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Jaguar Sun – This Empty Town

Quinta-feira, 30.07.20

Chega de Ontário, no Canadá, This Empty Town, o disco de estreia de Jaguar Sun, um projeto a solo encabeçado pelo multi-instrumentista Chris Minielly,  músico que navega nas águas serenas de uma indie pop apimentada por paisagens ilidíacas em que é ténue a fronteira entre o orgânico e o sintético e onde uma forte componente experimental, livre de constrangimentos e até de rótulos específicos, dita de modo implacável a sua lei, no momento de compôr e criar canções que parecem passear pelo mundo dos sonhos, neste caso aqueles que se formam no espaço sideral.

Album Review & Interview: Jaguar Sun - "This Empty Town" - Lost In Groove

Não é preciso escutar This Empty Town muitas vezes para se perceber que Chris Minielly tem o dom de conseguir transmitir boas vibrações. Aliás, há nele uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. A bolha sonora que idealizou para esta inspirada estreia, já que o alinhamento do disco é bastante homogéneo e fluído, abastecendo-se ora de cordas com elevado grau de acusticidade, ora de elementos sintetizados, contém elevada cosmicidade e lisergia e nela, rock lo fi e eletrónica conjuram entre si, num misto de nostalgia e contemporaneidade.

Logo a abrir o registo, o esplendor solarengo e nostálgico de Red dá-nos, no imediato, no efeito do sintetizador que plana pela melodia, na batida inebriante e numa guitarra encadeante, a possibilidade de obtermos um olhar bastante impressivo e esclarecedor acerca do processo criativo de Minielly, enquanto compositor. A partir daí, desde instantes que parecem ser apenas devaneios experimentais, mas que se mostram muito bem sucedidos, intrincados e elaborados, como o singelo tema homónimo ou a espiritual Grey Skies, dois belíssimos exercícios de acusticidade lisérgica, até algumas composições em que o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica se transformam em instantes de pura levitação soul, como é o caso da retro Those Days, da inflamante Time e da épica Next Year, o que não falta neste alinhamento são temas notáveis e extremamente belos, impregnados com letras de forte cariz introspetivo, num resultado final algo hipnótico, muito também por causa da vibrante e calorosa atmosfera que se cria em redor de uma estreia aboslutamente imperdível para todos os amantes da melhor indie pop atual. Espero que aprecies a sugestão...

Jaguar Sun - This Empty Town

01. Red
02. Keep You Warm
03. Time
04. Messed Up
05. Those Days
06. Grey Skies
07. This Empty Town
08. Next Year

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publicado por stipe07 às 14:45

Paper Beat Scissors – Parallel Line

Quarta-feira, 18.09.19

Pouco mais de dois anos depois do excelente EP All We Know, o vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree, está de regresso com o seu alter ego Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá. Parallel Line é o título do novo álbum deste músico e contém onze canções misturadas pelos conceituados Sandro Perri e Dean Nelson, masterizadas por Andy Magoffin e produzidas pelo próprio Tim Crabtree.

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Terceiro longa duração do projeto Paper Beat Scissors e gravado, à semelhança dos antecessores, na zona rural de Ontario, Parallel Line mergulha de modo ainda mais penetrante e realista do que os trabalhos antecessores numa folk que não deixa ninguém indiferente e que delicia pelo modo exímio como utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. 

Se logo na acusticidade de Gun Shy percebemos que há aqui um charme incomum e que é viciante porque nos embala e paralisa, é na soul da guitarra de All It Was e no vasto emaranhado de interseções instrumentais que se estabelecem com as cordas nesse tema, que se percebe o nível mais apurado, maduro e coerente do cardápio atual de Paper Beat Scissors. De facto, ao terceiro trabalho Crabtree prova ter dado um salto qualitativo enorme no que concerne à sua capacidade de criar e recriar emoções e sentimentos, geralmente algo tristes e depressivos, sem nos trespassar a alma ou nos fazer sentir dor. Assim, se impressiona mais do que nunca a perceção de que é imensamente apurada a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor, move-nos o desejo da audição contínua deste alinhamento de canções, a certeza de que são um bálsamo retemperador sempre que as temos por perto, em especial nos instantes da nossa existência em que precisamos de usufruir de um certo isolamento e tranquilidade que nos façam refletir e decidir novas opções e caminhos.

De facto, na toada mais vibrante e pulsante de Don't Mind, um tema sobre o destino e a pouca importância que as pedras que se atravessam no nosso caminho poderão ter quando estamos certo da rota que queremos trilhar, é evidente que ficamos ainda mais absorvidos por esta estética delicada, mas também plena de personalidade, cor e harmonia, mas também acabamos por, inconscientemente, ganhar ânimo para as batalhas futuras e os dilemas que carecem de mais ou menos urgente resolução.

Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar, mas também de nos converter a uma causa muito sua e que vive da visão poética de que as tesouras representam a agressão dos fantasmas do passado que muitas vezes insistem em se manter acoplados e o papel aquela tela branca que se disponibiliza a receber os nossos recomeços e expetativas. No fim, neste processo de passagem, a delicadeza e a candura acabam por vencer a agressividade e a rispidez, com estas canções a servirem de banda sonora exemplar durante este salto fraticida. Espero que aprecies a sugestão...

Paper Beat Scissors - Parallel Line

01. Respire
02. Gun Shy
03. All It Was
04. Don’t Mind
05. Grace
06. Anything
07. All We Know
08. Shapes
09. Better
10. Half Awake
11. Little Sun

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publicado por stipe07 às 15:43

Scott Orr – Stay Awake On The Phone

Quarta-feira, 01.05.19

Scott Orr - Stay Awake On The Phone

Pouco mais de meio ano depois do lançamento de Worried Mind, um disco que já teve sequência há algumas semans com um outro registo inteiramente instrumental com o mesmo nome, Scott Orr surpreende-nos no final de abril com Stay Awake On The Phone, uma nova composição do artista canadiano e que é apresentada como b side desse álbum.

Stay Awake On The Phone é uma lindíssima canção, com um inconfundível travo pop, conduzida por um sintetizador bastente pueril e melancólico e com uma subtileza muito própria e contagiante. São pouco mais de quatro minutos onde a toada instrumental se entrelaça com o charme inconfundível da voz do autor, um lançamento disponível gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor e que tem a chancela da editora independente canadiana Other Songs Music Co., uma etiqueta indie independente de Hamilton no Ontário, terra natal deste extraordinário músico e compositor. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:25

Scott Orr – Worried Mind

Quarta-feira, 24.10.18

Pouco mais de dois anos depois do excelente registo Everything, o canadiano Scott Orr está de regresso aos lançamentos discográficos com Worried Mind, nove canções que viram a luz dia à boleia da Other Songs, uma etiqueta canadiana indie independente de Hamilton no Ontário, terra natal deste extraordinário músico e compositor.

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O modo virtuoso como Orr consegue expôr-se e colocar-nos na primeira fila do exemplar exercício de catarse que é Worried Mind, fica logo plasmado em Sunburned canção agridoce que abre com cândura, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras das cordas, acústicas e delicadamente eletrificadas, fazendo-o com uma tonalidade única e uma capacidade incomum, possível porque este músico é exímio no seu manuseamento e no modo como dele se serve para transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, como referi anteriormente, mas com um inconfundível travo pop a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Orr é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a àspera Fall Apart ou a delicada Halfway, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em A Memory e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional The Sound. Mesmo quando Scott Orr comete o pecado da gula e se liga um pouco mais à luminosidade em Seasons, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar percurssivo particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Worride Mind, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional No Phone.

Worried Mind é alma e emoção e como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos ecos vigorosos do falsete do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Scott Orr - Worried Mind

01. Sunburned
02. A Memory
03. Fall Apart
04. Halfway
05. The Sound
06. Seasons
07. Ok
08. No Phone
09. Sometime

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publicado por stipe07 às 19:59

Paper Beat Scissors - All We Know EP

Terça-feira, 30.05.17

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que lançou no passado dia vinte e sete de maio um EP intitulado All We Know, o primeiro sinal de vida criativa deste músico desde o excelente álbum Go On, editado em 2014 através da Forward Music Group/Ferryhouse. All We Know contém seis canções misturadas por Sandro Perri e para a gravação das mesmas Tim contou com a colaboração de Pietro Amato e Sebastian Chow, seus colaboradores de longa data, mas também de Marshall Bureau, Michael Feuerstack, JJ Ipsen, Andy Magoffin e Pemi Paull.

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Com cerca de uma década de carreira e uma fantástica aceitação dos dois lados do atlântico, o projeto Paper Beat Scissors atinge com este EP, gravado na zona rural de Ontario com a ajuda do engenheiro de som Andy Magoffin (longtime engineer for Great Lake Swimmers) e Richard Reed Parry (habitual colaborador dos Arcade Fire), o ponto mais alto de um percurso meritório e que merece ser escutado com alguma devoção.

Logo na soul da guitarra do tema homónimo percebe-se a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor. Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar com canções que carregam quase sempre uma indisfarçável emoção e uma saudável dose de melancolia, onde não falta, como se percebe na guitarra rugosa de Better, uma dose de epicidade que faz todo o sentido quando o universo sonoro replicado procura replicar sentimentos fortes que exigem uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

Até ao ocaso de All We Know EP, na indulgente percussão e no doce algodão a que sabe a voz de Tim quando nos embala em Gone And Forgotten, ou no contemplativo dedilhar das cordas e no efeito que ciranda por elas em What Am I Going To Do With Everything I Know (The Weather Station), deliciamo-nos com o modo exímio como este músico canadiano utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. Mesmo quando opta por  arriscar em instantes mais eletrificados, alguns deles particularmente rugosos, o autor não coloca em causa a estética delicada do projeto, graças também ao tal registo vocal doce e profundo.

All We Know EP é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Paper Beat Scissors nos sentam, através de uma coleção de canções que constituem uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:50

Scott Orr - Everything

Terça-feira, 05.04.16

Natural de Hamilton, no Ontário, o canadiano Scott Orr regressou em março último aos lançamentos discográficos com Everything, o quinto registo de originais da sua carreira e, mais uma vez, com a chancela da editora independente Other Songs Music Co.. Gravado num sotão no último meio ano, Everything marca o regresso do autor ao seu universo pessoal, através da habitual folk intimista, nostálgica e contemplativa que carateriza o seu catálogo, já que debruça-se sobre o final de um relacionamento que manteve durante dezasseis anos e, de algum modo, exorciza vários fantasmas que assolaram a sua vida pessoal mais recente.

O modo virtuoso como Orr consegue expôr-se e colocar-nos na primeira fila do exemplar exercício de catarse que é Everything, fica logo plasmado em By The Way, canção agridoce que abre com cândura, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras das cordas, acústicas e delicadamente eletrificadas, fazendo-o com uma tonalidade única e uma capacidade incomum, possível porque este músico é exímio no seu manuseamento e no modo como dele se serve para transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, como referi anteriormente, mas com um inconfundível travo pop a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Orr é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a àspera Kids ou a delicada Soulmating, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em Always Everything e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional Try to Be Good. Mesmo quando Scott Orr comete o pecado da gula e se liga um pouco mais à corrente em The Devil, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Everything, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional Hundred Thousand Times.

Everything é alma e emoção e como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos ecos vigorosos do falsete do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Scott Orr - Everything

01. By The Way
02. I’ll Do Anything
03. Soulmating
04. Undeniable
05. Still Waiting
06. Kids
07. The Devil
08. Try To Be Good
09. Hundred Thousand Times
10. Always Everything

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publicado por stipe07 às 22:12

Scott Orr - Undeniable

Quinta-feira, 25.02.16

Scott Orr - UndeniableNatural de Hamilton, no Ontário, o canadiano Scott Orr está prestes a regressar aos lançamentos discográficos com Everything, aquele que será o quinto registo de originais da sua carreira. Uma lindíssima canção de amor intitulada Undeniable, sobre o final de um relacionamento de dezasseis anos, à semelhança da temática das restantes canções de Everything, é o primeiro avanço divulgado de um disco bastante pessoal, gravado num sotão no último meio ano e que, de algum modo, exorciza vários fantasmas que assolaram a vida pessoal mais recente deste músico.

Undeniable contém uma exuberância folk muito particular e contagiante, em três minutos onde a viola e a guitarra se entrelaçam com o charme inconfundível da voz do autor, um lançamento disponível gratuitamente na página oficial de Scott Orr e que tem a chancela da editora independente Other Songs Music Co.. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:20

Best Wishes – Best Wishes EP

Segunda-feira, 04.08.14

 

Os Best Wishes são o novo projeto musical do músico canadiano Scott Orr (Guitarra, bateria, voz, piano), ao qual se juntou Eric Fusilier (Baixo, voz) e Matt Henderson (Sintetizadores, guitarra, programação, voz), um trio oriundo de Hamilton, nos arredores de Ontário e o EP Best Wishes o primeiro registo do grupo, um trabalho que viu a luz do dia a treze de maio último e que foi produzido pelo próprio Scott Orr e por Matt Henderson. Este EP foi disponibilizado digitalmente pela Other Songs Music Co., uma etiqueta independente canadiana, com a possibilidade de o adquirires gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo.


Best Wishes é uma coleção de seis canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e isso percebe-se rapidamente, pela forma assertiva como os Best Wishes misturam as cordas com as teclas e no modo como definem uma fronteira ténue entre o orgânico e o sintético, de forma a criar melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

O trio domina uma fórmula muito própria, através da qual cria típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro do grupo que, neste EP, olha com particular atenção para o rock alternativo, ao mesmo tempo que, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fortalece no seu ADN sonoro um cariz urbano e atual.

Com a guitarra ligada à corrente na primeira metado do EP, a sustentar melodias bastante virtuosas, cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, a partir de Riverwilde, um dos temas mais curiosos do EP, há uma inflexão e nas últimas três canções os Best Wishes dão um novo passo em frente em busca de um ambiente mais clássico e envolvente, não só por causa da majestosa inserção vocal no caldeirão de arranjos que suportam essas músicas, mas principalmente porque nelas aprimoram a elegância e o cunho sentimental, na forma como selecionam a míriade sonora de que se servem para compôr.

Cada canção de Best Wishes é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina das frias manhãs de inverno, mas este EP também tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Best Wishes, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um trabalho carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela deriva entre uma componente mais orquestral feita com elementos típicos da eletrónica e o lado mais oculto e sombrio do rock progressivo. Uma estreia em grande, portanto. Espero que aprecies a sugestão...

Best Wishes - Best Wishes EP01. Youth

02. Clouds
03. Frus
04. Riverwild
05. Wishes
06. Friendship

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publicado por stipe07 às 17:20






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