Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Linda Martini - É só uma canção vs Quase se fez uma casa

Os Linda Martini de André Henriques (Voz e Guitarra), Cláudia Guerreiro (Baixo e Voz), Hélio Morais (Bateria e Voz) e Pedro Geraldes (Guitarra e Voz), continuam a retirar dividendos do excelente homónimo que editaram recentemente e que os catapultou, definitivamente e com toda a justiça, para o pódio dos melhores projetos de indie rock alternativo nacionais da atualidade.

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Sucessor do aclamado Sirumba, editado em dois mil e dezasseis, Linda Martini foi gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, com produção da própria banda e Santi Garcia e com todos os detalhes pensados até ao mais ínfimo pormenor. Por exemplo, o retrato a óleo da capa é a rapariga italiana a quem a banda pediu emprestado o nome no início do século, quando o projeto surgiu e o seu conteúdo sonoro não pretende ser uma mera continuidade da sonoridade habitual, mas antes uma fuga da zona de conforto, com um equilíbrio cada vez maior de elementos como o ritmo, a melancolia e o intimismo, relativamente não só ao antecessor, mas também a todo o cardápio do projeto, que conta já com seis tomos.

Em suma, os Linda Martini de hoje podem ser Rock e Fado, Fugazi e Variações, Fela Kuti e Afrobeat, Tim Maia e Funk, sem nunca soarem a outra coisa que não eles e são poucas as bandas que, remexendo e criando desconforto à primeira audição, conseguem depois, da harmonia ao caos, do balanço lânguido às cavalgadas épicas, soarem harmoniosos e profundamente cativantes.

Para espalhar ainda mais a sua doutrina, os Linda Martini acabam de retirar de Linda Martini dois singles e em simultâneo, os temas É só uma canção e Quase se fez uma casa. De acordo com o press release do lançamento, neste duplo videoclip, o grupo abre com É só uma canção, composição que nos fala sobre o peso da maldita folha em branco. São eles a contornar o que já fizeram, a contrariar rotinas para descobrirem outro ângulo e em Quase se fez uma casa, o segundo filme, amachucam o rascunho para que nada fique de pé. Peritos em adocicar a tragédia, a amargar-nos a felicidade, entram num jogo de tensão e libertação; um workshop de gestão de raiva do qual todos saíram ilesos e um pouco mais leves. Confere...


autor stipe07 às 09:40
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Jorge Ferraz - Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?

Numa edição da sempre muito recomendável Cobra Discos, já viu a luz do dia Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o novo capítulo discográfico de Jorge Ferraz, um consagrado músico e guitarrista que embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, tem na guitarra a sua grande obsessão. Este compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde o início dos anos oitenta, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, um projeto cujo primeiro registo foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da FNAC, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997. Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X, foram outros projetos em que se envolveu, tendo sido também cofundador da efémera banda João Peste & o Acidoxibordel que reuniu, entre outros, músicos dos Pop Dell’Arte e dos Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, bem como o saxofonista Rodrigo Amado.

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Em 2006 Jorge Ferraz passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns, um em dois mil e oito e outro em dois mil e dez. Foi produtor dos seus discos a solo e de grande parte das edições das bandas que integrou, tendo ainda desempenhado essas funções com os Pop Dell’Arte e os The Great Lesbian Show. Publicou também poesia e ensaio em revistas como Vértice e Bumerangue, bem como um livro de contos, Telescópio Quebrado Scanner Descontínuo, na Black Sun Editores. Desde 2013 que é igualmente membro fundador do colectivo multimédia Cellarius Noisy Machinae.

No que concerne ao conteúdo de Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o registo contém dezasseis canções que são compêndios de poesia-ruído assumidamente radicais, serenamente aquáticas e borbulhantes e/ou violentas e distorcidas, organizadas em quatro movimentos/partes - talvez pseudo-géneros musicais distintos - com uma duração de cerca de 40 min. Um caminho que vai de infantis melodias de adeus a súbitas atonalidades intrometidas, num sempre aberto jogo de manipulação analógica e digital de tempos, “pitches” e “loops” que resulta do confronto entre a guitarra e outras máquinas. Um vaivém entre o interventivo e o contemplativo, a ruptura activa e a desistência, o rigor maníaco e a displicência ladina, o romântico e o desencantamento irónico. Música e temas onde também se pergunta o que é a identidade de um artista e criador e de onde vem. Qual é a sua liberdade e onde reside a sua coerência? Um romantismo derrotado... de que nunca se desiste.

Rock , eletrónica e jazz são, de certo modo, os grandes eixos orientadores da filosofia sonora deste Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, disco onde tudo aquilo que se escuta sabe a uma verdadeira e inspirada ode ao improviso, numa busca constante de sons e melodias que de anárquico terão muito pouco. Assim, do jazz funk de Beirut, the policeman said, versão de uma música incubada no seio dos Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!, ao travo eminentemente jazzístico do rock que sustenta Free Rock Songs for Losers and Romantics, que se repete de modo mais subversivo e caricatural em Sax Bitch e que assume uma toada mais abrasiva em Fake-Jazzy Adventures with Alien Breakdowns and Broken Instruments até ao travo pop e de certo modo mais radiofónico de  There is No Second Time and I Feel Fine, este é um disco que procura unificar, através daquilo que o autor apelida de guitartrónica pessoal, toda a miríade de ruídos, ritmos, cadências e pulsares que o  inspiram, mas também o inquietam. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:52
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Domingo, 3 de Junho de 2018

Imploding Stars - Riverine

Três anos depois do excelente A Mountain And A Tree, da banda sonora Mizar & Alcor (2016) para a versão portuguesa do documentário From Earth to Universe e da participação com Treeless prairie na coletânea T(h)ree – Vol. 5 – Portugal – Cazaquistão – Uzbequistão (2017), os bracarenses Imploding Stars de Élio Mateus, Francisco Carvalho, Jorge Cruz, João Figueiredo e Rafael Lemos, regressaram aos discos com Riverine, disco com oito temas que, de acordo com o press release do lançamento desta banda das Taipas, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver.

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Sendo assim, no alinhamento de Riverine os Imploding Stars recriaram com notável mestria os diferentes estágios temporais que fazem parte da existência humana e que, no fundo, definem o trajeto de vida de cada um de nós, sendo possível, tendo em conta a abordagem da banda a esse ideário, cada ouvinte, à medida que se embrenha no álbum, adaptar os temas à sua experiência pessoal e aos seus pensamentos, experiências, sonhos, conquistas e desejos.

A partir desta permissa e tendo-a bem presente, as oito canções avançam na sequência lógica desses tais estágios de desenvolvimento (nascimento, infância, adolescência, idade-adulta meia-idade, velhice, morte e renascimento), com cada composição a retratar de modo sui generis um clima sonoro que encontra paralelismo na essência de cada um desses estágios e aquelas que são as nossas formas mais comuns de pensar, de ser, de agir e de comunicar nessa fase da nossa vida. Por exemplo, se Birth é um tema mais contemplativo, já Adulthood são nove minutos de altos e baixos, mudanças ritmícas e melódicas e Senescence tem um travo mais nostálgico e, no final, algo inquietante, retratando fielmente o ocaso.

Transversal ao alinhamento é a sua beleza utópica. Nele os Imploding Stars reproduziram um bloco único de som feito de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçam esta busca de uma expressão melódica incisiva e inteligente da nossa natureza animal e dos sentimentos inerentes à nossa condição de humanos. De facto, em Riverine tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. É, como se percebe, um álbum conceptual, que impressiona por uma beleza utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, através de um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, ,as também um disco que nos fecha dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui e se orienta de modo a fazer-nos levitar, enquanto ficamos certos que passa pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que está a deixar marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 18:10
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2018

Cave Story - Special Diners

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Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga têm novas histórias para contar e ainda este ano, através de um registo de originais que é também um panfleto de estudos, intitulado Punk Academics e que irá ver a luz do dia até ao ocaso de 2018 à boleia da Lovers & Lollypops. O seu alinhamento irá dissertar sobre a Punk Rock Academy mencionada no disco de 1997 A Society of People Named Elihu, do projeto Atom & His Package.

Special Diners é o primeiro single divulgado do disco, pouco menos de dois minutos que nos mostram alguns dos melhores atributos sonoros dos Cave Story, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre. O vídeo de Special Diners foi realizado pelos Das Playground que passaram alguns dias com a banda pelo meio de uma viagem de seis meses a filmar à volta do mundo. Confere...


autor stipe07 às 18:26
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Domingo, 20 de Maio de 2018

The Dirty Coal Train - Portuguese Freakshow

Depois de quatro álbuns, uma compilação e cinco singles, já está nos escaparates Portuguese Freakshow, o novo disco do projeto The Dirty Coal Train que nasceu da mente do casal Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, uma dupla natural de Viseu e a residir em Lisboa, que se tem assumido na presente década como uma das bandas mais excitantes do garage rock nacional. É um longo registo com quase quatro dezenas de temas e que conta com vários convidados especiais, nomeadamente Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell'Arte), Fast Eddie Nelson (Big River Johnson, Fast Eddie & the Riverside Monkeys), Captain Death (Tracy Lee Summer) e Mário Mendes (Conan Castro & the Moonshine Piñatas), entre outros, um projeto megalómano bem sucedido lançado em vinil pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records, tendo sido gravado nos estúdios Golden Pony em Lisboa e no King no Barreiro.

Cheio de acordes rápidos e batidas viciantes, Portuguese Freakshow é um tratado de rock crú e direto, hora e meia de completo transe roqueiro feito com originais, mas também com versões de clássicos, de bandas tão distintas como os Residents, The Animals, Richard & The Young Lions, The Standells, Marti Barris e Beat Happening, entre outros. No seu alinhamento cruzam-se diferentes universos desse espetro sonoro, desde o garage, ao punk sessentista, passando pelo blues, o próprio metal, o rockabilly e o surf rock. Este elevado ecletismo aliado a uma enrome segurança e vigor interpretativos, além de proporcionarem ao ouvinte  contacto com uma personalidade e uma amplitude sonora algo agressiva, no bom sentido, tem como grande cereja no topo, para quem conhecer os trabalhos anteriores dos The Dirty Coal Train, permitir a perceção de que a dupla ampliou a técnica e o apuro interpretativo, quer instrumental quer vocal, com a percussão a ser um dos aspetos em que isso mais se nota, mas com os riffs e os efeitos das guitarras a exalarem também novas nuances, que não se coibem de penetrar por territórios mais intrincados e progressivos, nomeadamente quando deambulam pelos algumas experimentações eletrónicas.

Álbum que impressiona pelo seu todo e repleto de referências a seres fantásticos e ao cinema mais alternativo, Portuguese Freakshow acaba por ser um retrato sonoro bastante interessante e impressivo acerca da nossa realidade atual enquanto povo, que parece muitas vezes bastante desligado da realidade e a viver num permanente estado de alienação que é aqui de certo modo documentado com uma elevada dose de humor, ironia e simbolismo. o registo foi produzido pelos próprios Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues e o artwork é da autoria de Olaf Jens. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:34
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018

Nick Suave - Perdido

Nick Suave, que anteriormente se apresentava como Nick Nicotine, é o pseudónimo de Carlos Ramos, o homem por trás do mitico festival Barreiro Rocks e do Estúdio King, de onde sairam alguns dos melhores discos de rock and roll da última década. Criado na fumarenta e cinzenta cidade do Barreiro dos anos oitenta, começa a editar discos pela sua própria editora (Hey, Pachuco! Recs) a partir de 2000. Homem dos sete instrumentos divide-se entre a voz, guitarra, baixo e bateria em dezenas de bandas (Nicotine’s Orchestra, The Act-Ups, Los Santeros, Bro-X, The Jack Shits, entre muitas outras) e acaba de lançar Perdido, um tomo de oito canções que marcam o início de uma nova fase na sua carreira: a escrita e interpretação em português.

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Na composição das canções de Perdido, Nick inspirou-se no amor e nas diversas facetas práticas desse sentimento, nomeadamente o amor pela esposa, pela família, pela sua profissão e por todas as pessoas que o rodeiam e lhe são mais próximas. Para conseguir passar a mensagem pretendida, contou com a ajuda de Ricardo Guerreiro em algumas letras, tendo as gravações dos temas decorrido o ano passado nos estúdios iá, com a colaboração inestimável de Ricardo Riquier. Sem querer ser intencionalmente revivalista, a verdade é que Perdido deve muito a uma mescla feliz entre a soul vintage e aquele universo mais negro e cru do rock, campos sonoros que Nick já havia explorado no passado mas que agora replica em português direto e, claramente, apontando aos corações mais sensíveis e empedernidos.

O resultado final é um alinhamento contagiante e cheio de charme e ironia, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude que nunca defrauda. Disco para ser apreciado de um travo só, é um receituário inédito no panorama sonoro nacional atual e, à medida que escorre nos nossos ouvidos, consegue-se, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz e com alguns arranjos percurssivos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada ligeiramente lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite.

Perdido merece, em suma, ser tratado como um referencial que flutua constantemente entre a metáfora e a realidade, no fundo o modo de viver normal de um Nick Suave impregnado com um intenso bom gosto e que parece não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior por aquilo que é enquanto músico e artista e pela peça em si que este disco representa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:23
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Bed Legs - Bed Legs

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo, David Costa e agora também Leandro Araújo são os Bed Legs, que, de acordo com Marcio Freitas dos Dead Men Talking, autor do press release de lançamento do novo registo discográfico do grupo, se afirmam cada vez mais como criadores de música embebida, entornada e enrolada em melodias que despertam a maior das emoções e sensações, numa roda-viva que brota vivências por todos os lados. Esta banda começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e, dois anos depois, através de Black Bottle, o longa duração de estreia, nove canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

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Agora, dois anos depois, os Bed Legs editaram o sempre difícil segundo disco, um homónimo gravado na Mobydick Records, com o apoio do GNRation, por Budda Guedes e masterizado por Frederico Cristiano. Dele ficou-se a conhecer há algum tempo Spillin' Blood, o tema que abre um alinhamento onde, citando novamente Marcio Freitas, abunda a soltura dos teclados e do baixo, a riqueza dos ecos das guitarras e da bateria multi-ritualista, (...) num delicioso frenesim que inebria o mais puro dos seres.

De facto, escuta-se Bed Legs na íntegra e a primeira constatação óbvia é que, tendo em conta o registo anterior, os Bed Legs estão cada vez mais maduros e consistentes. Continuam a firmar o seu adn sonoro, impregnado-o e mascarando-o com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas não faltam novos arranjos, quase sempre fornecidos por uma guitarra nada longe do rock de garagem e a piscar o olho a territórios cada vez mais progressivos (ouça-se Lift Me Up) e a uma salutar vibe psicadélica, exemplarmente replicada no solo eletrificado planante de Keep On, um tratado de lisergia enleante e submersivo.

A voz está também a tornar-se num caso sério da lista de predicados que os Bed Legs possuem, extravasando de modo superior o rol de emoções que as letras suscitam, sendo o complemento perfeito para um emaranhado sonoro, que parece resultar de uma espécie de rasgo das cordas vocais e que se destaca particularmente nas mudanças de tonalidade que executa à boleia da guitarra de Dreams On Fire, principalmente após a guinada ritmica e textural que o tema sofre a meio e no delicioso tratado de rhythm and blues que é Back On Track, uma ode ao melhor rock americano e onde, ao ouvir-se a postura vocal de Fernandes é fácil imaginar que uma lágrima de dor escorre-lhe da garganta ao coração, tal é a emoção com que ele canta. Esta emoção também se sente perfeitamente em Dance! quando Fernandes se cruza com a guitarra e berra literalmente uma espécie de último suspiro antes de um momento de dança desenfreada, claramente há muito contido.

Bed Legs é um título feliz para este disco, exatamente porque no seu conteúdo está impressa a identidade de um projeto onde por detrás da amálgama estilística que abrange, dentro de um espetro sonoro claramente delimitado, existe existe um universo inteiro de detalhes, sobreposições e arranjos que vale a pensa descobrir e que faz dos Bed Legs um nome a reter no cada vez mais intrincado e valioso universo sonoro alternativo nacional. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:23
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2018

Birds Are Indie - Local Affairs

Os conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa. Para nosso deleite, eles acabam de regressar aos discos, à boleia da Lux Records de Rui Ferreira, com Local Affairs, quinze solarengas canções que carimbam um passo consistente no percurso de um projeto que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, mas sempre atento às novas tendências, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição do grupo.

Quarto disco da carreira dos Birds Are Indie, Local Affairs tem um propósito concreto de criar canções pop que transmitam uma certa sofisticação, mas sem colocarem em causa a identidade de um projeto que gosta de fazer canções acessíveis, orelhudas, espontâneas, descontraídas e que provoquem sorrisos imediatos no ouvinte. Depois, há também o objetivo de compôr temas com os quais o ouvinte se identifique, como é o caso do single Come into the water, uma luminosa, contagiante e animada canção que conta com a participação especial de João "Jorri" Silva (a Jigsaw, The Parkinsons) na guitarra-baixo e que tematicamente debruça-se sobre alguém muito friorento que quer ganhar coragem para dar um mergulho. A tal sofisticação relativamente aos trabalhos antecessores acaba por ser o maior cuidado nos arranjos, nomeadamente na bateria, mais impulsiva e com uma cadência que convida, tema após tema, quase sem exceção, a abanar a anca e a bater o pé.

A simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, visto movimentarem-se dentro de um espetro sonoro muito em voga, quer no panorama nacional, quer no panorama internacional, é, talvez, o maior atributo deste grupo que nos oferece neste Local Affairs uma inebriante viagem, onde é rara a graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de Close, but no cigar ou a lamechice de Pitch black infinite sky, além do rock vintage sessentista de Work it out e o de cariz mais alternativo audível nas guitarras que conduzem I Never Wanted That, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em Let's get on with taking off your dress e na inebriante e corrosiva Messing with your mind, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:18
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Domingo, 22 de Abril de 2018

Imploding Stars - Demise

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Três anos depois do excelente A Mountain And A Tree, os vimaranenses Imploding Stars de Jorge Cruz, Diogo, Élio, Filipe e Francisco regressam em 2018 aos discos com Riverine, disco com oito temas que, de acordo com o press release do lançamento desta banda das Taipas, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver.

Sendo assim, no alinhamento de Riverine, os Imploding Stars tentaram recriar os diferentes estágios temporais que fazem parte da existência humana e que, no fundo, definem o trajeto de vida de cada um de nós, sendo possível, tendo em conta a abordagem da banda a esse ideário, cada ouvinte, à medida que se embrenha no álbum, adaptar os temas à sua experiência pessoal e aos seus pensamentos, experiências, sonhos, conquistas e desejos.

Demise é o primeiro single divulgado deste Riverine, um tema que impressiona pela sua beleza utópica, feita de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que aliceracam uma melodia particularmente hipnótica. Confere... 


autor stipe07 às 21:47
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Huggs - Take My Hand

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

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Os Huggs vão estrear-se nos lançamentos no último trimestre deste ano com um EP, gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda. Desse registo já se conhece Take My Hand, canção também já com direito a um video realizado por Manuel Casanova, que trabalhou ao longo da carreira com bandas como os Comeback Kid, Japandroids ou os Hills Have Eyes.

Este tema que apresenta os Huggs ao mundo oferece-nos um rock acessível e bastante melódico, uma filosofica sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes daquele anguloso punk rock nova iorquino que bandas como os The Strokes ou os Yeah Yeah Yeahs ajudaram a cimentar no início deste século, mas onde também não falta uma curiosa pitada garage novecentista, em especial na guitarra, essencial para conceder à composição um charme vintage particularmente luminoso e apelativo. Confere...

Facebook: www.facebook.com/freehuggssuck

Instagram: www.instagram.com/freehuggssuck

Bandcamp: www.freehuggssuck.bandcamp.com


autor stipe07 às 21:26
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