Terça-feira, 10 de Março de 2020

bdrmm - If Not, When?

Ryan Smith, Jordan Smith, Joe Vickers, Danny Hull e Luke Irvin são os brdmm, um projeto natural de Hull, em Inglaterra e que está a fazer furor com If Not, When?, um EP de seis canções que viu a luz do dia no passado outono à boleia da Sonic Cathedral Recordings e que foi gravado e masterizado por Alex Greaves.

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If Not, When? tem um alinhamento curto, mas intenso, assente num garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma suja nostalgia, que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi e shoegaze com aquela psicadelia particularmente luminosa que atingiu o êxtase nas décadas finais do século passado, mas que se mantém mais atual do que nunca.

Assim, na suprema melancolia e na luminosidade vibrante da lindíssima Shame, no clima nostálgico da etérea The Way I Want, nas diversas camadas de guitarras que tingem a tonalidade progressiva e sentimentalmente crua de Question Mark e no rock efusiante de C: U, somos agraciados por um alinhamento em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso.

Sendo este EP um ponto de partida na carreira dos bdrmm, que estarão no Hard Club no próximo dia vinte e três de maio, a base que ele firma no catálogo do projeto é tremendamente consistente e se a opção for permitir que a intuição tome as rédeas em posteriores lançamentos, este é já um belo ponto de partida rumo a sonoridades que poderão ser ainda mais abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 17:56
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Terça-feira, 3 de Março de 2020

Throwing Muses – Dark Blue

Throwing Muses - Dark Blue

O excelente registo Purgatory/Paradise de dois mil e treze, da autoria do mítico projeto Throwing Muses de Kristin Hersh, David Narcizo e Bernard Georges, já tem finalmente sucessor, para gaúdio dos fiéis seguidores desta mítica banda norte-americana. Sun Racket é o título do novo trabalho discográfico do trio de Rhode Island e irá ver a luz do dia a vinte e dois de maio próximo, à boleia da Fire Records.

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Dark Blue é o primeiro single divulgado do alinhamento de Sun Racket, o décimo disco dos Throwing Muses, uma composição entalhada por um vigoroso indie rock de forte cariz lo fi, coberta por uma aúrea de aspereza e rugosidade únicas, nuances facultadas por guitarras plenas de poder e fúria, mas também de subtileza e charme, num resultado final inebriante. Confere Dark Blue e o alinhamento de Sun Racket, já forte candidato a um dos discos de eleição de dois mil e vinte...

01 Dark Blue
02 Bywater
03 Maria Laguna
04 Bo Diddley Bridge
05 Milk At McDonald’s
06 Upstairs Dan
07 St. Charles
08 Frosting
09 Kay Catherine
10 Sue’s


autor stipe07 às 15:53
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Mush - 3D Routine

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:45
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

Happyness – Vegetable

Happyness - Vegetable

Quase três anos depois do excelente registo Write In, os londrinos Happyness de Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan voltam a dar sinais de vida com Vegetable, um belo prenúncio de um novo trabalho do trio, o terceiro, que deverá chegar aos escaparates na segunda metade deste ano de dois mil e vinte.

Oscilando entre distorções rugosas e abrasivas de guitarras, que sustentam diferentes variações rítmicas e um refrão esplendoroso e algumas cordas repletas de rara beleza, sobriedade e sensibilidade, Vegetable é uma daquelas canções que transparecem uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. O conteúdo da canção acaba por fazer adivinhar um novo álbum dos Happyness que certamente encarnará mais uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Confere...


autor stipe07 às 11:43
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

The 1975 – Me And You Together Song

The 1975 - Me And You Together Song

Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, os The 1975 de Matt Healy preparam-se para uma verdadeira revolução sonora à boleia de Notes On A Conditional Form, o ábum que o grupo britânico se prepara para lançar na próxima primavera.


autor stipe07 às 11:37
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Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2019

Os melhores discos de 2019 (10-01)

10 Swimming Tapes - Morningside

 Morningside está coberto por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, aspectos que potenciam enormemente a elevada bitola qualitativa de uma estreia auspiciosa e extraordinariamente jovial, um disco que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro e fantástico e excelente para ser escutado num dia de sol acolhedor como os que certamente nos aguardam para muito em breve.

9 The Proper Ornaments - Six Lenins

Six Lenins é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme. É um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo.

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden

8 Cold Showers - Motionless

Os Cold Showers são assumidamente seguidores e fiéis depositários de nobre herança do período aúreo do punk rock mais sombrio e neste seu novo trabalho espraiam todo o virtuosismo que existe no seu seio, relativamente a este período temporal. Acabam por situar-se numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia (...) e o alinhamento de Motionless acaba por ter uma homonegeidade que se saúda amplamente, com o disco a rugir nos nossos ouvidos e a deixar-nos à mercê do fogo incendiário em que se alimenta. É, portanto, uma obra grandiosa e eloquente, um disco a preto e branco, mas pleno de ruido, com tudo aquilo que de melódico o ruído pode tantas vezes conter e que pode ser também um elemento importante para criar um ambiente de rara frescura e pureza sonora.

Cold Showers - Motionless

01. Tomorrow Will Come
02. Shine
03. Measured Man
04. Motionless
05. Sinking World
06. Faith
07. Dismiss
08. Every Day On My Head

7 Vetiver - Up On High

Registo em que se sente à tona uma curiosa e sensação de positivismo, bom humor e crença em dias melhores, Up On High é capaz de nos colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal, enquanto nos ajuda, por exemplo, a finalmente traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar. De facto, a música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterrando-nos num mundo paralelo que espicaça as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que, entre a luz e a melancolia, realizam-se, provando que Andy sabe como ser um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Vetiver - Up On High

01. The Living End
02. To Who Knows Where
03. Swaying
04. All We Could Want
05. Hold Tight
06. Wanted, Never Asked
07. A Door Shuts Quick
08. Filigree
09. Up On High
10. Lost (In Your Eyes)

6 Local Natives - Violet Street

Violet Street eleva o quinteto para um novo patamar instrumental mais arrojado, mantendo-se, no entanto, a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzidos em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto. Num cruzamento feliz entre eletrónica e indie rock, Violet Strret sobrevive numa vasta heterogeneidade de elementos e nuances que caraterizam cada um dos tema de um registo que, quanto a mim apenas peca pelo curto alinhamento. Tal fartura de tiques serve para justificar não só a coerência de Violet Street, até porque cada canção parece introduzir e impulsionar a seguinte, numa lógica de progressão, mas, principalmente, para clarificar a enorme riqueza e complexidade de um disco de enorme beleza e que deve ser apreciado com cuidado e real atenção. 

Local Natives - Violet Street

01. Vogue
02. When Am I Gonna Lose You
03. Cafe Amarillo
04. Munich II
05. Megaton Mile
06. Someday Now
07. Shy
08. Garden Of Elysian
09. Gulf Shores
10. Tap Dancer

5 The High Dials - Primitive Feelings

As duas metades de Primitive Feelings estão repletas de texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegazenuances que se saúdam num projeto particularmente inovador e reputado na esfera indie canadiana. (...) Este trabalho, no seu todo, no seu todo, potencia a fama destes The High Dials, não só devido à bitola qualitativa e criativa deste novo capítulo de um catálogo discográfico que é já riquissímo, mas também por causa da superior capacidade que têm de fazer o nosso espírito facilmente levitar e provocar no âmago de quem os escuta devotamente um cocktail delicioso de boas sensações.

4 DIIV - Deceiver

Deceiver não sacode a toalha da mesa de toda a trama anterior que os DIIV criaram, quer em Oshin, o disco de estreia, quer em Is The Is Are, mas é um claro passo em frente rumo a sonoridades algo diferentes e mais abrangentes. (...) É um disco em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o consumiram durante tantos anos e que parecem finalmente ter sido plenamente exorcizados. (...) Este é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, principalmente pelo modo como faz um piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que vive permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia.

DIIV - Deceiver

01. Horsehead
02. Like Before You Were Born
03. Skin Game
04. Between Tides
05. Taker
06. For The Guilty
07. The Spark
08. Lorelai
09. Blankenship
10. Acheron

3 Vampire Weekend - Father Of The Bride

Father Of The Bride centrou-se na busca de interseções apuradas entre a herança pop do último meio século, com especial ênfase para o período sessentista dominado pela exuberância das cordas, mas também pelo uso das teclas de um modo menos clássico e mais experimental. (...) No meio de toda uma diversidade e ecletismo, importa ainda referir a aposta em algumas da principais tendências estilísticas da eletrónica atual, (...) com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre (...) todo um receituário que também cruza batidas e ritmos com funk e alguns dos arquétipos essenciais do rock progressivo setentista, rematados por detalhes de cordas de forte indole orgânica. Toda esta trama conceptual faz movimentar um trabalho que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um registo entregue, de forma experimental e criativa à busca algo incessante de melodias com um forte cariz pop e radiofónico, mas sem deixarem de piscar o olho ao universo underground e mais alternativo que foi quem sustentou e ajudou os Vampire Weekend, no início da carreira, a obterem a notoriedade que hoje os distingue.

Vampire Weekend - Father Of The Bride

01. Hold You Now (Feat. Danielle Haim)
02. Harmony Hall
03. Bambina
04. This Life
05. Big Blue
06. How Long?
07. Unbearably White
08. Rich Man
09. Married In A Gold Rush (Feat. Danielle Haim)
10. My Mistake
11. Sympathy
12. Sunflower (Feat. Steve Lacy)
13. Flower Moon (Feat. Steve Lacy)
14. 2021
15. We Belong Together (Feat. Danielle Haim)
16. Stranger
17. Spring Snow
18. Jerusalem, New York, Berlin

2 Efterklang - Altid Sammen

Assim que se inicia a audição de Altid Sammen, (...) cria-se ao nosso redor, instantaneamente, uma espécie de névoa celestial, com o falsete etéreo de Casper, que canta pela primeira vez em dinamarquês num álbum dos Efterklang, a olhar para o interior da nossa alma e a incitar os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, enquanto o piano amplifica ainda mais este inusitado momento de agitação elegante e introspetiva. Se tal visão celestial é replicada, algumas faixas depois, na explosiva inquietude dos sopros que encorpam a suplicante Hænder Der åbner Sig, o modo como o baixo e a secção rítmica nos arrastam em Supertanker e, de modo mais intenso, em I Dine øjne, são nuances que nos obrigam a esquecer tudo o que nos rodeia e a refugiar-nos numa espécie de feliz isolamento auto imposto. Ainda mal refeitos dessa injeção de pura adrenalina soporífera, levamos nos olhos, literalmente, com o irresistível lacrimejar que nos proporciona Uden Ansigt (...), uma jóia verdadeiramente preciosa que arrebata toda a dose de melancolia que temos guardada dentro de nós, esvaziando-nos e deixando-nos naquela letargia típica de quando se dorme e se está acordado, uma dormência que se acentua e que despoleta a nossa capacidade de sonhar de olhos abertos em Verden Forsvinder e que finalmente nos afaga e nos permite repousar em paz na suprema espiritualidade que exala de Under Broen Der Ligger Du, um dos temas melodicamente mais felizes de Altid Sammen. Ao longo da carreira, o som dos Efterklang não foi sempre estanque e a opção por um alinhamento de contornos eminentemente clássicos acaba por ser um passo lógico (...) e este Altid Sammen acaba por funcionar como uma espécie de catarse de toda uma carreira feita de constante mudança e evolução, materializada num disco cheio de sentimentos, emocionalmente profundo e que quando termina deixa-nos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de enorme e absoluto deslumbramento.

Efterklang - Altid Sammen

01. Vi Er Uendelig
02. Supertanker
03. Uden Ansigt
04. I Dine øjne
05. Hænder Der åbner Sig
06. Verden Forsvinder
07. Under Broen Der Ligger Du
08. Havet Løfter Sig
09. Hold Mine Hænder

1 - Deerhunter - Why Hasn’t Everything Disappeared?

Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop e que possa entroncar numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Why Hasn't Everything Already Disappeared? mais um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tentam, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia. Disco com dez canções com uma identidade muito própria, Why Hasn't Everything Already Disappeared? (...) pressegue uma senda encantatória, frequentemente com uma toada até algo progressiva. Além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições em que o sintetizador é o elemento chave, (...), outras em que é o piano, de mãos dadas com uma guitarra que às vezes parece planar, quem assume as rédeas (...) e outras em que o colorido do cravo, um dos instrumentos predilectos de Cox, é, claramente, a grande força motriz. Why Hasn't Everything Already Disappeared? é, na verdade, um tratado pop, (...) um álbum onde a personalidade de cada uma das canções demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, já que imensos e variados são os detalhes precisos que as adornam. Os Deerhunter vivem no pico da sua capacidade criativa e mostram-se ao oitavo disco mais arrojados do que nunca, mostrando neste Why Hasn't Everything Already Disappeared? que conseguem navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. Este projeto de Atlanta, na Georgia, prova-nos que a imprevisibilidade continua a ser, felizmente, algo valioso e ímpar no mundo artístico e Bradford Cox, uma das personagens mais excêntricas no mundo da música contemporânea, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos, de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado aquele que é já, na minha opinião, o melhor álbum de dois mil e dezanove.

Deerhunter - Why Hasn't Everything Already Disappeared

01. Death In Midsummer
02. No One’s Sleeping
03. Greenpoint Gothic
04. Element
05. What Happens To People?
06. Détournement
07. Futurism
08. Tarnung
09. Plains
10. Nocturne


autor stipe07 às 22:42
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Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019

Os melhores discos de 2019 (20 - 11)

20 Helado Negro - This Is How You Smile

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável, urbana e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino (...). Nela sente-se facilmente aquele aspeto geográfico e ambiental tão sul americano em que cidade, praia e floresta tropical amiúde se fundem, neste caso num registo com uma elevada vertente autobiográfica, já que nele Lange desabafa sobre experiências individuais da sua infância e juventude. (...) Cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Neste This Is How You Smile contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, compilar com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar.

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01. Please Won’t Please
02. Imagining What To Do
03. Echo For Camperdown Curio
04. Fantasma Vaga
05. Pais Nublado
06. Running
07. Seen My Aura
08. Sabana De luz
09. November 7
10. Todo Lo Que Me Falta
11. Two Lucky
12. My Name Is For My Friends

 

 

19 The Growlers - Natural Affair

Frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, a sonoridade dos The Growlers vai muito além dessa simples catalogação e Natural Affair é mais uma demonstração cabal dessa permissa. (...) Este é um disco cuja aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso, mas a obediência clara a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela apresentação de um alinhamento de canções que agrade às massas. Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com a herança do rock das últimas quatro ou cinco décadas, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e fazem-no com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade num álbum que deve estar no radar de todos aqueles que se interessam por este espetro sonoro.

The Growlers - Natural Affair

01. Natural Affair
02. Long Hot Night (Halfway To Certain)
03. Pulp Of Youth
04. Social Man
05. Foghorn Town
06. Shadow Woman
07. Truly
08. Tune Out
09. Coinstar
10. Stupid Things
11. Try Hard Fool
12. Die And Live Forever

 

18 Strand Of Oaks - Eraserland

São vários os instantes de puro deleite de um disco escrito sob um manto nublado de dúvidas, hesitações e um estado de espírito algo depressivo (...), mas cheio de composições aparentemente minimalistas mas adornadas por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, nunca ofuscam a natural predisposição deste reverendo barbudo para expor tudo aquilo que sente e precisa de expelir com genuína entrega e sensibilidade extrema. Escutar com devoção Eraserland é embarcar numa viagem emocional e emocionante rumo ao fulcro cósmico da mente de Strand Of Oaks (...), um álbum que volta a expandir os territórios deste artista verdadeiramente singular, que replica uma vez mais com mestria um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pelo experimentalismo punk lisérgico como pela soul.

Strand Of Oaks - Eraserland

01. Weird Ways
02. Hyperspace Blues
03. Keys
04. Visions
05. Final Fires
06. Moon Landing
07. Ruby
08. Wild and Willing
09. Eraserland
10. Forever Chords
11. Cruel Fisherman (Hidden Track)

 

17 The Drums - Brutalism

Brutalism é um alinhamento em que, canção após canção, se sente a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e empolgante, com composições com o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um refúgio perfeito. Depois, ainda há o bónus de podermos conferir a postura vocal de Pierce, mais madura e suculenta do que nunca e particularmente tocante e emocionada em alguns momentos. (...) Registo bem balizado em termos de referências, Brutalism merece dedicação e nota positiva não só pelo encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também por, na minha opinião, mostrar que Pierce é cada vez mais capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente a relevância deste projeto nova iorquino no universo indie atual.

The Drums - Brutalism

01. Pretty Cloud
02. Body Chemistry
03. 626 Bedford Avenue
04. Brutalism
05. Loner
06. I Wanna Go Back
07. Kiss It Away
08. My Jasp
09. Blip Of Joy

 

16 Pond - Tasmania

Tasmania é mais um retrato fiel do caldeirão sonoro que os POND reservam para nós cada vez que entram em estúdio para compor. (...) No disco não faltam guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas, desta vez mais do que nunca, por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Para compor o ramalhete não falta ainda uma secção rítmica que aposta, frequentemente, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade enquanto passeamos por uma espécie de jardim contemplativo que nos proporciona um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante impressiva. Com um clima glam muito próprio, Tasmania enche-nos com um espaço sonoro pleno de texturas e fôlegos e onde é transversal uma sensação de experimentação nada inócua e que espelha o cimento das coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração dos POND, sendo o resultado da ambição deste fabuloso projeto australiano em se rodear, cada vez mais, com uma áurea resplandecente e inventiva e de se mostrar mais heterogéneo e abrangente do que nunca.

Pond - Tasmania

01. Daisy
02. Sixteen Days
03. Tasmania
04. The Boys Are Killing Me
05. Hand Mouth Dancer
06. Goodnight, P.C.C.
07. Burnt Out Star
08. Selené
09. Shame
10. Doctor’s In

 

15 Horsebeach - The Unforgiving Current

Uma das boas surpresas do ano são, claramente, estes Horsebeach, mestres no balanço inspirado entre uma rugosidade bastante vincada e plena de groove (...) e aquela dream pop de forte cariz lo fi, conduzida por uma guitarra com um efeito metálico particularmente vibrante, acompanhada por um registo vocal ecoante e uma bateria multifacetada e bastante omnipresente. E é no meio destes dois opostos de The Unforgiving Current (...) que escorre um disco bastante homogéneo, uma perfeita banda sonora de um dia de verão, com quarenta e cinco minutos repletos de boas letras e onde abundam, como seria de esperar, arranjos feitos de detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta. Disco descontraído, jovial e que carece de audição atenta e dedicada, The Unforgiving Current é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor pop lo fi contemporânea, um oásis de contida elegância que impressiona pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras.

Horsebeach - The Unforgiving Current

01. Net Cafe Refuge
02. The Unforgiving Current
03. Dreaming
04. Mourning Thoughts
05. Vanessa
06. Yuuki
07. Trust
08. Unlucky Strike
09. Mother
10. Acting

 

14 Clinic - Wheeltappers And Shunters

Wheeltappers And Shunters é uma ode majestosa ao rock experimental setentista (...) e a receita que os Clinic assumiram em Wheeltappers And Shunters arrancou do seio do grupo o melhor alinhamento que apresentaram até hoje, expresso em doze canções que exaltaram o superior quilate de cada intérprete. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas e se bases suaves sintetizadas, acompanhadas de batidas, cruzam-se com o baixo, também num piscar de olhos insinuante a um krautrock, já o constante enganador minimalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa, dividida entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente.Resultado de imagem para Clinic Wheeltappers And Shunters

01. Laughing Cavalier
02. Complex
03. Rubber Bullets
04. Tiger
05. Ferryboat Of The Mind
06. Mirage
07. D.I.S.C.I.P.L.E.
08. Flying Fish
09. Be Yourself / Year Of The Sadist
10. Congratulations
11. Rejoice!
12. New Equations (At The Copacabana)

 

13 Coldplay - Everyday Life

Os Coldplay parecem finalmente apostados em deixar um pouco de lado aquela etiqueta de banda de massas da pop e da cultura musical, feita de exuberância sonora e de uma mescla da enorme variedade de estilos que foram bem sucedidos comercialmente na última década, nomeadamente a eletrónica e o rock repleto de sintetizações, para voltarem a colocar na linha da frente aquele lado mais intimista, simples e humano, o modus operandi que talvez melhor potencie todos os atributos estilísticos e interpretativos que o grupo possui. (...) De facto, parecem querer voltar (...) um pouco àquelas raízes em que o coração de Martin é que impõe a sua lei no conteúdo das canções do quarteto e não aquilo que a exigente radiofonia pede (...). Nos seus dois volumes (...) juntam ao cardápio mais um naipe de canções que funcionará certamente bem em estádio defronte de grandes massas (...), mas o que mais marca este álbum é o facto de expôr alguns dos fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes músicos em ressuscitar antigos arranjos, técnicas e sonoridades.

Coldplay - Everyday Life

01. Sunrise
02. Church
03. Trouble In Town
04. BrokEn
05. Daddy
06. WOTW/POTP
07. Arabesque
08. When I Need A Friend
09. Sunrise/Sunset Interlude #1
10. Sunrise/Sunset Interlude #2
11. Sunrise/Sunset Interlude #3
12. Sunrise/Sunset Interlude #4
13. Sunrise/Sunset Interlude #5
14. Sunrise/Sunset Interlude #6
15. Guns
16. Orphans
17. Eko
18. Cry Cry Cry
19. Old Friends
20. Bani Adam
21. Champion Of The World
22. Everyday Life

 

12 The Flaming Lips - King's Mouth

King’s Mouth, o décimo quinto disco da carreira dos The Flaming Lips (...), é sobre um rei disforme que morre quando tenta salvar o seu reino de uma avalanche de neve apocalíptica, acabando por sucumbir no meio dela. Após a morte, a sua cabeça enorme transforma-se numa espécie de fortaleza de aço pela qual os seus súbditos podem trepar e entrar pela boca, chegando, assim, às estrelas enquanto contemplam toda a imensidão de luzes e cores que em vida esse rei sugou enquanto se tornava maior e atingia a maioridade. Dado este mote lírico, incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo, (...) King's Mouth afirma-se num bloco de composições que são mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro toda a trama idealizada. King's Mouth conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta-nos uma história simples, mas repleta de metáforas sobre a nossa contemporaneidade, servindo-se ora de composições atmosféricas, ora de temas de índole mais progressiva e agreste e onde também coabitam marcas sonoras feitas com vozes convertidas em sons e letras e que praticamente atuam de forma instrumental. No final, tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea, através de sintetizadores cósmicos e guitarras experimentais, sempre com enorme travo lisérgico, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir.

The Flaming Lips - King's Mouth

01. We Dont Know How a´And We Don’t Know Why
02. The Sparrow
03. Giant Baby
04. Mother Universe
05. How Many Times
06. Electric Fire
07. All For The Life Of The City
08. Feedaloodum Beedle Dot
09. Funeral Parade
10. Dipped In Steel
11. Mouth Of The King
12. How Can A Head

 

11 Allah-Las - Lahs

A música dos Allah-Las é algo que se esprai deliciosamente nos nossos ouvidos, sem pressas, arrufos ou complicações desnecessárias. Há uma constante sensação de conforto, calma, quietude e etérea contemplação nas composições deste quarteto e Lahs, o registo mais heterógeneo e completo da carreira do projeto, amplia esta filosofia interpretativa, adocicando-a com novas nuances, nomeadamente aquelas que foram retiradas da lista de arquétipos fundamentais do rock clássico e do alternativo. (...) Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte. (...) Em suma, estamos na presença de um alinhamento com sabor a despedida do sol e do calor, feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas.

Allah-Las - Lahs

01. Holding Pattern
02. Keeping Dry
03. In The Air
04. Prazer Em Te Conhecer
05. Roco Ono
06. Star
07. Royal Blues
08. Electricity
09. Light Yearly
10. Polar Onion
11. On Our Way
12. Houston
13. Pleasure


autor stipe07 às 16:15
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

Born-Folk - Come Inside! EP

Têm apenas alguns meses de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa constituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, e tem já no seu catálogo um EP intitulado Come Inside!, um alinhamento de cinco temas bastante influenciado pela indie de final do século passado, intercetado por alguns dos pilares fundamentais do rock clássico, com pitadas de jazz, do punk e do grunge a comporem este delicioso ramalhete.

Resultado de imagem para Born-Folk banda

Assumidamente ecléticos, sem se quererem amarrar demasiado a fronteiras ou a um modus operandi sonoro demasiado específico e que os castre naquilo que é a sempre indispensável liberdade criativa, os Born-Folk têm nos conceitos de simbolismo e ironia pedras basilares não só da sua filosofia sonora, mas também do seu ideário lírico. Assim, se o tema Heat And Rum assume-se como uma típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, (o) l (a) é um buliçoso e agreste exercício de recriação de como seria recriar Seattle em plena andaluzia espanhola e Le F*ck, um psicadélico devaneio punk que a melhor herança de uns Pavement não hesitaria em colocar em plano de destaque no seu catálogo. Já Fall-Inn, o tema que encerra o alinhamento do EP, conduzido por um eletrificação de cordas agreste e abrasiva, mas tremendamente charmosa e com um travo punk delicioso, tem um clima mais outunal, oferecendo-nos um possível retrato de um peculiar “rendez vous” outonal falhado com uma “patinadora artística” que vai pirateando corações com o seu sorriso alemão. De facto, de acordo com o grupo, no hotel FALL-INN (uma espécie de open space hostel) somos saqueados por uma coelhinha pirata que embala os hóspedes com o seu olho empalado. A enigmática mensagem em “alemão da região da baixa googlândia” é o hall de entrada. Segue-se uma imperial overdrive interminável até à infusão fatal, um cházinho relaxante e inebriante carregado de wah wah “delayano” que nos levará até ao grand finale, onde a queda é uma aposta segura. Willkommen!!!  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:54
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Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019

The Districts – Hey Jo

The Districts - Hey Jo

Um dos nomes mais interessantes do catálogo da Fat Possum Records são os The Districts, um coletivo de indie rock lo fi oriundo da Filadélfia e que teve como último grande sinal de vida o excelente registo Popular Manipulations, lançado em dois mil e dezassete. Dois anos depois, o quarteto formado por Rob Grote, Connor Jacobus, Braden Lawrence e Pat Cassidy divulgou no passado verãor um tema feito propositadamente para apoiar a Everytown For Gun Safety, uma organização norte-americana que luta pelo fim da atual lei de posse de armas em vigor nesse país e que, na opinião de muitos cidadãos dessa nação, é uma das principais causas da onda recente de tragédias com armas de fogo nos Estados Unidos da América. 

Agora, cerca de três meses depois dessa sanção, os The Districts voltam à carga com Hey Jo, primeiro avanço para You Know I’m Not Going Nowhere, o quarto álbum de originais do grupo, que irá ver a luz do dia em março do próximo ano. Canção sobre o quanto é difícil manter um relacionamento estável e feliz no meio de todas as agruras que afligem o mundo moderno e que podem destruir facilmente a individualidade de quem é permanente obcecado com a beleza e a perfeição (We are all imperfect products of the natural world, and more specifically products of our own minds. This song was inspired by navigating how to be your best self and detach from what is destructive in you, to be something more perfect, gentle, and beautiful), Hey Jo assenta num rock vibrante feito com teclas melodicamente sagazes e uma distorção na guitarra bastante apelativa e, a espaços, particularmente imponente. Confere Hey Jo e a traclist de You Know I’m Not Going Nowhere, disco que terá direito a uma digressão de promoção, para já apenas com datas marcadas no país natal dos The Districts...

  1. My Only Ghost
  2. Hey Jo
  3. Cheap Regrets
  4. Velour and Velcro
  5. Changing
  6. Descend
  7. The Clouds
  8. Dancer
  9. Sidecar
  10. And The Horses All Go Swimming
  11. 4th of July

autor stipe07 às 18:29
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Sábado, 12 de Outubro de 2019

Allah-Las - Lahs

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Foi ontem, onze de outubro, que viu a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que chegou aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Resultado de imagem para Allah-Las - LAHS

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais tão variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

A música dos Allah-Las é algo que se esprai deliciosamente nos nossos ouvidos, sem pressas, arrufos ou complicações desnecessárias. Há uma constante sensação de conforto, calma, quietude e etérea contemplação nas composições deste quarteto e Lahs, o registo mais heterógeneo e completo da carreira do projeto, amplia esta filosofia interpretativa, adocicando-a com novas nuances, nomeadamente aquelas que foram retiradas da lista de arquétipos fundamentais do rock clássico e do alternativo. A soul da guitarra de Holding Pattern é, desde logo, uma primeira demonstração inequívoca de um maior experimentalismo, de um desejo de divagar que contraste com o cariz mais direto e incisivo dos dois trabalhos anteriores dos Allah-Las. Depois, se o efeito metálico da guitarra que ciranda por Keeping Dry espreguiça os nossos sentidos, fazendo também abanar ligeiramente a anca, a tal diversidade atinge píncaros de criatividade em Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

À medida que nos embrenhamos no âmago do disco, na frescura dançante de In The Air,  na luminosidade de Roco Ono, no clima contemplativo de Star, na radiofonia feliz de Polar Onion, na mescla entre folk e o country sulista americano em Royal Star ou no reverb empoeirado que conduz Electricity, percebemos que a receita dos Allah-Las mantém-se tremendamente eficaz e ainda mais aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca que é, no seu todo, Lahs, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks, deixa-nos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que pode servir como uma feliz homenagem ao final de um verão que se tem estendido um pouco mais além do necessário. Em suma, estamos na presença de um alinhamento com sabor a despedida do sol e do calor, feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Lahs

01. Holding Pattern
02. Keeping Dry
03. In The Air
04. Prazer Em Te Conhecer
05. Roco Ono
06. Star
07. Royal Blues
08. Electricity
09. Light Yearly
10. Polar Onion
11. On Our Way
12. Houston
13. Pleasure


autor stipe07 às 17:48
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Segunda-feira, 7 de Outubro de 2019

DIIV - Deceiver

Já chegou aos escaparates e à boleia da Captured Tracks Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver sucede ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Deceiver não sacode a toalha da mesa de toda a trama anterior que os DIIV criaram, quer em Oshin, o disco de estreia, quer em Is The Is Are, mas é um claro passo em frente rumo a sonoridades algo diferentes e mais abrangentes. E feita esta ressalva, convém esclarecer a situação pessoal atual de Zachary e que marca, indivutavelmente o conteúdo deste álbum. Assim, recordo que Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas do músico com a adição às drogas, mas o mesmo confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no seu conteúdo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos Zachary tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Deceiver é, portanto, claramente marcado por esta realidade, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia. A canção debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso.

A partir daí, o que temos é, no fundo, uma banda sonora tremendamente confessional relativamente a este processo de reabilitação e de catarse e que alarga o espetro sonoro que tipifica os DIIV, oferecendo ao seu cardápio uma dose mais carregada daquele rock com forte pendor nostálgico, que marcou a última década do século passado. Das diversas camadas de guitarras, das mudanças rítmicas e do registo vocal abafado de Horsehead, passando pelo clima melancólico que ressuscita a melhor herança de bandas como os The smashing Pumpkins, no período Gish, em, Like Before You Were Born, até ao rock efusiante e com forte travo aos Sonic Youth em Skin Game, ou a suprema melancolia de uns My Bloody Valentine na lindíssima Between Tides, são várias as referências de elite dessa década que marcaram o processo de composição melódica e instrumental de Deceiver, com especial ênfase na primeira metade do registo. A partir daí, no portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza que é Blankenship, na tonalidade progressiva e suja de Taker, no travo grunge de For The Guilty e na luminosidade vibrante de The Spark, completa-se o ciclo de um disco em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o consumiram durante tantos anos e que parecem finalmente ter sido plenamente exorcizados. Se para isso foi preciso criar um dos melhores discos do ano, já que este é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, principalmente pelo modo como faz um piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que vive permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia, melhor ainda. Espero que aprecies a sugestão...

DIIV - Deceiver

01. Horsehead
02. Like Before You Were Born
03. Skin Game
04. Between Tides
05. Taker
06. For The Guilty
07. The Spark
08. Lorelai
09. Blankenship
10. Acheron


autor stipe07 às 21:16
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

Y La Bamba – Entre Los Dos EP

Quase um ano após o excelente Mujeres, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Entre Los Dos, o novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland. Entre Los Dos é um EP com sete espetaculares canções e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

Resultado de imagem para Y La Bamba Entre Los Dos EP

Depois do excelente Ojos Del Sol, lançado há cerca de três anos, a crítica começou finalmente a ficar bastante atenta a este projeto Y La Bamba, único no modo como mescla post punk com música latina, eletrónica e alguns dos arquétipos fundamentais da indie de cariz mais lo fiMujeres, um registo gravado pela própria Luz Elena Mendoza, com a ajuda de Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e nos Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, ampliou ainda mais a elevada bitola qualitativa de uma proposta sonora única no cenário musical contemporâneo e que oferece ao ouvinte mais devoto uma viagem espiritual, convidando-nos a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

As sete canções de Entre Los Dos, que além de Luz contam com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica, são como que um fechar de ciclo de uma espécie de triologia iniciada no tal Ojos Del Sol, três trabalhos que plasmam, com fidelidade e minúcia uma abordagem muito pessoal e íntima, claramente auto-reflexiva, mas que também é, de algum modo, sociológica, por parte de Luz, relativamente ao modo como a mulher é vista nos dias de hoje. No carrocel percurssivo de Gabriel e de Los Gritos, canções que conjugam o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz, na acusticidade minimal etérea de Entre Los Dos e de Octavio, na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Rios Sueltos, no festim folk punk de Soñadora e na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de rugosidade de Las Platicas, apreciamos uma narrativa plena de histórias simples e comuns, mas onde este timbre ordinário das mesmas é enganador, porque são relatos de vidas difíceis e que muitas vezes escapam à própria compreensão de quem nunca vivenciou na pele tais realidades. Os Y La Bamba acabam por suavizar, até com uma certa ironia e sarcasmo, dores, agruras e medos, com  composições que ampliam o diâmetro da nossa anca, deixando-a possuída, sem dono e sem vontade própria, porque não resistimos a acompanhar tambem fisicamente um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Entre Los Dos

01. Gabriel
02. Entre Los Dos
03. Rios Sueltos
04. Octavio
05. Soñadora
06. Las Platicas
07. Los Gritos


autor stipe07 às 20:59
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019

Allah-Las – Prazer Em Te Conhecer

Allah-Las - Prazer Em Te Conhecer

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Depois de Polar Onion, o mais primeiro single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, agora chegou a vez de nos deliciarmos com Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Merece também uma vista de olhos o vídeo de Prazer Em Te Conhecer, que mostra algumas das tais experiências que a banda foi conseguido vivenciar na digressão acima referida e que foram sendo captadas pelo baterista Matt Correia. Confere...


autor stipe07 às 13:14
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Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019

DIIV – Blankenship

DIIV - Blankenship

Continuam a ser reveladas estrondosas composições de Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). E à medida que se abre o pano sobre aquele que será, certamente, um dos melhores discos de dois mil e dezanove, ficamos cada vez mais entusiasmados com a proximidade da data de lançamento, prevista para quatro de outubro, à boleia da Captured Tracks.

Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou, pouco depois do lançamento desse trabalho, que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas.

Sendo o conteúdo de Deceiver também muito centrado nessa questão psicotrópica, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo há já dois meses, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia e em Taker, a segunda composição também manteve essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa. Blankenship, a nova canção divulgada do registo, atesta, de vez, esta teoria, oferecendo-nos a composição mais ruidosa, efervescente e crua das três já conhecidas, um portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza, idealizada por um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Confere...


autor stipe07 às 13:08
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

Horsebeach – The Unforgiving Current

The Unforgiving Current é o título do quarto registo de originais dos britânicos Horsebeach, um quarteto natural de Manchester e formado por Ryan Kennedy (voz) Matt Booth (bateria), Tom Featherstone (guitarra) e Tom Critchley (baixo). Os Horsebeach estrearam-se nos discos há cerca de meia década com um homónimo e este The Unforgiving Current sucede a Beauty & Sadness, um álbum com dois anos e que reforçou a aposta da banda em sonoridades eminentemente etéreas e melancólicas, dentro de um catálogo indie virtuoso, com uma atmosfera particularmente íntima e envolvente.

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Uma das boas surpresas da temporada são, claramente, estes Horsebeach, mestres no balanço inspirado entre uma rugosidade bastante vincada e plena de groove, bem patente no baixo que conduz Net Cafe Refuge, uma das canções do ano para esta redação e aquela dream pop de forte cariz lo fi, conduzida por uma guitarra com um efeito metálico particularmente vibrante, acompanhada por um registo vocal ecoante e uma bateria multifacetada e bastante omnipresente, em Dreaming. E é no meio destes dois opostos de The Unforgiving Current, bem explícitos no tema homónimo, conduzido por um baixo e uma guitarra com as diretrizes identificadas nas duas composições acima descritas, mas também no ecoante frenesim de Unlucky Strike e muitas vezes numa filosofia simbiótica de fronteiras que carecem de simples definição e recorte, que escorre um disco bastante homogéneo, uma perfeita banda sonora de um dia de verão, com quarenta e cinco minutos repletos de boas letras e onde abundam, como seria de esperar, arranjos feitos de detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta.

De facto, se além do protagonismo do baixo e da guitarra, se a bateria e a secção rítmica são também intervenientes preciosos no arquétipo sonoro do registo, com destaque para o excelente exercício rítmico que ambos protagonizam nos avanços e recuos de Trust, ali no meio, quando surge uma espécie de mistura entre surf rock e chillwave na complacência deVanessa, no encanto vintage, relaxante e atmosférico do instrumental Yuuki e no insinuante charme das teclas que adornam Mourning Thoughts, é feito o indispensável contraponto que confere a este alinhamento a tal riqueza estilística que faz de The Unforgiving Current também um claro favorito, caso o objetivo do ouvinte seja recriar e dar vida a um ambiente que também tenha algo de soturno e melancólico.

Disco descontraído, jovial e que carece de audição atenta e dedicada, The Unforgiving Current é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor pop lo fi contemporânea, um oásis de contida elegância que impressiona pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras. Espero que aprecies a sugestão...

Horsebeach - The Unforgiving Current

01. Net Cafe Refuge
02. The Unforgiving Current
03. Dreaming
04. Mourning Thoughts
05. Vanessa
06. Yuuki
07. Trust
08. Unlucky Strike
09. Mother
10. Acting


autor stipe07 às 14:55
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2019

The Districts – Loving Protector Guy

The Districts - Loving Protector Guy

Um dos nomes mais interessantes do catálogo da Fat Possum Records são os The Districts, um coletivo de indie rock lo fi oriundo da Pensilvânia e que teve como último grande sinal de vida o excelente registo Popular Manipulations, lançado em dois mil e dezassete. Dois anos depois, o quarteto formado por Rob Grote, Connor Jacobus, Braden Lawrence e Pat Cassidy acaba de divulgar um novo tema, feito propositadamente para apoiar a Everytown For Gun Safety, uma organização norte-americana que luta pelo fim da atual lei de posse de armas em vigor nesse país e que, na opinião de muitos cidadãos dessa nação, é uma das principais causas da onda recente de tragédias com armas de fogo nos Estados Unidos da América. 

Loving Protector Guy é uma efusiante composição assente num rock vibrante feito com uma percurssão ritmada, teclas melodicamente sagazes e uma distorção na guitarra bastante apelativa e, de acordo com o press release de lançamento do tema, a ideia dos The Districts de compôr uma música cujas receitas revertessem a favor dessa organização e que chamasse ainda mais a atenção para esta temática surgiu depois de um amigo da banda ter tido uma experiência algo traumática relacionada com essa questão (a relative of the band’s had an eccentric encounter with a man who pulled up next to his car and rolled down the window, with a sheriff hat on. He pulled out a water gun and shot the relative in the face with it. It was beyond eerie, beyond poor taste). Confere...


autor stipe07 às 19:19
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Sábado, 24 de Agosto de 2019

DIIV – Taker

DIIV - Taker

Será a quatro de outubro e à boleia da Captured Tracks que chegará aos escaparates Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Sendo, portanto, o conteúdo de Deceiver, muito centrado nessa questão, como se percebeu igualmente há algumas semanas em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia, Taker, a segunda composição  que já podemos destrinçar do disco, mantém essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Sonoramente, Taker é um instante sonoro em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso. Confere...


autor stipe07 às 14:27
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Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

Allah-Las – Polar Onion

Allah-Las - Polar Onion

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Polar Onion é o mais recente single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, uma composição imbuída de uma indesmentível vibe sessentista, assente em luminosas cordas, uma percurssão tremendamente groove e alguns efeitos hipnóticos na guitarra, detalhes que sustentam uma das mais belas melodias de um disco que certamente abraçará também a folk e o country sulista americano, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Quinta-feira, 25 de Julho de 2019

DIIV – Skin Game

Será a quatro de outubro e à boleia da Captured Tracks que chegará aos escaparates Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV, photo by <a href="http://www.coleybrown.com/">Coley Brown</a>

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Skin Game, o primeiro single divulgado de Deceiver, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia, debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso, conforme admitiu recentemente: Skin Game it’s an imaginary dialogue between two characters, which could either be myself or people I know. I spent six months in several different rehab facilities at the beginning of 2017. I was living with other addicts. Being a recovering addict myself, there are a lot of questions like, “Who are we? What is this disease?” Our last record was about recovery in general, but I truthfully didn’t buy in. I decided to live in my disease instead. “Skin Game” looks at where the pain comes from. I’m looking at the personal, physical, emotional, and broader political experiences feeding into the cycle of addiction for millions of us.

Sonoramente, Skin Game, um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem já figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, exala na sua majestosidade instrumental a melhor herança de uns Sonic Youth em plena forma, uma constatação também expressa com intensidade e requinte superiores, na crueza orgânica das guitarras, que fazem questão de viver ao longo da canção de braço dado com o salutar experimentalismo percurssivo do baixo e da bateria, uma simbiose que atinge mesmo, durante o refrão, patamares particularmente turtuosos. Em suma, Skin Game, faz adivinhar que o conteúdo de Deceiver será invariavelmente irrequieto, direto e a encarnação sonora de uma espécie de grito de revolta e de libertação, que se espera ser definitiva. Confere Skin Game e o artwork e a tracklist de Deceiver...

DIIV - Skin Game

01 Horsehead
02 Like Before You Were Born
03 Skin Game
04 Between Tides
05 Taker
06 For the Guilty
07 The Spark
08 Lorelai
09 Blankenship
10 Acheron


autor stipe07 às 10:44
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Dope Lemon – Smooth Big Cat

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

Resultado de imagem para Dope Lemon Smooth Big Cat

Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.

É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. 

Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Dope Lemon - Smooth Big Cat

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That


autor stipe07 às 16:45
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