Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

Born-Folk - Come Inside! EP

Têm apenas alguns meses de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa constituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, e tem já no seu catálogo um EP intitulado Come Inside!, um alinhamento de cinco temas bastante influenciado pela indie de final do século passado, intercetado por alguns dos pilares fundamentais do rock clássico, com pitadas de jazz, do punk e do grunge a comporem este delicioso ramalhete.

Resultado de imagem para Born-Folk banda

Assumidamente ecléticos, sem se quererem amarrar demasiado a fronteiras ou a um modus operandi sonoro demasiado específico e que os castre naquilo que é a sempre indispensável liberdade criativa, os Born-Folk têm nos conceitos de simbolismo e ironia pedras basilares não só da sua filosofia sonora, mas também do seu ideário lírico. Assim, se o tema Heat And Rum assume-se como uma típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, (o) l (a) é um buliçoso e agreste exercício de recriação de como seria recriar Seattle em plena andaluzia espanhola e Le F*ck, um psicadélico devaneio punk que a melhor herança de uns Pavement não hesitaria em colocar em plano de destaque no seu catálogo. Já Fall-Inn, o tema que encerra o alinhamento do EP, conduzido por um eletrificação de cordas agreste e abrasiva, mas tremendamente charmosa e com um travo punk delicioso, tem um clima mais outunal, oferecendo-nos um possível retrato de um peculiar “rendez vous” outonal falhado com uma “patinadora artística” que vai pirateando corações com o seu sorriso alemão. De facto, de acordo com o grupo, no hotel FALL-INN (uma espécie de open space hostel) somos saqueados por uma coelhinha pirata que embala os hóspedes com o seu olho empalado. A enigmática mensagem em “alemão da região da baixa googlândia” é o hall de entrada. Segue-se uma imperial overdrive interminável até à infusão fatal, um cházinho relaxante e inebriante carregado de wah wah “delayano” que nos levará até ao grand finale, onde a queda é uma aposta segura. Willkommen!!!  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

Fink – Bloom Innocent

Cinco anos depois do excelente álbum Hard Believer e três do credível e não menos exuberante sucessor, o registo Resurgam, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quase meio século de vida, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Bloom Innocent, oito canções que encarnam o alinhamento mais intimista, negro e intrincado do músico, mas que mesmo assim não deixam de continuar a catapultá-lo para o já habitual nível qualitativo de excelência das suas propostas, numa das carreiras mais menosprezadas do cenário indie contemporâneo.

Resultado de imagem para Fink Bloom Innocent

Gravado na intimidade do seu estúdio caseiro de Berlim, o local onde Fin se sente mais confortável e feliz a compôr e onde, de acordo com o próprio, consegue manter a sua sanidade mental, sempre em risco de resvalar devido à frustração inerente às agruras e à insatisfação de qualquer processo criativo, com destaque para o musical, Bloom Innocent contém as composições mais complexas da carreira de Fink, assentes em guitarras repletas de efeitos e timbres etéreos e uma complexidade melódica ímpar, que tanto apela à meditação e ao recolhimento, como à celebração de tudo aquilo que de bom podemos retirar das coisas mais simples da vida, o tema preferido da escrita deste compositor único.

Assim, num projeto que também tem como atributo maior a belíssima voz de Fin e o exemplar trabalho de produção de Flood, que já tinha colocado as mãos em Resurgam, canções como Bloom Innocent, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria, um insinuante piano e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas, ou o clima intrigante e vincadamente experimental e orgânico de We Watch The Stars, são perfeitos para nos transportar para um disco essencialmente acústico e com uma forte toada blues. Depois, na indisfarcável tonalidade chill de Once You Get A Taste, no modo preciso como cordas e tambor se revezam no controle em Out Loud, no modo inteligente como as vozes se sobrepôem à crescente trama instrumental, ampliando o travo dramático de That's How I See You Now e no piscar de olhos à música negra e ao r&b em I Just Want A Yes, contemplamos um disco com uma elevada componente cinematográfica e reflexia, uma materialização não tão exuberante como alguns antecessores, mas igualmente assertiva, de todos os atributos que Fink, um artista tremendamente dotado, guarda na sua bagagem sonora, assente numa filosofia estilística de forte cariz eclético.

Bloom Innocent está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Bloom Innocent

01. Bloom Innocent
02. We Watch The Stars
03. Once You Get A Taste
04. Out Loud
05. That’s How I See You Now
06. I Just Want A Yes
07. Rocking Chair
08. My Love’s Already There


autor stipe07 às 20:39
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019

The Districts – Hey Jo

The Districts - Hey Jo

Um dos nomes mais interessantes do catálogo da Fat Possum Records são os The Districts, um coletivo de indie rock lo fi oriundo da Filadélfia e que teve como último grande sinal de vida o excelente registo Popular Manipulations, lançado em dois mil e dezassete. Dois anos depois, o quarteto formado por Rob Grote, Connor Jacobus, Braden Lawrence e Pat Cassidy divulgou no passado verãor um tema feito propositadamente para apoiar a Everytown For Gun Safety, uma organização norte-americana que luta pelo fim da atual lei de posse de armas em vigor nesse país e que, na opinião de muitos cidadãos dessa nação, é uma das principais causas da onda recente de tragédias com armas de fogo nos Estados Unidos da América. 

Agora, cerca de três meses depois dessa sanção, os The Districts voltam à carga com Hey Jo, primeiro avanço para You Know I’m Not Going Nowhere, o quarto álbum de originais do grupo, que irá ver a luz do dia em março do próximo ano. Canção sobre o quanto é difícil manter um relacionamento estável e feliz no meio de todas as agruras que afligem o mundo moderno e que podem destruir facilmente a individualidade de quem é permanente obcecado com a beleza e a perfeição (We are all imperfect products of the natural world, and more specifically products of our own minds. This song was inspired by navigating how to be your best self and detach from what is destructive in you, to be something more perfect, gentle, and beautiful), Hey Jo assenta num rock vibrante feito com teclas melodicamente sagazes e uma distorção na guitarra bastante apelativa e, a espaços, particularmente imponente. Confere Hey Jo e a traclist de You Know I’m Not Going Nowhere, disco que terá direito a uma digressão de promoção, para já apenas com datas marcadas no país natal dos The Districts...

  1. My Only Ghost
  2. Hey Jo
  3. Cheap Regrets
  4. Velour and Velcro
  5. Changing
  6. Descend
  7. The Clouds
  8. Dancer
  9. Sidecar
  10. And The Horses All Go Swimming
  11. 4th of July

autor stipe07 às 18:29
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Vancouver Sleep Clinic – Onwards To Zion

Foi numas férias em Bali que Tim Bettinson, o músico e compositor australiano de vinte e três anos que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic, se inspirou e começou a idealizar o conteúdo de Onwards To Zion, o seu segundo registo de originais, onze maravilhosas canções que sucedem a Revival, o álbum de estreia que o autor lançou em dois mil e dezassete e que colocou logo este projeto debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo.

Resultado de imagem para Vancouver Sleep Clinic Onwards To Zion

Onwards To Zion tem uma faceta dupla bastante interessante e que vale bem a pena tomar como ponto de partida para a análise do seu conteúdo; Se por um lado, para compôr as suas canções, o autor teve de reaprender a incubar e ressuscitar todo o talento que sempre demonstrou ter desde tenra idade para esta poda, já que o álbum encarna um marco de libertação do projeto Vancouver Sleep Clinic de uma espécie de purgatório editorial porque Tim esteve em acérrima luta judicial com a sua editora para poder criar livre de constrangimentos artísticos, por outro é um registo que tem como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Logo a abrir o alinhamento de Onwards To Zion, na pueril melodia sintetizada e na batida que se esprai em espuma e dor no falsete de Bad Dream, Tim plasma esta permissa, numa canção que se debruça sobre esse trauma e a necessidade de seguir em frente, sem receios, porque seria certamente esse o desejo de quem partiu. A luminosidade dessa composição e, pouco depois a riqueza emotiva e instrumental da lindíssima Shooting Stars, são músicas que entroncam no desejo do músico de materializar em Onwards To Zion um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, mesmo que subsistam depois, no âmago do álbum, alguns instantes menos coloridos, mas não menos inspirados ou belos, como as cordas melancólicas de Summer 09, canção composta num dia de chuva intensa, a charmosa eletrónica ambiental de ZION, uma enumeração exaustiva de todos os sentimentos negativos que chicotearam Tim em tempos, ou a feliz interseção entre R&B e rock psicadélico plasmada em Into The Sun, um tema sobre como enfrentar com coragem os medos para que não se derrape para um poço sem fundo caso não se consiga exorcizá-los.

Registo repleto de guitarras sonhadoras abraçadas a sintetizadores cósmicos e sofisticados e camaleónicos arranjos da mais diversificada proveniência, com o jazz e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias, tudo embrulhado num profundo e inebriante pendor emotivo, Onwards To Zion oferece-nos a visão mágica de uma jornada de descoberta individual, feita por um músico que tem sentido na pele algumas das maiores agruras que a passagem da juventude para a vida adulta podem proporcionar, mas que parece não só passar incólume a essa travessia, como pronto para servir de exemplo e de aconchego a quem com ele se identificar e o solicitar. Espero que aprecies a sugestão...

Vancouver Sleep Clinic - Onwards To Zion

01. Bad Dream
02. Lovina Beach (Sunrise)
03. Summer ’09
04. Into The Sun
05. Shooting Stars
06. Fever
07. Villa Luna (Midnight)
08. Ghost Town
09. ZION
10. Yosemite
11. Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love


autor stipe07 às 18:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 7 de Novembro de 2019

Mikal Cronin – Seeker

Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, na Califórnia, está de regresso aos discos com Seeker, dez canções com a chancela da Merge Records e que rematam um ano bastante profícuo do autor, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon e que tinha dado o pontapé de saída em dois mil e dezanove com a edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe, através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

Resultado de imagem para Mikal Cronin Seeker

Gravado ao vivo nos estúdios Palmetto, em Los Angeles, com a banda que costuma acompanhar Ty Segall e com o produtor Jason Quever, Seeker quebra uma sequência de títulos homónimos e um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico e que nos tem feito viajar no tempo, disco após disco, à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk.

Para escrever Seeker, Cronin passou um mês numa cabana nas montanhas do sul da Califórnia, com o seu gato como única companhia, um retiro bucólico perfeito, de acordo com o próprio músico, e que acabou por ser essencial para um forte cariz biográfico do disco. O resultado final é, pois, um excitante documento de mudança e de reinvenção, um tomo de canções estilisticamente rico e diversificado, com Seeker a plasmar a necessidade de Cronin se reinventar, erguer e seguir em frente depois de um período atribulado, quer a nível pessoal quer a nível profissional, decorrente de relações falhadas, digressões termendamente cansativas e os típicos dilemas existências da fase inicial da vida adulta.

Logo no clima psicadélico algo pomposo de Shelter percebe-se uma ânsia de amplitude e de epicidade, um pouco amainada em Show Me, um devaneio de (falsa) acusticidade folk rock onde não faltam ligeiras distorções. Mas logo depois, com os curiosos arranjos de cordas e a soul melancólica de Feel It All, a intensidade indie lo fi da guitarra que sustenta Fire, o forte odor nativo do piano e da harmónica de Guardian Well e a vibe mais experimental do fuzz que se insinua em I've Got Reason, ficamos esclarecidos acerca do vasto calcorrear de estilos, tendências e exposições que fazem de Seeker um registo com elevada bitola qualitativa, não só porque sobrevive à custa do modo astuto como o autor continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos, sem descurar um lado mais snesível e ameno, muitas vezes na mesma composição e, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, a plasma um inédito sentido de urgência, fruto certamente da tal ânsia de virar de página e seguir em frente com altivez e com uma centelha de sucesso bem acesa. Espero que aprecies a sugestão...

Mikal Cronin - Seeker

01. Shelter
02. Show Me
03. Feel It All
04. Fire
05. Sold
06. I’ve Got Reason
07. Caravan
08. Guardian Well
09. Lost A Year
10. On The Shelf


autor stipe07 às 21:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 5 de Novembro de 2019

Cigarettes After Sex – Cry

Já chegou aos escaparates Cry, o novo registo de originais dos norte americanos Cigarettes After Sex, um projeto oriundo de El Paso, no Texas e liderado por Greg Gonzalez, ao qual se juntam Jacob Tomsky, Phillip Tubbs e Randy Miller. Este novo alinhamento de uma das maiores coqueluches da indie pop de cariz mais ambiental, tem a chancela da Partizan Records e sucede ao muito aclamado registo homónimo de estreia que este grupo lançou há pouco mais de dois anos.

Cigarettes After Sex release new track ‘Falling In Love’

Gravado em sessões noturnas numa mansão na ilha de Maiorca e, de acordo com o grupo, uma meditação cinematográfica sobre as muitas facetas complexas do amor – encontro, desejo, necessidade, perda… ou tudo uma vez só, Cry  contém impressa a marca indistinta de uma banda que se baptizou com felicidade, já que compôe com todos os sentidos apontados à alcova, criando temas que tanto servem para o jogo de sedução, como para (traduzindo à letra) aquele cigarro que muitos gostam de queimar depois do coito.

O desejo e o prazer sexual são então, naturalmente, marcas indistintas desta banda e registadas sem grandes pudores neste Cry, em canções cujo travo minimal é uma enganadora aparência, porque são, globalmente, ricas em detalhes e nuances que vale bem a pena destrinçar. Sintetizadores enevoados, cruzados com cordas de forte pendor metálico e vibrante e arranjos soturnos que contrastam com o ambiente soalheiro da ilha onde Cry foi gravado, são a pedra de toque de um registo com têmpera, que apela aos mais carnais sentidos e cavalga até ao hipotálamo do ouvinte sem receio da rejeição, até porque as palavras não são o que mais conta à primeira impressão, mas antes a aparência, neste caso sonora, de um disco que vale, acima de tudo, pela capacidade melódica que tem de nos hipnotizar e enlear.

Portanto, canções como a romântica Don't Let Me Go, um daqueles típicos temas que pode servir de banda sonora àquela primeira aproximação ao alvo, a lasciva Kiss It Off Me, a intrigante Heavenly, uma composição que serve-se de um imponente baixo, do reverb ecoante de uma guitarra e do ritmo hipnótico da bateria ou a sensitiva Touch, além de colocarem em prática uma alternância contínua e quase impercetível entre diferentes estilos, eminentemente noventistas e com uma dose de experimentalismo bastante vincada e repleta de soul, levam, sem apelo nem agravo, a nossa mente e o nosso corpo rumo a universo abstrato e meditativo, mas também profundamente sensorial e com um impacto verdadeiramente colossal e marcante. Espero que aprecies a sugestão...

Cigarettes After Sex - Cry

01. Don’t Let Me Go
02. Kiss It Off Me
03. Heavenly
04. You’re The Only Good Thing In My Life
05. Touch
06. Hentai
07. Cry
08. Falling In Love
09. Pure


autor stipe07 às 18:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 3 de Novembro de 2019

CocoRosie – Smash My Head

Será a seis de março do próximo ano que irá ver a luz do dia o novo registo de originais das francesas CocoRosie, que têm andado ocupadas com colaborações, nomeadamente com Chance the Rapper no registo Roo e ANOHNI no seu trabalho Smoke ´em Out, além de terem editado o single Lamb And The Wolf no passado mês de agosto. Esse novo álbum das irmãos Casady chama-se Put The Shine, sucede ao já longínquo Heartache City de dois mil e quinze e terá o selo da Marathon Artists.

Cocorosie-Put-The-Shine-On

Smash My Head é o primeiro tema divulgado do alinhamento de Put The Shine, uma composição que mantém intocável o habitual clima intrigante e até algo tenebroso das CocoRosie, numa composição que traz à tona o típico ambiente daquela pop gótica que marcou a última década do século passado. Juntamente com o single, foi divulgado um vídeo de forte cariz teatral dirigido por Bianca Casady, uma das duas irmãs. Confere...


autor stipe07 às 16:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 31 de Outubro de 2019

Pete Yorn – Caretakers

Nascido em Nova Jersey há já quatro décadas e meia, Pete Yorn é um dos nomes mais interessantes do cenário indie norte-americano, um músico, cantor e compositor, que se notabilizou há cerca de dez anos quando gravou o disco Break Up, em parceria com a atriz e cantora Scarlett Johansson. Caretakers é o seu novo compêndio de originais, o oitavo registo do seu cardápio sonoro, um trabalho em que Yorn demonstra com elevada bitola qualitativa a sua elevadíssima capacidade interpretativa junto das cordas, nomeadamente a viola e a guitarra, os seus instrumentos de eleição.

Resultado de imagem para Pete Yorn Caretakers

Tendo-se estreado no início deste milénio com o álbum musicforthemorningafter e já beneficiado de colaborações de nomes como Peter Buck ou os Guided By Voices, além da já referida Scarlett, nos oito discos que editou, Pete Yorn tem consolidado uma carreira bastante interessante dentro de um espetro sonoro que privilegia uma interseção cuidada entre alguns dos tiques essenciais do típico rock alternativo norte-americano e o chamado alt-country, que conserva, na sua essência, alguns dos mais belos fundamentos daquele som tipicamente americano que todos identificamos facilmente. Chapéus de cowboy e camisas aos quadrados por cima de t-shirts desbotoadas podem muito bem ser o dress code das canções de Yorn, caso elas se quisessem vestir com aquela que é a sua essência e travo.

De facto, em pouco mais de meia hora, Caretakers transporta-nos com nitidez para uma América repleta de dilemas, mas também profundamente humana, emocional e, de algum modo, simples. Canções do calibre de Calm Down, um exuberante exercício de manipulação de cordas luminosas com arranjos de forte cariz vintage, Can't Stop You, um mais intimista e afetuoso instante de melancolia e introspeção à boleia de uma guitarra eletrificada repleta de charme ou ECT, um portento de intimidade que convida ao sorriso fácil e à reflexão espontânea, são momentos maiores de um trabalho onde simplicidade e sofisticação se confundem e se sentem porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza e ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Pete Yorn - Caretakers

01. Calm Down
02. I Wanna Be the One
03. Can’t Stop You
04. Idols (We Don’t Ever Have To Say Goodbye)
05. Do You Want To Love Again?
06. Caretakers
07. Friends
08. ECT
09. POV
10. Opal
11. A Fire In The Sun
12. Try


autor stipe07 às 15:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 30 de Outubro de 2019

Tiago Vilhena - Portugal 2018

O músico e compositor Tiago Vilhena, que já foi George Marvison noutro projeto e membro dos Savana, acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Portugal 2018, um trabalho que tem a chancela da Pontiaq e cantado quase na sua totalidade em português. Portugal 2018 contém dez composições filosóficas e relaxadas, introspetivas e reveladoras, sendo um registo com um forte cunho ativista, mas tambémum álbum fantástico porque retrata profetas, dilemas da morte e da vida, poções e milagres. É um registo em que o autor olha de modo particularmente crítico para este mundo e, de modo muito particular, para o nosso jardim à beira mar plantado, questionando a existência, incorporando e relatando experiências de animais, criticando a inoportunidade, elogiando a vida, a viagem e a simplicidade.

Resultado de imagem para Tiago Vilhena - Portugal 2018

Ode à diversidade e ao bom gosto, Portugal 2018 contém um soberbo manancial de composições buriladas com inquestionável requinte e bom gosto, rematadas por uma limpidez e uma sapiência indesmentíveis, quer ao nível da produção quer da mistura. Se ao ouvires Portugal 2018 percebes que o buliçoso piano de Quem me trouxe ao mundo te faz sorrir de orelha a orelha sem notares, se o dedilhar intensamente impressivo das cordas que recriam um instante a dois de intenso frenesim sensual em Cabaço vai morrer é um filme que fazes no teu âmago sem esforço, se as ondas que sentes a se eriçarem na tua pele durante a audição de O mar têm um travo a sal e a ostras delicioso ou as sintetizações pueris que sustentam Fujo para sempre te iludem com uma espécie de despreocupação inócua, que resulta, na verdade, de um processo de experimentação tremandamente criterioso e bem sucedido, ou se D'esta vida te coloca dentro de uma espécie de caixinha de sons minúscula, que tem como cenário um delicioso pôr do sol em plena Primavera então estás, na minha humilde opinião, claramente sintonizado com a essência de um disco com uma beleza melódica, lírica e instrumental incomum, que instiga, hipnotiza e emociona, um registo capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, tal é o rol de emoções que transmite e a intensidade das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 28 de Outubro de 2019

The Growlers – Natural Affair

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e em dois mil e catorze, com uma cadência quase anual, os The Growlers regressaram às edições com Chinese Fountain, um trabalho que cimentou definitivamente o adn de um projeto que aposta numa sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta.

Resultado de imagem para The Growlers – Natural Affair

Após Chinese Fountain os The Growlers entraram num período de relativo pousio e criaram a sua própria etiqueta, a Beach Goth Records and Tapes. Casual Acquaintances, disco editado o ano passado, foi o primeiro sinal de vida do grupo nesta nova fase da carreira, um levantamento de algumas demos, lados b e temas inacabados que a banda foi juntando ao longo das sessões de gravação dos discos anteriores e que acabam de ver finalmente sucessor, um trabalho intitulado Natural Affair e que merece ser descoberto com alguma minúcia já que contém canções com elevada bitola qualitativa.

Frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, a sonoridade do projeto vai muito além dessa simples catalogação e Natural Affair é mais uma demonstração cabal dessa permissa. Se no tema homónimo do registo é a pop radiante e efusiva que dita leis, logo a seguir, em Long Hot Night (Halfway To Certain) e em Shadow Woman a toada é um pouco mais à blues, com Pulp Of Youth e Foghorn Town a olharem com astúcia para climas algo etéreos e psicadélicos e Social Man a ter um travo tropical que se saúda, até porque se espraia com enorme deleite pelos nossos ouvidos. A partir daí, no chill lo fi de Truly ou no modo astuto como a banda exercita alguns dos cânones fundamentais do rock psicadélico setentista em Tune Out, percebe-se claramente o charme e a personalidade ímpar de um disco cuja aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso, mas a obediência clara a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela apresentação de um alinhamento de canções que agrade às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com a herança do rock das últimas quatro ou cinco décadas, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e fazem-no com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade num álbum que deve estar no radar de todos aqueles que se interessam por este espetro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

The Growlers - Natural Affair

01. Natural Affair
02. Long Hot Night (Halfway To Certain)
03. Pulp Of Youth
04. Social Man
05. Foghorn Town
06. Shadow Woman
07. Truly
08. Tune Out
09. Coinstar
10. Stupid Things
11. Try Hard Fool
12. Die And Live Forever


autor stipe07 às 21:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

Born-Folk - Fall-Inn

Têm apenas alguns meses de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa constituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, tendo já na forja um EP intitulado Come Inside! e do qual começou por ser retirado o tema Heat And Rum, no ocaso do último verão. Agora, em pleno estio outunal, chega a vez da composição Fall-Inn, tema que encerra o alinhamento do EP e também já com direito a um vídeo realizado por Luis Vieira, um possível retrato de um peculiar “rendez vous” outonal falhado com uma “patinadora artística” que vai pirateando corações com o seu sorriso alemão.

Resultado de imagem para Born-Folk

Se Heat And Rum era uma típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que estava patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, Fall-Inn, conduzida por um eletrificação de cordas agreste e abrasiva, mas tremendamente charmosa e com um travo punk delicioso, tem um clima mais outunal. De acordo com os Born-Folk, no hotel FALL-INN (uma espécie de open space hostel) somos saqueados por uma coelhinha pirata que embala os hóspedes com o seu olho empalado. A enigmática mensagem em “alemão da região da baixa googlândia” é o hall de entrada. Segue-se uma imperial overdrive interminável até à infusão fatal, um cházinho relaxante e inebriante carregado de wah wah “delayano” que nos levará até ao grand finale, onde a queda é uma aposta segura. Willkommen!!! Confere...


autor stipe07 às 18:53
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost Part 2

Quase quatro anos depois de What Went Down, os Foals de Yannis Philippakis prepararam dose dupla para dois mil e dezanove, tendo começado com o lançamento, no passado mês de maio, de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, ao qual sucedeu, já neste mês de outubro, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, dois trabalhos com a chancela do consórcio Transgressive / Warner Bros. Sexto registo da carreira do projeto britânico e, tal como o antecessor, com artwork do artista equatoriano Vicente Muñoz, que pretende simbolizar muito do conteúdo lírico dos álbuns através de um cruzamento criativo entre a natureza e uma construção humana e produzido pela própria banda e por Brett Shaw, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 é o segundo registo do projeto sem a presença do baixista Walter Gervers que o ano passado abandonou amigavelmente os Foals.

Resultado de imagem para Foals - Everything Not Saved Will Be Lost Part 2

Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 foi um disco muito focado no modo como o homem tem pressionado o ambiente e a natureza, colocando o futuro do nosso planeta em risco, mas também olhanva para assuntos importantes da realidade britânica como o brexit, a imigração e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres. Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 mantém-se, filosoficamente, nessa demanda de análise analítica da contemporaneidade conturbada em que a sociedade ocidental vive, fazendo-o de um modo ainda mais dramático e intenso que o antecessor. Os pouco mais de dez minutos de Neptune, no ocaso do registo, acabam por sublimar toda esta trama que os Foals nos facultaram este ano em dose dupla, fazendo-o com irrepreensível lucidez, mas também notável sentimentalismo.

De facto, se logo no clima cinematográfico impressivo da introdutória Red Desert é-nos apresentado um certo travo de angústia e dúvida, em composições do calibre de Black Bull, uma canção impulsiva e eloquente, assente em guitarras conduzidas por uma epicidade frenética, crua e impulsiva, que tem ainda o bónus de contar com um elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que a sustenta, mas também em The Runner e Into The Surf, dois temas que têm essa toada hard, seca e vibrante, fica assente a tónica numa clara angústia e aversão dos Foals, relativamente ao modo como vêm hoje o poder e quem toma conta das suas rédeas. Nelas, as guitarras experimentais que sustentaram com enorme sucesso Antidotes o registo de estreia da banda e a atmosfera pop rock oitocentista bastante vincada de canções como a marcial Like Lightning, a empolgante Dreaming Of e a cinematográfica e a intrigante10,000 Feet, têm esse cunho realístico que confere às composições de Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 poder e capacidade para se tornarem em bandas sonoras perfeitas das mais diversas manifestações de contra poder que temos assistido um pouco por todo o mundo nas últimas semanas e que, da questão das alterações climáticas ao sufoco do capitalismo, passando pela intolerância religiosa e pelo direito à auto determinação,  deixam este mundo mais irrequieto e vulnerável do que o aquilo que seria de supor. Só o tempo dirá se esta é, no cômputo geral, uma irrequietude saudável.

Registos pensados ao milímetro, carregados de nuances, quebras, detalhes, instantes de euforia, mas também de contemplação, Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 e Part 2 consolidam a verdadeira essência de um projeto que, por muitas voltas que procure dar ao seu catálogo, tem no seu adn as guitarras como elemento aglutinador e identitário primário, assim como o tal tribalismo percussivo, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, sem nunca deixar de tentar estabelecer, com sentimentalismo penetrante e profundo, uma conexão assertiva entre as pistas de dança do passado e do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost, Part 2

01. Red Desert
02. The Runner
03. Wash Off
04. Black Bull
05. Like Lightning
06. Dreaming Of
07. Ikaria
08. 10,000 Feet
09. Into The Surf
10. Neptune


autor stipe07 às 21:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019

Perfume Genius – Pop Song

Perfume Genius - Pop Song

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e começam a ser revelados cada vez mais detalhes do produto final e da performance, estando o seu conteúdo cada vez menos confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall foi o primeiro grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Agora, algumas semanas depois, acaba de ser revelada mais uma composição dessa performance colaborativa e com a assinatura de Hadreas. A canção intitula-se Pop Song e permite-nos contemplar um curioso exercício de simbiose entre elementos sintéticos particularmente rugosos, com um edifício percussivo repleto de groove, tudo temperado com o habitual falsete de Hadreas, sempre emotivo e realisticamente magnético. Confere...


autor stipe07 às 21:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

Miniature Tigers - Vampires In The Daylight

Três anos depois do muito recomendável I Dreamt I Was A Cowboy, os nova iorquinos Miniature Tigers de Charlie Brand, Rick Schaier, Algernon Quashie e Brandon Lee, mais uma banda natural de Brooklyn, um dos bairros musicalmente mais profícuos da maior cidade da costa leste dos Estados Unidos da América, estão de regresso com Vampires In The Daylight, um álbum que viu a luz do dia a onze de outubro, e disponível no sitio da banda.

Resultado de imagem para Miniature Tigers brooklyn band

Banda inspirada no modo como se serve de alguns dos princípios orientadores da clássica pop, estes Miniature Tigers oferecem-nos uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, ampliada por uma dose elevada de experimentalismo que parece não se preocupar demasiado com regras e conveções, fundindo, em suma os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica.

Logo a abrir o registo, o clima orquestral intrincado de Caged Bird tem essa vertente de heterogeneidade e logo depois as cordas exuberantes e a percussão frenética de Manic Upswings, assim como, numa abordagem radicalmente diferente, o singelo paladar climático de Anything Else, a vibe surf do tema homónimo o travo R&B de cariz mais ambiental de Wish, carimbam esta impressão geral de elevado ecletismo, num disco em que a temática das relações está bastante presente, com canções carregadas de trocadilhos e metáforas e com a própria sonoridade geral a não deixar de denotar uma inspirada languidez, carregada ainda mais pela voz muitas vezes em falsete de Rick.

Vampires In The Daylight é para ser escutado sem ideias pré definidas e de espírito livre e aberto, sendo um daqueles álbuns que vai revelando, pouco a pouco, o exotismo de muitas das suas canções, repletas de texturas acústicas e elétricas, sobrepostas ou de mão dada e que, consoante o nosso estado de espírito no momento, trazem à tona da predominância de de algumas das imensas paisagens sonoras contém, um exercício inconsciente que faz com que este disco se torne estranhamente viciante. Espero que aprecies a sugestão.

Miniature Tigers - Cool

01. Caged Bird
02. Manic Upswings
03. Rattlesnake ASMR
04. Anything Else
05. Wish
06. Cool
07. Vampires In The Daylight
08. Guilty Sunsets
09. LNOE
10. Better Than Ezra
11. Somewhere Soft


autor stipe07 às 19:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

Men On The Couch - Senso Comum

Já chegou aos escaparates Senso Comum, o primeiro álbum gravado em estúdio dos madeirenses Men On The Couch, de Guilherme Gomes, João Rodrigues, Tiago Rodrigues e Francisco Sousa, um alinhamento de onze canções captado nos míticos BlackSheep Studios em Sintra. Após vários anos a tocarem juntos, a banda madeirense decidiu finalmente pegar nas músicas que foi acumulando e aventurar-se na criação do disco de estreia, um álbum que, de acordo com o grupo, carrega todas as felicidades, desilusões, pensamentos e teorias que uns miúdos na casa dos vinte anos possam ter.

Resultado de imagem para Men On The Couch Senso Comum

Esta banda, que começou por cantar em inglês mas rapidamente optou pela língua mãe, oferece-nos, em Senso Comum, algumas músicas mais calmas e outras para abanar a anca, tendo, no processo de composição, olhado com uma certa gula para o pop rock contemporâneo, mas também, numa curiosa mescla, para alguma da melhor música popular brasileira. O resultado final são, de acordo com os próprios Men On The Couch, quarenta e três minutos de temas originais e refrescantes, que abordam vários temas do domínio comum da nossa sociedade, com letras leves e fáceis de digerir onde o ouvinte tem espaço para rir, chorar, dançar, gritar e refletir ao som das guitarras melódicas características da banda.

De facto, canções do calibre de Se eu morresse amanhã, uma composição que faz uma abordagem leviana e recheada de ironia a algo que assalta, pelo menos uma vez na vida, o pensamento de todos: O que é que acontecia se morrêssemos amanhã? Ficava tudo igual? Iam chorar por nós? Faziam uma grande festa? Era bolo de quê?, mas também Areia, uma história de amor passada numa ilha semelhante ao paraíso, intensificada pelos beijos salgados, mergulhos no mar e cervejas na areia, possibilitam-nos, desde logo, elevadas doses de sensibilidade e otimismo que nem sempre é fácil de decortinar nas propostas sonoras recentes deste jardim à beira mar plantado.

Mas Senso Comum não impressiona só pelas portas que os singles do disco nos escancaram; aliás, quem queira descobrir a fundo a filosofia estilística destes Men On The Couch não se pode cingir à audição de apenas estes dois temas de Senso ComumEnredos, um tema que impressiona pela forte luz que irradia e pelo travo festivo que uma declaração sentida de amor nem sempre tem, Clickbait, um orgasmo percussivo que nos oferece com notável nostalgia, memórias de alguma da melhor pop de há três décadas atrás que já era feita por cá, Na Lua, um portento de experimentalismo rock que impressiona pelo modo como um efeito ciranda melodia acima e abaixo sem nunca se insinuar demasiado, a soul contemplativa, mimnimal mas intensa de It's Okay e 760, composição que faz uma simbiose cuidada entre o jazz e a folk pop melancólica mais negra e extrovertida, são momentos também maiores de um alinhamento em que quem vence é, na soma de todas as partes, aquele rock clássico e intemporal, um resultado obtido através de um curioso nonsense e de uma vibe soalheira que tem uma contemporaneidade ímpar e um charme incomum. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Panda Bear – Playing The Long Game

Panda Bear - Playing The Long Game

Pouco mais de meio ano após a edição do excelente registo Buoys, o seu sexto álbum de estúdio, o músico norte-americano Panda Bear acaba de dar mais um vigoroso passo em frente na sua carreira a solo, com a divulgação de um novo tema intitulado Playing The long Game e que não fazia parte do alinhamento desse registo. Além da canção, este músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto, também deu a conhecer ao grande público o vídeo da mesma, realizado pela portuguesa Fernanda Pereira e onde se pode ver Noah Lennox a deambular por uma floresta enquanto uma horda de mascarados vagueia à distância.

Canção sobre dilemas existenciais mais ou menos óbvios, como confessou o próprio Lennox (The song is about a brief series of thoughts I had one morning about who I am, what I’m doing, and where I’m going), Playing The Long Game foi produzida pelo próprio músico com a colaboração de Rusty Santos e Sebastian Sartor e assenta numa pop experimental eminentemente sintética e com um indesmentível travo R&B, uma composição de forte cariz etéreo e contemplativo, mas também com uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019

The Dodos – The Atlantic

Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber parecem continuar fixados na temática do mar e, de modo mais redutor, no oceano atlântico, já depois de o último álbum da dupla de São Francisco, o registo Certainty Waves, produzido pelo próprio Meric Long e editado no início da passda primavera, através da Polyvinyl Records, ter-se centrado bastante nessa temática oceanográfica.

Resultado de imagem para The Dodos The Atlantic

De facto, The Atlantic, o novo tema divulgado da dupla, versa sobre a questão do isolamento e de como muitas vezes, ao não nos rodearmos das pessoas certas, acabamos por nos tornar numa espécie de ilha, perdida e inatingível. Sonoramente, na crueza do dedilhar das cordas, na variedade rítmica algo intuitiva e no clima melódico particularmente contemplativo, ampliado pelo registo vocal em falsete de Long, The Atlantic tem esse travo muito sui generis à imensidão de um oceano e à mágoa que aquela sensação claustrofóbica de desnorte traz sempre associada ao conceito de solidão. Confere...


autor stipe07 às 17:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Storm The Palace - Delicious Monster

Com origem no nome latino da planta Monstera Deliciosa, Delicious Monster é o segundo e novo registo de originais do coletivo britânico Storm The Palace, atualmente formado por Sophie Dodds, Reuben Taylor, Willa Bews, Jon Bews e Alberto Bravo. São onze canções gravadas em Edimburgo no último inverno e escritas quase todas por Sophie, que também participou na produção do disco juntamente com Reuben Taylor, um trabalho com a chancela da etiqueta Abandoned Love Records.

Resultado de imagem para Storm The Palace Delicious Monster

Ao segundo tomo da carreira, os Storm The Palace merecem amplo destaque porque conseguem ser particularmente originais, dentro de um quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta numa simbiose bastante criativa entre a típica folk britânica, com nuances mais clássicas e o indie rock, sempre em busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras, mas também sedutoras e repletas de charme. Delicious Monster é, então, mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história atual da pop de Terras de Sua Majestade.

Se o anterior registo Snow, Stars and Public Transport versava, essencialmente, sobre a vida em sociedade em espaços públicos amplos e abertos, neste Delicious Monster temos uma abordagem mais intimista das relações e das conexões humanas que se estabelecem dentro de quatro paredes e de como o espaço doméstico pode ser o local mais aconchegante, mas também o mais incómodo e insuportável, consoante o nosso estado de espírito e a nossa condição em determinado momento.

O álbum inicia e logo em Clive sentimo-nos em casa, a sintonizar aquele velhinho rádio a pilhas com um napron rendado por cima e as belíssimas vozes de Sophie e Willa a deixarem-nos à vontade e confortáveis. A partir daí, na delicada If I Were A Seagull, no travo jazzístico de Ancient Goldfish, no olhar pela janela para os prados verdejantes em redor que nos suscita The Magician, no minimalismo das cordas que cirandam por Splendid e na lamechice encapotada de Give Me My Fucking Puppy You Bastard, o clima é de forte proximidade entre banda e ouvinte, uma sensação firmada não só nesta crueza instrumental de praticamente todas as canções, mas também na forte sensação de pertença relativamente ao espaço onde a banda toca e nos convida a penetrar, um antro de perdição que atiça todos os nossos sentidos e cuja acusticidade se abastece de um rock clássico cheio das tais nuances, sempre com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar.

Disco pleno de canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana, conseguida através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os Storm The Palace conseguem confrontar-nos neste Delicious Monster com a nossa natureza, inseridos no universo que eles tão bem recriaram neste alinhamento, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma a audição do álbum numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019

Men On The Couch - Areia

Chega amanhã aos escaparates Senso Comum, o primeiro álbum gravado em estúdio dos madeirenses Men On The Couch, de Guilherme Gomes, João Rodrigues, Tiago Rodrigues e Francisco Sousa, um alinhamento de onze canções captado nos míticos BlackSheep Studios em Sintra e que será revisto pela nossa redação muito em breve. Após vários anos a tocarem juntos, a banda madeirense decidiu finalmente pegar nas músicas que foi acumulando e aventurar-se na criação do disco de estreia, um álbum que, de acordo com o grupo, carrega todas as felicidades, desilusões, pensamentos e teorias que uns miúdos na casa dos vinte anos possam ter.

Resultado de imagem para Men On The Couch - Areia

Para marcar a edição do disco de estreia, os Men On The Couch acabam de divulgar o vídeo de Areia, um dos destaques do seu alinhamento e o segundo single retirado do mesmo. O tema conta uma história de amor passada numa ilha semelhante ao paraíso, intensificada pelos beijos salgados, mergulhos no mar e cervejas na areia. Nesta balada com apenas três elementos, a melodia do rhodes acompanhada pelos acordes ao estilo bossa nova, convida o ouvinte a cantar de imediato e consegue fazê-lo viajar para uma altura onde tudo era mais simples. E a vida boa é mesmo assim: simples, como esta canção.

O vídeo foi filmado na ilha do Porto Santo e realizado por Saúl Caires (VINCO films). Nele os membros da banda aparecem enterrados na areia até ao pescoço como se fossem parte da praia, desempenhando um papel de narrador ausente e observando os vários acontecimentos mundanos de um dia típico numa ilha paradisíaca. Confere...


autor stipe07 às 20:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 9 de Outubro de 2019

The New Pornographers - In The Morse Code Of Brake Lights

Os The New Pornographers de Kathryn Calder, Neko Case, John Collins, Todd Fancey, Carl Newman, Joe Seiders, Blaine Thurier e Simi Stone, já têm sucessor para o excelente Whiteout Conditions de dois mil e dezassete. In The Morse Code Of Brake Lights é o oitavo registo da carreira do coletivo canadiano e tem onze canções que mantêm o habitual indie pop rock inspirado do grupo, produzidas pelo próprio Carl Newman, membro da banda e patrocinadas pela Concord Records.

Resultado de imagem para The New Pornographers In The Morse Code Of Brake Lights

A primeira coisa que me apraz dizer depois de ter escutado este disco é que In The Morse Code Of Brake Lights, um registo incubado, em grande parte, da mente de Neko Case, é luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana. Registo mais grandioso que o antecessor, algo logo audível na presença de uma orquestra durante a gravação do registo e com uma maior ênfase nas cordas, nele tanto podemos saborear alguns dos melhores tiques da pop contemporânea, nomeadamente no clima cósmico oferecido por The Surprise Knock, como a melhor herança do rock clássico e intemporal em Falling Down The Stairs Of Your Smile, uma canção em que não se deixa, em nenhum instante, de ter vontade de pular e de querer desertar para uma espécie de universo paralelo que o tema sugere, feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, nesta composição, tanto surgem na impulsividade do baixo e nas notas mais delicadas do piano e na cosmicidade dos sintetizadores, mas também quando elas estão presentes de um modo particularmente explosivo, nas guitarras, assim como nas vozes de Newman e Case, que se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que estes e outros instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que é usual chamar-se de som de banda

A partir daí, na leveza dos sopros e da voila que alimentam Opening Ceremony, no clima eminentemente classicista de Colossus Of Rhodes, uma composição em que o baixo é quem dita as regras na condução melódica, no inconfundível charme que os violinos e os detalhes sintetizados repletos de metais conferem à agridoce Higher Beams, ou no charme de um piano pleno de vigor e de soul que suporta toda uma trama orquestral complexa, arritmada, mas vigorante, em Need Some Giants, sentimo-nos preenchidos e sorrimos ao som de um disco cheio de notas e movimentos sinuosos, uma espécie de caldeirão sonoro feito por um elenco de extraordinários músicos e artistas, que sabem melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe neste universo sonoro ao qual dão vida e que deve estar sempre pronto para projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte, assentes num misto de power pop psicadélica e rock progressivo. Espero que aprecies a sugestão...

The New Pornographers - In The Morse Code Of Brake Lights

01. You’ll Need A Backseat Driver
02. The Surprise Knock
03. Falling Down The Stairs Of Your Smile
04. Colossus Of Rhodes
05. Higher Beams
06. Dreamlike And On The Rush
07. You Won’t Need Those Where You’re Going
08. Need Some Giants
09. Opening Ceremony
10. One Kind Of Solomon
11. Leather On The Seat


autor stipe07 às 21:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Novembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


posts recentes

Born-Folk - Come Inside! ...

Fink – Bloom Innocent

The Districts – Hey Jo

Vancouver Sleep Clinic – ...

Mikal Cronin – Seeker

Cigarettes After Sex – Cr...

CocoRosie – Smash My Head

Pete Yorn – Caretakers

Tiago Vilhena - Portugal ...

The Growlers – Natural Af...

Born-Folk - Fall-Inn

Foals - Everything Not Sa...

Perfume Genius – Pop Song

Miniature Tigers - Vampir...

Men On The Couch - Senso ...

Panda Bear – Playing The ...

The Dodos – The Atlantic

Storm The Palace - Delici...

Men On The Couch - Areia

The New Pornographers - I...

Taïs Reganelli - Vem (Alé...

Kurt Vile – Baby’s Arms (...

Colony House – Looking Fo...

The Monochrome Set - Fabu...

Efterklang – Altid Sammen

X-Files

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds