Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

Luke Sital-Singh - New Haze EP

Depois da edição, em dezembro último, de uma cover do clássico Strange & Beautiful (I’ll Put A Spell On You), um original de dois mil e dois do projeto Aqualung, e que sucedeu aos EPs Just A Song Before I Go e Weight Of Love e ao disco A Golden State, o britânico Luke Sital-Singh, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, acaba de lançar um EP recheado de colaborações, intitulado New Haze, quatro canções que chegaram aos escaparates hoje mesmo, através da etiqueta The Orchard.

Luke Sital-Singh “Undefeated” – Listen – Americana UK

New Haze abre de forma luminosa e vibrante com Almost Home, composição cujos créditos Sital-Singh divide com o amigo Steve Aeillo (Lana Del Ray, Mumford & Sons, Thirty Seconds To Mars) e na qual o músico se debruça sobre os normais dilemas de quem fez uma mudança de residência e de vida transatlântica e de como isso pode redifinir aquele conceito de casa que todos temos e que pode variar imenso de pessoa para pessoa. Logo a seguir o delicioso aviamento com cordas e outros arranjos eletrificados impregnados de uma pegada folk eminentemente melancólica, prossegue com Skin Of A Fool, numa toada um pouco mais intimista e acústica, que atinge elevado grau de brilhantismo em My Sweet Tide e um peculiar dramatismo em Undefeated, num resultado final tremendamente fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico britânico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na génese, transborda. Espero que aprecies a sugestão...

Luke Sital-Singh - New Haze

01. Almost Home
02. Skin Of A Fool
03. My Sweet Side
04. Undefeated


autor stipe07 às 22:08
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Terça-feira, 31 de Março de 2020

Sondre Lerche – You Are Not Who I Thought I Was

Sondre Lerche - You Are Not Who I Thought I Was

Sondre Lerche é um músico, cantor e compositor norueguês que vive em Brooklyn, Nova Iorque e que também se tem notabilizado pela composição de bandas sonoras, além do seu trabalho a solo. Impressionou esta redação há uma meia década com Please, um disco que apostava numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tinha algo de profundamente dramático e atrativo. Eram dez músicas diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionavam uma festa pop, psicadélica e sensual.

Agora, em dois mil e vinte, Sondre Lerche está de regresso aos discos com Patience, um registo que chegará aos escaparates a cinco de junho próximo à boleia do selo PLZ. You Are Not Who I Thought I Was é o primeiro single divulgado do alinhamento deste novo registo do músico norueguês, uma composição com um ambiente de festa bem vincado, assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo. Confere...


autor stipe07 às 22:04
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Segunda-feira, 30 de Março de 2020

Dela Marmy - Captured Fantasy EP

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último.

Dela Marmy - Not Real - man on the moon

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Assim, do notável festim sintético que adorna a guitarra planante que sustenta Flying Fishes, até ao delicioso charme contemplativo que nos proporciona a romântica Take Me Back Home, passando pelo travo pop muito peculiar de Not Real, arquitetado por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, numa canção pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, são vários os momentos deliciosos de um EP cujo birlhantismo é rematado por um registo vocal ecoante que confere ao alinhamento, no seu todo, um charme intenso e tipicamente feminino, como, aliás, convém. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:51
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Domingo, 29 de Março de 2020

Young Knives – Sheep Tick

Young Knives - Sheep Tick

Tendo iniciado a carreira discográfica com Voices Of Animals And Men e depois Superabundance, os Young Knives dos irmãos Henry e Thomas Dartnall, aos quais se juntou Oliver Askew, obtiveram rapidamente uma boa reputação e um interessante sucesso comercial de vendas. Depois, em dois mil e onze, com Ornaments From The Silver Arcade, chegaram ainda mais longe na divulgação da sua música, mudaram um pouco o seu som, dando-lhe uma componente mais soul, introduziram novos instrumentos no processo de gravação, contaram com o reputado produtor Nick Launay e alguns músicos, cantores e percussionistas e, através desse trabalho, plasmaram o gosto pelo experimentalismo e pela chamada música de dança. O resultado foi uma míriade de sonoridades, assentes no punk, mas com pinceladas de groove, house, soul, jazz e até alguma eletrónica.

O passo seguinte deu-se quase no ocaso de dois mil e treze, com um trabalho dinâmico e cheio de pequenas surpresas chama-do Sick Octave, álbum que na altura nos propôs uma viagem intensa por diversas sonoridades, climas, emoções e inspirações, um alinhamento de treze temas pensado e desenvolvido numa atmosfera de total liberdade criativa, lançado pelos Young Knives de modo independente, com os próprios recursos financeiros do grupo e sem reportar fosse a quem fosse o andamento do trabalho e o conteúdo sonoro do mesmo.

Depois deste excelente registo os Young Knives ficaram um pouco fora de cena, mas parecem dispostos a voltar a ribalta em dois mil e vinte com um novo trabalho discográfico, que será o quinto da carreira do projeto, uma intenção revelada juntamente com Sheep Tick, o primeiro single desse disco ainda sem nome revelado. A canção é um portento sonoro que mescla algumas das traves mestras da melhor pop contemporânea de raízes eminentemente sintéticas com o indie rock, comercial, pincelado com deliciosos detalhes típicos do punk e do krautrock, num resultado final claramente glorioso e que nos deixa de apetite aguçado para as próximas cenas deste espetacular acordar dos Young Knives. Confere...


autor stipe07 às 22:47
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Quarta-feira, 25 de Março de 2020

Grouplove – Healer

Terminou a espera e já viu a luz do dia o sucessor do excelente registo Big Mess que os norte-americanos Grouplove de Hannah Hooper e Christian Zucconi, editaram em dois mil e dezasseis. O novo registo dos Grouplove chama-se Healer e contém onze canções com a chancela da Canvasback, muito marcadas pelo problema de saúde que Hannah Hooper teve de enfrentar durante este interregno, já que foi diagnosticada com uma mal-formação no cérebro e teve de ser internada durante um longo período, suficiente para a fazer olhar para o mundo em redor e para a sua própria existência de um modo mais profundo e racional do que o habitual.

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Healer é, antes de mais e no seu todo, um portento de luz, cor e festa, um alinhamento que traduz na perfeição o sol da California que diariamente banha os Grouplove e que Dave Sitek (TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs, Weezer), produtor do registo, soube captar, aprimorar e burilar no seu estúdio em El Paso, no Texas. Logo em Deleter, em teclas abrasivas, linhas de guitarras estridentes e uma bateria extremamente rápida, fica plasmado uma espécie de grito de libertação de um período negro e uma abertura escancarada de portas para o interior de um alinhamento que quer proporcionar ânimo e positivismo, através de um modus operandi sonoro a instantes implacável e vigoroso, no modo como interpreta alguns dos cânones fundamentais do rock alternativo de cariz mais rugoso, como é o caso deste tema de abertura e, de um modo mais radiofónico The Great Unknown, mas que também dá espaço para instantes mais límpidos e melodicamente prazeirentos.

O eletrofunk oitocentista a que sabe Youth, o delicioso dedilhar da viola e o jogo de vozes intenso que sustenta Places ou o clima nostálgico sessentista do efeito ecoante que abastece a guitarra que conduz This Is Everything e, de um modo ainda mais retro cósmico Expectations, são outros quatro maravilhosos exemplos desta feliz dicotomia entre indie rock cru e uma feliz sensibilidade pop, num disco com imensa carga emocional e que tem claramente a arte de separar muito bem a melancolia da severidade, tratando as diferentes fases sentimentais de uma qualquer existência de forma leve e elegante e colocando cada pârametro na dose perfeita. Espero que aprecies a sugestão...

Grouplove - Healer

01. Deleter
02. Inside Out
03. Expectations
04. The Great Unknown
05. Youth
06. Places
07. Promises
08. Ahead Of Myself
09. Hail To The Queen
10. Burial
11. This Is Everything


autor stipe07 às 21:06
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Terça-feira, 24 de Março de 2020

Grand Sun - Circles

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, estream-se dentro de dias no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, deverá, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, encarnar um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

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Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Para marcar o lançamento do registo, os Grand Sun acabam de divulgar o video de Circles, um dos momentos maiores de Sal Y Amore, uma canção frenética, seca e crua, assente num indie rock visceralmente ruidoso e sujo, mas que não deixa de ser melodicamente apelativa, até porque é um convite direto à ação e ao movimento. O tema debruça-se na inevitável aceitação em relação à nossa vida - because Sometimes you don’t get what you want - e pessoalmente sobre este limbo constante em que nos encontramos enquanto construímos a nossa personalidade. A formulação desta dicotomia entre o querer e não querer partir trata-se de cobrirmos este nosso medo existencial com o entusiasmo por esta mesma existência. Visualmente, o vídeo gravado por Francisco Lopes retrata os Grand Sun num talk-show surreal, quase bizarro, onde a banda se entrevista a si própria, numa conversa inconsequente que é uma sátira e uma representação caseira do ruído que estamos expostos diariamente.

Importa ainda referir que, para assinalar o lançamento de Circles e, posteriormente, do disco Sal Y Amore, os Grand Sun lançaram uma campanha especial no Bandcamp, com todo o catálogo do projeto disponível a metade do preço até ao lançamento do disco, sexta-feira próxima, dia vinte e sete de março. Basta apenas colocar a palavra squares no checkout. Confere...


autor stipe07 às 21:23
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Sábado, 21 de Março de 2020

Baxter Dury – The Night Chancers

Três anos depois do excelente registo Prince of Tears, o irascível Baxter Dury, filho do icónico Ian Dury, vocalista dos extintos Blockheads, uma das bandas mais importantes do cenário pós punk britânico, está de regresso com The Night Chancers, dez composições abrigadas pela Heavenly Records, produzidas pelo próprio Baxter com o apoio inestimável de Craig Silvey (Arcade Fire, John Grant, Arctic Monkeys) e gravadas nos estúdios Hoxa em West Hampstead, Londres, na primavera do ano passado.

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Sexto álbum da carreira de Dury, The Night Chancers aprimora a já habitual e bem sucedida fórmula interpretativa de um músico e compositor que se serve do rock, da pop e da eletrónica para alimentar a sua aúrea de exímio inquieto e provocador, assente em impressivas crónicas e relatos de experiências pessoais mais ou menos aventureiras, mas até comuns e ordinárias,que resultam numa enorme sátira e crítica à modernidade, tudo apimentado com aquele sarcástico humor típico de terras de Sua Majestade. 

Assim, num disco idealizado com superior requinte e ousadia, até porque Dury começa dizendo I’m not your fucking friend, se composições como a intrigante Slumlord, que nos faz divagar no regaço de uma guitarra planante, ou Carla's Got a Boyfriend, um lamento soul intenso, íntimo e sensual, protagonizado por alguém que acaba de descobrir que a ex tem outra pessoa (I spotted him on Instagram / Followed him about for a bit), são exemplos de canções que sobressaiem no modo como a gravidade vocal de alguém que se recusa a cantar e apenas declama, como se estivesse constantemente encharcado em álcool e numa manhã difícil depois de mais uma noite plena de aventura, é ampliada pela orgânica das cordas e pelo modo como alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar inquietude e mistério, já o baixo vigoroso e o sintetizador vintage de I'm Not Your Dog, a batida lenta mas indesmentivelmente hipnótica de Saliva Hog e, num registo mais clássico e chill, o monumental jogo de cintura constante, que o saxofone e a guitarra executam em Sleep People, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto, aprisionam-nos nesse tal universo sujo, reacionário e até criminoso, mas de um modo bem mais sereno e contemplativo e, por isso, talvez ainda mais perigoso.

Em The Night Chancers, o spoken word Dury, na altivez dos seus quarenta e oito anos, assume que vive num período negro e algo conturbado da sua existência. Escuta-se o álbum e percebe-se facilmente que, para ele, todos aqueles que o rodeiam não são de confiança, incluindo o próprio, a vida resume-se ao hoje, ao aqui e ao agora. O dia a dia é vivido enclausurado entre quatro paredes de duvidosos quartos de hotel, tendo como única companhia os pensamentos obscuros pelos quais se deixa manipular mais vezes que o recomendável e as noites das quais restam, geralmente, vagas memórias, são, uma após outra, sem intermitências, nada serenas ou agradáveis. Refletir sobre toda esta trama musicalmente e expô-la sem particular receio ou filtro, do modo que Baxter o faz, com crueza, despudor e até desprezo por quem se queira predispôr a ouvi-lo e ajudá-lo, pode não ser um exercício de exorcização minimamente eficaz, mas é um facto que artisticamente resulta, até porque, se calhar são mais do que se pensa aqueles que se podem sentir realmente identificados com toda esta narrativa de vida tão peculiar e realista e que, se todos refletirmos sem medo, espelha aquilo que é a verdade de tantos hoje, na dita sociedade ocidental contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury - The Night Chancers

01. I’m Not Your Dog
02. Slumlord
03. Saliva Hog
04. Samurai
05. Sleep People
06. Carla’s Got A Boyfriend
07. The Night Chancers
08. Hello, I’m Sorry
09. Daylight
10. Say Nothing

 


autor stipe07 às 21:48
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Sexta-feira, 20 de Março de 2020

The Proper Ornaments - Mission Bells

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns de dois mil e dezanove para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting, ao qual se juntam Bobby Syme e Max Oscarnold e, mais recentemente, o baixista Nathalie Bruno.

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Mission Bells, um registo sombrio mas edificante, começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins, com o esboço de muitas das suas canções a verem a luz do dia em soundchecks e jam sessions, pela Europa fora, durante essa epopeia. Depois os quatro membros da banda começaram a gravar, no verão passado, no estúdio doméstico de Hoare em Finsbury Park, Londres, usando a mesma pafernália tecnológica utilizada no disco anterior, mas também a incorporarem um sequenciador moog e outros instrumentos eletrónicos, detalhes que explicam, desde logo, uma maior riqueza estilística e ao nível dos detalhes e dos arranjos, relativamente ao registo anterior, não faltando aquela espantosa simplicidade de Waiting For The Summer, o disco de estreia do projeto e a suprema melancolia que banhou Foxhole, um dos melhores álbuns de dois mil e dezassete, nuances que, no seu todo, suportam a elevada bitola qualitativa melódica de Mission Bells e, durante a sua interpretação instrumental, o claro domínio do som que tipifica este projeto.

Assim, escutar Mission Bells traz logo à tona aquela curiosa sensação que muitas vezes temos e que nos diz que estamos na presença de um álbum que foi concebido de modo bastante intuitivo e aparentemente sem qualquer esforço. De facto, este é um alinhamento com um clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo e que nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, fazendo-o com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram, como de certo modo já referi, intensas, ousadas e surpreendentes.

Composições do calibre de Purple Heart, o tema que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos oferece um delicioso banquete de cordas luminosas, a rugosa toada misteriosa e flutuante de Downtown, a pueril acusticidade solarenga de Black Tar, a luxuriante folk psicadélica que banha Broken Insect, o momento mais alto do registo, ou a deliciosa dança sedutora que várias guitarras, elétricas e acústicas, executam na intrigante The Impeccable Lawns, sustentam a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo, ampliada também pela maturidade lírica que os The Proper Ornaments exalam no seu alinhamento e que disserta essencialmente  sobre o que é viver nestes tempos distópicos e algo confusos e conturbados.

Mission Bells é, em suma, uma conquista majestosa, um turbilhão musical em que as suas harmonias nos levam a um estado sonâmbulo irreversível, deixando-nos presos entre a terra dos sonhos e as horas de vigília. E a maior beleza disso é que não vamos querer escapar depressa deste clausura, mesmo que a porta esteja aberta enquanto a vida pós-moderna nos espera do lado de fora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:23
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Quinta-feira, 19 de Março de 2020

Spicy Noodles - Sensacional (vídeo)

A brasileira Érika Machado e a portuguesa Filipa Bastos são as Spicy Noodles, uma dupla que busca sons e imagens para escrever um diário a quatro mãos e são as responsáveis por toda a parte criativa, das composições e execução das músicas, dos vídeos, às ilustrações, fotografias, e o que mais for preciso. Chamaram a atenção dos mais atentos em janeiro de dois mil e dezassete quando conseguiram incluir o single Leve Leve no álbum Novos Talentos Fnac 2017 e viram esse tema no top A3_30 da Antena 3 durante alguns meses.

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Há algumas semanas as Spicy Noodles estreiam-se nos discos com Sensacional!, um álbum com a chancela da conimbricense Lux Records, um alinhamento de nove canções idealizado entre Julho e Agosto do ano transato, gravado e pré produzido no estúdio caseiro Quebra Galho em Coimbra, produzido, misturado e masterizado por John Ulhoa, no Estúdio 128 Japs em Belo Horizonte no Brasil e que foi alvo de revisão atenta por parte desta redação pouco depois de ter visto a luz do dia.

Agora, no início de mais uma primavera, as Spicy Noodles voltam a merecer o nosso destaque porque acabam de nos ofertar o video de Sensacional, o tema homónimo do disco, uma canção em que, de acordo com o press release do single, o refrão fala daqueles momentos em que nos sentimos o Mr. Bean, uma personagem com as mais originais e excêntricas soluções para resolver alguns problemas e uma indiferença total para soluciona outros, com uma incrível habilidade para gerar confusão, e nos sentimos o Charlie Brown, o menino que falha em quase tudo o que tenta fazer, uma criança dotada de infinita esperança e determinação mas que é dominada pelas suas inseguranças e uma permanente má sorte, sofrendo pequenos golpes dos seus amigos, um carismático fracassado, e em como nos sentimos tão contentes quando pensamos que é sensacional. A música foi feita para aquelas coisas que queremos que aconteçam de qualquer forma, o que tem de ser, o que vai acontecer mesmo que tenhamos de tentar de novo, aquilo que pagamos para ver, e deixamos andar, o que tem de ser e não tem solução.

Importa apenas acrescentar da nossa parte que Sensacional é mesmo isso... uma canção sensacional, vibrante, com uma luz que irradia otimismo, cor, alegria e alegoria e na qual uma bateria eletrónica frenética, teclados sintéticos repletos de flashes borbulhantes e um riff de guitarra abrasivo se misturam e criam uma explosão melódica e rítmica com um tempero singular, dançante e viciante. Confere...


autor stipe07 às 21:33
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Quarta-feira, 18 de Março de 2020

Deap Lips - Deap Lips

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

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Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:18
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Domingo, 15 de Março de 2020

Vundabar – Either Light

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records e bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, interpretada pelo malogrado ator James Gandolfini.

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De facto, estes Vundabar têm chamado a atenção da crítica e já foram alvo de algumas nomeações e artigos relevantes, mas a verdade é que nunca conseguiram fugir do universo mais underground e alternativo. No entanto, têm agora um trunfo de elevada valia paa chegarem à primeira divisão do indie rock, este trabalho intitulado Either Light, onze composições buriladas a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem a este cardápio de canções uma indesmentível toada pop.

Logo a abrir, o baixo de Out Of It e o modo como se alia a variações rítmicas, um refrão intenso e um efeito de guitarra metálico condutor das base melódica, são detalhes cósmicos inebriantes que merecem, por si só, a audição deste álbum, numa composição que pisca o olho com languidez ao melhor cardápio da pop atual. Depois, o hipnotico frenesim de Burned Off, a delicadeza da oitocentista Codeine, o charme único de Petty Crime, uma curiosa ode strokiana e os arranjos envolventes e sofisticados da sensibilidade melódica muito aprazível de Easyer, composição que intercala uma excelente interpretação vocal de Hagen com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, nomeadamente a bateria e a guitarra, são instantes que impressionam pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentam, quer estas quer as outras canções do registo, onde não faltam alguns arranjos claramente jazzísticos e o tal falsete vocal num registo em falsete, com um certo reverb que acentua o charme rugoso da mesma.

Dicso repleto de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, Either Light envolve-se, no seu todo, por uma pulsão rítmica ímpar, sendo um álbum consistente, carregado de referências assertivas, que também impressiona pela cadência frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, sendo, de certeza, um dos grandes lançamentos deste primeiro trimestre de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Vundabar - Either Light

01. Out Of It
02. Burned Off
03. Codeine
04. Petty Crime
05. Easier
06. Never Call
07. Montage Music
08. Jester
09. Paid For
10. Other Flowers
11. Wax Face


autor stipe07 às 20:38
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Sábado, 14 de Março de 2020

Woods - Where Do You Go When You Dream?

Woods - Where Do You Go When You Dream

Com quase uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e parece-me que se vão manter em Strange To Explain, o álbum que a dupla se prepara para lançar a vinte e dois de maio, à boleia da etiqueta do grupo, a Woodsist e que sucede ao excelente Love Is Love, de dois mil e dezassete, sendo o primeiro do projeto desde que Earl foi pai e Jarvis se mudou para Los Angeles.

Where Do You Go When You Dream? é o primeiro single revelado de Strange To Explain, canção que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção. Confere Where Do You Go When You Dream? e a tracklist de Strange To Explain...

01 “Next To You And The Sea”
02 “Where Do You Go When You Dream?”
03 “Before They Pass By”
04 “Can’t Get Out”
05 “Strange To Explain”
06 “The Void”
07 “Just To Fall Asleep”
08 “Fell So Hard”
09 “Light Of Day”
10 “Be There Still”
11 “Weekend Wind”


autor stipe07 às 21:08
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Quarta-feira, 11 de Março de 2020

King Krule – Man Alive!

Já está nos escaparates Man Alive!, o quarto e novo registo de originais do britânico Archy Marshall, que assina a sua inusitada música como King Krule e que nos oferece mais um alinhamento de catorze canções, gravadas entre os estúdios Shrunken Heads, em Nunhead, Londres e, mais tarde nos estúdios Eve, em Stockport, no norte de Inglaterra, para onde teve de se mudar após o nascimento da sua filha.  Co-produzido por Dilip Harris, Man Alive! sucedem ao intimista registo The Ooz (2017) e que fazendo, com a ajuda de Ignacio Salvadores (saxofone), George Bass (bateria), Jack Towell (vocoder) e James Wilson (baixo), interseções únicas entre o rock, a pop, o jazz, o rap, a eletrónica ambiental e o próprio punk lo-fi, proporciona-nos uma experiência sensorial única e até intrigante, já que cada audição é uma janela de oportunidade que se abre para descobrir mais um efeito, uma nuance, um flash, uma corda ou uma nota que ainda não tinha sido captada pelo nosso âmago.

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Guitarrista de formação, mas mestre na arte de sobrepôr a mais variada míriade instrumental que a sua profícua mente o induza a usar para adornar as composições sonoras que cria, King Krule revela-se, neste Man Alive!, também um exímio contador de histórias, tal é o travo de autenticidade poética das mesmas e que andam muito à volta do nascimento da sua filha, resultado da relação com a fotógrafa Charlotte Patmore e como esse evento o fez mudar de uma vida de bastantes períodos de bonomia, para uma realidade em que existe o foco concreto de ter de ser um bom pai e proporcionar à filha, material e emocionalmente, tudo aquilo que precisa. Assim, na cosmicidade boémia que abastece, na sobresposição entre guitarra e metais, Cellular, no cru minimalismo ecoante de Supermarché, no rap nebuloso e futurista de Stoned Again, na intrigante Comet Face, no rock experimental repleto de groove de Alone, Omen 3 ou no soturno blues de Perfecto Miserable, encontramos alguns dos melhores momentos de um alinhamento onde não falta luz, optimismo e preserverança, criado por uma das personagens mais queridas da indie britânica atual e que se expôe bem menos caótico e confuso do que antes e mais aprumado e organizado, fruto, certamente, de uma nova dinâmica existencial certamente mais feliz e que Man Alive! claramente exala. Espero que aprecies a sugestão...

King Krule - Man Alive!

01. Cellular
02. Supermaché
03. Stoned Again
04. Comet Face
05. The Dream
06. Perfecto Miserable
07. Alone Omen 3
08. Slinsky
09. Airport Antenatal Airplane
10. (Don’t Let The Dragon) Draag On
11. Theme for The Cross
12. Underclass
13. Energy Fleets
14. Please Complete Thee


autor stipe07 às 22:47
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Terça-feira, 10 de Março de 2020

bdrmm - If Not, When?

Ryan Smith, Jordan Smith, Joe Vickers, Danny Hull e Luke Irvin são os brdmm, um projeto natural de Hull, em Inglaterra e que está a fazer furor com If Not, When?, um EP de seis canções que viu a luz do dia no passado outono à boleia da Sonic Cathedral Recordings e que foi gravado e masterizado por Alex Greaves.

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If Not, When? tem um alinhamento curto, mas intenso, assente num garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma suja nostalgia, que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi e shoegaze com aquela psicadelia particularmente luminosa que atingiu o êxtase nas décadas finais do século passado, mas que se mantém mais atual do que nunca.

Assim, na suprema melancolia e na luminosidade vibrante da lindíssima Shame, no clima nostálgico da etérea The Way I Want, nas diversas camadas de guitarras que tingem a tonalidade progressiva e sentimentalmente crua de Question Mark e no rock efusiante de C: U, somos agraciados por um alinhamento em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso.

Sendo este EP um ponto de partida na carreira dos bdrmm, que estarão no Hard Club no próximo dia vinte e três de maio, a base que ele firma no catálogo do projeto é tremendamente consistente e se a opção for permitir que a intuição tome as rédeas em posteriores lançamentos, este é já um belo ponto de partida rumo a sonoridades que poderão ser ainda mais abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 17:56
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Sexta-feira, 6 de Março de 2020

The National – Never Tear Us Apart

The National - Never Tear Us Apart

Ainda não tem um ano nos escaparates I Am Easy To Find, o oitavo registo de originais dos norte-americanos The National, mas a banda de Matt Berninger e dos irmãos Dessner e Devendorf mantém-se ativa e acaba de divulgar uma versão espetacular de Never Tear Us Apart, um clássico dos anos noventa do século passado, assinado pelos australianos INXS de Michael Hutchence.

O objetivo deste lançamento dos The National, numa revisitação que soube manter a grandiosidade do clássico, entalhando nele aquela sombra e rugosidade típicas da banda nova iorquina, é ajudar as vítimas dos incêndios na Austrália, fazendo a canção parte do alinhamento de Songs for Australia, uma complição que junta uma série de artistas com a mesma missão. Confere...


autor stipe07 às 18:43
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Quinta-feira, 5 de Março de 2020

Real Estate - The Main Thing

Já viu a luz do dia e à boleia da Domino Records, The Main Thing, o quarto e novo registo de originais dos Real Estate, sucessor do excelente In Mind, editado em dois mil e dezassete e que estava repleto de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios, repletas de arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, nuances que ajudaram o projeto a assumir-se definitivamente como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual. Este The Main Thing é o primeiro disco do coletivo natural de Rodgewood, em Nova Jersey, sem a presença de Matt Mondanile, a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual. Mondanile foi substituido pelo multi-instrumentista Julian Lynch, que se junta a Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman e Jackson Pollis, uma mudança na formação que não alterou decisivamente o som que típifica o adn dos Real Estate, mas que o aprimorou.

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Produzido pelo multi-instrumentista Kevin McMahon (Titus Andronicus, Swans, The Walkmen), The Main Thing é, claramente, o momento maior da catálogo discográfico de uma banda que teve sempre em ponto de mira bandas como os conterrâneos Birds, Wilco, R.E.M., ou Yo La Tengo, entre outras. para a criação de canções acessíveis e com um elevada luminosidade, canções que no fundo, fizessem o ouvinte sorrir sem razão aparente, digamos assim, apenas e só porque o conteúdo sonoro que absorve lhe prova tal reação física. E o novo disco da carreira dos Real Estate tem, de facto, belíssimas canções, assentes num rock que não tem medo de se espandir com o requinte e a majestosidade que a temática do registo, muito focada nas questões do amor e outras miudezas quotidianas, exige, fazendo-o com intenso charme e bom gosto.

Canções como Friday, intrigante e típica canção de início de alinhamento, com uma alma e um encanto profundos, a sedutora November, composição que na sobreposição de diferentes timbres e arranjos de cordas capta na perfeição a essência atual dos Real Estate, as mais psicadélicas e orgânicas You e Gone, a inebriante Shallow Sun e o single Paper Cup, um tema em que piano, cordas e uma vasta míriade de arranjos de elevada luminosidade e com um indisfarçável travo tropical, conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial, são momentos belíssimos de um alinhamento que, tendo a fabulosa voz de Courtney como a cereja no topo do bolo, é bem pensado e melhor executado, recompensado largamente quem se predispuser a descobrir os múltiplos encantos de uma das melhores bandas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Real Estate - The Main Thing

01. Friday
02. Paper Cup (Feat. Sylvan Esso)
03. Gone
04. You
05. November
06. Falling Down
07. Also A But
08. The Main Thing
09. Shallow Sun
10. Sting
11. Silent World
12. Procession
13. Brother


autor stipe07 às 21:11
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Vundabar – Montage Music

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records.

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Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light e algumas semanas depois Petty Crime, agora chega a vez de conferir Montage Music, mais um carrossel sonoro, burilado a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, mais um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos. Confere...

Vundabar - Montage Music


autor stipe07 às 13:07
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Quarta-feira, 4 de Março de 2020

Grutera - Fica Entre Nós

Será a quatro de maio e à boleia da Planalto Records que irá ver a luz do dia Aconteceu, o quarto disco do projeto Grutera, assinado por Guilherme Efe, um músico nascido em pleno verão de mil novecentos e noventa e um e que, segundo reza à lenda, chegou ao nosso mundo todo nu, careca, sem dentes e cheio de sangue da barriga de sua mãe. As más línguas também referem que na altura o músico ainda não sabia tocar guitarra, porque não tinha unhas, mas provavelmente já sabia que era isso que faria o resto da sua vida, ainda que paralelamente tivesse qualquer outra atividade, mais ou menos lícita, mais ou menos nobre, com que fizesse mais ou menos dinheiro.

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Guilherme começou a sua carreira artística a tocar guitarra em bandas de metal, depois descobriu os recônditos prazeres da guitarra clássica e percebeu que seria por aí que iria conseguir alcançar a tão almejada fama, riqueza e sucesso, que tanto ambicionava desde o ventre materno, ou pelo menos, fazer música que o emocionasse e que melhorasse alguns minutos da vida de alguém que a ouvisse.

O percurso discográfico de Guilherme começou há cerca de oito anos com Palavras Gastas, no ano seguinte chegou aos escaparates o registo Sempre e dois anos depois viu a luz do dia Sur Lie, o antecessor deste Aconteceu, que foi gravado numa pequena adega, em casa dos pais do músico e que quebra um hiato de meia década, tendo começado a ser incubado em Braga desde dois mil e dezassete, com a ajuda de Tiago e Diogo Simão, que já tinham tido um papel preponderante nos três trabalhos anteriores deste projeto Grutera.

Fica Entre Nós é o primeiro single divulgado de Aconteceu, uma instrumental dedilhado divinamente à guitarra e que versa sobre a cumplicidade, um sentimento que pode ser entre duas pessoas como entre pessoas e as suas tradições. O próprio vídeo da canção tem essa faceta bem impressa, ao mostrar uma necessidade cada vez mais premente de conservar costumes e preservar espaços e gentes locais. Gentes que, muitas vezes, se vêm expulsas das suas raízes pela força do turismo e dos interesses económicos, que tanto podem ter de bom como de mau, se não existir um equilíbrio. Confere...

CONCERTOS

5 de Abril/ Festival Santos da Casa, Coimbra

4 de Junho/ Maus, Hábitos, Porto

5 de Junho/ Clav Sessions, Vermil

13 de Junho/ CAE Sever do Vouga

25 de Setembro/ Casa da Cultura, Setúbal

https://m.facebook.com/grutera1

https://grutera1.bandcamp.com/ 

https://soundcloud.com/grutera1


autor stipe07 às 13:09
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Terça-feira, 3 de Março de 2020

Throwing Muses – Dark Blue

Throwing Muses - Dark Blue

O excelente registo Purgatory/Paradise de dois mil e treze, da autoria do mítico projeto Throwing Muses de Kristin Hersh, David Narcizo e Bernard Georges, já tem finalmente sucessor, para gaúdio dos fiéis seguidores desta mítica banda norte-americana. Sun Racket é o título do novo trabalho discográfico do trio de Rhode Island e irá ver a luz do dia a vinte e dois de maio próximo, à boleia da Fire Records.

Resultado de imagem para Throwing Muses – Dark Blue

Dark Blue é o primeiro single divulgado do alinhamento de Sun Racket, o décimo disco dos Throwing Muses, uma composição entalhada por um vigoroso indie rock de forte cariz lo fi, coberta por uma aúrea de aspereza e rugosidade únicas, nuances facultadas por guitarras plenas de poder e fúria, mas também de subtileza e charme, num resultado final inebriante. Confere Dark Blue e o alinhamento de Sun Racket, já forte candidato a um dos discos de eleição de dois mil e vinte...

01 Dark Blue
02 Bywater
03 Maria Laguna
04 Bo Diddley Bridge
05 Milk At McDonald’s
06 Upstairs Dan
07 St. Charles
08 Frosting
09 Kay Catherine
10 Sue’s


autor stipe07 às 15:53
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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020

Indoor Voices - Animal

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de quatro anos com um outro EP, intitulado Auratic, que viu sucessor o ano passado, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the FaceAlways the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My. Agora, cerca de um ano depois dess registo, os Indoor Voices já têm um novo disco intitulado Animal, um alinhamento de dez composições masterizado por Simon Scott (Slowdive) e disponível no bandcamp do projeto.

Resultado de imagem para Indoor Voices jonathan relph

À semelhança da anterior discografia criada por Jonathan Relph, Animal flui, como se percebe logo em He Won't Fight, algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vigoroso, uma bateria encorpada e uma vasta miríade de entalhes sintéticos, um cardápio sonoro que sustenta a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, que em Less Problems Of Joy toca nas bordas do krautrock e em No One, num espetro mais punk, tudo esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível, como referi, no primeiro tema do registo, um enleante instrumental, mas também na intrigante atmosfera nublosa do tema homónimo e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de Better, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Heart é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conseguem, através do sintetizador, uma simbiose entre shoegaze e post rock, sensação amplificada com superior requinte na cosmicidade pop de I'm Just Fine e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Animal têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos setenta e oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always All Ways, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto cada vez mais sedutor e de um Jonathan Relph cada vez mais sábio e abrangente, Animal exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Animal

01. He Won’t Fight
02. Better
03. I’m Just Fine
04. Heart
05. Wrong Wrong Wrong
06. Always All Ways
07. They Hang Around
08. Animal
09. Less Problems Of Joy
10. No One


autor stipe07 às 11:52
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