Segunda-feira, 13 de Agosto de 2018

Elephant Micah – Genericana

Os norte-americanos Elephant Micah de Joe O'Connell, Matt O'Connell, Jason Evans Groth e Zeke Graves estão de regresso aos discos com Genericana, seis canções misturadas por Scott Hirsch e masterizadas por Carl Saff e capazes de nos enredar de modo particularmente hipnótico num universo que tendo tanto de alienigena como de alucinogénico. É um disco que comprova a já mítica mestria que este projeto oriundo da Carolina do Norte tem revelado ao longo da carreira para criar composições sonoras onde o salutar experimentalismo, que não renega o uso de nenhuma fonte sonora, é a principal filosofia prática no momento de compôr. Neste caso, um sintetizador barato, alguns artefactos da marca Hindustani e um antigo deck de três pistas, foram parte do arsenal utilizado para criar e captar toda a miríade de sonse ruídos que se escutam ao longo deste incrível alinhamento de seis canções.

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Logo nos segundos iniciais de Genericana, um álbum com o artwork da autoria de Pete Schreiner, percebe-se que este disco é um poiso hermeticamente isolado do mundo real que conhecemos e que só é possível usufruir de tudo aquilo que ele tem para nos oferecer se nos deixarmos levar pela sua doutrina. Começa-se a escutar Surf A e percebe-se que ondas de ruído estático, loops de uma bateria eletrónica e alguns efeitos sintetizados muitas vezes impercetíveis são o ganha pão do arquétipo de um tema que acaba por nos apresentar com impressiva fidelidade o ambiente de um alinhamento que volta a repetir esta tríade, mas com outras nuances, em canções que contendo uma falsa sensação de minimalismo e atravessadas por uma guitarra que tanto pode estar eletrificada como ser dedilhada com elevada crueza, encarnam uma banda sonora que serve para os Elephant Micah refletirem e criticarem a realidade de uma América que culturalmente vive numa era em que vê a política a dominar e a condicionar cada vez mais, direta ou indiretamente o mundo do entretenimento.

Genericana tem este claro propósito de colocar em causa todos os estereótipos que parecem nos dias de hoje condicionar todos aqueles que criam musica no outro lado do atlântico. Para Joe O’Connell, o líder deste projeto, é necessário agitar as águas, remexer no que é efetivamente comercial e colocar os consumidores de música a refletirem se aquilo que escutam nos dias de hoje acrescenta ou não algo de importante e significativo às suas vidas. O disco serve também de crítica ao airplay que domina as rádios americanas e o modo como aquela que é a génese da música nativa tem sido abafada pelas recentes tendências da pop. Se Fire A homenageia a essência da country com que O'Connell cresceu e que o fez querer criar música, as distorções de Life A e o clima rugoso de Surf B, olham com particular saudosismo para o rock alternativo noventista, aquele rock que entre o grunge, o garage e outras nuances mais progressivas, mostrou a melhor forma do rock independente do lado de lá.

Em suma, prestando tributo aos melhores dias da música alternativa norte-americana de final do século passado, numa época onde a riqueza e a diversidade até deixaram que sonoridades mais dançantes, como o dub nova iorquino e o techno de Detroit, tivessem um espaço de relevo e de simbiose com o rock da altura (escute-se Fire B), Genericana é a tentativa dos Elephant Micah de criar um álbum que possa servir de ponto de partida para a música de um país que está, na óptica deste grupo, amorfa e demasiado amarrada à ditadura das playlists e das vendas, nomeadamente as digitais e que precisa urgentemente de se reinventar e de encontrar novos caminhos, criativamente mais ricos e salutares. Espero que aprecies asugestão..... 

Elephant Micah - Genericana

01. Surf A
02. Fire A
03. Life A
04. Life B
05. Fire B
06. Surf B


autor stipe07 às 18:10
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2018

Beautify Junkyards - Aquarius

Foi a nove de março último, à boleia da inglesa Ghost Box , que viu a luz do dia The Invisible World of Beautify Junkyards, a nova coleção de canções dos Beautify Junkyards. Este é o terceiro disco deste coletivo formado por João Branco Kyron (sintetizadores e voz), Rita Vian (voz), João Pedro Moreira (viola, sintetizadores), Helena Espvall (violoncelo e viola), Sergue (baixo) e António Watts (bateria e percussões) e que assume de uma vez por todas querer estar na linha da frente do panorama sonoro nacional, através de uma inédita mas convincente folk cósmica, particularmente lisérgica e esplendorosa.

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Primeira aposta internacinal da Ghost Box, The Invisible World of Beautify Junkyards foi misturado por Artur David (Orelha Negra, Mão Morta e Cool Hipnoise), masterizado por Jon Brooks e tem um título feliz porque ao longo do seu alinhamento percebe-se a declarada intenção do projeto em transportar o ouvinte para um universo paralelo ao nosso. Fazem-no mergulhados num mundo controlado por cordas inebriantes e sintetizadores plenos de exotismo, uma eletrónica eminentemente ambiental misturada com folk, que cria melodias que quer claramente levar-nos a passear pelo mundo dos sonhos, algo muito perceptível em Aquarius, o mais recente single retirado do álbum, uma canção assente num extraordinário diálogo percurssivo entre a pafernália instrumental que a sustenta.

Resultado de várias sessões de improviso particularmente inspiradas, The Invisible World of Beautify Junkyards está, em suma, cheio de momentos que configuram um passeio por um universo feito de exaltações melancólicas, que são nada mais nada menos do que um retrato sombrio do estranho quotidiano que sustenta a vida adulta, repleto de alguns instantes em que uma dor profunda que parece em determinados instantes afogar-nos. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, tudo parece servir como assunto, conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade em que vivemos.

Em Outubro, os Beautify Junkyards irão fazer uma pequena digressão no Reino Unido, estando já marcado para vinte e seis de Outubro um concerto numa das mais emblemáticas salas londrinas, o Cafe OTO, numa noite inteiramente dedicada à editora Ghostbox, em que além dos Beautify Junkyards, actuará também a cantora folk Sharron Kraus e o Focus Group de Julian House (DJ). Confere Aquarius...


autor stipe07 às 10:19
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2018

Andrew Belle – Fade Into You

Andrew Belle - Fade Into You

Nascido em Chicago, no Illinois, Andrew Belle lançou o ano passado Dive Deep, um disco com canções escritas e compostas por um dos intérpretes mais importantes da indie pop atual no lado de lá do atlântico, um artista que conhece, com minúcia e destreza, como replicar um ambiente sonoro multicolorido e espetral, sendo claramente influenciado pela paisagem multicultural de Los Angeles, cidade onde Andrew vive atualmente. Agora, quase um ano depois do lançamento desse excelente registo, Andrew Belle acaba de revelar uma versão do clássico Fade Into You dos Mazzy Star.

Com um clima eminentemente etéreo e fortemente climático, a cover preserva a filosofia de um tema que fala sobre a necessidade que todos aqueles que vivem uma relação têm de se conectar do modo o mais empático possível com o outro, numa letra carregada de nostalgia e melancolia e à qual Belle, sem colocar em causa a estrutura meldódica do original, adicionou detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem bastante impressiva por um mundo muito peculiar e intimista. Confere...


autor stipe07 às 12:16
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

Vacationer – Mindset

Filadélfia, nos Estados Unidos da América, é o poiso natural dos Vacationer de Ken Vasoli, um dos projetos de dream pop mais interessantes do outro lado do atlântico e de regresso aos lançamentos discográficos com Mindset, doze canções que viram a luz do dia a vinte e sete de junho último, à boleia da Downtown Records. Mindset sucede a Relief, um álbum editado em dois mil e catorze e o seu título baseia-se naquelas memórias e recordações que vamos guardando na nossa mente e às quais recorremos em instantes mais difíceis para nos devolverem as boas sensações e vibrações positivas que nos ajudam a levantar o ânimo.

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Vacationer é um projeto que parece não encontrar fronteiras apenas dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais num processo de justaposição de vários elementos sonoros. E isso sucede porque ao terceiro disco temos a possibilidade de contemplar delicadas melodias, trespassadas por ritmos cristalinos que parecem ter sido retirados de uma vasta miríade de texturas que nos rodeiam, tal é a sua índole orgânica e expressiva e a capacidade que têm de oferecer ao nosso cérebro as tais sensações felizes, a permissa fundamental que guiou Ken quando criou estas canções.

Apesar desta componente otimista e até algo eufórica de Mindset, o disco não teve um arranque fácil. Vasoli contou com as colaborações essenciais  de Matthew Young e Grant Wheeler, os restantes rostos dos Vacationer, durante o processo de gravação, mas o cerne dos temas foi criado solitariamente, durante meses a fios, um período temporal em que Ken se isolou e, acompanhado por discos dos Beach Boys, Barry White e Curtis Mayfield, arrancou do seu âmago o esqueleto essencial do alinhamento.

A pop sessentista e a eletrónica da década seguinte acabam, assim, por ser influências prementes na sonoridade de Vacationer. Os sintetizadores e as cordas reluzentes de Entrance, a extrema sensibilidade dos arranjos de Magnetism, o clima sereno de Strawberry Blonde, um tema inspirado em Waldo, o cão de Vasoli e o têmpero psicadelico de Being Here, sublimam com mestria esse processo de fazer música, composições que destaquem a emoção e que transportem bonitos sentimentos, num disco mutante, que cria um universo quase impenetrável em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. A própria voz de Vasoli é usada como camada sonora e um elemento essencial na adição de um humanismo eminentemente melancólico a várias canções, um detalhe que confere ao álbum, no seu todo, um tom fortemente denso e que potencia a oscilação necessária para transparecer do seu cerne uma elevada veia sentimental.

Em suma, Mindset serve como uma revolução extremista. Equilibra a nossa mente com sons que recriam as sensações típicas de um sono calmo e com instantes onde reina a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível naquela cavidade do nosso ser às vezes desabitada e sempre irrevogavelmente desconhecida, que é o nosso cérebro. Espero que aprecies a sugestão...

Vacationer - Mindset

01. Entrance
02. Magnetism
03. Euphoria
04. Being Here
05. Strawberry Blonde
06. Late Bloomer
07. Turning
08. Hallucinations
09. Romance
10. Blue Dreaming
11. Green
12. Companionship


autor stipe07 às 14:06
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Patrick Watson – Melody Noir

Patrick Watson - Melody Noir

O canadiano Patrick Watson está de regresso aos discos com Melody Noir, um registo de originais que vai ver a luz do dia muito em breve e do qual acaba de ser revelado o single homónimo, assim como o vídeo, realizado pelo próprio músico e pela conterrânea Brigitte Poupart e produzido por Olivier Sirois.

Esta canção Melody Noir é inspirada num músico venezuelano chamado Simon Diaz e nela Patrick Watson plasma todos os seus predicados quer como dono de uma voz única e multifacetada, da qual sobressai o seu inconfundível falsete, quer como arquiteto de uma sonoridade com raízes na folk, mas que busca uma salutar contemporaneidade ao inserir também alguns detalhes da pop e da eletrónica mais contemplativa.

Importa ainda referir que Patrick Watson está de regresso a Portugal no final do ano para promover este seu novo álbum, mais concretamente de dois a quatro de Dezembro, com Lisboa, Coimbra, Guimarães e Porto a receberem, respectivamente, um dos artistas internacionais mais acarinhados pelo publico português e que deverá fazer-se acompanhar por Joe Grass, na guitarra, Robbie Kuster, na bateria e percurssão e por Mishka Stein, no baixo. Confere...


autor stipe07 às 10:11
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2018

Dusted – Blackout Summer

Como membro fundador do projeto de eletrónica progressiva Holy Fuck, o canadiano Brian Borcherdt passou grande parte da sua carreira artística a compôr música de dança e ativo em sucessivas digressões desse projeto, sempre acompanhadas por milhares de seguidores da banda, conhecida por dar concertos capazes de levar o público quase à exaustão. Mas por trás dessa cortina, Brian foi compondo canções cuja sonoridade está sonora e dramaticamente a milhas dos Holy Fuck e um dia, num breve interregno da agenda frenética do grupo, Brian resolveu que também deveria dar vida a esses temas. Para isso incubou o projeto Dusted, contou com a ajuda de Leon Taheny e abrigado pela Hand Drawn Dracula, estreou-se em 2012 com o registo Total Dust. Agora, seis anos depois, viu finalmente a luz do dia o sucessor, um registo intitulado Blackout Summer, com nove canções criadas a partir de uma guitarra e da voz do autor, um encantador minimalismo que tem levado o grupo a abrir concertos de bandas como os Great Lake Swimmers, Perfume Genius ou A Place To Bury Strangers. Entretanto, aos Dusted juntaram-se Anna Edwards, na guitarra, Loel Campbell na bateria e ocasionalmente Anna Ruddick no baixo.

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Se a música dos Holy Fuck é perfeita para servir de banda sonora de uma noite de festa e diversão, Blackout Summer é aquele disco que queremos por a tocar na manhã seguinte. À medida que conferimos o seu alinhamento cruza-se com os nossos ouvidos uma cortina de sons de forte cariz etéreo e contemplativo e onde bom gosto e sobriedade são caraterísticas muito presentes, logo em Seasons, canção onde Brian mostra todos os seus predicados quer como cantor, quer como criador de melodias com uma luminosidade ímpar. Depois, na ode à pop inebriante do single Backwoods Ritual e no forte travo folk de All I Am, somos brindados com aquilo que mais precisamos numa manhã de ressaca, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze que, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave, possibilita instantes de relaxamento, mas também pode adequar-se a momentos de sedução e que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa, porque é comum essas noites não terminarem sem uma companhia muitas vezes inesperada.

Os Dusted servem-se, então, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. Às vezes pressente-se que Brian não sabe muito bem se queria que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinha a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Dusted, um projeto que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Dusted - Blackout Summer

01. Seasons
02. Backwoods Ritual
03. All I Am
04. Cut Corners
05. Dead Eyes
08. Will Not Disappear
07. No Prison
08. Five Hundred And Four
09. Outline Of A Wolf


autor stipe07 às 14:19
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

Luke Sital-Singh - Just A Song Before I Go EP

Depois da edição o ano passado de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Alguns meses depois, Luke editou Weight Of Love, um EP com quatro canções e que foi divulgado por cá, mas não seria justo deixar de fora desta abordagem recente da nossa redação a Luke Sital-Singh, o EP Just A Song Before I Go, um registo também com quatro temas e que é fortemente influenciado pela passagem do músico pelos Estados Unidos durante essa viagem. Este EP viu a luz do dia no primeiro mês deste ano, através da Dine Alone Records, a morada atual do músico britânico, à semelhança de Weight Of Love e de Time Is A Riddle.

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Luke é exímio a criar canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas, mas também por teclas inspiradas, uma receita que cria melodias deliciosas e repletas de um charme inconfundível que deve muito a alguns dos melhores detalhes não só da folk, mas também da pop contemporânea. A luminosidade do tema homónimo que abre o EP é um bom exemplo disso e a melancolia que está agregada à acusticidade de Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, que foi na mala de Luke na tal viagem e já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith, sendo fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo, acentua a inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Depois, o intimismo subjacente à versão de Harvest Moon, um clássico de Neil Young aqui conduzido por um piano insinuante e pelo inconfundível falsete do artista e, finalmente, o intenso travo à herança mais pura da folk americana em Late For The Sky, reforçam a suavidade melancólica de um EP que é uma ode do autor a alguns dos seus heróis, muitos deles verdadeiros pilares da história musical do outro lado do atlântico, ao mesmo tempo que plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, sempre com um cunho pessoal muito identitário, mesmo quando revisita composições que não são da sua autoria. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:36
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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

Emma Louise – Wish You Well

Emma Louise - Wish You Well

Natural de Brisbane, na Austrália, a cantora e compositora Emma Louise prepara-se para lançar Lilac Everything; A Project by Emma Louise, o seu novo registo de originais que, sendo já o quarto da carreira, começou, curiosamente, a ser incubado logo em 2011 durante as gravações de Full Hearts And Empty Rooms, o seu EP de estreia, algo que a autora confessou recentemente numa rede social (The seed of this project was planted about 5 years ago when I was recording my first album. I heard my vocals slowed down on tape and fell in love with this character. I called the voice Joseph and said I’d one day do a full album with his vocals). 

Lilac Everything; A Project by Emma Louise irá, portanto, marcar uma inflexão na habitual trajetória sonora da cantora, que vai no novo disco dar um maior ênfase à sua prestação vocal, procurando um registo com um grau de dramatismo e de epicidade particularmente vincados, de modo a dar vida ao tal Joseph que ela idealizou. O canadiano Tobias Jesso Jr., produtor do álbum, é também parte fundamental da engrenagem, tendo sido uma das vozes mais encorajadoras para que Emma colocasse finalmente em prática esta sua antiga ambição. O cândido piano e a voz suave de Wish You Well, o primeiro single que acaba de ser divulgado do registo e que foi escrito no México e gravado nos estúdios Bear Creek, em Seattle por Jesso e pelo engenheiro de som Shawn Everett, vencedor de um Grammy,  são nuances que vão claramente ao encontro desse objetivo conceptual. Confere...


autor stipe07 às 15:40
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Sábado, 2 de Junho de 2018

Mazzy Star – Still EP

Quatro anos depois de Seasons Of Your Day, os Mazzy Star de David Roback e Hope Sandoval estão de regresso à boleia da Rhymes of an Hour Records com um ep intitulado Still, um alinhamento de três originais e uma nova versão do clássico da banda So Tonight That I Might See, gravado pela primeira vez há vinte e cinco anos e que deu nome ao disco que a banda lançou em mil novecentos e noventa e três. Recordo que esse disco e o antecessor She Hangs Brightly (1990) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global. Tornaram-se numa espécie de segredo mal guardado, mas que acabou por cimentar muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado. Depois de terem editado três álbuns na década de noventa (além dos discos referidos, Among My Swan viu a luz do dia em mil novecentos e noventa e seis), Roback e Sandoval dedicaram-se a alguns projetos paralelos e às suas carreiras a solo, com o já referido Seasons Of Your Day, em 2003, a marcar uma nova etapa dos Mazzy Star que recebe com este EP mais um pequeno mas qualitativamente significativo fôlego.

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Quiet, The Winter Harbor abre Still com Roback a assegurar a condução de um planante e melancólico piano, em redor do qual a voz de Sandoval divaga com a sua habitual assinatura doce e contemplativa e pela qual os anos parecem que não passam. Depois, o florescer melancólico que passeia pelas cordas e pelo efeito de That May Again e a altivez lo fi que exala do poema e do violão que conduz o tema homónimo, fazem-nos avivar a memória relativamente ao modo como fomos tocados no nosso âmago, há quase trinta anos, por uma fórmula que apostava em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levavam numa viagem algo sombria por um mundo tímido. Finalmente, o orgão e o reverb contínuo de So Tonight That I Might See, fornecendo-nos uma atmosfera mais psicadélica, mostram-nos uma tentativa clara da dupla em se contextualizar com algumas das novas tendências do rock mais ambiental, sem deixarem de imprimir o seu cunho identitário, numa versão plena de lisergia e espiritualidade.

Vinte e oito anos depois da estreia, este projeto californiano continua a alimentar em Still a sua saga feita de um negro romantismo que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios e particularmente hipnóticos e submersivos, mas que também sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, feito ao som de canções com um sabor bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Still

01. Quiet, The Winter Harbor
02. That Way Again
03. Still
04. So Tonight That I Might See (.ascension version)


autor stipe07 às 14:57
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Sábado, 26 de Maio de 2018

Snow Patrol – Wildness

Não é segredo nenhum para ninguém que os irlandeses Snow Patrol são uma das minhas bandas prediletas, sendo sempre aguardado por mim com enorme e redobrada expetativa cada novo disco deles. E Wildness, disco que esta banda formada em 1994 em Dundee acaba de lançar, naturalmente não é exceção. É o sétimo trabalho de estúdio desta banda liderada por Gary Lightbody, foi produzido por Jacknife Lee e mostra o projeto a tentar afastar-se um pouco daquela pop eloquente que caraterizou os registos mais recentes, para voltar a acertar contas com atmosferas mais melancólicas e introspetivas, como se percebe logo nas cordas e no clima etéreo dos arranjos de Life On Earth, a cativante composição que abre Wildness e talvez o seu momento mais alto, juntamente com o arrepiante abraço entre Lightbody e o piano em What If This Is All the Love You Ever Get?.

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Nos primeiros discos dos Snow Patrol sempre foram audíveis canções desenvolvidas com afinco e assentes num jogo de versos cuidadoso, sincero e trabalhado, tendo sempre por base um indie rock bastante rugoso e algo experimental que tanto piscava o olho ao grunge norte-americano como a alguns dos detalhes essenciais da brit mais alternativa e psicadélica. Com a chegada de Eyes Open, já no novo século, o grupo optou por uma fórmula mais pop, assente num catálogo de sons convencionais e característicos de uma radiofonia que acabou por ir ocultando a beleza explorada pelo grupo nos anos iniciais. Em Wildness essa fórmula não é totalmente renegada, mas os pianos melancolicamente projetados e as guitarras carregadas de efeitos, também dão protagonismo à acusticidade das cordas, com o exemplo já referido e o clima folk de Don’t Give In, assim como o brilho mágico de A Youth Written On Fire, a oferecerem-nos uns Snow Patrol mais serenos, debruçando-se, sem receios, em alguns dos problemas mais recentes que mexeram com o âmago de Lightbody, nomeadamente a demência do seu pai, publicamente conhecida e retratada em Soon, outro momentos maior do disco e o modo como lidou com a sua adição ao alcoolismo, ainda não totalmente resolvida, apesar de Gary ter afirmado recentemente estar sóbrio há mais de dois anos.

Temos então em Wildness um disco mais confessional e que serve, parece-me, para exorcizar alguns fantasmas, servindo como uma espécie de ponto de recomeço depois da ausência dos Snow Patrol de mais de meia década do formato álbum. Mas, apesar desta filosofia do registo, estas são músicas das quais muitos de nós se podem apropriar, ou seja, tendo sido incubadas a partir da reflexão pessoal de alguém que viveu recentemente dias complicados, contêm aquela desejada universalidade já que acabam por abordar temáticas comuns reais e íntimas a tantos de nós.

Disco sóbrio e tremendamente honesto, Wildness volta a deixar-nos rendidos ao especial talento que Lightbody tem para cantar sobre o amor e o desassossego que tantas vezes ele nos causa, principalmente qundo perdemos algo ou alguém que parece ser parte de nós. Para os Snow Patrol parece funcionar como uma espécie de confortável regresso ao espaço natural de um conjunto de intérpretes que estiveram ultimamente habituados a grandes multidões mas que precisavam de estar novamente no seu próprio espaço reduzido e intimista e rodeados dos instrumentos que mais apreciam, para evocarem tranquilamente alguns dos traços mais nostálgicos e sensíveis da existência humana. Espero que aprecies a sugestão... 

Snow Patrol - Wildness

01. Life On Earth
02. Don’t Give In
03. Heal Me
04. Empress
05. A Dark Switch
06. What If This Is All the Love You Ever Get?
07. A Youth Written In Fire
08. Soon
09. Wild Horses
10. Life And Death


autor stipe07 às 16:18
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