teenage Satan Worshipper não engana! Em The Howling, acrescentam um baixo vigoroso e uma percussão frenética à receita anteriormente enunciada e que encontra, como referi, o seu principal sustento nas guitarras, para construir uma canção  que mostra uma inédita faceta pop, mas criada por uma banda que fará questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia. Um pouco adiante, New Friends acrescenta alguns arranjos sintetizados, com o teclado a vincar esta exploração que vai encontrar as suas raízes nos primórdios do punk britânico da década de oitenta, à boleia de uma melodia que nos conquista e que, quase sem darmos por ela, tem em nós um efeito aditivo e fortemente viciante. No ocaso do disco, em Meshes Of The Afternoon e Pick Your Star, o sintetizador, de braço dado com o baixo, acaba mesmo por ter um papel de elevado protagonismo, não só ao nivel dos arranjos, mas também no próprio andamento das canções. Estes são bons exemplos de como o analógico e o digital, envoltos num manto de referências que nos remetem para o glorioso passado do krautrock, podem sobreviver eficazmente no presente e de um modo particularmente intuitivo e expressivo.

O rock portentoso de Keep Your Secrets, o single já retirado do disco, acaba por ir ainda mais longe, distanciando-se de paisagens sombrias e nebulosas para abraçar as fronteitas do indie rock mais expansivo, tendo um cariz comercial que pressupôe não ter sido inocente a tentativa de compôr uma espécie de canção chamariz, que depois fizesse chamar a atenção do público para o resto do álbum e para a música que os I Was A Teenage Satan Worshipper realmente gostam de fazer. Seja como for, canções como She Wants To Know ou They Don't Hear, também apostam no mesmo indie rock melódico, adornado com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de enriquecer a típica crueza das guitarras, tornando o cardápio de Gtthrgh mais rico e luminoso e dando ao disco uma dupla face que lhe confere uma salutar abrangência e amplitude.

Ao quinto disco os I Was ATeenage Satan Worshipper criam uma porta de entrada perfeita e completamente escancarada para o universo de uma banda com um percurso já sólido e profícuo e feliz a agregar tudo aquilo que tem de melhor o indie rock atual, fazendo-o através de um esqueleto instrumental eminentemente melancólico e claramente embebido num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionado com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Espero que aprecies a sugestão...

I Was A Teenage Satan Worshipper - Gtthrgh

01. Gtthrgh
02. The Howling
03. She Wants To Know
04. Keep Your Secrets
05. The Rising
06. New Friends
07. They Don’t Hear
08. Meshes Of The Afternoon
09. Pick Your Star


autor stipe07 às 23:18
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lower Dens – Escape From Evil

Viu a luz do dia no final de março Escape From Evil, o novo disco dos Lower Dens, uma banda norte americana natural de Baltimore, liderada por Jana Hunter e que em 2010 chamou, de imediato, todos os holofotes para si com o emocionante álbum de estreia Twin-Hand Movement. Em 2012 voltaram a surpreender com Nootropics, e agora, três anos depois, pela mão da Ribbon Music, chega-nos este novo trabalho que se deve ouvir sem expetativas porque aviso desde já que nos irá sugar para uma rede sonora construída com ritmos repetitivos e um emaranhado de sons e imagens etéreas.

Cada vez mais abrangentes e em busca de um universo sonoro mais amplo, consistente e luminoso, um pouco em contraste com o cinza que marcou os registos anteriores, mesmo ao nível visual, os Lower Dens chegam ao terceiro disco em pleno processo de exploração de novas possibilidades melódicas e ritmícas que oferecem ao cardápio do grupo uma maior consolidação e abrangência e cenários estilísticos que abarcam um leque mais aberto de influências, com a eletrónica a ter uma concorrência mais acentuada da dream pop e do post punk no resultado final. Responsável pela produção de Bloom dos Beach House ou Singles dos Future Islands, Chris Coady produziu Escape From Evil e acaba por ser uma figura central nesta nova realidade dos Lower Dens  e onde é clara uma superior espontaneidade e fluidez de processos.

Os sintetizadores luminosos de To Die In L.A. e o modo como o groove das guitarras nos convidam em Non Grata e Company a um abanar de ancas mais ou menos explícito, são apenas três notáveis exemplos desta menor frieza dos Lower Dens e a demanda por ambientes menos amargos e melancólicos em troca da transmissão de sensações mais calorosas, extrovertidas e acolhedoras.

Jana Hunter, a líder e figura principal do projeto, continua a encantar-nos com uma voz que apela diretamente ao nosso intímo e que em canções como a dream pop de Your Heart Still Beating nos desperta para a necessidade de apreciarmos devidamente algumas das nossas memórias e convidando-nos, em praticamente todo este novo alinhamento, a passear por recordações do passado e por pequenas frações de pensamentos individuais que musicadas nos soam próximas, como se as canções quisessem conversar connosco.

Com um imenso arsenal de arranjos, temas e conceitos explorados, Escape From Evil é, sem dúvida, um disco de ruptura, um virar de página sem aparente retorno, uma fuga apenas aparentemente espontânea, porque terá sido certamente devidamente ponderada de uma zona de conforto para um novo manancial de possibilidades que beneficiam o ouvinte ávido pela audição de algo diferente e surpreendente no inesgotável universo da dream pop. Há que saudar, no entanto, na componente lírica, o evidente sentimentalismo confessional e a manutenção da exposição intimista que Jana Hunter continua a não hesitar em partilhar connosco sem qualquer tipo de receio. Espero que aprecies a sugestão... 

Lower Dens - Escape From Evil

01. Sucker’s Shangri-La
02. Ondine
03. To Die In L.A.
04. Quo Vadis
05. Your Heart Still Beating
06. Electric Current
07. I Am The Earth
08. Company
09. Société Anonyme


autor stipe07 às 22:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 3 de Março de 2015

Dust Covered Carpet - Pale Noise

Formados por Volker e Armin Buchgraber, dois irmãos de Viena, os austríacos Dust Covered Carpet remontam as suas raízes a 2003, mas apenas em 2007 definiram definitivamente o seu alinhamento, formado atualmente por Volker e Julia Luiki. Os Dust Covered Carpet estrearam-se nos discos no ano seguinte com Rededust The Doubts I Trust, um trabalho com cinco canções que firmou desde logo a indie folk melódica e experimental que alicerça a sonoridade do projeto. Desde então os Dust Covered Carpet lançaram mais algumas edições especiais, singles e discos, com especial destaque para Pale Noise, uma coleção de dez canções escritas entre Tallin, na Estónia e Viena, produzidas pela própria banda e por  Paul Gallister, Alexandr Vatagin e Philipp Forthuber.

Pale Noise deambula entre a folk e o indie rock mais progressivo, com Grey Formations ou o single Linnahall a serem apenas dois bons exemplos desta mescla muito comum em bandas nórdicas e do centro da Europa. Mas também há aqui espaço para explorar a dream pop de forte cariz eletrónico, com a melancolia contínua de Polar Romantic, recriada nas notas do sintetizador e em alguns arranjos de metais, a deixarem uma marca profunda numa longa canção que parece feita para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Num disco onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico, estes austríacos parecem decididos em sair do seu casulo instrospetivo e da timidez que os enclausura, apesar da beleza de Meteor e dos riquíssimos detalhes da desarmante All Off You, para apostar num ambiente sonoro luminoso, colorido e expansivo, que o baixo e as guitarras de Distance firmam, mas o sintetizador e as distorções inebriantes de Leaning Duets também apontam, num disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, mas que se define qualitativamente à custa da sua toada mais orgânica, ruidosa e visceral.

É deste cruzamento espectral e meditativo que Pale Noise vive, com dez canções algo complexas, mas bastante assertivas. Antenatal joga um pouco nos dois campos, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e as vozes se enquadram com a grave bateria e sons da natureza que nos afogam numa hipnótica nuvem de melancolia.

Pale Noise serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 27 de Dezembro de 2014

Os melhores discos de 2014 (10-01)

10 - Black Whales - Throught The Prim, Gently

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis

9 - Foxygen - ...And Star Power

Deliciosamente arrojado e mal acabado, ...And Star Power é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento de vinte e quatro canções nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen, uma banda com uma identidade muito própria e um sentido melódico irrepreensível. Numa dupla que primeiro se estranha, mas depois se entranha, é um impressionante passo em frente quando comparado com os registos anteriores, num disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado.

I: The Hits & Star Power Suite
Star Power Airlines
How Can You Really
Coulda Been My Love
Cosmic Vibrations
You & I
Star Power I: Overture
Star Power II: Star Power Nite
Star Power III: What Are We Good For
Star Power IV: Ooh Ooh
II: The Paranoid Side
I Don’t Have Anything / The Gate
Mattress Warehouse
666
Flowers
Wally’s Farm
Cannibal Holocaust
Hot Summer
III: Scream: A Journey Through Hell
Cold Winter / Freedom
Can’t Contextualize My Mindi
Brooklyn Police Station
The Game
Freedom II
Talk
IV: Hang On To Love
Everyone Needs Love
Hang

8 - You Can't Win Charlie Brown - Diffraction/Refraction

Diffraction / Refraction é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos You Can't Win Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que eles combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. No que diz respeito à escrita, uma espécie de fantasmagoria impregna a poesia das canções, por isso Diffraction / Refraction recordou-me também tempos idos, sonhos e aquelas pessoas especiais que não estão mais entre nós, mas que ficaram fotografadas por uma máquina em tudo semelhante à da capa na nossa memória.

1 - After December
2 - Fall For You
3 - Post Summer Silence
4 - Be My World
5 - I Wanna Be Your Fog
6 - Shout
7 - Natural Habitat
8 - Heart
9 - From Her Soothing Mouth
10 - Under
11 - Won’t Be Harmed

7 - Parquet Courts - Sunbathing Animal

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden

6 - Sunbears! - Future Sounds

Future Sounds contém um cardápio instrumental bastante diversificado e prova que os Sunbears! entram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispor para criar música. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e estes norte americanos conseguem-no com uma quase pueril simplicidade, ao mesmo tempo que mostram capacidade para reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje para nos oferecer. Assim, Future Sounds é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, um caldeirão sonoro feito por um coletivo que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo.

Sunbears! - Future Sounds

01. Future Sounds

02. He’s a Lie! He’s Not Real!
03. I’m Feelin’ Low
04. Don’t Take Too Many Things
05. Overspiritualized
06. How Do You Go Forward??
07. Now You’re Gone
08. I Dreamed a Dream (That I Dreamt You)
09. Laughing Girl!
10. A Sad Case of Hypersomnia
11. Love (Breaks All Sadness)

5 - Teleman - Breakfast

Este disco consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que são uma das melhores surpresas de 2014.

Teleman - Breakfast

01. Cristina
02. In Your Fur
03. Steam Train Girl
04. 23 Floors Up
05. Monday Morning
06. Skeleton Dance
07. Mainline
08. Lady Low
09. Redhead Saturday
10. Travel Song

4 - Ty Segall - Manipulator

Manipulator é o ponto alto da carreira de Ty Segall e um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico.

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around

3 - Damon Albarn - Everyday Robots

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, Albarn entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, neste disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo da mesma.

Damon Albarn - Everyday Robots

01. Everyday Robots
02. Hostiles
03. Lonely Press Play
04. Mr Tembo
05. Parakeet
06. The Selfish Giant
07. You And Me
08. Hollow Ponds
09. Seven High
10. Photographs (You Are Taking Now)
11. The History Of A Cheating Heart
12. Heavy Seas Of Love

2 - Beck - Morning Phase

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz e Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila.

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down

1 - The Antlers - Familiars

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Familiars é mais um tiro certeiro na carreira deste trio de Nova Iorque e talvez o melhor álbum dos The Antlers até ao momento, não só por causa destas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional.

The Antlers - Familiars

01. Palace
02. Doppelgänger
03. Hotel
04. Intruders
05. Director
06. Revisited
07. Parade
08. Surrender
09. Refuge

 


autor stipe07 às 21:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

Os melhores discos de 2014 (20-11)

20 - Chad Van Gaalen - Shrink Dust

Shrink Dust é um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da mortalidade, mas que até convida às pistas de dança, sem nunca se entregar ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza espacial.

Chad VanGaalen - Shrink Dust

01. Cut Off My Hands
02. Where Are You?
03. Frozen Paradise
04. Lila
05. Weighed Sin
06. Monster
07. Evil
08. Leaning On Bells
09. All Will Combine
10. Weird Love
11. Hangman’s Son
12. Cosmic Destroyer

19 - Coldplay - Ghost Stories

Ghost Stories é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes.

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

18 - The Horrors - Luminous

Luminous é um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua a dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários e apoteótico.

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

17 - She Sir - Go Guitars

Go Guitars é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os She Sir provam já a sua maturidade na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, que tenham algo de novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa.

She Sir - Go Guitars

01. Portese

02. Kissing Can Wait
03. Bitter Bazaar
04. Warmwimming
05. Mania Mantle
06. Winter Skirt
07. Snakedom
08. He’s Not A Lawyer, It’s Not A Company
09. Condensedindents
10. Continually Meeting On The Sidewalk Of My Door

16 - Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

Os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os desabafos de Garvey em relação ao que mudou na sua vida e na dos seus colegas, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. The Take Off And Landing Of Everything é a banda sonora ideal para essa paragem momentânea que, para tantos, deveria ser obrigatória.

Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

01. This Blue World

02. Charge
03. Fly Boy Blue / Lunette
04. New York Morning
05. Real Life (Angel)
06. Honey Sun
07. My Sad Captains
08. Colour Fields
09. The Take Off And Landing Of Everything
10. The Blanket Of Night

15 - Temples - Sun Structures

Os Temples são mestres a criar canções onde a intimidade centra-se no baixo e na guitarra, feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência do rock muito britânico. Há aqui uma clara aposta em melodias contagiantes e esta banda parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstram na estreia. Também por causa deles, o indie rock psicadélico, no reino que o viu nascer, está vivo e recomenda-se.

Temples - Sun Structures

01. Shelter Song
02. Sun Structures
03. The Golden Throne
04. Keep In The Dark
05. Mesmerise
06. Move With The Season
07. Colours To Life
08. A Question Isn’t Answered
09. The Guesser
10. Test Of Time
11. Sand Dance
12. Fragment’s Light

14 - Childhood - Lacuna

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no eletropsicadelismo.

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise

13 - Warpaint - Warpaint

Warpaint é para as Warpaint um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem que as rodeou durante o período de gestação.

Warpaint - Warpaint

01. Intro
02. Keep It Healthy
03. Love Is To Die
04. Hi
05. Biggy
06. Teese
07. Disco//Very
08. Go In
09. Feeling Right
10. CC
11. Drive
12. Son

12 - Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

Time Is Over One Day Old é uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções.

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

11 - Fink - Hard Believer

Hard Believer é um trabalho rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Fin sabe, melhor do que ninguém, como encaixar.

Fink - Hard Believer

01. Hard Believer

02. Green And The Blue
03. White Flag
04. Pilgrim
05. Two Days Later
06. Shakespeare
07. Truth Begins
08. Looking Too Closely
09. Too Late
10. Keep Falling

 


autor stipe07 às 18:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

Swings - Heavy Manner & Pale Trinity

Swings - "Heavy Manner"

Oriundos de Tenleytown, nos arredores de Washington, os norte americanos Swings são um trio que aposta com firmeza no rock alternativo, nomeadamente aquele post-rock que fez furor na última década do século passado, com arranjos crus e um certo cariz lo fi, que não renega um ligeiro travo hardcore.

Após terem editado alguns EPs, que podes escutar no bandcamp do projeto, o disco de estreia, Detergent Hymns, vai chegar aos escaparates a dezassete de janeiro, via Quiet Year Records e já há dois temas do álbum que podemos escutar, Heavy Manner e Pale Trinity, ambos disponíveis gratuitamente no soundcloud do grupo. As duas canções vivem de guitarras angulares, feitas com distorções e aberturas distintas, mas similares no baixo cheio daquele groove punk, com os Swings a colarem todos os elementos melódicos, através da bateria, com uma coerência exemplar. Confere...


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

dEUS – Selected Songs 1994 – 2014

Oriundos de Antuérpia, os dEUS de Tom Barman fazem parte da minha existência há duas décadas e este é, se calhar, o momento certo de ambos fazermos o balanço dos laços que nos unem e do nível de afinidade que persiste entre grupo e fã convicto e dedicado, como acho que sou relativamente a este coletivo belga. Selected Songs 1994 - 2014, a coletânea que o grupo lançou no passado dia vinte e quatro deste mês é, claramente, a melhor forma de saldar contas, reavivar memórias e paixões e de voltar a incendiar o peito ao som de algumas das canções mais memoráveis que escutei e que são indissociáveis de alguns dos acontecimentos e instantes mais significativas das minhas últimas duas décadas.

Há muitas bandas em relação às quais, devido à consistência e linearidade sonora da sua carreira, merecem todos os elogios que possam ser dispensados e os dEUS, mesmo não tendo estado particularmente dispostos, ao longo da carreira, a grandes inflexões sonoras, também devido à forte liderança de Tom Barman, apesar de algumas mudanças no plantel, sempre agradaram e contam no seu cardápio com alguns verdadeiros clássicos e referências do indie rock alternativo contemporâeno.

 A caminho dos cinquenta anos, Tom Barman continua a ser o principal compositor e a escrever letras impressionantes, descritas sonoramente com extrema devoção, que começa calma e amiúde transfigura-se numa viagem mais tensa e raivosa, quase sempre através da avidez vocal de uma personagem incontornável do universo indie. Instrumentalmente, estes belgas sabem fazer músicas climáticas, estruturalmente bem arranjadas, com pianos e violinos e frequentemente provam que no seu som nem tudo depende apenas do baixo, da guitarra e da bateria. É verdade que a guitarra tem, geralmente, o assento vip nas pistas da mesa de mistura, amiúde com uma certa fúria centrada em riffs e distorções que produzem acertos musicais, mas depois combinam frequentemente com detalhes tão preciosos como buzinas, teclas de um piano, o sintetizador,  o xilofone e o violino, arranjos que dão impulso às músicas e emitem em algumas delas um forte sentimento orquestral.

Selected Songs 1994-2014 é, como se diz na gíria futebolísatica, uma convocatória feita por um treinador altamente experimentado, que deixa pouca margem para contestação, mesmo no seio do seu grupo e que agradará certamente aqueles que sempre se sentiram atraídos por dEUS devido à forma como distorceram as guitarras para a criação de tratados sonoros capazes de pôr a dançar e fazer vibrar grandes multidões, assim como também é certeira no modo como contém temas com uma elevada carga melancólica e introspetiva, capazes de derreter o coração mais conformado.

Em dois volumes, com o primeiro a conter os temas mais épicos e ruidosos e o segundo com as composições mais delicadas e comtemplativas, dos hinos 7 Days, 7 WeeksInstant Street, a última uma música muito fácil de se gostar, bastante alegre e de uma simplicidade verdadeiramente apaixonante, que se esborracha num final extasiante e verdadeiramente caótico, a The Magic Hour, um instante contemplativo verdadeiramente delicioso, passando pelas épicas Dream Sequence #1 ou Disappointed In The Sun, e as viscerais e monumentais Roses, Suds And Soda, The Architect ou Via, vão a jogo todos os trunfos e o melhor plantel que os dEUS têm para nos oferecer, com uma tática amadurecida com vinte anos de estrada e oito extraordinários discos, exemplarmente documentados na capa da coletânea. Espero que aprecies a sugestão... 

dEUS - Selected Songs 1994 - 2014

CD 1
01. Instant Street
02. The Architect
03. Little Arithmetics
04. Constant Now
05. Hotellounge (Be The Death Of Me)
06. Slow
07. Roses
08. Via
09. Quatre Mains
10. Fell Off The Floor, Man
11. Sun Ra (Live At A38 Budapest, 03.03.2012)
12. Suds And Soda
13. Theme From Turnpike
14. Ghost
15. Bad Timing

CD 2
01. The Real Sugar
02. Nothing Really Ends
03. Serpentine
04. Magic Hour
05. Eternal Woman
06. Right As Rain
07. Include Me out
08. 7 Days, 7 Weeks
09. Nothings
10. Wake Me Up Before I Sleep
11. Smokers Reflect
12. Secret Hell
13. Magdalena
14. Disappointed In The Sun
15. Twice (We survive)

 


autor stipe07 às 19:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

The Vagary – Salute

Lançado no passado dia vinte e dois de agosto com a chancela da PIAS, Salute é o registo discográfico de estreia dos holandeses The Vagary, um grupo formado por Thijs Havens, Julien Staartjes, Lukas Verburgt e Bowie Verschuuren. Salute foi misturado por Shai Solan e masterizado por Darius van Helfteren, estando disponível para audição no bandcamp do projeto.

Sustentados pela habitual melancolia que muitas vezes só os grupos do norte da Europa sabem transmitir e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os The Vagary estream-se nos álbuns com um trabalho que, no entanto, tem as suas raízes no outro lado do Canal da Mancha e do Atlântico. Manchester e Nova Iorque, dois pontos do globo artisticamente muito criativos, são, em momentos diferentes, verdadeiras escolas do universo sonoro algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, com Joy Division, no reino de sua Majestade e, duas décadas depois, os Interpol, a darem cartas, mas, com os Gang of Four e, os mais contemporâneos The Strokes e Franz Ferdinand, a serem também, de uma forma mais ligeira, dançável e luminosa, outros nomes a reter de cada um dos dois lados da barricada.

Estes The Vagary parecem apostar nestes importantes faróis no seu processo de criação musical, já que ssentam a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock e sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que o sintetizador e os efeitos de temas como Mirage ou Young Turks, a versão do clássico de Rod Stewart, claramente comprovam e onde até não falta um piano, bastante inspirado no tema homónimo do disco. Com estas referências como pano de fundo é com naturalidade que se confere em Salute boas letras e belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do punk dos anos oitenta.

Come Back, o tema de abertura e single já extraído de Salute, coloca de imediato a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos The Vagary, que prima por uma composição melódica que procura dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, como se fosse a banda sonora de um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para o tal ambiente sombrio e nostálgico, mas onde também cabem os jeans coçados escondidos no guarda fatos, as t-shirts coloridas e um congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa. 

Com o registo vocal de Thijs Havens a soar a uma aproximação perfeita a alguns dos nomes de maior relevo do universo indie e muitas vezes a ecoar de forma algo lo fi, Salute carimba uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com algum teor introspetivo, como Creatures, mas, acima de tudo, verdadeiros hinos de estádio; Além de They Say She's Still Asleep e de Time Machine, duas canções verdadeiramente arrebatadoras, a já referida versão de Young Turks é uma excelente canção para domar multidões sedentas de festa e diversão, fazendo jus ao original, uma das canções mais animadas e festivas da carreira de Stewart.

Salute exige tempo porque se revela a pouco e pouco e só será devidamente entendido após várias e dedicadas audições. É um álbum muito bem produzido e sem lacunas, transversal a várias épocas e espetros sonoros, contém um alinhamento com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Com ele os The Vagary firmam a sua posição na classe dos artistas que merecem logo na estreia um crédito imenso. Espero que aprecies a sugestão...

The Vagary - Salute

01. Come Back
02. Palm Tree Shadow
03. Mirage
04. Whispers
05. They Say She’s Still Asleep
06. Salute
07. Time Machine
08. Creatures
09. Young Turks
10. Tigerstripes


autor stipe07 às 21:43
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

M185 – Everything Is Up

Austríacos de origem, os M185 são uma daquelas bandas indie que podem passar um pouco despercebidas por causa do país de origem, mas que merecem estar mais perto dos holofotes, muito por causa de Everything Is Up, o novo e terceiro registo deste coletivo de Viena formado por Heinz Wolf, Wolfram Leitner, Joerg Skischally, Roland Reiter e Alexander Diesenreiter e que chegou aos escaparates já a vinte e quatro de maio, através da Siluh Records.

Os M185 formaram-se em 2005 em pleno concerto dos Pixies e logo no ano seguinte mostraram ao que vinham, apregoando os genes dos post punk em Soundscape & Coincidences, um EP com temas apenas instrumentais. Três anos depois, chegou finalmente Transformers, o longa duração de estreia e com ele uma inflexão para o indie rock mais clássico, já com uma voz na maior parte das canções e com arranjos sintetizados a fazerem parte do habitual cardápio do coletivo.

Olhando para o alinhamento deste Everything Is Up, se Russell ainda tem algumas reminiscências do tal EP de estreia, já Soon, o primeiro single retirado do álbum, é um verdadeiro tratado de rock comercial, com forte apelo ao airplay, uma tema assente numa percurssão vibrante, uma melodia jovial e uma guitarra bastante melódica. Em Jump Cuts, a presença do baixo e de um piano implicitamente cru e hipnótico e a forma como a canção evolui e cresce, incute ao disco um certo charme e uma nova personalidade, um pouco mais afastada do rock de garagem que, por exemplo, ShShSh tão bem replica e aproxima os M185 perigosamente de uma saudável psicadelia. Lá mais para a frente, já a quase instrumental e visceral L.O.V.E. e Spring Thing, uma canção que sabe imenso a Interpol, transportam-nos para o epílogo, com guitarras em catadupa e teclados cheios de detalhes e efeitos inspirados, com a bonomia melancólica, mas nem por isso menos ruidosa de Shuggled a encerrar um cardápio que abona em favor de um grupo que parece movimentar-se com ligeireza entre diferentes espetros e nuances que só o rock permite.

Deixei propositadamente para o fim Mt. Plywood, um tema que se divide em três capitulos sonoramente distintos, devido ao cariz certamente conceptual desta sequência e porque comprova o tal balanço entre diferentes latitudes, dentro do indie rock; Se The Years é um típico instante de punk rock acelerado e visceral, já Flotsam, Jetsam destila um certo groove que tresanda novamente a uma psicadelia pop fortemente experimental, enquanto The Matter Of Time é um instrumental que desliza até ao krautrock. Esta é aquela fase do disco que mostra uns M185 no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojados do que nunca.

Everything Is Up é um marco decisivo num projeto que parece apostado em calcorrear novos territórios e comprova a entrada em grande estilo dos M185 na primeira divisão do campeonato indie e alternativo europeu, podendo até figurar em algumas listas dos melhores discos lançados este ano, dentro do género. Este é mais um daqueles álbuns que prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra para se renovar e quantas vezes for necessário. Espero que aprecies a sugestão...

M185 - Everything Is Up

01. Russel
02. Soon
03. Jump Cuts
04. ShShSh
05. Mt. Plywood I (The Years)
06. Mt. Plywood II (Flotsam, Jetsam)
07. Mt. Plywood III (The Matter Of Time)
08. L.O.V.E.
09. Two-Tone Song (Out Of Here)
10. Spring Thing
11. Shuffled
12. What I Want


autor stipe07 às 21:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

The Twilight Sad – Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave

Os The Twilight Sad são uma banda de indie rock de Kilsyth, na Escócia, com onze anos de carreira e já lançaram três discos: Fourteen Autumns & Fifteen Winters (2007), Forget the Night Ahead (2009) e No One Can Ever Know (2012), trabalhos onde o post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze esteve sempre presente, assim como o chamado krautrock que foi fazendo escola no universo sonoro alternativo desde a década de setenta. Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave é o quarto disco desta banda escocesa, um trabalho lançado esta semana pela Fat Cat Records.

Sustentados pela doce melancolia e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os The Twilight Sad regressam aos discos com um trabalho que vive da mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que os arranjos e o edifício melódico de temas tão díspares como There's A Girl In The Corner ou I Could Give You All That You Don’t Want, entre outros, claramente comprovam.

There's A Girl In The Corner é, aliás, um dos grandes momentos deste álbum, um tema que encanta pelos belíssimos arranjos e que coloca de imediato a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos The Twilight Sad e que reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, na qual se enredaram, lirica e sonoramente. Por isso, se ficarem logo convencidos com esta entrada, mais inquietos e deslumbrados se irão sentir com a dupla Last JanuaryI Could Give You All That You Don’t Want, duas canções com um ritmo difrente, mais expansivo, impulsivo e fenético e que clamam por um óbvio sentido de urgência que nos deixa no final nos limites da nossa caapcidade de sofreguidão. A partir daqui, estou certo que não se irão arrepender de conferir o restante alinhamento porque irão encontrar mais boas letras e belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do punk dos anos oitenta.

Com a voz de Alexander Graham a soar a uma aproximação perfeita ao universo indie encorporado no registo grave dos nova iorquinos Matt Berninger ou Paul Banks, Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave carimba o instante de maturidade plena da carreira em que este coletivo vive, que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrarando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (It Never Was The Same) e verdadeiros hinos de estádio (Last January).

Se para os mais distraídos, o alinhamento de Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave pode ser do que mais depressivo e angustiante ouviram nos últimos tempos, este é um disco que eu penso valer a pena ser dissecado tomando como ponto de partida outra perspetiva, mais positiva. Os The Twilight Sad quiseram ter aqui muito presente a temática do amor nas suas diferentes vertentes, mas de modo a apelar à tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, até porque ele será sempre uma realidade. Há aqui canções como Drown So I Can Watch ou Pills I Swallow e Sometimes I Wished I Could Fall Asleep que não deixam margem para dúvidas sobre o cariz tumultuoso das mesmas, mas poderão também servir como gritos de alerta para que nos foquemos sempre, mesmo nesses instantes, no que de melhor nos sucede, para depois se explorar devidamente e até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes.

O que não poderá deixar dúvidas a ninguém é que este é um compêndio de rock alternativo muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Com ele os The Twilight Sad firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

The Twilight Sad - Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave

01. There’s A Girl In The Corner
02. Last January
03. I Could Give You All That You Don’t Want
04. It Never Was The Same
05. Drown So I Can Watch
06. In Nowheres
07. Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave
08. Pills I Swallow
09. Leave The House
10. Sometimes I Wished I Could Fall Asleep

 


autor stipe07 às 21:41
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Cloud Castle Lake - Sync

Cloud Castle Lake - Dandelion

 

Para quem aprecia aquela simbiose já clássica entre o post rock amiúde visceral e quase sempre etéreo dos islandeses Sigur Rós, com o indie rock progressivo dos Radiohead, irá certamente apreciar Sync, o novo tema dos Cloud Castle Lake, uma banda irlandesa, natural de Dublin e formada por Brendan William Jenkinson, Rory O'Connor e Daniel McAuley.

Com um falsete celestial a abrir, que é depois acompanhado por uma percurssão claramente orgânica, um sintetizador bastante inspirado e por uma secção de sopros magistral, Sync é uma canção vibrante e pulsante, que sabe a triunfalismo e celebração, cinco minutos de incontrolada euforia, que merecem a nossa mais sincera devoção. A canção é o single de avanço para Dandelion, o EP do trio, que chegará aos escaparates a dezanove de setembro, por intermédio da Happy Valley. Confere...


autor stipe07 às 15:00
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

The Ropes - I Want It All, So I Can Have Nothing vs The Man Who Refused To Be Born

Os The Ropes são uma dupla norte americana, de Nova Iorque, formada por Sharon Shy, na voz e Toppy nos instrumentos. A dupla tem lançado alguns EPs e singles desde 2008 e em 2013 chegou, finalmente, o primeiro longa duração. Post-entertainment foi lançado pela SINLO Records e está disponível gratuitamente no bandcamp da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Agora, depois desse álbum, a dupla optou por lançar, com uma periodicidade de cerca de seis meses, um EP de três temas; O primeiro chegou em outubro último e chama-se The Man Who Refused To Be Born e agora, há poucos dias, foi a vez de I Want It All, So I Can Have Nothing. Os dois EPs estão disponiveis para download no mesmo bandcamp, nos mesmos moldes do longa duração.

A sonoridade dos The Ropes é algo abrangente, indo do indie pop lo fi ao rock e ao post punk. Localmente são comparados com grupos tão diversos como os The Cure, The Knife ou Interpol, não só pela questão sonora, mas também porque, liricamente, compôem músicas com letras negras e carregadas de mensagens para reflexão. Confere...

The Ropes - I Want It All, So I Can Have Nothing

01. I Want It All, So I Can Have Nothing
02. She’s So Armed
03. Fond Memories Of A Terrible Life

 

 

 

The Ropes - The Man Who Refused To Be Born

01. The Man Who Refused To Be Born
02. I Don’t Like To Get Dirty
03. Hell Can Do Right


autor stipe07 às 16:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Kiev – Falling Bough Wisdom Teeth

Os norte americanos Kiev são Andy Stavas (piano, teclas e saxofone), Brandon Corn (bateria, percurssão), Derek Poulsen (baixo), Alex Wright -(piano, teclas, guitarras) e Robert Brinkerhoff (guitarras, voz), uma banda sedeada em Orange County na Califórnia, que acaba de editar Falling Bough Wisdom Teeth, por intermédio da Suspended Sunrise Recordings. Falling Bough Wisdom Teeth foi produzido por Chris Shaw (Wilco, Super Furry Animals, Phish) e sucede a dois EPs fundamentais para aprimorar a sonoridade dos Kiev e firmar uma posição sólida que permitiu criar as bases necessárias para a edição deste longa duração. Aint No Scary Folks In On Around Here, o EP lançado pelos Kiev em 2010 foi muito bem recebido pela crítica, com o single Crooked Strings a ter um elevado airplay em várias rádios norte americanas e The Be Gone Dull Cage & Others, o EP lançado noano seguinte, co-produzido por Darrell Thorp (Beck, Air, Radiohead), catapultou os Kiev para a ribalta do meio alternativo local, tendo sido nomeados a Best Indie Band de 2011 e 2012 de Orange County.

Os Kiev encontram na arte contemporânea uma forte inspiração para a sua música e, de acordo com Brinkerhoff,o vocalista da banda, o aspeto instrumental é muito importante para o grupo, com a percurssão a ser o ponto fulcral do processo criativo e do pulsar da sua música, sempre forte e visceral. Os Kiev veneram um pioneiro da música minimal, que fez carreira nos anos sessenta, chamado Steve Reich e que Brinkerhoff viu tocar em criança e, de acordo com o mesmo músico, procuram instrumentalmente, puxar pelo lado mais primitivo do nosso cérebro, mas sem deixarem de se debruçar, nas letras das músicas, em assuntos socialmente relevantes e inteletualmente estimulantes (The instrumental aspect is super visceral, it all revolves around grooves that immediately appeal to us. Percussion is definitely the pulse of this band - we all love West African, gamelan, and orchestral percussion music. Kiev speaks to the reptilian part of our brains. We just want to move around like animals, and that often drives the foundation of our music. But then there's the cerebral part, the lyrics and compositions that speak to personal and social themes).

Falling Bough Wisdom Teeth impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Apesar de toda a importância que os Kiev procuram colocar na componente instrumental, uma das grandes virtudes deste grupo é o falsete intrigante de Brinkerhoff, capaz de ser agreste e autoritário, em simultâneo, seja numa canção mais pesada ou noutra com uma toada mais doce e etérea.

Os Kiev servem-se do jazz, do art rock e da música ambiental e clássica para partirem à descoberta de texturas sonoras, com a audição deste disco a merecer alguma dedicação e tempo já que as canções interagem umas com as outras, como se todo o trabalho fosse uma só imensa composição sonora homogénea. Aqui abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual.

O título deste disco divide-se em duas partes e o artwork do trabalho é inspirado numa pintura a tinta de água chamada Falling Bough, da autoria do pintor naturalista Walton Ford. Durante a concepção do disco esta pintura esteve sempre junto da banda em local bastante visível, tendo sido uma grande forte de inspiração. A canção com este mesmo nome é um dos grandes destaques do disco, um tema que se deixa escorrer através do baixo insistente de Derek Poulsen e um sintetizador repetitivo que conjugados criam uma toada épica, com um registo muito perto do chamado post rock.

Tendo na retaguarda dois EPs tão bem sucedidos, este álbum de estreia dos Kiev poderá acabar por cimentar esta banda num lugar de destaque do rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Kiev - Falling Bough Wisdom Teeth

01. Pulsing: Cough Focus
02. Ariah Being 3
03. Solving And Running
04. Falling Bough
05. Tube Orms
06. Pulsing: Tired Lungs
07. Drag Bones
08. Animals In Garden
09. Pulsing: Wisdom Teeth
10. Trees Are Trees
11. Be Gone Dull Cage
12. Pulsing: Home Now
13. 3rnd (Bonus Track) 


autor stipe07 às 16:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 3 de Novembro de 2013

Hella Better Dancer - Sleep Talking

Os Hella Better Dancer são Tilly, Josh, Soph e Kari, uma nova banda de Londres com uma particular predileção por gravações caseiras e sons lo-fi, com os seus temas a ter uma sonoridade polida, mas igualmente vintage. O grupo impressiona pela forma como o seu som é produzido, como se a banda estivesse a tocar ao vivo e não em estúdio. Se a estas caraterísticas juntarmos a atração do grupo pelo post rock dos anos oitenta, então juntam-se os ingredientes certos para termos aqui mais um projeto a acompanhar com particular interesse.

Sleep, uma espécie de demo e Sleeptalking, o resultado final da mesma, são as duas últimas canções divulgadas e mostram uns Hella Better Dancer a replicar uma sonoridade típica do post rock de há pouco mais de vinte anos atrás, algures entre os Talk Talk e os Mazzy Star. No bandcamp do projeto encontras outras demos e gravações que o grupo criou desde 2010. Confere...


autor stipe07 às 16:41
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 52 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Agosto 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

14
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


posts recentes

The Moth And The Flame – ...

Linda Martini - É só uma ...

Cross Record – Wabi-Sabi

I Was A Teenage Satan Wor...

Lower Dens – Escape From ...

Dust Covered Carpet - Pal...

Os melhores discos de 201...

Os melhores discos de 201...

Swings - Heavy Manner & P...

dEUS – Selected Songs 199...

heklAa - My Name Is John ...

The Vagary – Salute

M185 – Everything Is Up

The Twilight Sad – Nobody...

heklAa - Songs In F.

Cloud Castle Lake - Sync

Margo, Margo – Old Nights...

The Ropes - I Want It All...

Kiev – Falling Bough Wisd...

Hella Better Dancer - Sle...

San Fermin - San Fermin

A Grave With No Name – Wh...

The Ropes – Post-entertai...

Indoor Voices - S/T EP

X-Files

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds