Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

Juliana Hatfield - Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John

Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John é o mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora americana Juliana Hatfield. Esta artista nasceu em julho de mil novecentos e sessenta e sete, em Wiscasset, no Maine, extremo nordeste dos Estados Unidos. Entretanto, mudou-se para uma cidade costeira de Massachusetts e aí começou a sentir uma forte atração pela música, nomeadamente pela cantora Olivia Newton-John. Acabou por se apaixonar pelo filme Grease, que viu várias vezes no cinema, descobriu os The Replacements já no liceu e, movida por estas duas fortes inspirações, foi estudar música para o Berklee College of Music em Boston, com o intuíto de montar uma banda, o que aconteceu quando se juntou a John Strohm e Freda Love e juntos fundaram os Blake Babies, em plenos anos oitenta. Agora, pouco mais de trinta anos depois desse curioso início de carreira, Juliana Hatfield homenageia a sua maior heroína musical com Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John, um disco com a chancela da American Laundromat Records e onde a artista nos oferece novas versões de alguns dos melhores clássicos da carreira de Olivia Newton-John, com a ajuda de Pete Caldes na bateria e Ed Valauska no baixo.

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Já com treze discos no seu cardápio, quer a solo quer gravados com outras bandas, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John era o disco que faltava na carreira de Juliana Hatfield, para que ela se sentisse verdadeiramente realizada com a sua caminhada. Neste registo que também é de beneficiência (parte do valor do mesmo reverte para a fundação Olivia Newton-John Cancer Wellness & Research Centre) e que conta com a aprovação do companheiro de Olivia Newton-John, ainda vivo, encontramos verdadeiras obras-primas, assentes num folk rock que faz justiça e enobrece os originais, alguns deles com décadas de vida e que materializaram, na altura, um exemplar percurso discográfico de uma cantora que quebrou algumas barreiras nos anos setenta e oitenta do século passado.

Juliana soube encontrar um notável balanço entre aquilo que são os arranjos originais das canções de Olivia e o seu cunho pessoal artístico, não deixando de haver instantes em que é ténue a fronteira que separa o original da versão. A autora foi feliz a reinterpretar as canções, parecendo muitas vezes que a sua postura foi como estar num bar a cantar as canções que gosta para uma reduzida plateia. Exemplo flagrante disso é Xanadu, composição onde apenas se nota a ausência das segundas vozes relativamente ao original, mas outros momentos altos deste tributo são Physical e Dancin’ Round and Round, um dos momentos altos de Totally Hot, disco que Olivia lançou em mil nocvecentos e setenta e oito e um dos mais importantes da sua carreira. O tema homónimo deste registo também foi revisto por Juliana.

Tributo sincero e bem conseguido de uma artista relativamente a outra, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John arrebata o ouvinte pela simplicidade melódica e pelo imediatismo e fidelidade de canções, que assumem, notoriamente, a visão sentida de uma fã em relação ao faustoso legado de uma compositra marcante na história da pop, da folk e da country norte-americana do século passado. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 14:15
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Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

The Magnetic Fields - 50 Song Memoir

Cinco anos depois do consistente Love At The Bottom Of The Sea, os The Magnetic Fields de Stephen Merritt regressaram aos discos este ano com 50 Song Memoir, através da conceituada Nonesuch Records. Trata-se de mais um álbum conceptual, dividido em cinco discos, um por cada década, cerca de duas horas e meia de música idealizada por Merritt, que começou a escrever e a compor as cinquenta canções do registo em 2015, ano em que fez cinquenta anos de vida, com cada um dos temas a debruçar-se sobre cada um desses anos e a servir de crónica do mesmo. Merritt canta em todas as cinquenta canções do trabalho e tocou mais de cem instrumentos durante a sua gravação. Já agora, no final do século passado os The Magnetic Fields tinham editado o seu primeiro trabalho conceptual, um triplo álbum com sessenta e nove canções de amor e as suas diversas formas de se manifestar e a forma com a mente tremendamente irónica de Merritt olhava na altura para este sentimento.

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Naturais de Boston, no Massachusetts, os The Magnetic Fields são um dos segredos mais bem guardados da pop e neste disco produzido pelo próprio Merritt, secundado por Thomas Bartlett e Charles Newman, transformaram memórias longínquas e recentes do líder da banda para elaborarem uma curiosa biografia sonora, onde diferentes histórias e personagens, verdadeiras e fictícias, se entrelaçam e de modo cronológico.

Escutar 50 Song Memoir é como assistir ao crescimento quer biológico quer psicológico de Merritt e nele não faltam as habituais referências, geralmente amargas, quer a desilusões amorosas, exemplarmente retratadas em Lover's Lies, mas também aos típicos conflitos interiores que se produzem durante a juventude (I'm Sad!) ou a visão que o autor foi tendo do mundo que o rodeia e das transformações que nele foram acontecendo. Danceteria, Rock’n’Roll Will Ruin Your Life, Hustle 76’, How to Play the Synthesizer e Danceteria, plasmam o modo como o músico assistiu às transformações que a música sofreu durante as décadas de setenta e oitenta do século passado e como as mesmas ajudaram a alterar mentalidades, nomeadamente no que concerne a aspetos tão díspares como a liberdade sexual ou a igualdade entre géneros. Judy Garland é outro tema que se debruça sobre o exterior sociológico de Merritt ao versar sobre a morte da atriz norte-americana que dá nome à canção.

Disco onde predomina uma sonoridade eminentemente clássica e geralmente acústica e de forte pendor orgânico, como é apanágio nos The Magnetic Fields, 50 Song Memoir também não deixou de lado os sintetizadores que a partir da última década do século passado tornaram-se ativo importante no processo de criação sonora do grupo. Assim, se a gentileza e cândura luminosa das cordas de A Cat Called Dionysus ou os violinos de Ethan Frome garantem frescura e leveza ao disco, já os efeitos luminosos do teclado de How I Failed Ethic ou a rugosidade sintética de Foxx And I, oferecem ao registo instantes que provam essa busca de uma necessária contemporaneidade, com o rock lo-fi de The Blizzard of ’78 e de Weird Diseases e o experimetalismo lisérgico de Surfin’ a servirem de complemento e a equilibrarem um alinhamento que privilegia a heterogeneidade e a diversidade sonora e, ao fazê-lo com o típico humor e versatilidade instrumental de Merritt, acaba por contar uma outra história, aquela que descreve os vários territórios sonoros que fizeram escola no cenário indie norte-americano nas últimas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic Fields - 50 Song Memoir

CD 1
01. ’66: Wonder Where I’m From
02. ’67: Come Back As A Cockroach
03. ’68: A Cat Called Dionysus
04. ’69: Judy Garland
05. ’70: They’re Killing Children Over There
06. ’71: I Think I’ll Make Another World
07. ’72: Eye Contact
08. ’73: It Could Have Been Paradise
09. ’74: No
10. ’75: My Mama Ain’t

CD 2
01. ’76: Hustle 76
02. ’77: Life Ain’t All Bad
03. ’78: The Blizzard Of ’78
04. ’79: Rock’n’Roll Will Ruin Your Life
05. ’80: London by Jetpack
06. ’81: How To Play The Synthesizer
07. ’82: Happy Beeping
08. ’83: Foxx And I
09. ’84: Danceteria!
10. ’85: Why I Am Not A Teenager

CD 3
01. ’86: How I Failed Ethics
02. ’87: At The Pyramid
03. ’88: Ethan Frome
04. ’89: The 1989 Musical Marching Zoo
05. ’90: Dreaming In Tetris
06. ’91: The Day I Finally…
07. ’92: Weird Diseases
08. ’93: Me And Fred And Dave And Ted
09. ’94: Haven’t Got A Penny
10. ’95: A Serious Mistake

CD 4
01. ’96: I’m Sad!
02. ’97: Eurodisco Trio
03. ’98: Lovers’ Lies
04. ’99: Fathers In The Clouds
05. ’00: Ghosts Of The Marathon Dancers
06. ’01: Have You Seen It In The Snow?
07. ’02: Be True To Your Bar
08. ’03: The Ex And I
09. ’04: Cold-Blooded Man
10. ’05: Never Again

CD 5
01. ’06: “Quotes”
02. ’07: In The Snow White Cottages
03. ’08: Surfin’
04. ’09: Till You Come Back To Me
05. ’10: 20,000 Leagues Under The Sea
06. ’11: Stupid Tears
07. ’12: You Can Never Go Back To New York
08. ’13: Big Enough For Both Of Us
09. ’14: I Wish I Had Pictures
10. ’15: Somebody’s Fetish


autor stipe07 às 09:52
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Pixies – Head Carrier

Depois de em abril de 2014 ter chegado aos escaparates Indie Cindy, o primeiro disco dos Pixies de Black Francis em vinte e três anos, este projeto formado em 1986 e um nome fundamental para o desenvolvimento do indie rock alternativo, continua a alimentar este segundo fôlego na carreira, ainda sem Kim Deal e com uma nova baixista, Paz Lenchantin. E fá-lo, agora, com doze canções agregadas num novo trabalho, intitulado Head Carrier, que viu a luz do dia no ocaso de setembro último.

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Head Carrier é mais um passo em frente no propósito de Black Francis de apresentar ao público uns Pixies cada vez mais longe do som roqueiro e lo fi do passado, mas sem o renegar totalmente e alinhados com as tendências mais recentes do campo sonoro em que se movimentam, procurando, simultaneamente, aquela salutar contemporaneidade que todos os grupos de sucesso necessitam e precisam, independentemente da riqueza quantitativa e qualitativa da sua herança e também renovar a sua base de seguidores com um público mais jovem, sempre atento e ávido por boas novidades. 

Seja como for, e como de algum modo já referi, o adn dos Pixies não deixa de ser respeitado, mais que não seja pela filosofia melódica e instrumental subjacente ao arquétipo sonoro das canções, um respeito patente no rock cássico de Might As Well Be Gone, no punk de Be Esprit e no rockabilly de Plaster Of Paris . Portanto, não estando propriamente presente em Head Carrier a estética sonora novocentista em todo o seu esplendor, além dos exemplos já citados, canções do calibre da ruidosa Oona ou o riff de guitarra claramente radiofónico de Tenement Song, conseguem, salutarmente, estabelecer pontes e, de certo modo, oferecer novos desafios ao cardápio da banda ao mesmo tempo que não defraudam quem é mais devoto relativamente à história dos Pixies. Aliás, encontrar semelhanças e diferenças entre o clássico Where Is my Mind e All I Think About Now é um exercício particularmente curioso e recompensador.

Head Carrier pode ser, para muitos, apenas mais um sinal de vida de uma banda que insiste em esbracejar sem saber muito bem que rumo seguir e que duas décadas depois achou que poderia voltar a ser relevante já que, tendo em conta o estatuto que construiu, voltar a compôr não pode nunca aspirar a menos que isso, mas há aqui, ainda, acerto criativo, patente na generalidade das canções e que deve ser exaltado por encarnar a coragem do grupo para prosseguir, apesar de todo o historial recente. É um compêndio que demonstra que é capaz de haver ainda uma pequena réstia de esperança para os Pixies e que a opção por continuarem a respirar e a ecoar, se tiver sequência, poderá levá-los a ocupar novamente um lugar de relevo no universo do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Pixies - Head Carrier

01. Head Carrier
02. Classic Masher
03. Baal’s Back
04. Might As Well Be Gone
05. Oona
06. Talent
07. Tenement Song
08. Bel Esprit
09. All I Think About Now
10. Um Chagga Lagga
11. Plaster Of Paris
12. All The Saints


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 31 de Maio de 2016

Enemy Planes – Beta Lowdown

Minneapolis, no Minnesota, é o poiso dos Enemy Planes, uma banda formada por Casey Call, Joe Gamble, David LeDuc, Kristine Stresman, Shön Troth, Joe Call e Jessica Anderson e que acaba de se estrear nos discos com Beta Lowdown, onze canções preenchidas com um indie rock cru, rugoso e bastante intenso. Este é, claramente, um dos melhores lançamentos discográficos do ano, dentro do espetro sonoro em que o grupo se insere e que, por exemplo, a ambivalência entre cordas e sintetizadores em Weightless , a canção que determina o ocaso do alinhamento, tão bem explicita.

Muito antes disso, começa-se a escutar a opulência de Automatic Catatonic e percebe-se, imediatamente, que Beta Lowdown é um álbum frontal, marcante, elétrico e explosivo. Nesta música sente-se a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. E na verdade, o ritmo frenético e empolgante, quer do baixo quer da guitarra de Bare Your Teeth, tem o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um outro refúgio perfeito. Refiro-me a We Want Blood, tema onde é explorado exaustivamente um hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial e algo lo fi, percetivel quer na elevada dose sintética do tema, quer na míriade de efeitos que o sustentam.

Estes Enemy Planes não defraudam logo à primeira audição e convencem acerca da sua grandiosidade e explendor melódico, sem grandes reservas. Se os temas acima referidos apresentam vários dos pontos fortes de Beta Lowdown, até ao final do alinhamento, a feliz imprecisão rítmica e o clima nostálgico oitocentista de Between Lives, o elevado efeito soporífero, bastante acessível e, certamente, do agrado de um público mais abrangente, de Locks, a explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de três minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico, em Just A Ghost, atestam que este disco é uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um coletivo que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, em completo transe e hipnose.

Assim, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e por um rock intenso e com uma elevada dose de experimentalismo, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Enemy Planes, que iniciam a sua demanda sonora discográfica de modo confiante, altivo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...

Enemy Planes - Beta Lowdown

01. Automatic Catatonic
02. Bare Your Teeth
03. We Want Blood
04. Stranger Danger
05. Between Lives
06. (O’ Ensnared) Swans
07. Devolver
08. Locks
09. Just A Ghost
10. No Strings
11. Weightless


autor stipe07 às 21:52
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Animal Flag – Animal Flag EP 2

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Animal Flag de Matthew Politoski, de regresso aos lançamentos discográficos com Animal Flag EP 2, cinco canções que viram a luz do dia no ocaso de 2015, à boleia da 1997 Recordings e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp.

(Pic by Nick DiNatale)

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste pequeno cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que Jealous Lovers, a primeira canção, claramente exemplifica. Se Angels não foge a esta bitola, uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que faz de Animal Flag, um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição do EP, vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Wayside e ao clássico Swallowed dos Bush em Cathedrals atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas,  possam e devam ser apreciadas com a relevância e o valor que, por direito, merecem. Para ampliar este espírito ainda mais suadosista, este Ep teve direito a uma lindíssima edição em formato cassete, através da Broken World. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Animal Flag EP 2

01. Jealous Lover
02. Angels
03. Wayside
04. Cathedrals
05. Prone

 


autor stipe07 às 18:12
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Sábado, 5 de Setembro de 2015

Lou Barlow – Brace The Wave

Baixista dos Dinosaur Jr. e vocalista dos Sebadoh, o norte americano Lou Barlow, um músico oriundo de Greenfield, no Massachussets e considerado um dos grandes gúrus do indie alternativo desde a década de noventa, tem também uma profícua carreira a solo que acaba de conter mais um disco no seu cardápio. O novo álbum deste autor e compositor notável intitula-se Brace The Wave e chegou às lojas a quatro de setembro através da Joyful Noise Recordings, sendo a primeira obra solo de Barlow desde o lançamento de Goodnight Unknow, em 2009.

Resultado de uma jornada de seis dias no estúdio com o produtor Justin Pizzoferrato, responsável pelos mais recentes discos de Dinosaur Jr, Brace The Wave marca o regresso do autor a um universo mais recatado, através de uma folk intimista, nostálgica e contemplativa e que tem nas cordas do ukelele a principal arma de arremesso, mas onde também não falta uma curiosa exuberância vocal, logo plasmada em Redeemed, canção agridoce que abre com entusiasmo, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras de um instrumento de cordas com uma tonalidade única e uma capacidade incomum para ajudar quem souber ser exímio no seu manuseamento, a transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar com um simples dedilhar de cordas aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Barlow é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a inebriante e àspera Moving ou a delicada Wave, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em Pulse e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional Repeat. Mesmo quando Barlow comete o pecado da gula e se liga à corrente em Boundaries, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Brace The Wave, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional C + E.

Brace The Wave é alma e emoção traduzidas à voz e ao ukelele, como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos sussurros do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Lou Barlow - Brace The Wave

01. Redeemed
02. Nerve
03. Moving
04. Pulse
05. Wave
06. Lazy
07. Boundaries
08. C + E
09. Repeat


autor stipe07 às 21:15
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015

Funeral Advantage – Body Is Dead

Boston, no Massachussets, é o poiso vital dos Funeral Advantage e Body Is Dead o disco de estreia de mais uma banda que aposta num ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Escritas e gravadas por Tyler Kershaw e misturadas por Ian Van Opijnen, as dez canções de Body Is Dead contaram ainda com a voz de Chelsea Figuerido em alguns dos temas e a receita da arquitetura melódica de todas elas é bastante homogénea e transversal a todo o alinhamento. Trata-se de um indie rock pulsante e insinuante, mas com um charme lo fi único, alicerçado num registo vocal quase sempre sussurrante e até, em alguns casos, pouco perceptível, mas bastante encantador, além de guitarras com efeitos e distorções intrigantes e enleantes e uma percussão bastante vincada, sem ter uma tonalidade exageradamente grave. É, no fundo, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk e onde também abundam boas letras que nos oferecem uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável.

Body Is Dead começa a todo o gás com a sorridente e otimista Equine e o frenesim encantador de Sisters a mostrarem, com esplendor e intensidade, uma atitude descontraída e jovial que contraria, de certo modo, o nome algo sombrio da banda. Depois, Should Have Just é um convite direto e preciso ao acto de encarar estes últimos dias de verão com esperança, enquanto ficamos envoltos numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, que nos despe de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, onde frequentemente nos refugiamos, para que não tenhamos receio de mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que nos carateriza, enquanto não chega aquele inverno que nos leva tantas vezes à reclusão.

Até ao ocaso de Body Is Dead, a viagem deslumbrante que nos oferece a guitarra de Gardensong, o experimentalismo soturno de That's That e o esplendor sentimental que exala de todos os acordes da oitocentista Then I'll Look, são outros instantes obrigatórios deste alinhamento, exemplos que mostram que, logo no disco que estreia, os Funeral Advantage sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e revolver o seu arsenal instrumental, como se as canções fossem um puzzle e assim originarem, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, peças sonoras sólidas e que comunicam com o nosso íntimo com particular beleza e superior preciosismo. Espero que aprecies a sugestão....

Funeral Advantage - Body Is Dead

01. Equine
02. Sisters
03. Should Have Just
04. Gardensong
05. Back To Sleep
06. That’s That
07. Cemetery Kiss
08. Then I’ll Look
09. You Sat Alone
10. Body Is Dead


autor stipe07 às 18:49
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Sábado, 13 de Junho de 2015

Passion Pit – Kindred

Lançado a vinte e um de abril pela Columbia Records, Kindred é o terceiro álbum dos Passion Pit de Michael Angelakos, uma banda norte americana oriunda de Cambridge, no Massachusetts e da qual também fazem parte Chris Hartz, Aaron Harrison Folb, Giuliano Pizzulo, Pete Cafarella e Ray Suen.

Novamente produzido por Chris Zane, ahbitual colaborados dos Passion Pit, Kindred é mais um disco que cimenta um projeto pop num género nem sempre fácil de rotular. Geralmente um álbum pop bem sucedido é um tratado com um propósito comercial, melódico e acessível a vários públicos, o que faz com que a busca de tal abrangência resvale para rodelas perdidas num universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Neste caso e como se entende logo na audição da épica e luminosa Lifted Up (1985) ou do single Until We Can’t (Let’s Go), a banda faz crescer em cada nota, verso ou vocalização, à boleia do sintetizador, todos os ingredientes que definem as referências principais dessa pop, acrescentando ainda, em determinados instantes, aspetos da música negra, brincando, assim, com a eletrónica de forma inédita, enquanto nos conduzem para a audição de mais um disco doce e, na mesma medida, pop.

Disco mais curto dos Passion Pit, Kindred é, talvez, o trabalho mais introspetivo do projeto, apesar de não deixar de ser comovente, conter versos e refrões sedutores e de fácil assimilação e de estar cheio de armadilhas sonoras que nos podem atrair para um universo bastante festivo, mas enganador, não só nas batidas da já citada Lifted Up (1985), como nas de My Brother Taught Me How To Swim. Seja como for, a nostalgia continua a ser uma marca transversal a quase todo o alinhamento, algo que os efeitos e a percussão de Whole Life Story tão bem transparecem, em canções que se debruçam sobre a adolescência conturbada de Angelakos (Dancing On The Grave, Whole Life Story), a saudade (All I Want) ou outros eventos que podem fazer parte da vida de qualquer um de nós, mas que deixam sempre marcas profundas (My Brother Taught Me How to Swim).

A aparente dicotomia concetual e sonora de Kindred faz do álbum um trabalho criativo e versátil, repleto de expressividade, sempre com a eletrónica como pano de fundo e um indisfarçável charme e delicadeza a reforçar o cariz intimista de mais um retato sonoro da existência de Angelakos, expresso em dez canções estimulantes e maduras. Espero que aprecies a sugestão...

Passion Pit - Kindred

01. Lifted Up (1985)
02. Whole Life Story
03. Where The Sky Hangs
04. All I Want
05. Five Foot Ten (I)
06. Dancing On The Grave
07. Until We Can’t (Let’s Go)
08. Looks Like Rain
09. My Brother Taught Me How To Swim
10. Ten Feet Tall (II)


autor stipe07 às 14:40
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Speedy Ortiz - Foil Deer

Os Speedy Ortiz de Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz), Darl Ferm (baixo) e Devin McKnight (guitarra), uma banda norte-americana de Northampton, no Massachussets. estão de regresso aos discos em 2015 com Foil Deer, um trabalho que chegou aos escaparates a vinte de abril, por intermédio da Carpark Records e que sucede ao EP Real Hair, editado o ano transato.

Foil Deer tem um alinhamento com doze temas e a banda encontra-se já em digressão a promover o conteúdo de um álbum que mantém os Speedy Ortiz na senda de temas plenos de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, como se percebe logo na imponente Good Neck, um tema tipicamente introdutório que baliza firmemente a orientação sonora de uma banda completa, no modo como roça quase sempre a genialidade a nível instrumental e na expressividade que coloca nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta.

Famosos igualmente pelos concertos impetuosos e pela atitude enérgica e rebelde em palco, os Speedy Ortiz firmam em Foil Deer, o segundo longa duração, uma posição de relevo no indie noise atual, com o produtor Nicolas Vernhes a ter um papel decisivo nesta firme impressão de poder e robustez transversal a todo o disco, muito à custa da cuidada exploração dos timbres da guitarra e uma grande ênfase nos arranjos. As cordas e os ruídos de fundo sintetizados de The Graduates são um claro exemplo deste vigor e desta expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth à cabeça, estampa um olhar genuíno e único.

Se esta impressão geral de pujança e elevada amplitude sonora é uma constante, tal não é sinónimo de agressividade ou ausência de bom gosto melódico. Temas como a rugosa Puffer ou Dot X são exemplos óbvios do bom gosto que os Speedy Ortiz colocam na questão da densidade e da diversidade melódica e mesmo quando o red line das guitarras se aproxima de um nível potencialmente perigoso, há sempre a sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Speedy Ortiz um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta My Dead Girl e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele; Em suma, as letras e a guitarra de Sadie Dupuis existem para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

1. Good Neck
2. Raising the Skate
3. The Graduates
4. Dot X
5. Homonovus
6. Puffer
7. Swell Content
8. Zig
9. My Dead Girl
10. Ginger
11. Mister Difficult
12. Dvrk Wvrld


autor stipe07 às 21:30
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

Speedy Ortiz - Puffer

Os Speedy Ortiz de Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz), Darl Ferm (baixo) e Devin McKnight (guitarra), uma banda norte-americana de Northampton, no Massachussets. estão de regresso aos discos em 2015 com Foil Deer, um trabalho que chegará aos escaparates a vinte de abril, por intermédio da Carpark Records e que sucede ao EP Real Hair, editado o ano transato.

Foil Deer terá um alinhamento com doze temas e a banda encontra-se já em digressão a promover o conteúdo de um álbum que, de acordo com Puffer, a nova amostra divulgada do mesmo, mantém os Speedy Ortiz na senda de temas plenos de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Confere...

 


autor stipe07 às 21:14
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Domingo, 29 de Março de 2015

KRILL - A Distant Fist Unclenching

Jonah Furman (baixo, voz), Aaron Ratoff (guitarra) e Ian Becker (bateria) são os Krill, uma banda oriunda de Boston, na costa leste dos Estados Unidos, já com meia década de existência e que a dezassete de fevereiro último lançou A Distant Fist Unclenching, o terceiro álbum da carreira do trio, nove excelentes canções gravadas por Justin Pizzoferrato, em julho e agosto de 2014, nos estúdios Sonelab em Easthampton, Massachusetts e masterizadas por Carl Saff. Editado pela insuspeita Exploding in Sound Records em parceria com a Double Double Whammy e a Steak Club Records, A Distant Fist Unclenching está disponivel em formato digital e em vinil.

Com uma já apreciável reputação no país de origem e digressões com os Deerhoof, os conterrâneos Speedy Ortiz, Big Ups ou The Thermals, os Krill preparam-se para dar o salto para a Europa este ano, trazendo na bagagem estas nove novas canções que encarnam uma verdadeira jornada sentimental, auto-depreciativa e filosófica pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que explora habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão do rock, com outras vertentes sonoras, nomeadamente o post punk e o hardcore, de uma forma direta, mas também densa, sombria, progressiva e marcadamente experimental. Esta é uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, se alia o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros tão bem recriados e reproduzidos há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

A Distant Fist Unclenching são, portanto, nove canções enérgicas, invadidas por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Phantom ou Torturer atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade descontrolada, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim sonoro acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do rock, com a já referida Torturer a ser talvez aquele tema que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Krill. Esta Torturer é um excelente exemplo da exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários, mas em instantes sonoros do calibre de Mom ou Squirrels a estreita relação entre guitarras carregadas de fuzz e um baixo vigoroso, amplia a intensidade experimental dos Krill e dá-lhes um lado ainda mais humano, orgânico e sentimental. A própria performance de Furman, dono de um registo vocal curioso e desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, é também um dos grandes suportes do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai, como já dei a entender, a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

Com o charme de uma recomendável toada lo fi como pano de fundo de toda esta apenas aparente amálgama, A Distant Fist Unclenching prova que os Krill estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos, como mostra este compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Krill são um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Phantom

Foot

Fly

Torturer

Tiger

Mom

Squirrels

Brain Problem

It Ends

 


autor stipe07 às 22:31
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015

Speedy Ortiz - Raising The Skate

Os Speedy Ortiz de Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz), Darl Ferm (baixo) e Devin McKnight (guitarra), uma banda norte-americana de Northampton, no Massachussets. estão de regresso aos discos em 2015 com Foil Deer, um trabalho que chegará aos escaparates a vinte de abril, por intermédio da Carpark Records e que sucede ao EP Real Hair, editado o ano transato.

Foil Deer terá um alinhamento com doze temas e a banda encontra-se já em digressão a promover o conteúdo de um álbum que, de acordo com Raising The Skate, a primeira amostra entretanto divulgada, mantém os Speedy Ortiz na senda de temas plenos de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Confere o artwork e alinhamento de Foil Deer e o primeiro single do disco...

A mostrar noname

1. Good Neck
2. Raising The Skate
3. The Graduates
4. Dot X
5. Homonovus
6. Puffer
7. Swell Content
8. Zig
9. My Dead Girl
10. Ginger
11. Mister Difficult
12. Dvrk Wvrld


autor stipe07 às 13:09
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015

Krill - Foot

Krill - "Foot"

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Krill são um trio liderado por Jonah Furman e que tem vindo a construir uma sólida reputação no universo alternativo local, principalmente devido a Steve Hears Pile In Malden And Bursts Into Tears, um EP que viu a luz do dia no início do ano que agora terminou.

A dezassete de fevereiro vai chegar aos escaparates A Distant Fist Unclenching, o novo longa duração dos Krill, através da Double Double Whammy/Exploding In Sound e Torturer foi o primeiro avanço divulgado do trabalho. Agora chegou a vez de Foot, o segundo tema do alinhamento de A Distant Fist Unclenching e com ele mais uma demonstração cabal da capacidade dos Krill para criar um indie rock com uma rispidez visceral que contém algo de extremamente sedutor e apelativo. Confere...


autor stipe07 às 16:55
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015

KRILL - Torturer

Krill - A Distant Fist Unclenching

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Krill são um trio liderado por Jonah Furman e que tem vindo a construir uma sólida reputação no universo alternativo local, principalmente devido a Steve Hears Pile In Malden And Bursts Into Tears, um EP que viu a luz do dia no início do ano que agora terminou.

A dezassete de fevereiro vai chegar aos escaparates A Distant Fist Unclenching, o novo longa duração dos Krill através da Double Double Whammy/Exploding In Sound e Torturer é o primeiro avanço divulgado do trabalho. Confere o tema, o alinhamento do álbum e o EP anterior, disponível para audição no bandcamp dos Krill.

01 Phantom
02 Foot
03 Fly
04 Torturer
05 Tiger
06 Mom
07 Squirrels
08 Brain Problem
09 It Ends


autor stipe07 às 13:27
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Hallelujah The Hills – Have You Ever Done Something Evil?

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em 2005 e com Ryan Walsh, Joseph Marrett, Ryan Connelly, Briant Rutledge e Nicholas Ward na formação. Depois de Collective Psychsis Begone (2007) e Colonial Drones (2009), conheci-os em 2012 com No One Knows What Happens Next, um disco disponível para download gratuito no bandcamp da banda e agora, dois anos depois, regressaram aos lançamentos discográficos, no passado dia treze de maio, com Have You Ever Done Something Evil?, um álbum que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago, tendo sido gravado nos estúdios 1809 Studios, em Nova Iorque e produzido pela própria banda e Dave Drago.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, álbuns que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.
Esta banda de Boston incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas também não descura o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk. As cordas de Home Movies e de Pick Up An Old Phone, o primeiro single retirado do disco, a distorção subsequente nos dois temas e a secção de sopros do primeiro, transportam-nos para o âmago do cancioneiro norte americano e a aproximação a ambientes mais psicadélicos pressente-se em A Domestic Zone e em Do You Have Romantic Courage. O single é uma canção que deve a sua pujança à bateria e ao baixo, instrumentos com os quais a voz de Ryan encaixa na perfeição, algo sublimado com os coros que preenchem o refrão.
Mas o som dos Hallelujah The Hills também é capaz de ir à costa oeste, com o cariz lo fi mais típico da Califórnia a prevalecer em temas como We Are What We Say We Are, onde as guitarras aproximam-se particularmente do surf rock típico da década de sessenta.
Have You Ever Done Something Evil? é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, que se destaca particularmente em Destroy This Poem e em The Possible Nows, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Have You Ever Done Something Evil? usa letras simples e guitarras aditivas, sendo clara a capacidade deste quinteto norte-americano em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que tem-se repetido à medida que cresce o catálogo da banda, que vai compilando com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Ryan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Hallelujah The Hills - Have You Ever Done Something Evil

01. We Are What We Say We Are
02. Try This Instead
03. Destroy This Poem
04. Do You Have Romantic Courage?
05. I Stand Corrected
06. Home Movies
07. A Domestic Zone
08. Pick Up An Old Phone
09. The Possible Nows
10. MCMLIV (Continuity Error)
11. Phenomenonology
12. You Got Fooled

 


autor stipe07 às 22:00
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Faces On Film – Elite Lines EP

Faces on Film é o projeto musical de Mike Fiore, um norte americano residente em Boston, no Massachussets que acaba de editar Elite Lines, um EP com oito canções que sucede a The Troubles, o disco de estreia do projeto, lançado em 2008 e a Some Weather, o trabalho anterior, editado em 2011. Elite Lines viu a luz do dia a vinte e cinco de março, foi gravado em casa de Fiore e nos estúdios Q Division, em Sommerville e produzido por Rafi Sofer. 

Nunca se deve menosprezar a generosidade do ocaso quando, no processo de pesquisa e contato com novos projetos musivais, faz-nos dar de caras com um projeto de indie rock com os níveis de inspiração tão em alta como me pareceu ter encontrado assim que comecei a escutar Elite Lines. Este EP foi um daqueles casos típicos em que a primeira impressão, à custa do single The Rule, realmente contou e as outras sete canções do alinhamento não defraudaram minimamente essa expetativa e boa impressão iniciais.

Há um aparente descomprometimento de Fiore em relação à busca de uma linearidade sonora que passe a identifcar o projeto Faces On Film, com traços caraterísticos e identitários sólidos e devidamente firmados. Com canções que oscilam entre a pop baladeira de Your Old One, a acústica do curto instrumental Elite Lines e de Bad Star, o rock básico e apenas implicitamente nostálgico e épico de The Rule e aquele mais visceral  que gosta de debitar uma toada blues, com travos de funk, patente em Percy e na pulsante Rake The Dust, Elite Lines é um EP que impressiona pela heterogeneidade e também, já agora, pelavoz de Fiore, um mestre na arte de seduzir e espalhar charme através de um registo vocal intenso, vibrante e apaixonado.

Deste modo, um dos grandes trunfos deste trabalho absolutamente fantástico e delicioso é que, por ser tão complexo e convergente, agrada facilmente quer a gregos quer a troianos. Do indie rock experimental à pop mais kitsch, Fiore correu o tipo de riscos que muitas vezes distingue os bons artistas dos medianos e cada um de nós escutará certamente algo neste EP que considera belo e que mexe consigo e poderá selecionar o tema preferido e com o qual melhor se identifica. Espero que aprecies a sugestão...

Faces On Film - Elite Lines

01. Percy
02. Elite Lines
03. The Rule
04. Your Old One
05. Bad Star
06. Heartspeed
07. Daytime Nowhere
08. Rake The Dust

 


autor stipe07 às 21:45
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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Pixies - Indie Cindy

No dia vinte e nove de abril chegou às lojas Indie Cindy, o novo disco dos Pixies de Black Francis e o primeiro longa duração da banda em vinte e três anos e, na verdade, uma súmula de dois EPs que o grupo editou em 2013 e que fui dando conta no blogue, aqui e aquiFormados em 1986, os Pixies são já, com toda a naturalidade, um dos nomes fundamentais do rock alternativo, um grupo que quando respira provoca imediatamente eco à escala global, apesar de ainda hoje passarem um pouco despercebidos em Boston, no Massachusetts, cidade que os viu nascer há quase trinta anos. Indie Cindy marca um regresso inesperado deste coletivo liderado por Black Francis aos discos, que nem sequer tinha tido direto a uma espécie de antecipação quando em junho levámos com Bagboy, uma canção que faz parte do alinhamento deste novo trabalho dos Pixies e que foi o tal respirar do grupo após um longo hiato de nove anos.

Partilho da opinião daqueles que consideram que este súbito ressurgimento dos Pixies está diretamente relacionado com o abandono da baixista Kim Deal do projeto, já este ano. Concordo que Black Francis, Joey Santiago e David Lovering sentiram necessidade de reagir a esse evento e provarem ao grande público e se calhar também a eles próprios que são capazes de prosseguir sem Kim e continuarem a ser relevantes para o universo musical em que se inserem.

Produzido por Gil Norton, o produtor responsável pelos discos dos Pixies que na fase inicial da carreira do grupo fizeram álbuns absolutamente fundamentais para o indie rock, nomeadamente Doolittle, Bossanova e Trompe Le Monde, Indie Cindy tem doze canções que, desde logo, denotam uma certa heterogeneidade, o que poderá indiciar que os Pixies procuram o melhor rumo para o futuro próximo. Assim, mais importante do que analisar qualitativamente estas canções, penso ser mais justo enquadrá-las em todas estas novas vicissitudes descritas e perceber que este trabalho não merece uma análise comparativa com a discografia anterior do grupo, visto significar, quase de certeza, a materialização de um novo recomeço para os Pixies, caso ainda haja futuro para este coletivo após a edição deste novo trabalho.

Este álbum não deixa de ter alguns destaques e convido à escuta atenta, logo a abrir, da vigorosa toada rock de What Goes Bloom e depois de Andro Queen, uma balada onde a voz de Francis tem toda a primazia, assim como do rock que se escuta nos primeiros acordes de Another Toe In The Ocean, tema onde o baixo também dá o ar da sua graça, tocado por Dingarcher, o substituto provisório de Kim. O ponto alto do disco chega com a homónima Indie Cindy, a canção que mais nos remete para o extraordinário e mágico universo sonoro dos Pixies, liderada pelas guitarras e onde é quase óbvia uma certa sonoridade surf rock, nada virgem neste grupo norte americano.

Indie Cindy pode ser uma materialização de uma evidente crise de meia idade de uma banda que insiste em esbracejar sem saber muito bem que rumo seguir e que duas décadas depois achou que poderia voltar a ser relevante já que, tendo em conta o estatuto que construiu, voltando a compôr não pode nunca aspirar a menos que isso. Há aqui um evidente desespero criativo que apenas acerta esporadicamente e, na generalidade das canções, quase uma paródia cómica do estilo do grupo que, no período aúreo, encantou milhares de fãs. Mas há que perceber que esta coletânea de canções chamada Indie Cindy deve ser, como já referi, analisada tendo em conta as circunstâncias difíceis que os Pixies têm atravessado e, por isso, a rodela deve ser exaltada por encarnar a coragem do grupo para prosseguir apesar de todo o historial recente. E alguns fogachos destas doze canções demonstram que é capaz de haver ainda uma pequena réstea cde esperança para os Pixies e que essa opção por continuar a respirar e a ecoar, se tiver sequência, poderá levá-los a ocupar novamente o trono do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Pixies - Indie Cindy

01. What Goes Boom
02. Greens And Blues
03. Indie Cindy
04. Bagboy
05. Magdalena 318
06. Silver Snail
07. Blue Eyed Hexe
08. Ring The Bell
09. Another Toe In The Ocean
10. Andro Queen
11. Snakes
12. Jaime Bravo


autor stipe07 às 21:12
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Segunda-feira, 10 de Março de 2014

Mean Creek - Local Losers

Naturais de Boston, os Mean Creek são Chris Keene (voz, guitarra), Aurore Ounjian (guitarra, voz), Kevin Macdonald (baixo) e Mikey Holland (bateria, percussão), uma banda com uma forte influência do rock alternativo dos anos sessenta e onde a sonoridade de nomes tão importantes como os Sonic Youth está muito presente. Local Losers é o mais recente disco dos Mean Creek, um disco lançado a vinte e oito de janeiro último por intermédio da Old Flame Records e que sucede a The Sky (Or The Underground), um trabalho que viu a luz do dia em outubro de 2009 e que tinha sido gravado nos estúdios 1867 Recording Studio, em Chelsea, no Massachusetts, estado de origem dos membros da banda.

Local Losers são apenas oito temas, tocados em pouco mais de vinte minutos. É um disco rápido, direto e conciso e bastante aditivo porque contém um punk rock inspirado, na senda não só dos já referidos Sonic Youth, mas também de outros nomes tão fundamentais como os The Lemonheads ou os Pixies.

Em Local Losers não há tempo e espaço para detalhes desnecessários. Logo a abrir, com Cool Town e My Madeline, duas canções disponibilizadas gratuitamente pela eidtora, fica clara a receita e os ingredientes que cozinharam este disco; As vocalizações de Chris Keene têm um cariz algo áspero e lo fi, mas isso só contribui para que os temas fluam livres de compromissos e de uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem viajar no tempo e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o grunge e o punk rock. Além desse aspeto único da voz, não há como fugir da energia poderosa que é debitada por guitarras em constante red line e por uma bateria poderosa e grave, em canções que falam do amor, de dúvidas existênciais, momentos confusos, solidão e corações partidos, no fundo, que falam da vida de qualquer um de nós, feita de altos e baixos.

Rezam as crónicas que os Mean Creek estão unidos por uma forte amizade de vários anos, que souberam sempre ultrapassar divergências e momentos menos bons e seguir em frente e Local Losers soa a isso mesmo, a quatro amigos que juntos, num espaço só deles, trocam ideias e tocam sobre emoções. Os Mean Creek acabam por ser mais uma visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons mais viscerais do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste pequeno disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Espero que aprecies a sugestão...

Mean Creek Announce 'Local Losers' Album Released January 28th 2014

01. Cool Town
02. My Madeline
03. Anxiety Girl
04. Night Running
05. Johnny Allen
06. Mass. Border
07. Hangover Mind
08. Teenage Feeling


autor stipe07 às 21:40
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Domingo, 8 de Setembro de 2013

Pixies – EP1

Formados em 1986, os Pixies são já, com toda a naturalidade, um dos nomes fundamentais do rock alternativo, um grupo que quando respira provoca imediatamente eco à escala global, apesar de ainda hoje passarem um pouco despercebdos em Boston, no Massachusetts, cidade que os viu nascer há quase trinta anos. EP 1 marca um regresso inesperado deste coletivo liderado por Black Francis aos discos, que nem sequer tinha tido direto a uma espécie de antecipação quando em junho levámos com Bagboy, uma canção que não faz parte do alinhamento deste novo trabalho dos Pixies e que foi o tal respirar do grupo após um longo hiato de nove anos.


Partilho da opinião daqueles que consideram que este súbito ressurgimento dos Pixies está diretamente relacionado com o abandono da baixista Kim Deal do projeto, já este ano. Concordo que Black Francis, Joey Santiago e David Lovering sentiram necessidade de reagir a esse evento e provarem ao grande público e se calhar tabém a eles próprios que são capazes de prosseguir sem Kim e continuarem a ser relevantes para o universo musical em que se inserem.

Produzido por Gil Norton, o produtor responsável pelos discos dos Pixies que na fase inicial da carreira do grupo fizeram álbuns absolutamente fundamentais para o indie rock, EP 1 tem quatro cançoes que, desde logo, denotam uma certa heterogeneidade, o que poderá indiciar que os Pixies procuram o melhor rumo para o futuro próximo. Assim, mais importante do que analisar qualitativamente estas quatro canções, penso ser mais justo enquadrá-las em todas estas novas vicissitudes descritas e perceber que este trabalho não merece uma análise comparativa com a discografia anterior do grupo, visto significar, quase de certeza, a materialização de um novo recomeço para os Pixies.

EP 1 começa com Andro Queen, uma balada onde a voz de Francis tem toda a primazia, com o rock a chegar nos primeiros acordes de Another Toe In The Ocean, tema onde o baixo também dá o ar da sua graça, tocado por Dingarcher, o substituto provisório de Kim. Já agora, o nome mais apontado para fazer parte do alinhamento oficial dos Pixies a tocar baixo é outra Kim; Esta tem como apelido Shattuck e fez parte dos The Muffs e dos The Pandoras.

O ponto alto de EP 1 chega com Indie Cindy, a canção que mais nos remete para o extraordinário e mágico universo sonoro dos Pixies, liderada pelas guitarras e onde é quase óbvia uma certa sonoridade surf rock, nada virgem neste grupo norte americano. A toada rock mantém-se com a vigorosa What Goes Bloom e assim, quando o EP começa a entrar definitivamente no goto, é quando ele termina.

EP1 deve ser, como já referi, analisado tendo em conta as circunstâncias difíceis que os Pixies têm atravessado e deve ser exaltado por encarnar a coragem do grupo para prosseguir apesar de todo o historial recente. E estas quatro canções demonstram que é muito válida essa opção por continuar a respirar e a ecoar já que, se estes temas e em especial Indie Cindy e What Goes Bloom, fizerem parte ou servirem de inspiração para o próximo longa duração do grupo, então os Pixies voltarão a ocupar novamente o trono do indie rock alternativo. Para já sugiro vivamente que apreciem ao vivo estas quatro canções, Bagboy e outros temas que fazem parte do imaginário de todos nós no próximo dia nove de novembro no Coliseu de Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

Pixies - Indie Cindy

01. Andro Queen
02. Another Toe
03. Indie Cindy
04. What Goes Boom


autor stipe07 às 20:30
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Sanders Bohlke – Ghost Boy

Sanders Bohlke é Natural de Oxford, no Massachussets, e Ghost Boy é o seu novo disco, editado no passado dia dezanove de fevereiro através da Communicating Vessels. Falo de um álbum escrito durante uma espécie de retiro que o músico fez num inverno recente nas frias montanhas da Virgínia e que espelha a evolução natural de um homem que começou por ser um simples cantor e escritor de canções, que tinha a guitarra acústica como principal amiga e confidente para, mantendo estes elementos, tornar-se num projeto a solo mais abrangente e imaginativo.

Ghost Boy abre com Pharaoh, uma canção que ao começar com um verso à capella que fala de crying eyes in the cemetery breeze, muito ao estilo de uns Fleet foxes, desde logo constrói uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós. E esse tapete que se acomoda no nosso íntimo acaba por ser o poiso ideal para as vocalizações, a bateria, o baixo e a distorção elétrica da guitarra que Ghost Boy, o tema homónimo, contém, um tema que nos delicia com o piano e o baixo, que em conflito se abraçam numa melodia única, sendo sonoramente algo novo e refrescante no cardápio musical de Sanders. De seguida, em Lights Explode a viola e o piano criam uma atmosfera sonora contemplativa que fala da dor do arrependimento.

Mas o disco tem mais pérolas que vale a pena descobrir. The Loved Ones e Serious revisitam os momentos mais acústicos e ambientais da carreira de Sanders. Nesta toada menos elétrica sobressai a curiosa e religiosa An Unkindness of Ravens, um tema que usa uma bateria em crescendo e uma guitarra elétrica para falar da fúria de Deus e da forma emocional como ele range e chora quando lida com a a sua suposta criação e dela dispõe quando considera que não somos legítimos das maravilhas que Ele criou e vê-se forçado a fazer descer um manto de escuridão sobre a Terra. De seguida, em Across The Atlantic, o falsete de Sanders fala de uma viagem pelo oceano, na busca de paz e tranquilidade e pede ao mesmo Deus da canção anterior para que seja mais gentil, delicado e compreensivo.

Um outro tema que me marcou foi e também destaco é Atlas, uma canção que tem a particularidade de se sustentar em sintetizadores e teclados com efeito e que se prolongam em Serious. As cordas de Long Year falam da saudade de tempos passados, nomeadamente de quando o músico tinha dezoito anos e quer a letra quer a melodia tornam a música incrivelmente sombria e algo inquieta.

Ghost Boy termina com a descrição da mulher perfeita em My Baby, outro tema com belíssimos arranjos acústicos e com Death Is Like A Beating Drum, uma canção de amor que se destaca por incluir um banjo.

Ghost Boy requer tempo e merece uma audição atenta e dedicada já que é o resultado sonoro das experiências de vida de um compositor que tem lutado e ultrapassado vários obstáculos, até se tornar no músico experiente e maduro que este disco plasma, cheio de momentos complexos e etéreos e de exuberantes paisagens sonoras. Cada canção de Ghost Boy é uma espécie de extensão das memórias e das emoções de Bohlke. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pharaoh
02. Ghost Boy
03. Lights Explode
04. The Loved Ones
05. Atlas
06. Serious
07. An Unkindness Of Ravens
08. Across The Atlantic
09. Long Year
10. My Baby
11. Death Is Like A Beating Drum

 


autor stipe07 às 21:17
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