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Crayon Fields – All The Pleasures Of The World

Terça-feira, 10.12.19

Crayon Fields - All The Pleasurse Of The World

Os míticos Crayon Fields de Geoff O'Connor são de Melbourne e deram-nos o último registo de originais em setembro de dois mil e quinze. O trabalho intitulava-se No One Deserves You e enquanto não vê sucessor, o quarteto está a preparar uma comemoração em grande dos dez anos de vida de All The Pleasures Of The World, o disco que em dois mil e nove lançou este projeto australiano para o estrelato, à boleia da Chapter Music.

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All The Pleasures Of The World são pouco mais de trinta minutos de uma simbiose bastante criativa entre a típica folk, com nuances mais clássicas da pop e do indie rock, A reedição de luxo deste belíssimo álbum inclui lados B, instrumentais demos e covers de clássicos de bandas e nomes como os ABBA, Roxette ou Kath Bloom e, entretanto, já podemos conferir o buliçoso baixo e a melodia vibrante da nova roupagem do tema homónimo do registo. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:08

City Calm Down – Television

Quarta-feira, 04.09.19

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos há quase meia década com A Restless House, através da etiqueta I OH YOU. O sempre difícil segundo disco, intitulado Echoes In Blue, viu a luz do dia o ano passado e agora, quase no ocaso deste inconstante verão de dois mil e dezanove, chegou aos escaparates Television, o terceiro compêndio de uma das bandas mais excitantes e inovadoras do cenário indie australiano.

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Gravado com a ajuda do produtor Burk Reid (Courtney Barnett, DZ Deathrays, Julia Jacklin) nos estúdios The Grove Studios de Sidney, Television tem dez composições que em pouco mais de meia hora plena de emoção, arrojo e amplitude sonora, nos oferecem, sempre de forma progressiva, um apelo sentido aos nossos sentidos, sugerindo-nos que nos mantenhamos sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. De facto, em canções como as efusivas e muito british Television e Mother, as mais intrincadas e emotivas Visions Of Graceland e A Seat In The Trees, a contemplativa Lucy Bradley, as solarengas Weatherman e New Year's Eve e o single Stuck (On The Eastern), uma canção que sobrevivendo à custa de uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recria com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado, é constantemente espevitado o nosso lado mais humano e profundo ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, teclas inspiradas e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.

Disco enérgico, musculado, sonoramente direto, mas liricamente exigente para quem se quiser dedicar a destrinçar toda a carga emotiva e a trama filosófica que os City Calm Down pretenderam colocar no seu dorso, mas também tremendamente apelativo caso a audição tenha um fim meramente recreativo, Television é o melhor trabalho da carreira de um quarteto que pode muito bem vir a ser a próxima grande exportação sonora dos antípodas. Espero que aprecies a sugestão...

City Calm Down - Television

01. Television
02. Visions Of Graceland
03. Mother
04. Stuck (On The Eastern)
05. Lucy Bradley
06. Flight
07. Weatherman
08. Mental
09. New Year’s Eve
10. Cut The Wires

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publicado por stipe07 às 15:41

City Calm Down – Stuck (On The Eastern)

Sábado, 15.06.19

City Calm Down - Stuck (On The Eastern)

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos há quase meia década com A Restless House, através da etiqueta I OH YOU. O sempre difícil segundo disco, intitulado Echoes In Blue, viu a luz do dia o ano passado e agora, já no próximo verão, chegará aos escaparates Television, o terceiro compêndio de uma das bandas mais excitantes e inovadoras do cenário indie australiano.

Gravado com a ajuda do produtor Burk Reid (Courtney Barnett, DZ Deathrays, Julia Jacklin) nos estúdios The Grove Studios de sidney, Television tem em Stuck (On The Eastern) o primeiro single divulgado, uma canção que sobrevivendo à custa de uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recria com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:20

Confidence Man - Confident Music For Confident People

Quarta-feira, 08.08.18

Foi a insuspeita Amplifire em parceria com a Heavenly Recordings quem teve a honra de colocar nos escaparates Confident Music For Confident People, o álbum de estreia de Confidence Man, um projeto sedeado em Melbourne, na Austrália e que está a dar muito que falar neste verão, sendo considerada uma das bandas mais desinibidas e dançantes que surgiu no universo sonoro indie e alternativo em dois mil e dezoito. Com uma abordagem animada e charmosa ao universo sonoro feito com aquele rock convincente que se mistura com uma eletrónica de apurado faro relativamente às tendências mais contemporâneas e que têm colocado em ponto de mira alguns dos melhores tiques da pop das últimas duas décadas do século passado, este é um disco cheio de groove, um trabalho discográfico perfeito para criar um ambiente festivo único e inédito tendo em conta o som que vai predominando nas pistas de dança atuais.

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Logo no clima incisivo e luminoso da batida e das nuances rítmicas e vocais de Try Your Luck fica expressa a sonoridade típica de um disco assente numa pafernália de instrumentos eletrónicos bastante heterogénea e peculiar. Os sintetizadores repletos de efeitos cósmicos e as baterias eletrónicas que debitam uma pafernália alargada de timbres, possibilitam-nos dançar de modo acelerado e enérgico em diversos universos míticos que marcam a história mais recente da música de dança. Por exemplo, se o clima punk de Don't You Know I'm In A Band consegue fazer-nos viajar até ao underground nova iorquino de dois mil e uns pozinhos e C.O.O.L. Party aos subúrbios de Brooklyn em plenos anos noventa, já o piano de Catch My Breath suspira por uma remistura efusiva no catálogo de Fatboy Slim, com Out Of The Window a levar-nos até à herança que resultou da onda de Manchester, liderada, no auge, pelos Primal Scream e Fascination a acentuar esse olhar anguloso sobre alguns dos melhores atributos que foram deixados pela britpop de pendor mais psicadélico há umas duas décadas atrás.

As canções de Confident Music For Confident People são, sem dúvida, uma imensa lufada de ar fresco no panorama musical do chamado eletropunk atual. Além de entrarem facilmente no goto e nas ancas chegam para semear discórdia e inquietar os nossos ouvidos. Os Confidence Man disparam ao longo das onze canções do alinhamento do registo, os seus gostos musicais em várias direcções, fazendo-o sem preconceitos nem compromissos, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, salpicada com a indispensável qualidade melódica e uma interessante dose de acessibilidade, dizendo-nos sem qualquer pudor que as pistas de dança podem também ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:12

Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel

Segunda-feira, 02.07.18

Já chegou aos escaparates Tell Me How You Really Feel, o segundo registo de originais da australiana Courtney Barnett, um trabalho produzido pela própria e por Burke Reid e Dan Luscombe e lançado pela Milk! Records, etiqueta da própria Barnett e ainda pela Mom + Pop Music e pela Marathon Artists. Tell Me How You Really Feel sucede a Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, o feliz título do arrebatador disco de estreia de Courtney Barnett, que viu a luz do dia há pouco mais de três anos e que à epoca sucedeu aos EPs I've Got a Friend Called Emily Ferris (2011) e How to Carve a Carrot into a Rose (2013), editados depois conjuntamente em The Double EP: A Sea of Split Peas, em 2013.

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No radar da crítica especializada desde o EP A Sea of Split Peas, Courtney Barnett tem-se mostrado nesta última meia década bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida comum e do seu próprio quotidiano e os transforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. E se na estreia, há três anos, procurou um ambiente eminentemente festivo e jovial que nos levasse a colocar o nosso melhor sorriso eufórico e enigmático e a passar a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, ao som de uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilhava daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, agora a opção foi por uma atmosfera menos imediata e um pouco mais intrincada e até amargurada e agressiva, com Hopefulessness, tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra, a define, logo à partida, não o clima instrumental do alinhamento, mas, pelo menos, a sua temática algo agreste (No one’s born to hate, We learn it somewhere along the way, Take your broken heart, Turn it into art).

A partir desse prometedor início de alinhamento, no azedume abrasivo de City Looks Pretty, canção que conta com as irmãs Deal dos The Breeders nas vozes secundárias, no turbilhão ruminante da distorção que sustenta Charity, no modo como a autora depreza todos aqueles que a julgam no charme algo displiscente mas feliz de Need A Little Time, no modo tenso como o ruído trespassa a voz no refrão de Nameless, Faceless e, principalmente, na raiva incontida do grunge que arquiteta e agita I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch fica expresso, de modo sintomático, um certo paradoxo sonoro, uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, onde o rock e a pop, o doce e o amargo e, enfim, aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético se entrelaçam.

Álbum repleto de alusões ao desentendimento e ao lado menos radiante do amor, Tell Me How You Really Feel terá como importante propósito mostrar que a vida pode tornar-se num caminho sinuoso, mas que percorrer essa estrada não tem de ser algo vivido em permanente inquietude e depressão, desde que os fantasmas sejam exorcizados no momento certo. Os acordes deambulantes que empoeiram com ruído e frenesim a maioria das canções manifestam instrumentalmente estas experiências de vida sincera e fazem do registo uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar e saborear em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas.. Espero que aprecies a sugestão...

Courtney Barnett - Tell Me How You Really Feel

01. Hopefulessness
02. City Looks Pretty
03. Charity
04. Need A Little Time
05. Nameless, Faceless
06. I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch
07. Crippling Self Doubt And A General Lack Of Self Confidence
08. Help Your Self
09. Walkin’ On Eggshells
10. Sunday Roast

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publicado por stipe07 às 14:10

King Gizzard and the Lizard Wizard - Sketches Of Brunswick East

Quinta-feira, 07.09.17

Quando no início do ano o projeto australiano King Gizzard and the Lizard Wizard de Stu Mackenzie anunciou que iria lançar cinco álbuns em 2017, foram muitos os cépticos que se apressaram a apontar o dedo à impossibilidade deste grupo de rock psicadélico conseguir levar por diante tal desiderato. Mas a verdade é que Sketches Of Brunswick East, treze canções que viram a luz do dia a vinte e cinco de agosto, através da ATO Records, são já o terceiro capítulo desta imponente saga onde detalhes da soul, do jazz, do rock, essencialmente o setentista e sonoridades africanas e até a folk tradicional inglesa se misturam, para dar vida e cor a um alinhamento onde também teve uma importante palavra a dizer Alexander Brettin, outro músico australiano e natural de Brunswick East, bairro dos subúrbios de Melbourne, tal como Stu e fã de Todd Rundgren e Wire, que tem como carapaça pop o projeto Mild High Club.

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Com os King Gizzard and the Lizard Wizard a contarem já com cerca de uma dezena de discos em carteira, a verdade é que este Sketches Of Brunswick East é já o terceiro trabalho que também conta com a participação dos Mild High Club. E Sketches Of Brunswick East, que também alude ao clássico de Miles Davis, Sketches Of Spainresulta na plenitude, porque é profusamente intensa e feliz esta estreita colaboração entre Stu e Alexander, nomeadamente através da modo como trocam trechos de guitarra acústica, que acabam por servir depois de base a um posterior trabalho de aperfeiçoamento e desenvolvimento por parte dos restantes membros dos King Gizzard and the Lizard Wizard, com o resultado final, mais uma vez, a ser verdadeiramente intenso e contagiante.

O disco inicia com um solo de piano lindíssimo por parte de Brettin, secundado por alguns detalhes percurssivos da autoria do baterista Michael Cavanagh e a partir daí o que se escuta é uma verdadeira espiral entusiasta e multicolorida, que nos colocabem no centro de um tornado que, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se delicia com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Se ao longo da audição deste álbum parece evidente que tudo aquilo que se pode escutar, dos arranjos às melodias passando pelos diferentes detalhes e samples, é cuidadosamente pensado. É curioso constatar que a busca do caos também pareceu fazer parte da filosofia dominante no processo de construção do arquétipo das várias canções. O jazz experimental acaba por ser a base, mas é muito redutor uma catalogação tão objetiva já que, obedecendo a uma filosofia firme de controle instrumental, quer a homenagem descarada à melhor bossa nova em You Can Be Your Silhouette, assim como os devaneios dos sopros divagantes de Sketches Of Brunswick East II e o modo como em The Spider And Me as variações rítmicas também sobressaiem devido ao modo como as cordas se entrelaçam com a voz, são apenas alguns exemplos felizes que nos remetem para um espetro muito mais vasto e abrangente, onde diferentes estruturas e influências submergem e se acotovelam, quase em uníssono, para conseguirem destaque entre si. É, em pouco mais de trinta minutos, o espraiar indulgente e sereno de uma prévia colocação numa máquina de lavar, num programa que permitiu uma espécie de rotação e sobreposição constante de tudo aquilo que a herança musical contemporânea, de índole eminentemente psicadélica, foi agregando e assimilando ao longo das últimas cinco décadas.

Mais uma vez os King Gizzard and the Lizard Wizard conseguem facultar-nos um acervo de canções único e peculiar e que resulta, certamente, da consciência que Stu, o grande mentor do projeto, tem das transformações que abastecem a música psicadélica atual, enquanto tenta ligar-nos umbilicalmente aquela que considera ser a melhor lista de referências essenciais na parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que tem inundado os nossos ouvidos ultimamente. Sendo este seu terceiro disco do ano um tratado sonoro de natureza hermética, também não se furta a quebrar algumas regras da pop, nomeadamente na questão da crueza lo fi, e até de desafiar as mais elementares do bom senso, impressionando, assim, pelo arrojo e mostrando-se genial no modo como dá vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Sketches of Brunswick East artwork

01. Sketches Of Brunswick East I
02. Countdown
03. D-Day
04. Tezeta
05. Cranes, Planes, Migraines
06. The Spider And Me
07. Sketches Of Brunswick East II
08. Dusk To Dawn On Lygon Street
09. The Book
10. A Journey To (S)hell
11. Rolling Stoned
12. You Can Be Your Silhouette
13. Sketches Of Brunswick East III

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publicado por stipe07 às 09:27

The Ocean Party – Restless

Quarta-feira, 14.12.16

Jordan Thompson, Liam Halliwell, Curtis Wakeling, Lachlan Denton, Zac Denton e Crowman, são os The Ocean Party, um projeto australiano de indie pop oriundo de Melbourne e que se move em pardacentas areias sonoras, onde pianos, batidas, sopros e cordas conjuram aventuras e demandas, rumo aquela luz que nunca esmorece e que além de nos aquecer a alma, pode também fazer oferecer sensações físicas que nem sempre conseguimos voluntariamente controlar.

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Restless, um belíssimo tomo de onze canções e que se abre perante nós através do delicioso buliço de um tema homónimo que nos mostra todos os ingredientes de que este projeto se serve, é o mais recente assomo de delicadeza, mas também de desafio, deste sexteto que não se importa nada de nos fazer recuar até aos gloriosos anos oitenta, quer nas asas do baixo e do sintetizador da majestosidade inebriante de Hunters, mas também da subtileza festiva que extravasa da incrível e frenética melodia que conduz Back Bar e, mais adiante, na elegância de West Koast.

Abrigados pela insuspeita Spunk Records!, morada de nomes tão consistentes como Nadia Reid, Ty Segall ou Emma Russack, os The Ocean Party gostam de passear e fazer-nos também passear entre a serenidade e a agitação sem darmos conta, sendo exímios a compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, algo que Decent Living clarifica com particular bom gosto, balizados por uma indie pop apimentada com uma elevada dose de experimentalismo. Apesar de o clima destas canções ser antagónico ao habitual cinzentismo enigmático do rock de cariz mais sombrio, o baixo é, curiosamente, um instrumento essencial na condução das canções de Restless, com Teachers a ser um excelente exemplo do modo como se servem dele para solidificar o edifício que sustenta o tema e como depois afagam os restantes instrumentos em redor. Logo a seguir, em Better Off, há um timbre de guitarra que vai surgindo e servindo de chamariz para um entra e sai de cordas e sopros, mas o baixo está lá sempre, permanentemente, a guiar toda a trama e a não deixar que toda esta heterogeneidade rítmica e instrumental resvale. Já em Pressure é mesmo o baixo que sobe ao palco em primeiro lugar e o instrumento sobre o qual todos os holofotes se colocam à medida que a canção escorre em arrojo e emoção e transmite o seu ideário.

Em Restless fica clara a capacidade inata dos The Ocean Party em compôr entre a serenidade e a agitação sem perderem sapiência melódica, caraterística que lhes confere uma versatilidade difícil de encontrar na maioria das bandas da atualidade. As canções deste disco não são apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso, transmitindo um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa. Reach talvez seja aquela canção que melhor consegue resumir este excelente compêndio de canções que atesta a maturidade o alto nível de excelência, de uma banda que merece chegar ao público ávido de novidades e que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Ocean Party - Restless

01. Restless
02. Hunters
03. Back Bar
04. Decent Living
05. Teachers
06. Better Off
07. Pressure
08. Reach
09. Second Guess
10. West Koast
11. Locked Up

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publicado por stipe07 às 18:03

Coloured Clocks – Test Flight

Sábado, 22.10.16

Uma das bandas mais profícuas e fundamentais do universo sonoro indie e alternativo australiano são os Coloured Clocks de James Wallace, um projeto oriundo de Melbourne, com já meia década de existência e seis lançamentos no cardápio e curioso pelo modo como disponibiliza a sua música, sempre com o formato digital disponível gratuitamente no bandcamp da banda. Mas estes Coloured Clocks merecem destaque principalmente pelo modo inteligente e eficaz como compôem canções. Falo de composições sonoras que, se por um lado não defraudam a herança identitária do ideário sonoro que instiga Wallace a compôr, por outro, mostram um autor e um projeto no auge de uma carreira sustentada por um indie progressivo e psicadélico, com fortes reminiscências do rock da década de setenta, mas sem pôr de lado o que de melhor se propôe atualmente, inspirado nesse universo musical.

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Já depois de no início deste ano terem chamado a atenção com Particle, estão de regresso ainda antes do ocaso de 2016, com Test Flight, mais doze excelentes temas, inseridos no espetro sonoro acima descrito, da autoria de uns Coloured Clocks que se estrearam nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012 deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine e logo depois, em 2014, All Is Round, uma espécie de álbum interativo, que pedia para ser escutado na sequência que entendessemos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulavam livremente e isso só não era concreto porque estavam presas à realidade lógica da indispensável sequência numérica do disco.

Test Flight deve ser ouvido na íntegra atentamente e apreciado como um todo, apesar de saltar ao ouvido composições como a contemplativa e cósmica Everything's Right, a inebriante e divertida Lose That Girl, ou a sedutora Building A Star, canção que se aconchega nos nossos ouvidos e cola-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Wallace certamente quis que deslizasse dela, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da filosofia sonora dos Coloured Clocks. A heterogeneidade rítmica de One Tomorrow Away também merece audição dedicada, devido ao modo almofadado como uma bateria em constante vaivém, a voz ecoante e um agregado de guitarras mágicas se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois Never Young também aposta em mudanças de ritmo e sobreposições com elementos sintéticos, numa toada mais diversificada, sendo um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop.

Feito à medida de quem gosta de sonoridades cósmicas e psicadélicas mais ligeiras e sempre com um fundo de epicidade e emoção à flor da pele, Test Flight aposta numa receita simples mas tremendamente efica, onde reina uma estrutura melódica tradicional, riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo. Escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace, Test Flight contém uma aúrea resplandescente e romântica invulgares e espelha uma feliz revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Coloured Clocks - Test Flight

01. Everything’s Right
02. You Belong There
03. Never Be
04. Lose That Girl
05. Building A Star
06. What Has Happened
07. One Tomorrow Away
08. Never Young
09. If You’ve Lived Your Life
10. The Special Man
11. Saturday
12. Dreaming At Luna Park

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publicado por stipe07 às 14:31

City Calm Down - In A Restless House

Domingo, 22.11.15

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que viu a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Confessor particular regozijo cada vez que dou de caras com uma nova banda que se apresenta ao mundo à boleia de um post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze. no caso destes City Calm Down, o deleite aumenta porpeceber que a essa fórmula sempre sedenta de novas renovações, adicionaram eficazmente o chamado krautrock que foi fazendo escola no universo sonoro alternativo desde a década de setenta. Temas como o efusivo, inebriante e inconsolávelmente emotivo Border In Control e a imponente Rabbit Run, o primeiro single de A Restless House, assentam os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Mas há que haver algum rigor nesta comparação, já que se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, os instrumentos clamam por uma simplicidade incrivelmente sedutora. Seja como for, à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, somos confrontados com um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda, mesmo quando em Your Fix os City Calm Down procuram, com uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recriar com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado.

É claramente recompensador perceber o modo como canções como a intrincada Son ou a mais intimista Wandering crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, entoando um apelo sentido aos nossos sentidos para que se mantenham sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. E este alinhamento de In A Restless House é vigoroso no modo como incita o nosso lado mais humano e profundo a clamar por um óbvio sentido de urgência que nos deixe no final nos limites da nossa capacidade de sofreguidão, enquanto nos desafia a dançar ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, um sintetizador inspirado e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.

Para ser devidamente apreciada e entendida, a música destes City Calm Down exige pulso firme e dedicação extrema, sem sacrifício e com disponibilidade total para se aceitar fazer concessões de modo a deixar que o poderoso edifício sentimental que a sustenta nos possa cobrir de fé e crença num amanhã melhor e diferente. Espero que aprecies a sugestão...

City Calm Down - In A Restless House

01. Intro
02. Border On Control
03. Son
04. Rabbit Run
05. Wandering
06. Your Fix
07. Nowhere To Start
08. If There’s A Light On
09. Falling
10. Until I Get By
11. In A Restless House

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publicado por stipe07 às 19:23

City Calm Down – Rabbit Run

Terça-feira, 15.09.15

City Calm Down - Rabbit Run

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que vai ver a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Rabbit Run é o primeiro avanço divulgado de A Restless House, uma canão que assenta os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, já os instrumentos clamam pela simplicidade, mas à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, dão vida a um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:53






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