Segunda-feira, 11 de Junho de 2018

Interpol - The Rover

Interpol - The Rover

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto Marauder, o novo disco desta banda nova iorquina liderada por Paul Banks. Marauder irá ver a luz do dia no final de agosto, através da Matador Records e estão já agendadas algumas datas de uma extensa digressão para promover o registo. Além disso, também já foi divulgado um single de lançamento intitulado The Rover.

Pela amostra, este tema The Rover, parece-me que os Interpol vão continuar a trilhar o percurso sonoro iniciado em El Pintor, alinhamento em que os norte-americanos mostraram ter finalmente percebido que a sua imensa legião de fãs não se importa que se mantenham no território sonoro onde se sentem mais confortáveis, aquele que os lançou para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. Confere The Rover e a tracklist de Marauder.

If You Really Love Nothing

The Rover

Complications

Flight of Fancy

Stay in Touch

Interlude 1

Mountain Child

NYSMAW

Surveillance

Number 10

Party’s Over

Interlude 2

It Probably Matters


autor stipe07 às 13:12
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2018

We Are Scientists - Megaplex

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists viu a luz do dia a vinte e sete de abril através da Grönland Records e foi produzido por Max Hart.

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Escuta-se os últimos discos dos We Are Scientists e a sensação que muitas vezes fica é que estamos na presença de uma daquelas bandas que não quer ser levada muito a sério. Não indo mais longe, basta pensar no antecessor deste Megaplex, o disco Helter Seltzer, título que resultou de um trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter, para ficar expressa a habitual boa disposição de uma banda que, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

Sendo assim, uma das primeiras impresões que fica após a audição deste portento sonoro chamado Megaplex é que a habitual banda sonora destes We Are Scientists firmada no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos e carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que aqui, em canções como Notes In A Bottle ou a rugosa Your Heart Has Changed se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto, não foi colocado inteiramente de parte, mas houve, desta vez uma clara preocupação em olhar para uma faceta mais synthpop e até retro, como demonstram, desde logo, os sintetizadores e a toada épica de forte cariz oitocentista de One In One Out. Para que esta opção resultasse de modo tão eficaz houve certamente uma elevada dose de responsabilidade do produtor Max Hart, que orientou um trabalho de produção e mistura que não descurou quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabaram por adornar e dar mais brilho e cor à maioria das composições. Lá mais para o meio do disco, em No Wait At Five Leaves, esta abordagem mais sintética ganha ainda um maior fulgor ao encostar-se a alguns tiques do punk nova iorquino de início deste século, com os Interpol a serem, quanto a mim, uma influência declarada não só neste tema mas em outros momentos de Megaplex.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem, reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de composições que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo e que perceberão certamente o grau de inedetismo deste Megaplex. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:15
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

Thievery Corporation – Treasures From The Temple

Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. O ano passado os Thievery Corporation chegaram ao seu oitavo disco de originais, um registo intitulado The Temple Of I And I e com ele voltámos todos a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton, que agora, um ano depois, acaba de lançar Treasures from the Temple, um alinhamento de doze canções que são as gravações originais ou remisturas de temas incluídos em Temple of I & I e que surgiram durante as sessões de gravação desse álbum nos estúdios Geejam, em Port Antonio, na Jamaica.

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Em The Temple Of I And I foi a Jamaica que seduziu os Thievery Corporation, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch, mas também  a norte americana Lou Lou Ghelichkhani e a jamaicana Raquel Jones, que agora voltam a aparecer em alguns dos temas de Treasures From The Temple, esse foi um disco que absorveu e explanou com eficiência e enorme criatividade toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.

Tendo estado, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation nesse The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do alinhamento de Treasures From The Temple, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, logo a abrir, e dentro do reggae, a vibe que se espraia por San San Rock e a participação de Notch na mais sintética e climática Destroy The Wicked. Depois, as batidas inebriantes de History, canção em que Mr. Lif e Sitali dividem, a meias, os créditos vocais, a toada envolvente de Music To Make You Stagger, os sopros e o groove de Guidance e os flashes que vão adornando a batida hipnótica de Water Under The Bridge (Feat. Natalia Clavier), têm sempre o objetivo primordial de fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea, nomeadamente os de cariz eminentemente político.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, desta vez dando vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae, completando com Treasures From The Temple um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - Treasures From The Temple

01. San San Rock
02. History (Feat. Mr. Lif And Sitali)
03. Music To Make You Stagger
04. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
05. Destroy The Wicked (Feat. Notch)
06. Guidance
07. Water Under The Bridge (Feat. Natalia Clavier)
08. Voyage Libre (Feat. LouLou Ghelichkhani)
09. Road Block (Feat. Racquel Jones)
10. Joy Ride (Feat. Sitali And Mr. Lif)
11. La Force De Melodie (Feat. LouLou Ghelichkhani)
12. Waiting Too Long (Feat. Notch)


autor stipe07 às 21:36
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

Parquet Courts - Wide Awake!

Lançado a dezoito de maio último por intermédio da Rough Trade Records, Wide Awake! é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

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Abrigados numa filosofia instrumental que se tem servido fundamentalmente de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica, os Parquet Courts sempre foram uma banda insatisfeita com o seu adn e disposta a potenciar o seu som de acordo com o momento criativo do coletivo, sem grandes preocupações acerca de eventuais limites ou fronteiras relativamente a esse exercício libertário. Tal opção acabou por fazer do cardápio já disponível do grupo, um emaranhado heterogéneo, que ganha ainda maior abrangência neste Wide Awake!, provavelmente o disco mais eclético e abrangente dos Parquet Courts. E isso também sucede porque além de terem criado Wide Awake! na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira, também é clara a vontade de baterem com ainda maior estrondo às portas de um sucesso que materialize uma superior e merecida exposição do projeto a um número cada vez maior de ouvintes e de críticos. Sendo assim, a missão está cumprida porque este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores da atualidade, dentro do espetro musical em que se movimenta.

Se logo nos loopings bizarros da insana cartilha de garage folk que costura o punk shoegaze incisivo de Total Football se percebe que, como é norma no projeto, Wide Awake! é um disco muito concentrado no uso das guitarras, logo a seguir, no devaneio psicadélico funk de Violence, regista-se um incremento da importância da sintetização, com as teclas que conduzem a melodia de Before The Water Gets Too High a cimentarem de modo particularmente impressivo esta nuance, à qual não será alheia a escolha de Danger Mouse para a produção do registo.

O modo harmonioso e eficaz como este núcleo parece funcionar também deve muito ao caos aparente que reina no seu seio. Aí, cada um extraí o melhor de si próprio, dentro das suas responsabilidades líricas e instrumentais, mas fá-lo para proveito imediato do todo. Por exemplo, chega-se ao âmago do disco e em Freebird II fica latente uma certa tensão entre aquilo que é essa individualidade de cada um dos executantes do grupo e a mente de Andrew Savage, que canta uma canção escrita pelo próprio e dedicada à sua mãe e onde disserta sobre a importância dela num período da sua vida em que dominou a solidão e a adição a algumas substâncias psicotrópicas. O espírito descontraído e vibrante da vertente instrumental do tema, contradiz, de algum modo, o cariz depressivo do poema, mas este paradoxo é já uma imagem de marca e funciona, como se percebe na composição, na perfeição. Depois, Mardi Gras Beads, o tema mais etéreo e contemplativo de Wide Awake!, dissertando sobre um vocalista de uma banda punk que sonha constantemente em flutuar sobre uma multidão em êxtase, reforça esse paradoxo e a antítese entre aquilo que é a realidade lírica e a materialização sonora de algumas das canções deste alinhamento. Além disso, o groove setentista do punk rock de Normalization, o piscar de olhos assumidamente sexy a um coito efervescente entre o jazz, a bossa nova e a tropicália no tema homónimo e o blues fumarento e sulista do piano de Tenderness, carimbando de modo qualitativamente superior a tal abrangência, mostra-nos que a banda está a mover-se muito rapidamente para um universo sonoro bastante mágico e com um estilo muito vincado e identitário, sendo difícil prever quais serão, daqui para a frente, os próximos passos musicais dos Parquet Courts.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Wide Awake! possa suscitar, este tomo raivoso de canções que mostram os dentes sem receio, possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, instalados no seu trabalho mais divertido, mas também ousado, uma sucessão incrível de canções que são passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2018

Pavo Pavo – Statue Is A Man Inside

Pavo Pavo - Statue Is A Man Inside

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso esta primavera com um novo tema intitulado Statue Is A Man Inside que é, como seria de esperar, uma canção com uma elegância ímpar, incubada no seio de uma dupla que é a menina dos olhos da Bella Union e que cria música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário.

Canção sustentada numa guitarra que debita um efeito planante pleno de charme, que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, Statue Is A Man Inside é a banda sonora perfeita para nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. Sobre ela, Oliver referiu recentemente: Statue is a Man Inside got its start in the couple months after Eliza and I split up – it was around the same moment that our first record came out and we started touring, and all the changes at once conspired to create this uncanny feeling, a hardening of the boundaries between me and the rest of the world. I thought of two marble statues, cracking and bleaching in the sun, maybe with eyes and fingers that can still move like a human being. We sang the words to each other at the organ, and as we started playing it with the band, an interesting thing happened where the louder and lusher the arrangement got, the more intimate the singing felt. So we kept elevating and orchestrating the track, trying to make it a spiritualization of our quietest, most inward thoughts. Confere...


autor stipe07 às 17:45
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

A Place To Bury Strangers - Pinned

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers têm, disco após disco, reformulado o seu cardápio sonoro sempre dentro de bitola semelhante, uma filosofia assente em linhas de baixo simples mas vincadas, uma percurssão vigorosa, letras algo violentas e instigadoras e toda uma amálgama de sons e efeitos onde reina o ruido e um caos que parece estar sempre aparentemente controlado. No início desta primavera eles estão de regresso aos discos com Pinned, o quinto alinhamento da carreira do trio, renovado recentemente com a presença de Lia Braswell, ex Le Butcherettes, na bateria. Pinned é o sucessor do excelente Transfixiation, um álbum editado editado à quase três anos e que na altura sucedeu a Worship, um registo lançado em 2012 e que explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze, algo que seis anos depois é ainda uma realidade bastante audível num dos projetos essenciais de um espetro sonoro em que a Dead Oceans continua a apostar vigorosamente.

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Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, com novas texturas e vocalizações (além da bateria, Lia também canta, como se percebe logo no primeiro tema) quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Never Coming Back, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e o modo como a bateria se eleva, sempre numa espécie de coito interrompido e, lá para o meio, a guitarra corrosiva e a percussão inebriante do punk rock de Frustrated Operator e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, é não só percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, mas também no modo como escapa a todas as categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarca num enorme armário que tem tanto de caótico como de hermético. Acaba por ser uma estratégia que não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Assim, há um forte sentido melódico no efeito da guitarra do shoegaze lo fi de Situation Changes e na vibe mais etérea, mas mesmo assim rugosa, de Was It Electric assim como um ambiente psicadélico no falso minimalismo de There's Only One Of Us que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver no festim sintético de Execution possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem frequentemente de elo de ligação entre os temas, Pinned parece agregar um emaranhado de melodias, mas uma audição atenta mostra-nos que este é um daqueles alinhamentos que encadeiam-se através de um tronco de forte cariz identitário e genuíno, onde não faltando a espaços o típico clima de ocaso que o experimentalismo proporciona, tem como resultado uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva dos A Place To Bury Strangers, feita, como já referi, de ruído, mas também de odes insinuantes e particularmente inspiradas ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:21
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2018

Albert Hammond Jr. – Francis Trouble

Constantemente a biografia de inúmeros músicos está recheada de experiências e eventos inéditos e até algo surreais que acabam por justificar, em certa medida, uma opção, que pode ser precoce ou tardia, consciente ou instintiva, por um percurso profissional e de vida nas artes e mais concretamente pela carreira musical, até como modo de exorcizar e refletir sobre tais factos de vida incomuns e que fogem amiúde da dita normalidade. Muitas dessas experiências são mesmo transcendentais ou, no mínimo, causadoras de estigmas, recalcamentos, depressões, traumas, fobias e desgostos, que a música tratará de revelar ao grande público e de servir, em simultâneo, de veículo de cura dos mesmos. Albert Hammond Jr., músico norte americano e uma das faces mais visíveis dos The Strokes, acaba de editar um novo registo de originais, o quarto da sua carreira a solo, que cataliza no seu seio um evento que é, certamente, dos mais surreais que se pode imaginar. Em 1979, a sua mãe abortou o seu irmão gémeo Francis mas Albert sobreviveu. Quando nasceu, alguns meses depois, trouxe consigo um lembrete solitário do seu irmão com quem compartilhava o útero, uma unha. Albert sempre soube do irmão, mas só ficou a conhecer este último detalhe há pouco tempo, tendo o mesmo servido de inspiração para a composição das dez canções deste Francis Trouble, um trabalho onde Albert procura encontrar a sua persona perdida em Francis e, ao mesmo tempo que homenageia o irmão, tornar-se um pouco mais ele, como se fosse uma espécie de alter-ego.

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Do som crú e incisivo de Francis Trouble, mas ao mesmo tempo carregado de imagens sugestivas e com forte cariz impressivo, depreende-se que há um enorme apego do autor ao evento descrito, transbordando em temas como Screamer, por exemplo, um sentimento de esperança algo romântico de que ele possa, à sua maneira, trazer de volta, nem que seja espiritualmente, a sua outra metade (I saw you as someone I wanted to trust, I saw you as everyone I wanted to f**k), mas também uma ideia de contemplação e admiração, audível em Strangers, por aquilo que é a relação entre ambos que não deixa de existir mesmo na ausência física de uma das partes (How strange the feeling to be strangers, Who strain for feeling), 

Mesmo inspirado por uma situação que muitos de nós poderiamos considerar trágica e triste, Albert consegue criar composições banhadas por um indie rock em muitos aspectos luminoso e radiante, podendo este ser até, imagine-se,  o disco mais divertido da carreira do autor. A energia contagiante das guitarras de Muted Beatings e o travo vintage da já referida Strangers e de Far Away Truths, são bons exemplos de um enredo que teria à partida todos os ingredientes para incubar uma toada sonora algo negra e depressiva, mas aquilo que se escuta são melodias alegres, adornadas por arranjos que oscilando entre o delicado, o luminoso e o contagiante nos deixam facilmente com um sorriso no rosto e com vontade de abanar um pouco a anca.

Ao longo da sua carreira, Albert serviu-de da guitarra para vestir diferentes personalidades, nomeadamente a declaradamente cool que interpreta nos The Strokes, a que deu vida à sensibilidade indie de Yours To Keep (2006), o seu disco de estreia e agora a simultaneamente sincera e complexa de Francis Trouble, um álbum que, como referi acima, é crú e incisivo, mas também consciente e profundo, materializando na perfeições os intentos do autor quando o idealizou e toda a filosofica subjacente ao mesmo. Escutá-lo atentamente é submeter-se a um exercício de descoberta particularmente emotivo e esclarecedor dos principais alicerces da personalidadce deste músico ímpar. Espero que aprecies a sugestão...

Albert Hammond Jr. - Francis Trouble

01. DVSL
02. Far Away Truths
03. Muted Beatings
04. Set To Attack
05. Tea For Two
06. Stop And Go
07. Screamer
08. Rocky’s Late Night
09. Strangers
10. Harder, Harder, Harder


autor stipe07 às 13:43
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Domingo, 1 de Abril de 2018

Fujiya And Miyagi – Subliminal Cuts

Fujiya And Miyagi - Subliminal Cuts

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2018 revisitar Transparent Things, o disco que editaram há uma dúzia de anos e que os lançou para o estrelato. E para comemorar essa efeméride lançaram também um novo single intitulado Subliminal Cuts, inspirado na série televisiva policial Columbo, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que também impressiona pelo jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas.

Em 2006, com rock britânico em crise acentuada devido ao resurgimento do outro lado atlântico do punk rock (Interpol, The Strokes, Liars) e da underground dance nova iorquina (LCS Soundsystem, Yeah, Yeah, Yeahs, Radio 4), Transparent Things era um trabalho que apostava numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências mais contemporâneas da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. O disco continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e foi um sucesso imediato que é possível agora revisitar, numa reedição em vinil. A mesma contém como bónus um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series, sendo a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema. São quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã. Confere...


autor stipe07 às 18:19
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Terça-feira, 20 de Março de 2018

We Are Scientists – Your Light Has Changed

We Are Scientists - Your Light Has Changed

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists verá a luz do dia a vinte e sete de abril e depois de ser ficado a conhecer One In, One Out, o primeiro single retirado desse alinhamento, agora chegou a vez de conferir Your Light Has Changed, mais uma canção que se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor à composição. Confere...


autor stipe07 às 17:42
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é o título do novo álbum Moby, um disco lançado no início deste mês à boleia da Mute e que tem como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Este registo sucede ao muito recomendável These Systems Are Failing lançado  o ano passado e mostra que este músico e produtor nova iorquino, com nove álbuns só nos últimos dez anos, vive uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio.

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Com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, é sempre com elevada dose de ansiedade que os seguidores de Moby se preparam para escutar um novo alinhamento do artista, sempre à espera de algo que supere ou pelo menos iguale a elevada bitola qualitativa desse disco de estreia, prestes a fazer vinte anos de vida. Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt ainda não é o tal álbum que destrona Play do pódio do melhor registo do cardápio de Moby, mas é, talvez, aquele que mais se aproxima do seu grau de excelência.

Disco com uma tremenda sensibilidade e cheio de melodias bastante aditivas, Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e descrito logo no início desta análise e a verdade é que ao longo das suas doze canções e de alguns dos vídeos já produzidos de promoção aos singles, o autor consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Assim, e debruçando-me em alguns daqueles que são, na minha opinião, os melhores instantes do registo, se The Tired And The Hurt é um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o sagrado e o profano se entrelaçam sem pudor e se Mere Anarchy sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros, já Like A Motherless Child, canção que conta com a participação especial vocal de Raquel Rodriguez, é um verdadeiro assombro orquestral intenso e belo e The Waste Of Suns revela-se uma daquelas canções que constroem um universo quase obscuro em torno de si e que se vão transformando à medida que avançam, surpreendendo em cada nota, timbre ou inflexão ritmíca e melódica.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir em The Sorrow Tree um toque de lustro dos anos oitenta, através de um sintetizador que apenas permanece o tempo suficiente para nos preparar para uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante, algo que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em The Middle Is Gone, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quandonas asas de um piano se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Nesse tema, os efeitos robóticos carregados de poeira da voz de Moby e aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como um subtil efeito de guitarra colocam-nos na rota certa de um álbum que do tecno minimal ao space rock, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

01. Mere Anarchy
02. The Waste Of Suns
03. Like A Motherless Child
04. The Last Of Goodbyes
05. The Ceremony Of Innocence
05. The Tired And The Hurt
07. Welcome To Hard Times
08. The Sorrow Tree
09. Falling Rain And Light
10. The Middle Is Gone
11. This Wild Darkness
12. A Dark Cloud Is Coming


autor stipe07 às 21:43
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