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STRFKR – Future Past Life

Sexta-feira, 10.04.20

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

STRFKR - Terrorbird

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de mais um disco, um alinhamento de dez canções intitulado, Future Past Life, o sucessor do fabuloso registo Being No One, Going Nowhere de dois mil e dezasseis e que foi sendo antecipado com uma série de singles nas últimas semanas.

Future Past Life mostra-nos os STRFKR a fazerem aquilo que sabem melhor, canções com elevada cosmicidade e lisergia e em que rock e eletrónica conjuram entre si com elevada mestria e bom gosto. Logo a abrir o registo, o esplendor solarengo e nostálgico de Dear Stranger dá-nos, no imediato, no efeito do sintetizador que plana pela melodia, na batida inebriante e nas guitarras repletas de fuzz, a possibilidade de obtermos um olhar bastante impressivo e esclarecedor acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só pouco mais do que esparsos devaneios experimentais, mas muito bem sucedidos, como Palm Reader e Better Together, belíssimos exercícios de acusticidade lisérgica, até algumas composições em que o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica se transformam em instantes de pura levitação, como é o caso da retro Second Hand, o que não falta neste alinhamento são temas notáveis e extremamente belos, impregnados, como é habitual nos STRFKR, com letras de forte cariz introspetivo, num resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, com os filmes de ficção e o espaço a aparecerem, mais uma vez, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo.

Além dos temas acima referidos, há ainda que fazer menção de outros instantes do álbum que abrilhantam ainda mais o seu conteúdo e nos fazem querer que este é, sem dúvida, o grande disco de dois mil e vinte até ao momento. Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas e que fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da mãe de Hodges, Deep Dream, tema que resultou de um espetacular brainstorming entre Hodges e dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção e Budapest, majestosa e vibrante composição, assente num efeito metálico da guitarra delicioso e que conta com a participação especial vocal dos também norte- americanos Shy Boys, dos irmãos Collin Rausch e Kyle Rausch, um coletivo de Kansas City, no Missouri, que deu um travo mais angelical e solarengo ao típico charme lo fi radiante dos STRFKR, são três bons exemplos do formidável modus operandi deste projeto, elevado em Future Past Life a um patamar ímpar de qualidade e visão, não só da suprema herança da pop das últimas quatro décadas, mas também daquilo que poderá ser o futuro próximo da melhor indie rock. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Future Past Life

01. Dear Stranger
02. Never The Same
03. Deep Dream
04. Second Hand
05. Better Together
06. Budapest (Feat. Shy Boys)
07. Palm Reader
08. Sea Foam
09. Pink Noise
10. Cold Comfort

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publicado por stipe07 às 22:54

STRFKR – Budapest (Feat. Shy Boys)

Sábado, 28.03.20

STRFKR - Budapest (Feat. Shy Boys)

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de mais uma nova canção, a terceira em qusse um mês, intitulada Budapest, mais um sinal de vida do grupo depois do fabuloso registo Being No One, Going Nowhere (2016). Recordo que no início do mês os STRFKR já nos tinham oferecido Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe e depois veio Deep Dream, canção que resultou de um espetacular brainstorming entre Hodges e dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção. Agora chega a vez de nos deliciarmos com Budapest, majestosa e vibrante composição, assente num efeito metálico da guitarra delicioso e que conta com a participação especial vocal dos também norte- americanos Shy Boys, dos irmãos Collin Rausch e Kyle Rausch, um coletivo de Kansas City, no Missouri, que deu um travo mais angelical e solarengo ao típico charme lo fi radiante dos STRFKR.

Este novo tema dos STRFKR não traz, à imagem dos dois anteriores, a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já começa a ser fácil perceber que essa será, claramente, uma realidade incontornável e que se tal suceder os STRFKR figurarão incontestavelmente nos lugares cimeiros das listas dos melhores discos deste ano. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:45

STRFKR – Deep Dream

Segunda-feira, 16.03.20

STRFKR - Deep Dream

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Deep Dream, o segundo sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016), já que há alguns dias atrás também nos tinham oferecido Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe.

Para descrever Deep Dream convém antes contextualizar devidamente a origem deste novo tema dos STRFKR. Em dois mil e catorze Josh Hodges passou uma temporada do lado de cá do atlântico, em Amsterdão, nos Países Baixos, a incubar o grosso do conteúdo de Being No One, Going Nowhere. Depois do regresso, já em Los Angeles e por mero acaso, Hodges entra em contacto, através de um amigo em comum, com dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, criando-se logo uma enorme empatia entre o trio, que resultou num punhado de três canções no primeiro encontro entre todos.

Deep Dream é uma dessas composições criadas entre Hodges e os dois amigos holandeses, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção. Este novo tema dos STRFKR não traz, à imagem do anterior, a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é mais um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:39

STRFKR – Never The Same

Segunda-feira, 02.03.20

STRFKR - Never The Same

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Never the Same, o primeiro sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016).

Esta nova canção dos STRFKR não traz a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo, conseguindo, aqui, esse efeito, à boleia de uma batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:08

Modest Mouse – Ice Cream Party

Terça-feira, 19.11.19

Modest Mouse - Ice Cream Party

Oriundos de Issaquah, nos arredores de Washington e já com mais de duas décadas de carreira, os Modest Mouse acabam de divulgar um novo tema intitulado Ice Cream Party, depois de em abril último, na edição deste ano do Record Store Day, terem editado um vinil de sete polegadas com dois novos temas, Poison The Well e I'm Still Here.

O lançamento deste terceiro single da banda formada há quase três décadas pelo guitarrista Isaac Brock, o baterista Jeremiah Green e o baixista Eric Judy e atualmente em digressão com os Black Keys, foi antecipado há alguns dias pela divulgação de um gelado com o nome Modest Mouse, que pode ser provado na gelataria Ruby Jewel, em Portland. Quanto ao conteúdo sonoro de Ice Cream Party, trata-se de uma composição que navega à boleia de um garage rock algo épico e vibrante, feito de uma estreita ligação entre arranjos sintetizados e guitarras carregadas de fuzz, uma alegoria pop e uma opção estilística que salvaguarda alguns dos melhores detalhes da herança sonora do grupo. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:11

Y La Bamba – Entre Los Dos EP

Terça-feira, 24.09.19

Quase um ano após o excelente Mujeres, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Entre Los Dos, o novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland. Entre Los Dos é um EP com sete espetaculares canções e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

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Depois do excelente Ojos Del Sol, lançado há cerca de três anos, a crítica começou finalmente a ficar bastante atenta a este projeto Y La Bamba, único no modo como mescla post punk com música latina, eletrónica e alguns dos arquétipos fundamentais da indie de cariz mais lo fiMujeres, um registo gravado pela própria Luz Elena Mendoza, com a ajuda de Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e nos Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, ampliou ainda mais a elevada bitola qualitativa de uma proposta sonora única no cenário musical contemporâneo e que oferece ao ouvinte mais devoto uma viagem espiritual, convidando-nos a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

As sete canções de Entre Los Dos, que além de Luz contam com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica, são como que um fechar de ciclo de uma espécie de triologia iniciada no tal Ojos Del Sol, três trabalhos que plasmam, com fidelidade e minúcia uma abordagem muito pessoal e íntima, claramente auto-reflexiva, mas que também é, de algum modo, sociológica, por parte de Luz, relativamente ao modo como a mulher é vista nos dias de hoje. No carrocel percurssivo de Gabriel e de Los Gritos, canções que conjugam o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz, na acusticidade minimal etérea de Entre Los Dos e de Octavio, na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Rios Sueltos, no festim folk punk de Soñadora e na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de rugosidade de Las Platicas, apreciamos uma narrativa plena de histórias simples e comuns, mas onde este timbre ordinário das mesmas é enganador, porque são relatos de vidas difíceis e que muitas vezes escapam à própria compreensão de quem nunca vivenciou na pele tais realidades. Os Y La Bamba acabam por suavizar, até com uma certa ironia e sarcasmo, dores, agruras e medos, com  composições que ampliam o diâmetro da nossa anca, deixando-a possuída, sem dono e sem vontade própria, porque não resistimos a acompanhar tambem fisicamente um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Entre Los Dos

01. Gabriel
02. Entre Los Dos
03. Rios Sueltos
04. Octavio
05. Soñadora
06. Las Platicas
07. Los Gritos

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publicado por stipe07 às 20:59

Modest Mouse – I’m Still Here

Quinta-feira, 25.04.19

Modest Mouse - I'm Still Here

Outro dos grandes destaques da edição deste ano do Record Store Day foi, claramente, a edição em formato vinil de sete polegadas de dois novos temas de Modest Mouse, uma edição pensada em exclusivo para esta iniciativa anual amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles, em edição limitada, às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

Assim, se na altura da efeméride, no início deste mês, ficámos a conhecer Poison The Well, o lado a do referido lançamento deste projeto de Portland, agora já é possível escutar I'm Still Here, o b side do lançamento, uma canção que navega à boleia de um garage rock incisivo e vibrante, feito de uma estreita ligação entre a bateria e guitarras carregadas de fuzz, uma opção estilística que salvaguarda alguns dos melhores detalhes da herança sonora do grupo.

Esta edição em exclusivo para o Record Store Day é a primeira de Modest Mouse após o álbum Strangers To Ourselves de dois mil e quinze, não havendo ainda nenhuma previsão de novo registo do projeto, apenas o anúncio de uma digressão com os The Black Keys a partir de setembro próximo. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:42

Y La Bamba – Mujeres

Sexta-feira, 15.02.19

O projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Mujeres, o quinto disco deste grupo sedeado em Portland e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre do projeto. Sucessor de Ojos Del Sol (2016), Mujeres foi gravado por Luz Elena Mendoza e Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, contando com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica.

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Luz Elena é a alma deste projeto Y La Bamba e Mujeres é uma viagem espiritual criada por esta cantora e compositora transcendente, que pretende retratar ao longo das catorze canções do alinhamento do registo o modo como a mulher é vista nos dias de hoje. Fá-lo convidando o ouvinte a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

Assim, o disco conta histórias simples e comuns sobre uma mexicana que se movimenta e tenta ser feliz numa América cada vez mais protecionista e conservadora, pelo menos no que concerne às opções políticas da liderança atual do país. O modo como a autora se refere aos verões da sua infância a escutar música tradicional mexicana e mariachis às escondias da família de imigrantes de fortes raízes católicas que a criou, enquanto tentava provar aos rapazes que era capaz de alinhar nas mesmas brincadeiras que eles, é apenas um dos muitos retratos que Luz nos convida a contemplar neste Mujeres.

Mujeres é, pois, também um olhar crítico, feito de modo bastante mpressionista, umas vezes cínico, outras optimista, já que as suas canções não receiam causar desconforto, através de uma narrativa que vai muito buscar aquela espiritualidade ancestral contida em crenças antigas que os povos latinos muito estimam preservar e que muitas vezes provoca alguma repulsa em quem as testemunha através de um olhar eminentemente empírico.

Em suma, Mujeres é um retrato musical vivo de tudo aquilo que Luz guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que é feita, sonoramente, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde ela reside. O maior exemplo deste receituário é Boca Llena, um dos grandes destaque do disco, uma canção cheia de groove e que conjuga o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz. Depois, na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de emoividade de My Death, uma canção doce, picante e caliente, na acusticidade minimal etérea de Real Talk, no festim pop da batida sintética e do efeito metálico de Cuatro Crazy, ou na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Lightning Storms, os Y La Bamba alargam quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo.

Intrigante exemplo sonoro de mescla de diversas culturas, num pacote seguro e familiar, Mujeres permite a Luz deixar mais uma vez vincada a sua naturalidade, personalidade e as influências americanas, mas sempre com um toque da personalidade mexicana. Nestas suas novas canções ela contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isenta de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si própria. De facto, esta vontade de conjugar o melhor da sonoridade de realidades tão díspares não é inédita, mas a forma inspirada como o demonstram, fazem dosY La Bamba uma referência atual, não só na pop, como na world music atual. Espero que aprecies a sugestão...

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01. My Death
02. Real Talk
03. Cuatro Crazy
04. Conocidos
05. Lightning Storms
06. Dieciséis
07. Boca Llena
08. Perder
09. Mujeres
10. Una Letra
11. Santa Sal
12. Bruja De Brujas
13. Follow Your Feet
14. De Lejos

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publicado por stipe07 às 13:21

Mimicking Birds – Layers Of Us

Quinta-feira, 28.06.18

Quase quatro anos depois do excelente Eons, os Mimicking Birds, de Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, estão de regresso com Layers Of Us, um trabalho editado no início deste ano através da Glacial Pace Records, estando disponivel para audição e aquisição na página bandcamp do projeto.

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O efeito da guitarra e os efeitos rugosos do tema que dá nome ao disco e a melodia cinematográfica que sustenta o tema, são detalhes únicos que, abrindo o disco, preparam-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nu, sem truques, no ritmo frenético e no clima rugoso de Another Time e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que divagam pela canção. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança norte americana deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas no outro lado do atlântico.

Layers Of Us é um trabalho que cresce audição após audição; Mesmo não estando na lniha da frente do processo de criação melódica, os sintetizadores conseguem conciliar a efervescência dos efeitos que debitam, com a indispensável dinâmica que constroem com as guitarras, um abraço instrumental que conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem expansivo e épico, mas também com uma intimidade muito própria e familiar.

Um dos aspetos mais interessantes de Layers Of Us é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração. Se a acusticidade orgânica de Island Shore não é beliscada pela eletrificação da guitarra, o baixo e a percussão também são elementos estruturalmente dominantes em várias canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em A Part e no rock de One Eyed Jack, à abordagem mais eletrónica de Great Wave, ou da mais ambiental Belongings, Layers Of Us está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Sunlight Daze e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite.

No epílogo de Layers Of Us percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Layers Of Us

01. Dust Layers
02. Another Time
03. Sunlight Daze
04. Island Shore
05. Great Wave
06. A Part
07. Belongings
08. Lumens
09. Time To Waste
10. One Eyed Jack

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publicado por stipe07 às 21:21

Typhoon – Offerings

Segunda-feira, 18.06.18

Foi no início deste ano que viu a luz do dia Offerings, o quarto álbum dos norte-americanos Typhoon, um coletivo de Portland, no Oregon, que faz parte do catálogo da Roll Call Records, tendo sido este o segundo disco do grupo com a chancela desta etiqueta. Registo conceptual, em quase setenta minutos de música Offerings disserta sobre a vida de um homem que está lentamente a perder a sua memória e oferece aos Typhoon o disco mais dinâmico, ambicioso e impressivo da carreira do projeto até à data.

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Offerings é um daqueles discos que requer tempo e paciência para ser absorvido e contemplado como merece, mas essa é uma tarefa recompensadora, não só porque nos permite conhecer composições sonoras impregnadas com um indie rock orquestral de elevada bitola qualitativa, mas também porque nos faz refletir sobre uma temática que muitas vezes temos receio de encarar de frente, mas com a qual poderemos ter, direta ou indiretamente, de lidar, mais cedo ou mais tarde.

Não é em vão que listen é a primeira palavra que se ouve no disco, com Wake a explicar-nos que a perca dessa faculdade, a audição, é dos eventos mais tristes que pode suceder nas nossas vidas e que, para que tal suceda, não é preciso que fiquemos surdos. Muitas vezes recusamo-nos a ouvir, mesmo que a nossa audição esteja, ainda, em excelente estado, como bem sabemos.

Kyle Morton, o vocalista da banda e responsável por grande parte da lírica das canções, é muito contundente no modo como aborda e crítica a nossa propensão humana para a seleção, já que preterimos muito, na relação com o próximo, aquilo que nos incomoda, dando geralmente primazia no aproveitamento que fazemos da relação, áquilo que podemos beneficiar com a mesma. E, de acordo com Kyle, num homem que está lentamente a perder a memória, essa dificuldade em destrincar o que realmente importa, quer no outro, quer no que nos preenche, é algo ainda mais premente, com cada uma das canções a representar diversos estados de alma que personificam diferentes estádios de degradação da capacidade de reconhecimento dessa personagem. Desse modo, Offerings confronta-nos com o nosso âmago e, por isso, torna-se, no imediato, algo repulsivo, mas os desafios que as suas quase duas mil e trezentas palavras nos colocam, as referências literárias que contém e que vão da filosofia à religião e o modo como nos seduz e convida à auto reflexão, faz dele um álbum extremamente cativante e ao qual acaba por ser difícil resistir.

Em suma, das guitarras efusivas de Chiaroscuro, até ao clima sonoro mais direto e intuitivo das cordas de Algernon, um excelente tema para nos elucidar acerca desta trama, passando pelas referências ao clássico cinemtatográfico de 1963 da autoria de Federico Fellini  ou como os arranjos de White Lighter catapultam o foco do som Typhoon para um experimentalismo psrticlarmente salutar, Offerings reforça a reputação que este projeto tem vindo a ganhar de ser um potencial candidato a tornar-se referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere. Mesmo nos momentos mais escuros e lo-fi, há paisagens com alguma luminosidade e cor, ideais para a personagem criada pela banda se esconder enquanto nos confrontamos com os seus dilemas. Nesses instantes ela encarna aquele sorriso que muitas vezes conseguimos vislumbrar num rosto que já não tem vida. Espero que apreces a sugestão...

Typhoon - Offerings

01. Wake
02. Rorschach
03. Empiricist
04. Algernon
05. Unusual
06. Beachtowel
07. Remember
08. Mansion
09. Coverings
10. Chiaroscuro
11. Darker
12. Bergeron
13. Ariadne
14. Sleep

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publicado por stipe07 às 21:48






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