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Matt Berninger – Let It Be

Segunda-feira, 01.03.21

Cerca de um trimestre após o lançamento de Serpentine Prison, o registo de estreia da sua carreira a solo, Matt Berninger, prepara já uma edição de luxo de um álbum que deve muito do seu conteúdo ao período de confinamento que o músico viveu em Nova Iorque e que lhe permitiu debruçar-se com maior empenho neste seu projeto paralelo à realidade The National. Recordo que Serpentine Prison conta nos créditos com os produtores Booker T. Jones e Sean O’Brien, e viu a luz do dia através da Book Records, uma nova etiqueta, subsidiária da Concord Records e formada por Berninger e Jones em conjunto.

The National's Matt Berninger Shares New Song “Let It Be”: Listen |  Pitchfork

Let It Be, um tratado de indulgente melancolia impresso a cordas reluzentes, cobertas com mestria por uma nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos, é um dos novos temas da autoria de Matt Berninger que fará parte desta nova edição mais requintada de Serpentine Prison, que também contará com quatro versões de originais de Eddie Floyd, Morphine, Bettye Swan e The Velvet Underground. Confere...

Matt Berninger - Let It Be

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publicado por stipe07 às 14:09

The Antlers – Just One Sec

Quarta-feira, 24.02.21

Projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano da última década e meia, os The Antlers de Peter Silberman e Michael Lerner, habituaram-nos desde o fabuloso Hospice (2009) a um faustoso banquete de composições encharcadas em sensibilidade, angústia e conflito, canções cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, mas que nos mantinham sempre à tona porque também sabiam salvaguardar um soporífero cariz relaxante. Após o monumental registo Familiars, editado em dois mil e catorze e colocado em primeiro lugar nos melhores álbuns desse ano para a nossa redação, esse desfile de discos assertivos e metaforicamente intensos foi interrompido por opção da própria dupla e os The Antlers entraram num hiato que está finalmente quase a ser interrompido, para gaúdio de todos aqueles que se têm deliciado com a sua notável discografia.

The Antlers – “Just One Sec”

Assim, e depois de os The Antlers já nos terem proporcionado a audição dos inéditos Wheels Roll Home, It Is What It Is e Solstice, tema que confirmou a feliz suspeita de estar na forja um novo disco dos The Antlers, que se chama Green To Gold e que chegará aos escaparates em março com dez canções que trarão consigo, certamente, uma nova fase do grupo de Brooklyn ainda mais promissora, luminosa e empolgante do que a anterior, agora chegou a vez de nos deliciarmos com Just One Sec, a quinta composição do alinhamento do registo.

Música sobre a dificuldade de escapar das experiências que construimos com alguém que conhecemos intimamente e da dificuldade de abandonar, mesmo que temporariamente, uma história a dois e de experimentar essa liberdade, como explica a banda na apresentação do tema, Just One Sec é um portento de intimidade e delicadeza, uma composição em que a cândura vocal de Silberman é permanentemente afagada quer pelo registo jazzístico da bateria, quer pela tonalidade blues das cordas, nas quais se destaca o já habitual efeito metálico da guitarra, que começa a ser uma imagem de marca dos temas já divulgados de Green To Gold. Confere...

The Antlers - Just One Sec

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publicado por stipe07 às 11:03

Clap Your Hands Say Yeah – New Fragility

Sábado, 20.02.21

Disco fundamental da reentrée em dois mil e vinte e um é New Fragility, o novo compêndio de originais dos norte americanos Clap Your Hands Say Yeah, sucessor do excelente registo The Tourist lançado no início de dois mil e dezassete e que continha um olhar particularmente anguloso, para sonoridades mais ecléticas, tendo os anos oitenta em particular, como principal ponto de mira. Este New Fragility, título inspirado no conto de David Foster Wallace Forever Overhead, é o sexto trabalho da banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada pelo carismático por Alec Ounsworth e que há década e meia causou enorme furor com um fabuloso homónimo junto de uma blogosfera atenta, que sempre os seguiu com devoção e na qual me incluo, até se tornarem, aos dias de hoje, num projeto de dimensão mundial. New Fragility foi produzido pelo próprio Alec Ounsworth, com produção adicional de Will Johnson, gravado por Britton Beisenherz em Austin, no Texas, misturado por John Agnello e masterizado por Greg Calbi.

Resultado de imagem para Clap Your Hands Say Yeah – New Fragility

Alec Ounsworth é a face mais visível e o grande sustentáculo deste projeto, facto que, por si só, imprime o espírito e a filosofia de cada disco dos Clap Your Hands Say Yeah. E a política nunca foi, na verdade, um prato forte na escrita de Alec, até este New Fragility, o disco mais politizado da carreira do grupo de Brooklyn e onde conceitos como o cada vez mais crescente capitalismo e o suposto colapso da democracia americana durante a administração Trump, estão bem presentes, juntamente com as consequências que tal conjuntura atual e dominante na sociedade em que o coletivo vive, tem provocado na existência pessoal de cada um e, em particular de Ounsworth, que já confessou publicamente um certo trauma por viver num mundo em que o abuso de substâncias ilícitas e o divórcio que a maioria das pessoas tem pelas causas públicas e o bem coletivo, é uma realidade bastante impressiva.

São, portanto, vários os temas com forte motivação política e declaradamente canções de intervenção, neste New Fragilty. As que mais impressionam são Hesitating Nation e Thousand Oaks. A primeira reflete sobre o modo como Alec Ounsworth se sente desiludido e até alienado com a tão propalada democracia americana, uma efervescente composição, com uma toada minimal mas crescente, adornada por uma guitarra ondulante e com uma interpretação vocal irrepreensível. Já Thousand Oaks versa sobre o tiroteio que ocorreu em Thousand Oaks, na Califórnia, em mil novecentos e dezoito e que matou treze pessoas. É uma canção que assenta num formato mais contemplativo e altivo, à boleia de uma guitarra insinuante que se vai entrecortando com a bateria, à medida que a canção progride.

Relativamente à componente sonora de New Fragility, como é natural, o indie rock contemporâneo assente em temas construídos sobre linhas de guitarra efervescentes e sintetizadores inspirados, com uma forte componente melódica e refrões bastante luminosos, é a grande força motriz deste registo, caraterísticas impecavelmente impressas no tema homónimo de um disco, ou na majestosidade de CYHSY, 2005, duas das composições em que a banda, ciente  destas permissas, procurou ir um pouco mais adiante e acrescentar novas nuances ao seu cardápio. A abrangência estilística dos arranjos que adornam Went Looking For Trouble, uma canção em que a acusticidade de diversas cordas amplia o pendor suplicante do registo vocal, e também Mirror Song, composição que impressiona pelo modo magnífico como o piano gela os nossos ouvidos, são mais exemplos, numa esfera mais intimista, desse salto estilístico que New Fragility contém, numa espécie de metamorfose e ambivalência entre territórios mais luminosos e outros mais introspetivos.

Disco que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, New Fragility é um exercício assertivo numa nova etapa da vida dos Clap Your Hands Say Yeah, que parecem procurar novas boas ideias que comprovam que eles não desistem de procurar o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. No futuro irão certamente reencontrar e nunca se sabe se, entretanto, acontece outra metamorfosoe. Na mente de Alec tudo continua a parecer possível. Espero que aprecies a sugestão...

Clap Your Hands Say Yeah - New Fragility

01. Hesitating Nation
02. Thousand Oaks
03. Dee, Forgiven
04. New Fragility
05. Innocent Weight
06. Mirror Song
07. CYHSY, 2005
8. Where They Perform Miracles
9. Went Looking For Trouble
10. If I Were More Like Jesus

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publicado por stipe07 às 16:09

Widowspeak – Honeychurch EP

Segunda-feira, 25.01.21

Foi na insuspeita Captured Tracks que os Widowspeak regressaram no passado mês de agosto ao discos com Plum, o quinto álbum deste projeto sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que flutua abrigado pela incrível e criativa química que se estabeleceu há já uma década entre a cantora e escritora Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo. Plum foi gravado e co-produzido com a preciosa ajuda de Sam Evian (Cass Mccombs, Kazu Makino) e misturado por Ali Chanbt (Aldous Harding, Perfume Genius, PJ Harvey) e dessas sessões de gravação resultaram não só os temas que fazem parte do alinhamento do disco, mas também outras composições, com algumas delas a verem agora a luz do dia através de um EP intitulado Honeychurch.

Honeychurch | WIDOWSPEAK

Disponível apenas digitalmente Honeychurch é uma referência direta à obora do britânico E.M. Forster escrita em mil novecentos e oito e intitulada A Room With A View. O EP dá o pontapé de saída com uma versão particularmente bucólica de Money, o momento alto de Plum. Depois prossegue na mesma toada melancólica, tipificada por esplendorosas cordas que se debruçam copiosamente nos arranjos típicos da folk sulista norte americana com um original intitulado Sanguine. Para o ocaso, além do travo jam do tema homónimo do EP, destaque para as sublimes versões de The One I Love e Romeo And Juliet, originais, respetivamente, dos R.E.M. e dos Dire Straits e que com os Widowspeak ganham uma outra beleza e luz, através de uma simbiose muito particular e caraterística entre um baixo pulsante, guitarras com um timbre encharcado em brilho e sintetizadores minuciosamente apetrechados com diversas camadas melodicas, tudo emoldurado com uma identidade declaradamente vintage.

Honeychurch merece audição atenta e uma demarcação clara daquele que foi o conteúdo de Plum, disco considerado pela nossa redação como o quarto melhor do ano passado. O seu conteúdo reforça a tese de que estes Widowspeak, que começaram por viver à sombra daquela pop de finais dos anos oitenta muito sustentada por elementos sintetizados, são bastante mais felizes quando se deixam absorver pela influência daquelas construções musicais lançadas há cerca de cinco décadas e que navegavam entre a dream pop e uma salutar psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Widowspeak - Honeychurch

01. Money (Hymn)
02. Sanguine
03. The One I Love
04. Romeo And Juliet
05. Honeychurch

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publicado por stipe07 às 20:22

The Antlers - Solstice

Segunda-feira, 18.01.21

Projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano da última década e meia, os The Antlers de Peter Silberman e Michael Lerner, habituaram-nos desde o fabuloso Hospice (2009) a um faustoso banquete de composições encharcadas em sensibilidade, angústia e conflito, canções cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, mas que nos mantinham sempre à tona porque também sabiam salvaguardar um soporífero cariz relaxante. Após o monumental registo Familiars, editado em dois mil e catorze e colocado em primeiro lugar nos melhores álbuns desse ano para a nossa redação, esse desfile de discos assertivos e metaforicamente intensos foi interrompido por opção da própria dupla e os The Antlers entraram num hiato que será finalmente interrompido, para gaúdio de todos aqueles que se têm deliciado com a sua notável discografia.

The Antlers announce first album in seven years with soothing new cut “ Solstice”

Assim, e depois de no passado outono os The Antlers nos terem proporcionado a audição de Wheels Roll Home e It Is What It Is,  dois novos temas que pareciam ter uma lógica sequencial e que marcaram o arranque de uma nova fase da carreira do projeto, mas ainda sem anúncio de novo disco, agora, no arranque de dois mil e vinte e um, uma nova canção intitulada Solstice confirma estar na forja um novo disco dos The Antlers. Essa rodela chama-se Green To Gold, chegará aos escaparates em março e terá no seu alinhamento dez canções que trarão consigo, certamente, uma nova fase do grupo de Brooklyn ainda mais promissora, luminosa e empolgante do que a anterior.

A terna indulgência das cordas que conduzem Solstice e a ardente soul das mesmas, um sabor ampliado quase no ocaso do tema por portentosos violinos e impregnado fluidamente no efeito metálico da guitarra e no modo como esse mesmo efeito se entrelaça com a cândura vocal de Silberman e com o registo jazzístico da bateria, sustentam uma canção repleta de nostalgia, até porque versa sobre a inocência que carateriza a esmagadora maioria das memórias da infância. Confere Solstice e o alinhamento de Green To Gold...

The Antlers - Solstice

 

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publicado por stipe07 às 17:13

Bill Callahan & Bonnie ‘Prince’ Billy – Rooftop Garden

Quarta-feira, 06.01.21

Nomes proeminentes da mítica etiqueta Drag City, Bill Callahan e Will Oldham, que assina a sua música como Bonnie “Prince” Billy, têm vindo a abençoar-nos, desde outubro último e mês após mês, com uma fascinante coleção de versões de originais de nomes que respeitam e veneram, juntando sempre, em cada nova gravação, um terceiro elemento convidado.

Bill Callahan and Bonnie "Prince" Billy Cover Lou Reed's "Rooftop Garden":  Listen

A mais recente composição criada ao abrigo dessa iniciativa é a cover de Rooftop Garden, um clássico assinado por Lou Reed, incluído no disco Legendary Hearts que este músico norte-americano, natural de Brooklyn, em Nova Iorque, editou no já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e três.

Para gravar esta nova roupagem de Rooftop Garden, Bill Callahan e Bonnie "Prince" Billy convidaram George Xylouris, mentor do projeto Xylouris White, dando ao tema uma sonoridade mais contemporânea e atual, tipicamente americana, que sobrevive impecavelmente numa base eminentemente elétrica, mas que não deixa de ter embutidos alguns tiques e detalhes que roçam um curioso noise experimental de forte cariz lo-fi. Confere...

Bill Callahan And Bonnie 'Prince' Billy - Rooftop Garden

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publicado por stipe07 às 17:26

Sondre Lerche - Patience

Quinta-feira, 10.12.20

Sondre Lerche é um músico, cantor e compositor norueguês que vive em Brooklyn, Nova Iorque e que também se tem notabilizado pela composição de bandas sonoras, além do seu trabalho a solo. Impressionou esta redação há uma meia década com Please, um disco que apostava numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tinha algo de profundamente dramático e atrativo. Eram dez músicas diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionavam uma festa pop, psicadélica e sensual.

Sondre Lerche - Patience | Célula POP

Agora, em dois mil e vinte, Sondre Lerche está de regresso aos discos com Patience, um registo que chegou aos escaparates à boleia do selo PLZ e que nos oferece um deslumbrante festim de sons, cadências rítmicas e dissertações melíodicas que, abarcando diversos estilos, entroncam naquela dream pop de forte cariz eletrónico, mas cada vez mais rugosa e imponente e que, para que tal suceda com brilho, não receia ser instrumentalmente arriscada.

Inspirando-se em artistas tão díspares como os Prefab Sprout ou Elvis Costello, Sondre Lerche é exímio, nestes Patience, a dar alfinetadas fulminantes em alguns dos tiques identitários daqueles que admira e, aproveitando o sumo dessa safra, mesclá-lo com o seu próprio adn criativo. O resultado é um disco que exala amadurecimento por todos os poros, uma firmeza artística assente num impecável trabalho de produção que permite que todo o arsenal instrumental utilizado pelo autor tenha o seu protagonismo no tempo certo, em suma, um verdadeiro banquete requintado que personifica o momento mais alto e afirmativo da sua caminhada filosófica e estilística pelo universo musical.

Os teclados indulgentes de Are We Alone Now, a subtileza dilacerante de That’s All There Is, o ambiente festivo de You Are Not Who I Thought I Was, uma composição assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, o travo glam setentista de I Can’t See Myself Without You e a vastidão de sopros e cordas que conjuram entre si com deleite em Why Did I Write The Book Of Love, são exemplos felizes deste registo eminentemente experimental, que sobrevivendo também à custa de alguns dos detalhes fundamentais do indie rock, tem na eletrónica contemporânea e no tal cruzamento já descrito e que se trava de razões com campos tão díspares como o r&b ou paisagens mais eruditas e clássicas, a sua grande força motriz.

Patience é, em suma, um compêndio musical fresco e luminoso, com substância e onde cabem todos os sonhos, um alinhamento criado por um músico impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, não há lugar para a amargura e o sofrimento e o que transborda destas doze canções são mensagens positivas e sedutoras que vale bem a pena destrinçar. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:43

Matt Berninger – Serpentine Prison

Segunda-feira, 16.11.20

Já viu a luz do dia Serpentine Prison, o disco de estreia da carreira a solo de Matt Berninger, um registo que deve muito do seu conteúdo ao período de confinamento que o músico viveu em Nova Iorque e que lhe permitiu debruçar-se com maior empenho neste seu projeto paralelo à realidade The National. Serpentine Prison conta nos créditos com os produtores Booker T. Jones e Sean O’Brien, e viu a luz do dia através da Book Records, uma nova etiqueta, subsidiária da Concord Records e formada por Berninger e Jones em conjunto.

Matt Berninger – 'Serpentine Prison' review: poise and prowess

Por muitas voltas que Matt Berninger dê à sua carreira musical, seja a solo, seja nos The National ou no projeto El VY, há sempre um tronco comum a todas as suas abordagens artísticas, as ideias de melancolia, de angústia amorosa e de sofrimento mais ou menos profundo devido a esse sentimento único. Serpentine Prison não foge à regra, num registo quem mostra logo esse adn do músico em My Eyes Are T-Shirts (When I see you something sad goes missing, I stop crying, lay down and listen, I hear your voice and my heart falls together, please come back, baby, make me feel better) e, logo a seguir e com uma sobriedade descomunal em Distant Axis, um tema que foi crescendo a partir de um esboço criado por Walter Martin (The Walkmen) e que tinha o nome inicial Savannah. Distant Axis é, aliás, a canção que melhor conjuga, na minha opinião, as dimensões lírica e sonora de Serpentine Prison, uma lindíssima composição, instrumentalmente riquíssima e repleta de arranjos das mais diversas proveniências, com uma toada emotiva crescente e na qual cordas e piano se deixam cobrir com mestria por uma nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos, impressões ampliadas pela superior delicadeza do registo vocal grave de Berninger.

Berninger é, na sua essência, confessionalmente monocromático e, artisticamente, uma fonte inesperada de soul, conforme se percebe, por exemplo, em One More Second, ou nas cordas que abraçam generosamente a sua voz suplicante em Loved So Little. Poucos duvidam que pessoalmente não seja uma personagem irrequieta, bem humorada e divertida, sendo público o seu sorriso fácil e uma genuína simpatia. É um ser repleto de cor e de jovialidade, mas, artisticamente, este autor, cantor e compositor sempre preferiu uma outra profundidade, fazendo-o com uma abordagem genuína e biográfica, plasmada numa faceta cinza que o coloca num pedestal de refinamento e classicismo exuberante e até algo distante da filosofia dos The National, eminentemente crua, enérgica e imediata, quando comparada com esta proposta em nome próprio.  O piano que conduz Take Me Out Of Town é uma sagaz ilustração desta sua visão requintada e charmosa do processo de composição e o cariz boémio e nublado de Collar Of Your Shirt um marco de nobreza melancólica que todos devemos apreciar com elevada devoção.

Em suma, Serpentine Prison oferece-nos com tremenda nitidez alguns dos maiores medos e inseguranças do autor e Berninger fá-lo aqui tornando-se na própria estrela que interpreta o estilo particulamente cinematográfico de uma escrita sempre tocante, intensa e realista. Espero que aprecies a sugestão...

Matt Berninger - Serpentine Prison

01. My Eyes Are T-Shirts
02. Distant Axis
03. One More Second
04. Loved So Little
05. Silver Springs (Feat. Gail Ann Dorsey)
06. Oh Dearie
07. Take Me Out of Town
08. Collar Of Your Shirt
09. All For Nothing
10. Serpentine Prison

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publicado por stipe07 às 17:56

The Antlers – It Is What It Is

Quinta-feira, 12.11.20

Projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano da última década, os The Antlers de Peter Silberman e Michael Lerner, habituaram-nos desde o fabuloso Hospice (2009) a um faustoso banquete de composições encharcadas em sensibilidade, angústia e conflito, canções cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, mas que nos mantinham sempre à tona porque também sabiam salvaguardar um soporífero cariz relaxante. Após o monumental registo Familiars, editado em dois mil e catorze e colocado em primeiro lugar nos melhores álbuns desse ano para a nossa redação, esse desfile de discos assertivos e metaforicamente intensos foi interrompido por opção da própria dupla e os The Antlers entraram num hiato que parece ter sido finalmente interrompido, para gaúdio de todos aqueles que se têm deliciado com a sua notável discografia.

The Antlers Share "It Is What It is": Listen - Stereogum

Assim, e ainda sem trazer consigo o anúncio de um sucessor de Familiars, conferimos há algumas semanas a composição Wheels Roll Home e agora It Is What It Is,  dois novos temas que parecem ter uma lógica sequencial e que marcam o arranque de uma nova fase da carreira dos The Antlers que, tendo em conta estas amostras, será certamente ainda mais promissora, luminosa e empolgante do que a anterior.

A terna acusticidade das cordas que conduzem What Is What It Is e o travo jazzístico das mesmas, um sabor impregnado ardentemente no efeito da guitarra e no modo como tais cordas se entrelaçam com a cândura da bateria,  e com um insinuante teclado, um trompete esguio e o sedutor e impressivo registo vocal de Silberman, sustentam uma canção que nos proporciona aquele limbo matinal e intimista que todos nós tanto desejamos.

It Is What It Is já tem também direito a um extraordinário vídeo, protagonizado pelos dançarinos Bobbi-Jene Smith e Or Schraiber e realizado por Derrick Belchman e Emily Terndrup. A trama do mesmo inicia onde terminou o filme de Wheels Roll Home. Confere...

The Antlers - It Is What It Is

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publicado por stipe07 às 18:13

Guards - Life Is A War

Terça-feira, 10.11.20

Guards - Life Is A War

Os Guards são um trio de Nova Iorque formado pelo vocalista Richie James Follin (irmão de Madeline Follin, o elemento feminino da dupla Cults), Loren Humphrey e Kaylie Church. Estrearam-se nos álbuns em dois mil e treze com um registo intitulado In Guards We Trust, que teve sequência o ano passado com o disco Modern Hymns, que tem agora sequência com um novo tema do trio, intitulado Life Is A War e que pode muito bem indicar que estará para breve o terceiro trabalho do projeto.

Este trio oriundo da cidade que nunca dorme chamado Guards, não esconde a busca por uma zona de conforto no seio de uma espécie de cliché cada vez mais atual, por estarmos num período de assunção do fenómeno vintage e retro, ao qual a música não escapa. Assim, com tanta oferta e com tantas bandas novas a darem o corpo ao manifesto no universo indie e alternativo, com um cariz assumidamente lo fi e psicadélico, há que dar o devido mérito aquelas que de algum modo se destacam e nos oferecem algo de novo, diferente e contagiante.

Em Life Is A War, este novo single da banda norte-americana, a guitarra é o instrumento nuclear, o elo de ligação de toda a sonoridade e a distorção que delas debita, o manto que cobre belíssimos teclados e que adorna, com doçura, luz e brilhantismo, uma composição onde os Guards, assumem, sem rodeios, que lhes corre nas veias uma toada surf popretro e lo fi, apaixonada e nostálgica, mas sem deixar de colocar o olho a outros horizontes mais abrangentes. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:34






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