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Psychic Markers – Psychic Markers

Sexta-feira, 29.05.20

Naturais de Londres e formados por Steven, Leon, Alannah, Lewis e Luke, os Psychic Markers são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia e o punk com alguns dos melhores detalhes do rock experimental e do krautrock de raízes setentistas. Abrigados pela insuspeita Bella Union, acabam de editar um extraordinário registo homónimo, uma espécie de cápsula temporal que nos transporta com superior requinte e elevada dose de letargia até às fundações de praticamente tudo aquilo que define o melhor rock cósmico e lisérgico contemporâneo.

Psychic Markers's stream on SoundCloud - Hear the world's sounds

A peculiar e distinta receita de Psychic Markers é muito eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, logo no modo progressivo como Where Is The Prize? se abastece de um vastíssimo arsenal de projeções sintéticas, amiúde anárquicas, mas de elevado pendor narcótico. Logo depois, em Silence In The Room, a batida hipnótica e o trespasse que ela sofre com teclas de forte cariz vintage, amplia a sensação de descolagem da realidade e de entrada numa espécie de universo paralelo, uma impressão firme e transversal às dez canções polidas do álbum que, no seu todo, assentam também em riffs de guitarra viscerais, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock.

Após tão desafiante início, ficamos definitivamente rendidos ao registo com Pulse, composição com uma atmosfera algo tenebrosa e, por isso, bastante desafiante, mas tabém com Enveloping Cycles, um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Logo a seguir, Sacred Geometry aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia da percurssão e da acústica a mostrar uns Psychic Markers fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Até ao ocaso do disco, não há como não deixar de exaltar também Clouds, um segredo feito de punk rock puro e duro muito bem guardado, que sobe emocionalmente, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados, sem que a bateria amansse a batida.

Em Psychic Markers é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Há uma beleza enigmática nas composições destes Psychic Markers, feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos, enquanto projetam no ouvinte inúmeras possibilidades e aventuras, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...

Psychic Markers - Psychic Markers

01. Where Is The Prize?
02. Silence In The Room
03. Pulse
04. Enveloping Cycles
05. Sacred Geometery
06. A Mind Full And Smiling
07. Irrational Idol Thinking
08. Juno Dreams
09. Clouds
10. Baby, It’s Time

 

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publicado por stipe07 às 21:32

Happyness – Floatr

Sexta-feira, 08.05.20

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, incubado por um dos projetos mais subestimados da indie britânica e que após um aclamado EP homónimo editado em dois mil e treze, se estreou nos lançamentos no verão de dois mil e quinze com Weird Little Birthday, uma notável estreia que teve seguimento em Write In, dois anos depois, um registo com rara beleza, sobriedade e sensibilidade. Agora, mantendo a cadência de lançamentos, os Happyness brindam-nos com este Floatr, uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente e que se alimenta, essencialmente, da cadência de guitarras acústicas e eletrificadas, domadas com uma elevada toada experimental.

Happyness review, Floatr: Band explore what motivates us through ...

É, portanto, e como se percebe logo em title track, na deliciosa oscilação entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, que navegamos em Floatr, um disco em que estas mesmas cordas também oferecem ao baixo interessante protagonismo, evidente logo de seguida, em  Milk Float, instrumento que sustenta as diferentes variações rítmicas do tema, mas também os refrões esplendorosos de canções como Vegetable, uma daquelas composições que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental, ou Och (yup), tema frenético e abrasivo, com um forte cariz político e muito marcado pelo brexit.

O indispensável equilíbrio que oferece ao disco abrangência e heterogeneidade, como se exige a projetos que pretendam abraçar uma vasta multiplicidade de públicos sem perderem o seu adn alternativo, está bem vincado na delicadeza da bateria e no efeito metálico de Bothsidesing, na astuta sensibilidade do piano que conduz When I’m Far Away (From You), e nos diferentes arranjos orquestrais que contornam as teclas, assim como na contemplativa e luminosa acusticidade de Undone, que é depois trespassada por uma vigorosa trama orquestral feita dos melhores ingredients da pop contemporânea, uma das composições melodicamente mais felizes de Floatr

Este novo álbum dos Happyness é, sem sombra de dúvida, uma das surpresas mais refrescantes e animadoras deste início de primavera, um registo que atesta a ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância, enquanto encarna uma  fantástica viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Quem escutar este registo e não desejar ardentemente ser uma drag queen nem que seja só por um dia, não captou a plenitude da sua essência libertadora. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Floatr

01. Title Track
02. Milk Float
03. When I’m Far Away (From You)
04. Vegetable
05. What Isn’t Nurture
06. Bothsidesing
07. Undone
08. Anvil Bitch
09. Ouch (yup)
10. (I Kissed The Smile On Your Face)
11. Seeing Eye Dog

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publicado por stipe07 às 10:44

James Blake – You’re Too Precious

Domingo, 26.04.20

James Blake - You're Too Precious

Tem cerca de um ano Assume Form, o último registo de originais do londrino James Blake, um álbum que, curiosamente, acabou por afastar o músico um pouco dos holofotes e da vida pública. No entanto, o estado atual global de confinamento parece ter provocado em Blake uma nova vontade de mostrar serviço, que se tem materializado em algumas aparições ao vivo no seu instagram, desde Los Angeles, onde habita atualmente. Nesses mini-concertos Blake já cantou vários clássicos do seu catálogo, mas também uma versão muito feliz de No Surprises, grande tema dos Radiohead e, numa outra aparição,  uma cover de  Georgia On My Mind, original de Ray Charles, gravado em mil novecentos e sessenta e de The First Time Ever I Saw Your Face, um tratado folk da autoria de Roberta Flack, gravado em mil novecentos e sessenta e nove e que ganhou enorme notoriedade quando fez parte da banda sonora de Play Misty Fo Me, o primeiro filme de Clint Eastwood.

Agora, muito recentemente, James Blake coloca a cereja no topo do bolo com a edição de um novo single original. A canção chama-se You're Too Precious, encarna uma paisagem sonora assente num minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental e está impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com particular devoção. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:04

The Rolling Stones – Living In A Ghost Town

Sábado, 25.04.20

The Rolling Stones - Living In A Ghost Town

O inesperado mas necessário período de confinamento que vivemos, devido ao surto pandémico que afeta o mundo inteiro, tem suscitado e inspirado, no universo sonoro, algumas edições, parcerias, contribuições e regressos, que têm sido, frequentemente, inusitados, inesperados e curiosos. Um desses momentos é, sem dúvida, a divulgação de uma nova canção dos The Rolling Stones, intitulada Living In A Ghost Town.

Primeiro tema que a banda de Mick Jagger revela em oito anos, Living In A Ghost Town tem como ponto de partida um esboço de uma canção que o grupo já tinha gravado há cerca de um ano, altura em que os The Rolling Stones entraram em estúdio para compôr e gravar novo material, um processo abruptamente interrompido devido a este evento de saúde pública. Jagger e Keith Richards acharam que a canção teria potencial para causar uma impressão positiva junto dos fãs, adaptaram a letra à situação atual e o resultado final tem aquele travo inédito e único da mistura de rock, blues e soul que, desde sempre, sustenta o adn deste projeto londrino. Confere... 

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publicado por stipe07 às 15:16

Gengahr – Sanctuary

Terça-feira, 21.04.20

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são, atualmente,  Felix Bushe (vocal/guitarra), Hugh Schulte (baixo), Danny Ward (bateria) e João Victor (guitarra) e começaram por causar sensação no meio alternativo local quando já no longínquo mês de outubro de dois mil e catorze divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias à crítica que à época começou a ficar particularmente atenta ao quarteto. Depois desse início promissor, os álbuns A Dream Outside (2015), disco em que os Gengahr, logo na estreia, se mostraram assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram uma feliz simbiose entre a pop e o experimentalismo e Where Wildness Grows (2018), um compêndio de pop futurista com o ritmo e cadência certas, alicerçado em teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, cimentaram o travo sonhador, aventureiro e alucinogénico de um projeto único e bastante inventivo.

Gengahr – 'Sanctuary' review

Agora, já em dois mil e vinte, Sanctuary, o terceiro longa-duração dos Gengahr, apresenta o quarteto no seu estado maior de maturidade, abrilhantado por guitarras melodicamente sagazes e apelativas, entrelaçadas com metais, bombos, cordas e teclas, que desfilam orgulhosas e altivas, numa parada de cor, festa e alegria, onde todos os músicos certamente comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem o modo como incubam um agregado de sons no formato canção. E acaba por ser curioso sentir uma vibração positiva intensa durante a audição do disco quando o mesmo teve como ponto de partida a morte da mãe de Felix pouco depois da edição de Where Wildness Grows e, pouco tempo depois, a sua namorada, agora esposa, ter sido obrigada a mudar-se para a Austrália. O delicioso falsete de Felix parece ter sido contagiado de modo positivo pela dor, digamos assim, e a indie pop que carimba o adn dos Gengahr, capaz de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo e que tem um poder único de nos descolar da realidade, nunca esteve tão deslumbrante e majestosa como agora.

Sanctuary oferece-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de dez canções, fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. Mesmo quando Felix escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante. Em suma, ouvir este alinhamento é como contemplar um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que tem a curiosidade de facilitar aquela sensação estranha mas que todos já vivenciámos de resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - Sanctuary

01. Everything And More
02. Atlas Please
03. Heavenly Maybe
04. Never A Low
05. Fantasy
06. You’re No Fun
07. Soaking In Formula
08. Anime
09. Icarus
10. Moonlight

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publicado por stipe07 às 22:16

Happyness – Ouch (yup)

Segunda-feira, 06.04.20

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper e Jonny Allan, estão de volta aos discos com Floatr, um alinhamento de onze canções, de onde já foram retirados três singles. De facto, Ouch (yup) é já o terceiro tema extraído do registo, depois de Vegetable e Seeing Eye Dog e mais um belo prenúncio do conteúdo do terceiro álbum do grupo, que chegará aos escaparates no primeiro dia do próximo mês de maio.

Happyness preview new album with third single “Ouch (Yup)”

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Ouch (yup) é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo desta canção, com um forte cariz político e muito marcada pelo brexit, acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:44

Baxter Dury – The Night Chancers

Sábado, 21.03.20

Três anos depois do excelente registo Prince of Tears, o irascível Baxter Dury, filho do icónico Ian Dury, vocalista dos extintos Blockheads, uma das bandas mais importantes do cenário pós punk britânico, está de regresso com The Night Chancers, dez composições abrigadas pela Heavenly Records, produzidas pelo próprio Baxter com o apoio inestimável de Craig Silvey (Arcade Fire, John Grant, Arctic Monkeys) e gravadas nos estúdios Hoxa em West Hampstead, Londres, na primavera do ano passado.

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Sexto álbum da carreira de Dury, The Night Chancers aprimora a já habitual e bem sucedida fórmula interpretativa de um músico e compositor que se serve do rock, da pop e da eletrónica para alimentar a sua aúrea de exímio inquieto e provocador, assente em impressivas crónicas e relatos de experiências pessoais mais ou menos aventureiras, mas até comuns e ordinárias,que resultam numa enorme sátira e crítica à modernidade, tudo apimentado com aquele sarcástico humor típico de terras de Sua Majestade. 

Assim, num disco idealizado com superior requinte e ousadia, até porque Dury começa dizendo I’m not your fucking friend, se composições como a intrigante Slumlord, que nos faz divagar no regaço de uma guitarra planante, ou Carla's Got a Boyfriend, um lamento soul intenso, íntimo e sensual, protagonizado por alguém que acaba de descobrir que a ex tem outra pessoa (I spotted him on Instagram / Followed him about for a bit), são exemplos de canções que sobressaiem no modo como a gravidade vocal de alguém que se recusa a cantar e apenas declama, como se estivesse constantemente encharcado em álcool e numa manhã difícil depois de mais uma noite plena de aventura, é ampliada pela orgânica das cordas e pelo modo como alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar inquietude e mistério, já o baixo vigoroso e o sintetizador vintage de I'm Not Your Dog, a batida lenta mas indesmentivelmente hipnótica de Saliva Hog e, num registo mais clássico e chill, o monumental jogo de cintura constante, que o saxofone e a guitarra executam em Sleep People, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto, aprisionam-nos nesse tal universo sujo, reacionário e até criminoso, mas de um modo bem mais sereno e contemplativo e, por isso, talvez ainda mais perigoso.

Em The Night Chancers, o spoken word Dury, na altivez dos seus quarenta e oito anos, assume que vive num período negro e algo conturbado da sua existência. Escuta-se o álbum e percebe-se facilmente que, para ele, todos aqueles que o rodeiam não são de confiança, incluindo o próprio, a vida resume-se ao hoje, ao aqui e ao agora. O dia a dia é vivido enclausurado entre quatro paredes de duvidosos quartos de hotel, tendo como única companhia os pensamentos obscuros pelos quais se deixa manipular mais vezes que o recomendável e as noites das quais restam, geralmente, vagas memórias, são, uma após outra, sem intermitências, nada serenas ou agradáveis. Refletir sobre toda esta trama musicalmente e expô-la sem particular receio ou filtro, do modo que Baxter o faz, com crueza, despudor e até desprezo por quem se queira predispôr a ouvi-lo e ajudá-lo, pode não ser um exercício de exorcização minimamente eficaz, mas é um facto que artisticamente resulta, até porque, se calhar são mais do que se pensa aqueles que se podem sentir realmente identificados com toda esta narrativa de vida tão peculiar e realista e que, se todos refletirmos sem medo, espelha aquilo que é a verdade de tantos hoje, na dita sociedade ocidental contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury - The Night Chancers

01. I’m Not Your Dog
02. Slumlord
03. Saliva Hog
04. Samurai
05. Sleep People
06. Carla’s Got A Boyfriend
07. The Night Chancers
08. Hello, I’m Sorry
09. Daylight
10. Say Nothing

 

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publicado por stipe07 às 21:48

The Proper Ornaments - Mission Bells

Sexta-feira, 20.03.20

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns de dois mil e dezanove para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting, ao qual se juntam Bobby Syme e Max Oscarnold e, mais recentemente, o baixista Nathalie Bruno.

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Mission Bells, um registo sombrio mas edificante, começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins, com o esboço de muitas das suas canções a verem a luz do dia em soundchecks e jam sessions, pela Europa fora, durante essa epopeia. Depois os quatro membros da banda começaram a gravar, no verão passado, no estúdio doméstico de Hoare em Finsbury Park, Londres, usando a mesma pafernália tecnológica utilizada no disco anterior, mas também a incorporarem um sequenciador moog e outros instrumentos eletrónicos, detalhes que explicam, desde logo, uma maior riqueza estilística e ao nível dos detalhes e dos arranjos, relativamente ao registo anterior, não faltando aquela espantosa simplicidade de Waiting For The Summer, o disco de estreia do projeto e a suprema melancolia que banhou Foxhole, um dos melhores álbuns de dois mil e dezassete, nuances que, no seu todo, suportam a elevada bitola qualitativa melódica de Mission Bells e, durante a sua interpretação instrumental, o claro domínio do som que tipifica este projeto.

Assim, escutar Mission Bells traz logo à tona aquela curiosa sensação que muitas vezes temos e que nos diz que estamos na presença de um álbum que foi concebido de modo bastante intuitivo e aparentemente sem qualquer esforço. De facto, este é um alinhamento com um clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo e que nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, fazendo-o com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram, como de certo modo já referi, intensas, ousadas e surpreendentes.

Composições do calibre de Purple Heart, o tema que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos oferece um delicioso banquete de cordas luminosas, a rugosa toada misteriosa e flutuante de Downtown, a pueril acusticidade solarenga de Black Tar, a luxuriante folk psicadélica que banha Broken Insect, o momento mais alto do registo, ou a deliciosa dança sedutora que várias guitarras, elétricas e acústicas, executam na intrigante The Impeccable Lawns, sustentam a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo, ampliada também pela maturidade lírica que os The Proper Ornaments exalam no seu alinhamento e que disserta essencialmente  sobre o que é viver nestes tempos distópicos e algo confusos e conturbados.

Mission Bells é, em suma, uma conquista majestosa, um turbilhão musical em que as suas harmonias nos levam a um estado sonâmbulo irreversível, deixando-nos presos entre a terra dos sonhos e as horas de vigília. E a maior beleza disso é que não vamos querer escapar depressa deste clausura, mesmo que a porta esteja aberta enquanto a vida pós-moderna nos espera do lado de fora. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:23

Clock Opera - Carousel

Quarta-feira, 26.02.20

Já chegou aos escaparates Carousel, o terceiro e novo disco dos Clock Opera,  sucessor do muito recomendável registo Venn, lançado há quase dois anos. Carousel foi gravado nos próprios estúdios da banda em Londres, sendo um compêndio de pop futurística inspirado em autores de bandas sonoras de filmes de ficção científica, como Jerry Goldsmith ou Mica Levi.

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Esta banda britânica liderada por Guy Connelly olha com uma certa gula para a herança da pop da década de oitenta do século passado, aquela pop burilada com sintetizadores repletos de cosmicidade, cercados por guitarras planantes e repletas de eco e baixos rugosos e cerrados. Com esta receita arquitetam canções diretas, com pouco mais de três minutos e que se esfumam com uma velocidade estonteante, rematadas por um falsete que lembra Chaplin dos Keane, a nostalgia dos Coldplay e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze.

Carousel contém, de facto, esta mistura louvável, deliciosa e aditiva, como se percbe logo em Be Somebody Else, composição onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar um tema viciante e particularmente luminoso. Depois, o eslendoroso piano que afaga a batida minimalista que conduz o melancólico tema homónimo, a inquietude permanente a que sabem os flashes sintetizados e as teclas insinuantes de Run, o curioso travo R&B de I Surrender e o modo intenso como em Imaginary Nation os samples eletrónicos são processados e recortados numa frequência absurda e com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções, são peças fundamentais de um álbum verdadeiramente intenso e vertiginoso, nuances que garantem o tal clima cinematográfico algo retro que sustentou a filosofia estilística de Carousel. O travo negro e intimista inicial de Algorithm e que acaba por resvalar para um portento de rugosidade sintética e a sumptuosa nuvem de efeitos e que definem Last Thing First, rematam com enorme fulgor e realismo esta intensão declarada de um registo único no panorama musical deste primeiro terço de dois mil e vinte, criado por uns Clock Opera que levam uma década de existência, sem mostrarem sinal de desgaste ou de déficit criativo. Aliás, Carousel acaba por deixar pistas bastante interessantes sobre o possível futuro artístico do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Clock Opera - Carousel

01. Be Somebody Else
02. Carousel
03. Run
04. Imaginary Nation
05. Howling At The Moon
06. I Surrender
07. Algorhythm
08. Snake Oil
09. Super Blue Blood Moon
10. Last Things First

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publicado por stipe07 às 17:40

Clock Opera – Imaginary Nation

Quinta-feira, 30.01.20

Clock Opera - Imaginary Nation

Será já a sete de fevereiro que os Clock Opera irão fazer chegar aos escaparates Carousel, o terceiro e novo disco da banda britânica liderada por Guy Connelly e sucessor do muito recomendável registo Venn, lançado há quase dois anos. Carousel foi gravado nos próprios estúdios da banda em Londres, sendo, de acordo com informações recentemente divulgadas, um compêndio de pop futurística inspirado em autores de bandas sonoras de filmes de ficção científica, como Jerry Goldsmith ou Mica Levi.

Imaginary Nation, o mais recente avanço divulgado de Carousel, faz juz a essa estimativa já largamente divulgada, já que se trata de uma composição intensa, em que samples eletrónicos são processados e recortados numa frequência absurda e com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções.. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:22






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