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Cassete Pirata - A Próxima Viagem

Terça-feira, 09.02.21

Estreou há alguns dias atrás no principal canal da estação pública de televisão uma série intitulada Até Que A Vida Nos Separe, da autoria de João Tordo, Tiago R. Santos e Hugo Gonçalves, realizada por Manuel Pureza e que, sem vilões, nos oferece histórias originais e contemporâneas, todas elas unidas pela magia do amor. Esta produção nacional é abrilhantada sonoramente pelos Cassete Pirata, um grupo formado por João Firmino (Pir), autor das canções, Margarida Campelo e Joana Espadinha, que comandam as teclas e o coro, António Quintino, à frente do baixo e João Pereira aos comandos da bateria.

Resultado de imagem para Cassete Pirata A Próxima Viagem

Tema essencial de A Montra, o disco que a banda Cassete Pirata lançou em dois mil e dezanove, A Próxima Viagem foi a composição escolhida para banda sonora do genérico da série e parece ter sido escrita de raiz para a mesma. Está também já disponível um lyric video da canção, uma imagem pontualmente animada que faz alusão ao encontro e desencontro e, finalmente, ao momento em que o mundo real se encaixa ao dos sonhos, projetados nas águas do rio.

Foi muito interessante quando o Manuel Pureza, realizador amigo desde há muitas vidas atrás, disse que gostaria de ter a canção “A Próxima Viagem” para o genérico da série Até Que a Vida Nos Separe, porque é mesmo sobre isso que esta canção fala: o que da vida deixamos que nos separe, quando o sonho nos une de tantas formas. Há muitos obstáculos que nos impomos ou que simplesmente não conseguimos ultrapassar nas nossas vidas românticas. Não é a morte que muitas vezes nos separa – mas é a própria vida, o quotidiano que cria a distância entre os nossos desejos e as nossas ações, afirmou recentemente Pir.

Outras canções dos Cassete Pirata farão parte da banda sonora da série, ora no seu formato original gravado pela banda, ora interpretadas pela banda que faz parte da série. Confere...

Facebook: https://www.facebook.com/Cassetepiratamusic/

YouTube: https://www.youtube.com/c/CassetePirata

Instagram: https://www.instagram.com/cassetepirataoficial/

Spotify: https://open.spotify.com/artist/2VQ14XaMYiXOr7lLePbZrf?si=XH7zvauURFWYpcjwiRCDow

Bandcamp: https://cassetepirata.bandcamp.com/releases

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publicado por stipe07 às 16:57

Olivae - There's A Time

Segunda-feira, 01.02.21

Vasco Oliveira é do Porto e um dos nomes mais interessantes em ascensão no espetro musical nacional alternativo. Assina a sua música como Olivae, tendo começado a tocar piano aos nove anos de idade e percussão algum tempo depois. Já no início da vida adulta, com vinte e um anos, lançou-se à guitarra, de modo autodidata, acabando por gravar e produzir um cd, em dois mil e dezassete, com vários originais dentro da temática escutista que foi compondo ao longo dos anos. No ano anterior tinha já dado o pontapé de saída como membro de uma banda juntamente com a Sara Teixeira, Fábio Dinis e Marcelo Macedo. Chamavam-se  The Joy Nuts e chegaram a tocar covers ao vivo em pequenas salas. Dois anos depois, decidiu então iniciar um projeto a solo para dar vida a algumas músicas antigas que criara, inspiradas em sentimentos e subtraídas aos seus momentos de reflexão e introspeção.

Olivae lança single / vídeo… “There's a Time” – Glam Magazine

Olivae abriu as hostilidades nos lançamentos discográficos em dois mil e oito com um promissor EP intitulado State Of Mind, ao qual se seguiu Wander Off, o seu primeiro longa duração, um trabalho que continha treze composições, com letras tanto em Português como em Inglês e que viu a luz do dia à pouco menos de um ano. 

Agora, no início de dois mil e vinte e um, Olivae está de regresso com um lindíssimo tema em formato single intitulado There's A Time, com o objetivo de fazer os ouvintes parar um pouco e ponderar na vida. A canção conta com a participação da Sara Teixeira que o vem acompanhando desde o início e acrescenta sonoridades e melodias novas ao seu estilo característico, com vários coros e instrumentos  de fundo, a voz forte e uma letra de esperança e otimismo. Confere There's A Time e o vídeo oficial da canção realizado por José Garcês...

Site: https://olivaemusic.com/

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publicado por stipe07 às 11:19

Dream People - People Think

Sexta-feira, 15.01.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, com edição prevista para março e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.

Dream People regressam com “Putos de Portugal” – Glam Magazine

People Think é o mais recente single divulgado do alinhamento de Almost Young, uma canção aparentemente optimista e até eufórica - reminescente os anos oitenta - mas que é acompanhada de uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto. A quem com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência. A quem se esquece da juventude. O tema também já tem direito a um videoclipe conta com a participação do dançarino João Reis Moreira. Confere...

 

 

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publicado por stipe07 às 15:34

Callaz - Queima Essa Ideia

Quarta-feira, 23.12.20

Sempre ligada à música e residindo em Londres, Maria Soromenho foi Styling Assistant em projectos como Alicia Keys, Peaches, Laura (Ultraísta), Loreen, Josephine e Arlissa. Em dois mil e treze criou a marca Maria Soromenho, um projecto de criação de roupa e lenços de seda, muito ligado e inspirado pelo universo musical. Quatro anos depois, em dois mil e dezassete, estreou-se nas canções com um EP intitulado Beer, Dog Shit & Chanel N°5 (EP), produzido por Filipe Paes, assinando as suas criações sonoras com o pseudónimo Callaz. A pop experimental desse EP solarengo e que plasmava picos de ansiedade, memórias turvas e afectos sob um filtro retro, foi bem aceite pela crítica e deu à autora alento para continuar a compôr, chegando, logo no ano seguinte, mais um EP, este intitulado Gaslight, produzido pela dupla Primeira Dama e Chinaskee e que confirmou as ambições da estreia.

Callaz anuncia novo disco “Dead Flowers & Cat Piss” – Glam Magazine

O formato longa duração chegou o ano passado com um registo homónimo de dez temas que fundiam eletropop e indie rock e que começou a ser incubado logo após o lançamento de Gaslight, durante uma digressão que levou a artista a Los Angeles, mas também a vários locais do continente europeu (Suécia, Islândia, Alemanha e Espanha), onde foi aproveitando para explorar ao vivo alguns dos seus temas que grava depois em Lisboa, com a ajuda do produtor Adriano Cintra e apresenta em Nova Iorque, em prestigiadas salas como The Bowery Electric ou a Rockwood Music Hall.

No início do verão deste ano, Callaz inicia uma estreita colaboração com Helena Fagundes (Vaiapraia e As Rainhas do Baile, Clementine, The Dirty Coal Train, The Watchout Sprouts, Ex Naive), que conheceu através da banda do próprio irmão, Vaiapraia. Começaram por gravar uma música, Atonal Heavy Metal Song, como teste desta colaboração e logo depois surgiu o tema Aghast. Contente com o resultado destas duas canções, Callaz enviou em poucos dias mais oito demos a Helena e com isso criaram o disco Dead Flowers & Cat Piss que será editado a dezanove de Fevereiro próximo. Será um trabalho guiado pela filosofia DIY, com poucos recursos, em estúdios caseiros e feito por Callaz e Helena Fagundes sem qualquer outra intervenção.

Queima Essa Ideia é o primeiro single extraído do alinhamento de Dead Flowers & Cat Piss, uma canção auto-biográfica repleta de inspirados samples e beats e produzida em Neukölln, Berlim, pela artista Ah! Kosmos, durante uma estadia recente de Callaz nessa metrópole alemã. Confere...

Spotify: https://open.spotify.com/artist/2oyuRoX2vsfxbFjSapy4bJ?si=oltBYuUoQmWtaYQgxIMs5g

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Soundcloud: https://soundcloud.com/callaz-music

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publicado por stipe07 às 16:29

From Atomic - Dancing Demons

Quarta-feira, 02.12.20

Nascidos em Coimbra há quase dois anos, os From Atomic nasceram da mente de Alberto Ferraz, que desafiou Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto. Mais tarde juntou-se Márcio Paranhos e tomou assim forma um projeto que tem nomes tão proeminentes como os Yeah Yeah Yeahs, The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, The Cure, DIIV, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, The Raveonettes ou Sonic Youth, como influências declaradas, na busca de uma mescla entre o post punk britânico da década de oitenta e o indie noise da década seguinte.

From Atomic partilham novo single… “Dancing Demons” – Glam Magazine

Deliverance é o nome do disco de estreia dos From Atomic, um tomo de onze canções com a chancela da Lux Records e do qual acaba de ser retirado o single Dancing Demons, canção que conta com a participação especial de Rui Maia (X-Wife, Mirror People, GNR) e que impressiona pelo modo como guitarra e bateria se entrelaçam de modo vibrante e melodicamente assertivo, trazendo à tona, com impressivo grau de nostalgia, a melhor hernaça do rock que marcou a reta final do século passado. Dancing Demons também já conta com um vídeo, realizado e produzido por Tiago Cerveira. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:20

Kumpania Algazarra - Let's Go (Dr. Fre & Sam Rabam remix)

Sexta-feira, 27.11.20

O coletivo Kumpania Algazarra é exímio a criar música que celebra a vida, os afectos e a partilha de um mesmo céu, um mesmo planeta e um mesmo amor. Nasceram nas ruas de Sintra em dois mil e quatro e, sendo saltimbancos por natureza e filhos da rua por destino, é ao vivo que mostram sempre toda a sua potência máxima, pondo toda a gente a dançar, nos quatro cantos do mundo. Na verdade, já atuaram em diversos países, como a Bélgica, Itália, Suíça, Brasil, França, Espanha, Macau, Reino Unido e Sérvia, entre tantos outros.

Kumpania Algazarra… Tour “Let's Go” a fazer a festa de norte a sul do país  – Glam Magazine

Os Kumpania Algazarra trazem tatuadas na pele influências musicais de todas as cores, formas, geografias e latitudes, do ska ao folk, dos ritmos latinos ao funk e ao afro, do reggae às inebriantes melodias dos Balcãs. A comemorar quinze anos de vida e para assinalar a data, a banda gravou o álbum ao vivo Live onde reúnem temas de todos os discos editados até ao momento. Agora, no início de dois mil e vinte e um, preparam o lançamento do álbum Remixed Vol. 2, um compêdio de remisturas produzidas por diversos artistas nacionais e internacionais durante o período de reclusão da pandemia. Para materializar o álbum, resolveram pôr termo ao sossego de vários produtores nacionais e internacionais e convidaram-nos a reinventar um tema à sua escolha pertencente aos vários álbuns da banda.

Para assinalar a divulgaçáo do lançamento deste registo de remisturas, os Kumpania Algazarra já nos deram a conhecer uma das remisturas, a do clássico da banda Let's Go. O original foi revisitado por Dr. Fre & Sam Rabam, produtores belgas que têm trabalhado sobretudo com electro swing, balkan beat e house music. Combinando batidas modernas com melódicas clássicas dos Balcãs, estes produtores tornaram-se nomes de referência no panorama europeu de balkan beats. O videoclipe da remistura foi gravado por João Guimarães na mítica discoteca 2001 - Catedral do Rock no Autódromo do Estoril. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:16

Silente - Ninguém Tem de Saber

Segunda-feira, 09.11.20

Silente é um novo projeto nacional assinado por Miguel Dias (ex-Rose Blanket) e Filipa Caetano, um novo nome a ter em conta no nosso panorama sonoro alternativo e que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com um charmoso trabalho homónimo, gravado na última meia década, entre o Mindelo e Figueiró dos Vinhos, período durante o qual o gosto pela experimentação contribuiu para alongar, sem pressas, todo o processo criativo. Masterizado por Miguel Pinheiro Marques (Arda Recorders), Silente conta com a colaboração do escritor e poeta Frederico Pedreira, que assina as letras das canções da dupla, mas também de Miguel Ângelo na bateria e de Miguel Ramos no baixo.

Silente… novo projecto de Miguel Dias lança single “Em Espera” – Glam  Magazine

Silente remete-nos para a ideia de silêncio e, num encadeamento algo grosseiro, do silêncio podemos passar ao sossego e daí à contemplação, que pode ser reflexiva, ou não. Caso seja, dúvidas poderão levantar-se, com elas é bem possível que surja o caos e, caso se consiga lidar com ele, reordenam-se as ideias, surgem novos objetivos, sonhos e projetos e, assim, irrequietos, avançamos rumo a novas aventuras e realizações pessoais. Silente, o disco, intenso e sensorial, tem tudo isto na sua bagagem, carrega consigo a doutrina, dá-nos as pistas e ainda, qual cereja no topo do bolo, serve como banda sonora para a demanda. A mesma sustenta-se numa simbiose bastante criativa entre a típica folk encharcada de nuances eminentemente clássicas e o cru e impaciente indie rock, sempre em busca de sonoridades plenas de charme e contemporaneidade, mas que também não descuram a bizarria experimental, pronta a explorar as cada vez mais ténues fronteiras entre o orgânico, acústico ou elétrico e o sintético, contemplativo ou ruidoso, fazendo-o de forma indesmentivelmente inovadora e sedutora.

Ninguém Tem de Saber, o mais recente single extraído do registo, é um claro exemplo de toda esta trama, uma canção eminentemente pop e na qual prevalece o gosto pela experimentação e a procura duma sonoridade única e irrepetível. O tema tem como base um teclado ligado a pedais de guitarra, enquanto que a tabla, um instrumento de percussão de origem indiana, tem numa das duas pistas com que foi gravada, um delay associado. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:12

Noiserv – Uma Palavra Começada Por N

Sexta-feira, 06.11.20

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional e um dos artistas queridos da nossa redação chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na sua bagagem um já volumoso compêndio de canções, que começaram a ser inscritas nos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There. No outono de dois mil e dezasseis a carreira do músico ganhou um novo impulso com um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas que se tornou, justificadamente, mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional. Agora, quatro anos depois dessa pérola debitada quase integralmente nas teclas de um piano, Noiserv regressa com Uma Palavra Começada Por N, onze lindíssimas composições que, em pouco mais de meia hora, nos oferecem um David Santos de regresso a territórios sonoros mais intrincados, subtis e diversificados, com o registo, no seu todo, a proporcionar-nos um banquete intenso e criativo e a impressionar pelo modo como diferentes naunces, detalhes e samples se entrelaçam quase sempre com uma base melódica algo hipnótica, mas extremamente doce e colorida.

Noiserv - Caixa de música ONZE - man on the moon

Gravado no no seu novo estúdio A Loja e com alguns dos temas a terem já direito a excelentes vídeos que resultam de uma colaboração com os leirienses Casota Collective, Uma Palavra Começada Por N  marca também o regresso de Noiserv à língua de Camões, nomeadamente no modo como se serve da mesma como elemento estético fundamental das suas canções. De facto, a excelência melódica que faz já parte do adn deste músico e compositor lisboeta é aqui exemplarmente acompanhada por inquietantes letras que, sendo devidamente esmiuçadas, gostam de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera que as coisas mais simples desta vida nos podem proporcionar e a realidade às vezes tão crua, porque temos sempre a tendência natural para a complicar, um detalhe que ele soube, de novo, tão bem descrever, por exemplo, nas estrofes de Picotado (Regressa sempre em pressa, só por estar, Mas volta nessa vida torta, uma dança pouco solta, Picotado até lugar nenhum, Sempre só, sempre), ou de Neste Andar (As portas passavam sempre aos pares, Enquanto eu, só, encenei tudo, encenei tudo), apenas dois de vários outros exemplos que eu poderia trazer à baila para justificar esta minha opinião.

Mas há outras conclusões que são possíveis de extraír deste registo, além do notável avanço que o mesmo expressa relativamente à performance do autor como poeta e escritor e que, além das duas canções citadas, também em temas como Eram 27 Metros De Salto ou Neutro atinge picos de excelência. Olhando agora para a vertente sonora do alinhamento de Uma Palavra Começada Por N, uma das notas mais evidentes é que este músico e produtor, que ao longo da carreira tem açambarcado para a sua bagagem mental, com indelével e vincado carimbo, imensa herança sonora da vasta míriade de latitudes audíveis na indie contemporânea, desde, principalmente, o estupendo Almost Visible Orchestra (2013), um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcancou, três anos depois, laivos de excelência através das burilações exacerbadas que sustentaram as sequências ao piano de 00:00:00:00 (2016), agora alargou os seus horizontes, com superior mestria. Uma Palavra Começada Por N estabelece pontes entre aquilo que é definido como o orgânico e o acústico com o universo que geralmente carateriza aquela eletrónica de cariz mais ambiental, uma simbiose também sempre patente nas suas atuações ao vivo, em que é cada maior e mais intrincada a pafernália instrumental que o rodeia. De facto, este trabalho parece querer mostrar que Noiserv não receia minimamente que as suas criações possam depender, mais do que nunca, de todo um vasto catálogo de ligações de fios e transistores que debitam um infinito catálogo de sons e díspares referências, nem de encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música atual, porque, ao mesmo tempo e também sossegando de algum modo os mais seus seguidores mais puristas, o disco está também repleto de momentos em que são as cordas e o piano quem ditam as regras e sobem ao trono sagrado no arquétipo sonoro desses mesmos instantes.

Assim, se no início algo subversivo, imersivo e singular de < i >, relativamente à herança de Noiserv, se percebe que em Uma Palavra Começada Por N pouco ou nada do que vamos escutar será facilmente comparável ao que já conferimos deste artista anteriormente, o crescente teclado hipnótico, a percurssão frenética e as delicadas inserções vocais que conduzem a já referida Eram 27 Metros De Salto, o majestoso clima borbulhante de Meio, assim como a indescritível montanha-russa de flashes, efeitos e interseções que se vão sobrepondo em Mas e que criam laços indeléveis com as cordas em Parou, amplificam tal audácia progressiva e fazem-no, ainda por cima, de modo profundamente emotivo e cinematográfico. Noiserv mostra-se, logo nesta primeira metade do disco, um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico, mesmo que a tal nuvem minimal, nunca o traia, porque não fica. em nenhum instante, para trás.

No entanto, a partir daí,  na pueril melancolia afetiva a que sabe o piano que nos embala em Picotado, uma das canções mais bonitas de dois mil e vinte, no doce e tocante travo de Neste Andar e no arrojado psicadelismo das cordas que inflamam o manto sintético que abraça Neutro, percebemos que Noiserv mantém sempre, na tal interessante dicotomia em que agora subsiste e que é única no cenário alternativo nacional, um intenso charme, induzido por uma filosofia interpretativa que, mesmo tendo por trás um infinito arsenal instrumental, nunca abandona aquele travo minimalista, pueril, orgânico e meditativo que carateriza o cardápio sonoro deste músico único.

Em suma, não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Noiserv deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante do mesmo que, abraçando o músico, consome-o e dele se apropria. É por Noiserv não ter medo de se deixar enlear e possuir pelas opções instrumentais que toma, que as suas canções ganham a alma e o elo de ligação com a humanidade, que as carateriza, um desejo ardente que sempre o conduziu artisticamente, até porque, em entrevista dada ao nosso blogue há já sete anos, na ressaca de Almost Visible Orchestra, Noiserv confessou-nos que tem como único desejo que as suas músicas possam um dia fazer parte da vida de quem as ouve. O rumo evolutivo que o músico resolveu seguir em Uma Palavra Começada Por N, mostra que está, definitivamente, no bom caminho para atingir esse seu ardente desejo pessoal, suportado em músicas que, além de serem uma intensa fonte de prazer sonoro, têm cheiro, cor e sabor únicos no cenário musical alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Noiserv - Uma Palavra Começada Por N

01. < i >
02. Eram 27 Metros De salto
03. Mas
04. Parou
05. Meio
06. Picotado
07. Neste Andar
08. Neutro
09. Sem Tempo
10. Por Arrasto
11. Sempre Rente Ao Chão

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publicado por stipe07 às 14:12

Grutera - Aconteceu

Segunda-feira, 05.10.20

Foi à boleia da Planalto Records que viu a luz do dia Aconteceu, o quarto disco do projeto Grutera, assinado por Guilherme Efe, um músico nascido em pleno verão de mil novecentos e noventa e um e que, segundo reza a lenda, chegou ao nosso mundo todo nu, careca, sem dentes e cheio de sangue da barriga de sua mãe. As más línguas também referem que na altura o músico ainda não sabia tocar guitarra, porque não tinha unhas, mas provavelmente já sabia que era isso que faria o resto da sua vida, ainda que paralelamente tivesse qualquer outra atividade, mais ou menos lícita, mais ou menos nobre, com que fizesse mais ou menos dinheiro.

Grutera edita Aconteceu dia 11 de Setembro - LOOK mag

Guilherme começou a sua carreira artística a tocar guitarra em bandas de metal, depois descobriu os recônditos prazeres da guitarra clássica e percebeu que seria por aí que iria conseguir alcançar a tão almejada fama, riqueza e sucesso, que tanto ambicionava desde o ventre materno, ou pelo menos, fazer música que o emocionasse e que melhorasse alguns minutos da vida de alguém que a ouvisse.

O percurso discográfico de Guilherme começou há cerca de oito anos com Palavras Gastas, no ano seguinte chegou aos escaparates o registo Sempre e dois anos depois viu a luz do dia Sur Lieo antecessor deste Aconteceu, que foi gravado numa pequena adega, em casa dos pais do músico e que quebra um hiato de meia década, tendo começado a ser incubado em Braga desde dois mil e dezassete, com a ajuda de Tiago e Diogo Simão, que já tinham tido um papel preponderante nos três trabalhos anteriores deste projeto Grutera.

Aconteceu é, provavelmente, o disco mais eclético e rico da carreira de Grutera. Durante as audição do seu alinhamento desfila nos nosso ouvidos uma vasta pafernália de teias, relações e emaranhados sonoros, sempre com as cordas na liderança, quer da condução melódica das composições, quer na adição dos principais arranjos e detalhes que as adornam e enriquecem. O grande segredo e que merece ser exaltado sem receios, foi o modo feliz e criativo como o músico conseguiu dar tantas formas diferentes e criativas de expressão às cordas. De facto, o próprio Grutera confessa que procurou explorar um som mais denso, mais cheio e corpulento, recorrendo por isso pela primeira vez a uma guitarra semiacústica eletrificada e à utilização de pedais de loops e efeitos. Depois organizou catarticamente as canções, que versam sobre as memórias do autor que mais o marcaram na última meia década, com cada tema a debruçar-se sobre um sentimento e uma recordação em especifico, de modo a que o alinhamento fosse gradualmente ganhando mais eletricidade e corpo até ao final do álbum, num crescendo de experiências entre loops e efeitos. O resultado final é, claramente, um dos álbuns mais curiosos e instrumental e emocionalmente ricos da discografia nacional que nos foi apresentada este ano. Espero que aprecies a sugestão...

https://m.facebook.com/grutera1

https://grutera1.bandcamp.com/ 

https://soundcloud.com/grutera1

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publicado por stipe07 às 17:25

FUGLY - Stay In Bed

Quarta-feira, 16.09.20

Mais de dois anos depois do excelente Millenial Shit, os portuenses FUGLY estão de regresso aos lançamentos com um novo disco, ainda sem nome anunciado e que, de acordo com os próprios, substitui os problemas adolescentes pelos de adulto,  com uma visão (um bocadinho) mais amadurecida do mundo que os rodeia mas sem largar o lado enérgico, satírico e festivo. Será lá para janeiro do próximo ano que o projeto liderado por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito, colocará nos escaparates o seu novo trabalho, um alinhamento com a chancela da O Cão da Garagem e produzido, mais uma vez, pelos próprios FUGLY no Adega Studios.

FUGLY lançam “Stay in Bed” de novo álbum a editar em Janeiro de 2021 – Glam  Magazine

O rock direto e sem espinhas de Space Migrant, um tema que, de acordo com o seu press releasefala sobre a inclusão de todos numa sociedade que tem problemas em unir-se, foi, como certamente se recordam, o primeiro single retirado desse novo álbum dos FUGLY, na passada primavera. Agora, no ocaso deste atípico verão, a banda portuense divulga Stay In Bed, canção rugosa, intensa e crua, assente numa desbravada e inquieta guitarra e num ritmo frenético com um inconfundível vigor punk, quase três minutos que mostram os FUGLY de garras afiadas, enquanto descrevem a frustração causada pelas forças inertes à criatividade. O tema vem acompanhado por um vídeo realizado por Hugo Amaral. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:43






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