Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Mimicking Birds – Layers Of Us

Quase quatro anos depois do excelente Eons, os Mimicking Birds, de Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, estão de regresso com Layers Of Us, um trabalho editado no início deste ano através da Glacial Pace Records, estando disponivel para audição e aquisição na página bandcamp do projeto.

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O efeito da guitarra e os efeitos rugosos do tema que dá nome ao disco e a melodia cinematográfica que sustenta o tema, são detalhes únicos que, abrindo o disco, preparam-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nu, sem truques, no ritmo frenético e no clima rugoso de Another Time e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que divagam pela canção. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança norte americana deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas no outro lado do atlântico.

Layers Of Us é um trabalho que cresce audição após audição; Mesmo não estando na lniha da frente do processo de criação melódica, os sintetizadores conseguem conciliar a efervescência dos efeitos que debitam, com a indispensável dinâmica que constroem com as guitarras, um abraço instrumental que conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem expansivo e épico, mas também com uma intimidade muito própria e familiar.

Um dos aspetos mais interessantes de Layers Of Us é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração. Se a acusticidade orgânica de Island Shore não é beliscada pela eletrificação da guitarra, o baixo e a percussão também são elementos estruturalmente dominantes em várias canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em A Part e no rock de One Eyed Jack, à abordagem mais eletrónica de Great Wave, ou da mais ambiental Belongings, Layers Of Us está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Sunlight Daze e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite.

No epílogo de Layers Of Us percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Layers Of Us

01. Dust Layers
02. Another Time
03. Sunlight Daze
04. Island Shore
05. Great Wave
06. A Part
07. Belongings
08. Lumens
09. Time To Waste
10. One Eyed Jack


autor stipe07 às 21:21
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Typhoon – Offerings

Foi no início deste ano que viu a luz do dia Offerings, o quarto álbum dos norte-americanos Typhoon, um coletivo de Portland, no Oregon, que faz parte do catálogo da Roll Call Records, tendo sido este o segundo disco do grupo com a chancela desta etiqueta. Registo conceptual, em quase setenta minutos de música Offerings disserta sobre a vida de um homem que está lentamente a perder a sua memória e oferece aos Typhoon o disco mais dinâmico, ambicioso e impressivo da carreira do projeto até à data.

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Offerings é um daqueles discos que requer tempo e paciência para ser absorvido e contemplado como merece, mas essa é uma tarefa recompensadora, não só porque nos permite conhecer composições sonoras impregnadas com um indie rock orquestral de elevada bitola qualitativa, mas também porque nos faz refletir sobre uma temática que muitas vezes temos receio de encarar de frente, mas com a qual poderemos ter, direta ou indiretamente, de lidar, mais cedo ou mais tarde.

Não é em vão que listen é a primeira palavra que se ouve no disco, com Wake a explicar-nos que a perca dessa faculdade, a audição, é dos eventos mais tristes que pode suceder nas nossas vidas e que, para que tal suceda, não é preciso que fiquemos surdos. Muitas vezes recusamo-nos a ouvir, mesmo que a nossa audição esteja, ainda, em excelente estado, como bem sabemos.

Kyle Morton, o vocalista da banda e responsável por grande parte da lírica das canções, é muito contundente no modo como aborda e crítica a nossa propensão humana para a seleção, já que preterimos muito, na relação com o próximo, aquilo que nos incomoda, dando geralmente primazia no aproveitamento que fazemos da relação, áquilo que podemos beneficiar com a mesma. E, de acordo com Kyle, num homem que está lentamente a perder a memória, essa dificuldade em destrincar o que realmente importa, quer no outro, quer no que nos preenche, é algo ainda mais premente, com cada uma das canções a representar diversos estados de alma que personificam diferentes estádios de degradação da capacidade de reconhecimento dessa personagem. Desse modo, Offerings confronta-nos com o nosso âmago e, por isso, torna-se, no imediato, algo repulsivo, mas os desafios que as suas quase duas mil e trezentas palavras nos colocam, as referências literárias que contém e que vão da filosofia à religião e o modo como nos seduz e convida à auto reflexão, faz dele um álbum extremamente cativante e ao qual acaba por ser difícil resistir.

Em suma, das guitarras efusivas de Chiaroscuro, até ao clima sonoro mais direto e intuitivo das cordas de Algernon, um excelente tema para nos elucidar acerca desta trama, passando pelas referências ao clássico cinemtatográfico de 1963 da autoria de Federico Fellini  ou como os arranjos de White Lighter catapultam o foco do som Typhoon para um experimentalismo psrticlarmente salutar, Offerings reforça a reputação que este projeto tem vindo a ganhar de ser um potencial candidato a tornar-se referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere. Mesmo nos momentos mais escuros e lo-fi, há paisagens com alguma luminosidade e cor, ideais para a personagem criada pela banda se esconder enquanto nos confrontamos com os seus dilemas. Nesses instantes ela encarna aquele sorriso que muitas vezes conseguimos vislumbrar num rosto que já não tem vida. Espero que apreces a sugestão...

Typhoon - Offerings

01. Wake
02. Rorschach
03. Empiricist
04. Algernon
05. Unusual
06. Beachtowel
07. Remember
08. Mansion
09. Coverings
10. Chiaroscuro
11. Darker
12. Bergeron
13. Ariadne
14. Sleep


autor stipe07 às 21:48
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Terça-feira, 1 de Maio de 2018

Unknown Mortal Orchestra - Sex & Food

Três anos depois do excelente Multi-Love, os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielson e de Jake Portrait e Greg Rogove, instalados em Portland, no Oregon há já aguns anos, estão de regresso ao formato longa duração com Sex & Food, uma extraordinária compilação de doze canções que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contêm a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, reforçando de forma ainda mais comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda.

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Produzido pelo próprio Ruban Nielson, gravado entre Seoul (Coreia do Sul), Hanoi (Vietname), Reykjavik (Islândia), Cidade do México (México), Auckland (Nova Zelândia) e Portland (Estados Unidos), lançado com a chancela da Jagjaguwar e fortemente influenciado pela internet, Sex & Food além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, tão bem impressas na vibe escandalosamente urbana de Major League Chemicals, também ressuscita de novo uma das imagens de marca dos Unknown Mortal Orchestra e um dos terrenos onde se sentem mais à vontade, aquelas referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior, deliciosamente presentes no efeito da guitarra e no reverb vocal de Ministry Of Alienation. Mas não se pense que este é um disco unicamente revivalista; Aliás, um dos seus grandes atributos é o seu cariz futurista e inovador, sendo, claramente, um dos registos mais criativos e indutores de novas nuances dos últimos tempos, tendo em conta o universo sonoro em que se movimenta. O modo como o rugoso e inebriante efeito da guitarra de American Guilt é acompanhado pela bateria e pela distorção vocal, transportam-nos para um rock que entre uma psicadelia progressiva e o classicismo punk oferecem-nos uma abordagem ao género pouco vista e, logo depois, The Internet Of Love (That Way) acaba por nos facultar o mesmo vigor de inedetismo, desta vez olhando para uma improvável simbiose entre blues e R&B, com um resultado final bastante apelativo. E a seguir, na falsa acusticidade orgânica de Doomsday, na batida, no groove e na riqueza dos arranjos da Everyone Acts Crazy Nowadays e no travo lisérgico das variações rítmicas de How Many Zeros a banda volta a guinar constantemente e a pisar universos nostálgicos, mesmo que díspares, mas apresentando sempre um clima geral muito inovador e difícil de comparar com outros projetos atuais.

Ecletismo é também, por tudo isto, uma palavra de ordem em Sex & Food, que podia ser descrito de modo simplista e tremendamente redutor por uma abrangente mistura entre rock e eletrónica, mas o modo como esse ecletismo se define ao longo do registo contém uma multiplicidade quase infinita de detalhes e aspetos que o que importa realmente exaltar é, dentro de toda a salutar amálgama do alinhamento, o modo como Ruben idealizou o volume e a densidade instrumental das canções, todas assentes em ambientes díspares, tornando indisfarçável mais uma busca dos Unknown Mortal Orchestra de melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e assentes em texturas com uma grandiosidade controlada, que possam conter um forte apelo às pistas de dança, mas também servir de banda sonora para instantes de maior intimidade, sozinho ou a dois.

A conquistarem um número cada vez maior de adeptos devido a uma especificidade sonora cada vez mais aprimorada e criativa mas sem deixar de ser acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao quarto tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados de outra décadas , mas oferecendo aos ouvintes essa viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
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Segunda-feira, 19 de Março de 2018

The Decemberists – I’ll Be Your Girl

Três anos depois do excelente What A Terrible World, os The Decemberists de Colin Meloy estão de regresso com I'll Be Your Girl, o oitavo disco de uma bem sucedida carreira de quase duas décadas de uma das bandas essenciais para o relato da história do indie rock de travo eminentemente folk do percurso musical norte-americano mais recente. Lançado à boleia da Capitol Records, I'll Be Your Girl contém onze canções que mais uma vez concentram toda a destreza musical deste grupo oriundo de Portland, que é igualmente exímio a criar composições grandiosas e crescentes, mas também instantes sonoros intimistas e melancólicos, com a grande novidade desta vez a ser um efusivo piscar de olhos à pop de cariz mais sintético e retro que fez escola na década de oitenta do século passado, uma nuance nova no grupo e que faz com que tenha a possibilidade de agradar a um espetro ainda mais alargado de ouvintes.

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É a mais genuína herança sonora da América profunda que continua a preencher o código genético dos The Decemberists, até agora abastecidos essencialmente por cordas, que foram servindo como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Assim, ao longo da sua distinta carreira, este coletivo mergulhou fundo na psicadelia folk, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, deixaram-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorreram o adn de praticamente toda a discografia anterior a este I'll Be Your Girl. Agora, ao oitavo disco, sem descurarem a habitual aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Cutting Stone e Starwatcher, o piano de Rusalka, Rusalka / The Wild Rushes, uma tensa e dramática narrativa baseada numa antiga parábola eslava, a luminosidade do dedilhar de Once In My Life ou a pronúncia grave e rugosa das notas e dos arranjos de Your Ghost denunciam de forma declarada, os The Decemberists colocam esse travo a ruralidade no plano secundário e oferecem uma paleta de sons inédita mais urbana e contemporânea ao projeto, com um espectro mais virado para a electrónica e para o synthpop, estilos que seduziram e captaram a alma do grupo. Canções como o single Severed, um oásis de sintetizadores cheios de batidas e efeitos cósmicos, com aquele travo punk new wave tão peculiar e o baixo e o efeito robotizado da voz e da guitarra de We All Die Young são exímias no modo como nos mostram o quanto foi feliz esta opção dos The Decemberists em sairem da sua habitual zona de conforto e divagarem por territórios a que estavam menos habituados. Para isso foram fatores decisivos dois fatores; a entrada do coletivo num novo estúdio e, principalmente, a companhia de um produtor diferente, com Tucker Martine, colaborador de longa data dos The Decemberists, a dar o lugar a John Congleton, uma referência da indie norte americana e camaleónico no modo como consegue navegar e tocar todos os extremos desse universo sonoro, muitas vezes na mesma composição. O facto de estas novas matrizes passarem para a linha da frente do processo criativo que norteou este álbum, foi uma opção bastante ponderada, algo que o vocalista Colin Meloy confirmou recentemente (When you’ve been a band for 17 years, inevitably there are habits you fall into. So our ambition this time was really just to get out of our comfort zone. That’s what prompted working with a different producer and using a different studio. We wanted to free ourselves from old patterns and give ourselves permission to try something different).

Há em I'll Be Your Girl uma capacidade subtil dos The Decemberists de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, substancialmente melhor. O grupo continua a manter a habitual postura quase religiosa que os carateriza, mas torna-se mais eclético, abrangente e por isso mais intenso e sedutor, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, mas também sobre o amor, o bucólico e o nostálgico. Espero que aprecies a sugestão...

The Decemberists - I'll Be Your Girl

01. Once In My Life
02. Cutting Stone
03. Severed
04. Starwatcher
05. Tripping Along
06. Your Ghost
07. Everything Is Awful
08. Sucker’s Prayer
09. We All Die Young
10. Rusalka, Rusalka / The Wild Rushes
11. I’ll Be Your Girl


autor stipe07 às 21:19
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

Moon Duo – Jukebox Babe / No Fun

Os norte americanos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, são já uma banda incontornável do indie rock psicadélico atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e com vários pontos altos, tiveram um ano de 2017 bastante profícuo com o lançamento de Occult Architecture Vol. 1 e Vol. 2, dois álbuns que nos levaram de novo rumo à pop psicadélica setentista, através dos solos e riffs da guitarra de Ripley a exibirem muitas vezes linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, mas também de sintetizadores inspirados e com efeitos cósmicos plenos de groove. No início de 2018 estão de volta, desta vez com o lançamento de um duplo single, à boleia da Sacred Bones o refúgio perfeito que encontraram há já algum tempo para explorar todo o hipnotismo lisérgico que carimba o seu adn.

Moon Duo

As canções presentes nesta nova edição dos Moon Duo são Jukebox Babe e No Fun, versões de originais de dois projetos fundamentais para a dupla e que marcam bastante as suas influências. A primeira, Jukebox Babe, é um original de Alan Vega, líder dos míticos Suicide e a segunda, No Fun, um original dos The Stooges de 1969. Ripley e Sanae resolveram revisitar Jukebox Babe por ser um tema que Larry, o engenheiro de som do grupo de Portland, cantarolava bastantes vezes durante a gravação dos últimos discos dos Moon Duo e a ideia de fazer uma versão de No Fun surgiu na sequência de um pedido da BBC6 para a dupla gravar uma música da autoria de Iggy Pop, por ocasião do seu septagésimo aniversário. O resultado final são dois temas que caminham em direções sonoras diametralmente opostas. Se Jukebox Babe é um espetacular tratado de punk acid rock eletrónico rugoso e aditivo, uma espécie de catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, No Fun sabe a uma espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Confere...

Moon Duo - Jukebox Babe - No Fun

01. Jukebox Babe

02. No Fun


autor stipe07 às 17:42
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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

Offa Rex - The Queen Of Hearts

The Queen Of Hearts é o nome do primeiro álbum do projecto Offa Rex que reúne a cantora e multi-instrumentista britânica, Olivia Chaney, uma das melhores da sua geração e os norte-americanos The Decemberists, banda de topo da indie folk do outro lado do atlântico. É um alinhamento de onze canções cuja produção esteve a cargo de Tucker Martine (Modest Mouse, My Morning Jacket, Neko Case) e Colin Meloy. Foi gravado nos Martine’s studio em Portland e viu a luz do dia à boleia da insuspeita e conceituada Nonesuch Records.

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Trocas de mensagens no twitter entre a cantora e o grupo há alguns meses atrás e a descoberta de uma paixão mútua pela folk britânica do início da segunda metade do século passado, acabaram por ser o combústivel que inflamou a mente criativa deste conjunto de músicos para criar um disco que faz não só uma homenagem à herança de grupos como os Fairport Convention ou os Pentangle, mas que também nos oferece uma visão atual particularmente sensível e algo barroca de alguns dos melhores fundamentos da melhor folk. Assim, se o cravo e a voz sensível de Olivia, logo no tema homónimo, esclarecem o ouvinte acerca das principais permissas vintage de The Queen Of Hearts e se as cordas luminosas e o andamento de Blackleg Miner, o único tema cantado no disco por Colin Meloy, o vocalista dos The Decemberists, transporta-nos para um qualquer salão de festas de um sindicato de mineiros há meio século atrás, uma sensação também possível com a harmónica de Constant Billy (Oddington) / I’ll Go Enlist (Sherborne), já o dedilhar fortemente orgânico e contemplativo da guitarra de The Gardener e a tocante interpretação de Olivia do clássico The First Time I Ever Saw Your Face, da autoria do compositor inglês Ewan MacColl e que nos anos setenta já tinha sido revisitado pela americana Roberta Flack, oferecem a tal visão mais contemporânea, sem nunca defraudar o espírito tipicamente british do registo, potenciado ainda mais no timbre classicista do orgão que conduz The Old Churchyard.

Com letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, The Queen Of Hearts está recheado de intensidade e boas canções, que apesar de conterem uma sonoridade algo estranha à banda de Portland, que baseou sempre o seu som na típica coutry-folk americana, foram exemplarmente recriadas e interpretadas pelo grupo, não só com a mescla instrumental apropriada, mas também, e principalmente, com o espírito e a soul muito precisa que uma autêntica carta de amor sentida à folk britânica exigia e que esta aliança aventureira batizada de Offa Rex conseguir redigir com extrema minúcia, astúcia, alma e sensibilidade. Espero que aprecies a sugestão...

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01. The Queen of Hearts
02. Blackleg Miner
03. The Gardener
04. The First Time Ever I Saw Your Face
05. Flash Company
06. The Old Churchyard
07. Constant Billy (Oddington) / I’ll Go Enlist (Sherborne)
08. Willie o’Winsbury
09. Bonny May
10. Sheepcock and Black Dog
11. To Make You Stay


autor stipe07 às 14:21
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

STRFKR – Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Agora, alguns meses depois, o quarteto regressa à carga com uma série de compilações, das quais já se conhecem dois tomos, num total previsto de três. Refiro-me às Vault Vol., volumes de canções que nunca foram editadas pelos STRFKR, autênticas raridades, muitas delas salvas do primeiro computador pessoal já moribundo de Josh Hodges e que nunca foram escutadas por ninguém exterior ao círculo mais íntimo do grupo.

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Estas duas compilações já divulgadas dos STRFKR têm como maior atributo a possibilidade de nos permitir um olhar bastante impressivo e esclarecedor para o outro lado da cortina, acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só esparsos devaneios experimentais, até algumas composições que poderiam muito bem ter figurado num álbum dos STRFKR, é diverso e múltiplo o calibre qualitativo do material sonoro disponibilizado.

Não existe grande diferença estilística e conceptual entre os dois volumes já disponibilizados, o que justifica, por si só, a análise de ambos em simultâneo. E neste emaranhado de registos, muitos deles com menos de um minuto e com o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica, já que, objetivamente, alguns eram momentos de experimentação, libertação, ou de teste, quer melódico quer instrumental, não deixam de existir aqui algumas canções que merecem destaque. Assim, se os quarenta e quatro segundos bastante harmoniosos de Wasting Away ou os teclados planantes e a batida luminosa de Beat 8 têm potencial para servirem de suporte a uma canção mais longa, o indie rock lo fi e a atmosfera retro de Downer, assim como o cariz acessível, pop e radiante de Stoned 2 e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Sound Track, merecem destaque e ruidosa exaltação dentro de todo este agregado que irá, certamente, deixar inebriados os seguidores mais acérrimos dos STRFKR.

Enquanto não chega o terceiro capítulo desta curiosa saga, Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2 são suficientes para nos transportar para uma dimensão paralela, até porque os STRFKR gostam de nos levar até onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Vault Vol. 1

01. Long Time
02. Eyes In The Back Of Your Head
03. Just Like You
04. Basically
05. Prrrty
06. Keeps Us Together
07. Baby
08. Benine Redux
09. Make Into Something Nice
10. Only Humans
11. Anything At All
12. Rachel
13. Oh Darling
14. I Wanna Hear About That
15. Daylight
16. Boogie Woogie
17. Goofy Shit
18. Flyer
19. So Sexy
20. Gerl

STRFKR - Vault Vol. 2

01. Happy Summertime
02. Hanna
03. Fuck Off
04. Downer
05. Beginner Space
06. Late Again
07. Stoned
08. Queer Bot
09. Sound Track
10. Listen
11. Wasting Away
12. Waiting
13. Best I Ever Had
14. Snow Tires
15. Missing You
16. Laa Loo
17. Pine Tree Smell
18. Jesus Christ Baby
19. Intro Sexton
20. Whateverer
21. Beat 4
22. Beat 8
23. Purple and Black
24. Be Leave
25. Marionette


autor stipe07 às 17:35
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Portugal. The Man – Woodstock

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

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Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

!!! - Shake The Shudder

Lançado no passado dia dezanove através da Warp Records, Shake The Shudder é o novo tomo discográfico dos norte-americanos !!! (Chk Chk Chk), um coletivo liderado por Nick Offer, ao qual se juntam atualmente Mario Andreoni, Dan Gorman, Paul Quattrone e Rafael Cohen. Este é o sétimo disco da carreira de um dos nomes fundamentais do punk rock do novo milénio e talvez um dos melhores trabalhos da carreira deste grupo já com duas décadas de vida, formado em 1995 das cinzas dos míticos  Black Liquorice e dos Popesmashers.

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Salvo algumas excepções de nomeada, nomeadamente nomes como os LCD Soundsystem, The Juan Maclean, os The Rapture ou os próprios Thee Oh Sees, o espetro sonoro em que os !!! (Chk Chk Chk) se movimentam ganhou um fôlego enorme no início deste século, mas tem vindo a perder terreno no seio do rock alternativo. É um receituário que serve-se, geralmente, de linhas de baixo encorpadas, riffs de guitarra pulsantes e batidas muitas vezes sintetizadas com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Hoje em dia, além do anunciado regresso da banda de James Murphy aos discos e da manutenção da pujança do coletivo liderado por John Dwyer, os !!! (Chk Chk Chk) serão talvez o projeto que ainda se consegue manter nas luzes da ribalta e assumir um protagonismo na defesa dos interesses de uma sonoridade que, sendo bem burilada é, sem dúvida, uma das mais atrativas no universo do rock.

A miscelânea assertiva entre rock e eletrónica que os !!! (Chk Chk Chk) nos oferecem neste Shake The Shudder, fica plasmada logo desde o início. Se o ligeiro travo R&B de The One2 é uma daquelas típicas canções de início de festa, com o falsete vocal e a batida seca a puxarem-nos sedutoramente para debaixo da bola de espelhos, depois o domínio do rock faz-se sentir em Dancing Is The Best Revenge, tema onde sobressai um aditivo refrão e que é conduzido por uma simples linha de baixo, acompanhada por uma bateria enleante e guitarras insinuantes, com a eletrónica a tomar as rédeas de NRGQ, canção adornada por guitarras de inspiração oitocentista e onde a voz de Lea Lea aprimora o travo vintage de um tema onde cabedal e lantejoulas se misturam sem pudor. E, logo nesse arranque ficam desfeitas todas as dúvidas sobre a boa forma dos !!! (Chk Chk Chk) e o modo como ainda nos fazem dançar e vibrar com ímpeto, quase até à exaustão, além de serem canções que plasmam o enorme talento de Nick Offer, quer como escritor quer como compositor e, principalmente, como agitador.

A partir daí, no sintético groove negro de Things Get Hard, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som dos !!! (Chk Chk Chk) no pós punk de Throw Yourself In The River e no modo inédito como o trombone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta R Rated Pictures, espraia-se nos nossos ouvidos e vibra de alto a baixo um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco mais ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:40
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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

Portugal. The Man – Feel It Still

Portugal. The Man - Feel It Still

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley preparam-se para regressar aos discos em 2017 com Gloomin + Doomin, um álbum que irá suceder ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo e Mac Miller.

Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man vão, assim, para o oitavo registo de originais da carreira e pela amostra recentemente divulgada, o single Feel It Still, o seu alinhamento comprovará, mais uma vez, porque são considerados unanimemente um nome relevante no universo alternativo, justificada por uma permanente toada experimental e ausência de linearidade instrumental nos seus sucessivos lançamentos. O funk do baixo e o clima psicadélico deste single, fazem-nos querer instantaneamente pegar nele e cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. Confere...


autor stipe07 às 17:29
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