Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020

Anibal Zola - Vida de Cão

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

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No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola regressa aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

De amortempo acaba de ser revelado o single Vida de Cão, uma música frenética tal como é a vida da maior parte de nós. A letra é fundamentalmente instintiva e pouco pensada, tentando misturar os sentidos da visão, olfato e audição de uma forma nervosa e desequilibrada,  representando o comportamento selvagem de um cão. Além disso fala de tudo e não fala de nada. Há quem diga que é o chico fininho dos cães. No vídeo da canção, o cão de Aníbal Zola é protagonista numa viagem em alvoroço pela cidade e a filmagem, tal como a música, também é descomplexada. Confere Vida de Cão e os próximos concertos do artista...

29 Fevereiro/ Porto, CCOP – Apresentação do disco com presença de todos os participantes 13 Março/ Vermil, Centro e laboratório artístico Clav Live Sessions – Concerto a solo

14 Março/ Amarante, 3 Mini Festival de Artes – Concerto a solo

19 Março/ Lisboa, Clube Ferroviário – Concerto em trio

30 Maio/ Ciclo Fora de Portas na Adega Cooperativa, Arruda dos Vinhos

12 Junho/ Setúbal, Casa da Cultura – Concerto em trio

Facebook https://www.facebook.com/anibalcbvoz/

Instagram https://www.instagram.com/anibalzola/

Bandcamp https://anibalcbvoz.bandcamp.com

YouTube https://www.youtube.com/user/zenibeirao

Spotify https://open.spotify.com/artist/5YN3Sf9fbfdaRG1NSouCIL?si=KkrguNuVTFuseqxJXt8D2A


autor stipe07 às 17:21
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

LOLA LOLA - Killed a Man in a Field

Com raízes nos extintos Tornados e no sempre pulsante e inovador movimento criativo da cidade do Porto, os LOLA LOLA formaram-se há meia década, fruto da junção de um trio já muito experimentado nas lides musicais, Tiago Gil (Guitarra), Miguel Lourenço (Baixo) e Hélder Coelho (Bateria), que receberam de braços abertos a desconcertante voz de Carla Capela, conhecida da noite portuense como DJ Just Honey e o sax barítono de Rui Teixeira.

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Alimentados pelo universo musical das décadas de 50 e 60 e inspirados pelo R&B/Popcorn, 60´s Beat e Rock n’ Roll, os LOLA LOLA assinaram, no início de 2015, pela prestigiada editora independente Sleazy Records, à boleia da qual lançaram os singles Money in the Can (Junho/2015), Sweet Lovin' (Dezembro/2016) e o double-sider Voodoo Man/ Voodoo Woman (Fevereiro/2018).

Com as suas canções destacadas um pouco por todo o mundo por djs de culto, rádios e blogosfera musical, os LOLA LOLA também têm tocado por toda a Península Ibérica, granjeando uma cada vez mais vasta e fiel legião de fãs que irá certamente ampliar-se devido a Killed A Man In The Field, o novo lançamento do grupo, um sete polegadas que tem como b side uma recriação enérgica do clássico Somebody’s always trying de Joy Byers e que marca a estreia dos LOLA LOLA  pela soberana Chaputa! Records.

Este quarto registo fonográfico dos LOLA LOLA, ilustrado por Rui Ricardo, produzido por Nuno Riviera e masterizado por Mike Mariconda, vê a luz do dia amanhã, mas o tema principal, uma canção que nos leva a viajar por uma larga paisagem de cor e infinito, (...) um rasgo de primordial simplicidade, com uma melodia assente numa base densa e segura, já tem direito a um video captado na Reserva Natural do Estuário do Douro e com brilhantes interpretações de Carla Capela e Tiago André Sue. No filme, assinado por Rodrigo Areias e Susana Abreu, contemplamos uma história de amor trágico que trespassa corações, revelando-se na eternidade da paisagem que a vida é efémera.

Sempre com sede de estrada, os LOLA LOLA aproveitam o lançamento deste 7’ para regressar aos concertos, no Sabotage Club, dia 18 de Outubro e no Barracuda Clube de Roque, no dia seguinte. Confere...

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autor stipe07 às 13:14
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Terça-feira, 10 de Abril de 2018

X-Wife - X-Wife

Os portuenses X-Wife de  João Vieira (Dj Kitten) (voz/guitarra), Fernando Sousa (baixo) e Rui Maia (sintetizadores/teclas), estão finalmente de regresso aos discos com o quinto disco da sua carreira, um espetacular homónimo de electro punk alternativo que sucede ao já longínquo Infectious Affectional, álbum que data de 2011. Pelo meio, os White Haus, projeto alternativo de João Vieira e o alter ego Mirror People de Rui Maia foram ganhando fôlego, a banda participou com o tema Movin' Up na banda sonora do jogo de culto EA SPORTS FIFA 16, ao lado de bandas e artistas do calibre dos Bastille, Beck, Foals, Icona Pop e Unknown Mortal Orchestra e o baixista Fernando Sousa envolveu-se com uma mão-cheia de bandas do Porto e arredores, nomeadamente os Best Youth.

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É em ambiente de festa que abre X-Wife, um disco que foi sendo gravado de modo intermitente ao longo destes últimos sete anos em que o trio muitas vezes se questionou se valeria a pena manter o projeto vivo. E não são precisos muitos acordes de This Game para se celebrar espontaneamente, não essa relutância dos X-Wife em encerrarem as hostilidades, mas a persistência de acreditarem que afinal o quinto disco deste grupo faria todo o sentido, até porque é um registo que está naturalmente, tendo em conta a elevada mestria criativa dos seus membros, recheado de excelentes canções capazes de nos empolgar e de nos fazer acreditar que aquele rock mais enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste século e que lá por fora nomes tão influentes com os Franz Ferdinand, Radio 4, LCD Soundsystem, The Rapture ou The Strokes cimentaram, acabou por fazer escola por cá, havendo quem o replique com tanta ou mais mestria.

Depois deste início auspicioso à boleia de um tema que se sustenta num frenético ritmo deliciosamente anguloso, proporcionado, em grande parte, por um intenso riff de guitarra e uma distorção incisiva a acompanhar um refrão eloquente, escutam-se os trompetes, os flashes intermitentes e os metais de Boom Shaka Boom e não há como não renunciar à festa, numa canção verdadeiramente intemporal, já que nos oferece uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon dos anos oitenta. Depois, se a já referida Movin' Up parece levar, com assinalável mestria, uma espécie de jazz rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica e se Coconuts é um curiosa mistura entre ambientes latinos e o vibrante eletropunk que define o adn dos X-Wife, já o frenesim de Monday Tuesday oferece-nos aquele irresistível swing da guitarra que no refrão se torna particularmente buliçoso ao resvalar para um riff épico e de maior exaltação, nuance que em Show Me Your Love recebe a companhia do sintetizador que, ainda neste tema, ao mesmo tempo que conduz a melodia também dispara diversos flashes em diferentes direções, proporcionando um festim sintético pulsante e algo lascivo.

Cheio de composições que nos fazem abanar a anca mesmo que não haja um firme propósito, apenas e só o facto de ser hora de celebrar, X-Wife é um daqueles discos que ensina que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por uma banda, mas o seu espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados X-Wife como entidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

Fugly - Millenial Shit

Pedro Feio, ou Jimmy, começou o projecto Fugly em 2015 quando se fartou de estar sempre atrás da mesa de mistura e começou a querer subir de vez em quando ao palco. Chamou Rafael Silver e, mais tarde, Nuno Loureiro para juntos formarem este grupo oriundo do Porto, que se estreou ainda esse ano com Morning After, um EP que já tem finalmente sucessor. O primeiro longa duração dos Fugly chama-se Millenial Shit, viu a luz do dia por intermédio da editora O Cão da Garagem e assume-se como uma espécie de disco conceptual que conta a história dos millennials, a Geração Y, os jovens nascidos entre os anos oitenta e noventa, época que culminou na maior taxa de nascimentos per capita. São a voz do emprego precário, dos estágios intermináveis, da abstenção política, dos direitos dos animais, do vegetarianismo, da erradicação dos estigmas populares, da preguiça, do aborrecimento, da legalização da marijuana, dos smartphones, da falta de emoção e capacidades sociais, da depressão antecipada, do controlo hormonal e do capitalismo forçado.

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Melhor do que ser eu a descrever o conteúdo de Millenial Shit é mesmo conferir também o que a banda tem a dizer acerca do seu conteúdo, através do press release do lançamento. Assim, tendo em conta a temática acima citada, Millenial Shit gira à volta do romance jovem, das noites loucas e espalhafatosas em que tudo de mau e bom acontece. O arrependimento causado por um dia seguinte cheio de perguntas sem resposta e todo o existencialismo associado. O alinhamento arranca a todo o gás com Hit the Wall, canção feita com uma voz exultante, guitarras banhadas por um audacioso reverb e um baixo vincado e pleno de ritmo que dá as mãos à bateria com elevada mestria. Depois, no punk direto e efusivo de Ciao (You’re Dead), na toada expressiva de Millennial Shit, no elevado acerto melódico com que guitarras e bateria se entrelaçam em Take You Home Tonight e na rugosidade rock de Yey, fica plasmado um modo muito próprio de expressar uma filosofia sonora interpretativa que mais do que mostrar uns Fugly presos por amarras ou balizas que enclausurem o arquétipo sonoro pelo qual se regem, clarifica o alargado e geralmente acelerado espetro rítmico que os define, já que quase sempre optam por criar músicas rápidas, com pouco tempo e que em poucos versos,  introduzem a história que pretendem contar. Delirium acaba por funcionar um pouco como contraponto a todo este ideário estilístico dos Fugly, Rooftop, Inside My Head e The Sun, com uma tonalidade um pouco mais diversificada e intrincada, dão esperança à personagem de poder mudar tudo, de começar de novo e perceber a lição que foi aprendida

Em suma, Millenial Shit contém uma rebelde euforia utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, com um som psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da essência destes Fugly, trespassam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio e místico, onde tudo flui de maneira hermética e algo acizentada, como convém a uma crise de identidade bem sucedida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:24
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Fugly - Hit A Wall

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Pedro Feio, ou Jimmy, começou o projecto Fugly em 2015 quando se fartou de estar sempre atrás da mesa de mistura e começou a querer subir de vez em quando ao palco. Chamou Rafael Silver e, mais tarde, Nuno Loureiro para juntos formarem este grupo oriundo do Porto, que se estreou ainda esse ano com Morning After, um EP que já tem finalmente sucessor. O primeiro longa duração dos Fugly chama-se Millenial Shit, verá a luz do dia por intermédio da editora O Cão da Garagem e o tema homónimo foi o prmeiro single divulgado do registo, sendo agora a vez de já podermos escutar Hit A Wall, o tema arrebatador e frenético que abre o alinhamento do álbum, feito com uma voz gritante, guitarras a arranhar, baixo galopante e um comboio sem controlo que sai da bateria e já com direito a um excelente vídeo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:26
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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Fugly - Millenial Shit

Pedro Feio, ou Jimmy, começou o projecto Fugly em 2015 quando se fartou de estar sempre atrás da mesa de mistura e começou a querer subir de vez em quando ao palco. Chamou Rafael Silver e, mais tarde, Nuno Loureiro para juntos formarem este grupo oriundo do Porto, que se estreou ainda esse ano com Morning After, um EP que já tem finalmente sucessor. O primeiro longa duração dos Fugly chama-se Millenial Shit, verá a luz do dia por intermédio da editora O Cão da Garagem e o tema homónimo é o mais recente single divulgado do registo, uma canção também já com direito a um excelente vídeo.

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De acordo com o press release de lançamento deste single e de antecipação do álbum, os FUGLY seguem o seu percurso em busca do caos e da excentricidade frenética do noise e do garage, bem como a cura para a ressaca, sendo omillennials a Geração Y, os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90, época que culminou na maior taxa de nascimentos per capita. São a voz do emprego precário, dos estágios intermináveis, da abstenção política, dos direitos dos animais, do vegetarianismo, da erradicação dos estigmas populares, da preguiça, do aborrecimento, da legalização da marijuana, dos smartphones, da falta de emoção e capacidades sociais, da depressão antecipada, do controlo hormonal e do capitalismo forçado. Confere...


autor stipe07 às 21:31
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

The Weatherman - Kind of a Bliss

The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, está de regresso aos discos com Eyeglasses for the Masses, um álbum editado a vinte e nove de Abril e que nos remete para um universo pop e psicadélico, diversificado e abrangente, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.

O mais recente single extraído de Eyeglasses for the Masses é Kind Of A Bliss, um alerta vermelho sobre a solidão e o sofrimento que a mesma causa frequentemente, nomeadamente nas vítimas de abusos de toda a espécie e das mais variadas faixas etárias. O tema já tem direito a vídeo, que apresenta o caso de uma vítima de violência doméstica, um dos maiores flagelos da sociedade ocidental contemporânea.

The Weatherman estreou-se nos lançamentos discográficos em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009), e um homónimo, em 2013, antes deste Eyeglasses for the Masses. Confere...


autor stipe07 às 21:57
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Terça-feira, 17 de Maio de 2016

The Weatherman - Eyeglasses for the masses

Gravado nos estúdios Hertzcontrol em Caminha por Marco Lima, produzido pelo próprio e por e Alexandre Almeida, e misturado nos SoundHill Studios no Porto por João André, Eyeglasses For The Masses é o quarto e novo registo de originais de The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, cujo universo pop e psicadélico nos remete para um mundo sonoro onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como os The Beatles, claramente audíveis na cândura de Now & Then, ou os Beach Boys, homenageados a preceito em Endless Expectations, são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da pop e da eletrónica atual.

Masterizado em Los Angeles pela mão do galardoado Brian Lucey (Artic Monkeys, Black Keys, The Shins, Beck, Sigur Ros, entre outros), Eyeglasses For The Masses assinala uma década de carreira de um músico que sempre demonstrou ser um inspirado e comovente escritor de canções e que, desta vez, quis, de acordo com o press release do lançamento, mover tudo e todos com o poder de uma grande canção. De facto, apoiado pela enorme mestria com que manipula, principalmente, as teclas de um piano, The Weatherman dá-nos a mão e convida-nos a penetrar sem hesitações num disco que faz de nós, inicialmente estranhos numa terra estranha, acabados de chegar ou prontos para partir, num alinhamento que funciona como um campo de sacos cheios de memórias onde a vida se refugia ou fica presa, quando o amor nos resolve pregar, mais uma vez, uma enorme partida.

Tal como esse amor, esta é uma viagem empolgante, onde tudo começa e acaba, instigados pela motivação de canções tão felizes como All The In Between e outras capazes de manipular a nossa mente fragilizada e entorpecida para o lado mais positivo da existência humana, algo que sucede intuitivamente a quem se deixar embrenhar pela monumentalidade instrumental de A Kind Of A Bliss, canção que nos oferece uma sensação de liberdade incomensurável, com o bónus de expirar do nosso âmago toda a cegueira, vertigem, ou abismo, que a solidão tantas vezes nos proporciona.

Parece-me que para quem recentemente ficou só e sente medo que essa fatalidade se prolongue no tempo, algo que nem sempre está nas nossas mãos evitar, este é um álbum que pode indicar pistas seguras para que tal não suceda e que nos pode mostrar o que há do outro lado do vidro que reflete a nossa existência, agora algo perdida. Se tantas vezes nos esquecemos que aquilo que é esta fragilidade que é visível, principalmente aos outros, pode ser apenas aparente, o grito de esperança que desembrulhamos em Unpack My Mind, mostra-nos que muitas vezes depende da nossa força interior o encontro, ou não, de uma nova felicidade, que tantas vezes, por conformismo ou pessimismo, julgamos inatingível.

Mesmo que o ideário global do autor, ao idealizar Eyeglasses For the Masses, não tenha tido esta premissa de busca e reencontro do lado mais positivo e colorido da existência e da felicidade, não há como resistir a esse forte apelo, algumas vezes bastante emotivo, em onze canções onde se cruzam pessoas e factos reais, que nos ensinam que há escolhas que dependem exclusivamente de nós e que nunca devemos condicionar o nosso acesso ao amor devido à nossa religião, estatuto social ou género. One Of These Days, tudo ficará novamente no sítio certo, nem que isso signifique a nossa vida precise de ser completamente virada do avesso. Espero que aprecies a sugestão...

At The In Between

To The Universe

A Kind Of Bliss

Now & Then

Eyeglasses For The Masses

Endless Expectations

Unpack My Mind

Ice II

One Of These Days

Good Dreaming

Call All Monkeys (bonus track)


autor stipe07 às 21:22
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Terça-feira, 3 de Maio de 2016

The Weatherman realiza concerto para macacos

A mostrar 1.pngA mostrar 1.pngNo próximo dia dezasseis de maio vai acontecer no jardim zoológico da Maia um concerto que terá tanto de inusitado como de imperdível. The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, está de regresso aos discos com Eyeglasses for the Masses, um álbum editado a vinte e nove de Abril e que será alvo de crítica neste espaço muito em breve e vai tocar nesse espaço com um propósito muito especial.

(pic by Morsa)

Um dos singles de Eyeglasses for the Masses é Calling all Monkeys e, de acordo com o press release do evento, The Weatherman irá tocar para os macacos que vivem nesse espaço com a intenção declarada de chamar a atenção para os erros da Humanidade,(...) e apontar falhas à nossa demanda que perspectiva o mundo enquanto sítio melhor. Este evento será transmitido em directo no canal de Youtube do músico.

The Weatherman estreou-se nos lançamentos discográficos em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009), e um homónimo, em 2013, antes deste Eyeglasses for the Masses, um trabalho que nos remete para um universo pop e psicadélico, diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.


autor stipe07 às 14:03
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

The Weatherman - Ice II

Dois anos após um homónimo, The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, que se estreou em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009), está de regresso aos discos muito em breve e já divulgou um single daquele que será o seu quarto registo de originais.

Gravada, misturada e masterizada nos estúdios Sá da Bandeira no Porto em Setembro último, Ice II é essa novidade de The Weatherman, uma canção produzida a meias com Alexandre Almeida. De acordo com esta amostra, o próximo longa duração deverá remeter este cantautor para um universo pop e psicadélico, diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual. Ice II também já tem direito a um vídeo, registado pela lente de Vasco Mendes. Confere...

 


autor stipe07 às 18:35
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Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Rita Braga - Gringo In São Paulo EP

Depois de no delicioso disco de estreia, intitulado Cherries That went to The Police  Rita Braga ter reinterpretado temas oriundos de vários países e em várias línguas, esta portuguesa, filha do mundo, voltou ao estúdio para compôr cinco temas originais e inéditos que idealizou no período em que morou no Brasil em 2013 e aos quais deu o nome de Gringo In São Paulo, um simpático EP gravado na Casa do Mancha, um estúdio de gravação e local de concertos conhecido no cenário musical alternativo e independente da maior cidade da América Latina.

Neste EP Rita Braga manuseia com enorme mestria o ukelele, o seu fiel parceiro e instrumento de eleição, mas também os teclados e uma magnífica voz. O registo conta com a participação de vários músicos de São Paulo, nomeadamente Mancha Leonel (bateria), Bernard Simon Barbosa (guitarra eléctrica e baixo), Pedro Falcão (cuíca e pandeiro), José Vieira (piano), Peri Pane (violoncelo) e Matheus Zingano (guitarra acústica). Chris Carlone, um músico norte americano com quem Rita tem vindo a colaborar desde 2008 também surge nos créditos deste Gringo In São Paulo, misturado e masterizado já do lado de cá do atlântico, em plena invicta, com a ajuda de Marc Behrens, tendo a capa da edição em vinil sido concebida também por Marc Behrens e a própria Rita Braga, uma edição física de sete polegadas que conta com os temas Gringo in São Paulo e Erosão, acompanhado de um download card com os cinco temas que integram o EP.

Apesar da importância do instrumento musical ukelele na vida e na carreira de Rita Braga, que já conta no seu curriculum com digressões extensas nos Balcãs e atuações na Itália, Polónia, Bélgica e Suécia, além de gravações com músicos espanhóis e portugueses e agora brasilseiros e influências declaradas de nomes tão fundamentais como Tom Zé, Carmen Miranda, Bob Dylan, Sílvio Caldas ou Black Sabbath, a música de Rita Braga é como um caleidoscópio de músicas do mundo, onde, no caso concreto deste EP, aquela insinuante habitual pitada tropicália, funciona como uma espécie de cereja no topo do bolo e ajuda a plasmar uma incrível sensação de ligação entre as canções, mesmo que uma audição isolada do alinhamento pareça mostrar mais pontos de desencontro do que convergentes entre as várias composições.

Na verdade, ao longo do alinhamento de Gringo In São Paulo assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e escutar estes vinte minutros é um exercício muito divertido e reconfortante, com um certo teor melancólico, é certo, onde aquela saudade tão portugesa transpira amiúde, mas, simultaneamente, um exercício otimista e alegre, num trabalho cujo conteúdo geral reside nesta feliz ambivalência.

Em pólos apenas aparentemente opostos parecem também situar-se a exuberância da riqueza instrumental e do arsenal material que sustenta as canções (Helicóptero será a excepção desta constatação) e a subtileza com que os diferentes protagonistas sonoros surgem nas músicas. Refiro-me, por exemplo, a alguns dos instrumentos de percussão, muitos num registo quase impercetível, nomeadamente a cuíca no tema homónimo, outros parecendo deliberadamente condutores e líderes das melodias, conferindo à sonoridade geral de Gringo In São Paulo uma sensação, quanto a mim, bastante experimental, apesar do forte cariz radiofónico e pop da música de Rita Braga.

O cenário melódico que transborda das canções, acaba por possuir uma simplicidade particularmente bonita, apesar da tal exuberância instrumental, com a doçura e a inocência que transpira de Helicóptero a ser, quanto a mim, o momento mais elegante e significativo de uma autora versátil, num EP que presenteia-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que faz com que se defina como uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

O registo vocal de Rita Braga é, sem dúvida, um dos seus maiores trunfos e a sua elasticidade fantástica. Além de cantar no EP em três línguas (ingrês, português de Lisboa e português de São Paulo), também leva o desempenho vocal a diferentes patamares, onde não falta até uma espécie de registo imitativo no tema homónimo, por sinal cantado em inglês, ou melhor, ingrês (gringo). Parece-me claro que a autora procura comportar-se como uma atriz quando canta as suas canções, e a mesma confirma-o na entrevista que me concedeu e que podes conferir abaixo, encarnando, com a voz, as diferentes personagens que cria, funcionando como recurso estilístico dos diferentes estados de espírito de uma mesma personagem, à medida que vão sendo relatadas diferentes histórias em que ele é protagonista, neste caso a gringa que deambula por São Paulo, havendo, assim, uma explícita vertente dramática na tua música.

Gringo In são Paulo representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único, que deve ser apreciado enquanto nos rodeamos dos melhores prazeres que esta vida tem para oferecer e conferimos um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que Rita coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma destas canções. Aqui tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por diferentes épocas, estilos e preferências musicais, em temas que dão as mãos a um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com um elevado cariz acolhedor, animado e otimista, provando que a canção portuguesa encontrou em Rita Braga mais uma compositora e letrista notável e sofisticada. Espero que aprecies a sugestão...

Antes de abordarmos especificamente o conteúdo de Gringo In são Paulo, há uma pergunta que não resisto formular. Apesar da importância do instrumento musical ukelele na tua vida e na tua carreira, com digressões extensas nos Balcãs e atuações na Itália, Polónia, Bélgica e Suécia, gravações com músicos espanhóis e portugueses e agora brasileiros e influências declaradas de nomes tão fundamentais como Tom Zé, Carmen Miranda, Bob Dylan, Sílvio Caldas ou Black Sabbath, pode-se caraterizar a música de Rita Braga como um caleidoscópio de músicas do mundo?

É possível... É óbvio que tenho pegado em muitas culturas diferentes, tanto falando em géneros e referências musicais como em países (o meu primeiro álbum, “Cherries That Went To The Police”, consiste em versões de canções de várias origens cantadas nas respectivas línguas e o meu projeto a solo tem-se baseado um pouco nessa ideia). No entanto tento mudar as coisas do seu contexto original: toco alguns temas folk mas não da forma tradicional, ou jazz, ou samba, etc. É um bocado o fenómeno de aculturação, ou mesmo “choque cultural”: conhecer as regras do jogo e depois mudá-las e adaptá-las. Este novo disco tem muita influência do Brasil porque foi lá que o fiz e desta vez são composições minhas, no entanto não tentei reproduzir um certo estilo de música brasileira, usei as referências de modo mais subjetivo e pessoal.

Quem é este gringo e o que foi ele fazer a São Paulo? Gringo In São Paulo é um EP conceptual?

É. Na verdade o gringo é uma gringa, é a minha história no Brasil. Com vários momentos. Todas as músicas foram escritas e gravadas durante a minha estadia de poucos meses lá. Tinha essa “missão” que me pus de produzir um disco em São Paulo, com músicos da cidade, e este disco é o resultado.

Ouvir Gringo In São Paulo foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Com um certo teor melancólico mas, simultaneamente, otimista e alegre, o conteúdo geral do trabalho reside nesta feliz ambivalência. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

Acho que faz sentido. Essa mistura de simultaneamente otimista e alegre com uma dose de melancolia tem muito a ver com o Brasil, e identifico-me com essa maneira de ser, de ter as emoções mais à flor da pele, apesar de não ter sido intencional passar essas sensações para quem escuta o disco.

Confesso que o que mais me agradou na audição do EP foi uma certa bipolaridade entre a riqueza instrumental e a subtileza com que os diferentes protagonistas sonoros surgiam nas músicas. Falo, por exemplo, de alguns dos instrumentos de percussão, muitos num registo quase impercetível, nomeadamente a cuíca no tema homónimo, outros parecendo deliberadamente condutores e líderes das melodias, conferindo à sonoridade geral de Gringo In São Paulo uma sensação, quanto a mim, bastante experimental, apesar do forte cariz radiofónico e pop da tua música. Consideras-te uma compositora rígida, no que concerne às opções que defines para a tua música ou, durante o processo criativo, estás aberta a ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando, nomeadamente quando as mesmas surgem da parte dos músicos convidados?

A base que compus para as músicas teve uma estrutura fixa (que revi até com o Mancha antes de ir a estúdio, número de estrofes e duração do solo, etc), e direcionei os músicos no sentido dos arranjos mas sempre com espaço em aberto, não lhes disse as notas exatas que tinham que tocar, mas um certo tipo de “feeling”. Por isso as ideias que considerei que faziam sentido foram sempre bem vindas e incluídas. Na fase de mistura e masterização em que trabalhei com o produtor alemão Marc Behrens mudámos ainda pequenas coisas, por exemplo no single recortámos sons da cuíca para imitar buzinas dos carros. Também concordo que tenho um lado experimental, apesar de a sonoridade ser pop e penso que acessível.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Na maioria das canções que escrevo a melodia é a primeira coisa a surgir e depois trabalho o acompanhamento e as letras, apesar de outras vezes começar por compor com um teclado ou menos frequentemente com o ukulele. A voz é o meu instrumento principal. Acho que o facto de ouvir muita música de vários estilos e de já ter feito tantas versões faz com que tenha um arquivo de memória musical como uma espécie de base de dados que ajuda a criar. Inspiro-me em situações, sítios e pessoas que me rodeiam, tal como me disse um escritor, “the stories are already there”, e cada canção pode ser como uma história ou um poema.

O teu registo vocal é um dos teus maiores trunfos e a tua elasticidade fantástica. Além de cantares no EP em três línguas (inglês, português de Lisboa e português de São Paulo), também levas a tua voz a diferentes patamares, onde não falta até uma espécie de registo imitativo no tema homónimo, por sinal cantado em inglês. Procuras comportar-te como uma atriz quando cantas as tuas canções, encarnando, com a voz, as diferentes personagens que crias, ou a voz serve funciona como recurso estilístico dos diferentes estados de espírito de uma mesma personagem, à medida que vão sendo relatadas diferentes histórias em que ele é protagonista, neste caso o gringo que deambula por São Paulo? Em suma, há uma explícita vertente dramática na tua música?

Sim, há. Para mim funciona como várias personagens, às vezes duas na mesma canção, mas também pode ser o caso de ser a mesma personagem em diferente estado de espírito, deixo isso em aberto. No single invoquei o sotaque inglês da Carmen Miranda e no final o Bob Dylan, ou seja às vezes até podem surgir personagens masculinos. Tal como o Fernando Pessoa e a sua Maria José. Em “Poetas do Fim do Mar”, o sotaque brasileiro que tentei reproduzir é a dos cantores da rádio dos anos 30, que se aproxima mais do nosso português, e com um “R” muito exagerado.

Adoro a doçura e a inocência que transpira de Helicóptero. A Rita tem um tema preferido em Gringo In São Paulo?

Penso que não tenho um tema preferido... nos últimos dias a “Erosão” tem estado mais presente porque terminámos o clipe há pouco tempo, foi a primeira vez que filmei aqui na zona do Porto e gostei de trabalhar com o Ricardo Leite e o Pedro Neves. Mas fora isso poderia falar de outros temas do disco.

O tema homónimo teve direito a um excelente vídeo de animação idealizado pelo artista sérvio Vuk Palibrk. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com um nome tão interessante e o conceito é da tua autoria, foi um trabalho partilhado ou o autor teve carta branca para idealizar o conteúdo?

Conheci o Vuk Palibrk e o seu trabalho gráfico na primeira viagem à Sérvia, quando fui convidada do Festival Internacional de Banda Desenhada GRRR! em 2006, com uma exposição de desenhos e concerto. Para este clipe, sabendo que a animação feita à mão é um trabalho monstruoso que pode levar anos a produzir poucos minutos, pedi para ele usar pedaços de filmes dele, e juntar alguns elementos alusivos à letra da música (prédios, multidão, carros, etc).

O que podemos esperar do futuro discográfico da Rita Braga?

Estou a preparar demos para um futuro álbum a solo que terá por base mais teclados, sintetizadores e caixas de ritmos. Também quero a certa altura gravar um disco de “Chips and Salsa”, o meu dueto com o Chris Carlone. Um mais eletrónico, o outro acústico. Ambos de temas autorais, não excluindo uma ou outra versão.


autor stipe07 às 21:27
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

James – La Petite Mort

Depois de em 2008 terem surpreendido com o retorno aos lançamentos discográficos após um anunciado fim de carreira, com Hey Ma, os James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), estão de regresso aos trabalhos de estúdio com La Petite Mort, o décimo terceiro longa duração deste coletivo britânico, natural de Manchester. La Petite Mort foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies) e escrito em Manchester, Lisboa, Atenas e nas Highlands escocesas, tendo a morte da mãe de Tim Booth, uma referência importante da sua vida, servido de mote para o conteúdo lírico e emocional de dez canções que lidam com a mortalidade, mas sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente lhe é atribuido.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e, logo em Walk Like You, escutarmos um Booth que declama com sentimento que ainda não o conhecemos verdadeiramente e que tem muito maisdentro de si para nos revelar. Percebe--se logo o cariz autobiográfico do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização de uma perca certamente traumática, mas que deve ser vivida, sustentada, acima de tudo, pelas boas memórias e recordações que o músico guarda dentro de si da mãe.

Nome maior da pop independente dos últimos 30 anos e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop e seguem ainda firmes no seu caminho, iniciado quando na primeira metade da década de oitenta foram apontados como os candidatos maiores a dar sequência à herança inolvidável dos The Smiths.

Em La Petite Mort é procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Este encaixe de novas tendências proorcionado por Max fica plasmado logo na já referida Walk Like You, uma canção onde os efeitos e os pianos ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Depois, Curse Curse está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a percurssão a conduzirem a canção. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de Moving OnGone Baby Gone exala U2 por todos os poros sonoros e Frozen Britain tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas.

Uma das sequências mais interessantes de La Petite Mort é constituida pela balada Bitter Virtue, uma canção introspetiva e melancólica onde a voz de Booth assenta na perfeição, à qual se segue All In My Mind, o clássico tema orquestral conduzido pelo piano, com alguns detalhes das cordas e do trompete a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. A sequência termina com o mesmo piano, mas agora a tocar numa espécie de looping crescente, em Quicken The Dead, uma canção que é depois adornada por lindíssimos coros, pela mesma secção de sopro e por cordas implícitas mas deslumbrantes.

La Petite Mort chega ao ocaso com a sentida e confessional All I'm Saying e com a herança dos The Smiths vincada em Whistleblowers e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - La Petite Mort

01. Walk Like You
02. Curse Curse
03. Moving On
04. Gone Baby Gone
05. Frozen Britain
06. Interrogation
07. Bitter Virtue
08. All In My Mind
09. Quicken The Dead
10. All I’m Saying


autor stipe07 às 21:21
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Throes + The Shine - Mambos de Outros Tipos

Os Throes + The Shine são uma espécie de fusão de coletivos do Porto formado por André do Poster (voz) e Diron (voz), os dois angolanos que formam os The Shine e Igor Domingues (bateria e percurssão), João Brandão (baixo e produção) e Marco Castro (guitarra e sintetizadores), o trio Throes. Lançaram no passado dia vinte e oito de abril, através da Lovers & Lollypops e disponível no bandcamp da banda, Mambos de Outros Tipos, o segundo disco do grupo e mais um casamento entre o rock despreocupado e o kuduro angolano capaz de fazer mexer ancas e multidões, no fundo, uma espécie de rockuduro, cheio de ritmo, plasmado em nove canções que misturam, de forma luminosa, vibrante e psicadélica, um cocktail explosivo com uma sonoridade urbana, cheio de instrumentos orgânicos e sintetizados.

Mambos de Outros Tipos é um excelente disco para esta altura do ano, com o início, feito com Tuyeto Mukina e Mambo (Estás a dançar, estás a curtir o mambo de outros tipos), a dar logo o mote para cerca de quarenta e cinco minutos onde o cheiro a África e a terra quente subsiste e o jogo de palavras e de batidas e de sons que se estabelece entre os The Shine e os Throes, respetivamente, vai-se expandindo à medida que esta dialética permanente entre o rock cheio de riffs e distorção e o groove ritmado das batidas dá vida a atmosferas envolventes e sensuais, que nos obrigam a abanar o corpo com ânimo e alegria.

Este cocktail é ponderado e, de acordo com a entrevista que a banda me concedeu e que podes conferir abaixo, resulta de ensaios e trocas de riffs, batidas e linhas vocais maioritariamente entre os quatro membros originais deste projecto, havendo uma abertura de mentes e um entendimento muito grande entre todos.

Como seria de esperar, apesar do equilibrio natural entre as duas grandes componentes do projeto, há canções em que sobressai mais o poder da bateria e das percurssões dos Throes, como em Dombolo e outros em que o sabor a África domina, como em Wazekele,talvez os dois exemplos onde é mais acessível fazer esta distinção.

Mambos de Outros Tipos é um passo em frente relativamente ao que os Throes + The Shine produziram em Rockuduro, o trabalho de estreia, um disco que envolve-nos num festim luso africano bastante original, mágico, especial, e único, por ser simultaneamente excêntrico e inédito. Espero que aprecies a sugestão...

Os Throes + The Shine são uma multinacional composta por dois angolanos, Diron e André do Poster, os The Shine, que conferem ao projeto o lado mais africano e irrequieto e por Marco Castro, Igor Domingues e João Brandão, os Throes, responsáveis pela sonoridade rock. Como é que funciona a química dentro do grupo? E a dinâmica do processo de criação?

O processo criativo tem sido muito semelhante desde os primórdios da banda. A composição tem sido sempre assente em ensaios e trocas de riffs, batidas e linhas vocais maioritariamente entre os quatro membros originais deste projecto. Há uma abertura de mentes e um entendimento muito grande entre todos nós.

 

Vocês estrearam-se há dois anos com Rockuduro, um trabalho muito bem recebido pela imprensa e pelo público em geral e agora regressam com Mambos de Outros Tipos. Em relação aos dois trabalhos, é mais aquilo que os une ou aquilo que os separa?

São dois trabalhos distintos entre si, mas que acreditamos fazerem todo o sentido em conjunto. Este novo disco é um passo evolutivo em relação à sonoridade que começamos a explorar em 2012 e acreditamos que ainda temos muito para experimentar e abordar em lançamentos futuros.

 

Os Throes + The Shine já têm uma rodagem internacional interessante, com participação ativa no alinhamento de vários festivais de nomeada, com particular destaque para Roskilde, na Dinamarca, Electron Festival, na Suíça e o World Music Festival, na Noruega. Como têm sido recebidos por essas multidões?

Tem sido excepcional. Ainda não houve nenhum concerto dentro desses moldes onde nos tenhamos sentido mal amados ou que não estamos a divertir as pessoas. E no geral, toda a experiência de conseguirmos levar a nossa música além portas, retirar dividendos de algo que nos dá trabalho e sentir que as pessoas vão apreciando o que fazemos em diferentes pontos do globo é algo de extraordinário.

 

Vocês estão a destacar-se imenso pela vossa performance ao vivo, pela energia que colocam nos concertos e pelo ambiente de festa que procuram sempre criar. Numa época em que, infelizmente, a venda de discos, mesmo através de edições digitais, está em forte declínio, as apresentações ao vivo são a vossa grande aposta, em termos profissionais, ou no ADN de cada um e da banda já há, à partida, este gosto e esta vontade de serem felizes e viverem em festa em cima do palco e de contagiarem quem assiste aos vossos espetáculos?

Todos nós gostamos verdadeiramente do que estamos a fazer com este projeto e isso acaba por se refletir na nossa forma de estar em palco. Se sorrimos, saltamos e dançamos é porque nos estamos a divertir genuinamente com o que estamos a fazer. Se sentirmos que as pessoas estão a partilhar esse sentimento connosco, só torna tudo ainda melhor e cada vez mais efusivo da nossa parte. Há toda uma relação de simbiose com as pessoas que assistem aos nossos concertos, sem duvida nenhuma.

 

A verdade é que algumas das vossas primeiras canções conseguiram maior projeção lá fora e só agora, com este disco, é que parece haver um maior reconhecimento do no nosso mercado. Portugal é importante para o futuro da vossa carreira? Onde vos agrada serem mais reconhecidos devido à vossa música?

É sempre importante sermos bem amados no nosso país de origem, uma vez que é aí que constróis uma base e que tudo parte. No entanto, no panorama mais real das coisas, se almejarmos ter um projeto que permita uma vida confortável, é necessário sair para lá de Portugal. E é algo que temos andado a tentar fazer nos últimos dois anos.

 

Em relação à vossa música, sou um grande apreciador do vosso estilo, desta mistura luminosa vibrante e psicadélica, um cocktail explosivo com uma sonoridade urbana, cheio de instrumentos orgânicos e sintetizados. É este o género de música que mais apreciam?

Todos nós temos gostos muito distintos e acaba por ser isso que cria essa mistura que falas. A capacidade que temos de deixar que os diferentes membros da banda insiram os seus cunhos pessoais em várias músicas  permite que surja um resultado final que todos gostam, mesmo que não seja o que cada um imaginou inicialmente.

 

Os vossos dois discos foram editados sob a alçada da recomendável Lovers & Lollypops. Que importância tem para vocês fazer parte dessa família?

Tem sido uma boa experiência e um alicerce importante no crescimento da banda e na conjunção de várias etapas no nascimento deste projeto. São um selo que nutre um amor pelo que faz e é algo que sempre nos agradou, pelo menos até aos dias de hoje.

 

Quais são as vossas expectativas para este álbum? Querem que Mambos de Outros Tipos vos leve até onde?

Estamos contentes com a resposta que tem sido dada na imprensa, quer em Portugal, quer na Europa. 2014 vai ser passado em concertos por Portugal e pelo centro da Europa. Gostaríamos de saltar para outros continentes no decorrer de 2015, mas claro que é um pequeno “monstro” que é preciso domar. Mas talvez, quem sabe.

 

Adorei o artwork do disco. De quem é a autoria?

O artwork foi feito pela Cãoceito. Eles tem trabalhos muito bons, vale a pena ver.

 

Adorei o tema Triba Triba; E a banda, tem um tema preferido em Mambos de Outros Tipos?

Nem por isso, cada um de nós tem um tema que aprecia mais, o que é perfeitamente normal. Mas no final das contas, todos nós gostamos do alinhamento final do Mambos de Outros Tipos. Alguns temas ficaram pelo caminho por não serem consensuais com todos os membros da banda.

 

O que vos move é apenas este cruzamento entre o rock e o kuduro ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Throes + The Shine?

Não é apenas este cruzamento de sonoridades que nos move, mas claro que será sempre um ponto importante no nosso cunho. Futuramente iremos continuar a tentar explorar algumas coisas diferentes a nível melódico, como já fizemos neste segundo disco, e a nível rítmico também é algo que já estamos a começar a fazer em novas composições (já pós-Mambos de Outros Tipos).

 

Como tem decorrido a promoção do disco? Onde poderemos ver os Throes + The Shine a tocar num futuro próximo?

A promoção do disco tem corrido bem, já tivemos diversos concertos por Portugal, França e Suiça este ano. Futuramente poderão apanhar-nos em Julho nas Festas Sebastianas, no Quintanilha Rock e no Festival Meda +. Em Agosto iremos andar pela Bélgica e por terras lusas e em Setembro e Outubro voltaremos a andar por terras gaulesas. É uma questão de irem dando uma vista de olhos pelas nossas páginas do facebook\twitter\bandcamp.


autor stipe07 às 14:03
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