Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

Vacationer – Mindset

Filadélfia, nos Estados Unidos da América, é o poiso natural dos Vacationer de Ken Vasoli, um dos projetos de dream pop mais interessantes do outro lado do atlântico e de regresso aos lançamentos discográficos com Mindset, doze canções que viram a luz do dia a vinte e sete de junho último, à boleia da Downtown Records. Mindset sucede a Relief, um álbum editado em dois mil e catorze e o seu título baseia-se naquelas memórias e recordações que vamos guardando na nossa mente e às quais recorremos em instantes mais difíceis para nos devolverem as boas sensações e vibrações positivas que nos ajudam a levantar o ânimo.

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Vacationer é um projeto que parece não encontrar fronteiras apenas dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais num processo de justaposição de vários elementos sonoros. E isso sucede porque ao terceiro disco temos a possibilidade de contemplar delicadas melodias, trespassadas por ritmos cristalinos que parecem ter sido retirados de uma vasta miríade de texturas que nos rodeiam, tal é a sua índole orgânica e expressiva e a capacidade que têm de oferecer ao nosso cérebro as tais sensações felizes, a permissa fundamental que guiou Ken quando criou estas canções.

Apesar desta componente otimista e até algo eufórica de Mindset, o disco não teve um arranque fácil. Vasoli contou com as colaborações essenciais  de Matthew Young e Grant Wheeler, os restantes rostos dos Vacationer, durante o processo de gravação, mas o cerne dos temas foi criado solitariamente, durante meses a fios, um período temporal em que Ken se isolou e, acompanhado por discos dos Beach Boys, Barry White e Curtis Mayfield, arrancou do seu âmago o esqueleto essencial do alinhamento.

A pop sessentista e a eletrónica da década seguinte acabam, assim, por ser influências prementes na sonoridade de Vacationer. Os sintetizadores e as cordas reluzentes de Entrance, a extrema sensibilidade dos arranjos de Magnetism, o clima sereno de Strawberry Blonde, um tema inspirado em Waldo, o cão de Vasoli e o têmpero psicadelico de Being Here, sublimam com mestria esse processo de fazer música, composições que destaquem a emoção e que transportem bonitos sentimentos, num disco mutante, que cria um universo quase impenetrável em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. A própria voz de Vasoli é usada como camada sonora e um elemento essencial na adição de um humanismo eminentemente melancólico a várias canções, um detalhe que confere ao álbum, no seu todo, um tom fortemente denso e que potencia a oscilação necessária para transparecer do seu cerne uma elevada veia sentimental.

Em suma, Mindset serve como uma revolução extremista. Equilibra a nossa mente com sons que recriam as sensações típicas de um sono calmo e com instantes onde reina a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível naquela cavidade do nosso ser às vezes desabitada e sempre irrevogavelmente desconhecida, que é o nosso cérebro. Espero que aprecies a sugestão...

Vacationer - Mindset

01. Entrance
02. Magnetism
03. Euphoria
04. Being Here
05. Strawberry Blonde
06. Late Bloomer
07. Turning
08. Hallucinations
09. Romance
10. Blue Dreaming
11. Green
12. Companionship


autor stipe07 às 14:06
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Patrick Watson – Melody Noir

Patrick Watson - Melody Noir

O canadiano Patrick Watson está de regresso aos discos com Melody Noir, um registo de originais que vai ver a luz do dia muito em breve e do qual acaba de ser revelado o single homónimo, assim como o vídeo, realizado pelo próprio músico e pela conterrânea Brigitte Poupart e produzido por Olivier Sirois.

Esta canção Melody Noir é inspirada num músico venezuelano chamado Simon Diaz e nela Patrick Watson plasma todos os seus predicados quer como dono de uma voz única e multifacetada, da qual sobressai o seu inconfundível falsete, quer como arquiteto de uma sonoridade com raízes na folk, mas que busca uma salutar contemporaneidade ao inserir também alguns detalhes da pop e da eletrónica mais contemplativa.

Importa ainda referir que Patrick Watson está de regresso a Portugal no final do ano para promover este seu novo álbum, mais concretamente de dois a quatro de Dezembro, com Lisboa, Coimbra, Guimarães e Porto a receberem, respectivamente, um dos artistas internacionais mais acarinhados pelo publico português e que deverá fazer-se acompanhar por Joe Grass, na guitarra, Robbie Kuster, na bateria e percurssão e por Mishka Stein, no baixo. Confere...


autor stipe07 às 10:11
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2018

Dusted – Blackout Summer

Como membro fundador do projeto de eletrónica progressiva Holy Fuck, o canadiano Brian Borcherdt passou grande parte da sua carreira artística a compôr música de dança e ativo em sucessivas digressões desse projeto, sempre acompanhadas por milhares de seguidores da banda, conhecida por dar concertos capazes de levar o público quase à exaustão. Mas por trás dessa cortina, Brian foi compondo canções cuja sonoridade está sonora e dramaticamente a milhas dos Holy Fuck e um dia, num breve interregno da agenda frenética do grupo, Brian resolveu que também deveria dar vida a esses temas. Para isso incubou o projeto Dusted, contou com a ajuda de Leon Taheny e abrigado pela Hand Drawn Dracula, estreou-se em 2012 com o registo Total Dust. Agora, seis anos depois, viu finalmente a luz do dia o sucessor, um registo intitulado Blackout Summer, com nove canções criadas a partir de uma guitarra e da voz do autor, um encantador minimalismo que tem levado o grupo a abrir concertos de bandas como os Great Lake Swimmers, Perfume Genius ou A Place To Bury Strangers. Entretanto, aos Dusted juntaram-se Anna Edwards, na guitarra, Loel Campbell na bateria e ocasionalmente Anna Ruddick no baixo.

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Se a música dos Holy Fuck é perfeita para servir de banda sonora de uma noite de festa e diversão, Blackout Summer é aquele disco que queremos por a tocar na manhã seguinte. À medida que conferimos o seu alinhamento cruza-se com os nossos ouvidos uma cortina de sons de forte cariz etéreo e contemplativo e onde bom gosto e sobriedade são caraterísticas muito presentes, logo em Seasons, canção onde Brian mostra todos os seus predicados quer como cantor, quer como criador de melodias com uma luminosidade ímpar. Depois, na ode à pop inebriante do single Backwoods Ritual e no forte travo folk de All I Am, somos brindados com aquilo que mais precisamos numa manhã de ressaca, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze que, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave, possibilita instantes de relaxamento, mas também pode adequar-se a momentos de sedução e que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa, porque é comum essas noites não terminarem sem uma companhia muitas vezes inesperada.

Os Dusted servem-se, então, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. Às vezes pressente-se que Brian não sabe muito bem se queria que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinha a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Dusted, um projeto que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Dusted - Blackout Summer

01. Seasons
02. Backwoods Ritual
03. All I Am
04. Cut Corners
05. Dead Eyes
08. Will Not Disappear
07. No Prison
08. Five Hundred And Four
09. Outline Of A Wolf


autor stipe07 às 14:19
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

Luke Sital-Singh - Just A Song Before I Go EP

Depois da edição o ano passado de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Alguns meses depois, Luke editou Weight Of Love, um EP com quatro canções e que foi divulgado por cá, mas não seria justo deixar de fora desta abordagem recente da nossa redação a Luke Sital-Singh, o EP Just A Song Before I Go, um registo também com quatro temas e que é fortemente influenciado pela passagem do músico pelos Estados Unidos durante essa viagem. Este EP viu a luz do dia no primeiro mês deste ano, através da Dine Alone Records, a morada atual do músico britânico, à semelhança de Weight Of Love e de Time Is A Riddle.

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Luke é exímio a criar canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas, mas também por teclas inspiradas, uma receita que cria melodias deliciosas e repletas de um charme inconfundível que deve muito a alguns dos melhores detalhes não só da folk, mas também da pop contemporânea. A luminosidade do tema homónimo que abre o EP é um bom exemplo disso e a melancolia que está agregada à acusticidade de Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, que foi na mala de Luke na tal viagem e já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith, sendo fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo, acentua a inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Depois, o intimismo subjacente à versão de Harvest Moon, um clássico de Neil Young aqui conduzido por um piano insinuante e pelo inconfundível falsete do artista e, finalmente, o intenso travo à herança mais pura da folk americana em Late For The Sky, reforçam a suavidade melancólica de um EP que é uma ode do autor a alguns dos seus heróis, muitos deles verdadeiros pilares da história musical do outro lado do atlântico, ao mesmo tempo que plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, sempre com um cunho pessoal muito identitário, mesmo quando revisita composições que não são da sua autoria. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:36
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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

Emma Louise – Wish You Well

Emma Louise - Wish You Well

Natural de Brisbane, na Austrália, a cantora e compositora Emma Louise prepara-se para lançar Lilac Everything; A Project by Emma Louise, o seu novo registo de originais que, sendo já o quarto da carreira, começou, curiosamente, a ser incubado logo em 2011 durante as gravações de Full Hearts And Empty Rooms, o seu EP de estreia, algo que a autora confessou recentemente numa rede social (The seed of this project was planted about 5 years ago when I was recording my first album. I heard my vocals slowed down on tape and fell in love with this character. I called the voice Joseph and said I’d one day do a full album with his vocals). 

Lilac Everything; A Project by Emma Louise irá, portanto, marcar uma inflexão na habitual trajetória sonora da cantora, que vai no novo disco dar um maior ênfase à sua prestação vocal, procurando um registo com um grau de dramatismo e de epicidade particularmente vincados, de modo a dar vida ao tal Joseph que ela idealizou. O canadiano Tobias Jesso Jr., produtor do álbum, é também parte fundamental da engrenagem, tendo sido uma das vozes mais encorajadoras para que Emma colocasse finalmente em prática esta sua antiga ambição. O cândido piano e a voz suave de Wish You Well, o primeiro single que acaba de ser divulgado do registo e que foi escrito no México e gravado nos estúdios Bear Creek, em Seattle por Jesso e pelo engenheiro de som Shawn Everett, vencedor de um Grammy,  são nuances que vão claramente ao encontro desse objetivo conceptual. Confere...


autor stipe07 às 15:40
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Sábado, 2 de Junho de 2018

Mazzy Star – Still EP

Quatro anos depois de Seasons Of Your Day, os Mazzy Star de David Roback e Hope Sandoval estão de regresso à boleia da Rhymes of an Hour Records com um ep intitulado Still, um alinhamento de três originais e uma nova versão do clássico da banda So Tonight That I Might See, gravado pela primeira vez há vinte e cinco anos e que deu nome ao disco que a banda lançou em mil novecentos e noventa e três. Recordo que esse disco e o antecessor She Hangs Brightly (1990) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global. Tornaram-se numa espécie de segredo mal guardado, mas que acabou por cimentar muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado. Depois de terem editado três álbuns na década de noventa (além dos discos referidos, Among My Swan viu a luz do dia em mil novecentos e noventa e seis), Roback e Sandoval dedicaram-se a alguns projetos paralelos e às suas carreiras a solo, com o já referido Seasons Of Your Day, em 2003, a marcar uma nova etapa dos Mazzy Star que recebe com este EP mais um pequeno mas qualitativamente significativo fôlego.

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Quiet, The Winter Harbor abre Still com Roback a assegurar a condução de um planante e melancólico piano, em redor do qual a voz de Sandoval divaga com a sua habitual assinatura doce e contemplativa e pela qual os anos parecem que não passam. Depois, o florescer melancólico que passeia pelas cordas e pelo efeito de That May Again e a altivez lo fi que exala do poema e do violão que conduz o tema homónimo, fazem-nos avivar a memória relativamente ao modo como fomos tocados no nosso âmago, há quase trinta anos, por uma fórmula que apostava em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levavam numa viagem algo sombria por um mundo tímido. Finalmente, o orgão e o reverb contínuo de So Tonight That I Might See, fornecendo-nos uma atmosfera mais psicadélica, mostram-nos uma tentativa clara da dupla em se contextualizar com algumas das novas tendências do rock mais ambiental, sem deixarem de imprimir o seu cunho identitário, numa versão plena de lisergia e espiritualidade.

Vinte e oito anos depois da estreia, este projeto californiano continua a alimentar em Still a sua saga feita de um negro romantismo que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios e particularmente hipnóticos e submersivos, mas que também sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, feito ao som de canções com um sabor bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Still

01. Quiet, The Winter Harbor
02. That Way Again
03. Still
04. So Tonight That I Might See (.ascension version)


autor stipe07 às 14:57
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Sábado, 26 de Maio de 2018

Snow Patrol – Wildness

Não é segredo nenhum para ninguém que os irlandeses Snow Patrol são uma das minhas bandas prediletas, sendo sempre aguardado por mim com enorme e redobrada expetativa cada novo disco deles. E Wildness, disco que esta banda formada em 1994 em Dundee acaba de lançar, naturalmente não é exceção. É o sétimo trabalho de estúdio desta banda liderada por Gary Lightbody, foi produzido por Jacknife Lee e mostra o projeto a tentar afastar-se um pouco daquela pop eloquente que caraterizou os registos mais recentes, para voltar a acertar contas com atmosferas mais melancólicas e introspetivas, como se percebe logo nas cordas e no clima etéreo dos arranjos de Life On Earth, a cativante composição que abre Wildness e talvez o seu momento mais alto, juntamente com o arrepiante abraço entre Lightbody e o piano em What If This Is All the Love You Ever Get?.

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Nos primeiros discos dos Snow Patrol sempre foram audíveis canções desenvolvidas com afinco e assentes num jogo de versos cuidadoso, sincero e trabalhado, tendo sempre por base um indie rock bastante rugoso e algo experimental que tanto piscava o olho ao grunge norte-americano como a alguns dos detalhes essenciais da brit mais alternativa e psicadélica. Com a chegada de Eyes Open, já no novo século, o grupo optou por uma fórmula mais pop, assente num catálogo de sons convencionais e característicos de uma radiofonia que acabou por ir ocultando a beleza explorada pelo grupo nos anos iniciais. Em Wildness essa fórmula não é totalmente renegada, mas os pianos melancolicamente projetados e as guitarras carregadas de efeitos, também dão protagonismo à acusticidade das cordas, com o exemplo já referido e o clima folk de Don’t Give In, assim como o brilho mágico de A Youth Written On Fire, a oferecerem-nos uns Snow Patrol mais serenos, debruçando-se, sem receios, em alguns dos problemas mais recentes que mexeram com o âmago de Lightbody, nomeadamente a demência do seu pai, publicamente conhecida e retratada em Soon, outro momentos maior do disco e o modo como lidou com a sua adição ao alcoolismo, ainda não totalmente resolvida, apesar de Gary ter afirmado recentemente estar sóbrio há mais de dois anos.

Temos então em Wildness um disco mais confessional e que serve, parece-me, para exorcizar alguns fantasmas, servindo como uma espécie de ponto de recomeço depois da ausência dos Snow Patrol de mais de meia década do formato álbum. Mas, apesar desta filosofia do registo, estas são músicas das quais muitos de nós se podem apropriar, ou seja, tendo sido incubadas a partir da reflexão pessoal de alguém que viveu recentemente dias complicados, contêm aquela desejada universalidade já que acabam por abordar temáticas comuns reais e íntimas a tantos de nós.

Disco sóbrio e tremendamente honesto, Wildness volta a deixar-nos rendidos ao especial talento que Lightbody tem para cantar sobre o amor e o desassossego que tantas vezes ele nos causa, principalmente qundo perdemos algo ou alguém que parece ser parte de nós. Para os Snow Patrol parece funcionar como uma espécie de confortável regresso ao espaço natural de um conjunto de intérpretes que estiveram ultimamente habituados a grandes multidões mas que precisavam de estar novamente no seu próprio espaço reduzido e intimista e rodeados dos instrumentos que mais apreciam, para evocarem tranquilamente alguns dos traços mais nostálgicos e sensíveis da existência humana. Espero que aprecies a sugestão... 

Snow Patrol - Wildness

01. Life On Earth
02. Don’t Give In
03. Heal Me
04. Empress
05. A Dark Switch
06. What If This Is All the Love You Ever Get?
07. A Youth Written In Fire
08. Soon
09. Wild Horses
10. Life And Death


autor stipe07 às 16:18
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018

Beach House – 7

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015 e de terem limpo o armário o ano passado com B-sides e Rarities, este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo álbum já nos escaparates. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

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7 viu a luz do dia a onze de maio e, felizmente, mantem intacta aquela habitual toada simples e nebulosa da dupla, uma filosofia sonora bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, aspectos fundamentais da sonoridade do projeto e transversais aos registos anteriores. No entanto, 7, contendo estes pilares da aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex, exemplarmente replicados no intimismo perene de Pay No Mind e no clima simulaneamente etéreo e pastoso de L’Inconnue, tem a novidade maior de se aproximar com superior gula de algumas referências óbvias de finais do século passado. Este propósito está explícito logo no edifício instrumental nada minimal que sustenta Dark Spring, canção que ao abrir de modo irrepreensível este 7, clarifica a vontade da dupla de fornecer maior luminosidade às canções, através de um rock mais expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar.

7 prossegue sempre em modo levitação e quando se chega, num crescendo de corpo e emoção, à distorção inebriante que conduz Drunk In LA e à exuberância barroca do sintetizador que se cruza com uma subtil passagem pelas cordas em Dive, assim como à espiral instrumental disposta em camadas finíssimas em redor de quatro cliques repetitivos em Black Car e ao andamento sentimentalmente pronunciado e épico de Lose Your Smile, sentimo-nos invariavelmente impregnados por um ambiente contemplativo fortemente consistente, que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar.

Disco para ser apreogado aos sete ventos, 7 é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia de uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante, possível de ser apreciada ao vivo e a preto e branco por cá ainda este ano. Dia vinte e cinco de Setembro os Beach House atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - 7

01. Dark Spring
02. Pay No Mind
03. Lemon Glow
04. L’Inconnue
05. Drunk In LA
06. Dive
07. Black Car
08. Lose Your Smile
09. Woo
10. Girl Of The Year
11. Last Ride


autor stipe07 às 13:36
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2018

Pavo Pavo – Statue Is A Man Inside

Pavo Pavo - Statue Is A Man Inside

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso esta primavera com um novo tema intitulado Statue Is A Man Inside que é, como seria de esperar, uma canção com uma elegância ímpar, incubada no seio de uma dupla que é a menina dos olhos da Bella Union e que cria música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário.

Canção sustentada numa guitarra que debita um efeito planante pleno de charme, que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, Statue Is A Man Inside é a banda sonora perfeita para nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. Sobre ela, Oliver referiu recentemente: Statue is a Man Inside got its start in the couple months after Eliza and I split up – it was around the same moment that our first record came out and we started touring, and all the changes at once conspired to create this uncanny feeling, a hardening of the boundaries between me and the rest of the world. I thought of two marble statues, cracking and bleaching in the sun, maybe with eyes and fingers that can still move like a human being. We sang the words to each other at the organ, and as we started playing it with the band, an interesting thing happened where the louder and lusher the arrangement got, the more intimate the singing felt. So we kept elevating and orchestrating the track, trying to make it a spiritualization of our quietest, most inward thoughts. Confere...


autor stipe07 às 17:45
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

Luke Sital-Singh – Weight Of Love EP

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora foi Thirteen, um clássico original de mil novecentos e setenta e dois dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão divulgada no início do ano e que era fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transbordava, nomeadamente da sua letra. Agora, alguns meses depois, Luke prepara-se para editar Weight Of Love, um EP com quatro canções, que verá a luz do dia já a um de junho através da Dine Alone Records.

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Depois de ter sido revelado o tema Afterneath, que abre o alinhamento do EP, agora chegou a vez de podermos escutar a canção homónima do mesmo, que mantém a filosofia sonora e filosófica subjacente à primeira composição divulgada, um clima que acaba por ser transversal a todo o alinhamento, que já escutei na íntegra. Falo, portanto, de canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas e que nos convidam à introspeção momentânea no meio destes dias agitados e sempre corridos, conforme admite o próprio autor: This song was inspired by those moments when I lose perspective on my life and my dreams and I just need to shake myself out of the mundane day to day to refresh and re-energize. For me, that’s by getting to a beach and breathing in the ocean air or climbing high up on a mountain looking down at all the noise below. Já agora, os outros dois temas, que já tive a oportunidade de escutar, transportam-nos, no caso de Mirrorball, para um clima sonoro algo sinistro, mas com o inconfundível registo vocal de Luke a facultar à música a suavidade melancólica que a equilibra e a lindíssima balada Loving You Well plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, apenas, neste caso, com uma linha de guitarra e a sua voz. Confere Weight Of Love, o tema homónimo deste novo EP de Luke Sital-Singh e o alinhamento do registo...

Luke Sital-Singh - Weight Of Love

Afterneath

Weight of Love

Mirrorball

Loving You Well


autor stipe07 às 18:17
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