Quarta-feira, 28 de Março de 2018

Suuns – Felt

Dois anos depois do excelente Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian que fez furor à época, o projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá, está de regresso aos lançamentos discográficos com Felt e à boleia da mesma etiqueta. Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com Zeroes QC, três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, tendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa e Hold/Still, manteve a bitola elevada, servindo este Felt para confirmar definitivamente que estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

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Uma das principais evidências deste quarteto canadiano, transversal a toda a sua discografia e cada vez mais apurada, é a escrita e composição de canções com um forte cariz impressivo e realístico. Simultaneamente músicos e filósofos e tendo na sua génese o jazz experimental muito presente, os Suuns refletem sobre a contemporaneidade que os inquieta e nos absorve e assim criam alinhamentos sedutoramente intrigantes, bem no centro de um noise rock apimentado por uma implícita dose de punk dance que quando abraça a eletrónica mais ambiental nos aproxima também de uma sonoridade algo amena e introspetiva, aspetos aparentemente distintos mas que nos mostram a abrangência destes Suuns e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Simultaneamente existencial e sinistro e arrebatadoramente humano, Felt é, talvez, o disco mais cândido e direto do grupo, com a base de todas as canções a recair ora no baixo ora na guitarra, à qual depois são adicionados detalhes e batidas sintetizadas, tornando o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e ritmos desordenados, como é o caso de Look No Further, em algo mais brando, com um resultado final com um resultado mais atmosférico do que à primeira vista se poderia antecipar. Mais adiante, a pafernália de ruídos sintéticos que abastecem Daydream até parece colocar em causa esta receita, mas a verdade é que o modo como as cordas espreitam no meio do caos, não é notoriamente obra do mero acaso. Esta é uma impressão que se repete noutros temas, uma definição estrutural e quase metódica deste Felt retratada vigorosamente em Watch You, Watch Me, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra, agregada a um sintetizador artilhado de diversos efeitos cósmicos e a um registo vocal robotizado, oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, mas também tremendamente reflexivo. E logo depois, em contraste, o pendor hipnótico e intenso do baixo do tratado punk que é Baseline, para mim o melhor tema do disco, o modo como palmas e sopros adornam os loopings de Peace And Love, a luminosidade imprevista que a bateria irradia em Make It Real e a efervescente espiral de distorções abrasivas que trespassam essa bateria, agora tremendamente orgânica, em After The Fall, assim como a intensa e algo caótica viagem dos samples que gravitam em redor do piano em Control, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia narcótica a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. 

Produzido por John Congleton, Felt é música futurista para alimentar uma alquimia que quer descobrir o balanço perfeito entre idealismo e conflito e que aos poucos, para o conseguir, acaba por revelar uma variedade de texturas e transformações que configuram uma espécie de psicadelia suja, justificada não só na pafernália de sons sintetizados que o registo contém, mas, principalmente, como já referi, pelo modo como é banhado ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, uma união com uma certa tonalidade minimalista mas que costura todas as canções do álbum, sem excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada. Assim, assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, disponível para quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Suuns - Felt

01. Look No Further
02. X-Alt
03. Watch You, Watch Me
04. Baseline
05. After The Fall
06. Control
07. Make It Real
08. Daydream
09. Peace and Love
10. Moonbeams
11. Materials


autor stipe07 às 21:03
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Sábado, 3 de Junho de 2017

Arcade Fire – Everything Now

Arcade Fire - Everything Now

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire aproveitaram a tomada de posse de Donald Trump e os seus devaneios para apresentarem ao mundo as primeiras canções do seu próximo álbum, que será um claro manifesto político e de protesto claro, parece-me, ao novo rumo tomado pelo país vizinho.

Assim, a nova canção divulgada pelo grupo chama-se Everything Now e segue um pouco a linha delineada já em Reflektor, ou seja, cada vez mais distante do rock impetuoso dos primórdios. Os Arcade Fire apostam agora na preponderância de sonoridades com outra luminosidade, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para primeiro plano e com o grupo a ter uma nova aúrea, completamente remodelada.

Infinite Content é o título mais plausível para o novo registo da banda, ainda sem data de lançamento definida. Confere...


autor stipe07 às 00:02
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Heat – Overnight

Montreal, em pleno Quebec, no Canadá, é o habitat natural dos Heat, um trio de post punk formado por Susil Sharma, Matthew Fiorentino e Raphaël Bussières e que acaba de editar Overnight, o longa duração de estreia do projeto, disponivel para audição e aquisição, em formato digital e fisicamente em vinil, na plataforma bandcamp.

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É algures entre uma certa luminosidade épica e um relativo negrume lo fi que estes Heat se sentem confortáveis a dar à luz canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, à medida que deixam as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta bastante saudosista, para criar um cenário musical tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, numa exibição consciente dequela sapiência melódica que fez escola no período aúreo do rock alternativo, em plenos anos oitenta do século passado.

Este desígnio é logo audível na imponência de City Limits e no frenesim vibrante de Sometimes, mas também no clima mais luxuriante e pomposo de Lush, composição de forte cariz orquestral, feita com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, que carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa, rematada por um curioso charme vocal. Este tema, escolhido para single do disco, acaba por ser um exemplo feliz do modo como nestes Heat é possível conferir leves pitadas de shoegaze e post rock, sem levar o tabuleiro onde as diferentes peças se movimentam para um território demasiado experimental.

Na verdade, todos os temas de Overnight têm esta toada eminentemente retro e que exala algo de grandioso e implicitamente sedutor. É um trabalho cheio de belos instantes sonoros pop, que atingem um elevado pico de magnificiência não só nos temas já referidos, mas também, por exemplo, no clássico rock anguloso que abastece Cold Hard Morning Light e na solidez estilística em que guitarra e bateria se envolvem em Long Time Coming.

Além de imprimir com uma áurea melancólica e mágica um projeto que não se envergonha de homenagear algumas referências óbvias de finais do século passado, Overnight tem a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando sonoramente sensações positivas, provocadas por um processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ter sido pleno de momentos reconfortantes de incubação melódica. Estes Heat merecem ser vistos, logo à partida, como uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como se posicionar em posição de destaque no espetro sonoro em que se movimenta. Espero que aprecies a sugestão...

Heat - Overnight

01. City Limits
02. Sometimes
03. Lush
04. The Unknown
05. Rose De Lima
06. Cold Hard Morning Light
07. Still, Soft
08. Long Time Coming
09. Chains


autor stipe07 às 09:11
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Arcade Fire - I Give You Power

Arcade Fire - I Give You Power

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire aproveitaram a tomada de posse de Donald Trump para apresentarem ao mundo aquele que é também um claro manifesto político e de protesto claro, parece-me, ao novo rumo tomado pelo país vizinho. A canção chama-se I Give You Power e conta com a participação especial vocal de Mavis Staples, importante diva do R&B e do gospel norte-americano.

Tema que deverá fazer parte do novo disco da banda, a editar ainda em 2017, I Give You Power segue um pouco a linha delineada já em Reflektor, ou seja, cada vez mais distantes do rock impetuoso dos primórdios, os Arcade Fire apostam agora na preponderância dos beats, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para primeiro plano e com o grupo a ter uma nova aúrea, completamente remodelada. Resta acrescentar que esta canção surge após o anúncio da edição do duplo DVD, The Reflektor Tapes + Live at Earls Court, que deverá ver a luz do dia já a vinte e sete de janeiro. Confere...


autor stipe07 às 21:26
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Suuns – Hold/Still

Num momento de enorme e justificada histeria coletiva devido ao novo álbum dos Radiohead, prestes a ver a luz do dia não se sabe bem quando, vindo de onde, como e com o quê, não deve passar em claro e despercebido aquele que poderia ser, para mim, o melhor lançamento discográfico desse grupo de Oxford depois de Kid A. Refiro-me a Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian e assinado pelo excelente projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá. Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com Zeroes QC, três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, trendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa, sendo este Hold/Still, o terceiro disco, a confirmação de estarmos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

Fall, o primeiro tema do alinhamento de Hold/Still, coloca-nos bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações semelhantes ao que foi testado pelos Sonic Youth do início de carreira e logo depois, em Instrument, existe uma implícita dose de punk dance que enquanto nos aproxima de uma sonoridade algo amena e introspetiva, mostra-nos a abrangência destes Suuns e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Na verdade, o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e gritos desordenados, passa a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em UN-NO, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, do melhor que já ouvi este ano! E o pendor hipnótico, intenso e efervescente de Resistance e de Translate, assim como a rugosidade intensa e algo caótica de Brainwash, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. 

Com uma estrutura inicialmente lenta no decorrer das primeiras audições, o disco aos poucos revela uma variedade de texturas e transformações que parecem filtradas pelos atmosféricos ensinamentos da banda. É uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do álbum, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada, com acordes minuciosos e com a voz reduzida ao essencial, com todas as canções a soarem encadeadas, como se todo o disco fosse apenas uma única e extensa canção.

Assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, em Hold/Still, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Suuns - Hold-Still

01. Fall
02. Instrument
03. UN-NO
04. Resistance
05. Mortise And Tenon
06. Translate
07. Brainwash
08. Careful
09. Paralyzer
10. Nobody Can Save Me Now
11. Infinity


autor stipe07 às 20:56
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Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Elephant Stone - Where I'm Going

Elephant Stone - Where I'm Going

Os canadianos Elephant Stone de Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada pelo primeiro, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e logo nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de 2011 dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records e agora, quase três anos depois, é anunciado Ship Of Fools, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Where I'm Going é o mais recente avanço divulgado de Ship Of Fools, uma extraordinária canção com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. O próximo álbum dos Elephant Stone deverá ser, de acordo com esta amostra, mais luminoso, elétrico e amplo que tudo aquilo que a banda apresentou até hoje e, certamente, um dos destaques discográficos do ano. Confere...


autor stipe07 às 20:59
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2016

Bravestation - V

Depois de Giants Dreamers, álbum editado em 2012 e do EP IV, os Bravestation dos irmãos Devin Wilson (voz e baixo) e Derek Wilson (guitarra) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), estão de regresso aos discos com V, um EP editado no passado mês de maio. Este projeto tem raízes em Montreal, a cidade canadiana dos mil lagos e inspira-se na novela Brave New World de Aldous Huxley e no ensaio The Station, da autoria de Robert J. Hasting. No entanto, os Bravestation instalaram-se em Toronto no ano de 2008 e viram este seu mais recente tomo de composições ser editado pela etiqueta local Culvert Music, quatro canções que podem ser escutadas no bandcamp da banda.

Algures entre o R&B, o post punk, a new wave e a eletrónica, os Bravestation convidam-nos a escutar paisagens sonoras com uma atmosfera e abordagem tendencialmente pop. De facto, eles são exímios no modo como conseguem colocar uma elevada dose de groove nas canções, com a batida sintética e os teclados de Haven ou o modo particularmente inspirado como em Gemini nos oferecem uma paisagem contemplativa com um charme e uma delicadez subtis, a serem aspectos lúcidos e sustentados que nos confrontam com o modo inspirado como estes Bravestation compõem e dão vida às suas emoções através da música .

Os anos oitenta estão, como se percebe, bastante presentes em V, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Espero que aprecies a sugestão...

Bravestation - V

01. Haven
02. Actors
03. Gemini
04. Operator


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

The High Dials – In The A​.​M. Wilds

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos com In The A.M. Wilds, o quinto trabalho do grupo, produzido por Marc Bell e que se inspirou na urbanidade boémia e noturna, que tantas vezes nos oferece o surreal e o inesperado, refletida neste alinhamento com texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegaze que se saúda.

Neste novo capítulo de uma carreira já com alguns marcos discográficos impressivos, os The High Dials oferecem-nos em canções quase sempre curtas, mas incisivas, um cardápio onde abundam boas letras e arranjos assentes num baixo vibrante, fabuloso em Yestergraves, adornado por uma guitarra jovial e criativa, onde se percebe que há uma forte vertente experimental e uma certa soul e também alguns efeitos e detalhes sintetizados, típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são, quase sempre bastante aceleradas, como se percebe logo na exuberante e luminosa Echoes And Empty Rooms, mas também na festiva e colorida On Again, Off Again. Mas temas como a enigmática Amateur Astronomeur ou a intuitiva Afterparty, canção conduzida por um inédito piano vintage, funcionam como contraponto ao restante conteúdo, graças a um ritmo diferenciado e melodias menos abertas e luminosas, mas claramente profundas e reflexivas. Outro tema com uma tonalidade muito vincada é Evil Twin, composição com uma rugosidade muito própria, onde baixo e sintetizador se cruzam com uma graciosidade incomum, ampliada por algumas cordas que vão deambulando em redor da melodia e que se tornam em excelentes tónicos para  potenciar a capacidade destes The High Dials em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, fazendo o nosso espírito facilmente levitar e provocando um cocktail delicioso de boas sensações.

Disco com uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante apelativa, In The A.M. Wilds é um cenario idílico que abarca uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, mas que balizam com notável exatidão o farol que ilumina o percurso musical desta banda, que tem sempre algo de novo e refrescante para nos oferecer e que geralmente recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão....

The High Dials - In The A​.​M. Wilds

01. Echoes And Empty Rooms
02. Desert Tribe
03. Yestergraves
04. Impossible Things
05. The Barroom Fisher King
06. Flower On The Vine
07. Amateur Astronomer
08. D.U.I.
09. On Again, Off Again
10. Afterparty
11. Evil Twin
12. Club Stairs
13. Lake Of Light
14. Blank Spaces On The Map

 


autor stipe07 às 21:04
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015

Foreign Diplomats – Princess Flash

Élie Raymond, Antoine Lévesque-Roy, Thomas Bruneau Faubert, Charles Primeau e Emmanuel Vallieres, são os Foreign Diplomats, uma banda canadiana oirunda de Montréal, que acaba de se estrear nos lançamntos discográficos com um compêndio de canções que são já um marco imprescindível e obrigatório neste ano repleto de novidades e registos sonoros qualitativamente incomuns. Gravado nos primeiros meses deste ano, o disco a que me refiro chama-se Princess Flash, foi misturado e produzido por Brian Deck e está disponivel através da Indica Records.

Este quinteto canadiano começa agora a traçar o seu percurso sonoro, mas já tem bem definidas as coordenadas para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Élie que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Princess Flash nos oferece vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, num ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso, mas depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, que do território mais negro e encorpado de Lies (Of November), tema que disserta sobre o dia a dia de um serial killer e alguns dos seus pensamentos mais obscuros, ao tribalismo percussivo de Comfort Design, ou o mais animado e até dançável de Queen+King, ocorre sempre num percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Princess Flash ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante da guitarra em que se sustenta Lily's Nice Shoes!, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Princess Flash tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, mas também comercial, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Diplomats - Princess Flash

01. Lies (Of November)
02. Comfort Design
03. Queen+King
04. Color
05. Flash Sings For Us
06. Lily’s Nice Shoes!
07. Beni Oui Oui
08. Mexico
09. Guns (Of March)
10. Crown
11. Drunk Old Paul (And His Wild Things)


autor stipe07 às 19:13
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2015

Half Moon Run – Sun Leads Me On

Devon Portielje, Conner Molander, Dylan Phillips, Isaac Symonds são os Half Moon Run, um projeto canadiano oriundo de Montreal e que já faz música desde 2009. Estrearam-se nos discos três anos depois com Dark Eyes e agora, após o mesmo hiato temporal, regressaram à boleia de Sun Leads Me On, o novo registo de originais da banda, editado a vinte e três de outubro pelo selo Glassnote Records.

No seio de um indie rock que tanto pode infletir, em determinados momentos, para a folk como para a própria eletrónica, os Half Moon Run parecem não sentir-se confortáveis com o ideal de continuidade e apostam em pequenos detalhes sonoros que fazem ponte entre dois territórios, numa espécie de simbiose de risco, mas particularmente bem sucedida, entre Radiohead e Fleet Foxes, raramente ouvida nas propostas atuais. Esta fusão assenta em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Neste Sun Leads Me On, produzido por Jim Abbiss, o falsete etéreo de Devon é um dos trunfos maiores do alinhamento, como se pecebe desde logo na cândura de Warmest Regards, mas a instrumentação intrincada, os elementos eletrónicos e a própria escrita de algumas canções, exalam uma qualidade hipnótica e aventureira, mas sempre acessível. Os violinos, a bateria insistente e o ambiente progressivo das guitarras de I Can’t Figure Out What’s Going On e os detalhes eletrónicos que vão piscando o olho à guitarra na incandescente Turn Your Love assim como o minimalismo omnipresente da mesma no tema homónimo, são exemplos do modo exemplar como os Half Moon Run complementam a ímpar capacidade vocal do líder da banda, com um arsenal instrumental diversificado e abrangente sempre a postos para criar melodias que recusam ter um comportamento linear, preferindo mostrar-se apoiadas em constantes variações de volume, intensidade e epicidade. As variações de intensidade e ritmo da bateria em It Works Itself Out, assim como a alternância entre detalhes eletrónicos sintetizados e dedilhares acústicos de cordas, nesse mesmo tema, transformam o mesmo numa súmula feliz de todo o ideário intencional destes Half Moon Run e daquilo que os resliza enquanto compositores criativos e intérpretes inspirados.

Melódicos e intencionalmente acessíveis na mesma medida, os Half Moon Run transformaram cada uma das canções de Sun Leads Me On em criações duradouras, ricas em texturas e versos acolhedores que ultrapassam os limites do género, num disco que busca uma abrangência, mas que não resvala para um universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Espero que aprecies a sugestão...

Half Moon Run - Sun Leads Me On

01. Warmest Regards
02. I Can’t Figure Out What’s Going On
03. Consider Yourself
04. Hands in the Garden
05. Turn Your Love
06. Narrow Margins
07. Sun Leads Me On
08. It Works Itself Out
09. Everybody Wants
10. Throes
11. Devil May Care
12. The Debt
13. Trust


autor stipe07 às 18:01
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Rob St. John & Woodpigeon - Young Sun / Trouble Comes

5

Disponível em formato digital e vinil através da etiqueta escocesa Song By Toad, Records, de Matthew Young, Young Sun / Trouble Comes é um lindíssimo compêndio de cinco canções lançado no passado dia vinte de abril e resulta de uma colaboração entre Rob St. John e os Woodpigeon, materializada em algumas sessões de gravação realizadas no último ano e com o artwork fabuloso da autoria do artista escocês, natural de Edimburgo, Jake Bee.

Lançamento de pequenas dimensões, mas particularmente bonito, este split de cinco canções agrega uma indie folk com um certo pendor rugoso e psicadélico, abrindo com When You Look For Trouble, Trouble Comes, canção da autoria dos Woodpigeon, com direito a um video editado pelo próprio Rob St. John, com imagens produzidas pela instituição Moody Institute of Science, no longínquo ano de 1951. Aliás, as três primeiras canções do lançamento, inspiradas pela neve e com os Arcade Fire no rolo de influências declaradas, são da autoria dos Woodpigeon de Mark Andrew Hamilton, Graham Lessar e Jonah Fortune e foram todas gravadas numa fria noite de inverno no hotel Hotel2Tango, em Montreal, no Canadá, tendo sido misturadas por Howard Bilerman (The Arcade Fire, Vic Chesnutt, Godspeed You! Black Emperor). Bread Crumbs impressiona pelo som de um telefone antigo e pela harmónica, tocada por Catriona Sturton, uma participação especial neste trabalho.

As duas canções que encerram o split, da autoria de Rob St. John e inspiradas na noções de natureza, lar e família, foram gravadas em Edimburgo, na Escócia, em setembro do ano passado, constando do arsenal instrumental de ambas um orgâo de tubos, uma guitarra com cordas de nylon, um sintetizador analógico e, nas vozes, com as participações especiais de Tom Western, Mark Andrew Hamilton and Ian Humberstone. Confere...

Woodpigeon

When You Look For Trouble, Trouble Comes

The Coldest Winter On Record

Bread Crumbs

 

Rob St. John

Young Sun

Folly


autor stipe07 às 18:30
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Blue Hawaii – Get Happy / Get Happier

Blue Hawaii – "Get Happy" / "Get Happier"

Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chamou-se Untogether e viu a luz do dia no início de 2013 por intermédio da Arbutus Records.

Quase dois anos depois os Blue Hawaii voltam a mostrar-se com a divulgação de uma nova canção intitulada Get Happy, gravada no início deste ano. E além desse tema, incluiram no single Get Happier, uma versão da canção principal, mais acelerada, criada no passado mês de agosto. A digressão de apresentação de Untogether foi marcante para os Blue Hawaii e Get Happy reflete esse estado de alma de um casal que teve de gerir novas realidades e conflitos.

 As the year progressed, we found our live show intensify but still had all these softer recordings which would never be released. Hence we present ’Get Happy’ / ’Get Happier’, where we explore both sides: the original demo and a fun, double-time edit made one day in August.

Os dois temas estão disponíveis para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 13:31
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Domingo, 14 de Setembro de 2014

Tracer Flare – Sigh Of Relief EP

Chegou no passado dia três de setembro aos escaparates Sigh Of Relief, o novo EP dos canadianos Tracer Flare, uma banda de Montreal formada por Dan Stein, Marc Morin, Frank Roberts e Max Tremblay e que procura afincadamente o seu lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock.

Logo na estreia, identificam-se em Sigh Of Relief algumas nuances que dão ao EP um cunho identitário muito próprio e que serão certamente matrizes identitárias da sonoridade futura dos Tracer Flare, nomeadamente a clareza e a segurança com que cruzam um sintetizador assertivo e cheio de efeitos vintage, com a distorção das guitarras, um baixo pulsante e uma bateria vigorosa e quente.

Em Sigh Of Relief não há uma aposta clara numa maior primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em detrimento das guitarras, ao contrário do que tantas vezes sucede em projetos similares, que partem, tantas vezes, com demasiada sofreguidão em busca de uma toada mais comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. Os Tracer Flare parecem ter a noção dos momentos certos e, para começar, querem, acima de tudo, establecer uma identidade própria, para então depois partirem para outros voos. Um bom exemplo disso é This Is You, um tema que traz diversos timbres de sintetizador, mas que depois se tornam quase impercetíveis quando se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante.

Se os Interpol ou os Editors parecem ser uma grande referência, nomes como os TV On The Radio ou os próprios Beach Fossils parecem ser também bastante escutados no refúgio dos Tracer Flare, algo que temas como Empty Vessel ou Stare denotam, notando-se uma clara abrangência no espetro sonoro que apreciam, com as virtudes e os perigos que isso significa. Mas o que ressalta nos Tracer Flare em relação a outros grupos é terem optado por ser realmente sonoramente, simultaneamente teatrais e genuínos, no fundo, mais dramáticos do que propriamente comerciais, o que potencia, para o bem e para o mal, o conteúdo deste EP de estreia.

Em suma, Sigh Of Relief dá ao mundo sete canções amplamente influenciadas por uma sonoridade já transversal a várias décadas e uma banda que sabe criar as suas próprias personagens que procura resgatar algo de novo no post punk. Cada um destes temas não tem receio em se desdobrar num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo e mesmo tão embrenhado num som que já se firmou há trinta anos, Sigh Of Relief tem um refinamento muito próprio e bastante atual. Espero que aprecies a sugestão...

Tracer Flare - Sigh Of Relief

01. Empty Vessel

02. Delete
03. This Is You
04. Walk On Water
05. Stare
06. Border
07. Black Box


autor stipe07 às 21:40
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Stars - Turn It Up

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Turn It Up é um novo avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nos nesta altura do ano em que as portas das escolas se abrem de novo.

Disponível para download gratuíto pela etiqueta dos Stars e com um cardápio instrumental bastante rico, mas onde impera a componente sintética, Turn It Up é uma das canções do momento de um trabalho que será certamente dissecado por cá, logo depois de ver a luz do dia, lá para catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Ought - More Than Any Other Day

Oriundos de Montreal, os canadianos Ought acabam de surpreender com More Than Any Other Day, o primeiro longa duração do grupo, lançado no passado dia vinte e nove de abril através da Constellation Records. More Than Another Day foi antecipado por New Calm, um EP editado em maio de 2012 e disponivel para download no bandcamp do grupo, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou doares um valor pelo mesmo.

Os Ought são uma boa surpresa, uma banda que se apresenta ao mundo com um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo. E fazem-no através de uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, aliam o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que nomes como os Led Zeppelin, os Television e os Wire tão bem recriaram e reproduziram há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures Kurt Cobain e Jimmy Page se tivessem juntado, sob supervisão direta de Thurstoon Moore e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop, imagine-se, na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Ought estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

More Than Any Other Day são oito canções enérgicas, cerca de quarenta e cinco minutos onde somos invadidos por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Habit ou The Weather Song atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade estonteante, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim punk acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do punk e que em Clarity e Gemini se enche de luz, mas com o tema homónimo a ser talvez aquele que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Ought. Aliás, o vídeo já divulgado de More than Any Other Day, realizado por Adam Finchler, é feliz na forma como coleciona imagens aleatórias e cortes rápidos de uma cidade, acelerando e diminuindo conforme o ritmo da canção.

Esta intensidade experimental acaba por ganhar um lado ainda mais humano e sentimental devido à performance de Tim Beeler, o vocalista e líder dos Ought, dono de um registo vocal desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, sendo o grande suporte do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

More Than Any Other Day é um compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as últimas décadas do século passado, um indie punk space rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Ought são assim, um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

1. Pleasant Heart 
2. Today, More Than Any Other Day 
3. Habit 
4. The Weather Song 
5. Forgiveness 
6. Around Again 
7. Clarity! 
8. Gemini


autor stipe07 às 17:02
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Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Trips And Falls - The Inevitable Consequences Of Your Stupid Behaviour

Os Trips And Falls são mais uma banda que nasceu no flurescente mercado musical de Montreal, no Canadá. Depois de em 2010 terem lançado o disco de estreia He Was Such a Quiet Boy, descobri-os no início de 2012 quando divulguei People Have To Be Told, o segundo álbum do grupo. No final de 2013 regressaram aos lançamentos com The Inevitable Consequences Of Your Stupid Behaviour, o mais recente disco dos Trips and Falls, um trabalho editado já no passado mês de outubro por intermédio da Song, By Toad Records.

Static Is A Serious Issue é o primeiro tema do alinhamento deste álbum e o seu maior destaque, uma canção feita daquela indie pop sem grandes tropeções e cavalgadas, eminentemente acústica, mas que não soa demasiado folk. Assim, ouve-se este trabalho e não há propriamente aquelas canções que ficam logo no ouvido, porque aqui a música, enquanto melodia, é apenas outro veículo, além da voz, utilizado para contar histórias que façam sentido e que sejam facilmente identificadas como passíveis de acontecer a qualquer um de nós.

Além desta canção, também está disponível no soundcloud da Song, By Toad Records, Destruction Is Always More Exciting, outro tema do alinhamento deste novo álbum dos Trips And Falls, cujo artwork é da autoria de Chris dos Brothers Grimm. Espero que aprecies a sugestão...

 

“superb debut He Was Such a Quiet Boy was woefully underappreciated, and People Have to Be Told manages to better it” - The Skinny
“a simple construct of a clean, ringing guitars, single-note synth melodies and … a decent hook.” – The Line of Best Fit
“flits between hope to despair like rays of sun poking through a stormy skyline” - The List
“these songs are like a swimmer doing his laps diligently in their swim lane and the suddenly a whole army of people start to belly flop into the water.” - Americana UK 

SbTR-A-027 Outer Sleeve EX

Side A
01. Static is a Serious Issue
02. The Freedom of Homogeneity
03. Destruction is Always More Exciting
04. Happy People Scare Me
05. Tragically Unhip
Side B
06. No More Limbo, Yay!
07. The Rest is the Same as Above
08. So, You’re Like Monumentally Busy?
09. Snosberry Beret
10. It’s General in a Very Specific Way


autor stipe07 às 21:01
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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

The Besnard Lakes – Until In Excess, Imperceptible UFO

Lançado pela Jagjaguwar no passado dia dois de abril, Until In Excess, Imperceptible UFO é o quarto disco da carreira dos The Besnard Lakes, uma banda de Montreal no Canadá formada pelo casal Jace Lasek e Olga Goreas e ainda Kevin Laing e Richard White. Until In Excess, Imperceptible UFO sucede a Are the Dark Horse e a Are the Roaring Night.

Os The Besnard Lakes são uma banda de indie rock psicadélico, com uma sonoridade descrita como uma espécie de space rock que se cruza com a típica dream pop. Com a participação especial de Spencer Krug e Mike Bigelow dos Moonface e da harpa de Sarah Page dos The Barr Brothers, Until In Excess, Imperceptible UFO é uma obra grandiosa que aproxima este quarteto do que propuseram Brian Wilson e Roger Waters em Pet Sounds e Dark Side Of The Moon, respetivamente. É um conjunto de oito canções, todas entre os cinco e os sete minutos, que ilustram bem essa descrição porque cada uma delas é uma peça de um enorme puzzle que juntas criam uma atmosfera sonhadora e plena de hipnotismo, muito por culpa também da voz única de Olga, que se destaca em particularmente em People Of The Sticks, o primeiro single retirado do álbum.

As músicas contêm momentos de pura inspiração lírica envolta em guitarras deambulantes e, como seria de esperar, movimentadas por uma percussão assente no rock. Este cocktail sonoro cria uma atmosfera às vezes difícil de catalogar, com momentos simultaneamente intimistas e explosivos e etéreos e bombásticos, algo plausível num grupo que sempre apresentou trabalhos conceptuais, relacionados  com temas como a guerra e a espionagem.

O próprio título deste álbum indicia o seu conteúdo algo misterioso e neste quarto trabalho dos The Besnard Lakes houve uma expansão do que sempre propuseram, visando atingir o tal space rock, já que tanto as letras como a própria sonoridade pretendem levar o ouvinte até outras dimensões do chamado universo sci-fi, difíceis de catalogar, mas certamente pouco terrenas. Logo no início do tema At Midnight ouvimos Goreas a cantar What was that sound I heard that suddenly appeared? e em The Specter mantém-se este código lírico e bitola intrigante quando se escuta Can you hear me knocking from the other side?

Until In Excess, Imperceptible UFO é a banda sonora de uma viagem a um mundo superior, hipnótico e psicadélico, idealizado pela própria banda como se a sua música fosse uma extensão das dúvidas destes quatro músicos que parecem não duvidar da existência de outros mundos paralelos e servisse para responder a questões existenciais e fazer com que outras surjam durante a audição. Espero que aprecies a sugestão... 

The Besnard Lakes - Until In Excess, Imperceptible UFO

01. 46 Satires
02. And Her Eyes Were Painted Gold
03. People Of The Sticks
04. The Spectre
05. At Midnight
06. Catalina
07. Colour Yr Lights In
08. Alamogordo


autor stipe07 às 21:57
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Elephant Stone – Elephant Stone

Os Elephant Stone são Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, uma banda de Montreal, no Canadá, que se formou em 2009 pela iniciativa de Rishi Dhir, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Basta dizer que nos últimos anos gravou e andou em digressão com nomes tão importantes desse género musical como os The Black Angels, Brian Jonestown Massacre, ou os The Horrors.

Ainda nesse ano de 2009 os Elephant Stone editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Nesse trabalho Dhir deu início à sua busca, quase obsessiva pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que o músico também andou na digressão de 2011, dos The Brian Jonestown Massacre. Agora, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records.

O uso da cítara por Dhir no The Seven Seas não foi uma novidade em trabalhos do universo indie e shoegaze, mas sucedeu com uma qualidade tão invulgar, que obrigou os habituais ouvintes deste género de sonoridade a ficarem atentos aos Elephant Stone. No entanto, o conteúdo do álbum ainda não estava devidamente balizado e a míriade de detalhes sonoros presentes, e que passavam também pela brit pop, não deixava que se formasse uma opinião rigorosa acerca do que, musicalmente, os Elephant Stone pretendem atingir. Assim, dar a este segundo disco o nome da prória banda, talvez seja uma forma de dar as cartas de novo, uma espécie de recomeço, finalmente um assumir mais preciso das verdadeiras motivações destes quatro músicos, onde Dhir é o cérebro dominante.

Neste segundo álbum a cítara ouve-se ainda mais e agora é também usada, nos arranjos, para fazer sobressair a tonalidade psicadélica das canções e não apenas para substituir a guitarra na primazia melódica. Além da cítara, também se escuta outro instrumento de cordas tradicional indiano, tocado com um arco, chamado dilruba.

Os cinco primeiros temas de Elephant Stone obedecem aos padrões habituais da indie pop de cariz mais psicadélico, onde além das cordas cativa o brilho e o pulsar intenso da bateria. A partir da segunda metade do disco a velocidade abranda, aumenta a complexidade e sobressai uma tonalidade quase espiritual em algumas canções, com especial ênfase para a instrumental Sally go Round The Sun. Ouve-se com maior regularidade os instrumentos tradicionais indianos já referidos, nomeadamente, como reforcei, no esplendor que conferem ao nível dos arranjos. A guitarra também ganha um pendor mais sinistro, efeito reforçado pela componente acústica da mesma e pela maior predominância da voz em reverb e eco.

Antes de teminar importa referir que Elephant Stone é inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock. Espero que aprecies a sugestão...

Elephant Stone - Elephant Stone

01. Setting Sun
02. Heavy Moon
03. Masters Of War
04. Hold Onto Yr Soul
05. A Silent Moment
06. Looking Thru Baby Blue
07. Sally Go Round the Sun
08. Love The Sinner, Hate The Sin
09. The Sea Of Your Mind
10. The Sacred Sound


autor stipe07 às 16:00
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Doldrums - Lesser Evil

Doldrums é o projeto musical do produtor canadiano Airick Woodhead e Lesser Evil o disco de estreia, lançado no passado dia vinte e cinco de fevereiro pela Souterrain Transmissions.

Lesser Evil é um passeio por diversos estágios e épocas distintas da música experimental. Enquanto a aproximação com sons recentes se entranham no brilho pop da produção musical canadiana, os encaixes sintéticos e a busca pelo etéreo levam-nos para uma variedade de outros mundos, que passam de Björk aos conterrâneos Grimes, um cenário pouco exato, com projeções sonoras sintéticas e vozes que se derretem nos nossos ouvidos e onde o óbvio e o tradicional não cabem.

Este músico de Montreal aborda diferentes detalhes sonoros, com versatilidade, tendo sempre a eletrónica como pano de fundo, algo bem patetne logo no ínicio com She Is The Wave, tema que conta com a participação especial de Guy Dallas e pouco depois em Egypt, dois dos principais destaques deste disco.

Cada canção de Lesser Evil tem uma identidade própria, como se cada tema estivesse isolado dentro da grandiosidade de uma obra discográfica que pode ser, em simultâneo, nos seus diferentes momentos, estranha, sombria e ainda assim atrativa, visto ser imensa a capacidade do produtor em lidar com a suavidade e a constante acessibilidade das melodias.

Como nada aqui é convencional e a voz é quase sempre reproduzida num registo andrógeno, como se fosse mais um instrumento, cada instante sonoro de Lesser Evil parece que nos instiga. Seja como for, apesar de tanta disparidade, os onze temas da rodela podem ser agrupados em dois grandes grupos; Por um lado temas explosivos e que até convidam às pistas, como AnomalyShe Is The Wave Sunrise e por outro canções com um cariz mais climático, atmosférico e introspetivo, nomeadamente Singularity Acid Face Lost In Everyone, registos com menor uso da voz e que incorporam um maior cariz experimental.

Apesar das já citadas aproximações às mesmas experiências sonoras climáticas e dançantes que atualmente circulam no cenário musical canadiano e das quais se destacam, no seu universo sonoro, Grimes e Purity Ring, Doldrums é um projeto que mantém uma natureza própria, baseada na sobreposição de sons que hipnotizam e destabilizam em simultâneo e fazem da audição de Lesser Evil um tortuoso (elogio) e sinuoso (outro elogio) passeio sonoro assertivo e inventivo. Espero que aprecies a sugestão...

Intro
Anomaly
She is the Wave (feat. Guy Dallas)
Sunrise
Egypt
Holographic Sand Castles (feat. Sami Nacomi)
Singularity Acid Face
Lesser Evil
Golden Calf
Lost in Everyone
Painted Black
 


autor stipe07 às 19:20
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

Blue Hawaii - Untogether

Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chama-se Untogether e viu a luz do dia na última semana por intermédio da Arbutus Records, a mesma etiqueta que deu a conhecer o excelente Visions, o segundo álbum dos Grimes e um dos discos fundamentais de 2012.

Visions foi um disco importante no panorama musical canadiano porque abriu uma espécie de caixa de pandora; Apesar de se fechar dentro de um universo próprio ao materializar musicalmente das estranhezas que habitam a mente de sua idealizadora, essa mistura entre o pop e a eletrónica abriu espaço para muitos outros artistas, como Blood Diamonds, Doldrums, Majical Cloudz, e outros amantes dos inventos eletrónicos, onde também se podem incluir os Blue Hawaii.

Estamos então na presença de uma dupla que usa sonoridades ambientais, onde a voz tem um papel preponderante, para inventar e criar canções pouco óbvias, que fogem à habitual formatação e que usam a eletrónica como principal estímulo. Untogether, o trabalho mais recente dos Blue Hawaii, está cheio de densas cargas de vozes, sendo um trabalho que prima essencialmente pelo minimalismo e estabelece um campo de atuação em que o detalhe e a sobreposição de elementos mínimos jamais abraçam o excesso.

Como a voz é o destaque maior deste álbum, Raphaelle (que também integra o projeto Braids) dança algo solitariamente enquanto o parceiro passeia em redor, a encaixar pequenas referências sintéticas de forma a adornar as suavizadas formas de som expressas pela artista. Acaba por haver uma homogeneidade ao longo do álbum e até à última música está fixado um encaminhamento de extrema proximidade entre os temas.

Apesar da primazia da voz, não se pode desprezar as referências instrumentais de que Alexander se serve para adornar os temas; A abertura, ao som de Follow, deixa fluir a estrutura abstrata da obra, Try To Be, apresentada logo em sequência, muda completamente essa proposta, transitando entre os Goldfrapp e Toro Y Moi. Até ao fim o casal ainda percorre as climatizações exóticas do trip-hop (Flammarion), a chamada ambient music (Reaction II) e até mesmo a eletrónica mais convencional, nomeadamente em In Two, o meu destaque deste trabalho. Depois, In Two II absorve de maneira particular as vozes e o ritmo próprio do R&B e Daisy e as batidas matemáticas que envolvem a composição, engrandecem o contibuto do músico e aproximam os Blue Hawaii da discografia dos Four Tet.

Obra que necessita de uma audição cuidada, Untogether abarca toda esta míriade de influências mas, como referi no início, raramente se desvia da proposta climática que tanto caracteriza o álbum. Não há variações bruscas ao longo da audição e encontra-se em cada nova composição assinada por Agor e Raph uma variedade rica de preferências sonoras que acomodam o disco num cenário algo distinto e dá continuidade a tudo o que de mais complexo, mas atrativo, tem sido editado recentemente. Espero que aprecies a sugestão...

01. Follow
02. Try To Be
03. In Two
04. In Two II
05. Sweet Tooth
06. Sierra Lift
07. Yours to Keep
08. Daisy
09. Flammarion
10. Reaction II
11. The Other Day


autor stipe07 às 21:13
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