Quarta-feira, 20 de Maio de 2020

Perfume Genius - Set My Heart On Fire Immediately

Já chegou aos escaparates Set My Heart On Fire Immediately, o quinto registo de originais de Mike Hadreas aka Perfume Genius, um registo de treze canções produzido por Blake Mills, habitual colaborador do artista e que sucede ao muito aclamado álbum No Shape, com quase três anos de existência.

With Set My Heart On Fire Immediately, Perfume Genius makes a home ...

Figura ímpar e até central da indie pop contemporânea de Seattle, o norte-americano Mike Hadreas tem sabido, como mais ninguém, como conciliar o seu conturbado e problemático universo pessoal, com o processo de criação artística que tem desenvolvido e que tem o firme propósito de exorcizar muitos dos demónios que o atormentam, de modo a seguir de modo feliz a sua permanência neste mundo repleto de estereótipos e especialista na rotulagem simplista, baseada em primeiras impressões.

Assim, há quase uma década que Perfume Genius oferece-nos momentos sonoros que, sendo essencialmente soturnos e abertamente sofridos, ampliam continuamente, disco após disco, as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que, como de algum modo já referi, são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia. Set My Heart On Fire Immediately não foge de tais permissas, proporcionando-nos mais um emotivo e exigente encontro com o âmago do autor e toda a intrincada teia relacional que ele estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena, até porque ele coloca-se permanentemente a linha da frente de uma questão muito em voga no meio artístico norte-americano, relacionada com a transsexualidade, cada vez mais uma arma de arremesso felizmente eficaz contra a opressão da direita conservadora.

Disco que tanto aposta numa filosofia performativa que privilegia um aparato tecnológico amplo, mas também repleto de instantes orgânicos de profunda acusticidade e rara beleza, Set My Heart On Fire Immediately, começou a ser idealizado logo após a edição de No Shape e importa ressalvar que Hadreas, durante este intervalo entre os dois discos, também criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch e participou em diversas colaborações, com especial destaque para a que o juntou com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo, intituladaThe Sun Still Burns Here. Estas experiências profissionais fora da esfera Perfume Genius acabaram por ter reflexo no conteúdo final deste novo trabalho do músico, que nos oferece o alinhamento mais coeso, límpido,  intenso, intimista e despojado da sua discografia.

Assim, se neste registo temos canções, como On The Floor, que tantos nos levam numa intensa viagem no tempo até á melhor pop oitocentista, à boleia de guitarras algo divagantes e com efeitos metálicos bastante charmosos, mas também Moonbend, um soporífero frenesim sintético, outras, nomeadamente Whole Life, um tema assente num ilustre piano, assim como as harpas e os violinos de Leave, as cordas empoeiradas e o fuzz de Describe, a melhor canção do álbum, e a exuberância percurssiva de Without You, oferecem-nos aquele pendor mais rugoso e impulsivo que carateriza, com igual peso, os caminhos de expressão musical inéditos da discografia e das formas de Hadreas se revelar a quem quer conhecer a sua personalidade. No final deste equilíbrio perfeito, temos o disco mais consistente e feliz do músicom, um registo que lança os holofotes não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, já que ajuda ao contacto e à tomada de consciência de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Set My Heart On Fire Immediately

01. Whole Life
02. Describe
03. Without You
04. Jason
05. Leave
06. On The Floor
07. Your Body Changes Everything
08. Moonbend
09. Just A Touch
10. Nothing At All
11. One More Try
12. Some Dream
13. Borrowed Light

 


autor stipe07 às 14:56
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2020

Homem em Catarse - sem palavras | cem palavras

Homem em Catarse é o alter ego musical do músico Afonso Dorido, um exímio guitarrista que começou a sua aventura musical há já meia década com Guarda Rios, um EP auto-editado. Dois anos depois veio o tão aguardado registo de estreia em formato álbum, um trabalho intitulado Viagem Interior e que nos oferecia um percurso às principais cidades de Portugal profundo. sem palavras, cem palavras é a sua nova etapa discográfica, um disco com um brilho raro e inédito no panorama nacional, feito por um projeto que não conhecia antes de ouvir este trabalho, mas que já percebi que é  exímio a compôr canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

Sem Palavras, Cem Palavras”: teremos sempre a música, Homem em ...

Logo na deliciosa intimidade que sobressai do piano de Tu eras apenas uma pequena folha, percebe-se que o Afonso não tem pudores em servir-se da música como um veículo privilegiado para nos mostrar, de modo realisticamente impressivo, o seu ímpeto criativo e como isso lhe alimenta a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. Depois, a simplicidade melódica e o imediatismo planante das cordas que se entrecruzam na lisérgica Hey Vini! e o banquete sintético de forte cariz progressivo que conduz Hotel Saturnyo, acabam por personificar com excelência a (apenas) dicotomia de um título, que pode transmitir a ideia de que a idealização do conteúdo do registo não teve como permissa essencial o desejo de transmissão de ideias concretas, quando aquilo que acontece, ao longo da audição do trabalho, eminentemente instrumental, é, exatamente, um bombadeamento constante de pensamentos, conceitos e até opiniões, tenhamos nós, ouvintes,a predisposição para nos deixarmos enlear e enfeitiçar por estas canções.

O disco prossegue e se a crueza e a simplicidade acústica de Marie Bonheur parecem evocar a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula nas teclas que nos instigam em Calle del Amor, a simultaneamente intrigante e sedutora destreza maquinal e orgânica em que assenta Yo La Tengo e a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte ao que sabe a frenética Danças Marcianas, são mais momentos altos que comprovam a notável abrangência autoral de um artista que assina neste sem palavaras I cem palavras um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Homem em Catarse. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:49
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2020

EOB – Earth

Um importante marco discográfico de dois mil e vinte é, certamente, o disco de estreia da carreira a solo de Ed O'Brien, guitarrista dos Radiohead. Earth é o feliz nome desse trabalho e tem nos créditos Flood, como responsável pela produção, o experiente Alan Moulder na mistura e o baixista Colin Greenwood, também membro dos Radiohead, como destacado convidado, além de Laura Marling, Adrian Utley (Portishead), Nathan East, Glenn Kotche (Wilco), Omar Hakim, Adam “Cecil” Bartlett, David Okumu e Richie Kennedy, entre outros.

EOB – 'Earth' review: Radiohead guitarist Ed O'Brien proves ...

Disco fortemente marcado pelo período em que Ed O'Brien viveu no Barsil no início da década passada com a sua família, Earth é um álbum de homenagem, mas também de alerta. Pretende, antes de mais e primeiro que tudo, agradecer a esta bola azul que tantas vezes maltratamos, o facto de ter acolhido a nossa espécie, mas também, e de um modo bastante impressivo, chamar a atenção de todos nós para o modo agressivo como estamos a cuidar deste lar que é de todos, mas que, tantas vezes, parece ser de tão poucos. Canções como Banksters, a composição mais parecida com o catálogo mais recente da banda de origem dos Radiohead e onde se estranha apenas a ausência vocal de Thom Yorke, Shangri-La, um delicioso portento percurssivo que progride e oscila entre o orgânico e o sintético com inquestionável inquietude, a acusticidade climática do tratado pop que define Deep Days e, no mesmo hemisfério sonoro, mas de modo ainda mais íntimo, a soturna Long Time Coming, são canções criadas com o firme propósito de nos fazer contemplar as maravilhas do nosso planeta e consciencializar-nos para a necessidade de o tratarmos com amor e devoção

Santa Teresa, nome de um bairro dos arredores do Rio de Janeiro, oferece a faceta política de Earth,  uma composição de cariz eminentemente ambiental, assente em diversos fragmentos samplados, agregados em redor de um fluído de elevado travo orgânico e que nos faz sentir que estamos no local que serviu de inspiração à composição. Já Brasil, uma extensa canção que progride de uma eletrónica ambiental de pendor vincadamente acústico para um espetro rock amplificado pelo vigoroso baixo de Greenwood e pelo excelente trabalho percurssivo de Omar Hakim, é um espelho dos tempos em que vivemos e do modo intrigante e, de certo modo, confrangedor como a liderança desse país tem olhado para as riquezas em que vive e tudo aquilo que de prejudicial tem provocado nele.

Brasil, país assolado por diversas catástrofes naturais nos últimos tempos, com especial destaque para os fogos extensos que ocorreram recentemente na Amazónia e o descontrole pandémico provocado pelo Civd-19, acaba por ser um espelho fiel desse modo desregulado como tratamos a nossa casa. Entre o rock, a eletrónica, a soul e a chillwave, em Earth O'Brien quer colocar novamente os holofotes no centro desse flagelo, mas também procurar dar uma perspetiva otimista e mais poética de todo este enredo, acreditando que ainda é possível que a espécie humana se una no objetivo comum de não deixar que a sua casa se deteriore irreversivelmente. Espero que aprecies a sugestão...

EOB - Earth

01. Shangri-La
02. Brasil
03. Deep Days
04. Long Time Coming
05. Mass
06. Banksters
07. Sail On
08. Olympik
09. Cloak Of The Night (Feat. Laura Marling)


autor stipe07 às 12:04
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2020

Happyness – Floatr

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, incubado por um dos projetos mais subestimados da indie britânica e que após um aclamado EP homónimo editado em dois mil e treze, se estreou nos lançamentos no verão de dois mil e quinze com Weird Little Birthday, uma notável estreia que teve seguimento em Write In, dois anos depois, um registo com rara beleza, sobriedade e sensibilidade. Agora, mantendo a cadência de lançamentos, os Happyness brindam-nos com este Floatr, uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente e que se alimenta, essencialmente, da cadência de guitarras acústicas e eletrificadas, domadas com uma elevada toada experimental.

Happyness review, Floatr: Band explore what motivates us through ...

É, portanto, e como se percebe logo em title track, na deliciosa oscilação entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, que navegamos em Floatr, um disco em que estas mesmas cordas também oferecem ao baixo interessante protagonismo, evidente logo de seguida, em  Milk Float, instrumento que sustenta as diferentes variações rítmicas do tema, mas também os refrões esplendorosos de canções como Vegetable, uma daquelas composições que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental, ou Och (yup), tema frenético e abrasivo, com um forte cariz político e muito marcado pelo brexit.

O indispensável equilíbrio que oferece ao disco abrangência e heterogeneidade, como se exige a projetos que pretendam abraçar uma vasta multiplicidade de públicos sem perderem o seu adn alternativo, está bem vincado na delicadeza da bateria e no efeito metálico de Bothsidesing, na astuta sensibilidade do piano que conduz When I’m Far Away (From You), e nos diferentes arranjos orquestrais que contornam as teclas, assim como na contemplativa e luminosa acusticidade de Undone, que é depois trespassada por uma vigorosa trama orquestral feita dos melhores ingredients da pop contemporânea, uma das composições melodicamente mais felizes de Floatr

Este novo álbum dos Happyness é, sem sombra de dúvida, uma das surpresas mais refrescantes e animadoras deste início de primavera, um registo que atesta a ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância, enquanto encarna uma  fantástica viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Quem escutar este registo e não desejar ardentemente ser uma drag queen nem que seja só por um dia, não captou a plenitude da sua essência libertadora. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Floatr

01. Title Track
02. Milk Float
03. When I’m Far Away (From You)
04. Vegetable
05. What Isn’t Nurture
06. Bothsidesing
07. Undone
08. Anvil Bitch
09. Ouch (yup)
10. (I Kissed The Smile On Your Face)
11. Seeing Eye Dog


autor stipe07 às 10:44
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2020

The Dears – I Know What You’re Thinking And It’s Awful

The Dears - I Know What You're Thinking And It's Awful

O quinteto canadiano The Dears, liderado pelo casal Murray Lightburn e Natalia Yanchak, acaba de divulgar um belíssimo avanço para Lovers Rock, o disco que este projeto sedeado em Montréal, se prepara para lançar digitalmente no final da próxima semana. A edição física, em vinil, chegará aos escaparates mais tarde, a vinte e um de agosto, à boleia da Dangerbird Records.

I Know What You’re Thinking And It's Awful é o nome desse novo tema dos The Dears, uma balada pop, que impressiona pela irrepreensível prestação vocal do casal e pela intensidade emotiva das cordas e das teclas e que nasceu de uma noticia trágica que Murray viu sobre uma operação policial de captura de dois adolescentes acusados de homicídio e que acabaram por ser encontrados sem vida. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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Quarta-feira, 29 de Abril de 2020

Foreign Fields – The Beauty Of Survival

Eric Hillman e Brian Holl são os Foreign Fields, uma dupla norte americana, natural de Nashville, que se tem notabilizado desde dois mil e doze, quando se estrearam com o registo Anywhere But Where Am I, uma consistente coleção de treze canções construídas com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o segundo longa duração do projeto, lançado no final de dois mil e dezasseis, assumiu-se como o lógico passo em frente desse glorioso percurso inicial, um disco assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

Resultado de imagem para Foreign Fields – Don’t Give Up

Agora, quando ainda se abrem as cortinas de dois mil e vinte, Take Cover tem finalmente sucessor anunciado.The Beauty Of Survival é o terceiro álbum da dupla, um trabalho misturado por Joe Visciano e que nos oferece mais uma banda sonora perfeita para elevar o ego e induzir a tua alma de boas vibrações neste período de confinamento e recolhimento, muito propício à letargia e à intropia mental.

Se quiseres mostrar-te disponível a ouvir The Beauty Of Survival com a devoção que este disco merece e se estiveres disposto a te deixares envolver pela indesmentível aúrea de beleza e esplendor que o seu alinhamento contém, então prepara-te porque ao longo dos seus quase quarenta minutos de duração vais ser trespassado por um verdadeiro oásis de poesia comovente, adornada por uma interpretação instrumental rica em detalhes e onde a folk mais clássica e luminosa, profundamente orgânica e sensorial, feita de pianos e cordas efervescentes, é quem mais dita a sua lei.

Do lindíssimo dedilhar de Brand New, um tema típico de início de disco, que nos atiça, levanta e coloca em apurado sentido os nossos sentidos, até ao clima mais orquestral e opulento de Terrible Times, passando pelo exercício de recolhimento sincero a que sabe Light On Your Face e a mestria do rugoso dedilhar acústico da guitarra que conduz Don't Give Up e em redor da qual diferentes texturas e arranjos, proporcionados por teclas e diversos elementos percurssivos e de sopros, se entrelaçam com um agridoce registo vocal, no qual se inclui uma belíssima segunda voz, plena de emotividade e nostalgia, são vários os instantes de absoluto deslumbramento de um registo carregado de esperança para todos aqueles que já duvidam que são reconhecidos lá fora e não percebem muito bem se ainda estão realmente vivos, apesar de habitarem num organismo palpitante de vida. The Beauty Of Survival indica-nos o caminho rumo à luz nestes tempos de escuridão. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Fields - The Beauty Of Survival

01. Brand New
02. Don’t Give Up
03. Terrible Times
04. Light On Your Face
05. Only Water
06. A Better Person
07. Rose Colored
08. The Beauty Of Survival
09. Terrible Times (Reprise)


autor stipe07 às 13:58
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Domingo, 26 de Abril de 2020

James Blake – You’re Too Precious

James Blake - You're Too Precious

Tem cerca de um ano Assume Form, o último registo de originais do londrino James Blake, um álbum que, curiosamente, acabou por afastar o músico um pouco dos holofotes e da vida pública. No entanto, o estado atual global de confinamento parece ter provocado em Blake uma nova vontade de mostrar serviço, que se tem materializado em algumas aparições ao vivo no seu instagram, desde Los Angeles, onde habita atualmente. Nesses mini-concertos Blake já cantou vários clássicos do seu catálogo, mas também uma versão muito feliz de No Surprises, grande tema dos Radiohead e, numa outra aparição,  uma cover de  Georgia On My Mind, original de Ray Charles, gravado em mil novecentos e sessenta e de The First Time Ever I Saw Your Face, um tratado folk da autoria de Roberta Flack, gravado em mil novecentos e sessenta e nove e que ganhou enorme notoriedade quando fez parte da banda sonora de Play Misty Fo Me, o primeiro filme de Clint Eastwood.

Agora, muito recentemente, James Blake coloca a cereja no topo do bolo com a edição de um novo single original. A canção chama-se You're Too Precious, encarna uma paisagem sonora assente num minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental e está impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com particular devoção. Confere...


autor stipe07 às 21:04
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2020

Happyness – Ouch (yup)

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, de onde já foram retirados três singles. De facto, Ouch (yup) é já o terceiro tema extraído do registo, depois de Vegetable e Seeing Eye Dog e mais um belo prenúncio do conteúdo do terceiro álbum do grupo, que chegará aos escaparates no primeiro dia do próximo mês de maio.

Happyness preview new album with third single “Ouch (Yup)”

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Ouch (yup) é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo desta canção, com um forte cariz político e muito marcada pelo brexit, acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...


autor stipe07 às 18:44
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

Luke Sital-Singh - New Haze EP

Depois da edição, em dezembro último, de uma cover do clássico Strange & Beautiful (I’ll Put A Spell On You), um original de dois mil e dois do projeto Aqualung, e que sucedeu aos EPs Just A Song Before I Go e Weight Of Love e ao disco A Golden State, o britânico Luke Sital-Singh, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, acaba de lançar um EP recheado de colaborações, intitulado New Haze, quatro canções que chegaram aos escaparates hoje mesmo, através da etiqueta The Orchard.

Luke Sital-Singh “Undefeated” – Listen – Americana UK

New Haze abre de forma luminosa e vibrante com Almost Home, composição cujos créditos Sital-Singh divide com o amigo Steve Aeillo (Lana Del Ray, Mumford & Sons, Thirty Seconds To Mars) e na qual o músico se debruça sobre os normais dilemas de quem fez uma mudança de residência e de vida transatlântica e de como isso pode redifinir aquele conceito de casa que todos temos e que pode variar imenso de pessoa para pessoa. Logo a seguir o delicioso aviamento com cordas e outros arranjos eletrificados impregnados de uma pegada folk eminentemente melancólica, prossegue com Skin Of A Fool, numa toada um pouco mais intimista e acústica, que atinge elevado grau de brilhantismo em My Sweet Tide e um peculiar dramatismo em Undefeated, num resultado final tremendamente fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico britânico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na génese, transborda. Espero que aprecies a sugestão...

Luke Sital-Singh - New Haze

01. Almost Home
02. Skin Of A Fool
03. My Sweet Side
04. Undefeated


autor stipe07 às 22:08
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Segunda-feira, 30 de Março de 2020

Dela Marmy - Captured Fantasy EP

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último.

Dela Marmy - Not Real - man on the moon

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Assim, do notável festim sintético que adorna a guitarra planante que sustenta Flying Fishes, até ao delicioso charme contemplativo que nos proporciona a romântica Take Me Back Home, passando pelo travo pop muito peculiar de Not Real, arquitetado por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, numa canção pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, são vários os momentos deliciosos de um EP cujo birlhantismo é rematado por um registo vocal ecoante que confere ao alinhamento, no seu todo, um charme intenso e tipicamente feminino, como, aliás, convém. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:51
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Segunda-feira, 23 de Março de 2020

MGMT – As You Move Through The World

MGMT - As You Move Through The World

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, voltou a dar sinais de vida recentemente com um single de 12 polegadas com os temas In The Afternoon e o b side As You Move Through The World, sendo esta edição a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

Como certamente se recordam, a nossa redação fez eco desse lançamento no passado mês de dezembro, descrevendo e divulgado o lado a do 12'', o tema In The Afternoon, canção também com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann e que coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes.

Ora, a dupla tinha previsto editar o b side As You Move Through The World também como single, mas só dqui a algumas semanas. No entanto, como a pandemia do covid-19 forçou os MGMT a cancelar alguns concertos, nomeadamente no México e no Texas, a dupla resolveu antecipar a divulgação da canção, um instrumental com mais de sete minutos impregnados com um ímpar experimentalismo, repleto de sintetizadores com uma elevada vibe psicadélica, receita que nos remete para a melhor herança do house ambiental de final do século passado.  Confere...

 


autor stipe07 às 21:27
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Sexta-feira, 20 de Março de 2020

The Proper Ornaments - Mission Bells

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns de dois mil e dezanove para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting, ao qual se juntam Bobby Syme e Max Oscarnold e, mais recentemente, o baixista Nathalie Bruno.

Resultado de imagem para The Proper Ornaments - Mission Bells

Mission Bells, um registo sombrio mas edificante, começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins, com o esboço de muitas das suas canções a verem a luz do dia em soundchecks e jam sessions, pela Europa fora, durante essa epopeia. Depois os quatro membros da banda começaram a gravar, no verão passado, no estúdio doméstico de Hoare em Finsbury Park, Londres, usando a mesma pafernália tecnológica utilizada no disco anterior, mas também a incorporarem um sequenciador moog e outros instrumentos eletrónicos, detalhes que explicam, desde logo, uma maior riqueza estilística e ao nível dos detalhes e dos arranjos, relativamente ao registo anterior, não faltando aquela espantosa simplicidade de Waiting For The Summer, o disco de estreia do projeto e a suprema melancolia que banhou Foxhole, um dos melhores álbuns de dois mil e dezassete, nuances que, no seu todo, suportam a elevada bitola qualitativa melódica de Mission Bells e, durante a sua interpretação instrumental, o claro domínio do som que tipifica este projeto.

Assim, escutar Mission Bells traz logo à tona aquela curiosa sensação que muitas vezes temos e que nos diz que estamos na presença de um álbum que foi concebido de modo bastante intuitivo e aparentemente sem qualquer esforço. De facto, este é um alinhamento com um clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo e que nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, fazendo-o com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram, como de certo modo já referi, intensas, ousadas e surpreendentes.

Composições do calibre de Purple Heart, o tema que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos oferece um delicioso banquete de cordas luminosas, a rugosa toada misteriosa e flutuante de Downtown, a pueril acusticidade solarenga de Black Tar, a luxuriante folk psicadélica que banha Broken Insect, o momento mais alto do registo, ou a deliciosa dança sedutora que várias guitarras, elétricas e acústicas, executam na intrigante The Impeccable Lawns, sustentam a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo, ampliada também pela maturidade lírica que os The Proper Ornaments exalam no seu alinhamento e que disserta essencialmente  sobre o que é viver nestes tempos distópicos e algo confusos e conturbados.

Mission Bells é, em suma, uma conquista majestosa, um turbilhão musical em que as suas harmonias nos levam a um estado sonâmbulo irreversível, deixando-nos presos entre a terra dos sonhos e as horas de vigília. E a maior beleza disso é que não vamos querer escapar depressa deste clausura, mesmo que a porta esteja aberta enquanto a vida pós-moderna nos espera do lado de fora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:23
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Terça-feira, 17 de Março de 2020

Perfume Genius – On The Floor

Perfume Genius - On The Floor

Será a quinze de maio próximo que irá chegar aos escaparates Set My Heart On Fire Immediately, o quinto registo de originais de Mike Hadreas aka Perfume Genius, registo produzido por Blake Mills, habitual coloaborador do artista e que irá suceder ao muito aclamado álbum No Shape, com quase três anos de existência. 

Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este período, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape, ter autorizado algumas remisturas e participado em colaborações, com especial destaque para a que o juntou com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo, intituladaThe Sun Still Burns Here.

On The Floor é o mais recente single divulgado de Set My Heart On Fire Immediately, uma composição que nos leva numa intensa viagem no tempo até á melhor pop oitocentista, à boleia de uma guitarra algo divagante e com um efeito metálico bastante charmoso, que se alia a um registo percurssivo com um groove bastante animado, num resultado final bastante luminoso, emotivo, melodicamente bem conseguido e até algo inédito tendo em conta a sua discografia. Confere...


autor stipe07 às 22:02
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Quarta-feira, 4 de Março de 2020

Grutera - Fica Entre Nós

Será a quatro de maio e à boleia da Planalto Records que irá ver a luz do dia Aconteceu, o quarto disco do projeto Grutera, assinado por Guilherme Efe, um músico nascido em pleno verão de mil novecentos e noventa e um e que, segundo reza à lenda, chegou ao nosso mundo todo nu, careca, sem dentes e cheio de sangue da barriga de sua mãe. As más línguas também referem que na altura o músico ainda não sabia tocar guitarra, porque não tinha unhas, mas provavelmente já sabia que era isso que faria o resto da sua vida, ainda que paralelamente tivesse qualquer outra atividade, mais ou menos lícita, mais ou menos nobre, com que fizesse mais ou menos dinheiro.

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Guilherme começou a sua carreira artística a tocar guitarra em bandas de metal, depois descobriu os recônditos prazeres da guitarra clássica e percebeu que seria por aí que iria conseguir alcançar a tão almejada fama, riqueza e sucesso, que tanto ambicionava desde o ventre materno, ou pelo menos, fazer música que o emocionasse e que melhorasse alguns minutos da vida de alguém que a ouvisse.

O percurso discográfico de Guilherme começou há cerca de oito anos com Palavras Gastas, no ano seguinte chegou aos escaparates o registo Sempre e dois anos depois viu a luz do dia Sur Lie, o antecessor deste Aconteceu, que foi gravado numa pequena adega, em casa dos pais do músico e que quebra um hiato de meia década, tendo começado a ser incubado em Braga desde dois mil e dezassete, com a ajuda de Tiago e Diogo Simão, que já tinham tido um papel preponderante nos três trabalhos anteriores deste projeto Grutera.

Fica Entre Nós é o primeiro single divulgado de Aconteceu, uma instrumental dedilhado divinamente à guitarra e que versa sobre a cumplicidade, um sentimento que pode ser entre duas pessoas como entre pessoas e as suas tradições. O próprio vídeo da canção tem essa faceta bem impressa, ao mostrar uma necessidade cada vez mais premente de conservar costumes e preservar espaços e gentes locais. Gentes que, muitas vezes, se vêm expulsas das suas raízes pela força do turismo e dos interesses económicos, que tanto podem ter de bom como de mau, se não existir um equilíbrio. Confere...

CONCERTOS

5 de Abril/ Festival Santos da Casa, Coimbra

4 de Junho/ Maus, Hábitos, Porto

5 de Junho/ Clav Sessions, Vermil

13 de Junho/ CAE Sever do Vouga

25 de Setembro/ Casa da Cultura, Setúbal

https://m.facebook.com/grutera1

https://grutera1.bandcamp.com/ 

https://soundcloud.com/grutera1


autor stipe07 às 13:09
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020

Foreign Fields – Don’t Give Up

Eric Hillman e Brian Holl são os Foreign Fields, uma dupla norte americana, natural de Nashville, que se tem notabilizado desde dois mil e doze, quando se estrearam com o registo Anywhere But Where Am I, uma consistente coleção de treze canções construídas com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o segundo longa duração do projeto, lançado no final de dois mil e dezasseis, assumiu-se como o lógico passo em frente desse glorioso percurso inicial, um disco assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

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Agora, quando ainda se abrem as cortinas de dois mil e vinte, Take Cover tem finalmente sucessor anunciado. The Beauty Of Survival será o terceiro álbum da dupla, um trabalho que tem em Don't Give Up, um dos temas já divulgados, uma composição que assenta num rugoso dedilhar acústico da guitarra, em redor da qual diferentes texturas e arranjos, proporcionados por teclas e diversos elementos percurssivos,de sopros e um agridoce registo vocal, no qual se inclui uma belíssima segunda voz, plena de emotividade e nostalgia. Uma sedutora e pueril canção, ideal para contrabalançar estes dias mais negros e conturbados em que vivemos. Confere...

Foreign Fields - Don't Give Up


autor stipe07 às 14:01
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

Dela Marmy - Not Real

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty Place, Stellar, Mari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor na forja e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e verá a luz do dia a vinte e sete de março próximo.

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Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Not Real é o primeiro single divulgado de Captured Fantasy, uma canção com um travo pop muito peculiar, arquitetada por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, uma composição inconfundível, pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, abrilhantada por um registo vocal ecoante que lhe confere um charme intenso.

O teledisco da canção é realizado pela CASOTA Collective (elementos dos First Breath After Coma). De acordo como press release de lançamento do single, no vídeo o colectivo leiriense reflecte sobre a certeza que temos do que é real, abordando também a percepção dos outros em relação à nossa realidade, claramente  inventada. Viver numa fantasia/realidade que não é reconhecida, passar e pisar o limite dos padrões sociais, estender e contornar as fronteiras do Real, inventar, sugerir e arquitectar horizontes mais amplos à vida, finita, que inevitavelmente vivemos. Confere Not Real e o alinhamento de Captured Fantasy...

Flying Fishes

Tempest

Old Human

Not Real

Take Me Back Home feat.TYTUN

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autor stipe07 às 10:46
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020

The Artist Is Irrelevant - The Artist Is Irrelevant

Foi com o apoio da GDA que viu a luz do dia The Artist Is Irrelevant, o disco homónimo de estreia do projeto The Artist Is Irrelevant, assinado por um autor anónimo que, para preservar essa recusa de divulgação da identidade, não irá dar qualquer concerto de promoção ao trabalho. De certo modo justifica-se esta opção, já que estamos a falar de um projeto que não tem o objetivo de colocar os holofotes sobre o músico que está por trás das canções, mas antes concentrar atenções na própria música em si e em toda a panóplia de sentimentos, ideias e emoções que a mesma poderá causar e cuja interpretação acaba por ser, talvez, muito mais genuína, desconhecendo-se o criador e algumas caraterísticas da sua história de vida, elementos que poderiam colocar em causa a pureza interpretativa do conteúdo das suas composições. Em suma, este projeto deixa inteiramente nas mãos dos ouvintes criarem as suas próprias interpretações. Ao mesmo tempo, é também um teste ao valor da música por si só e uma rejeição do culto do “eu” e da imagem, que tem dominado por completo o panorama cultural e social nas últimas décadas.

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The Artist Is Irrelevant tem um alinhamento de oito canções produzidas, misturadas e masterizadas por Noiserv no seu novo estúdio A Loja, que também tem uma participação especial vocal no tema Gizmo, o quinto do alinhamento de The Artist Is Irrelevant. A sua audição permite-nos contemplar uma vibe sonora bastante moderna e atual, mas também nostálgica e algo retro, já que os seus pouco mais de trinta e dois minutos abastecem-se de alguns dos cânones fundamentais da melhor eletrónica ambiental contemporânea, mas também de tiques da pop progressiva e do glam rock dos anos oitenta.

Assim, da pueril Joy, canção perfeita para embalar as mentes mais inquietas e resistentes ao cansaço, deixando-nos naquela letargia típica de quando se dorme e se está acordado, uma dormência que se acentua e que despoleta a nossa capacidade de sonhar de olhos abertos em That Tip-Top Feeling, até à intrincada teia de interseções eletrónicas, batidas subtis e vocais corroídos de Gizmo, passando pela curiosa Play That Sulky Music, White Boy, composição que, de acordo com o seu press releasebrinca com a ideia de que mesmo a música mais soturna também pode ser dançável e viciante, algo que espelha bem os diferentes ambientes ao longo deste tema que começa negro e misterioso e acaba numa poderosa explosão disco, até ao portento de Ladies And Gentlemen We Are Drowning In Space, uma espécie de névoa celestial que nos afaga sem a mínima complacência, The Artist Is Irrelevant, apesar de se sustentar na apenas aparente frieza metálica das máquinas, contém uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos, nuances que nos permitem esquecer tudo o que nos rodeia e refugiar-nos, no seu âmago, numa espécie de feliz isolamento.

Além da audição do disco, importa apreciar com elevada dedicação os vídeos já produzidos de promoção a alguns dos temas de The Artist Is Irrelevant, com particular destaque para An Empty Canvas, filme montado por Pedro Gancho a partir de imagens de férias antigas e que explora visualmente este conceito da música enquanto banda sonora das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...

Site: http://www.theartistisirrelevant.com

Facebook: https://www.facebook.com/theartistisirrelevant/

Instagram: https://www.instagram.com/the_artist_is_irrelevant/


autor stipe07 às 12:48
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

Happyness – Vegetable

Happyness - Vegetable

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan voltam a dar sinais de vida com Vegetable, um belo prenúncio de um novo trabalho do trio, o terceiro, que deverá chegar aos escaparates na segunda metade deste ano de dois mil e vinte.

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Vegetable é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo da canção acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...


autor stipe07 às 11:43
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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020

Noiserv - Meio vs Neutro

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There e, desde o outono de 2016, um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional.

Resultado de imagem para noiserv david santos

Agora, quatro anos depois desse brilhante registo, Noiserv tem finalmente na manga um sucessor, um disco ainda sem nome, mas já com dois temas divulgados, Meio e Neutro. Neles, David regressa novamente a territórios sonoros mais intrincados, subtis e diversificados, com a primeira canção a proporcionar-nos um banquete percurssivo intenso e criativo e a segunda a impressionar pelo modo como diferentes naunces, detalhes e samples se entrelaçam com uma base melódica algo hipnótica, mas extremamente doce e colorida. Em ambas as canções, Noiserv mantém sempre, numa interessante dicotomia, única no cenário alternativo nacional, um intenso charme, induzido por uma filosofia interpretativa que, mesmo tendo por trás um infinito arsenal instrumental, nunca abandona aquele travo minimalista, pueril e meditativo que carateriza o cardápio sonoro deste músico único.

Gravado no no seu novo estúdio A Loja, onde tem também estado a produzir, misturar e masterizar o disco de estreia do projeto The Artist Is Irrelevant, Noiserv dará, no seu novo trabalho, maior protagonismo à lingua de Camões, num álbum que é aguardado com enorme expetativa nesta redação, criado por um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Realce, também, para os dois vídeos que acompanham os singles Meio e Neutro. Em ambos resultam de uma colaboração com os leirienses Casota Collective. No filme de Meio as sonoridades de Noiserv são delicadamente apresentadas pelos movimentos de Marco da Silva Ferreira e em Neutro por Rui Miguel. Confere...


autor stipe07 às 21:45
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020

The Artist Is Irrelevant - Play That Sulky Music, White Boy

É já depois de amanhã, e com o apoio da GDA, que vê a luz do dia The Artist Is Irrelevant, o disco homónimo de estreia do projeto The Artist Is Irrelevant, assinado por um autor anónimo que, para preservar essa recusa de divulgação da identidade, não irá dar qualquer concerto de promoção ao trabalho. De certo modo justifica-se esta opção, já que estamos a falar de um projeto que não tem o objetivo de colocar os holofotes sobre o músico que está por trás das canções, mas antes concentrar atenções na própria música em si e em toda a panóplia de sentimentos, ideias e emoções que a mesma poderá causar e cuja interpretação acaba por ser, talvez, muito mais genuína, desconhecendo-se o criador e algumas caraterísticas da sua história de vida, elementos que poderiam colocar em causa a pureza interpretativa do conteúdo das suas composições. Em suma, este projeto deixa inteiramente nas mãos dos ouvintes criarem as suas próprias interpretações. Ao mesmo tempo, é também um teste ao valor da música por si só e uma rejeição do culto do “eu” e da imagem, que tem dominado por completo o panorama cultural e social nas últimas décadas.

Voltando ao disco, The Artist Is Irrelevant terá um alinhamento de oito canções produzidas, misturadas e masterizadas por Noiserv no seu novo estúdio A Loja, que também tem uma participação especial vocal no tema Gizmo, o quinto do alinhamento de The Artist Is Irrelevant. Enquanto o álbum não vê a luz do dia para ser dissecado clinicamente por cá, a redação de Man On The Moon aproveita para divulgar o single Play That Sulky Music, White Boy, a sétima canção do disco que, de acordo com o seu press releasebrinca, no seu título, com a ideia de que mesmo a música mais soturna também pode ser dançável e viciante, algo que espelha bem os diferentes ambientes ao longo deste tema que começa negro e misterioso e acaba numa poderosa explosão disco.

Registo que terá uma vibe sonora bastante moderna e atual, mas também nostálgica e algo retro, já que se irá abastecer de alguns dos cânones fundamentais da melhor eletrónica ambiental contemporânea, mas também de tiques da pop progressiva e do glam rock dos anos oitenta, The Artist Is Irrelevant vê bem espelhada neste single Play That Sulky Music, White Boy, tais influências, uma composição já com direito a um enigmático vídeo que apresenta o single ao ritmo de um compasso crescente, uma deliciosa opção estilística, porque entronca no próprio andamento rítmico da canção. 

Importa ainda referir que neste momento já está em curso uma campanhade pre-save no Spotify que permitirá a quem se registar não só ser um dos primeiros a ouvir The Artist Is Irrelevant no dia do seu lançamento, como ainda receber imediatamente uma faixa extra ao concluir o registo na campanha. Confere...

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