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Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Dela Marmy - Flying Fishes

Segunda-feira, 29.06.20

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último, tendo sido destrinçado por esta redação pouco tempo depois, como certamente alguns de vocês se recordam.

Dela Marmy, em escuta Captured Fantasy EP - Música em DX

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Todas as canções do registo são potenciais singles e, tal como já sucedeu com Not Real, ainda antes do alnçamento do EP, Flying Fishes, a canção que abre o alinhamento de Captured Fantasy, acaba de ter direito a tal nomeação, uma composição sustentada por um notável festim sintético que adorna uma inspirada guitarra planante e que, de acordo com a própria Joana Duarte, é propositadamente metafórica. É sobre peixes que voam. É sobre pássaros que nadam. É sobre o desamparo e o encontro. É sobre noites em que a solidão pesa mais. É sobre dois solitários que por uma noite, em bando, em cardume, se sentem menos sós.

De facto, cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facilmente se identificará. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:39

Kumpania Algazarra feat. Ikonoklasta - Actuality (Live at Azenhas do Mar)

Terça-feira, 26.05.20

O projeto Kumpania Algazarra, mestre na arte de transformar cada espectáculo na mais louca e inesquecível festa, nasceu nas ruas de Sintra em dois mil e quatro e confessa que estar frente a frente com o público faz parte da sua identidade desde o início. É ao vivo que a banda mostra a sua potência máxima. Saltimbancos por natureza, filhos da rua por destino, estes músicos apaixonados em permanente folia, trazem na bagagem quase duas décadas de estrada, palcos, romarias, festivais e festas, pondo sempre toda a gente a dançar.

Kumpania Algazarra | Festa do Avante! 2019 - 6, 7 e 8 de Setembro ...

De facto, os  Kumpania Algazarra trazem tatuadas na pele influências musicais de todas as cores, formas, geografias e latitudes, do ska ao folk, dos ritmos latinos ao funk e ao afro, do reggae às inebriantes melodias dos Balcãs. Enérgicos e vibrantes, já levaram a sua música aos quatro cantos do mundo, actuando em diversos países como a Bélgica, Itália, Suíça, Brasil, França, Espanha, Macau, Reino Unido, Sérvia, entre tantos outros.

O ano passado os Kumpania Algazarra comemoraram quinze anos de vida e para assinalar e celebrar a data, gravaram um álbum ao vivo onde reúnem temas de todos os discos editados até ao momento. O registo chama-se Live, vê a luz do dia a dezanove de junho e conta com a participação especial de Ikonoklasta (Luaty Beirão) no tema Actuality, o primeiro single do disco, com um vídeoclip gravado nas Azenhas do Mar.

Todos os temas foram gravados o ano passado em diversos concertos muito especiais de celebração destes quinze anos e cristalizam para sempre os momentos únicos vividos no palco na Festa do Avante, na Feira da Luz em Montemor-o-Novo, no MusicBox, nas Festas de São Lourenço nas Azenhas do Mar, no Festival do Caracol em Castro Marim e na Festa da Liberdade no Porto.

Para o final do ano avizinham-se ainda mais novidades. Uma delas é o lançamento de um álbum de remisturas produzidas por diversos artistas nacionais e internacionais durante o período de reclusão da pandemia. Confere...

Facebook: www.facebook.com/kumpaniaalgazarra

Instagram: https://instagram.com/kumpaniaalgazarra?igshid=1kyan6rg8n1ju

Bandcamp: https://kumpaniaalgazarra.bandcamp.com/album/kumpania-algazarra

Spotify: https://open.spotify.com/artist/1xGf7srdjaLe4ljYXlYUrt?nd=1

 

 

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publicado por stipe07 às 14:44

MOMO - Till the End of Summer Time

Quinta-feira, 21.05.20

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro, mas a residir em Lisboa, que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já teve sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

MOMO. lança single “Till the End of Summer Time” – Glam Magazine

Agora, pouco mais de meio ano depois do lançamento desse registo, MOMO está de volta com um EP que deverá chegar em pleno verão e que irá contar com colaborações de artistas independentes como Alex Siegel (Amo Amo) e Helio Flanders (Vanguart). Do seu alinhamento já se conhecem dois temas, Rosto Zen, lançado a dezassete de Abril e agora, algumas semanas depois, Till the End of Summer Time.

Esta nova canção de MOMO, gravada pelo autor em casa e misturado em Los Angeles pelo produtor Tom Biller (Karen O, Elliott Smith, Kate Nash), que se tornou parceiro regular desde o trabalho anterior I Was Told To Be Quiet, é uma história de amor marcada pela mudança de estações e que pretende descrever a desilusão e o isolamento que sentimos nos últimos meses. O videoclipe destaca o sentimento de separação e foi filmado remotamente enquanto o músico brasileiro e a realizadora italiana Chiara Missaggia estavam isolados nas suas casas, durante a quarentena imposta pela COVID-19. É uma composição inspirada musicalmente nos clássicos de jazz de nomes como George Gershwin e Irving Berlin e em compositores da bossa nova como Tom Jobim. De acordo com o autor, a sua letra fala de um amor que não funcionou, deste o primeiro encontro até à última despedida. O título remete para a canção pop de mil novecentos e quarenta e cinco, Till the End of Time, gravada por Perry Como, Doris Day e outros artistas e que inspirou um filme com o mesmo título. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:19

Homem em Catarse - sem palavras | cem palavras

Sexta-feira, 15.05.20

Homem em Catarse é o alter ego musical do músico Afonso Dorido, um exímio guitarrista que começou a sua aventura musical há já meia década com Guarda Rios, um EP auto-editado. Dois anos depois veio o tão aguardado registo de estreia em formato álbum, um trabalho intitulado Viagem Interior e que nos oferecia um percurso às principais cidades de Portugal profundo. sem palavras, cem palavras é a sua nova etapa discográfica, um disco com um brilho raro e inédito no panorama nacional, feito por um projeto que não conhecia antes de ouvir este trabalho, mas que já percebi que é  exímio a compôr canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

Sem Palavras, Cem Palavras”: teremos sempre a música, Homem em ...

Logo na deliciosa intimidade que sobressai do piano de Tu eras apenas uma pequena folha, percebe-se que o Afonso não tem pudores em servir-se da música como um veículo privilegiado para nos mostrar, de modo realisticamente impressivo, o seu ímpeto criativo e como isso lhe alimenta a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. Depois, a simplicidade melódica e o imediatismo planante das cordas que se entrecruzam na lisérgica Hey Vini! e o banquete sintético de forte cariz progressivo que conduz Hotel Saturnyo, acabam por personificar com excelência a (apenas) dicotomia de um título, que pode transmitir a ideia de que a idealização do conteúdo do registo não teve como permissa essencial o desejo de transmissão de ideias concretas, quando aquilo que acontece, ao longo da audição do trabalho, eminentemente instrumental, é, exatamente, um bombadeamento constante de pensamentos, conceitos e até opiniões, tenhamos nós, ouvintes,a predisposição para nos deixarmos enlear e enfeitiçar por estas canções.

O disco prossegue e se a crueza e a simplicidade acústica de Marie Bonheur parecem evocar a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula nas teclas que nos instigam em Calle del Amor, a simultaneamente intrigante e sedutora destreza maquinal e orgânica em que assenta Yo La Tengo e a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte ao que sabe a frenética Danças Marcianas, são mais momentos altos que comprovam a notável abrangência autoral de um artista que assina neste sem palavaras I cem palavras um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Homem em Catarse. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:49

Fugly - Space Migrant

Segunda-feira, 11.05.20

Dois anos depois do excelente Millenial Shit, os portuenses Fugly estão de regresso aos lançamentos com um novo disco, ainda sem nome anunciado e que, de acordo com os próprios, substitui os problemas adolescentes pelos de adulto,  com uma visão (um bocadinho) mais amadurecida do mundo que os rodeia mas sem largar o lado enérgico, satírico e festivo. Será lá para o final do ano que o projeto liderado por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito, colocará nos escaparates o seu novo trabalho, um alinhamento com a chancela da O Cão da Garagem e produzido, mais uma vez, pelos próprios Fugly no Adega Studios.

Fugly estão de regresso com o single “Space Migrant” – Glam Magazine

O rock direto e sem espinhas de Space Migrant é, um tema que, de acordo com o seu press releasefala sobre a inclusão de todos numa sociedade que tem problemas em unir-se, é o primeiro single retirado desse novo álbum dos Fugly, uma composição feita com uma voz exultante, guitarras banhadas por um efusiante riff metálicopleno de reverb e um baixo vincado e cheio de ritmo que dá as mãos a uma bateria domada com elevada mestria. Confere...

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCiA17QHA29eFaO0rg5p82Fg

Facebook: https://www.facebook.com/fuglyfuglyfugly/

Instagram: https://www.instagram.com/fuglyfuglyfugly/

Twitter: https://twitter.com/fuglyfuglyband

Bandcamp: https://fuglyfuglyfugly.bandcamp.com/

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publicado por stipe07 às 15:16

From Atomic - Deliverance

Segunda-feira, 04.05.20

Nascidos em Coimbra há quase dois anos, os From Atomic nasceram da mente de Alberto Ferraz, que desafiou Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto. Mais tarde juntou-se Márcio Paranhos e tomou assim forma um projeto que tem nomes tão proeminentes como os Yeah Yeah Yeahs, The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, The Cure, DIIV, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, The Raveonettes ou Sonic Youth, como influências declaradas, na busca de uma mescla entre o post punk britânico da década de oitenta e o indie noise da década seguinte. Deliverance é o nome do disco de estreia dos From Atomic, um tomo de onze canções com a chancela da Lux Records.

Gerador

Gravado e produzido nos estúdios da Blue House por Henrique Toscano e João Silva e misturado e masterizado por João Rui, Deliverance mostra-nos que os From Atomic já têm um som identitário definido, um estilo sonoro eminentemente orgânico e negro, mas sem deixar de soar orelhudo apelativo e luminoso, uma simbiose nem sempre fácil de encontrar e que merece todo o destaque quando é bem sucedida, como é o caso. Esta capacidade indesmentível de abraçar o melódico e o poético sem colocar em causa a indispensável visceralidade que os From Atomic exigem que o seu adn exale, foi conseguida através de um registo intepretativo coeso, forte e intenso, que está, como se percebe logo em Better Than, assente em guitarras com um timbre metálico eminentemente agudo e, por isso, pleno de charme, acompanhadas por um baixo vigoroso e ecoante e teclados sempre prontos a abraçar a cosmicidade e a melancolia, muitas vezes em simultâneo.

Uma abordagem precisa ao melhor noise contemporâneo em Heavens Bless, o travo hard de Lights, a toada eminentemente psicadélica de Heartbeat, uma canção que, de acordo com o press release de lançamento do singlefala da relação metafísica de uma personagem com a realidade, com o diálogo lírico da faixa a expressar o jogo entre a inevitável materialização do corpo e a subjectividade da mente e a suprema majestosidade de Juliette, são outros momentos altos do registo que cimentam um modus operandi bastante vanguardista e apelativo, não só no que concerne à componente melódica, mas também à própria estrutura de canções, que têm sempre no refrão um elemento fulcral no transporte da alma e da poesia das mesmas.

Disco coeso, consistente e rico em detalhes e variadas nuances e estilos dentro de um espetro sonoro claramente definido, Deliverance assume-se, no seu todo, como um compêndio de garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduzindo-nos a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

https://www.facebook.com/From-Atomic-188655538613600/

https://www.instagram.com/from_atomic/

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publicado por stipe07 às 18:08

Aníbal Zola - amortempo

Quinta-feira, 16.04.20

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

Resultado de imagem para Anibal Zola - Vida de Cão

No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola está de volta aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

amortempo é heterogéneo e eclético, mas transpira cheiro e sol portugueses. É um álbum de tato sensível e apurado, um compêndio de afetos, uma ode à melhor tradição do nosso cancionieiro tradicional e que se torna aqui num banquete sensorial de elevada subtileza e encanto por ter sido mesclado com a rica pafernália de tiques e nuances que abastecem a mais altiva e charmosa contemporaneidade sonora que se vai fazendo neste jardim à beira-mar plantado.

O timbre das cordas e a rugosidade do efeito da guitarra de Marujo, forçam logo o ouvinte a percepcionar, mesmo que intuitivamente, essa feliz dicotomia em que acústico e elétrico namoram entre si, sem se perceber claramente quem tem a posição dominante nesta relação que, sendo abençoada por Zola, tem tudo para um final feliz. Depois, quando o orgânico e o romântico fundem-se com superior dose de lascívia, como não podia deixar de ser, em Tango da Lua Nova, quando é fácil saborearmos o sal e a intensa luz que irradiam das ondas que navegam ao sabor do vaivém de um piano que joga conosco ao esconde em redor da secção percurssiva que faz flutuar Mar Profundo, quando percebemos que é impossível à nossa anca resistir à portugalidade a que sabe Samba Pro Pulinho, ou quando o cão de Zola se torna, no regaço das cordas que afagam Vida de Cão, o nosso salvo conduto para a percepção de tantos corropios que nos atormentam, sem razão aparente, torna-se claro que amortempo tem essa facilidade de permitir apropriação por todos aqueles que precisam, de quando em vez, de um porto seguro que lhes mostre que há mais vida do que a rotineira aparência e superficialidade de cumprimento de horários e obrigações em que muitos de nós vivemos. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:04

Grand Sun - Sal Y Amore

Quarta-feira, 08.04.20

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, acabam de se estrear no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, encarna, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

Sal Y Amore em tempos de contenção, segundo Grand Sun ~ Threshold ...

Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Sal Y Amore é um disco de viagens, mas também de festa, um compêndio vasto, eclético e heterogéneo de nuances e sensações, umas mais terrenas, e outras eminentemente cósmicas, que podem muito bem vir a ter como consequência maior a catalogação dos Grand Sun como uma nova banda de massas da pop e da cultura musical nacional, já que essa aposta numa estética feita de exuberância sonora e de uma indisfarçável mescla tem muitas vezes esse resultado radioso e que, ao fim e ao cabo, é, garantidamente, o desejo maior de quem quer ser protagonista da forma de manifestação artística que seleciona.

O clima frenético, seco e cru de Circles, assente num indie rock visceralmente ruidoso e sujo, mas que não deixa de ser melodicamente apelativo, até porque é um convite direto à ação e ao movimento, a psicadélica majestosidade do contemplativo edifício instrumental em que se sustenta She Wants You, a alegoria pop particularmente luminosa de Veera, composição conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, o glam rock oitocentista de Dear Ruby, espelhado num sintetizador retro felizmente algo descontrolado e num poderoso e libidinoso riff de guitarra, a sentida homenagem aos Queen a que exala A Picture e o impetuoso travo sessentista da lisergia punk que conduz Feeling Tired, uma canção em que teclado e baixo dividem protgonismo, enquanto a guitarra arbitra, sem preferência e com ímpar isenção, esse duelo imprevisível pela posse da posição maior no pódio do protagonismo melódico do tema, são os momentos maiores de Sal Y Amore, uma sátira representação do ruído a que estamos expostos diariamente e um sal saudável para a hipertensão, que os Grand Sun resolveram colocar nos nossos pratos nesta incaraterística primavera dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 13:17

Dela Marmy - Captured Fantasy EP

Segunda-feira, 30.03.20

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último.

Dela Marmy - Not Real - man on the moon

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Assim, do notável festim sintético que adorna a guitarra planante que sustenta Flying Fishes, até ao delicioso charme contemplativo que nos proporciona a romântica Take Me Back Home, passando pelo travo pop muito peculiar de Not Real, arquitetado por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, numa canção pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, são vários os momentos deliciosos de um EP cujo birlhantismo é rematado por um registo vocal ecoante que confere ao alinhamento, no seu todo, um charme intenso e tipicamente feminino, como, aliás, convém. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:51






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