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Caveman – Smash

Terça-feira, 23.11.21

Cinco anos depois de Otero War, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Smash, um registo com a chancela da Fortune Tellers e produzido por Nico Chiotellis nos estúdios Rivington 66. Liderados por Matthew Iwanusa, os Caveman voltam a não desiludir ao terceiro álbum, à sombra do típico rock norte americano e muito influenciados pelo desparecimento de um primo do líder, cujo apelido dá nome ao disco.

Caveman Announces US Fall Tour, 'Smash' LP Out August 13th Via Fortune  Tellers, Buy Tickets Now — Tell All Your Friends PR

Smash impressiona pelas guitarras mas também, e à imagem do antecessor pelo modo como a vertente sintética encaixa nas distorções e no pendor orgânico de grande parte das canções, um pouco à imagem do que sucedeu em Otero War. A sintetização lenta que conduz Hammer e o modo como se cruza com o compasso da bateria, é um bom exemplo deste modus operandi dos Caveman, com Don't Call Me, utilizando a mesma receita, a proporcionar uma faceta mais ampla e ecoante, para criar uma densa parede de som, com uma tonalidade que é já imagem de marca do projeto. E Smash acaba por servir na perfeição para isso mesmo, para carimbar uma sonoridade de forte cariz identitário e para nos esclarecer qual é, definitivamente, o rumo que o grupo pretende trilhar. O próprio piano que se escuta no início do registo, em Like Me, servindo de contraponto, esclarece que a herança e a nostalgia nunca deixarão o catálogo dos Caveman, mas que o olhar anguloso é mesmo em direção a caminhos eminentemente eletrónicos, como se percebe quando os sintetizadores e as próprias guitarras tomam conta do tema. A própria cândura de You Got A Feeling, a serenidade de Awake e a densidade de River acabam por conferir ainda mais homogeneidade a um alinhamento que acaba por expressar aquele dilema que muitas bandas sentem de estarem presas a um determinado som e que, em vez de complicar, resolvem render-se a essa evidência e tentar aprimorar ao máximo a cartilha em que, consciente ou inconscientemente, se sentem mais confortáveis. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:57

The Antlers – Losing Light EP

Segunda-feira, 22.11.21

Projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano da última década e meia, os The Antlers de Peter Silberman e Michael Lerner, regressaram na passada primavera aos discos com o registo Green To Gold, que em dez canções nos trouxe uma nova fase do grupo de Brooklyn, bastante promissora, luminosa e empolgante.

The Antlers Surprise Release 'losing Light' EP Today | News | ANTI-

Agora, mais de meio anos depois e de modo algo surpreendente, a dupla oferece-nos um EP intitulado Losing Light, com quatro canções, que são nada mais nada menos que reinterpretações de composições que fazem parte do cardápio de Green To Gold, reconstruções feitas de um modo um pouco mais agreste e intuitivo do que os originais do álbum, tomando como ponto de partida as mesmas demos e gravações que serviram de partida aos originais.

Para quem conhece a fundo o conteúdo de Green to Gold, é fundamental escutar este EP, até para perceber que abordagens poderiam ter tido as canções se o estado de espírito dos The antlers fosse um pouco mais sombrio e depressivo na altura em que o disco foi gravado. Recordo que os The Antlers habituaram-nos desde o fabuloso Hospice (2009) a um faustoso banquete de composições encharcadas em sensibilidade, angústia e conflito, canções cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, mas que nos mantinham sempre à tona porque também sabiam salvaguardar um soporífero cariz relaxante. Após o monumental registo Familiars, editado em dois mil e catorze e colocado em primeiro lugar nos melhores álbuns desse ano para a nossa redação, esse desfile de discos assertivos e metaforicamente intensos foi interrompido por opção da própria dupla e os The Antlers entraram num hiato que foi interrompido com Green To Gold, uma obra prima de sensibilidade e nostalgia. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:46

Helado Negro – Far In

Quinta-feira, 18.11.21

O projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos, começou em grande estilo a sua caminhada ao lado da etiqueta 4AD, para onde se transferiu em dois mil e vinte, dando as mãos à cantora e compositora Jenn Wasner, que assina as suas obras sonoras como Flock of Dimes e a Devendra Banhart, para assinarem,  há cerca de um ano, em conjunto, uma versão do clássico Lotta Love de Neil Young. Agora Helado Negro já tem também o seu primeiro disco etiquetado pela 4AD, um trabalho intitulado Far In, com quinze inéditos e que aprimora ainda mais a visão psicadélica e caleidoscópica de um artista ímpar no panorama alternativo atual.

Helado Negro's Far In: Stream the New Album

Quem segue com particular atenção a carreira deste músico incrível, ao escutar com devoção Far In a primeira impressão que tem é que o catálogo do mesmo nunca foi tão sensorial e orgânico como agora. De facto, este é um disco que apela muito à natureza, ao ambiente e ao modo como o autor, colocando-se na primeira pessoa, nos transmite memórias de um passado rico em experiências e vivências num Equador riquíssimo em belezas naturais e ancestralmente muito ligado à terra e aos recursos que a mesma nos oferece de mão beijada, quando é devidamente respeitada.

Gemini And Leo, o segundo tema do alinhamento de Far In e o primeiro avanço divulgado deste novo registo de Helado Negro há alguns meses atrás, elucidou-nos desde logo esta ligação que o disco iria ter à natureza. E, sonoramente, também nos fez prever que, como se veio a concretizar, o autor iria ampliar as suas já habituais experimentações com samples e sons sintetizados, com referências sonoras eminentemente cruas, para recriar um clima ainda mais acolhedor e imediato que o habitual e que encarnasse na perfeição o espírito muito particular e simbólico que pretende para esta nova etapa da sua carreira e da sua música.

Far In escorre sorrateiramente pelos nossos ouvidos e os nossos apurados sentidos voltam a ficar em sentido perante Outside The Outside, canção que mantém o autor nessa tão propalada demanda experimental, que se materializa, neste caso, numa agregação inspirada entre batidas e adornos rítmicos e melódicos ondulantes, das mais diversas proveniências instrumentais, principalmente sintéticas, enquanto Lange revive afetuosas memórias da sua infância e o modo como a sua família foi acolhida nos Estados Unidos da América. Depois, a cereja no topo do bolo está guardada para outro fruto, La Naranja, tema muito focado no prazer do usufruto das coisas simples da vida, como um simples sumo de laranja e sonoramente com uma vibração particularmente luminosa e tropical, impressionando pelo modo como a orquestralidade dos arranjos de violino vagueia pela batida sem nunca abafar o seu vigor e impetuosidade.

Far In é, em suma, uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, mais um naipe de belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um alinhamento com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade. Nele percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos, reações e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:23

Nation Of Language – The Grey Commute

Sábado, 30.10.21

Banda sensação do cenário underground de Brooklyn, Nova Iorque, os Nation Of Language de Ian Devaney estão prestes a estrear-se nos discos com A Way Forward, um registo que irá ver a luz do dia na próxima semana e que promete fazer furor no seio da crítica mais atenta, mas também de um público sempre sedento por novidades refrescantes e que acrescentem algo de inédito ao panorama sonoro contemporâneo.

Nation of Language interview: New York synth heroes on their return with A  Way Forward - London News Time

São já várias as amostras conhecidas do alinhamento de A Way Forward, nomeadamente as composições Across That Fine Line, Wounds Of Love, This Fractured Mind, A Word And A Wave e, a mais recente, The Grey Commute. Esta canção versa, essencialmente, sobre a adição algo doentia, que quase todos temos realtivamente ao consumismo, fazendo-o através de uma synth pop de forte travo oitocentista, encarnada através de sintetizadores repletos de efeitos cósmicos que se acamam numa batida que tem tanto de discreto como de insinuante. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:40

JW Francis - Wanderkid

Segunda-feira, 25.10.21

Figura ímpar do indie rock norte-americano, o músico nova iorquino JW Francis regressou há alguns dias aos discos com um trabalho intitulado Wanderkid, o segundo do seu cardápio, um registo que que, de acordo com o autor, pretende ser sobre o conceito de escape, aplicado na existência de uma espécie de anti-herói chamado Wanderkid (Wanderkid It’s supposed to be a gut punch of a record about an anti-hero named Wanderkid who wants to get out: out of his living situation, out of his head, out of his life. This album is like looking out the car window with an urgent desire to be on the other side. It was finished during the most recent global pandemic, so hopefully folks find it relatable.)

JW Francis – John, Take Me With You (Official Music Video) - YouTube

A crítica norte-americana mais atenta já considera JW Francis a próxima lenda do indie rock lo fi alternativo. E, de facto, Wanderkid, disco com a chancela da Sunday Best Recordings, oferece-nos pouco mais de trinta minutos de traquejo melódico e de sagacidade instrumental ímpar enquanto nos conta a história de um comum alter-ego continumante confrontado com alguns dos dilemas existencias que sempre fizeram mover a humanidade, como a escassez de cerveja, ou a existência ou não de Deus e, consequentemente, vá-se lá saber porquê, do amor.

Logo a abrir o disco, John, Take Me With You , uma impactante e aditiva canção, oferece-nos alguns dos melhores ingredientes de um rock experimental repleto de groove, assente em guitarras encharcadas por uma cosmicidade boémia que é abastecida com particular requinte e destreza, na hipnótica e divertida I Love You, por metais e sintetizadores insinuantes, mas vincadamente omnipresentes. E nestes dois temas que abrem o disco, fica impressa, no fundo, a cartilha que tipifica o habitual modus operandi de JW Francis, que contém também, há que realçar, um elevado travo nostálgico. Isso acontece porque todo o alinhamento de Wanderkid, estando repleto de especificidades, porque todas as canções apresentam nuances díspares e únicas, recorda-nos, no geral, aquele som que na década de setenta do século passado explodiu da liberalização generalizada dos mais diversos recursos tecnológicos ao serviço da criação musical e que neste Wanderkid , recordados numa vasta pafernália de teclados, recebem um eficaz travo de contemporaneidade.

O modo como um efeito vagueante se entrelaça com diversos metais e com a voz reverberizada em Maybe, o impetuoso baixo afagado por uma linha de guitarra ondulante em Make Another Record, a singela leveza folk de Only With You e, num clima mais tropical, de Holy Mountain, a previsão de como será o melhor folclore balcânico em dois mil e oitenta plasmada no tema homónimo, a sobriedade indie de Don't Fall Apart, são, realmente, momentos de elevado traquejo de um trabalho que, proporcionando-nos uma elevada intimidade com a mente do autor, confronta-nos com uma luminosidade algo inédita, atributo que faz com que JW Francis se mostre, canção após canção, sempre vivo e estranhamente empático e exuberante no modo como comunica connosco.

É, de facto, nesta grande surpresa discográfica do ano, que se percebe que a eletrónica é o terreno onde musicalmente este autor nova-iorquino se move com maior conforto. Se em canções como Cars ele até acaba por olhar com bastante atenção para a indie pop movida a cordas reluzentes, a verdade é que existe sempre uma toada sempre pulsante e algo épica, mas também particularmente embaladora e intimista a tomar as rédeas do álbum, recriada, por exemplo, com elevado grau de impressionismo, em I'm Probably A Ghost. Acabam por ser estes sentimentos antagónicos que sobem mais à tona ao longo da audição de Wanderkid, com o objetico claro de dar vida a uma filosofia comum que busca elevada assertividade no modo como se serve do habitual formato canção para atingir grande variedade de fãs, enquanto o autor desta trama se mostra mais amadurecido do que nunca. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:31

Big Red Machine – How Long Do You Think It’s Gonna Last?

Quarta-feira, 22.09.21

Os mais atentos relativamente ao histórico recente do universo sonoro indie e alternativo recordam-se, certamente, da coletânea de beneficiência Dark Was The Night, lançada em dois mil e nove e cujos fundos revertiam a favor a Red Hot Organization, uma organização internacional dedicada à angariação de receitas e consciencialização para vírus HIV. Do alinhamento dessa coletânea fazia parte uma canção intitulada Big Red Machine, da autoria de Justin Vernon aka Bon Iver e Aaron Dessner, distinto membro dos The National, dois artistas que juntos também já desenvolveram a plataforma PEOPLE, que reúne composições inéditas de mais de oitenta artistas, organizaram festivais (Eaux Claires) e acabaram por incubar um projeto sonoro intitulado exatamente Big Red Machine, que se estreou nos discos com um extraordinário homónimo, em dois mil e dezoito, abrigado pela já referida PEOPLE.

Big Red Machine - How Long Do You Think It's Gonna Last? | por Bárbarah  Alves | You! Me! Dancing!

Três anos após essa estreia, a dupla está de regresso com um novo álbum intitulado How Long Do You Think It’s Gonna Last?, que chegou aos escaparates recentemente. São quinze charmosas canções, repletas de convidados especiais, que entregam de mão beijada o melhor do seu adn a construções sonoras geralmente intrincadas, mas acessíveis e repletas de uma vasta míriade de detalhes e efeitos plenos de criatividade, uns de proveniência orgânica, geralmente debitados por cordas e pelo piano,  mas também sintética, já que não falta um assinalável arsenal de sintetizadores no catálogo instrumental do registo.

Canções como Phoenix, um tema conduzido por um majestoso piano e que conta com as participações especiais dos Fleet Foxes e da cantora Anäis Mitchell, Mimi, uma composição luminosa e que conta com a participação especial vocal de Ilsey Juber, uma compositora que se notabilizou nos últimos anos por aparecer nos créditos de criações sonoras assinadas por nomes tão proeminentes como Miley Cyrus, Dua Lipa, Beyoncé ou Lykke Li e Renegade, canção que conta com a participação especial de Taylor Swift e que assenta numa espécie de experimentalismo claustrofóbico, que impressiona pelo modo como o registo vocal de Swift trespassa um inspirado riff acústico acamado por uma arquitetura sonora quente e fortemente cinematográfica e imersiva, que suscita no ouvinte uma forte sensação de proximidade e empatia, são notáveis momentos sonoros, impregnados com a melhor intersecção que é possivel econtrar hoje entre folk e eletrónica no cenário indie. Depois, numa vertente mais sintética, The Ghost Of Cincinnati e Latter Days (feat. Anaïs Mitchell), que sobrevivem muito à custa de um cuidado arsenal instrumental, eminentemente eletrónico, mesmo abrindo ao ouvinte portas para climas mais intimistas, nunca colocam em causa o perfil solarengo e sorridente de um disco que, no fundo, assenta a sua filosofia no modo feliz como Dessner e Vernon deram, no procedimento criativo, primazia às cordas acústicas, elemento instrumental de eleição de ambos e núcleo central do processo de condução sonora e melódica de uma álbum esteticamente muito apelativo e sedutor e tremendamente encharcado em charme e elegância.

Engane-se quem achar que a escuta de How Long Do You Think It’s Gonna Last? não obrigará a um exercício exigente de percepção para que todos os seus cantos e esquinas sejam devidamente retratados na nossa mente. Mas, se tal demanda for feita de modo dedicado, podem estar certos que que tal exercício será, de certeza, fortemente revelador e claramente recompensador, até porque tudo o que é melodicamente belo e exemplarmente interpretado no registo, é ampliado pelo claro charme e misticismo que estes dois músicos transportam sempre que se juntam para compôr, algo que trespassa muitas vezes o cenário do que é apenas audível. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:55

We Are Scientists – You’ve Lost Your Shit

Terça-feira, 14.09.21

Três anos depois de Megaplex, os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Huffy, o sétimo registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo liderada por Keith Murray e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Este novo trabalho dos We Are Scientists vai ver a luz do dia a oito de outubro próximo através da 100% Records.

We Are Scientists You've Lost Your Shit

Como certamente se recordam, primeiro single divulgado de Huffy, há algumas semanas atrás, foi Handshake Agreement, uma canção sobre o forte impacto que as redes sociais e os média têm no nosso dia a dia e no modo como ambos e a pandemia têm reduzido imenso o sempre necessário contacto social presencial que todos precisamos.

Agora, na reta final deste verão, chega a vez de conferirmos You've Lost Your Shit, composição com um irrepreensível travo hard punk, uma espiral sonora proporcionada por uma guitarra plena de fuzz e um registo percurssivo vibrante e frenético. O tema tem também já um vídeo bastante curioso que disserta sobre o mercado negro de órgãos, com o vocalista Keith Murray a acordar numa banheira cheia de gelo e com uma sutura no abdómen. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:51

Woods - Strange To Explain (More Strange)

Sexta-feira, 03.09.21

Com uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. E foi isso que sucedeu o ano passado com Strange To Explain, álbum que, plasmando tais laivos de inedetismo, entroncou num fio condutor, com particular sentido criativo, que abarcou todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes foram, de facto, os grandes pilares de um registo que teve recentemente direito a uma espécie de upgrade.

Strange To Explain [More Strange (Deluxe Edition)] | WOODS

Strange To Explain (More Strange) é o nome do novo lançamento dos Woods. Tem um alinhamento de dezasseis canções e viu a luz do dia à boleia da Woodsist, sendo, na verdade, uma espécie de novo lançamento de Strange to Explain em edição de luxo, ou seja, tem os onze temas do antecessor, quatro novas composições e uma nova versão nova do tema Be There Still.

Waiting Around For A New Me, um dos novos inéditos, é o destaque maior deste More Strange, um portento de luz e de cândura que mostra os Woods num território sonoro onde se sentem particularmente confortáveis. Falo daquele rock eminentemente reflexivo e íntimo e com um elevado travo folk, um tema que impressiona pela beleza dos arranjos, o típico falsete de Jeremy e que busca um clima otimista, reluzente e aconchegante. Depois, canções como Next To You And The Sea, um buliçoso mas agradável portento de luz e cândura e Where Do You Go When You Dream?, composição que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, são temas que nos mostram, desde logo, que houve uma intenção clara de estabelecer um diálogo sonoro com o ouvinte que não o obrigue a demasiada reflexão de modo a destrinçar o modus operandi que conduziu a conceção do disco, ao mesmo tempo que houve uma busca por induzir uma sonoridade agradável, sorridente e o mais orgânica possível. As cordas vibrantes e os efeitos borbulhantes em que navegam as águas calmas de Just To Fall Asleep e o clima sedutor que se estabelece entre viola e bateria em Before They Pass By são outros exemplos bonito desta busca por um clima otimista, reluzente e aconchegante, que marca Strange To Explain.

Mesmo nas sintetizações retro em que assenta Can’t Get Out, na subtil epicidade experimental de The Weekend Wind, ou no travo cósmico dos flashes que pairam pela bateria e pela guitarra de Fell So Hard, nunca é colocada em causa esta marca indistinta que possui Strange To Explain (More Strange), um disco eminentemente cru, envolvido por um doce travo psicadélico, enquanto passeia por diferentes universos musicais, sempre com um superior encanto interpretativo e um sugestivo pendor pop, traves mestras que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido e que justificam, no seu todo, que este seja um dos melhores registos do já impressionante catálogo do grupo e o que mais aproxima os Woods dos seus primórdios. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:04

A Great Big Pile Of Leaves – Pono

Quinta-feira, 19.08.21

Depois de um longo hiato de sete anos os norte-americanos A Great Big Pile Of Leaves, uma banda de Brooklyn, em Nova Iorque, formada atualmente por Pete Weiland, Tyler Soucy,  Matthew Fazzi e Tucker Yaro, estão de regeresso com Pono, um alinhamento de dez canções abrigado pela Topshelf Records e que nos leva numa fantástica e relaxante viagem até às origens do melhor indie rock contemporâneo.

A Great Big Pile of Leaves Tickets - A Great Big Pile of Leaves Concert  Tickets and Tour Dates - StubHub

Gravado no estúdio caseiro da banda e mixado por Matthew Weber, na Gradwell House Recording em Haddon Heights, Nova Jersey, Pono reacende o fervor que os fãs antigos sempre tiveram por esta banda, mas tem também o condão de agregar novos seguidores à causa A Great Big Pile Of Leaves. E tal sucede porque ouvir Pono é um exercício auditivo desconcertante e fortemente indutor, tal é o nível de beleza e de luminosidade, quer melódica, quer instrumental, de composições dominadas por guitarras que sabem sempre a tonalidade correta a dar à filosofia poética idealizada, sem colocar em causa, mesmo nos momentos mais efusivos e em que as distorções abundam, o efeito relaxante e atmosférico que carateriza o registo.

De facto, se temas como Beat Up Shoes e Hit Reset possuem tonalidades e rugosidades um pouco mais explosivas, a escolha dos dos temas para singles de apresentação do disco não terá sido inocente, porque acabam por espelhar com enorme fidelidade a visão que o quarteto teve para Pono. Depois o brilho percurssivo que testemunhamos em músicas como Kitchen Concert, Swimmer e Writing Utensils, acaba por ser o toque diferenciador que confere harmonia e solidez ao conjunto, num resultado final claramente bem conseguido e que deverá figurar, aposto, em algumas listas dos melhores lançamento do ano.

Em suma, mostrando que a longa espera de mais de meia década foi recompensada, Pono é um marco evolutivo ímpar na carreira dos A Great Big Pile Of Leaves, conseguido à boleia de um álbum exemplarmente polido, um compêndio cintilante de indie rock que tem como atributo maior, por incrível que pareça, o facto de ser um daqueles alinhamento muito fluído e de fácil digestão e, por isso,  claramente divertido e prazeiroso. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:58

We Are Scientists – Handshake Agreement

Quinta-feira, 12.08.21

Três anos depois de Megaplex, os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Huffy, o sétimo registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo liderada por Keith Murray e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Este novo trabalho dos We Are Scientists vai ver a luz do dia a oito de outubro próximo através da 100% Records.

We Are Scientists share new single 'Handshake Agreement'

Canção que se debruça sobre o forte impacto que as redes sociais e os média têm no nosso dia a dia e no modo como ambos e a pandemia têm reduzido imenso o sempre necessário contacto social presencial que todos precisamos,  Handshake Agreement é o novo single retirado do alinhamento de Huffy, uma canção que nos oferece um animado e irrepreensível travo noventista, em que surf punk e garage rock se confundem, sem apelo nem agravo, com astúcia e luminosidade, atingindo no âmago o habitual adn dos We Are Scientists. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:07






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