Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Tape Deck Mountain – Echo Chamber Blues

Travis Trevisan, Andy Gregg e Sully Kincaid são os Tape Deck Mountain, um trio norte americano que se divide entre Nashville, no Tenessee e São diego na Califórnia e que acaba de regressar aos discos com Echo Chamber Blues, nove canções misturadas por Andy Gregg, o baterista do grupo e assentes num indie rock de forte travo progressivo e de elevada bitola qualitativa.

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Os Tape Deck Mountain já andam nestas andanças há uma década, mas Echo Chamber Blues é apenas o terceiro disco da carreira do grupo. Estrearam-se em dois mil e nove com Ghost, quatro anos depois aprimoraram a fórmula da estreia com o excelente Sway e agora, cinco anos depois, neste Echo Chamber Blues, limam arestas e proporcionam ao ouvinte um caldeirão sonoro assente num shoegaze que, entre ambientes mais contemplativos e outros mais arrojados, não vive só do baixo e da guitarra (abastecida por onze pedais diferentes só neste disco), mas também da bateria, a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como o amor e alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea.

Acaba por ser através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime, que temas como a imponente I Will Break You, a intrincada Morse Code, ou o sublime instrumental Bueu, nos permitem contemplar belíssimas improvisações melódicas, cheias de detalhes e sem grande excesso, num disco rematado por um belíssimo acabamento açucarado, fruto do excelente trabalho de produção do baterista da banda e pleno de potencial para criar em nós paisagens melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Deck Mountain - Echo Chamber Blues

01. Is
02. Loopers Of Bushwick
03. Morse Code
04. Elephant
05. Bueu
06. I Will Break U
07. IQU
08. Halo
09. Locations


autor stipe07 às 21:44
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

Jack White – Boarding House Reach

Já chegou aos escaparates Boarding House Reach, o terceiro registo de originais de Jack White, sucessor do já longínquo Lazaretto. Músico, compositor e guitarrista natural de Nashville, Jack White oferece-nos treze novas canções onde mergulha a fundo em territórios mais densos e experimentais, através de uma guitarra com a sua habitual assinatura plena de groove, à qual se juntam elementos percussivos caraterísticos do universo hip-hop e outros detalhes como congas ou elementos vocais sintetizados, num resultado final extremamente apelativo e bem conseguido.

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Boarding House Reach chegou às lojas a vinte e três de março via Third Man Records/Columbia e conta nos seus créditos com nomes como o percussionista Louis Cato, o baixista Charlotte Kemp Muhl, Neal Evans, John Scofield, Bobby Allende, Ann e Regina McCrary do trio gospel McCrary Sisters. Nele, do blues, ao rock mais clássico, passando por alguns laivos de metal, um White algo rebelde e de costas voltadas ao mainstream volta a mostrar a sua superior mestria à frente da guitarra, com Connected By Love a mostrar-nos, desde logo, a sua forte ligação à América sulista de onde ele é oriundo,ao mesmo tempo que, querendo ser porta voz e estandarte de uma geração nerd tantas vezes alienada dos princípios e dos valores que edificarama sociedade em que vive, reflete sobre alguns dos maiores dilemas de um país com uma heterogeneidade bastante vincada. 

Pouco importado em apresentar canções polidas ou que pareçam ter sido gravadas com recursos de superior qualidade, fruto de uma aúrea que se foi instalando em seu redor nas últimas duas décadas e que lhe permite criar sem um firme propósito comercial e mesmo assim ser bem suceddio nessa área, White procura, acima de tudo, compôr mostrando de modo genuíno e cru as suas pretensões. O clima minimal do efeito da guitarra e o cariz lo fi da voz em Why Walk A Dog?, os devaneios quer do piano, quer das várias vozes e dos arranjos da experimental Hypermisophoniac, o modo como declama a letra de Ezmerelda Steals The Show, assim como o swing rugoso do riff que conduz Corporation imprimem esta simplicidade algo despreocupada de gravar, com a ironia dessa sensação errónea a ser o facto de estarmos a falar de temas que viram a luz do dia graças aos mais modernos recursos tecnológicos que um músico pode dispôr nos dias de hoje. O objetivo talvez seja também passar a ideia que mais que um compositor e criador, White quer mostrar que é uma espécie de historiador das maiores tendências do rock do último meio século, ao mesmo tempo que tenta ser o mais genuíno possível, com alguns temas aparentemente inacabados e outros a exalar improviso por todos os poros a serem mais achas para essa fogueira da tal espontaneidade artística que acaba por ter, em muitos momentos, um certo odor a uma espécie de pretensiosimo que acaba por soar algo repetitivo. Seja como for, Boarding House Reach é um álbum obrigatorio quer para os fãs do músico que para os apreciadores do rock de cariz mais clássico. Espero que aprecies a sugestão...

Jack White - Corporation

01. Connected By Love
02. Why Walk A Dog?
03. Corporation
04. Abulia And Akrasia
05. Hypermisophoniac
06. Ice Station Zebra
07. Over And Over And Over
08. Everything You’ve Ever Learned
09. Respect Commander
10. Ezmerelda Steals The Show
11. Get In The Mind Shaft
12. What’s Done Is Done
13. Humoresque


autor stipe07 às 16:55
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

Josh Rouse – Love In The Modern Age

Natural de Nashville, no Nebraska, Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso com Love In The Modern Age, disco lançado por intermédio da Yep Roc Records e já o décimo segundo da carreira de um dos músicos e compositores mais aclamados das últimas duas décadas. O álbum é mais um passo consistente no percurso de um artista que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, passando pela folk mais intimista de início da carreira, a um período mais solarengo, fruto da sua mudança para o sul de Espanha, no início do século, depois de se ter casado com Paz Suay e agora olhando com uma certa gula, que de certo modo já se adivinhava num músico que se foi revelando sempre atento às novas tendências, para aquela pop mais sintética que fez escola nos anos oitenta.

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Love In The Modern Age representa, talvez, o disco de maior ruptura com um trabalho antecessor na carreira de Rouse, neste caso o bem sucedido The Embers Of Time (2015), um álbum que tinha sido gravado entre o seu estúdio em Valência e Nashville e que sustentava-se no esplendor das cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que davam as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Ora, se agora, três anos depois, em Love In The Modern Age esta última caraterística mantém-se intacta, a abordagem sonora acaba por ser um pouco diferente, como se percebe logo em Salton Sea, na linha do baixo, na batida, nos arranjos sofisticados, fornecidos por um teclado de forte cariz oitocentista e no efeito vocal. Mesmo qu,e logo depois, em Ordinary People, Ordinary Lives, pareça que Josh vai fazer marcha atrás e regressar ao som que o tipifica, logo nos saxofones, na segunda voz feminina e no ambiente luminoso e polido do tema homónimo percebe-se que há realmente um propósito claro de criar um alinhamento mais sofisticado, uma impressão que se torna ainda mais inquestionável nas teclas da fleetwoodiana Businessman, canção que conta com a participação especial vocal de Wendy Smith dos Prefab Sprout. Pouco depois, em Tropic Moon, Rouse faz certamente referência (sleeping under stars) a um dos seus primeiros discos, Under Cold Blue Stars e num outro verso do mesmo tema, quando refere estar right where he wants to be ninguém duvida dessa sua certeza. O grande momento do disco acaba por estar guardado para Hugs and Kisses, uma lindíssima balada onde torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e não sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos na composição a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.

A mudança de direção que Josh Rouse operou nestas nove canções de Love In The Modern Age foi, quanto a mim, bem sucedida, já que se nos oferece um ambiente sonoro distinto no seu catálogo, o mesmo não coloca em causa aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, nas suas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem e agora também às teclas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...

Josh Rouse - Love In The Modern Age

01. Salton Sea
02. Ordinary People, Ordinary Lives
03. Love In The Modern Age
04. Businessman
05. Women And The Wind
06. Tropic Moon
07. I’m Your Man
08. Hugs And Kisses
09. There Was A Time

Website
[mp3 320kbps] rg tb zs uc


autor stipe07 às 21:39
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

Jack White – Corporation

Jack White - Corporation

Continuam a ser divulgados novos temas do alinhamento de Boarding House Reach, o novo registo de originais de Jack White, sucessor do já longínquo Lazaretto. Assim, depois de Connected By Love Respect Commander, Corporation é a nova canção conhecida desse novo trabalho do músico, compositor e guitarrista natural de Nashville.

Em Corporation o autor mergulha a fundo em territórios mais densos e experimentais, através de uma guitarra com a sua habitual assinatura plena de groove, à qual se juntam elementos percussivos caraterísticos do universo hip-hop e outros detalhes como congas ou elementos vocais sintetizados, num resultado final extremamente apelativo e bem conseguido.

Boarding House Reach chega às lojas a vinte e três de março via Third Man Records/Columbia e conta nos seus créditos com nomes como o percussionista Louis Cato, o baixista Charlotte Kemp Muhl, Neal Evans, John Scofield, Bobby Allende, Ann e Regina McCrary do trio gospel McCrary Sisters. Confere...


autor stipe07 às 13:30
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Jack White – Connected By Love

Jack White - Connected By Love - Respect Commander

Pouco antes do natal Jack White já tinha dado ndicações que poderia ter novidades para muito breve e na verdade parece que ele está de regresso aos discos em 2018. O seu novo trabalho irá chamar-se Boarding House Reach, será o sucessor do já longínquo Lazaretto e Connected By Love e Respect Commander são os dois temas novos divulgados desse disco.

Jack White apresentou os dois temas no programa Zane Lowe’s Beats 1 e colocou-as nas plataformas de audição digital habituais e para venda na Third Man Records, a sua própria editora. Em ambos, nomes como o percussionista Louis Cato, o baixista Charlotte Kemp Muhl, Neal Evans, John Scofield, Bobby Allende, Ann e Regina McCrary do trio gospel, McCrary Sisters fazem parte dos créditos. Confere Connected By Love...


autor stipe07 às 22:03
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Foreign Fields – Take Cover

Eric Hillman, Brian Holl, Nathan Reich, Nate Babbs e Clayton Fike, são os Foreign Fields, uma banda norte americana natural de Nashville que se tem notabilizado desde 2012 com uma consistente série de eps, construídos com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o primeiro longa duração do grupo, assume-se como o lógico passo em frente de um já glorioso percurso, assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

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Logo na inquietude quase impercetível de I Killed You In The Morning percebe- se que há uma espécie de sonambulismo retemperador na música destes Foreign Fields, como se o mundo em redor se estilizasse e ficasse estático e perene, perante este incitamento automático à reclusão e à reflexão profunda. Logo depois, no single Dry, perante o desfilar harmonioso de cordas, teclas e batidas, que ora planando ora se enterrando chão dentro direitinho ao nosso âmago e que carregam consigo uma folk muito introspetiva e tremendamente reflexiva, consegue-se, em simultâneo, obter uma corajosa epicidade e um incomensurável torpor, algo musculado, mas que nos oferece uma sensação de segurança de difícil catalogação.

E assim arranca este Take Cover, um disco onde se escutam alguns arranjos e detalhes muito simples, mas também cavidades intrincadas de sons das mais variadas proveniências e cores, feitas quase sempre com instrumentos de percurssão, teclados e harmónicas, elementos que nos levam ao colo numa viagem intimista pelos caminhos rugosos de uma América sulista, que preza valores e tradições e não aquela América feita apenas com o caos das metrópoles gigantescas, cheias de luzes, néons e cor, mas às vezes também com locais muito escuros e sombrios.

Esta é, no fundo, uma pop suculenta, que por ter uma fácil assimilação, não significa que seja rarefeita, minimal, ou desprovida de ingredientes faustosos, encontrando o seu lado delicioso e atrativo exatamente no modo como conjuga todo um requinte instrumental, à medida que desfila um derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição de emoções intrínsecas.

Se vontade faltar para mais, deixemo-nos ficar apenas e sós pelo piano e pelo falsete de Weeping Red Devil, criado para expiar pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta, para percebermos como vale a pena descobrirmos que este disco oferece-nos gratuitamente um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções de uma América campestre, um pouco fechada sobre sim mesma e o seu passado, que muitas vezes parece ter parado há várias décadas no tempo, hoje numa autêntica encruzilhada, mas que não deixa também de ser muito luminosa e acolhedora. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Fields - Take Cover

01. Tangier
02. I Killed You In The Morning
03. Dry
04. I
05. Weeping Red Devil
06. Grounded
07. In Love Again
08. We Live Inside
09. Take Cover
10. Correct Me
11. Hope Inside The Fire
12. When You Wake Up


autor stipe07 às 22:20
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

Kings Of Leon - Walls

Os norte americanos Kings Of Leon, dos três irmãos Followill e do primo, estão de regresso aos discos com Walls, o sétimo disco da carreira deste quarteto que se estreou extamente há quase década e meia com o excelente Youth & Young Manhood, para mim ainda o melhor disco desta banda natural de Nashville, no Tennessee.

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Disco após disco os Kings Of Leon têm procurado nunca seguir um fio condutor homógeneo e bem definido, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo indie rock, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial. Assim, para quem, como eu, conhece com algum rigor a discografia dos Kings Of Leon é interessante escutar Walls e perceber que estamos na presença de um disco que, enquanto procura apontar novos caminhos mais reflexivos, faz uma espécie de súmula da carreira de uma banda que, na minha opinião, tem vindo a decrescer de qualidade disco após disco, ao mesmo tempo que, curiosamente, ganha maior relevância como banda de estádio. Mas isto é apenas uma mera questão de gosto pessoal e aceito perfeitamente que existam opiniões divergentes da minha. Agora, o que me parece unânime e fácil de aceitar por todos aqueles que, como eu, acompanham a carreira dos Kings Of Leon, é perceber que não há um fio condutor homógeneo e bem definido no cardápio musical do grupo, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo indie rock, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial.

Tendo em conta o excelente baixo e as guitarras de Waste A Moment, um dos grandes temas de Walls, e a imponência orquestral do edifício melódico que envolve esta canção com um refrão avassalador, percebe-se, desde logo, que, como já referi, nesta nova etapa foi dada primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada. E ao escutar-se o modo como em Reverend o baixo volta a ser preponderante na condução da canção e como em Around The World é permitido à guitarra e à bateria que fluam livremente, enquanto planam sobre o instrumento de três cordas, fica mais claro que, desafiando o que de melhor fizeram na carreira, os Kings Of Leon chegam a este sétimo disco sem usarem temas e sons reaproveitados, ou um simples verniz feito com arranjos em músicas já divulgadas, mas antes com a atitude corajosa de querem evitar ao máximo castrar a extraordinária capacidade criativa que o grupo demonstrou, nomeadamente no início da carreira, em Youth & Young Manhood e Aha Shake Heartbreak.

Até ao ocaso de Walls, no cerrar de punhos de Find Me, um monumental tratado de rock feito à medida de grandes e efusivas plateias, na encantadora tonalidade de Conversation Piece, ou na complacência do tema homónimo, desfila um alinhamento que se escuta com interessante fluidez e que prova, como referi, que se os The Strokes e os Yeah Yeah Yeahs, entre tropeços e acertos, piscaram o olho aos anos oitenta, se os Franz Ferdinand abraçaram o krautrock e os sintetizadores, se os Arctic Monkeys foram em busca da soul e do R&B, se os Bloc Party resolveu namorar com a eletrónica e até os Coldplay buscaram novos ares em Ghost Stories e A Head Full Of Dreams, estes Kings Of Leon não quiseram ficar atrás e têm aqui um disco que certamente os catapultará para uma posição de relevo no panorama musical alternativo, com um das bandas mais influentes do indie rock. Espero que aprecies a sugestão...

Kings Of Leon - Walls

01. Waste A Moment
02. Reverend
03. Around The World
04. Find Me
05. Over
06. Muchacho
07. Conversation Piece
08. Eyes On You
08. Wild
09. WALLS


autor stipe07 às 17:55
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Domingo, 11 de Setembro de 2016

Kings Of Leon - Waste A Moment

Kings Of Leon - Waste A Moment

Os irmãos Followill e restante trupe estão de regresso com Walls, um disco que vai ver a luz do dia a vinte e quatro de outubro e do qual já se conhece Waste A Moment, o primeiro avanço. Falo, obviamente, dos norte americanos Kings Of Leon, uma banda que se estreou extamente há quase década e meia com o excelente Youth & Young Manhood, para mim ainda o melhor disco desta banda natural de Nashville, no Tennessee.

Disco após disco os Kings Of Leon têm procurado nunca seguir um fio condutor homógeneo e bem definido, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo indie rock, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial. Tendo em conta as guitarras de Waste A Moment e a imponência orquestral do edifício melódico que envolve esta canção com um refrão avassalador, no próximo álbum será dada primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:32
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Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Alabama Shakes - Sound & Color

Escuta-se frequentemente que já não se faz música como antigamente ou que o rock não é mais o mesmo e todos os grupos parecem-se demasiado uns com os outros. Além disso, as gerações que criticam esta suposto atual estado de coisas, visão com a qual discordo, têm sempre uma enorme relutância e um certo preconceito no que concerne às tais novidades que muitas publicações por esse mundo fora procuram transmitir ao grande público, e nas quais naturalmente Man On The Moon humildemente se insere. Seja como for, os norte americanos Alabama Shakes felizmente cá estão, e pela segunda vez, para contrariar as vozes mais pessismistas com Sound & Color, o novo álbum deste grupo de Alabama liderado pela já carismática Brittany Howard e onde rock, funk, soul e blues coexistem em harmonia, influenciando-se mútua e constantemente, sem apelos, perdões ou qualquer agravo.

Dos The Temptations e de Sly and The Family Stone e Otis Redding, ao melhor da motown, passando pela guitarra de Hendrix, está cá tudo o que de melhor a música negra norte americana produziu no último meio século e numa dose qualitativa e abrangente indubitavelmente superior ao cardápio de Boys & Girls, o primeiro disco. Do blues com pitadas de soul de Dunes, à tristeza soul de Guess Who, ou o hardcore de The Greatest, este álbum oferece-nos um verdadeiro passeio por incontáveis décadas, influências e tendências musicais, que apontam para diversas direções e acertam em todas.

Gravado em Nashville, Sound & Color foi produzido pelo reputado jovem Blake Mills, que fez um excelente trabalho, com especial destaque para o modo como ampliou e deu maior vida e autenticidade à guitarra de Heath Fogg, outro dos grandes trunfos destes Alabama Shakes. Canções como a espantosa e épica Gimme All Your Love, o melhor momento do disco, ou o fuzz de Future People, são extraordinários exemplos deste posicionamento mais deslumbrante, seguro e assertivo das cordas, enquanto passeiam pelos diferentes subgéneros sonoros acima referidos. Esta luz constante, esta soul que viaja entre pólos sentimentais opostos num ápice através de um simples dedilhar ou de um toque no pedal e no botão certos, este, em suma e sobretudo, sensual posicionamento do instrumento de Fogg ao longo do alinhamento, que na introspetiva e acústica This Feeling nos arrepia e sacode bem cá no íntimo, nunca perde sentido e fluídez, deixa espaço para que o piano ou a bateria também se mostrem e convence decisivamente pelo modo como a voz de Brittany encaixa com incrível naturalidade nas melodias, numa quimíca que entre silêncio, raiva, dor e calma, cria um som que entre o mestiço e o mitológico, é de difícil catalogação.

O rock está vivo e por este dias passeia confiante e altivo à boleia dos Alabama Shakes, num feliz encontro de décadas e referências musicais, que tendo uma natural toada nostálgica, mas acolhedora, acaba por ser o que de melhor e mais genuíno e novo este género musical tem para oferecer atualmente. Os sons empoeirados vindos de um passado longínquo que se ouvem em The Greatest, ou a ode à melhor herança dos Rolling Stones que sustenta Shoegaze, por exemplo, talvez não sejam mais do que algumas das melhores pistas para o futuro próximo da música contemporânea, oferecidas por um disco sobre o amor e a espiritualidade e que, fisicamente, encarna algumas das melhores sensações que estas duas permissas nos oferecem. Espero que aprecies a sugestão...

Alabama Shakes - Sound And Color

01. Sound And Color
02. Don’t Wanna Fight
03. Dunes
04. Future People
05. Gimme All Your Love
06. This Feeling
07. Guess Who
08. The Greatest
09. Shoegaze
10. Miss You
11. Gemini
12. Over My Head


autor stipe07 às 22:42
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2015

Josh Rouse - The Embers Of Time

Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2015 com The Embers Of Time, disco lançado no passado dia sete de abril por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em 1972, em Nashville e no anterior The Happiness Waltz e foi gravado entre Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo e Nashville, cidade norte americana natal do músico.

The Embers Of Time começa solarengo e festivo com Some Day’s I’m Golden All Night e com o esplendor das cordas e os arranjos típicos da folk sulista norte americana a darem as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Na verdade, The Embers Of Time é mais um trabalho repleto de letras pessoais e a harmónica de Too Many Things On My Mind, uma das melhores canções do disco, oferece-nos um Josh que não se envergonha de escrever sobre o modo como aprecia alguns dos melhores prazeres da vida, que tanto podem ser um bom filme, ou uma garrafa de um excelente vinho que o músico terá certamente aprendido a apreciar devidamente desde que assentou arraiais na vizinha Espanha e como os nossos dilemas existenciais também podem relacionar-se com algumas das melhores coisas da vida. No blues de JR Worried Blues, essa mesma harmónica volta a fazer das suas e a servir para dar cor a um ambiente igualmente descontraído e regado com um teor etílico ainda mais elevado e oriundo da Nashville que certamente o terá inspirado neste instante do alinhamento.

Josh Rouse tem este lado muito humano que eu aprecio imenso e que já fez dele, em tempos, um dos meus maiores confidentes, quando Nashville, um dos momentos altos da sua carreira, liderou a banda sonora de um período menos feliz, mas muito importante da minha existência. Ele faz questão de se mostrar próximo de nós e de partilhar connosco as coisas boas e menos boas que a vida lhe vai proporcionando e, com essa abertura, faz-nos, quase sem darmos por isso, retribuir do mesmo modo. Começa-se a ouvir as vozes e o som ambiente que introduz You Walked Through The Door e torna-se obrigatório vislumbrar Rouse a entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Alías, é curioso constar-se que The Embers Of Time foi uma das formas de terapia que Josh Rouse encontrou para combater uma crise de confiança e um estado algo depressivo que se apoderou do músico nos últimos tempos vividos em Valência (It's my surreal expat therapy record), quando as dez canções do alinhamento podem ter em nós essa mesma função terapêutica e retemperadora. Escuta-se a melodia escorreita e preguiçosa de Time e torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.

Esta superior capacidade que a música de Rouse tem de suscitar sensações concretas no nosso íntimo, tem um travo muito particular naquela harmónica quando chamou para junto de si o piano ao terceiro tema, numa canção chamada You Walked Through The Door, que sabe a um Paul Simon em grande forma, presente não só no sabor country da harmónica ma também no modo subtil como Josh conjuga a enorme sensibilidade melódica que lhe é intrínseca com a envolvència dos arranjos que seleciona, tocando-nos bem fundo. Essa mesma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor repete-se adiante, nos arranjos feitos com violinos e no dueto com Jessie Baylin em Pheasant Feather. Aliás, Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que tornam a sua música tão tocante e inspiradora.

Até ao ocaso de The Embers Of Time nunca se perde o elo de ligação entre músico e ouvinte já que é impossível ficarmos indiferentes aos lamentos sentidos e tremendamente confessionais que acompanham a viola em Ex-pat Blues e depois, já devidamente exorcizados, não deixarmos de olhar em frente, recompostos e prontos para olhar a vida de um modo mais otimista e positivo ao som de Crystal Falls, enquanto termina um alinhamento de dez canções que será, certamente, justamente considerado como um marco fundamental na carreira de um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico e de nos mostrar como é fina a fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção. Espero que aprecies a sugestão...

The Embers of Time was recorded between Spain and Nashville with Brad Jones who I've recorded with a lot. Part of it’s a band and part of it’s just me with some arrangements. A lot of the performances on there are live. We ran through each song maybe once or twice and [the band] just nailed it! They’re so good! As a result, it has something you just can’t get recording things one at a time. We were in the same room. Something happens. A sort of glue to everything.

Josh Rouse - The Embers Of Time

01. Some Days I’m Golden All Night
02. Too Many Things On My Mind
03. New Young
04. You Walked Through The Door
05. Time
06. Pheasant Feather (Feat. Jessie Baylin)
07. Coat For A Pillow
08. JR Worried Blues
09. Ex-Pat Blues
10. Crystal Falls

 


autor stipe07 às 23:35
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