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The Flaming Lips – American Head

Sábado, 12.09.20

Ninguém no seu perfeito juízo duvida que os The Flaming Lips, uma banda norte-americana natural de Oklahoma, são um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Tal sucede porque foram sempre uma banda cheia de ideias e com uma agenda de lançamentos bastante preenchida, principalmente depois de Oczy Mlody, o trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou há pouco mais de três anos e que nos ofereceu uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que os orientaram, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental. A partir daí, o ritmo acelerou sempre e, felizmente, parece não se vislumbrar o último capítulo de uma saga alimentada também por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin), experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror). De facto, ultimamente não tem sido fácil perceber, com clareza, que rumo concreto quer a banda dar ao seu percurso discográfico e o truque parece ser mesmo navegar ao sabor da corrente criativa dos seus membros e fazê-lo de modo (aparentemente) anárquico.

The Flaming Lips – 'American Head' album review

Assim, e tomando apenas como ponto de partida o histórico mais recente do projeto, se no verão de dois mil e dezoito revisitaram, numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits, todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados, nem um ano depois já tinham nos escaparates King's Mouth, um registo conceptual de doze canções baseado no estúdio de arte com este nome que a banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais. Logo de seguida, pouco antes do último Natal, revelaram The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, mais doze canções que se assumiram como o primeiro tomo ao vivo da banda de Oklahoma, um trabalho que contou com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito instrumentistas e cinquenta e sete cantores e que reproduziu o alinhamento de The Soft Bulletin, a obra-prima dos The Flaming Lips, com vinte anos de vida.

Sem pausas, já neste ano de dois mil e vinte participaram numa das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo, dando as mãos ao projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards. O resultado final da equação, ainda fresco na memória e no ouvido, chamou-se Dead Lips e materializou-se com um disco homónimo que fundiu com elevado grau criativo o universo psicadélico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Agora, quase no ocaso deste verão, os The Flaming Lips voltam à carga com American Head, a visão pura, crua e dura, apartidária, sem preconceitos e amiúde até irónica de uma América que vive uma contemporaneidade algo perigosa, fraturada em dois extremos dominantes, espartilhada por um vírus que não tem sido fácil de lidar nesse vasto território e ensaguentada de traumas e males raciais, assentes numa sequência nada feliz de décadas e até de séculos de casos mal resolvidos, que remontam ao período da escravatura, o grande motivo da Guerra Civil que o país viveu há pouco mais de duzentos anos e que deixou fantasmas ainda a pairar. E fê-lo, sonoramente, ampliando a dose de arrojo que tem caraterizado, como já referi, a carreira dos The Flaming Lips, espeditos a rejeitar todas as referências normais do que compreendemos por música, um pouco em contraciclo com uma imensidão de projetos que, com a massificação das formas de divulgação e audição, insistem em colocar a vertente mais comercial na ordem do dia.

De facto, é nas raízes mais profundas e puras do rock tradicional americano que American Head entronca. Desiludido com o seu país, Coyne resolveu colocar na primeira linha do novo álbum da sua banda, aquilo que a América ainda tem de melhor, a sua herança sonora, inigualável no cenário indie e alternativo contemporâneo, mesmo que seja em terras de sua Majestade que estão as raízes de alguns dos melhores projetos de sempre da história da música, vários, como é o caso dos The Beatles, referências incontornáveis dos The Flaming Lips. Logo na soul da guitarra e na vibração luminosa e sentida das cordas que conduzem Will You Return / When You Come Down, temos esse travo tipicamente mojave, que o lindíssimo tema Flowers Of Neptune 6, ainda mais evidencia, nomeadamente na luminosa acusticidade das teclas e das cordas, conjugadas com uma ímpar grandiosidade psicadélica e induzidas por um registo percurssivo heterogéneo, onde abunda uma vasta miriade de efeitos e detalhes. Entretanto, Watching The Lightbugs Glow, confere ao registo aquela faceta mais pop e climática que também é rainha nesse lado do hemisfério norte, um verdadeiro tratado de sentimentalismo latente e pura melancolia, uma canção que nos embarca numa viagem lisérgica ímpar, uma daquelas canções que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da audição nos apoquente.

Este início esplendoroso de American Head faz logo o ouvinte sentir que houve da parte deste grupo uma forma magnífica de darem a volta por cima à tristeza que certamente os invade devido aquilo que vão observando diariamente em redor e fizeram-no, arrisco, até com uma certa dose de ironia, como se aquela sensação depressiva que as canções possuem e que lhes confere, por acaso, grande parte da sua beleza, fosse canalizada para a ironia e para o sarcasmo. A confessional Mother I've Taken LSD, uma canção que contém o clássico arquétipo majestoso que sempre marcou os The Flaming Lips, será talvez o exemplo mais impressivo dessa estratégia libertadora, mas o oásis psicadélico de Dinosaurs On The Mountain, a bonomia complacente da lindíssima balada You N Me Sellin’ Weed, o travo beatleiano do piano que conduz Mother Please Don’t Be Sad, a canção mais estrondosa do álbum e a pueril e etérea, mas riquíssima de detalhes e, por isso, enganadoramente minimal At The Moovies On Quaaludes, são outros temas que nos relatam vidas inocentes mas gloriosas, alienadas e ingenuamente heróicas, aparentemente bem resolvidas, vidas com futuro e potencialmente inundadas em epicidade e alegria, mesmo sendo vividas no meio do caos e da anarquia.

Disco cinematográfico porque inventaria de certo modo tudo aquilo que faz parte da realidade de um normal cidadão americano nos dias de hoje, independentemente do lado da barricada em se encontre e explicitamente aberto aquele experimentalismo tão caro aos The Flaming Lips, mas sem colocar em causa a própria integridade sonora do registo ou descurar a essência inicialmente pretendida para o mesmo, American Head mostra que até é possível ser-se feliz nesse estranho país onde raramente existe algo que pareça aquilo que realmente é. E estas treze canções não fogem a essa impressão firme da aparência, porque se forem analisadas e escutadas com a devoção que merecem, são muito mais otimistas e reluzentes do que aquilo que à primeira audição parecem. Sendo atingido esse efeito no ouvinte, então elas têm tudo para nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança numa américa melhor e com potencial para renascer em algo melhor. Seja como for, e independentemente da obtenção desse desiderato, não há como negar que este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita que os The Flaming Lips transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético  de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - American Head

01. Will You Return / When You Come Down (Feat. Micah Nelson)
02. Watching The Lightbugs Glow
03. Flowers Of Neptune 6
04. Dinosaurs On The Mountain
05. At the Movies On Quaaludes
06. Mother I’ve Taken LSD
07. Brother Eye
08. You N Me Sellin’ Weed
09. Mother Please Don’t Be Sad
10. When We Die When We’re High
11. Assassins Of Youth
12. God And The Policeman (Feat. Kacey Musgraves)
13. My Religion Is You

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publicado por stipe07 às 00:47

The Flaming Lips – Flowers Of Neptune 6

Terça-feira, 02.06.20

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que o dia um de junho, o Dia Mundial da Criança, é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Este ano falhámos por pouco... Acontece no mesmo dia, + 1. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips, banda norte-americana natural de Oklahoma e um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto.

The Flaming Lips anunciam novo single… “Flowers of Neptune 6 ...

Se os The Flaming Lips foram sempre uma banda cheia de projetos e com uma agenda de lançamentos bastante preenchida, depois de Oczy Mlody, o trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no há três anos e que nos ofereceu uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que os orientaram, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o ritmo acelerou ainda mais e, felizmente, parece não se vislumbrar o último capítulo de uma saga alimentada também por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin), experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

De facto, ultimamente não tem sido fácil perceber, com clareza, que rumo concreto quer a banda dar ao seu percurso discográfico e o truque parece ser mesmo navegar ao sabor da corrente criativa dos seus membros e fazê-lo de modo (aparentemente) anárquico. Assim, se no verão de dois mil e dezoito revisitaram, numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits, todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados, nem um ano depois já tinham nos escaparates King's Mouth, um registo conceptual de doze canções baseado no estúdio de arte com este nome que a banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais. Logo de seguida, pouco antea do último Natal, revelaram The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, mais doze canções que se assumiram como o primeiro disco ao vivo da banda de Oklahoma, um trabalho que contou com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito instrumentistas e cinquenta e sete cantores e que reproduziu o alinhamento de The Soft Bulletin, a obra-prima dos The Flaming Lips, com vinte anos de vida.

Sem pausas, já em dois mil e vinte participaram numa das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo, dando as mãos ao projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards. O resultado final da equação, ainda fresco na memória e no ouvido, chamou-se Dead Lips e materializou-se com um disco homónimo que funde com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Agora, quase no início do verão, os The Flaming Lips voltam à carga com Flowers Of Neptune 6, uma composição que conta com a participação especial vocal de Kacey Musgraves e que coloca o projeto no trilho daquele que é, sem dúvida, o território sonoro em que o projeto se deu melhor ao longo da carreira,quando atingiu o topo e grangeou uma maior base de seguidores, à boleia dos fabulosos trabalhosYoshimi Battles the Pink Robots e The Soft Bulletin. Na luminosa acusticidade das teclas e das cordas, conjugada com uma ímpar grandiosidade psicadélica, induzida por um registo percurssivo heterogéneo e uma vasta miriade de efeitos e detalhes, Flowers Of Neptune 6, um verdadeiro tratado de sentimentalismo latente e pura melancolia, embarca-nos em mais uma viagem lisérgica ímpar, uma daquelas canções que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da audição nos apoquente. Confere...

The Flaming Lips - Flowers Of Neptune 6

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publicado por stipe07 às 18:43

Deap Lips - Deap Lips

Quarta-feira, 18.03.20

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

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Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:18

The Flaming Lips - The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

Sexta-feira, 29.11.19

Poucos meses após King's Mouth, um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda norte americana abriu há quatro anos e que fala de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um registo de doze canções que se assume como o primeiro ao vivo da banda de Oklahoma.  The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conta, como o próprio título indica, com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito insturmentistas e cinquenta e sete cantores e reproduz o alinhamento de The Soft Bulletin, considerada por muitos como a obra-prima dos The Flaming Lips, um disco que está a comemorar vinte anos de vida.

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Quem conhece a fundo a trajetória desta banda percebe que este registo ao vivo só pode ter sido incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo e que percebe, talvez melhor que ninguém, que as componentes visual e teatral são, a par do conteúdo sonoro, também essenciais na promoção e divulgação musical. E ao escutar-se The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um concerto que teve lugar a vinte e seis de maio de dois mil e dezasseis, a ideia com que imediatamente se fica é que, mesmo não se vendo o palco e a multidão defronte, adivinha-se um orgasmo de cor feito de confetis e balões e até de dramatização de canções que são verdadeiras pérolas do catálogo indie e alternativo de final do século passado.

De facto, na majestosidade das cordas e da percurssão vibrante de Race For The Prize, nos sopros, nos violinos lacrimejantes e na harpa que enfeitiça A Spoonful Weighs A Ton, nos efeitos etéreos e nas nuvens agridoces de sons feitos com trompetes e clarinetes que parecem flutuar em The Spark That Bled, no modo como o piano e os sopros namoram em de The Spiderbite Song e também em Buggin', na suavidade flourescente de What Is The Light?, na luminosidade da curiosa acusticidade das teclas que abastecem Waitin' For A Superman e na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feeling Yourself Disintegrate, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie rock, mas também de música clássica, um caldeirão de natureza hermética e de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa subjacente à filosofia que incubou The Soft Bulletin, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro, orgânico e impressivo toda a trama idealizada há já duas décadas. 

The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, exemplarmente secundado pelo maestro Andre De Ridder, assume o papel de guia, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético, teatral e orquestral dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - The Soft Bulletin Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

01. Race For The Prize
02. A Spoonful Weighs A Ton
03. The Spark That Bled
04. The Spiderbite Song
05. Buggin’
06. What Is The Light?
07. The Observer
08. Waitin’ For A Superman
09. Suddenly Everything Has Changed
10. The Gash
11. Feeling Yourself Disintegrate
12. Sleeping On The Roof

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The Flaming Lips – King’s Mouth

Segunda-feira, 15.04.19

Pouco mais de dois anos depois do excelente Oczy Mlody e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com King's Mouth, um registo de doze canções que a banda assume ser um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais.

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King’s Mouth, o décimo quinto disco da carreira dos The Flaming Lips, lançado no âmbito da edição deste ano do Record Store Day, é sobre este rei disforme que morre quando tenta salvar o seu reino de uma avalanche de neve apocalíptica, acabando por sucumbir no meio dela. Após a morte, a sua cabeça enorme transforma-se numa espécie de fortaleza de aço pela qual os seus súbditos podem trepar e entrar pela boca, chegando, assim, às estrelas enquanto contemplam toda a imensidão de luzes e cores que em vida esse rei sugou enquanto se tornava maior e atingia a maioridade.

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Dado este mote lírico, incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo, a componente musical começou com uma mescla de sons e melodias abstratas que acabaram por se transformar num disco, apesar de esses não serem os objetivos iniciais do grupo. Mick Jones dos Clash e o coletivo Big Audio Dynamite narrariam as melodias e a história acima, descrita sucintamente, mas a verdade é que um mês depois de os The Flaming Lips colocarem mâos à obra estava pronto um álbum que acaba por nos oferecer mais uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que nos catapultam, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental.

De facto, nas cordas de Sparrow, nos efeitos etéreos e nas nuvens doces de sons que parecem flutuar em Giant Baby, na suavidade flourescente de How Many Times, na sombria agregação de ruídos e samples que abastecem Electric Fire, na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feedaloodum Beedle Dot e, principalmente, na cósmica puerilidade de All For The Life Of The City, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica. Tendo esta natureza hermética, King's Mouth afirma-se num bloco de composições que são mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro toda a trama idealizada.

King's Mouth conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta-nos uma história simples, mas repleta de metáforas sobre a nossa contemporaneidade, servindo-se ora de composições atmosféricas, ora de temas de índole mais progressiva e agreste e onde também coabitam marcas sonoras feitas com vozes convertidas em sons e letras e que praticamente atuam de forma instrumental. No final, tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea, através de sintetizadores cósmicos e guitarras experimentais, sempre com enorme travo lisérgico, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - King's Mouth

01. We Dont Know How a´And We Don’t Know Why
02. The Sparrow
03. Giant Baby
04. Mother Universe
05. How Many Times
06. Electric Fire
07. All For The Life Of The City
08. Feedaloodum Beedle Dot
09. Funeral Parade
10. Dipped In Steel
11. Mouth Of The King
12. How Can A Head

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publicado por stipe07 às 14:49

The Flaming Lips – Greatest Hits Vol. 1

Sexta-feira, 01.06.18

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que no dia um de junho, o Dia Mundial da Criança é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips de Oklahoma, um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody foi o nome do último trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no dealbar de 2017, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que direcionaram, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o último capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror), que acaba de ser revisitada numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits Vol. 1, que abarca todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados.

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O alinhamento de Greatest Hits, Vol. 1 começa logo nos singles editados em 1992 e retirados do mítico álbum Hit to Death in the Future Head e só termina no já referido Oczy Mlody. Todas as canções dos três discos que faem parte do lançamento foram remasterizadas a partir das gravaçoes originais, pela mão de Dave Fridmann, o produtor de sempre dos The Flaming Lips. Haverá também uma edição em vinil de Greatest Hits, Vol. 1 que condensará onze dos melhores temas do grupo, estando todo o arsenal do lançamento e material promocional disponível na página oficial do grupo a preços particularmente acessíveis.

Os The Flaming Lips causaram furor desde o início da carreira e posicionaram-se desde logo na linha da frente dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedeçam a algumas das permissas mais contemporâneas, nomeadamente a eletrónica ambiental, muito presente nos discos da banda desde Yoshimi Battles the Pink Robots. Essa busca de abrangência está muito bem plasmada nesta súmula que chega agora aos escaparates e que foi servindo para solidificar tamém o desejo da banda de construir alinhamentos temáticos, onde os temas se colocassem ao serviço de uma espécie de tratado de natureza hermética e esse bloco de composições não fosse mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Assim, podemos, sem receio, olhar para Greatest Hits Vol. 1 como uma grande composição que se assume como um veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta o seu percurso pessoal das últimas trêsdécadas, servindo-se ora de composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea como de ondas sonoras expressivas relacionadas com o espaço sideral através de guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico, ou tratados de indie rock rugoso, épico e submersivo, que não se coibem de piscar o olho ao grunge e ao próprio punk mais intuitivo.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. E na verdade, além disso, o que eles têm feito tem sido, no fundo, musicar todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, na algo desregulada sociedade norte americana contemporânea. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Greatest Hits Vol. 1

CD 1

01. Talkin’ ‘Bout the Smiling Deathporn Immortality Blues (Everyone Wants To Live Forever)
02. Hit Me Like You Did The First Time
03. Frogs
04. Felt Good To Burn
05. Turn It On
06. She Don’t Use Jelly
07. Chewin The Apple Of Your Eye
08. Slow Nerve Action
09. Psychiatric Explorations Of The Fetus With Needles
10. Brainville
11. Lightning Strikes The Postman
12. When You Smile
13. Bad Days (Aurally Excited Version)
14. Riding To Work In The Year 2025
15. Race For The Prize (Sacrifice Of The New Scientists)
16. Waitin’ For A Superman (Is It Getting Heavy?)
17. The Spark That Bled
18. What Is The Light?

CD 2
01. Yoshimi Battles The Pink Robots, Pt. 1
02. In The Morning Of The Magicians
03. All We Have Is Now
04. Do You Realize??
05. The W.A.N.D.
06. Pompeii Am Gotterdammerung
07. Vein Of Stars
08. The Yeah Yeah Yeah Song
09. Convinced Of The Hex
10. See The Leaves
11. Silver Trembling Hands
12. Is David Bowie Dying? (Feat. Neon Indian)
13. Try To Explain
14. Always There, In Our Hearts
15. How??
16. There Should Be Unicorns
17. The Castle

CD 3
01. Zero To A Million
02. Jets (Cupid’s Kiss vs. The Psyche Of Death) [2-Track Demo]
03. Thirty-Five Thousand Feet Of Despair
04. The Captain
05. 1000ft Hands
06. Noodling Theme (Epic Sunset Mix #5)
07. Up Above The Daily Hum
08. The Yeah Yeah Yeah Song (In Anatropous Reflex)
09. We Can’t Predict The Future
10. Your Face Can Tell The Future
11. You Gotta Hold On
12. What Does It Mean?
13. Spider-man Vs. Muhammad Ali
14. I Was Zapped By The Lucky Super Rainbow
15. Enthusiasm For Life Defeats Existential Fear Part 2
16. If I Only Had A Brain
17. Silent Night / Lord, Can You Hear Me

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publicado por stipe07 às 18:27

St. Vincent - Masseduction

Quarta-feira, 25.10.17

Foi no passado dia treze, através da Loma Vista Recordings, que chegou aos escaparates Masseduction, o quinto e mais arrojado álbum de St.Vincent, o alter ego sonoro de Annie Clark, uma compositora que nasceu em Tulsa, no Oklahoma, há trinta e cinco anos e que depois de começar a sua carreira musical nos míticos The Polyphonic Spree, enveredou por uma bem sucedida carreira a solo que amplia continuamente, disco após disco, as suas virtudes como cantora e criadora de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são muitas vezes autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais da artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia.

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Com uma década de carreira, Annie Clark já cirandou quer pela pop mais ambiental quer pelo rock mais explosivo e orgânico e este Masseduction acaba, de certo modo, por fazer uma espécie de súmula de todas estas abordagens anteriores. Logo a abrir Masseduction deparamo-nos com esta abrangência porque se Hang On Me nos oferece um instante sonoro particularmente emotivo e climático, já Pills tem uma abordagem mais crua e rugosa, ficando assim audível esta intenção, logo á partida, de agregar tudo aquilo que a autora foi testando nos quatro álbuns anteriores, não faltando inclusivé, um pouco adiante,  um flirt consciente ao melhor r&b no tema Savior., um dos momentos altos do álbum.

Sendo assim, o conhecedor profundo da carreira de St. Vincent perceciona com nitidez que este é um disco de súmula, um alinhamento que fazendo juz ao melhor glam rock setentista ou à herança que uma Madonna nos deixou nas duas últimas décadas do século passado, algo que o tema homónimo tão bem plasma, alicerça os seus cânones sonoros quase sempre numa pop orquestralmente rica e que tendo o sexo, as drogas e a depressão no foco lírico, pretende mostrar-nos os diferentes significados da palavra sedução, as suas diversas vertentes, positivas ou nem tanto e o heterogéneo campo semântico que o vocábulo abarca.

Produzido quase na íntegra por Jack Antonoff e contando com as participações especiais de Cara Delevingne, antiga namorada de Annie e de Kamasi Washington, entre outros, Masseduction é, em suma, o retrato vivo de uma intrincada teia relacional que a autora estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena. Ela sempre teve o firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si.  E neste trabalho ela fá-lo com tremenda nitidez, expondo-se através de um aparato tecnológico mais ou menos amplo que busca sempre e em primeira instância, respeitar a intimidade mais genuína da autora. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 21:12

The Flaming Lips – The Flaming Lips Onboard The International Space Station Concert For Peace

Quinta-feira, 01.06.17

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody é o nome do trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no dealbar de 2017 e mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

Resultado de imagem para The Flaming Lips The Flaming Lips Onboard The International Space Station Concert For Peace

Há algumas semans, em pleno Record Store Day, os The Flaming Lips resolveram inovar de novo com o lançamento de algo ainda mais incrível e complexo, um registo intitulado The Flaming Lips Onboard The International Space Station Concert For Peace. Simularam em estúdio como seria um concerto do grupo na estação espacial (ISS) e de cujo alinhamento fariam parte sete dos temas de Oczy Mlody. O resultado final é uma performance ficcional verdadeiramente fantástica, onde não falta interação com o público e a indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que cimenta Oczy Mlody. Das batidas sintetizadas de Nigdy Nie (Never No) ao efeito do baixo de Do Glowy, passando pela copiosa descrição do fim do mundo em There Should Be Unicorns e o verdadeiro muro das lamentações que é How??, abundam aqui instantes sonoros onde a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre efeitos etéreos e nuvens doces de sons que parecem flutuar no espaço, com guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico.

The Flaming Lips Onboard The International Space Station Concert For Peace é um curioso e bem sucedido exercício de complementaridade da filosofia subjacente a Oczy Mlody, um registo que colocou os The Flaming Lips na linha da frente dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedecem a algumas das permissas mais contemporâneas da eletrónica ambiental. Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Este concerto é mais um atestado dessa feliz e incontornável evidência. Espero que aprecies a sugestão...

01. How??
02. Do Glowy
03. Listening To The Frogs With Demon Eyes
04. Nighty Nie (Never No)
05. The Castle
06. There Should Be Unicorns
07. We A Family

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publicado por stipe07 às 18:13

The Flaming Lips - Oczy Mlody

Domingo, 15.01.17

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody é o nome do novo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

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Foi no passado dia treze que chegou aos escaparates esta nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que, por incrível que pareça, direcionam, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas. Assim, se canções como o single The Castle e, de modo ainda mais incisivo, os samples e as distorções vocais de Listening To The Frogs With Demon Eyes nos proporcionam a audição de um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste, já as batidas sintetizadas de Nigdy Nie (Never No) e o efeito do baixo de Do Glowy colocam os The Flaming Lips na linha da frente de alguns dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedecem a algumas das permissas mais contemporâneas da eletrónica ambiental.

Décimo quarto disco da carreira dos The Flaming Lips, Oczy Mlody posiciona o grupo no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. se tem momentos que não deixam de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, a participação especial de Miley Cyrus no belíssimo tema We A Famly é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita e solidifica a habitual estratégia da banda nos últimos discos de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Podemos, sem receio, olhar para Oczy Mlody como uma grande composição que se assume num veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, forte oppositor de Trump, disserta sobre alguns dos maiores dilemas e perigos dos dias de hoje; O fim do mundo descrito copiosamente em There Should Be Unicorns e o verdadeiro muro das lamentações que é Almost Home (Blisko Domu), revelam-nos essa rota e apresentam a já habitual faceta fortemente humanista e impressiva da escrita deste músico de Oklahoma, mas que também é capaz de nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança num mundo melhor e que pode ainda renascer, nem que seja com todos nós montados no belíssimo piano que conduz Sunrise (Eyes Of The Young), ou a relaxar ao som da suavidade fluorescente da já referida We A Famly.

No fundo, conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Oczy Mlody, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre efeitos etéreos e nuvens doces de sons que parecem flutuar no céu azul, com guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico. Se em How?? parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez no modo como mostram perplexidade perante tudo aquilo que hoje os inquieta, já Galaxy, I Sink revela-se um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a convincente e sombria percussão de One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Oczy Mlody segue esta permissa temporal, agora numa espécie de futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso de todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, como já enfatizei, na algo desregulada sociedade norte americana de hoje. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Oczy Mlody

01. Oczy Mlody
02. How??
03. There Should Be Unicorns
04. Sunrise (Eyes Of The Young)
05. Nigdy Nie (Never No)
06. Galaxy I Sink
07. One Night While Hunting For Faeries And Witches And Wizards To Kill
08. Do Glowy
09. Listening To The Frogs With Demon Eyes
10. The Castle
11. Almost Home (Blisko Domu)
12. We A Famly

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publicado por stipe07 às 21:45

The Flaming Lips – We A Famly

Sexta-feira, 06.01.17

The Flaming Lips - We A Family

Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlodly é o nome do próximo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e será mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

A treze de janeiro de 2017 chegará aos escaparates essa nova coleção de canções dos The Flaming Lips, por intermédio da Warner, e depois de ter sido divulgada a canção The Castle, o primeiro avanço do álbum, agora chegou a vez de podermos escutar We A Famly, um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica, de natureza hermética, que conta com Miley Cyrus na voz e que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:52






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