Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019

The Districts – Hey Jo

The Districts - Hey Jo

Um dos nomes mais interessantes do catálogo da Fat Possum Records são os The Districts, um coletivo de indie rock lo fi oriundo da Filadélfia e que teve como último grande sinal de vida o excelente registo Popular Manipulations, lançado em dois mil e dezassete. Dois anos depois, o quarteto formado por Rob Grote, Connor Jacobus, Braden Lawrence e Pat Cassidy divulgou no passado verãor um tema feito propositadamente para apoiar a Everytown For Gun Safety, uma organização norte-americana que luta pelo fim da atual lei de posse de armas em vigor nesse país e que, na opinião de muitos cidadãos dessa nação, é uma das principais causas da onda recente de tragédias com armas de fogo nos Estados Unidos da América. 

Agora, cerca de três meses depois dessa sanção, os The Districts voltam à carga com Hey Jo, primeiro avanço para You Know I’m Not Going Nowhere, o quarto álbum de originais do grupo, que irá ver a luz do dia em março do próximo ano. Canção sobre o quanto é difícil manter um relacionamento estável e feliz no meio de todas as agruras que afligem o mundo moderno e que podem destruir facilmente a individualidade de quem é permanente obcecado com a beleza e a perfeição (We are all imperfect products of the natural world, and more specifically products of our own minds. This song was inspired by navigating how to be your best self and detach from what is destructive in you, to be something more perfect, gentle, and beautiful), Hey Jo assenta num rock vibrante feito com teclas melodicamente sagazes e uma distorção na guitarra bastante apelativa e, a espaços, particularmente imponente. Confere Hey Jo e a traclist de You Know I’m Not Going Nowhere, disco que terá direito a uma digressão de promoção, para já apenas com datas marcadas no país natal dos The Districts...

  1. My Only Ghost
  2. Hey Jo
  3. Cheap Regrets
  4. Velour and Velcro
  5. Changing
  6. Descend
  7. The Clouds
  8. Dancer
  9. Sidecar
  10. And The Horses All Go Swimming
  11. 4th of July

autor stipe07 às 18:29
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Domingo, 6 de Outubro de 2019

Kurt Vile – Baby’s Arms (feat. The Sadies)

Kurt Vile - Baby's Arms

Quase um ano depois de Kurt Vile ter lançado Bottle It In, o sétimo disco da sua carreira, que continha treze temas gravados em várias cidades norte-americanas e finalizados com o produtor Shawn Everett nos estúdios Beer Hole em Los Angeles, contando com a participação especial de nomes tão notáveis como Kim Gordon, Cass McCombs, Stella Mozgawa e Mary Lattimore, o músico natural de Filadélfia, na Pensilvânia, volta a ser notícia com a divulgação de uma versão do seu tema Baby's Arms, que fez parte do alinhamento de Smoke Ring For My Halo, o trabalho que o norte-americano lançou em dois mil e onze.

Contando com a colaboração especial da banda canadiana The Sadies, esta nova roupagem de Baby's Arms, tema que abria o alinhamento daquele que foi, à altura, o quarto álbum de Kurt Vile, foi captada o ano passado durante uma estadio do grupo e do músico nas montanhas Catskill, no Estado de Nova Iorque, sendo apelidado pelos intervenientes como um momento mágico de interação musical e com um resultado tremendamente intimista e impressivo.

Essa estadia de Kurt Vile com os The Sadies nas montanhas Catskill, com o objetivo de ensaiar e preparar a digressão de suporte a Bottle It In, resultou também num documentário intitulado bottle black, dirigido por Ryan Scott e que, tal como esta versão de Baby's Arms, viu a luz do dia via Matador Records. Confere...


autor stipe07 às 21:08
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2019

The Districts – Loving Protector Guy

The Districts - Loving Protector Guy

Um dos nomes mais interessantes do catálogo da Fat Possum Records são os The Districts, um coletivo de indie rock lo fi oriundo da Pensilvânia e que teve como último grande sinal de vida o excelente registo Popular Manipulations, lançado em dois mil e dezassete. Dois anos depois, o quarteto formado por Rob Grote, Connor Jacobus, Braden Lawrence e Pat Cassidy acaba de divulgar um novo tema, feito propositadamente para apoiar a Everytown For Gun Safety, uma organização norte-americana que luta pelo fim da atual lei de posse de armas em vigor nesse país e que, na opinião de muitos cidadãos dessa nação, é uma das principais causas da onda recente de tragédias com armas de fogo nos Estados Unidos da América. 

Loving Protector Guy é uma efusiante composição assente num rock vibrante feito com uma percurssão ritmada, teclas melodicamente sagazes e uma distorção na guitarra bastante apelativa e, de acordo com o press release de lançamento do tema, a ideia dos The Districts de compôr uma música cujas receitas revertessem a favor dessa organização e que chamasse ainda mais a atenção para esta temática surgiu depois de um amigo da banda ter tido uma experiência algo traumática relacionada com essa questão (a relative of the band’s had an eccentric encounter with a man who pulled up next to his car and rolled down the window, with a sheriff hat on. He pulled out a water gun and shot the relative in the face with it. It was beyond eerie, beyond poor taste). Confere...


autor stipe07 às 19:19
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

Kurt Vile – Bottle It In

Apesar da curiosa colaboração o ano passado com Courtney Barnett que resultou no excelente registo Lotta Sea Lice, a verdade é que depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de dois mil e onze e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile não deu mais sinais de vida depois de b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro de dois mil e quinze por intermédio da Matador Records e o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica. Finalmente, três anos depois desse excelente disco, Kurt Vile volta a lançar um novo alinhamento intitulado Bottle It In, o sétimo da carreira, treze temas gravados em várias cidades norte-americanas e finalizados com o produtor Shawn Everett nos estúdios Beer Hole em Los Angeles, contando com a participação especial de nomes tão notáveis como Kim Gordon, Cass McCombs, Stella Mozgawa e Mary Lattimore.

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Disco que abre com Loading Zones, uma composição repleta de ironia que se debruça sobre a experiência pessoal de Kurt Vile relativamente às estratégias que costuma usar para estacionar sem pagar em Filadélfia, a sua terra natal, Bottle It In é um registo que, no seu todo, sonoramente, obedece à tal herança do rock mais genuíno, com canções conduzidas por cordas elétricas e acústicas inspiradas, a criarem um disco com um resultado final bastante fluído e intenso. Quanto à vertente temática, conhecer a fundo Bottle It In é entrar em contacto com as profundezas da mente de Vile, já que este é um disco bastante reflexivo e onde o autor revela muito de si.

É inevitável escutar-se canções como Yeah Bones ou Cold Was The Wind e não se concluir que, mesmo que Vile não o deseje, Bottle It In está cheio de poemas com uma elevada componente biográfica, que nos permitem entender melhor o âmago do autor, com a curiosidade de o fazermos através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical. Se Kurt Vile despe-se logo em Loading Zones do modo humorístico que já descrevi e se em One Trick Ponies ele parece gozar com alguns dos seus demónios pessoais, em Bassackwards, por exemplo, o tom é bastante mais sério, à boleia de um tratado folk rock psicadélico divagante, que nos apresenta um Vile algo confuso, resignado e até distante, como se deambulasse em busca de algo inexistente (The sun went down, and I couldn’t find another one… for a while).

O grande trunfo de Bottle It In é mesmo esta dicotomia estilística sonora e o modo como ela entronca numa mesma filosofia, a da auto-descoberta. As canções sucedem-se sem pressa e muitas vezes sem se perceber se o autor está mais precoupado em comunicar com o ouvinte ou em efetuar um monólogo algo divagante e nem sempre lúcido e consistente. Independentemente de toda esta trama, parece-me conseunsual que esta sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos será bem capaz de oferecer ao autor um lugar de destaque no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e acolhedores deste ano.

De facto, Bottle It In parece ser, por cá, a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que se aproximam, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um verão algo frenético e que para muitos não ficará gravado pelos melhores motivos. Mesmo sendo um registo que oferece ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica e psicológica que abriga o autor, é também um álbum sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas comuns a todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Kurt Vile - Bottle It In

01. Loading Zones
02. Hysteria
03. Yeah Bones
04. Bassackwards
05. One Trick Ponies
06. Rollin With The Flow
07. Check Baby
08. Bottle It In
09. Mutinies
10. Come Again
11. Cold Was The Wind
12. Skinny Mini
13. (Bottle Back)


autor stipe07 às 17:20
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018

Kurt Vile - Loading Zones

Kurt Vile - Loading Zones

Apesar da curiosa colaboração o ano passado com Courtney Barnett que resultou no excelente registo Lotta Sea Lice, a verdade é que depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de dois mil e onze e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile não deu mais sinais de vida depois de b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro de dois mil e quinze por intermédio da Matador Records e o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

Finalmente, três anos depois desse excelente disco, Kurt Vile volta a lançar uma nova canção, intitulada Loading Zones. É uma composição repleta de ironia que se debruça sobre a experiência pessoal de Kurt Vile relativamente às estratégias que costuma usar para estacionar sem pagar em Filadélfia, a sua terra natal. No vídeo, dirigido por Drew Saracco, Vile vai mostrando as suas escapadelas ao pagamento do estacionamento enquanto deixa exasperados dois polícias, interpretados pelos atores Kevin Corrigan e Matt Korvette, este último também vocalista dos Pissed Jeans.

Quanto à sonoridade de Loading Zones, obedecendo à tal herança do rock mais genuíno, a canção é conduzida por cordas elétricas e acústicas inspiradas, com um resultado final bastante fluído e intenso. Ainda não há notícias sobre um novo ábum de Kurt Vile, mas este tema é, certamente, uma pista que indica que poderá haver novo alinhamento do músico norte-americano nos próximos meses. Para já, sabe-se que Kurt Vile entrará em digressão com Jessica Pratt em novembro. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Sábado, 14 de Outubro de 2017

Courtney Barnett And Kurt Vile – Lotta Sea Lice

Dois nomes  fundamentais da indie folk atual são a australiana Courtney Barnett e o norte-americano Kurt Vile. Recentemente e em boa hora decidiram dar as mãos para comporem e divertirem-se juntos e assim gravarem Lotta Sea Lice, nove canções editadas com o selo da insupeita Matador. Este disco é resultado de oito dias em estúdio, espalhados por quinze longos meses em que ambos foram encontrando umas abertas nas suas respetivas digressões que fizeram de promoção aos últimos registos de originais de ambos, com Lotta Sea Lice, uma expressão retirada de uma obra da escritora Stella Mozgawa, a ser o nome de uma banda imaginária que ambos idealizaram para estas canções, algumas compostas por ambos em conjunto e outras temas antigos em formato demo que levaram para estúdio.

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O blues animado de Over Everything é uma excelente porta de entrada para este disco, uma animada e luminosa canção em que Barnett e Vile dialogam enquanto confessam aquilo que pretendem para este Lotta Sea Lice, que é pegarem cada um na sua guitarra, olharem para a linda manhã que começa e deixarem fluir do modo mais espontâneo possível tudo aquilo que guardam no seu âmago. É um tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra por parte de ambos, mas que não define, logo à partida, todo o clima instrumental do alinhamento, já que, em oposição, no clima mais introvertido de Let It Go, canção onde salta à vista o excelente trabalho percussivo e nos seis minutos experimentais e psicadélicos de Outta The Woodwork, fica expresso, de modo sintomático, um certo paradoxo sonoro, uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, onde o rock e a folk, o doce e o amargo e, enfim, aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético se entrelaçam.

E já que falamos da vertente temática de Lotta Sea Lice, uma das maiores qualidades destes dois músicos nas respetivas carreiras foi sempre a habilidade em exporem aqueles pequenos detalhes da vida comum que todos vivenciamos e os transformarem, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. E aqui fazem-no através do derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas. Escuta-se o modo como em Fear Is like a Forest ambos dissertam sobre os sonhos e os medos, encontrando paralelismo entre ambos e comparando-os a uma floresta desconhecida por desbravar ou como na já referida Outta The Woodwork descrevem a solidão como algo tão angustiante como a dificuldade em respirar, para se conferir este impressionismo lírico que, no modo como é musicado, acaba por chegar aos nossos ouvidos romanticamente e com um charme algo displiscente mas feliz, sendo esta, de certa forma, a postura que têm ambos em relação à vida. É um caminho sinuoso, mas que não tem de ser vivido em permanente inquietude e depressão. Daí em diante, na lindíssima e exuberante balada Blue Cheese, mas também no experimentalismo boémio patente em Peepin' Town e nos acordes deambulantes que empoeiram Untogether, manifestam-se instrumentalmente estas experiências de vida sincera, uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar e saborear em verdadeira plenitude.

Lotta Sea Lice é, antes de mais, um exercício de aceitação plena por parte dos autores de um estado de consciência sobre uma vida que ambos saboreiam em constante rebuliço, mas constante no modo como lidam com os diferentes sentimentos e emoções estejam em que local do mundo estiverem. É, em suma, um conjunto de canções que mostram dois seres humanos profundamente reflexivos, mas também auto confiantes e que servem-se da viola e da guitarra, seus fiéis companheiros nestas jornadas únicas e sentimentais sobre as vidas de dois músicos transportadas para uma contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas. Espero que aprecies a sugestão...

Courtney Barnett  And Kurt Vile - Lotta Sea Lice

01. Over Everything
02. Let It Go
03. Fear Is Like A Forest
04. Outta the Woodwork
05. Continental Breakfast
06. On Script
07. Blue Cheese
08. Peepin’ Tom
09. Untogether


autor stipe07 às 10:47
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

VoirVoir - There Are No Goodbyes

April Smith, Josh Maskornick, Matt Juknevic, Matt Molchany e Felicia Vee, são os VoirVoir, uma banda norte-americana natural de Bethlehem, na Pensilvânia e que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com There Are No Goodbyes, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

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Com dez excelentes composições de indie rock rugoso e monumental, There Are No Goodbyes é um intenso compêndio de garage rockpós punk e rock clássico, uma fusão de estilos e géneros que, como se percebe logo no single I Wanna, é dominada por aquela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebe qual é a bitola sonora destes VoirVoir e o alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, com temas do calibre da incisiva His Last Sound ou da ruidosa e inconstante If Miles Were Years, só para citar dois exemplos, a serem conduzidos por guitarras que apontam em diferentes direções, um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico e rítmico e alguns efeitos e arranjos que ajudam a destacar a forma corajosa como, logo na estreia, estes VoirVoir não se coibem de tentar experimentar, sem perturbar a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de numerosos e ricos momentos de especificidade rugosa que personificam uma garra e uma criatividade que deverá, em edições futuras, empurrar e alargar as barreiras deste projeto, para um nível mais elevado de projeção.

Disco que tem até em Down Together uma canção excelente para funcionar como um ombro amigo que ajuda a consolar algumas angústias e problemas, There Are No Goodbyes existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2015

Kurt Vile - b’lieve i’m goin down…

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011 e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile está de regresso com b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro por intermédio da Matador Records e já o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

Cantautor sempre intenso e profundo no modo como expôe os dilemas e as agruras da vida, comuns à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar, Kurt Vile encontra-se aos trinta e cinco anos numa fase da sua carreira que reflete, de certo modo, o seu posicionamento posicional no mundo em que vive e vivemos, duas realidades diferentes, mas no seu caso paralelas, porque caminham a par e passo, não fosse este músico norte americano natural de Lansdowne, na Pensilvânea, profundamente autobiográfico e auto reflexivo, servindo-se da música que cria para expiar os seus pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta.

É assim a música de Vile, intensamente pessoal e rica em descrições quer da sua existência quer de outros alteregos que cria, geralmente para desafiar o destino a oferecer-lhe sonhos e anseios que não quer deixar de experimentar um dia, não só a boleia do banjo que o pai lhe ofereceu aos catorze anos, mas também da viola e da guitarra, outros fiéis companheiros nesta jornada única e sentimental, sobre a vida de um músico, mas também de uma américa cheia de encruzilhadas e dilemas. 

b’lieve i’m going down, este extraordinário novo disco de Vile é, pois, um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções, doze canções que mostram esse Kurt Vile reflexivo, mas também auto confiante. Pretty Pimpin, o primeiro single divulgado desse trabalho, realça, principalmente, o segundo aspeto referido, já que a canção mostra o músico embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com as propostas mais intimistas de discos antecessores, apresentando-o menos tímido e mais grandioso. E essa luminosidade não abandona quase nunca o registo, com I’m An Outlaw a mostrar-nos como Vile lida com a sua constante necessidade de fuga aos padrões sociais e aos cânones pré estabelecidos, algo que todos nós desejamos muitas vezes fazer, mas nem sempre temos espírito e ousadia para avançar e com Dust Bunnies a fazer-nos embarcar numa incrível viagem ao rock psicadélico da década de setenta, mantendo-se o derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas.

Daí em diante não faltam momentos em que prevalece essa sensação nada abstrata, que mostra um músico que procura sempre deixar o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais, quase sempre feitas com o simples dedilhar de cordas, que pintam instantes que podem ser possíveis pontos de reflexão silenciosa, que todos experimentamos diariamente e que nos dizem muitas vezes bastante mais e de modo superiormente sábio, do que conversas de circunstância com quem nos é próximo mas tem apenas um conhecimento circunstancial e superficial do nosso âmago. Lindíssimas baladas como Stand Inside ou Lost My Head Tere, mas também o experimentalismo patente em Life Like This e as variações percussivas e os acordes deambulantes que empoeiram Wheelhouse, manifestam instrumentalmente estas experiências de vida sincera, que também precisa de ser uma jornada espiritual, para ser apreciada e saboreada em plenitude.

Demanda temática sobre um só ser que pode conjugar em si a esmagora maioria dos seres deste mundos, já que é profundamente genuíno no modo como expõe as principais virtudes e fragilidades da condição humana, b’lieve i’m goin down… discute melancolicamente sobre o amor, a saudade e outras futilidades diárias, à sombra de narrativas criadas por um músico que prova so sexto disco ser capaz de observar o tempo passar e de ser capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele, à boleia das cordas,pelo menos durante mais trinta e cinco anos.

Kurt Vile estará em Lisboa a vinte e quatro de novembro, onde irá apresentar em nome próprio o novo álbum. A atuação está marcada para o Armazém F e a primeira parte está a cargo de Waxahatchee. Espero que aprecies a sugestão...

Kurt Vile - B'lieve I'm Goin Down...

01. Pretty Pimpin
02. I’m An Outlaw
03. Dust Bunnies
04. That’s Life, Tho (Almost Hate To Say)
05. Wheelhouse
06. Life Like This
07. All In A Daze Work
08. Lost My Head there
09. Stand Inside
10. Bad Omens
11. Kidding Around
12. Wild Imagination

 


autor stipe07 às 17:16
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

Grandchildren – Zuni

Oriundos de Filadélfia, os norte americanos Grandchildren trazem na sua bagagem uma já assinalável reputação, principalmente pelo modo como agregam e depois misturam alguns elementos essenciais da folk, da pop e da eletrónica para criar canções animadas, positivas e com uma vibração única. Formados em 2008 por Aleks Martray e tendo já sofrido algumas transformações na constituição da equipa, os Grandchildren têm conseguido revitalizar constantemente as suas propostas sonoras, à custa de uma discografia iniciada em dois mil e dez com Everlasting. O sempre difícil segundo disco, intitulado Golden Age, viu a luz do dia em maio de 2013 e agora, pouco mais de dois anos depois, chegou a vez de ser editado Zuni, mais um compêndio de temas enérgicos e cheios de arranjos intrincados e assertivos.

O ecletismo sonoro destes Grandchildren explica-se, em parte, pelo espírito nómada de Martray, que tendo viajado pela Europa e a América Latina, além do seu próprio país, foi bebendo muita música e assimilando detalhes instrumentais e melódicos que suportam e adornam as composições criadas pelos Grandchildren. Esta jornada sónica definiu imenso o conteúdo dos dois primeiros trabalhos do grupo e mantem-se em Zuni, nove canções que mostram a habilidade enorme que este coletivo possui para criar um balanço poético entre o íntimo e o épico.

A grandiosidade percussiva de Make It, ampliada por alguns efeitos flamejantes curiosos, a complexidade inspiradora e luminosa de Nothing, um tema que nos oferece distorções de guitarra incríveis e algo inéditas, o piscar de olhos à pop sessentista californiana em The War e, de um ângulo algo distinto, o groove tribal de The Answer, canção por onde deambulam alguns isntrumentos de sopro quase sem controle, são exemplos que celebram esta batalha intensa e sedutora entre beleza e escuridão, plasmada no confronto simbiótico entre uma sonoridade geralmente explosiva, majestosa e impulsiva e uma escrita algo sombria que se debruça sobre os sentimentos, muitas vezes algo surreais, que nos invadem a todos em alguns instantes da nossa vida em que parece que fomos colocado de lado pela fortuna.

Inspiração por um lado e desespero por outro, ou então apenas e só um modo mais lúcido e racional que os Grandchildren nos oferecem para analisar a existência humana, Zuni suporta uma exploração exaustiva de narrativas que nos mostram com detalhe o que pode suceder em momentos de dor, por muito inconveniente que a perceção lúcida da realidade às vezes possa ser. A escrita de temas como Things They Buried ou Turn Away está impregnada com este ideário de certo modo desconfortável, mas isso não impede que Zuni esteja repleto de paisagens feitas com ritmos complexos e melodias intrincadas, cobertas por um vasto arsenal instrumental, sintetizadores, guitarras precisas e batidas que moldam melodias cujo clima soturno apela claramente a uma pop que se acomoda num ambiente repleto de luzes coloridas e projeções frenéticas que, curiosamente, servem para ampliar o tom sombrio do álbum. Espero que aprecies a sugestão...

Grandchildren - Zuni

01. Nothing
02. The War
03. Things They Buried
04. Make It
05. Walking Dead
06. The Answer
07. Turn Away
08. The Roads
09. You Know It All


autor stipe07 às 21:27
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Terça-feira, 2 de Julho de 2013

Daughn Gibson – Me Moan

Conforme anunciei em Curtas... CXI, Daughn Gibson, um músico natural de Carlisle, na Pensilvânia e baterista da banda de metal Pearls, está de regresso aos disco com Me Moan, depois  de a quatro de maio de 2012 ter lançado All Hell, o seu disco de estreia, através da White Denim. Se All Hell pintava um cenário doloroso, constantemente melancólico e assumidamente pessoal, um universo de composições amarguradas e sentimentos sinceros e era um fino retrato da country alternativa norte americana, em Me Moan mantém-se esse universo hermético, onde melancolias eletrónicas se cruzam com a country, mas com uma superior abrangência sonora e uma tentativa evidente de chegar a uma maior massa de ouvintes.

Me Moan impressiona no imediato pela limpidez sonora feita com uma produção impecável e pela forma como o registo vocal grave de Daughn atravessa todo o disco. É uma obra polida, cheia de detalhes e nuances, copm uma sonoridade muito menos caseira do que a que sustentava All Hell. É um pouco como se, instrumentalmente, os The XX se interessassem repentinamente pela country e dessa forma alargassem o seu compêndio sonoro e, servidndo-se da voz de Daughn e do gosto do mesmo pela música popular norte americana, o ajudassem a crescer e a traduzir novamente e com umaroupagem alternativa os seus próprios sentimentos.

As canções de Me Moan não têm grande segredo e talvez seja por isso que resultam na perfeição. Todas elas crescem a partir de cordes simples de uma viola que depois recebem batidas sintetizadas e toda uma carga de construções sonoras pouco convencionais. Logo a abrir, The Sound Of Law é uma representação segura do cenário musical que impregna o álbum; Cheia de guitarras, samples e uma bateria crescente, a canção cria um verdadeiro cenário musical, onde a voz de Gibson passeia de forma segura entre os vários arranjos que se escutam e que incluem um um pequeno coro de vozes bastante melancólico. Mad Ocean é um dos destaques do disco, uma canção cheia de colagens eletrónicas, com solos, harmonias e loopings que são raramente escutados em qualquer outro projeto atual. Em suma, há aqui evidências que habilitam Daughn a trilhar novos rumos sonoros que talvez seriam inimagináveis há um ano e que até já se revelam com esplendor e beleza na country melódica de Kissin On The Blacktop. Essas duas músicas e outras como All My Days Off e Into The Sea dão-nos a sensação constante de que a obra de Gibson se mantém ainda numa fase de plena descoberta e ascensão.

O sofrimento é uma temática transversal a Me Moan, nas tentativas de superação (Franco), nas buscas fracassadas de um novo amor (The Right Signs) e numa variedade de provocações constantes que lentamente nos submergem no mais puro sofrimento. Claro que faltam aqui músicas do calibre de Tiffany Lou e In the Beginning, mas esta visão geral menos comercial do disco não o fragiliza relativamente ao antecessor e solidifica o processo evolutivo deste artista.

Casamento perfeito entre vozes, versos e sons, Me Moan é um objeto de plena comunhão lírica e instrumental, que tem na dor o principal componente de um trabalho de um compositor que usa um catálogo sufocante de percepções e sentimentos para interligar as suas emoções. Daughn continua a cantar sobre si próprio, mas aos poucos sabe como transformar esta individualidade na manifestação de sentimentos que também podem ser partilhados por todos nós. Espero que aprecies a sugestão... 

01. The Sound Of Law
02. Phantom Rider
03. Mad Ocean
04. The Pisgee Nest
05. You Don’t Fade
06. Franco
07. Won’t You Climb
08. The Right Signs
09. Kissin On The Blacktop
10. All My Days Off
11. Into The Sea


autor stipe07 às 19:03
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