Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018

BC Camplight – Deportation Blues

Depois do excelente registo How To Die In The North, lançado em dois mil e quinze, Brian 'BC Camplight' Christinzio está de regresso aos álbuns com Deportation Blues, nove canções com a chancela da Bella Union e que servem para este músico nascido em Nova Jersey, mas a residir em Manchester, continuar a lutar contra algumas adições psicotrópicas que o têm afligido nos últimos anos, nomeadamente desde que deixou de fazer parte da etiqueta One Little Indian, onde lançou os registos Hide, Run Away (2005) e Blink Of A Nihilist (2007). São questões pessoais de peso na carreira de um artista que chegou a ser comparado, na primeira década deste século a nomes com Brian Wilson ou George Gershwin e que têm feito da sua vida uma verdadeira epopeia que chegou a impedi-lo de escrever e compôr, tendo mesmo habitado numa igreja abandonada de Filadélfia durante algum tempo.

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Antes de How To Die In The North, apesar do histórico já descrito sucintamente acima e de algumas aparições como pianista com Sharon Van Etten e algum trabalho ao vivo com músicos dos The War On Drugs (Robbie Bennett e David Hartley já fizeram parte da banda ao vivo de BC), ele sabia que precisava de uma mudança radical na sua vida, de modo a não perder a sua carreira e a sua sanidade. Mudou-se para o lado de cá do atlântico, instalou-se em Manchesterk, em Inglaterra, chamou a atenção da Bella Union e estes dois registos nesta reconhecida etiqueta são consequência desse novo trajeto pessoal e profissional de um músico e compositor com enorme reconhecimento no seu país, mas ainda pouco conhecido por esse mundo fora. Convém acrescentar à história que dois dias após o lançamento de How To Die In The North, o músico foi deportado de Inglaterra de volta aos Estados Unidos da América por falta de documentação e só regressou à Europa ocasionalmente para alguns concertos, tendo a obtenção da nacionalidade italiana, devido aos seus avós, sido o detalhe que faltava a BC para regressar de modo mais definitivo a Manchester. Fê-lo, com o propósito firme de começar a gravar um novo registo de originais, este Deportation Blues, mas dois dias depois desta segunda mudança deu-se o Brexit. O registo acaba por ser, como o seu nome indica, tremendamente inspirado em todas estas peripécias, algo plasmado de modo incisivo em composições como I'm Desperate, um tema que impressiona pelas mudanças rítmicas e pelos arranjos sintéticos, I’m In A Weird Place Now (And there’s something about Manchester town, And the silly little things she makes me do) e a jazzística Hell Or Pennsylvania, canção onde a referência ao limão (lemon twirls) representa a luta de BC contra um dos tais abusos psicotrópicos que padeceu em tempos. 

Gravado e produzido pelo próprio autor nos estúdios Whitewood Studios, em Liverpool, Deportation Blues acaba por ser também o impulso que falta para Camplight obter o merecido reconhecimento na Europa, num disco negro, direto e liricamente impressivo e incisivo, com canções que sonoramente homenageiam aquela herança do rock americano mais genuíno e onde pianos e guitarras se cruzam constantemente, com sintetizadores e onde não faltam também sopros, pianos e vários elementos percussivos, num resultado final recompensador e particularmente refrescante e original. Espero que aprecies a sugestão...

BC Camplight - Deportation Blues

01. Deportation Blues
02. I’m In A Weird Place Now
03. Hell Or Pennsylvania
04. I’m Desperate
05. When I Think Of My Dog
06. Am I Dead Yet?
07. Midnight Ease
08. Fire In England
09. Until You Kiss Me


autor stipe07 às 18:02
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Quinta-feira, 6 de Julho de 2017

Overlake – Fall

Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Nick D'Amore, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso de 2014 com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records. Agora, pouco mais de dois anos depois, já chegou o segundo disco deste grupo norte-americano, um compêndio de oito canções intitulado Fall e que viu a luz do dia através da insuspeita Bar-None Records, morada de nomes tão fundamentais para o indie rock como os The Feelies, os Happyness, Of Montreal, Yo La Tengo, The Spinto Band, Breakfast In Fur e The Individuals, entre outros.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de uma carreira que, no segundo capítulo, acentua uma obediência lúcida a um cardápio confessado de inspirações, que de My Bloody Valentine a Pavement, passando por Sonic Youth, não colocam em causa uma identidade bem vincada e que se firma em paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante.

A escuta de Fall exige logo no belíssimo aglomerado épico Unnamed November uma audição dedicada, de modo a que todos os detalhes que suportam o alinhamento sejam devidamente contemplados. O riff metálico da guitarra de Winter Is Why e as distorções que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem em You Don't Know Everything, canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos parase perceber a capacidade dos Overlake em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, mesmo que a sonoridade pareça algo sombria e rugosa.

Com uma filosofia muito assertiva no modo como aborda o rock de cariz mais progressivo, o disco não deixa de fazer o nosso espírito facilmente levitar e de provocar um cocktail delicioso de boas sensações. Por exemplo, em determinado momento, a bateria toma conta das rédeas de And Again, uma canção que começa por impressionar no modo como a guitarra deambula livremente, mas assim que a percurssão surge, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que as sensações de mestria e de bom gosto não surgem espontaneamente por acaso e que merecem ser devidamente realçadas pelo modo como vêm à tona. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Pines On A Beach, um imenso oceano de hipnotismo e letargia, que pisca o olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, mas também em Goodbye, composição que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Seja qual for a variante do rock alternativo replicada pelos Overlake, a súmula de Fall carateriza-se por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade e que ilustra o quanto certeiros e incisivos estes três músicos conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram, assente numa pop com traços de shoegaze, mas também num indie rock carregado de psicadelia e sempre com uma sobriedade sentimental marcada por uma intensa aúrea vincadamente orgânica. Espero que aprecies a sugestão...

Overlake - Fall

01. Unnamed November
02. Winter Is Why
03. You Don’t Know Everything
04. Can Never Tell
05. Gardener’s Bell
06. And Again
07. Pines On A Beach
08. Goodbye


autor stipe07 às 14:08
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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Real Estate - In Mind

Depois do excelente Atlas, editado em 2014, os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, acabam de regressar aos discos com In Mind, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de março através da Domino Records e que foi gravado em Los Angeles. São onze canções que tornam ainda mais impressa a personalidade e o som típico deste projeto oriundo de Rodgewood, nos arredores de Nova Jersey e que se assume cada vez mais como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual.

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Compêndio de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, In Mind contém ,como seria expectável, os traços identitários que têm construído o cardápio sonoro de um grupo que, disco após disco, olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo quase sempre com um cariz algo urbano e sempre atual. Logo nos acordes iniciais da guitarra de Matthew que conduz a solarenga Darling, mas também no baixo de Bleeker e na bateria de Jackson, fica patente todo este receituário inédito no panorama sonoro atual e depois, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz de Martin e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite.

Na verdade, mesmo que haja abordagens díspares a alguns territórios sonoros mais dispersos, nomeadamente a country em Diamond Eyes, um piscar de olhos ao rock psicadélico em Time, ou ao mais clássico em Two Arrows, canções do calibre da já citada Darling ou a agridoce e radiofónica White Light levam-nos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Real Estate é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem, tal é a afabilidade e suavidade desta espécie de nostalgia melodiosa e açucarada, impressa num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Darling
02. Serve the Song
03. Stained Glass
04. After the Moon
05. Two Arrows
06. White Light
07. Holding Pattern
08. Time
09. Diamond Eyes
10. Same Sun
11. Saturday

 


autor stipe07 às 20:52
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

The Feelies – In Between

Há já quatro décadas a ditar regras e a tornarem-se influência primordial no cenário do indie rock norte americano, os The Feelies estão de regresso aos discos com In Between, onze canções abrigadas pela insuspeita Bar None Records e que além de não envergonharem toda a herança deste grupo de Nova Jersey, acrescentam ainda ao seu cardápio alguns instantes sonoros que merecem figurar num plano de elevado destaque no momento de referir algumas das melhores canções que atualmente suportam o espetro sonoro em que os The Feelies navegam e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido respeitar e elogiar.

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Com momentos discográficos tão relevantes como Crazy Rhythms (1980), o soberbo disco Only Life (1988), ou o antecessor Here Before (2011), os The Feelies não se podem dar ao luxo de se exporem sonoramente sem que tal não signifique que existirá uma elevada bitola qualitativa por trás das suas novas canções. E este In Between é uma segura e confiante adição à lista dos melhores álbuns de um grupo que com a herança de nomes tão díspares como os The Velvet Underground ou os The Kinks, por trás da sua filosofia sonora, tem-se abrigado à sombra de uma fórmula de composição muito específica e que faz da luminosidade lo fi das cordas e da criação de melodias aditivas a sua maior premissa.

Logo no tema homónimo deste In Between conseguimos imaginar um enorme e amplo prado verdejante num dia de sol ameno e no dedilhar pulsante da guitarra de Turn Back Time percebe-se essa incessante busca de texturas em que sobressaia uma curiosa leveza rugosa que nos incite a viajar por aqueles recantos mais amplos de uma América também profundamente selvagem e mística. Essa demanda mais real que nunca também em Stay The Course, tema que tem como curiosidade maior o facto de a bateria se chegar à frente na condução e também na eletrificação da guitarra de Flag Days, que nos oferece o que de melhor ainda tem o vigor e a autenticidade de um povo hoje mais dividido que nunca, mas que encontra a sua génese numa vasta miscelânea de culturas e raízes.

A música dos The Feelies sempre teve essa capacidade de plasmar autênticos quadros impressionistas de uma América cheia de contrastes e o forte odor à herança de um Lou Reed em Been Replaced ou, em oposição, a vibe psicadélica assertiva de Pass The Time, assim como a sensibilidade emotiva das cordas e dos metais que vagueiam por Time Will Tell, tornam bem sucedido esse desejo que o grupo certamente conjura de levar os seus ouvintes a viajarem através das suas canções, intensas, poéticas e cheias de alma, até aos mais diversos cenários naturais e espirituais que lhes servem de inspiração e que, ainda mais do que isso, ajudaram a moldar aquelas que são as suas vidas atuais.

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada mais grunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)


autor stipe07 às 11:50
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016

Yo La Tengo – Murder In The Second Degree

Nem sempre devidamente divulgados e apreciados, os norte americanos Yo La Tengo são um dos projetos mais influentes do indie rock contemporâneo. Nasceram em 1984 pelas mãos do casal Ira Kaplan e Georgia Hubley (voz e bateria) e Dave Schramm (entretanto retirado) e James McNew e conquistaram-me definitivamente há quase quatro anos com o excelente Fade, uma rodela lançada à boleia da Matador Records.

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Com um cardápio já extenso e que vale a pena descobrir, nele se inclui Yo La Tengo Is Murdering the Classics, um disco de versões gravado em 2006 e sobre o qual os Yo La Tengo afirmavam que tinha como objetivo principal assassinar os clássicos. O truque e a piada repetem-se agora, dez anos depois, com mais uma fornada de músicas alheias, traduzidas pela ótica peculiar deste grupo e onde se incluem temas tão inusitados e esteticamente abrangentes como Hey Ya dos Outkast, Emotional Rescue dos The Rolling Stones, Girl From The North Country de Bob Dylan ou King Kong de Ray Davies. Murder in the Second Degree é o nome deste novo álbum de versões dos Yo La Tengo, quase uma trintena de canções que a banda foi tocando ao vivo na estação de rádio WFMU, entre 1996 e 2003 e que finalmente são editadas com o merecido destaque.

Há bandas que sabem aproveitar a sua maturidade e dialogar com as tendências mais atuais. Assim, é interessante observar como os Yo La Tengo conseguiram este efeito ao longo de vinte e nove anos de carreira e o modo como revisitam alguns dos temas que fazem certamente parte do seu ideário sonoro e dos seus gostos, resulta num alinhamento coeso, com versões cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente. Nele não falta o habitual registo vocal dos músicos dos Yo La Tengo em coro, melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta baixo e existe uma maior escassez instrumental. Acaba por ser uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e acabamos, frequentemente, por esquecer que estes temas têm a assinatura de outros projetos.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que definem o indie rock atual, a banda faz em Murder In The Second Degree uma ode aos seus heróis, ao mesmo tempo que vibram com a típica sonoridade da última década do século passado e as transformações sonoras que experimentaram na década seguinte. Da autoria do cartonista Adrian Tomine, o artwork do disco merece também todo o destaque.Espero que aprecies a sugestão...

Yo La Tengo - Murder In The Second Degree

01. Alley Cat
02. New York Groove
03. Bertha
04. Add It Up
05. To Love Somebody
06. Civilization (Bongo Bongo Bongo)
07. Suspect Device
08. First I Look At The Purse
09. Jailbreak
10. Popcorn
11. Girl From The North Country
12. Build Me Up Buttercup
13. I Wanna Be Free
14. Rock And Roll Love Letter
15. Emotional Rescue
16. Some Velvet Morning
17. The Low Spark Of High-Heeled Boys/Mr. Soul
18. Pay To Cum
19. Never My Love
20. King Kong
21. White Lines (Don’t Do It)
22. Slurf Song
23. Different Drum
24. Crazy
25. Be My Baby
26. Hey Ya!
27. Heart Of Darkness
28. Chantilly Lace + Medley


autor stipe07 às 18:30
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

Vows – Soon Enough Love

O indie rock psicadélico está na ordem do dia e não há volta a dar. Rebocado pelo sucesso de nomes como os The Flaming Lips, The Blank Tapes, Tame Impala, POND, MGMT e tantos outros, é um espetro sonoro que floresce da Austrália ao sol da Califórnia e agora também em Burlington, nos arredores de Nova Jersey, à boleia dos Vows, um trio formado por Jeff Pupa, James Hencken e Sabeel Azam e que editou a quinze de junho, com a ajuda inestimável da Section Sign RecordsSoon Enough Love, o terceiro álbum da carreira deste projeto.

Tal como sucedeu com os dois trabalhos atecessores, Winter’s Grave em 2011 e Stranger Things em 2013, Soon Enough Love foi gravado e produzido num ambiente eminentemente caseiro, desta vez numa sala de estar em Vermont e numa cave de Nova Jersey. Sem pressões editoriais e uma data pré-estabelecida para ver a luz do dia, o disco foi sendo incubado através da troca de ficheiros entre os músicos, com os temas a florescerem e a ganharem vida própria num ambiente tipicamente lo fi, sem hesitações, de modo espontâneo e sem artifícios exteriores aos Vows.

Envolvente, quente, épico, mas também intimista e acolhedor, Soon Enough Love é um tratado de pop psicadélica, pleno de fuzz e reverb e que redefine o som dos autores para um patamar superior de lisergia. Com a participação especial de Sabeel Azam na guitarra elétrica em alguns temas, o trabalho flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocado pela mestria vocal de Pupa e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao baixo e pela habilidade inata de Hencken à frente dos sintetizadores e da percussão.

Temas como a estratosférica e exuberante Day To Day, canção que ressuscita alguns detalhes que elevaram em tempos os The Beach boys a um grau superior de devoção, o charme de Candy, o festim eletrónico em que se desmultiplica Futuis Eam e que encarna uma faceta mais pop em Come To Your Senses, ou o cariz sedutor de Letter From The Sun, mostram-nos uns Vows a procurar recriar uma luta constante entre guitarra e sintetizador, sendo quase indefinivel o grau de primazia de um dos dois componentes quer na componente melódica, quer na arquitetura não só destas, mas também de outras composições do disco. Na verdade, estamos na presença de uma verdadeira trip sonora tumultuosa, mas também aditiva, com as canções a tentarem, a todo o custo, sair da espécie de colete de forças lo fi em que se encontram enclausuradas, em busca de um sol que, neste caso, poderá ser nefasto, já que se as iluminar em demasiado irá retirar-lhes a crueza e o reverb que molda a personalidade de um alinhamento que tem nesta penumbra constante o seu atributo maior, um alinhamento feito de canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Para amadurecer não é preciso parecer demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção. Para que isso suceda a fórmula correcta é feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar essa formatação adulta, assim como a capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere. Assim, Soon Enough Love é mais um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos. No fundo, é uma espécie de caldeirão sonoro feito por mais uma dupla que sabe como recortar, picotar e colar o que de melhor vai sendo sugerido hoje no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Vows - Soon Enough Love

01. Futuis Eam
02. Day To Day
03. Candy
04. Sound Island
05. The Snake
06. Shrinking Violet
07, Letter From The Sun
08. Come To Your Senses
09. Kemps Ridley
10. Nothing to Prove


autor stipe07 às 21:41
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2015

Cold Weather Company – Somewhere New

Brian Curry, Jeff Petescia e Steve Shimchick são os Cold Weather Company, um trio norte americano oriundo de New Brunswick, em Nova Jersey, que se estreou nos discos no início deste ano com Somewhere New, treze canções que viram a luz do dia logo em janeiro e que foram captadas em quartos, caves e até numa cabine, gravadas e misturadas por Ralph Nicastro dos Boxed Wine.

É a mais genuína herança sonora da América profunda que preenche o código genético destes Cold Weather Company, abastecido por cordas, que servem como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, este trio deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma destas treze canções e expandem os territórios deste grupo da costa leste. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em Steer, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Fellow In The North, o piano de Unlocked, a luminosidade do dedilhar de Jasmine ou a pronúncia grave das notas de Fall Low denunciam de forma declarada.

Há em Somewhere New uma capacidade subtil de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, conforme indica o título, substancialmente melhor. Nas letras os Cold Weather Company assumem uma postura quase religiosa, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, num disco bucólico e nostálgico que o aproxima de outros grandes representantes da cena folk atual, com os Fleet Foxes, ou os The Decemberists a serem, cdertamente, referências óbvias. A própria subtileza vocal de Brian Curry parece rondar em várias canções Colin Meloy, uma aproximação que, por exemplo, em Horizon Fire, resulta num doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral de Somewhere New, com a busca de delicadeza e um altivo controle da espontaniedade a serem, para já, uma imagem de marca destes Cold Weather Company.

Na estreia, este trio norte americano utiliza a santa triologia da pop, da folk e da country de forma extremamente assertiva e eficaz, num resultado final que reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que simultanemente nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Weather Company - Somewhere New

01. Horizon Fire
02. Fellow In The North
03. Steer
04. Inside Your Eyes
05. Someone Else
06. Hey Bodham Dae / What Do I Do
07. Garden
08. Unlocked
09. Jasmine
10. Tumbling
11. Recollection
12. Fall Low
13. Seafarer


autor stipe07 às 22:00
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Terça-feira, 31 de Março de 2015

Memory Tapes – Fallout / House On Fire

Depois de um hiato de pouco mais de dois anos, o produtor chillwave de New Jersey Dayve Hawk, aka Memory Tapes, está de regresso com um single e uma nova digressão pela américa do norte. Editado hoje com o selo da Carpark Records, Fallout tem como lado b House On Fire e marca o regresso das típicas batidas cerebrais e reconfortantes de Hawk, alicerçadas por uma eletrónica densa e, neste caso, catárquica, já que o hiato deveu-se a alguns problemas pesoais e profissionais que o músico teve de enfrentar, com a sonoridade dos dois temas a demonstrar bem o estado de espírito do músico. Confere...

Memory Tapes - Fallout - House On Fire

01. Fallout
02. House On Fire


autor stipe07 às 21:59
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

Overlake – Sighs

Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Scotty Imp, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso do último ano com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de um registo que acaba por obedecer ao cardápio confessado de inspirações, já que se My Bloody Valentine, Pavement e Sonic Youth são grupos que influenciam decisivamente a sonoridade das canções dos Overlake, algo que o conteúdo de Sighs demonstra com particular clareza.

Tom Barrett e Lysa Opfer são o núcleo duro do projeto, que já teve vários bateristas no alinhamento, mas que parece ter encontrado em Scotty Imp o músico ideal para se juntar a esse par dinâmico, apesar de ter sido o próprio Tom a tocar a bateria em Sighs.

A escuta de Sighs exige logo no belíssimo instante contemplativo do instrumental First um par de auscultadores e o volume no máximo aceitável para que se entranhem todas as emoções que os Overlake expôem com extraordinária nitidez nas paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante. O falsete de Disappearing e o efeito da guitarra que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem nesta canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos para  potenciar a capacidade de Tom em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. A bateria toma conta das rédeas em Not Enough e quando, na canção, a guitarra começa a deambular livremente por cima e ao redor da percussão, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que, até ao final, aguarda-nos apenas e só belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Esta mesma sensação de mestria e bom gosto merece ser devidamente realçada pelo modo como vem à tona, mesmo que o ambiente sonoro escutado não seja, como se exige, sempre constante e semelhante. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Back To The Water, uma canção com um efeito de reverb na voz que parece que Tom canta nas profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, ou que pisca ao olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, como em Fell Too Far, Your KS ou na pop luminosa da balada We'll Never Sleep, três canções que foramam uma sequência que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. Esta ambivalência acaba por ser as duas faces de uma mesma moeda que se carateriza, seja qual for a variante do rock alternativo replicada, por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, sempre com a premissa de criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, algo que ganha um fôlego ainda maior em Our Sky, um dos singles de Sighs e o tema do disco onde a voz de Tom atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Overlake conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os Overlake, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Sighs é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver e que já está em estúdio a preparar o sucessor. Aqui encontras dez canções que quer estejam assentes numa pop com traços de shoegaze ou num indie rock carregado de psicadelia, trazem sempre consigo uma sobriedade sentimental que pode servir de contraponto em instantes mais sombrios e de cariz lo-fi, mas também para marcar a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve os Overlake para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Overlake - Sighs

01. First
02. Disappearing
03. Not Enough
04. Back To The Water
05. Fell Too Far
06. Your KS
07. We’ll Never Sleep
08. Our Sky
09. Is This Something?


autor stipe07 às 18:41
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

Yo La Tengo - Fade

Conforme referi em Curtas... LXX quando apresentei o single Before We Run, os Yo La Tengo, um dos projetos mais influentes do indie rock norte americano, formado em 1984 pelo casal Ira Kaplan e Georgia Hubley (vocal e bateria) e Dave Schramm (entretanto retirado) e James McNew, regressaram aos discos este ano com Fade, uma rodela lançada no passado dia catorze pela Matador.

Recentemente tem sido  tendência generalizada algumas bandas já com um largo historial, regressarem com renovadas sonoridades e assim, além de conquistarem as mais novas gerações, despertarem nestas o interesse pela descoberta das suas dicografias. São bandas que sabem aproveitar a sua maturidade e dialogar com as tendências mais atuais. Assim, é interessante observar como os Yo La Tengo conseguiram este efeito com Fade, já o seu décimo terceiro álbum em vinte e nove anos de carreira.

No conteúdo de Fade, grande parte do mérito deve ser atribuído ao produtor John McEntire (Tortoise e The Sea and Cake), já que foi ele quem assumiu as rédeas da obra e ajudou o grupo a fazer um álbum sensível com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Ohm, a canção inicial, e Before We Run, o tema de encerramento, são as mais longas e sonoramente mais detalhas, amarrando bem as pontas do disco. Na primeira escuta-se os músicos em coro, numa melodia amigável e algo psicadélica, feita com guitarras distorcidas, enquanto a última se arrasta até ao fim com um longo diálogo entre timbres. Curiosamente, apenas estas duas terminam em fade, o recurso técnico do som ou imagem, onde se vai diminuindo aos poucos e que serviu de inspiração para o título do disco.

Apesar desta fluidez intencional, Fade pode ser dividido em duas partes; A primeira está cheia de canções animadas como Paddle Forward e Well You Better. De Stupid Things em diante, a obra passa a assentar num formato mais íntimo e quase silencioso, onde se canta baixo e existe uma maior escassez instrumental. No entanto, nesta última fase do disco também há muita beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. É mesmo incrível a sensação de ligaçao entre as canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

Fade pode não ser um daqueles álbuns que mudam as nossas vidas, mas é difícil ficar indiferente perante preciosidades como Is That Enough, The Point of It e Cornelia and Jane. As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas do violoncelo vão tomando conta do disco, os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz denota longos anos de aprendizagem. Na execução de Is That Enough, por exemplo, a busca por uma musicalidade amena acaba por aproximar os norte-americanos da mesma natureza melódica que marca a trajetória dos The Magnetic Fields, o grupo conterrâneo comandado por Stephin Merritt e que parece ser uma das principais influências dos Yo La Tengo em Fade.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que se aproximam do indie rock atual, a banda faz em Fade uma espécie de súmula da carreira, já que contém a produção detalhada típica da década de oitenta, as transformações sonoras que experimentaram na década seguinte e a maturidade que demonstraram nos discos lançados já neste século. Pelos vistos, quem, como eu, se interessar mais por esta banda de Hoboken, Nova Jersey, a partir deste disco, terá muito material para descobrir da sua discografia e creio que o número de novos admiradores vai crescer, já que Fade tem tudo para agradar ao público adepto do som feito hoje e aos admiradores do trabalho anterior da banda. Espero que parecies a sugestão...

Yo La Tengo - Fade

01. Ohm
02. Is That Enough
03. Well You Better
04. Paddle Forward
05. Stupid Things
06. I’ll Be Around
07. Cornelia And Jane
08. Two Trains
09. The Point Of It
10. Before We Run


autor stipe07 às 22:46
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Domingo, 2 de Dezembro de 2012

Curtas... LXXIII

Yoodoo Park, aka GRMLN, é um guitarrista japonês com apenas dezanove anos, pelos vistos talentoso, porque que já teve o privilégio de assinar pela Carpark Records. O seu EP de estreia intitula-se Explore e foi lançado no passado mês de outubro; Coral é o primeiro single retirado deste excelente trabalho.

GRMLN - Explore

01. Relax Yourself
02. Depressions
03. Live.Think.Die
04. Coral
05. Wedding
06. Summer Nights
07. Patio

 

Nite Jewel, o projeto da cantora pop californiana Ramona Gonzalez, gravou recentemente para a edição alemã da Rolling Stone uma cover de P.Y.T. (Pretty Young Thing), um clássico de Thriller, o grande disco da carreira de Michael Jackson.

 

Grace/Confusion, o novo disco do produtor chillwave de New Jersey Dayve Hawk, aka Memory Tapes, será editado amanhã, dia três de dezembro, com o selo da Carpark Records. No entanto a editora libertou o EP para audição uns dias antes; O álbum tem seis canções que me agradaram porque, apesar de o músico ter posto de lado as batidas cerebrais e reconfortantes de Seek Magic e Player Piano para abraçar uma produção mais densa e confusa, conseguiu uma sonoridade que demonstra bem o estado de espírito do músico durante a sua gravação.

Memory Tapes - Grace-Confusion

01. Neighborhood Watch
02. Thru The Field
03. Safety
04. Let Me Be
05. Sheila
06. Follow Me

 

Os The Flaming Lips de Wayne Coyne realmente não param! Agora acabam de divulgar One More Robot, um disco que revisita o meu álbum preferido da banda, Yoshimi Battles The Pink Robots, com a divulgação de remisturas e lados B do alinhamento desse extraordinário clássico de 2002.

The Flaming Lips - One More Robot

01. Do You Realize??
02. Yoshimi Battles the Pink Robots Pt. 1 [Unused UK Radio Mix]
03. Yoshimi Battles the Pink Robots Pt. 2 [Not Final Mix]
04. Funeral In My Head (If I Go Mad)
05. Fight Test
06. One More Robot [Not Final Mix]
07. Are You A Hypnotist?? [Not Final Mix]
08. Assassination Of The Sun
09. I’m A Fly In A Sunbeam (Following The Funeral Procession Of A Stranger)
10. Sunship Balloons
11. In The Morning Of The Magicians
12. It’s Summertime [Unedited Final Mix]
13. Up Above The Daily Hum
14. Ego Tripping At The Gates Of Hell
15. Approaching Pavonis Mons By Balloon (Utopia Planitia)
16. All We Have Is Now
17. It’s Summertime [Original Version]
18. Ego Tripping At The Gates Of Hell [Demo]


Sem deixar de lado o clima natural da sonoridade da década de oitenta, os norte americanos Chromatics acabam de divulgar mais uma nova canção; Em Cherry temos a continuação do que a banda já tinha desenvolvido em Kill For Love tanto na sonoridade como no vídeo caseiro assinado mais uma vez por Alberto Rossini. Delicada, erótica e definida pelos detalhes, a canção estará na próxima coletânea do selo Italians Do It Better.


autor stipe07 às 16:22
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Sábado, 8 de Setembro de 2012

Delicate Steve - Positive Force

Os Delicate Steve são uma banda de Nova Jersey formada por Steve Marion (voz e guitarra), Mike Duncan (percurssião), Adam Pumilia (baixo), Christian Peslak (guitarra) e Mickey Sanchez (teclados). Positive Force, lançado pela Luaka Bop no passado mês de julho, sucede a Mani Moods, álbum lançado há cerca de um ano, disponível para audição no bandcamp da banda, assim como a restante discografia.

 

Numa época de constantes revoluções sonoras e novos géneros que despontam e que ampliam significativamente os limites da música, não é de estranhar que em alguns momentos as guitarras fiquem um pouco esquecidas. Símbolo de uma infinidade de projetos antigos e até recentes, hoje este instrumento parece fluir de acordo com as exigências eletrónicas, batidas sintéticas e uma série de outros atributos sonoros que o afastam do seu objetivo inicial de instrumento privilegiado na condução das canções. No entanto, ainda há quem aprecie e entenda o real valor deste instrumento e transforme isso na principal ferramenta de trabalho, como estes norte americanos Delicate Steve.

Até há pouco tempo Steve Marion era o chefe supremo que definia os rumos e as canções do projeto. O caráter de individualidade deste músico acabou por ser uma limitação porque antes de Positive Force o que se ouve destes Delicate Steve é, quase sempre, demasiado simples e recalcado de outros projetos norte americanos que têm na presença das guitarras o grande combustível para a formação das melodias.

Com Positive Force temos o oposto; Perfeitamente alinhado, o trabalho ecoa sonoridades menos simples e que agora abraçam influências que já tocam na pop e na psicadelia, com uma carga de novas referências instrumentais que vão dos Animal Collective (principalmente da fase Strawberry Jam) aos The Flaming Lips (do recente Embryonic). Novos sons que ampliam e engrandecem a obra deste coletivo.

Com a presença dos novos colaboradores, Marion deve ter percebido os anteriores limites da sua obra e deixou-se contagiar; Canções como Positive ForceTwo Lovers e o single Afria Talks To You, levam os Delicate Steve para outros patamares. Por vezes brincam com a eletrónica e em diversos momentos deixam-se conduzir por uma proposta totalmente experimental, em onze instrumentais que nos prendem ao disco do princípio ao fim.

Considero que Positive Force seria ainda melhor se fosse preenchido por versos. Um bom exemplo é Redeemer, canção que apesar de surgir rodeada por coros de vozes ao fundo do extenso solo de guitarra,  clama pelas palavras. Até nos momentos mais doces do álbum, como a canção de encerramento Luna, parece que o grupo prepara a entrada de uma voz que infelizmente nunca se revela. Positive Force poderia então ir um pouco mais além, mas talvez até seja apenas um interlúdio para algo maior. Espero que aprecies a sugestão...

 

1. Ramona Reborn
2. Wally Wilder
3. Two Lovers
4. Big Time Receiver
5. Touch
6. Positive Force
7. Love
8. Redeemer
9. Afria Talks To You
10. Tallest Heights
11. Luna


autor stipe07 às 19:57
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

The Feelies - Here Before

Depois de quase vinte anos sem lançarem um disco, tempo suficiente para se achar que nunca mais voltariam, apesar de ao longo destes anos todos terem deixado marcas em bandas como os The Strokes, Pixies ou R.E.M., para citar apenas alguns pupilos bem conhecidos, os The Feelies, banda de New Jersey liderada por Glenn Mercer, após reunirem-se em 2008 para alguns concertos, lançaram em 2011 Here Before, um novo disco de originais e o quinto da banda, material novo que soa muito natural, honesto, casual, confortável e extremamente fiel à sonoridade da banda. Este regresso merece ser partilhado, principalmente porque o disco é muito bom e o grupo está naquela idade em que não precisa de provar nada a ninguém! Já agora, acrescento que a banda estreou-se nos álbuns em 1980 na etiqueta Stiff Records com o aclamado Crazy Rhytms e o segundo disco, The Good Heart, só foi lançado seis anos depois e até 1991, data da separação, editaram mais dois discos. já agora, além do citado Gleen Marcer, os The Feelies são formados por Bill Million (compositor, vocalista, guitarrista), John J. (baixista) e Dave Weckerman (baterista).

A sonoridade tipicamente indie e universitária que tanto imperou nos anos 80 nos Estados Unidos e da qual os R.E.M. foram o espoente máximo, é a que norteia o grupo. E hoje, em tempos onde é cool ser indie e alternativo, este tipo de sonoridade soa mais fresca que nunca, o que vai fazer com que certamente conquistem novos ouvintes com este Here Before.
O disco não vai fazer ninguém dar pulos de alegria e contentamento, mesmo para quem eventualmente já conheça os The Feelies. Mas Here Before ganha força e empatia a cada nova audição. Não há grandes momentos específicos de destaque, as músicas são contidas e sustentam-se na simplicidade e no bom gosto de pequenos detalhes, como os acordes de So Far, as vozes em camadas de Should Be Gone, o baixo melódico de When You Know, os solos inesperados de Way Down e Change Your Mind, ou a bateria inicial de Later On.
Here Before tem momentos que gritam pelos Velvet Underground e até algumas vozes soam bastante a Lou Reed. É um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostrarão aos novos fãs que irão surgir, tenha a certeza disso, como o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Os The Feelies são certamente um conjunto de músicos na meia idade que gostam muito de tocar juntos e são necessários hoje para reafirmar a virtude da paciência. Espero que aprecies a sugestão...

The Feelies, “Should Be Gone” (via Pitchfork)

 

01. Nobody Knows
02. Should Be Gone
03. Again Today
04. When You Know
05. Later On
06. Way Down
07. Morning Comes
08. Change Your Mind
09. Here Before
10. Time Is Right
11. Bluer Skies
12. On And On
13. So Far


autor stipe07 às 13:15
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