Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019

Luke Sital-Singh – Strange And Beautiful (I’ll Put A Spell On You)

Luke Sital-Singh - Strange And Beautiful (I'll Put A Spell On You)

Depois da edição de Time Is A Riddle, em dois mil e dezassete, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público o ano transato com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps que tiveram sequência já este ano, na última primavera, com um disco intitulado A Golden State, que foca-se nessa viagem transatlântica que o autor e compositor efetuou e que mudou dramaticamente a sua vida.

Agora, no ocaso de dois mil e dezanove, é tempo do britânico Luke, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, juntar um novo tema ao seu catálogo, uma cover do clássico Strange & Beautiful (I’ll Put A Spell On You), um original de dois mil e dois do projeto Aqualung. Recordo que Luke chegou a fazer parte da banda de suporte dos Aqualung e que trabalhou como artista convidado em discos desse projeto liderado por Matt Hales.

Através de cordas e teclas impregnadas de uma pegada folk eminentemente melancólica, o resultado final desta nova roupagem do tema é tremendamente fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico britânico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na génese, transborda, um modus operandi sempre profundo, intimista e bastante reflexivo. Confere a cover e o original de Strange And Beautiful (I’ll Put A Spell On You)...


autor stipe07 às 13:13
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Sábado, 7 de Dezembro de 2019

Taïs Reganelli - Tanto Mar (Chico Buarque)

Filha de pais brasileiros, Taïs Reganelli nasceu em Berna, na Suíça, há quarenta e um anos, durante o exílio político de seu pai, o jornalista Wilson Roberto Reganelli, que foi embora do Brasil após a morte de seu companheiro de trabalho, o também jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. A família viveu na Suíça doze anos antes de voltar definitivamente ao país natal, para Campinas, no interior de São Paulo, quase no ocaso da década de oitenta do século passado.

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Taïs Reganelli iniciou sua carreira ainda na adolescência, cantando em bares, teatros e espaços culturais da cidade, sempre acompanhada de seu irmão mais velho, o violonista Henrique Torres, com quem formou um duo por mais de vinte anos. Em mil novecentos e noventa e nove, fixou-se em Itália onde durante dois anos deu vários concertos com o irmão,  regressando de novo ao Brasil em dois mil e um para cimentar um lugar de relevo no cenário musical do país irmão e dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira. Ao longo desses anos tocou em vários países da América Latina e da Europa, entre eles Nicarágua, Chile, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Portugal. Lançou quatro álbuns de carreira, destacando-se Leve, há oito anos, que ganhou posições de destaque em várias listas dos melhores discos brasileiros desse ano.

Atualmente a cantora e compositora Taïs Reganelli, vive em Portugal, está apaixonada por Lisboa e a explorar a nossa cultura musical e conceitos tão nossos como a saudade e a solidão. Na sequência, a intérprete estreou-se no nosso país com o lançamento do single Vem (Além de toda solidão), um original da Madredeus composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes e que Taïs canta com pronúncia brasileira, dando ao original um cunho muito pessoal e uma identidade diferente da original sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas.

Agora, dois meses depois dessa feliz estreia por cá e da revisitação à Madredeus, Taïs Reganelli dá-nos a conhecer outra versão, neste caso de Tanto Mar, um original icónico de Chico Buarque e que é, segundo a autora, uma forma de aproximar ainda mais Portugal e Brasil, com histórias parecidas de luta e resistência durante os períodos em que foram submetidos a regimes ditatoriais.

Com a ajuda novamente de Pablo Lapidusas, Reganelli ofereceu ao original de Buarque uma toada mais roqueira e contemporânea, desconstruindo-o e conseguindo com felicidade um contraponto certeiro entre guitarras distorcidas e a sua voz suave. A presença inicial e a espaços de um sintetizador melodicamente inspirado, ajuda a ampliar o grau de emotividade e o colorido de um tema cujo original fala sobre o nosso vinte e cinco de abril e cuja escolha se entende devido ao facto de a ditadura ser algo muito presente dentro do seio familiar da cantora, como referi acima.

Realizado por Juliana Frug, o video da composição apropria-se, de acordo com o seu press release, de uma profusão de cravos para celebrar um dos principais acontecimentos de Portugal, ocorrido em 25 de abril de 1974. A ideia foi produzir um clipe conceitual, apenas com cravos e água (simbolizando o mar que separa os Continentes), interpretando assim toda a letra, afirma Taïs. A cartela de cores foi pensada de acordo com as cores das bandeiras do Brasil e de Portugal com algumas pequenas variações de tons, acrescenta Juliana Frog.

Importa ainda referir que o concerto de lançamento deste single está marcado para dia 14 de dezembro, às 21h, no AveNew, em Lisboa. Confere...

Web: https://www.taisreganelli.com/

Facebook: https://www.facebook.com/taisreganellioficial/

Instagram: https://www.instagram.com/taisreganelli/

YouTube: https://www.youtube.com/user/taisreganelli    


autor stipe07 às 14:06
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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019

Efterklang – Lyset EP

Dois meses depois da edição de Altid Sammen (em português sempre juntos), o quinto registo de originais, os dinamarques Efterklang de Mads Brauer, Casper Clausen e Rasmus Stolberg, um grupo que se divide entre Lisboa e Copenhaga, voltam a oferecer novidades com a edição de um novo EP intitulado Lyset, quatro canções divididas pelo inédito homónimo e três novas versões de três dos momentos maiores de Altid Sammen.

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Lyset, mais uma jóia verdadeiramente preciosa que arrebata toda a dose de melancolia que temos guardada dentro de nós, foi gravada no passado dia dezasseis de setembro em Copenhaga, capital da Dinamarca e significa a luz, com os Efterklang a dividirem os créditos do tema com o artista sueco Sir Was.

Quer na gravação de Lyset, quer na das outras três composições, os Efterklang contaram com as participações especiais de Simon Toldam (piano) e Øyunn (voz, percussão), músicos que costumam acmpanhar o trio nos concetos ao vivo e ainda o South Denmark Girls Choir / Sønderjysk Pigekor, sedeado em Sønderborg, cidade natal dos Efterklang, liderado por Mette Rasmussen e que já tinha participado nas gravações de Piramida o mítico álbum de dois mil e doze dos Efterklang. Confere...

Efterklang - Lyset01. Lyset
02. Vi Er Uendelig (Feat. South Denmark Girls’ Choir)
03. Havet Løfter Sig
04. Hænder Der Åbner Sig (Feat. South Denmark Girls’ Choir)


autor stipe07 às 13:31
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Quinta-feira, 28 de Novembro de 2019

Bill Callahan – If You Could Touch Her At All vs So Long, Marianne

Bill Callahan, nascido em mil novecentos e sessenta e seis, é um músico norte americanos folk, natural de Silver Spring, no Maryland. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em dois mil e cinco ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. O segundo disco, Sometimes I Wish We Were An Eagle chegou dois anos depois e, em dois mil e onze, Apocalypse, vinha embutido com a palavra paradoxo, devido à beleza e mistério de um álbum feito à base de guitarras eléctricas, mas embutidas em sonoridades folk, a roçarem o country e o jazz.

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Lançado o ano passado, Shepherd In A Sheepskin Vest é o mais recente trabalho de Callahan, uma obra-prima da qual o músico ainda retira dividendos e cujo primeiro aniversário resolveu comemorar com a edição de um single com duas covers de músicas da sua eleição; If You Could Touch Her At All, de Lee Clayton, um original celebrizado por  Willie Nelson e Waylon Jennings e uma versão do clássico So Long, Marianne, com cinquenta e um anos, da autoria de Leonard Cohen. As duas composições impressionam tanto na voz como na instrumentação sofisticada e plural, uma espécie de gravitar divertido em redor de um intimismo controlado, simultaneamente espontâneo e livre. Confere...

Bill Callahan - If You Could Touch Her At All - So Long, Marianne

01. If You Could Touch Her At All
02. So Long, Marianne


autor stipe07 às 18:01
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

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O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Vancouver Sleep Clinic – Onwards To Zion

Foi numas férias em Bali que Tim Bettinson, o músico e compositor australiano de vinte e três anos que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic, se inspirou e começou a idealizar o conteúdo de Onwards To Zion, o seu segundo registo de originais, onze maravilhosas canções que sucedem a Revival, o álbum de estreia que o autor lançou em dois mil e dezassete e que colocou logo este projeto debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo.

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Onwards To Zion tem uma faceta dupla bastante interessante e que vale bem a pena tomar como ponto de partida para a análise do seu conteúdo; Se por um lado, para compôr as suas canções, o autor teve de reaprender a incubar e ressuscitar todo o talento que sempre demonstrou ter desde tenra idade para esta poda, já que o álbum encarna um marco de libertação do projeto Vancouver Sleep Clinic de uma espécie de purgatório editorial porque Tim esteve em acérrima luta judicial com a sua editora para poder criar livre de constrangimentos artísticos, por outro é um registo que tem como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Logo a abrir o alinhamento de Onwards To Zion, na pueril melodia sintetizada e na batida que se esprai em espuma e dor no falsete de Bad Dream, Tim plasma esta permissa, numa canção que se debruça sobre esse trauma e a necessidade de seguir em frente, sem receios, porque seria certamente esse o desejo de quem partiu. A luminosidade dessa composição e, pouco depois a riqueza emotiva e instrumental da lindíssima Shooting Stars, são músicas que entroncam no desejo do músico de materializar em Onwards To Zion um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, mesmo que subsistam depois, no âmago do álbum, alguns instantes menos coloridos, mas não menos inspirados ou belos, como as cordas melancólicas de Summer 09, canção composta num dia de chuva intensa, a charmosa eletrónica ambiental de ZION, uma enumeração exaustiva de todos os sentimentos negativos que chicotearam Tim em tempos, ou a feliz interseção entre R&B e rock psicadélico plasmada em Into The Sun, um tema sobre como enfrentar com coragem os medos para que não se derrape para um poço sem fundo caso não se consiga exorcizá-los.

Registo repleto de guitarras sonhadoras abraçadas a sintetizadores cósmicos e sofisticados e camaleónicos arranjos da mais diversificada proveniência, com o jazz e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias, tudo embrulhado num profundo e inebriante pendor emotivo, Onwards To Zion oferece-nos a visão mágica de uma jornada de descoberta individual, feita por um músico que tem sentido na pele algumas das maiores agruras que a passagem da juventude para a vida adulta podem proporcionar, mas que parece não só passar incólume a essa travessia, como pronto para servir de exemplo e de aconchego a quem com ele se identificar e o solicitar. Espero que aprecies a sugestão...

Vancouver Sleep Clinic - Onwards To Zion

01. Bad Dream
02. Lovina Beach (Sunrise)
03. Summer ’09
04. Into The Sun
05. Shooting Stars
06. Fever
07. Villa Luna (Midnight)
08. Ghost Town
09. ZION
10. Yosemite
11. Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love


autor stipe07 às 18:19
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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2019

Tiago Vilhena - Portugal 2018

O músico e compositor Tiago Vilhena, que já foi George Marvison noutro projeto e membro dos Savana, acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Portugal 2018, um trabalho que tem a chancela da Pontiaq e cantado quase na sua totalidade em português. Portugal 2018 contém dez composições filosóficas e relaxadas, introspetivas e reveladoras, sendo um registo com um forte cunho ativista, mas tambémum álbum fantástico porque retrata profetas, dilemas da morte e da vida, poções e milagres. É um registo em que o autor olha de modo particularmente crítico para este mundo e, de modo muito particular, para o nosso jardim à beira mar plantado, questionando a existência, incorporando e relatando experiências de animais, criticando a inoportunidade, elogiando a vida, a viagem e a simplicidade.

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Ode à diversidade e ao bom gosto, Portugal 2018 contém um soberbo manancial de composições buriladas com inquestionável requinte e bom gosto, rematadas por uma limpidez e uma sapiência indesmentíveis, quer ao nível da produção quer da mistura. Se ao ouvires Portugal 2018 percebes que o buliçoso piano de Quem me trouxe ao mundo te faz sorrir de orelha a orelha sem notares, se o dedilhar intensamente impressivo das cordas que recriam um instante a dois de intenso frenesim sensual em Cabaço vai morrer é um filme que fazes no teu âmago sem esforço, se as ondas que sentes a se eriçarem na tua pele durante a audição de O mar têm um travo a sal e a ostras delicioso ou as sintetizações pueris que sustentam Fujo para sempre te iludem com uma espécie de despreocupação inócua, que resulta, na verdade, de um processo de experimentação tremandamente criterioso e bem sucedido, ou se D'esta vida te coloca dentro de uma espécie de caixinha de sons minúscula, que tem como cenário um delicioso pôr do sol em plena Primavera então estás, na minha humilde opinião, claramente sintonizado com a essência de um disco com uma beleza melódica, lírica e instrumental incomum, que instiga, hipnotiza e emociona, um registo capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, tal é o rol de emoções que transmite e a intensidade das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:14
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019

Perfume Genius – Pop Song

Perfume Genius - Pop Song

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e começam a ser revelados cada vez mais detalhes do produto final e da performance, estando o seu conteúdo cada vez menos confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall foi o primeiro grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Agora, algumas semanas depois, acaba de ser revelada mais uma composição dessa performance colaborativa e com a assinatura de Hadreas. A canção intitula-se Pop Song e permite-nos contemplar um curioso exercício de simbiose entre elementos sintéticos particularmente rugosos, com um edifício percussivo repleto de groove, tudo temperado com o habitual falsete de Hadreas, sempre emotivo e realisticamente magnético. Confere...


autor stipe07 às 21:12
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Panda Bear – Playing The Long Game

Panda Bear - Playing The Long Game

Pouco mais de meio ano após a edição do excelente registo Buoys, o seu sexto álbum de estúdio, o músico norte-americano Panda Bear acaba de dar mais um vigoroso passo em frente na sua carreira a solo, com a divulgação de um novo tema intitulado Playing The long Game e que não fazia parte do alinhamento desse registo. Além da canção, este músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto, também deu a conhecer ao grande público o vídeo da mesma, realizado pela portuguesa Fernanda Pereira e onde se pode ver Noah Lennox a deambular por uma floresta enquanto uma horda de mascarados vagueia à distância.

Canção sobre dilemas existenciais mais ou menos óbvios, como confessou o próprio Lennox (The song is about a brief series of thoughts I had one morning about who I am, what I’m doing, and where I’m going), Playing The Long Game foi produzida pelo próprio músico com a colaboração de Rusty Santos e Sebastian Sartor e assenta numa pop experimental eminentemente sintética e com um indesmentível travo R&B, uma composição de forte cariz etéreo e contemplativo, mas também com uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
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Terça-feira, 8 de Outubro de 2019

Taïs Reganelli - Vem (Além de toda solidão)

Filha de pais brasileiros, Taïs Reganelli nasceu em Berna, na Suíça, há quarenta e um anos, durante o exílio político de seu pai, o jornalista Wilson Roberto Reganelli, que foi embora do Brasil após a morte de seu companheiro de trabalho, o também jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. A família viveu na Suíça doze anos antes de voltar definitivamente ao país natal, para Campinas, no interior de São Paulo, quase no ocaso da década de oitenta do século passado.

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Taïs Reganelli iniciou sua carreira ainda na adolescência, cantando em bares, teatros e espaços culturais da cidade, sempre acompanhada de seu irmão mais velho, o violonista Henrique Torres, com quem formou um duo por mais de vinte anos. Em mil novecentos e noventa e nove, fixou-se em Itália onde durante dois anos deu vários concertos com o irmão,  regressando de novo ao Brasil em dois mil e um para cimentar um lugar de relevo no cenário musical do país irmão e dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira. Ao longo desses anos tocou em vários países da América Latina e da Europa, entre eles Nicarágua, Chile, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Portugal. Lançou quatro álbuns de carreira, destacando-se Leve, há oito anos, que ganhou posições de destaque em várias listas dos melhores discos brasileiros desse ano.

Atualmente a cantora e compositora Taïs Reganelli, vive em Portugal, está apaixonada por Lisboa e a explorar a nossa cultura musical e conceitos tão nossos como a saudade e a solidão. Na sequência, a intérprete estreia-se no nosso país com o lançamento do single Vem (Além de toda solidão), um original da Madredeus composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes e que Taïs canta com pronúncia brasileira, dando ao original um cunho muito pessoal e uma identidade diferente da original sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas.

Esta versão do single Vem (Além de toda solidão), também já tem direito a um vídeo realizado por Juliano Luccas, captado na capital do nosso país e inspirado na verdade e crueza da interpretação de Jacques Brel no filme da canção Ne me quitte pas. O vídeo mistura imagens de sítios icónicos de Lisboa com cenas de um corpo feminino, acentuando o contraste entre o macro (a imponente arquitetura lisboeta, o mar...) e o micro (o umbigo, uma lágrima que cai...). 

A cantora explica assim o motivo da escolha da canção para o seu primeiro single: Os Madredeus influenciaram muito a minha carreira e sempre incluí suas músicas em meus concertos no Brasil. Quando cheguei aqui (em Lisboa) quis gravar uma canção deles e de que gostava imenso, em homenagem ao país que estava me recebendo.

Depois do lançamento de Vem (Além de toda solidão), Taïs Reganelli prepara a gravação de mais dois singles e vídeos e de um concerto ao vivo no Casino do Estoril, no dia vinte e um de Novembro, às vinte e duas horas. Confere...

Facebook: https://www.facebook.com/taisreganellioficial/

Instagram: https://www.instagram.com/taisreganelli/

YouTube: https://www.youtube.com/user/taisreganelli


autor stipe07 às 17:06
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Quarta-feira, 2 de Outubro de 2019

Efterklang – Altid Sammen

Sete anos depois do excelente registo Piramida, os dinamarques Efterklang de Mads Brauer, Casper Clausen e Rasmus Stolberg elevaram ainda mais a fasquia qualitativa do seu catálogo disponível com a edição de Altid Sammen, em português sempre juntos, o quinto registo de originais de um grupo que se divide entre Lisboa e Copenhaga e que viu estas nove canções editadas à boleia da conceituada 4AD, a etiqueta de sempre do projeto.

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Com as participações especiais de Kjartan Sveinsson (Sigur Rós), de uma orquestra barroca e de um coro islandês, Altid Sammen é o disco mais ambicioso da carreira do trio, um portento de indie pop plasmado num alinhamento onde conceitos como majestosidade e bom gosto estão presentes de modo bastante impressivo, proporcionados por três músicos exímios no modo como criam sons com forte inspiração em elementos paisagísticos, uma imagem de marca em que acusticidade orgânica e texturas eletrónicas particularmente intrincadas, conjuram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar melodias com uma beleza sonora que nos deixa muitas vezes boquiabertos.

Assim que se inicia a audição de Altid Sammen, com o single Vi Er Uendelig, cujo vídeo é uma homenagem a uma icónica performance televisiva de Johnny Hallyday e que conta com a participação da modelo Helena Christensen, cria-se ao nosso redor, instantaneamente, uma espécie de névoa celestial, com o falsete etéreo de Casper, que canta pela primeira vez em dinamarquês num álbum dos Efterklang, a olhar para o interior da nossa alma e a incitar os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, enquanto o piano amplifica ainda mais este inusitado momento de agitação elegante e introspetiva.

Se tal visão celestial é replicada, algumas faixas depois, na explosiva inquietude dos sopros que encorpam a suplicante Hænder Der åbner Sig, o modo como o baixo e a secção rítmica nos arrastam em Supertanker e, de modo mais intenso, em I Dine øjne, são nuances que nos obrigam a esquecer tudo o que nos rodeia e a refugiar-nos numa espécie de feliz isolamento auto imposto. Ainda mal refeitos dessa injeção de pura adrenalina soporífera, levamos nos olhos, literalmente, com o irresistível lacrimejar que nos proporciona Uden Ansigt, o meu tema preferido do registo, uma jóia verdadeiramente preciosa que arrebata toda a dose de melancolia que temos guardada dentro de nós, esvaziando-nos e deixando-nos naquela letargia típica de quando se dorme e se está acordado, uma dormência que se acentua e que despoleta a nossa capacidade de sonhar de olhos abertos em Verden Forsvinder e que finalmente nos afaga e nos permite repousar em paz na suprema espiritualidade que exala de Under Broen Der Ligger Du, um dos temas melodicamente mais felizes de Altid Sammen.

Ao longo da carreira, o som dos Efterklang não foi sempre estanque e a opção por um alinhamento de contornos eminentemente clássicos acaba por ser um passo lógico depois de uma fase feliz que assentou na mistura de sonos típicos do rock mais progressivo com a eletrónica de cariz mais ambiental. Tem sido, portanto, um percurso cheio de períodos de transformação, que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos e este Altid Sammen acaba por funcionar como uma espécie de catarse de toda uma carreira feita de constante mudança e evolução, materializada num disco cheio de sentimentos, emocionalmente profundo e que quando termina deixa-nos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de enorme e absoluto deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 

Efterklang - Altid Sammen

01. Vi Er Uendelig
02. Supertanker
03. Uden Ansigt
04. I Dine øjne
05. Hænder Der åbner Sig
06. Verden Forsvinder
07. Under Broen Der Ligger Du
08. Havet Løfter Sig
09. Hold Mine Hænder


autor stipe07 às 15:47
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

Y La Bamba – Entre Los Dos EP

Quase um ano após o excelente Mujeres, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Entre Los Dos, o novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland. Entre Los Dos é um EP com sete espetaculares canções e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

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Depois do excelente Ojos Del Sol, lançado há cerca de três anos, a crítica começou finalmente a ficar bastante atenta a este projeto Y La Bamba, único no modo como mescla post punk com música latina, eletrónica e alguns dos arquétipos fundamentais da indie de cariz mais lo fiMujeres, um registo gravado pela própria Luz Elena Mendoza, com a ajuda de Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e nos Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, ampliou ainda mais a elevada bitola qualitativa de uma proposta sonora única no cenário musical contemporâneo e que oferece ao ouvinte mais devoto uma viagem espiritual, convidando-nos a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

As sete canções de Entre Los Dos, que além de Luz contam com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica, são como que um fechar de ciclo de uma espécie de triologia iniciada no tal Ojos Del Sol, três trabalhos que plasmam, com fidelidade e minúcia uma abordagem muito pessoal e íntima, claramente auto-reflexiva, mas que também é, de algum modo, sociológica, por parte de Luz, relativamente ao modo como a mulher é vista nos dias de hoje. No carrocel percurssivo de Gabriel e de Los Gritos, canções que conjugam o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz, na acusticidade minimal etérea de Entre Los Dos e de Octavio, na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Rios Sueltos, no festim folk punk de Soñadora e na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de rugosidade de Las Platicas, apreciamos uma narrativa plena de histórias simples e comuns, mas onde este timbre ordinário das mesmas é enganador, porque são relatos de vidas difíceis e que muitas vezes escapam à própria compreensão de quem nunca vivenciou na pele tais realidades. Os Y La Bamba acabam por suavizar, até com uma certa ironia e sarcasmo, dores, agruras e medos, com  composições que ampliam o diâmetro da nossa anca, deixando-a possuída, sem dono e sem vontade própria, porque não resistimos a acompanhar tambem fisicamente um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Entre Los Dos

01. Gabriel
02. Entre Los Dos
03. Rios Sueltos
04. Octavio
05. Soñadora
06. Las Platicas
07. Los Gritos


autor stipe07 às 20:59
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

Paper Beat Scissors – Parallel Line

Pouco mais de dois anos depois do excelente EP All We Know, o vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree, está de regresso com o seu alter ego Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá. Parallel Line é o título do novo álbum deste músico e contém onze canções misturadas pelos conceituados Sandro Perri e Dean Nelson, masterizadas por Andy Magoffin e produzidas pelo próprio Tim Crabtree.

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Terceiro longa duração do projeto Paper Beat Scissors e gravado, à semelhança dos antecessores, na zona rural de Ontario, Parallel Line mergulha de modo ainda mais penetrante e realista do que os trabalhos antecessores numa folk que não deixa ninguém indiferente e que delicia pelo modo exímio como utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. 

Se logo na acusticidade de Gun Shy percebemos que há aqui um charme incomum e que é viciante porque nos embala e paralisa, é na soul da guitarra de All It Was e no vasto emaranhado de interseções instrumentais que se estabelecem com as cordas nesse tema, que se percebe o nível mais apurado, maduro e coerente do cardápio atual de Paper Beat Scissors. De facto, ao terceiro trabalho Crabtree prova ter dado um salto qualitativo enorme no que concerne à sua capacidade de criar e recriar emoções e sentimentos, geralmente algo tristes e depressivos, sem nos trespassar a alma ou nos fazer sentir dor. Assim, se impressiona mais do que nunca a perceção de que é imensamente apurada a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor, move-nos o desejo da audição contínua deste alinhamento de canções, a certeza de que são um bálsamo retemperador sempre que as temos por perto, em especial nos instantes da nossa existência em que precisamos de usufruir de um certo isolamento e tranquilidade que nos façam refletir e decidir novas opções e caminhos.

De facto, na toada mais vibrante e pulsante de Don't Mind, um tema sobre o destino e a pouca importância que as pedras que se atravessam no nosso caminho poderão ter quando estamos certo da rota que queremos trilhar, é evidente que ficamos ainda mais absorvidos por esta estética delicada, mas também plena de personalidade, cor e harmonia, mas também acabamos por, inconscientemente, ganhar ânimo para as batalhas futuras e os dilemas que carecem de mais ou menos urgente resolução.

Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar, mas também de nos converter a uma causa muito sua e que vive da visão poética de que as tesouras representam a agressão dos fantasmas do passado que muitas vezes insistem em se manter acoplados e o papel aquela tela branca que se disponibiliza a receber os nossos recomeços e expetativas. No fim, neste processo de passagem, a delicadeza e a candura acabam por vencer a agressividade e a rispidez, com estas canções a servirem de banda sonora exemplar durante este salto fraticida. Espero que aprecies a sugestão...

Paper Beat Scissors - Parallel Line

01. Respire
02. Gun Shy
03. All It Was
04. Don’t Mind
05. Grace
06. Anything
07. All We Know
08. Shapes
09. Better
10. Half Awake
11. Little Sun


autor stipe07 às 15:43
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Sábado, 14 de Setembro de 2019

Perfume Genius – Eye In The Wall

Perfume Genius - Eye In The Wall

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e têm sido poucos os detalhes revelados do produto final e da performance, estando o seu conteúdo confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall acaba por ser o grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Confere...


autor stipe07 às 21:56
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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2019

Bon Iver - i,i

22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseis, já tem sucessor. O novo trabalho do grupo liderado por este músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, tem novamente a chancela do selo Jagjaguwar e contém treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.

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i,i é o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver e conta com as participações especiais de James Blake, Aaron e Bryce Dessner, Moses Sumney, Velvet Negroni, Sean Carey, Andrew Fitzpatrick, Mike Lewis, Matt McCaughan, Rob Moose, Jenn Wasner, Phil Cook, Bruce Hornsby, Channy Leaneagh, Naeem Juwan, Veludo Negroni, Marta Salogni, Francis Starlite, Moses Sumney, TU Dance, o coro Brooklyn Youth e muitos outros, uma infindável lista que atesta o grau de ecletismo e de heterogeneidade de treze canções com uma sonoridade única e peculiar. É um alinhamento repleto de paisagens sonoras que, do minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental, ao R&B, passando pelo hip-hop e a típica pop do outro lado do atlântico, estão impregnadas com uma beleza e uma complexidade tal que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início.

Nos efusiantes sopros e nas cordas vibrantes e luminosas de iMi, mas também na tonalidade eminentemente grave de We, induzida por um baixo vigoroso, acompanhada por uma vasta miríade instrumental, sempre insinuante, que busca a criação de uma paisagem algo inquietante, é-nos apresentado um álbum que até ao seu ocaso está repleto de paisagens onde o orgânico e o sintético se misturam com superior elegância. Estamos, sem dúvida, na presença de um conjunto notável de composições que, no seu todo, homogéneo e impressivo, nos oferecem um amplo panorama de descobertas sonoras, incubadas durante um processo criativo que terá sido claramente exaustivo e onde cada contributo, cada fragmento sonoro, cada peça de um puzzle repleto de emaranhados e detalhes difíceis de destrinçar, por mínimo que tenha sido, foi fundamental para o painel final, já que, se lá não estivesse, este catálogo de explosivas sensações ficaria incompleto e sem o fulgor e a beleza que transpira.

Disco imaginado por Justin Vernon, mas onde, como insinuei, cada artista convidado vestiu a sua própria pele enquanto se dedicou, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor lhe designou, i,i é, liricamente, um clamor ruidoso à necessidade imperiosa do autor de nos converter a uma causa que é muito sua, mas também passível de ser apropriada por qualquer um de nós, enquanto mostra ao mundo a sua identidade vincada e se assume explicitamente como um ser humano que tem as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tem um lado muito corajoso e interventivo. Nele, canções como Faith, uma composição que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e de um sentimento e que nos enche de paixão e luz, mas também o modo delicado como o piano de U (Man Like) nos afaga a alma e a superior prestação vocal de Naeem, aliada a uma ala percurssiva que vai aumentando de arrojo à medida que nos reergue, ou o tom fortemente denso e contemplativo e os timbres de voz únicos em Jelmore, que, nesse tema, conseguem trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, são outros momentos obrigatório de contemplação enquanto se relacionam connosco com elevada empatia. Espero que aprecies a sugestão...

Bon Iver - i,i

01. Yi
02. iMi
03. We
04. Holyfields,
05. Hey, Ma
06. U (Man Like)
07. Naeem
08. Jelmore
09. Faith
10. Marion
11. Salem
12. Sh’Diah
13. RABi


autor stipe07 às 14:34
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2019

Cigarettes After Sex – Heavenly

Cigarettes After Sex - Heavenly

Será a vinte e cinco de outubro que irá chegar aos escaparates Cry, o novo registo de originais dos norte americanos Cigarettes After Sex, um projeto oriundo de El Paso, no Texas e liderado por Greg Gonzalez, ao qual se juntam Jacob Tomsky, Phillip Tubbs e Randy Miller. Este novo alinhamento de uma das novas coqueluches da indie pop de cariz mais ambiental, terá a chancela da Partizan Records e sucede ao muito aclamado registo homónimo de estreia que este grupo lançou há pouco mais de dois anos.

Gravado em sessões noturnas numa mansão na ilha de Maiorca e, de acordo com o grupo, uma meditação cinematográfica sobre as muitas facetas complexas do amor – encontro, desejo, necessidade, perda… ou tudo uma vez só, Cry tem em Heavenly o primeiro single divulgado, uma composição que serve-se de um imponente baixo, do reverb ecoante de uma guitarra e do ritmo hipnótico da bateria para, com uma filosofia estilística assente numa sonoridade simples e nebulosa, mas bastante melódica e etérea, arrastar-nos com complacência e sem pressas, para um universo feito com uma aura melancólica e mágica indistinta. Confere...


autor stipe07 às 15:32
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

Horsebeach – The Unforgiving Current

The Unforgiving Current é o título do quarto registo de originais dos britânicos Horsebeach, um quarteto natural de Manchester e formado por Ryan Kennedy (voz) Matt Booth (bateria), Tom Featherstone (guitarra) e Tom Critchley (baixo). Os Horsebeach estrearam-se nos discos há cerca de meia década com um homónimo e este The Unforgiving Current sucede a Beauty & Sadness, um álbum com dois anos e que reforçou a aposta da banda em sonoridades eminentemente etéreas e melancólicas, dentro de um catálogo indie virtuoso, com uma atmosfera particularmente íntima e envolvente.

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Uma das boas surpresas da temporada são, claramente, estes Horsebeach, mestres no balanço inspirado entre uma rugosidade bastante vincada e plena de groove, bem patente no baixo que conduz Net Cafe Refuge, uma das canções do ano para esta redação e aquela dream pop de forte cariz lo fi, conduzida por uma guitarra com um efeito metálico particularmente vibrante, acompanhada por um registo vocal ecoante e uma bateria multifacetada e bastante omnipresente, em Dreaming. E é no meio destes dois opostos de The Unforgiving Current, bem explícitos no tema homónimo, conduzido por um baixo e uma guitarra com as diretrizes identificadas nas duas composições acima descritas, mas também no ecoante frenesim de Unlucky Strike e muitas vezes numa filosofia simbiótica de fronteiras que carecem de simples definição e recorte, que escorre um disco bastante homogéneo, uma perfeita banda sonora de um dia de verão, com quarenta e cinco minutos repletos de boas letras e onde abundam, como seria de esperar, arranjos feitos de detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta.

De facto, se além do protagonismo do baixo e da guitarra, se a bateria e a secção rítmica são também intervenientes preciosos no arquétipo sonoro do registo, com destaque para o excelente exercício rítmico que ambos protagonizam nos avanços e recuos de Trust, ali no meio, quando surge uma espécie de mistura entre surf rock e chillwave na complacência deVanessa, no encanto vintage, relaxante e atmosférico do instrumental Yuuki e no insinuante charme das teclas que adornam Mourning Thoughts, é feito o indispensável contraponto que confere a este alinhamento a tal riqueza estilística que faz de The Unforgiving Current também um claro favorito, caso o objetivo do ouvinte seja recriar e dar vida a um ambiente que também tenha algo de soturno e melancólico.

Disco descontraído, jovial e que carece de audição atenta e dedicada, The Unforgiving Current é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor pop lo fi contemporânea, um oásis de contida elegância que impressiona pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras. Espero que aprecies a sugestão...

Horsebeach - The Unforgiving Current

01. Net Cafe Refuge
02. The Unforgiving Current
03. Dreaming
04. Mourning Thoughts
05. Vanessa
06. Yuuki
07. Trust
08. Unlucky Strike
09. Mother
10. Acting


autor stipe07 às 14:55
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2019

Sigur Rós – Sigur Rós Presents Liminal Sleep

O sono é talvez a atividade humana que ainda carece de maior profundo conhecimento, acerca não só da sua função e dos benefícios que traz para o funcionamento do nosso organismo, mas também do modo como se processa e as caraterísticas essenciais dos diferentes ciclos que contém. Isso não impediu que os islandeses  Sigur Rós, provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical, procurassem criar uma espécie de banda sonora perfeita para uma sessão de sono completa, tendo nascido assim Sigur Rós Presents Liminal Sleep, um alinhamento de nove canções pensadas para as diferentes fases do nosso sono, de modo a tornar essa necessidade fisiológica fundamental ainda mais reconfortante e bem sucedida ( we like the fact that sleep remains defiantly mysterious; something we all do — all need to do — but can’t ever get fully inside. this playlist is a modest attempt to mirror the journey of a sleep cycle, with its curves, steady states and natural transitions. - Jónsi, Alex Somers & Paul Corley).

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Cada uma das nove composições de Sigur Rós Presents Liminal Sleep, representa um momento específico do ciclo do sono e nelas todas as opções instrumentais, predominantemente sintéticas e minimalistas, se orientaram de forma controlada. Assim, todos os detalhes escutados funcionam como um todo, agregados em nove composições que não deixam de ser um bloco único de som que dá cor, movimento e substância à exuberância natural de um dos pilares essenciais da nossa existencia enquanto organismos vivos e que se querem saudáveis. 

Na verdade, neste Sigur Rós Presents Liminal Sleep, os Sigur Rós acabaram por criar um alinhamento musical com um objetivo eminentemente funcional, mas que não deixa de ter uma vincada veia de sensibilidade e emoção. Se a música, como forma eminente de manifestação artística, teve sempre, ao longo da história do homem, seu criador privilegiado, uma faceta bastante recreativa e se culturalmente essa função este sempre um pouco acima de todas as outras, estas nove canções foram idealizadas como elixir soporífero relaxante e meditativo, ou seja, são, na minha modesta opinião, um bom remédio para quem tenha insónias ou outros distúrbios de sono.

Em suma, Sigur Rós Presents Liminal Sleep é claramente capaz estar presente e de ir ao encontro da necessidade intuitiva que todos nós temos de dormir, utilizando essa atividade como arma capaz não só de fazer o nosso corpo descansar e recarregar baterias mais também de modular o nosso humor, sendo, esse mesmo sono, por excelência, o refúgio onde podemos encontrar, também sonoramente, a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

O resultado final deste trabalho sui generis é um falso minimalismo ambiental que desafia os nossos sentidos, segundo após segundo, tal é a opulência sonora de detalhes, ruídos e efeitos que cruzam as melodias, uma receita que não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência. Espero que aprecies a sugestão...

Sigur Rós - Sigur Rós Presents Liminal Sleep

01. Sleep 1
02. Sleep 2
03. Sleep 3
04. Sleep 4
05. Sleep 5
06. Sleep 6
07. Sleep 7
08. Sleep 8
09. Sleep 9


autor stipe07 às 15:01
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

Ra Ra Riot – Superbloom

Dez anos depois de uma profícua colaboração que resultou num disco intitulado Discovery (2009) e de Rostam Batmanglij, membro dos Vampire Weekend de Ezra Koenig, ter produzido, cerca de meia década depois, Need Your Light, o último registo de originais dos Ra Ra Riot, alinhamento que continha Water, um tema composto a meias por Rostam e a banda, o músico nova iorquino e o coletivo de Siracusa, nos arredores da mesma cidade, voltam a unir esforços em Superbloom, o novo compêndio discográfico do grupo liderado por Wes Miles e ao qual se juntam atualmente Mathieu Santos, Milo Bonacci, Rebecca Zeller e Kenny Bernard, um album com doze canções que colocam os Ra Ra Riot na senda de uma pop nostálgica, mas que entronca nas tendências mais atuais que misturam cordas e sintetizadores sempre com luminosidade e irrepreensível assertividade melódica.

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Quem conhece a fundo o trabalho de Rostam Batmanglij, quer como músico quer como produtor, percebe facilmente que Superbloom é um daqueles discos em que o produtor tem uma palavra decisiva no seu conteúdo, mesmo no que concerne ao próprio arquétipo fundamental das canções. Se Need Your Light já tinha mostrado uns Ra Ra Riot mais radiofónicos e longe do lo fi, Superbloom coloca-os decisivamente na rota de uma sonoridade que se quer apelativa, otimista e de fácil assimilação, mas sem deixar de exalar um superior quilate criativo.

Assim, se logo na majestosidade e na amplitude de Flowers é percetível a vasta míriade instrumental que sustenta Superbloom, em Bad To Worse, canção inspirada em vagas memórias e longas viagens rodoviárias, o ritmo divagante e melancólico da bateria e o modo como encaixa na perfeição com o registo vocal em falsete de Miles, enquanto as sintetizações e as cordas, à medida que se acomodam progressivamente na melodia, fazem a canção levitar, levando-nos com ela, deixa-nos letargicamente logo à mercê de um alinhamento que faz ressurgir o nosso baú de memórias, mas também nos acomoda dentro das tendências essenciais da pop atual. E esta dupla capacidade que Superbloom tem de nos surpreender é um dos seus maiores trunfos, amplificada na impetuosidade de Belladonna e no neopsicadelismo de Dangerous, mas também na cadência milimétrica da rugosidade progressiva de Endless Pain/Endless Joy, na cosmicidade retro das sintetizações e da batida de Bitter Conversation e, principalmente, no groove festivo de This Time Of Year, uma das composições mais divertidas da carreira dos Ra Ra Riot.

Superbloom eleva o quinteto para um novo patamar instrumental mais arrojado e afina a excelência com que o grupo continua a abordar o lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzindo essa valência em inspirados versos e, principalmente, num cruzamento feliz entre eletrónica e indie pop, sendo exercício nitidamente recompensador escutar o álbum e conferir a vasta heterogeneidade de elementos e nuances que caraterizam cada um dos tema do melhor registo da carreira dos Ra Ra Riot. Espero que aprecies a sugestão...

Ra Ra Riot - Superbloom

01. Flowers
02. Bad To Worse
03. Belladonna
04. Endless Pain/Endless Joy
05. War And Famine
06. Bitter Conversation
07. This Time Of Year
08. Gimme Time
09. Backroads
10. Dangerous
11. An Accident
12. A Check For Daniel


autor stipe07 às 15:24
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

Message To Bears – Constants

Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy LeavesCathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico e, três anos depois, Jerome brindou-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records. Nessa altura Jerome mudou-se de Bristol para Londres, lançou mais dois discos, mas resolveu fazer marcha atrás, voltar à terra natal e criar no seu estúdio caseiro Constants, o seu quinto longa duração, um alinhamento de onze canções emocionalmente poderosas e com tudo para ser um marco discográfico do ano dentro do espetro sonoro em que se situa.

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Constants funciona como uma espécie de válvula de escape para o autor, já que no registo exorciza alguns demónios que o período londrino colocou no seu equilíbrio psicológico pessoal e serve para o ouvinte como um confortável e sossegado refúgio, num mundo cada vez mais dominado pela pressãoque é exercida pelos media. Esta é a grande ideia temática de quarenta minutos introduzidos, em On Reflection, por um ternurento piano que logo nos abre de par em par um portal de luz, magia e cor, incomparável a algo que faça parte do mundo concreto em que vivemos.

Saborear Constants tem obrigatoriamente essa permissa de suscitar no ouvinte a necessidade de usar a sua imaginação para melhor percepcionar um universo mágico e que causa impacto por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Nele, Jerome combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com elementos percurssivos eminentemente orgânicos e melodias sintetizadas únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum, com especial destaque para a graciosidade de Raining Whilst She Sleeps, a religiosidade de Rescue, o cariz místico dos violinos que gravitam em Away From You e a esplendorosa emotividade que exala em cada nota e arranjo de Small Light.

Em Bristol, Jerome consegue testemunhar com outra clarividência a constância das estações do ano, os diferentes sons que a natureza tem durante essa roda viva, os odores dos cursos de água, este ciclo da vida e da morte que recorda ao músico quer o efémero da sua existência quer a fragilidade e tantas vezes a insginificância que carateriza a presença de tantos de nós neste mundo. A eletrónica ambiental inspirada de Constants é o tal refúgio, mas também um grito de alerta, um apelo ao desassossego onde estão plasmadas emoções e sugestões sempre de modo humilde, carinhoso, sincero e, obviamente, nada pretensioso. Espero que aprecies a sugestão...

Message To Bears - Constants

01. On Reflection
02. Raining Whilst She Sleeps
03. Pull Apart
04. All We Said
05. Rescue
06. New Air
07. Away From You
08. Small Light
09. Convalescence
10. We All Were Swallowed By Sleep
11. Nowhere


autor stipe07 às 16:21
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