Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Benjamim - Volkswagen & Doc. Auto Rádio

Depois do Walter Benjamin, o Luis Nunes resolveu ser só Benjamim, escrever em português, montar arraiais na pacatez de Alvito, deixando Londres para trás e nessa linda vila alentejana montou um estúdio de gravação, por onde têm passado alguns músicos e projetos nacionais que têm merecido amplo destaque por cá, neste espaço de crítica e divulgação sonora.

(pic Gonçalo Pôla)

Benjamim também abriu as hostilidades em relação à sua nova carreira a solo e Auto Rádio, um dos melhores discos nacionais de 2015, foi o primeiro passo de um percurso cheio de anseios e expectativas e que até resultou numa espécie de Volta a Portugal, materializada numa sequência de concertos de norte a sul do nosso país, durante trinta e três dias seguidos e que, nas palavras do próprio Benjamim, foi a digressão mais extensa e intensa que já aconteceu em Portugal, tendo passado por festas populares, associações culturais, festivais, bares, esplanadas, no meio da rua, num castelo, coretos e tabernas onde o músico tocou para todos os tipos de público que se pode encontrar. Gonçalo Pôla, amigo do músico, encarregou-se do registo foto-videográfico desta empreitada e elaborou um diário de estrada, um documento visual e sonoro precioso, não só para a percepção mais nítida do conteúdo musical e conceptual de Auto Rádio, mas também como documento de estudo de uma outra realidade muitas vezes ignorada do universo dos concertos no nosso país e de como é possível conceber espectáculos de música nos locais mais inusitados.

Agora, na primavera de 2016, este documento visual terá direito a edição na forma de documentário, acompanhado pelo lançamento, em formato single, de Volkswagen, um dos destaques maiores do conteúdo sonoro de Auto Rádio e uma canção que, num abrir e fechar de olhos e do nostálgico ao glorioso, oferece-nos uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por um dos mestres nacionais de um estilo sonoro com nuances e características muito particulares. A antestreia deste documentário acontece a 20 de Maio no Cinema Ideal, em Lisboa. Confere...


autor stipe07 às 16:24
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

Soulsavers – Kubrick

Do inspirador video do clássico The Universal dos Blur ao excerto de que Frank Ocean se apropriou, devidamente autorizado, de Eyes Wide Shut para o video do seu tema LoveCrimes, o universo da pop e do rock está recheado de créditos onde se pode conferir o nome de Stanley Kubrick, um dos produtores visuais mais inspirados e inspiradores e influentes do nosso tempo, apesar de já ter falecido e desta contemporaneidade cultural que nos assola constantemente com novidades e propostas de relevo, mas onde poucos autores se conseguem destacar e atingir uma mestria que os torne únicos e inconfundíveis, detentores de marcas identitárias próprias verdadeiramente inéditas e incomparáveis.

A obra de Stanley Kubrick é um edifício deslumbrante, que merece ser apreciado com particular devoção e não só por causa de Spartacus (1960), The Shining (1980), Full Metal Jacket (1987), ou 2001 : A Space Odissey (1968), além do filme referido acima, mas também devido ao modo como a música sempre foi uma componente essencial dos seus filmes. Depois de no início de outubro último a dupla Soulsavers de Rich Machin e Ian Glover ter editado um disco a meias com Dave Gahan, dos Depeche Mode, intitulado Angels & Ghosts, poucas semanas depois foi a vez de ver a luz do dia Kubrick, pouco mais de trinta minutos que homenageiam o malogrado cineasta norte americano, à boleia de oito instrumentais que replicam, de certo modo, a típica atmosfera visual e sonora do universo cinematográfico de Kubrick e cujos títulos são inspirados em personagens das obras mais significativas do cardápio do realizador.

Se a mercurial e exuberante DeLarge advém do segundo nome de Alex, o sociopata que protagoniza A Clockwork Orange (1971), já a contemplativa e iluminada canção Dax relaciona-se com o nome do coronel à volta do qual gira o argumento de Paths Of Glory (1957), protagonizado por Kirk Douglas. Estes são apenas dois exemplos do ideário sonoro detalhado e feliz que se pode escutar nesta obra sonora obrigatória não só para os verdadeiros apreciadores da cinematografia de Stanley Kubrick, mas também para todos aqueles que gostam de se deixar envolver por peças sonoras que os embalem num casulo de seda, criadas por uma dupla que possui uma soul claramente envolvente e uma espiritualidade invulgar e introspetiva, dois aspetos que transbordam deste conjunto de melodias doces com um leve toque clássico e que, tal como um filme de Kubrick, se escutam e se vêem com invulgar fluidez. Espero que aprecies a sugestão...

Soulsavers - Kubrick

01. DeLarge
02. Clay
03. Torrance
04. Dax
05. Joker
06. Hal
07. Mandrake
08. Ziegler


autor stipe07 às 18:38
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2015

Elbow – What Time Do You Call This?

Elbow - What Time Do You Call This

Depois de The Take Off And Landing Of Everything , o sexto álbum da carreira dos britânicos Elbow de Guy Garvey, um trabalho que viu a luz do dia há pouco mais de um ano através da Fiction, What Time Do You Call This é o novo sinal de vida do grupo, um tema que faz parte da banda sonora do filme Man Up, que conta nos principais papéis com Simon Pegg e Lake Bell.

A banda sonora de Man Up foi editada há poucos dias pelo mesmo selo dos Elbow, a etiqueta Fiction e, de acordo com o diretor Ben Palmer, What Time Do You Call This encaixa perfeitamente no enredo do filme. A canção bonita e delicada, tem uma sonoridade tipicamente Elbow, ou seja, tem algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços da canção a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pelas voz. Confere...


autor stipe07 às 21:44
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Star Wars: The Force Awakens Trailer #1

Terminou a espera... Finalmente foram divulgadas as primeiras imagens de Star Wars Episode VII - The Force Awakens, filme realizado por J.J. Abrams e que tem como data prevista de estreia, dezembro de 2015.

Em cerca de minuto e meio podemos deliciar-nos com os novos X-wings, as novas fardas e equipamento dos stormtroopers e uma sequência em que o Millennium Falcon combate TIE fighters enquanto sobrevoam um deserto.

A sequência começa com a personagem interpretada por John Boyega, possivelmente um dos novos heróis do filme, vestido de stormtrooper e depois surge um pequeno droide numa espécie de parque de material aoeronaútico desativado. 

De seguida, os novos stormtroopers, completamente equipados, são largados em local desconhecido por uma nave de transporte e a personagem interpretada por Daisy Ridley surge em cima de um veículo inédito, deslocando-se em pleno deserto.

Finalmente, um piloto interpretado por Oscar Isaac surge no cockpit de um X-wing Starfighter e depois uma esquadrilha completa sobrevoa, a baixa altitude, um lago. De seguida, o dramatismo aumenta com a sequência de combate entre o Milleniun Falcon e os TIE Fighters e o trailer termina com uma figura sombria, no meio de uma floresta gelada, possivelmente Luke Skywalker, que murmura The dark side... and the light, empunhando um sabre de luz idêntico a uma espada medieval.

É possível fazer várias conjeturas acerca do enredo a partir deste trailer e a mais sombria é imaginar Luke no lado negro da força. Será? Que achas do trailer e que hipóteses colocas para a história?

Ficha Técnica:
Realizador: J.J. Abrams
Produtores: Kathleen Kennedy, J.J. Abrams e Bryan Burk
Argumento: Lawrence Kasdan, J.J. Abrams
Atores: John Boyega, Daisy Ridley, Adam Driver, Oscar Isaac, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Gwendoline Christie, Domhnall Gleeson, Max von Sydow, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker

 


autor stipe07 às 18:10
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2014

The Medicine - 1975

The 1975 - Medicine

O produtor Zane Lowe está a reescrever Drive, já um clássico do cinema de Hollywood, apesar de ter sido realizado recentemente, em 2011, pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn.

Os britânicos The 1975 acabam de revelar a sua contribuição para a banda sonora do filme, com o tema Medicine. Confere a canção e uma citação do líder da banda acerca do projeto.

After we stole him we made our way from Los Angeles through the Californian desert to Las Vegas. Drowning my sorrows and (narrowly) avoiding conflict from many directions..... I sat down with Jim (Zane Lowe's Producer) and he began to explain to me how he was in the process of re-scoring a movie and did we want to be involved. The film in question was the modern classic ‘Drive’. So of course my answer was ‘yes’. We wrote Medicine for our chosen scenes. Medicine, it’s title and sentiment, goes all the way back to the original The 1975 project that was based in my bedroom. It’s a new piece of music informed by the genesis of our band and our love for ‘Drive’ as a film. Having the opportunity to re-score a movie of which we were already so familiar provided us with a sense of knowing and allowed us to be slightly more introspective than we maybe would have been approaching something unknown. The movie itself plays with the duality of resignment and hope - and this is most obvious and stirring in the scenes we chose to score. The song is a testament to that same idea and has in turn become one of our most personal and best loved pieces of music to date. I won’t delve into what the song is about lyrically because frankly I want to put those ideas to bed; but being provided with the context in which Medicine came to be, it allowed the song to become a mausoleum for those ideas, captured, diverted and frozen forever. Which is pretty cool x

Matthew Healy


autor stipe07 às 18:42
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Gruff Rhys – American Interior

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em 18 de julho de 1970, é um músico do País de Gales conhecido tanto pela sua carreira a solo como pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicodelia da banda.

A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destaca também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em 2011, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois o galês está de regresso com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys é também o ator principal e embarca numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século XVIII.

gruff rhys

John Evans partiu em 1792 em busca de uma tribo de índios americanos que julgava ser composta por seguidores de Madoc, o príncipe galês que a lenda diz ter embarcado para a América trezentos anos antes da viagem de Cristóvão Colombo. Gruff Rhys, acompanhado por Dylan Goch, que com ele assume a realização de American Interior (depois de já terem realizado juntos Separado!, em 2010), e pelo avatar do explorador com um metro de altura, partem para o interior da América e percorrem o caminho de Evans, tentando juntar as peças da vida misteriosa desta figura a quem se deve um dos primeiros mapas do Rio Missouri. Pelo caminho vão dando palestras e concertos, pesquisando os arquivos, a geografia e as gentes locais e compondo o álbum que resulta desta mesma viagem.

Este disco, lançado no passado dia cinco de maio na etiqueta Turnstile, é um projeto multimédia que prevê também a publicação de um livro e um filme, ambos com o mesmo nome do disco, para que, através da fusão de diferentes plataformas seja possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história real de John Evans.

As treze canções de American Interior são o resultado esperado quando um relato histórico de viagens de exploração de território se une a um universo de sons psicadélicos. Há diversos instrumentais e logo em American Exterior, com os sintetizadores, é dado o mote que depois com o piano, a voz sintetizada e a percussão de American Interior. A típica soul e a folk norte americana invade os nossos ouvidos em 100 Unread Message, uma música que, por si só, é já uma verdadeira viagem pela América, com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A partir daí mergulhamos fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, com American Interior a aproximar-se frequentemente de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, num disco que se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soulnuma simbiose entre a pop e o indie rock com estes dois géneros, num processo que possibilita que eles se encontrem, como em The Wheter (Or Not) e The Last Conquistador, canções onde a folk, na primeira e a soul na segunda, são referências exploradas de igual forma, o que prova que há uma tentativa descarada, mas feliz, de aproximação com o cancioneiro norte americano

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em várias camadas sonoras, com uma naturalidade que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz do Rhys encaixa na melodia das canções. Percebe-se com naturalidade que o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

America Interior é, sem dúvida, um trabalho coeso, dinâmico e concetual e um marco na trajetória deste músico. O melhor exemplo dessa aproximação com um resultado temático está na condução pop do single homónimo, mas tão grande quanto o território que carrega no título, America Interior transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys. Espero que aprecies a sugestão...

Gruff Rhys - American Interior

01. American Exterior
02. American Interior
03. 100 Unread Messages
04. The Whether (Or Not)
05. The Last Conquistador
06. Lost Tribes
07. Liberty (Is Where We’ll Be)
08. Allweddellau Allweddol
09. The Swamp
10. lolo
11. Walk Into the Wilderness
12. Year Of The Dog
13. Tiger’s Tale

 


autor stipe07 às 19:01
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Sábado, 14 de Dezembro de 2013

Edge Of Tomorrow - Trailer 1

Poster do filme Edge of Tomorrow

A Warner Bros. disponibilizou o primeiro trailer do novo filme de Doug Liman, uma das obras cinematográficas que aguardo com maior expetativa no próximo ano. Edge of Tomorrow coloca Tom Cruise de regresso ao género de ficção-cientifica, onde interpreta um militar assassinado em acção, numa batalha contra forças alienígenas. Contudo, poderá reviver e aprender com os erros, tornando-se numa máquina de guerra, orientada pela personagem de Emily Blunt.

Há quem diga que Edge of Tomorrow é uma versão futurista, e de ficção-científica, de Groundhog Day, um filme de culto com Bill Murray. O trailer não é assim tão comprometedor, mas uma das ferramentas em destaque é o CGI, aplicado nas cenas de acção. O elenco conta ainda com Bill Paxton, Laura Pulver e Jeremy Piven.  Edge of Tomorrow estreia a seis de Junho de 2014.

O músico dos Snow Patrol, Johnny McDaid, escreveu a música que se escuta neste trailer; A canção chama-se This Is Not The End e foi editada pela Polar Patrol Recordings, com o nome do projeto de que faz parte este músico a chamar-se Fieldwork.


autor stipe07 às 21:30
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Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013

Pontiak - Innocence

Os Pontiak são os The Carney Brothers Lain, Van & Jennings Carney, três irmãos oriundos da Virginia rural e que têm no rock cru e experimental a pedra de toque das suas criações sonoras. Em Janeiro vão regressar aos discos e já é conhecido Innocence, o tema homónimo desse trabalho, disponibilizado gratuitamente pela Thrill Jockey Records, a etiqueta da banda.

Innocence são pouco mais de dois minutos do rock clássico feito com guitarras carregadas de fuzz e distorção e uma percurssão vibrante e musculada, algures entre os MC5 e os Black Sabbath. É aquela canção inspirada no rock puro sangue, aditivo e psicadélico, com reminiscências na década de setenta e que, neste caso concreto, dispensa o uso de artifícios eletrónicos. Os Pontiak gravaram este novo disco nos seus estúdios na Virgina, os Studio A e dispensaram a presença de computadores.

As primeiras quinhentas reservas antecipadas do disco em vinil permitem receberes em casa, gratuitamente, Heat Leisure, um CD bónus com cerca de quarenta e quatro minutos, gravado no verão de 2012. Esse trabalho resultou de uma colaboração dos Pontiak com Greg Fox (Guardian Alien, Zs) e Steve Strohmeier (Arbouretum, Beach House), que decorreu na quinta que a banda possui na Virginia. A música desse trabalho foi condensada e gravado um vídeo, que deu origem a uma curta metragem com quase dezoito minutos e que fez parte da seleção oficial da edição recente do Chicago International Music and Movies Festival. Confere...

Pontiak Heat Leisure Film from Thrill Jockey Records on Vimeo.


autor stipe07 às 12:24
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Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

Pernas de Alicate - Mosca vs Barba


Carlos BB e Sara Feio são os Pernas de Alicate, um novo projeto musical alternativo português, já com dois singles em carteira, Mosca e Barba. Nascidos nos Black Sheep Studios, em Sintra, um estúdio que já revelou nomes tão importantes como os Paus, Linda Martini, You Can’t Win Charlie Brown, Anarchicks, Brass Wires Orchestra e propriedade do Carlos, também membro dos Riding Pânico e dos Men Eater, os Pernas de Alicate pretendem ser um caso sério no nosso panorama musical.

Pernas de Alicate é mais do que música; Envolve som e imagem, onde Carlos BB marca o ritmo na bateria e Sara Feio ilustra, o qe significa que para cada single que o grupo cria, existe um video associado. A canção nasce a partir de beats criados pelo Carlos e depois há convidados especiais que vão trabalhar em cima desse beat e criar a composição musical. 

Os Pernas de Alicate já criaram dois temas seguindo esta metodologia; O primeiro chama-se Mosca e contou com as participações especiais de Miguel Nicolau dos Memória de Peixe e Alex Klimovitsky dos Youthless. A outra canção chama-se Barba e nela participam Guilherme Gonçalves (Coclea, Gala Drop) e Fábio Jevelim (Riding Pânico, PAUS) nas guitarras, Francisco Ferreira (Capitão Fausto) nas teclas, Pity (Black Mamba, Neruda) no baixo e ainda You Can't win Charlie Brown na voz. Digamos então que este é um projecto em que, de acordo com o press release dos dois temas, a música começa ao contrário: por baixo, pelas pernas, pela bateria.

É deliciosa a descrição que me chegou sobre o tema Barba no press release, pelo que nem me atrevo a formular uma. A mesma diz que Barba é um groove de elevador, no melhor dos sentidos, leva-nos para cima. Um coro de elegantes e sensíveis homens barbados plana sobre um oceano pacífico de guitarras e sintetizadores. O baixo e a bateria garantem a ausência de ironia a todas as camisas havainas que vimos passear por Lisboa este verão. E a "Barba" faz-se ouvir como todas as barbas deviam ser - tingidas de sal e gotejada de daiquiris vários. Tropical matemática faz-nos sentir tão bem.

No que diz respeito à componente visual e ainda de acordo com o mesmo documento, Sara Feio é uma artista apaixonada pela ilustração e também pelas pernas de alicate de Carlos BB. Trabalha sem constrangimentos, abordando várias linguagens entre o desenho e a fotografia. Com família no Teatro e Pintura, não é surpreendente que Sara esteja habituada a rodear-se de artistas e músicos. E com o seu olhar e traço, ajuda a dar forma.

No filme elaborado para Barba, Sara Feio, a Perna mais visual da banda, contou com a ajuda de Dickon Knowles, responsável dos live visuals para bandas como The Weeknd ou Queen Of The Stone Age. Estamos na presença de um vídeo pós-apocalíptico sobre uma menina que procura a barba que uma vez a fez sentir em casa. Verdade seja dita a história não faz sentir bem nem tem um final feliz, porque nenhum final é feliz. A felicidade encontra-se no caminho.

Vai haver uma edição física de algo relacionado com os Pernas de Alicate no final do ano e eu cá estarei para divulgar aquilo que, pelos vistos, não será propriamente um disco. Em breve para tentar saber mais detalhes deste projeto junto da Sara e do Carlos. Até lá, delicia-te com estes dois avanços, de uma banda que surgiu sem que Carlos e Sara o tenham planeado e que se tornou um exemplo de arte. A arte de confiar. Porque é assim que se tem pernas para andar.

Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:06
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Sábado, 7 de Setembro de 2013

Coldplay - Atlas

Uma das grandes surpresas das últimas horas no universo musical indie pop é Atlas, uma nova canção dos Coldplay. Este tema foi gravado para fazer parte da banda sonora de Catching Fire, o segundo filme da trilogia cinematográfica Hunger Games e que conta com Jennifer Lawrence no elenco. Esta belíssima canção é a primeira a ser revelada pela banda de Chris Martin desde Mylo Xyloto (2011) e a estreia do grupo em composição de temas propositadamente para a banda sonora de filmes.

A ação da triologia Hunger Games baseia-se num best seller escrito por Suzanne Collins e decorre num futuro pós apocalítico, algures no continente americano e o enredo junta totalitarismo com mitologia, guerra e história, num país chamado Panem e onde, anualmente, vinte e quatro adolescente participam num reality show onde o vencedor é o único sobrevivente. No primeiro filme da triologia os Arcade fire foram um dos destaques da banda sonora.

Quanto à canção, Atlas tem a típica sonoridade pop dos Coldplay, com especial ênfase no piano e na voz de Chris Martim. Confere...


autor stipe07 às 11:28
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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Public Service Broadcasting – Inform – Educate – Entertain

publicservicebroadcasting2

Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs, no cardápio dos quais se destacam War Room (2012)  e que acaba de lançar Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates no passado dia seis de maio, por intermédio da Test Car Recordings. Inform-Educate-Entertain é já um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares de 2013, devido ao conceito único que alberga, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia, explicam, é ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

O grande segredo de Inform – Educate – Entertain não é propriamente a sonoridade, ou seja, se fosse apenas um álbum instrumental, teria momentos extraordinários, mas nada que, por exemplo, os seus conterrâneos OMD no Genetic Engineering e no Dazzle Ships ou, na atualidade, com uma melhor qualidade de produção do som, os Spiritualized, os The Avalanches, ou até os British Sea Power, com uma pitada de Kraftwerk, já não tivessem proposto. No ítem melódico o que impressiona é ser apenas uma dupla a estar aos comandos de toda a miríade instrumental que é debitada ao longo do disco.

O grande segredo, ou melhor, o ovo de colombo, digamos assim, de Inform – Educate – Entertain é a voz que, nos onze temas, se materializa em samples e trechos das vozes que narraram antigos filmes britânicos de propaganda, nas décadas de trinta e quarenta. Assim, Inform – Educate – Entertain, será, de certeza, o único disco em 2013 a solicitar créditos à BBC por se servir de Marie Slocombe, uma secretaria desse canal de televisão que acidentalmente descobriu nos arquivos da estação alguns dos filmes usados no álbum e, principalmente, por usarem a voz de Thomas Woodrooffe, antigo tenente e comandante da Royal Navy, autor da obra Vantage at Sea: England's Emergence as An Oceanic Power e comentador nos Jogos Olímpicos de Berlim, que decorreram em 1936.

A peculiar e distinta receita de Inform – Educate – Entertain acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras; As onze canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock. Há também lugar para a eletrónica retro de The Now Generation, vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Night Mail e um certo folk rock fornecido por um banjo que se destaca, por exemplo, em Theme From PSB e em ROYGBIV, com a particularidade de, nesta última, esse instrumento de cordas misturar-se com teclados atmosféricos e elementos típicos do disco sound. No entanto, a hipnótica, acelerada e pulsante Spitfire, Everest e a luminosa Signal 30 feita de um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com Everest, por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de Inform – Educate – Entertain acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais difíceis da história de uma Inglaterra orgulhosa do seu passado, mas que ruma decidida para o futuro e que nunca foi tão posta à prova, interna e externamente, como em determinados períodos do século passado, revistos nestes filmes. Já agora, os próprios filmes já feitos dos singles retirados de Inform – Educate – Entertain, Spitfire (a bird that spits fire, a spitfire bird) e Everest, seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.

Com Inform – Educate – Entertain os Public Service Broadcasting tornam-se nos novos gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...

01. Inform – Educate – Entertain
02. Spitfire
03. Theme from PSB
04. Signal 30
05. Night Mail
06. Qomolangma
07. ROYGBIV
08. The Now Generation
09. Lit Up
10. Everest
11. Late Night Final


autor stipe07 às 21:03
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Man On The Moon - EP1 (Everything Is New TV)

Além da versão rádio, na Paivense FM, o blogue Man On The Moon também já tem versão TV, na Everything Is New TV. O 1.º episódio acaba de ir para o ar e fala do álbum Help Me! dos suecos The Sweet Serenades. Confere...


autor stipe07 às 18:10
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

Django Unchained

Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto cujo passado brutal com seus antigos proprietários leva-o ao encontro do caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Schultz está em busca dos irmãos assassinos Brittle, e somente Django pode levá-lo a eles. O pouco ortodoxo Schultz compra Django com a promessa de libertá-lo quando tiver capturado os irmãos Brittle, vivos ou mortos.
Ao realizar seu plano, Schultz libera Django, embora os dois homens decidam continuar juntos. Desta vez, Schultz busca os criminosos mais perigosos do sul dos Estados Unidos com a ajuda de Django. Dotado de um notável talento de caçador, Django tem como objetivo principal encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida por outros proprietários, há muitos anos.
A busca de Django e Schultz leva-os a Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), o dono de "Candyland", uma plantação famosa pelo treinador Ace Woody, que treina os escravos locais para a luta. Ao explorarem o local com identidades falsas, Django e Schultz chamam a atenção de Stephen (Samuel L. Jackson), o escravo de confiança de Candie. Os movimentos dos dois começam a ser traçados, e logo uma perigosa organização fecha o cerco em torno de ambos. Para Django e Schultz conseguirem escapar com Broomhilda, eles terão que escolher entre independência e solidariedade, sacrifício e sobrevivência.


autor stipe07 às 13:09
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Wilco vs Popeye

Wilco & Popeye - "Dawned On Me" Video

Acaba de ser divulgado um novo vídeo dos Wilco, que resulta numa colaboração entre o universo da série de animação Popeye e esta banda norte americana.

Neste filme a preto e branco, aparecem todas as personagens típicas da série e a habitual história em que Olivia Palito é raptada por Brutus e salva por Popeye, neste caso graças a um potente espinafre da marca Wilco. Tudo isto acontece enquanto num ancoradouro os Wilco, em versão animada, tocam Dawned On Me, single de The Whole Love, disco que divulguei em outubro, enquanto Dudu come hamburguers e Gugu ajuda nos violinos. Muito divertido...


autor stipe07 às 19:03
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Estreia da semana - The Descendants.

Com quase cinquenta e um anos, George Clooney volta esta semana aos cinemas do nosso país com Os Descendentes, o novo filme de Alexander Payne.

O ator que atualmente protagoniza os anúncios da Nespresso começou a sua carreira em 1978, somando pequenos papéis em séries de televisão até que finalmente, em 1994, foi escolhido para interpretar o dr. Doug Ross em E.R. - Serviço de Urgência.  Logo depois conseguiu os primeiros papéis decentes no cinema, em Aberto até de madrugada, de Robert Rodriguez e O Pacificador, de Mimi Leder.

Foi também nesta altura que, com Romance Perigoso (1998), iniciou uma prolífica colaboração com o realizador Steven Soderbergh, com quem viria a fazer Ocean Eleven (e Twelve e Thirteen), Solaris e O Bom Alemão.

George Clooney tem trabalhado com outros realizadores como David O. Russell (Três Reis), os irmãos Coen (Irmão, onde estás?, Crueldade Intolerável, Destruir depois de ler), Terrence Malick (A Barreira Invisível) e Jason Reitman (Nas nuvens).

Entretanto, tornou-se também produtor, argumentista e realizador; Estreou-se com Confissões de uma mente perigosa, em 2002. Em 2006, foi a primeira pessoa na história dos Óscares a estar nomeado, simultaneamente, como realizador de um filme (Boa Noite e Boa Sorte) e ator de outro (Syriana, de Stephen Gaghan). Algo que poderá voltar a acontecer este ano: Clooney realizou um dos filmes mais elogiados de 2011, Os Idos de Março, e acabou de ganhar um Globo de Ouro pela sua interpretação neste Os Descendentes.

Os Descendentes é a estreia dos últimos tempos que aguardava com maior expectativa e além de contar com a interpretação de George Clooney, conta também no elenco com Amara Miller, Beau BridgesJudy Greer, Mary Birdsong, Matthew Lillard, Nick Krause, Robert Forster e Shailene Woodley. Fica a sinopse...

Matthew King é advogado e um dos homens mais ricos do Havai, mas a sua vida muda por completo quando a mulher fica em coma depois de um acidente. Esta situação acarreta novas e difíceis responsabilidades para King, entre as quais aprender a lidar com duas filhas nada fáceis e com quem ele mantinha uma relação fria e distante. Matthew tenta pegar nas rédeas da sua família e levar a vida para a frente. As suas duas filhas vão ajudá-lo a trilhar esse caminho, apesar de uma revelação chocante...


autor stipe07 às 13:52
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Jónsi – We Bought A Zoo

Depois de no passado dia seis de dezembro ter referido aqui que Jónsi estava ocupado a trabalhar na banda sonora de We Bought A Zoo, o próximo filme de Cameron Crowe e protagonizado por Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Patrick Fugit e Elle Fannin, entre outros, a mesma já foi editada no dia doze de dezembro de 2011, através da Columbia Records e eu já a ouvi. As gravações desta banda sonora decorreram na Islândia no último verão e os detalhes finais foram delineados em Los Angeles. Já agora, o filme estreou nos Estados Unidos no passado dia vinte e três de dezembro.

 

Em 2002 milhões de pessoas correram para os cinemas para ver a obra prima de Cameron Crowe, Vanilla Sky. E a grande maioria saiu das salas marcada pelo que viu, confusa e carregada de belíssimas imagens visuais na mente. No entanto, a mim o que mais marcou nesse filme foi a banda sonora. Mais do que a canção homónima assinada por Paul McCartney e a hipnótica Everything In Its Right Place dos Radiohead, fiquei deliciado com canções Svefn-g-englar, Ágætis Byrjun e Njosnavelin, interpretadas por uma banda islandesa na altura ainda estranha por mim e sobre a qual apenas tinha ouvido falar remotamente através do grande amigo João Génio, esse sim já na altura fã dessa banda chamada Sigur Rós. Recordo-me nesses dias ter sentido que estas canções deram um ambiente ainda mais etéreo e espiritual ao filme, fazendo sobressair intensamente algumas emoções que as personagens iam tentando interpretar. Agora, dez anos depois, não é para mim uma surpresa que Cameron Crowe tenha voltado a envolver este tipo de sonoridade no seu novo projeto cinematográfico, agora através de Jónsi, o vocalista dos Sigur Rós, nomeando-o responsável pela banda sonora de We Bought a Zoo.

De 2001 para cá muito mudou na sonoridade Jónsi e além das particularidades dos dois enredos cinematográficos não existe comparação possível entre a banda sonora dos dois filmes aqui citados. Aquela instrumentação quase extraterrestre dos Sigur Rós aterrou, sendo prova concreta disso o disco a solo Go, que inseriu três canções nesta nova banda sonora e Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust, o último disco de originais dos Sigur Rós. Estes dois discos são mais luminosos, espiritualmente alegres e menos nostálgicos que os trabalhos anteriores dos Sigur Rós e temas como  Why Not?, Sun e Humming comprovam-no na perfeição. Os fãs que, como eu, não se importam muito de ouvir Jónsi a cantar em inglês poderão estranhar um pouco a colocação da voz nas novas canções que não estavam incluídas quer em Go quer nos discos dos Sigur Rós. No entanto, depois do hábito, a sensação é ótima e uma audição dessas canções com headphones (algo bastante recomendável na discografia deste músico e da sua banda) realça ainda mais as suas novas aptidões vocais.

Duas das novas canções que merecem o meu destaque são a borbulhante Gathering Stories escrita a meias com Crowe e Ævin Endar, uma daquelas baladas orquestrais e clássicas típicas de Jónsi. Já agora, alguns dos arranjos das canções estiveram a cargo do conceituado Nico Muhly.

Também gostei muito de Snærisendar e da canção homónima We Bought A Zoo, realçadas pelo falsete de Jónsi e pelos arranjos densos das cordas. No entanto, o meu grande destaque da banda sonora só pode ir para Hoppipolla, para mim a obra prima de Takk e dos próprios Sigur Rós.

Existe uma espécie de estereótipo no que diz respeito às carreiras de algumas bandas, principalmente quando são lideradas por músicos carismáticos e que depois se aventuram em carreiras a solo. Por muito esforço que haja existem sempre fortes elos de ligação entre os dois tipos de projeto e muitas vezes a sonoridade confunde-se. Obviamente que os Sigur Rós e Jónsi não fogem à regra e são óbvios alguns pontos em comum entre o último disco da banda islandesa editado em 2008 e Go. Esta banda sonora, no que concerne às novas canções de Jónsi é um passo em frente seguro relativamente a Go e sem perca de identidade; Mas espero que o novo disco dos Sigur Rós, com data prevista de lançamento para a próxima primavera, se distancie um pouco de tudo isto e que aquela sonoridade mais aberta e luminosa de  Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust que tinha aterrado, não perca esses ingredientes felizes, mas volte a levantar voo e a juntar-se a outras sonoridades mais etéreas e espirituais, até porque o som de Jónsi Birgisson e dos Sigur Rós convida ao sonho e incita o nosso lado mais imaginativo. Espero que aprecies a sugestão…

01. Why Not
02. Aevin Endar
03. ABoy Lilikoi
04. Sun
05. Brambles
06. Sinking Friendships
07. We Bought A Zoo
08. Hoppipolla
09. Sniresndar
10. Sink Ships
11. Go Do
12. Whole Made Of Pieces
13. Humming
14. 14 First Day
15. Gathering Stories


autor stipe07 às 13:55
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Curtas... XIX

Após o lançamento de Inni e enquanto não chega o novo disco de originais dos Sigur Rós, previsto para a primavera do próximo ano, Jónsi tem estado ocupado a trabalhar na banda sonora de We Bought A Zoo, o próximo filme de Cameron Crowe e protagonizado por Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Patrick Fugit e Elle Fannin, entre outros. Para já,  contribuiu com duas músicas para a banda sonora, Gathering Stories e Ævin Endar.

A banda sonora de We Bought A Zoo será lançada na próxima segunda feira, dia treze, através da Columbia Records e o filme estreará nos Estados Unidos dez dias depois, dia vinte e três de dezembro.

 

01. Why Not
02. AEvin Endar – Jónsi
03. Boy Lilikoi – Jónsi
04. Sun
05. Brambles
06. Sinking Friendships – Jónsi
07. We Bought A Zoo
08. Hoppipolla – Sigur Rós
09. Snaerisendar
10. Sink
11. Go Do – Jónsi
12. Whole Made of Pieces
13. Humming
14. First Day
15. Gathering Stories – Jónsi 

 

Já é conhecido o alinhamento do novo disco dos franceses Air, a dupla formada por Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel. O álbum tem lançamento previsto para o próximo dia sete de fevereiro através da Pitchfork e chamar-se-á Le Voyage Dans La Lune. Este novo disco dos Air tem o mesmo nome de uma curta metragem francesa muda de 1902, dirigida por George Méliès e com dezasseis minutos de duração, para a qual a banda procurou compor neste disco uma banda sonora.

Le Voyage Dans La Lune é considerado o primeiro filme de ficção científica da história do cinema e a versão colorida da película foi dada como perdida até 1999, quando uma cópia foi encontrada. A reedição restaurada, já com esta banda sonora adicional dos Air, foi exibida no Festival de Cannes em maio deste ano. Le voyage dans la lune' é indubitavelmente mais orgânico que a maioria de nossos projetos. Queríamos que soasse como se tivesse sido feito à mão, um pouco como os efeitos especiais de Méliès. Tudo foi tocado ao vivo, disse Nicolas Godin, em comunicado à imprensa.

O disco conta com as colaborações de Victoria Legrand, dos Beach House (são dela a voz e as letras de Seven Stars), e do trio Au Revoir Simone, que canta emWho Am I Now?.

1 - Astronomic club

2 - Seven stars
3 - Retour sur terre
4 - Parade
5 - Moon fever

6 - Sonic armada
7 - Who am I know?
8 - Décollage
9 - Cosmic trip
10 - Homme lune
11 - Lava

 

Continuando nas novidades que envolvem música e cinema, Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead, irá fazer parte do elenco do filme The Master, que chegará às salas de cinema em 2013. É um drama que ocorre na década de cinquenta e que também terá como protagonistas Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Joaquin Phoenix. The Master será realizado por Paul Thomas Anderson, que também fez There Will Be Blood, onde Greenwood participou.

Este guitarrista tem nos últimos anos colaborado intensivamente na banda sonora de vários filmes, nomeadamente em We Need To Talk About Kevin, de Lynne Ramsay e Norwegian Wood de Anh Hung Tran e no documentário Bodysong, realizado por Simon Pummell.

 

Finalmente há novidades dos The National no que diz respeito a novas canções. De acordo com uma entrevista de Matt Berninger, vocalista da banda, ao site Jam, as novas canções em que a banda está a trabalhar, are the best we've ever written e que o novo disco será possivelmente more immediate and visceral que High VioletWe're getting really excited about the new record already, acrescentou, so we might dive into the writing process right away. I feel we're kind of ready. Of course, all that being said, it all may change completely. Six months from now we might just throw everything away that we've been working on and start from scratch. You never know.

Para concluir Matt acrescentou que tem ficado maravilhado com o material que Aaron Dessner, o guitarrista, lhe tem enviado, em grande parte inspirado pela recente maternidade do músico... I'm in love with them. I just spent all night listening over and over to some things he sent. I think they're some of the best things he's ever written. Venham então rapidamente as novas canções, de preferência já em 2012.


autor stipe07 às 18:55
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Sigur Rós - Inni

Finalmente chegou na passada segunda feira, dia sete de novembro, o novo álbum dos Sigur Rós, banda islandesa já com quinze anos de história. É um disco duplo ao vivo e que também inclui um filme que documenta o concerto no Alexandra Palace, em Londres, o último da Close of the World Tour e que serviu para promover Með suð í eyrum við spilum endalaust, antes da paragem de 2008. Já passado dia três de outubro tinha mencionado os detalhes finais deste Inni aqui. Este filme, realizado por Vincent Morisset e que os Sigur Rós classificam como the definitive live experience, foi lançado no mercado, através da Krunk, a editora da banda e por intermédio da XL Recordings e estreou no Festival de Veneza, dia três de Setembro. Relembro que os Sigur Rós já tiveram uma experiência anterior muito bem sucedida com o documentário Heima, que deu origem ao projeto takkiceland, ainda não enterrado, garanto.

Acabo de ouvir Inni e fui imediatamente transportado no tempo para a noite de onze de novembro de 2008, faz hoje precisamente três anos. E o caldeirão de sentimentos e emoções durante a audição de Inni, por ter sido tão semelhante ao que senti durante esse concerto que integrou a digressão que este disco ilustra sonoramente, razão pela qual a tracklist e o alinhamento do Campo Pequeno são muito parecidos, transportou-me de imediato para esse concerto.

Quando o coração é paciente e sabe que na vida há momentos únicos pelos quais vale a pena esperar, mais claras são as boas sensações que nos preenchem quando os instantes pelos quais tanto esperámos estão ali, ao nosso lado e à nossa frente, ao mesmo tempo, no mesmo espaço físico e temporal. Há quem vibre com um bom filme quando determinadas imagens projectadas numa tela negra, reais ou cheias de ficção, mexem com todos os nossos sentidos, nos arrepiam e nos dão momentos momentâneos de pura felicidade! Isso acontece-me com frequência nas mais variadas salas de cinema deste país mas, até hoje, em nenhum outro local consegui encontrar a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior, como encontro em frente a um palco onde toca uma das minhas bandas favoritas, ou junto a uma denon de duas pistas, onde também, em alguns instantes, consigo fazer as outras pessoas momentaneamente felizes!

Naquelas quase duas horas desse concerto encontrei-me comigo próprio, conheci muito mais de mim mesmo e foi inacreditável ter visto tanta luz e tanto brilho, ter sentido tanta alegria num espaço físico associado à morte e ao desrespeito pela vida animal. Senti-me em comunhão perfeita com a banda que tocava no palco e, ao mesmo tempo, em comunhão perfeita comigo mesmo, como se a tal luz que a música nos oferece, me ofuscasse com um brilho tal, que me fez ver mesmo tudo o que tenho dentro de mim com uma clareza inacreditável.

O grande destaque do concerto e deste álbum é a interpretação de Hoppipolla. Se em Man on the Moon está escrita a essência daquilo que sempre fui, sou e serei, Hoppipolla será sempre a síntese perfeita do que me faz vibrar e de como é bom acreditar nos meus sonhos e sentir que eles se podem tornar realidade!

Este duplo Inni é pois uma coleção de formidáveis clássicos, músicas que há anos impressionam novos e velhos um pouco por todo o mundo. É um trabalho que prova novamente o quanto eles conseguem estabelecer uma estranha sensação de euforia, surpresa e misticismo a cada novo trabalho lançado e transportar toda essa mesma energia e magia para os concertos, algo que apenas um pequeno grupo de bandas consegue. Se belos são os registos em estúdio dos Sigur Rós, ao vivo eles realmente parecem ganhar vida própria.

Esta será certamente uma das minhas prendas de natal, outra que antecipará, num futuro próximo espero, uma prenda ainda maior. O próximo disco dos Sigur Rós está prometido para a próxima primavera e a banda já referiu que será o  melhor disco de sempre do seu catálogo;   Goggi Hólm, o baixista, já o apelidou de introverted e o vocalista, Jónsi Birgisson, disse que será floaty and minimal. An ambient album é como o baterista Orri Dýrason o descreve, acrescentando que a sua audição permitirá a slow takeoff toward something. Enquanto o tão aguardado quinto disco desta fantástica banda islandesa não chega, deliciemo-nos com Inni e espero muito sinceramente que aprecies a sugestão...

 

Disco 1

  1. Svefn-G-Englar
  2. Glósóli
  3. Ný Batterí
  4. Fljótavík
  5. Vid Spilum Endalaust
  6. Hoppípolla
  7. Med Blódnasir
  8. Inní Mér Syngur Vitleysingur
  9. E-Bow

Disco 2

  1. Sæglópur
  2. Festival
  3. Hafsól
  4. All Alright
  5. Popplagid
  6. Lúppulagid (Bonus Track)

Disco 3: DVD 'Inni'

  1. Ny Batterí
  2. Svefn-G-Englar
  3. Fljótavík
  4. Inní Mér Syngur Vitleysingur
  5. Sæglópur
  6. Festival
  7. E-Bow
  8. Popplagid
  9. Lúppulagid
  10. Glósóli (Bonus Track)
  11. Við Spilum Endalaus (Bonus Track)
  12. Hafssól (Bonus Track)
  13. All Alright (Bonus Track)

autor stipe07 às 15:20
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Sábado, 5 de Novembro de 2011

Andrew Bird - Norman

O cantor, compositor e multi-instrumentista americano Andrew Bird foi convidado para criar a banda sonora do filme Norman, uma comédia passada num liceu norte-americano. Assim, no passado dia onze de outubro foi lançado no mercado Norman, através da Mom and Pop Music.

Norman é um filme independente realizado por Jonathan Segal ,sem data prevista de estreia em Portugal. A obra retrata a vida de um adolescente que simula um cancro e por causa disso acaba por ter problemas com a sua nova namorada.

 

Confesso não conhecer a fundo a obra discográfica de Andrew Bird, pelos vistos um músico bastante querido do universo alternativo e independente. E não será esta banda sonora que conseguirá preencher o  meu vazio, até porque como acontece na maioria dos casos, as bandas sonoras têm sempre presente uma elevada dose de experimentalismo e de instrumentais. No entanto, dou desde já o mérito a este trabalho por me ter feito querer ouvir mais deste músico, nomeadamente Noble Beast, um disco lançado em 2009 e bastante aclamado pela crítica e que antecedeu este Norman.

Da audição desta banda sonora retive desde logo Night Sky, uma música fantástica que vai crescendo, crescendo e com uma letra carregada de belos momentos onde Andrew Bird explica a influência da lua nas marés dando a esta o papel de um violinista, que puxa e empurra as ondas de costa a costa (Moon plays the ocean like a violin, pushing and pulling from shore to shore, biggest melody I never heard before). O músico de Chicago avança depois no disco para as questões do amor e do tempo e para o papel que este último desempenha no primeiro e termina a versar sobre o céu nocturno e as estrelas que regem o rumo dos acontecimentos.

O disco ainda pode ser ouvido na íntegra na página de Facebook do músico natural de Chicago. Para além desta banda sonora, o americano irá lançar novo material em 2012, encontrando-se de momento em digressão. Espero que aprecies a sugestão...

1. Scotch and Milk
2. 3:36
3. Arcs and Coulombs
4. Hospital
5. S.O.S (Performed by The Blow with Richard Swift)
6. Nice Hat / Exit Sign / Angelo Speaks
7. Medicine Chest
8. The Kiss / Time and Space / Waterfall
9. You Are a Runner and I Am My Father's Son (Redux) (Performed by Wolf Parade)
10. Cancerboy Strikes Again / Monsterstream
11. Rabid Bits of Time (Performed by Chad VanGaalen)
12. Build Up to the Fall
13. Epic Sigh / The Python Connection
14. The Bridge
15. Night Sky
16. Afterspeak / Things Come to a Head
17. Darkmatter

Andrew Bird - Hospital (From Norman Original Motion Picture Soundtrack) by Mom+Pop Records 

1. Oh No
2. Masterswarm
3. Fitz and the Dizzyspells
4. Effigy
5. Tenuousness
6. Nomenclature
7. ouo
8. Not a Robot, But a Ghost
9. Unfolding Fans
10. Anonanimal
11. Natural Disaster
12. The Privateers
13. Souverian
14. On Ho


autor stipe07 às 16:57
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