Segunda-feira, 23 de Março de 2020

MGMT – As You Move Through The World

MGMT - As You Move Through The World

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, voltou a dar sinais de vida recentemente com um single de 12 polegadas com os temas In The Afternoon e o b side As You Move Through The World, sendo esta edição a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

Como certamente se recordam, a nossa redação fez eco desse lançamento no passado mês de dezembro, descrevendo e divulgado o lado a do 12'', o tema In The Afternoon, canção também com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann e que coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes.

Ora, a dupla tinha previsto editar o b side As You Move Through The World também como single, mas só dqui a algumas semanas. No entanto, como a pandemia do covid-19 forçou os MGMT a cancelar alguns concertos, nomeadamente no México e no Texas, a dupla resolveu antecipar a divulgação da canção, um instrumental com mais de sete minutos impregnados com um ímpar experimentalismo, repleto de sintetizadores com uma elevada vibe psicadélica, receita que nos remete para a melhor herança do house ambiental de final do século passado.  Confere...

 


autor stipe07 às 21:27
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Sábado, 14 de Março de 2020

Woods - Where Do You Go When You Dream?

Woods - Where Do You Go When You Dream

Com quase uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e parece-me que se vão manter em Strange To Explain, o álbum que a dupla se prepara para lançar a vinte e dois de maio, à boleia da etiqueta do grupo, a Woodsist e que sucede ao excelente Love Is Love, de dois mil e dezassete, sendo o primeiro do projeto desde que Earl foi pai e Jarvis se mudou para Los Angeles.

Where Do You Go When You Dream? é o primeiro single revelado de Strange To Explain, canção que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção. Confere Where Do You Go When You Dream? e a tracklist de Strange To Explain...

01 “Next To You And The Sea”
02 “Where Do You Go When You Dream?”
03 “Before They Pass By”
04 “Can’t Get Out”
05 “Strange To Explain”
06 “The Void”
07 “Just To Fall Asleep”
08 “Fell So Hard”
09 “Light Of Day”
10 “Be There Still”
11 “Weekend Wind”


autor stipe07 às 21:08
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Sexta-feira, 6 de Março de 2020

The National – Never Tear Us Apart

The National - Never Tear Us Apart

Ainda não tem um ano nos escaparates I Am Easy To Find, o oitavo registo de originais dos norte-americanos The National, mas a banda de Matt Berninger e dos irmãos Dessner e Devendorf mantém-se ativa e acaba de divulgar uma versão espetacular de Never Tear Us Apart, um clássico dos anos noventa do século passado, assinado pelos australianos INXS de Michael Hutchence.

O objetivo deste lançamento dos The National, numa revisitação que soube manter a grandiosidade do clássico, entalhando nele aquela sombra e rugosidade típicas da banda nova iorquina, é ajudar as vítimas dos incêndios na Austrália, fazendo a canção parte do alinhamento de Songs for Australia, uma complição que junta uma série de artistas com a mesma missão. Confere...


autor stipe07 às 18:43
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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

The Strokes – Bad Decisions

The Strokes - Bad Decisions

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

Depois de há poucos dias termos tido a possibilidade de contemplar pela primeira vez At The Door , uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casava bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, agora chega a vez de nos deliciarmo-nos com Bad Decisions, o segundo single retirado de The New Abnormal, um exuberante tratado de indie rock, festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo, já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes. 

Destaque também para o vídeo do tema, um filme assinado por Andrew Donoho e que nos oferece uma visão bastante curiosa do quinteto, numa versão retro. Confere Bad Decisions...


autor stipe07 às 13:59
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020

The Strokes – At The Door

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

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The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

At The Door é o primeiro single divulgado de The New Abnormal, uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casa bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo. Destaque também para o vídeo do tema, um filme animado inspirado no universo sci-fi, idealizado pelo escritor e realizador Mike Burkaroff e que inclui um coelho mutante e um conflito sangrento num planeta alienígena. Confere At The Door e o alinhamento deThe New Abnormal...

The Strokes - At The Door

The Adults Are Talking
Selfless
Brooklyn Bridge To Chorus
0Bad Decisions
Eternal Summer
At The Door
Why Are Sunday’s So Depressing
Not The Same Anymore
Ode To The Mets


autor stipe07 às 08:20
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2020

Black Marble – Bigger Than Life

Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, mas agora sedeada em Los Angeles, que se estreou nos discos em outubro de dois mil e doze, através da Hardly Art, com o registo A Different Arrangement, onze canções que carimbaram desde logo a sonoridade de uma banda, que nos remeteu, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. Tal impressão teve sequência com o excelente sucessor It's Immaterial, editado também em outubro, mas de dois mil e dezasseis, mantendo-se o décimo mês do ano como período período predileto paras o lançamento de registos, já que Bigger Than Life, o terceiro álbum do projeto, viu a luz do dia precisamente nesse mês do último ano.

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Apesar de serem uma dupla, nos Black Marble quem assume as rédeas é Chris Stewart, que começou a escrever o conteúdo de Bigger Than Life depois da mudança recente de Nova Iorque para a outra costa, uma mudança física e ambiental que acabou por inspirar o músico, que, de acordo com o próprio, no primeiro dia em que entrou em estúdio para gravar e olhou pela janela, ficou logo fascinado com a luz e o contraste entre o ceú e as montanhas que rodeiam a cidade dos anjos, um ambiente natural único que fax da principal cidade da costa oeste dos Estados Unídos um lugar especial e muito procurado.

A partir daí, e tendo presente esta conjuntura relativamente à incubação de Bigger Than Life, conforntamo-nos com um alinhamento bastante coeso de onze canções de forte cariz retro, já que têm como receituário fundamental o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. é uma estética que não recusa a originalidade e a autenticidade que já são imagem de marca do som identitário dos Black Marble, mas que os mesmos tentam recontextualizar e fazer progredir, tendo sempre como pano de fundo aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.

A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo, irrepreensível em Grey Eyeliner, e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar uma certa tensão melancólica, que também é uma das traves mestras do disco e que terá como ponto forte a vibe surf de Daily Driver, uma das composições mais encantadoras do registo, a par dos fragmentos de sons sintetizados e distorcidos de Feels.

Em suma, neste Bigger Than Life as composições refletem, com alguma minúcia, estados de alma e os contextos que definem o momento atual de Stewart, através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão nelas plasmadas. Tema após tema, o álbum transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, tudo agregado através de uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...

Black Marble - Bigger Than Life

01. Never Tell
02. One Eye Open
03. Daily Driver
04. Feels
05. The Usual
06. Grey Eyeliner
07. Bigger Than Life
08. Private Show
09. Shoulder
10. Hit Show
11. Call


autor stipe07 às 18:05
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Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

MGMT – In The Afternoon

MGMT - In The Afternoon

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, volta a dar sinais de vida com o anúncio do lançamento de um single de 12 polegadas do tema In The Afternoon, que inclui o b side As You Move Through The World, sendo a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

In The Afternoon, canção também já com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann, coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes, nuances que mostram que os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções deliciosias no modo como contêm uma dupla faceta de nostalgia e contemporaneidade. Confere...


autor stipe07 às 12:45
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Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

Miniature Tigers - Vampires In The Daylight

Três anos depois do muito recomendável I Dreamt I Was A Cowboy, os nova iorquinos Miniature Tigers de Charlie Brand, Rick Schaier, Algernon Quashie e Brandon Lee, mais uma banda natural de Brooklyn, um dos bairros musicalmente mais profícuos da maior cidade da costa leste dos Estados Unidos da América, estão de regresso com Vampires In The Daylight, um álbum que viu a luz do dia a onze de outubro, e disponível no sitio da banda.

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Banda inspirada no modo como se serve de alguns dos princípios orientadores da clássica pop, estes Miniature Tigers oferecem-nos uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, ampliada por uma dose elevada de experimentalismo que parece não se preocupar demasiado com regras e conveções, fundindo, em suma os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica.

Logo a abrir o registo, o clima orquestral intrincado de Caged Bird tem essa vertente de heterogeneidade e logo depois as cordas exuberantes e a percussão frenética de Manic Upswings, assim como, numa abordagem radicalmente diferente, o singelo paladar climático de Anything Else, a vibe surf do tema homónimo o travo R&B de cariz mais ambiental de Wish, carimbam esta impressão geral de elevado ecletismo, num disco em que a temática das relações está bastante presente, com canções carregadas de trocadilhos e metáforas e com a própria sonoridade geral a não deixar de denotar uma inspirada languidez, carregada ainda mais pela voz muitas vezes em falsete de Rick.

Vampires In The Daylight é para ser escutado sem ideias pré definidas e de espírito livre e aberto, sendo um daqueles álbuns que vai revelando, pouco a pouco, o exotismo de muitas das suas canções, repletas de texturas acústicas e elétricas, sobrepostas ou de mão dada e que, consoante o nosso estado de espírito no momento, trazem à tona da predominância de de algumas das imensas paisagens sonoras contém, um exercício inconsciente que faz com que este disco se torne estranhamente viciante. Espero que aprecies a sugestão.

Miniature Tigers - Cool

01. Caged Bird
02. Manic Upswings
03. Rattlesnake ASMR
04. Anything Else
05. Wish
06. Cool
07. Vampires In The Daylight
08. Guilty Sunsets
09. LNOE
10. Better Than Ezra
11. Somewhere Soft


autor stipe07 às 19:03
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Segunda-feira, 7 de Outubro de 2019

DIIV - Deceiver

Já chegou aos escaparates e à boleia da Captured Tracks Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver sucede ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Deceiver não sacode a toalha da mesa de toda a trama anterior que os DIIV criaram, quer em Oshin, o disco de estreia, quer em Is The Is Are, mas é um claro passo em frente rumo a sonoridades algo diferentes e mais abrangentes. E feita esta ressalva, convém esclarecer a situação pessoal atual de Zachary e que marca, indivutavelmente o conteúdo deste álbum. Assim, recordo que Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas do músico com a adição às drogas, mas o mesmo confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no seu conteúdo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos Zachary tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Deceiver é, portanto, claramente marcado por esta realidade, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia. A canção debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso.

A partir daí, o que temos é, no fundo, uma banda sonora tremendamente confessional relativamente a este processo de reabilitação e de catarse e que alarga o espetro sonoro que tipifica os DIIV, oferecendo ao seu cardápio uma dose mais carregada daquele rock com forte pendor nostálgico, que marcou a última década do século passado. Das diversas camadas de guitarras, das mudanças rítmicas e do registo vocal abafado de Horsehead, passando pelo clima melancólico que ressuscita a melhor herança de bandas como os The smashing Pumpkins, no período Gish, em, Like Before You Were Born, até ao rock efusiante e com forte travo aos Sonic Youth em Skin Game, ou a suprema melancolia de uns My Bloody Valentine na lindíssima Between Tides, são várias as referências de elite dessa década que marcaram o processo de composição melódica e instrumental de Deceiver, com especial ênfase na primeira metade do registo. A partir daí, no portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza que é Blankenship, na tonalidade progressiva e suja de Taker, no travo grunge de For The Guilty e na luminosidade vibrante de The Spark, completa-se o ciclo de um disco em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o consumiram durante tantos anos e que parecem finalmente ter sido plenamente exorcizados. Se para isso foi preciso criar um dos melhores discos do ano, já que este é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, principalmente pelo modo como faz um piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que vive permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia, melhor ainda. Espero que aprecies a sugestão...

DIIV - Deceiver

01. Horsehead
02. Like Before You Were Born
03. Skin Game
04. Between Tides
05. Taker
06. For The Guilty
07. The Spark
08. Lorelai
09. Blankenship
10. Acheron


autor stipe07 às 21:16
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Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019

DIIV – Blankenship

DIIV - Blankenship

Continuam a ser reveladas estrondosas composições de Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). E à medida que se abre o pano sobre aquele que será, certamente, um dos melhores discos de dois mil e dezanove, ficamos cada vez mais entusiasmados com a proximidade da data de lançamento, prevista para quatro de outubro, à boleia da Captured Tracks.

Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou, pouco depois do lançamento desse trabalho, que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas.

Sendo o conteúdo de Deceiver também muito centrado nessa questão psicotrópica, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo há já dois meses, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia e em Taker, a segunda composição também manteve essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa. Blankenship, a nova canção divulgada do registo, atesta, de vez, esta teoria, oferecendo-nos a composição mais ruidosa, efervescente e crua das três já conhecidas, um portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza, idealizada por um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Confere...


autor stipe07 às 13:08
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2019

Miniature Tigers – Manic Upswings

Miniature Tigers - Manic Upswings

Três anos depois do muito recomendável I Dreamt I Was A Cowboy, os nova iorquinos Miniature Tigers de Charlie Brand, Rick Schaier, Algernon Quashie e Brandon Lee, mais uma banda natural de Brooklyn, um dos bairros musicalmente mais profícuos da maior cidade da costa leste dos Estados Unidos da América, estão de regresso com Vampires In The Daylight, um álbum que irá ver a luz do dia a onze de outubro e do qual já se conhece Manic Upswings, o primeiro single retirado do registo.

Fundindo de modo bastante criativo, com cordas exuberantes e uma percurssão frenética, os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica, Manic Upswings é uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, um tema que faz adivinhar um disco particularmente exótico e texturalmente bastante rico. Confere...


autor stipe07 às 10:00
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Sábado, 24 de Agosto de 2019

DIIV – Taker

DIIV - Taker

Será a quatro de outubro e à boleia da Captured Tracks que chegará aos escaparates Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Sendo, portanto, o conteúdo de Deceiver, muito centrado nessa questão, como se percebeu igualmente há algumas semanas em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia, Taker, a segunda composição  que já podemos destrinçar do disco, mantém essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Sonoramente, Taker é um instante sonoro em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso. Confere...


autor stipe07 às 14:27
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

Ra Ra Riot – Superbloom

Dez anos depois de uma profícua colaboração que resultou num disco intitulado Discovery (2009) e de Rostam Batmanglij, membro dos Vampire Weekend de Ezra Koenig, ter produzido, cerca de meia década depois, Need Your Light, o último registo de originais dos Ra Ra Riot, alinhamento que continha Water, um tema composto a meias por Rostam e a banda, o músico nova iorquino e o coletivo de Siracusa, nos arredores da mesma cidade, voltam a unir esforços em Superbloom, o novo compêndio discográfico do grupo liderado por Wes Miles e ao qual se juntam atualmente Mathieu Santos, Milo Bonacci, Rebecca Zeller e Kenny Bernard, um album com doze canções que colocam os Ra Ra Riot na senda de uma pop nostálgica, mas que entronca nas tendências mais atuais que misturam cordas e sintetizadores sempre com luminosidade e irrepreensível assertividade melódica.

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Quem conhece a fundo o trabalho de Rostam Batmanglij, quer como músico quer como produtor, percebe facilmente que Superbloom é um daqueles discos em que o produtor tem uma palavra decisiva no seu conteúdo, mesmo no que concerne ao próprio arquétipo fundamental das canções. Se Need Your Light já tinha mostrado uns Ra Ra Riot mais radiofónicos e longe do lo fi, Superbloom coloca-os decisivamente na rota de uma sonoridade que se quer apelativa, otimista e de fácil assimilação, mas sem deixar de exalar um superior quilate criativo.

Assim, se logo na majestosidade e na amplitude de Flowers é percetível a vasta míriade instrumental que sustenta Superbloom, em Bad To Worse, canção inspirada em vagas memórias e longas viagens rodoviárias, o ritmo divagante e melancólico da bateria e o modo como encaixa na perfeição com o registo vocal em falsete de Miles, enquanto as sintetizações e as cordas, à medida que se acomodam progressivamente na melodia, fazem a canção levitar, levando-nos com ela, deixa-nos letargicamente logo à mercê de um alinhamento que faz ressurgir o nosso baú de memórias, mas também nos acomoda dentro das tendências essenciais da pop atual. E esta dupla capacidade que Superbloom tem de nos surpreender é um dos seus maiores trunfos, amplificada na impetuosidade de Belladonna e no neopsicadelismo de Dangerous, mas também na cadência milimétrica da rugosidade progressiva de Endless Pain/Endless Joy, na cosmicidade retro das sintetizações e da batida de Bitter Conversation e, principalmente, no groove festivo de This Time Of Year, uma das composições mais divertidas da carreira dos Ra Ra Riot.

Superbloom eleva o quinteto para um novo patamar instrumental mais arrojado e afina a excelência com que o grupo continua a abordar o lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzindo essa valência em inspirados versos e, principalmente, num cruzamento feliz entre eletrónica e indie pop, sendo exercício nitidamente recompensador escutar o álbum e conferir a vasta heterogeneidade de elementos e nuances que caraterizam cada um dos tema do melhor registo da carreira dos Ra Ra Riot. Espero que aprecies a sugestão...

Ra Ra Riot - Superbloom

01. Flowers
02. Bad To Worse
03. Belladonna
04. Endless Pain/Endless Joy
05. War And Famine
06. Bitter Conversation
07. This Time Of Year
08. Gimme Time
09. Backroads
10. Dangerous
11. An Accident
12. A Check For Daniel


autor stipe07 às 15:24
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Quinta-feira, 25 de Julho de 2019

DIIV – Skin Game

Será a quatro de outubro e à boleia da Captured Tracks que chegará aos escaparates Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV, photo by <a href="http://www.coleybrown.com/">Coley Brown</a>

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Skin Game, o primeiro single divulgado de Deceiver, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia, debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso, conforme admitiu recentemente: Skin Game it’s an imaginary dialogue between two characters, which could either be myself or people I know. I spent six months in several different rehab facilities at the beginning of 2017. I was living with other addicts. Being a recovering addict myself, there are a lot of questions like, “Who are we? What is this disease?” Our last record was about recovery in general, but I truthfully didn’t buy in. I decided to live in my disease instead. “Skin Game” looks at where the pain comes from. I’m looking at the personal, physical, emotional, and broader political experiences feeding into the cycle of addiction for millions of us.

Sonoramente, Skin Game, um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem já figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, exala na sua majestosidade instrumental a melhor herança de uns Sonic Youth em plena forma, uma constatação também expressa com intensidade e requinte superiores, na crueza orgânica das guitarras, que fazem questão de viver ao longo da canção de braço dado com o salutar experimentalismo percurssivo do baixo e da bateria, uma simbiose que atinge mesmo, durante o refrão, patamares particularmente turtuosos. Em suma, Skin Game, faz adivinhar que o conteúdo de Deceiver será invariavelmente irrequieto, direto e a encarnação sonora de uma espécie de grito de revolta e de libertação, que se espera ser definitiva. Confere Skin Game e o artwork e a tracklist de Deceiver...

DIIV - Skin Game

01 Horsehead
02 Like Before You Were Born
03 Skin Game
04 Between Tides
05 Taker
06 For the Guilty
07 The Spark
08 Lorelai
09 Blankenship
10 Acheron


autor stipe07 às 10:44
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

The Drums – Try

The Drums - Try

Foi em abril que viu a luz do dia Brutalism, o quinto e novo registo de originais dos norte-americanos The Drums e que sucedeu ao excelente Abysmal Thoughts, o primeiro álbum desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. Recordo que os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o grupo e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, estando a tentar com as nove canções deste Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia. E desta vez procurou uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista.

Try, um novo single revelado por Pierce e que não constando do alinhamento de Brutalism foi incubado durante as sessões de gravação do disco, ajuda ainda mais a comprovar este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também, tendo em conta o seu formato poeticamente triste e eminentemente orgânico, minimal e percurssivo, serve para mostrar que Pierce, quando se entrega emocionalmente sem barreiras, é capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente algo de inovador e relevante. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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Terça-feira, 18 de Junho de 2019

Yeasayer – Erotic Reruns

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer mantiveram um silêncio de quatro anos que, à época, já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, teve, em dois mil e dezasseis, para gaúdio de todos nós, sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye,  que reforçou não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidou a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

Resultado de imagem para Yeasayer Erotic Reruns

Agora, novamente após um hiato algo prolongado, a banda de Brooklyn regressa com Erotic Reruns, o quinto álbum de estúdio desta banda americana, um trabalho lançado através da própria gravadora do projeto, a Yeasayer Records, produzido também pelo grupo e que coloca novamente o trio na senda de um experimentalismo que mescla psicadelia com eletrónica e rock com elevado grau de hipnotismo, sem descurar a veia divertida e festiva que sempre foi uma das grandes forças motrizes desta banda.

Com a capa do disco captada em Portugal e da autoria de Bráulio Amado, Erotic Reruns deve muito do seu conteúdo à eleição de Trump há pouco mais de dois anos mas também a personalidades controversas como  James Comey, Sarah Huckabee Sanders e ao monstro anti-imigração Stephen Miller. Num alinhamento que dura praticamente meia hora, canções como a charmosa e libidinosa daftpunkiana People I Loved, a exuberante e cósmica Ecstatic Baby, a sensual Crack A Smile, ou a mais instável e emotiva Blue Skies Dandelions, reforçam não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidam a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais eficazes no modo como nos oferecem uma eficaz oscilação e simbiose entre os orgânico e sintético, rock e eletrónica, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade e bom gosto.

Quase no ocaso do disco, o modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Ohm Death e, usando também esse receituário, a tonalidade pop oitocentista indisfarçável de Fluttering In The Floodlights e a deliciosa luminosidade do timbre da guitarra que conduz I’ll Kiss You Tonight, ajudam a ampliar o cada vez maior distanciamento dos Yeasayer relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é cada vez mais explorar territórios emotivamente mais abrangentes, com o registo vocal inédito de Chris Keating, já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino, a ser também uma arma certeira neste bem sucedido processo de reinvenção e ampliação da vitalidade e da abrangência do catálogo de um grupo que é já uma referência incontornável de um género sonoro que se for abordado com este grau de criatividade e bom gosto acaba, incontornavelmente, por originar discos animados, alegres, solarengos e qualitativamente marcantes. O carisma e a personalidade de Erotic Reruns merece todas estas odes. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Erotic Reruns

01. People I Loved
02. Ecstatic Baby
03. Crack A Smile
04. Blue Skies Dandelions
05. Let Me Listen In On You
06. I’ll Kiss You Tonight
07. 24-Hour Hateful Live!
08. Ohm Death
09. Fluttering In The Floodlights


autor stipe07 às 19:28
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

André Carvalho - The Garden of Earthly Delights

Já chegou aos escaparates The Garden of Earthly Delightso terceiro registo de originais do contrabaixista e compositor André Carvalho, um músico natural de Lisboa, mas a viver do outro lado do atlântico, na big apple, há quase meia década. Com artwork da autoria de Margarida Girão e inspirado no espantoso e intrincado universo do artista Hieronymus Bosch, em particular da pintura que dá nome ao disco, patente no Museu do Prado em Madrid, The Garden of Earthly Delights sucede a Hajime e Memória de Amiba, dois registos que mostraram uma mescla muito pessoal e original entre jazz contemporâneo e alguns dos arquétipos fundamentais da música portuguesa de cariz mais erudito e tradicional.

Resultado de imagem para André Carvalho The Garden of Earthly Delights

Misturado pelo pianista, engenheiro e produtor Pete Rende, e masterizado pelo multi-instrumentista Nate Wood, com as participações especiais de nomes tão proeminentes como Jeremy Powell, um saxofonista americano e um dos mais influentes músicos no panorama de Nova Iorque, Eitan Gofman, um jovem saxofonista Israelista que tocou com Randy Brecker, Gerald Clayton, Eddie Gomez, David Liebman entre muitos outros, Oskar Stenmark, trompetista sueco que tocou com nomes como Maria Schneider Orchestra, David Byrne, Arturo O’Farrill e a Bohusland Big Band, o português André Matos, guitarrista que tocou com Sara Serpa, Billy Mintz, Pete Rende, Jacob Sacks e Thomas Morgan e Rodrigo Recabarren, baterista chileno com uma vasta experiência e cujo currículo inclui participações com Camila Meza, Kenny Barron, Kenny Werner, Melissa Aldana e Gilad Hekselman, The Garden of Earthly Delights oferece-nos, nas suas onze composições, uma recompensadora viagem em forma de suite musical, uma jornada contemplativa com vários momentos de tensão, mas também de calma. São composições que entre a suavidade e a brutalidade, a simplicidade e a complexidade, a harmonia e o conflito, fluiem com ímpar indulgência e subtil sagacidade, ao mesmo tempo que nos dão uma visão muito própria do referido quadro, um tríptico pintado pelo pintor holandês entre finais do século XV e início do séxulo XVI e em que a parte mais fechada representa a criação do mundo, mas que quando aberto, nos oferece um panorama incrível de interpretações que, entre as noções de paraíso, as tentações, uma visão do inferno repleto de almas pecadoras a caminho de um moinho, o voyeurismo e a pura e dura sexualidade, possibilitam por parte do nosso olhar as mais variadas interpretações.

Assim também é a música de André Carvalho, telas sonoras passíveis de apropriação por parte do ouvinte, que movidas através de complexas texturas melódicas entrelaçadas em sopros e cordas, sempre com uma certa aúrea de mistério e com uma enorme personalidade, plasmam todo o charme do melhor jazz contemporâneo. The Garden of Earthly Delights é, pois, um magnífico caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. Depois poderemos com elas exorcizar demónios, mas também aconchegar alegrias e realizações, esteja o ouvinte predisposto a saborear convenientemente o universo criado por este excelente intérprete de um estilo sonoro nem sempre devidamente apreciado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:54
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Terça-feira, 21 de Maio de 2019

The National – I Am Easy To Find

Já chegou aos escaparates I Am Easy To Findo novo registo de originais dos norte-americanos The National, um álbum que viu a luz do dia a dezassete de maio, através da 4AD. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e tem um alinhamento de dezasseis canções que colocam os The National num pedestal de refinamento e classicismo algo exuberante e cada vez mais distante dos primeiros trabalhos do grupo nova-iorquino, que eram eminentemente crus, enérgicos e imediatos, quando comparados com estas últimas propostas mais contemporâneas.

Resultado de imagem para The National I Am Easy To Find

Antes de olhar a fundo no conteúdo de I Am Easy To Find, é importante esclarecer que uma das grandes curiosidades do disco é ser um trabalho colaborativo e conceptual. Resulta de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum. Mike Mills acabou por realizar também alguns videos de singles entretanto divulgados do disco, produções independentes do filme, com destaque para a interpretação de dança, protagonizada pela israelita Sharon Eyal em Hairpin Turns e que, de acordo com Mills, acaba por funcionar neste video como uma espécie de alter ego da personagem interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander no filme.

Nome maior do panorama alternativo norte-americano das últimas duas décadas, sempre com elevada consistência e sem necessidade de grandes inflexões sonoras, o grupo liderado por Matt Berninger chega ao oitavo disco a oferecer à sua vasta legião de fãs o alinhamento mais longo, ambicioso e intrincado de um dos percursos mais dinâmicos e ricos da história do rock alternativo contemporâneo. E fá-lo cada vez mais centrado na figura do vocalista que, rodeado de quatro dos melhores músicos da atualidade, vai expressando, álbum após álbum, todas as suas agruras e frustrações, mas também sonhos, alegrias e realizações pessoais. Ele é o tipo de cantor e poeta capaz de oferecer com tremenda nitidez os seus maiores medos e inseguranças e fá-lo tornando-se na própria estrela que interpreta o estilo particulamente cinematográfico de uma escrita sempre tocante, intensa e realista. É, portanto, impossível indissociar os poemas musicados pelos The National do próprio trajeto pessoal de Berninger, sendo quase possível redigir uma espécie de biografia do homem tendo por base a análise e interpretação do catálogo sonoro deste quinteto.

Uma das nuances mais interessantes de I Am Easy To Find e que reforçam este exercício de exposição pública por parte de Berninger, foi a opção por se fazer acompanhar por um interessantíssimo conjunto de vozes femininas que ajudam a ampliar toda a aúrea de sentimentalismo, sensibilidade e até de uma certa pureza e requinte, sensações que exalam facilmente do âmago deste disco. Na nobreza melancólica de Oblivions, composição sobre a beleza do casamento e com a voz de Pauline de Lassus, esposa de Bryce Dessner, na condução, no modo como em Hey Rosey, um tema sobre a exposição das vulnerabilidades individuais sempre subjacentes a uma relação profunda e bem sucedida, Mina Tindle acaba mesmo por assumir o protagonismo vocal numa lindíssima canção que também tem nos créditos líricos Carin Besser, esposa de Berninger, na religiosidade mítica que o coletivo Brooklyn Youth Chorus nos proporciona em Her Father In The Pool e com maior cosmicidade no tema Dust Swirls in Strange Light, no modo delicado como na luxuriante e efusiva rugosidade de Where Is Her Head, um dos melhores temas que os The National compuseram esta década, Eve Owens canta um excerto do livro que o pai lê à protagonista do filme adjacente ao álbum e, principalmente, na presença de Gail Ann Dorsey, baixista e segunda voz durante longo período da carreira do malogrado David Bowie em You Had Your Soul With You, fica plasmada uma evidência inegável; Estas vozes femininas assumem a primazia interpretativa e delegam, em muitos casos, Matt Berninger para um papel de coadjuvante, algo difícil de se imaginar numa banda que sempre foi sonoramente tão íntima e dependente da sua voz principal.

No que concerne à componente instrumental do disco, como de certo modo já referi acima, os The National continuam, ao oitavo disco, a enriquecer o seu impressionante catálogo com novas nuances instrumentais, cada vez mais firmadas nas teclas do piano e dos sintetizadores e em diversos dos atuais entalhes entre eletrónica e rock alternativo, opções que procuram incutir luminosidade e cor ao que aparentemente já foi muito mais sombra e rugosidade. Assim, acaba por ser comum escutar em simultâneo, como é o caso de Light Years, instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros, como You Had Your Soul With You, que acabam por resvalar para uma teia sonora que se diversifica e se expande, à medida que a composição evolui. Depois há ainda canções, como Roman Holiday, que prezam pelo minimalismo da combinação de poucos instrumentos, mas que, no fundo, tornam-se num refúgio bucólico e denso que impressiona pelo forte cariz sensorial. Finalmente, há ainda outras que soam mais ricas e trabalhadas, como Quiet Lighttalvez um dos temas do disco que exala com superior precisão o cada vez maior ecletismo estilístico do grupo.

Os The National sempre foram bem aceites e acarinhados por cá devido ao modo como, nos primeiros discos, se tornavam automaticamente nossos amigos e confidentes, não só pela forma como abordavam a tristeza, dando-nos pistas concretas no modo de lidar com ela e apontando caminhos de redenção, nem que fosse através da simples lembrança de que amanhã há sempre um novo dia e que a esperança nunca pode esmorecer. Agora, a sensação que fica é que o efeito pretendido é um pouco o contrário, ou seja, existe uma pretensão mais ou menos clara por parte de Berninger de querer que sejamos nós a sacar as suas confidências e sente-se que ele suspira por uma retribuição da nossa parte relativamente a essa entrega e exposição ímpares. No travo psicadélico invulgar de So Far So Fast, na sobriedade do piano e da batida sintética que conduz Hairpin Turns, uma ode às memórias que deixamos para os outros depois de partirmos deste mundo, na exaltação à beleza do mundo infantil feita em Rylan, um tema com raízes nas sessões de gravação de High Violet (2010), na suprema luminosidade de Light Years, uma canção sobre esperança, luta e vitória, composta num piano sueco numa casa que a família de Berninger alugou na Dinamarca, para onde se mudaram há alguns anos, durante uma temporada, depois da sogra de Berninger ter sido diagnosticada com cancro e, principalmente, em Not In Kansas, uma canção que contém referências aos R.E.M., aos The Strokes, a um fornecedor de erva antigo do músico e ao seu ódio de estimação pela extrema-direita e incubada também na Dinamarca a partir de um instrumental intitulado Everything to Everyone, do projeto Everyone Moves Away, Berninger é particularmente explícito neste exercício comunicacional confessional que procura estabelecer com a intimidade de cada um de nós, dentro de um disco pensado com um propósito bem definido, mas que pode muito bem também ser apropriado pelos fãs da banda para ser lido e interpretado do modo que melhor lhe convier. Esta possibilidade que a música dos The National sempre nos ofertou é, sem dúvida, uma das suas  imagens de marca e um dos legados únicos que a banda deixa para a história do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

The National - I Am Easy To Find

01. You Had Your Soul With You
02. Quiet Light
03. Roman Holiday
04. Oblivions
05. The Pull Of You
06. Hey Rosey
07. I Am Easy To Find
08. Her Father In the Pool
09. Where Is Her Head
10. Not In Kansas
11. So Far So Fast
12. Dust Swirls In Strange Light
13. Hairpin Turns
14. Rylan
15. Underwater
16. Light Years


autor stipe07 às 15:35
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Domingo, 19 de Maio de 2019

Interpol - Fine Mess EP

Quase um ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no verão de dois mil e dezanove com Fine Mess, um EP que a banda acaba de lançar à boleia, obviamente, da Matador Records e que contém cinco canções gravadas por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Maraudero tal disco que os Interpol editaram no verão passado.

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É impossível indissociar o conteúdo de Fine Mess do alinhamento de Marauder,  até porque o EP mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate. Seja como for, parece-me não ter havido apenas um exercício de junção de composições que ficaram de fora desse registo, mas antes algo mais aturado e refletido. De facto, Fine Mess tem uma identidade muito própria e será redutor e injusto considerar este EP como uma espécie de apêndice de Marauder. Escuta-se o tema homónimo e somos confrontados com o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém uma ímpar virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações.

As nuances rítmicas de No Big Deal e a energia intuitiva de Real Life acabam por ser duas balizas identitárias deste alinhamento e de marcação da tal ruptura com Marauder, com a toada invulgarmente pop de The Weekend a ser a cereja no topo do bolo de um EP que atesta, uma vez mais, a superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã um extra inesperado e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - A Fine Mess

01. Fine Mess
02. No Big Deal
03. Real Life
04. The Weekend
05. Thrones


autor stipe07 às 18:19
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Bear Hands – Fake Tunes

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e particularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

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Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Bear Hands Fake Tunes

01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)


autor stipe07 às 17:47
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