Domingo, 19 de Maio de 2019

Interpol - Fine Mess EP

Quase um ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no verão de dois mil e dezanove com Fine Mess, um EP que a banda acaba de lançar à boleia, obviamente, da Matador Records e que contém cinco canções gravadas por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Maraudero tal disco que os Interpol editaram no verão passado.

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É impossível indissociar o conteúdo de Fine Mess do alinhamento de Marauder,  até porque o EP mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate. Seja como for, parece-me não ter havido apenas um exercício de junção de composições que ficaram de fora desse registo, mas antes algo mais aturado e refletido. De facto, Fine Mess tem uma identidade muito própria e será redutor e injusto considerar este EP como uma espécie de apêndice de Marauder. Escuta-se o tema homónimo e somos confrontados com o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém uma ímpar virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações.

As nuances rítmicas de No Big Deal e a energia intuitiva de Real Life acabam por ser duas balizas identitárias deste alinhamento e de marcação da tal ruptura com Marauder, com a toada invulgarmente pop de The Weekend a ser a cereja no topo do bolo de um EP que atesta, uma vez mais, a superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã um extra inesperado e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - A Fine Mess

01. Fine Mess
02. No Big Deal
03. Real Life
04. The Weekend
05. Thrones


autor stipe07 às 18:19
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Bear Hands – Fake Tunes

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e parrtiularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

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Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)


autor stipe07 às 17:47
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2019

Vampire Weekend – Father Of The Bride

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, um álbum duplo, que viu a luz do dia através da Columbia Records e que tem como eixos basilares orientadores da sua escrita noções como alegria, luminosidade e o renascer para uma nova vida, no fundo, ideias que deverão estar neste momento muito presentes no dia-a-dia de um projeto que perdeu há três anos Rostam Batmanglij, uma das suas pedras basilares, multi-instrumentista e anterior responsável pela função de principal produtor do grupo e que procura agora colocar-se novamente nos eixos. Ezra Koenig é, portanto, a grande força motriz atual de um projeto muito centrado neste músico, vocalista e compositor, que durante este longo hiato constituiu família com a atriz Rashida Jones, lançou a sua série de animação Neo Yokio no Netflix, continuou a apresentar o programa Time Crisis e co-escreveu Hold Up de Beyoncé, enquanto vivia algumas experiências descritas neste novo álbum dos Vampire Weekend.

Esta banda nova iorquina sempre evoluiu e enriqueceu o seu cardápio à custa de canções divididas entre um travo afro e o rock alternativo, um modus operandi que com Contra, e no anterior Modern Vampires Of The City também evoluiu para sonoridades mais maduras e experimentais. Com as participações especiais de Steve Lacy dos The Internet em dois temas e de Danielle Haim em três, Father Of The Bride continua a apostar nesta lógica de continuidade evolutiva e de busca de uma maior heterogeneidade e complexidade para o cardápio do grupo.

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Desta vez tal demanda centrou-se na busca de interseções apuradas entre a herança pop do último meio século, com especial ênfase para o período sessentista dominado pela exuberância das cordas, mas também pelo uso das teclas de um modo menos clássico e mais experimental. Assim, dentro dessa baliza estilística, importa referir Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, assim como Big Blue, composição com uma intimidade e uma acusticidade ímpares. Depois, num plano mais exuberante, canções como a vibrante Married In A Gold RushThis Life, um buliçoso tema solarengo e com um groove bastante charmoso, assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante, atestam a já habitual asseritividade rítmica do grupo, também preenchida com elementos tropicais e étnicos. Já agora, o tema This Life, um dos que conta com a participação especial vocal de Danielle Haim, tem uma letra inspirada nas canções It Never Rains in Southern California, um sucesso de mil novecentos e setenta e dois da autoria de Albert Hammond, pai de Albert Hammond Jr., membro dos The Strokes e presença assídua neste blogue (Baby I know pain is as natural as the rain, I just thought it didn’t rain in California) e, no refrão, na composição Tonight, do rapper californiano iLoveMakonnen (You’ve been cheating on, cheating on me, So I’ve been cheating on, cheating on you).

No meio de toda esta diversidade e ecletismo, importa ainda referir a aposta em algumas da principais tendências estilísticas da eletrónica atual, bem patentes, por exemplo, em 2021, uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar e em Unbearably White, tema que se debruça no modo cínico como a questão do racismo é hoje tratada numa cada vez mais politizada e dividida América (There’s an avalanche coming, Cover your eyes), uma composição melancólica e intimista, com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre uma melodia intrigante e algo densa. Sympathy é talvez aquela canção que melhor condensa todo este receituário, no modo como cruza batidas e ritmos com funk e com um travo hispânico delicioso, com alguns dos arquétipos essenciais do rock progressivo setentista, rematados por detalhes de cordas de forte indole orgânica.

Toda esta trama conceptual faz movimentar um trabalho que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um registo entregue, de forma experimental e criativa à busca algo incessante de melodias com um forte cariz pop e radiofónico, mas sem deixarem de piscar o olho ao universo underground e mais alternativo que foi quem sustentou e ajudou os Vampire Weekend, no início da carreira, a obterem a notoriedade que hoje os distingue. Espero que aprecies a sugestão...

Vampire Weekend - Father Of The Bride

01. Hold You Now (Feat. Danielle Haim)
02. Harmony Hall
03. Bambina
04. This Life
05. Big Blue
06. How Long?
07. Unbearably White
08. Rich Man
09. Married In A Gold Rush (Feat. Danielle Haim)
10. My Mistake
11. Sympathy
12. Sunflower (Feat. Steve Lacy)
13. Flower Moon (Feat. Steve Lacy)
14. 2021
15. We Belong Together (Feat. Danielle Haim)
16. Stranger
17. Spring Snow
18. Jerusalem, New York, Berlin


autor stipe07 às 14:27
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Sábado, 4 de Maio de 2019

The National – Hairpin Turns

The National - Hairpin Turns

Continuam a ser divulgadas novas composições de I Am Easy To Findo novo registo de originais dos norte-americanos The National, que verá a luz do dia a dezassete de maio, através da 4AD. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções, também já divulgado.

A última canção divulgada do disco é Hairpin Turns, o décimo terceiro tema do seu alinhamento, mais uma belíssima balada que coloca os The National no trilho de uma sonoridade que também lhes é familiar e na qual se movimentam confortavelmente. Assente num delicado piano, em diversas nuances rítmicas, numa guitarra flutuante e na voz cada vez mais madura, assertiva e positiva de Berninger, Hairpin Turns possui aquela toada algo melancólica e reflexiva que é tão do agrado dos seguidores desta banda nova iorquina.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum. O vídeo de Hairpin Turns também foi realizado por Mike Mills, mas é uma produção independente desse filme, mostrando uma interpretação de dança, protagonizada por Sharon Eyal e que, de acordo com Mills, acaba por funcionar neste video como uma espécie de alter ego da personagem interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander no filme 20th Century Women. No video deste tema, feito em colaboração com o espaço La Blogothèque, é também possível apreciar o modo como os instrumentos foram protagonizando a canção e construindo o seu arquétipo melódico e sonoro e os outros protagonistas no tema, além dos músicos dos The National, nomeadamente Gail Ann Dorsey, Pauline Delasser (aka Mina Tindle) e Kate Stables. Confere...


autor stipe07 às 16:32
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Quarta-feira, 10 de Abril de 2019

The Drums - Brutalism

Os norte-americanos The Drums lançaram há dois anos Abysmal Thoughts, o primeiro registo desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. O ano passado este músico nova iorquino voltou a dar sinais de vida com o tema Meet Me In Mexico e agora, na primavera de dois mil e dezanove, regressa finalmente com um novo álbum, um registo intitulado Brutalism, que viu a luz do dia recentemente, à boleia da ANTI.

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Os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o projeto e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, tentando com este Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia, procurando, desta vez, uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista. Tal infere-se, logo a abrir o registo, no minimalismo algo maquinal de Pretty Cloud e depois no single Body Chemistry, uma canção muito pessoal em que Pierce aborda o modo como lidou com um diagnóstico recente de depressão (Maybe I’m depressed, Maybe I know too much about the world, about myself) e que sonoramente assenta numa curiosa simbiose entre o indie surf rock e a eletrónica chillwave, audível num curioso e bem sucedido jogo de interseções melódicas entre baixo e sintetizadores. 

As guitarras de Encyclopedia, um disco que se afirmou, à época, como um portento de post punk, que parecia ter vindo diretamente do período aúreo e mais sombrio do indie rock, acabam por ter uma posição de menor relevo neste registo, que nos oferece, no seu todo, uma verdadeira montanha mágica, mas mais sintetizada, acompanhada por guitarras menos agressivas mas, de certo modo, melodicamente mais ousadas. Os sintetizadores posicionam-se, portanto, na linha da frente do processo de construção melódica das canções. Conferimos tal permissa em 626 Bedford Avenue, uma daquelas composições que atesta na simbiose, entre flashes sintetizados borbulhantes e cordas luminosas, a rugosa vitalidade experimental que os The Drums sempre demonstraram e os sintetizadores flutuantes do tema homónimo, assim como nos sons poderosos e tortuosos que abastecem Loner, tema conduzido por um baixo exemplar, mas também na tonalidade mais épica e efervescente do efeito da guitarra que tempera o tapete percurssivo sempre agreste de Kiss It Away. Estes são temas que nos oferecem aquela faceta mais marcante, elétrica e explosiva dos The Drums, num alinhamento em que, canção após canção, se sente a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e empolgante, com composições com o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um refúgio perfeito. Depois, ainda há o bónus de podermos conferir a postura vocal de Pierce, mais madura e suculenta do que nunca e particularmente tocante e emocionada em alguns momentos. I Wanna Go Back e Nervous são aquelas em que melhor se pode apreciar esta sua formatação vocal algo nostálgica e amiúde feita com uma quase pueril simplicidade.

Registo bem balizado em termos de referências, Brutalism merece dedicação e nota positiva não só por este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também por, na minha opinião, mostrar que Pierce é cada vez mais capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente a relevância deste projeto nova iorquino no universo indie atual. De facto, Brutalism é uma prova evidente que o grupo não desiste de ser uma referência e que procura fazê-lo com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

The Drums - Brutalism

01. Pretty Cloud
02. Body Chemistry
03. 626 Bedford Avenue
04. Brutalism
05. Loner
06. I Wanna Go Back
07. Kiss It Away
08. My Jasp
09. Blip Of Joy


autor stipe07 às 20:49
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Domingo, 7 de Abril de 2019

Vampire Weekend – This Life & Unbearably White

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson e Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, que irá ver a luz do dia a três de maio, através da Columbia Records.

Vampire Weekend

Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do seu alinhamento está a ser divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, em fevereiro e Sunflower e Big Blue, no início de março. Agora, cerca de um mês depois, é divulgada a terceira fornada, constituída pelas canções This Life e Unbearably White.

This Life é um buliçoso tema, uma composição solarenga e com um groove bastante charmoso, assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante. Conta com a participação especial vocal de Danielle Haim e tem como principal curiosidade uma letra inspirada nas canções It Never Rains in Southern California, um sucesso de mil novecentos e setenta e dois da autoria de Albert Hammond, pai de Albert Hammond Jr., membro dos The Strokes e presença assídua neste blogue (Baby I know pain is as natural as the rain, I just thought it didn’t rain in California) e, no refrão, na composição Tonight, do rapper californiano iLoveMakonnen (You’ve been cheating on, cheating on me, So I’ve been cheating on, cheating on you).

Quanto a Unbearably White, tema que se debruça no modo cínico como a questão do racismo é hoje tratada numa cada vez mais politizada e dividida América (There’s an avalanche coming, Cover your eyes), trata-se de uma composição mais melancólica e intimista, com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre uma melodia intrigante e algo densa. Confere... 

Vampire Weekend - This Life - Unbearably White

01. This Life
02. Unbearably White


autor stipe07 às 14:08
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Sábado, 6 de Abril de 2019

The National – Light Years

The National - Light Years

Será a dezassete de maio que chegará aos escaparates e através da 4AD, I Am Easy To Find, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos The National. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções, também já divulgado.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum, que conta com Alicia Vikander como protagonista principal e na banda sonora com You Had Your Soul With You, o primeiro single retirado deste novo trabalho discográfico dos The National e que divulguei oportunamente e Light Years, o mais recente tema retirado de I Am Easy To Find, cujo vídeo também conta com a atriz sueca no papel principal.

Light Years é uma belíssima balada que coloca os The National no trilho de uma sonoridade que também lhes é familiar e na qual se movimentam confortavelmente. Servindo para encerrar em alta o alinhamento do disco, é uma canção assente num delicado piano e na voz cada vez mais madura, assertiva e positiva de Berninger, assumindo-se como uma das mais bonitas do cardápio da carreira do grupo nova iorquino. Confere...


autor stipe07 às 11:15
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Terça-feira, 2 de Abril de 2019

Interpol – The Weekend

Interpol - The Weekend

Cerca de meio ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no novo ano com excelentes novidades. O trio nova iorquino começou por oferecer aos escaparates, logo em janeiro, um novo single intitulado Fine Mess, que, pelos vistos, irá também dar nome a um EP que a banda vai lançar a dezassete de maio, à boleia, obviamente, da Matador Records.

Com um alinhamento de cinco temas gravados por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Marauder, o tal disco que os Interpol editaram no verão passado, Fine Mess EP acaba de ver mais um tema divulgado. A canção chama-se The Weekend e, à semelhança da composição homónima do EP, oferece-nos um Banks incisivo como sempre, nomeadamente no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, feito daquele timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, reforçando uma tentativa interessante do trio e que se saúda de regresso aquele formato mais genuíno que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que fez que com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights, os Interpol conquistassem, à altura, meio mundo. É, pois, uma canção que contém aquela virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico, outra imagem de marca dos Interpol. Recordo que a banda irá passar por Portugal na próxima edição do NOS Primavera Sound. Confere Weekend e a tracklist de Fine Mess EP...

01 Fine Mess
02 No Big Deal
03 Real Life
04 The Weekend
05 Thrones


autor stipe07 às 10:40
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Segunda-feira, 1 de Abril de 2019

The Dodos – The Surface

The Dodos - The Surface

Foi no início do último outono que os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber colocaram nos escaparates o sucessor para o excelente Individ, lançado já no longínquo ano de dois mil e quinze. Esse novo álbum da dupla de São Francisco chamava-se Certainty Waves, foi produzido pelo próprio Meric Long, viu a luz do dia através da Polyvinyl Records e com ele veio também uma digressão de promoção ao disco que ainda não está concluída. No entanto, no final da primeira fase da mesma e como os The Dodos já não andavam na estada há algum tempo, sentiram-se particularmente inspirados e também uma tremenda necessidade de compôr, conforme confessou recentemente Meric (Back in the fall after finishing our first tour in what seemed like ages, a bunch of ideas that were floating around seemed to converge).

The Surface, uma nova composição da dupla, que viu recentemente a luz do dia através da editora acima referida, acaba por ser a primeira materialização concreta desse processo de composição repentino, também muito influenciado por uma guitarra adquirida recentemente pelo vocalista, um novo brinquedo que parece estar também a inspirá-lo imenso e a mostrar-lhe qual o rumo sonoro que pretende para o futuro dos The Dodos (I recently acquired a Recording King parlor guitar, it doesn't look like much on paper but it is magical and I am squeezing it like a life raft through the next batch of songs. Perhaps it is age, or just compounded cynicism, but there is an overwhelming gratitude that I feel when any small bit of inspiration sheds it's light, and the path ahead seems relatively clear ).

Para já, The Surface impressiona pelo modo como coloca os The Dodos novamente na senda daquela toada folk que marcou os primeiros trabalhos do projeto, tempos aúreos que tiveram o aâmago no já referido registo Individ e que, a meu ver, estavam a ser colocados de lado em detrimento de uma filosofia interpretativa mais pop e com um lustro mais sintético. Recordo que Certainty Waves deu uma importância nunca vista no seio do grupo, à vertente eletrónica e à heterogeneidade instrumental, proveniente, essencialmente, de fontes artificiais. A crueza da guitarra e a sua forte toada orgânica e o registo frenético e algo intuitivo da percurssão de Kroeber, neste novo tema dos The Dodos, fá-los regressar aos seus instintos mais primários e coloca os dois intérpretes naquela que é, por excelência, a sua zona de conforto e o seu periodo mais aúreo. Confere...


autor stipe07 às 10:38
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Domingo, 31 de Março de 2019

Ra Ra Riot & Rostam Batmanglij – Bad To Worse

Ra Ra Riot And Rostam Batmanglij - Bad To Worse

Dez anos depois de uma profícua colaboração que resultou num disco intitulado Discovery (2009) e de Rostam Batmanglij, membro dos Vampire Weekend de Ezra Koenig, ter produzido, cerca de meia década depois, Need Your Light, o último registo de originais dos Ra Ra Riot, alinhamento que continha Water, um tema composto a meias por Rostam e a banda, o músico nova iorquino e o coletivo de Siracusa, nos arredores da mesma cidade, voltam a unir esforços em Bad To Worse, o primeiro single revelado pelo grupo liderado por Wes Miles desde esse trabalho lançado há cerca de três anos.

Em Bad To Worse, canção inspirada em vagas memórias e longas viagens rodoviárias, como refere Miles no press release de lançamento da canção, que deverá fazer parte de um novo álbum dos Ra Ra Riot (It’s about watching the world from the window of the car or bus, and how there’s a familiarity to everything but it’s never the same as it once was), o ritmo divagante e melancólico da bateria encaixa na perfeição com o registo vocal em falsete de Miles, enquanto as sintetizações e as cordas, à medida que se acomodam progressivamente na melodia, fazem a canção levitar, levando-nos com ela e deixando-nos letargicamente à sua mercê, à medida que a herança de alguma da melhor pop oitocentista ressurge do nosso baú de memórias. Confere...


autor stipe07 às 12:30
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Domingo, 10 de Março de 2019

Vampire Weekend - Sunflower vs Big Blue

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson, Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, ainda sem data de lançamento definida mas certamente neste ano de dois mil e dezanove.

Resultado de imagem para Vampire Weekend Sunflower Big Blue

De acordo com Ezra Koenig, Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do alinhamento deste lançamento será divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, os dois primeiros temas disponibilizados do novo álbum dos Vampire Weekend. E pelos vistos a estratégia de divulgação de composições do registo aos pares continua a estar na linha da frente, acabando de ser disponibilizados agora, em simultâneo, os temas Sunflower e Big Blue.

Sunflower é um buliçoso tema que conta com a participação especial de Steve Lacy dos Internet, uma composição solarenga e com um groove bastante charmoso assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante. O vídeo do tema foi realizado por Jonah Hill no famoso Zabar’s, em Upper West Side, Manhattan e será divulgado muito em breve. Já Big Blue tem um cariz mais minimalista e acústico, impressionando pelo brilho das cordas que sustentam uma melodia pop com um certo cariz bastante íntimo e melancólico, um exercício de composição assertivo e que mostra todo o virtuosismo de uma banda que deverá figurar, pelas amostras já divulgadas do seu novo disco, na lista dos grandes regressos de dois mil e dezanove . Confere...

Vampire Weekend - Sunflower - Big Blue

01. Sunflower
02. Big Blue


autor stipe07 às 20:27
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Quarta-feira, 6 de Março de 2019

The National – You Had Your Soul With You

The National - You Had Your Soul With You

Será a dezassete de maio que chegará aos escaparates e através da 4AD, I Am Easy To Find, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos The National. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e terá um alinhamento de dezasseis canções também já divulgado.

Uma das grandes curiosidades de I Am Easy To Find é resultar de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo o registo um dos componentes de 20th Century Women, o mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum, que conta com Alicia Vikander como protagonista principal e que conta na banda sonora com You Had Your Soul With You, o primeiro single retirado deste novo trabalho discográfico dos The National.

Canção conduzida pela habitual cadência rítmica inconstante e cheia de quebras que é já uma imagem de marca da banda de Nova Iorque e que conta com a particpação especial vocal de Gail Ann Dorsen, que fez parte da banda de David Bowie, You Had Your Soul With You coloca os The National no trilho de uma sonoridade cada vez menos sombria e com ênfase numa toada mais épica, aberta e dançável, que deverá ser transversal a um disco que também conta com as participações especiais de Sharon Van Etten, Lisa Hannigan, Mina Tindle, the Brooklyn Youth Chorus, entre outros e que, numa perspetiva cada vez mais madura, assertiva e positiva, deverá firmar novamente uma posição relevante dos The National na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Confere You Had Your Soul With You e o alinhamento de I Am Easy To Find...

1. You Had Your Soul With You 
2. Quiet Light
3. Roman Holiday
4. Oblivions
5. The Pull Of You
6. Hey Rosey
7. I Am Easy To Find
8. Her Father In The Pool
9. Where Is Her Head
10. Not In Kansas
11. So Far So Fast
12. Dust Swirls In Strange Light
13. Hairpin Turns
14. Rylan
15. Underwater
16. Light Years


autor stipe07 às 11:54
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2019

Albert Hammond Jr. – Fast Times

Albert Hammond Jr. - Fast Times

Cerca de oito meses após o excelente Francis Trouble, álbum que foi cuidadosamente dissecado por esta redação e de uma participação especial no blockbuster da Netflix Stranger ThingsAlbert Hammond Jr., músico norte americano e uma das faces mais visíveis dos The Strokes, acaba de divulgar um novo tema intitulado Fast Times e de confirmar estar a trabalhar em estúdio com Natalie Umbruglia, não tendo sido revelados mais detalhes sobre essa inusitada colaboração, nomeadamente o conteúdo e os objetivos da mesma.

Composição banhada por um indie rock luminoso e radiante, assente naquele efeito metálico que é a imagem de marca dos The Strokes e por um trabalho percurssivo exemplar, Fast Times é mais uma homenagem exemplar ao cenário punk nova iorquino dos últimos vinte anos e prova o direito que Hammond tem de alimentar esta semelhança estilística entre o seu trabalho a solo e o grupo que ajudou a erigir, desde que continue a fazê-lo com a elevada bitola qualitativa que demonstra nesta sua nova composição. Confere...


autor stipe07 às 12:46
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

Foreign Air – Wake Me Up

Foreign Air - Wake Me Up

Jesse Clasen e Jacob Michael são os Foreign Air, uma dupla sedeada em Brooklyn, Nova Iorque e que tem chamado a atenção da crítica desde dois mil e quinze, ano em que lançaram o single Free Animal, que encabeçou o EP For The Light, editado em setembro do ano seguinte. Essa canção, que foi banda sonora de vários anúncios comerciais, spots televisivos e até trailers cinematográficos, deu uma inesperada visibilidade aos Foreign Air que acabaram por ser convidados para tocar em vários festivais norte-americanos e para abrir concertos de bandas como os Phantogram, BORNS ou Bishop Briggs.

Agora, no início de 2019, os Foreign Air voltam a chamar a si alguns holofotes à boleia de Wake Me Up, o primeiro avanço para o disco que a banda vai editar já no próximo dia quinze de março. Canção composta com a ajuda de Jason Suwito dos Sir Sly, Wake Me Up oferece ao ouvinte um rock progressivo de elevado calibre devido a uma secção rítmica vibrante, efeitos planantes e um intenso refrão onde monumentalidade, euforia e epicidade se conjugam instrumental e vocalmente sem qualquer tipo de reservas. Confere...

 


autor stipe07 às 13:09
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2019

LCD Soundsystem – Electric Lady Sessions

Quase ano e meio depois do excelente álbum American Dream, a primeira etapa do segundo fôlego da carreira dos LCD Soundsystem, o projeto nova- iorquino liderado por James Murphy volta à carga com o seu terceiro álbum ao vivo, um registo intitulado Electric Lady Sessions, que viu a luz do dia recentemente através da DFA Records, etiqueta de Murphy em parceira com a Columbia Records. Electric Lady Sessions foi, como o nome indica, gravado nos estúdios com esse nome, situados em Manhattan e que já foram de Jimmy Hendrix, durante a digressão de promoção a American Dream.

Resultado de imagem para LCD Soundsystem Electric Lady Sessions

Depois de London Sessions (2010) e The Long Goodbye (2014), Electric Lady Sessions é o terceiro registo dos LCD Soundsystem ao vivo e nele são captados os mais recentes arranjos que a banda induziu nos seus originais, grande parte deles pertencentes ao alinhamento de American Dream, de modo a criar nos seus concertos um ambiente enérgico, festivo e dançante, mas também que proporcione momentos de algum pendor mais reflexivo, nomeadamente acerca do modo como Murphy vê a América que atualmente tanto o inquieta. De certa forma é como se Murphy pegasse numa espécie de versão 2D de algumas das canções mais emblemáticas do catálogo LCD e lhes desse uma faceta tridimensional e mais encorpada, em suma, com outra substância, espaço e textura.

No travo oitocentista impressivo e tremendamente nostálgico, quer do baixo quer das teclas de Seconds, no modo como carregou o fuzz das sintetizações em American Dream, no clima saturado e rugoso da efusiva e lasciva Tonite, nas camadas sonoras sintéticas que são acrescentadas ao arquétipo de Home e que ampliam a emotividade da canção e na liberdade que é dada ao baixo de Tyler Pope para recriar em I Used To um clima ainda mais ritmado e visceral do que o original, fica patente esta ideia de amplificação do festim, numa banda sempre disposta a levar o garage rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica. Já agora, Tyler volta a mostrar toda a sua versatilidade e superior capacidade interpretativa aos comandos do baixo na versão de I Want Your Love, um original com quarenta anos da autoria dos norte-americanos Chic de Nile Rodgers e Bernard Edwards e que também impressiona pela participação vocal da teclista Nancy Whang. Outra cover audível neste Electric Lady Sessions é uma reinterpretação de (we don’t need this) fascist groove thang, um original de mil novecentos e oitenta e um dos britânicos Heaven 17, de Martyn Ware, Ian Craig Marsh e Glenn Gregory e escolhida por Murphy para fazer parte da digressão de American Dream com o intuíto de reforçar a sua opinião relativamente ao atual presidente do seu país, numa espécie de gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. 

O âmago de Electric Lady Sessions acaba por estar no espetacular baixo (Tyler novamente) e no pendor exaltante dos sintetizadores e da batida crescente de Call The Police, nuances que acabam por fazer desta canção uma espécie de tema aglutinador perfeito de todo este receituário live, um tema onde é possível descobrir razões para dançar de olhos fechados e a sorrir enquanto se pensa na vida e naquilo que mais nos consome e inquieta.

Disco que exige várias audições para ser devidamente compreendido, até porque vive muito deste apelo constante, mas nem sempre explícito, à festa, Electric Lady Sessions acaba por ser o documento ao vivo mais essencial no catálogo do LCD Soundsystem. Ao longo das suas doze composições, a gravação consegue dar uma ideia clara do que é estar presente num concerto do grupo e resgatar os momentos marcantes do disco que marcou o regresso da banda ao ativo, mas também lembrar os ouvintes da imponência e vitalidade dos sucessos anteriores. Para quem acompanha a carreira desta banda nova iorquina há qwuase duas décadas, escutar Electric Lady Sessions ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystem como entidade e como entertainers de serviço. Espero que aprecies a sugestão...

LCD Soundsystem - Electric Lady Sessions

01. Seconds
02. American Dream
03. You Wanted A Hit
04. Get Innocuous
05. Call The Police
06. I Used To
07. Tonite
08. Home
09. I Want Your Love
10. Emotional Haircut
11. Oh Baby
12. (We Don’t Need This) Fascist Groove Thang


autor stipe07 às 17:33
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2019

Interpol – Fine Mess

Interpol - Fine Mess

Cerca de meio ano após o lançamento de Marauder, os Interpol têm novidades. O trio nova iorquino acaba de oferecer aos escaparates um novo single intitulado Fine Mess, fazendo-o antes de um verão agitado e repleto de datas de concertos de uma extensa digressão, que irá passar por Portugal na próxima edição do NOS Primavera Sound, para promover esse disco que o grupo lançou no verão do ano passado e que mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate.

Fine Mess é uma curta mas impressiva viagem alicerçada num Banks incisivo como sempre, nomeadamente no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol,feito daquele timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém aquela virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações. Confere...


autor stipe07 às 07:05
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019

Pavo Pavo – Mystery Hour

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, considerado por esta redação como um dos melhores álbuns de dois mil e dezasseis, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso com um novo disco intitulado Mystery Hour, o segundo capítulo discográfico de um projeto exímio a criar aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, mas só no que concerne à componente sonora, porque a poesia de Mystery Hour tem uma inspiração real e concreta, focando-se, de modo bastante cinematográfico, emotivo e realista, no final da relação amorosa de seis anos entre os dois grandes protagonistas da banda e o modo como conseguiram manter uma ligação entre ambos que lhes permitiu continuar a fazer música juntos, apesar desta ruptura que, como se sabe, frequentemente deixa sequelas profundas entre os protagonistas, quer individualmente quer no modo como (não) passam a comunicar e a conviver entre si.

Resultado de imagem para Pavo Pavo Mystery Hour

Mystery Hour é um disco sobre separações, mas também sobre reajustes e sobre a alquimia do amor, um sentimento tão forte que muitas vezes consegue sobreviver misteriosamente e manter laços entre intervenientes, mesmo quando ambos optam livremente por deixar de manifestar fisicamente os seus sentimentos entre si. Escuta-se o disco e torna-se óbvio que Eliza e Oliver ainda se amam, mas de um modo diferente daquele que é o amor entre duas pessoas que se sentem sexualmente atraídas e que convivem intimamente e com frequência. Eliza e Oliver ainda se amam porque mantêm os Pavo Pavo mais vivos e pujantes do que nunca e porque se não existisse um sentimento tão forte como o amor entre eles, nunca ganhariam vida canções do calibre da efusiante Mon Cheri, ou da insinuante Close To Your Ego, curiosamente o tema do disco que se debruça sobre a impossibilidade da reconciliação.

Ao longo do disco, o próprio modo como Oliver utiliza uma clara indulgência orgânica para dar vida a guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e o modo como essa filosofia instrumental do músico se cruza com a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta, é uma prova clara da proximidade e da química entre estes dois autores, que criaram nestas onze canções a banda sonora de um verdadeiro melodrama romântico. Logo a abrir o alinhamento de Mystery Hour, o clima celestial do tema homónimo do disco, simultaneamente épico e comovente, apimentado por um efeito de guitarra planante capaz de derrubar o coração mais empedernido, principalmente quando acontece uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, idealizada por Oliver quando Eliza deixou o apartamento que era de ambos, é a melhor prova da continuação desta cumplicidade, assim como no ocaso, no dueto Goldenrod, que se debruça sobre a dor da perca. Estes dois temas, estrategicamente colocados no alinhamento do registo, são os pontos de partida e de chegada de um círculo onde apesar de haver duas visões e dois ângulos de análise forçosamente diferentes acerca do evento central de Mystery Hour, é impressionante perceber a química e a força de uma amizade que se manteve inquebrável. Pelo meio, além dos temas já descritos, a nuvem de plumas que sustenta o piano que marca 100 Years, o jogo lascivo que se estabelece entre teclas e sopros em The Other Half e, principalmente, em Statue Is A Man Inside, a guitarra que debita um efeito planante pleno de charme e  que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, são outros momentos felizes de um processo de criação musical que tenta sempre, com sucesso, estilizar canções em cujo regaço amor e lisergia caminhem lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam autênticas miragens hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico.

Com um ideário definido e um objetivo genuíno de entrega mútua e de exorcização e, além do tal divórcio, com declaradas inspirações como o universo de Ingmar Bergman, da coreógrafa Pina Bausch, do pintor David Hockney e do artista de multimédia Alex da Corte, Mystery Hour está repleto de nuances variadas e harmonias magistrais, que fazem do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os orgãos e membros de um ser que se dividiu em dois mas que continua a ser um só, na sua individualidade, e que através destas músicas, se não tem esse efeito nos autores, pelo menos no ouvinte é bem capaz de  fazer estremecer o nosso lado mais libidinoso, ao som destas onze composiçõs servidas em bandeja de ouro e que devem figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Mystery Hour

01. Mystery Hour
02. Mon Cheri
03. Easy
04. 100 Years
05. Check The Weather
06. Close To Your Ego
07. The Other Half
08. Around, Pt. 1
09. Around, Pt. 2
10. Statue Is A Man Inside
11. Goldenrod


autor stipe07 às 13:16
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2019

Vampire Weekend – Harmony Hall vs 2021

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson, Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, ainda sem data de lançamento definida mas certamente neste ano de dois mil e dezanove.

Resultado de imagem para Vampire Weekend Harmony Hall 2021

De acordo com Ezra Koenig, Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do alinhamento deste lançamento será divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, os dois primeiros temas disponibilizados do novo álbum dos Vampire Weekend.

Das duas canções, o grande destaque vai, claramente, para Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um exercício de composição assertivo e particularmente radiante. Já 2021 é uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar. Confere...

Vampire Weekend - Harmony Hall - 2021

01. Harmony Hall
02. 2021


autor stipe07 às 10:39
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Domingo, 20 de Janeiro de 2019

The Drums – Body Chemistry

The Drums - Body Chemistry

Os norte-americanos The Drums lançaram há dois anos Abysmal Thoughts , o último registo deste projeto que se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. O ano passado este músico nova iorquino voltou a dar sinais de vida com o tema Meet Me In Mexico e agora, no início de dois mil e dezanove, anuncia finalmente um novo álbum. O próximo longa duração dos The Drums chama-se Brutalism, e vê a luz do dia na próxima primavera, à boleia da ANTI.

Body Chemistry é o primeiro single divulgado de Brutalism, uma canção muito pessoal em que Pierce aborda o modo como lidou com um diagnóstico recente de depressão (Maybe I’m depressed, Maybe I know too much about the world, about myself) e que sonoramente assenta numa curiosa simbiose entre o indie surf rock e a eletrónica chillwave, audível num curioso e bem sucedido jogo de interseções melódicas entre baixo e sintetizadores. Confere Body Chemistry e o alinhamento de Brutalism...

Pretty Cloud
Body Chemistry
626 Bedford Avenue
Brutalism
Loner
I Wanna Go Back
Kiss It Away
My Jasp
Blip Of Joy


autor stipe07 às 15:33
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Conor Oberst – No One Changes vs The Rockaways

Nos últimos meses, o norte-americano Conor Oberst, um músico natural de uma pequena localidade no estado do Omaha mas radicado em Nova Iorque há mais de uma década, tem estado na penumbra, mas nem por isso deixou de estar atarefado. Escreveu um tema initulado LAX, que foi interpretado por Ethan Hawke na comédia romântica Juliet, Naked, depois gravou mais uma versão desse tema com Phoebe Bridgers e, como agradecimento, Bridgers convidou-o para tocar harmónica na versão que fez de Powerful Man, um original de Alex G. Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, Oberst acaba de divulgar dois novos temas, No One Changes e The Rockaways, disponíveis em formato single e que terão edição física em vinil de sete polegadas, lá para fevereiro do próximo ano.

Resultado de imagem para Conor Oberst No One Changes

Estas duas novas composições de Conor Orbest poderiam muito bem fazer parte do seu aclamado álbum Ruminations, editado há cerca de dois anos e ainda sem sucessor anunciado, um registo que, como ceertamente os mais atentos se recordarão, tinha uma tonalidade bastante intimista e melancólica e até algo depressiva. Estas sensações trespassam quer por No One Changes quer por The Rockaways, com a primeira canção, sobre o amor próprio, a assentar num inspirado piano e a segunda, uma composição sobre os momentos bons que devemos sempre recordar quando há uma separação, a oferecer-nos uma sonoridade acústica bastante impressiva e intensa, ampliada pela participação especial das teclas do sintetizador de Nathaniel Walcott , membro dos Bright Eyes. Confere...

Conor Oberst - No One Changes

01. No One Changes
02. The Rockaways


autor stipe07 às 13:11
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