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Retimbrar - Do Mesmo Cordão

Sexta-feira, 15.03.24

No passado dia oito de março, para assinalar o Dia Internacional da Mulher, os Retimbrar, projeto sedeado no Porto e que fez furor por cá em dois mil e dezasseis com o álbum de estreia Voa Pé, lançaram uma música intitulada O Mesmo Cordão, composta e escrita por mulheres, numa colaboração desenvolvida com as Suspiro, um coro jovem do Orfeão de Ovar composto por dezanove mulheres entre os catorze e os vinte e um anos.

A tradição pujante dos Retimbrar | Música | PÚBLICO

É de inquietações que nasce esta canção, um desabafo feito canção que irrompe a várias vozes com o desejo de soltar amarras e exprimir o interior de uma mulher em chamas que assiste à expansão de um universo feminino que é seu, debaixo de constantes adaptações: com lutas para apaziguar e sonhos por concretizar. Lutas que são de todes, que dependem de um compromisso e que não se esgotam num dia. Sonoramente, Do Mesmo Cordão foi incubada numa oficina sonora muito peculiar, onde cordas, sopros e percussão, foram misturando-se livremente, dançando em conjunto e alternando o protagonismo, sem invejas ou falsos altruísmos, porque o propósito maior é comum e serve de igual modo à preservação da imensa e rica prole instrumental portuguesa.

O videoclipe foi realizado por Adriana Romero e traz para a luz do dia, a atmosfera noturna da música, entre caniçais e pântanos do Lugar da Moita, em Ovar, que vai do Rio Cáster à Laguna de Aveiro. Assiste-se ao debate de mulheres consigo mesmas que se repercutem em acções coletivas e vice-versa. Mulheres que entre a intimidade de uma confidência e a urgência de libertar, arrastam consigo a comunidade de que, juntas, são capazesDe uma natureza que se impõe, emergem figuras escultóricas que lembram a contraditória relação com representações antigas que o tempo se encarrega de desconstruir. E da relação entre a imaterialidade e o concreto, nasce o que a própria natureza humana trata de descodificar, projetando sonhos que encerram a trama com um encontro.

Entretanto, os Retimbrar estão a apurar as palavras, os timbres, os arranjos e a desvendar pistas para o que há de ser um novo disco, mais de um ano após o lançamento do seu segundo álbum, um trabalho intitulado Levantar do Chão. Além disso, os oito músicos do projeto estão prestes a voltar à estrada, a bordo daquilo que são os sonhos, desafios e inquietações de uma humanidade veloz e voraz., estando apontado o seu regresso aos palcos a partir de amanhã, dia dezasseis de Março, com as seguintes datas:
- 16 Março - “Cultura em Expansão”, Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira, Porto
- 20 de Abril - Centro Interpretativo do Monte Padrão, Santo Tirso
- 25 Abril - “50 Anos do 25 de Abril”, Grande Auditório do Fórum da Maia

Confere...

 

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publicado por stipe07 às 18:59

Basalto - Loners

Domingo, 25.02.24

Guilherme de Sousa é a mente criativa que lidera um novo projeto sonoro nacional bastante interessante chamado Basalto. O músico nasceu em Viana do Castelo há trinta anos, onde concluiu o quinto grau de clarinete e formação musical. Ingressou na ACE no Porto, em dois mil e nove e continuou a estudar teatro na ESMAE. Em dois mil e dezasseis, frequentou a Pós-Graduação em Dança Contemporânea, promovida pela ESMAE e pelo Teatro Municipal do Porto. Três anos depois fundou, com Pedro Azevedo, a associação cultural BLUFF e agora, em dois mil e vinte e quatro, estreia-se nos lançamentos discográficos à boleia de um EP intitulado Blunt Knives.

Basalto antecipa EP de estreia com single "Blunt Knives" - LOOK mag

Este EP de estreia de Basalto contém seis canções e resultou da criação musical que Guilherme de Sousa desenvolveu nos últimos dois anos. Para gravar o alinhamento o autor contou com a colaboração dos músicos Rui Gaspar (First Breath After Coma), Sofia Ribeiro (LINCE, We Trust) e Mariana Leite Soares.

Partindo de uma experiência autobiográfica, procurou o seu lugar próprio num universo musical melancólico, sombrio e de sonoridades tristesO recurso autobiográfico para a composição dos temas facilmente se dilui na construção de uma ficção, esmorecendo os factos que fariam dele um auto-retrato fidedigno - as tristezas são empoladas e os dramas exacerbados. Sonoramente, o EP plasma várias abordagens musicais e inspirações, ainda que todas bastante ancoradas numa influência cinematográfica, pelos seus arranjos e melodias de tonalidade triste e melancólica, num tom sempre dramático, imaginadas para ambientes noturnos e pelas suas nuances sombrias, de beats arrastados e lânguidos.

Depois de terem sido já retirados do EP os singles Little Boy Big TearsMelt In You e a homónima, tema que propunha um mergulho um tanto sombrio nos meandros da tristeza. Agora chega a vez de conferirmos Loners, canção pop bastante dançável e que amplifica o ambiente misterioso e cinematográfico que caracteriza todo o EP. É um tema sobre solidão partilhada a dois, sobre as diferentes linguagens do amor e sobre o aconchego de um mundo desenhado à medida de uma relação particular. Loners fala, num tom satírico, dos momentos em que sentimos o nosso conforto afetivo ameaçado por estímulos do exterior e das estratégias que usamos para nos mantermos resguardados desse “exterior” a todo o custo atrás dos muros que levantamos. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:59

King John - Wilderness Empire

Domingo, 11.02.24

King John é um interessantíssimo projeto musical nacional assinado por António Alves, um músico nascido na ilha de S. Miguel, nos Açores e sediado há sete anos em Lisboa. Estreou-se em dois mil e vinte com um disco intitulado All The Good Men That Did Ever Exist, um auspicioso inicio de carreira que lhe facultou passagens por palcos como o Festival Tremor, Mare de Agosto, Festival Monte Verde, Musicbox, A Porta e The Shacklewell Arms (Londres).

King John Apresenta Novo Vídeo "Wilderness Empire" ⋆ Agenda Açores

Nos últimos três anos, António Alves entrou numa espécie de clausura de modo a redescobrir-se e, desse modo, conseguir ir ao encontro de uma sonoridade mais próxima do que sempre pretendeu para o projeto, algo que acabou, pelos vistos, por conseguir com um trabalho intitulado Good Son, um alinhamento de nove canções que chegou aos escaparates em novembro último, com a chancela da Echo Rock e com direito a uma edição especial em vinil coeditada pela Black Sand (Music).

Good Son foi gravado entre Ponta Delgada (S. Miguel, Açores) e Lisboa, no estúdio HAUS. O disco foi coproduzido e misturado por Makoto Yagyu dos PAUS e masterizado nos estúdios Abbey Road por Frank Arkwright (Arcade Fire, The Smiths, New Order, Joy Division). Do seu conteúdo sugerimos, para já, a audição do tema de abertura, uma canção intitulada Wilderness Empire. É uma composição que se debruça sobre a batalha pessoal de António Alves com a realidade do dia-a-dia, especialmente nas grandes cidades, quase sempre um loop interminável de ações e percursos. O ser humano moderno há muito que parece ter virado costas à sua natureza animal e isso não é necessariamente bom. Caímos com facilidade nas armadilhas da modernidade e parece não haver solução imediata para esta situação. O próprio vídeo do tema tenta transmitir essa sensação de repetição ao mesmo tempo que representa, a vontade de nos querermos libertar e de querermos continuar a lutar muitas vezes “from nine to five”. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:35

Basalto - Blunt Knives

Sábado, 27.01.24

Guilherme de Sousa é a mente criativa que lidera um novo projeto sonoro nacional bastante interessante chamado Basalto. O músico nasceu em Viana do Castelo há trinta anos, onde concluiu o quinto grau de clarinete e formação musical. Ingressou na ACE no Porto, em dois mil e nove e continuou a estudar teatro na ESMAE. Em dois mil e dezasseis, frequentou a Pós-Graduação em Dança Contemporânea, promovida pela ESMAE e pelo Teatro Municipal do Porto. Três anos depois fundou, com Pedro Azevedo, a associação cultural BLUFF e agora, em dois mil e vinte e quatro, estreia-se nos lançamentos discográficos à boleia de um EP intitulado Blunt Knives.

Basalto antecipa EP de estreia com single "Blunt Knives" - LOOK mag

Este EP de estreia de Basalto contém seis canções e resultou da criação musical que Guilherme de Sousa desenvolveu nos últimos dois anos. Vai ser editado daqui a cerca de um mês e para gravar o alinhamento o autor contaou com a colaboração dos músicos Rui Gaspar (First Breath After Coma), Sofia Ribeiro (LINCE, We Trust) e Mariana Leite Soares.

Partindo de uma experiência autobiográfica, procurou o seu lugar próprio num universo musical melancólico, sombrio e de sonoridades tristesO recurso autobiográfico para a composição dos temas facilmente se dilui na construção de uma ficção, esmorecendo os factos que fariam dele um auto-retrato fidedigno - as tristezas são empoladas e os dramas exacerbados. Sonoramente, o EP plasma várias abordagens musicais e inspirações, ainda que todas bastante ancoradas numa influência cinematográfica, pelos seus arranjos e melodias de tonalidade triste e melancólica, num tom sempre dramático, imaginadas para ambientes noturnos e pelas suas nuances sombrias, de beats arrastados e lânguidos.

Depois de terem sido já retirados do EP os singles Little Boy Big Tears e Melt In You, agora chega a vez de escutarmos a canção que dá nome ao lançamento. Blunt Knives propõe um mergulho um tanto sombrio nos meandros da tristeza. É uma música sobre o peso da incerteza no amor, as mágoas e medos que ela origina e o poder que tem sobre projeções e idealização do futuro. Uma voz (ou mais) acompanhada por um piano, num tom trágico, tão dramático quanto frágil. Escrita e composta por Basalto e produzida com a ajuda de Sofia Ribeiro (LINCE, We Trust), Blunt Knives é uma música que nasce de um momento mais solitário e auto-reflexivo, mas que se manifesta como (mais) uma carta de amor. Confere...

Instagram: https://www.instagram.com/basalto.music/

Facebook: https://www.facebook.com/musicbasalto

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publicado por stipe07 às 17:52

Bela Noia - Paranóia

Sábado, 22.07.23

Após mostrar a sua habilidade lírica e a sua capacidade de contar histórias em projetos anteriores, o artista multidisciplinar Pedro Vieira aventurou-se por um outro caminho intitulado Bela Noia, um projeto que o leva a refletir, procurando uma solução para uma realidade que o inquieta. Tentando reinventar-se neste novo grupo, Pedro acaba por explorar nos Bela Noia uma nova linguagem, criando assim uma série de canções que deram origem a um disco intitulado Os Miúdos Estão Bem, um registo de seis temas que tem o propósito de amotinar os alicerces da música pop e inquietar quem as ouve, pelo constante salto ao rock e folk, sem largar a mão do noise e do prog rock.

Jornal do Centro

Como se percebeu, a Bela Noia surge quase que por vontade própria, como uma necessidade de espelhar o lado não explicativo e menos racional do processo criativo de Pedro Vieira. Acaba por crescer e amadurecer com colaboração do músico e produtor viseense Gonçalo Alegre, que acompanhou todo o processo criativo desde o início, criando os arranjos para as canções e produzindo este Os Miúdos Estão Bem. A banda fica completa com Miguel Rodrigues, que assume as baterias e percussões do projeto e Leonardo Outeiro, que interpreta os temas na guitarra, baixo ou teclado.  Nos coros podemos ouvir a belíssima voz de Teresa Melo Campos das Sopa de Pedra. A mistura e masterização ficou ao encargo de Nuxo Espinheira.

O mais recente single retirado alinhamento de Os Miúdos Estão Bem é Paranóia, a segunda canção do seu alinhamento, um tema com fortes influências de música rock, folk e tradicional e que reflete sobre este mal, o porquê de sermos como somos. Talvez seja por não termos razão, talvez seja só medo… A paranóia chega e leva-nos para sítios onde não queremos estar… E no amor encontramos a nossa cura. Confere...

https://www.instagram.com/bela.noia/

https://www.youtube.com/@abelanoia

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publicado por stipe07 às 15:16

Cave Story - Wide Wall, Tree Tall

Quinta-feira, 20.07.23

Depois de West (2016), Punk Academics (2018) e dos EPs Spider Tracks (2015) e The Town (2021), os Cave Story estão de regresso aos discos com Wide Wall, Tree Tall, um virtuoso alinhamento de onze canções assinado por uma das bandas fundamentais do cenário indie e alternativo nacional atual e que surge como um tratado de afirmação da identidade estética e geográfica deste grupo natural das Caldas da Rainha, assim como uma celebração dos modos de fazer, da paixão e da curiosidade deste quarteto.

Cave Story dão a conhecer o novo disco “Wide Wall, Tree Tall” – Glam  Magazine

Wide Wall, Tree Tall bem poderia ser a caracterização da envergadura da parede sonora que unifica os ramos post punk e art rock que sustentam a música dos Cave Story. E, no fundo, é mesmo isso porque, ao longo dos seus pouco mais de trinta minutos, o disco tanto deambula pelo garage, selvaticamente cerrado em Aching for A Rebel, como pelo rock clássico, este bulicosamente impressivo em Dead And Fermeting e até mesmo quando este afaga climas algo psicadélicos, nomeadamente na enleante This Is Academy. Depois há também laivos de forte cariz noventista, em canções como I Called You Already ou, num prisma mais elétrico, em Ice Sandwich e até por ambientes progressivos, bem patentes em Sing Something For Us Now e, principalmente, Critical Mass, um imponente esgar elétrico, onde orgânico e sintético se entrecruzam com superior deleite.

Seja como e onde for que os Cave Story calcorreiem sonoramente, Wide Wall, Tree Tall terá de ser sempre descrito como um álbum com uma filosofia interpretativa que esteve, na sua génese criativa, claramente confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora, o baixo, a guitarra e a bateria, sempre dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre.

Resumindo, ao longo do alinhamento de Wide Wall, Tree Tall, são muitos os playgrounds sonoros explorados por Gonçalo Formiga, José Sousa, Bia Diniz e Ricardo Mendes, que reafirmam assim o seu amplo expectro de referências. Baladas introspectivas, sintetizadores quentes e peganhentos, batidas mais ou menos assertivas que não deixam de nos puxar, em momentos, para o mosh pit, guitarras que nos levam em viagens instrumentais constantes. , são caraterísticas indeléveis de um disco assinado por um projeto cada vez mais vanguardista devido ao modo como consegue assimilar todas as heranças que aprecia e criar um mapa sonoro que nos conquista e seduz, e que acaba por ser tremendamente atual, exatamente por experimentar também tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:45

Birds Are Indie - Ones & Zeros

Segunda-feira, 10.07.23

Exatamente três anos depois do excelente registo Migrations – The Travel Diaries #1, já chegou aos escaparates Ones & Zeros, o sexto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano. É um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records, assumidamente conceptual e onde o trio explora, sem medos, novas temáticas e novas sonoridades., sem deixar de transmitir um rol de emoções e sensações únicas, com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa, mesmo que as guitarras elétricas, tocadas com frenesim, estejam na linha da frente do processo de criação sonora do disco, como se percebe logo no extraordinário tema Empty Screen e no devaneio punk particularmente anguloso One Last Book Into The Fire, já para não falar da curiosa abordagem que é feita ao melhor rock progressivo de raízes setentistas, em It Doesn't Sound Real.

Birds Are Indie lançam sexto álbum 'Ones & Zeros' que marca um novo ciclo

Ones & Zeros versa sobre a distopia, a inteligência artificial e a alienação . É este o ponto de partida de um disco que, como o código binário que o inspirou, é também ele feito de contrastes, de sombras e de clarões, revelando um novo capítulo, mais abrasivo, roqueiro e contundente de uma banda que foi sempre afoita, nesta dúzida de anos que leva de existência, a tentar inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando atenção às novas tendências e disposta a manipulá-las em proveito próprio, geralmente dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que criou sempre um ambiente emotivo e honesto e que nunca descurou um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo. Em Ones & Zeros não se pode dizer que todas estas permissas foram renegadas, mas é um facto evidente que o chamado indie punk rock é agora a nova menina dos olhos do projeto. Até em Living In The Trenches, canção em que algumas cordas acústicas são dedilhadas com indisfarçável luminosidade, existe o vigor do baixo para conferir ao tema este novo cunho identitário assente num rock enérgico, direto e incisivo que, curiosamente, não deixa de piscar o olho, em instantes como So Many Ways e The Rabbit Hole, a um cruzamento libidinoso entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon pop dos anos oitenta, além das saudáveis influências já referidas.

Em suma, e como é tão bem descrito no press release de lançamento do disco, em Ones & Zeros a banda de Coimbra, sem perder a essência pop, faz co-habitar audazes guitarras distorcidas, caixas de ritmos dançantes, sintetizadores de calor analógico, bateria e baixo pujantes, assim como letras urgentes cantadas com tons a condizer. As histórias estão carregadinhas de ironia acutilante , feitas de personagens presas entre mundos, divididas nas suas vontades, cujos percursos levam a uma reflexão sobre os equilíbrios possíveis na relação com a tecnologia. Em Ones & Zeros experimentamos, hoje e agora, o futuro visto pelos Birds Are Indie, onde o forte e o delicado, o intenso e o harmónico, o real e o virtual, o rock e o pop, se relacionam livremente e abrem mil e uma possibilidades. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:22

NAPA - Luz do Túnel

Quinta-feira, 01.06.23

Os NAPA nasceram na cave de uma avó no Funchal há uma década, conforme demos conta há cerca de quatro anos quando divulgámos este projeto, que começou por se chamar Men On The Couch. Os contornos da banda foram-se formando entre a energia dos Red Hot Chili Peppers, a criatividade dos Beatles e a sensibilidade de Caetano Veloso e Tom Jobim. A fórmula amadora e inocente das primeiras composições da banda (em inglês) cativou a atenção de amigos, família e não só. Trocaram o inglês pela língua materna, e a cave da avó pelo estúdio. Em dois mil e dezanove gravaram o seu primeiro disco Senso Comum nos conhecidos Black Sheep Studios em Sintra, ainda sob o primeiro nome Men On The Couch.

Os NAPA antecipam novo disco Logo Se Vê com segundo single "Luz do Túnel" -  Descla

Agora, quase meia década depois e com um novo nome e imagem, os NAPA estão de regresso ao formato longa duração à boleia de Logo Se Vê, um alinhamento de onze canções, com uma roupagem mais madura, mas um espírito sempre moço, trazendo para cima da mesa maior complexidade e inventividade na estrutura das canções. A veia pop romântica continua a pulsar no corpo do disco, mas a fome de descobrir novos ritmos e texturas musicais é evidente ao longo do álbum.

Luz do Túnel é o mais recente single retirado do alinhamento de Logo Se Vê. Com Luz do Túnel os NAPA convidam o público a dançar ao som de um casamento feliz entre teclados e guitarras contagiantes. A batida certeira não deixa o pé do ouvinte ficar no chão, seguindo as percussões e harmonias vocais espalhadas ao longo da canção. Em contraste, a letra fala de desespero, acompanhando a frustração e desconsolo do autor nas suas voltas à vida. Quando da luz ao fundo do túnel parece vislumbrar uma esperança, o mundo acaba por desabar novamente em escuridão. O defraudar incessante das expectativas reforça a desorientação do autor e deixa poucas soluções no horizonte.

O videoclip realizado por André Moniz Vieira, produzido por Andreia Miranda e protagonizado por Andreas Sidenius, captura esse sentimento tão comum de desespero. O personagem vive preso num túnel, limitado a uma cama individual e a poucas peças de roupa, não tendo outro ponto de escape que não o seu trabalho monótono como mordomo numa quinta. Encontra-se preso na rotina de um trabalho que odeia, rodeado de pessoas que o desprezam. O vídeo retrata o deslizar gradual do protagonista à loucura, enquanto os convidados da quinta se deliciam com tudo a seu redor. Confere...

https://www.instagram.com/os_napa/

https://www.facebook.com/osnapa/

https://www.tiktok.com/@_napa_napa

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publicado por stipe07 às 16:09

André Carvalho - Waldeinsamkeit

Sexta-feira, 12.05.23

O contrabaixista e compositor André Carvalho chamou a nossa atenção em dois mil e vinte e um devido a Lost In Translation, o quarto álbum da sua carreira, um disco que na altura viu a luz do dia com a chancela da editora americana Outside in Music e que contou com os apoios da Fundação GDA, Antena 2, Companhia de Actores e do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço.

André Carvalho antecipa novo disco “Lost In Translation – Vol II” com novo  videoclip “Waldeinsamkeit” – Glam Magazine

Agora, em dois mil e vinte e três, André Carvalho prossegue a sua viagem pelo mundo das palavras intraduzíveis com um segundo volume chamado Lost In Translation II, que chegou aos escaparates no final do mês de março. Carvalho afirma que certamente já se depararam com conceitos para os quais não temos uma palavra na nossa língua. Não quer isto dizer que não exista numa outra língua e que uma outra cultura tenha criado termo para tal conceito. Aprender tais palavras pode ser uma maneira de nos podermos exprimir melhor, vermos o mundo pelo olhar dos outros e de termos uma consciência maior do mundo exterior e do nosso mundo interior. Segundo o contrabaixista e compositor, a temática das palavras intraduzíveis, começou como uma mera curiosidade, mas rapidamente se tornou algo fascinante e, por isso, fazia todo o sentido continuar o projecto.

Nesta sequela, Carvalho voltou a reunir o trio composto pelo saxofonista José Soares e pelo guitarrista André Matos, seus colaboradores habituais, para criar um  álbum contemplativo, intimista e ao mesmo tempo cru, que contém sete composições do líder e uma de André Matos, onde a improvisação, a espontaneidade e a exploração tímbrico-textural estão no centro do som do trio. Retomando a ideia de que aprender palavras intraduzíveis pode ser uma ponte entre culturas, o novo álbum inclui composições inspiradas em palavras de línguas como o Farsi, Hausa ou Finlandês.

Hoje apresentamos uma delas intitulada Waldeinsamkeit, uma palavra intraduzível para expressar o sentimento de estar sozinho na natureza, nomeadamente num bosque. De acordo com o autor, este tema é constituído por uma única melodia, escrita sem harmonia ou ritmo. Uma única melodia que vai sendo tocada pelos vários elementos do trio. Quis que este tema fosse despido, simples e que a melodia fosse suficientemente forte para contar uma história só por si. Uma única melodia, como se se tratasse de uma pessoa sozinha no meio de um bosque. É um ambiente contemplativo, introspectivo e calmo. O tema começa por uma pequena introdução em que os vários músicos criam uma atmosfera quase onírica.

Confere Waldeinsamkeit e o vídeo do tema realizado por Pedro Caldeira, com direção de fotografia de João Hasselberg e assistência de Martim Torres e que capta uma interpretação a solo de Waldeinsamkeit...

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publicado por stipe07 às 18:29

Daniel Catarino - Fado do Caixão

Domingo, 30.04.23

Alentejano a viver no Porto, Daniel Catarino arregaçou as mangas e começou a incubar uma triologia de discos intitulada Trilogia Bioma, em que o artista se propõe a ligar metaforicamente as diferentes formas de vida com as especificidades humanas. O primeiro alinhamento dessa demanda chama-se Megafauna, vai ver a luz do dia a cinco de maio com a chancela da editora portuense Saliva Diva e  surge dois anos depois do EP Isolamento Voluntário?, e quatro anos após o registo Sangue Quente Sangue Frio.

Fado Do Caixão | Daniel Catarino

Megafauna foi produzido pelo próprio Daniel Catarino, com Ricardo Cabral e Manuel Molarinho (Baleia Baleia Baleia) no entretanto gentrificado Quarto Escuro, no Porto e aborda dúvidas existenciais sem propor qualquer resposta e se questiona sobre quem se acha no direito de ter certezas. É um disco de cantautor, mas com os amplificadores bem altos. A ideia é observar o mundo de perto com olhos de satélite, com a ajuda de Molarinho (baixo) e Xinês (bateria), além das participações especiais de Francisco Lima (Conferência Inferno), Rodrigo Pedreira (Duas Semicolcheias Invertidas), e um coro formado por Angelina Nogueira e Rebecca Moradalizadeh. A masterização ficou a cargo de Joel Figueiredo (Omitir) e a arte gráfica foi criada por Cristina Viana.

Depois de no passado mês de março termos tido a oportunidade de escutar Berço de Ouro, um dos singles já retirados do alinhamento de Megafauna, uma composição assente num rock cru, desprendido, direto e abrasivo, conduzida por uma guitarra frenética e repleta de riffs entusiasmantes, que viram a cara ao aprumo, enquanto é acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria que nunca desarma, agora chega a vez de conferir Fado de Caixão, canção que nos mostra que a crueldade humana para com as outras espécies parece não ter limites. A volúpia do baixo, a assertividade da bateria e o dedilhar da guitarra criam tensão sob um negrume de sussurros em crescendo, que explodem no choro de um slide a deslizar pelas cordas, enquanto somos confrontados com o enterro de um gato vivo, a imolação de uma cadela grávida, e um boi que jaz ao lado de alguém com uma farpa na mão, numa simbiose que só a morte torna possível. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:20






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