Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

The Drums – Try

The Drums - Try

Foi em abril que viu a luz do dia Brutalism, o quinto e novo registo de originais dos norte-americanos The Drums e que sucedeu ao excelente Abysmal Thoughts, o primeiro álbum desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. Recordo que os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o grupo e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, estando a tentar com as nove canções deste Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia. E desta vez procurou uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista.

Try, um novo single revelado por Pierce e que não constando do alinhamento de Brutalism foi incubado durante as sessões de gravação do disco, ajuda ainda mais a comprovar este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também, tendo em conta o seu formato poeticamente triste e eminentemente orgânico, minimal e percurssivo, serve para mostrar que Pierce, quando se entrega emocionalmente sem barreiras, é capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente algo de inovador e relevante. Confere...


autor stipe07 às 18:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 18 de Junho de 2019

Yeasayer – Erotic Reruns

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer mantiveram um silêncio de quatro anos que, à época, já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, teve, em dois mil e dezasseis, para gaúdio de todos nós, sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye,  que reforçou não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidou a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

Resultado de imagem para Yeasayer Erotic Reruns

Agora, novamente após um hiato algo prolongado, a banda de Brooklyn regressa com Erotic Reruns, o quinto álbum de estúdio desta banda americana, um trabalho lançado através da própria gravadora do projeto, a Yeasayer Records, produzido também pelo grupo e que coloca novamente o trio na senda de um experimentalismo que mescla psicadelia com eletrónica e rock com elevado grau de hipnotismo, sem descurar a veia divertida e festiva que sempre foi uma das grandes forças motrizes desta banda.

Com a capa do disco captada em Portugal e da autoria de Bráulio Amado, Erotic Reruns deve muito do seu conteúdo à eleição de Trump há pouco mais de dois anos mas também a personalidades controversas como  James Comey, Sarah Huckabee Sanders e ao monstro anti-imigração Stephen Miller. Num alinhamento que dura praticamente meia hora, canções como a charmosa e libidinosa daftpunkiana People I Loved, a exuberante e cósmica Ecstatic Baby, a sensual Crack A Smile, ou a mais instável e emotiva Blue Skies Dandelions, reforçam não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidam a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais eficazes no modo como nos oferecem uma eficaz oscilação e simbiose entre os orgânico e sintético, rock e eletrónica, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade e bom gosto.

Quase no ocaso do disco, o modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Ohm Death e, usando também esse receituário, a tonalidade pop oitocentista indisfarçável de Fluttering In The Floodlights e a deliciosa luminosidade do timbre da guitarra que conduz I’ll Kiss You Tonight, ajudam a ampliar o cada vez maior distanciamento dos Yeasayer relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é cada vez mais explorar territórios emotivamente mais abrangentes, com o registo vocal inédito de Chris Keating, já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino, a ser também uma arma certeira neste bem sucedido processo de reinvenção e ampliação da vitalidade e da abrangência do catálogo de um grupo que é já uma referência incontornável de um género sonoro que se for abordado com este grau de criatividade e bom gosto acaba, incontornavelmente, por originar discos animados, alegres, solarengos e qualitativamente marcantes. O carisma e a personalidade de Erotic Reruns merece todas estas odes. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Erotic Reruns

01. People I Loved
02. Ecstatic Baby
03. Crack A Smile
04. Blue Skies Dandelions
05. Let Me Listen In On You
06. I’ll Kiss You Tonight
07. 24-Hour Hateful Live!
08. Ohm Death
09. Fluttering In The Floodlights


autor stipe07 às 19:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

André Carvalho - The Garden of Earthly Delights

Já chegou aos escaparates The Garden of Earthly Delightso terceiro registo de originais do contrabaixista e compositor André Carvalho, um músico natural de Lisboa, mas a viver do outro lado do atlântico, na big apple, há quase meia década. Com artwork da autoria de Margarida Girão e inspirado no espantoso e intrincado universo do artista Hieronymus Bosch, em particular da pintura que dá nome ao disco, patente no Museu do Prado em Madrid, The Garden of Earthly Delights sucede a Hajime e Memória de Amiba, dois registos que mostraram uma mescla muito pessoal e original entre jazz contemporâneo e alguns dos arquétipos fundamentais da música portuguesa de cariz mais erudito e tradicional.

Resultado de imagem para André Carvalho The Garden of Earthly Delights

Misturado pelo pianista, engenheiro e produtor Pete Rende, e masterizado pelo multi-instrumentista Nate Wood, com as participações especiais de nomes tão proeminentes como Jeremy Powell, um saxofonista americano e um dos mais influentes músicos no panorama de Nova Iorque, Eitan Gofman, um jovem saxofonista Israelista que tocou com Randy Brecker, Gerald Clayton, Eddie Gomez, David Liebman entre muitos outros, Oskar Stenmark, trompetista sueco que tocou com nomes como Maria Schneider Orchestra, David Byrne, Arturo O’Farrill e a Bohusland Big Band, o português André Matos, guitarrista que tocou com Sara Serpa, Billy Mintz, Pete Rende, Jacob Sacks e Thomas Morgan e Rodrigo Recabarren, baterista chileno com uma vasta experiência e cujo currículo inclui participações com Camila Meza, Kenny Barron, Kenny Werner, Melissa Aldana e Gilad Hekselman, The Garden of Earthly Delights oferece-nos, nas suas onze composições, uma recompensadora viagem em forma de suite musical, uma jornada contemplativa com vários momentos de tensão, mas também de calma. São composições que entre a suavidade e a brutalidade, a simplicidade e a complexidade, a harmonia e o conflito, fluiem com ímpar indulgência e subtil sagacidade, ao mesmo tempo que nos dão uma visão muito própria do referido quadro, um tríptico pintado pelo pintor holandês entre finais do século XV e início do séxulo XVI e em que a parte mais fechada representa a criação do mundo, mas que quando aberto, nos oferece um panorama incrível de interpretações que, entre as noções de paraíso, as tentações, uma visão do inferno repleto de almas pecadoras a caminho de um moinho, o voyeurismo e a pura e dura sexualidade, possibilitam por parte do nosso olhar as mais variadas interpretações.

Assim também é a música de André Carvalho, telas sonoras passíveis de apropriação por parte do ouvinte, que movidas através de complexas texturas melódicas entrelaçadas em sopros e cordas, sempre com uma certa aúrea de mistério e com uma enorme personalidade, plasmam todo o charme do melhor jazz contemporâneo. The Garden of Earthly Delights é, pois, um magnífico caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. Depois poderemos com elas exorcizar demónios, mas também aconchegar alegrias e realizações, esteja o ouvinte predisposto a saborear convenientemente o universo criado por este excelente intérprete de um estilo sonoro nem sempre devidamente apreciado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 21 de Maio de 2019

The National – I Am Easy To Find

Já chegou aos escaparates I Am Easy To Findo novo registo de originais dos norte-americanos The National, um álbum que viu a luz do dia a dezassete de maio, através da 4AD. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e tem um alinhamento de dezasseis canções que colocam os The National num pedestal de refinamento e classicismo algo exuberante e cada vez mais distante dos primeiros trabalhos do grupo nova-iorquino, que eram eminentemente crus, enérgicos e imediatos, quando comparados com estas últimas propostas mais contemporâneas.

Resultado de imagem para The National I Am Easy To Find

Antes de olhar a fundo no conteúdo de I Am Easy To Find, é importante esclarecer que uma das grandes curiosidades do disco é ser um trabalho colaborativo e conceptual. Resulta de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum. Mike Mills acabou por realizar também alguns videos de singles entretanto divulgados do disco, produções independentes do filme, com destaque para a interpretação de dança, protagonizada pela israelita Sharon Eyal em Hairpin Turns e que, de acordo com Mills, acaba por funcionar neste video como uma espécie de alter ego da personagem interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander no filme.

Nome maior do panorama alternativo norte-americano das últimas duas décadas, sempre com elevada consistência e sem necessidade de grandes inflexões sonoras, o grupo liderado por Matt Berninger chega ao oitavo disco a oferecer à sua vasta legião de fãs o alinhamento mais longo, ambicioso e intrincado de um dos percursos mais dinâmicos e ricos da história do rock alternativo contemporâneo. E fá-lo cada vez mais centrado na figura do vocalista que, rodeado de quatro dos melhores músicos da atualidade, vai expressando, álbum após álbum, todas as suas agruras e frustrações, mas também sonhos, alegrias e realizações pessoais. Ele é o tipo de cantor e poeta capaz de oferecer com tremenda nitidez os seus maiores medos e inseguranças e fá-lo tornando-se na própria estrela que interpreta o estilo particulamente cinematográfico de uma escrita sempre tocante, intensa e realista. É, portanto, impossível indissociar os poemas musicados pelos The National do próprio trajeto pessoal de Berninger, sendo quase possível redigir uma espécie de biografia do homem tendo por base a análise e interpretação do catálogo sonoro deste quinteto.

Uma das nuances mais interessantes de I Am Easy To Find e que reforçam este exercício de exposição pública por parte de Berninger, foi a opção por se fazer acompanhar por um interessantíssimo conjunto de vozes femininas que ajudam a ampliar toda a aúrea de sentimentalismo, sensibilidade e até de uma certa pureza e requinte, sensações que exalam facilmente do âmago deste disco. Na nobreza melancólica de Oblivions, composição sobre a beleza do casamento e com a voz de Pauline de Lassus, esposa de Bryce Dessner, na condução, no modo como em Hey Rosey, um tema sobre a exposição das vulnerabilidades individuais sempre subjacentes a uma relação profunda e bem sucedida, Mina Tindle acaba mesmo por assumir o protagonismo vocal numa lindíssima canção que também tem nos créditos líricos Carin Besser, esposa de Berninger, na religiosidade mítica que o coletivo Brooklyn Youth Chorus nos proporciona em Her Father In The Pool e com maior cosmicidade no tema Dust Swirls in Strange Light, no modo delicado como na luxuriante e efusiva rugosidade de Where Is Her Head, um dos melhores temas que os The National compuseram esta década, Eve Owens canta um excerto do livro que o pai lê à protagonista do filme adjacente ao álbum e, principalmente, na presença de Gail Ann Dorsey, baixista e segunda voz durante longo período da carreira do malogrado David Bowie em You Had Your Soul With You, fica plasmada uma evidência inegável; Estas vozes femininas assumem a primazia interpretativa e delegam, em muitos casos, Matt Berninger para um papel de coadjuvante, algo difícil de se imaginar numa banda que sempre foi sonoramente tão íntima e dependente da sua voz principal.

No que concerne à componente instrumental do disco, como de certo modo já referi acima, os The National continuam, ao oitavo disco, a enriquecer o seu impressionante catálogo com novas nuances instrumentais, cada vez mais firmadas nas teclas do piano e dos sintetizadores e em diversos dos atuais entalhes entre eletrónica e rock alternativo, opções que procuram incutir luminosidade e cor ao que aparentemente já foi muito mais sombra e rugosidade. Assim, acaba por ser comum escutar em simultâneo, como é o caso de Light Years, instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros, como You Had Your Soul With You, que acabam por resvalar para uma teia sonora que se diversifica e se expande, à medida que a composição evolui. Depois há ainda canções, como Roman Holiday, que prezam pelo minimalismo da combinação de poucos instrumentos, mas que, no fundo, tornam-se num refúgio bucólico e denso que impressiona pelo forte cariz sensorial. Finalmente, há ainda outras que soam mais ricas e trabalhadas, como Quiet Lighttalvez um dos temas do disco que exala com superior precisão o cada vez maior ecletismo estilístico do grupo.

Os The National sempre foram bem aceites e acarinhados por cá devido ao modo como, nos primeiros discos, se tornavam automaticamente nossos amigos e confidentes, não só pela forma como abordavam a tristeza, dando-nos pistas concretas no modo de lidar com ela e apontando caminhos de redenção, nem que fosse através da simples lembrança de que amanhã há sempre um novo dia e que a esperança nunca pode esmorecer. Agora, a sensação que fica é que o efeito pretendido é um pouco o contrário, ou seja, existe uma pretensão mais ou menos clara por parte de Berninger de querer que sejamos nós a sacar as suas confidências e sente-se que ele suspira por uma retribuição da nossa parte relativamente a essa entrega e exposição ímpares. No travo psicadélico invulgar de So Far So Fast, na sobriedade do piano e da batida sintética que conduz Hairpin Turns, uma ode às memórias que deixamos para os outros depois de partirmos deste mundo, na exaltação à beleza do mundo infantil feita em Rylan, um tema com raízes nas sessões de gravação de High Violet (2010), na suprema luminosidade de Light Years, uma canção sobre esperança, luta e vitória, composta num piano sueco numa casa que a família de Berninger alugou na Dinamarca, para onde se mudaram há alguns anos, durante uma temporada, depois da sogra de Berninger ter sido diagnosticada com cancro e, principalmente, em Not In Kansas, uma canção que contém referências aos R.E.M., aos The Strokes, a um fornecedor de erva antigo do músico e ao seu ódio de estimação pela extrema-direita e incubada também na Dinamarca a partir de um instrumental intitulado Everything to Everyone, do projeto Everyone Moves Away, Berninger é particularmente explícito neste exercício comunicacional confessional que procura estabelecer com a intimidade de cada um de nós, dentro de um disco pensado com um propósito bem definido, mas que pode muito bem também ser apropriado pelos fãs da banda para ser lido e interpretado do modo que melhor lhe convier. Esta possibilidade que a música dos The National sempre nos ofertou é, sem dúvida, uma das suas  imagens de marca e um dos legados únicos que a banda deixa para a história do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

The National - I Am Easy To Find

01. You Had Your Soul With You
02. Quiet Light
03. Roman Holiday
04. Oblivions
05. The Pull Of You
06. Hey Rosey
07. I Am Easy To Find
08. Her Father In the Pool
09. Where Is Her Head
10. Not In Kansas
11. So Far So Fast
12. Dust Swirls In Strange Light
13. Hairpin Turns
14. Rylan
15. Underwater
16. Light Years


autor stipe07 às 15:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 19 de Maio de 2019

Interpol - Fine Mess EP

Quase um ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no verão de dois mil e dezanove com Fine Mess, um EP que a banda acaba de lançar à boleia, obviamente, da Matador Records e que contém cinco canções gravadas por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Maraudero tal disco que os Interpol editaram no verão passado.

Resultado de imagem para Interpol Fine Mess EP

É impossível indissociar o conteúdo de Fine Mess do alinhamento de Marauder,  até porque o EP mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate. Seja como for, parece-me não ter havido apenas um exercício de junção de composições que ficaram de fora desse registo, mas antes algo mais aturado e refletido. De facto, Fine Mess tem uma identidade muito própria e será redutor e injusto considerar este EP como uma espécie de apêndice de Marauder. Escuta-se o tema homónimo e somos confrontados com o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém uma ímpar virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações.

As nuances rítmicas de No Big Deal e a energia intuitiva de Real Life acabam por ser duas balizas identitárias deste alinhamento e de marcação da tal ruptura com Marauder, com a toada invulgarmente pop de The Weekend a ser a cereja no topo do bolo de um EP que atesta, uma vez mais, a superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã um extra inesperado e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - A Fine Mess

01. Fine Mess
02. No Big Deal
03. Real Life
04. The Weekend
05. Thrones


autor stipe07 às 18:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Bear Hands – Fake Tunes

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e particularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

Resultado de imagem para Bear Hands Fake Tunes

Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Bear Hands Fake Tunes

01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)


autor stipe07 às 17:47
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 9 de Maio de 2019

Vampire Weekend – Father Of The Bride

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, um álbum duplo, que viu a luz do dia através da Columbia Records e que tem como eixos basilares orientadores da sua escrita noções como alegria, luminosidade e o renascer para uma nova vida, no fundo, ideias que deverão estar neste momento muito presentes no dia-a-dia de um projeto que perdeu há três anos Rostam Batmanglij, uma das suas pedras basilares, multi-instrumentista e anterior responsável pela função de principal produtor do grupo e que procura agora colocar-se novamente nos eixos. Ezra Koenig é, portanto, a grande força motriz atual de um projeto muito centrado neste músico, vocalista e compositor, que durante este longo hiato constituiu família com a atriz Rashida Jones, lançou a sua série de animação Neo Yokio no Netflix, continuou a apresentar o programa Time Crisis e co-escreveu Hold Up de Beyoncé, enquanto vivia algumas experiências descritas neste novo álbum dos Vampire Weekend.

Esta banda nova iorquina sempre evoluiu e enriqueceu o seu cardápio à custa de canções divididas entre um travo afro e o rock alternativo, um modus operandi que com Contra, e no anterior Modern Vampires Of The City também evoluiu para sonoridades mais maduras e experimentais. Com as participações especiais de Steve Lacy dos The Internet em dois temas e de Danielle Haim em três, Father Of The Bride continua a apostar nesta lógica de continuidade evolutiva e de busca de uma maior heterogeneidade e complexidade para o cardápio do grupo.

Resultado de imagem para Vampire Weekend Father Of The Bride

Desta vez tal demanda centrou-se na busca de interseções apuradas entre a herança pop do último meio século, com especial ênfase para o período sessentista dominado pela exuberância das cordas, mas também pelo uso das teclas de um modo menos clássico e mais experimental. Assim, dentro dessa baliza estilística, importa referir Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, assim como Big Blue, composição com uma intimidade e uma acusticidade ímpares. Depois, num plano mais exuberante, canções como a vibrante Married In A Gold RushThis Life, um buliçoso tema solarengo e com um groove bastante charmoso, assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante, atestam a já habitual asseritividade rítmica do grupo, também preenchida com elementos tropicais e étnicos. Já agora, o tema This Life, um dos que conta com a participação especial vocal de Danielle Haim, tem uma letra inspirada nas canções It Never Rains in Southern California, um sucesso de mil novecentos e setenta e dois da autoria de Albert Hammond, pai de Albert Hammond Jr., membro dos The Strokes e presença assídua neste blogue (Baby I know pain is as natural as the rain, I just thought it didn’t rain in California) e, no refrão, na composição Tonight, do rapper californiano iLoveMakonnen (You’ve been cheating on, cheating on me, So I’ve been cheating on, cheating on you).

No meio de toda esta diversidade e ecletismo, importa ainda referir a aposta em algumas da principais tendências estilísticas da eletrónica atual, bem patentes, por exemplo, em 2021, uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar e em Unbearably White, tema que se debruça no modo cínico como a questão do racismo é hoje tratada numa cada vez mais politizada e dividida América (There’s an avalanche coming, Cover your eyes), uma composição melancólica e intimista, com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre uma melodia intrigante e algo densa. Sympathy é talvez aquela canção que melhor condensa todo este receituário, no modo como cruza batidas e ritmos com funk e com um travo hispânico delicioso, com alguns dos arquétipos essenciais do rock progressivo setentista, rematados por detalhes de cordas de forte indole orgânica.

Toda esta trama conceptual faz movimentar um trabalho que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um registo entregue, de forma experimental e criativa à busca algo incessante de melodias com um forte cariz pop e radiofónico, mas sem deixarem de piscar o olho ao universo underground e mais alternativo que foi quem sustentou e ajudou os Vampire Weekend, no início da carreira, a obterem a notoriedade que hoje os distingue. Espero que aprecies a sugestão...

Vampire Weekend - Father Of The Bride

01. Hold You Now (Feat. Danielle Haim)
02. Harmony Hall
03. Bambina
04. This Life
05. Big Blue
06. How Long?
07. Unbearably White
08. Rich Man
09. Married In A Gold Rush (Feat. Danielle Haim)
10. My Mistake
11. Sympathy
12. Sunflower (Feat. Steve Lacy)
13. Flower Moon (Feat. Steve Lacy)
14. 2021
15. We Belong Together (Feat. Danielle Haim)
16. Stranger
17. Spring Snow
18. Jerusalem, New York, Berlin


autor stipe07 às 14:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 4 de Maio de 2019

The National – Hairpin Turns

The National - Hairpin Turns

Continuam a ser divulgadas novas composições de I Am Easy To Findo novo registo de originais dos norte-americanos The National, que verá a luz do dia a dezassete de maio, através da 4AD. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções, também já divulgado.

A última canção divulgada do disco é Hairpin Turns, o décimo terceiro tema do seu alinhamento, mais uma belíssima balada que coloca os The National no trilho de uma sonoridade que também lhes é familiar e na qual se movimentam confortavelmente. Assente num delicado piano, em diversas nuances rítmicas, numa guitarra flutuante e na voz cada vez mais madura, assertiva e positiva de Berninger, Hairpin Turns possui aquela toada algo melancólica e reflexiva que é tão do agrado dos seguidores desta banda nova iorquina.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum. O vídeo de Hairpin Turns também foi realizado por Mike Mills, mas é uma produção independente desse filme, mostrando uma interpretação de dança, protagonizada por Sharon Eyal e que, de acordo com Mills, acaba por funcionar neste video como uma espécie de alter ego da personagem interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander no filme 20th Century Women. No video deste tema, feito em colaboração com o espaço La Blogothèque, é também possível apreciar o modo como os instrumentos foram protagonizando a canção e construindo o seu arquétipo melódico e sonoro e os outros protagonistas no tema, além dos músicos dos The National, nomeadamente Gail Ann Dorsey, Pauline Delasser (aka Mina Tindle) e Kate Stables. Confere...


autor stipe07 às 16:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 10 de Abril de 2019

The Drums - Brutalism

Os norte-americanos The Drums lançaram há dois anos Abysmal Thoughts, o primeiro registo desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. O ano passado este músico nova iorquino voltou a dar sinais de vida com o tema Meet Me In Mexico e agora, na primavera de dois mil e dezanove, regressa finalmente com um novo álbum, um registo intitulado Brutalism, que viu a luz do dia recentemente, à boleia da ANTI.

Resultado de imagem para The Drums - Brutalism

Os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o projeto e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, tentando com este Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia, procurando, desta vez, uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista. Tal infere-se, logo a abrir o registo, no minimalismo algo maquinal de Pretty Cloud e depois no single Body Chemistry, uma canção muito pessoal em que Pierce aborda o modo como lidou com um diagnóstico recente de depressão (Maybe I’m depressed, Maybe I know too much about the world, about myself) e que sonoramente assenta numa curiosa simbiose entre o indie surf rock e a eletrónica chillwave, audível num curioso e bem sucedido jogo de interseções melódicas entre baixo e sintetizadores. 

As guitarras de Encyclopedia, um disco que se afirmou, à época, como um portento de post punk, que parecia ter vindo diretamente do período aúreo e mais sombrio do indie rock, acabam por ter uma posição de menor relevo neste registo, que nos oferece, no seu todo, uma verdadeira montanha mágica, mas mais sintetizada, acompanhada por guitarras menos agressivas mas, de certo modo, melodicamente mais ousadas. Os sintetizadores posicionam-se, portanto, na linha da frente do processo de construção melódica das canções. Conferimos tal permissa em 626 Bedford Avenue, uma daquelas composições que atesta na simbiose, entre flashes sintetizados borbulhantes e cordas luminosas, a rugosa vitalidade experimental que os The Drums sempre demonstraram e os sintetizadores flutuantes do tema homónimo, assim como nos sons poderosos e tortuosos que abastecem Loner, tema conduzido por um baixo exemplar, mas também na tonalidade mais épica e efervescente do efeito da guitarra que tempera o tapete percurssivo sempre agreste de Kiss It Away. Estes são temas que nos oferecem aquela faceta mais marcante, elétrica e explosiva dos The Drums, num alinhamento em que, canção após canção, se sente a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e empolgante, com composições com o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um refúgio perfeito. Depois, ainda há o bónus de podermos conferir a postura vocal de Pierce, mais madura e suculenta do que nunca e particularmente tocante e emocionada em alguns momentos. I Wanna Go Back e Nervous são aquelas em que melhor se pode apreciar esta sua formatação vocal algo nostálgica e amiúde feita com uma quase pueril simplicidade.

Registo bem balizado em termos de referências, Brutalism merece dedicação e nota positiva não só por este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também por, na minha opinião, mostrar que Pierce é cada vez mais capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente a relevância deste projeto nova iorquino no universo indie atual. De facto, Brutalism é uma prova evidente que o grupo não desiste de ser uma referência e que procura fazê-lo com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

The Drums - Brutalism

01. Pretty Cloud
02. Body Chemistry
03. 626 Bedford Avenue
04. Brutalism
05. Loner
06. I Wanna Go Back
07. Kiss It Away
08. My Jasp
09. Blip Of Joy


autor stipe07 às 20:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 7 de Abril de 2019

Vampire Weekend – This Life & Unbearably White

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson e Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, que irá ver a luz do dia a três de maio, através da Columbia Records.

Vampire Weekend

Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do seu alinhamento está a ser divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, em fevereiro e Sunflower e Big Blue, no início de março. Agora, cerca de um mês depois, é divulgada a terceira fornada, constituída pelas canções This Life e Unbearably White.

This Life é um buliçoso tema, uma composição solarenga e com um groove bastante charmoso, assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante. Conta com a participação especial vocal de Danielle Haim e tem como principal curiosidade uma letra inspirada nas canções It Never Rains in Southern California, um sucesso de mil novecentos e setenta e dois da autoria de Albert Hammond, pai de Albert Hammond Jr., membro dos The Strokes e presença assídua neste blogue (Baby I know pain is as natural as the rain, I just thought it didn’t rain in California) e, no refrão, na composição Tonight, do rapper californiano iLoveMakonnen (You’ve been cheating on, cheating on me, So I’ve been cheating on, cheating on you).

Quanto a Unbearably White, tema que se debruça no modo cínico como a questão do racismo é hoje tratada numa cada vez mais politizada e dividida América (There’s an avalanche coming, Cover your eyes), trata-se de uma composição mais melancólica e intimista, com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre uma melodia intrigante e algo densa. Confere... 

Vampire Weekend - This Life - Unbearably White

01. This Life
02. Unbearably White


autor stipe07 às 14:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Sábado, 6 de Abril de 2019

The National – Light Years

The National - Light Years

Será a dezassete de maio que chegará aos escaparates e através da 4AD, I Am Easy To Find, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos The National. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções, também já divulgado.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum, que conta com Alicia Vikander como protagonista principal e na banda sonora com You Had Your Soul With You, o primeiro single retirado deste novo trabalho discográfico dos The National e que divulguei oportunamente e Light Years, o mais recente tema retirado de I Am Easy To Find, cujo vídeo também conta com a atriz sueca no papel principal.

Light Years é uma belíssima balada que coloca os The National no trilho de uma sonoridade que também lhes é familiar e na qual se movimentam confortavelmente. Servindo para encerrar em alta o alinhamento do disco, é uma canção assente num delicado piano e na voz cada vez mais madura, assertiva e positiva de Berninger, assumindo-se como uma das mais bonitas do cardápio da carreira do grupo nova iorquino. Confere...


autor stipe07 às 11:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 2 de Abril de 2019

Interpol – The Weekend

Interpol - The Weekend

Cerca de meio ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no novo ano com excelentes novidades. O trio nova iorquino começou por oferecer aos escaparates, logo em janeiro, um novo single intitulado Fine Mess, que, pelos vistos, irá também dar nome a um EP que a banda vai lançar a dezassete de maio, à boleia, obviamente, da Matador Records.

Com um alinhamento de cinco temas gravados por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Marauder, o tal disco que os Interpol editaram no verão passado, Fine Mess EP acaba de ver mais um tema divulgado. A canção chama-se The Weekend e, à semelhança da composição homónima do EP, oferece-nos um Banks incisivo como sempre, nomeadamente no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, feito daquele timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, reforçando uma tentativa interessante do trio e que se saúda de regresso aquele formato mais genuíno que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que fez que com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights, os Interpol conquistassem, à altura, meio mundo. É, pois, uma canção que contém aquela virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico, outra imagem de marca dos Interpol. Recordo que a banda irá passar por Portugal na próxima edição do NOS Primavera Sound. Confere Weekend e a tracklist de Fine Mess EP...

01 Fine Mess
02 No Big Deal
03 Real Life
04 The Weekend
05 Thrones


autor stipe07 às 10:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 1 de Abril de 2019

The Dodos – The Surface

The Dodos - The Surface

Foi no início do último outono que os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber colocaram nos escaparates o sucessor para o excelente Individ, lançado já no longínquo ano de dois mil e quinze. Esse novo álbum da dupla de São Francisco chamava-se Certainty Waves, foi produzido pelo próprio Meric Long, viu a luz do dia através da Polyvinyl Records e com ele veio também uma digressão de promoção ao disco que ainda não está concluída. No entanto, no final da primeira fase da mesma e como os The Dodos já não andavam na estada há algum tempo, sentiram-se particularmente inspirados e também uma tremenda necessidade de compôr, conforme confessou recentemente Meric (Back in the fall after finishing our first tour in what seemed like ages, a bunch of ideas that were floating around seemed to converge).

The Surface, uma nova composição da dupla, que viu recentemente a luz do dia através da editora acima referida, acaba por ser a primeira materialização concreta desse processo de composição repentino, também muito influenciado por uma guitarra adquirida recentemente pelo vocalista, um novo brinquedo que parece estar também a inspirá-lo imenso e a mostrar-lhe qual o rumo sonoro que pretende para o futuro dos The Dodos (I recently acquired a Recording King parlor guitar, it doesn't look like much on paper but it is magical and I am squeezing it like a life raft through the next batch of songs. Perhaps it is age, or just compounded cynicism, but there is an overwhelming gratitude that I feel when any small bit of inspiration sheds it's light, and the path ahead seems relatively clear ).

Para já, The Surface impressiona pelo modo como coloca os The Dodos novamente na senda daquela toada folk que marcou os primeiros trabalhos do projeto, tempos aúreos que tiveram o aâmago no já referido registo Individ e que, a meu ver, estavam a ser colocados de lado em detrimento de uma filosofia interpretativa mais pop e com um lustro mais sintético. Recordo que Certainty Waves deu uma importância nunca vista no seio do grupo, à vertente eletrónica e à heterogeneidade instrumental, proveniente, essencialmente, de fontes artificiais. A crueza da guitarra e a sua forte toada orgânica e o registo frenético e algo intuitivo da percurssão de Kroeber, neste novo tema dos The Dodos, fá-los regressar aos seus instintos mais primários e coloca os dois intérpretes naquela que é, por excelência, a sua zona de conforto e o seu periodo mais aúreo. Confere...


autor stipe07 às 10:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 31 de Março de 2019

Ra Ra Riot & Rostam Batmanglij – Bad To Worse

Ra Ra Riot And Rostam Batmanglij - Bad To Worse

Dez anos depois de uma profícua colaboração que resultou num disco intitulado Discovery (2009) e de Rostam Batmanglij, membro dos Vampire Weekend de Ezra Koenig, ter produzido, cerca de meia década depois, Need Your Light, o último registo de originais dos Ra Ra Riot, alinhamento que continha Water, um tema composto a meias por Rostam e a banda, o músico nova iorquino e o coletivo de Siracusa, nos arredores da mesma cidade, voltam a unir esforços em Bad To Worse, o primeiro single revelado pelo grupo liderado por Wes Miles desde esse trabalho lançado há cerca de três anos.

Em Bad To Worse, canção inspirada em vagas memórias e longas viagens rodoviárias, como refere Miles no press release de lançamento da canção, que deverá fazer parte de um novo álbum dos Ra Ra Riot (It’s about watching the world from the window of the car or bus, and how there’s a familiarity to everything but it’s never the same as it once was), o ritmo divagante e melancólico da bateria encaixa na perfeição com o registo vocal em falsete de Miles, enquanto as sintetizações e as cordas, à medida que se acomodam progressivamente na melodia, fazem a canção levitar, levando-nos com ela e deixando-nos letargicamente à sua mercê, à medida que a herança de alguma da melhor pop oitocentista ressurge do nosso baú de memórias. Confere...


autor stipe07 às 12:30
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 10 de Março de 2019

Vampire Weekend - Sunflower vs Big Blue

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson, Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, ainda sem data de lançamento definida mas certamente neste ano de dois mil e dezanove.

Resultado de imagem para Vampire Weekend Sunflower Big Blue

De acordo com Ezra Koenig, Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do alinhamento deste lançamento será divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, os dois primeiros temas disponibilizados do novo álbum dos Vampire Weekend. E pelos vistos a estratégia de divulgação de composições do registo aos pares continua a estar na linha da frente, acabando de ser disponibilizados agora, em simultâneo, os temas Sunflower e Big Blue.

Sunflower é um buliçoso tema que conta com a participação especial de Steve Lacy dos Internet, uma composição solarenga e com um groove bastante charmoso assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante. O vídeo do tema foi realizado por Jonah Hill no famoso Zabar’s, em Upper West Side, Manhattan e será divulgado muito em breve. Já Big Blue tem um cariz mais minimalista e acústico, impressionando pelo brilho das cordas que sustentam uma melodia pop com um certo cariz bastante íntimo e melancólico, um exercício de composição assertivo e que mostra todo o virtuosismo de uma banda que deverá figurar, pelas amostras já divulgadas do seu novo disco, na lista dos grandes regressos de dois mil e dezanove . Confere...

Vampire Weekend - Sunflower - Big Blue

01. Sunflower
02. Big Blue


autor stipe07 às 20:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 6 de Março de 2019

The National – You Had Your Soul With You

The National - You Had Your Soul With You

Será a dezassete de maio que chegará aos escaparates e através da 4AD, I Am Easy To Find, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos The National. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções também já divulgado.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Women, o mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum, que conta com Alicia Vikander como protagonista principal e que conta na banda sonora com You Had Your Soul With You, o primeiro single retirado deste novo trabalho discográfico dos The National.

Canção conduzida pela habitual cadência rítmica inconstante e cheia de quebras que é já uma imagem de marca da banda de Nova Iorque e que conta com a particpação especial vocal de Gail Ann Dorsen, que fez parte da banda de David Bowie, You Had Your Soul With You coloca os The National no trilho de uma sonoridade cada vez menos sombria e com ênfase numa toada mais épica, aberta e dançável, que deverá ser transversal a um disco que também conta com as participações especiais de Sharon Van Etten, Lisa Hannigan, Mina Tindle, the Brooklyn Youth Chorus, entre outros e que, numa perspetiva cada vez mais madura, assertiva e positiva, deverá firmar novamente uma posição relevante dos The National na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Confere You Had Your Soul With You e o alinhamento de I Am Easy To Find...

1. You Had Your Soul With You 
2. Quiet Light
3. Roman Holiday
4. Oblivions
5. The Pull Of You
6. Hey Rosey
7. I Am Easy To Find
8. Her Father In The Pool
9. Where Is Her Head
10. Not In Kansas
11. So Far So Fast
12. Dust Swirls In Strange Light
13. Hairpin Turns
14. Rylan
15. Underwater
16. Light Years


autor stipe07 às 11:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2019

Albert Hammond Jr. – Fast Times

Albert Hammond Jr. - Fast Times

Cerca de oito meses após o excelente Francis Trouble, álbum que foi cuidadosamente dissecado por esta redação e de uma participação especial no blockbuster da Netflix Stranger ThingsAlbert Hammond Jr., músico norte americano e uma das faces mais visíveis dos The Strokes, acaba de divulgar um novo tema intitulado Fast Times e de confirmar estar a trabalhar em estúdio com Natalie Umbruglia, não tendo sido revelados mais detalhes sobre essa inusitada colaboração, nomeadamente o conteúdo e os objetivos da mesma.

Composição banhada por um indie rock luminoso e radiante, assente naquele efeito metálico que é a imagem de marca dos The Strokes e por um trabalho percurssivo exemplar, Fast Times é mais uma homenagem exemplar ao cenário punk nova iorquino dos últimos vinte anos e prova o direito que Hammond tem de alimentar esta semelhança estilística entre o seu trabalho a solo e o grupo que ajudou a erigir, desde que continue a fazê-lo com a elevada bitola qualitativa que demonstra nesta sua nova composição. Confere...


autor stipe07 às 12:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

Foreign Air – Wake Me Up

Foreign Air - Wake Me Up

Jesse Clasen e Jacob Michael são os Foreign Air, uma dupla sedeada em Brooklyn, Nova Iorque e que tem chamado a atenção da crítica desde dois mil e quinze, ano em que lançaram o single Free Animal, que encabeçou o EP For The Light, editado em setembro do ano seguinte. Essa canção, que foi banda sonora de vários anúncios comerciais, spots televisivos e até trailers cinematográficos, deu uma inesperada visibilidade aos Foreign Air que acabaram por ser convidados para tocar em vários festivais norte-americanos e para abrir concertos de bandas como os Phantogram, BORNS ou Bishop Briggs.

Agora, no início de 2019, os Foreign Air voltam a chamar a si alguns holofotes à boleia de Wake Me Up, o primeiro avanço para o disco que a banda vai editar já no próximo dia quinze de março. Canção composta com a ajuda de Jason Suwito dos Sir Sly, Wake Me Up oferece ao ouvinte um rock progressivo de elevado calibre devido a uma secção rítmica vibrante, efeitos planantes e um intenso refrão onde monumentalidade, euforia e epicidade se conjugam instrumental e vocalmente sem qualquer tipo de reservas. Confere...

 


autor stipe07 às 13:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2019

LCD Soundsystem – Electric Lady Sessions

Quase ano e meio depois do excelente álbum American Dream, a primeira etapa do segundo fôlego da carreira dos LCD Soundsystem, o projeto nova- iorquino liderado por James Murphy volta à carga com o seu terceiro álbum ao vivo, um registo intitulado Electric Lady Sessions, que viu a luz do dia recentemente através da DFA Records, etiqueta de Murphy em parceira com a Columbia Records. Electric Lady Sessions foi, como o nome indica, gravado nos estúdios com esse nome, situados em Manhattan e que já foram de Jimmy Hendrix, durante a digressão de promoção a American Dream.

Resultado de imagem para LCD Soundsystem Electric Lady Sessions

Depois de London Sessions (2010) e The Long Goodbye (2014), Electric Lady Sessions é o terceiro registo dos LCD Soundsystem ao vivo e nele são captados os mais recentes arranjos que a banda induziu nos seus originais, grande parte deles pertencentes ao alinhamento de American Dream, de modo a criar nos seus concertos um ambiente enérgico, festivo e dançante, mas também que proporcione momentos de algum pendor mais reflexivo, nomeadamente acerca do modo como Murphy vê a América que atualmente tanto o inquieta. De certa forma é como se Murphy pegasse numa espécie de versão 2D de algumas das canções mais emblemáticas do catálogo LCD e lhes desse uma faceta tridimensional e mais encorpada, em suma, com outra substância, espaço e textura.

No travo oitocentista impressivo e tremendamente nostálgico, quer do baixo quer das teclas de Seconds, no modo como carregou o fuzz das sintetizações em American Dream, no clima saturado e rugoso da efusiva e lasciva Tonite, nas camadas sonoras sintéticas que são acrescentadas ao arquétipo de Home e que ampliam a emotividade da canção e na liberdade que é dada ao baixo de Tyler Pope para recriar em I Used To um clima ainda mais ritmado e visceral do que o original, fica patente esta ideia de amplificação do festim, numa banda sempre disposta a levar o garage rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica. Já agora, Tyler volta a mostrar toda a sua versatilidade e superior capacidade interpretativa aos comandos do baixo na versão de I Want Your Love, um original com quarenta anos da autoria dos norte-americanos Chic de Nile Rodgers e Bernard Edwards e que também impressiona pela participação vocal da teclista Nancy Whang. Outra cover audível neste Electric Lady Sessions é uma reinterpretação de (we don’t need this) fascist groove thang, um original de mil novecentos e oitenta e um dos britânicos Heaven 17, de Martyn Ware, Ian Craig Marsh e Glenn Gregory e escolhida por Murphy para fazer parte da digressão de American Dream com o intuíto de reforçar a sua opinião relativamente ao atual presidente do seu país, numa espécie de gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. 

O âmago de Electric Lady Sessions acaba por estar no espetacular baixo (Tyler novamente) e no pendor exaltante dos sintetizadores e da batida crescente de Call The Police, nuances que acabam por fazer desta canção uma espécie de tema aglutinador perfeito de todo este receituário live, um tema onde é possível descobrir razões para dançar de olhos fechados e a sorrir enquanto se pensa na vida e naquilo que mais nos consome e inquieta.

Disco que exige várias audições para ser devidamente compreendido, até porque vive muito deste apelo constante, mas nem sempre explícito, à festa, Electric Lady Sessions acaba por ser o documento ao vivo mais essencial no catálogo do LCD Soundsystem. Ao longo das suas doze composições, a gravação consegue dar uma ideia clara do que é estar presente num concerto do grupo e resgatar os momentos marcantes do disco que marcou o regresso da banda ao ativo, mas também lembrar os ouvintes da imponência e vitalidade dos sucessos anteriores. Para quem acompanha a carreira desta banda nova iorquina há qwuase duas décadas, escutar Electric Lady Sessions ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystem como entidade e como entertainers de serviço. Espero que aprecies a sugestão...

LCD Soundsystem - Electric Lady Sessions

01. Seconds
02. American Dream
03. You Wanted A Hit
04. Get Innocuous
05. Call The Police
06. I Used To
07. Tonite
08. Home
09. I Want Your Love
10. Emotional Haircut
11. Oh Baby
12. (We Don’t Need This) Fascist Groove Thang


autor stipe07 às 17:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2019

Interpol – Fine Mess

Interpol - Fine Mess

Cerca de meio ano após o lançamento de Marauder, os Interpol têm novidades. O trio nova iorquino acaba de oferecer aos escaparates um novo single intitulado Fine Mess, fazendo-o antes de um verão agitado e repleto de datas de concertos de uma extensa digressão, que irá passar por Portugal na próxima edição do NOS Primavera Sound, para promover esse disco que o grupo lançou no verão do ano passado e que mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate.

Fine Mess é uma curta mas impressiva viagem alicerçada num Banks incisivo como sempre, nomeadamente no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol,feito daquele timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém aquela virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações. Confere...


autor stipe07 às 07:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 52 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Julho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12

19

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

The Drums – Try

Yeasayer – Erotic Reruns

André Carvalho - The Gard...

The National – I Am Easy ...

Interpol - Fine Mess EP

Bear Hands – Fake Tunes

Vampire Weekend – Father ...

The National – Hairpin Tu...

The Drums - Brutalism

Vampire Weekend – This Li...

The National – Light Year...

Interpol – The Weekend

The Dodos – The Surface

Ra Ra Riot & Rostam Batma...

Vampire Weekend - Sunflow...

The National – You Had Yo...

Albert Hammond Jr. – Fast...

Foreign Air – Wake Me Up

LCD Soundsystem – Electri...

Interpol – Fine Mess

Pavo Pavo – Mystery Hour

Vampire Weekend – Harmony...

The Drums – Body Chemistr...

Conor Oberst – No One Cha...

Cat Power – Wanderer

X-Files

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds