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Stephen Malkmus – Juliefuckingette

Sexta-feira, 25.09.20

O ex-Pavement Stephen Malkmus continua a construir um inatacável percurso que cobre de alegria todos os apreciadores do verdadeiro e clássico rock n'roll. Se em dois mil e dezoito nos ofereceu o excelente registo Sparkle Hard, o ano passado piscou o olho a territórios mais sintéticos à boleia de Groove Denied e, já este ano, abraçou a folk à boleia de Traditional Techniques. De facto, é muita música em três anos, mas a fonte parece ser inesgotável, já que o músico natural de Santa Mónica, na Califórnia, acaba de revelar uma nova canção intitulada  Juliefuckingette.

Stephen Malkmus Shares New Song 'Juliefuckingette' & Announces Rescheduled  Tour Dates

Esta nova canção de Stephen Malkmus encontra a sua génese nas sessões de gravação de Traditional Techniques. É uma composição inspirada no clássico Romeu e Julieta de Shakespeare, mas encharcada em sarcasmo e ironia, devido a uma letra com um elevado sentido de humor e descontração (Abolish the fanfiction set, I don’t wanna clean up the Lagaria mess, It’s the last brand standing,You know you wanna kill it but you can’t kill that quite yet). Sonoramente, é uma canção feita com uma melodia aditiva, comandada pela viola acústica de doze cordas que é já imagem de marca de Malkmus, assentando concetualmente na mesma folk intimista, nostálgica e algo boémia que marcou o conteúdo de Traditional Techniques. Confere...

Stephen Malkmus - Juliefuckingette

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publicado por stipe07 às 13:17

EELS – Are We Alright Again

Quinta-feira, 24.09.20

Dois anos depois do excelente registo The Deconstruction, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo regressaram recentemente aos lançamentos, no ano em que se comemoram duas décadas da edição do belíssimo clássico do grupo Daisies Of The Galaxy, com alguns novos singles, que, finalmente, vão de encontro as nossas suspeitas, já que farão parte de um disco intitulado Earth To Dora, que foi gravado no estúdio da banda em Los Feliz, na Califórnia e que vai ver a luz do dia a trinta de outubro.

Eels Announce New Album Earth to Dora, Share "Are We Alright Again" |  Consequence of Sound

Como certamente os mais atentos se recordam, o primeiro tema revelado deste Earth To Dora foi Baby Let's Make It Real, uma canção com um registo melódico orelhudo, assente num formato eminentemente pop rock lo fi ditado através da distorção da guitarra e dos arranjos das teclas, de forte índole melancolica e introspetiva, efeito ampliado por uma percurssão bastante aditiva. Algumas semanas depois da divulgação desse primeiro tema, os Eels disponibilizaram Who You Say You Are, uma composição que nos embala e nos convida a partilhar algumas angústias e desejos plasmados, enquanto pisca o olho à tradição da melhor indie folk norte-americana.

Agora, juntamente com o anúncio da data da edição de Earth To Dora, assim como do respetivo artwork e tracklist, os Eels revelam Are We Alright Again, uma canção fortemente influenciada pelas agruras de quem deseja ardentemente que este período pandémico se torne numa mera recordação e que, curiosamente, até tem um travo sonoro luminoso e sorridente, devido a uma melodia de teclado repetitiva, em redor da qual diferentes registos vocais, várias interseções de cordas acústicas e eletrificadas e diversos elementos percurssivos se vão manifestando, num resultado final assumidamente pop. Confere Are We Alright Again e o artwork e tracklist de Earth To Dora...

EELS - Are We Alright Again

01 “Anything For Boo”
02 “Are We Alright Again”
03 “Who You Say You Are”
04 “Earth To Dora”
05 “Dark And Dramatic”
06 “Are You Fucking Your Ex”
07 “The Gentle Souls”
08 “Of Unsent Letters”
09 “I Got Hurt”
10 “OK”
11 “Baby Let’s Make It Real”
12 “Waking Up”

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publicado por stipe07 às 13:02

Fleet Foxes – Shore

Quarta-feira, 23.09.20

Surpreendemente e sem aviso prévio concreto, os Fleet Foxes de Robin Pecknold acabam de colocar na boca e nos ouvidos de meio mundo Shore, o quarto registo de originais da banda de Seattle, sucessor do excelente Crak-Up de dois mil e dezassete e  cujo conteúdo é fortemente influenciado pela realidade pandémica atual, conforme confessou o próprio Robin em entrevista recente (All the lyrics came out of reflections around what’s going on right now and tying that into personal things. I ended up just driving around in self-quarantine, writing lyrics and singing). Shore viu a luz do dia de modo a coincidir a aparição do álbum com o equinócio de outono e o seu lançamento veio acompanhado de um filme filmado em Washington, Oregon e Idaho.

Fleet Foxes releasing new album “Shore” on Tuesday

Shore tem um propósito bem claro e claramente optimista, mostrar ao mundo que é nas piores circunstâncias que as melhores qualidades de cada um de nós se podem com maior astúcia se revelar e que a música deste disco pode servir de inspiração para darmos aquele empurrãozinho que muitas vezes nos falta, para que coloquemos ao nosso serviço e dos outros os nossos melhores atributos. De facto, o modus operandi refinado e particularmente gracioso de Shore, que reforça e burila com ainda maior charme a típica monumentalidade espiritual deste projeto, com tambores, sopros e cordas a revezarem-se entre si numa complexa teia relacional que muitas vezes nos faz suster a respiração, oferece-nos, sem dúvida, uma excelente oportunidade para construirmos uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós, nestes tempos tão incómodos, mas em que, mais do que nunca, apesar das regras de etiqueta que ditam o distanciamento social, precisamos inquestionavelmente uns dos outros.

Começa-se a escutar Wading In Waist-High Water e percebe-se rapidamente que a folk continua a ser para os Fleet Foxes o veículo privilegiado de transmissão de todo o seu referencial identitário, mas também fica evidente que há aqui uma superior graça e uma monumentalidade ímpar, relativamente aos trabalhos antecessores do grupo, um salto que resultou num alinhamento musicalmente aventureiro e espiritualmente intenso, que exala uma atitude natural e sincera de reconhecimento por parte da banda relativamente ao mundo que a rodeia e que, passando por um período ímpar, tem mesmo assim caraterísticas passíveis de inspirar este coletivo a compôr de modo tão bonito e espontâneo. Nessa composição inicial, a teia intrincada que se estabelece entre a viola, a voz e um manto de teclas radiante, elucida-nos para essa evidência, que ganha contornos de deslumbramento no modo como em Sunblind e em Young Man’s Game a percurssão se alia ao piano e à guitarra para nos impulsionar até ao estrelato, em duas das canções mais luminosas do catálogo dos Fleet Foxes.

Esta sensação de refinamento, opulência e majestosidade, assim como de clara evolução da tensão lírica habitual em Pecknold, nunca se retrai ou definha, canção após canção. A linha de guitarra que acama um lindíssimo poema sobre arrependimentos inócuos, em A Long Way Past The Past, a intrincada teia melódica, rítmica e estilistica omnipresente em Can I Believe You, uma canção sobre esperança e entrega e a guitarra que não receia distorcer no tempo certo, exemplarmente conduzida por uma bateria intensa e encorpada, em Maestranza, tema sobre remorsos desnecessários, são extraordinários exemplos desta duplicidade harmoniosa entre escrita e música, uma das caraterísticas essenciais de Shore e que materializa a tal essência de um álbum que quer ser fonte de luz e esperança para todos nós. Mesmo no mais íntimo e soturno tema homónimo, em que Pecknold homenageia David Berman, um dos seus heróis, o já desaparecido líder dos míticos Silver Jews e dos Purple Mountain, falecido no verão do ano passado, o disco não perde o calibre identitário que esteve na sua génese.

Shores é, em suma, um tapete de luz que se acomoda no nosso íntimo, uma viagem por um imenso oceano de exuberantes e complexas paisagens sonoras, com a mira apontada ao experimentalismo folk inspiradíssimo, um retrato humanamente doce e profundo, mas também necessariamente inquitetante e por isso revelador, da génese e dos alicerces da realidade civilizacional em que vivemos, que não sendo a mais feliz, tem nos seus pilares aquilo que de mais genuíno podemos experienciar enquanto seres vivos, que é a vibração do interior desta terra mãe que nos alimenta e que nos quer fazer refletir sobre aquilo que somos hoje e os desafios que nos esperam. Enquanto manifestação artística o disco torna-se revelador por desmascarar sensorialmente toda a pafernália biológica, física e filosófica, por um lado e religiosa, por outro, da sociedade dos nossos dias, colocando perante nós aquilo que realmente deve importar e fazer-nos verdadeiramente felizes, que é a essência harmoniosa do que de mais virgem e intocável existe em nosso redor, o nosso âmago. Espero que aprecies a sugestão...

Fleet Foxes - Shore

01. Wading In Waist-High Water
02. Sunblind
03. Can I Believe You
04. Jara
05. Featherweight
06. A Long Way Past The Past
07. For A Week Or Two
08. Maestranza
09. Young Man’s Game
10. I’m Not My Season
11. Quiet Air /Gioia
12. Going-to-the-Sun Road
13. Thymia
14. Cradling Mother, Cradling Woman
15. Shore

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publicado por stipe07 às 12:30

Local Natives – Statues In The Garden (Arras)

Terça-feira, 22.09.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico.

Local Natives lança single surpresa, junto com clipe psicodélico em animação

Statues In The Garden (Arras) aprimora os elementos marcantes que têm balizado o adn sonoro da banda de Silver Lake desde a estreia, cimentados por teclados efusiantes, muitas vezes agregados a detalhes pontuais, como palmas, distorções de guitarra e outross efeitos sintetizados, nuances que definem o arquétipo desta canção e de um modo particularmente renovado, emotivo e delicioso. 

Statues In The Garden (Arras) também já tem direito a um psicadélico e sugestivo vídeo da autoria de Jamie K Wolfe e no qual uma personagem passeia por diferentes cenários sempre pontuados por limões, frutos que vão ocupando o cenário e a nossa imaginação, das mais variadas formas. Confere...

Local Natives - Statues In The Garden (Arras)

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publicado por stipe07 às 13:39

Yellow Days – A Day In A Yellow Beat

Segunda-feira, 21.09.20

Três anos após o EP de estreia Harmless Melodies e o seu primeiro longa duração, Is Everything OK In Your World?, o cantor e multi-instrumentista britânico George van den Broek, de vinte e um anos, natural de Manchester e que assina a sua música como Yellow Days, está de regresso com A Day In A Yellow Beat, um tratado de indie pop de forte toada jazzística, gravado em Los Angeles, com forte influência da soul e do blues e sonoramente bastante eclético, também por causa de uma ilustre lista de convidados especiais, nomeadamente Shirley Jones, Nick Walters, Mac DeMarco e Bishop Nehru.

Yellow Days: A Day In A Yellow Beat — sprawling, ambitious and irritating |  Financial Times

Se nos seus dois primeiros registos, o EP e o álbum, Yellow Days focou-se nas temáticas da ansiedade e da depressão, com uma forte componente auto-biográfica, neste A Day In A Yellow Beat o compositor não deixa de versar sobre os dilemas típicos da entrada na vida adulta, mas logo no orgão buliçoso e na farta seleção de samples que constroem o diálogo que se estabelece na Intro, o autor mostra um lado mais irrequieto, luminoso e optimista, parecendo que deixou de vez a escuridão e o odor bafiento que marcava os seus dias para se encontrar com a luz e passar a viver tempos mais felizes e esperançosos. Não é claro se houve algum evento específico na sua vida que tenha originado tal transformação, mas é um facto que, logo após o rock experimental repleto de groove de Be Free, tema em que a voz de George atinge um registo que não fica a dever nada aos melhores intérpretes da soul americana do último meio século, canções como Getting Closer, uma composição com um clima retro setentista inconfundível, ou Let You Know, tema que também nos remete para a mesma época, mas de um modo mais charmoso, principalmente devido ao modo como o piano se intercepta com vários efeitos percurssivos, mostram um disco de janelas abertas para brisas suaves e aconchegantes e para um sol radioso e retemperador. Quer estas composições, quer, por exemplo, Who´s There?, uma obra-prima de pop funk, ou a sensualidade inconfundível de Keeps Me Satisfied, estão repletas de menções e clichés sobre o amor, do mais romântico ao mais lascivo, mas também sobre a alegria e a positividade. A expressão Put your hate away, que ciranda pelo space funk de Let’s Be Good to Each Other, é, talvez, o exemplo mais paradigmático desta impressão feliz que, a espaços, para ampliar a sensação de festa que Yellow Days certamente procurou incutir num alinhamento longo, mas que nunca satura, obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, feita com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança. 

Com nomes tão proeminentes como Howlin’ Wolf e Ray Charles como influências declaradas e repleto de diversos interlúdios feitos apenas à boleia da voz, com destaque para a enigmática Pot Party (The trippers, the grasshoppers, the hip ones, all gathered in secrecy, and flying high as a kite), A Day In A Yellow Beat  proporciona-nos uma experiência sensorial única e até intrigante, já que cada audição é uma janela de oportunidade que se abre para descobrir mais um efeito, uma nuance, um flash, uma corda, um sopro ou uma nota que ainda não tinha sido captada pelo nosso âmago.É um disco criado por uma das personagens mais queridas da indie britânica atual e que se expôe bem menos caótico e confuso do que antes e mais aprumado e organizado, fruto, certamente, de uma nova dinâmica existencial certamente mais feliz e que este A Day In A Yellow Beat claramente exala. Espero que aprecies a sugestão...

Yellow Days - A Day in a Yellow Beat

01. Intro
02. Be Free
03. Let You Know
04. (The Outsider)
05. Who’s There? (Feat. Shirley Jones)
06. Getting Closer
07. Come Groove (Interlude)
08. Keep Yourself Alive
09. Open Your Eyes (Feat. Nick Walters)
10. ! (Feat. Bishop Nehru)
11. (Pot Party)
12. Keeps Me Satisfied
13. You
14. (What Goes Up Must Come Down)
15. The Curse (Feat. Mac Demarco)
16. Let’s Be Good To Each Other
17. Whatever You Wanna Do
18. Something Special (Interlude)
19. So Lost
20. I Don’t Mind
21. (Mature Love)
22. Treat You Right
23. Love Is Everywhere

 

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publicado por stipe07 às 13:21

Ailbhe Reddy - Looking Happy

Sexta-feira, 18.09.20

Conforme já demos conta por cá há sensivelmente um mês, uma das estreias discográficas mais interessantes do próximo outono é a da irlandesa Ailbhe Reddy, uma jovem artista de Dublin, estudante de psicoterapia e que tem na forja um álbum intitulado Personal History, com lançamento previsto para daqui a duas semanas à boleia da Street Mission Records.

Ailbhe Reddy anticipates album with single "Looking Happy" – portugalinews  the best news

Personal History é uma colecção íntima e introspetiva de canções que ruminam os ritos de passagem de uma mulher exímia a escrever canções de auto-avaliação sincera e honesta, navegando autobiograficamente pelas agruras das relações amorosas mal sucedidas nesta era em que impera a lei das redes sociais (Looking Happy), mas que também sentiu necessidade de espalhar no registo aquilo que sente acerca da habitual dualidade de sentimentos, entre a solidão e a independência, que muitas vezes um artista sente em digressão (Time Difference), além de revelar explicitamente e sem pudores a sua orientação sexual (Between Your Teeth e Loyal). Além dessa componente pessoal, Personal History também coloca Ailbhe Reddy a olhar para o mundo que a rodeia, fruto do seu percurso académico acima referido. Assim, no alinhamento de Personal History encontramos também canções que mostram a sua compreensão e empatia relativamente às perspectivas e problemas das pessoas que a rodeiam. O estimulante tema Self Improvement oferece-nos um diálogo sobre as dificuldades em lidar com a saúde mental, enquanto outras músicas dissecam com maior precisão questões como aprender a conviver com o fracasso, nomeadamente Late Bloomer e como enfrentar os medos de compromisso Failing e Walk Away.

Um verdadeiro portento de indie pop, Looking Happy é, logo o primeiro tema acima mencionado, é o mais recente single retirado de Personal History, um tema pessoal e comovente e que, de acordo com a própria autora, é sobre observar a vida de alguém de longe após o término do namoro. Todos nós deveríamos saber agora que o que as pessoas apresentam online é uma versão brilhante e feliz dos eventos mas, às vezes, é impossível ter essa lógica quando estás a sofrer. A maioria das pessoas provavelmente acaba por visitar o perfil online de um ex e sente que sua vida é cheia de festas e dias divertidos porque isso é tudo o que as pessoas mostram da sua vida no online. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:11

This Is The Kit – Coming To Get You Nowhere

Quinta-feira, 17.09.20

This Is The Kit - Coming To Get You Nowhere

Os This Is The Kit da britânica Kate Stables vão regressar aos discos já em outubro com Off Off On,  sucessor do belíssimo registo Moonshine Freeze, que viu a luz do dia em dois mil e dezassete e que contou com a participação do extraordinário multi-instrumentista Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman que, como certamente se recordam, faz parte do projeto MUZZ, juntamente com Paul Banks dos Interpol e Matt Barrick dos The Walkmen, que se estreou nos álbuns com um homónimo no final da passada primavera.

Coming To Get You Nowhere é o mais recente avanço divulgado de Moonshine Freeze, uma animada composição com elevado travo indie e onde do rock alternativo à folk, funde-se o adn de Kaufman, que olhou sempre com gula para a exuberância das cordas, com sonoridades cuja riqueza dos arranjos depende muito quer dos sopros quer de uma vasta miríade de recursos percurssivos. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:16

Django Django - Spirals

Terça-feira, 15.09.20

Foi no início de dois mil e dezoito, ou seja, há já quase três anos, que os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon desvendaram Marble Skies, o último registo de originais, em formato longa duração, desta banda escocesa natural de Edimburgo. O trabalho continha dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

Stream Django Django's New Song "Spirals" | Consequence of Sound

Nove meses depois desse álbum, os Django Django regressaram aos lançamentos discográficos, mas no formato EP, com um registo intitulado Winter’s Beach, seis originais que viram a luz do dia à boleia da Because Music e que estavam encharcados de sintetizadores com uma proeminente toada vintage, tendo sido um EP fortemente inspirado na eletrónica do século passado.

Agora, no ocaso do verão de dois mil e vinte, o projeto escocês volta à carga com Spirals, uma canção em que conceitos como o DNA humano e as conexões que este agrupamento de proteínas suscita, são a pedra de toque de uma canção que, tendo esse ponto de partida, debruça-se sobre o modo como ainda será possível criar laços e afinidades quando a situação pandémica atual e as crenças politicas em voga, que têm ganho bastantes adeptos nas extremas, quer direita quer esquerda, parecem propiciar terreno fértil para a divisão e o afastamento entre as pessoas.

Sonoramente, Spirals, uma contagiante canção feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, mostra os Django Django a darem continuidade à filosofia estilística em que alicerçaram os dois lançamentos de dois mil e dezoito, já que se trata de uma canção assente numa relação simbiótica forte entre guitarras e percussão, uma aliança adornada por uma espiral sintetizada que deve muito à herança da música de dança de final do século passado. Em suma, Spirals cimenta uma cartilha sonora que é feita há mais de meia década com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop, um cardápio de um projeto que merece claramente sentar-se à mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Ainda não é claro que Spirals possa antecipar um novo disdo dos Django Django nos próximos tempos. Confere...

Django Django - Spirals

01. Spirals
02. Spirals (Edit)

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publicado por stipe07 às 10:57

Matt Berninger - One More Second

Segunda-feira, 14.09.20

Está para breve o lançamento do disco de estreia da carreira a solo de Matt Berninger, um registo intitulado Serpentine Prison e que deve muito do seu conteúdo ao período de confinamento que o músico também viveu em Nova Iorque e que lhe permitiu debruçar-se com maior empenho neste seu projeto paralelo à realidade The National.

Matt-Berninger

Serpentine Prison conta nos créditos com os produtores Booker T. Jones e Sean O’Brien, verà a luz do dia através da Book Records, uma nova etiqueta, subsidiária da Concord Records e formada por Berninger e Jones em conjunto e do seu alinhamento já se conhecem vários temas, que têm sido divulgados pela nossa redação, como os mais atentos certamente se recordam

One More Second é o mais recente single retirado do alinhamento de Serpentine Prison, uma composição escrita por Berninger em parceria com Matt Sheehy, líder da banda Lost Lander e companheiro do músico nova iorquino no projeto EL VY project. É uma belíssima canção de amor, instrumentalmente riquíssima e repleta de arranjos das mais diversas proveniências, com uma toada emotiva indesmentível, abrigada numa nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos. Confere...

Matt Berninger - One More Second

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publicado por stipe07 às 11:37

The Flaming Lips – American Head

Sábado, 12.09.20

Ninguém no seu perfeito juízo duvida que os The Flaming Lips, uma banda norte-americana natural de Oklahoma, são um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Tal sucede porque foram sempre uma banda cheia de ideias e com uma agenda de lançamentos bastante preenchida, principalmente depois de Oczy Mlody, o trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou há pouco mais de três anos e que nos ofereceu uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que os orientaram, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental. A partir daí, o ritmo acelerou sempre e, felizmente, parece não se vislumbrar o último capítulo de uma saga alimentada também por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin), experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror). De facto, ultimamente não tem sido fácil perceber, com clareza, que rumo concreto quer a banda dar ao seu percurso discográfico e o truque parece ser mesmo navegar ao sabor da corrente criativa dos seus membros e fazê-lo de modo (aparentemente) anárquico.

The Flaming Lips – 'American Head' album review

Assim, e tomando apenas como ponto de partida o histórico mais recente do projeto, se no verão de dois mil e dezoito revisitaram, numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits, todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados, nem um ano depois já tinham nos escaparates King's Mouth, um registo conceptual de doze canções baseado no estúdio de arte com este nome que a banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais. Logo de seguida, pouco antes do último Natal, revelaram The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, mais doze canções que se assumiram como o primeiro tomo ao vivo da banda de Oklahoma, um trabalho que contou com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito instrumentistas e cinquenta e sete cantores e que reproduziu o alinhamento de The Soft Bulletin, a obra-prima dos The Flaming Lips, com vinte anos de vida.

Sem pausas, já neste ano de dois mil e vinte participaram numa das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo, dando as mãos ao projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards. O resultado final da equação, ainda fresco na memória e no ouvido, chamou-se Dead Lips e materializou-se com um disco homónimo que fundiu com elevado grau criativo o universo psicadélico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Agora, quase no ocaso deste verão, os The Flaming Lips voltam à carga com American Head, a visão pura, crua e dura, apartidária, sem preconceitos e amiúde até irónica de uma América que vive uma contemporaneidade algo perigosa, fraturada em dois extremos dominantes, espartilhada por um vírus que não tem sido fácil de lidar nesse vasto território e ensaguentada de traumas e males raciais, assentes numa sequência nada feliz de décadas e até de séculos de casos mal resolvidos, que remontam ao período da escravatura, o grande motivo da Guerra Civil que o país viveu há pouco mais de duzentos anos e que deixou fantasmas ainda a pairar. E fê-lo, sonoramente, ampliando a dose de arrojo que tem caraterizado, como já referi, a carreira dos The Flaming Lips, espeditos a rejeitar todas as referências normais do que compreendemos por música, um pouco em contraciclo com uma imensidão de projetos que, com a massificação das formas de divulgação e audição, insistem em colocar a vertente mais comercial na ordem do dia.

De facto, é nas raízes mais profundas e puras do rock tradicional americano que American Head entronca. Desiludido com o seu país, Coyne resolveu colocar na primeira linha do novo álbum da sua banda, aquilo que a América ainda tem de melhor, a sua herança sonora, inigualável no cenário indie e alternativo contemporâneo, mesmo que seja em terras de sua Majestade que estão as raízes de alguns dos melhores projetos de sempre da história da música, vários, como é o caso dos The Beatles, referências incontornáveis dos The Flaming Lips. Logo na soul da guitarra e na vibração luminosa e sentida das cordas que conduzem Will You Return / When You Come Down, temos esse travo tipicamente mojave, que o lindíssimo tema Flowers Of Neptune 6, ainda mais evidencia, nomeadamente na luminosa acusticidade das teclas e das cordas, conjugadas com uma ímpar grandiosidade psicadélica e induzidas por um registo percurssivo heterogéneo, onde abunda uma vasta miriade de efeitos e detalhes. Entretanto, Watching The Lightbugs Glow, confere ao registo aquela faceta mais pop e climática que também é rainha nesse lado do hemisfério norte, um verdadeiro tratado de sentimentalismo latente e pura melancolia, uma canção que nos embarca numa viagem lisérgica ímpar, uma daquelas canções que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da audição nos apoquente.

Este início esplendoroso de American Head faz logo o ouvinte sentir que houve da parte deste grupo uma forma magnífica de darem a volta por cima à tristeza que certamente os invade devido aquilo que vão observando diariamente em redor e fizeram-no, arrisco, até com uma certa dose de ironia, como se aquela sensação depressiva que as canções possuem e que lhes confere, por acaso, grande parte da sua beleza, fosse canalizada para a ironia e para o sarcasmo. A confessional Mother I've Taken LSD, uma canção que contém o clássico arquétipo majestoso que sempre marcou os The Flaming Lips, será talvez o exemplo mais impressivo dessa estratégia libertadora, mas o oásis psicadélico de Dinosaurs On The Mountain, a bonomia complacente da lindíssima balada You N Me Sellin’ Weed, o travo beatleiano do piano que conduz Mother Please Don’t Be Sad, a canção mais estrondosa do álbum e a pueril e etérea, mas riquíssima de detalhes e, por isso, enganadoramente minimal At The Moovies On Quaaludes, são outros temas que nos relatam vidas inocentes mas gloriosas, alienadas e ingenuamente heróicas, aparentemente bem resolvidas, vidas com futuro e potencialmente inundadas em epicidade e alegria, mesmo sendo vividas no meio do caos e da anarquia.

Disco cinematográfico porque inventaria de certo modo tudo aquilo que faz parte da realidade de um normal cidadão americano nos dias de hoje, independentemente do lado da barricada em se encontre e explicitamente aberto aquele experimentalismo tão caro aos The Flaming Lips, mas sem colocar em causa a própria integridade sonora do registo ou descurar a essência inicialmente pretendida para o mesmo, American Head mostra que até é possível ser-se feliz nesse estranho país onde raramente existe algo que pareça aquilo que realmente é. E estas treze canções não fogem a essa impressão firme da aparência, porque se forem analisadas e escutadas com a devoção que merecem, são muito mais otimistas e reluzentes do que aquilo que à primeira audição parecem. Sendo atingido esse efeito no ouvinte, então elas têm tudo para nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança numa américa melhor e com potencial para renascer em algo melhor. Seja como for, e independentemente da obtenção desse desiderato, não há como negar que este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita que os The Flaming Lips transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético  de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - American Head

01. Will You Return / When You Come Down (Feat. Micah Nelson)
02. Watching The Lightbugs Glow
03. Flowers Of Neptune 6
04. Dinosaurs On The Mountain
05. At the Movies On Quaaludes
06. Mother I’ve Taken LSD
07. Brother Eye
08. You N Me Sellin’ Weed
09. Mother Please Don’t Be Sad
10. When We Die When We’re High
11. Assassins Of Youth
12. God And The Policeman (Feat. Kacey Musgraves)
13. My Religion Is You

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publicado por stipe07 às 00:47






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