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O Fio Do Tempo de João Paulo Oliveira e Costa

Segunda-feira, 31.10.11

Acabei de ler na semana passada um livro muito interessante e que me fez viajar no tempo da nossa História. O livro chama-se O Fio do Tempo e foi escrito por João Paulo Oliveira e Costa.  

Nunca tinha lido nada deste autor, mas fiquei deveras impressionado com a sua escrita de fácil acesso e bem elaborada, sem aqueles rococós típicos deste género de escrita, mas também sem ser pobre de descrições. Predominam as analepses e as prolepses, viagens incessantes pelo fio do tempo, o que eu achei muito engraçado porque exercitava a nossa mente sem nos cansarmos muito.

O Romance fala de D. Álvaro de Ataíde, um cavaleiro da Casa Real de Viseu, defensor do Reino de Portugal, grande lutador, amigo e amante, um homem lenda do seu tempo, figura nacional que todos os cavaleiros queriam igualar e até mesmo derrotar. O livro é ficcional, mas o autor preocupou-se em investigar bem as nossas raízes, todo o aparato que rodeavam as descobertas marítimas, as intrigas palacianas, os atentados aos reis de Portugal e toda aquela emoção que havia aquando dos duelos a cavalo.

Aconselho vivamente este livro, até porque talvez faça pensar duas vezes todos aqueles que dizem à boca cheia que este país é, sempre foi e sempre será um mau país. Fica a sinopse...

Um espião inglês roubou as cartas de marear. Vasco de Melo, amigo íntimo de D. Manuel I, persegue os culpados. E não olha a meios para agradar ao rei. Chegam novas de Pêro Vaz de Caminha, e morre um dos mais antigos cavaleiros do reino. Seguindo as memórias deste cavaleiro medieval que serviu dois reis, João Paulo Oliveira e Costa escreve um fabuloso romance histórico a fazer-nos viajar até à Lisboa medieval.

O séc. XV português pelo olhar de um homem com mais de cem anos... D. Álvaro de Ataíde é o narrador deste segundo romance do autor.

Optando pelo registo de memória do cavaleiro que serve sobre o reinado de D. Afonso V e D. Manuel I, em «O Fio de Areia» sentimos o país voltado para fora, ouvimos o lamento dos negros nas ruas, o burburinho de uma cidade onde tudo se vende e compra. Depois de «O Império dos Pardais», o historiador português leva à ficção um tempo de mudança e de grande riqueza humana. Partindo do olhar de um homem que assistiu já a dois reinados, conta os meandros do poder e da espionagem que envolviam a casa real portuguesa e as casas reais europeias. Um registo simultaneamente intimista e empolgante – a fazer-nos seguir no encalço do roubo das importantes cartas de marear da Casa da Mina. Especialista nos Descobrimentos e na Expansão Portuguesa, director do Centro de História de Além-Mar, o autor leva à ficção o seu conhecimento ao mesmo tempo que ousa (pela ficção, repita-se) ir mais longe no retrato do Portugal de então.

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publicado por stipe07 às 21:23

Naguib Mahfouz - Khan al-Khalili

Terça-feira, 07.06.11

A Civilização lançou em Abril um livro que é mais uma obra do escritor egípcio Naguib Mahfouz; O livro chama-se Khan al-Khalili e tem, como é costume na obra do Nobel de 1988, o Cairo como cenário. Este autor modernizou a literatura árabe, sendo considerado um dos seus maiores vultos. O New York Times descreveu-o como o Balzac de Egipto. Descobri que publicou 34 romances, mais de 350 contos, dezenas de argumentos cinematográficos e cinco peças ao longo de uma carreira de mais de 70 anos. Viveu com a mulher e as duas filhas na sua cidade natal até falecer, em 2006.

Não o conhecia e fiquei deslumbrado com a sua escrita; Khan al-Khalili é um relato fascinante de uma família obrigada pela proximidade da guerra a procurar uma nova casa e a estabelecer uma nova teia de relações, nem sempre fáceis de entender por quem não conhece a realidade do Islão, uma religião com uma conotação actual que nem sempre corresponde aos pilares que a definem. À medida que Ahmad, a personagem principal da trama, interage com os habitantes do novo bairro, surge um debate que opõe velho e novo, histórico e moderno, religioso e laico. E Mahfouz questiona se, como as bombas alemãs que ameaçam Khan al-Khalili diariamente, o progresso tem necessariamente de ser acompanhado pela destruição do passado. Fica a sinopse;

Estamos em 1942, a II Guerra Mundial está no auge e a Campanha na África assola a costa norte do Egipto até al-Alamein. Tendo por pano de fundo este conflito internacional, o romance acompanha a história dos Akif, uma família da classe média que se refugia em Khan al-Khalili, o histórico e fervilhante bairro do Cairo. Acreditando que as forças alemãs nunca bombardearão uma parte religiosa tão famosa da cidade, esperam ficar em segurança entre as vielas apinhadas, os cafés animados e as mesquitas antigas. Pelos olhos de Ahmad, o filho mais velho da família Akif, Naguib Mahfouz dá-nos uma visão complexa de Khan al-Khalili.

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publicado por stipe07 às 22:10

Albert Camus - O Avesso e o Direito.

Sábado, 08.01.11

Albert Camus, escritor e filósofo, nasceu em Mondovi, na Argélia a 7 de Novembro de 1913 e faleceu subitamente em Villeblevin, França a 4 de Janeiro de 1960, num acidente de viação. Escreveu O Avesso e o Direito quando tinha 22 anos, livro que acabei há poucos dias de ler.

Em 1957 Camus obtém o Prémio Nobel da Literatura e um ano mais tarde são publicados Os Discursos da Suécia e reeditado o O Avesso e o DireitoA edição que li e que foi uma bela prenda de Natal, junta estas duas obras, ou seja, inclui também o Discurso que Camus proferiu em Dezembro de 1957, em Estocolmo, durante a cerimónia em que lhe foi entregue o prémio Nobel. É um texto que resume bem a sua concepção do ofício de escritor; Este não pode hoje pôr-se ao serviço daqueles que fazem a história; tem antes de servir aqueles que a sofrem.

Em 1959 Camus começa a redacção de O Primeiro Homem, obra que permanecerá inacabada em virtude do seu abrupto falecimento.
O Avesso e Direito é um livro pequeno, mas não é de fácil leitura o que, neste caso, funciona como um enorme elogio! Tem só cento e nove páginas, contando com vinte de prefácio. E torna-se incrível perceber como é possível que Camus tenha escrito esta obra só com vinte e dois anos. O livro contém cinco ensaios literários, onde o autor se ocupa de sua maior obsessão, o estudo da condição humana. Assim, fala sobre a solidão, a ausência de Deus, o amor, a morteo absurdo da condição humana.

O primeiro ensaio literário da obra intitula-se A Ironia. É uma reflexão sobre a morte e o abandono, onde o autor fala ao mesmo tempo da juventude e da velhice. Uma mulher velha e carente, que clama pela atenção de seus próximos, é trocada por uma sessão de cinema e um velho convive com jovens, vivendo a ilusão de que recuperará a juventude perdida com eles.

Entre o Sim e o Não é um ensaio de raízes autobiográficas no qual Camus volta à sua infância e fala sobre a necessidade da simplicidade. Entre a solidão e o passado, é necessário um desapego: Num certo grau de despojamento, nada mais leva a mais nada, nem a esperança nem o desespero parecem justos, e a vida inteira resume-se a uma imagem. Camus defende que se viva com realismo e sinceridade e se os homens tornam o mundo difícil, é nossa missão restaurar a sua simplicidade original.

Em a Morte na Alma o autor trata do tema do exílio e da solidão da viagem. Em Praga, entregue a momentos de tédio e de rotina, Camus pondera sobre o sentimento de distância e as saudades de casa. Como viver, como encontrar paz, quando tudo o que há são rostos estranhos e placas cujo significado se desconhece?

Amor pela Vida também fala sobre viagens, mas de um ponto de vista mais estético. Camus fala de esculturas, de claustros góticos, do verde da tarde e de colinas que deslizam para o mar. Há um certo amor perdido em tudo isso; o amor que habita na arte e que também se pode encontrar na natureza. Depende da disposição da alma ser capaz de encontrá-lo, desvendá-lo e alcançá-lo.

Por fim, o ensaio que dá nome à obra. O Avesso e o Direito fala sobre uma mulher que se apega de tal modo ao seu próprio túmulo que acaba por morrer aos olhos do mundo. Nada mais comum; vivemos numa sociedade de mortos que, por orgulho ou egocentrismo, são incapazes de desviar os olhos de si mesmos para contemplar a vida. A vida é curta, e é um pecado perder tempo, diz CamusO que conta é ser humano e simples. E acrescenta: Não há amor de viver sem desespero de viver. Que assim seja!

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publicado por stipe07 às 15:29

Siddhartha - Hermann Hesse

Domingo, 02.01.11
Siddhartha é um romance maravilhoso, editado em Portugal pela CASA DAS LETRAS, em 2008 e que conta a história de um homem que nasceu na Índia, no século VI a.C., filho de um brâmane.
Siddhartha passa a infância e a juventude gozando uma existência calma e contemplativa. A certa altura parte em peregrinação pelo seu país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra, trocando o conforto do lar pela busca de si mesmo. Na sua longa viagem existencial, Siddhartha experimenta um pouco de tudo, desde os intensos prazeres às privações extremas, terminando por descobrir um caminho que o liberta dos apelos dos sentidos e o leva até uma paz interior. Nesse longo caminho as dificuldades exteriores não são o problema maior para Siddhartha, mas as dificuldades interiores e a difícil tarefa de se mudar a si mesmo, em termos de ideias, opiniões e preconceitos.
Este livro descreve sensações e impressões como raramente se lê noutras obras. Lê-lo é deixar-se fluir como o rio onde Siddhartha aprende que o importante é saber escutar com perfeição, sendo o livro uma lição de vida que ultrapassa tempos e culturas. Por isso, vale a pena lê-lo e viajar também pelas páginas desta obra, tal como eu fiz. Recomendo vivamente a sua leitura!
O autor, Hermann Hesse, é alemão (1877-1962) e venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1946, tornando-se um escritor de culto. Passou pela Índia em 1910 o que influenciou decisivamente a temática da sua escrita. Este livro, escrito em 1922, é considerado a sua obra-prima, sendo a sua obra mais lida em todo o mundo.

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publicado por stipe07 às 22:52

Cinco Quartos de Laranja - Joanne Harris.

Segunda-feira, 21.12.09

Deixo mais uma sugestão de leitura, Cinco Quartos de Laranja, de Joanne Harris, autora do conhecido romance Chocolate.

A história gira em torno de Framboise; No Outono da sua vida esta mulher regressa à pequena cidade onde nasceu, Les Laveuses, próximo de Angers, na província francesa. Aí, na quinta onde cresceu e que era da sua família, abre um restaurante que rapidamente se torna famoso graças às receitas de um velho caderno que pertencera à sua mãe.

No entanto não se trata apenas de um simples caderno de receitas culinárias; Ele contém também anotações sobre os momentos mais importantes da vida da família de Framboise, o que a faz recordar os sabores e os sentimentos da sua infância numa França marcada pela dor da ocupação nazi e por um enorme clima de desconfiança entre todos, devido à inevitável convivência com as forças de ocupação. E, acima de tudo, faz-lhe recordar um episódio que marcou a vida da sua família e constituiu para ela a perda definitiva da sua inocência.

Assim, à medida que vai lendo aquele velho livro, Framboise vai abrindo uma espécie de caixa de Pandora, de onde vão saindo os segredos da sua relação difícil com a mãe, doente e dependente de drogas, que ela aprendera a manipular de uma forma bastante curiosa.

Para tornar ainda mais interessante a história, as recordações vão sendo intercaladas por alguns problemas actuais que a protagonista enfrenta nesta nova etapa da sua vida e que são consequência daqueles tempos. No entanto, ela vai poder contar com um improvável amigo de infância, que também a vai ajudar a ser finalmente feliz!

Achei Cinco Quartos de Laranja uma história muito bonita e comovente! A escrita de Joanne Harris permitiu-me visualizar, sentir e cheirar o universo mágico da França campestre. Aromas, sabores, paisagens, um rio (Loire), os seus peixes e as suas correntes, acabam também por ser personagens do livro. Reparei também num detalhe delicioso; Algumas personagens têm nomes de frutos: Framboise, Reine-Claude, Cassis, Pistache, Prune… 

É um livro cheio de apelos ao paladar e para quem, como eu, gosta de cozinhar (apesar de não o fazer há imenso tempo!!), dá logo vontade de ir para a cozinha preparar toda a espécie de iguarias!

 

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publicado por stipe07 às 22:04

A Rapariga Que Roubava Livros

Sábado, 05.12.09

Quero escrever sobre um livro que li mas nem sei como ou por onde começar...

Senti-me muito tocado pelas suas palavras, por um livro que fala de palavras e como elas salvaram a vida de uma inocente menina, entretanto feita mulher, no coração da Alemanha Nazi, numa localidade chamada Molching, nos subúrbios de Munique, em plena II Guerra Mundial. Uma menina que ia recuperando tudo o que perdia roubando livros, numa época em que as palavras podiam ter o poder de destruir ou de salvar.

Quando a Morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. E neste livro a Morte assume o papel de narrador, fala com o leitor, interpela-o directamente, além de, naquela época, estar em todo o lado, tendo uma função muito activa na recolha das almas vítimas do conflito.

E é por esta altura que a Morte se cruza pela primeira vez com Liesel, a tal menina de nove anos de idade, no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, O Manual do Coveiro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida e dar sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler! Será com a ajuda do seu pai adoptivo, Hans, um perfeito intérprete de acordeão, que aprenderá a percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. O seu fiel amigo Rudy, a minha personagem preferida (um rapaz que ansiava por um beijo de Liesel, além de gostar de se pintar de negro, com carvão, para imitar o campeão olímpico em Munique 1936, Jesse Owens, apesar de fazer parte da Juventude Hitleriana) estará sempre ao seu lado, nos roubos e nos encontros com a Morte.

Já me considero alguém suficientemente capaz de recomendar um bom disco, ciente de que essa audição poderá transformar a nossa vida, nem que por um instante. Mas ainda não me acho na presunção de poder recomendar um bom livro, usando como argumento o facto de que poderá sobressair no universo literário existente. No entanto, A Rapariga Que Roubava Livros, romance do escritor australiano Markuz Zusak e publicado em 2006 é, quanto a mim, um livro que deveria ser lido obrigatoriamente por todos aqueles que acreditam na vida e que temem a narradora da história.

É um livro extraordinário, que me marcou e com o qual aprendi bastante! Prima pela originalidade, deu-me um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e, acima de tudo, fez renascer em mim o amor que sempre senti pela literatura!

 

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publicado por stipe07 às 14:21






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