Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2019

Lambchop – Everything For You

Lambchop - Everything For You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasseis, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville e ao qual se juntam atualmente o baixista Matt Swanson e o pianista Tony Crow, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop começaram a revelar detalhes de This (is what I wanted to tell you), um trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março próximo à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records e que, além do trio, também conta nos créditos com Matt McCaughan, reconhecido pelo seu excelente trabalho percurssivo em projetos como os Hiss Golden Messenger e Bon Iver.

Depois de os Lambchop terem revelado a amostra The December-ish You, canção com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer Everything For You, o terceiro tema do alinhamento de This (is what I wanted to tell you), uma composição que segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

This (is what I wanted to tell you) é, tecnicamente, o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas está a ser anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you). Confere Everything For You, canção descrita por Wagner desta forma - a collection of imperfections on the road to a better day - e o espetacular vídeo realizado para o tema da autoria de Jonny Sanders....


autor stipe07 às 13:36
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2019

Vampire Weekend – Harmony Hall vs 2021

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson, Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, ainda sem data de lançamento definida mas certamente neste ano de dois mil e dezanove.

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De acordo com Ezra Koenig, Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do alinhamento deste lançamento será divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, os dois primeiros temas disponibilizados do novo álbum dos Vampire Weekend.

Das duas canções, o grande destaque vai, claramente, para Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um exercício de composição assertivo e particularmente radiante. Já 2021 é uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar. Confere...

Vampire Weekend - Harmony Hall - 2021

01. Harmony Hall
02. 2021


autor stipe07 às 10:39
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

Daniel Land – The Dream Of The Red Sails

Há sempre algo de especial e único na música do britânico Daniel Land,  que anda por cá há mais de duas décadas a oferecer-nos belíssimas composições, não só em nome próprio, mas também através da banda Daniel Land & The Modern Painters e do seu alter ego riverrun, além de colaborar assiduamente com os míticos Engineers. De facto, do seu registo vocal angelical à permanente sensação de vulnerabilidade comovente que exala das suas canções, são vários os atributos que sustentam os discos deste autor e que encarnam alguma da melhor indie pop contemporânea.

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Cada canção de Daniel Land parece querer dar vida a sonhos lúcidos e a visões etéreas e cada acorde que nos oferece tem sempre uma luminosidade melancólica particularmente incomum. É como se cada tema fosse pensado para ser contemplado por causa da sua beleza e cor, assim como é um dia típico de primavera, depois de um inverno cinzento, frio e monocromático.

Escrito durante o ano de dois mil e dezasseis durante o início dos tufões brexit e Trump, The Dream of the Red Sails, o novo álbum de Daniel Land, não foge a estas permissas e pretende ser um porto de abrigo optimista para todos aqueles que se sentem algo perdidos com um mundo cada vez mais engolido pelo racismo e pela ignorância e pelo desrespeito, temáticas muito presentes na escrita do registo. Logo no instrumental Capistrano Beach, sentimos uma suave e encantadora brisa de luz, que se amplia, mas sem nunca ofuscar, no reverb metálico estridente e envolvente de Summer Song. Depois, no clima nostálgico que transparece das cordas de Long Before the Weather, na soul de Still Closed e no modo quase mágico como a guitarra e a bateria conjuram entre si em Under a Red Sky, assim como na delicada acusticidade de Self-Portrait in Autumn Colours, ficamos defintivamente impressionados com um alinhamento acessível e bastante melódico, pensado com uma filosofica sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes da angulosa pop oitocentita que bandas como os Talk Talk ajudaram a cimentar há cerca de três décadas, mas onde também não falta uma assertiva contemporaneidade, em especial na guitarra, num resultado final particularmente luminoso e apelativo. Espero que aprecies a sugestão...

Daniel Land - The Dream Of The Red Sails

01. Capistrano Beach
02. Summer Song
03. Long Before The Weather
04. Still Closed
05. Under A Red Sky
06. Self-Portrait In Autumn Colours
07. Starless
08. Alone With America
09. Fleur Du Mâle
10. Skindivers
11. Cobalt Blue


autor stipe07 às 10:33
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

Quiet Company – Aloha

Quiet Company - Aloha

Oriundos de Austin, no Texas, os Quiet Company, estrearam-se no já longínquo ano de dois mil e seis com o registo Shine Honesty e são atualmente formados por Taylor Muse, o cantor, escritor e grande mentor da banda, o guitarrista Tommy Blank, o baixista Trevor Dowdy, o baterista Jeff Stringer e o multi-instrumentista Bill Gryta.

Já neste mês de janeiro os Quiet Company vão editar On corners & Shapes, o terceiro de uma série de eps que têm dado a conhecer aos seus fãs desde o longa duração Your Husband, the Ghost, de dois mil e dezassete e, em jeito de antecipação, acabam de revelar Aloha, um lindíssimo tema que impressiona pelo modo seu grau de intimismo, mas também de epicidade, com o piano e alguns efeitos de cordas a assumirem as rédeas melódicas e a sustentarem diversas mudanças de ritmo. Confere...


autor stipe07 às 16:48
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2019

Indoor Voices – Gaslight Ephemera

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de três anos com um outro EP, intitulado Auratic, que vê finalmente sucessor, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, todas escritas por Relph, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the Face, Always the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My.

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Disponivel no bandcamp do projeto, Gaslight Ephemera flui algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo e uma bateria que seguem a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível na imponência de Breathe, Barely e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de I'm Sorry, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Punch Me In The Face é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conferem, através do sintetizador, leves pitadas de punk ou o garage, aquilo que é, no fundo, uma simbiose entre shoegaze e post rock, amplificada com superior requinte no clima pop de A Little Slow e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Gaslight Ephemera têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always The Same, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Gaslight Ephemera exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Gaslight Ephemera

01. Gaslight Ephemera
02. Breathe, Barely
03. I’m Sorry
04. Punch Me In The Face
05. A Little Slow
06. You’re My
07. Always The Same

08. I Dunno, Kid

09. Shit World


autor stipe07 às 16:59
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Domingo, 23 de Dezembro de 2018

Cigarettes After Sex – Neon Moon

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Depois da dose dupla em formato single que incluia os temas Crush e Sesame Syrup e que serviram, em junho passado, para comemorar o primeiro anivesário da edição do excelente disco homónimo de estreia, os norte americanos Cigarettes After Sex, uma das novas coqueluches da indie pop de cariz mais ambiental, acabam de divulgar mais uma nova composição, uma versão do clássico Neon Moon, um original com vinte e seis anos da autoria da dupla Brooks and Dunn. 

Nesta nova roupagem de Neon Moon, este projeto oriundo de El Paso, no Texas e liderado por Greg Gonzalez, ao qual se juntam Jacob Tomsky, Phillip Tubbs e Randy Miller, deixou impressa a marca indistinta de uma banda que se baptizou com felicidade, já que compôe com todos os sentidos apontados à alcova, servindo-se, neste caso, do reverb eocoante de uma guitarra e do ritmo hipnótico da bateria para, com uma filosofia estilística assente numa sonoridade simples e nebulosa, mas bastante melódica e etérea, arrastar-nos com complacência e sem pressas, para um universo feito com uma aura melancólica e mágica indistinta. Confere...


autor stipe07 às 23:20
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2018

Lambchop – The December-ish You

Lambchop - The December-ish You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasses, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop revelam The December-ish You, o primeiro avanço para This (is what I wanted to tell you), trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março do proximo ano à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records. Com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, The December-ish You segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

Tecnicamente o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you) também já viu o seu alinhamento divulgado. Confere o primeiro single de This (is what I wanted to tell you) e o seu alinhamento...

01 “The New Isn’t So You Anymore”
02 “Crosswords, Or What This Says About You”
03 “Everything For You”
04 “The Lasting Last Of You”
05 “The Air Is Heavy And I Should Be Listening To You”
06 “The December-ish You”
07 “This Is What I Wanted To Tell You”
08 “Flower”


autor stipe07 às 21:31
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

The Pains Of Being Pure At Heart – Full Moon Fever

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart regressaram aos discos este ano para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin', entre outros.

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Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Full Moon Fever, recaiu numa abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia. Com esse estilo sonoro sempre presente no momento de recriar temas tão intemporais como os que Tom Petty escreveu, os The Pains Of Being Pure At Heart acabaram por manter intacta a aúrea nostálgica e romântica de um disco ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado, criando um alinhamento tenso, planante e intrigante do início ao fim, com uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, mas com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

De facto, esta revisitação de Full Moon Fever impregna-nos com um ambiente contemplativo fortemente consistente, num resultado final que encarna um notório marco de libertação e de experimentação que homenageia e aprimora o espírito do original, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes The Pains Of Being Pure At Heart nos conseguem proporcionar. Espero que aprecies a sugestão...

The Pains Of Being Pure At Heart - Full Moon Fever

01. Free Fallin’
02. I Won’t Back Down
03. Love Is A Long Road
04. A Face In The Crowd
05. Runnin’ Down A Dream
06. I’ll Feel A Whole Lot Better
07. Yer So Bad
08. Depending On You
09. The Apartment Song
10. Alright For Now
11. A Mind With A Heart Of It’s Own
12. Zombie Zoo


autor stipe07 às 22:00
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2018

Cat Power – What The World Needs Now (Jackie DeShannon Cover)

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia, através da insuspeita Matador Records, Wanderer, o décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que também se tem destacado ao longo da carreira pelas covers e versões com que nos tem presenteado, geralmente com a mesma filosofia estilística, ir ao esqueleto do tema, despi-lo de grande parte dos seus arranjos e dar-lhe um cariz mais orgânico, intimista e melancólico. Os mais atentos devem recordar-se, por exemplo, da versão que ela gravou no início deste século do original dos Rolling Stones (I Can’t Get No) Satisfaction. Retirou do tema o riff de guitarra principal e aprimorou com enorme bom gosto e simplicidade o esqueleto acústico desse clássico do rock contemporâneo.

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Agora, algumas semanas depois da edição do seu último álbum, conforme referi acima, Cat delicia-nos com uma nova cover, presente na edição deluxe de Wanderer. É a sua versão da canção What The World Needs Now, um também clássico, com mais de meio século (1965), da autoria da dupla Burt Bacharach e Hal David e cantada magistralmente, à época, por Jackie DeShannon. Esta composição foi revista, ao longo das últimas décadas, por nomes tão proeminentes como Dionne Warwick, Mahalia Jackson, Luther Vandross, ou Diana Ross, que gravou duas versões, uma delas a solo e outra com as Supremes. Na sua revisitação do tema, Cat Power criou, à boleia de um inspirado piano, um clima jazzistico bastante sedutor e charmoso, preenchido com alguns arranjos de cordas de rara beleza e a exalarem um forte travo a vulnerabilidade. Confere a cover de Cat Power para o clássico What The World Needs Now e compara-a com o original cantado por Jackie DeShannon...

Cat Power - What The World Needs Now


autor stipe07 às 13:12
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Conor Oberst – No One Changes vs The Rockaways

Nos últimos meses, o norte-americano Conor Oberst, um músico natural de uma pequena localidade no estado do Omaha mas radicado em Nova Iorque há mais de uma década, tem estado na penumbra, mas nem por isso deixou de estar atarefado. Escreveu um tema initulado LAX, que foi interpretado por Ethan Hawke na comédia romântica Juliet, Naked, depois gravou mais uma versão desse tema com Phoebe Bridgers e, como agradecimento, Bridgers convidou-o para tocar harmónica na versão que fez de Powerful Man, um original de Alex G. Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, Oberst acaba de divulgar dois novos temas, No One Changes e The Rockaways, disponíveis em formato single e que terão edição física em vinil de sete polegadas, lá para fevereiro do próximo ano.

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Estas duas novas composições de Conor Orbest poderiam muito bem fazer parte do seu aclamado álbum Ruminations, editado há cerca de dois anos e ainda sem sucessor anunciado, um registo que, como ceertamente os mais atentos se recordarão, tinha uma tonalidade bastante intimista e melancólica e até algo depressiva. Estas sensações trespassam quer por No One Changes quer por The Rockaways, com a primeira canção, sobre o amor próprio, a assentar num inspirado piano e a segunda, uma composição sobre os momentos bons que devemos sempre recordar quando há uma separação, a oferecer-nos uma sonoridade acústica bastante impressiva e intensa, ampliada pela participação especial das teclas do sintetizador de Nathaniel Walcott , membro dos Bright Eyes. Confere...

Conor Oberst - No One Changes

01. No One Changes
02. The Rockaways


autor stipe07 às 13:11
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Zero 7 - Mono

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Os britânicos Zero 7 de Henry Binns e Sam Hardaker, um dos projetos fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, já não davam sinais de vida há algum tempo, nomeadamente desde dois mil e quinze quando colaboraram com José González no tema Last Light. Agora, três anos depois dessa composição, eles estão de volta com novidades, um novo single intitulado Mono, que resulta de uma parceria profícua com o cantor Hidden.

Mono tem como grandes atributos, além da performance vocal irreprensível de Hidden, um arquétipo sonoro de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Confere...

Zero 7 - Mono

01. Mono (Feat. Hidden)
02. Mono (Feat. Hidden) (Thool Remix)
03. Mono (Thool Remix Instrumental)


autor stipe07 às 08:26
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

LUMP - LUMP

Foi no início do último verão que viu a luz do dia, à boleia da Dead Oceans, LUMP, o disco homónimo de estreia do projeto com o mesmo nome que junta os britânicos Laura Marling e Mike Lindsay, membro dos Tunng, uma inusitada mas bem sucedida colaboração que começou a ganhar vida há cerca de dois anos quando os dois músicos se conheceram. LUMP materializa-a em sete canções que se fundamentam numa necessidade de ambos de refletirem sobre a sociedade de consumo, através de composições misturadas com uma ímpar contemporaneidade e com inegável bom gosto, cimentadas numa fusão feliz entre pop, eletrónica e folk.

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Lump is a product, assim termina este disco que tem como principal força motriz as reflexões de Laura sobre a desmesurada importância que as marcas, os produtos e a aparência têm na realização pessoal de muitas pessoas. Palavra escolhida pela filha de seis anos de Marling para batizar quer o disco, quer a figura criada para o mesmo que ilustra o artwork, quer o próprio projeto, LUMP tem essa carga conotativa, servindo como uma espécie de sinónimo ou de palavra chave para aquilo que é o pensamento crítico da dupla relativamente à obsessão pelo consumo, um vocábulo que aqui é personificadono tal peluche e musicado numa combinação de estilos entre a habitual interpretação vocal angelical de Marling e o modus operandi sonoro de Lindsay, um compositor que está sempre pronto para criar melodias doces e cativantes, mesmo que sejam adornadas, muitas vezes, com arranjos e samples à primeira vista tendencialmente agrestes e ruidosos. Acaba por ser uma parceria que, à primeira audição, pode parecer antagónica, mas que acaba por soar a um charme e a uma elegância inegáveis, principalmente no modo como, em vários temas, alguns detalhes percussivos algo abrasivos e um vasto oceando de sintetizações, a maioria de cariz falsamente minmalista, se entrelaçam com o registo vocal doce e aconchegante de Marling.

Desse modo, na intrigante combinação de cordas com teclas e na tremenda languidez vocal em Hand Hold Hero (Money didn’t buy you nothing at all, Accept a ball for your chain), no clima algo claustrofóbico, mas também empático de Shake Your Shelter (born a crab, naked and sad), uma canção que reflete de modo impressivo aquela sensação de isolamento e de vazio que muitos sentem num mundo tão amplo e tão vasto como é o nosso, exatamente por causa de algumas opções comportamentais (I know the feeling of losing the ceiling on a beach full of empty shells)  e na pop charmosa e espirituosa de Curse of the Contemporary, a composição melodicamente mais feliz e acessível do disco, LUMP vai-se convertendo nos nossos ouvidos num portento de sensibilidade e optimismo, um álbum a transbordar uma espécie de amor que é oferecido por quem cria a quem escuta e que parece ser só passível de ser sentido na nossa imaginação, mas que é real porque nos liberta definitivamente de algumas das amarras que ainda filtram o modo como a nossa consciência vê o mundo, dia após dia. De facto, o maior ensinamento que LUMP nos permite usufruir é que no seio de um processo de criação sonora algo complexo e que não renegou o uso de várias influências e onde o experimentalismo livre de constrangimentos se assumiu como uma filosofia condutora marcante,  é uma verdade insofismável que por mais que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, estejam amarrados à ditadura da tecnologia, estas canções podem ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer pessoal quer até coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:33
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God, The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegou aos escaparates há alguns dias. É um estrondoso trabalho discográfico, produzido por Tony Visconti e que poderá muito bem vir a figurar em várias listas dos melhores álbuns de dois mil e dezoito.

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O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn é, obviamente, a personagem central deste projeto que junta quatro músicos de insuspeita qualidade e com provas dadas no panorama indie britânico há várias décadas. Assim, falar da filosofia que Damon Albarn pretende como artista para este projeto The Good, The Bad And The Queen, que esperou quase uma dúzia de anos para ter um novo registo depois da espetacular estreia, e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou a solo, é algo impossível, já que em todos eles há um ponto em comum bem vincado, o modo como o homem Damon Albarn vê a contemporaneidade e em especial a Inglaterra e como, na pele do artista Damon Albarn, transporta as suas ideias e essa sua visão crítica bastante clínica, lúcida e clarividente para as canções que compôe e que, independentemente do género e estilo que abarcam (e os seus vários projetos permitem-lhe uma abrangência e um ecletismo ímpares), têm sempre um marco de excelência, de brilho e de bom gosto.

Assim, se o homónimo The Good, The Bad & The Queen narrava, de certo modo, uma jornada imaginária por algumas ruas mais obscuras de uma Londres cosmopolita mas ainda com fortes marcas ancestrais e com tradições que remontam à revolução industrial, Merrie Land deve imenso a algumas viagens que Albarn fez pelo norte de Inglaterra, nomeadamente pela zona costeira de Blackpool, de certo modo descritas quer no tema homónimo quer em Lady Boston, oferecendo-nos, assim, uma visão mais abrangente sobre o reino de sua majestade, com as suas onze canções a ganharem vida através de poemas comuns sobre o quotidiano ordinário de um típico bife, na busca de explicarem aquilo que é hoje o ser inglês, com a realidade civilizacional, social, económica e cultural do mesmo muito marcada pela crise financeira de início desta década em Inglaterra, as consequentes medidas de austeridade que potenciaram o brexit e, mais recentemente, a comemoração dos cem anos do fim da primeira grande guerra e as memórias familiares que este evento despoletou em muitas famílias inglesas que têm aproveitado o momento para homenagearem e recodarem alguns dos seus heróis esquecidos e as suas façanhas.

É pois, nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções como a descontraída e animada Gun To The Head ou a intrincada homónima. Esta última, por exemplo, é uma lindíssima peça sonora que nos coloca no meio de um teclado cósmico, de leves batidas e de uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Mas também nos detalhes doces da contemplativa Ribbons, no clima mais soturno de Nineteen Seventeen ou na sedutora Drifters & Trawlers se consegue sentir aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns. Espero que aprecies a sugestão... 

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree


autor stipe07 às 21:05
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2018

Luke Sital-Singh – The Last Day

Luke Sital-Singh - The Last Day

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público já este ano com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, quase no ocaso de 2018, Luke Sital-Singh acaba de revelar um novo single intitulado The Last Day, uma canção sobre despedidas e pesares pela partida de algo ou alguém e sobre o dia seguinte, que nunca deixa de vir, uma composição que transporta no charme das cordas e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da folk americana. Sobre ela, Luke referiu recentemente: I had no intention of writing another song about death”, (...) I guess that’s just the happy fun-time guy that I am. I like how a song about the end is coming out first. Putting everything in perspective again as a new phase begins. Confere...


autor stipe07 às 11:06
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

The Pains of Being Pure at Heart - Free Fallin' (Tom Petty Cover)

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart estão de regresso para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin'.

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Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Free Fallin', é exatamente a mais recente amostra divulgada do registo e, através de uma abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia, os The Pains Of Being Pure At Heart mantiveram intacta a aúrea nostálgica e romântica de um tema ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Old Jerusalem - Chapels

Foi a doze de outubro que chegou às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional, um projeto que nos tem habituado a canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

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Com dez temas imediatos e sem adornos, assentes em interpretações gravadas à primeira e que acabam por estar intimamente associadas ao processo da sua escrita, também algo intuitivo, e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos, Chapels tem em cada canção um veículo privilegiado para o ouvinte tomar contacto de modo realisticamente impressivo, com o ímpeto criativo do Francisco e a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. E fá-lo através de um dos melhores veículos que conheço para a transmissão de sentimentos, emoções e ideias... a música.

Chapels é, portanto, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Old Jerusalem. Escuta-se a simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula no registo vocal de The Meek, aquela nostalgia que provoca encantamento e torpor e que exala de Oleander, a simultaneamente intrigante e sedutora Ancient Sand, Ancient Sea ou a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte de Lighthouse e acedemos, sem vontade de olhar para trás, a um universo único, enquanto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que este maravilhoso alinhamento transmite. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:08
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2018

John Grant – Love Is Magic

Quase três anos depois do excelente Grey Tickles, Black Pressure, o canadiano John Grant regressou aos discos com Love Is Magic, o quarto registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico e geralmente com uma forte componente autobiográfica. Este Love Is Magic não foge à regra, num alinhamento de dez canções que nos apresenta, uma vez mais, uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito.

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Cada vez mais requintado no modo como se serve de um vascato cardápio de sintetizações e efeitos no momento de compor, um John Grant mais otimista, convencido, confiante e festivo, criou uma nova coleção de inspiradas e lindíssimas composições, conduzidas por notáveis arranjos orquestrais, apresentados logo em Metamorphosis, uma composição tremendamente cinematográfica e plena de variações rítmicas e melódicas e que também impressiona pelo modo como a voz é sistematicamente modificada. Depois, o dramatismo incontornável do tema homónimo, o clima algo tumultuoso de Tempest, a toada retro de Preppy Boy, a pop luminosa de He's Got His Mother Hips  e o vigor algo punk de Diet Gum, são temas que nos inserem num clima de festa e celebração, num mundo muito rosa mas onde podem entrar todos aqueles que têm uma mente aberta e uma predisposição natural para não julgarem nem colocarem entraves ou preconceitos, mas antes deixarem-se levar por uma onda sonora inspirada rumo à diversão pura e genuína.

Love Is Magic oferece-nos, em suma, um John Grant cada vez mais lânguido e libidinoso e virado para a tecnologia, em dez composições que reforçam a sua mestria compositória, o seu ecletismo cada vez mais abrangente e, principalmente, o modo eficaz como usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências intensas que vão assolando a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Love Is Magic

01. Metamorphosis
02. Love Is Magic
03. Tempest
04. Preppy Boy
05. Smug Cunt
06. He’s Got His Mother’s Hips
07. Diet Gum
08. Is He Strange
09. The Common Snipe
10. Touch And Go


autor stipe07 às 20:52
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Domingo, 28 de Outubro de 2018

Thom Yorke - Suspiria

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Entre outros atributos, exige-se a uma banda sonora de elevado calibre qualitativo que permita, através da audição prévia à visualização do filme, que o ouvinte consiga antecipar de modo minimamente plausível a trama do enredo que depois poderá vir a conferir no grande ecrã. E esse é um dos grandes atributos de Suspiria, ou seja, escuta-se as vinte e cinco composições desta banda sonora e, tendo em conta a emotividade, a intensidade e o grau de impressionismo de muitas das canções, parece quase intuitivo o adivinhar da história de uma jovem norte-americana que chega a uma escola de dança alemã para estudar ballet, mas, na verdade, entra num antro de bruxas. De facto, nunca a música de Thom Yorke soou tão horrífica e escutar Suspiria faz-nos estarmos perante uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

No pulsar analógico das batidas de Volk, no travo trip-hop de Has Ended, nas teclas soturnas de The Hooks e de Olga's Destruction e na intensidade crescente de Suspirium, tema central do registo e uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, fica recriado não só o típico ambiente soturno com que este autor tem pautado o seu projeto a solo há já mais de uma década, mas também a densidade e a névoa sombria de um filme que tem no elenco nomes como Tilda Swinton, Dakota Johnson e Chloë Grace Moretz, bem como Jessica Harper, a protagonista principal do filme original. Espero que aprecies a sugestão...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 18:56
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Beach House - Alien

Beach House - Alien

Um dos grandes destaques de 7, o álbum que a dupla Beach House lançou na passada primavera, é Lose Your Smile, tema já editado em formato single de edição limitada e que tem como lado b Alien, canção que clarifica a vontade que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, teve, em 7, de fornecer maior luminosidade às canções. E Alien demonstra-o através de um rock expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar. Confere...


autor stipe07 às 16:55
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