Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

Elva - Winter Sun

Elva é o novo projecto do casal Elizabeth Morris ((Allo Darlin) e Ola Innset (Making Marks e Sunturns) e em norueguês a palavra significa rio. É, pois, um projeto sonoro encabeçado por uma dupla que rema na mesma direção e em cujas veias escorre uma seiva artística comum, um casal que se inspirou no mundo natural, na beleza do verão escandinavo e na dureza do inverno, para incubar um álbum intitulado Winter Sun, dez canções que também devem muito do seu conteúdo ao nascimento da filha de ambos. Winter Sun foi gravado no último outono numa escola antiga na floresta sueca, durante a época de caça aos alces e tal atmosfera acabou por potenciar o cunho sonoro fortemente identitário do disco relativamente a uma área geográfica bastante específica, um registo criado por dois artistas nórdicos mas que, curiosamente, também encontram no outro lado do atlântico um oásis inspirador.

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Lançado pela Tapete Records, gravado e produzido por Michael Collins, baterista dos Allo Darlin e com as participações especiais de Dan Mayfield no violino, Diego Ivars no baixo e Jørgen Nordby na bateria, Winter Sun tem, como se percebe logo na luminosidade folk de Athens e, adiante, na mais intimista Harbour In The Storm, elevado sustento na exuberância de inspiradas cordas de forte pendor acústico. Mas engana-se quem considerar que será este o único suporte sonoro de Winter Sun, porque, logo a seguir, no ritmo incisivo de Tailwind e, pouco depois, na tonalidade oitocentista vincada de Ghost Writer, percebe-se que, no modo como essas mesmas cordas são eletrificadas, o registo contém também a força de uma pop distinta, acondicionando não só cenários melódicos eminentemente acústicos, mas também algumas das principais linhas orientadoras da country, da folk norte-americana e do melhor rock alternativo das últimas três décadas.

Seja como for, apesar da evidente predominância das cordas, se o ouvinte escutar com a devida e merecida devoção Winter Sun, certamente perceberá que teclados charmosos e de forte cariz vintage e um registo vocal intrincado e até algo complexo, a espaços, são também a alma de um registo lirica e melodicamente profundo e que também convive da combinação de detalhes e nuances opostas, justificados pela opção por elementos acústicos ou elétricos, orgânicos e sintéticos e mais reflexivos ou expansivos, muitas vezes numa mesma canção.

De facto, os Elva sabem muito bem como transmitir e explorar sensações únicas e intensas através de uma sonoridade sempre sóbria e adulta, mas também com um forte cunho envolvente, climático e melancólico. Em Airport Town, na nuance do efeito da guitarra e no modo como os restantes instrumentos se encaixam na mesma enquanto intercalam epicidade com intimismo e no timbre vocal grave de Elizabeth, percebe-se esse elevado índice de maturidade e abrangência, com o odor que afaga e adoça em Everything Is Strange e o travo algo setentista e lisérgico que exala do sereno dedilhar da guitarra de Don't Be Afraid, a reforçarem toda uma complexidade de abordagens felizes a diferentes géneros sonoros e que, numa mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibram sempre de forma vincada e segura.

Disco intenso, mas também bastante relaxante e até, em alguns instantes, algo soporífero, Winter Sun conquista o coração de quem escuta estes Elva, que usam melodias doces para nos fazer despertar no nosso âmago sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

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  1. Athens
  2. Tailwind
  3. Dreaming With Our Feet
  4. Ghost Writer
  5. Harbour In The Storm
  6. Airport Town
  7. Don't Be Afraid
  8. Everything Is Strange
  9. I Need Love
  10. Winter Sun

 


autor stipe07 às 16:31
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Quinta-feira, 28 de Março de 2019

Kakkmaddafakka – Diplomacy

Ativos desde dois mil e quatro, sedeados em Bergen, na Noruega, e formados por Axel Vindenes, Pål Vindenes, Stian Sævig, Kristoffer Wie van der Pas, Lars Helmik Raaheim-Olsen e Sebastian Kittelsen, os Kakkmaddafakka estrearam-se nos discos em dois mil e sete com Down To Earth e contam já com quatro registos no seu cardápio, sendo o último Hus, um trabalho lançado há cerca de dois anos e que tem sucessor este ano, um alinhamento lançado recentemente pela Bergen Mafia Records e produzido por Matias Tellez. De acordo com a banda, este quinto álbum dos Kakkmaddafakka é o mais intimista e honesto do grupo, porque se inspira bastante em Bergen e porque aborda temáticas relacionadas com problemas de saúde mental, pelos vistos na ordem do dia em muitas bandas e projetos, como tem sido possível verificar nas publicações mais recentes deste blogue.

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Diplomacy é uma espécie de grito de alerta para o quanto difícl é, para mais pessoas do que se julga, viver nos dias de hoje numa sociedade profundamente dividida e carente de um rumo que agregue toda a amálgama de etnias, raças e povos que fazem desta nova Europa, um dos continentes mais heterogéneos e conturbados deste nosso mundo, apesar de apregoar muitas vezes aos sete ventos ser o mais civilizado, acolhedor e desenvolvido dos cinco. O segredo para a pacificação e para a sanidade e o equilíbrio que todos precisamos acaba por estar, no fundo, no encontro de pontos comuns e a música dos Kakkmaddafakka é fértil a deixar pistas nesse sentido, porque para este grupo a felicidade não olha a cores de pele, origens, heranças ou deuses para se manifestar. Basta ouvir o single Runaway Girl, uma luminosa e imponente canção sobre um amor proibido, assente num sintetizador cintilante, numa percussão frenética e numa guitarra plena dereverb, para se perceber a aúrea de otimismo e cor que a música deste grupo norueguês é capaz de transmitir ao ouvinte.

Para obter tal desiderato, Diplomacy aposta todas as fichas num receituário eminentemente pop que nos remete para a melhor herança da mescla de nomes como os The War On Drugs ou os Friendly Fires, só para citar os projetos que saltam logo ao ouvido durante a audição do disco. É uma filosofia interpretativa com um travo indie de excelência, assente também em rimas simples e de perceção quase intuitiva de uma espécie de humor melancólico e que a cadência e o polimento de Naked Blue, o travo oitocentista das sintetizações e das guitarras de Sin e Get Go também exemplificam e comprovam, num resultado final promissor e que não desilude minimamente. Espero que aprecies a sugestão...

Kakkmaddafakka - Diplomacy

01. My Name
02. Runaway Girl
03. The Rest
04. Sin
05. Get Go
06. Frequency
07. Moon Man
08. Naked Blue
09. This Love


autor stipe07 às 10:43
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Terça-feira, 19 de Março de 2019

I Was A King – Slow Century

Já viu a luz do dia, à boleia da Coastal Town Recordings, Slow Century, o novo registo de originais dos noruegueses I Was A King, um coletivo formado por Frode Strømstad, Anne Lise Frøkedal, Ole Reidar Gudmestad e Arne Kjelsrud Mathisen e oriundo de Egersund, nos arredores de Oslo. Liderados pelos dois primeiros, Frode Strømstad e Anne Lise Frøkedal, e a compôr belíssimas canções pop há já mais de uma década, os I Was A King já têm cinco discos em carteira e uma enorme reputação não só no circuito local, mas também no panorama indie nórdico e britânico, inclusive e este novo disco do grupo veio acentuar ainda mais a boa impressão da crítica e de uma já vasta legião de seguidores relativamente ao seu percurso musical.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em palco e pessoas a tocarem instrumentos musicais

Os I Was A King admitem ter como principal bitola a pop dos anos sessenta e setenta, mas também abordagens mais contemporâneas deste amplo género musical. Nomes como os The Byrds, Big Star, Robyn Hitchcock, Teenage Fanclub, The Beatles, Incredible Stringband, Guided By Voices, Olivia Tremor Control e Neil Young, entre outros, são declaradas influências. Por isso, sem escutarmos Slow Century, um disco produzido por uma das suas infuências, Norman Blake, dos Teenage Fanclub, quase que conseguimos antecipar o seu conteúdo sonoro e a respetiva base melódica, sabendo de antemão todo este manancial rico e eclético de referências. E de facto, o que se escuta neste alinhamento de doze canções, divididas em cerca de meia hora e que começam logo a impressionar com a ímpar luminosidade da guitarra que conduz Clouds, confirma essas suspeitas que poderiam ter sido formuladas à priri, de estarmos na presença de canções perfeitas para os apreciadores da típica sonoridade pop, feita de imensas cordas, às vezes distorcidas, mas sempre muito melódicas, vozes concisas, límpidas e bem audíveis, cheias de mudanças no tom e, finalmente, uma excelente escrita, daquela que denota um apreciável sentido crítico e uma enorme sensibilidade.

Havendo em Slow Century aquela saudável linearidade, que faz com que o disco seja ouvido de uma vez só sem quase se notar, há, no entanto, canções que de destacam e que denotam sentido criativo e uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abrodagens instrumentais, nomeadamente com recurso à percurssão, sem fugir à sonoridade padrão adotada. Assim, além da já descrita Clouds, no single Bubble é possível contemplar uma subtil mistura entre sintetizações inebriantes e uma abordagem clássica, mas sempre eficaz às guitarras, num resultado final particularmente efusivo e luminoso. Por outro lado, se o tema homónimo oferece-nos um instante um pouco mais lisérgico e contemplativo, mas igualmente recompensador, já Folksong, mantendo essa abordagem mais intimista, comprova que este grupo também se movimenta com à vontade por climas mais acústicos e orgânicos.

Slow Century é um bom disco de indie pop da mais pura estirpe nórdica, ouve-se em qualquer altura do ano, tem belíssimas canções, está cheio de potenciais singles e prova que, quando os intérpretes têm qualidade, escrever e compôr boa música não é uma ciência particularmente inacessível. Espero que aprecies a sugestão...

I Was A King - Slow Century

01. Clouds
02. Bubble
03. Shake
04. Tiny Dots
05. Hatchet
06. Tanker
07. Slow Century
08. No Way Out
09. Folksong
10. Egersound
11. Run
12. Lighthouse


autor stipe07 às 21:26
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019

Kakkmaddafakka – Runaway Girl

Kakkmaddafakka - Runaway Girl

Ativos desde dois mil e quatro, sedeados em Bergen, na Noruega, e formados por Axel Vindenes, Pål Vindenes, Stian Sævig, Kristoffer Wie van der Pas, Lars Helmik Raaheim-Olsen e Sebastian Kittelsen, os  Kakkmaddafakka estrearam-se nos discos em dois mil e sete com Down To Earth e contam já com quatro registos no seu cardápio, sendo o último Hus, um trabalho lançado há cerca de dois anos e que irá ter sucessor ainda este ano, um alinhamento a ser lançado pela Bergen Mafia Records e produzido por Matias Tellez. De acordo com a banda, este quinto álbum dos Kakkmaddafakka será o mais intimista e honesto do grupo, porque se inspira bastante em Bergen e porque aborda temáticas relacionadas com problemas de saúde mental, pelos vistos na ordem do dia em muitas bandas e projetos, como tem sido possível verificar nas publicações mais recentes deste blogue. 

Depois do tema Naked Blue, Runaway Girl é o mais recente single conhecido desse novo album dos Kakkmaddafakka, um trabalho sem nome anunciado mas já com data prevista, vinte e dois de março. Runaway Girl é uma luminosa e imponente canção sobre um amor proibido, assente num sintetizador cintilante, numa percussão frenética e numa guitarra plena de reverb, um receituário eminentemente pop com um resultado final que nos remete para a melhor herança de nomes como os The War On Drugs ou os Friendly Fires, só para citar os projetos que saltam logo ao ouvido durante a audição do tema. Confere...


autor stipe07 às 10:37
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Domingo, 13 de Janeiro de 2019

I Was A King – Bubble

I Was A King - Bubble

Será no início de primavera, no próximo mês de março, que irá ver a luz do dia Slow Century, o novo registo de originais dos noruegueses I Was A King, um coletivo formado por Frode Strømstad, Anne Lise Frøkedal, Ole Reidar Gudmestad e Arne K Mathisen e oriundo de Egersund, nos arredores de Oslo.

Liderados por Frode Stromstad e Anne Lise Frokedal e a compôr belíssimas canções pop há já mais de uma decada, os I Was A King já têm cinco discos em carteira e uma enorme reputação não són no circuito local, mas também no panorama indie nórdico e britânico, inclusive. Bubble é o novo single divulgado de Slow Century, um tema cuja subtil mistura entre sintetizações inebriantes e uma abordagem clássica, mas sempre eficaz às guitarras, num resultado final particularmente efusivo e luminoso. Confere...


autor stipe07 às 21:28
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2015

Gold Celeste – The Glow

Eirik Fidjeland, Petter Haugen Andersen e Simen Hallset são os Gold Celeste, um trio norueguês oriundo de Oslo e que sustenta a sua sonoridade na pop psicadélica que encontra a sua génese na reta final segunda metade do século passado, já que se alimenta de uma paleta refrescante e colorida de efeitos de guitarras, cuja origem remonta às três últimas décadas desse período, uma percussão vibrante, um baixo compacto, sintetizadores e orgâos incandescentes e um doce e celestial falsete. O grupo editou a onze de setembro The Glow, um extraordinário tomo de onze canções que viram a luz do dia através da etiqueta local Riot Factory Records, uma das mais reputadas do universo indie escandinavo.

Em The Glow os vários temas do alinhamento florescem e ganham vida própria num ambiente tipicamente lo fi, sem hesitações, de modo espontâneo e, aparentemente, sem artifícios exteriores particulares, além do arsenal instrumental acima descrito. É uma verdadeira trip sonora tumultuosa, mas também aditiva, com as canções a tentarem, a todo o custo, sair da espécie de colete de forças lo fi em que se encontram enclausuradas, em busca de um sol que, neste caso, poderá ser nefasto, já que se as iluminar em demasiado irá retirar-lhes a crueza e o reverb que molda a personalidade de um trabalho que tem nesta penumbra constante o seu atributo maior.

Envolvente, quente, épico, mas também intimista e acolhedor, este disco oferece-nos, portanto, um tratado de pop psicadélica, pleno de fuzz e reverb e que define o som dos autores num patamar superior de lisergia, enquanto flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocado também pela mestria vocal de Eirik.

Temas como a estratosférica e exuberante Can Of Worms, a  contemplativa e experimental You And I, canção que ressuscita alguns detalhes que elevaram nos anos noventa nomes como os Mercury Rev ou os próprios The Flaming Lips a um grau superior de devoção, o charme acústico de But A Poem, o festim hipnótico em que se desmultiplica a percussão e as cordas até atrairem para junto de si um intenso som sintetizado em Is This What You Can Not Do? e que encarna uma faceta mais pop na intensa e eloquente The Start Of Something Beautiful, ou o cariz sedutor da planante The Dreamers, convidam-nos a conferir uns Gold Celeste que procurar recriar uma luta constante entre sons e melodias intrincadas, ao mesmo tempo que demonstram o dom de serem capazes de fazer música com uma quase pueril simplicidade. E, no fundo, este último aspecto é, quanto a mim, a melhor receita que este trio encontrou para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade que possui de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que a banda se insere.

Assim, The Glow é mais um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos. No fundo, é uma espécie de caldeirão sonoro feito por mais um grupo que sabe como recortar, picotar e colar o que de melhor vai sendo sugerido hoje no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Gold Celeste - The Glow

01. Can Of Worms
02. But A Poem
03. Open Your Eyes
04. The Dreamers
05. Grand New Spin
06. Time Of Your Life
07. Pastures
08. Is This What You Can Not Do
09. You And I
10. On The Brink
11. The Start Of Something Beautiful


autor stipe07 às 18:04
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Sondre Lerche – Please

Sondre Lerche é um músico, cantor e compositor norueguês que vive em Brooklyn, Nova Iorque e que também se tem notabilizado pela composição de bandas sonoras, além do seu trabalho a solo. Please é o seu mais recente registo de originais, um trabalho que viu a luz do dia recentemente, por intermédio da Mona Records e que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo. Ao longo de dez músicas, Please oferece-nos um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada.

When crimes are passionate, can love be separate?, questiona-nos Sondre Lerche no meio da toada ritmada e cheia de groove de Bad Law, ao mesmo tempo que damos por nós a abanar as pernas ao ritmo da música e a tentar perceber porque é que uma pop tão orelhuda e exuberante tem de se apresentar perante nós com um grau de exigência particularmente elevado, no que diz respeito à perceção que devemos ter da mensagem que o tema nos transmite. Depois, as cordas e a percussão de Crickets e o looping contínuo da guitarra em Legends, surpreendem pela toada mais rock, mas que não pode ser acusada de deturpar a essência do disco, já que essa procura de outros caminhos não resvala, como às vezes sucede, para algo qualitativamente menor. Apesar de Bad Law ser o single já extraído de Please, essas duas canções que se seguem não lhe ficam a dever em termos de notoriedade e potencial de airplay.

Quando, em At Times We Live Alone, Sondre abranda instrumentalmente, apesar da secção de sopros e dos metais que aqui se escutam, mantém-se num nível elevado porque aprimora o seu registo vocal, inaugurando um grave à Sinatra, em oposição clara à exuberância do falsete que nos prendeu em Bad Law e que acabava por ser, na minha opinião, mais um detalhe a juntar à homenagem que o artista pretendeu fazer com esse tema ao período aúreo que a pop eletrónica viveu há três décadas.

Após a distorção de uma guitarra tomar conta do já esperado clima nostálgico de Sentimentalist, o ambiente de festa regressa em Lucifer e com ele os sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, que se sentem novamente quando em After The Exorcism a bateria sincopada e com uma batida tribal, muito bem acompanhada por uma linha melodica de guitarra deliciosa, faz dessa canção uma festa pop, psicadélica e sensual.

Este cruzamento assertivo entre o rock e a pop mantém-se até ao final do alinhamento, com o baixo a ter, finalmente, o protagonismo que merece em At A Loss for Words e o sintetizador a tomar conta de Logging Off, outros exemplos que provam que este artista norueguês coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A música de Sondre Lerche aposta nesta relação simbiótica, feita com batidas e guitarras acomodadas pelo baixo e por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte dançar, quase sem se aperceber, apesar de não descurar as suas pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz.

Please é um compêndio musical fresco e luminoso, com substância e onde cabem todos os sonhos, criado por um músico impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, não há lugar para a amargura e o sofrimento e o que transborda das canções são mensagens positivas e sedutoras. Sondre Lorche é exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável, com um otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Please impressiona não só pela produção musical, mas principalmente porque sustenta uma áurea de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que este norueguês é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Sondre Lerche - Please

01. Bad Law
02. Crickets
03. Legends
04. At Times We Live Alone
05. Sentimentalist
06. Lucifer
07. After The Exorcism
08. At A Loss For Words
09. Lucky Guy
10. Logging off


autor stipe07 às 19:27
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

Erlend Øye - Fence Me In

Não há confirmação oficial sobre uma possível rutura no seio dos Kings Of Convenience, mas a verdade é que a dupla norueguesa não lançou mais material inédito depois do terceiro disco do projeto, Declaration Of Dependence, editado em 2009. Se isso sucedeu é uma pena porque os Kings Of Convenience, nos três álbuns que lançaram, criaram alguma da música mais bonita que se ouviu na última década.

Erlend Øye, uma das metades da dupla e que também integra o projeto Whitest Boy Alive, prepara-se para lançar um disco a solo chamado Legao, um trabalho que chegará aos escaparates lá para maio, por intermédio da Bubbles Records, algo que não acontecia desde 2003, ano em que lançou Unrest.

Legao foi gravado em Reiquiavique, capital da Islândia, nos estúdios da banda Hjalmar, que também participa no disco. Fence Me In é o primeiro avanço conhecido de Legao, um tema que cruza uma belíssima indie pop acústica com traços identitários da bossa nova e com aquele caraterístico travo ambiental nórdico. Confere...


autor stipe07 às 12:45
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Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2013

Röyksopp - Twenty Thirteen

Listen: Röyksopp:

Para celebrar o final de 2013 a dupla norueguesa Röyksopp acaba de disponibilizar uma nova canção com o apropriado título Twenty Thirteen. Este é mais um tema que conta com a participação especial de Jamie McDermott, dos The Irrepressibles, na voz, à semelhança do que sucedeu com Something In My Heart, uma canção editada no início de novembro e que divulguei na altura. Twenty Thirteen pode ser ouvido no player em baixo do SoundCloud e o download gratuito pode ser feito no site oficial da banda aqui.

Os Röyksopp encontram-se em estúdio com Robyn, a trabalhar no sucessor do álbum Senior, editado em Setembro de 2010, um trabalho que deverá ser editado pela Cherrytree Records/Interscope, etiqueta por quem assinaram recentemente. Confere...


autor stipe07 às 09:46
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Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Cold Mailman – Heavy Hearts

Editado já a doze de abril pela Beyond Records, Heavy Hearts é o novo disco dos Cold Mailman, uma banda norueguesa que começou por ser um projeto a solo liderado por Ivar Bowitz, mas ao qual se juntam agora, Martin Bowitz, Torbjørn Hafnor, Stian H fra skivika, Martin Smådal Larsen e Catharina Sletner e com já uma década de carreira. Este coletivo é maioritariamente formado por elementos oriundos da localidade de Bodø, junto ao Círculo Polar Ártico, mas está sedeado na cosmopolita cidade de Oslo, que é hoje, musicalmente, uma das cidades mais importantes do mundo. Com este novo trabalho, que foi produzido, misturado, gravado e masterizado pela própria banda, os Cold Mailman obtiveram bastante atenção e são hoje um dos nomes mais importantes do cenário indie pop e alternativo norueguês.

Um dos destaques deste disco é, desde logo, o single My Recurring Dream, uma música fabulosa e que teve direito a um vídeo que tem tanto de sensível como hipnótico, dirigido pelo norueguês André Chocron. É um daqueles filmes que merece ser visto do princípio ao fim com o desfile de todas as suas personagens que vão desde mulheres estranhas num comboio, a dançarinos subaquáticos, passando por paisagens de perder o fôlego, corredores de hospitais, executivos em skates, enfim... uma sucessão de acontecimentos que nos mantém embalados pela melodia.

E ao escutarmos essa canção ficamos desde logo esclarecidos sobre o que esperar de Heavy Hearts, um disco que, como já referi, foi trabalhado intregralmente pelo próprio grupo, que tem a sorte de poder contar no seu alinhamento de músicos, com o baixista  Martin Bowitz, que é hoje um dos mais conceituados produtores noruegueses.

Fazerem tudo sozinhos permitiu-lhes total independência sonora e chegar perto da perfeição, devido à possibilidade de poderem eles próprios decidir, até ao mais ínfimo detalhe, a condução melódica e o cardápio de arranjos que sustentam as dez canções de Heavy Hearts e, obviamente, o grande talento da banda.

Heavy Hearts é um trabalho acessível e que agradará facilmente a todos os apreciadores quer da pop, quer do próprio rock alternativo. Além de depararmos com cerca de quarenta minutos assentes numa instrumentação dominada pela luminosidade das cordas, há fantásticos momentos de interação entre vozes masculinas e femininas, com particular ênfase para Mountaineer's Foot. A pop sintetizada dos anos oitenta também faz a sua aparição, com Venetian Blinds a ser um bom exemplo de como soariam hoje uns Pet Shop Boys tão criativos como eram há trinta anos atrás, algo que Shakedown 1982 também ajuda a perceber. I Was Wrong surpreende um pouco no restante alinhamento, mas isso não significa que destoe; Falo de um tema que leva-nos para ambientes mais sombrios e atmosféricos, através de um interessante soft rock que inclui um solo experimental de guitarra.

É toda esta diversidade que podemos encontrear em Heavy Hearts, alida a um grupo que coloca todo o seu empenho e paixão pela música ao serviço da criação de belíssimas paisagens sonoras, que faz deste trabalho um disco tão mágico, surpreendente e consistente. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Mailman - Heavy Hearts

01. Intervention
02. Lighthearted Love
03. Future Ex
04. Mountaineer’s Foot
05. Ventian Blinds
06. I Was Wrong
07. Returnity
08. My Recurring Dream
09. Shakedown 1992
10. A Heavy Heart


autor stipe07 às 21:13
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Sábado, 16 de Novembro de 2013

Röyksopp - Something In My Heart (Feat. Jamie Irrepressible)

Royksopp

Os Röyksopp estão de regresso com um novo tema intitulado Something In My Heart e que conta com a paticipação especial de Jamie McDermott, dos The Irrepressibles na voz.

Something In My Heart é uma bonita canção, com um forte cariz etéreo e suave, assente num sintetizador que nos remete para a pop eletrónica de uns A-Ha, em plenos anos oitenta, um efeito ampliado pelo falsete de Jamie.

Esta colaboração entre os Röyksopp e Jamie McDermott começou a ganhar forma quando a dupla norueguesa remisturou o tema In This Shirt dos Irrepressibles.

O singe Something In My Heart será colocado à venda, apenas digitalmente, no final do mês e terá como lado b uma versão estúdio de Running To The Sea, mais uma colaboração dos Röyksopp, desta vez com Susanne Sundfør. Confere...


autor stipe07 às 14:14
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Mazzy Star - Seasons of Your Day

Em 2011, os Mazzy Star, uma banda icónica no universo dadream pop surpreenderam o grande público com Common Burn e Lay Myself Down, duas novas canções depois de um longo hiato, com mais de uma década. Logo aí especulou-se que poderia vir um novo álbum a caminho, o que acabou por se confirmar já no passado mês de setembro. Seasons Of Your Day é o novo trabalho discográfico dos Mazzy Star, inclui essas duas canções no seu alinhamento e sucede a Among My Swan, um álbum editado há quase dezassete anos. A gravação de Seasons Of Your Day contou com o alinhamento original deste projeto e com as participações especiais de Hope Sandoval na escrita e produção, um habitual colaborador dos Massive Attack e também com David Roback, Bert Jansch e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. O disco foi gravado na Noruega e na Califórnia e viu a luz do dia por intermédio da Rhymes Of An Hour Records.


No início dos ano noventa, a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e, nessa época, os Mazzy Star tornaram-se num projeto que todas as editoras queriam ter no seu cardápio. She Hangs Brightly (1990) e So Tonight That I Might See (1993) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global, uma espécie de segredo mal guardado, mas que não deixava de ser um segredo e que cimentou muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado.

Esta integridade foi sempre uma imagem de marca dos Mazzy Star e a dream pop ganhou imenso com isso, já que a dupla pode trabalhar essa sobnoridade quase até à perfeição, com o suposto epílogo a suceder em 1996, com o excelente Among My Swan. Mas dezassete anos depois, Sandoval e Roback voltam a encontrar-se, não só para evocar a nostalgia de outros tempos com uma disco sequencial e que consolida a tal integridade, mas possivelmente para criar, com este Seasons Of Your Day, a melhor obra da discografia dos Mazzy Star.

Portanto, em 2013 os Mazzy Star voltam a apostar em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido, cuja estética sonora nomes hoje tão influentes da dream pop, como os Beach House ou Lotus Plaza, têm procurado recriar.

Seasons Of Your Day requer tempo, mas é um disco acessivel e que não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop letárgica e melancólica. Da leveza que se instala em In The Kingdom, na abertura do disco, ao florescer melancólico que passeia por Does Someone Have Your Baby Now e Common Burn, dois temas que caberiam muito bem nos registos dos Mazzy Star da década de noventa, escuta-se uma obra eminentemente acústica, com um resultado final compacto, nos arranjos, nas vozes e no som, sendo tudo feito essencialmente com acordes timidos de cordas e sinteitzadores cheios de charme, conforme é apanágio da habitual estética sonora deste casal único no universo sonoro alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Seasons Of Your Day

01. In The Kingdom
02. California
03. I’ve Gotta Stop
04. Does Someone Have Your Baby Now
05. Common Burn
06. Seasons Of Your Day
07. Flying Low
08. Sparrow
09. Spoon
10. Lay Myself Down


autor stipe07 às 21:42
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Domingo, 6 de Janeiro de 2013

I Was A King – You Love It Here

Os I Was A King são Frode Strømstad, Anne Lise Frøkedal e Ole Reidar Gudmestad, uma banda natural de Egersund, nos arredores de Oslo, na Noruega. A banda surgiu em 2006 e já tem um interessante cardápio sonoro. Estrearam-se nos lançamentos logo no ano seguinte com o EP Losing Something Good For Something Better (Happy Soul Recordings). Em 2009 surgiu o primeiro longa duração, o álbum I Was A King (Hype City Records), no ano seguinte Old Friends (Hype City Recordings/Voices Music and Entertainment) e por fim You Love It Here, disco lançado no passado dia cinco de outubro de 2012, através da K Dahl Eftf. e da Warner Music Norway, um trabalho disponível para audição no bandcamp do grupo.


Os I Was A King admitem ter como principal bitola a pop dos anos sessenta e setenta, mas também abordagens mais contemporâneas deste amplo género musical. Nomes como os The Byrds, Big Star, Robyn Hitchcock, Teenage Fanclub, The Beatles, Incredible Stringband, Guided By Voices, Olivia Tremor Control e Neil Young, entre outros, são declaradas influências. Por isso, sem escutarmos You Love It Here, um disco produzido por duas das suas infuências, Robyn Hitchcock e Norman Blake, dos Teenage Fanclub, quase que conseguimos antecipar o seu conteúdo sonoro e a respetiva base melódica. E Frozen Disease, a música que abre o disco e principal destaque do mesmo, confirma as maiores suspeitas e que estamos na presença de onze canções perfeitas para os apreciadores da típica sonoridade pop, feita de imensas cordas, às vezes distorcidas, mas sempre muito melódicas, vozes concisas, límpidas e bem audíveis, cheias de mudanças no tom e, finalmente, uma excelente escrita, daquela que denota um apreciável sentido crítico e uma enorme sensibilidade.

Havendo uma certa linearidade, que faz com que o disco seja ouvido de uma vez só sem quase se notar, há, no entanto, canções que denotam sentido criativo e uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abrodagens instrumentais, nomeadamente com recurso à percurssão, sem fugir à sonoridade padrão adotada; Eric é o tema onde a bateria tem um papel decisivo e demonstra que este trio norueguês sabe fazer dançar, sem deixar competamente de lado as paisagens etéreas que os seus temas nos permitem imaginar. 

You Love It Here é um bom disco, ouve-se em qualquer altura do ano, tem belíssimas canções, está cheio de potenciais singles e prova que, quando os intérpretes têm qualidade, escrever e compôr boa música pop, não é uma ciência particularmente inacessível. Espero que aprecies a sugestão...

01. Frozen Disease
02. Leave
03. Eric
04. Ferries
05. Hanging On
06. A Million Signs
07. Fire (Toast To Life)
08. The Woods
09. Food Wheels
10. Superhero
11. Indiana



autor stipe07 às 23:14
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Mount Washington - Mount Washington

Mount Washington são uma banda oriunda de Tromsø, no norte da Noruega e formada por Rune Simonsen, Andreas Høyer e Esko Pedersen, amigos de infância. Já fazem música juntos há alguns anos e depois de formarem os Washington, estrearam-se nos discos em 2004 com o EP Black Wine, ao qual se sucederam A New Order Rising (2005), Astral Sky (2007) e Rouge/Noir (2009).

Agora, em 2011 e depois de terem editado estes três discos, alteraram o nome para Mount Washington, deixaram Trondheim, capital da Noruega e onde viviam, levantaram voo até Berlim e lançaram o homónimo Mount Mashington, no passado dia dezassete de fevereiro, através da Glitterhouse Records.

 

A sonoridade deste disco acaba por ser fortemente influênciada pela miríade sonora que abastece a capital da Alemanha e a riqueza do cenário musical da cidade. A melancolia está bastante presente, como é de esperar nas bandas nórdicas e o grupo explora territórios que assentam numa pop lo fi arejada, ao contrário, por exemplo, do primeiro disco da banda, o já citado A New Order Rising, que assentava, imagine-se, na folk norte americana.

Uma das grandes curiosidades e que me chamou a atenção para o disco prende-se com o single Lisboa, uma canção que homenageia a nossa capital e cujo ambiente sonoro faz lembrar um pouco a luminosidade da cidade das sete colinas. No entanto, o video da canção, realizado por Bernard Wedig, mostra imagens dos elementos da banda a passear pelas ruas de Berlim. Espero que aprecies a sugestão...

01. How Does It Feel?
02. Silver Screen
03. Lisboa
04. A Good Run
05. Toscana
06. Next Year
07. Concords
08. If Ever
09. Broken Home
10. Radio Silence


autor stipe07 às 18:59
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Bellman - The Curse

Um dos bons discos  editado o ano passado e que recentemente tive o privilégio de ouvir foi o álbum de uma banda norueguesa chamada Bellman. O disco foi editado pela etiqueta Lazy Acre Records e viu a luz do dia a quatro de julho.

Ouvir este The Curse e os Bellman é, à semelhança de muita da nova música que se ouve hoje, um pouco como fazer uma viagem viagem no tempo. Muitas das canções do álbum trazem logo à memória os anos sessenta e mais concretamente os conterrâneos Bee Gees, naquela fase inicial em que compunham pura música pop, extremamente emocional e colorida e com arranjos dominados pelas cordas. E engana-se quem achar que poderá tirar do armário toda a roupa branca que tem e encontrar também aqui os anos setenta de disco sound dos Bee Gees. Outro músico que me veio imediatamente à memória e que é evocado nestas canções foi Roy Orbison, nomeadamente em alguns arranjos mais orquestrais.
Uma das músicas que mais apreciei estava mesmo no fim do disco; Falo de Go, uma canção de amor que começa lenta e triste e posteriormente ganha uma sonoridade épica; Faz lembrar um pouco aqueles velhos álbuns solo do Michael Jackson, pós Jackson Five, quando começou a crescer e a tornar-se o rei da pop. E se a temática do amor encerra o disco, foi também ela quem o abriu; A canção que intitula o álbum tem uma letra bastante curiosa (You were my last and my first...) e soa com um daqueles épicos onde os instrumentos se vão sobrepondo, começando pelo teclado, ao qual depois é adicionada a viola, uma batida, um piano no final e frases que falam de um
amor perdido. É uma canção sobre a natureza agridoce de amor. I Suppose tem todo o poder de uma canção dos Radiohead; É triste, assim como a maioria de todas as músicas dessa banda de Oxford; No entanto, revela todo o talento destes Bellman para a pop também com um cariz mais alternativo e indie.

Em suma, The Curse, apesar de não trazer nada de novo, reúne um conjunto de canções carregadas de uma melancolia certamente influenciada pelo rigor do frio nórdico e, como normalmente acontece, pelas bandas que mais influenciaram os músicos dos Bellman durante o seu crescimento. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Curse
02. I Suppose
03. Olivia
04. Gasoline
05. My Sound
06. When I’m Awake
07. 85 / 40
08. Hourglass
09. Inside
10. Go


autor stipe07 às 19:13
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