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Bill Callahan – The Man I’m Supposed To Be

Domingo, 16.11.25

Bill Callahan está de regresso ao nosso radar com um novo single intitulado The Man I’m Supposed To Be, quatro anos depois de ter dado as mãos a Will Oldham, que assina a sua música como Bonnie “Prince” Billy. Nessa altura fizeram juntos uma viagem a algum do melhor cancioneiro norte-americano contemporâneo, incubando uma fascinante coleção de versões de originais de nomes que respeitam e veneram, apresentando sempre, em cada nova gravação, um terceiro elemento convidado.

The Man I’m Supposed To Be é o primeiro avanço revelado de My Days of 58, o disco que o músico norte-americano, natural de Silver Spring, no Maryland, vai colocar nos escaparates a vinte e sete de fevereiro de dois mil e vinte e seis, com a chancela da Drag City e que sucede ao registo  YTI⅃AƎЯ, que o artista lançou em dois mil e vinte e dois.

Criado com a ajuda de Matt Kinsey na guitarra, Dustin Laurenzi no sax tenor e Jim White na bateria, músicos que também participam nas restantes composições do álbum, juntamente com Richard Bowden (fiddle), Pat Thrasher (piano), Chris Vreeland (baixo), Mike St. Clair (trombone) e Bill McCullough (pedal steel), The Man I’m Supposed To Be é country folk rock psicadélico substantivo e de primeira água, feito de uma feliz simbiose entre viola acústica e guitarra rugosa. Estas cordas são acompanhadas pela indução de diversos arranjos e tiques, dos quais sobressaem, além dos sopros, alguns insinuantes metais e teclas de um piano longínquo, num clima de tensão constante, que dá corpo e substância a uma composição que comprova, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade, a superior capacidade interpretativa de Callahan. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 14:13

Panda Bear - Virginia Tech

Segunda-feira, 09.06.25

Foi no passado dia vinte e oito de fevereiro que chegou aos escaparates Sinister Grift, o sétimo álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, registo que sucedeu ao aclamado Buoys, de dois mil e dezanove e que foi, como seria expetável, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

Chris Shonting

Um dos grandes destaques de Sinister Grift era o single Defense, a composição que encerrava o alinhamento do disco e que contava com a participação especial do canadiano Cindy Lee, que toca guitarra. Assente numa batida vigorosa e exemplarmente marcada, em alguns efeitos sintéticos planantes da tal guitarra, eletrificada e interpretada com mestria e com um fulgor experimental intenso, Defense ofereceu-nos um verdadeiro tratado de indie pop que, não deixando de exalar um certo travo cósmico, continha também um charme e um travo sedutor marcantes.

O b side deste single era um tema intitulado Virginia Tech, produzido por Deakin, colega de Lennox nos Animal Collective e por Daniel Lopatin aka Oneohtrix Point Never e que, cerca de quatro meses depois, acaba de ter direito a lançamento no formato single, disponível em formato digital no bandcamp de Panda Bear. 

Vigoroso e oscilando num misto de hipnotismo e de psicadelia, Virginia Tech é um verdadeiro tratado de eletropop sintética, com diversas camadas de sintetizações, umas mais cósmicas e planantes e outras mais rugosas e abrasivas, a acamarem-se numa batida inebriante, num resultado final que, não deixando de exalar um certo travo cósmico, contém também um charme e um travo sedutor marcantes. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:47

Panda Bear – Ferry Lady

Domingo, 12.01.25

Será a vinte e oito de fevereiro que vai chegar aos escaparates Sinister Grift, o sétimo álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, registo que sucede ao aclamado Buoys, de dois mil e dezanove e que será, certamente, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

Chris Shonting

Produzido por Josh “Deakin” Dibb, colega de Noah nos Animal Collective, Sinister Grift terá a chancela da Domino Recordings e Defense foi, como certamente se recordam, o primeiro single retirado do seu alinhamento de dez canções, tendo estado em alta rotação nesta redação e neste espaço de crítica musica durante o passado mês de outubro. Era uma canção que contava com a participação especial do canadiano Cindy Lee e que nos ofereceu um verdadeiro tratado de indie pop que, não deixando de exalar um certo travo cósmico, continha também um charme e um travo sedutor marcantes.

Agora chega a vez de conferirmos Ferry Lady, o sexto tema do alinhamento de Defense. É uma composição que reflete sobre o fim das relações e a necessidade de olhar em frente e com um perfil sonoro eminentemente psicadélico. Diversas sintetizações abrasivas e imponentes trompetes, cruzam-se com curiosos elementos percussivos com um travo tribal insinuante e com algumas cordas com um dedilhar vibrante, num resultado final algo inquietante e, ao mesmo tempo, hipnótico. Confere Ferry Lady e o vídeo da canção assinado por Danny Perez...

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publicado por stipe07 às 15:39

Panda Bear – Defense (feat. Cindy Lee)

Terça-feira, 22.10.24

Será a vinte e oito de fevereiro do próximo ano que vai chegar aos escaparates Sinister Grift, o sétimo álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, registo que sucede ao aclamado Buoys, de dois mil e dezanove e que será, certamente, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

FLOOD - Panda Bear Returns with New LP “Sinister Grift,” Recruits Cindy Lee  for First Single “Defense”

Produzido por Josh “Deakin” Dibb, colega de Noah nos Animal Collective, Sinister Grift terá a chancela da Domino Recordings e Defense é o primeiro single retirado do seu alinhamento de dez canções, sendo, curiosamente, a composição que encerra o disco. O tema conta com a participação especial do canadiano Cindy Lee, que toca guitarra e, no meio de uma batida vigorosa e exemplarmente marcada, de alguns efeitos sintéticos planantes e da tal guitarra, eletrificada e interpretada com  mestria e com um fulgor experimental intenso, oferece-nos um verdadeiro tratado de indie pop que, não deixando de exalar um certo travo cósmico, contém também um charme e um travo sedutor marcantes. Confere Defense e o artwork e a tracklist de Sinister Grift...

Praise
Anywhere But Here
50mg
Ends Meet
Just As Well
Ferry Lady
Venom’s In
Left In The Cold
Elegy For Noah Lou
Defense

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publicado por stipe07 às 13:37

Future Islands – Glimpse

Quarta-feira, 11.09.24

Cerca de quatro anos depois do excelente registo As Long As You Are, os norte-americanos Future Islands regressaram aos discos em fevereiro último com um novo trabalho intitulado People Who Aren’t There Anymore, um alinhamento de doze canções que tinha a chancela da 4AD e que foi produzido por Steve Wright.

Future Islands disponibiliza novo single; veja clipe em animação de “Glimpse”  - A Rádio Rock - 89,1 FM - SP

Eram vários os momentos altos de People Who Aren’t There Anymore, com canções como King Of Sweden, Deep In The Night ou Peach, a serem trechos sonoros centrais de um registo que apontou algumas novas matrizes à já riquíssima carreira dos Future Islands que, juntando rock e eletrónica, jogaram, nesse álbum, com equilíbrio, perspicácia e elevado sentido criativo estes dois mundos que sempre pareceram como água e azeite, mas que afinal podem tocar-se, sem haver fronteiras claras, nessa simbiose.

Agora, pouco mais de meio ano depois do lançamento de People Who Aren’t There Anymore, a banda norte-americana sedeada em Baltimore, no Maryland formada por Samuel T. Herring, Gerrit Welmers, William Cashion e Michael Lowry, divulga um novo tema intitulado Glimpse, uma canção que foi incubada durante o processo de gravação de People Who Aren’t There Anymore, mas que ficou de fora do seu alinhamento. Glimpse versa sobre um incêndio numa moradia familiar e os percas emocionais, físicas e materiais subjacentes ao evento e, tendo já direito a um vídeo assinado por Jayla Smith, contém um perfil sonoro eminentemente radiofónico e apelativo, assente em sintetizadores com uma forte tonalidade nostálgica oitocentista, um baixo vigoroso e anguloso e um registo percussivo que, como é norma nos Future Islands, impressiona pelo vigor e pela majestosidade. Confere...

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publicado por stipe07 às 08:58

Future Islands – People Who Aren’t There Anymore

Sábado, 10.02.24

Cerca de quatro anos depois do excelente registo As Long As You Are, os norte-americanos Future Islands estão de regresso aos discos com um novo trabalho intitulado People Who Aren’t There Anymore, um alinhamento de doze canções que tem a chancela da 4AD e que foi produzido por Steve Wright.

Future Islands - People Who Aren't There Anymore (Album Review) -  Stereoboard

Os Future Islands chegam ao sétimo disco já com a percepção clara de que fazem parte, com inteiro mérito, dos lugares de topo do panorama sonoro em que se movimentam. Com essa conquista no bolso, a tentação de acomodação e repetição da fórmula vencedora dos trabalhos antecessores poderia ser grande, mas People Who Aren't There Anymore não cai nessa esparrela, sendo, claramente, mais um passo evolutivo do projeto, num disco que, mais uma vez, reflete imenso as experiências pessoais de Herring, mas também a passagem do tempo pelos membros da banda que sentiram imenso a situação pandémica que todos vivemos. São, em síntese, doze canções sonorizadas através de inspiradas e felizes interseções entre uma componente sintética bem vincada e onde os sintetizadores são reis e uma secção rítmica fluída, como é apanágio deste grupo formado pelo já citado Samuel T. Herring e ao qual se juntam Gerrit Welmers, William Cashion e Michael Lowry.

De facto, quem estiver familiarizado com o catálogo dos Future Islands, escuta People Who Aren't There Anymore e sente, no geral, um clima mais intrincado, carregado e melancólico do que o habitual. Continuam a existir, sonoramente, um anguloso convite à dança ao longo da audição, com especial ênfase para Give Me the Ghost Back, uma canção em que curiosamente, mais se sente, liricamente, o peso das angústias e dilemas que hoje sobrevoam este quarteto e que comprova a mestria da escrita de Samuel Herring, um verdadeiro prodígio a cantar, mas também primoroso quando segura a caneta na mão.

Portanto, canções como King Of Sweden, um épico tema de abertura recheado de cascatas de sintetizações inebriantes, que versa sobre a relação de Herring com a atriz sueca Julia Ragnarsson, The Fight, uma canção com um perfil mais climático e intimista e que convida o ouvinte a desligar-se da realidade que o rodeia e a entrar num universo muito pessoal, já que, na canção, Samuel Herring disserta sobre alguns dos seus demónios interiores, ou Say Goodbye, um tema que fala sobre o amor e as inseguranças que provoca quando é vivido à distância e que, sonoramente, impressiona pelo vigor e majestosidade das sintetizações borbulhantes e dos diversos entalhes percurssivos que vão sendo adicionados e que sustentam uma batida frenética, são exemplos que plasmam uma mescla feliz entre o orgânico e o sintético, sempre com a herança da melhor pop oitocentista em declarado ponto de mira, aquela pop movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente.

Em suma, People Who Aren't There Anymore é mais um momento sonoro em que os Future Islands, abrigados por uma já longa e distinta carreira, apontam algumas novas matrizes e precisam a sua inédita definição de pop, que juntando rock e eletrónica, não renega o rico passado que esses espetros sonoros contêm. Ao mesmo tempo que este quarteto sedeado em Baltimore, no Maryland, joga este jogo com equilíbrio, perspicácia e elevado sentido criativo, conjugando dois mundos que sempre pareceram como água e azeite, mas que afinal podem tocar-se, os Future Islands continuam a envolver-nos e a emocionar-nos sem haver fronteiras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:12

Future Islands – Say Goodbye

Sábado, 20.01.24

Os norte-americanos Future Islands não lançam nenhum álbum desde o excelente registo As Long As You Are, de dois mil e vinte. Mas, desde então, não têm vivido um hiato criativo, nem têm estado em pousio. Além de terem lançado os singles Peach, em dois mil e vinte e um e King Of Sweden, o ano passado, recentemente andaram em digressão com os Weezer e Samuel T. Herring, o vocalista e líder da banda, participou ativamente em canções assinadas por billy woods, os Algiers e R.A.P. Ferreira. No entanto, esta pausa nos discos tem os dias contados, porque na próxima semana irá chegar aos escaparates um novo trabalho do projeto intitulado People Who Aren’t There Anymore, um alinhamento de doze canções que terá a chancela da 4AD e que foi produzido por Steve Wright.

Future Islands Share New Single "Say Goodbye": Listen

Do novo álbum da banda natural de Baltimore, no Maryland, já foram alvo de revisão neste nosso espaço de divulgação o referido tema King Of Sweden, que abrirá o alinhamento de People Who Aren’t There Anymore, o single The Tower, que divulgámos oportunamente, no início do passado mês de novembro e The Fight, a nona canção do alinhamento do trabalho, que foi destaque no início de dezembro, uma canção com um perfil mais climático e intimista que os singles anteriores e que convidava o ouvinte a desligar-se da realidade que o rodeia e a entrar num universo muito pessoal, já que, na canção, Samuel Herring disserta sobre alguns dos seus demónios interiores.

Agora, a poucos dias da chegada de People Who Aren’t There Anymore aos escaparates, é possível escutar a composição Say Goodbye. É um tema que fala sobre o amor e as inseguranças que provoca quando é vivido à distância e que, sonoramente, impressiona pelo vigor e majestosidade das sintetizações borbulhantes e dos diversos entalhes percurssivos que vão sendo adicionados e que sustentam uma batida frenética. O resultado final, como é hábito nos Future Islands, assenta numa mescla feliz entre o orgânico e o sintético, com a herança da melhor pop oitocentista em declarado ponto de mira. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:48

Future Islands – The Fight

Quinta-feira, 07.12.23

Os norte-americanos Future Islands não lançam nenhum álbum desde o excelente registo As Long As You Are, de dois mil e vinte mas, desde então, não têm vivido um hiato criativo, nem têm estado em pousio. Além de terem lançado os singles Peach, em dois mil e vinte e um e King Of Sweden, o ano passado, recentemente andaram em digressão com os Weezer e Samuel T. Herring, o vocalista e líder da banda, participou ativamente em canções assinadas por billy woods, os Algiers e R.A.P. Ferreira.

No entanto, esta pausa nos discos tem os dias contados, porque a vinte e seis de janeiro próximo, irá chegar aos escaparates um novo trabalho do projeto intitulado People Who Aren’t There Anymore, um alinhamento de doze canções que terá a chancela da 4AD.

Do novo álbum da banda natural de Baltimore, no Maryland, já se conhece o referido tema King Of Sweden, que abrirá o alinhamento de People Who Aren’t There Anymore e o single The Tower, que divulgámos oportunamente, no início do passado mês de novembro. Agora chega a vez escutarmos The Fight, a nona canção do alinhamento do trabalho.

Com um perfil mais climático e intimista que os singles anteriores, em The Fight Samuel Herring convida o ouvinte a desligar-se da realidade que o rodeia e a entrar num universo muito pessoal, já que, na canção, o artista disserta sobre alguns dos seus demónios interiores, com a sua voz, sempre plena de amplitude, emotividade e intensidade, a ser acamada por sedutoras sintetizações repletas de charme, trespassadas por algumas guitarras ecoantes, num resultado final brilhante e que, como é hábito nos Future Islands, assenta numa mescla feliz entre o orgânico e o sintético, com a herança da melhor pop oitocentista em declarado ponto de mira. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:40

Panda Bear & Sonic Boom - Go On

Terça-feira, 19.07.22

Os Panda Bear e o projeto Sonic Boom têm já uma longa história de parcerias, mais ou menos profícuas. Recordo que Peter Kember misturou e masterizou o registo Tomboy, disco a solo de Noah Lennox, a grande trave mestra dos Panda Bear e fez também parte dos créditos de produção de disco de dois mil e quinze, Panda Bear Meets The Grim Reaper, que à época fez furor na nossa redação. Entretanto, por essa altura, Kember mudou-se para Lisboa, onde Lennox, natural de Baltimore, no Maryland, já vive há ainda mais tempo e os dois artistas têm cimentado ainda mais uma relação que vai, finalmente, materializar-se num disco intitulado Reset, que irá ver a luz do dia em novembro com a chancela da Domino Recordings.

Panda Bear reveals details of collaborative album and shares new song, 'Go  On'

Reset terá como grande inspiração a coleção de discos de Peter Kember das duas primeiras décadas da última metade do século passado e terá vários samples desse acervo. Aliás, a demora na publicação de Reset deve-se com o processo de obtenção das indispensáveis autorizações para a utilização de vários trechos de outros artistas, desses anos cinquenta e sessenta.

Go On é o primeiro single revelado de Reset, uma composição que contém um sample do clássico de mil novecentos e sessenta e sete, Give It To Me, dos míticos The Troggs, uma banda inglesa que era formada por Reg Presley, Chris Britton, Pete Staples e Ronnie Bond. Uma guitarra agreste, sempre firme no jogo de cintura que mantém com diversas sintetizações inebriantes e diversos elementos percussivos das mais diversas proveniências, é a grande pedra de toque de uma composição que impressiona, como é hábito nos Panda Bear, pelo inconformismo experimental e pelo modo buliçoso como se mantêm particularmente inventivos mesmo num espetro sonoro onde é fácil cair na redundância e num certo marasmo, ou então, pior do que isso, resvalar para uma exacerbada radiofonia e um vício comercial que acabe por tolher, absorver e, no final, asfixiar projetos. Confere Go On e a tracklist de Reset...

Gettin’ To The Point
Go On
Everyday
Edge Of The Edge
In My Body
Whirlpool
Danger
Livin’ In The After
Everything’s Been Leading To This

 

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publicado por stipe07 às 21:39

Beach House - Once Twice Melody

Terça-feira, 12.04.22

Quase meia década depois de 7, os Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, estão de regresso com Once Twice Melody, a sua obra mais grandiosa, um megalómano alinhamento de dezoito canções que duram mais de oitenta minutos verdadeiramente épicos e que comprovam que esta dupla nunca foi nem será nada timida a cortejar o infinito, porque não receia desafiá-lo.

Beach House – “Once Twice Melody” - Festival da Noção

Entre a luz e a escuridão é muitas vezes efémera a distância que separa estes dois mundos tão díspares. Mas a música dos Beach House consegue sublimar, quase sem se distinguir a fronteira entre duas realidades que, ao som desta dupla, parecem tudo menos distintas. De facto, este Once Twice Melody, que é, curiosamente, o primeiro registo que os próprios Beach House produzem, tem logo no tema homónimo esse perfume de interação, com os sintetizadores a fornecerem nuances predominantemente claras e reluzentes e o baixo e as guitarras a pintarem tonalidades mais obscuras, mas repletas de charme, numa composição que nos coloca de frente, sem apelo nem agravo, para a filosofia estilística que encharca todo o disco. Entre esses dois pontos efêmeros, Victoria Legrand e Alex Scally se deleitam na interação de sombra e luz, o perfume das flores desabrochando à noite, a rapsódia da própria sensação. Superstar, logo a seguir, dá um cariz ainda mais superlativo e sumptuoso, com Pink Funeral a dissolver definitivamente o nosso ouvido numa trama que tem também, diga-se, uma forte componente cinematográfica no seu âmago.

Já capturados e sem possibilidade de nos libertarmos de tais amarras, na ziguezagueante cosmicidade de Through Me, na languidez metálica de Runaway e no perfume aveludado de ESP prossegue este verdadeiro devaneio pop, que sem deixar de descrever a habitual marca registada dos oito registos que fazem já parte do cardápio dos Beach House, ganha, neste Once Twice Melody, laivos de superlativo requinte.

Até ao ocaso do registo, o caráter e o cenário nunca mudam, mesmo que no techno melódico de Only You Know, nos coros celestiais de Over And Over e em Illusion Of Forever pareça haver uma vontade de espreitar territórios um pouco mais agrestes e progressivos. Há guitarras acústicas repletas de vocoders mágicos, sintetizadores analógicos aquosos e mudanças de acordes que explodem como fogos de artifício contra o céu noturno, refrões crescentes e conjuntos sumptuosos de sintetizadores, mas a essência de som permanece sempre inabalável e suporta com distinção o natural desgaste dos minutos, dada a duração do alinhamento do disco.

Colocando Once Twice Melody em perspetiva, relativamente ao trajeto da banda, parece-me claro referir que toda a carreira dos Beach House sabe a um longo e gradual processo de transformação, um caminho lentamente sinuoso que levou a dupla até este ponto. Ao longo dos anos, eles fizeram ajustes subtis no lânguido modelo de slowcore que criaram para si desde o homónimo de dois mil e seis, passando pela veludez de Depression Cherry e o musculado shoegaze de 7,  até chegarem a um ponto em que, tendo construído nesse longínquo disco de estreia a embarcação em que navegam, ao longo da viagem é como se tivessem substituido, gradualmente, todas as suas peças, desde o mastro, ao cordame, passando pelas velas e o casco, até não restar uma única peça original do barco, com o definitivo novo navio personificado neste Once Twice Melody  a ser, no fundo, exatamente a mesma embaracação com que iniciaram a jornada. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:31






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