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STRFKR – Future Past Life

Sexta-feira, 10.04.20

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

STRFKR - Terrorbird

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de mais um disco, um alinhamento de dez canções intitulado, Future Past Life, o sucessor do fabuloso registo Being No One, Going Nowhere de dois mil e dezasseis e que foi sendo antecipado com uma série de singles nas últimas semanas.

Future Past Life mostra-nos os STRFKR a fazerem aquilo que sabem melhor, canções com elevada cosmicidade e lisergia e em que rock e eletrónica conjuram entre si com elevada mestria e bom gosto. Logo a abrir o registo, o esplendor solarengo e nostálgico de Dear Stranger dá-nos, no imediato, no efeito do sintetizador que plana pela melodia, na batida inebriante e nas guitarras repletas de fuzz, a possibilidade de obtermos um olhar bastante impressivo e esclarecedor acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só pouco mais do que esparsos devaneios experimentais, mas muito bem sucedidos, como Palm Reader e Better Together, belíssimos exercícios de acusticidade lisérgica, até algumas composições em que o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica se transformam em instantes de pura levitação, como é o caso da retro Second Hand, o que não falta neste alinhamento são temas notáveis e extremamente belos, impregnados, como é habitual nos STRFKR, com letras de forte cariz introspetivo, num resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, com os filmes de ficção e o espaço a aparecerem, mais uma vez, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo.

Além dos temas acima referidos, há ainda que fazer menção de outros instantes do álbum que abrilhantam ainda mais o seu conteúdo e nos fazem querer que este é, sem dúvida, o grande disco de dois mil e vinte até ao momento. Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas e que fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da mãe de Hodges, Deep Dream, tema que resultou de um espetacular brainstorming entre Hodges e dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção e Budapest, majestosa e vibrante composição, assente num efeito metálico da guitarra delicioso e que conta com a participação especial vocal dos também norte- americanos Shy Boys, dos irmãos Collin Rausch e Kyle Rausch, um coletivo de Kansas City, no Missouri, que deu um travo mais angelical e solarengo ao típico charme lo fi radiante dos STRFKR, são três bons exemplos do formidável modus operandi deste projeto, elevado em Future Past Life a um patamar ímpar de qualidade e visão, não só da suprema herança da pop das últimas quatro décadas, mas também daquilo que poderá ser o futuro próximo da melhor indie rock. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Future Past Life

01. Dear Stranger
02. Never The Same
03. Deep Dream
04. Second Hand
05. Better Together
06. Budapest (Feat. Shy Boys)
07. Palm Reader
08. Sea Foam
09. Pink Noise
10. Cold Comfort

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publicado por stipe07 às 22:54

STRFKR – Budapest (Feat. Shy Boys)

Sábado, 28.03.20

STRFKR - Budapest (Feat. Shy Boys)

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de mais uma nova canção, a terceira em qusse um mês, intitulada Budapest, mais um sinal de vida do grupo depois do fabuloso registo Being No One, Going Nowhere (2016). Recordo que no início do mês os STRFKR já nos tinham oferecido Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe e depois veio Deep Dream, canção que resultou de um espetacular brainstorming entre Hodges e dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção. Agora chega a vez de nos deliciarmos com Budapest, majestosa e vibrante composição, assente num efeito metálico da guitarra delicioso e que conta com a participação especial vocal dos também norte- americanos Shy Boys, dos irmãos Collin Rausch e Kyle Rausch, um coletivo de Kansas City, no Missouri, que deu um travo mais angelical e solarengo ao típico charme lo fi radiante dos STRFKR.

Este novo tema dos STRFKR não traz, à imagem dos dois anteriores, a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já começa a ser fácil perceber que essa será, claramente, uma realidade incontornável e que se tal suceder os STRFKR figurarão incontestavelmente nos lugares cimeiros das listas dos melhores discos deste ano. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:45

STRFKR – Deep Dream

Segunda-feira, 16.03.20

STRFKR - Deep Dream

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Deep Dream, o segundo sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016), já que há alguns dias atrás também nos tinham oferecido Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe.

Para descrever Deep Dream convém antes contextualizar devidamente a origem deste novo tema dos STRFKR. Em dois mil e catorze Josh Hodges passou uma temporada do lado de cá do atlântico, em Amsterdão, nos Países Baixos, a incubar o grosso do conteúdo de Being No One, Going Nowhere. Depois do regresso, já em Los Angeles e por mero acaso, Hodges entra em contacto, através de um amigo em comum, com dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, criando-se logo uma enorme empatia entre o trio, que resultou num punhado de três canções no primeiro encontro entre todos.

Deep Dream é uma dessas composições criadas entre Hodges e os dois amigos holandeses, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção. Este novo tema dos STRFKR não traz, à imagem do anterior, a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é mais um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:39

STRFKR – Never The Same

Segunda-feira, 02.03.20

STRFKR - Never The Same

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Never the Same, o primeiro sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016).

Esta nova canção dos STRFKR não traz a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo, conseguindo, aqui, esse efeito, à boleia de uma batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:08

Y La Bamba – Mujeres

Sexta-feira, 15.02.19

O projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Mujeres, o quinto disco deste grupo sedeado em Portland e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre do projeto. Sucessor de Ojos Del Sol (2016), Mujeres foi gravado por Luz Elena Mendoza e Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, contando com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica.

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Luz Elena é a alma deste projeto Y La Bamba e Mujeres é uma viagem espiritual criada por esta cantora e compositora transcendente, que pretende retratar ao longo das catorze canções do alinhamento do registo o modo como a mulher é vista nos dias de hoje. Fá-lo convidando o ouvinte a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

Assim, o disco conta histórias simples e comuns sobre uma mexicana que se movimenta e tenta ser feliz numa América cada vez mais protecionista e conservadora, pelo menos no que concerne às opções políticas da liderança atual do país. O modo como a autora se refere aos verões da sua infância a escutar música tradicional mexicana e mariachis às escondias da família de imigrantes de fortes raízes católicas que a criou, enquanto tentava provar aos rapazes que era capaz de alinhar nas mesmas brincadeiras que eles, é apenas um dos muitos retratos que Luz nos convida a contemplar neste Mujeres.

Mujeres é, pois, também um olhar crítico, feito de modo bastante mpressionista, umas vezes cínico, outras optimista, já que as suas canções não receiam causar desconforto, através de uma narrativa que vai muito buscar aquela espiritualidade ancestral contida em crenças antigas que os povos latinos muito estimam preservar e que muitas vezes provoca alguma repulsa em quem as testemunha através de um olhar eminentemente empírico.

Em suma, Mujeres é um retrato musical vivo de tudo aquilo que Luz guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que é feita, sonoramente, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde ela reside. O maior exemplo deste receituário é Boca Llena, um dos grandes destaque do disco, uma canção cheia de groove e que conjuga o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz. Depois, na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de emoividade de My Death, uma canção doce, picante e caliente, na acusticidade minimal etérea de Real Talk, no festim pop da batida sintética e do efeito metálico de Cuatro Crazy, ou na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Lightning Storms, os Y La Bamba alargam quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo.

Intrigante exemplo sonoro de mescla de diversas culturas, num pacote seguro e familiar, Mujeres permite a Luz deixar mais uma vez vincada a sua naturalidade, personalidade e as influências americanas, mas sempre com um toque da personalidade mexicana. Nestas suas novas canções ela contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isenta de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si própria. De facto, esta vontade de conjugar o melhor da sonoridade de realidades tão díspares não é inédita, mas a forma inspirada como o demonstram, fazem dosY La Bamba uma referência atual, não só na pop, como na world music atual. Espero que aprecies a sugestão...

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01. My Death
02. Real Talk
03. Cuatro Crazy
04. Conocidos
05. Lightning Storms
06. Dieciséis
07. Boca Llena
08. Perder
09. Mujeres
10. Una Letra
11. Santa Sal
12. Bruja De Brujas
13. Follow Your Feet
14. De Lejos

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publicado por stipe07 às 13:21

Mimicking Birds – Layers Of Us

Quinta-feira, 28.06.18

Quase quatro anos depois do excelente Eons, os Mimicking Birds, de Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, estão de regresso com Layers Of Us, um trabalho editado no início deste ano através da Glacial Pace Records, estando disponivel para audição e aquisição na página bandcamp do projeto.

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O efeito da guitarra e os efeitos rugosos do tema que dá nome ao disco e a melodia cinematográfica que sustenta o tema, são detalhes únicos que, abrindo o disco, preparam-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nu, sem truques, no ritmo frenético e no clima rugoso de Another Time e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que divagam pela canção. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança norte americana deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas no outro lado do atlântico.

Layers Of Us é um trabalho que cresce audição após audição; Mesmo não estando na lniha da frente do processo de criação melódica, os sintetizadores conseguem conciliar a efervescência dos efeitos que debitam, com a indispensável dinâmica que constroem com as guitarras, um abraço instrumental que conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem expansivo e épico, mas também com uma intimidade muito própria e familiar.

Um dos aspetos mais interessantes de Layers Of Us é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração. Se a acusticidade orgânica de Island Shore não é beliscada pela eletrificação da guitarra, o baixo e a percussão também são elementos estruturalmente dominantes em várias canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em A Part e no rock de One Eyed Jack, à abordagem mais eletrónica de Great Wave, ou da mais ambiental Belongings, Layers Of Us está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Sunlight Daze e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite.

No epílogo de Layers Of Us percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Layers Of Us

01. Dust Layers
02. Another Time
03. Sunlight Daze
04. Island Shore
05. Great Wave
06. A Part
07. Belongings
08. Lumens
09. Time To Waste
10. One Eyed Jack

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publicado por stipe07 às 21:21

Typhoon – Offerings

Segunda-feira, 18.06.18

Foi no início deste ano que viu a luz do dia Offerings, o quarto álbum dos norte-americanos Typhoon, um coletivo de Portland, no Oregon, que faz parte do catálogo da Roll Call Records, tendo sido este o segundo disco do grupo com a chancela desta etiqueta. Registo conceptual, em quase setenta minutos de música Offerings disserta sobre a vida de um homem que está lentamente a perder a sua memória e oferece aos Typhoon o disco mais dinâmico, ambicioso e impressivo da carreira do projeto até à data.

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Offerings é um daqueles discos que requer tempo e paciência para ser absorvido e contemplado como merece, mas essa é uma tarefa recompensadora, não só porque nos permite conhecer composições sonoras impregnadas com um indie rock orquestral de elevada bitola qualitativa, mas também porque nos faz refletir sobre uma temática que muitas vezes temos receio de encarar de frente, mas com a qual poderemos ter, direta ou indiretamente, de lidar, mais cedo ou mais tarde.

Não é em vão que listen é a primeira palavra que se ouve no disco, com Wake a explicar-nos que a perca dessa faculdade, a audição, é dos eventos mais tristes que pode suceder nas nossas vidas e que, para que tal suceda, não é preciso que fiquemos surdos. Muitas vezes recusamo-nos a ouvir, mesmo que a nossa audição esteja, ainda, em excelente estado, como bem sabemos.

Kyle Morton, o vocalista da banda e responsável por grande parte da lírica das canções, é muito contundente no modo como aborda e crítica a nossa propensão humana para a seleção, já que preterimos muito, na relação com o próximo, aquilo que nos incomoda, dando geralmente primazia no aproveitamento que fazemos da relação, áquilo que podemos beneficiar com a mesma. E, de acordo com Kyle, num homem que está lentamente a perder a memória, essa dificuldade em destrincar o que realmente importa, quer no outro, quer no que nos preenche, é algo ainda mais premente, com cada uma das canções a representar diversos estados de alma que personificam diferentes estádios de degradação da capacidade de reconhecimento dessa personagem. Desse modo, Offerings confronta-nos com o nosso âmago e, por isso, torna-se, no imediato, algo repulsivo, mas os desafios que as suas quase duas mil e trezentas palavras nos colocam, as referências literárias que contém e que vão da filosofia à religião e o modo como nos seduz e convida à auto reflexão, faz dele um álbum extremamente cativante e ao qual acaba por ser difícil resistir.

Em suma, das guitarras efusivas de Chiaroscuro, até ao clima sonoro mais direto e intuitivo das cordas de Algernon, um excelente tema para nos elucidar acerca desta trama, passando pelas referências ao clássico cinemtatográfico de 1963 da autoria de Federico Fellini  ou como os arranjos de White Lighter catapultam o foco do som Typhoon para um experimentalismo psrticlarmente salutar, Offerings reforça a reputação que este projeto tem vindo a ganhar de ser um potencial candidato a tornar-se referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere. Mesmo nos momentos mais escuros e lo-fi, há paisagens com alguma luminosidade e cor, ideais para a personagem criada pela banda se esconder enquanto nos confrontamos com os seus dilemas. Nesses instantes ela encarna aquele sorriso que muitas vezes conseguimos vislumbrar num rosto que já não tem vida. Espero que apreces a sugestão...

Typhoon - Offerings

01. Wake
02. Rorschach
03. Empiricist
04. Algernon
05. Unusual
06. Beachtowel
07. Remember
08. Mansion
09. Coverings
10. Chiaroscuro
11. Darker
12. Bergeron
13. Ariadne
14. Sleep

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publicado por stipe07 às 21:48

Unknown Mortal Orchestra - Sex & Food

Terça-feira, 01.05.18

Três anos depois do excelente Multi-Love, os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielson e de Jake Portrait e Greg Rogove, instalados em Portland, no Oregon há já aguns anos, estão de regresso ao formato longa duração com Sex & Food, uma extraordinária compilação de doze canções que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contêm a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, reforçando de forma ainda mais comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda.

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Produzido pelo próprio Ruban Nielson, gravado entre Seoul (Coreia do Sul), Hanoi (Vietname), Reykjavik (Islândia), Cidade do México (México), Auckland (Nova Zelândia) e Portland (Estados Unidos), lançado com a chancela da Jagjaguwar e fortemente influenciado pela internet, Sex & Food além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, tão bem impressas na vibe escandalosamente urbana de Major League Chemicals, também ressuscita de novo uma das imagens de marca dos Unknown Mortal Orchestra e um dos terrenos onde se sentem mais à vontade, aquelas referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior, deliciosamente presentes no efeito da guitarra e no reverb vocal de Ministry Of Alienation. Mas não se pense que este é um disco unicamente revivalista; Aliás, um dos seus grandes atributos é o seu cariz futurista e inovador, sendo, claramente, um dos registos mais criativos e indutores de novas nuances dos últimos tempos, tendo em conta o universo sonoro em que se movimenta. O modo como o rugoso e inebriante efeito da guitarra de American Guilt é acompanhado pela bateria e pela distorção vocal, transportam-nos para um rock que entre uma psicadelia progressiva e o classicismo punk oferecem-nos uma abordagem ao género pouco vista e, logo depois, The Internet Of Love (That Way) acaba por nos facultar o mesmo vigor de inedetismo, desta vez olhando para uma improvável simbiose entre blues e R&B, com um resultado final bastante apelativo. E a seguir, na falsa acusticidade orgânica de Doomsday, na batida, no groove e na riqueza dos arranjos da Everyone Acts Crazy Nowadays e no travo lisérgico das variações rítmicas de How Many Zeros a banda volta a guinar constantemente e a pisar universos nostálgicos, mesmo que díspares, mas apresentando sempre um clima geral muito inovador e difícil de comparar com outros projetos atuais.

Ecletismo é também, por tudo isto, uma palavra de ordem em Sex & Food, que podia ser descrito de modo simplista e tremendamente redutor por uma abrangente mistura entre rock e eletrónica, mas o modo como esse ecletismo se define ao longo do registo contém uma multiplicidade quase infinita de detalhes e aspetos que o que importa realmente exaltar é, dentro de toda a salutar amálgama do alinhamento, o modo como Ruben idealizou o volume e a densidade instrumental das canções, todas assentes em ambientes díspares, tornando indisfarçável mais uma busca dos Unknown Mortal Orchestra de melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e assentes em texturas com uma grandiosidade controlada, que possam conter um forte apelo às pistas de dança, mas também servir de banda sonora para instantes de maior intimidade, sozinho ou a dois.

A conquistarem um número cada vez maior de adeptos devido a uma especificidade sonora cada vez mais aprimorada e criativa mas sem deixar de ser acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao quarto tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados de outra décadas , mas oferecendo aos ouvintes essa viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:12

STRFKR – Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2

Quinta-feira, 20.07.17

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Agora, alguns meses depois, o quarteto regressa à carga com uma série de compilações, das quais já se conhecem dois tomos, num total previsto de três. Refiro-me às Vault Vol., volumes de canções que nunca foram editadas pelos STRFKR, autênticas raridades, muitas delas salvas do primeiro computador pessoal já moribundo de Josh Hodges e que nunca foram escutadas por ninguém exterior ao círculo mais íntimo do grupo.

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Estas duas compilações já divulgadas dos STRFKR têm como maior atributo a possibilidade de nos permitir um olhar bastante impressivo e esclarecedor para o outro lado da cortina, acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só esparsos devaneios experimentais, até algumas composições que poderiam muito bem ter figurado num álbum dos STRFKR, é diverso e múltiplo o calibre qualitativo do material sonoro disponibilizado.

Não existe grande diferença estilística e conceptual entre os dois volumes já disponibilizados, o que justifica, por si só, a análise de ambos em simultâneo. E neste emaranhado de registos, muitos deles com menos de um minuto e com o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica, já que, objetivamente, alguns eram momentos de experimentação, libertação, ou de teste, quer melódico quer instrumental, não deixam de existir aqui algumas canções que merecem destaque. Assim, se os quarenta e quatro segundos bastante harmoniosos de Wasting Away ou os teclados planantes e a batida luminosa de Beat 8 têm potencial para servirem de suporte a uma canção mais longa, o indie rock lo fi e a atmosfera retro de Downer, assim como o cariz acessível, pop e radiante de Stoned 2 e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Sound Track, merecem destaque e ruidosa exaltação dentro de todo este agregado que irá, certamente, deixar inebriados os seguidores mais acérrimos dos STRFKR.

Enquanto não chega o terceiro capítulo desta curiosa saga, Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2 são suficientes para nos transportar para uma dimensão paralela, até porque os STRFKR gostam de nos levar até onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Vault Vol. 1

01. Long Time
02. Eyes In The Back Of Your Head
03. Just Like You
04. Basically
05. Prrrty
06. Keeps Us Together
07. Baby
08. Benine Redux
09. Make Into Something Nice
10. Only Humans
11. Anything At All
12. Rachel
13. Oh Darling
14. I Wanna Hear About That
15. Daylight
16. Boogie Woogie
17. Goofy Shit
18. Flyer
19. So Sexy
20. Gerl

STRFKR - Vault Vol. 2

01. Happy Summertime
02. Hanna
03. Fuck Off
04. Downer
05. Beginner Space
06. Late Again
07. Stoned
08. Queer Bot
09. Sound Track
10. Listen
11. Wasting Away
12. Waiting
13. Best I Ever Had
14. Snow Tires
15. Missing You
16. Laa Loo
17. Pine Tree Smell
18. Jesus Christ Baby
19. Intro Sexton
20. Whateverer
21. Beat 4
22. Beat 8
23. Purple and Black
24. Be Leave
25. Marionette

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publicado por stipe07 às 17:35

Portugal. The Man – Woodstock

Terça-feira, 18.07.17

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

Resultado de imagem para portugal. the man 2017

Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]

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publicado por stipe07 às 21:13






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