Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

Y La Bamba – Mujeres

O projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Mujeres, o quinto disco deste grupo sedeado em Portland e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre do projeto. Sucessor de Ojos Del Sol (2016), Mujeres foi gravado por Luz Elena Mendoza e Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, contando com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica.

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Luz Elena é a alma deste projeto Y La Bamba e Mujeres é uma viagem espiritual criada por esta cantora e compositora transcendente, que pretende retratar ao longo das catorze canções do alinhamento do registo o modo como a mulher é vista nos dias de hoje. Fá-lo convidando o ouvinte a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

Assim, o disco conta histórias simples e comuns sobre uma mexicana que se movimenta e tenta ser feliz numa América cada vez mais protecionista e conservadora, pelo menos no que concerne às opções políticas da liderança atual do país. O modo como a autora se refere aos verões da sua infância a escutar música tradicional mexicana e mariachis às escondias da família de imigrantes de fortes raízes católicas que a criou, enquanto tentava provar aos rapazes que era capaz de alinhar nas mesmas brincadeiras que eles, é apenas um dos muitos retratos que Luz nos convida a contemplar neste Mujeres.

Mujeres é, pois, também um olhar crítico, feito de modo bastante mpressionista, umas vezes cínico, outras optimista, já que as suas canções não receiam causar desconforto, através de uma narrativa que vai muito buscar aquela espiritualidade ancestral contida em crenças antigas que os povos latinos muito estimam preservar e que muitas vezes provoca alguma repulsa em quem as testemunha através de um olhar eminentemente empírico.

Em suma, Mujeres é um retrato musical vivo de tudo aquilo que Luz guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que é feita, sonoramente, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde ela reside. O maior exemplo deste receituário é Boca Llena, um dos grandes destaque do disco, uma canção cheia de groove e que conjuga o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz. Depois, na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de emoividade de My Death, uma canção doce, picante e caliente, na acusticidade minimal etérea de Real Talk, no festim pop da batida sintética e do efeito metálico de Cuatro Crazy, ou na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Lightning Storms, os Y La Bamba alargam quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo.

Intrigante exemplo sonoro de mescla de diversas culturas, num pacote seguro e familiar, Mujeres permite a Luz deixar mais uma vez vincada a sua naturalidade, personalidade e as influências americanas, mas sempre com um toque da personalidade mexicana. Nestas suas novas canções ela contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isenta de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si própria. De facto, esta vontade de conjugar o melhor da sonoridade de realidades tão díspares não é inédita, mas a forma inspirada como o demonstram, fazem dosY La Bamba uma referência atual, não só na pop, como na world music atual. Espero que aprecies a sugestão...

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01. My Death
02. Real Talk
03. Cuatro Crazy
04. Conocidos
05. Lightning Storms
06. Dieciséis
07. Boca Llena
08. Perder
09. Mujeres
10. Una Letra
11. Santa Sal
12. Bruja De Brujas
13. Follow Your Feet
14. De Lejos


autor stipe07 às 13:21
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Mimicking Birds – Layers Of Us

Quase quatro anos depois do excelente Eons, os Mimicking Birds, de Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, estão de regresso com Layers Of Us, um trabalho editado no início deste ano através da Glacial Pace Records, estando disponivel para audição e aquisição na página bandcamp do projeto.

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O efeito da guitarra e os efeitos rugosos do tema que dá nome ao disco e a melodia cinematográfica que sustenta o tema, são detalhes únicos que, abrindo o disco, preparam-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nu, sem truques, no ritmo frenético e no clima rugoso de Another Time e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que divagam pela canção. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança norte americana deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas no outro lado do atlântico.

Layers Of Us é um trabalho que cresce audição após audição; Mesmo não estando na lniha da frente do processo de criação melódica, os sintetizadores conseguem conciliar a efervescência dos efeitos que debitam, com a indispensável dinâmica que constroem com as guitarras, um abraço instrumental que conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem expansivo e épico, mas também com uma intimidade muito própria e familiar.

Um dos aspetos mais interessantes de Layers Of Us é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração. Se a acusticidade orgânica de Island Shore não é beliscada pela eletrificação da guitarra, o baixo e a percussão também são elementos estruturalmente dominantes em várias canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em A Part e no rock de One Eyed Jack, à abordagem mais eletrónica de Great Wave, ou da mais ambiental Belongings, Layers Of Us está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Sunlight Daze e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite.

No epílogo de Layers Of Us percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Layers Of Us

01. Dust Layers
02. Another Time
03. Sunlight Daze
04. Island Shore
05. Great Wave
06. A Part
07. Belongings
08. Lumens
09. Time To Waste
10. One Eyed Jack


autor stipe07 às 21:21
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Typhoon – Offerings

Foi no início deste ano que viu a luz do dia Offerings, o quarto álbum dos norte-americanos Typhoon, um coletivo de Portland, no Oregon, que faz parte do catálogo da Roll Call Records, tendo sido este o segundo disco do grupo com a chancela desta etiqueta. Registo conceptual, em quase setenta minutos de música Offerings disserta sobre a vida de um homem que está lentamente a perder a sua memória e oferece aos Typhoon o disco mais dinâmico, ambicioso e impressivo da carreira do projeto até à data.

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Offerings é um daqueles discos que requer tempo e paciência para ser absorvido e contemplado como merece, mas essa é uma tarefa recompensadora, não só porque nos permite conhecer composições sonoras impregnadas com um indie rock orquestral de elevada bitola qualitativa, mas também porque nos faz refletir sobre uma temática que muitas vezes temos receio de encarar de frente, mas com a qual poderemos ter, direta ou indiretamente, de lidar, mais cedo ou mais tarde.

Não é em vão que listen é a primeira palavra que se ouve no disco, com Wake a explicar-nos que a perca dessa faculdade, a audição, é dos eventos mais tristes que pode suceder nas nossas vidas e que, para que tal suceda, não é preciso que fiquemos surdos. Muitas vezes recusamo-nos a ouvir, mesmo que a nossa audição esteja, ainda, em excelente estado, como bem sabemos.

Kyle Morton, o vocalista da banda e responsável por grande parte da lírica das canções, é muito contundente no modo como aborda e crítica a nossa propensão humana para a seleção, já que preterimos muito, na relação com o próximo, aquilo que nos incomoda, dando geralmente primazia no aproveitamento que fazemos da relação, áquilo que podemos beneficiar com a mesma. E, de acordo com Kyle, num homem que está lentamente a perder a memória, essa dificuldade em destrincar o que realmente importa, quer no outro, quer no que nos preenche, é algo ainda mais premente, com cada uma das canções a representar diversos estados de alma que personificam diferentes estádios de degradação da capacidade de reconhecimento dessa personagem. Desse modo, Offerings confronta-nos com o nosso âmago e, por isso, torna-se, no imediato, algo repulsivo, mas os desafios que as suas quase duas mil e trezentas palavras nos colocam, as referências literárias que contém e que vão da filosofia à religião e o modo como nos seduz e convida à auto reflexão, faz dele um álbum extremamente cativante e ao qual acaba por ser difícil resistir.

Em suma, das guitarras efusivas de Chiaroscuro, até ao clima sonoro mais direto e intuitivo das cordas de Algernon, um excelente tema para nos elucidar acerca desta trama, passando pelas referências ao clássico cinemtatográfico de 1963 da autoria de Federico Fellini  ou como os arranjos de White Lighter catapultam o foco do som Typhoon para um experimentalismo psrticlarmente salutar, Offerings reforça a reputação que este projeto tem vindo a ganhar de ser um potencial candidato a tornar-se referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere. Mesmo nos momentos mais escuros e lo-fi, há paisagens com alguma luminosidade e cor, ideais para a personagem criada pela banda se esconder enquanto nos confrontamos com os seus dilemas. Nesses instantes ela encarna aquele sorriso que muitas vezes conseguimos vislumbrar num rosto que já não tem vida. Espero que apreces a sugestão...

Typhoon - Offerings

01. Wake
02. Rorschach
03. Empiricist
04. Algernon
05. Unusual
06. Beachtowel
07. Remember
08. Mansion
09. Coverings
10. Chiaroscuro
11. Darker
12. Bergeron
13. Ariadne
14. Sleep


autor stipe07 às 21:48
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Terça-feira, 1 de Maio de 2018

Unknown Mortal Orchestra - Sex & Food

Três anos depois do excelente Multi-Love, os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielson e de Jake Portrait e Greg Rogove, instalados em Portland, no Oregon há já aguns anos, estão de regresso ao formato longa duração com Sex & Food, uma extraordinária compilação de doze canções que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contêm a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, reforçando de forma ainda mais comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda.

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Produzido pelo próprio Ruban Nielson, gravado entre Seoul (Coreia do Sul), Hanoi (Vietname), Reykjavik (Islândia), Cidade do México (México), Auckland (Nova Zelândia) e Portland (Estados Unidos), lançado com a chancela da Jagjaguwar e fortemente influenciado pela internet, Sex & Food além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, tão bem impressas na vibe escandalosamente urbana de Major League Chemicals, também ressuscita de novo uma das imagens de marca dos Unknown Mortal Orchestra e um dos terrenos onde se sentem mais à vontade, aquelas referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior, deliciosamente presentes no efeito da guitarra e no reverb vocal de Ministry Of Alienation. Mas não se pense que este é um disco unicamente revivalista; Aliás, um dos seus grandes atributos é o seu cariz futurista e inovador, sendo, claramente, um dos registos mais criativos e indutores de novas nuances dos últimos tempos, tendo em conta o universo sonoro em que se movimenta. O modo como o rugoso e inebriante efeito da guitarra de American Guilt é acompanhado pela bateria e pela distorção vocal, transportam-nos para um rock que entre uma psicadelia progressiva e o classicismo punk oferecem-nos uma abordagem ao género pouco vista e, logo depois, The Internet Of Love (That Way) acaba por nos facultar o mesmo vigor de inedetismo, desta vez olhando para uma improvável simbiose entre blues e R&B, com um resultado final bastante apelativo. E a seguir, na falsa acusticidade orgânica de Doomsday, na batida, no groove e na riqueza dos arranjos da Everyone Acts Crazy Nowadays e no travo lisérgico das variações rítmicas de How Many Zeros a banda volta a guinar constantemente e a pisar universos nostálgicos, mesmo que díspares, mas apresentando sempre um clima geral muito inovador e difícil de comparar com outros projetos atuais.

Ecletismo é também, por tudo isto, uma palavra de ordem em Sex & Food, que podia ser descrito de modo simplista e tremendamente redutor por uma abrangente mistura entre rock e eletrónica, mas o modo como esse ecletismo se define ao longo do registo contém uma multiplicidade quase infinita de detalhes e aspetos que o que importa realmente exaltar é, dentro de toda a salutar amálgama do alinhamento, o modo como Ruben idealizou o volume e a densidade instrumental das canções, todas assentes em ambientes díspares, tornando indisfarçável mais uma busca dos Unknown Mortal Orchestra de melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e assentes em texturas com uma grandiosidade controlada, que possam conter um forte apelo às pistas de dança, mas também servir de banda sonora para instantes de maior intimidade, sozinho ou a dois.

A conquistarem um número cada vez maior de adeptos devido a uma especificidade sonora cada vez mais aprimorada e criativa mas sem deixar de ser acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao quarto tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados de outra décadas , mas oferecendo aos ouvintes essa viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

STRFKR – Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Agora, alguns meses depois, o quarteto regressa à carga com uma série de compilações, das quais já se conhecem dois tomos, num total previsto de três. Refiro-me às Vault Vol., volumes de canções que nunca foram editadas pelos STRFKR, autênticas raridades, muitas delas salvas do primeiro computador pessoal já moribundo de Josh Hodges e que nunca foram escutadas por ninguém exterior ao círculo mais íntimo do grupo.

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Estas duas compilações já divulgadas dos STRFKR têm como maior atributo a possibilidade de nos permitir um olhar bastante impressivo e esclarecedor para o outro lado da cortina, acerca do processo criativo de Hodges, enquanto compositor, ele que é a grande força motriz da banda. A partir daí, desde instantes que são apenas e só esparsos devaneios experimentais, até algumas composições que poderiam muito bem ter figurado num álbum dos STRFKR, é diverso e múltiplo o calibre qualitativo do material sonoro disponibilizado.

Não existe grande diferença estilística e conceptual entre os dois volumes já disponibilizados, o que justifica, por si só, a análise de ambos em simultâneo. E neste emaranhado de registos, muitos deles com menos de um minuto e com o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica, já que, objetivamente, alguns eram momentos de experimentação, libertação, ou de teste, quer melódico quer instrumental, não deixam de existir aqui algumas canções que merecem destaque. Assim, se os quarenta e quatro segundos bastante harmoniosos de Wasting Away ou os teclados planantes e a batida luminosa de Beat 8 têm potencial para servirem de suporte a uma canção mais longa, o indie rock lo fi e a atmosfera retro de Downer, assim como o cariz acessível, pop e radiante de Stoned 2 e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Sound Track, merecem destaque e ruidosa exaltação dentro de todo este agregado que irá, certamente, deixar inebriados os seguidores mais acérrimos dos STRFKR.

Enquanto não chega o terceiro capítulo desta curiosa saga, Vault Vol. 1 & Vault Vol. 2 são suficientes para nos transportar para uma dimensão paralela, até porque os STRFKR gostam de nos levar até onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Vault Vol. 1

01. Long Time
02. Eyes In The Back Of Your Head
03. Just Like You
04. Basically
05. Prrrty
06. Keeps Us Together
07. Baby
08. Benine Redux
09. Make Into Something Nice
10. Only Humans
11. Anything At All
12. Rachel
13. Oh Darling
14. I Wanna Hear About That
15. Daylight
16. Boogie Woogie
17. Goofy Shit
18. Flyer
19. So Sexy
20. Gerl

STRFKR - Vault Vol. 2

01. Happy Summertime
02. Hanna
03. Fuck Off
04. Downer
05. Beginner Space
06. Late Again
07. Stoned
08. Queer Bot
09. Sound Track
10. Listen
11. Wasting Away
12. Waiting
13. Best I Ever Had
14. Snow Tires
15. Missing You
16. Laa Loo
17. Pine Tree Smell
18. Jesus Christ Baby
19. Intro Sexton
20. Whateverer
21. Beat 4
22. Beat 8
23. Purple and Black
24. Be Leave
25. Marionette


autor stipe07 às 17:35
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Portugal. The Man – Woodstock

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso aos discos com Woodstock, um álbum que sucede ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo, juntamente com Mac Miller e John Hill. Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man mostram, assim, o oitavo registo de originais da carreira, um álbum baptizado quando o pai de John Gourley encontrou o bilhete que usou no primeiro dia do mítico festival Woodstock e o ofereceu ao filho. Aliás, o disco inicia com Number One, uma canção que homenageia o evento por usar samples de Freedom, o último tema que o falecido cantor Richie Havens tocou no concerto que deu nesse Woodstock.

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Ecletismo e abrangência são duas ideias chave de quase quarenta minutos de rock alternativo, um alinhamento que justifica a sua contemporaneidade pelo modo como abraça esse rock ao hip-hop, ao jazz, ao R&B e à eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo. Se em Evil Friends o grupo optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop, agora, no alinhamento de Woodstock, temos momentos em que muitas vezes duvidamos se o tema que inicia pertence ao mesmo álbum e banda da canção anterior. Bom exemplo disso é como o grupo passa do rock épico e algo sombrio de Live In The Moment para o funk do baixo e o clima psicadélico de Feel It Still, composição que faz-nos querer instantaneamente cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. E depois, do piscar do olhos virulento ao R&B em So Young, ao hip-hop em Mr. Lonely, tema onde intervém Fat Lip dos The Pharcyde e à pop de cariz mais lisérgico e experimental de Tidal Wave e, principalmente, na indulgência ambiental de Noise Pollution, tudo assenta, basicamente, em permissas que obedecem a um alinhamento instrumental preciso, mas também a um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente, numa espécie de manta de retalhos minuciosamente arquitetada e que não deixa também de demonstrar com precisão, a opção, em determinados períodos, por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Espero que aprecies a sugestão...

Portugal. The Man - Woodstock

01. Number One (Feat. Richie Havens And Son Little)
02. Easy Tiger
03. Live In The Moment
04. Feel It Still
05. Rich Friends
06. Keep On
07. So Young
08. Mr Lonely (Feat. Fat Lip)
09. Tidal Wave
10. Noise Pollution (Feat. Mary Elizabeth Winstead And Zoe Manville) [Version A, Vocal Up Mix 1.3]


autor stipe07 às 21:13
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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

Portugal. The Man – Feel It Still

Portugal. The Man - Feel It Still

Os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley preparam-se para regressar aos discos em 2017 com Gloomin + Doomin, um álbum que irá suceder ao aclamado Evil Friends (2013) e que conta com as colaborações de Mike D dos Beastie Boys, que também produz o registo e Mac Miller.

Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man vão, assim, para o oitavo registo de originais da carreira e pela amostra recentemente divulgada, o single Feel It Still, o seu alinhamento comprovará, mais uma vez, porque são considerados unanimemente um nome relevante no universo alternativo, justificada por uma permanente toada experimental e ausência de linearidade instrumental nos seus sucessivos lançamentos. O funk do baixo e o clima psicadélico deste single, fazem-nos querer instantaneamente pegar nele e cantar e dançar juntamente com Gourley pela rua abaixo Ooo, I’m a rebel just for kicks now, I’ve been feelin’ it since 1986 now. Confere...


autor stipe07 às 17:29
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

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Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

The High Violets – Heroes And Halos

Oriundos de Portland, no Oregon e nascidos das cinzas dos míticos The Bella Low, os norte americanos The High Violets são um quarteto formado por Clint Sargent, Kaitlyn ni Donovan, Luke Strahota e Colin Sheridan. Editaram já este ano Heroes And Halos, o quinto registo do grupo, uma coleção de dez canções que da pop ao shoegaze, passando pelo rock experimental, viram a luz do dia à boleia da Saint Marie Records.

É num indisfarçável cruzamento explícito entre esplendor, majestosidade, epicidade e intimidade que deambulam as guitarras planantes de How I Love (Everything About You), canção que abre o alinhamento de Heroes And Halos e nos coloca frente a frente com um rock adocicado, intenso e convidativo, uma sonoridade que tanto cabe na amplitude de um estádio imenso como, em simultâneo, e se percebe nas cordas de Dum Dum, serve para uma introspeção serena, com Long Last Night a ser uma daquelas canções que crescem em arrojo e emoção, mostrando-se desafiante no modo como nos envolve.

Depois, o groove algo sinistro de Longitude, o beijo intenso que nos é proporcionado por Ease On e finalmente, no epílogo, a crueza acústica orgânica mas sentida de Heart In Our Throats, atestam o elevado grau de assertividade melódica e instrumental de uma banda intensa e que compôe música de forte cariz sensorial, já que sabe carregar nos botões certos das nossas emoções, oferecendo-nos um disco perfeito para ser escutado naquelas manhãs difíceis, em que a noite foi longa e agitada, mas onde existe um sopro que nos permite voltar a respirar com o ritmo e a cadência certas, para ser possível olhar o novo dia com uma renovada pujança e a certeza de que os mesmos podem ser sempre cada vez melhores. Espero que aprecies a sugestão...

The High Violets - Heroes And Halos

01. How I Love (Everything About You)
02. Dum Dum
03. Long Last Night
04. Break A Heart
05. Bells
06. Heroes And Halos
07. Longitude
08. Ease On
09. Comfort In Light
10. Hearts In Our Throats

 


autor stipe07 às 21:50
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

Cemeteries – Barrow

Lançado no passado dia vinte e oito de julho pelo consórcio Track and Field / Snowbeast Records, Barrow é o segundo disco do cardápio sonoro de Cemeteries, um projeto liderado por Kyle J. Reigle. Falo-vos de um músico norte americano natural de Buffalo, nos arredores de Nova Iorque, mas a viver atualmente em Portland e ao qual se juntam, nas atuações ao vivo, Jonathan Ioviero e Kate Davis.

Barrow é reflexo não só da referida mudança recente na vida pessoal do artista, a passagem de uma grande metrópole da costa leste para as montanhas do Oregon, mas também um reviver de memórias antigas relacionadas com verões felizes que Kyle passou junto a um lago próximo do local onde residia à época, mas também uma forma que encontrou de demonstrar o seu fascínio por The Fog, um clássico do cinema da autoria de John Carpenter.

O mar sempre foi sinónimo de imensidão, poder, vida e grandiosidade e começar e terminar um disco com o conteúdo de Borrow com o som do contacto de um imenso oceano com a costa é uma forma perfeita de balizar nove canções ousadas no modo como conjugam texturas claramente etéreas com belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes, uma receita que resultou em doces melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

O piano parece ser o aliado de eleição de Cemeteries quando se trata de criar a base melódica das suas canções e o single Luna (Moon Of Claiming) é uma demonstração clara do modo assertivo como Kyle usa as teclas para emocionar. Mas já antes, em Nightjar e pouco depois, em Cicada Howl, quando um apenas aparente minimalismo tornou-se na principal arma de arremesso do músico nessas duas canções, na demanda a que se propôs de nos obrigar a acusar o toque do seu ambiente sonoro no recanto mais escondido do nosso peito, foi óbvio que o simples toque na tecla certa e no instante oportuno, conjugado com arranjos felizes na forma como fazem vibrar o coração mais empedrenido, tornou-se suficiente para nos oferecer uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto à sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi que carateriza o conteudo de Barrow. Esta evidência desarma completamente Cemeteries e além de embrulhar o seu mentor numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, despe-o de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que o poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que o carateriza e que justifica, plenamente, a obtenção plena do referencial temático acima descrito que caraterizou a conceção deste seu segundo trabalho.

Na verdade, algo que impressiona claramente em Barrow é o modo como as canções seguem a sua dinâmica natural e mesmo assumindo aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, não deixam de, em alguns instantes, de se assumir como defensoras de um álbum implicitamente rock, onde até não faltam alguns instantes esculpidos com cordas ligas à eletricidade. Mas, como se percebe, por exemplo, em I Will Run From You, apesar da distorção das cordas, o que domina claramente neste alinhamento são canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Seja como for, há também que aludir à importância da percussão como elemento igualmente preponderante na música de Cemeteries, principalmente quando se alia às cordas para ditar as regras no andamento de uma canção. Se a grandiosidade de Sodus depende quase única e exclusivamente das mudanças rítmicas da bateria e do encadeamento feliz que a guitarra traça com as baquetas e os tambores, já as batidas sintéticas de Empty Camps acomodam uma espécie de euforia apoteótica, que não se vê, mas que ecoa ao longo da canção, como um manto que a cobre, mesmo que de forma quase inaudível, numa espécie de silêncio que, ao contrário da maior parte dos silêncios, é um silêncio que se escuta e que sem esse pulsar rítmico não existiria.

Barrow é um notório marco de experimentação, terra firme onde nos podemos acomodar e contemplar um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada das paisagens que Reigle pretendeu recriar e que submergem à boleia de uma fórmula inventada para temporizar, adicionar e remover diferentes tipos de sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários detalhes sonoros, peças sonoras sólidas particularmente ousadas e inebriantes. Espero que aprecies a sugestão...

Cemeteries - Barrow

01. Procession
02. Nightjar
03. Luna (Moon Of Claiming)
04. Can You Hear Them Sing?
05. Cicada Howl
06. I Will Run From You
07. Empty Camps
08. Sodus
09. Our False Fire On Shore


autor stipe07 às 15:14
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sábado, 6 de Setembro de 2014

Dana Buoy - Preacher EP

9Dana Buoy - "Everywhere" (Fleetwood Mac Cover)

Baterista dos Akron/Family Dana Janssen é também Dana Buoy, o nome artístico através do qual publica a sua própria música. O seu mais recente registo discográfico chama-se Preacher, uma coleção de cinco canções, onde se inclui uma cover de Everywhere, um clássico dos Fleetwood Mac, que faz parte do alinhamento de Tango In The Night, o disco que essa banda editou em mil novecentos e oitenta e sete.

Preacher assenta no clássico indie rock contemporâneo feito com encantadores teclados, uma percurssão geralmente subtil, mas transversal ao EP e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar, assim como arranjos que muitas vezes incluem sons orgânicos e da natureza e um jogo de vozes quente e intimista.

Os pássaros que chilream no início de Isla Mujeres são apenas um pequeno detalhe, mas define com um certo charme a elevada bitola qualitativa de cinco canções que, apesar do pendor épico e festivo, não transpiram pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica.

Um dos destaques deste trabalho é, quanto a mim, It's Alright, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e um sintetizador que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade da voz. Já Let's Star A War destaca-se pelos pequenos toques no tambor e um teclado profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

Dana Buoy deitou-se numa nuvem feita com a melhor synthpop atual e operou um pequeno milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada, sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Em suma, Preacher é um belíssimo EP, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 16:04
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

Wooden Shjips - Back to Land

Editado no passado dia onze de novembro pela Thrill Jockey, Back To Land é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. Back To Land sucede a West, o aclamado disco dos Wooden Shjips editado em 2011 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson,um musico que em 2012 se dedicou ao seu outro projeto; Falo dos Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin.

Hoje é um bom dia para escrever sobre este novo disco dos Wooden Shjips já que aterrou na caixa de correio cá de casa Hobo Rocket, o brilhante quinto disco dos Pond e que rapidamente devorei. A escolha de Back To Land nos rascunhos do blogue para disco do dia alvo de crítica acabou por ser uma escolha óbvia, já que ainda estou um pouco fora do meu estado de consciência normal e me matenho sobre o efeito soporífero das sete canções que ouvi da banda natural de Perth, na Austrália, liderada por Nick Allbroo, um antigo membro dos Tame Impala e que ainda inclui no quadro de músicos Jay Watson e Cam Avery, que fazem parte da formação atual da banda liderada por Kevin Parker.

Back To Land é a segunda parte desta trip diária de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria; Como convém a um coletivo que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, que nos levam numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

O disco abre com a sequência Back To LandRuins e Ghouls e a partir daí começamos uma espécie de road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça enquanto os riffs de guitarra proporcionam um leve sorriso no rosto. Se o tema homónimo é perfeito para apresentar a sonoridade do disco, Ruins impressiona pelo baixo sufocante e Ghouls pela percurssão inebriante.

A partir daí, seja através da altivez de Other Stars ou da rockabilly In The Roses, há um colorir constante de um estado de letargia que nos inunda através de canções hipnóticas, com uma dimensão espacial e onde predominam os sons orgânicos, mais consoentâneos com o estado do Oregon, onde a dupla gravou o álbum. A viola acústica é um instrumento fundamental do prrocesso de construção melódica deste álbum, mas sem fazer com que se perca o norte da componente psicadélica.

Back To Land deverá ser vital para que os Wooden Shjps conquistem o seu próprio território dentro do universo sonoro em que se apresentam e dá-lhes a possibilidade de terem um cardápio sonoro que lhes permite, na minha opinião, combater com as mesmas armas, não só com os Tame Impala e os Pond, mas também com outras bandas do género, por exemplo os Jagwar Ma ou os MGMT e os próprios Unknown Mortal Orchestra, pela primazia no cenário musical indie, shoegaze e psicadélico atual. Espero que aprecies a sugestão...

Back to Land
Ruins
Ghouls
These Shadows
In the Roses
Other Stars
Servants
Everybody Knows


autor stipe07 às 20:48
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Terça-feira, 9 de Julho de 2013

Radiation City - Animals in the Median

Lançado pela Tender Loving Empire no passado dia vinte e um de maio, Animals in The Median é o mais recente e segundo disco dos Radiation City, uma banda norte americana natural de Portland, no Oregon e formada por Cameron Spies, Elisabeth Ellison, Randy Bemrose, Matt Rafferty e Patti King. Entretanto, o single Foreign Bodies está disponível para download na Rolling Stone. Os Radiation City surgiram em 2009 devido ao relacionamento afetivo dos dois fundadores a quem se juntaram, pouco tempo depois, um outro casal de músicos e um multi-instrumentista. The Hands That Take You, o disco de estreia, o EP Cool Nightmare que se seguiu em 2011 e os concertos de promoção desses trabalhos deram rapidamente ao grupo uma excelente reputação e fizeram com que Animals In The Median estivesse a ser aguardado com alguma expetativa.

 

Antes de mais importa referir que Animals in the Median é um daqueles discos que não podes deixar de ouvir. As doze músicas são cantadas por Cameron e Elisabeth, sempre com a companhia animada dos outros três elementos. As canções são algo sofisticadas porque têm a típica sonoridade indie pop alegre e extrovertida, apesar de falarem muito da morte (Zombies), de amores perdidos e de traições, o que lhes confere uma certa aura nostálgica. Essa espécie de viagem ao passado também é audível na nebulosa e excitante Wash of Noise, nas nuvens cinzentas de Lark e na melancolia refinada feita com sons de grilos e coaxares de sapos que se escutam em Call Me. O grupo diz que as suas canções falam de corações que não perdem a esperança em dias melhores num mundo cada vez mais perigoso.
Há um apreciável ritmo em muitas canções, com influências da própria bossa nova e alguns tiques e lampejos típicos da eletrónica. Parece-me bastante plausível que os Radiation City ouçam alguns ícones da música brasileira como João Gilberto e Tom Jobim, assim como os Beatles na sua fase mais psicadélica (Buckminsterfullerene), apesar de citarem Dusty Springfield e até os The Flaming Lips e os Stereolab como influências declaradas. Acaba por ser interessante escutar o disco e apreender os diferentes universos sonoros que as canções procuram replicar, ouvir tudo isso em conjunto e assim, perceber o processo de criação dos Radiation City, que escreveram e arranjaram todas as canções em conjunto, durante um ano, entre Washington e Portland.
Animals In The Median impressiona pela excelência alcançada tanto lirica como instrumentalmente e melhora a cada audição. É um disco muito pouco convencional, leve, ideal para esta altura do ano, que flui naturalmente e permanece facilmente na nossa mente durante um longo período de tempo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Zombies
02. So Long
03. Wash Of Noise
04. Food
05. Foreign Bodies
06. Wary Eyes
07. LA Beach
08. Entropia
09. Buckminsterfullerene
10. Summer Rain
11. Lark
12. Call Me


autor stipe07 às 13:09
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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013

Portugal. The Man – Evil Friends

Naturais de Portland, no Oregon, os norte americanos Portugal. The Man lançaram a quatro de junho Evil Friends, aquele que é já o sétimo registo de originais da carreira da banda, tendo o álbum visto a luz do dia por intermédio da Atlantic records. Conhecidos por serem um nome relevante no universo alternativo devido à permanente toada experimental e ausência de linearidade instrumental nos sucessivos lançamentos, esta banda liderada por John Baldwin Gourley prossegue em Evil Friends a sua cruzada de construir uma discografia que seja um catálogo vivo das mais variadas e inusitadas experimentações sonoras.

Os Portugal. The Man têm sido bastante profícuos no processo de criação musical, já que ultimamente têm lançado discos com uma regularidade interessante e pouco comum; Em The Satanic Satanist (2009), brincaram com a psicadelia pop e um ano antes tinham andado às voltas com o art rock em Censored Colors (2008). Em 2010 a eletrónica foi um elmento preponderante em American Ghetto e todos estes trabalhos anteriores a Evil Friends, acabaram por alargar e assentar a rede de influências do grupo que se tornou naturalmente muito querido de um público específico, mas que não conseguiu, ainda, abarcar uma teia mais numerosa de seguidores e admiradores do cardápio sonoro da banda.

Evil Friends talvez tenha sido construído com esse firme propósito e pode muito bem vir a ser o álbum que irá colocar este coletivo definitivamente na primeira divisão do cenário musical índie e alternativo. Neste, como já disse, sétimo disco, o grupo de Portland, optou por um maior conservadorismo e por deixar de lado a vertente mais experimental para se concentrar num emaranhado de canções pop. De Plastic Soldiers, até à colorida Smile, cada canção é preenchida com refrões carregados de vozes felizes, assente num alinhamento instrumental preciso e um completo desapego relativamente a tudo o que a banda propôs anteriormente.

Assim, Evil Friends poderá soar como algo fantástico para quem não conhece em pormenor a discografia dos Portugal. The Man e ser uma tremenda desilusão para aquele nicho que ao longo do tempo aprendeu a apreciar a aparente indecisão sonorda do grupo e admirava a forma como eles iam explorando com alguma mestria, diga-se, diferentes territórios sonoros. A escolha de Purple Yellow Red and Blue para single, uma canção que, por exemplo, nos remete para qualquer outra música dos Foster The People, não terá sido inocente já que é um tema algo incaraterístico no percurso sonoro do grupo e demonstra com precisão a tal opção por sonoridades mais fáceis, comerciais e acessíveis ao grande público. Outros dois temas que escapam ao passado do grupo são Hip Hop Kids e Atomic Man, canções que poderia muito bem estar no alinhamento de um disco dos MGMT.

Produzido por Danger Mouse, até neste campo específico do trabalho de tratamento e execução de um álbum houve, em Evil Friends, um cuidado na escolha, tendo a opção recaído num nome consensual do universo pop e que tem tido bons resultados comerciais nos discos onde se intromete. A envolvência do produtor no resultado final é tão intensa que todos aqueles que forem conhecedores profundos dos trabalhos que ele produziu, identificarão facilmente alguns detalhes sonoros típicos de outros artistas que já produziu.

Evil Friends é um marco importante na carreira dos Portugal. The Man já que poderá vir a ser o ponto definitivo de viragem para uma banda que talvez tenha perdido um pouco a paciência a experimentar e com isso tirado poucos dividendos, mesmo económicos, do seu percurso musical, e queira tornar-se definitivamente mais acessível à multidão e disponível para o airplay fácil. Ou então este sétimo trabalho não deixa de ser mais um capítulo nos habituais devaneios experimentais dos Portugal. The Man e, desta vez, o segredo esteve exatamente na ausência do risco e na aposta pela luminosidade pop simples e direta, estando no futuro reservado um novo regresso ao laboratório onde a banda costuma misturar diferentes géneros e tendências, geralmente, na minha opinião, com elevado grau de criatividade e bom gosto. O disco foi disponibilizado para audição pela banda. Espero que aprecies a sugestão...

01. Plastic Soldiers
02. Creep In A T-Shirt
03. Evil Friends
04. Modern Jesus
05. Hip Hop Kids
06. Atomic Man
07. Sea Of Air
08. Waves
09. Holy Roller (Hallelujah)
10. Someday Believers
11. Purple Yellow Red And Blue
12. Smile


autor stipe07 às 16:18
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

STRFKR - Miracle Mile

Os STRFKR (Starfucker) são uma banda norte americana de Portland, no Oregon, formada por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Conforme anunciei no Curtas... LXXVI, Miracle Mile é o último disco da banda, lançado no passado dia dezanove de fevereiro pela Polyvinyl Records.

Os STRFKR (Starfucker), antigos Pyramids, sempre foram uma banda de grandes melodias, letras aditivas e uma sonoridade impecável. Isso é bem evidente ao longo de toda a discografia deste coletivo, disponível para audição gratuita e integral no sitio da editora e com um conteúdo assente em sintetizadores e numa voz peculiar e bem enquadrada. Tem sido assim desde o surgimento do grupo, em 2007, marca que se repete no homónimo lançado em 2008 e no Reptilians de 2011. Após meia dúzia de anos, este era o momento certo para o grupo arriscar um pouco mais, o que aconteceu neste Miracle Mile, o álbum mais coerente e com melhor estratégia musical do grupo.

Em canções como Julius, Florida e mesmo na versão do clássico Girls Just Want To Have Fun de Cyndi Lauper, o novo álbum deixa os teclados fluírem de forma suave e muito encantadora. De mãos dadas com a pop durante toda a audição, este novo disco deixa de lado uma aúrea algo cinzenta que pairava nos outros discos e, tal como a capa colorida de Miracle Mile, os STRFKR operam um pequeno milagre sonoro e tornam-se mais expansivos e luminosos, com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar. E o mais interessante é que conseguem fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam a tal coerência e acerto na estratégia musical.

Em Miracle Mile há menos pressa e menos sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e as aproximações com a eletrónica, que sempre fizeram parte do ADN dos STRFKR, agora abrem espaço para uma simbiose entre a indie pop da década passada e a folk confortável da década de noventa. Basta contactarmos com o cenário mágico de Say To You ou o clima nostálgico de Fortune’s Fool para ficarmos plenamente convencidos que Miracle Mile é um belíssimo álbum, com um desempenho formidável, ao nível instrumental e da voz e que apesar de faltarem mais canções com um cariz tão comercial como a primeira, não é difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo.

De Toro Y Moi a Foster The People, passando pela synthpop de Leave It All Behind, um tema que passeia pela década de oitenta sem colocar de lado a música pop mais recente, nomeadamente os Passion Pit do álbum Gossamer ou os Ra Ra Riot no recente Beta Love, estamos na presença de uma obra com um conteúdo grandioso e experimentações que interagem com a pop convencional. Em suma, um tratado musical leve e cuidado e que encanta. Espero que aprecies a sugestão...

01. While I’m Alive
02. Sazed
03. Malmö
04. Beach Monster
05. Isea
06. YA YA YA
07. Fortune’s Fool
08. Kahlil Gibran
09. Say to You
10. Atlantis
11. Leave It All Behind
12. I Don’t Want to See
13. Last Words
14. Golden Light
15. Nite Rite


autor stipe07 às 21:57
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Jason Lytle - Dept. Of Disappearance

Quem acompanha o universo musical indie e aternativo certamente recorda-se dos Grandaddy, uma banda norte americana, que fez furor entre 1992 e 2005. Jason Lytle é o músico sensacional que cantava nesse grupo oriundo da California, além de tocar guitarra e teclados. Depois do fim dos Grandaddy, Jason Lytle mudou-se da Califórnia para Montana e aventurou-se numa carreira a solo, onde compõe e produz. Dept. Of Disappearance sucede a Yours Truly, The Commuter (2009) e é o segundo álbum dessa sua solitária aventura musical, tendo visto a luz do dia no início do passado mês de outubro, através da Anti.

Ultimamente muito comparado a James Murphy, pela postura, talento e coerência, talvez por umas imprensa que precisa urgentemente de alguém que preencha uma espaço que entretanto ficou vazio, Jason Lytle sabe fazer canções que vagueiam por texturas sintetizadas e outras mais orgânicas. As primeiras devem-se ao talento com que manuseia os teclados e o cariz orgânico ao gosto que sempre demonstrou por reproduzir alguns conteúdos da indie e do surf rock. Assim, Dept of Disappearance, é um disco bastante intimista e, de certa forma, o retrato de alguém que compôe sem grande preocupações de índole comercial. Existe uma alternância entre momentos melancólicos e outros mais iluminados, sem nunca se ouvir nada de demasiado eufórico, ou especialmente perturbador. Há um ambiente outonal no álbum que resulta desse equilíbrio e de um consciente low profile entre baladas quase acústicas e outras um pouco mais animadas e upbeat e pequenas intervenções eletrónicas que se misturam com a voz de Lytle.

Numa definição ligeira, pode dizer-se que Dept. of Disappearance é uma versão moderna e melhorada do melhor soft rock dos anos setenta. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dept. Of Disappearance
02. Matterhorn
03. Young Saints
04. Hangtown
05. Get Up And Go
06. Last Problem Of The Alps
07. Willow Wand Willow Wand
08. Somewhere There’s A Someone
09. Chopin Drives Truck To The Dump
10. Your Final Setting Sun
11. Gimme Click Gimme Grid


autor stipe07 às 21:08
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Sábado, 13 de Outubro de 2012

The Helio Sequence – Negotiations

Os norte americanos do Oregon The Helio Sequence editaram no passado dia onze de setembro Negotiations, o quinto álbum desta dupla formada por Brandon Summers e Benjamim Weikel, através da Sub Pop Records. Negotiations pode ser escutado, na íntegra, no soundcloud da editora e em Man On The Moon e sucede a Keep Your Eyes Ahead, disco de 2008.

Em agosto, na edição Curtas... XLVI  tinha divulgado a excelente Hall Of Mirrors, para mim a melhor canção de Negotiations, sendo October o outro single já retirado do álbum.

Nas entrevistas que a banda tem dado de promoção a Negotiations, referem com alguma insistência ter sido a natureza o principal elemento inspirador destas novas canções. E no sentido mais lato do termo, a natureza é tudo aquilo que nos rodeia, sendo evidente uma forte sensação de espaço e de abertura na sonoridade bastante amplificada e épica de grande parte das canções, preenchidas com uma míriade de instrumentos que só elevam a estima por uma banda com apenas uma dupla na sua composição e que raramente utiliza outros músicos convidados.

Torna-se impressionante perceber a quantidade de sons que Brandon e Weikel colocam em cada composição, sendo um dos truques a programação, por parte de Weikel, de sintetizadores conjugados pela bateria. Depois, as guitarras estridentes de Brandon tratam do resto.

Negotiations é um álbum forte e convidativo, etéreo, como já referi e quente. Espero que aprecies a sugestão...

The Helio Sequence - Negotiations

01. One More Time
02. October
03. Downward Spiral
04. The Measure
05. Hall Of Mirrors
06. Harvester Of Souls
07. Open Letter
08. When The Shadow Falls
09. Silence On Silence
10. December
11. Negotiations

The Helio Sequence - Negotiations by subpop


autor stipe07 às 21:30
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