Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020

Bombay Bicycle Club – Everything Else Has Gone Wrong

No ativo há já década e meia, os Bombay Bicycle Club deJack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash, abriram as hostilidades em grande forma, em dois mil e nove, com o promissor registo I Had the Blues But I Shook Them Loose e, desde logo, firmaram um lugar de relevo no cenário indie de terras de Sua Majestade. A partir daí, mantendo uma interessante média de lançamentos conceptualmente distintos, nomeadamente Flaws (2010), A Different Kind of Fix (2011) e So Long, See You Tomorrow (2014), nunca deixaram de, álbum após álbum, cimentar essa posição, que atinge o pico à boleia de Everything Else Has Gone Wrong, o quinto registo do grupo, um disco que quebra um inesperado hiato de cinco anos, tendo em conta a frequência temporal dos trabalhos anteriores, e que contém, talvez, o alinhamento mais consistente, assertivo e eclético deste projeto de Crouch End, nos arredores de Londres.

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O caminho traçado pelos Bombay Bicycle Club deu sempre elevado protagonismo à criação de efervescentes composições assentes numa filosofia sonora que, dando também primazia ao baixo e às guitarras, foram sobrevivendo à sombra da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos, criando, desse modo, sagazes interseções entre rock e eletrónica. O antecessor So Long, See You Tomorrow foi o expoente máximo deste receituário, que também primou por uma elevada versatilidade na seleção dos arranjos que adornavam as composições, como se percebeu em temas como Luna e Carry Me, dois belos exemplos dessa opção estilística presentes no trabalho de dois mil e catorze. E estas são nuances que neste Everything Else Has Gone Wrong ganham uma nova dimensão, graças a canções do calibre da sumptuosa Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), a melancólica composição homónima ou a extremamente criativa I Can Hardly Speak, um tema em que uma extravagante base sintética, acomoda com superior requinte cordas e metais, enquanto Steadman nos oferece o seu já habitual elevado e inédito grau de entrega e de intimidade.

A presença de galardoado produtor John Congleton (St. Vincent, Sharon Van Etten, War on Drugs) nos créditos do registo terá sido, certamente, fator decisivo para que os Bombay Bicycle Club apresentassem neste Everything Else Has Gone Wrong, como já referi, o seu registo mais heterógeneo, mas também curiosamente, o trabalho com maiores parecenças relativamente ao que se faz do lado de lá do atlântico. Além dos três temas já referidos, com particular destaque para o programado vigor algo punk em que alicerça Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), a efervescente luminosidade de I Worry Bout You e o clima mais progressivo e encantatório de Good Day, proporcionam ao ouvinte momentos de familiariedade com as propostas mais recentes de nomes tão proeminentes do cenário indie norte-americano, como os Broken Social Scene ou os The New Pornographers.

Disco diversificado, pulsante, optimista e luminoso, Everything Else Has Gone Wrong tem um travo de efervescência e impulsividade únicos, com guitarras e sintetizadores a lançarem constantentemente nos nossos ouvidos vibrações e melodias de esperança e renovação, que não só colocam a banda no trilho de um rock mais cru e direto, como também amplificam a sensação de estarmos perante uma espécie de caleidoscópio sonoro de forte cariz hipnótico, lisérgico e emocional e em que conceitos como o ambiente, a harmonia, a libertação e o amor e o crescimento, ajudam a engrandecer, mais do que nunca, o percurso discográfico dos Bombay Bicycle Club. Espero que aprecies a sugestão...

Bombay Bicycle Club - Everything Else Has Gone Wrong

01. Get Up
02. Is It Real
03. Everything Else Has Gone Wrong
04. I Can Hardly Speak
05. Good Day
06. Eat, Sleep, Wake (Nothing But You)
07. I Worry Bout You
08. People People (Feat. Liz Lawrence)
09. Do You Feel Loved?
10. Let You Go
11. Racing Stripes


autor stipe07 às 14:52
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2020

The Proper Ornaments – Purple Heart

The Proper Ornaments - Purple Heart

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns do ano passado para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, que irá ver a luz do dia a vinte e oito de fevereiro próximo.

Missin Bells será o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy e começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins. Do seu alinhamento acaba de ser revelado o conteúdo de Purple Heart, a canção que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme. Confere Purple Heart e o alinhamento de Mission Bells...

1. Purple Heart
2. Downtown
3. Black Tar
4. The Wolves At The Door 5. Broken Insect
6. The Impeccable Lawns
7. Echoes
8. Flophouse Calvary
9. Strings Around Your Head
10. The Park
11. Music Of The Traffic
12. Cold
13. Tin Soldiers


autor stipe07 às 09:43
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Domingo, 5 de Janeiro de 2020

Ten Fé – Candidate vs Heaven Sent Me

Depois de em março de dois mil e dezanove terem editado Future Tense, Present Tense, o excelente registo que sucedeu ao aclamado trabalho de estreia, Hit The Light, lançado no ano anterior, os lobdrinos Ten Fé de Leo Duncan voltam a dar sinais de vida com a edição de um single com as composições Candidate e Heaven Sent Me e que não fizeram parte do alinhamento desse segundo álbum, com apenas nove meses de vida.

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Com uma sonoridade assente numa onda sintética particularmente expansiva e luminosa, Candidate é um tratado pop inspirado e rico, repleto de groove , intenso, alegre e dançável e com um travo à herança de uns Talking Heads inconfundível, enquanto Heaven Sent Me aposta naquela vertente mais climática e retro que fez escola na década de oitenta do século passado, uma espécie de soft rock , nuance que não é nova nos Ten Fé, mas que se mostra nesta canção mais apurada do que nunca e capaz de agradar a um espetro ainda mais alargado de ouvintes. Confere...


autor stipe07 às 16:22
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2019

Oh Wonder – This Christmas

Oh Wonder - This Christmas

Com o aproximar do Natal é usual haver alguns lançamentos discográficos alusivos à época e os Oh Wonder de Anthony West e Josephine Vander, acabaram por aderir a esta tendência com a recente edição de This Christmas, à boleia da Island Records. Aproveito para recordar que a dupla londrina prepara-se para lançar o disco No One Else Can Wear Your Crown, um trabalho que irá ver a luz do dia a sete de fevereiro próximo e do qual já se conhecem as canções Hallelujah, Better Now e I Wish I Never Met You. No One Else Can Wear Your Crown será o terceiro registo de originais dos Oh Wonder, sucedendo aos trabalhos Oh Wonder (2015) e Ultralife (2017).

Quanto a This Christmas, trata-se de uma composição criada originalmente pelos Oh Wonder para esta época festiva, assente num emotivo piano, uma vasta panóplia de arranjos de cordas conjugados com ímpar delicadeza e num jogo de vozes intuitivo particularmente feliz da dupla, um tratado pop de pendor classicista e pensado com o propósito de proporcionar algum conforto aqueles que se sentem mais sós nesta época do ano. Confere...


autor stipe07 às 10:41
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

Crayon Fields – All The Pleasures Of The World

Crayon Fields - All The Pleasurse Of The World

Os míticos Crayon Fields de Geoff O'Connor são de Melbourne e deram-nos o último registo de originais em setembro de dois mil e quinze. O trabalho intitulava-se No One Deserves You e enquanto não vê sucessor, o quarteto está a preparar uma comemoração em grande dos dez anos de vida de All The Pleasures Of The World, o disco que em dois mil e nove lançou este projeto australiano para o estrelato, à boleia da Chapter Music.

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All The Pleasures Of The World são pouco mais de trinta minutos de uma simbiose bastante criativa entre a típica folk, com nuances mais clássicas da pop e do indie rock, A reedição de luxo deste belíssimo álbum inclui lados B, instrumentais demos e covers de clássicos de bandas e nomes como os ABBA, Roxette ou Kath Bloom e, entretanto, já podemos conferir o buliçoso baixo e a melodia vibrante da nova roupagem do tema homónimo do registo. Confere...


autor stipe07 às 14:08
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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019

Bombay Bicycle Club – Everything Else Has Gone Wrong

Bombay Bicycle Club - Everything Else Has Gone Wrong

Cinco anos depois do excelente So Long, See You Tomorrow, o quarto álbum de estúdio dos Bombay Bicycle Club, o projeto britânico voltou finalmente nesta segunda metade de dois mil e dezanove a dar sinais de vida com o anúncio de um novo trablho intitulado Everything Else Has Gone Wrong, que irá ver a luz do dia a dezassete de janeiro próximo.

Divulgado em pleno verão, Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), foi o primeiro avanço divulgado deste novo alinhamento de canções da banda dos arredores de Londres, formada por Jack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash. Agora chegou a vez de conhecermos o tema homónimo, uma sumptuosa e efervescente composição assente numa filosofia sonora que dá primazia ao baixo e às guitarras, apesar da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos. Estas duas canções confirmam que Everything Else Has Gone Wrong deverá colocar a banda no trilho de um rock mais cru e direto, em vez das sagazes interseções com a eletrónica que os Bombay Bicycle Club efetuaram no disco que lançaram à meia década. Confere...


autor stipe07 às 13:44
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

Fink – Bloom Innocent

Cinco anos depois do excelente álbum Hard Believer e três do credível e não menos exuberante sucessor, o registo Resurgam, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quase meio século de vida, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Bloom Innocent, oito canções que encarnam o alinhamento mais intimista, negro e intrincado do músico, mas que mesmo assim não deixam de continuar a catapultá-lo para o já habitual nível qualitativo de excelência das suas propostas, numa das carreiras mais menosprezadas do cenário indie contemporâneo.

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Gravado na intimidade do seu estúdio caseiro de Berlim, o local onde Fin se sente mais confortável e feliz a compôr e onde, de acordo com o próprio, consegue manter a sua sanidade mental, sempre em risco de resvalar devido à frustração inerente às agruras e à insatisfação de qualquer processo criativo, com destaque para o musical, Bloom Innocent contém as composições mais complexas da carreira de Fink, assentes em guitarras repletas de efeitos e timbres etéreos e uma complexidade melódica ímpar, que tanto apela à meditação e ao recolhimento, como à celebração de tudo aquilo que de bom podemos retirar das coisas mais simples da vida, o tema preferido da escrita deste compositor único.

Assim, num projeto que também tem como atributo maior a belíssima voz de Fin e o exemplar trabalho de produção de Flood, que já tinha colocado as mãos em Resurgam, canções como Bloom Innocent, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria, um insinuante piano e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas, ou o clima intrigante e vincadamente experimental e orgânico de We Watch The Stars, são perfeitos para nos transportar para um disco essencialmente acústico e com uma forte toada blues. Depois, na indisfarcável tonalidade chill de Once You Get A Taste, no modo preciso como cordas e tambor se revezam no controle em Out Loud, no modo inteligente como as vozes se sobrepôem à crescente trama instrumental, ampliando o travo dramático de That's How I See You Now e no piscar de olhos à música negra e ao r&b em I Just Want A Yes, contemplamos um disco com uma elevada componente cinematográfica e reflexia, uma materialização não tão exuberante como alguns antecessores, mas igualmente assertiva, de todos os atributos que Fink, um artista tremendamente dotado, guarda na sua bagagem sonora, assente numa filosofia estilística de forte cariz eclético.

Bloom Innocent está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Bloom Innocent

01. Bloom Innocent
02. We Watch The Stars
03. Once You Get A Taste
04. Out Loud
05. That’s How I See You Now
06. I Just Want A Yes
07. Rocking Chair
08. My Love’s Already There


autor stipe07 às 20:39
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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Storm The Palace - Delicious Monster

Com origem no nome latino da planta Monstera Deliciosa, Delicious Monster é o segundo e novo registo de originais do coletivo britânico Storm The Palace, atualmente formado por Sophie Dodds, Reuben Taylor, Willa Bews, Jon Bews e Alberto Bravo. São onze canções gravadas em Edimburgo no último inverno e escritas quase todas por Sophie, que também participou na produção do disco juntamente com Reuben Taylor, um trabalho com a chancela da etiqueta Abandoned Love Records.

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Ao segundo tomo da carreira, os Storm The Palace merecem amplo destaque porque conseguem ser particularmente originais, dentro de um quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta numa simbiose bastante criativa entre a típica folk britânica, com nuances mais clássicas e o indie rock, sempre em busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras, mas também sedutoras e repletas de charme. Delicious Monster é, então, mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história atual da pop de Terras de Sua Majestade.

Se o anterior registo Snow, Stars and Public Transport versava, essencialmente, sobre a vida em sociedade em espaços públicos amplos e abertos, neste Delicious Monster temos uma abordagem mais intimista das relações e das conexões humanas que se estabelecem dentro de quatro paredes e de como o espaço doméstico pode ser o local mais aconchegante, mas também o mais incómodo e insuportável, consoante o nosso estado de espírito e a nossa condição em determinado momento.

O álbum inicia e logo em Clive sentimo-nos em casa, a sintonizar aquele velhinho rádio a pilhas com um napron rendado por cima e as belíssimas vozes de Sophie e Willa a deixarem-nos à vontade e confortáveis. A partir daí, na delicada If I Were A Seagull, no travo jazzístico de Ancient Goldfish, no olhar pela janela para os prados verdejantes em redor que nos suscita The Magician, no minimalismo das cordas que cirandam por Splendid e na lamechice encapotada de Give Me My Fucking Puppy You Bastard, o clima é de forte proximidade entre banda e ouvinte, uma sensação firmada não só nesta crueza instrumental de praticamente todas as canções, mas também na forte sensação de pertença relativamente ao espaço onde a banda toca e nos convida a penetrar, um antro de perdição que atiça todos os nossos sentidos e cuja acusticidade se abastece de um rock clássico cheio das tais nuances, sempre com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar.

Disco pleno de canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana, conseguida através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os Storm The Palace conseguem confrontar-nos neste Delicious Monster com a nossa natureza, inseridos no universo que eles tão bem recriaram neste alinhamento, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma a audição do álbum numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2019

Foreign Poetry - Freeform

Os Foreign Poetry são Danny Geffin e Moritz Kerschbaumer. Danny é inglês, Moritz é austríaco e ambos tocam vários instrumentos e escrevem canções. Conheceram-se em Londres, durante o verão de dois mil e onze, quando tocavam em projetos diferentes e se cruzaram na mesma noite no The Ritzy, em Brixton. Moritz tocava com Luís Nunes, mais conhecido por (Walter) Benjamin e Danny era uma das duas metades dos Geffin Brothers. Alguns anos depois Moritz enviou a Danny duas ideias para canções nas quais andava a trabalhar e este retribuiu dias depois devolvendo-as cheias de ideias novas. Este encontro tornou-se num hábito, as ideias de ambos começaram a andar para trás e para a frente e ao fim de um ano neste modus operandi, estava praticamente estruturado um alinhamento de canções intitulado Grace and Error on the Edge of Now, que viu a luz do dia há poucos dias, à boleia da Pataca Discos e que será alvo de revisão crítica atenta neste bogue muito em breve.

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Seja como for, posso já adiantar que este Grace and Error on the Edge of Now foi polido nos estúdios da Pataca Discos, em Lisboa, onde o disco ganhou novas e belas texturas, com a ajuda dos Anna Louisa Etherington (violino), Alice Febles Padron (coros), Luís (W. Benjamin) Nunes (bateria, percussão e coros) e Tony Love (bateria), sendo uma estreia em grande de um projeto que serviu-se de variadas texturas e arranjos, melodias vocais com raízes folclóricas e uma crua vulnerabilidade, para incubar uma espécie de álbum conceptual, que aborda ideias tão mundanas como o universo pessoal, a adolescência e a juventude, o impacto da teconologia na condição humana e as complexidades da vida e das relações humanas, fazendo tudo isso de um modo relevante, provocador e rico. Nele, Moritz e Danny criaram paisagens sonoras e orquestrações complexas, mas também apostaram em grooves mais descontraídos e numa narrativa lírica eminentemente simples, com nomes como Arthur Russell, The National, Lambchop e Future Islands, a serem referências óbvias de um compêndio de rock psicadélico, mas sem rock nem psicadelia no seu estado mais puro, já que a folk é também um ingrediente essencial de toda a trama sonora do registo.

Depois de em pleno verão termos ficado a conhecer Chain Of Events, um dos temas já divulgados deste álbum de estreia dos Foreign Poetry que, faltava referir, foi misturado por Luís Nunes e o próprio Moritz Kerschbaumer e masterizado por Tiago de Sousa, agora, em pleno período de lançamento do registo, chegou a vez de também ganhar direito a superior relevância a canção Freeform, uma belíssima composição envolta numa eletrónica repleta de subtilezas detalhísticas, imbuídas de um charme incomum e etéreo e com uma forte vibe nostálgica e contemplativa, conceitos que amplificam ainda mais a certeza de estarmos na presença de um disco que merece dedicada e fervorosa audição. Confere...


autor stipe07 às 12:34
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Quinta-feira, 5 de Setembro de 2019

Kaiser Chiefs – Duck

Depois de há pouco mais de três anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Stay Together, à altura o sucessor do excelente Education, Education, Education & War, de dois mil e catorze, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, está de regresso com Duck, um novo registo de originais que viu a luz do dia à boleia da Polydor Records e que, sendo uma espécie de continuação do conteúdo do antecessor, foi produzido pela própria banda de Leeds, com a ajuda de Ben H. Allen, que já tinha trabalhado com os Kaiser Chiefs em Education, Education, Education & War.

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Disco de difícil incubação, de acordo com o grupo e liricamente profundo, Duck encontra os Kaiser Chiefs numa espécie de natural encruzilhada entre a sustentação de uma herança sonora com mais de uma década e que nunca conteve um indesmentivel apelo radiofónico e o desejo nada disfarçado de explorarem sonoridades menos imediatas, uma vontade que se foi firmando no seio do grupo desde que o baterista Vijay Mistry substituiu Nick Hodgson em dios mil e catorze, até à altura o principal compositor da banda e que deixou, com a sua saída, um buraco difícil de preencher. Assim, se Education, Education, Education & War foi, à época, já um disco de ruptura e se Stay Together, um disco muito centrado na temática do amor, calcorreou territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto no início da carreira, Duck acaba por quebrar este processo evolutivo já que pouco acrescenta de inédito ao cardápio dos Kaiser Chiefs além do ambiente sonoro do antecessor. Tal constatação não é propriamente uma crítica negativa ao registo, sendo, principalmente, uma espécie de formulação da teoria que considera que o grupo encontrou uma nova zona de conforto e que quis, desta vez, explorá-la até à exaustão, ficando para discos futuros novos avanços na indução de nuances inéditas ao cardápio sonoro global da banda.

Assim, nesta espécie de limbo criativo em que assenta Duck, em canções como a efusiante People Know How To Love One Another, a melancólica Target Market, a vibrante Electric Heart ou a cósmica Record Collection, um single repleto de groove, conferimos, numa mesca de teclados e guitarras com a peculiar tonalidade grave e imponente da secção ritmíca deste quarteto, composições com o habitual acerto melódico e, por isso, contagiante e radiofónico, dos Kaiser Chiefs. Quem quiser encontrar mais do que isso neste registo poderá sentir-se, na minha opinião, algo defraudado. Confere...

Kaiser Chiefs - Duck

01. People Know How To Love One Another
02. Golden Oldies
03. Wait
04. Target Market
05. Don’t Just Stand There, Do Something
06. Record Collection
07. The Only Ones
08. Lucky Shirt
09. Electric Heart
10. Northern Holiday
11. Kurt Vs Frasier (The Battle For Seattle)


autor stipe07 às 10:24
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Sábado, 31 de Agosto de 2019

Bombay Bicycle Club – Eat, Sleep, Wake (Nothing But You)

Bombay Bicycle Club - Eat Sleep Wake (Nothing But You)

Cinco anos depois do excelente So Long, See You Tomorrow, o quarto álbum de estúdio dos Bombay Bicycle Club, o projeto britânico volta finalmente a dar sinais de vida com Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), o primeiro avanço de um novo alinhamento de canções da banda dos arredores de Londres, formada por Jack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash.

Tendo em conta o conteúdo de Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), uma sumptuosa e efervescente composição assente numa filosofia sonora que dá primazia ao baixo e às guitarras, apesar da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos, o próximo trabalho do grupo, ainda sem nome nem data de lançamento, deverá colocar a banda no trilho de um rock mais cru e direto, em vez das sagazes interseções com a eletrónica que os Bombay Bicycle Club efetuaram no disco que lançaram à meia década. Confere...


autor stipe07 às 16:07
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

Message To Bears – Constants

Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy LeavesCathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico e, três anos depois, Jerome brindou-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records. Nessa altura Jerome mudou-se de Bristol para Londres, lançou mais dois discos, mas resolveu fazer marcha atrás, voltar à terra natal e criar no seu estúdio caseiro Constants, o seu quinto longa duração, um alinhamento de onze canções emocionalmente poderosas e com tudo para ser um marco discográfico do ano dentro do espetro sonoro em que se situa.

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Constants funciona como uma espécie de válvula de escape para o autor, já que no registo exorciza alguns demónios que o período londrino colocou no seu equilíbrio psicológico pessoal e serve para o ouvinte como um confortável e sossegado refúgio, num mundo cada vez mais dominado pela pressãoque é exercida pelos media. Esta é a grande ideia temática de quarenta minutos introduzidos, em On Reflection, por um ternurento piano que logo nos abre de par em par um portal de luz, magia e cor, incomparável a algo que faça parte do mundo concreto em que vivemos.

Saborear Constants tem obrigatoriamente essa permissa de suscitar no ouvinte a necessidade de usar a sua imaginação para melhor percepcionar um universo mágico e que causa impacto por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Nele, Jerome combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com elementos percurssivos eminentemente orgânicos e melodias sintetizadas únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum, com especial destaque para a graciosidade de Raining Whilst She Sleeps, a religiosidade de Rescue, o cariz místico dos violinos que gravitam em Away From You e a esplendorosa emotividade que exala em cada nota e arranjo de Small Light.

Em Bristol, Jerome consegue testemunhar com outra clarividência a constância das estações do ano, os diferentes sons que a natureza tem durante essa roda viva, os odores dos cursos de água, este ciclo da vida e da morte que recorda ao músico quer o efémero da sua existência quer a fragilidade e tantas vezes a insginificância que carateriza a presença de tantos de nós neste mundo. A eletrónica ambiental inspirada de Constants é o tal refúgio, mas também um grito de alerta, um apelo ao desassossego onde estão plasmadas emoções e sugestões sempre de modo humilde, carinhoso, sincero e, obviamente, nada pretensioso. Espero que aprecies a sugestão...

Message To Bears - Constants

01. On Reflection
02. Raining Whilst She Sleeps
03. Pull Apart
04. All We Said
05. Rescue
06. New Air
07. Away From You
08. Small Light
09. Convalescence
10. We All Were Swallowed By Sleep
11. Nowhere


autor stipe07 às 16:21
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

Foreign Poetry - Chain Of Events

Os Foreign Poetry são Danny Geffin e Moritz Kerschbaumer. Danny é inglês, Moritz é austríaco e ambos tocam vários instrumentos e escrevem canções. Conheceram-se em Londres, durante o verão de dois mil e onze, quando tocavam em projetos diferentes e se cruzaram na mesma noite no The Ritzy, em Brixton. Moritz tocava com Luís Nunes, mais conhecido por (Walter) Benjamin e Danny era uma das duas metades dos Geffin Brothers. Alguns anos depois Moritz enviou a Danny duas ideias para canções nas quais andava a trabalhar e este retribuiu dias depois devolvendo-as cheias de ideias novas. Este encontro tornou-se num hábito, as ideias de ambos começaram a andar para trás e para a frente e ao fim de um ano neste modus operandi, estava praticamente estruturado um alinhamento de canções intitulado Grace and Error on the Edge of Now e que irá ver a luz do dia a vinte de Setembro pela Pataca Discos.

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Polido nos estúdios da Pataca Discos, em Lisboa, onde o disco ganhou novas e belas texturas, com a ajuda dos Anna Louisa Etherington (violino), Alice Febles Padron (coros), Luís (W. Benjamin) Nunes (bateria, percussão e coros) e Tony Love (bateria), Grace and Error on the Edge of Now será uma estreia em grande de um projeto que serviu-se de variadas texturas e arranjos, melodias vocais com raízes folclóricas e uma crua vulnerabilidade, para incubar uma espécie de álbum conceptual, que aborda ideias tão mundanas como o universo pessoal, a adolescência e a juventude, o impacto da teconologia na condição humana e as complexidades da vida e das relações humanas, mas de um modo relevante, provocador e rico. Nele, Moritz e Danny criaram paisagens sonoras e orquestrações complexas, mas também apostaramem grooves mais descontraídos e numa narrativa lírica eminentemente simples, com nomes como Arthur Russell, The National, Lambchop e Future Islands, a serem referências óbvias de um compêndio de rock psicadélico, mas sem rock nem psicadelia no seu estado mais puro, já que a folk é também um ingrediente essencial de toda a trama sonora do registo.

Chain Of Events, um dos temas já divulgado deste álbum de estreia dos Foreign Poetry que, já agora, foi misturado por Luís Nunes e o próprio Moritz Kerschbaumer e masterizado por Tiago de Sousa, é um bom exemplo do tal trabalho colaborativo entre a dupla, muitas vezes à distância, acima descrito. Moritz começou por esboçar o tema instrumentalmente, Danny acrescentou as letras e depois, juntos em estúdio, desenvolveram um pouco mais esta música sobre a quantidade de desinformação, preconceito e emoção que alimenta estes tempos e misturaram-na. O resultado final, alicerçado na bitola sonora acima descrita, é um tratado sobre a história do mundo e a psique humana, como eles estão inseparavelmente relacionados um com o outro e como repetimos os erros da história, mesmo quando vemos tudo acontecer no nosso caminho outra vez. Nada nunca permanece o mesmo, tudo é repetido.

O videoclip da canção acaba por obedecer ao propósito dos Foreign Poetry de criar algo que fosse real, visualmente cru e historicamente relevante, algo que encapsulasse a estrutura que permitiu à humanidade chegar a esta vida privilegiada de futurismo e pronunciada inércia. As filmagens foram tiradas de partes de Why We Fight de Frank Capra, uma série de vários filmes de propaganda de início do século passado, usados com o objetivo de persuadir o público americano a apoiar a guerra. São imagens incríveis, de um tempo incrível, onde havia tudo a perder e a segurança das pessoas estava em constante vulnerabilidade. Confere...


autor stipe07 às 16:30
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Quinta-feira, 20 de Junho de 2019

Swimming Tapes - Morningside

Os Swimming Tapes são os norte irlandeses Louis Price, Robbie Reid, Paddy Conn e Jason Hawthorne e o baterista inglês Andrew Evans, cinco amigos sedeados em Londres e que estão a surpreender a crítica com Morningside, o registo de estreia do grupo, que viu a luz do dia recentemente, à boleia da Sub Pop Records.

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Com dois EPs em carteira antes do lançamento deste longa duração, os Swimming Tapes gravaram Morningside nos estúdios Haggerston, no leste de Londres, com a ajuda de Paddy Baird (Kowalski, Two Door Cinema Club, Warm Digits) e contaram com Tom Schick (Wilco, Nora Jones, Glen Hansard) para a mistura do mesmo, feita no outro lado do atlântico, em Chicago, nos míticos estúdios Loft de Chicago, propriedade dos Wilco de Jeff Tweedy.

Há uma emotividade em constante latejo e uma forte sensação de nostalgia na indie pop de Morningside, um disco que reluz à medida que escorre nos nossos ouvidos, não só por causa dos sons ritmados que sustentam a inegável mestria melódica que carateriza praticamente todos os seus temas, mas também devido ao charme dos arranjos de guitarra e de uma prestação vocal em que sobriedade e sensibilidade se fundem com particular bom gosto. A serenidade vocal de Robbie e Louis é pouco usual e juntos denotam uma imensa cumplicidade, que adiciona um travo fascinante e ainda mais envolvente a um registo que soa, no seu todo, otimista, alegre e descontraído.

De facto, desde as primeiras notas de Passing Ships que se percebe que há algo de muito especial e de deliciosamente ternurento em Morningside. E depois, canções como Pyrenees, o mais recente single divulgado de Morningside, uma composição que mistura de modo deliciosamente sonhador cordas luminosas e vibrantes com uma bateria viciante, a enigmática See It Out e a dançante Out Of Line, estando cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, potenciam enormemente a elevada bitola qualitativa de uma estreia auspiciosa e extraordinariamente jovial, um disco que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro e fantástico e excelente para ser escutado num dia de sol acolhedor como os que certamente nos aguardam para muito em breve. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:10
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Terça-feira, 11 de Junho de 2019

The Divine Comedy - Office Politics

Cerca de três anos depois do excelente registo Foreverland, os The Divine Comedy de Neil Hannon estão de regresso aos discos com Office Politics, um compêndio de dezasseis canções escritas e produzidas pelo próprio Hannon, gravadas na Irlanda e na capital de Inglaterra e que contaram com as participações especiais de Chris Difford, Cathy Davey e Pete Ruotolo. Disco inspirado nos avanços tecnológicos e que tem como principais personagens sonoras as máquinas e os sintetizadores, nomeadamente um que recebeu recentemente, Office Politics também conta, como é norma nos The Divine Comedy, com canções onde a luminosidade e a ferocidade das guitarras dita a sua lei, como confessou recentemente Neil (It has synthesizers. And songs about synthesizersBut don’t panic. It also has guitars, orchestras, accordions, and songs about love and greed).

Resultado de imagem para The Divine Comedy Office Politics

Dizem as más línguas que Neil recebeu no último natal um sintetizador novinho em folha e que desde então esse objeto tornou-se no seu brinquedo predileto, tendo sido, pelos vistos, essencial na composição das dezasseis canções do alinhamento deste novo trabalho dos The Divine Comedy. E de facto, começa-se a escutar Queuejumper, uma divertida composição sobre um condutor que acha que as regras de trânsito não se aplicam a si e damos de caras com um tapete percurssivo carregado de groove, mas acompanhado por um teclado pleno de soul e diversos arranjos inspirados, nomeadamente de cordas. Essa canção mostra-se fiel à filosofia adjacente ao processo de composição deste registo e, soando inventiva e intemporal e estando de acordo com o que se exige a um projeto com quase trinta anos de uma bem sucedida carreira, icónica e fundamental no cenário indie britânico, tem como atributo principal mostrar-nos a tal nova face dos The Divine Comedy, menos orgânica que o habitual. 

O futuro será inegavelmente dominado pela tecnologia. Para as novas gerações é na inovação e no avanço da ciência que reside a esperança num futuro melhor e, pelos vistos, nas redes sociais e nas aplicações a possibilidade maior de se encontrar a companhia ideal nessa caminhada. Não vale a pena negar que o modo como nos relacionamos socialmente é hoje muito diferente e este Office Politics pretende de algum modo refletir e satirizar sobre essa realidade e sobre como muitos conseguem ter virtualmente uma relação próxima com pessoas com quem tantas vezes se cruzam na rua sem se atreverem a verbalizar duas palavras entre si.

Se faz obviamente sentido que a música reflita estas novas realidades relacionais, Neil serve-se do paradoxo da sintetização para introduzir essa tal nova nuance no arquétipo sonoro essencial dos The Divine Comedy, com esse brinquedo a servir para materializar e personificar o tal novo elemento tecnológico que parece ditar as regras sobre o modo como nos aproximamos do outro, mesmo em termos profissionais. A capa do disco, mostrando-nos o saudosismo e a beleza do ambiente típico de um escritório há três ou quatro décadas atrás, satiriza, no fundo, o ambiente atual de um local de trabalho onde várias pessoas interagem entre si, geralmente em silêncio e com rigidez, sendo no silêncio e na obscuridade do facebook, do messenger ou do instagram, que trocam palavras entre si e que é posta em prática toda a salutar loucura e alegria que deveria ser visível e audível, sem a presença dessas ferramentas virtuais.

Mas voltando ao alinhamento do disco, depois da já descrita Queuejumper, o tema homónimo do registo amplia o cariz conceptual de Office Politics, já que, sendo uma composição charmosa e dançante, acaba por funcionar como uma espécie de profecia, não só relativamente ao que resta deste cardápio de canções em que guitarras e bateria são constantemente trespassadas por linhas melódicas sintetizadas ou efeitos repletos de flashes cósmicos e borbulhantes, mas também ao que podemos esperar do amanhã lá fora, cabendo-nos a nós dar o têmpero, se conseguirmos, que a convivência social inegavelmente exige. Depois, as cordas coloridas e o piano de Norman and Norma, uma composição com um tempêro auglosamente british, recordam-nos que a esperança nunca morre, apesar do modo como o teclado se entrelaça com a guitarra e alguns metais. Mas a seguir, na ironia que exala de Absolutely Obsolete ou no modo como a rugosidade da guitarra, depois amansada por uma linha sintetizada aguda consegue recriar na perfeição o clima ameaçador e ao mesmo tempo convidativo que é pretendido no glam rock de Infernal Machines, caímos de novo na realidade e percebemos que aqui dificilmente haverá marcha atrás, memo que o contraste da inegável mestria exalada pelo eletro pop de You’ll Never Work In This Town Again, faça nova tentativa de retrocesso numa canção que nos transporta para aquele sensual ambiente fumarento de um bar caribenho cheio de mafiosos russos.

Ficamos definitivamente presos ao amanhã e a ter de pensar no melhor modo de sobreviver numa realidade mais forte do que os nossos desejos de primazia do sensivel e do humano relativamente ao sintético e ao maquinal no modo como na kraftwerkiana Psychological Evaluation, Hannon modifica a sua voz para dissertar com crueza sobre os seus maiores hábitos, medos e anseios, e no modo irónico como em The Synthesiser Service Centre Super Summer Sale, ele imagina o local onde o tal brinquedo que recebeu e que sustenta instrumentalmente Office Politics ganhou vida.

Depois de uma segunda metade do disco particularmente intrincada e tumultuosa, a aprofundar os tais ambientes sempre recriados com ironia, recordo, a suprema rendição está, como seria de esperar, no ocaso do álbum, em When The Working Day Is Done, uma composição que homenageia todos aqueles que trabalham das nove às dezassete diariamente, sempre sufocados pelas mesmas rotinas e sem terem um sorriso maroto animador de vez em quando, fechando assim, no tal rumo coerente mas, como já referi, ironicamente algo incerto, preocupante e assustador, um disco que tem a sua maior beleza no facto de ter sido pensado com uma considerável dose de loucura, divertimento e, conforme confessou Hannon recentemente, inegável boa disposição e anormalidade (I’m sorry it’s all so crazy. I do try and make normal pop records. But it always seems to wander off into odd territories when I’m not concentrating.). Espero que aprecies a sugestão...

The Divine Comedy - Office Politics
01. Queuejumper
02. Office Politics
03. Norman And Norma
04. Absolutely Obsolete
05. Infernal Machines
06. You’ll Never Work In This Town Again
07. Psychological Evaluation
08. The Synthesiser Service Centre Super Summer Sale
09. The Life And Soul Of The Party
10. A Feather In Your Cap
11. I’m A Stanger Here
12. Dark Days Are Here Again
13. Philip And Steve’s Furniture Removal Company
14. Opportunity’ Knox
15. After The Lord Mayor’s Show
16. When The Working Day Is Done


autor stipe07 às 18:36
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Terça-feira, 9 de Abril de 2019

The Divine Comedy – Queuejumper

Cerca de três anos depois do excelente registo Foreverland, os The Divine Comedy de Neil Hannon regressam em dois mil e dezanove aos discos com Office Politics, um compêndio de dezasseis canções escritas e produzidas pelo próprio Hannon, gravadas na Irlanda e na capital de Inglaterra e que contaram com a participações especial vocal de Chris Difford, Cathy Davey e Pete Ruotolo.

Resultado de imagem para The Divine Comedy queuejumper

Disco inspirado nos avanços tecnológicos e que tem como principais personagens sonoras as máquinas e os sintetizadores, Office Politics também contará, como é norma nos The Divine Comedy, com canções onde a luminosidade e a ferocidade das guitarras dita a sua lei, como confessou recentemente Neil (It has synthesizers. And songs about synthesizersBut don’t panic. It also has guitars, orchestras, accordions, and songs about love and greed).

Queuejumper é o primeiro single desse disco que verá a luz do dia a sete de junho, uma divertida composição, assente num tapete percurssivo carregado de groove, acompanhado por um teclado pleno de soul e diversos arranjos inspirados, nomeadamente de cordas, uma canção que se mostra fiel à filosofia adjacente ao processo de composição do registo e que, soando inventiva e intemporal, está de acordo com o que se exige a um projeto com quase trinta anos de uma bem sucedida carreira, icónica e fundamental no cenário indie britânico. Confere Queuejumper e a tracklisting de Office Politics...

The Divine Comedy - Queuejumper

1. Queuejumper

2. Office Politics

3. Norman And Norma

4. Absolutely Obsolete

5. Infernal Machines

6. You'll Never Work In This Town Again

7. Psychological Evaluation

8. The Synthesiser Service Centre Super Summer Sale

9. The Life and Soul Of The Party

10. A Feather In Your Cap

11. I'm A Stranger Here

12. Dark Days Are Here Again

13. Philip And Steve's Furniture Removal Company

14. 'Opportunity' Knox

15. After The Lord Mayor's Show

16. When The Working Day Is Done


autor stipe07 às 16:32
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

The Proper Ornaments - Six Lenins

Já viu a luz do dia Six Lenins, o terceiro registo de originais de um dos segredos mais bem guardados da indie britânica contemporânea. Refiro-me aos londrinos The Proper Ornaments de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy, que conseguiram ultrapassar um período bastante complicado, ainda antes da edição de Foxhole, o registo que lançaram há pouco mais de dois anos. Foram tempos conturbados, após uma estreia auspiciosa com Wooden Head, em dois mil e catorze, peripécias infelizes que incluiram episódios de doença, divórcio e abuso de drogas, mas que não impediram que três anos depois chegasse aos escaparates esse tal Foxhole, o segundo tomo do grupo.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove e depois de uma digressão pelo outro lado do atlântico e de uma estadia bastante profícua no estúdio caseiro de James em Finsbury Park, Londres, que também serviu para afastar definitivamente todos os fantasmas que foram apoquentando os The Proper Ornaments neste meia década, a banda entrega finalmente aos seus fãs Six Lenins, uma espetacular coleção de dez canções que nos convidam a contemplar o grupo a dominar o seu som aparentemente sem qualquer esforço e com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram cada vez mais surpreendentes.

Resultado de imagem para The Proper Ornaments Six Lenins

A impressão imediata que se tem logo após a audição de Six Lenins é que este é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, principalmente porque a sensação de intuição e espontaneidade é tal que, ao ouvi-los, parece que não se importaram nada de poderem, eventualmente, transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, desde que levem à tona a sonoridade com que realmente se identificam e se sentem realizados em replicar. E tal facto representa, desde logo, a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo.

Six Lenins, o terceiro álbum dos The Proper Ornaments, que contou com as participações especiais de Danny Nellis (Charles Howl) no baixo e Bobby Syme (Wesley Gonzalez) na bateria, está, portanto, repleto de composições refinadas e exemplarmente elaboradas. A sonoridade é sempre controlada de modo a criar um clima homogéneo que se torna transversal ao alinhamento, enganando quem ouvir o disco desinteressadamente, porque irá sentir, erradamente, que as canções soam muito iguais. Mas este é um álbum que merece audição dedicada e que deve ser saboreado com o tempo e a velocidade que exige. A sua crueza plena de ricos detalhes, o charme analógico e o carisma vintage nada pretensioso e que não se desbota na contemporaneidade dos nossos dias em que a ferocidade do sintético e da pop fácil arrastam multidões tantas vezes iludidas e a riqueza melódica que contém e que nos permite encontrar a tal individualidade que cada composição claramente possui, só são devidamente assimilados, compreendidos e saboreados através de um modus operandi auditivo que seja dedicado à descoberta do que cada tema tem para oferecer e para nos enriquecer e desprendido de qualquer preconceito relativamente às influências e ao histórico sombrio, nublado e até algo decadente subjacente à incubação deste alinhamento solarengo, otimista e sorridente.

Assim, do ternurento efeito metálico que divaga por Apologies, até à intuitiva Crepuscular Child, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, passando pela jovialidade dos efeitos do sintetizador que conduz Song For John Lennon, pelo travo psicadélico de Where Are You Now, pela vibe surf sessentista de Please Release Me, ou pelo forte odor nostálgico a que exalam as teclas e as cordas de Bullet From A Gun, Six Lenins é um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden


autor stipe07 às 21:30
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Terça-feira, 26 de Março de 2019

Fujiya And Miyagi – Flashback

Fujiya And Miyagi - Flashback

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, à boleia de um já vasto e riquíssimo catálogo discográfico, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram o ano passado revisitar Transparent Things, o disco que editaram há pouco mais de uma dúzia de anos, que continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e que os lançou para o estrelato. Agora, um ano depois dessa reedição em vinil do primeiro álbum da banda, os Fujiya And Miyagi lançam-se num novo registo de originais, um trabalho intitulado Flashback, que irá ver a luz do dia no final de maio à boleia da Red Eye Records. Será um disco com sete canções e bastante inspirado na adolescência de David Best e Stephen Lewis, os dois grandes mentores dos Fujiya And Miyagi e das memórias que guardam da Brighton em que cresceram, nos arredores de Londres e do período aúreo do eletro pop e do breakdance em plenos anos oitenta, época em que na Iglaterra trabalhista de Tatcher era cool usar fatos de treino da Nike, sapatilhas da Adidas e saber rodopiar no chão com estilo.

Deste novo álbum dos Fujiya And Miyagi já se conhece o tema homónimo, uma canção que retrata com elevado grau de impressionismo todo o ideário do disco acima referido, através da simbiose entre as batidas graves e palmas, a voz sussurrada de Best e o groove de um teclado retro, ao qual se juntam amiúde efeitos metálicos percurssivos com uma declarada essência vintage. Para já, o single esclarece que David Best, Stephen Lewis, Ed Chivers, Ben Adamo e Ben Farestuedt mergulharão uma vez mais a fundo, dentro da filosofia do trabalho, numa mescla entre electropop, disco e o clássico krautrock alemão setentista. Confere Flashback e o alinhamento e o artwork do disco que terá, como já disse, o mesmo nome...

fujiya miyagi flashback new album cover artwork

01. Flashback
02. Personal Space
03. For Promotional Use Only
04. Fear of Missing Out
05. Subliminal
06. Dying Swan Act
07. Gammon


autor stipe07 às 10:50
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Quinta-feira, 14 de Março de 2019

Ten Fé – Future Perfect, Present Tense

Já viu a luz do dia, à boleia do consórcio Some Kinda Love/PIAS, Future Tense, Present Tense, o novo registo dos londrinos Ten Fé, um alinhamento de onze canções que sucede ao aclamado disco de estreia, Hit The Light, lançado o ano passado. Future Tense, Present Tense foi produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode) e misturado por Craig Silvey (Arcade Fire, Florence & The Machine).

Resultado de imagem para Ten Fé band 2019

Hit the Light foi uma das lufadas de ar fresco que o panorama indie britânico sentiu há cerca de dois anos e colocou logo esta banda sob o olhar clínico de grande parte da crítica especializada e de uma já considerável legião de fãs que aguardavam com expetativa o sucessor. E o primeiro elogio que se deve desde já fazer a Future Tense, Present Tense é o modo como abarca composições grandiosas e crescentes, mas também instantes sonoros intimistas e melancólicos, com a grande novidade desta vez a ser um mais efusivo piscar de olhos à pop de cariz mais sintético e retro que fez escola na década de oitenta do século passado, como se confere logo no soft rock do single Won’t Happen, uma nuance que não é nova no grupo, mas que se mostra mais apurada e capaz de agradar a um espetro ainda mais alargado de ouvintes.

Para que a audição deste disco seja usufruida em pleno é preciso que o ouvinte tenha a noção que a ideia de tempo é transversal a praticamente todo o registo. A canção que melhor plasma essas noções temporais é o single No Night Lasts Forever, canção que se debruça sobre o tempo que demora para chegar a algo, o tempo que nunca voltará e o tempo que ainda está para vir. Esta composição com uma sonoridade assente numa onda sintética particularmente expansiva e luminosa, é um tratado pop inspirado e rico que, quer na luminosidade da acusticidade inicial das cordas, quer na emotividade da sua escrita, reforça a tal presença na filosofia interpretativa atual dos Ten Fé e a predisposição para oferecerem ao ouvinte uma paleta de sons o mais inédita, urbana e contemporânea possível, fazendo-o com o tal espectro mais virado para a electrónica e para o synthpop, os estilos que atualmente mais seduzem e melhor conseguem captar a alma deste grupo londrino. O impressionismo percurssivo de Coasting, o travo setentista de Echo Park e o piano que conduz To Lie Here Is Enough, são outros focos de vitalidade, astúcia e de uma declarada intencionalidade pop de um álbum que passa com distinção no sempre difícil teste do segundo disco. Espero que aprecies a sugestão...

Ten Fé - Future Perfect, Present Tense

01. Won’t Happen
02. Isn’t Ever A Day
03. No Night Lasts Forever
04. Coasting
05. Echo Park
06. Caught On The Inside
07. To Lie Here Is Enough
08. Here Again
09. Not Tonight
10. Can’t Take You With Me
11. Superrich


autor stipe07 às 15:55
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2019

Crystal Fighters – Wild Ones

Crystal Fighters - Wild Ones

O coletivo de músicos ingleses e espanhóis Crystal Fighters, que se divide entre Londres e Navarra e é atualmente formado por Sebastian Pringle, Gilbert Vierich e Graham Dickson, trio ao qual se juntam em digressão Eleanor Fletcher, Louise Bagan e Daniel Bingham, estreou-se há quase uma década com o excelente registo Star Of Love e vai regressar este ano aos discos. Essa nova adição ao catálogo dos Crystal Fighters chama-se Gaya & Friends, verá a luz do dia a um de março através da Warner Bros. e sucede a Everything Is My Family  (2016) e ao EP Hypnotic Sun, lançado no passado mês de novembro e que continha as composições Another Level, que faz parte da banda sonora do Fifa 19, Going Harder (feat. Bomba Estereo) e All My Love.

Do alinhamento de Gaya & Friends já foi retirado o single Wild Ones, uma canção que dentro de um registo muito peculiar que cruza pop com eletrónica, contém uma vincada contemporaneidade. Quer a percurssão, quer as cordas e os teclados exalam uma enorme energia, bastante dançável e muito agradável de ouvir, com um resultado final que aguça a curiosidade relativamente ao restante conteúdo de Gaya & Friends. Confere...


autor stipe07 às 13:45
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