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STRFKR – Parallel Realms

Terça-feira, 05.03.24

Já chegou aos escaparates Parallel Realms, o espetacular novo registo de originais dos STRFKR, mestres a transmitir boas vibrações e com uma inclinação para a beleza sonora que é, quanto a mim, inquestionável. O disco contém dezassete composições e em pouco menos de uma hora oferece-nos um faustoso banquete de contemporaneidade sonora charmosa, vibrante e luminosa, com a chancela da Polyvinyl Records.

STRFKR announce their forthcoming album, Parallel Realms | The Line of Best  Fit

Parallel Realms sucede ao excelente disco Future Past Life, que a banda de Josh Hodges lançou em dois mil e vinte e um e comprova a guinada que o projeto tem dado, na última meia década, rumo a um perfil criativo que, sem renegar as guitarras e o baixo, coloca os teclados e os sintetizadores em plano de destaque, procurando, com astúcia e bom gosto, animar e encher de êxtase as pistas de dança. Isso fica comprovado, desde logo, no tema de abertura, Always / Never, canção em que uma guitarra com um timbre setentista ímpar introduz-nos num cosmos de groove e de psicadelia efusiantes, em quase quatro minutos em que luz, cor e plumas se entrelaçam continuamente, enquanto o orgânico e o sintético trocam entre si, quase sem se dar por isso, o protagonismo intepretativo e instrumental, numa composição plena de cosmicidade e lisergia e em que rock e eletrónica conjuram entre si com elevada mestria e bom gosto.

Esta descrição minuciosa da canção que abre o disco, podia servir de resumo para a trama conceptual de todo o álbum. De facto, Parallel Realms é um disco animado, em que instantes como Armatron, uma composição sedutora, que começa por assentar numa batida com um groove delicioso, que vai sendo trespassada por diversos efeitos cósmicos e flashantes e um teclado insinuante e Under Water / In Air, tema melodicamente irrepreensível, afagado por uma guitarra com um timbre metálico aconchegante, um registo percurssivo vincado e diversas sintetizações enleantes, num resultado final festivo e tremendamente radiofónico e com uma ímpar luminosidade, assim como a bateria inebriante e o efeito metálico contundente da guitarra qe ciranda por Running Around, a serem exemplos de canções que se espraiam alegremente nos nossos ouvidos, sem pedir licença, algo que se saúda.

No entanto, Parallel Realms também proporciona instantes sonoros contemplativos, que escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. A cosmicidade planante de Holding On, o groove robótico minimal de Chizzlers e a pueril cândura de Carnival são belos exemplos deste modus operandi mais ambiental e que acentua um perfil também algo nostálgico de um disco que não deixa de encontrar fortes reminiscência naquela eletrónica que nomes como os Phoenix, Hot Chip ou Passion Pit começaram a cimentar no início deste século.

Parallel Realms está cheio de temas notáveis e extremamente belos, impregnados, como é habitual nos STRFKR, com letras de forte cariz introspetivo e de fácil identificação com as nossas agruras e recompensas diárias. No seu todo, o disco acaba por saber a uma espécie de devaneio psicadélico, que não deixa de mostrar uma acentuda vibe setentista, em que, como já foi referido, diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por sintetizadores repletos de efeitos cósmicos, se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico do alinhamento no seu todo. Parallel Realms eleva os STRFKR a um patamar ímpar de qualidade, mas também de percepção de uma visão sagaz não só daquilo que tem sido a suprema herança da pop das últimas quatro décadas, mas também daquilo que poderá ser o futuro próximo da melhor indie rock. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:38

STRFKR – Under Water / In Air

Segunda-feira, 05.02.24

E já vão em quatro o número de amostras já reveladas de Parallel Realms, o novo registo de originais dos STRFKR, mestres a transmitir boas vibrações e com uma inclinação para a beleza sonora que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a capacidade desta banda de Portland de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas que também proporcionam instantes sonoros contemplativos, que escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

STRFKR release new single, "Under Water / In Air" | The Line of Best Fit

Assim, depois dos singles Always / NeverArmatron e, já em dois mil e vinte quatro, Together Forever, agora chega a vez de escutarmos Under Water / In Air, uma canção com um interessantíssimo travo oitocentista. Melodicamente irrepreensível e com uma ímpar luminosidade, Under Water / In Air espraia-se nos nossos ouvidos, que são afagados por uma guitarra com um timbre metálico aconchegante, um registo percurssivo insinuante e diversas sintetizações enleantes, num resultado final festivo e tremendamente radiofónico. Parallel Realms chega aos escaparates a um de março com a chancela da Polyvinyl Recods e sucede ao excelente disco Future Past Life, que a banda de Josh Hodges lançou em dois mil e vinte e um. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:35

STRFKR – Together Forever

Segunda-feira, 15.01.24

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos, que escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Três anos depois do extraordinário álbum Future Past Life, os STRFKR estão de regresso com uma nova digressão mundial, que foi assinalada no passado mês de outubro, como certamente se recordam, com a divulgação de um single intitulado Always / Never. Depois, quase no ocaso do ano passado, os STRFK voltaram à carga com Armatron, um single que a banda tinha no baú, em formato demo, desde a pandemia.

Agora, no arranque de dois mil e vinte e quatro, o quarteto volta à carga com o single Together Forever, que confirma, finalmente, o anúncio de um novo disco dos STRFKR, um trabalho intitulado Parallel Realms, que irá ver a luz do dia no início do próximo mês de março. Together Forever confirma a já esperada inflexão deste projeto para uma sonoridade mais pop, acentuando um cariz nostálgico que encontra fortes reminiscência naquela eletrónica que nomes como os Phoenix, Hot Chip ou Passion Pit começaram a cimentar no início deste século.

De facto, em Together Foreverrock e eletrónica conjuram entre si, criando um tema charmoso, dançante, luminoso e festivo, assente numa melodia de forte cariz radiofónico, que vai sendo trespassada por diversos efeitos cósmicos e flashantes e um teclado insinuante, num resultado final em que o orgânico e o sintético trocam entre si, quase sem se dar por isso, o protagonismo interpretativo e instrumental, com elevada mestria e bom gosto. Confere Together Forever e o artwork e a tracklist de Parallel Realms...

01 Always / Never
02 Holding On
03 Interspace 2
04 Feelings
05 Together Forever
06 Under Water / In Air
07 Armatron
08 Interspace 3
09 Chizzlers
10 interspace 4
11 Running Around
12 Carnival
13 Lot Of Nice Things
14 Interspace 5
15 Waited For It
16 Something To Prove
17 Leaving

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publicado por stipe07 às 16:47

STRFKR – Armatron

Segunda-feira, 04.12.23

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos, que escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Três anos depois do extraordinário álbum Future Past Life, os STRFKR estão de regresso com uma nova digressão mundial, que foi assinalada no passado mês de outubro, como certamente se recordam, com a divulgação de um single intitulado Always / Never. Agora, quase no ocaso do ano, os STRFK voltam à carga com Armatron, um single que a banda tinha no baú, em formato demo, desde a pandemia.

Armatron é uma composição sedutora, que começa por assentar numa batida com um groove delicioso, que vai sendo trespassada por diversos efeitos cósmicos e flashantes e um teclado insinuante, num resultado final dançante e em que luz, cor e plumas se entrelaçam continuamente, enquanto o orgânico e o sintético trocam entre si, quase sem se dar por isso, o protagonismo interpretativo e instrumental, numa canção plena de cosmicidade e lisergia e em que rock e eletrónica conjuram entre si com elevada mestria e bom gosto.

Depois de Always / Never, Armatron encarna, sem dúvida, um regresso muito aguardado de um projeto que nos bem habituando na última década a um patamar ímpar de qualidade e visão, não só da suprema herança da pop das últimas quatro décadas, mas também daquilo que poderá ser o futuro próximo da melhor indie rock. Oxalá estes dois singles que viram a luz do dia nestas últimas semanas, sejam o pré anúncio de um novo disco dos STRFKR para muito em breve. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:52

STRFKR – Always / Never

Quarta-feira, 25.10.23

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos, que escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

STRFKR – Ambient 1 - man on the moon

Três anos depois do extraordinário álbum Future Past Life, os STRFKR estão de regresso com uma nova digressão mundial, assinalada com a divulgação de um single intitulado Always / Never. Uma guitarra com um timbre setentista ímpar introduz-nos num cosmos de groove e psicadelia efusiantes, em quase quatro minutos tremendamente dançantes e em que luz, cor e plumas se entrelaçam continuamente, enquanto o orgânico e o sintético trocam entre si, quase sem se dar por isso, o protagonismo intepretativo e instrumental, numa canção plena de cosmicidade e lisergia e em que rock e eletrónica conjuram entre si com elevada mestria e bom gosto.

Always / Never encarna, sem dúvida, um regresso muito aguardado de um projeto que nos bem habituando na última década a um patamar ímpar de qualidade e visão, não só da suprema herança da pop das últimas quatro décadas, mas também daquilo que poderá ser o futuro próximo da melhor indie rock. Oxalá este single seja o pré anúncio de um novo disco dos STRFKR para muito em breve. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:46

Portugal. The Man – Plastic Island

Domingo, 11.06.23

Conforme temos dado conta nas semanas mais recentes, Chris Black Changed My Life é o fantástico título do novo disco dos norte americanos Portugal. The Man, de John Baldwin Gourley, um trabalho que irá chegar aos escaparates a vinte e três de junho com a chancela da Atlantic Records e que terá nos créditos da produção Jeff Bhasker, colaborador de longa data de nomes como Beyoncé, Harry Styles e SZA.

Música #27: Portugal. The Man

Chris Back Changed My Life será o nono disco da carreira desta banda natural de Portland, no Oregon. É dedicado a Chris Black, antigo membro do grupo que faleceu há quase quatro anos e teve já alguns singles revelados, como Dummy ou What, Me Worry?, e Summer Of Lov, que nos foram mostrando que este novo álbum dos Portugal. The Man será um excelente tratado de pop psicadélica, ágil e rápida.

Se os temas acima referidos ampliavam essa certeza na riqueza dos detalhes e das texturas, além de conterem um forte apelo às pistas de dança e uma atmosfera eminentemente pop, Plastic Island, o último single revelado de Chris Back Changed My Life, oferece-nos um registo interpretativo eminentemente intimista e até lo fi, mas sem descurar a têmpora algo lisérgica que tem definido as propostas qus os Portugal. The Man têm apresentado para este seu novo álbum. E Plastic Island fá-lo quer no modo escorreito como a bateria sustenta a composição, mas principalmente pelo modo como o timbre metálico das cordas vai preparando terreno para diversos loops e distorções que, quase no seu ocaso, vão dar à canção uma curiosa sensação nostálgica, ao mesmo tenpo que ajuda Chris Back Changed My Life a atingir a tal estética bastante abrangente e que se adivinha. Confere...

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publicado por stipe07 às 19:48

Soft Kill – Metta World Peace

Quarta-feira, 07.06.23

Depois de terem surpreendido a crítica em outubro do ano passado com o registo Canary Yellow, o projeto Soft Kill está de regresso aos discos com o seu sétimo alinhamento de originais, um espetacular alinhamento de nove canções intitulado Metta World Peace. Este novo trabalho dos Soft kill foi gravado por Tobias Grave, o grande mentor do projeto, em Portland, a sua terra natal e em Chicago, mas também em outros locais durante uma travessia do país que o músico levou a cabo no início deste ano.

An Interview with Tobias Grave of Soft Kill — Rock In:flux

Com as participações especiais de nomes como Evil Pimp, N8NOFACE, Andres Chavez e Adam Klopp, Metta World Peace tem a sua génese no hip-hop, o território sonoro de excelência para Tobias Grave, mas é um disco de portas e janelas escancaradas para universos tão díspares como o jazz, a eletrónica ambiental, o rock alternativo, o rock progressivo e o post punk. O experimentalismo livre de constrangimentos esteve na génese do seu conteúdo e não existiram entraves no momento de criar e de selecionar o arsenal instrumental, essencialmente de origens sintéticas, materializando um modo muito peculiar e sui generis e até quase marginal de criar música e de a expôr ao grande público, com Tobias Grave a plasmar até uma interessante dose de sarcasmo e de fina ironia, em canções como Past Life II ou Molly.

Depois de um inquietante e cósmico piano sustentar diversos devaneios sintéticos na introdutória Rat Poison, o rock toma conta do disco no clima glam de Trouble e, principalmente, de Molly. Depois, o tratado de soft rock Past Life II mantém-nos numa bastante impressiva máquina do tempo, da qual não saímos, pelo meio, ao som da espetacular ode ao melhor catálogo dos Cure que é possível conferir em Behind The RainParanoid, canção em que o rapper Evil Pimp mostra todas as suas credenciais como exímio trovador contemporâneo de uma certa urbanidade marginal e corrosiva, inflete Metta World Peace numa guinada inesperada, mas corajosa, colocando o ouvinte na rota de territórios mais intrincados, ao som de uma lisergia cósmica repleta de têmpora e invulgarmente pop que, nos teclados e no baixo vigoroso de Veil Of Pain acaba por mover-se nas areias movediças de uma psicadelia lisérgica particularmente narcótica.

Ao sétimo álbum, o projeto Soft Kill amplia e renova com indiscutível contemporaneidade o já rico catálogo destes verdadeiros mestres do punk rock experimental que, curiosamente e como já foi acima referido, sempre tiveram no hip-hop a grande matriz. De facto, Metta World Peace impressiona pelo modo como é banhado por uma psicadelia ampla e elaborada, sem descurar um lado íntimo e resguardado que dá a todo um disco um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo. Esta forma de aproximação ao ouvinte, instigando-o ou afagando-o, também se define pelo modo como a vasta miríade de efeitos, sons, ruídos e cosmicidades são plantadas ao longo das nove canções, sem se tornarem sinónimo de amálgama ou ruído intencional. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:15

Portugal. The Man – Summer Of Luv

Quarta-feira, 31.05.23

Conforme já demos conta por cá há algumas semanas atrás, Chris Black Changed My Life é o fantástico título do novo disco dos norte americanos Portugal. The Man, de John Baldwin Gourley, um trabalho que irá chegar aos escaparates a vinte e três de junho com a chancela da Atlantic Records e que terá nos créditos da produção Jeff Bhasker, colaborador de longa data de nomes como Beyoncé, Harry Styles e SZA.

Portugal the Man shares 'Summer of Luv' - The Music Universe

Chris Back Changed My Life será o nono disco da carreira desta banda natural de Portland, no Oregon. É dedicado a Chris Black, antigo membro do grupo que faleceu há quase quatro anos e teve já alguns singles revelados, como Dummy ou What, Me Worry?, que nos foram mostrando que este novo álbum dos Portugal. The Man será um excelente tratado de pop psicadélica, ágil e rápida. Summer Of Lov, composição que conta nos créditos com a participação especial dos neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, amplia essa certeza, já que se trata de uma canção agradável, rica em detalhes e texturas, com um forte apelo às pistas de dança e com uma atmosfera eminentemente pop que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contém a impressão firme da sonoridade típica das duas bandas, uma simbiose feliz e bem sucedida que vai catapultar Chris Back Changed My Life para uma estética bastante abrangente. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:55

Y La Bamba – Lucha

Segunda-feira, 08.05.23

Quase meia década após o excelente Mujeres, e quatro anos do EP Entre Los Dos, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Lucha, um novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland, masterizado e produzido por Coco Hernán Godas e Ryan Neil Oxford e que chegou aos escaparates por estes dias através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

Y La Bamba Opens Up About Breaking Curses on “Lucha” – Rolling Stone

Elena Mendoza é uma ativista e uma poetisa ímpar, e obteve desde muito nova essas duas caraterísticas pessoais naturalmente, como não podia deixar de ser tendo em conta a sua ascendência e o país onde reside, mas também por ser alguém que se intitula como uma transmissora dos ecos que recebe dos espíritos dos seus ancestrais. Tomando esse ponto de partida filosófico e pessoal como fundamental no seu processo criativo, os movimentos migratórios da América Central para norte, em direção ao chamado El Dorado e o modo como essas comunidades se tentam inserir e viver no seio de uma suposta multiculturalidade que é cada vez mais conservadora e menos acolhedora, acaba por ser a grande inspiração para a sua música. Nela, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados, de modo particularmente etéreo e contemplativo, com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde reside, a autora reflete as lutas, as angústias, os anseios e as pequenas vitórias de uma comunidade que lucha diariamente para viver um sonho que, na verdade, acaba por se tornar, geralmente, um prolongar agonizante de um pesadelo que começou, logo à nascença, no país natal.

Assim, ao sétimo disco, Elena expôe-se uma vez mais, enquanto explora toda uma multiplicidade cultural e o modo como a mesma choca com a batalha diária que os gringos travam para serem aceites, ao mesmo tempo que uma pandemia reforça os sentimentos de isolamento e de rejeição. E, de facto, a sonoridade das onze composições do disco têm esse perfil etéreo, introvertido e intimista, que se opôe aquela alegria e vivacidade que carateriza a música tradicional mexicana e dos restantes países da América Central.

Logo a abrir o registo, em Eight, as cordas tensas, o piano enferrujado e a voz complacente de Elena, que clama por libertação (quiero vivir e gozar) induzem-nos nesta atmosfera muito peculiar e de algum modo sofrida. Depois, Dibujos De Mi Alma amplifica este olhar crítico e até algo impressionista e cínico que a autora faz sobre si própria, no modo como se deixa aprisionar por um amor que não é particularmente saudável, uma fórmula que, de certo modo, se repete em Hues, tema que conta com a participação especial de Devendra Banhart, um autor e compositor de ascendência venezuelana e natural de Houston, que ajuda Elena a criar um verdadeiro retrato musical vivo de tudo aquilo que esta artista única guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que ganha impressionante clareza devido ao sedutor jogo vocal que se estabelece entre os dois protagonistas, nuance que amplia ainda mais o perfil luminoso e charmoso de uma canção lindíssima. Collapse oferece-nos um clima um pouco mais sintético e caliente, mas mantém a aposta num registo poeticamente intenso, com a cover tremendamente orgânica e vintage do clássico de Hank Williams, I’m So Lonesome I Could Cry, a ter neste disco o papel central de exorcização de algumas memórias da infância que ainda dilaceram a autora, um tema também é muito querido na discografia de Y La Bamba.

Mais um intrigante exemplo sonoro de mescla de diversas culturas, num pacote seguro e familiar, Lucha oferece a Luz outra oportunidade de vincar, uma vez mais, a sua naturalidade, personalidade e as influências americanas que carrega, mas sempre com um toque da personalidade mexicana. Nestas suas novas canções ela continua a contornar todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isenta de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e fazê-lo com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si própria. De facto, esta vontade de conjugar o melhor da sonoridade de realidades tão díspares, a folk e a música tradicional e, ao mesmo tempo, criticar a raíz das mesmas, não é inédita, mas a forma inspirada como o demonstra, fazem dela e dos Y La Bamba uma referência atual, não só na pop, como na world music atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:09

Y La Bamba – Hues (feat. Devendra Banhart)

Quinta-feira, 27.04.23

Quase meia década após o excelente Mujeres, e quatro anos do EP Entre Los Dos, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Lucha, um novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland, que irá chegar aos escaparates por estes dias através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

Lucha será o sétimo disco dos Y La Bamba e do seu alinhamento já foram divulgadas várias canções. A mais recente é Hues, tema que conta com a participação especial de Devendra Banhart, um dos artistas mais queridos da nossa redação. Com a preciosa ajuda deste autor e compositor de ascendência venezuelana e natural de Houston, Luz oferece-nos, em pouco mais de quatro minutos, outro retrato musical vivo de tudo aquilo que esta artista única guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que é feita, sonoramente, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados, de modo particularmente etéreo e contemplativo, com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde ela reside, uma sonoridade onde Banhart se sente, como se percebe em Hues, tremendamente confortável. Aliás, o sedutor jogo vocal que se estabelece entre os dois protagonistas amplia ainda mais o perfil luminoso e charmoso de uma canção lindíssima. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:04






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