music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, os The 1975 de Matt Healy preparam-se para uma verdadeira inflexão sonora à boleia deNotes On A Conditional Form, o ábum que o grupo britânico se prepara para lançar no início do próximo ano.
É possível fazer essa constatação à boleia de People, o primeiro single revelado de Notes On A Conditional Form, uma contundente e tenebrosa canção, que traçando uma linha reta entre a herança de nomes tão proeminentes do metal como os Rammstein ou os Marilyn Manson, nos oferece quase três minutos de um punk rock direto e cru, sólido, vibrante e efusivo. Tematicamente, People volta a ser uma montra da habitual propensão dos The 1975 para a crítica contundente acerca do estado atual do mundo em que vivemos, com a política, o terrorismo, as questões ambientais e a religião a serem abordadas na canção. Confere...
Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e o novo baterista Hugo Lemos, preparam-se para reeditar Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.
Nessa reedição de Brutal Intervention, remasterizada e editada fisicamente em formato vinil com o selo da Firecum Records e que serve para comemorar os vinte e cinco anos de carreira dos Booby Trap, além do alinhamento original constarão quatro temas extras, entre os quais, uma cover de War Inside My Head, um dos momentos altos da discografia dos Suicidal Tendencies.
Confere, via bandcamp, Brutal Intervention, um álbum que impressiona pelas guitarras bem elaboradas, uma bateria impecável no modo como transmite alma e robustez e a voz inconfundível de Pedro Junqueiro a mostrar-se irreprensível no modo com replica os inconfundíveis traços deste género sonoro, sem deixar de se mostrar afinada e particularmente melodiosa.
Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e o novo baterista Hugo Lemos, já têm sucessor para Survival, o excelente disco que lançaram no final de 2013. Overloaded é o nome do novo registo de originais do quarteto e parecendo que mal passaram cerca de três anos desde o disco de estreia, é claramente evidente o progresso evidenciado pelo quarteto, algo claramente plasmado neste segundo trabalho, que em pouco mais de meia hora nos oferece uma verdadeira obra-prima de crossover thrash, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.
Editado pela Firecum Records, Overloaded contém, desde logo, uma personalidade e uma amplitude sonora mais agressiva, no bom sentido, num alinhamento mais eclético que o antecessor e com a cereja de se ter também ampliado a técnica e o apuro interpretativo, quer instrumental quer vocal, com a percussão a ser o aspeto em que isso mais se nota, já que o Hugo Lemos, fazendo jus ao posto que lhe foi designado, demonstra enorme criatividade e competência e trouxe, claramente, um novo ânimo para a banda.
O álbum impressiona logo pouco depois do início com o tema homónimo, feito de guitarras bem elaboradas, uma bateria impecável no modo como transmite alma e robustez e a voz inconfundível de Pedro Junqueiro a mostrar-se irreprensível no modo com replica os inconfundíveis traços deste género sonoro, sem deixar de se mostrar afinada e particularmente melodiosa. Em seguida, Fuck Off And Die retoma a nítida influência da escola thrash do final dos anos oitenta, ou seja, suja, rápida e com solo de guitarra requintado, para depois chegar Bloody Mary, canção que faz uma espécie de síntese perfeita de todo o legado dos Booby Trap, também plasmada na renovada versão do tema que dá nome ao quarteto. Já agora, merece igualmente audição atenta e dedicada a cover de Beber até Morrer, um dos momentos altos do cardápio dos míticos Ratos de Porão e até ao ocaso de Overloaded é impossível ficar indiferente ao riff da guitarra de Drunkenstein, uma canção repleta de ironia e simbolismo, duas das imagens de marca mais vincadas desta banda aveirense.
Em Overloaded os Booby Trap mostram-se tremendamente inspirados, passam com distinção o sempre difícil teste do segundo disco, transpiram uma enorme união e uma superior cumplicidade entre todos os músicos e deixam percetível, ao longo do alinhamento, todas as influências que trazem de muitos anos de estrada e um maior rigor interpretativo, mas sem perderem a originalidade e aquela irreverência que tão bem os carateriza. Espero que aprecies a sugestão...
Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e Hugo Lemos, já tem sucessor para Survival, o excelente disco que lançaram no final de 2013. Overloaded é o nome do novo registo de originais do quarteto e já é conhecido o single homónimo do álbum, pouco mais de três frenéticos e intensos minutos, uma verdadeira obra-prima de crossover thrash, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.
Man On The Moon aguarda com enorme expetativa o restante alinhamento de Overloaded e o regresso dos Booby Trap, grupo que, de acordo com a sua biografia oficial, nasceu em 1993 na cidade de Aveiro e marcou uma época com o seu som thrash metal/hardcore, apesar de misturar outras influencias como o rock ou punk, mas que ainda hoje, depois de uma espécie de recomeço já na segunda década deste milénio, é uma referência incontornável do género sonoro que replica, a nível nacional. Confere o single e o notável artwork de Overloaded...
Editado a quatro de março pela Relapse Records, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante,Guilty of Everything é o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo em Hymn To The Pillory, o primeiro tema deste disco, clarifica que deambula entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral.
Guilty Of Everything é o culminar de dois anos de intensa atividade do coletivo, que durante este período andou em digressão pela América do Norte, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line. Produzido por Jeff Zeigler, um profissional de nomeada que já trabalhou com Kurt Vile e os War On Drugs, entre outros, Guilty Of Everything traz até nós o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.
Instrumentalmente muito rico, apesar da primazia das guitarras, este disco também conta com algumas sintetizações que conferem ao som dos Nothing uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que ajuda a amenizar o cariz mais sombrio do rock que replicam e que em Bent Nail pisca o olho ao grunge e em Dig chega ao metal.
A voz é um dos detalhes mais assertivos do disco; Ela sopra na nossa mente e envolve-nos com uma toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando, apesar do ruido sombrio das guitarras, um cocktail delicioso de boas sensações. Geralmente em reverb, numa postura claramente lo fi, ela é uma consequência lógica das opções sonoras do grupo e um elemento importante para criar o ambiente soturno e melancólico pretendido. Na já citada Dig acaba por carregar toda a compoente nostálgica com que os Nothing pretendem impregnar o seu ADN e no restante alinhamento nunca deixa de ser um fator decisivo para que se instale um certo charme vintage que busca o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o indie rock com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com os punhos cerrados e a apelar ao nosso lado mais selvagem e cru. Em Get Well a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Nothing conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Esta canção, conduzida por um baixo vibrante e uma guitarra carregada de fuzz e distorção, é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.
Percebe-se que os Nothing têm no tal ADN bem vincada a vontade de experimentar e Guilty Of Everything, apesar da escuridão introspetiva que contém, respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Canções como Sumersault ou Beat Around The Bushtransbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como nos forçar ao isolamento de forma direta, pura e bastante original. Este disco não é para ser escutado com um grupo de amigos num momento de diversão, mas solitariamente e num momento de recolhimento pessoal.
Logo na estreia os Nothing parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Guilty Of Everything é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, de cerca de quarenta minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Nothing são, por isso, um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Hymn To The Pillory 02. Dig 03. Bent Nail 04. Endlessly 05. Somersault 06. Get Well 07. Beat Around The Bush 08. B&E 09. Guilty Of Everything
Os aveirenses Booby Trap, banda que divulguei no passado mês de abril, estão de regresso com um novo álbum, intitulado Survival, uma espécie de novo arranque, em termos de originais, de uma das míticas bandas da década de noventa do universo punk, rock e e trash metal hardcore nacional e que andava um pouco adormecida até terem dado dois concertos de comemoração em 2012 e terem editado a uma antologia com alguns dos melhores momentos de uma carreira que teve o ponto alto de 1993 a 1997.
Fazendo uma espécie de resenha da matéria já dada, recordo que os Booby Trap, de acordo com a sua biografia oficial, nasceram em 1993 na cidade de Aveiro e marcaram uma época com o seu som thrash metal/hardcore, apesar de misturarem outras influencias como o rock ou punk). Da sua formação original faziam parte Pedro Junqueiro (voz), Pedro Azevedo (guitarra), Miguel Santos (bateria) Nuno Barbosa (guitarra) e Ricardo Melo (baixo). Lançam a sua demo de estreia “Brutal Intervention”em 1994 e o split CD “Mosh It Up" em 1996 com as bandas brasileiras T.I.T. e Locus Horrendus entre várias outras aparições por diversas colectâneas.
Deram mais de uma centena de concertos, partilhando palcos com bandas de renome como Cruel Hate, Inkisição, Dorsal Atlantica, G.B.H., Cradle Of Filth, Gorefest, Grave, Hypocrisy, Moonspell, Primitive Reason, Hate Over Grown, Genocide, WC Noise, entre muitas outras. Os Booby Trap eram conhecidos por dar concertos muito poderosos em que a descarga de energia e a interacção com o público eram muito valorizadas. Tocaram em locais míticos do rock/metal em Portugal como o Johnny Guitar, Cave das Quimicas, Voz do Operario, C.T.S. De Celas ou o festival Penafiel Ultra Brutal.As suas letras mostravam uma forte opinião e critica de cariz social por entre laivos de humor negro.
Os Booby Trap foram pioneiros e deram a cara por um movimento musical desenvolvido na região que viria a ser conhecido a nível nacional como “Aveiro Connection.Após o seu prematuro desaparecimento em 1997, os seus elementos deram origem a varias outras bandas como Anger, Konk, Superego, Strange Airplane, Snowball e Wild Bull.
Editado no passado dia dezoito de novembro, Survival são mais oito canções do melhor crossover thrash que é feito por cá, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música. Confere abaixo Survival na íntegra e a entrevista que os Booby Trap me concederam e espero que aprecies a sugestão...
Depois de uma outra vida musical nos anos noventa, quais são as expetativas para Survival e este novo fôlego dos Booby Trap? - Primeiro que tudo queria agradecer esta oportunidade de dar a conhecer um pouco mais da actualidade dos Booby Trap, em relação a esta nova vida da banda, não é nada de muito diferente do que se passou connosco no passado, o que nos move é o prazer de tocar a nossa musica, somos apenas um grupo de amigos que se diverte a fazer musica e apresenta-la ao vivo, local onde realmente nos sentimos bem, somos essencialmente uma banda de palco, aí é que demonstramos o nosso verdadeiro ser. Este novo álbum, Survival é fruto de um ano de trabalho, fomos escrevendo as músicas por entre os concertos que íamos dando e chegou uma altura em que era preciso regista-las para que pudessem chegar a um maior número de pessoas. Até agora as reações têm sido muito positivas, o que me leva a crer que este ano será rico em acontecimentos importantes para os Booby Trap.
Falem-nos um pouco do processo de gravação de Survival. Foi tudo gravado tentando manter o som debitado pelos instrumentos o mais genuíno possível ou houve um aturado trabalho de produção? - O som que apresentamos no álbum é 100% Booby Trap, é preciso ter em atenção que o álbum foi totalmente gravado na nossa sala de ensaios convertida em estúdio e gravado com praticamente o mesmo material que nós usamos para ensaiar, é óbvio que teve bastante trabalho de produção mas ao contrário do que a maioria das bandas hoje em dia faz a nossa maior luta durante este processo foi precisamente para manter o som o mais fiel possível á nossa essência. O álbum foi totalmente gravado e produzido por nós, o que tornou tudo mais complicado e ao mesmo tempo mais satisfatório, uma vez que com o processo de aprendizagem vinha também o sentimento de conquista por cada etapa que conseguíamos concretizar.
Qual á a rotina habitual da banda? As letras e as melodias são criadas em conjunto, nomeadamente em jam sessions, ou há uma espécie de divisão do trabalho e depois é tudo misturado e cozinhado nos ensaios? - As letras são na grande maioria escritas por mim sendo que ás vezes os outros elementos também surgem com uma ideia base a partir da qual eu desenvolvo depois o resto da letra, o engraçado é que depois de tantos anos sem trabalhar a minha parte criativa acabei por escrever perto de 100 letras neste ultimo ano e meio, ou seja, já tenho praticamente escritas as letras para os próximos 5 álbuns de Booby Trap… Quanto ás musicas propriamente ditas não temos uma formula exata de escrita, podem surgir de uma jam nos ensaios assim como pode vir algum riff de casa, depois o desenvolvimento dessa ideia e a estrutura da musica é trabalhada em conjunto nos ensaios, algumas ficam definidas num único ensaio, outras arrastam-se por 4 ou 5 até chegarmos a um consenso sobre o estado final da musica, no entanto nenhuma musica está totalmente encerrada por nós até estar gravada, pode sempre surgir em qualquer altura alguma ideia que nós achemos enriquecedora para a musica e alterá-la.
Falando um pouco do conteúdo do álbum, Survival tem, na minha opinião, o poder catártico de provocar reações extremas e teve em mim um forte efeito persuasivo, que me fez sentir algo muito visceral e rugoso, mas simultaneamente aditivo. Quiseram que este disco tivesse o poder de provocar reações nas pessoas, quer sejam físicas ou mentais? - Quando estamos no processo criativo não costumamos pensar nas emoções que as musicas possam causar aos ouvintes, a nossa primeira e única preocupação é que estejamos a gostar daquilo que estamos a tocar, toda e qualquer reacção que a nossa musica possa causar nos outros é simplesmente um bónus, não escondemos de ninguém o nosso lado agressivo, assim como não escondemos o nosso lado despreocupado, nem mesmo o nosso lado bem-disposto. Apesar disso dá-nos muito prazer ver as pessoas reagirem á nossa música, nada é pior do que causar indiferença.
Adorei o artwork de Survival. A quem se devem os créditos da ilustração e que significa? - Todo o trabalho de artwork foi concebido e realizado pelo nosso grande amigo, Ricardo Miranda, o conceito do álbum anda á volta do nosso regresso ao mundo dos vivos, á essência dos Booby Trap, uma banda que vive acima de tudo da energia criada pelos seus elementos, anda á volta de quem só depende de si próprio para vencer na vida, de quem faz o que for preciso para sobreviver neste meio.
Estou viciado no tema Violence & Blood. E os Booby Trap, têm um tema preferido em Survival? - Essa é difícil, no geral estamos todos muito satisfeitos com todas as músicas, é obvio que cada um terá as suas preferências mas no meu caso teriam que ser varias, a Survive, a Use Your Head e a Out To Die estarão no topo das minhas preferências.
O que vos move é apenas o universo punk, rock e trash metal hardcore, ou gostariam de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Booby Trap? - Isso é sempre muito incerto de definir, se nos anos 90 a nossa sonoridade era essencialmente thrash e punk/hardcore neste novo registo o rock e o heavy metal ombreiam com estas influências base, por esta altura sentimo-nos mais á vontade em embarcar por outros estilos mas é certo que o nosso som base se manterá o thrash metal.
Acham que há em Portugal mercado para o vosso som, ou será que haverá algum preconceito por parte das editoras? - Sem duvida que há espaço para este tipo de som em Portugal, o metal é inclusive o género musical fora dos circuitos mainstream que mais consumidores tem neste país mas, infelizmente as editoras (as grandes pelo menos) continuam a olhar de lado para o que se passa neste meio. Mas nem tudo é mau, de saudar as editoras independentes que mantêm isto a funcionar e depois ainda existem bandas como nós que gravam e lançam um álbum às próprias custas, hoje em dia não é tão difícil assim colocar um álbum a circular.
Como tem corrido a promoção do álbum? Há concertos marcados? - A promoção tem sido feita essencialmente nas redes sociais, podem acompanhar-nos diariamente no Facebook (http://www.facebook.com/boobytrap.pt), podem também ouvir o novo álbum na íntegra na nossa página no Bandcamp (http://boobytrap-pt.bandcamp.com), quanto a concertos, estão neste momento a ser agendados alguns, vamos começar com um que será simultaneamente a comemoração do lançamento do álbum e depois se seguirão mais alguns por vários pontos do país, estamos no entanto abertos a convites, não se acanhem e contactem-nos, teremos o maior prazer em poder levar um pouco de nós aos quatro cantos de Portugal.
Apenas em jeito de curiosidade… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiram? - Mais uma de difícil resposta pois todos na banda temos gostos muito diversificados, mais uma vez vou falar apenas por mim e referir os Anthrax, System Of A Down e os eternos Motorhead.
Depois do shoegaze romântico que a duplaBig Deal construiu em Lights Out (2011), o casal britânico Alice Costello e Kacey Underwood está de regresso com June Gloom, um disco onde as guitarras falam mais alto, como é audível no single Teradactol. June Gloom sai pelo selo Mute Records, casa dos Yesayer, Liars e outras grandes bandas do cenário independente.
Com referências que vão dos Dinosaur Jr a My Bloody Valentine, June Gloom está cheio de canções que explodem em várias doses de distorção. Alice Costello e Kacey Underwood eram apenas crianças quando Kim Gordon e Thurston Moore viviam a fase mais inventiva do Sonic Youth e, além das referências já citadas, o trabalho do antigo casal nova-iorquino também ecoa fortemente em June Gloom, um disco que reforça ainda mais a relação dos Big Deal com o shoegaze e amplia de forma cuidadosa tudo aquilo que o dupla apresentou na estreia.
Em Big Dealsomos de algum modo convidados e entrar no íntimo do casal, no quarto onde eles coabitam e que está cheio de ruídos confessionais, já que o conteúdo do álbum parece ser bastante auto-biográfico. Há músicas que falam sobre o fim de relacionamentos (Chair) e a necessidade de crescer (Cool Like Kurt), assuntos que serão certamente partilhados pelo casal. E também há canções que dispensam a voz (Summer Cold), mas que não deixam, apesar dessa ausência, de nos mostrar um certo dramatismo que estará implícito ao quotidiano dos autores.
No geral, as canções de June Gloom estão devidamente estruturadas, em oposição ao maior anarquismo que se ouvia em Lights Out, algo que, por si só, não era, tendo em conta a sonoridade global desse disco, um defeito. O que acontece é que existe a tal ampliação e inflexão relativamente à estreia, com um trabalho agora menos focado na relação apenas entre a voz e a guitarra, para se abrir o leque a uma maior heterogeneidade instrumental.
June Gloom acaba por poder ser dividido em duas partes. Durante a primeira metade do álbum, cada canção é quase o oposto do que abasteceu a estreia, sendo o single Teradactol, um bom exemplo disso mesmo, com os lampejos de shoegaze e metal que ela carrega e que nunca se tinham escutado nos Big Deal. Há também músicas como Swapping SpiteIn Your Car que revivem o rock alternativo da década de noventa. Depois desta agitação inicial,June Gloom transborda algumas referências e lembranças da estreia, mas a presença ativa da bateria e do baixo não deixam que se contrarie a tal inflexão e ampliação que descrevi. É como se a crescente explosão de sons e ruídos que se concentra na abertura do disco lentamente perdesse força e Costello e Underwood chegassem ao fim do álbum com menos gás, com o auge dessa curva descendente na atmosférica e suaveLittle Dipper, um tema que troca as guitarras por uma viola acústica, cheia de acordes simples. Por mais que Pg, a canção seguinte, recupere as guitarras, a dupla passa a evitar conscientemente o exagero, seguindo assim até aos instantes finais de Close Your Eyes, quando uma nova distorção poderá servir, se quisermos, para ligar a canção novamente ao princípio do disco.
June Gloom é um trabalho que parece, como já disse, ser uma espécie de narração de histórias concretas da vida em comum deste casal e serve como convite para a interação por parte do ouvinte com as experiências que são narradas e que podem, facilmente, ser comuns a outras vivências, sendo, por isso, um disco com o qual facilmente nos podemos identificar. Espero que aprecies a sugestão...
01. Golden Light 02. Swapping Spit 03. In Your Car 04. Dream Machines 05. Call And I’ll Come 06. Teradactol 07. Pristine 08. Pillow 09. Catch Up 10. Little Dipper 11. Pg 12. Close Your Eyes
Uma das míticas bandas da década de noventa do universo punk, rock e e trash metal hardcore foram os Booby Trap. De acordo com a au biografia oficial, nasceram em 1993 na cidade de Aveiro e marcaram uma época com o seu som thrash metal/hardcore, apesar de misturarem outras influencias como o rock ou punk). Da sua formação original faziam parte Pedro Junqueiro (voz), Pedro Azevedo (guitarra), Miguel Santos (bateria) Nuno Barbosa (guitarra) e Ricardo Melo (baixo).
Lançam a sua demo de estreia “Brutal Intervention”em 1994 e o split CD “Mosh It Up" em 1996 com as bandas brasileiras T.I.T. e Locus Horrendus entre várias outras aparições por diversas colectâneas. Deram mais de uma centena de concertos, partilhando palcos com bandas de renome como Cruel Hate, Inkisição, Dorsal Atlantica, G.B.H., Cradle Of Filth, Gorefest, Grave, Hypocrisy, Moonspell, Primitive Reason, Hate Over Grown, Genocide, WC Noise, entre muitas outras. Os Booby Trap eram conhecidos por dar concertos muito poderosos em que a descarga de energia e a interacção com o público eram muito valorizadas. Tocaram em locais míticos do rock/metal em Portugal como o Johnny Guitar, Cave das Quimicas, Voz do Operario, C.T.S. De Celas ou o festival Penafiel Ultra Brutal.As suas letras mostravam uma forte opinião e critica de cariz social por entre laivos de humor negro.
Os Booby Trap foram pioneiros e deram a cara por um movimento musical desenvolvido na região que viria a ser conhecido a nível nacional como “Aveiro Connection.Após o seu prematuro desaparecimento em 1997, os seus elementos deram origem a varias outras bandas como Anger, Konk, Superego, Strange Airplane, Snowball e Wild Bull.
A boa notícia é que depois de no ano passado se terem reunido novamente para dois concertos de comemoração, contando agora com Carlos Ferreira no baixo, e depois de estas duas actuações terem sido muito bem recebidas por parte do publico e após constatarem que a vontade de continuarem a tocar juntos, deicidiram dar continuidade á sua actividade como banda e estão a preparar um novo EP. Enquanto esse trabalho não chega convido-te a fazeres o download gratuito de uma antologia da banda, relativa ao seu percurso na década de noventa, uma coletânea disponível no bandcamp dos Booby Trap. Confere...