01. Travelling Shoes
02. Lick Your Wounds
03. The Listening Ties
04. Bicycle Riding
05. The 03
06. Early Kneecappings
07. The Bisexual
08. Dessau Rag
09. Legends

Sedeados em Auckland, na Nova Zelândia e ativos desde dois mil e seis, os indie groovers Cut Off Your Hands de Nicholas Johnston, Philip Hadfield, Brent Harris e Jonathan Lee acabam de revelar um novo tema intitulado On The Sea, algo que já não faziam há cerca de dois anos depois das excelentes composições Hate Somebody e Higher Lows and Lower Highs (tema inspirado no diagnóstico de bipolaridade de Nicholas, o grande mentor do projeto) que, à semelhança desta nova canção, também resultaram de uma profícua colaboração em estúdio da banda com Jeremy Toy, habitual colaborador do grupo.
Declaradamente influenciados pela mescla entre o chamado dub de Madchester e a DFA nova-iorquina, o que neste caso, tendo em conta a bitola qualitativa das propostas sonoras que apresentam é um elogio, os Cut Off Your Hands oferecem-nos em On The Sea uma daquelas típicas canções de início de festa, com a batida seca a puxar-nos sedutoramente para debaixo da bola de espelhos, juntamente com um aditivo refrão, uma simples mas bastante encorpada linha de baixo, acompanhada por uma percussão enleante e guitarras insinuantes, num tema já com direito a um psicadélico vídeo da autoria do conceituado realizador Benjamin Zambo. Confere...
Três anos depois do excelente Multi-Love, os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielson e de Jake Portrait e Greg Rogove, instalados em Portland, no Oregon há já aguns anos, estão de regresso ao formato longa duração com Sex & Food, uma extraordinária compilação de doze canções que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contêm a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, reforçando de forma ainda mais comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda.

Produzido pelo próprio Ruban Nielson, gravado entre Seoul (Coreia do Sul), Hanoi (Vietname), Reykjavik (Islândia), Cidade do México (México), Auckland (Nova Zelândia) e Portland (Estados Unidos), lançado com a chancela da Jagjaguwar e fortemente influenciado pela internet, Sex & Food além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, tão bem impressas na vibe escandalosamente urbana de Major League Chemicals, também ressuscita de novo uma das imagens de marca dos Unknown Mortal Orchestra e um dos terrenos onde se sentem mais à vontade, aquelas referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior, deliciosamente presentes no efeito da guitarra e no reverb vocal de Ministry Of Alienation. Mas não se pense que este é um disco unicamente revivalista; Aliás, um dos seus grandes atributos é o seu cariz futurista e inovador, sendo, claramente, um dos registos mais criativos e indutores de novas nuances dos últimos tempos, tendo em conta o universo sonoro em que se movimenta. O modo como o rugoso e inebriante efeito da guitarra de American Guilt é acompanhado pela bateria e pela distorção vocal, transportam-nos para um rock que entre uma psicadelia progressiva e o classicismo punk oferecem-nos uma abordagem ao género pouco vista e, logo depois, The Internet Of Love (That Way) acaba por nos facultar o mesmo vigor de inedetismo, desta vez olhando para uma improvável simbiose entre blues e R&B, com um resultado final bastante apelativo. E a seguir, na falsa acusticidade orgânica de Doomsday, na batida, no groove e na riqueza dos arranjos da Everyone Acts Crazy Nowadays e no travo lisérgico das variações rítmicas de How Many Zeros a banda volta a guinar constantemente e a pisar universos nostálgicos, mesmo que díspares, mas apresentando sempre um clima geral muito inovador e difícil de comparar com outros projetos atuais.
Ecletismo é também, por tudo isto, uma palavra de ordem em Sex & Food, que podia ser descrito de modo simplista e tremendamente redutor por uma abrangente mistura entre rock e eletrónica, mas o modo como esse ecletismo se define ao longo do registo contém uma multiplicidade quase infinita de detalhes e aspetos que o que importa realmente exaltar é, dentro de toda a salutar amálgama do alinhamento, o modo como Ruben idealizou o volume e a densidade instrumental das canções, todas assentes em ambientes díspares, tornando indisfarçável mais uma busca dos Unknown Mortal Orchestra de melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e assentes em texturas com uma grandiosidade controlada, que possam conter um forte apelo às pistas de dança, mas também servir de banda sonora para instantes de maior intimidade, sozinho ou a dois.
A conquistarem um número cada vez maior de adeptos devido a uma especificidade sonora cada vez mais aprimorada e criativa mas sem deixar de ser acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao quarto tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados de outra décadas , mas oferecendo aos ouvintes essa viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...
Os Glass Vaults de Richard Larsen, Rowan Pierce e Bevan Smith são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.

Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que viu a luz do dia ontem, doze de maio, através de Melodic Records, gravado em três dias e que além dos três músicos da banda, contou ainda com as participações especiais de Daniel Whitaker, Ben Bro and Hikurangi Schaverien-Kaa. Este é um álbum com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador, até porque estamos em presença de um registo que corre muito bem o risco de ser um dos melhores do ano.
Logo no groove mágico e melancólico que trespassa a guitarra e os efeitos rugosos da lo fi Mindreader e no funk alegre, divertido e requintado de Ms Woolley, percebemos, com clareza, que este é um disco especial, não só no modo como privilegia uma sensibilidade pop inédita, que em alguns momentos é atingida com um forte cariz épico e monumental, mas também no largo espetro de cruzamentos que executa entre a eletrónica ambiental e um rock de cariz mais experimental e alternativo, uma filosofia sonora que poderá resultar para o ouvinte na possibilidade de obter um completo alheamento de tudo aquilo que o preocupa ou o pode afetar em seu redor.
Ao surgir Brooklyn, canção que é um verdadeiro festim de cor e alegoria, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo e onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo de modo fortemente cinematográfico e imersivo, num resultado final que impressiona pela orgânica e pelo forte cariz sensorial, ficamos definitivamente seduzidos por um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas onde é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos que contém e a produção impecável e intrincada que sustenta a bitola qualitativa de um catálogo de canções incubado por um grupo a viver no pico da sua produção criativa.
The New Happy prossegue e enquanto Savant nos oferece uma secção percurssiva de metais com uma exuberância vintage enérgica e marcial, em Rewind e, principalmente, no tema homónimo, os efeitos circenses e o efeito em eco de uma guitarra que parece ser capaz de reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo num qualquer arraial bucólico de aldeia, atestam, mais uma vez, a facilidade com que estes Glass Vaults mudam de cenário com uma naturalidade invulgar, sem colocarem em causa a homogeneidade de um alinhamento rico e muitas vezes surreal. De referir que essas composições foram intercaladas por Sojourn, canção que deu nome ao disco de estreia e onde parece que os Glass Vaults tocam içados no topo monte Aoraki, o ponto mais alto da Nova Zelândia, de onde debitam esta canção arrebatadora através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco da melodia e dão asas às emoções que exalam desde o sopé desse refúgio bucólico e denso, onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar quase oito minutos que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. A mesma receita, mas de modo ainda mais barroco e hipnótico, repete-se em Bleached Blonde, um desfile inebriante que impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores livres de constrangimentos, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Depois, no ocaso, o minimalismo contagiante em que se sustenta Halaah Ha!, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém é outro extraodinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético e a tornar tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.
Disco quase indecifrável e com uma linguagem pouco usual mas merecedora de devoção, The New Happy é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações, com nuances variadas e harmonias magistrais que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. Na verdade, estes Glass Vaults oferecem-nos gratuitamente a possibilidade de usarmos a sua música para expor dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade de uma receita sonora cujos fundamentos lhes foram revelados em sonhos, já que só eles conseguem descodificar com notável precisão o seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mindreader
02. Ms Woolley
03. Brooklyn
04. Savant
05. Sojourn
06. Rewind
07. The New Happy
08. Bleached Blonde
09. Halaah Ha!
Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.
Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que irá ver a luz do dia a doze de maio através de Melodic Records e de cujo alinhamento já se conheceu, há alguns dias, um tema intitulado Brooklyn e agora uma segunda composição intitulada Bleached Blonde. Esta última é uma belísima composição marada por uma percussão de elevado cariz étnico, cruzada por um efeito de uma guitarra plena de swing, um verdadeiro festim de cor e alegoria, onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência que costuma marcar as propostas sonoras de uns Glass Vaults que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. Parece confirmar-se que New Happy será um disco com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obrigará a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Confere...

Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.
Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que irá ver a luz do dia a doze de maio através de Melodic Records e de cujo alinhamento já se conhece um tema intitulado Brooklyn. Esta canção é um verdadeiro festim de cor e alegoria, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo e onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo de modo fortemente cinematográfico e imersivo, num resultado final que impressiona pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. Logo à partida percebe-se que New Happy será um disco com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obrigará a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Confere...
Graham Candy é um ator e compositor que nasceu nos antípodas, na Nova Zelândia, cresceu em Auckland, onde estudou música, dança e teatro, mas tem o seu quartel general atualmente montado na Alemanha, onde vive desde 2013. Começou por dar nas vistas ofercendo a sua voz a algumas composições do conceituado DJ alemão Allen Ferben, nomeadamente no tema She Moves, que ganhou projeção internacional, o que fez com que colaborasse também, e mais recentemente, com Parov Stelar e o DJ Robin Schulz. Depois de um EP editado o ano passado, Plan A é o seu disco de estreia, doze canções editadas no início de maio e que impressionam não só por causa do falsete adocicado de um timbre vocal único, mas também devido a uma feliz amálgama sonora que coloca em primeiro plano uma indie pop bastante acessível e intensa, onde pianos e sintetizadores ditam a sua lei.

As canções de Plan A são um passeio pelas influências de Graham e pela sua capacidade inventiva na hora de usar essas referências para criar. Espalhada pelo álbum há muito da energia que nomes como Gnarls Barkley ou, numa direção oposta, Sufjan Stevens e até Mika, nos foram deixando na primeira década deste século, com o piano de Home e a batida adornada de efeitos de Glowing In The Dark, a plasmarem essas heranças diretas da pop e das novas tendências de uma eletrónica cada vez mais abrangente e que tem sempre as pistas de dança na mira. Os próprios samples que introduzem o groove da batida plena de soul de 90 Degrees são uma excelente amostra desse piscar de olhos objetivo à bola de espelhos, uma filosofia sonora constante num alinhamento ruidoso, mas luminoso, cheio de ganchos, improvisos e colagens, que nasceram, certamente, num processo de gravação rápido e divertido e onde é evidente um processo de mistura e produção bastante inspirado e feliz, que tem como ponto alto a visceralidade e as pujança de Back Into It, uma daquelas canções que clama por punhos cerrados e uma elevada dose de testosterona, à medida que a batida nos aprisiona sem dó nem piedade.
Claramente talentoso, com uma enorme soul na alma e comparável a alguns virtuosos clássicos da pop e do próprio R&B, exemplarmente homenageados em Kings And Queens, logo na estreia Graham Candy grita e afirma quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones e trompetes, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais alegres e bem dispostos da mente deste excelente autor. Espero que aprecies a sugestão...

01. Home
02. Glowing In The Dark
03. 90 Degrees
04. Back Into It
05. My Wellington
06. Kings And Queens
07. Travellers Lovers
08. Heart Of Gold
09. Little Love
10. Paid A Nickel
11. Broken Heart
12. Memphis

Depois de os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielsen e de Jake Portrait e Greg Rogove, terem-nos oferecido Multi-Love, um dos melhores discos do ano passado, eis que voltam a dar sinais de vida com First World Problem, uma extraordinária canção que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente.
Além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, esta canção ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior. O volume e a densidade instrumental da canção torna indisfarçável a busca dos Unknown Mortal Orchestra de uma melodia agradável, marcante e rica em detalhes e texturas, com uma grandiosidade controlada e que contém um forte apelo às pistas de dança. Confere...

Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas, enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado à boleia da Flying Out em 2015 e que foi amplamente destacado neste espaço, tendo mesmo figurado numa posição cimeira na lista dos melhores álbuns do ano passado, para Man On The Moon.
Com justificada aceitação por imensa crítica, Sojourn continua a catapultar os Glass Vaults para as luzes da ribalta, sendo o video do excelente tema Life Is The Show, o mais recente passo dado pelo grupo na divulgação do trabalho. Realizado por Ben Bro e produzido pelos próprios Glass Vaults, este belíssimo filme amplifica exemplarmente as emoções que exalam do sopé desse refúgio bucólico e denso chamado Life Is The Show, um tema feito com considerável exuberância de cor e movimento marcial, numa espiral instrumental desmedida e isenta de qualquer pudor e onde certamente os Glass Vaults se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar quase cinco minutos que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial, agora também visual. Confere...
Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclarece com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado à boleia da Flying Out e que sucede a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.

Life Is The Show, uma exuberância de cor e movimento marcial, numa espiral instrumental desmedida e isenta de qualquer pudor, lança o disco numa espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo e onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. E depois, em West Coast, os efeitos circenses e as cordas que parecem ser capazes de reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo num qualquer arraial bucólico de aldeia, com o seu centro nevrálgico no coreto da praça principal defronte da igreja matriz, lançam-nos definitivamente no universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Glass Vaults, que mudam de cenário com uma naturalidade invulgar, sem colocarem em causa a homogeneidade de um alinhamento rico e muitas vezes surreal. No tema homónimo, eles já tocam içados no topo monte Aoraki, o ponto mais alto da Nova Zelândia, de onde debitam esta canção arrebatadora através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodia e dão asas às emoções que exalam desde o sopé desse refúgio bucólico e denso, onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar quase oito miutos que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. Ponto alto do disco, Sojourn contém um som esculpido e complexo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.
A mesma receita, mas de modo ainda mais barroco e hipnótico, repete-se em Sacred Heart, uma alegoria pop que impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores inebriantes, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Depois, o minimalismo contagiante da guitarra em que se sustenta Ancient Gates, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos em Come and Be Beautiful, são extraodinários exemplos do modo como esta banda é capaz de ser genuínaa manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.
Muitas vezes o inexplicável surge diante de nós e escorre pelos nossos ouvidos em forma de música e Sojourn peca e não merece sequer perdão pelo modo como desarma o ouvinte impossibilitando-o de utilizar expressões e vocábulos comuns e claramente entendíveis para descrever e classificar o seu conteúdo. Disco quase indeçifrável e com uma linguagem pouco usual mas merecedora de devoção, é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. Com nuances variadas e harmonias magistrais, tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma projeção do lado apenas bom de cada um de nós.
Na verdade, estes Glass Vaults oferecem-nos gratuitamente a possibilidade de usarmos a sua música para expor dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade de uma receita sonora cujos fundamentos lhes foram revelados em sonhos, já que só eles conseguem descodificar com notável precisão o seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Intro
02. Life Is The Show
03. West Coast
04. Sojourn
05. Everyone’s An Artisan Now
06. Sacred Heart
07. Ancient Gates
08. Come And Be Beautiful
09. Slow Down
10. Your Blood
11. Don’t Be Shy
Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

No passado dia vinte e seis de maio chegou aos escaparates Multi-Love, o novo disco dos Unknown Mortal Orchestra, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Jagjaguwar e que mantendo o cariz sempre sensivel, profundo e enigmático da escrita de Ruban Nielsen, que exige o prévio conhecimento de contextos e motivações (Nielsen é casado e pai, mas neste momento vive um multi-love já que com ele e a mulher coabita uma rapariga de dezoito anos que o músico conheceu recentemente numa viagem), sonoramente volta a catapultar o grupo, de modo ainda mais abrangente, para uma estética que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica.
A impressão firme da sonoridade típica dos Unknown Mortal Orchestra está um pouco mais límpida, com o ruído e a estética lo fi a continuarem presentes, mas com as canções a terem um maior volume e densidade e a ser indisfarçavel a busca de melodias agradáveis e marcantes e ricas em detalhes e texturas, sendo Puzzle um bom exemplo das mesmas. Há uma grandiosidade sempre controlada e um maior apelo às pistas de dança que se percebe logo no groove e na riqueza dos arranjos do tema homónimo, que arranca o alinhamento.
Multi-Love flutua, daí em diante, num ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada desde a estreia, e que se sustenta, principalmente, na dualidade existente nos laços entre a psicadelia e o R&B. Mas, há uma espécie de contraste sequencial, com outras esferas e o blues negro de The World Is Crowded ou o rock vintage nova iorquino de Like Acid Rain, que exala Prince por todos os poros, são instantes que calcorreiam territórios ainda mais abrangentes, com a banda a pisar universos nostálgicos, cheios de transformações expressivas e onde a relação com os sons marcantes da década de setenta ocupam um lugar fundamental na construção da obra, um trabalho de referências bem estabelecidas. Mas há ainda mais exemplos; Se o teclado e o efeito de Ur Life One Night, por exemplo, pisca o olho à pop e ao discosound da década seguinte, já a guitarra e a percussão de Can't Keep Checking My Phone, canção que satiriza alguns aspetos da sociedade contemporânea e com um travo intenso à melhor tropicália e com um indisfarçável odor a retro, como uma velhas cassete encontrada num sotão em tempo de mudanças.
A conquistarem um número maior de adeptos devido a esta especificidade sonora vintage cada vez mais pop e acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao terceiro tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta, oferecendo aos ouvintes uma viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...

01 Multi-Love
02 Like Acid Rain
03 Ur Life One Night
04 Can’t Keep Checking My Phone
05 Extreme Wealth and Casual Cruelty
06 The World Is Crowded
07 Stage or Screen
08 Necessary Evil
09 Puzzles

Representados já pela insuspeita etiqueta norte americana Cascine, os Yumi Zouma são um trio formado por Charlie Ryder, Josh Burgess e Kim Pflaum, que se divide por Nova Iorque, Paris e Christchurch; Editaram no passado dia onze de fevereiro o seu EP de estreia, que divulguei recentemente e agora surpreenderam com uma cover de It Feels Good To Be Around You, um original dos Air France.
Os Air France foram uma dupla formada por Joel Karlsson and Henrik Markstedt, que cessou a sua atividade musical há dois anos e It Feels Good To Be Around You foi um dos últimos temas que gravaram.
Nesta versão, disponibilizada para download gratuito, os Yumi Zouma serviram-se de uma estética sonora essencialmente nostágica, que nos puxa para uma atmosfera muito própria e revivalista, através de batidas sintetizadas e uma voz plena de sensualidade e nostalgia. Confere...

Uma profunda delicadeza prestes a invadir os nossos ouvidos pode também chegar dos antípodas, neste caso da Nova Zelândia, um país que tem merecido algum destaque por cá, com nomes tão díspares como os The Map Room, The Phoenix Foundation ou Shocking Pinks a merecerem uma atenção contínua, além dos inevitáveis Unknown Mortal Orchestra. Os Yumi Zouma são uma nova banda desse país e que começa a ficar debaixo do meu radar, até porque parecem seguir uma orientação sonora inédita relativamente às habituais propostas locais.
Representados já pela insuspeita etiqueta norte americana Cascine, os Yumi Zouma são um trio formado por Charlie Ryder, Josh Burgess e Kim Pflaum, que se divide por Nova Iorque, Paris e Christchurch; Editaram no passado dia onze de fevereiro o seu EP de estreia e The Brae foi o primeiro avanço desse trabalho, um tema que partilhei há algumas semanas.
Com uma sonoridade próxima dos já conceituados Blouse e com forte influência dos sintetizadores que alicerçaram a dream pop dos anos oitenta, a sonoridade dos Yumi Zouma traduz uma estética essencialmente nostágica e puxa-nos para uma atmosfera muito própria e revivalista. Isso é feito com batidas sintetizadas, ajudadas por uma voz plena de sensualidade e nostalgia, num efeito que, em dezasseis minutos calmos e relaxantes, cria uma toada que também inclui um certo groove e que, apenas aparentemente, transmite uma certa inocência romântica com uma estética sonora e visual onde a noção de retro foi um conceito claramente escolhido na concepção do EP. Espero que aprecies a sugestão...
Natural de Christchurch, na Nova Zelândia, Nick Harte é o grande mentor do projeto Shocking Pinks, que está de regresso com novidades, seis anos depois do último trabalho, por sinal um homónimo. Guilt Mirrors é o nome do novo longa duração dos Shocking Pinks, um triplo álbum editado pela norte americana Stars & Letters Records, no passado dia dezoito de fevereiro. Guilt Mirrors é um conjunto de temas que Nick compôs e gravou após a ressaca do terramoto de 2011 e que afetou imenso a sua cidade natal. Harte isolou-se em sua casa e, de acordo com o próprio, esteve vários dias sem dormir, durante os quais gravou material suficiente para quase uma dezena de discos. Guilt Mirrors foi produzido por Mark McNeill.

Se Shocking Pinks (2007) impressionou por ter dezassete músicas em apenas quarenta e cinco minutos, Guilt Mirrors são cento e sessenta minutos que, usando um termo comparativo gastronómico até porque, na minha opinião, a música é um belo alimento para o espírito, se saboreiam como se estivessemos a degustar uma belíssima caldeirada, feita com as mais variadas espécies sonoras que, no final, sabem a um eletropop lo fi, cozinhado por um Chef de renome, no aconchego do seu quarto. E, à semelhança do que muitos profissinais da gastronomia fazem quando visitamos o local onde fazem magia com os alimentos, em Guilt Mirrors também somos convidados a entrar, neste caso no quarto de Nick, tal é a clareza com que conseguimos imaginar toda a pafernália de que o músico se serviu para gravar todas estas canções e como ele convive, naturalmente, no meio de todo esse arsenal, como se fosse parte integrante do seu próprio eu.
Não é de estranhar que Nick se sirva de uma espécie de cliché para dizer que o seu quarto é o seu mundo e onde se sente realizado e feliz, já que os Shocking Pinks são o som de alguém que está acordado e a compôr música madrugada dentro ou sem horário definido, enquanto navega por outros interesses pessoais, sem a noção exata se a cama será, obrigatoriamente, um paradeiro a visitar antes do nascer do sol. Entende-se esta postura num país feito uma ilha vulcânicamente instável, em pleno hemisfério sul, encurralado entre a Austrália e a Antártida, uma espécie de Islândia dos antípodas que convida ao isolamento. Por lá, tudo acontece calmamente, o stress é uma miragem e o gosto pela experimentação, no que diz respeito à música, quase que uma imposição climática.
Este ambiente sonoro fica exposto em Not Gambling, o primeiro single retirado desta vasta coleção de canções distribuida pelas três rodelas de Guilt Mirrors, um tema com uma elevada toada experimental, que impressiona pela percussão eletrónica, pela voz sintetizada e pelo refrão verdadeiramente hipnótico (not gambling now, no she ain’t gambling now). Outro dos grandes destaques desta volumosa coleção de canções é St Louis, uma obra prima musicada que conta com a participação especial de Gemma Syme na voz e que mantém na arquitetura minimalista um princípio de transformação para a obra de Harte. Etérea, a canção parece desacelerar o universo de bandas como Chromatics, substituindo a avalanche de sintetizadores por um agregado leve de guitarras. Outros temas desta vasta coleção de canções, como LV VS SX, Get in There Bitch e SoapsuddS, podem ser descritos de acordo com o mesmo referencial que faz do ruído uma peça fundamental de um cozinhado algo agridoce, mas apetitoso e melódico.
O cantor e compositor Nick Harte já havia tornado os Shocking Pinks num dos projetos mais significativos da música kiwi quando lançou o seu disco homónimo em 2007. Mas esta nova coleção de referências que passeiam pelo dream pop, o rock alternativo e a psicadelia lo fi, elevam-no a um novo patamar de excelência. Espero que aprecies a sugestão...
Guilt Mirrors I
01 “GUN NEST”
02 “Not Gambling”
03 “DOUBLEVISIONVERSION”
04 “Ten Years”
05 “My Best Friend”
06 “SoapsuddS”
07 “Love Projection” (Dedicated to Jerry Fuchs)
08 “What’s Up With That Girl?” (Featuring Ashlin Frances Raymond/Arkitype)
09 “Vendetta” (Featuring Designer Violence)
10 “Swam”
11 “therearenorivershere”
12 “Few Skeletons”
Guilt Mirrors II
01 “LV VS SX” (Featuring Ashlin Frances Raymond)
02 “Motel”
03 “Hardfuck”
04 “(take me) Lower”
05 “St Louis” (Featuring Gemma Syme)
06 “Glass Slippers”
07 “BEYOND DREAMS”
08 “Hardfuck” (remix by Tristen R Deschain)
09 “Get In There Bitch”
Guilt Mirrors III
01 “A Million Times”
02 “Slightly Killed” (Featuring Arkitype)
03 “Chorus Girls”
04 “Working Holiday”
05 “Looks Black Rain”
06 “B & B”
07 “Translation”
08 “Hospital Garden”
09 “Out of Town Girl”
10 “BLISS”
11 “eleven”
12 “dance the dance electric”
13 “Black Rain Looks”

Uma profunda delicadeza prestes a invadir os nossos ouvidos pode também chegar dos antípodas, neste caso da Nova Zelândia, um país que tem merecido algum destaque por cá, com nomes tão díspares como os The Map Room, The Phoenix Foundation ou Shocking Pinks a merecerem uma atenção contínua, além dos inevitáveis Unknown Mortal Orchestra. Os Yumi Zouma são uma nova banda desse país e que começará a ficar debaixo do meu radar, até porque parecem seguir uma orientação sonora inédita relativamente às habituais propostas locais.
Representados já pela insuspeita etiqueta norte americana Casine, os Yumi Zouma vão editar a onze de fevereiro o seu EP de estreia e The Brae é o primeiro avanço desse trabalho. Com uma sonoridade próxima dos já conceituados Blouse e com forte influência dos sintetizadores que alicerçaram a dream pop dos anos oitenta, a canção traduz a estética essencialmente nostágica desta banda e puxa-nos para uma atmosfera muito própria e revivalista. Confere...

Natural de Christchurch, na Nova Zelândia, Nick Harte é o grande mentor do projeto Shocking Pinks que está de regresso com novidades, seis anos depois do último trabalho, por sinal um homónimo. Guilt Mirrors será o nome do próximo longa duração dos Shocking Pinks, um triplo álbum que Nick compôs e gravou após a ressaca do terramoto de 2011 e que afetou imenso a sua cidade natal. Harte isolou-se em sua casa e, de acordo com o que conta, esteve vários dias sem dormir durante os quais gravou material suficiente para quase uma dezena de discos.
Not Gambling é o primeiro single retirado da vasta coleção de canções que será distribuida pelas três rodelas de Guilt Mirrors, um tema com uma elevada toada experimental, que impressiona pela percurssão eletrónica, pela voz sintetizada e pelo refrão verdadeiramente hipnótico (not gambling now, no she ain’t gambling now).
Not Gambling está disponível para download gratuito através do soundcloud da norte americana Stars & Letters Records, a editora que vai editar a dezoito de fevereiro de 2014 Guilt Mirrors. Confere...
Os The Map Room são Brendon Morrow e Simon Gooding uma dupla de amigos que se conheceu e tornaram-se colegas de quarto enquanto estudantes de engenharia de som na Austrália e que, depois de voltarem a Auckland, a sua terra natal, na Nova Zelândia, resolveram começar a fazer música juntos. O primeiro passo, fundalmental para a carreira dos The Map Room, foi uma viagem que ambos fizeram à América do Sul; Da Colômbia à Argentina, ambos viajaram durante catorze meses por aquele continente, com um par de guitarras e um gravador, a dar pequenos espetáculos e a compôr música, tendo sido Paracas, uma pequena localidade na costa do Perú e Buenos Aires, na Argentina, os locais de eleição para a criação de alguns dos fragmentos sonoros que sustentaram vários temas de The Map Room, o disco homónimo de estreia do projeto, lançado no passado dia vinte e oito de junho.

The Map Room é uma coleção de dez belíssimas canções que assentam numa indie pop muito simples e eminentemente acústica, com um forte pendor espacial e atmosférico. O dedilhar da guitarra acústica (extraordinário, por exemplo, em City) guia as canções e variadíssimas vezes é tocada por ambos, em simultâneo, numa demonstração de forte dinamismo e excelente interação entre os dois amigos. A esse instrumento juntam-se, com enorme bom gosto, o piano, o sintetizador e uma percurssão suave, mas bem vincada, bem audível em All You'll Ever Find, sem dúvida, para mim, o grande destaque deste álbum. A voz é também um importante veículo no transporte de emoções e de uma melancolia muito própria; Também há uma forte interação entre ambos no ato de cantar e Pilot é aquele tema que exemplifica novamente a forte amizade que une Brendon e Simon. Nesta canção há uma exemplar simbiose entre os dois e a simples audição da mesma é suficiente para percebermos que há um sentimento muito forte de cumplicidade no seio dos The Map Room. Já agora, nos recentes espetáculos de promoção do álbum, os The Map Room têm contado com as colaborações de Andy Keegan na bateria e Jared Kahi no baixo e vozes. Este último foi também responsável pelo artwork do disco.
A viagem referida terá certamente marcado decisivamente a escrita dos poemas que alimentam os temas, já que falam imenso de movimento, da quebra das habituais rotinas do dia-a-dia, de estranhos encontros e de uma natureza muitas vezes algo transcendental para quem se habituou, desde sempre, ao conforto de um estilo de vida mais urbano.
De Grizzly Bear, a Spoon, The National e Phoenix, passando pela produção límpida e algo minimalista de uns Metronomy, os The Map Room transportam-nos até uma vasta e notável cartilha de influências que terão tido uma importância elevada no processo de criação melódico de The Map Room. Na audição deste disco fica-se algumas vezes com a fantástica sensação que os dois músicos que nos oferecem estes temas estão a pairar algures sobre nós enquanto os interpretam, tal é o ambiente de candura e a enorme beleza que conseguem criar e replicar com a sua música. Espero que aprecies a sugestão...
01. All You’ll Ever Find
02. Pilot
03. There’s A Fire
04. Stick Around
05. City
06. Lay Down Here
07. Memory
08. Elastic Tongue
09. List Of Things
10. Visitors
Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II é o segundo álbum da banda, viu a luz no passado dia cinco de fevereiro, sucede ao homónimo de 2011 e reforça de forma comercial e ainda assim específica o que há de mais tradicional e inventivo na curta trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

Em II, os Unknown Mortal Orchestra aperfeiçoam letras e ruídos, duas vertentes essencias do seu cariz identitário. Em relação à estreia, tem uma sonoridade mais grandiosa e controlada, ao mesmo tempo. As canções têm um maior volume e densidade, mas continuam a soar muito bem em ambientes fechados e reduzidos. A simplicidade não deixa de se fazer notar e o disco flutua num ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada pela banda e que, como ficou patente na estreia, sustenta-se na dualidade existente nos tais laços entre a psicadelia e o R&B. Assim, há uma espécie de contraste sequencial; Enquanto a dolorosa So Good At Being In Trouble, por exemplo, se perde em passagens sombrias pelo passado recente do vocalista, One At A Time quebra esse mesmo regime de sofrimento e morosidade musical com acordes sujos que tocam no garage rock. Liricamente, ao reforçar o disco com as confissões de Ruban Nielson, a banda pisa um território de transformações expressivas e trata da intimidade e da dor de forma adulta.
No que diz respeito à produção, as aproximações ao lo fi patentes em Unknown Mortal Orchestra, foram relegadas para um novo plano e a relação com os sons marcantes da década de setenta ocupam um lugar fundamental na construção da obra, transformando II num trabalho de referências bem estabelecidas. Esta arquitetura musical que solidifica o álbum, garante ao grupo a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite-lhes terem margem de manobra para futuras experimentações. Faded In The Morning é um tema que não destoa no disco, mas que nos seus pouco mais de quatro minutos de duração abrange as referências musicais e a estética de II, além de reviver marcas típicas do rock novaiorquino do fim da década de setenta. A própria Secret Xtians, canção que encerra o disco, ao ressuscitar referências dos The Velvet Underground, aponta marcas do que pode vir a ser encontrado num futuro próximo, quando o sucessor de II for entregue.
Coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta, II é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...
01 – From The Sun
02 – Swim And Sleep (Like A Shark)
03 – So Good At Being In Trouble
04 – One At A Time
05 – The Opposite Of Afternoon
06 – No Need For A Leader
07 – Monki
08 – Dawn
09 – Faded In The Morning
10 – Secret Xtians
Os neozelandeses Collapsing Cities são Steve Mathieson, James Brennan, Stephen Parry e Tim Van Dammen, um quarteto de Auckland, que se estreou nos discos em 2008. Quatro anos após Elixir Always, já há sucessor; Strangers Again foi editado em dezasseis de julho do último ano através da Pastel Pistol, produzido por Nick Roughan e está disponível para download no bandcamp da banda, assim como a restante discografia.

A sonoridade indie de Strangers Again carateriza-se por uma toada rock muito apoiada na eletrónica, uma espécie de cruzamento entre The Naked And Famous e Interpol. É uma simbiose com um resultado sonoro muito agradável e bem explícito, por exemplo, no tema Evacuation Plan, o meu destaque do disco. A imagem azul brilhante do disco, uma belíssima supernova, é muito feliz porque pode ser perfeitamente uma representação visual da música dos Collapsing Cities, já que é tão vasta a míriade de influências que parece abarcá-los que quase se poderia acreditar que eles vieram algures dali.
Todas as canções do disco têm uma enorme potência sonora e um cariz fortemente épico, quase sempre assente na distorção das guitarras e são poucos os momentos de calma no álbum. Mesmo quando parece que um tema vai abrandar um pouco o ritmo, nomeadamente em Death On The Victoria Line e This Mess, uma escolha excelente para fecho do álbum, a distorção selecionada para as guitarras encarrega-se de lhes dar uma toada fortemente orgânica e visceral. A percussão também tem uma palavra muito importante a dizer em todo o álbum, mas destaca-se no preenchimento de Tazers e de Detour Ends Here, assim como na forma como impõe o ritmo no single Favours For Favours. Espero que aprecies a sugestão...
01. Tazers
02. Regret
03. Queue For The queue
04. Evacuation Plan
05. Mega 5th
06. Detour Ends Here
07. Favours For Favours
08. Death On The victoria Line
09. Sixty Forty
10. This Mess
Lawrence Arabia é o pseudónimo de James Milne, um músico neozelandês que, não sendo conhecido mundialmente, tem colaborado com projetos e nomes tão distintos como Okkervil River e Feist. No que diz respeito ao seu projeto a solo, estreou-se em 2006 com um homónimo, ao que se seguiu, em 2009, Chant Darling. Agora, já em 2012, no passado dia dezasseis de julho, editou o terceiro disco, initulado The Sparrow, através da Bella Union.
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Dos antípodas chegam-nos frequentemente várias propostas musicais que atravessam os mais variados géneros; Dos AC/DC à pop electrónica de uns Presets ou Cut Copy, ou do psicadelismo tribal de uns Ruby Suns às referências históricas que são Nick Cave ou os Dead Can Dance e Crowded House, ouve-se um pouco de tudo. No que diz respeito a este projeto de James Milne, ele encontra as suas raízes numa pop acústica com alguns laivos de folk, de índole mais clássica, ou seja, falamos de canções montadas a partir de uma guitarra acústica e com arranjos de cordas, onde se incluem majestosos violinos, que refletem uma sonoridade elaborada e bastante melódica.
Basta escutar canções como Lick Your Wounds ou o single Travelling Shoes para reconhecer esta pompa acústica e ao memso tempo carregada de luz, assim como uma preocupação bem latente de contar histórias, com se cada uma das nove músicas do disco fosse o reflexo de uma realidade musical vivenciada pelo músico.
Confesso não conhecer a discografia anterior do músico e por isso não posso comparar este álbum com os anteriores; No entanto, a audição de The Sparrow deixou-me bem clara a ideia que Lawrence Arabia ainda anda a ensaiar passos e a experimentar ideias, já que temos canções com tons mais noturnos e despojados e outras mais eufóricas e ritmicamente bastante marcadas.
The Sparrow é um disco que chama a atenção para um nome que pode valer a pena acompanhar de perto. Espero que aprecies a sugestão...
Os The Naked And Famous são uma banda natural da Nova Zelândia, formada por David Beadle, Thom Powers, Aaron Short, Jesse Wood, a vocalista Alisa Xayalith e têm tudo para serem um dos cromos mais desejados da caderneta do electropop actual. O disco de estreia, Passive Me Agressive You, foi lançado em setembro de 2010 no país natal, mas só há poucos meses chegou à Europa; Já o ouvi e sem dúvida que é um começo auspicioso e um dos melhores discos que conheço, editado nesse ano.
Passive Me Agressive You é absolutamente brilhante! Nele ouve-se uma dream pop épica que apaixona desde a primeira faixa à última, Girls Like You, um verdadeiro épico e do melhor que ouvi este ano no género. O álbum é completo porque além de nele se ouvir aquela pop feita para animar as pistas de dança, também percorre outros caminhos com total segurança, como o shoegaze e o rock, ao qual se adicionaram beats electrónicos e samples variados.
O disco já deu a conhecer um trio de singles poderosos: All Of This, Young Blood e Punching in a Dream. Qualquer um deles é acicatado por harmonias vocais pujantes (a teclista Alisa Xayalith e o guitarrista Thom Powers, o núcleo central do quinteto, dividem o protagonismo ao microfone) e por uma gama de instrumentos, onde dominam os teclados, a bateria e a guitarra, tocados por autênticas feras.
Neste disco os The Naked And Famous provam que são aventureiros, sendo a forma como abordam os teclados a melhor demonstração dessa irreverência, mas não perdem o sentido de encaixe num formato mais orelhudo e comercial. E, ainda por cima, também mostram que sabem ser mansinhos, pintando cenários sonoros dignos da limpidez de, por exemplo, umas Au Revoir Simone.
Os The Naked and Famous, considerados pela BBC como uma das 15 novas bandas a manter debaixo de olho em 2011 e descritos por grande arte da crítica como uma espécie de Dirty Projectors mais comerciais, animaram o Palco Super Bock do último Optimus Alive! com enorme sucesso! Recomendo vivamente este disco e estrei certamente atento aos próximos discos desta banda. Em resumo... perfeito e absolutamente obrigatório!

1. All Of This (3:55)
2. Punching In A Dream (3:58)
3. Frayed (3:46)
4. The Source (0:48)
5. The Sun (3:56)
6. Eyes (4:43)
7. Young Blood (4:06)
8. No Way (5:29)
9. Spank (4:10)
10. Jilted Lovers (3:15)
11. A Wolf In Geek's Clothing (3:14)
12. The Ends (1:49)
13. Girls Like You (6:06)
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