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Gruff Rhys – Pang!

Quarta-feira, 25.09.19

Enquanto os míticos Super Furry Animals permanecem numa pausa mais ou menos indefinida, Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta no País de Gales, continua a cimentar a sua bem sucedida carreira a solo com álbuns onde vai testando progressivamente novas fórmulas um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário. O seu mais recente exercício criativo é Pang!, o sexto registo de originais deste seu percurso a solo, iniciado há década e meia com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreveu como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destacou também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dois mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século dezoito. Já em dois mil e dezoito, Babelsberg ampliou até um superior nível qualitativo a visão incomum de Rhys relativamente aqueles que o músico considerava ser, há uns dezoito meses, os grandes eixos orientadores de uma pop alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existem limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais.

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Com nove canções repletas de onomatopeias, produzidas pelo produtor Sul Africano Muzi, sendo grande parte delas cantadas em galês e com alguns trechos em zulu, Pang!, um disco que tem, curiosamente, nome inglês, proporciona ao ouvinte uma sequência bastante criativa de canções que sobrevivem essencialmente à custa de uma elevada luminosodade nas cordas, muitas vezes trespassadas quer por elementos percurssivos variados, quer por instrumentos de sopros, utilizados quase sempre para adornar melodicamente e para conferir a cada composição o seu cariz identitário, ajudando assim a cimentar o ecletismo do alinhamento.

Portanto, da psicadelia folk do tema homónimo, passando pela perene acusticidade de Eli Haul, pelo funk com travo a tropicalia de Bae Bae Bae, pela forte toada jazzística de Digidigol, pela solarenga Ara Deg (Ddaw’r Awen), a melhor composição do disco, e pelo piscar de olhos à melhor herança do índico em Taranau Mai e à do Adriático em Annedd Im Danedd, Pang! é um verdadeiro festim sonoro global, uma viagem à volta do mundo, mas também uma viagem no tempo, esta última algo atípica porque nunca deixa de haver um travo de contemporaneidade em toda a amálgama que é possível destrinçar canção após canção e que foi eficazmente idealizada e minuciosamente plasmada.

Disco coeso, dinâmico e de certo modo concetual, Pang! é um marco intenso e flamejante na trajetória individual deste músico, um disco que transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys. Espero que aprecies a sugestão...

Gruff Rhys - Pang!

01. Pang!
02. Bae Bae Bae
03. Digidigol
04. Ara Deg (Ddaw’r Awen)
05. Eli Haul
06. Niwl O Anwiredd
07. Taranau Mai
08. Ôl Bys / Nodau Clust
09. Annedd Im Danedd

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publicado por stipe07 às 18:31

Sweet Baboo – The Vending Machine

Quinta-feira, 23.05.19

Em novembro de dois mil e dezassete a empresa galesa de charcuteria Charcutier Ltd de Illtud e Liesel e a Amazing Tapes from Canton lançaram um curioso projeto intitulado The Vending Machine Project e convidaram Sweet Baboo aka Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, também no País de Gales, a fazer parte do mesmo com um álbum conceptual. Esclareço que o projeto The Vending Machine Project consiste na criação de máquinas de venda automática de produtos locais galeses, com destaque para os fumados e os enchidos, numa das lojas mais famosas de Cardiff, a Castle Emporium, situada em Womanby Street, uma das ruas mais movimentadas dessa cidade. A ideia é a promoção de produtos locais e regionais produzidos em quintas ecológicas e torná-los acessíveis de modo fácil e rápido a todos os interessados, adquirindo-os assim diretamente ao produtor, constituindo-se essa máquina como uma alternativa aos produtos de cariz mais industrializado e produzidos em grande escala, geralmente vendidos nas grandes superfícies comerciais. Além dos enchidos e fumados, queijo, manteiga e mel são outras iguarias que a máquina tem sempre pronta para venda diariamente.

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Sweet Baboo, cujo avô curiosamente era talhante, entra então no projeto a convite de Illtud e Liesel, os patrões da Charcutier Ltd, com o intuíto de criar uma banda-sonora do mesmo, que seja audível na máquina, a troco de uma ou duas salsichas de vez em quando. Assim a máquina The Vending Machine acaba também por funcionar como uma espécie de jukebox gigante, à boleia de um disco com esse nome, editado pela Bubblewrap Records e assente em nove composições possíveis de serem adquiridas também na máquina.

Com artwork da autoria de Rich Chitty, The Vending Machine volta a mostrar um Sweet Baboo irrepreensivel no modo multicolorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado, como se percebe, com notável impacto, no festivo single Lost Out On The Floor.

Esta conjugação de géneros acaba por dar alguma pompa e imponência a The Vending Machine e um curioso toque retro, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio. Por exemplo, em The Acorn Drop há uma linha de guitarra repetitiva e hipnótica, que parece transformar-se numa espécie de alarme repetitivo, que tanto causa repulsa como, em simultâneo, uma estranha atração, ampliada pelo modo como no refrão se distorce. Essa sensação repete-se no registo vocal adoptado em Pannage / Panic. Já em TV Theme o clima baladeiro criado pela secção rítmica e pelo orgão é claramente setentista e fervorosamente encadeante. Depois, em instantes mais calmos, a sensualidade pop do saxofone que abrilhanta Early Riser, o travo algo psicadélico das teclas sintetizadas que conduzem The Shipping Forecast e o travo jazzístico fumarengo dos sopros e do paino de Barnyard Rhumba, são detalhes que aprimoram e enchem de primor um disco que é, claramente, uma verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

Sweet Baboo - The Vending Machine

01. Positive Record
02. Lost Out On The Floor
03. The Acorn Drop
04. Early Riser
05. The Shipping Forecast
06. Barnyard Rhumba
07. TV Theme
08. Pannage / Panic
09. Down The Afon Gwendraeth

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publicado por stipe07 às 18:37

Catfish And The Bottlemen – Longshot

Sexta-feira, 11.01.19

Catfish And The Bottlemen - Longshot

Três anos após o excelente The Ride, que na altura sucedeu a The Balcony, o disco de estreia, os Catfish And The Bottlemen de Van McCann, Johnny Bond (guitarras), Robert ‘Bob’ Hall (bateria) e Benji Blakeway (baixo), estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos e Longshot é o primeiro single divulgado daquele que será o terceiro álbum deste quarteto galês.

Em Longshot, os Catfish And The Bottlemen provam, mais uma vez, a sua superior capacidade interpretativa, no momento de criar um indie rock que seja épico, instrumentalmente rico e tematicamente emotivo, sensações ampliadas, desta vez, pelo belíssimo vídeo da canção. Realizado por Jim Canty e filmado a preto e branco no sempre bucólico, húmido e enevoado ambiente rural britânico, mostra-nos McCann da perspetiva de uma ave, chegando ao local em grande estilo para se juntar depois à banda que já toca a canção. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:49

Gruff Rhys - Babelsberg

Terça-feira, 17.07.18

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta, faz amanhã quarenta e oito anos, é um músico do País de Gales conhecido pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário.

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A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destacou também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dois mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século dezoito. Agora, em dois mil e dezoito, Babelsberg é o novo registo de originais do artista, dez canções que ampliam até um superior nível qualitativo a sua visão incomum daqueles que serão hoje os grandes eixos orientadores de uma pop que se quer cada vez mais alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existam limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais.

Com a participação especial da BBC National Orchestra Of Wales, preponderante em muitos dos arranjos dos temas, ao longo do alinhamento de Babelsberg somos confrontados com uma sequência bastante criativa de canções que, do rock sessentista à pop mais psicadélica da década seguinte, passando pela eletrónica oitocentista, oferecem-nos uma viagem no tempo algo atípica porque nunca deixa de haver um travo de contemporaneidade em toda esta amálgama.

Tomando como ponto de partida o habitual olhar crítico e clínico do autor perante o mundo atual, uma atitude bem expressa no título que alude à conhecida Torre de Babel do Antigo Testamento, um dos conceitos mais utilizados no momento de colocar na mesa cenários apocalípticos, Babelsberg está repleto de momentos bastante inspirados e que  comprovam que através da fusão de diferentes plataformas sonoras é possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história de um mundo que tem a consciência de estar à beira do precipício mas que insiste no absurdo de não fazer marcha atrás. Assim, na pop classicista de Frontier Man, uma ode à herança de Cohen, passando pelo esplendor dos arranjos que abastecem Limited Edition Heart, pelo modo encantador como Rhys se entrelaça com a voz da cantora Lily Cole em Selfies In The Sunset, ou pela nostalgia de Same Old Song, percebe-se, com naturalidade, todo um clima de superior requinte e o modo como o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico e harmonioso.

Babelsberg é, sem dúvida, o disco mais ambicioso da carreira de Gruff Rhys, um trabalho coeso, dinâmico e conceptual e mais um marco na trajetória do músico. No seu âmago o disco transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys, um luxuoso naipe de canções que quase nos fazem desejar que o apocalipse realmente aconteça, caso seja esta a sua banda sonora. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 23:07

Los Campesinos! – Sick Scenes

Sexta-feira, 10.03.17

Pouco mais de três anos depois de No Blues, os galeses Los Campesinos! estão de regresso aos discos à boleia da Wichita Recordings com Sick Scenes, onze canções gravadas por cá em pouco mais de um mês, na localidade de Fridão, nos arredores de Amarante e produzidas por John Goodmanson e Tom Campesinos!, o guitarrista da banda.

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Editado a vinte e quatro de fevereiro último, Sick Scenes é o sexto registo de originais dos Los Campesinos! e serve para marcar os dez anos de carreira de um projeto que tinha entrado em pausa depois de No Blues, já que os membros dedicaram-se, com maior afinco, às suas profissões e carreiras fora da música. No entanto, com o aproximar da efeméride, a banda achou por bem marcá-la com um novo alinhamento de canções, onde ainda se vislumbra aquela irreverência e espontaneidade dos primeiros trabalhos do grupo, mas também uma já maior demonstração de maturidade, quer lírica quer instrumental.

Quando em 5 Flucloxaclin o assunto é um antibiótico que alguém precisa de tomar porque o corpo já está demasiado fraco para aguentar tantas ressacas, ou quando no inebriante tema de abertura, Renato Dall'ara (2008), é feita uma referência explícita ao desporto preferido de alguns membros da banda, à boleia do lindíssimo estádio de futebol da cidade italiana de Bolonha, ficam claros dois pólos opostos de disposição humorística, parecendo que o grupo chegou a uma encruzilhada, entre a juventude e a explosão dos primórdios e uma necessidade quase irracional de olharem para o lado mais sério da vida. Aliás, o modo profundo e sentido como abordam o amor em A Litany/Heart Swells e o fim de uma relação amorosa na triste e pungente I Broke Up In Amarante para, pouco depois, no final épico de For Whom The Belly Tolls, nos fazerem dançar como se não houvesse amanhã ou qualquer tristeza que nos apoquente, são outros dos bons exemplos que em Sick Scenes plasmam a transversalidade sonora de todo o historial de Los Campesinos!, além da manutenção da capacidade deste coletivo de produzir composições puras e encantadoras e cuja sonoridade pode ir do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza. Tal desiderato é quase sempre resultante de riffs rasgados de guitarras e de uma bateria inebriante, sempre na busca de melodias cada vez mais intrincadas e com arranjos próximos de uma límpida sobriedade pop, num resultado final harmonioso e que do habitual indie rock, à pop, faz deste o disco mais eclético do percurso do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Los Campesinos! - Sick Scenes

01. Renato Dall’Ara (2008)
02. Sad Suppers
03. I Broke Up In Amarante
04. A Slow, Slow Death
05. The Fall Of Home
06. 5 Flucloxacillin
07. Here’s To The Fourth Time!
08. For Whom The Belly Tolls
09. Got Stendhal’s
10. A Litany/Heart Swells
11. Hung Empty

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publicado por stipe07 às 21:13

White Noise Sound – Like A Pyramid Of Fire

Segunda-feira, 08.02.16

O indie rock psicadélico tem mais um nome relevante a acrescentar ao longo cardápio de bandas e projetos que se têm assumido no universo sonoro alternativo, rebocadas pelo sucesso atual de um espetro sonoro revivalista, mas com caraterísticas muito próprias que acabam por se entrelaçar com elevado grau de asserto com algumas das tendências mais contemporâneas do rock. Falo dos galeses White Noise Sound, uma banda que em 2015 lançou Like A Pyramid Of Fire, um compêndio de oito canções que viram a luz do dia com a ajuda da editora Rocket Girl, uma etiqueta cada vez mais rica e essencial para os apreciadores deste género sonoro e com nomes tão influentes como God Is An Astronaut ou Jon DeRosa na sua lista de projetos.

Para o segundo disco da carreira, os White Noise Sound rodearam-se de nomes tão importantes como o produtor e DJ Phil Kieran e Cian Ciaran e o resultado foi um aglomerado hipnótico e intenso, mas bastante melódico de psicadelia, com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível. Como se percebe logo na majestosa Heavy Echo, é uma filosofia sonora conduzida por um sintetizador pleno de efeitos deslumbrantes, um baixo que marca o ritmo e a cadência com rigor, mas também flexibilidade e sentimento e onde abundam distorções de guitarra que criam um oásis denso, atmosférico e sujo de riffs imponentes e incisivos. Logo depois, no piano sensível e profundamente revivalista, claramente pink floydiano, de Bow, não existem mais razões para duvidarmos do modo como este Like A Pyramid Of Fire está carregado de melodias que projetam inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, sempre com enorme mestria e criatividade. O modo como em All You Need, primeiro a bateria e depois o sintetizador, fazem a composição atravessar terrenos experimentais e etéreos e com elevada fluidez e prazer, amplifica a certeza sobre o modo como estes White Noise Sound conseguem ser concisos e diretos e, ao mesmo tempo, separar bem os diferentes sons e mantê-los isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções. O próprio modo como o punk mais libidinoso e másculo exala de todos os poros das cordas das guitarras que sustentam Red Light e, em Can't You Seet It, a forma como a composição cresce em volume e grandiosidade enquanto se desembrulham nos nossos ouvidos diferentes detalhes sintéticos, orgânicos e percussivos, nos quais se incluem alguns samples vocais e batidas e a fluidez com que os instrumentos vão surgindo, são outros marcos impressivos nesta dinâmica que o disco contém, enquanto nos oferece uma viagem única que constitui um verdadeiro sopro de renovação de um género sonoro que tocado com tal mestria, torna-se verdadeiramente intemporal. Espero que aprecies a sugestão...

White Noise Sound - Like A Pyramid Of Fire

01. Heavy Echo
02. Bow
03. Can’t You See It
04. Red Light
05. All You Need
06. Step Into The Light
07. Do It Again
08. Feel It

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publicado por stipe07 às 16:46

Stereophonics - Keep The Village Alive

Quarta-feira, 07.10.15

Os Stereophonics estão de regresso aos discos em 2015 com Keep The Village Alive, um trabalho com um alinhamento de dez canções e que viu a luz do dia a onze de setembro, sucedendo a Graffitti On The Wall (2013). Este é já o nono capítulo sonoro da carreira deste projeto galês liderado por Kelly Jones, que, já agora, foi também o produtor do álbum.

Com uma carreira consolidada no universo sonoro indie, esta banda nunca teve o destaque merecido, apesar de alguns singles bem sucedidos on início do século, nomeadamente Mr. Writer e Have A Nice Day, canções retiradas de Just Enough Education To Perform (2001), ou Dakota, um dos singles de Language. Sex. Violence. Other? (2005), entre outros, mas que nunca retiraram os Stereophonics de uma estranha penumbra, que Keep The Village Alive quer, pelo menos, tentar contrariar.

O alinhamento deste trabalho abre em grande estilo com C'est La Vie, uma das melhores canções da carreira dos Stereophonics e que contém todos os ingredientes que garantem a autenticidade de uma banda que encontra o seu ponto de rebuçado em canções que, como esta, se alinham pelo esplendor de guitarras luminosas, um baixo e uma percussão sempre assertivas e, principalmente, uma tremenda sensibilidade pop, capaz de nos oferecer melodias verdadeiramente encantadoras e aditivas. No tema seguinte, em White Lies, mantendo-se a superior sapiência melódica descrita anteriormente, é exposta uma faceta mais épica e melancólica que este grupo também sempre soube explorar, com a delicada voz de Kelly a ser um aditivo sofisticado e harmonioso à receita, numa canção que sendo acessível, contraria qualquer cruzamento infeliz que possa suceder entre aquela fina fronteira que tantas vezes separa o bom gosto da lamechice ou vulgaridade como acontece muitas vezes a uma canção deste género. Mais adiante, Into The World volta a afundar-nos num universo mais intimista e acústico, com uma ainda superior introspeção e sensibilidade.

Até ao ocaso de Kep The Village Alive, não pode passar ao lado dos nossos ouvidos o groove boémio e revigorante que exala de Graffiti In The Rain, tema para escutar de punhos cerrados e com um enorme sorriso no rosto e a enorme e sentida declaração de amor expressa na intensa I Wanna Get Lost With You, assim como a intensidade e exuberância rock de Mr. And Mrs. Smith, mais alguns instantes sonoros de um disco que mostra uns Stereophonics no papel de verdadeiros trabalhadores árduos, sérios, responsáveis e criativos. Na verdade, se muitas bandas rock podem ser justamente acusadas de deturpar a sua essência quando procuram encetar por uma sonoridade mais pop, estes Stereophonics, quando o fazem, utilizando, por exemplo, também o piano e violinos, como sucede neste disco em Sunny, seguem apenas o instinto que os conduz naturalmente para um caminho onde a rugosidade das guitarras e uma elevada capacidade melódica coexsitem na perfeição e até se complementam. Esta é uma possibilidade de livre escolha, que para muitas bandas devia ser quase uma permissa obrigatória e que, no caso desta, resultou num trabalho diversificado, mas acessível, com melodias orelhudas, que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que, mesmo ao nono disco da carreira, alargou bastante o espetro sonoro dos autores, sem trair a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. Espero que aprecies a sugestão...

Stereophonics - Keep The Village Alive

01. C’est La Vie
02. White Lies
03. Sing Little Sister
04. I Wanna Get Lost With You
05. Song For The Summer
06. Fight Or Flight
07. My Hero
08. Sunny
09. Into The World
10. Mr. And Mrs. Smith

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publicado por stipe07 às 20:26

Sweet Baboo - The Boombox Ballads

Sábado, 03.10.15

Sweet Baboo é Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, no País de Gales e que lançou em abril de 2013, por intermédio da Moshi Moshi Records, Ships, o seu segundo disco, um álbum conceptual sobre o mar. Agora, dois anos depois, chegou aos escaparates The Boombox Ballads, o sucessor, que volta a mostrar um Sweet Baboo irrepreensivel no modo multicolorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado.

A elegância, a timidez e o charme são vocábulos certamente muito caros para a pesonalidade de Stephen Black, um músico e produtor que tem tanto de calculista e metódico, como de sensivel e intenso. As suas canções acabam não só por personificar esta aparente dupla personalidade, como também por respirarem o ar que emana deste cruzamento espetral entre dois pólos aparentemente opostos, mas que aqui se complementam para nos oferecer composições sonoras tão belas e grandiosas como será, naturalmente, o caldeirão de vivências e emoções que personificam e definem o autor.

As cordas e os violinos de Sometimes e o modo como na música ele confessa ser um homem de paixões, mas sem deixar que as mesmas o consumam e o aprisionem desmesuradamente (Sometimes I’ll say goodbye, leave you on your own a while, just be sure I’ll dream of your home coming smile), expõe, logo à partida, o lado confessional da música de Sweet Baboo e faz-nos perceber que The Boombox Ballads é um disco que poderá agradar pelo modo fascinante como mistura o teor instrumental e poemas profundos, que exaltam, quase sempre, o lado mais cândido do amor. O piano de You Are Gentle, a inserção dos instrumentos de sopro e o modo como, continuamente e de modo progressivo, Stephen exalta as qualidades da mulher abordada na canção, são um exemplo superior de um artista que sobrevive à custa de emoções fortes embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop. Mas o caldeirão festivo e luminoso de You Got Me Time Keeping, sete minutos colocados estrategicamente no meio do álbum e que se dividem numa toada folk pop festiva inicial, que depois abranda para um instante baladeiro cheio de alma e, finalmente, progride para um final algo psicadélico e fortemente experimental, acaba por ser o tema que melhor agrega e define o receituário sonoro que Sweet Baboo nos oferece para que possamos curar não só aqueles males do coração que nos afligem, mas também para, terapeuticamente, nos ajudar a olhar em frente e a ver o lado mais sombrio da nossa existência numa perspetiva mais otimista e positiva.

Apesar de haver uma estranha sensação de vulnerabilidade nas canções de Sweet Baboo, como se a qualquer momento pudessem sofrer algum desvio no rumo sonoro que as sustenta, a verdade é que elas têm este efeito psicoativo acima descrito e que, também devido a esta faceta humanista da sua música, estamos na presença de um artista que pretende sair do nicho indie e alternativo, para procurar atingir um universo mais abrangente e onde reinam referências obrigatórias da história da música da segunda metade do século passado, algures entre Paul Simon, Randy Newman e Sinatra.

Até ao final, a rugosidade prfunda dos violinos e o modo insinuante como as teclas do piano se enrolam com eles em Two Lucky Magpies, o modo encantador como Baboo suplica por redenção em I Just Want To Be Good, à boleia de um irrepreensível falsete e o modo feliz como a folk algo jazzística de Walking In The Rain mistura o clássico e o contemporâneo, são apenas mais três composições de audição obrigatória e que provam que Stephen é um poço de criatividade melódica e que ao conjugar com mestria diferentes influências, não confere um cariz estanque aos temas, que têm a particularidade comum de serem conduzidos, geralmente, pela voz do músico e pelas cordas, cabendo à abundante secção de metais e a várias aparições de instrumentos de sopro um protagonismo também relevante. Toda esta conjugação de factores acaba por conferir pompa e imponência a The Boombox Ballads, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio, como sucede no curto tema homónimo.

Imbuído por uma intensa e indisfarçável sensualidade pop e sempre num evidente clima de ingenuidade e boa disposição, The Boombox Ballads contém uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos, numa verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

Sweet Baboo - The Boombox Ballads

01. Sometimes
02. Got To Hang Onto You
03. You Are Gentle
04. Two Lucky Magpies
05. The Boombox Ballads
06. You Got Me Time Keeping
07. Walking In The Rain
08. I Just Want To Be Good
09. Tonight You Are A Tiger
10. Over And Out

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publicado por stipe07 às 21:53

Stereophonics – I Wanna Get Lost With You

Sábado, 01.08.15

Stereophonics - I Wanna Get Lost With You

Os galeses Stereophonics estão de regresso aos discos em 2015 com Keep The Village Alive, um trabalho com um alinhamento de dez canções e que vai ver a luz do dia a onze de setembro, sucedendo a Graffitti On The Wall (2013).

I Wanna Get Lost With You é o mais recente avanço divulgado de Keep The Village Alive, um tema que já tem direito a um original vídeo da autoria de Kelly Jones, o vocalista da banda. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:58

Yucatan – Uwch Gopa’r Mynydd

Segunda-feira, 06.07.15

Oriundos do País de Gales, ou melhor, de Cymru, o nome antigo pelo qual era conhecido o território atualmente denominado Wales, nas ilhas Britânicas, os Yucatan são uma das novas sensações do universo sonoro alternativo, etéreo e melanólico, devido a Uwch Gopa’r Mynydd, o novo trabalho deste quarteto, lançado no passado dia vinte e dois de junho através da Recordiau Coll.

Escuta-se Uwch Gopa’r Mynydd e são inevitáveis salutares e elogiosas comparações com os vizinhos Sigur Rós, não só por causa da postura lírica e vocal, com estes Yucatan a cantarem com um dialeto próprio à semelhança do trio islandês, mas principalmente devido à sonoridade fortemente emotiva que os envolve. Sem esforço, este trabalho é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. O abraço feliz entre cordas exuberantes e metais impregnados de cândura em Cwm Llwm e o teclado soturno, os violinos, as guitarras distorcidas a percussão majestosa de Ffin, fazem-nos emergir num ambiente muito próprio e montam, logo à partida, o puzzle que contém o espetro sonro em que estes Yucatan se movimentam, com uma personalidade muito vincada e que nos remete também, emvários instantes, para a pueril simplicidade do mundo infantil. Os sinos e o falsete de Word Song e Angharad, o efeito minimal da guitarra da última e os efeitos burbulhantes e aquáticos de Ochenaid parecem saidos de uma caixa de música minúscula, que foi colocada num local bem determinado, por geração espontânea ou por obra do divino, não se sabe muito bem, mas escondida eficazmente, no fundo de um lago gelado que se formou há milhares de anos nas profundezas de uma escura, mas intacta e nunca explorada caverna, mas que foi revelada aos Yucatan em sonhos, já que só eles conseguiriam descodificar com notável precisão o seu conteúdo e materializá-lo nestas duas canções.

Sendo ou não obra do além ou apenas o resultado final de um trabalho intenso e planeado ao milímetro por quatro músicos que nasceram agraciados pelo desejo do lado bom de um dia se juntarem para compôr e tocar, Uwch Gopa’r Mynydd é festivo e grandioso e, contendo nuances variadas e harmonias magistrais, é um facto que todos os seus componentes, vocal e instrumental, orientam-se de forma controlada, como se tivessem sido agrupados com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma projeção do lado apenas bom de cada um de nós. Na verdade, é curioso perceber que sendo essa constatação natural perante uma audição sentida e dedicada, também é plausível constatar que as oito canções fluem de maneira hermética e acizentada. O piano e a voz de Halen Daean A Swn Y Mon e o modo como os tambores aumentam o rufar e os trompetes se insinuam à medida que o ritmo e a intensidade progridem, oferecem-nos essa sensação dicotómica expondo dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade do sentimento que exala do tema. 

Tendo na algibeira este álbum que conceptual e estilisticamente se fecha dentro de um campo próprio, intensamente místico e imerso num plano sonoro gracioso e sendo devidamente apreciados, estes Yucatan poderão ser acusados formalmente e posteriormente sentenciados, sem possibilidade de recurso, de serem responsáveis por uma nova geração de ouvintes se voltar a aproximar da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação sonora, que incluem tantas vezes estranhos mas produtivos diálogos sempre passíveis de existir neste imenso mar de possibilidades chamado música. São discos como estes que impelem qualquer amante e crítico musical a nunca virar a cara à luta, nem se deixar absorver pelo desalento da incompreensão. Espero que aprecies a sugestão...

Yucatan - Uwch Gopa’r Mynydd

01. Ffin
02. Cwm Llwm
03. Word Song
04. Halen Daean A Swn Y Mon
05. Ochenaid
06. Llyn Tawelwch
07. Angharad
08. Uwch Gopa’r Mynydd

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publicado por stipe07 às 21:45






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