Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2018

Cat Power – What The World Needs Now (Jackie DeShannon Cover)

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia, através da insuspeita Matador Records, Wanderer, o décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que também se tem destacado ao longo da carreira pelas covers e versões com que nos tem presenteado, geralmente com a mesma filosofia estilística, ir ao esqueleto do tema, despi-lo de grande parte dos seus arranjos e dar-lhe um cariz mais orgânico, intimista e melancólico. Os mais atentos devem recordar-se, por exemplo, da versão que ela gravou no início deste século do original dos Rolling Stones (I Can’t Get No) Satisfaction. Retirou do tema o riff de guitarra principal e aprimorou com enorme bom gosto e simplicidade o esqueleto acústico desse clássico do rock contemporâneo.

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Agora, algumas semanas depois da edição do seu último álbum, conforme referi acima, Cat delicia-nos com uma nova cover, presente na edição deluxe de Wanderer. É a sua versão da canção What The World Needs Now, um também clássico, com mais de meio século (1965), da autoria da dupla Burt Bacharach e Hal David e cantada magistralmente, à época, por Jackie DeShannon. Esta composição foi revista, ao longo das últimas décadas, por nomes tão proeminentes como Dionne Warwick, Mahalia Jackson, Luther Vandross, ou Diana Ross, que gravou duas versões, uma delas a solo e outra com as Supremes. Na sua revisitação do tema, Cat Power criou, à boleia de um inspirado piano, um clima jazzistico bastante sedutor e charmoso, preenchido com alguns arranjos de cordas de rara beleza e a exalarem um forte travo a vulnerabilidade. Confere a cover de Cat Power para o clássico What The World Needs Now e compara-a com o original cantado por Jackie DeShannon...

Cat Power - What The World Needs Now


autor stipe07 às 13:12
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Conor Oberst – No One Changes vs The Rockaways

Nos últimos meses, o norte-americano Conor Oberst, um músico natural de uma pequena localidade no estado do Omaha mas radicado em Nova Iorque há mais de uma década, tem estado na penumbra, mas nem por isso deixou de estar atarefado. Escreveu um tema initulado LAX, que foi interpretado por Ethan Hawke na comédia romântica Juliet, Naked, depois gravou mais uma versão desse tema com Phoebe Bridgers e, como agradecimento, Bridgers convidou-o para tocar harmónica na versão que fez de Powerful Man, um original de Alex G. Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, Oberst acaba de divulgar dois novos temas, No One Changes e The Rockaways, disponíveis em formato single e que terão edição física em vinil de sete polegadas, lá para fevereiro do próximo ano.

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Estas duas novas composições de Conor Orbest poderiam muito bem fazer parte do seu aclamado álbum Ruminations, editado há cerca de dois anos e ainda sem sucessor anunciado, um registo que, como ceertamente os mais atentos se recordarão, tinha uma tonalidade bastante intimista e melancólica e até algo depressiva. Estas sensações trespassam quer por No One Changes quer por The Rockaways, com a primeira canção, sobre o amor próprio, a assentar num inspirado piano e a segunda, uma composição sobre os momentos bons que devemos sempre recordar quando há uma separação, a oferecer-nos uma sonoridade acústica bastante impressiva e intensa, ampliada pela participação especial das teclas do sintetizador de Nathaniel Walcott , membro dos Bright Eyes. Confere...

Conor Oberst - No One Changes

01. No One Changes
02. The Rockaways


autor stipe07 às 13:11
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Zero 7 - Mono

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Os britânicos Zero 7 de Henry Binns e Sam Hardaker, um dos projetos fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, já não davam sinais de vida há algum tempo, nomeadamente desde dois mil e quinze quando colaboraram com José González no tema Last Light. Agora, três anos depois dessa composição, eles estão de volta com novidades, um novo single intitulado Mono, que resulta de uma parceria profícua com o cantor Hidden.

Mono tem como grandes atributos, além da performance vocal irreprensível de Hidden, um arquétipo sonoro de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Confere...

Zero 7 - Mono

01. Mono (Feat. Hidden)
02. Mono (Feat. Hidden) (Thool Remix)
03. Mono (Thool Remix Instrumental)


autor stipe07 às 08:26
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

LUMP - LUMP

Foi no início do último verão que viu a luz do dia, à boleia da Dead Oceans, LUMP, o disco homónimo de estreia do projeto com o mesmo nome que junta os britânicos Laura Marling e Mike Lindsay, membro dos Tunng, uma inusitada mas bem sucedida colaboração que começou a ganhar vida há cerca de dois anos quando os dois músicos se conheceram. LUMP materializa-a em sete canções que se fundamentam numa necessidade de ambos de refletirem sobre a sociedade de consumo, através de composições misturadas com uma ímpar contemporaneidade e com inegável bom gosto, cimentadas numa fusão feliz entre pop, eletrónica e folk.

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Lump is a product, assim termina este disco que tem como principal força motriz as reflexões de Laura sobre a desmesurada importância que as marcas, os produtos e a aparência têm na realização pessoal de muitas pessoas. Palavra escolhida pela filha de seis anos de Marling para batizar quer o disco, quer a figura criada para o mesmo que ilustra o artwork, quer o próprio projeto, LUMP tem essa carga conotativa, servindo como uma espécie de sinónimo ou de palavra chave para aquilo que é o pensamento crítico da dupla relativamente à obsessão pelo consumo, um vocábulo que aqui é personificadono tal peluche e musicado numa combinação de estilos entre a habitual interpretação vocal angelical de Marling e o modus operandi sonoro de Lindsay, um compositor que está sempre pronto para criar melodias doces e cativantes, mesmo que sejam adornadas, muitas vezes, com arranjos e samples à primeira vista tendencialmente agrestes e ruidosos. Acaba por ser uma parceria que, à primeira audição, pode parecer antagónica, mas que acaba por soar a um charme e a uma elegância inegáveis, principalmente no modo como, em vários temas, alguns detalhes percussivos algo abrasivos e um vasto oceando de sintetizações, a maioria de cariz falsamente minmalista, se entrelaçam com o registo vocal doce e aconchegante de Marling.

Desse modo, na intrigante combinação de cordas com teclas e na tremenda languidez vocal em Hand Hold Hero (Money didn’t buy you nothing at all, Accept a ball for your chain), no clima algo claustrofóbico, mas também empático de Shake Your Shelter (born a crab, naked and sad), uma canção que reflete de modo impressivo aquela sensação de isolamento e de vazio que muitos sentem num mundo tão amplo e tão vasto como é o nosso, exatamente por causa de algumas opções comportamentais (I know the feeling of losing the ceiling on a beach full of empty shells)  e na pop charmosa e espirituosa de Curse of the Contemporary, a composição melodicamente mais feliz e acessível do disco, LUMP vai-se convertendo nos nossos ouvidos num portento de sensibilidade e optimismo, um álbum a transbordar uma espécie de amor que é oferecido por quem cria a quem escuta e que parece ser só passível de ser sentido na nossa imaginação, mas que é real porque nos liberta definitivamente de algumas das amarras que ainda filtram o modo como a nossa consciência vê o mundo, dia após dia. De facto, o maior ensinamento que LUMP nos permite usufruir é que no seio de um processo de criação sonora algo complexo e que não renegou o uso de várias influências e onde o experimentalismo livre de constrangimentos se assumiu como uma filosofia condutora marcante,  é uma verdade insofismável que por mais que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, estejam amarrados à ditadura da tecnologia, estas canções podem ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer pessoal quer até coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:33
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God, The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegou aos escaparates há alguns dias. É um estrondoso trabalho discográfico, produzido por Tony Visconti e que poderá muito bem vir a figurar em várias listas dos melhores álbuns de dois mil e dezoito.

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O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn é, obviamente, a personagem central deste projeto que junta quatro músicos de insuspeita qualidade e com provas dadas no panorama indie britânico há várias décadas. Assim, falar da filosofia que Damon Albarn pretende como artista para este projeto The Good, The Bad And The Queen, que esperou quase uma dúzia de anos para ter um novo registo depois da espetacular estreia, e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou a solo, é algo impossível, já que em todos eles há um ponto em comum bem vincado, o modo como o homem Damon Albarn vê a contemporaneidade e em especial a Inglaterra e como, na pele do artista Damon Albarn, transporta as suas ideias e essa sua visão crítica bastante clínica, lúcida e clarividente para as canções que compôe e que, independentemente do género e estilo que abarcam (e os seus vários projetos permitem-lhe uma abrangência e um ecletismo ímpares), têm sempre um marco de excelência, de brilho e de bom gosto.

Assim, se o homónimo The Good, The Bad & The Queen narrava, de certo modo, uma jornada imaginária por algumas ruas mais obscuras de uma Londres cosmopolita mas ainda com fortes marcas ancestrais e com tradições que remontam à revolução industrial, Merrie Land deve imenso a algumas viagens que Albarn fez pelo norte de Inglaterra, nomeadamente pela zona costeira de Blackpool, de certo modo descritas quer no tema homónimo quer em Lady Boston, oferecendo-nos, assim, uma visão mais abrangente sobre o reino de sua majestade, com as suas onze canções a ganharem vida através de poemas comuns sobre o quotidiano ordinário de um típico bife, na busca de explicarem aquilo que é hoje o ser inglês, com a realidade civilizacional, social, económica e cultural do mesmo muito marcada pela crise financeira de início desta década em Inglaterra, as consequentes medidas de austeridade que potenciaram o brexit e, mais recentemente, a comemoração dos cem anos do fim da primeira grande guerra e as memórias familiares que este evento despoletou em muitas famílias inglesas que têm aproveitado o momento para homenagearem e recodarem alguns dos seus heróis esquecidos e as suas façanhas.

É pois, nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções como a descontraída e animada Gun To The Head ou a intrincada homónima. Esta última, por exemplo, é uma lindíssima peça sonora que nos coloca no meio de um teclado cósmico, de leves batidas e de uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Mas também nos detalhes doces da contemplativa Ribbons, no clima mais soturno de Nineteen Seventeen ou na sedutora Drifters & Trawlers se consegue sentir aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns. Espero que aprecies a sugestão... 

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree


autor stipe07 às 21:05
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2018

Luke Sital-Singh – The Last Day

Luke Sital-Singh - The Last Day

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público já este ano com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, quase no ocaso de 2018, Luke Sital-Singh acaba de revelar um novo single intitulado The Last Day, uma canção sobre despedidas e pesares pela partida de algo ou alguém e sobre o dia seguinte, que nunca deixa de vir, uma composição que transporta no charme das cordas e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da folk americana. Sobre ela, Luke referiu recentemente: I had no intention of writing another song about death”, (...) I guess that’s just the happy fun-time guy that I am. I like how a song about the end is coming out first. Putting everything in perspective again as a new phase begins. Confere...


autor stipe07 às 11:06
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

The Pains of Being Pure at Heart - Free Fallin' (Tom Petty Cover)

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart estão de regresso para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin'.

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Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Free Fallin', é exatamente a mais recente amostra divulgada do registo e, através de uma abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia, os The Pains Of Being Pure At Heart mantiveram intacta a aúrea nostálgica e romântica de um tema ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Old Jerusalem - Chapels

Foi a doze de outubro que chegou às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional, um projeto que nos tem habituado a canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

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Com dez temas imediatos e sem adornos, assentes em interpretações gravadas à primeira e que acabam por estar intimamente associadas ao processo da sua escrita, também algo intuitivo, e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos, Chapels tem em cada canção um veículo privilegiado para o ouvinte tomar contacto de modo realisticamente impressivo, com o ímpeto criativo do Francisco e a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. E fá-lo através de um dos melhores veículos que conheço para a transmissão de sentimentos, emoções e ideias... a música.

Chapels é, portanto, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Old Jerusalem. Escuta-se a simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula no registo vocal de The Meek, aquela nostalgia que provoca encantamento e torpor e que exala de Oleander, a simultaneamente intrigante e sedutora Ancient Sand, Ancient Sea ou a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte de Lighthouse e acedemos, sem vontade de olhar para trás, a um universo único, enquanto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que este maravilhoso alinhamento transmite. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:08
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2018

John Grant – Love Is Magic

Quase três anos depois do excelente Grey Tickles, Black Pressure, o canadiano John Grant regressou aos discos com Love Is Magic, o quarto registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico e geralmente com uma forte componente autobiográfica. Este Love Is Magic não foge à regra, num alinhamento de dez canções que nos apresenta, uma vez mais, uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito.

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Cada vez mais requintado no modo como se serve de um vascato cardápio de sintetizações e efeitos no momento de compor, um John Grant mais otimista, convencido, confiante e festivo, criou uma nova coleção de inspiradas e lindíssimas composições, conduzidas por notáveis arranjos orquestrais, apresentados logo em Metamorphosis, uma composição tremendamente cinematográfica e plena de variações rítmicas e melódicas e que também impressiona pelo modo como a voz é sistematicamente modificada. Depois, o dramatismo incontornável do tema homónimo, o clima algo tumultuoso de Tempest, a toada retro de Preppy Boy, a pop luminosa de He's Got His Mother Hips  e o vigor algo punk de Diet Gum, são temas que nos inserem num clima de festa e celebração, num mundo muito rosa mas onde podem entrar todos aqueles que têm uma mente aberta e uma predisposição natural para não julgarem nem colocarem entraves ou preconceitos, mas antes deixarem-se levar por uma onda sonora inspirada rumo à diversão pura e genuína.

Love Is Magic oferece-nos, em suma, um John Grant cada vez mais lânguido e libidinoso e virado para a tecnologia, em dez composições que reforçam a sua mestria compositória, o seu ecletismo cada vez mais abrangente e, principalmente, o modo eficaz como usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências intensas que vão assolando a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Love Is Magic

01. Metamorphosis
02. Love Is Magic
03. Tempest
04. Preppy Boy
05. Smug Cunt
06. He’s Got His Mother’s Hips
07. Diet Gum
08. Is He Strange
09. The Common Snipe
10. Touch And Go


autor stipe07 às 20:52
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Domingo, 28 de Outubro de 2018

Thom Yorke - Suspiria

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Entre outros atributos, exige-se a uma banda sonora de elevado calibre qualitativo que permita, através da audição prévia à visualização do filme, que o ouvinte consiga antecipar de modo minimamente plausível a trama do enredo que depois poderá vir a conferir no grande ecrã. E esse é um dos grandes atributos de Suspiria, ou seja, escuta-se as vinte e cinco composições desta banda sonora e, tendo em conta a emotividade, a intensidade e o grau de impressionismo de muitas das canções, parece quase intuitivo o adivinhar da história de uma jovem norte-americana que chega a uma escola de dança alemã para estudar ballet, mas, na verdade, entra num antro de bruxas. De facto, nunca a música de Thom Yorke soou tão horrífica e escutar Suspiria faz-nos estarmos perante uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

No pulsar analógico das batidas de Volk, no travo trip-hop de Has Ended, nas teclas soturnas de The Hooks e de Olga's Destruction e na intensidade crescente de Suspirium, tema central do registo e uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, fica recriado não só o típico ambiente soturno com que este autor tem pautado o seu projeto a solo há já mais de uma década, mas também a densidade e a névoa sombria de um filme que tem no elenco nomes como Tilda Swinton, Dakota Johnson e Chloë Grace Moretz, bem como Jessica Harper, a protagonista principal do filme original. Espero que aprecies a sugestão...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 18:56
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Beach House - Alien

Beach House - Alien

Um dos grandes destaques de 7, o álbum que a dupla Beach House lançou na passada primavera, é Lose Your Smile, tema já editado em formato single de edição limitada e que tem como lado b Alien, canção que clarifica a vontade que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, teve, em 7, de fornecer maior luminosidade às canções. E Alien demonstra-o através de um rock expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar. Confere...


autor stipe07 às 16:55
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018

Scott Orr – Worried Mind

Pouco mais de dois anos depois do excelente registo Everything, o canadiano Scott Orr está de regresso aos lançamentos discográficos com Worried Mind, nove canções que viram a luz dia à boleia da Other Songs, uma etiqueta canadiana indie independente de Hamilton no Ontário, terra natal deste extraordinário músico e compositor.

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O modo virtuoso como Orr consegue expôr-se e colocar-nos na primeira fila do exemplar exercício de catarse que é Worried Mind, fica logo plasmado em Sunburned canção agridoce que abre com cândura, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras das cordas, acústicas e delicadamente eletrificadas, fazendo-o com uma tonalidade única e uma capacidade incomum, possível porque este músico é exímio no seu manuseamento e no modo como dele se serve para transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, como referi anteriormente, mas com um inconfundível travo pop a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Orr é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a àspera Fall Apart ou a delicada Halfway, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em A Memory e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional The Sound. Mesmo quando Scott Orr comete o pecado da gula e se liga um pouco mais à luminosidade em Seasons, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar percurssivo particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Worride Mind, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional No Phone.

Worried Mind é alma e emoção e como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos ecos vigorosos do falsete do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Scott Orr - Worried Mind

01. Sunburned
02. A Memory
03. Fall Apart
04. Halfway
05. The Sound
06. Seasons
07. Ok
08. No Phone
09. Sometime


autor stipe07 às 19:59
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2018

The Good, The Bad & The Queen - Merrie Land

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Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong, Fela Kuti e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegará aos escaparates a dezasseis de novembro próximo e das quais já se conhece o tema homónimo dos onze que farão parte do seu alinhamento.

Merrie Land é uma lindíssima peça sonora cheia de charme, uma canção que nos faz submergir no meio de um teclado cósmico, leves batidas e uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Confere..


autor stipe07 às 21:53
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

Kurt Vile – Bottle It In

Apesar da curiosa colaboração o ano passado com Courtney Barnett que resultou no excelente registo Lotta Sea Lice, a verdade é que depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de dois mil e onze e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile não deu mais sinais de vida depois de b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro de dois mil e quinze por intermédio da Matador Records e o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica. Finalmente, três anos depois desse excelente disco, Kurt Vile volta a lançar um novo alinhamento intitulado Bottle It In, o sétimo da carreira, treze temas gravados em várias cidades norte-americanas e finalizados com o produtor Shawn Everett nos estúdios Beer Hole em Los Angeles, contando com a participação especial de nomes tão notáveis como Kim Gordon, Cass McCombs, Stella Mozgawa e Mary Lattimore.

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Disco que abre com Loading Zones, uma composição repleta de ironia que se debruça sobre a experiência pessoal de Kurt Vile relativamente às estratégias que costuma usar para estacionar sem pagar em Filadélfia, a sua terra natal, Bottle It In é um registo que, no seu todo, sonoramente, obedece à tal herança do rock mais genuíno, com canções conduzidas por cordas elétricas e acústicas inspiradas, a criarem um disco com um resultado final bastante fluído e intenso. Quanto à vertente temática, conhecer a fundo Bottle It In é entrar em contacto com as profundezas da mente de Vile, já que este é um disco bastante reflexivo e onde o autor revela muito de si.

É inevitável escutar-se canções como Yeah Bones ou Cold Was The Wind e não se concluir que, mesmo que Vile não o deseje, Bottle It In está cheio de poemas com uma elevada componente biográfica, que nos permitem entender melhor o âmago do autor, com a curiosidade de o fazermos através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical. Se Kurt Vile despe-se logo em Loading Zones do modo humorístico que já descrevi e se em One Trick Ponies ele parece gozar com alguns dos seus demónios pessoais, em Bassackwards, por exemplo, o tom é bastante mais sério, à boleia de um tratado folk rock psicadélico divagante, que nos apresenta um Vile algo confuso, resignado e até distante, como se deambulasse em busca de algo inexistente (The sun went down, and I couldn’t find another one… for a while).

O grande trunfo de Bottle It In é mesmo esta dicotomia estilística sonora e o modo como ela entronca numa mesma filosofia, a da auto-descoberta. As canções sucedem-se sem pressa e muitas vezes sem se perceber se o autor está mais precoupado em comunicar com o ouvinte ou em efetuar um monólogo algo divagante e nem sempre lúcido e consistente. Independentemente de toda esta trama, parece-me conseunsual que esta sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos será bem capaz de oferecer ao autor um lugar de destaque no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e acolhedores deste ano.

De facto, Bottle It In parece ser, por cá, a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que se aproximam, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um verão algo frenético e que para muitos não ficará gravado pelos melhores motivos. Mesmo sendo um registo que oferece ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica e psicológica que abriga o autor, é também um álbum sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas comuns a todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Kurt Vile - Bottle It In

01. Loading Zones
02. Hysteria
03. Yeah Bones
04. Bassackwards
05. One Trick Ponies
06. Rollin With The Flow
07. Check Baby
08. Bottle It In
09. Mutinies
10. Come Again
11. Cold Was The Wind
12. Skinny Mini
13. (Bottle Back)


autor stipe07 às 17:20
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018

Thom Yorke – Suspirium

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Suspirium é o primeiro tema divulgado dessa banda-sonora, uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, recriando, de certo modo, o típico ambiente soturno que este autor tão bem recria no seu projeto a solo há já mais de uma década. Confere Suspirium e o alinhamento de Suspiria, que estará nos escaparates a partir do próximo dia vinte e seis, via XL...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 21:00
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2018

Low – Double Negative

Três anos depois do extraordinário Ones And Sixes, os Low de Alan Sparhawk, Mimi Parker e Steve Garrington voltam a impressionar-nos com a sua pop emotiva e sedutora à boleia de Double Negative, o décimo segundo e mais recente disco deste grupo norte americano oriundo de Duluth, onze canções abrigadas pela Sub Pop Records e que constituem outro marco significativo na carreira de um projeto ímpar do indie rock e da dream pop atuais.

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Por norma, escutar um disco dos Low nem sempre é um exercício à primeira audição reconfortante e aprazível, já que estamos na presença de um grupo que prima pela construção de um som negro e potenciador no modo como suscita a vinda à tona de alguns dos receios, dores e angústias que todos nós guardamos, de forma mais ou menos disfarçada, no nosso âmago. No entanto, há algo de viciante nesta espécie de terapia, um magnetismo óbvio, porque acabamos por perceber que já que foram desencadeadas determinadas memórias menos aprazíveis ao som dos Low, podemos aproveitar o momento para exorcizar alguns desses demónios, porque a música deles também tem esse lado em que luz e positivismo encontram forma de se mostrar, mesmo que o façam de uma forma algo inesperada. E a receita para que tal suceda está mais ou menos bem definida; É uma fórmula sonora que esconde no seu seio uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de uma fidelidade quase canónica à lentidão melódica, ao charme da guitarra e à capacidade que o uso assertivo de agudos e falsetes na voz têm de colocar em causa todos esses cânones e normas que também definem, quer queiramos quer não, alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade.

Mantendo-se em Double Negative toda esta filosofia de edificação sonora, os Low acabaram, no entanto, por subverter um pouco a componente prática da mesma porque, preservando estes ideais, optaram, desta vez, por um modus operandi que privilegiou o caos, o rugoso, a distorção e o ruído em detrimento da limpidez sonora e da habitual minúcia melódica, presentes nos últimos registos dos Low, nomeadamente o já referido Ones And Sixes e o muito recomendável C'mon de dois mil e onze. Nas guitarras plenas de reverb e no efeito vocal ecoante de Quorum e de Dancing and Blood e nas asas do eco e do ruído hertziano que fazem levitar Poor Sucker, assim como na cadência subtil das camadas instrumentais que suportam a melódica Dancing and Firetestemunhamos toda esta reconfiguração estilística, um caos que é apenas aparente e que serve na perfeição para fazer passar sensações como isolamento e angústia, transversais, como já referi, à carreira discográfica deste projeto.

Double Negative contém, pois, e como seria de esperar, um alinhamento que personifica sonoramente um desfile intenso de emoções. É um disco que jorra sentimentos por todos os seus acordes, podendo-se mesmo falar em poros, porque, de acordo com a descrição do primeiro parágrafo, esta é uma música que, mesmo apresentado-se com uma tonalidade mais experimental e imprevisível, transmite, com o habitual impressionismo dos Low, determinadas sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Quorum
02. Dancing And Blood
03. Fly
04. Tempest
05. Always Up
06. Always Trying To Work It Out
07. The Son, The Sun
08. Dancing And Fire
09. Poor Sucker
10. Rome (Always In The Dark)
11. Disarray


autor stipe07 às 17:15
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2018

Alt-J (∆) – Reduxer

Quase um ano depois do excelente Relaxer, os Alt-J (∆) de Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green, estão de regresso com Reduxer, uma revisitação incrível de onze temas desse disco que viu a luz do dia no ocaso de dois mil e dezassete e que sendo tematicamente corajoso e sonoramente muito complexo e encantador, foi desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasmando, à época, mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Reduxer acaba por ampliar ainda mais esta permissa, ao oferecer o flanco de Relaxer ao hip hop, num alinhamento que conta com colaborações de GoldLink, o rapper parisiense Lomepal, Kontra K de Berlim, o rapper Rejjie Snow nascido em Dublin, Tuka da Austrália, o rapper porto-riquenho PJ Sin Suela e o aclamado Little Simz de Londres, entre outros, claramente alguns dos mais influentes e prolíficos artistas e produtores de hip hop da atualidade.

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Os Alt-J (∆) têm pautado a sua carreira por bem sucedidas abordagens à pop ambiental contemporânea e ao art-rock clássico e esta abertura às especificidades de um hip hop que, atualmente, está cada vez mais disponível para se cruzar com a eletrónica, acaba por ser uma opção feliz quando a banda achou que deveria dar uma nova roupagem a alguns dos temas do seu último disco , alguns deles já autênticos clássicos do grupo. Portanto, Reduxer assume-se como uma epopeia onde em pouco mais de quarenta minutos se acumula um amplo referencial de elementos típicos de diversos universos sonoros, que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, também muito por causa da performance vocal de alguns dos convidados, com especial destaque para Little Simz e Pusha T, que souberam como se aliar à subtileza vocal ímpar de Joe Newman. Assim, no desempenho emotivo de Pusha T em In Cold Blood, um trecho movido a sintetizador, rasgado por uma melodia profundamente sintética e digital, no modo como Jimmy Charles se adaptou ao virtuosismo da guitarra que trespassa o funk de Hit Me Like That Snare, no modo como em Pleader PJ Sin Suela deu um toque de exotismo curioso aos riquíssimos arranjos do diverso arsenal instrumental monumental cuidadosamente executado pela Orquestra Metropolitana de Londres no original, na sensualidade ímpar que Paigey Cakey e Hex ofereceram ao trip-hop acústico de Adeline e na leveza tocante e singela de Terrace Martin em Last Year, rematada pelo modo como o tom grave deste rapper consegue fazer sobressair ainda mais o travo melancólico da voz de Marika Hackman, fica expresso um arregaçar de mangas com uma linguagem criativa bem balizada, com o trio a mostrar uma visão democrática sobre como conseguir expandir o grau de ecletismo do seu cardápio sonoro, neste caso com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas que foi bem sucedida até porque souberam rodear-se das pessoas certas tendo em conta o território sonoro selecionado.

Em suma, mais do que um complemento de um disco anterior, como se fosse uma espécie de seleção de lados b ou novas versões, Reduxer é um álbum com uma identidade muito própria, um registo pleno de especificidades e indutor de novas nuances no seio do universo Alt-J (∆), um registo que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - Reduxer

01. 3WW (Feat. Little Simz) [OTG Version]
02. In Cold Blood (Feat. Pusha T) [Twin Shadow Version]
03. House Of The Rising Sun (Feat. Tuka) [Tuka Version]
04. Hit Me Like That Snare (Jimi Charles Moody Version)
05. Deadcrush (Feat. Danny Brown) [Alchemist x Trooko Version]
06. Adeline (Feat. Paigey Cakey And Hex) [ADP Version]
07. Last Year (Feat. GoldLink) [Terrace Martin Version]
08. Pleader (Feat. PJ Sin Suela) [Trooko Version]
09. 3WW (Feat. Lomepal) [Lomepal Version]
10. In Cold Blood (Feat. Kontra K) [Kontra K Version]
11. Hit Me Like That Snare (Feat. Rejjie Snow) [Rejjie Snow Version]


autor stipe07 às 14:31
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

Sleep Party People – Lingering Pt. II

Pouco mais de um ano após Lingering, o registo de originais que o projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Batz nos ofereceu no verão passado à boleia da Joyful Noise Recordings e que contava com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch na suavidade tocante de We Are There Together, cantora que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air, já está nos ecaparates Lingering Pt. II, disco que, de acordo com Batz, encerra um círculo artístico temático especifico em que o autor quis abordar, em dois momentos, a temática do intimismo.

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Alinhamento de continuidade relativamente ao antecessor, Lingering Pt. II oferece-nos nove canções que se mantêm na senda de uma dream pop de forte cariz eletrónico, amiúde rugosa e imponente, instrumentalmente arriscada e onde não falta imensa diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. É uma filosofia de composição incubada por um músico que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. Esta odisseia de dois capítulos intitulada Lingering acaba por ser o momento mais alto e afirmativo desta caminhada filosófica e estilística e nesta segunda parte, canções do calibre da sumptuosa e vibrante de The Fallen Barriers, da delicada Outcast Gatherings ou da interestelar Moving Cluster, são momentos maiores de um registo eminentemente experimental, que sobrevivendo também à custa de alguns dos detalhes fundamentais do indie rock atual, tem na eletrónica contemporânea e no cruzamento que esta efetua com campos tão díspares como o r&b ou paisagens mais eruditas e clássicas, a sua grande força motriz.

Lingering Pt. II mostra um Batz cada vez mais maduro e assertivo e apostado em servir de exemplo, acerca do modo como se pode ir saindo, pouco a pouco, daquele casulo instrospetivo e daquela timidez que enclausura muitos de nós, fazendo-o à custa de um ambiente sonoro que, numa espécie de dicotomia entre um lado mais orgânico e outro mais sintético, expressa com luminosidade, frescura e cor a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este projeto dinamarquês entra hoje em estúdio para compôr e criar um arquétipo sonoro que não tem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Lingering Pt. II

01. 4th Drawer Down
02. The Mind Still Travels
03. The Fallen Barriers Parade
04. Moving Cluster
05. Renhoh 93
06. Outcast Gatherings
07. Push The Walls Aside
08. Towering Trees
09. Echoing Childhood


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018

Big Red Machine – Big Red Machine

Os mais atentos realtivamente ao histórico relativamente recente do universo sonoro indie e alternativo recordam-se, certamente, da coletânea de beneficiência Dark Was The Night, lançada em dois mil e nove e cujos fundos revertiam a favor a Red Hot Organization, uma organização internacional dedicada à angariação de receitas e consciencialização para vírus HIV. Do alinhamento dessa coletânea fazia parte uma canção intitulada Big Red Machine, da autoria de Justin Vernon aka Bon Iver e Aaron Dessner, distinto membro dos The National, dois artistas que juntos também já desenvolveram a plataforma PEOPLE, que reúne composições inéditas de mais de oitenta artistas, organizaram festivais (Eaux Claires) e agora têm um projeto sonoro intitulado exatamente Big Red Machine, que acaba de se estrear nos discos com um extraordinário homónimo, abrigado pela já referida PEOPLE.

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Produzido pelos próprios Justin Vernon e Aaron Dessner em colaboração com Brad Cook e com a participação especial de vários músicos que fazem parte do catálogo da PEOPLE, nomeadamente Phoebe Bridgers, This Is the Kit e músicos dos The Staves e que costumam tocar com os Arcade Fire, Big Red Machine coloca Vernon e Dessner na senda de sonoridades intimistas e ambientais, com composições de cariz predominantemente minimal mas que nem por isso deixam de ser intrincadas e de conterem várias nuances e detalhes que vale bem a pena destrinçar ao longo da audição das dez canções que compõem o registo.

Com a herança sonora de ambientes urbanos originários do outro lado do atlântico a ter sido certamente a grande força motriz da inspiração criativa da dupla e com uma filosofia soul sempre em ponto de mira, este é um disco com um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo, um funk digital que nos leva numa viagem lisérgica por paisagens que, do dub ao R&B, passando pelo rap, o jazz, o afro beat e até o trip-hop, sobrevivem muito à custa de um cuidado arsenal instrumental, eminentemente eletrónico e, por isso, de forte cariz sintético.

Começamos a ouvir o registo e logo na batida de Deep Green, tema com forte cariz étnico e, ao mesmo tempo, uma ode inspirada à dita música negra e no modo como é feita a inserção de uma vasta miríade de efeitos e sons sintetizados em Gratitude, percebemos que este é um álbum complexo, onde é forte a dinâmica entre os diferentes elementos que esculpem as canções e que virá, daí em diante, mais um encadeamento de oito temas que nos obrigará a um exercício exigente de percepção, mas que será, de certeza, fortemente revelador e claramente recompensador, até porque tudo isto é ampliado, como todos sabemos, pelo claro charme e misticismo que estes dois músicos transportam sempre e que trespassa muitas vezes o cenário do que é apenas audível.

Assim, as inserções ritmícas que sustentam o funk incisivo de Lyla, na insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons das guitarras e do teclas que dão vida a Air Stryp, a espiral pop majestosa que exala do piano e da voz imponente de Vernon em Hymnostic e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos e dos flashes sintetizados que nos fazem levitar em Forest Green, justificam, sem qualquer sombra de dúvida, a atribuição de um claro nível de excelência aos diferentes fragmentos que Vernon e Dessner convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam para este álbum, criando nele uma relação simbiótica bastante sedutora, enquanto partiram à descoberta de texturas sonoras que podem muito bem servir de referência para outros projetos futuros. Espero que aprecies a sugestão...

Big Red Machine - Big Red Machine

01. Deep Green
02. Gratitude
03. Lyla
04. Air Stryp
05. Hymnostic
06. Forest Green
07. OMDB
08. People Lullaby
09. I Won’t Run From It
10. Melt


autor stipe07 às 18:58
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