Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

O Fio Do Tempo de João Paulo Oliveira e Costa

Acabei de ler na semana passada um livro muito interessante e que me fez viajar no tempo da nossa História. O livro chama-se O Fio do Tempo e foi escrito por João Paulo Oliveira e Costa.  

Nunca tinha lido nada deste autor, mas fiquei deveras impressionado com a sua escrita de fácil acesso e bem elaborada, sem aqueles rococós típicos deste género de escrita, mas também sem ser pobre de descrições. Predominam as analepses e as prolepses, viagens incessantes pelo fio do tempo, o que eu achei muito engraçado porque exercitava a nossa mente sem nos cansarmos muito.

O Romance fala de D. Álvaro de Ataíde, um cavaleiro da Casa Real de Viseu, defensor do Reino de Portugal, grande lutador, amigo e amante, um homem lenda do seu tempo, figura nacional que todos os cavaleiros queriam igualar e até mesmo derrotar. O livro é ficcional, mas o autor preocupou-se em investigar bem as nossas raízes, todo o aparato que rodeavam as descobertas marítimas, as intrigas palacianas, os atentados aos reis de Portugal e toda aquela emoção que havia aquando dos duelos a cavalo.

Aconselho vivamente este livro, até porque talvez faça pensar duas vezes todos aqueles que dizem à boca cheia que este país é, sempre foi e sempre será um mau país. Fica a sinopse...

Um espião inglês roubou as cartas de marear. Vasco de Melo, amigo íntimo de D. Manuel I, persegue os culpados. E não olha a meios para agradar ao rei. Chegam novas de Pêro Vaz de Caminha, e morre um dos mais antigos cavaleiros do reino. Seguindo as memórias deste cavaleiro medieval que serviu dois reis, João Paulo Oliveira e Costa escreve um fabuloso romance histórico a fazer-nos viajar até à Lisboa medieval.

O séc. XV português pelo olhar de um homem com mais de cem anos... D. Álvaro de Ataíde é o narrador deste segundo romance do autor.

Optando pelo registo de memória do cavaleiro que serve sobre o reinado de D. Afonso V e D. Manuel I, em «O Fio de Areia» sentimos o país voltado para fora, ouvimos o lamento dos negros nas ruas, o burburinho de uma cidade onde tudo se vende e compra. Depois de «O Império dos Pardais», o historiador português leva à ficção um tempo de mudança e de grande riqueza humana. Partindo do olhar de um homem que assistiu já a dois reinados, conta os meandros do poder e da espionagem que envolviam a casa real portuguesa e as casas reais europeias. Um registo simultaneamente intimista e empolgante – a fazer-nos seguir no encalço do roubo das importantes cartas de marear da Casa da Mina. Especialista nos Descobrimentos e na Expansão Portuguesa, director do Centro de História de Além-Mar, o autor leva à ficção o seu conhecimento ao mesmo tempo que ousa (pela ficção, repita-se) ir mais longe no retrato do Portugal de então.


autor stipe07 às 21:23
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

Naguib Mahfouz - Khan al-Khalili

A Civilização lançou em Abril um livro que é mais uma obra do escritor egípcio Naguib Mahfouz; O livro chama-se Khan al-Khalili e tem, como é costume na obra do Nobel de 1988, o Cairo como cenário. Este autor modernizou a literatura árabe, sendo considerado um dos seus maiores vultos. O New York Times descreveu-o como o Balzac de Egipto. Descobri que publicou 34 romances, mais de 350 contos, dezenas de argumentos cinematográficos e cinco peças ao longo de uma carreira de mais de 70 anos. Viveu com a mulher e as duas filhas na sua cidade natal até falecer, em 2006.

Não o conhecia e fiquei deslumbrado com a sua escrita; Khan al-Khalili é um relato fascinante de uma família obrigada pela proximidade da guerra a procurar uma nova casa e a estabelecer uma nova teia de relações, nem sempre fáceis de entender por quem não conhece a realidade do Islão, uma religião com uma conotação actual que nem sempre corresponde aos pilares que a definem. À medida que Ahmad, a personagem principal da trama, interage com os habitantes do novo bairro, surge um debate que opõe velho e novo, histórico e moderno, religioso e laico. E Mahfouz questiona se, como as bombas alemãs que ameaçam Khan al-Khalili diariamente, o progresso tem necessariamente de ser acompanhado pela destruição do passado. Fica a sinopse;

Estamos em 1942, a II Guerra Mundial está no auge e a Campanha na África assola a costa norte do Egipto até al-Alamein. Tendo por pano de fundo este conflito internacional, o romance acompanha a história dos Akif, uma família da classe média que se refugia em Khan al-Khalili, o histórico e fervilhante bairro do Cairo. Acreditando que as forças alemãs nunca bombardearão uma parte religiosa tão famosa da cidade, esperam ficar em segurança entre as vielas apinhadas, os cafés animados e as mesquitas antigas. Pelos olhos de Ahmad, o filho mais velho da família Akif, Naguib Mahfouz dá-nos uma visão complexa de Khan al-Khalili.


autor stipe07 às 22:10
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Sábado, 9 de Abril de 2011

Sugestões de Leitura...

O Segredo de D. Afonso III e Vento Suão são dois livros lançados recentemente e que sugiro...

 

O Segredo de D. Afonso III é o novo livro de Maria Antonieta Costa e foi lançado no mercado no início deste mês pelo Clube do Autor.

A descoberta de um pergaminho é o ponto de partida para uma teia perigosa de crimes e sombras de um reinado que envolve uma concubina, um escravo, um físico, o único Papa português e o destino de duas mulheres de tempos diferentes. Sinopse;
Em Lisboa, na segunda metade do séc.XIII, no Paço Real de Xabregas, o rei Afonso III morre em delírio mencionando um segredo. Entre o funeral régio e a coroação do jovem D.Dinis, seguem-se outras duas mortes misteriosas. Madragana Bem Bekar, a bela concubina real, odiada pela rainha e por um dos físicos da corte, com fama de alquimista, conjetura sobre as estranhas ocorrências e enquanto pondera sobre a verdadeira razão da sua condição e o seu possivel destino, convence um monge do Convento de S.Vicente de Fora a redigir a história da sua vida. O pergaminho, perdido durante séculos, é finalmente encontrado por Eunice Bacelar, investigadora, e interpreta uma enigmática mensagem nela contida, descobrindo um escândalo sexual e a verdadeira razão da morte do único Papa português, João XXI. Ao mesmo tempo encontra, neste caminho, o grande amor da sua vida.

 

 

Quando faleceu, a 2 de fevereiro de 2010, Rosa Lobato de Faria deixou inacabado este Vento Suão. Pôs-se então a hipótese de pedir a um autor das suas relações que imaginasse um desenvolvimento para a história que a morte não deixara chegar ao fim e terminasse o livro inacabado. Depressa se concluiu, no entanto, que tal não era a melhor solução, porque não se tinha a certeza de que a autora aprovasse essa inclusão de uma voz alheia no interior do seu próprio fluir narrativo e porque, apesar de inacabado, o romance tinha o desenvolvimento suficiente para se deixar ler como um todo com sentido.

Foi então editado Vento Suão pela Porto Editora tal e qual como Rosa Lobato de Faria o deixou. E como derradeira homenagem a uma escritora cuja obra teve como eixos fundamentais a força da vida, o conhecimento profundo da realidade e do meio em que se agitam os seus fantoches ficcionais, o domínio das minúcias, o fôlego narrativo, a irrupção imparável de um vento negro de violência que impõe uma aura de tragédia intemporal ao que parece quase inócuo.


autor stipe07 às 17:29
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Domingo, 6 de Março de 2011

Lego recria Escritores Famosos.

Agora a Lego recriou alguns dos mais importantes e conhecidos autores da história da literatura...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


autor stipe07 às 17:23
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

O Último Comboio de Hiroxima – Os Sobreviventes Olham para Trás

Foi lançado no passado dia 9 de fevereiro no nosso mercado livreiro O Último Comboio de Hiroxima, livro de Charles Pellegrino, autor de obras de relevo, entre as quais a obra que deu origem ao filme Titanic.

Consta que este livro é um relato preciso e emocionante do que se passou, não só em Hiroxima mas também em Nagasaki, logo após as explosões nucleares que todos infelizmente conhecemos. A narrativa também surpreende por questionar a versão oficial dos factos, tentando mostrar o que realmente aconteceu. Fica a sinopse;

 

Através das vozes dos sobreviventes e da nova ciência da arqueologia forense, o autor descreve os acontecimentos e as consequências das explosões nucleares que devastaram o Japão e mudaram, para sempre a vida na Terra.
No centro da narrativa estão os testemunhos dos que sobreviveram a esta experiência dramática; os civis japoneses em terra e os pilotos americanos no ar. Pellegrino conta com o relato dramático de Tsutomu Yamaguchi, a única pessoa a sobreviver às duas bombas. O Último Comboio de Hiroxima oferece-nos uma espécie de cápsula do tempo, fazendo-nos sentir como se estivéssemos mesmo lá.

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autor stipe07 às 22:59
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Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Os Demónios de Berlim

 

Descobri mais um livro que despertou a minha curiosidade e que me parece uma excelente proposta de leitura para quem se interessa pela história mundial contemporânea, nomeadamente a II Guerra Mundial.

O livro chama-se Os Demónios de Berlim, o autor é Ignacio del Valle e estará disponível no nosso mercado a 27 de Janeiro, pela Porto Editora.
O autor é considerado uma das novas vozes de Espanha e este romance encerra uma trilogia da qual fazem ainda parte O Tempo dos Imperadores Estranhos e A Arte de Matar Dragões, embora possa ser lido, segundo o que descobri, de forma independente.

 Em Os Demónios de Berlim, Ignacio del Valle apresentará, pelo que afiança a crítica especializada, uma perspectiva muito própria e bem fundamentada sobre os motivos que levaram à derrota nazi na Segunda Grande Guerra. Fica a sinopse;

 

Berlim, 1945. Os soviéticos avançam, imparáveis, pelas ruas repletas de escombros. Em toda a cidade a luta é violenta, e a derrota alemã está iminente. Arturo Andrade está no meio de todo aquele caos. A sua missão: localizar Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na chancelaria do Reich com um misterioso bilhete nos bolsos.
Começa assim este thriller escrito com paixão e rigor documental que, com um ritmo que não dá tréguas ao leitor, nos aproxima de uma personagem que deverá enfrentar múltiplos demónios, os alheios e os seus próprios, para salvar a única coisa que parece escapar a este contexto atroz: o amor de uma mulher.

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autor stipe07 às 16:45
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Os Últimos Cruzados - Barnaby Rogerson

A Editora Civilização acaba de publicar Os Últimos Cruzados, de Barnaby Rogerson, uma narrativa histórica cujo título me suscitou imediata curiosidade e me levou a pesquisar...

Assim, descobri que o livro resulta de uma investigação abrangente e minuciosa e que se destaca de outras histórias das Cruzadas por apresentar não só a perspectiva dos Cristãos, como também a dos Muçulmanos. A narrativa percorre os 150 anos de História que abarcam o último grande conflito entre o Oriente e o Ocidente, ou seja, entre o Império Otomano e os últimos reis-Cruzados da Cristandade, nos séculos XV e XVI. O papel de Portugal e a consequente perda de independência nessas últimas Cruzadas não escapam à lupa do autor. Fica a sinopse;

 

Os Últimos Cruzados é uma narrativa extremamente rica e cativante que começa a sua viagem pela história de Portugal no início da expansão marítima, com a conquista de Ceuta. Fala da carnificina de Lepanto, das conquistas de Don Juan, da construção de uma pirâmide de caveiras espanholas por Dragut, em Jerba, da utilização de exemplares do Alcorão pelos Espanhóis para melhor acomodarem os seus cavalos nos estábulos, da vida dos escravos a bordo das galés, bem como do fabrico da pólvora e da fundição de canhões e do ouro.
Fala também do último grande conflito entre o Oriente e o Ocidente, do confronto titânico – nos séculos XV e XVI – entre o Cristianismo liderado pela casa de Habsburgo e o Império Otomano. E, embora se concentre nas grandes campanhas navais e na luta feroz pelo domínio da costa norte-africana, recria o conflito que, de certa forma, equivaleu à primeira guerra mundial. Afinal, o conflito espalhou-se pelas rotas mercantis do Atlântico, do Mar Vermelho, do Golfo Pérsico e do deserto do Sara. Havia mesmo um plano para levar a guerra até às Caraíbas. Consumiu nações e culturas, destruiu dinastias, arruinou cidades e reduziu a população das províncias. No entanto, as fronteiras por que lutou permanecem até aos dias de hoje: são linhas divisórias entre nações, línguas e religiões.

 

Barnaby Rogerson é co-editor da Eland Books e publicou alguns clássicos da literatura de viagens. Escreveu vários livros e guias, incluindo O Profeta Maomé: Uma Biografia, Cadogan Guide to Morocco e A History of North África. Também publicou colecções de literatura de viagens e poesia, como Meetings with Remarkable Muslims, Desert Air e Marrakech e The Red City. Participou ainda na elaboração do guia American Express Istambul, publicado também pela Civilização Editora (Não descobri originais em língua portuguesa para as obras com o título original).

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autor stipe07 às 21:24
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Albert Camus - O Avesso e o Direito.

Albert Camus, escritor e filósofo, nasceu em Mondovi, na Argélia a 7 de Novembro de 1913 e faleceu subitamente em Villeblevin, França a 4 de Janeiro de 1960, num acidente de viação. Escreveu O Avesso e o Direito quando tinha 22 anos, livro que acabei há poucos dias de ler.

Em 1957 Camus obtém o Prémio Nobel da Literatura e um ano mais tarde são publicados Os Discursos da Suécia e reeditado o O Avesso e o DireitoA edição que li e que foi uma bela prenda de Natal, junta estas duas obras, ou seja, inclui também o Discurso que Camus proferiu em Dezembro de 1957, em Estocolmo, durante a cerimónia em que lhe foi entregue o prémio Nobel. É um texto que resume bem a sua concepção do ofício de escritor; Este não pode hoje pôr-se ao serviço daqueles que fazem a história; tem antes de servir aqueles que a sofrem.

Em 1959 Camus começa a redacção de O Primeiro Homem, obra que permanecerá inacabada em virtude do seu abrupto falecimento.
O Avesso e Direito é um livro pequeno, mas não é de fácil leitura o que, neste caso, funciona como um enorme elogio! Tem só cento e nove páginas, contando com vinte de prefácio. E torna-se incrível perceber como é possível que Camus tenha escrito esta obra só com vinte e dois anos. O livro contém cinco ensaios literários, onde o autor se ocupa de sua maior obsessão, o estudo da condição humana. Assim, fala sobre a solidão, a ausência de Deus, o amor, a morteo absurdo da condição humana.

O primeiro ensaio literário da obra intitula-se A Ironia. É uma reflexão sobre a morte e o abandono, onde o autor fala ao mesmo tempo da juventude e da velhice. Uma mulher velha e carente, que clama pela atenção de seus próximos, é trocada por uma sessão de cinema e um velho convive com jovens, vivendo a ilusão de que recuperará a juventude perdida com eles.

Entre o Sim e o Não é um ensaio de raízes autobiográficas no qual Camus volta à sua infância e fala sobre a necessidade da simplicidade. Entre a solidão e o passado, é necessário um desapego: Num certo grau de despojamento, nada mais leva a mais nada, nem a esperança nem o desespero parecem justos, e a vida inteira resume-se a uma imagem. Camus defende que se viva com realismo e sinceridade e se os homens tornam o mundo difícil, é nossa missão restaurar a sua simplicidade original.

Em a Morte na Alma o autor trata do tema do exílio e da solidão da viagem. Em Praga, entregue a momentos de tédio e de rotina, Camus pondera sobre o sentimento de distância e as saudades de casa. Como viver, como encontrar paz, quando tudo o que há são rostos estranhos e placas cujo significado se desconhece?

Amor pela Vida também fala sobre viagens, mas de um ponto de vista mais estético. Camus fala de esculturas, de claustros góticos, do verde da tarde e de colinas que deslizam para o mar. Há um certo amor perdido em tudo isso; o amor que habita na arte e que também se pode encontrar na natureza. Depende da disposição da alma ser capaz de encontrá-lo, desvendá-lo e alcançá-lo.

Por fim, o ensaio que dá nome à obra. O Avesso e o Direito fala sobre uma mulher que se apega de tal modo ao seu próprio túmulo que acaba por morrer aos olhos do mundo. Nada mais comum; vivemos numa sociedade de mortos que, por orgulho ou egocentrismo, são incapazes de desviar os olhos de si mesmos para contemplar a vida. A vida é curta, e é um pecado perder tempo, diz CamusO que conta é ser humano e simples. E acrescenta: Não há amor de viver sem desespero de viver. Que assim seja!


autor stipe07 às 15:29
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011

Siddhartha - Hermann Hesse

Siddhartha é um romance maravilhoso, editado em Portugal pela CASA DAS LETRAS, em 2008 e que conta a história de um homem que nasceu na Índia, no século VI a.C., filho de um brâmane.
Siddhartha passa a infância e a juventude gozando uma existência calma e contemplativa. A certa altura parte em peregrinação pelo seu país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra, trocando o conforto do lar pela busca de si mesmo. Na sua longa viagem existencial, Siddhartha experimenta um pouco de tudo, desde os intensos prazeres às privações extremas, terminando por descobrir um caminho que o liberta dos apelos dos sentidos e o leva até uma paz interior. Nesse longo caminho as dificuldades exteriores não são o problema maior para Siddhartha, mas as dificuldades interiores e a difícil tarefa de se mudar a si mesmo, em termos de ideias, opiniões e preconceitos.
Este livro descreve sensações e impressões como raramente se lê noutras obras. Lê-lo é deixar-se fluir como o rio onde Siddhartha aprende que o importante é saber escutar com perfeição, sendo o livro uma lição de vida que ultrapassa tempos e culturas. Por isso, vale a pena lê-lo e viajar também pelas páginas desta obra, tal como eu fiz. Recomendo vivamente a sua leitura!
O autor, Hermann Hesse, é alemão (1877-1962) e venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1946, tornando-se um escritor de culto. Passou pela Índia em 1910 o que influenciou decisivamente a temática da sua escrita. Este livro, escrito em 1922, é considerado a sua obra-prima, sendo a sua obra mais lida em todo o mundo.

autor stipe07 às 22:52
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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Jan Karsky - O Herói Que Tentou Travar O Holocausto

 

Deixo como nova sugestão de Natal e de leitura um livro que descobri há poucos dias mas já está à venda em Portugal desde o dia 8 de Outubro. Lançado pela Teorema, a obra chama-se Jan Karsky - O Herói que tentou travar o Holocausto, um romance-ensaio sobre um católico polaco que tentou alertar, sem sucesso, os aliados para o extermínio judeu e se encontrou com o presidente Roosevelt em 1944. Fica a sinopse;

 

Varsóvia, 1942. A Polónia foi devastada pelos nazis e pelos soviéticos. Jan Karski é um mensageiro da Resistência polaca junto do Governo no exílio, em Londres. Encontra dois homens que o conseguem introduzir clandestinamente no gueto de Varsóvia, para que ele possa dizer aos Aliados o que viu e preveni-los de que os judeus da Europa estão a ser exterminados. Jan Karski atravessa a Europa em guerra, alerta os ingleses, e tem um encontro com o Presidente Roosevelt na América. Trinta e cinco anos mais tarde, Karski conta a sua missão nessa época em SHOAH, o grande filme de Claude Lanzmann. Impõe-se a terrível pergunta: Porque é que os Aliados permitiram o extermínio dos judeus da Europa? Este livro, que combina os meios do documentário com os da ficção, conta a vida desse aventureiro que foi também um Justo.

 

Escrever um livro para lembrar karksi

 

No passado sábado, o Diário de Notícias publicou uma entrevista com Yannick Haenel, nascido em Rennes, em 1967 e o autor do livro, que assumiu ter ficado profundamente tocado pela imagem  do homem que tentou alertar o Ocidente para o extermínio dos judeus e pelo silêncio que obteve como resposta. Daí o livro: para lhe render homenagem, repetir-lhe o nome. Podes ler AQUI, na íntegra, essa entrevista.

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autor stipe07 às 16:46
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Rainhas Medievais de Portugal

 

Foi apresentado hoje na Livraria CEBuchholz, às 18h30, o livro Rainhas Medievais de Portugal, uma obra original e única, lançada pela Esfera dos Livros. Nela, a historiadora Ana Maria Rodrigues Oliveira dá-nos a conhecer algumas mulheres que deixaram marcas no imaginário dos portugueses e que nos permitem viajar por quatro séculos de um dos períodos mais fascinantes da História de Portugal e o meu preferido.

Entre outras, são retratadas D. Teresa de Leão e Castela que, embora filha e mãe de Rei, foi casada com um conde e um condado governou, D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa, D. Inês de Castro, falecida antes da entronização do seu amado D. Pedro I, D. Filipa de Lencastre, mãe da ínclita geração e finalmente D. Leonor, mulher do Rei D. João II, traçando o retrato das 17 rainhas medievais de Portugal.
Numa época díficil de estudar por falta de fontes, onde os silêncios e as omissões eram frequentes e em que as mulheres, mesmo sendo rainhas, eram vistas em função dos seus maridos, os reis, Ana Oliveira fez uma pesquisa exaustiva e uma investigação rigorosa, conseguindo escrever as biografias destas mulheres, desvendando o seu papel, a sua acção, o seu sentir e a sua voz no fluir dos acontecimentos da família, da sua corte e dos seus reinos de nascimento e de casamento.
Deve ser um livro interessantíssimo para quem, como eu, gosta e quer saber mais sobre o nosso passado e a fundação do nosso País.

Pesquisei sobre a autora e descobri que Ana Maria Rodrigues Oliveira é professora de História, com especialização na área de História Cultural e das Mentalidades. Doutorou-se em 2004 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Tem desenvolvido estudos nas áreas da mulher e da criança e participado em vários congressos e seminários. É co-autora de manuais escolares para o ensino da História e membro do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. 


autor stipe07 às 21:45
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Eva Braun & Gorillaz

Deixo como outra sugestão de prenda de Natal e de leitura um livro já descrito como arrebatador, campeão de vendas em França e que está traduzido em inúmeros países. Será lançado em Portugal, na próxima terça-feira, dia 14 de Dezembro, pela Arcadia e intitula-se Os Diários Secretos de Eva Braun.

Eva Braun tinha 17 anos quando em 1929 conheceu Hitler em Munique. Companheira sentimental do ditador, tem sido tratada pela história como uma figura pouco relevante do Terceiro Reich mas, para alguns historiadores, ela era tudo menos uma ruiva tonta ou a dócil e submissa mulher retratada em alguns documentários e livros e que se suicidou aos 33 anos, com o seu marido, no dia 30 de Abril de 1945.

A escritora francesa Simone-Bernard Dupré, advogada e presidente da AICS (Association Internationale pour la Communication des Savoirs), conseguiu aceder a alguns documentos secretos e manuscritos pela própria Eva, com os quais elaborou esta obra de grande relevância histórica para quem, como eu, se interessa por um dos períodos mais negros da história da humanidade e quer saber mais sobre os protagonistas. Simone tem outros livros publicados de relevo, dos quais se destacam Nuits de Lumière (1999) e Baisse les Yeux (2004), vencedor do Prémio Méditerranée e Mélopée africaine (2005).
Fica a sinopse;
Por trás de um grande líder existe sempre uma grande mulher. Eva Braun foi durante muitos anos a companheira de Adolf Hitler e, por um dia, sua esposa. Através de Os Diários Secretos de Eva Braun, que chega agora até nós, entramos na intimidade daquela que acompanhou a ascensão e a queda do Terceiro Reich, marcado pelo Holocausto. O sofrimento, paixão, loucura, dúvida, vividas e descritas por Eva, não deixam ninguém indiferente.
Falando agora de música...
No dia 16 de Novembro tinha referido AQUI que os Gorillaz estavam já a gravar o sucessor de Plastic Beach, num iPad da Apple e que contavam revelá-lo ao mundo ainda antes do natal! Também divulguei o primeiro single desse disco, Doncomatic (All Played Out), que conta com a participação do cantor britânico Daley. Hoje esta banda virtual confirmou que vai disponibilizar o disco para download gratuito, no dia de Natal, em Gorillaz.com.
Quem revelou esta informação tão importante e inesperada foi Jamie Hewlett, companheiro de Damon Albarn neste projecto, em declarações ao jornal australiano Perth Now: On Christmas Eve a video for one of the new songs from the iPad album will be released. Then on Christmas Day fans get the whole album downloaded to their computer for free as a gift.
É uma excelente prenda para todos os fãs da banda, onde me incluo, até porque são cada vez mais consistentes os rumores de que este projecto poderá estar no fim. A digressão de promoção de Plastic Beach tem sido um sucesso, mas obriga a uma tremenda logística, principalmente devido à dificuldade em acertar datas onde todos os ilustres convidados do disco possam estar presentes. E Damon faz sempre questão que os concertos dos Gorillaz reproduzam fielmente as músicas, que perdem significado se não forem interpretadas pelos actores das mesmas, para que não se perca o conceito da banda.
A par dos Radiohead, ainda tenho esperança de os conseguir ver ao vivo...

autor stipe07 às 21:47
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Dez Mil Guitarras

 

A Porto Editora lançou a 23 de Setembro um novo romance histórico da francesa Catherine Clément, que escolheu para protagonista o rei português D. Sebastião e que poderá ser mais uma excelente sugestão de Natal, em especial para todos aqueles que como eu, adoram História. Dez Mil Guitarras é o título do livro que sugiro hoje, tendo a autora ganho inspiraçao para o mesmo após uma visita a Portugal, onde tomou conhecimento do misticismo que envolve D. Sebastião, o Desejado. Fiquei bastante curioso acerca do livro, investiguei e descobri o seguinte;

O livro divide-se em três partes. A primeira é dedicada ao rei de Portugal, que desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, a segunda ao Imperador austríaco Rodolfo II do Santo Império Romano-Germânico e a terceira à Rainha Cristina da Suécia. O principal narrador é um rinoceronte que vai contar toda a história, numa espécie de monólogo. Também D. Sebastião aparece, intermitentemente, como narrador, nas 2.ª e 3.ª partes da obra.

A autora empresta uma enorme veracidade histórica à obra e mostra-se bem documentada sobre os acontecimentos que tiveram lugar na época. O maior aspecto ficcional da obra é D. Sebastião viver até aos cem anos, deformado em consequência da batalha, casado com uma princesa muçulmana e pai de uma numerosa prole, oculto nas terras de Marrocos. Mas sem a efabulação, o que seria dos romances?

A autora retrata pois uma Europa em mutação, a violência das guerras religiosas e o fanatismo das mesmas, a loucura alquimista do Imperador da Áustria, a rebelião da jovem e bárbara Rainha da Suécia e a sua paixão por Descartes.

Destaco também a capa do livro, que reproduz um desenho da época do famoso rinoceronte, trazido da Índia, para diversão dos soberanos ocidentais acima referidos.

Catherine Clément nasceu em 1939, em Paris, é formada em Filosofia e Antroplogia e autora de obras como A Senhora, Por Amor da Índia, A Valsa Inacabada, A Rameira do Diabo, As Novas Bacantes, A Viagem de Théo e o Último Encontro, já editadas entre nós.


autor stipe07 às 22:00
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

The Xfm Top 1000 Songs.

The Xfm Top 1000 Songs of All Time

 

Foi lançado no dia oito deste mês, pela Elliott & Thompson Limited, o livro The Xfm Top 1000 Songs. Como o próprio nome indica, trata-se de uma lista daquelas que são supostamente as melhores 1000 canções da história da música e que tem por base os votos dos ouvintes da rádio Xfm London 104.9 no último par de anos.

Escrito pela equipa da Xfm e vários jornalistas com vasta experiência no campo musical e artístico, aborda algumas histórias escondidas e os motivos de inspiração das músicas abordadas, contendo também variado e interessantíssimo trabalho gráfico e artístico relacionado com essas canções.

No livro, poderás descobrir a música que levou os Blur definitivamente à fortuna, ou qual a canção dos Franz Ferdinand que é hoje considerada a melhor canção escocesa de sempre! São revelados também alguns pseudónimos de vários produtores famosos, mas que quiseram manter o anonimato em certos discos. A obra também inclui entrevistas com elementos dos Franz Ferdinand, Doves, Elbow, Manic Street Preachers, Slash, Kings Of Leon, Editors, Kelly Jones e outros.

É possível ler uma preview do livro, onde poderás observar várias páginas do mesmo e conferir o respectivo formato e aspecto gráfico interior, clicando aqui. Infelizmente ainda não descobri se o livro terá alguma tradução para a língua portuguesa. Podes conferir nos links que se seguem as 1000 canções incluídas no livro, com a ordem alfabética a referir-se a artistas e bandas; Já espreitei e parece-me ser uma lista bastante consistente, além de abarcar praticamente todos os estilos musicais. E AQUI podes ouvir todas as canções.

 

 

Contains some of the greatest stories behind some of the greatest songs.
Serge Pizzorno, Kasabian

  

To have as many tracks in this book as we have is a great honour, I’m over the moon! It’s funny, when we were young we would have scoffed, but at my age... I’m as happy as a sand boy!
Peter Hook, Joy Division / New Order

  

It is a massive thrill to be part of this book and to sit alongside so many great songs.  

Nicky Wire, Manic Street Preachers  

 

This is a great book for all music lovers.
Mani, The Stone Roses / Primal Scream

 

Sinopse;

End all those pub arguments about music with The Xfm Top 1000 Songs Of All Time, the definitive guide to the best tunes ever recorded. Collated from the annual 'Top 1000 Songs of All Time' listener poll, the most requested songs on the 'X-list' and suggestions from radio DJs and celebrity guests, The Xfm Top 1000 Songs covers all our best-loved tracks. Each entry contains a short explanation of why the song in question is so brilliant, features band trivia and chart stats and is accompanied with full-colour band photography and cover artwork throughout. User-friendly, accessible and up-to-the-minute, The Xfm Top 1000 Songs is a musical must-read, whether you're in need of inspiration for a party playlist, on the lookout for new music or you simply want to revamp your iPod.


autor stipe07 às 22:10
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Vasco das Forças

 

O termo bullying, traduzido do inglês, compreende as múltiplas formas de violência física e psicológica intencionais e repetidas, praticadas entre pares, por um individuo (bully), ou um grupo (bullies), que ocorrem sem motivação evidente, causando sofrimento profundo às vítimas e executadas no contexto de uma relação desigual de poder.
É desta relação desigual que fala Maria de Menezes no livro Vasco das Forças, editado em 2009.

A obra retrata as aventuras do menino Vasco que, ao ser confrontado com colegas mais velhos, mais altos e mais fortes, que um dia o começaram a agredir e maltratar, deixou de gostar de ir para a escola.
Com o desenrolar da história, o Vasco reencontrou-se e ajudou os outros a mudar. A escola era novamente um lugar para ser feliz. É este encontro com a esperança que o espera ao ler este livro.

 

 

Entretanto, a Companhia de Teatro Bocage anda em périplo pelo país com uma peça adaptada deste livro e que se intitula também Vasco das Forças. Esta peça conta com Fábio Paiva, Pedro Oliveira e Sabrina Martinho nos principais papéis e dirige-se a maiores de seis anos.

Na peça, Vasco é, tal como no livro, um menino pequenote e franzino, mas natural de Coimbra, gozado pelos seus colegas mais altos e mais fortes, que lhe chamam trinca-espinhas. Inspirado na coragem e valentia do seu trisavô, Saraiva das Forças, utilizou a sua inteligência e rapidez de pensamento e acção, sem recorrer à violência e sem andar à pancada, para se defender a si próprio e os mais fracos. Por este motivo, passou a ser chamado de Vasco das Forças.

A peça e o livro, transmitem uma mensagem muito positiva sobre a violência escolar, de forma simples, mas responsável e pensada para crianças, pais, professores e educadores. Cabe aos pais e a nós professores, promover um clima positivo e ajudar as crianças vitimas deste fenómeno a encontrar estratégias para voltarem a ser livres para viver e aprender.


autor stipe07 às 21:56
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Mario Vargas Llosa - Prémio Nobel da Literatura 2010

 

Finalmente foi feita justiça e o escritor peruano Mario Vargas Llosa foi distinguido hoje com o Prémio Nobel da Literatura, cumprindo, como o próprio já confessou várias vezes, o sonho de uma vida. De acordo com o comunicado da Academia Sueca, o prémio deve-se a uma escrita que faz a cartografia das estruturas do poder e revela imagens mordazes da resistência, revolta e dos fracassos do indivíduoVargas Llosa é autor de obras como A tia Júlia e o escrevedor, Conversa na catedral, A guerra do fim do mundo, Elogio da madrasta e a auto-biografia Como peixe na água.

Esta é a décima primeira vez que este Nobel é atribuído a um autor em língua espanhola, depois de nomes tão consagrados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) ou Gabriela Mistral (1945). O autor de língua espanhola que mais recentemente venceu foi o mexicano Octavio Paz, em 1990.

Num comunicado entretanto divulgado, as Publicações Dom Quixote, que editaram a maior parte da obra de Vargas Llosa em Portugal, congratularam-se também com esta distinção; Depois de vários anos em que o seu nome foi sucessivamente apontado como vencedor do Nobel, a Academia Sueca decidiu, finalmente, premiar a obra de Vargas Llosa, conhecida e admirada em todo o mundo.
Este prémio assume algum relevo no nosso país porque este escritor peruano é responsável pela programação da Área do pensamento das questões europeias no projecto Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012. Cristina Azevedo, presidente da Fundação Cidade de Guimarães, referiu que esta distinção é uma imensa alegria, porque o Mario Vargas Llosa é como um membro da equipa e que convidou-o por ser um escritor de produção multifacetada e uma figura política activa, que conhece a Europa, mas olha-a de fora. Vargas Llosa faz a ponte entre a América Latina e a Europa.

AQUI podes ler o último artigo de opinião de Mario Vargas Llosa, publicado no El País, sobre as últimas eleições legislativas na Venezuela.


autor stipe07 às 22:06
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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

Perseids

Apaixonado que sempre fui pela astronomia, desde muito novo tive predilecção pelo céu e por observar a sua beleza natural. Na idade em que tudo parece possível e o sonho e a realidade confundem-se tantas vezes durante o processo de percepção e entendimento do mundo que nos rodeia, quis ser um astronauta só para poder ir lá acima, tocar nas estrelas e pisar a Lua. Uns anos depois, ao ler O Principezinho de Saint- Exupéry, senti o conforto dessa viagem, razão pela qual este é, sem dúvida, o livro da minha vida!

 

 

Todas as pessoas grandes começaram por ser crianças, embora poucas se lembrem disso. (...) Os olhos são cegos. É preciso procurar com o coração.

 

O mês de Agosto é, no hemisfério norte, o melhor mês do ano para observar o céu, desde que as condições atmosféricas o permitam! E este ano, Agosto tem tido noites excepcionais, anormalmente límpidas e que têm permitido avistar fenómenos espectaculares. Saliento a fantástica Lua Cheia que tem sido possível visualizar há algumas noites. Estou sempre particularmente atento ao período da Lua Cheia; É o período do mês em que gosto mais de observar esta minha confidente e asseguro que não guardo na memória uma fase tão deslumbrante como a desta semana.

Entretanto, e mais uma vez guiado pela música, neste caso dos Sigur Rós, descobri outro fenómeno astronómico anual e que assumiu proporções espectaculares em 2010; Refiro-me à chuva de meteoritos de Perseides, observável anualmente no hemisfério norte.

A chuva de meteoritos de Perseides está associada ao cometa Swift Tuttle. Consiste em partículas e poeiras deixadas por esse cometa, cuja viagem sucede numa órbita de 130 anos. O fenómeno foi baptizado assim porque é visível junto à constelação de Perseus, em plena via láctea. A chuva de meteoritos começa a ser visível a partir de meados de Julho, mas o pico da actividade acontece sempre na segunda semana de Agosto, atraindo a atenção de astrónomos e simples curiosos... como eu!

Este ano, alguém observou o fenómeno nos Estados Unidos, entre os dias 12 e 15 de Agosto, no famoso parque nacional Joshua Tree e fez um vídeo, com banda sonora dos Sigur Rós. Vale a pena espreitar...

 

music: Sigur Ros - Samskeyti

autor stipe07 às 14:13
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Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Adeus Matilde.

Matilde Rosa Araújo, uma das minhas autoras preferidas de literatura infantil, faleceu esta manhã, em casa, com 89 anos.

Licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, foi também professora, nomeadamente no curso de Literatura para a Infância, na Escola do Magistério Primário da capital, de onde era natural.

Nos anos 50 começou a publicar livros infantis; Escreveu cerca de trinta títulos e também livros de contos e poesia para adultos.

Também venceu vários prémios, ao longo da sua vida, dos quais se destacam o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, o prémio de melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995 (devido ao meu livro preferido da autora, Fadas Verdes), atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian. Em Maio de 2004, recebeu o Prémio Consagração de Carreira, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores e também o grau de Grande-Oficial  da Ordem do Infante D. Henrique.

Desde sempre preocupou-se com os direitos das crianças; Assim, tornou-se sócia fundadora do Comité Português da UNICEF e do Instituto de Apoio à Criança e escreveu inúmeras vezes sobre a interesse da infância na educação e na criação literária para adultos e acerca da utilidade da literatura infanto-juvenil na formação das crianças.

Na ilustração das suas obras, colaboraram com ela várias gerações de ilustradores portugueses, dos quais se destacam Maria Keil, Gémeo Luís e João Fazenda. 

No ano passado, foi publicada a obra Matilde Rosa Araújo - um olhar de menina, uma biografia romanceada da escritora, escrita por Adélia Carvalho e ilustrada por Marta Madureira. Entretanto, a Editorial Caminho já confirmou que um inédito da autora, intitulado Florinda e o Pai Natal, vai ser editado a título póstumo, no início do Outono.

Esta escritora de que gostava tanto, ficará para sempre ligada à minha profissão, à literatura infantil e à defesa dos direitos das crianças, além de nos deixar como legado uma longa e premiada carreira literária.

 

Bibliografia

A Garrana (ficção, 1943)
Estrada Sem Nome (ficção, 1947)
A Escola do Rio Verde (1950)
O Livro da Tila (literatura infantil, 1957)
O Palhaço Verde (literatura infantil, 1960),

Praia Nova (ficção, 1962)
História de um Rapaz (1963)
O Sol e o Menino dos Pés Frios (literatura infantil, 1972)
O Reino das Sete Pontas (1974)
Balada das Vinte Meninas (literatura infantil, 1977)
As Botas do Meu Pai (literatura infantil, 1977)
Camões Poeta, Mancebo e Pobre (literatura infantil, 1978)
Voz Nua (poesia, 1982)
A Velha do Bosque (literatura infantil, 1983)
O Passarinho de Maio (literatura infantil, 1990)
Fadas Verdes (1994)
O Chão e as Estrelas (ficção, 1997)
O Gato Dourado (literatura infantil)
Lucilina e Antenor (2008)
História de uma Flor (2008)

 

Este é, como referi, o meu preferido... Um excelente livro de poesia e recomendado pelo PNL, para o 2.º ano de escolaridade.

 


autor stipe07 às 22:17
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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Marco Aurélio - Guerreiro, Filósofo e Imperador

 

Autor: Frank McLynn
Tí­tulo Original: Marcus Aurelius Warrior, Philosopher, Emperor
Tradução: Michelle Hapetian
Tema: Biografia

 

Sinopse;

Marco Aurélio, o último dos "cinco bons imperadores" de Roma, é a única grande figura da Antiguidade que ainda nos toca, quase dois mil anos após a sua morte. Podemos entusiasmar-nos com os feitos de Alexandre o Grande, de Aníbal ou de Júlio César, mas a única voz do mundo greco-romano que ainda parece assumir relevância na nossa contemporaneidade é a do homem que dirigiu o Império Romano entre 161 e 180 d. C.

Seleccionado por Adriano para futuro imperador, Marco Aurélio foi educado por alguns dos maiores académicos do seu tempo. Após os anos de sua formação passou a colaborar com o imperador, seu pai adoptivo, ocupando o cargo de cônsul por três vezes. Em 161, Aurélio Antonino morre e ele torna-se imperador, junto com Lúcio Vero. Quando este morre, em 169, Marco Aurélio torna-se único imperador.
O governo de Marco Aurélio, que se estendeu por quase duas décadas (até sua morte, em campanha militar), foi marcado por guerras sangrentas e prolongadas e por uma série de dificuldades internas. Ele foi excelente guerreiro e administrador e, ao mesmo tempo, humanizou profundamente o exercício do poder.
Quando as obrigações de governo permitiam, entregava-se à reflexão filosófica e escrevia os seus pensamentos. Escritas enquanto estava em campanha, entre 170 e 180, as suas Meditações são um guia para nos orientar na vida, permanecendo um dos livros da Antiguidade mais lidos em todo o mundo. O reinado de Marco Aurélio prenunciou a inevitável queda do Império Romano, apesar da sua vida ter representado o cumprimento do famoso ditame de Platão, segundo o qual a Humanidade só poderá prosperar quando os filósofos se tornarem dirigentes e os dirigentes filósofos.

 

Esta promete ser, quanto a mim, a biografia mais nítida e decisiva, até à data, de tão monumental figura histórica. Estou muito curioso para a ler...

tags:

autor stipe07 às 23:18
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Sábado, 29 de Maio de 2010

O Menino Que Sonhava Chegar À Lua - Sally Nicholls

Sam tem 11 anos e uma leucemia em estado terminal. A mãe deixou de trabalhar para ficar em casa onde a Sra. Willis prossegue com Sam um programa de estudos que Félix, o seu grande amigo que conheceu no hospital, compartilha. Juntos têm momentos excitantes de puro divertimento e, porque são apenas crianças, cada dia é para eles uma nova aventura. sam sabe que vai morrer mas lida com isso de forma positiva, sabendo que tem de fazer as suas coisas sem perder tempo. Confrontado com a eminência da morte, inicia o projecto de escrever um livro onde guarda imagens, onde vai apontando perguntas a que ninguém sabe responder, os desejos que ainda pretende realizar, listas de factos curiosos sobre a família, os seus amigos e sobre o mundo que o rodeia e até mesmo listas que o projectam para além da sua morte. este livro é também a sua história. Contada do ponto de vista de uma criança que enfrenta corajosamente a sua doença, é uma história intensa e comovente que evita todas as armadilhas do sentimentalismo, que diverte e que, acima de tudo, deixa nos leitores um sentimento de grande exaltação. O segredo do seu êxito reside numa profunda honestidade e na sua simplicidade comovente, fazendo dele um daqueles livros que podem ser lidos por leitores de todas as idades. É o primeiro romance da autora que contava apenas 23 anos quando o escreveu.

 

Adorei ler este livro. Foi uma experiência curta, mas bastante enriquecedora; O livro agarra-nos logo no início e ficamos com vontade de o ler de uma vez só. Estórias como esta, ainda por cima baseadas em factos reais, dão-nos sempre alguma luz sobre a nossa vida, os nossos sonhos e como conseguir atingi-los. Sam foi à lua, literalmente, de uma forma bastante simples e até comum, o que me fez perceber, mais uma vez, que o grande segredo da vida, enquanto dádiva, é o usufruto e a simplicidade. Deixar que o coração nos guie...

Em 11 anos Sam viveu muito, não desperdiçou um único dia e foi feliz.

music: Man On The Moon - R.E.M.
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autor stipe07 às 13:54
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