Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

Steve Mason – Walking Away From Love

Steve Mason - Walking Away From Love

O escocês Steve Mason esteve recentemente ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas está novamente focado na sua carreira a solo. Assim, acaba de divulgar o tema Walking Away From Love, mais uma composição do alinhamento de About The Light, o seu quarto registo de originais. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda de Stephen Street, About The Light vai ver a luz do dia a dezoito de janeiro próximo e sucede aos aclamados registos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016).

Com uma sonoridade bastante efusiva e radiofónica, cimentada num rock que replica alguns dos traços identitários da vibrante herança brit, sempre melodicamente aditiva e assente em cordas exuberantes, Walking Away From Love, faz adivinhar um disco com uma dose divertida de experimentalismo e que continuará a colocar nas luzes da ribalta este nome influente do cenário indie britânico contemporâneo. Confere...


autor stipe07 às 14:39
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

Broken Bells – Shelter

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Quatro anos depois do álbum After The Disco e três depois do single Is That Talk Again, lançado em dois mil e quinze como avanço do filme concerto Broken Bells: Live At The Orpheum, os Broken Bells de Brian Burton aka Danger Mouse e James Mercer, vocalista dos The Shins, estão de regresso aos lançamentos com Shelter, um tema que ainda não se sabe se antecipa um novo disco dos Broken Bells, mas que foi sendo anunciado por um conjunto de teasers publicados na conta de instagram do projeto em que os dois músicos surgem em estúdio e a gravar juntos.

Repleto de harmonias subtis embrulhadas na voz efusiva de Mercer e com uma forte toada pop, proporcionada por uma batida cheia de groove e que clama por climas etéreos e intimistas, Shelter mantém os Broken Bells na rota de um caminho coeso, assertivo e refinado, numa parceria que sabe como mostrar o real potencial dos seus dois pólos. Confere...

Broken Bells - Shelter


autor stipe07 às 13:35
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Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Deerhunter – Element

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox já têm prontoWhy Hasn’t Everything Disappeared?, um registo gravado em Marfa, no Texas, que será lançado a dezoito de Janeiro próximo à boleia da 4AD Records e que foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

Deerhunter

O mais recente single divulgado deste Why Hasn’t Everything Disappeared?, o oitavo disco da carreira dos Deerhunter, que sucede ao aclamado disco Fading Frontier (2015), é Element, o quarto tema do alinhamento, uma composição descrita por Cox como uma ode ao ambiente e à natureza, um tema com uma tremenda sensibilidade pop e que resplandesce pelo modo como as cordas e os sopros vão interagindo entre si de um modo muito calculado, o que resulta, no seu todo, em quase três minutos de puro deleite sonoro, com indisfarçável leveza e beleza melódica. Confere...

Deerhunter - Element


autor stipe07 às 18:20
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2018

Generationals – State Dogs: Singles 2017-18

Após o lançamento do excelente álbum Alix, em 2014, a dupla norte americana Generationals, de Ted Joyner e Grant Widmer, natural de Nova Orleães, Louisiana, reslveu deixar de lado o habitual formato físico e de alinhamentos, passando a optar pelo lançamento de singles em formato digital. E nestes dois últimos anos os Generationals acabaram por ser bastante profícuos quer criativamente quer na exposição de canções, pelo que acaba de se justificar este State Dogs: Singles 2017-18 que, conforme o título indica, compila todos estes singles que a dupla lançou digitalmente após Alix.

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O registo contém um total de nove singles, além de mais um novo original, o tema Beggars In The House Of Plenty, sendo, portanto, um alinhamento de dez canções de forte cariz radiofónico, que resultam, todas agregadas, num tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo e feliz no modo como nos faz dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo.

State Dogs: Singles 2017-18 é um álbum perfeito para se perceber como este projeto, já com quatro discos de originais além desta compilação, deambula de modo escorreito entre abordagens mais electrónicas e tonalidades que exalam um indie sombrio e nublado, sempre com uma base melódica muito elaborada e coesa, com pronunciadas influências quase sempre relacionadas com os teclados típicos do anos oitenta e que acabam por cair facilmente no goto do grande público, já que para os Generationals, independentemente da receita, uma toada experimental animada, luminosa e feliz é sempre algo transversal ao conteúdo musical que criam. Espero que aprecies a sugestão...

Generationals - State Dogs Singles 2017-18

01. Keep It Low
02. It May Get Bad When You’re Lonely And Cold
03. Catahoula Man
04. Silent Ocean
05. Mythical
06. Avery
07. Beggars In The House Of Plenty
08. Days Alone
09. Kid
10. Turning The Screw


autor stipe07 às 17:38
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2018

Cat Power – What The World Needs Now (Jackie DeShannon Cover)

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia, através da insuspeita Matador Records, Wanderer, o décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que também se tem destacado ao longo da carreira pelas covers e versões com que nos tem presenteado, geralmente com a mesma filosofia estilística, ir ao esqueleto do tema, despi-lo de grande parte dos seus arranjos e dar-lhe um cariz mais orgânico, intimista e melancólico. Os mais atentos devem recordar-se, por exemplo, da versão que ela gravou no início deste século do original dos Rolling Stones (I Can’t Get No) Satisfaction. Retirou do tema o riff de guitarra principal e aprimorou com enorme bom gosto e simplicidade o esqueleto acústico desse clássico do rock contemporâneo.

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Agora, algumas semanas depois da edição do seu último álbum, conforme referi acima, Cat delicia-nos com uma nova cover, presente na edição deluxe de Wanderer. É a sua versão da canção What The World Needs Now, um também clássico, com mais de meio século (1965), da autoria da dupla Burt Bacharach e Hal David e cantada magistralmente, à época, por Jackie DeShannon. Esta composição foi revista, ao longo das últimas décadas, por nomes tão proeminentes como Dionne Warwick, Mahalia Jackson, Luther Vandross, ou Diana Ross, que gravou duas versões, uma delas a solo e outra com as Supremes. Na sua revisitação do tema, Cat Power criou, à boleia de um inspirado piano, um clima jazzistico bastante sedutor e charmoso, preenchido com alguns arranjos de cordas de rara beleza e a exalarem um forte travo a vulnerabilidade. Confere a cover de Cat Power para o clássico What The World Needs Now e compara-a com o original cantado por Jackie DeShannon...

Cat Power - What The World Needs Now


autor stipe07 às 13:12
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Conor Oberst – No One Changes vs The Rockaways

Nos últimos meses, o norte-americano Conor Oberst, um músico natural de uma pequena localidade no estado do Omaha mas radicado em Nova Iorque há mais de uma década, tem estado na penumbra, mas nem por isso deixou de estar atarefado. Escreveu um tema initulado LAX, que foi interpretado por Ethan Hawke na comédia romântica Juliet, Naked, depois gravou mais uma versão desse tema com Phoebe Bridgers e, como agradecimento, Bridgers convidou-o para tocar harmónica na versão que fez de Powerful Man, um original de Alex G. Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, Oberst acaba de divulgar dois novos temas, No One Changes e The Rockaways, disponíveis em formato single e que terão edição física em vinil de sete polegadas, lá para fevereiro do próximo ano.

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Estas duas novas composições de Conor Orbest poderiam muito bem fazer parte do seu aclamado álbum Ruminations, editado há cerca de dois anos e ainda sem sucessor anunciado, um registo que, como ceertamente os mais atentos se recordarão, tinha uma tonalidade bastante intimista e melancólica e até algo depressiva. Estas sensações trespassam quer por No One Changes quer por The Rockaways, com a primeira canção, sobre o amor próprio, a assentar num inspirado piano e a segunda, uma composição sobre os momentos bons que devemos sempre recordar quando há uma separação, a oferecer-nos uma sonoridade acústica bastante impressiva e intensa, ampliada pela participação especial das teclas do sintetizador de Nathaniel Walcott , membro dos Bright Eyes. Confere...

Conor Oberst - No One Changes

01. No One Changes
02. The Rockaways


autor stipe07 às 13:11
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2018

Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel And Casino (single)

Lançado no auge da última primavera, Tranquility Base Hotel And Casino é o sexto álbum na carreira dos britânicos Arctic Monkeys de Sheffield, liderados por Alex Turner, ao qual se juntam Matt Helders, Jamie Cook e Nick O'Malley. Produzido por James Ford e pelo próprio Alex Turner, Tranquility Base Hotel And Casino viu a luz via Domino Records e sucedeu ao já longínquo AM, lançado em 2013.

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Tranquility Base Hotel And Casino contém onze canções liricamente bastante enigmáticas e recheadas de referências retro e do nosso imaginário cinematográfico, além de conter algumas críticas à modernidade, sendo bons exemplos desse modus operandi Star Treatment, canção com referências diretas ao icónico romance Blade Runner de Phillip K Dick e American Sports, tema que fala de uma base lunar onde os humanos habitam e olham de longe para o nosso planeta.

O conteúdo do discoTranquility Base Hotel And Casino foi destrinçado na altura pela nossa redação, pelo que este novo artigo sobre o registo, mais de meio ano após o seu lançamento, serve para destacar o rock lisérgico setentista do tema homónimo que contém, lançado recentemente em formato single, num vinil de sete polegadas, juntamente com a divulgação do documentário Warp Speed Chic, que mostra como decorreram as gravações do álbum e que pode ser visto aqui.

Esta edição single do tema Tranquility Base Hotel And Casino que, como já referi, deu nome ao último álbum dos Arctic Monkeys, contém no lado b uma canção intitulada Anyways que vale também bem a pena escutar. Esse tema obedece à filosofia que orientou o conteúdo de Tranquility Base Hotel And Casino, alinhamento em que os Arctic Monkeys, abrigados por um novo e vasto manancial de referências, piscaram o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que se movimentam, enriquecendo tremendamente o seu cardápio e elevando o quarteto a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Confere...

Arctic Monkeys - Tranquility Base Hotel And Casino

01. Tranquility Base Hotel And Casino
02. Anyways


autor stipe07 às 13:33
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Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Coldplay – Coldplay: Deep Cuts

Revelado e publicado digitalmente este ano, Coldplay: Deep cuts é um interessante alinhamento sonoro que documenta um extrato do lado menos comercial e mais negligenciado dos Coldplay de Chris Martin, uma banda que começou por conquistar a sempre ávida crítica britânica há quase vinte anos com o extraordinário Parachutes e pouco depois o mundo com ma sequência de discos que agregaram uma legião cada vez mais numerosa de fãs ávidos e dedicados, mas que, na minha opinião, foram, principalmente a partir de X&Y, reduzindo a bitola qualitativa do cardápio do grupo, essencialmente porque Chris Martin foi olhando com cada vez maior gula para a pop, principalmente a que se foi fazendo do outro lado do atlântico, onde montou residência depois do casamento com a atriz norte-americana Gwineth Paltrow, entretanto terminado, mas que teve como frutos Apple e Moses. Este enlace acabou por inspirar Martin em algumas canções, sendo uma delas Moses, canção editada apenas a vivo e que serviu de single de lançamento do registo Coldplay Live 2003.

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Depois do folk rock alternativo e intimista de Parachutes, foi logo a seguir, em A Rush Of The Blood To The Head, que os Coldplay inauguraram uma demanda discográfica que tinha a intenção firme de criar alinhamentos cada vez mais luminosos e festivos e que fossem melodicamente amplos e épicos, repletos de canções que celebrassem o otimismo e a alegria e que, misturando rock e eletrónica, ajudados por uma máquina de produção irrepreensível, consolidassem um virar de agulhas, que acabou por ser definitivo, ao encontro de sonoridades eminentemente pop. Neste Coldplay: Deep Cuts, temas como Miracles, canção que faz parte da banda sonora do filme Unbroken de Angelina jolie, ou Up&Up (estes dois temas também constam do alinhamento de A Head Full Of Dreams) firmam essa filosofia, mas, curiosamente, também colocam a nu aquele lado mais intimista e humano que sempre caraterizou os Coldplay. Depois, no riff de guitarra e nos samples e sintetizações empolgantes de Charlie Brown, no excelente trabalho percussivo de Cemeteries Of London, na emotividade profunda de Amsterdam, um dos momentos altos da carreira do grupo e talvez dos mais negligenciados e, principalmente, no festim auditivo que nos proporciona Lovers In Japan – Reign Of Loveo grupo britânico toca nos dois opostos da temporais da sua carreira enquanto despe algumas máscaras e justifica porque detém o título máximo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hoje, sucedendo isso porque também soube ir adaptando-se com sucesso aos cânones essenciais dos estilos sonoros que quis abarcar nas duas décadas que já leva de existência. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Coldplay Deep Cuts

01. Charlie Brown
02. Rainy Day
03. Til Kingdom Come
04 .Lovers In Japan – Reign Of Love
05. Crests Of Waves
06. Up&Up
07. Fix You (Live)
08. Homecoming (Feat. Chris Martin)
09. Amsterdam
10. Christmas Lights
11. Miracles
12. Moses (Live In Sydney)
13. Cemeteries Of London
14. Green Eyes
15. Brothers And Sisters


autor stipe07 às 21:15
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Zero 7 - Mono

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Os britânicos Zero 7 de Henry Binns e Sam Hardaker, um dos projetos fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, já não davam sinais de vida há algum tempo, nomeadamente desde dois mil e quinze quando colaboraram com José González no tema Last Light. Agora, três anos depois dessa composição, eles estão de volta com novidades, um novo single intitulado Mono, que resulta de uma parceria profícua com o cantor Hidden.

Mono tem como grandes atributos, além da performance vocal irreprensível de Hidden, um arquétipo sonoro de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Confere...

Zero 7 - Mono

01. Mono (Feat. Hidden)
02. Mono (Feat. Hidden) (Thool Remix)
03. Mono (Thool Remix Instrumental)


autor stipe07 às 08:26
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018

Ten Fé - No Night Lasts Forever

Ten Fé - No Night Lasts Forever

Os londrinos Ten Fé vão lançar a oito de março do próximo ano, à boleia do consórcio Some Kinda Love/PIAS, Future Tense, Present Tense, o novo registo do grupo e que sucede ao aclamado disco de estreia, Hit The Light, lançado o ano passado. Future Tense, Present Tense foi produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode) e misturado por Craig Silvey (Arcade Fire, Florence & The Machine) e do seu alinhamento já se conheciam os singles Won’t Happen Not Tonight, sendo o mais recente um tema intitulado No Night Lasts Forever e que, à semelhança dos temas anteriores, aborda noções temporais, nomeadamente o tempo que demora para chegar a algo, o tempo que nunca voltará e o tempo que ainda está para vir.

Com uma sonoridade assente numa onda sintética particularmente expansiva e luminosa, No Night Lasts Forever é um tratado pop inspirado e rico que, juntamente com as outras canções já conhecidas, faz antecipar um excelente sempre difícil segundo disco deste projeto. Já agora, acerca desta composição a banda referiu recentemente: there was a debate when we were writing the song as to whether that’s an optimistic or a pessimistic statement. But we decided we liked the ambiguity – that it didn’t have to be one or the other. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

LUMP - LUMP

Foi no início do último verão que viu a luz do dia, à boleia da Dead Oceans, LUMP, o disco homónimo de estreia do projeto com o mesmo nome que junta os britânicos Laura Marling e Mike Lindsay, membro dos Tunng, uma inusitada mas bem sucedida colaboração que começou a ganhar vida há cerca de dois anos quando os dois músicos se conheceram. LUMP materializa-a em sete canções que se fundamentam numa necessidade de ambos de refletirem sobre a sociedade de consumo, através de composições misturadas com uma ímpar contemporaneidade e com inegável bom gosto, cimentadas numa fusão feliz entre pop, eletrónica e folk.

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Lump is a product, assim termina este disco que tem como principal força motriz as reflexões de Laura sobre a desmesurada importância que as marcas, os produtos e a aparência têm na realização pessoal de muitas pessoas. Palavra escolhida pela filha de seis anos de Marling para batizar quer o disco, quer a figura criada para o mesmo que ilustra o artwork, quer o próprio projeto, LUMP tem essa carga conotativa, servindo como uma espécie de sinónimo ou de palavra chave para aquilo que é o pensamento crítico da dupla relativamente à obsessão pelo consumo, um vocábulo que aqui é personificadono tal peluche e musicado numa combinação de estilos entre a habitual interpretação vocal angelical de Marling e o modus operandi sonoro de Lindsay, um compositor que está sempre pronto para criar melodias doces e cativantes, mesmo que sejam adornadas, muitas vezes, com arranjos e samples à primeira vista tendencialmente agrestes e ruidosos. Acaba por ser uma parceria que, à primeira audição, pode parecer antagónica, mas que acaba por soar a um charme e a uma elegância inegáveis, principalmente no modo como, em vários temas, alguns detalhes percussivos algo abrasivos e um vasto oceando de sintetizações, a maioria de cariz falsamente minmalista, se entrelaçam com o registo vocal doce e aconchegante de Marling.

Desse modo, na intrigante combinação de cordas com teclas e na tremenda languidez vocal em Hand Hold Hero (Money didn’t buy you nothing at all, Accept a ball for your chain), no clima algo claustrofóbico, mas também empático de Shake Your Shelter (born a crab, naked and sad), uma canção que reflete de modo impressivo aquela sensação de isolamento e de vazio que muitos sentem num mundo tão amplo e tão vasto como é o nosso, exatamente por causa de algumas opções comportamentais (I know the feeling of losing the ceiling on a beach full of empty shells)  e na pop charmosa e espirituosa de Curse of the Contemporary, a composição melodicamente mais feliz e acessível do disco, LUMP vai-se convertendo nos nossos ouvidos num portento de sensibilidade e optimismo, um álbum a transbordar uma espécie de amor que é oferecido por quem cria a quem escuta e que parece ser só passível de ser sentido na nossa imaginação, mas que é real porque nos liberta definitivamente de algumas das amarras que ainda filtram o modo como a nossa consciência vê o mundo, dia após dia. De facto, o maior ensinamento que LUMP nos permite usufruir é que no seio de um processo de criação sonora algo complexo e que não renegou o uso de várias influências e onde o experimentalismo livre de constrangimentos se assumiu como uma filosofia condutora marcante,  é uma verdade insofismável que por mais que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, estejam amarrados à ditadura da tecnologia, estas canções podem ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer pessoal quer até coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:33
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God, The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegou aos escaparates há alguns dias. É um estrondoso trabalho discográfico, produzido por Tony Visconti e que poderá muito bem vir a figurar em várias listas dos melhores álbuns de dois mil e dezoito.

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O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn é, obviamente, a personagem central deste projeto que junta quatro músicos de insuspeita qualidade e com provas dadas no panorama indie britânico há várias décadas. Assim, falar da filosofia que Damon Albarn pretende como artista para este projeto The Good, The Bad And The Queen, que esperou quase uma dúzia de anos para ter um novo registo depois da espetacular estreia, e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou a solo, é algo impossível, já que em todos eles há um ponto em comum bem vincado, o modo como o homem Damon Albarn vê a contemporaneidade e em especial a Inglaterra e como, na pele do artista Damon Albarn, transporta as suas ideias e essa sua visão crítica bastante clínica, lúcida e clarividente para as canções que compôe e que, independentemente do género e estilo que abarcam (e os seus vários projetos permitem-lhe uma abrangência e um ecletismo ímpares), têm sempre um marco de excelência, de brilho e de bom gosto.

Assim, se o homónimo The Good, The Bad & The Queen narrava, de certo modo, uma jornada imaginária por algumas ruas mais obscuras de uma Londres cosmopolita mas ainda com fortes marcas ancestrais e com tradições que remontam à revolução industrial, Merrie Land deve imenso a algumas viagens que Albarn fez pelo norte de Inglaterra, nomeadamente pela zona costeira de Blackpool, de certo modo descritas quer no tema homónimo quer em Lady Boston, oferecendo-nos, assim, uma visão mais abrangente sobre o reino de sua majestade, com as suas onze canções a ganharem vida através de poemas comuns sobre o quotidiano ordinário de um típico bife, na busca de explicarem aquilo que é hoje o ser inglês, com a realidade civilizacional, social, económica e cultural do mesmo muito marcada pela crise financeira de início desta década em Inglaterra, as consequentes medidas de austeridade que potenciaram o brexit e, mais recentemente, a comemoração dos cem anos do fim da primeira grande guerra e as memórias familiares que este evento despoletou em muitas famílias inglesas que têm aproveitado o momento para homenagearem e recodarem alguns dos seus heróis esquecidos e as suas façanhas.

É pois, nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções como a descontraída e animada Gun To The Head ou a intrincada homónima. Esta última, por exemplo, é uma lindíssima peça sonora que nos coloca no meio de um teclado cósmico, de leves batidas e de uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Mas também nos detalhes doces da contemplativa Ribbons, no clima mais soturno de Nineteen Seventeen ou na sedutora Drifters & Trawlers se consegue sentir aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns. Espero que aprecies a sugestão... 

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree


autor stipe07 às 21:05
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Domingo, 18 de Novembro de 2018

The Vaccines – All My Friends Are Falling In Love

The Vaccines - All My Friends Are Falling In Love

Produzido por Ross Orton, Combat Sports foi o registo discográfico que os britânicos The Vaccines de Justin Young, Freddie Cowan, Pete Robertson, Árni Árnason, editaram na passada primavera, o quarto registo de originais da carreira deste projeto que se estreou em 2011 com o aclamado  What Did You Expect from The Vaccines? e que desde então tem pautado o seu percurso discográfico pela consolidação de uma estética sonora que, numa esfera indie rock, nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes dopunk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Agora, cerca de meio ano depois de colocarem nos escaparates esse alinhamento, os The Vaccines acabam de divulgar um novo single intitulado All My Friends Are Falling In Love, uma exuberante canção assente em cordas inspiradas e com uma luminosidade radiofónica ímpar, pouco mais de três minutos e meio de uma pop animada, dançavel e positiva, que antecipam uma nova digressão do grupo pelas ilhas britânicas. Confere...


autor stipe07 às 15:18
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Sábado, 17 de Novembro de 2018

Cat Power – Wanderer

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia Wanderer, o  décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que foi cedo viver para Nova Iorque onde conheceu  Steve Shelley (baterista dos Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista dos Two Dollar Guitar) que a encorajaram a gravar Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), os seus primeiros registos de originais e que, desde logo, chamaram a atenção de Matador Records, sendo este Wanderer o primeiro alinhamento que ela publica noutra etiqueta, neste caso a também insuspeita Matador Records.

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Uma das personalidades mais carismáticas e íntegras do indie rock atual, Cat Power oferece-nos em Wanderer mais um disco cheio de emoção e repleto de testemunhos de uma vivência pessoal que é, no fundo, comum a tantas mulheres da sua idade. E é curioso perceber que esta artista não é propriamente púdica no modo como se expôe aos seus admiradores e lhes conta eventos através das suas canções, quase como se estivesse a fazê-lo num balcão de um bar a uma das suas amigas numa noite de diversão. Aliás, escuta-se o dueto dela com Lana Del Rey em Woman e parece que estamos a testemunhar algo parecido com essa descrição. E depois, quando em Robin Hood ela disserta sobre as dificuldades da vida de quem tenta sobreviver com menos posses, ou quando em Me Voy ela fala diretamente connosco quase em jeito de despedida, percebemos esta proximidade que ela faz questão de ter com o ouvinte, esta busca clara de uma conexão que, como seria de esperar, faz que Wanderer tenha um clima geral bastante introspetivo, cheio de momentos de rara beleza e a exalarem a um forte travo a vulnerabilidade.

Produzido também com a ajuda da autora e com todos os instrumentos a serem tocados pela mesma, Wanderer deambula entre a folk, o blues e o melhor cancioneiro norte-americano, sabendo, por isso, sonoramente, a toda a carreira de Cat Power, já que foram estas as bitolas pelas quais ela se foi guiando nestas duas décadas, mesmo quando em Sun, o antecessor, ela explorou territórios mais eletrónicos e sintéticos, ou quando, neste mesmo Wanderer, nos oferece uma versão de Stay, um tema que Mikky Ekko produziu para o Unapologetic (2012), de Rihanna. Assim, cheio de pianos e guitarras inspiradas é, em suma, um registo de celebração de uma autenticidade rara nos dias de hoje, um disco que sabe a oferenda, mas também a versatilidade e empenho, por parte de uma das artistas mais marcantes, maduras e criativas do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Cat Power - Wanderer

01. Wanderer
02. In Your Face
03. You Get
04. Woman (Feat. Lana Del Rey)
05. Horizon
06. Stay
07. Black
08. Robbin Hood
09. Nothing Really Matters
10. Me Voy
11. Wanderer/Exit


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

Sea Pinks – Rockpool Blue

Belfast, na República da Irlanda, é o poiso dos Sea Pinks, de Neil Brogan e Davey Agnew, que estão de regresso aos discos com Rockpool Blues, oito canções fundidas por uma pop particularmente luminosa e incisiva, apimentada por um saboroso pendor lo fi e que viram a luz do dia há algumas semanas à boleia da CF Records. Gravado em Belfast, com o engenheiro de som Ben McAuley, em quatro dias, apos um período de composição que durou praticamente meio ano, entre outubro do ano passado abril deste ano, Rockpool Blues é já o sétimo álbum da carreira dos Sea Pinks, o primeiro sem a presença do baixista Steven Henry e sucede à dose dupla que foi Watercourse (2017) e Soft Days (2016), dois trabalhos que colocaram definitivamente este trio no trilho certo, firmemente posicionado naquela ténue fronteira que separa o chamado post punk daquela indie pop particularmente colorida e sorridente.

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Neste Rockpool Blue os Sea Pinks renovam com elevada dose de frescura e luminosidade o seu já rico cardápio, em vinte e oito minutos que se espraiem em composições assentes em guitarras estratosféricas e coloridas, que sustentam melodias intensas e cativantes, misturadas eficazmente com acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto. São canções que se debruçam sobre as pressões inerentes à vida adulta e ao choque que muitos de nós sentimos ao avançarmos na idade e, interiormente, muitas vezes, não acompanharmos, em termos de maturidade e aceitação de responsabilidades, a inevitabilidade cronológica a que ninguém consegue escapar.

Do impressionismo efusiante de Watermelon Sugar (Alcohol), à pop efervescente de Bioluminescence, passando pelo post punk que exala da guitarra do tema homónimo, pelo piscar de olhos ao melhor rock alternativo americano dos anos oitenta em Dumb Angel, ou pela exploração de territórios mais intrincados e acústicos no dedilhar sedutor das cordas em Versions Of You, este é um disco que se escuta devidamente se estiver bem presente a noção de que foi pensado à sombra de um universo muito específico que percorre vias menos óbvias, mas que mesmo dentro da temática algo angustiante sobre a qual se debruça, não deixou de buscar um intenso sentido melódico e uma cândura geral muito própria e aconchegante, capaz de soar sempre com enorme prazer nos nossos ouvidos, independentemente do nosso momento e do nosso estado de espírito.

Disco com felizes ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Rockpool Blue entra pelos nossos ouvidos com propósitos firmes e sacode-nos com composições contemplativas que nos permitem refletir e, ao mesmo tempo, obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar. Espero que aprecies a sugestão...

Sea Pinks - Rockpool Blue

01. Watermelon Sugar (Alcohol)
02. Rockpool Blue
03. Bioluminescence
04. Dumb Angel
05. Grown Up Kids
06. A Man In My Condition
07. Versions of You
08. The Apple


autor stipe07 às 17:40
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

Graveyard Club – Witchcraft

Graveyard Club - Witchcraft

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com o anúncio de um álbum intitulado Goodnight Paradise, que verá a luz do dia muito em breve. Dele já se conhece o single Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho  orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, uma receita que resulta num tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Domingo, 11 de Novembro de 2018

Fleet Foxes – First Collection: 2006-2009

Para comemorar em grande estilo os dez anos do clássico Fleet Foxes, o disco de estreia dos Fleet Foxes, a banda e a etiqueta Sub Pop resolveram editar um registo em formato físico e digital, que inclui a reedição desse trabalho, além dos EPs Sun Giant EP e The Fleet Foxes EP, assim como alguns lados b de singles editados desses alinhamentos e outras raridades, num total de trinta composições que narram sonoramente os três primeiros anos de vida deste projeto norte americano atualmente formado por Robin Pecknold, Skyler Skjelset, Casey Wescott, Christian Wargo e Morgan Henderson e que lançou no verão do ano passado o excelente álbum Crack-Up.

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First Collection: 2006-2009 é, portanto, uma excelente oportunidade para, quer os fâs mais antigos quer os mais recentes, perceberem como começou a ganhar asas um grupo que sempre soube como construir uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós. De facto, em canções como White Winter Hymnal ou Tiger Mountain Peasant Song ficou, logo nessa estreia homónima, exemplarmente plasmada a típica monumentalidade espiritual deste projeto, com tambores, sopros e cordas a revezarem-se entre si numa complexa teia relacional que muitas vezes nos fez e ainda faz suster a respiração, tal é a imensidão com que nos submerge.

Tendo bem presente que os Fleet Foxes são fiéis depositários da identidade mais genuína de uma América que sempre viu na folk um veículo privilegiado de transmissão de todo o seu referencial identitário, escutar as primeiras composições deste projeto é vaguear, obrigatoriamente, pelos meandros de uma realidade civilizacional natural e humana alicerçada numa enorme massa migrante que atravessou o atlântico nos séculos XVIII e XIX, mas também nas raízes deixadas por diferentes tribos que coabitaram com a natureza durante centenas de anos sem qualquer intromissão estrangeira. Assim, mesmo que alguns detalhes eletrónicos e uma vasta miríade instrumental suportadas pelas mais recentes inovações tecnológicas aplicadas à produção musical sejam manuseadas na concepção dos seus discos, estes Fleet Foxes fizeram sempre questão que as suas canções soassem o mais orgânicas e nativas possível, com a mira bastante apontada ao experimentalismo folk que, na verdade, já tinha começado a impressionar e a espevitar tantos nomes hoje consagrados na década de setenta do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Fleet Foxes - First Collection 2006-2009

01. Sun It Rises
02. White Winter Hymnal
03. Ragged Wood
04. Tiger Mountain Peasant Song
05. Quiet Houses
06. He Doesn’t Know Why
07. Heard Them Stirring
08. Your Protector
09. Meadowlarks
10. Blue Ridge Mountains
11. Oliver James
12. Sun Giant
13. Drops In The River
14. English House
15. Mykonos
16. Innocent Son
17. She Got Dressed
18. In The Hot Hot Rays
19. Anyone Who’s Anyone
20. Textbook Love
21. So Long To The Headstrong
22. Icicle Tusk
23. False Knight On The Road
24. Silver Dagger
25. White Lace Regretfully
26. Isles
27. Ragged Wood (Transition Basement Sketch)
28. He Doesn’t Know Why (Basement Demo)
29. English House (Basement Demo)
30. Hot Air (Basement Sketch)


autor stipe07 às 21:05
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2018

Luke Sital-Singh – The Last Day

Luke Sital-Singh - The Last Day

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público já este ano com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, quase no ocaso de 2018, Luke Sital-Singh acaba de revelar um novo single intitulado The Last Day, uma canção sobre despedidas e pesares pela partida de algo ou alguém e sobre o dia seguinte, que nunca deixa de vir, uma composição que transporta no charme das cordas e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da folk americana. Sobre ela, Luke referiu recentemente: I had no intention of writing another song about death”, (...) I guess that’s just the happy fun-time guy that I am. I like how a song about the end is coming out first. Putting everything in perspective again as a new phase begins. Confere...


autor stipe07 às 11:06
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2018

Grand Sun - The Plastic People of The Universe EP

Foi através da Aunt Sally Records que viu a luz do dia The Plastic People of The Universe, o novo EP dos Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital e que aposta num exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições. Deste EP constam cinco canções que são autênticos passeios por um mesmo jardim contemplativo, onde, na sua concepção e gravação, nos Blacksheep Studios por Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier, nada mais interessou para os Grand Sun senão observar e cantar o que os rodeava.

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Num alinhamento impecavelmente produzido, agradável e bastante comunicativo, este quarteto proporciona-nos uma rápida mas intensa orgia de lisergia à custa de guitarras inspiradas, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante. É uma filosofia interpretativa que criou de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo que, nos emerge num mundo fantástico e que potencia uma sensação estranha mas feliz de familiariedade com o seu conteúdo.

Da majestosidade luminosa de Go Home, à história de amor entre dois jovens perdidos num jardim em Flowers, passando pelo pueril exercício de auto descoberta descrito em Clown, este EP é impressivo, realista e capaz de nos colocar a interagir com o seu conteúdo, quase sem darmos por isso. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:43
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