Terça-feira, 9 de Julho de 2019

Graveyard Club - Goodnight Paradise

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

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Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com um álbum intitulado Goodnight Paradise, um alinhamento de treze canções gravadas e produzidas por Andy Thompson e que colocam este projeto definitivamente não só na mira da crítica especializada, mas também de um número cada vez maior de seguidores de um estilo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze.

Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, dá o pontapé de saída para um disco que é, no seu todo, um tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. À medida que divagamos por canções como William, um festim sintético repleto de cosmicidade, pela mais climática, contemplativa e angulosamente cinquentista Finally Found, pela divagante e pouco ébria Maureen ou pela efusiante Deathproof, repete-se uma receita tremendamente eficaz, assente numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, baixos contundentes e amplificadores sem receio de abusarem numa panóplia de efeitos e sons particularmente eclética, tudo apoiado por um prodigioso abastecimento de instintiva simplicidade, que não é mais do que um rigoroso espelho da filosofia eclética, abrangente e sofisticada que rege o formato sonoro destes Graveyard Club

Álbum em que foi notório o desejo de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock, Goodnight Paradise é um compêndio sonoro cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira do outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:43
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Sexta-feira, 5 de Julho de 2019

Night Moves - Can You Really Find Me

Já chegou aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

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Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como é possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

De facto, neste sucessor de Pennied Days, o disco que os Night Moves lançaram em fevereiro de dois mil e dezasseis, canções como Ribboned Skies, uma composição onde o piano se mostra tremendamente sedutor, Mexico, um solarengo tratado de pop efusiva, Keep Me In Mind, uma ode à melhor herança daquela América profunda que teve sempre uma indisfarçável faceta psicotrópica, Waiting For The Simphony, um portento de cosmicidade e sentimentalismo e, principalmente, Strands Align, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental, divagamos por um alinhamento extremamente coeso, com uma identidade sonora perfeitamente definida e certamente conduzido pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Can You Really Find Me sabe a Queen e a Fleetwood Mac e transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de John Pelant próxima de um registo enternecedor e delicado e muitas vezes atravessada por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta, uma convocatória à celebração e até ao romantismo, que nos emerge numa realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que nos trazem o melhor de uma América cada vez mais heterogénea e saudosa de um passado que já foi bem mais glorioso, por muito que o poder instalado tente demonstrar o contrário. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:11
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Sábado, 11 de Maio de 2019

Night Moves – Strands Align

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...


autor stipe07 às 13:29
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

Graveyard Club – Witchcraft

Graveyard Club - Witchcraft

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com o anúncio de um álbum intitulado Goodnight Paradise, que verá a luz do dia muito em breve. Dele já se conhece o single Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho  orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, uma receita que resulta num tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Poliça - United Crushers

Já com meia década de existência e com United Crushers, o terceiro álbum, como prova de elevada bitola qualitativa, os norte americanos Poliça chegam a 2016 aconchegados por doze novas canções que se debruçam sobre a realidade social e política do país de origem à boleia de uma pop sintetizada intensa, particularmente charmosa e sonoramente muito inspirada nos inesquecíveis anos oitenta.

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Desde que se escutou It's all shit, it's all shit, it's all shit, em Summer Please, o primeiro tema divulgado para promoção de United Crushers, percebeu-se que estes Poliça não são indiferentes a uma América cheia de contrastes, onde o superficial e o consumo ditam regras e as desigualdades sociais e as tensões interraciais estão na ordem do dia. Esta é uma temática que os Poliça já tinham abordado quer em Give You The Ghost, quer em Shulamith, os dois antecessores, mas ao terceiro tomo o grupo de Minneapolis emerge exaustivamente neste ideário, com temas como Wedding, que se debruça sobre a violência policial (all the cops want in… saying hands up, the bullets in), ou Melting Block, uma reflexão sobre a cada vez mais decadente vida nos subúrbios de uma grande metrópole, a serem composições que de modo profundo refletem esta espécie de psicanálise a que um país inteiro se submete ao ter aceite, voluntariamente, ou não, deitar-se no divã que enfeita o canto mais obscuro do estúdio destes Poliça.

Sonoramente, United Crushers vive, em suma, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada mais reflexiva, com o baixo, sublime em Fish e Berlin, a ser essencial pelo constante ruído de fundo orgânico e visceral que oferece ao alinhamento, tornando-o ainda mais impulsivo e contundente. É um cruzamento espectral, sonoro e meditativo entre música e mensagem, majestoso em Lately, uma relação que sustenta os alicerces de um disco com doze canções algo complexas e bastante assertivas e que provam a elevada maturidade deste grupo e a sua natural propensão para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe as clássicas guitarra, baixo e bateria, além de uma performance vocal aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais.

Sofisticados, rigorosos e positivamente frios, os Poliça chegam a 2016 interpretativamente brilhantes, quer ao nível da composição, quer da escolha dos instrumentos e dos arranjos, compondo com diferentes graus de intensidade e a exigirem de quem se interesse por este belo álbum, um tempo e uma dedicação que objetivamente merecem. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Summer Please
02. Lime Habit
03. Someway
04. Wedding
05. Melting Block
06. Top Coat
07. Lately
08. Fish
09. Berlin
10. Baby Sucks
11. Kind
12. Lose You

 


autor stipe07 às 14:18
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Terça-feira, 31 de Maio de 2016

Enemy Planes – Beta Lowdown

Minneapolis, no Minnesota, é o poiso dos Enemy Planes, uma banda formada por Casey Call, Joe Gamble, David LeDuc, Kristine Stresman, Shön Troth, Joe Call e Jessica Anderson e que acaba de se estrear nos discos com Beta Lowdown, onze canções preenchidas com um indie rock cru, rugoso e bastante intenso. Este é, claramente, um dos melhores lançamentos discográficos do ano, dentro do espetro sonoro em que o grupo se insere e que, por exemplo, a ambivalência entre cordas e sintetizadores em Weightless , a canção que determina o ocaso do alinhamento, tão bem explicita.

Muito antes disso, começa-se a escutar a opulência de Automatic Catatonic e percebe-se, imediatamente, que Beta Lowdown é um álbum frontal, marcante, elétrico e explosivo. Nesta música sente-se a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. E na verdade, o ritmo frenético e empolgante, quer do baixo quer da guitarra de Bare Your Teeth, tem o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um outro refúgio perfeito. Refiro-me a We Want Blood, tema onde é explorado exaustivamente um hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial e algo lo fi, percetivel quer na elevada dose sintética do tema, quer na míriade de efeitos que o sustentam.

Estes Enemy Planes não defraudam logo à primeira audição e convencem acerca da sua grandiosidade e explendor melódico, sem grandes reservas. Se os temas acima referidos apresentam vários dos pontos fortes de Beta Lowdown, até ao final do alinhamento, a feliz imprecisão rítmica e o clima nostálgico oitocentista de Between Lives, o elevado efeito soporífero, bastante acessível e, certamente, do agrado de um público mais abrangente, de Locks, a explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de três minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico, em Just A Ghost, atestam que este disco é uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um coletivo que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, em completo transe e hipnose.

Assim, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e por um rock intenso e com uma elevada dose de experimentalismo, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Enemy Planes, que iniciam a sua demanda sonora discográfica de modo confiante, altivo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...

Enemy Planes - Beta Lowdown

01. Automatic Catatonic
02. Bare Your Teeth
03. We Want Blood
04. Stranger Danger
05. Between Lives
06. (O’ Ensnared) Swans
07. Devolver
08. Locks
09. Just A Ghost
10. No Strings
11. Weightless


autor stipe07 às 21:52
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Domingo, 4 de Outubro de 2015

Observer Drift – Echolocation

Collin Ward é Observer Drift, um músico norte americano de Bloomington, em Minneapolis, que se estreou nos lançamentos discográficos com Corridors, em 2012. Fjords, o sucessor, foi editado em maio do ano seguinte e agora chegou a vez de ver a luz do dia Echolocation, um compêndio de catorze canções disponível para audição e download no bandcamp do projeto pelo preço que quiseres.

O terceiro disco de Observer Drift tem impressas as marcas de crescimento típicas da passagem para a vida adulta. Mais crescido e maduro, este músico com raízes suecas mantém o centro da sua música nas aspirações pessoais, mas de modo um pouco mais sombrio e amargurado. Observer Drift escreve muito sobre crescer e mudar, explorar o inexplorado e assumir mais riscos, com uma elevada dose de espontaneidade, cabendo a nós próprios, ouvintes, não só decifrar o verdadeiro signficado de cada poema, como também, se tivermos essa pretensão, atribuirmos um significado próprio, cuja variação poderá ser justificada com a forma como cada um de nós vivencia a audição do mesmo, tendo em conta a base sonora e instrumental que o suporta, algo que causará, certamente, diferentes sensações nos ouvintes. E essa audição acontece à boleia de uma dream pop muito suave e luminosa, cheia de elementos eletrónicos, nomeadamente sons em reverb e batidas sintetizadas e algumas guitarras que criam melodias com um elevado cariz etéreo e shoegaze. Se o longo abraço entre R&B e eletrónica que se escuta no tema homónimo, uma canção que parece ter sido embalada num casulo de seda e em coros de sereia e que faz de Observer Drift um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver, impulsionado por uma melodia doce com um leve toque de acidez, mas que se escuta com invulgar fluidez, também nos efeitos suaves e planantes do sintetizador e da percussão de When You Disappear, na imponente Time Stands Still e na vibrante de The Long Run, assim como no dedilhar da guitarra de Analysis Paralysis e na crescente e solarenga I Have Your Back, sentimo-nos tocados por um disco onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre, pop, rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboreiam mais  um final de tarde glamouroso no início deste outono.

A audição dos treze temas de Echolocation é uma experiência sonora muito enriquecedora e apetecível, uma viagem contemplativa não só ao mundo pessoal do músico que criou o disco, como também ao nosso próprio universo, real ou imaginário, porque estamos na presença de treze temas que nos convidam a sonhar sem receios e, simultaneamente, a refletir sobre a nossa própria existência. Espero que aprecies a sugestão...

Observer Drift - Echolocation

01. When You Disappear
02. The Long Run
03. Echolocation
04. Time Stands Still
05. Fire In The Southern Sky
06. Tired Hands
07. Let The Call Go Out
08. Same Way
09. Too Bright
10. Daniel
11. Strength Of A Storm
12. So Mysterious
13. Analysis Paralysis
14. I Have Your Back


autor stipe07 às 21:44
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2015

On An On – And The Wave Has Two Sides

Editado no passado dia vinte e quatro de julho com a chancela da Roll Call Records, And The Wave Has Two Sides é o novo registo de originais dos ON AN ON, um trio norte americano de Minneapolis formado por Nate Eiesland, Alissa Ricci e Ryne Estwing, três antigos membros dos Scattered Trees. Gravado em Los Angeles com o produtor Joe Chiccarelli (Spoon, The White Stripes, My Morning Jacket) depois de uma longa mas bem sucedida digressão, este disco, o terceiro da carreira do grupo, sucede ao aclamado Give In, editado em 2013 e na altura dissecado por cá.

Com um percurso discográfico e sonoro já consolidado e amplamento reconhecido, os ON AN ON sobrevivem à luz de um indie rock que se mistura, muitas vezes, com uma pop eletrónica de forte cariz ambiental, feita com uma míriade imensa de instrumentos e elaboradas cenografias sonoras, que transcendem as noções de género e fronteira, sem nunca se perder de vista a ideia da canção.

And The Wave Has Two Sides não foge à regra no modo como utiliza os sintetizadores, mas também o baixo e a guitarra, para criar telas sonoras que muitas vezes explodem como fogos de artifício, como se percebe em Behind The Gun, mas sem nunca descurar uma forte toada nostálgica e sentimentalmentme impressiva. Já Icon Love é uma viagem letárgica fortemente intimista que obedece a este paradigma, sendo-nos oferecida por todo o arquétipo instrumental acima referenciado e por uma harmonia vocal eloquente e que amplia o brilho da canção. Logo nesta composição percebe-se que o registo vocal de Nate está mais apurado e imbuído com uma aúrea de encantamento superior, sendo depois, no restante alinhamento, um elemento essencial para ampliar o contraste e acrescentar novas cores aos temas dos ON AN ON, que são, quase todos, muito cativantes.

Canções como Alright Alright ou Drifting são dois festins inebriantes de cor e luz reluzente e inspiradora, temas com uma forte vertente épica, emotiva e grandiosa. Algo divergentes em termos estruturais, com o primeiro exemplo a sustentar-se num efeito de guitarra grandioso e o segundo num dedilhar de cordas acústico absolutamente sedutor, convergem, no entanto, no rigor hipnótico com que se servem de um filtro de texturas saturadas para, à boleia de arranjos bem conseguidos e uma riqueza compositória claramente intuita e cerebral, nos oferecerem sensações fortemente melancólicas e que se desbravam num misto de euforia e contemplação, à medida que os diferentes efeitos vão-se revezando na linha da frente da estrutura melódica das composições e comfirmando a sua espantosa solidez. Mesmo as linhas de guitarra mais agrestes de Wait For The Kill ou as variações ritmícas que o baixo e a bateria definem em You Were So Scared, de mãos dadas com um efeito de guitarra curioso, exalam um intimismo romântico bastante peculiar, além de serem excelentes exemplos do que melhor se vai ouvindo no indie rock atual, aprimorando eficazmente a atmosfera sonora de um grupo com uma direção sonora que às vezes parece recuar duas décadas, no modo como cruza sintetizadores e vozes, com cordas e percussão, sempre com uma forte toada nostálgica e contemplativa.

Simples e intrigante, fortemente hermético e fechado num casulo muito próprio, And The Wave Has Two Sides está revestido com uma sonoridade que exige particular dedicação, mas que recompensa quem se atrever a tentar descobrir os seus recantos mais profundos e a procurar desbravar os territórios sonoros queeste disco decalca. Espero que aprecies a sugestão... 

On An On - And The Wave Has Two Sides

01. Behind The Gun
02. Icon Love
03. Alright Alright
04. I Can’t Escape It
05. It’s Not Over
06. Drifting
07. Wait For The Kill
08. Stay The Same
09. You Were So Scared
10. Secret Drone
11. Synth Interlude
12. All At Once


autor stipe07 às 20:18
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2013

Observer Drift – Fjords

Collin Ward é Observer Drift, um músico de Bloomington, em Minneapolis, que se estreou nos lançamentos discográficos com Corridors, em 2012. Fjords é o sucessor, um disco editado no passado dia trinta e um de maio e disponível para audição e download no bandcamp do projeto pelo preço que quiseres.

 

Collin Ward causou espanto  em alguma crítica especializada com o impressionante e gélido primeiro disco e as expetativas ficaram desde logo elevadas em relação ao sucessor. Confesso que não conheço o conteúdo de Corridors, mas admito que Fjords impressionou-me e deixou-me com vontade de rebobinar um pouco e ir à procura do disco de estreia.

Tal como sucedeu com o antecessor, Fjords foi lançado sem o apoio de qualquer selo ou editora, apenas através do Bandcamp do artista. O conteúdo sonoro mostra um Collin bastante maduro e centrado nas suas aspirações, apesar de ter pouco mais de vinte anos.

O título do álbum explica-se, de acordo com o próprio, com as raízes familiares que tem na Suécia, nomeadamente pessoas que viveram nos fiordes e que lhe serviram de inspiração para este seu novo trabalho. Ele também confessa que sonoramente não há grandes diferenças relativamente a Corridors e que existe uma continuidade entre os dois discos, com as influências por trás das novas canções a estarem fortemente ligadas às que nortearam Corridors.

Fjords fala muito sobre crescer e mudar, explorar o inexplorado e assumir mais riscos. A escrita das canções remete-nos para estas ideias essenciais e parece terem sido escritas com uma elevada dose de espontaneidade, cabendo a nós próprios, ouvintes, não só decifrar o verdadeiro signficado de cada poema, como também, se tivermos essa pretensão, atribuirmos um significado próprio, cuja variação poderá ser justificada com a forma como cada um de nós vivencia a audição do poema, tendo em conta a base sonora e instrumental que o suporta, algo que causará, certamente, diferentes sensações nos ouvintes.

Como seria de esperar, Collin faz tudo no disco, dentro do seu próprio quarto, desde escrever as músicas, a tocar os instrumentos e gravar, tendo o trabalho de mistura sido feito por um amigo. As treze canções assentam arraiais numa dream pop muito suave e luminosa, cheia de elementos eletrónicos, nomeadamente sons em reverb e batidas sintetizadas e algumas guitarras que criam melodias com um elevado cariz etéreo e shoegaze. Toda esta míriade instrumental remete-nos para um universo sonoro paralelo muito particular, para uma espécie de bolha ou cápsula onde Observer Drift reside e procura alimentar os seus sonhos e desejos, exercitando-se frequentemente em momentos de pura e simples introspeção, como fica bem audível, por exemplo, em Parallel Place (Look at yourself in the mirror/and It might become clearer), um dos meus destaques de Fjords.

A audição dos treze temas de Fjords é uma experiência sonora muito enriquecedora e apetecível, uma viagem contemplativa não só ao mundo pessoal do músico que criou o disco, como também ao nosso próprio universo, real ou imaginário, porque estão na presença de treze temas que nos convidam a sonhar sem receios e, simultaneamente, a refletir sobre a nossa própria existência. Espero que aprecies a sugestão...

01. Machine
02. Sporting Chance
03. Azimuth
04. Riptide
05. Fjords
06. Marina
07. Lingonberry
08. Never Strangers
09. Mirror Image
10. Binary Love
11. Parallel Place
12. Up In Arms
13. Gnarly Crunch
14. Teach Me


autor stipe07 às 18:59
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