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DEHD – Blue Skies

Quarta-feira, 08.06.22

A banda norte-americana Dehd está de regresso aos discos com um alinhamento de canções intitulado Blue Skies, um álbum que tem a chancela da insuspeita Fat Possum e que sucede ao aclamado registo Flower of Devotion, de dois mil e vinte, que tinha temas tão ímpares como LonerDesire ou Flying.

Dehd: Blue Skies review – shining melodies on indie-rockers' biggest songs  yet | Indie | The Guardian

Aspereza melódica e sagacidade lo fi são dois conceitos transversais ao alinhamento de um delicioso e contundente disco assinado por um trio de Chicago formado por Emily Kempf, Jason Balla e Eric McGrady e que é exímio a criar canções assentes num revigorante indie surf rock, que rapidamente nos fazem recordar o melhor catálogo de outros nomes dotados da mesma identidade, como os Wavves ou os Beach Fossils. Blue Skies está, portanto, recheado de guitarras insinuantes, adornadas por uma percussão sempre vibrante, nuances que criam uma criativa e luminosa combinação de referências, à qual não faltam, como não podia deixar de ser em tudo aquilo que Emily Kempf deita a mão, experimentações sujas que acabam por conciliar esta componente lo fi com a surf music, numa embalagem caseira e íntima e que não coloca em causa o adn sonoro identitário de um projeto que sempre teve em ponto de mira, o rock na sua essência mais pura e descontraída, independentemente da amplitude radiofónica que pudesse, ou não, alcançar.

Blue Skies é, em suma, um trabalho arrojado e que, apesar do constante noise das guitarras, nunca deixa de conter uma sonoridade aberta, acessível e pop. Acaba por ser um disco fundamental para a revisão  mais contemporânea do chamado movimento lo fi que tem estado muito em voga nos últimos anos e que tem dado alguma primazia à vertente psicadélica, neste caso deixada um pouco de parte em deterimento de uma filosofia mais garageira e noventista. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:11

Yndling – Yndling EP

Quinta-feira, 13.01.22

A redação de Man On The Moon já tinha saudades de um bom compêndio de indie pop, de cariz eminentemente etéreo e contemplativo. E essa espera finalmente terminou devido ao EP homónimo do projeto norueguês Yndling, encabeçado por Silje Espevik, uma artista capaz de nos transportar, com a sua magnífica voz e com uma capacidade inata de compôr, para um pote mágico onde encontramos todas as poções que nos dão acesso às melhores estratégias para lidarmos com as angústias, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que o dia a dia nos oferece.

Inspired 211 - Yndling — When The Horn Blows

O mundo de Yndling é muito peculiar, sem dúvida. Escuta-se este alinhamento de sete canções e sente-se uma dificuldade clara em encontrar pontos em comum com outros projetos. Talvez se situe um pouco numa espécie de interseção entre a melhor eletrónica ambiental de uns Zero 7 com a majestosidade pop dos extintos Pavo Pavo, mas fazer tal afirmação advém, apenas e só, de um exercício intuitivo que desabrochou durante a primeira audição do EP. Por exemplo, se a nebulosa Childish Fear, que versa sobre as dificuldades que existem em qualquer relação de manter sempre o nível em terreno feliz, parece ter resultado de uma espécie de filtragem entre sintetizadores agonizantes e um registo percurssivo algo afoito, já Cotton Candy Skies, beneficiando de um acabamento não tão elegante e polido, mas mais áspero e ruidoso, também seduz porque nos mostra que uma certa indulgência orgânica, abastecida, neste caso, de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Espevik num registo ecoante e esvoaçante, também é capaz de colocar em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Produzido por Adrian Einestor Sandberg, Yndling é um registo cintilante, muito comunicativo e sentimental. Um alinhamento que, apesar de ter, na maioria das canções, uma narrativa sombria, é, no seu todo, descontraído, triunfante e seguro. Nele, esta artista norueguesa ímpar, encarnou com as suas mágoas e esperanças, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:28

Widowspeak – Everything Is Simple

Sábado, 08.01.22

Quase dois anos depois de Plum, um dos melhores discos de dois mil e vinte para a nossa redação, os Widowspaek estão de regresso aos lançamentos discográficos no próximo mês de março. O novo registo da dupla formada pela cantora e escritora Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo, chama-se The Jacket, tem dez canções e irá ver a luz do dia a onze de março, com a chancela da insuspeita Captured Tracks.

Everything Is Simple é o primeiro single divlgado de The Jacket, uma composição que explora, com a ajuda das cordas do baixo e da guitarra, a mescla de alguns cânones fundamentais do melhor rock setentista, com a graciosidade única da folk-pop atual. Depois os sintetizadores e um meditativo piano adornam a canção com inspiradas texturas psicadélicas, num resultado final bastante charmoso e emoldurado com uma identidade declaradamente vintage. Será, tendo em conta esta amostra, um inspirado regresso de um dos projetos mais queridos da nossa redação nos últimos anos. Confere Everything Is Simple e a tracklist de The Jacket...

01 While You Wait
02 Everything Is Simple
03 Salt
04 True Blue
05 The Jacket
06 Unwind
07 The Drive
08 Slow Dance
09 Forget It
10 Sleeper

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publicado por stipe07 às 15:52

Massage – Lane Lines EP

Terça-feira, 04.01.22

Cerca de meio ano depois do excelente registo Still Life, os norte-americanos Massage estão de volta com Lane Lines, um EP com quatro canções, que mostram o quinteto de Los Angeles a embrenhar-se por territórios um pouco mais psicadélicos do que aquela sonoridade tipicamente indie e universitária, que no catálogo do grupo liderado por Alex Naidus, membro dos Pains Of Being Pure At Heart, nos leva facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante.

Massage e sua máquina do tempo chamada 'Still Life' | Urge!

Lane Lines resultou de várias sessões de gravação nos estúdios do produtor e compositor Andrew Brasell. Nele, Alex Naidus, Andrew Romano, Gabrielle Ferrer, David Rager e Natalie de Almeida, sem grandes expetativas ou uma filosofia sonora pré-concebida, deixaram-se levar livremente pela exploração de sonoridades um pouco diferentes e mais arriscadas do que a habitual indie pop que sempre os norteou e criaram temas que têm enorme eco na melhor herança oitocentista. O timbre metálico luminoso das cordas e do sintetizador de In Gray And Blue tem o ADN dos New Order em declarado ponto de mira e Stalingrad olha para a herança de uns The Feelies com avassalador descomprometimento, assim como a viola e o baixo que afagam melodicamente o tema homónimo. I'm Going In The Field acaba por ser a canção que encontra mais pontos em comum com o ambiente geral de Still Life, mas não deixa de ter uma tonalidade lo fi que espelha o melhor do dito rock universitário norte-americano que nomes como os R.E.M. ou os Pavement firmaram e cimentaram com inocente presunção há quase quarenta anos.

Lane Lines é um belíssimo catálogo de canções que escondem a sua complexidade na simplicidade e mostram, como é habitual nos Massage, que é sempre bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:03

Kids On A Crime Spree – All Things Fade

Quarta-feira, 08.12.21

Os norte-americanos Kids On A Crime Spree, de Mario Hernandez (antigo membro dos Ciao Bella e dos From Bubblegum To Sky), que se estrearam há uma década com o extraordinário registo We Love You So Bad, estão prestes a regressar aos discos com um trabalho intitulado Fall in Love Not in Line, que irá ver a luz do dia a vinte e dois de janeiro do próximo ano, à boleia da Slumberland Records, uma etiqueta em grande destaque na nossa redação por estes dias porque, como certamente se recordam, foi visada no artigo referente a Pour The Light In, o sexto tema do alinhamento de Summer At Land's End, o quarto disco dos também norte-americanos The Reds, Pinks And Purples.

Kids On A Crime Spree - When Can I See You Again (Official Video) - YouTube

Regressando aos Kids On A Crime Spree, depois de há algumas semanas termos conferido When Can I See You Again? , o primeiro single retirado do alinhamento de Fall in Love Not in Line, agora chega a vez de escutarmos All Things Fade, outro single do trabalho, uma canção ainda mais vigorosa e áspera que a anterior, contendo o mesmo irrepreensível travo noventista, mas com um saudavelmente inquietante acrescento no fuzz das guitarras e na exuberância frenética do baixo e da bateria. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:54

The Reds, Pinks And Purples - Pour The Light In

Segunda-feira, 06.12.21

Sedeado em São Francisco, na Califórnia, o projeto The Reds, Pinks And Purples é um nome a ter em conta no cenário indie de cariz mais lo fi e experimental norte-americano, que se prepara para regressar aos discos no próximo ano, o quarto de uma carreira que se iniciou em dois mil e dezanove com o registo Anxiety Art e que vale bem a pena explorar.

dusted — The Reds, Pinks & Purples — Uncommon Weather...

O novo álbum da banda, que é, basicamente, um projeto a solo de Glenn Donaldson, chama-se Summer At Land's End e irá ver a luz do dia a vinte e dois de janeiro com a chancela da insuspeita Slumberland Records. Pour The Light In, o sexto tema do alinhamento de um compêndio que terá onze canções, oferece-nos, além de um registo vocal pleno de sentimento, mas também de mistério, arranjos acústicos luminosos e guitarras ecoantes e com o grau de distorção apropriado para nos fazer contemplar uma canção que carrega consigo claras reminiscências do melhor indie de finais do século passado, criado por um músico claramente consciente dos terrenos sonoros que pisa. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:41

Real Estate – Days (Television cover)

Quarta-feira, 27.10.21

Os Real Estate de Alex Bleeker estão a comemorar por estes dias o décimo aniversário do lançamento de Days, o segundo registo de originais da banda norte-americana e que viu a luz do dia em dois mil e onze. E estão a fazê-lo tocando o disco na íntegra em alguns concertos no país natal e também com a divulgação de uma cover do tema Days, um original dos Television que faz parte do mítico álbum Marquee Moon e que acabou por inspirar o nome desse que foi o segundo disco da carreira dos Real Estate, que, recordo, lançaram na passada primavera o EP Half A Human.

Listen: Real Estate Celebrate 10th Anniversary of 'Days' with New Television  Cover

A nova roupagem que o grupo natural de Rodgewood, em Nova Jersey, dá ao original dos Television é bastante feliz e merece audição dedicada, porque a canção consegue captar a essência das duas bandas. Assim, enquanto escutamos a canção absorvemos a luminosidade simultaneamente orgânica e intimista dos Real Estate, assim como o pendor mais lo fi e psicadélico do grupo nova iorquino que liderou Tom Verlaine nos anos setenta e que tem aquele que é, para muitos, um dos melhores discos da história da música, esse Marquee Moon que continha o tema Days no seu alinhamento. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:12

The KVB – World On Fire

Domingo, 10.10.21

Coqueluches da Invada Records, os londrinos The KVB são mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Formados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, o núcleo duro do projeto, os The KVB gravaram Only Now Forever, o seu último registo de originais, há já três anos em Berlim, no apartamento que a banda tem nessa cidade alemã e no ano seguinte ofereceram-nos o EP Submersion.

The KVB Share New Song "World On Fire": Listen

Agora, no outono de dois mil e vinte e um, os The KVB estão de regresso com um novo tema intitulado World On Fire. É uma imponente, enleante e luminosa composição, escrita há já dois anos e com uma tonalidade algo dual porque se numa tradução literal o título aponta para algo destrutivo, a verdade é que a canção versa sobre a capacidade que todos podemos ter de fazer algo de verdadeiramente marcante, quer para nós, quer para quem nos rodeia. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:51

Beach Fossils – L.I.N.E.

Segunda-feira, 14.06.21

Quatro anos depois do espetacular registo Somersault, um dos discos essenciais do catálogo da redação deste blogue e dos mais escutados nos últimos anos, os Beach Fossils de Dustin Payseur, ao qual se juntaram, entretanto, Tommy Davidson e Jack Doyle Smith, estão, pelos vistos, de regresso aos álbuns em dois mil e vinte e um mas, para já, enquanto não chegam detalhes concretos desse alinhamento, dão sinais de vida com uma cover do tema L.I.N.E., um original de  Kelly Lee Owens, lançado no transato ano de dois mil e vinte.

Catching Up With Beach Fossils, New York's Resident Daydreamers | The FADER

A divulgação desta cover da autoria da banda de Brooklyn, Nova Iorque, insere-se num projeto da etiqueta Secretly Canadian intitulado SC25 Singles, que marca o vigésimo quinto aniversário da editora e tem como propósito angariar fundos para a organização de Bloomington New Hope For Families, uma iniciativa que já conta com contribuições de outros artistas, nomedamente Stella Donnelly, Porridge Radio, Skullcrusher e os Green-House.

Esta versão de L.I.N.E. dos Beach Fossils é acompanhada, num split de 7' de uma cover de um original de Kacey Musgraves chamado Lonely Weekend, da autoria de NNAMDÏ. Sonoramente, nela os Beach Fossils colocaram o seu têmpero lo fi caraterístico, embrulhado com um espírito vintage marcadamente oitocentista, numa composição emotiva, luminosa e vibrante e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:18

Perpétua - Condição

Quinta-feira, 04.02.21

Diogo, Rúben e Xavier têm arraiais montados no nosso distrito e conheceram-se ainda muito jovens numa escola de música na Gafanha da Nazaré, em Aveiro, onde lançaram as sementes de um interessantíssimo projeto nacional que ainda vai dar muito que falar, aposto, chamado Perpétua. Depois, o Diogo conheceu a Beatriz no ensino secundário e há cerca de dois anos deram início a uma banda que aposta o seu modus operandi numa bateria marcante, um baixo cavalgante, guitarras afundadas em reverberação, uma voz suave e teclados que cosem tudo isto em paisagens sonoras imaginativas e frescas, repletas de refrões orelhudos e melodias doces que marquem pela diferença, prometendo, assim, uma jornada sonora memorável.

Resultado de imagem para Perpétua Condição

Os Perpétua preparam-se, então, para o debut nos discos comEsperar Pra Ver, um trabalho sempre pensado num formato indie, com influências declaradas como os Parcels ou Men I Trust e que foi composto e gravado no ano passado por todos os membros da banda, tendo sido depois produzido, misturado e masterizado pelo Rúben e pelo Xavier, com ajuda à produção da Beatriz e do Diogo.

Esperar Pra Ver já está em alta rotação em Man On The Moon, será alvo de análise cuidada muito em breve, mas, para já, importa colocar os ouvidos em Condição, o primeiro single retirado do alinhamento do disco. Condição foi a primeira canção que os Perpétua compuseram, tendo um elevado valor sentimental para o coletivo. Tematicamente introspetiva, sonoramente é um verdadeiro braseiro conduzido pela tal bateria vigorosamente ritmada e por guitarras com um polimento charmoso de inegável valia, num resultado final de forte pendor nostálgico, com leves pitadas de surf pop embrulhado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago.

Condição tem também já direito a um video realizado por Bernardo Limas, esteticamente forte e suficientemente identitário, como se percebe pela escolha das salinas de Aveiro como cenário. É um sítio lindíssimo, geométrico e com cores naturais e remete automaticamente para a região de origem dos Perpétua. É um piscar de olhos às pessoas de Aveiro e um convite de visita às pessoas de fora. Confere...

Facebook - https://www.facebook.com/perpetuamusic

Instagram - https://www.instagram.com/perpetuabanda/

Spotify - https://open.spotify.com/artist/0xVUkU1FP1zA4LQjS2XPz2?si=IBl012BYQyWT-R5BkPeuew

Apple Music - https://music.apple.com/pt/artist/perp%C3%A9tua/1534246308

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publicado por stipe07 às 14:28






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