Quinta-feira, 29 de Agosto de 2019

Born-Folk - Heat And Rum

Têm apenas algumas semanas de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa consituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, tendo já na forja um EP intitulado Come Inside! e do qual já se conhece o tema Heat And Rum.

Resultado de imagem para Born-Folk Heat And Rum

Típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, Heat and Rum é uma alegoria para outros títulos foneticamente possíveis, uma composição também já com direito a um vídeo cuja ideia inicial era ter uma série de imagens de ambiente descontraído de surfistas a tentar domar o mar agitado e de mulheres vistosas e provocantes a passear como se de ondas se tratassem, mas que na montagem procurou recriar um equilíbrio da cor com o preto-e-branco de forma a criar um jogo que depois se inverte. É um exercício visual que pretende acompanhar a vibe imposta pelo som mas, seguramente, é mais fácil visualizar do que explicar. Quiçá, faltou o Rum! Confere...

www.facebook.com/bornfolk

www.instagram.com/bornfolk

www.bornfolk.bandcamp.com


autor stipe07 às 21:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Panda Bear – Buoys

Já está nos escaparates desde o início do passado mês de fevereiro Buoys, o sexto álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

Resultado de imagem para Panda Bear – Buoys

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira de Panda Bear, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase quatro anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper e um do EP A Day With The Homies, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo deste Buoys, um regresso a um maior minimalismo e acusticidade, numa sequência de nove canções que não deixam de nos oferecer ainda primorosas e atrativas experimentações, mas com um menor nível de desordem sonora e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o ouvinte, com o próprio autor a confessar que pretendeu fazer desta vez canções que a sua descendência pudesse ouvir, compreender e apreciar.

Assim, num álbum sereno, apelativo e coerente, importa antes de mais referir que uma das maiores diferenças que notamos neste Buoys relativamente aos registos anteriores do autor é uma maior predominância da componente vocal na sonoridade global dos temas. Isso não significa necessariamente que exista uma maior abundância dessa vertente, desta vez gravada quase sempre num único take, mas é um facto que desta vez as batidas sintéticas e os efeitos maquinais das cordas ou a sua acusticidade, em vez de se sobreporem à voz, amparam-na e, em alguns casos, até ajudam a evidenciar os dotes de quem a replica. E para esta nova realidade plasmada em Buoys muito contribuiu o excelente trabalho de produção de Rusty Santos, além de diversos arranjos da autoria de DJ e cantora de trap e reggaetón chilena Lizz, não só vocais mas também, por exmplo, de gotas de água ou disparos de laser, só para citar alguns dos exemplos mais audíveis e felizes. Por exemplo, no caso das gotas de água, são elas que de certa forma marcam o ritmo de Dolphin, o single de apresentação do disco e ajudam a dar ao tema uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos.

Mas há outros momentos fortes e merecedores de devoção e audição atenta neste Buoys. O eco que ressoa das cordas e da voz que dá vida a Cranked, atravessada pelos tais lasers, o toque cósmico do dub crescente em Token, o belíssimo instante de folk psicadélica que é I Know I Don't Know ou o (falso) minimalismo tremendamente detalhístico de Master, fazem o disco fluir com uma salutar leveza e uma homogeneidade que acaba por fazer transparecer um certo humanismo que Lennox certamente quis que transbordasse de um alinhamento que entre o experimental e o atmosférico, seduz e emociona, um rol de canções em que, parecendo que não, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e Buoys, um disco corajoso e encantador, plasma mais uma completa reestruturação no som de Panda Bear, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que este artista se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Buoys

01. Dolphin
02. Cranked
03. Token
04. I Know I Don’t Know
05. Master
06. Buoys
07. Inner Monologue
08. Crescendo
09. Home Free


autor stipe07 às 17:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

Flak - Verão

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do passado mês de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

Resultado de imagem para Flak Verão

O mais recente single divulgado de Cidade Fantástica é Verão, uma música que conta com a participação especial vocal de Mariana Norton e que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre Verão o autor refere no seu press release de lançamento:

O Verão é uma canção sobre o mundo fantástico em que vivemos. Não há nenhum que se assemelhe no sistema solar. Temos montanhas mares cores pássaros que cantam nas árvores, um céu estrelado. Provavelmente não existirá nenhum igual no Universo a não ser que existam Universos paralelos. A realidade não existe. A realidade é aquilo que nós queremos ver. Nós é que fazemos a nossa realidade. Quem reflectir um pouco sobre a beleza das coisas e a nossa pequenez, há de lhe sobrar menos tempo e vontade de odiar o vizinho ou aqueles que não são como ele.

No próximo dia 23 de Fevereiro, Flak actuará, com a sua banda, no Teatro de Vila Real, no âmbito do Festival Boreal, com várias datas na primavera e no verão a serem divulgadas em breve. Confere...

https://www.facebook.com/flakoficial/

https://www.instagram.com/surreal_flak/

https://www.youtube.com/channel/UCgcj_xLwGtOj5l0PuVoFnjg 


autor stipe07 às 10:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 3 de Fevereiro de 2019

The Dirty Coal Train - Juvenile delinquent

Depois de quatro álbuns, uma compilação e vários singles, já está nos escaparates há mais de meio ano Portuguese Freakshow, o último disco do projeto The Dirty Coal Train, que nasceu da mente do casal Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, uma dupla natural de Viseu e a residir em Lisboa, que se tem assumido na presente década como uma das bandas mais excitantes do garage rock nacional. É um longo registo com quase quatro dezenas de temas e que conta com vários convidados especiais, nomeadamente Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell'Arte), Fast Eddie Nelson (Big River Johnson, Fast Eddie & the Riverside Monkeys), Captain Death (Tracy Lee Summer) e Mário Mendes (Conan Castro & the Moonshine Piñatas), entre outros, um projeto megalómano bem sucedido lançado em vinil pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records, tendo sido gravado nos estúdios Golden Pony em Lisboa e no King no Barreiro.

Resultado de imagem para The Dirty Coal Train Juvenile delinquent

Cheio de acordes rápidos e batidas viciantes, Juvenile delinquent é o mais recente single retirado de Portuguese Freakshow, um tema também já com direito a um vídeo da autoria do Ricardo e da Beatriz e que, de acordo com o press release do lançamento, brinca com os clichés do rockabilly: a delinquência juvenil dos 50's e o espírito da geração beat. Assim, em pouco menos de um minuto e meio a canção oferece-nos um tratado de rock cru e direto, uma composição de completo transe roqueiro e onde se cruzam garage, punk sessentista, blues, rockabilly e até surf rock.

Juvenile delinquent faz parte de um álbum que impressiona pelo seu todo e que está repleto de referências a seres fantásticos e ao cinema mais alternativo. Portuguese Freakshow, que já tem sucessor pronto e previsto para ser lançado em maio, acaba por ser um retrato sonoro bastante interessante e impressivo acerca da nossa realidade atual enquanto povo, que parece muitas vezes bastante desligado da realidade e a viver num permanente estado de alienação que é aqui de certo modo documentado com uma elevada dose de humor, ironia e simbolismo. O registo foi produzido pelos próprios Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues e o artwork é da autoria de Olaf Jens. Confere Juvenile delinquent..


autor stipe07 às 14:53
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

Resultado de imagem para Flak - Cidade Fantástica

Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

Time For T - Maria

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o mais registo de originais dos Time for T de Tiago Saga, que continua a retirar dividendos do seu conteúdo. A mais recente atualização é a divulgação do vídeo do single Maria, juntamente com o anúncio de novas datas de concertos de promoção do álbum, que poderão encontrar no final deste artigo.

Composição inspirada pela temática da infidelidade (Oh Maria, it's all in your head. Give me one more chance even though I'll need ten), Maria, uma canção conduzida por um boémio efeito de uma guitarra e por uma bateria abastecida por uma vasto arsenal de nuances rítmicas, já teve uma primeira versão no trajeto inicial da banda, aprimorada, entretanto, para constar do alinhamento de Hoping Something Anything. A canção tem já também um vídeo realizado por Rafael Farias entre Lagos e Lisboa e que representa a ideia de solidão e afastamento das pessoas que mais amamos por más decisões.

Resultado de imagem para time for t

Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como ao próprio jazz, indo também até ao blues experimental e até aquele rock mais impulsivo e cru. É um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, encabeçado, como referi acima, por Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues. Confere Maria e as datas dos próximos concertos dos Time For T...

19 Outubro / Friday Happiness / Tojeiro

20 Outubro / Atabai / Barao S. Joao

02 Novembro / Madalena / Faro

03 Novembro / Centro Cultural / Barao S. Joao

24 Novembro / Teatro Lethes / Faro

07 Dezembro / Teatro do Bairro / Lisboa


autor stipe07 às 15:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 13 de Outubro de 2018

Flak - Manto Branco

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final deste mês e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

Resultado de imagem para Flak - Ao Sol da Manhã

O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica foi a canção Ao Sol da Manhã, tema com direito a um video centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Agora chegou a vez de ganhar vida Manto Branco, o segundo single do disco, uma música que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Manto Branco, o autor refere no seu press release de lançamento:

Manto Branco. Não sei de onde me veio a frase. Manto Branco universo. Across the Universe. Olhar de Falcão. As palavras foram surgindo em simultâneo com a melodia. A segunda estrofe foi escrita mais tarde a partir do nome de uma antiga banda psicadélica brasileira, Perfume Azul do Sol. O vídeo do Vasco Mendes sugere-nos que algo vai acontecer. Por certo nada de bom. Talvez uma premonição. Um sinal dos tempos."

Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere Manto Branco...


autor stipe07 às 21:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2018

Flak - Ao Sol da Manhã

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macua ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

Resultado de imagem para Flak - Ao Sol da Manhã

O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica é a canção Ao Sol da Manhã, tema já com direito a um video com a letra, centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Misturado por Benjamim, que também tocou os teclados e masterizado por Tiago Sousa, o tema conta com as participações especiais de Rita Laranjeira na voz e António Dias no baixo. A música em si é um delicioso tratado de indie pop, assente em flashes de samples que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a uma soul contemplativa por todos os poros, uma composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Ao Sol da Manhã, o autor refere no seu press release de lançamento:

Enviei por engano uma demo de outra canção deste disco a um ex-aluno. Ele respondeu-me que lhe fazia lembrar o tipo de ambiente dos Mild High Club, banda que eu não conhecia. Fiquei curioso, fui ouvir o disco e no final apeteceu-me fazer uma canção pop com um toque de bossa-nova. Fui construindo uma sequência de acordes por cima de um ri de blues até ter a canção estruturada. A melodia é repetida com pequenas variações enquanto a harmonia vai mudando criando diferentes texturas. Quando completei a melodia, e tal como fiz na maioria das outras canções deste disco, quis aproveitar a energia do momento e fazer imediatamente uma letra para a canção. Agarrei um livro de um dos montes que tenho à minha volta quando estou a fazer canções, abri-o numa página qualquer e calhou estar a letra do “Sitting on the Dock of the Bay” do Otis Redding. Aí pensei que era uma boa ideia transportar a baía de São Francisco para Lisboa à beira rio. E é um programa mais ou menos comum no meu dia-a-dia, ir dar uma volta junto ao rio, apanhar sol e ver os barcos passar. Entretanto o Benjamim gravou um beat, o António Vasconcelos Dias gravou um baixo numa onda Motown, o Benjamim tocou em todos os teclados que estavam disponíveis e assim fomos fixando o arranjo, de uma forma espontânea, meio improvisada. Depois, todos cantamos, a Rita Laranjeira adicionou mais vozes, o Benjamim misturou e o Tiago Sousa masterizou.

Este álbum Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro-Cine de Torres Vedras a seis de Outubro e no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere o seu primeiro single...


autor stipe07 às 23:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

Old Jerusalem - Black pool of water and sky

É já a doze de outubro que chega às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional.

Resultado de imagem para Old Jerusalem Black pool of water and sky

De acordo com o press release de lançamento de Black pool of water and sky, o primeiro single retirado de Chapels, este novo disco de Old Jerusalem terá dez temas imediatos e sem adornos. Interpretações gravadas à primeira, intimamente associadas ao processo da sua escrita e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos. Pretendeu-se que cada canção veiculasse assim o seu primeiro ímpeto criativo e a urgência da sua comunicação.

A simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, é uma boa amostra do que será certamente Chapels, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criarão uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades.Confere Black pool of water and sky, à boleia do video da canção realizado por André Tentúgal...


autor stipe07 às 21:53
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 28 de Maio de 2018

Capitão Fausto - Sempre Bem

Resultado de imagem para capitão fausto sempre bem

Depois da promissora estreia em 2011 com Gazela e do excelente sucessor, um trabalho intitulado Pesar o Sol, da participação em projetos como os Modernos, BISPO e El Salvador, da criação de um selo próprio e do terceiro álbum em 2016, um registo intitulado Capitão Fausto Têm Os Dias Contados, os lisboetas Capitão Fausto de Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein, acabam de revelar Sempre Bem, uma nova canção, que irá constar do quarto registo de originais do grupo. O trabalho vai-se chamar A Invenção do Dia Claro, foi gravado no Red Bull Studios São Paulo em Dezembro de 2017, pelas mãos e os ouvidos do Rodrigo Funai Costa e deverá ver a luz do dia no último trimestre deste ano.

 Segundo a banda, o disco foi imaginado para incluir a ideia que tínham de "Brasil" na sua forma habitual de fazer música. Nunca foi intenção fazê-la à maneira de lá mas sim procurar a apropriação de alguns elementos sónicos ou melódicos mais específicos, retirando-os do seu contexto habitual para servirem as suas canções. Nos textos fala-se da relação com a rotina, da complexidade das relações humanas e do fatalismo inexorável do amor.

A canção Sempre Bem contém um registo tipicamente rock, algo experimental e eminentemente cru e psicadélico, como é habitual nos Capitão Fausto e nos coros conta com a participação de Catarina Wallenstein, Constança Rosado e Madalena Tamen. O vídeo do tema foi realizado por Gonçalo Perestrelo. Confere...

http://capitaofausto.pt

https://www.instagram.com/capitaofausto

https://twitter.com/ocapitaofausto

https://www.facebook.com/capitaofausto


autor stipe07 às 13:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 15 de Abril de 2018

PAUS - Madeira

Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria são a força motriz dos já míticos PAUS, banda que ganhou recentemente o consagrado certame Red Bull Music Culture Clash e que está de regresso aos discos com Madeira, nove canções que devem muito a uma viagem que o quarteto fez no final do verão passado ao arquipélago que dá nome a este registo a convite de Pedro Azevedo e da família ALESTE. O propósito dessa viagem era filmar e fotografar todo o aspecto visual de um disco que tinham começado a preparar em Julho, mas a presença do grupo no arquipélago acabou por ser determinante no polimento e no resultado final do alinhamento.

Resultado de imagem para paus madeira 2018

Nove canções e vídeos, um videodisco, portanto, compôem Madeira, um álbum que, de acordo com o press release do respetivo lançamento, inspira-se na ideia de uma ilha que flutua e que não tem sítio certo na geografia, uma ilha esquecida por um continente e de tão feliz por estar esquecida que se encontra na interceção das Américas, África e Europa. Tal conceito acabou por lhes parecer um retrato preciso do som que estavam a ouvir. Um mapa com fronteiras apagadas, uma ilha que se deixa levar e gosta de quem quer e está sempre à espera do barco e que acabou por funcionar para os PAUS como uma plataforma criativa e, também por isso, uma outra casa.

À frente de um baixo, de teclados e de uma bateria siamesa, ainda as ferramentas do seu ofício, os PAUS conseguem neste Madeira uma viagem sonora bastante inspirada em que deambulam, com a natural dose de experimentalismo e de improviso que os carateriza, pos vários esptros do rock, desde o psicadélico, ao progressivo, passando também pelo ambiental e pelo mais clássico. E nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso da voz e dos arranjos do tema homónimo, como ao próprio jazz, exuberante nos efeitos percurssivos de 970 Espadas, indo também até ao blues experimental em Sebo na Estrada, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em L123_PAUS e ao mais vigoroso e frenético, mas que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a canção A Mutante, para mim a melhor do disco, plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de nove canções ecléticas e que independentemente do balizar temporal em que surgiram, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como a produção do disco teve um forte cunho dos próprios PAUS, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Madeira, um disco para ser escutado e saboreado condignamente, um postal da felicidade que a banda sente na incerteza. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano no palco do CCB.

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano são ambos músicos de jazz com formação académica na música clássica. Os dois estarão no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo dia 15 de Dezembro para encerrar o ciclo CCBeat 2017. O concerto preparado em exclusivo para a ocasião conta com um alinhamento maioritariamente inédito executado por um ensemble de luxo que reúne uma secção rítmica, secção de cordas e naipe de sopros e ainda dois cantores convidados.

Imagem intercalada 1

A abordagem tem como base diversos estilos tais como o jazz, o rock, a música exótica, cinematográfica e erudita, sendo o principal solista Ricardo Toscano no saxofone alto. Nas palavras de Bruno Pernadas, que acumula a direcção musical, na conjunção deste ensemble procura-se aquilo que se assume como identitário de cada instrumento, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas, texturais nos vários momentos que integram o espectáculo.

 De acordo com o músico e compositor, a proposta a apresentar é marcada por uma abordagem dinâmica, forte e ambiciosa que traduz-se num concerto onde a composição e a improvisação ocupam um papel determinante no seu resultado final.

Dois excelentes músicos, o multi-instrumentista e compositor Bruno Pernadas e o saxofonista Ricardo Toscano num encontro singular que transforma esta ocasião em algo surpreendente e certamente memorável.

Bruno Pernadas - composição, guitarra e teclados

Ricardo Toscano - saxofone alto, solista

Afonso Cabral - voz (convidado)

Francisca Cortesão - voz (convidada)

Margarida Campelo - piano, teclados e voz

João Correia - bateria

Nuno Lucas - baixo eléctrico

Diogo Duque - trompete

João Capinha - saxofone

Raimundo Semedo - saxofone

Raquel Merrelho - violoncelo

João de Andrade – violino


autor stipe07 às 21:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 1 de Julho de 2017

Minta & The Brook Trout - Slow

A indie pop indulgente e deliciosa de Francisca Cortesão e o seu projeto Minta & The Brook Trout está de regresso em 2017 com Slow, o terceiro registo de originais deste projeto ímpar no panorama alternativo nacional. Slow é a primeira edição de Minta & The Brook Trout à boleia da Norte Sul/Valentim de Carvalho e teve também uma reedição em vinil, que viu a luz do dia no passado mês de maio, acompanhada por uma série de novidades, entre elas um EP intitulado Row, com três temas, Tropical Resort, So This Has To Do e Mild-Mannered Man, que acabam por deixar já algumas pistas sobre o próximo registo do projeto.

Resultado de imagem para Minta & The Brook Trout 2017

Disco embelezado por indíssimas ilustrações da autoria de José Feitor, Slow contém onze deliciosas canções adornadas por uma tranquilidade acústica, uma filosofia estilística que logo no baixo e no banjo de Bangles impressiona e fica exemplarmente descrita. Daí em diante, o arquétipo das canções é guiado por guitarras, ora límpidas, ora plenas de efeitos eletrificados algo insinuantes e sempre com uma profunda gentileza sonora.

Slow acaba por impressionar como um todo, mas há uma ou outra canção que merece audição mais cuidada para que se expresse no nosso âmago com toda a ternura que merece. Assim, se em Plaid And Denim quer a soul da guitarra quer a gentileza subtil da bateria ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar, mais adiante, em Sand, contemplamos um belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e depois, canções como a cândida e intimista Light Blues Blues ou o minimalismo suave delicioso de I Can't Handle The Summer, são exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

Acompanhada por Mariana Ricardo, Bruno Pernadas, Margarida Campelo e Nuno Pessoa, entre outros, em Slow Francisca Cortesão afirma-se como uma compositora ímpar no panorama indie nacional e o modo como neste projeto Minta & The Brook Trout a guitarra com cordas de nylon é dedilhada com mestria e consegue enriquecer as harmonias sem complicar, criando um ambiente sonoro descontraído e algo minimal, mas extremamente rico, impressiona e instiga não deixando indiferente quem se oferece ao prazer de escutar com deleite este alinhamento. E à medida que a voz de Francisca se estende pelas melodias das canções, sem pressas ou amarras, solidão, melancolia e inadaptação positiva ao amor e a outros cânones sociais estabelecidos desfilam por letras que versam sobre estes e outros temas comuns, algo que até nem é de estranhar já que é normal encontrar esta autora, a antítese de uma estrela pop, numa loja da esquina, a fazer a sua vida rotineira, como uma cidadã comum.

Francisca tem como virtude maior o facto de compor valendo-se, acima de tudo, das suas próprias experiências. É curioso, intenso e impressivo o modo como escreve assumindo-se como cobaia dos seus próprios pensamentos, além de servir-se de todos aqueles que a rodeiam também como testemunhas e referências do seu cardápio, quer lírico quer sonoro, sempre com um resultado final avassalador e tremendamente reflexivo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 11:57
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 31 de Maio de 2017

Benjamim e Barnaby Keen - 1986

Nascido em 1986, Barnaby Keen é um músico britânico, mentor e membro de vários projetos, entre eles os Flying Ibex e os Electric Jalaaba, além de já ter colaborado com nomes como Andreya Triana, Kate Tempest, Kimberly Anne, Hudson Taylor e os Bastille. Também nascido em 1986, Benjamim é já um velho conhecido deste blogue, principalmente por causa de Auto Rádio, disco que lançou em nome próprio em 2015, mas também por ter produzido ou tocado em álbuns de vários nomes consagrados do nosso panorama musical como B Fachada, Lena d'Água, Márcia, Éme, Pista, Golden Slumbers, João Coração, Frankie Chavez, Cassete Pirata ou Flak, entre outros. Reza a lenda que os dois músicos cruzaram-se pela primeira vez em 2012, num cinema de Brixton, no sul de Londres e selaram amizade a partir do gosto comum por um disco de Chico Buarque. Barnaby Keen viveu no Brasil durante seis meses, onde descobriu o amor pela língua portuguesa e pelos mestres do samba e da bossa nova. Agora, em 2017, ambos uniram esforços para incubar 1986, um disco gravado em duas sessões no estúdio 15A, casa da Pataca Discos e que contou com a participação de Sérgio Costa na flauta, Leon de Bretagne no baixo e António Vasconcelos Dias nas vozes.

Resultado de imagem para Benjamim e Barnaby Keen 1986

Registo discográfico bilingue, 1986 encarna um delicioso exercício de complementaridade e simbiose, audível nos instantes em que Benjamim faz coros em inglês das canções de Barnaby e este empresta a sua voz com um sotaque muito sui generis para fazer vozes em português nas canções de Benjamim. Os dois ocupam-se também da componente instrumental e tocam quase tudo nos temas um do outro, escolhendo o melhor das suas capacidades, seja no saxofone, no piano ou na bateria.

1986 mistura rock, folk, rock e a indie pop de cariz mais experimental e contém ideias expostas com enorme bom gosto, uma ímpar sensibilidade e um intenso charme que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um inconfundivel carimbo de qualidade, ainda maior pela peça em si que este disco representa, principalmente para os autores. Logo no looping da batida plena de groove de Warm Blood e no solo de saxofone desse tema, ficam marcadas as grandes diretrizes de um álbum que explora até à exaustão e sem reservas o modo como os dois músicos se relacionam musicalmente. E depois, na luminosidade das cordas que conduzem o esplendor orgânico e lo fi de Dança Com Os Tubarões e na míriade de efeitos que dão cor à contemplativa All I Want, dois singles entretanto retirados de 1986, assiste-se à assunção plena até às estrelas de uma parceria que deve, a qualquer preço, fazer parte do nosso catálogo pessoal de canções que servirão da banda sonora para o verão que se aproxima.

Um dos maiores impulsos que muitas vezes os músicos enfrentam quando se coligam é, na diversidade de visões, acharem que as parcerias só resultam se houver uma fuga à zona de conforto de cada um. Neste caso, o oposto acabou por ser a opção mais acertada e quem conhece o percurso destes dois músicos, além de não estranhar a sonoridade geral de 1986, delicia-se com o modo simples, mas eficaz e bonito como ela se entranha no âmago e, fazendo sorrir, na forma como deixa uma marca indelével. Os sussurros que acompanham o refrão da enternecedora Terra Firme ou o modo como em Madrugada as teclas rodeiam as cordas e disparam em diferentes direções flashes que acabam por atingir sempre no nosso peito o mesmo alvo, não são mais do que outros exemplos desta pessoalidade comunicativa feita de proximidade, porque é genuína e sentida. Só dois músicos realmente amigos e camaradas de emoções é que conseguem exalar tal majestosidade sentimental de forma tão profunda, através de canções imbuídas de um misto de fulgor e pueril simplicidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 15 de Maio de 2017

Ganso - Pá Pá Pá

Os Ganso são Gonçalo Bicudo (Baixo Eléctrico), João Sala (Voz e Teclados), Luís Ricciardi (Guitarra Eléctrica e Piano Eléctrico), Miguel Barreira (Coros e Guitarra Eléctrica) e Thomas Oulman (Coros e Bateria) e Pá Pá Pá o novo registo de originais deste coletivo natural de Lisboa, uma edição abrigada à sombra da insupeita editora Cuca Monga, morada dos Capitão Fausto e outras bandas satélite deste grupo (Bispo, El Salvador), mas também de Luis Severo, outro dos nomes mais profícuos do universo indie pop nacional contemporâneo.

Resultado de imagem para Ganso Pá Pá Pá

A audição de Pá Pá Pá transporta-nos, logo à primeira impressão auditiva, para o dealbar do indie rock psicadélico, bem ali nos anos sessenta e setenta, uma abordagem muito em voga atualmente por cá, suportada por guitarras solarengas, plenas de fuzz e vozes geralmente ecoantes e com um certo pendor lo fi. No entanto, um dos maiores atributos dos Ganso neste trabalho, foi terem sabido pegar em possíveis influências que admiram e dar-lhes um cunho muito próprio, uma marca deles, única e distinta. É um indie rock clássico e vibrante e que não dispensando uma sonoridade urbana e clássica contém, como se percebe logo em Conversas Repetidas, algumas nuances rítmicas e percurssivas que nos remetem para o nosso ideário mais tradicional e para alguma da herança deixada por lampejos de uma ruralidade muito nossa e genuína.

Gravado, produzido e misturado pelo Diogo Rodrigues e masterizado pelo Miguel Pinheiro Marques, Pá Pá Pá contém nove temas que se bebem de um trago só e que, se devidamente apreciados, poderão ter um efeito particularmente saboroso e inebriante, num disco excelente para o verão que se aproxima e que se for alvo de repetidas audições permitirá que determinados detalhes e arranjos se tornem cada vez mais nítidos e possam, assim, ser plenamente apreciados.

Depois do excelente mote dado pela já referida canção Conversas Repetidas, entramos por Pá Pá Pá adentro com Grilo do Nilo, uma canção rápida, incisiva e direta, com a habitual toada rock, algo experimental, crua e psicadélica e onde sobressai a insistente repetição do título do disco ao longo do refrão. É mesmo um daqueles temas que convidam à dança espontânea. Mas depois também há um espraiar buliçoso na imponência das cordas e nas teclas que conduzem O Que Há Por Cá, o rock mais boémio e satírico de Brad Pintas, o banquete festivo com guitarras carregadas de fuzz no cardápio instrumental de Quando A Maldita e, de modo mais experimental e progressivo, em Dança de Sabão, instrumental redentor no modo que transpira uma profunda sensação de conforto coletivo por tudo aquilo que Pá Pá Pá certamente ofereceu aos seus criadores.

Pá Pá Pá é o contributo nacional de peso para a equipa formada por aquelas bandas que ajudam a contrariar quem, já por milhares de vezes, anunciou a morte do rock. Podendo, no futuro, abrir novas possibilidades de reinvenção do seu som, atravessando terrenos ainda mais experimentais, etéreos e com alguma dose de eletrónica, os Ganso acabam de se tornar num dos nomes de referência do melhor indie rock alternativo que ilumina o nosso país, um tipo de sonoridade que, pessoalmente, considero bastante apelativa. Espero que apreciem a sugestão...


autor stipe07 às 15:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

Trêsporcento - Território Desconhecido

Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o terceiro e novo álbum do grupo, que viu a luz do dia a sete de abril último.

Resultado de imagem para trêsporcento 2017

Gravado desde Junho passado até ao início deste ano, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo.

Logo em O Sonho, tema que abre o alinhamento de Território Desconhecido e a concretização de um desejo antigo da banda de compôr uma canção em que o refrão fosse um simples instrumental, fica vincada uma salutar ideia de maturidade, numa canção atual e que nos mostra uns Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo assertivo e criativo aquele percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português.

Depois da porta para esse Território Desconhecido se abrir de modo opulente e magnâmino, somos surpreendidos em Um Grande Passo pela exuberância contida mas firme de uma flauta transversal, que, aliando-se às cordas, recosta-nos para o fundo daquele fiel cadeirão onde bocejamos as nossas agruras amorosas. Mas pouco depois e logo a seguir à luminosidade incontida dos punhos fechados que conduzem Tempos Modernos, somos salvos pelo ambiente intimista de Stoner, canção que parecendo levitar num oásis de detalhes eletrónicos, contém um suave travo vintage, ao nível dos arranjos da guitarra e dos detalhes vocais, à herança da nossa música mais tradicional.

Até ao ocaso de Território Desconhecido nunca nos sentimos defraudados pela audição de todo este receituário inédito no panorama sonoro nacional atual e, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite. Quer na arrebatadora simplicidade das cordas de Cabeça Ocupada, canção com um grau de emotividade extrovertida ímpar, ou no devaneio rock de A Ciência, assim como, numa faceta oposta, no posicionamento clássico do dedilhar da viola que constrói a melodia de Papa Figos, tema que homenageia o famoso vinho da Casa Ferreirinha, mesmo havendo várias abordagens díspares a um território sonoro impecavelmente delimitado, é possível irmos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie rock pop folk feito por mestres impregnados com um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Trêsporcento atualmente é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 14 de Março de 2017

Vaarwell - Homebound 456

Foi no passado dia dez de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editaram Homebound 456, um lindíssimo trabalho, o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia. É um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

Imagem relacionada

Homebound 456 é um porto de abrigo acolhedor, cheio de virtudes e tentações, uma lufada aconchegante que nos protege e embala, tenhamos nós a disposição e o desejo de nos deixarmos contagiar por um compêndio de beleza melódica, lírica e instrumental incomum. A voz da Margarida é, por si só, capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, mas os arranjos e os instrumentos que sustentam as canções permitem também um suave levitar, tal é o rol de emoções que transmitem e a intensidade das mesmas. Se em Floater a distorção da guitarra calcorreia, sem receio, terrenos mais progressivos com forte sabor ao terreno e ao palpável, já nos metais que cirandam por American Dream a emoção instala-se, com 123 a recalcar toda a recatada introspeção, fortemente contemplativa, que Homebound 456 proporciona. Neste tema, o modo como a guitarra explode, não coloca em causa esta agradável sensação de letargia, servindo até como modo de nos fazer perceber que o que ouvimos é real, existe e foi composto por uma banda bastante assertiva, criativa e inspirada no momento de criar música.

Homebound 456 acaba por ser um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da filosofia dos Vaarwell e a maneira como exploram essa unidade e como selecionam as nuances sonoras que interligam as canções, contém um charme sedutor difícil de explicar. Aliás, se dúvidas ainda vão subsistindo, as variações ritmícas e o arsenal instrumental de Sheets, o tema que encerra o alinhamento, esclarecem definitivamente o mais céptico. No fundo, a receita é uma mescla efusivamente minimal de alguns detalhes implícitos do clássico rock experimental e lisérgico, com alguns dos principais atributos da eletrónica e da pop atual, com todos estes acertos a encontrarem o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de I Never Leave, I Never Go, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior um eco que faz parecer que existem dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. O assunto da canção pode não ter nada a ver com esta ideia, mas foi a isso que ela me soube.

No restante alinhamento de Homebound 456, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira You e o incisivo espairecer que nos suscita a guitarra de Waiting Game, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado na simplicidade do tema homónimo, por outro, insistem na já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que consegue apontar novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop nacional atual e que logo ao primeiro disco instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Luis Severo - Luis Severo

Apresentado pela Cuca Monga, Luis Severo é o novo álbum de Luís Severo, um homónimo que sucede ao excelente trabalho Cara d’Anjo. Gravado e produzido em Alvalade com a ajuda de Diogo Rodrigues e de Manuel Palha e masterizado por Eduardo Vinhas no Golden Pony, Luis Severo está disponível no bandcamp desde sexta-feira, dia dez de Março e conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama nos coros, Tomás Wallenstein nos violinos, Violeta Azevedo nas flautas e Salvador Seabra na percussão. As fotografias do artwork do disco são da autoria de Francisco Aguiar e Raquel Rodrigues.

Registo bastante tocante e emotivo, contendo uma salutar contemporaneidade lírica e instrumental, proporcionada por um dos nomes maiores da nova música nacional, Luis Severo confirma e potencia uma das certezas maiores do panorama musical luso, que foi em tempos apelidado de Messi do nacional-cançonetismo, por causa de Cara d'Anjo, um trabalho de estreia que plasmou todos os excelentes atributos artísticos deste ex-O Cão da Morte. Assim, em oito canções, muitas delas resultantes de melodias que o músico já guardava no seu âmago, aguardando materialização, há alguns anos, Luis Severo configura uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco. A superior complacência romântica que transborda dos violinos de Amor E Verdade, as reminiscências da melhor pop oitocentista que contemplamos na luminosidade de A Escola, o swing buliçoso das cordas de Planície (tudo igual), ou o frenesim charmoso da guitarra que conduz Boa Companhia, podem muuto bem servir de inspiração para os filmes que na nossa mente podemos produzir com estas canções, sendo este realismo impressivo talvez o atributo maior de um trabalho bastante colorido e diversificado, não só porque é sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, mas também porque, numa outra perspetiva, pode também mostrar-se absolutamente minimal, incrivelmente simples e estupendamente crú, tal é o modo aberto e desafiante como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida.

É curioso constatar o acerto temporal em que Luis Severo chega aos escaparates, fazendo-o em pleno inverno tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós na próxima primavera, já que este é um alinhamento perfeito para saborear buliçosamente todos os odores, sensações, cores e flirts que a aproximação regular e anual do sol ao nosso hemisfério sempre suscita. E o verão está também logo ali, em O Olho de Lince. Se ouvirem o tema, vão perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Trêsporcento - O Sonho

Resultado de imagem para trêsporcento 2017

Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o próximo álbum do grupo, que irá ver a luz do dia a sete de abril próximo.

Gravado desde Junho passado até há poucas semanas, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo. 

O Sonho é o primeiro single retirado de Território Desconhecido e nele a ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade de uma canção que nos mostra os Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo cada vez mais assertivo e criativo o percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português. Confere...

 


autor stipe07 às 09:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Velhos - Velhos

Gravado e misturado no Estúdio Zeco por João Sozinho e masterizado por Nélson Carvalho no Estúdio SSL Valentim de Carvalho, exceto Manso, canção não masterizada e uma edição conjunta da AMOR FÚRIA e da Flor Caveira, Velhos é o novo registo de originais dos Velhos, um coletivo lisboeta que em nove magníficas canções nos oferece uma das melhores surpresas nacionais sonoras de 2016.

Foto de Os Velhos.

As canções de Velhos têm o curioso efeito de parecerem deambular numa espécie de descontrolado vaivém, sem aparente origem e destino. A falsa lentidão do riff da guitarra de Aberta Nova e o modo como um efeito distorcido se insinua no refrão, são apensas dois dos detalhes que, logo no tema de abertura, nos fazem ter essa impressão de que há aqui algo simultaneamente denso e intrincado, mas também bastante profundo e revelador. O feliz enclausuramento que todos deveríamos sentir pelo menos uma vez na vida e que é descrito em Manso, desfilando perante os nossos ouvidos através dessa matriz sonora, parece ainda mais perene e um daqueles alvos apetitosos, que deve estar ali, num lugar cimeiro dos nossos objetivos mais prementes.

Todo o disco merece dedicada e atenta audição, sendo um exercício ainda mais recompensador se acompanhado por uma interiorização dos diversos poemas musicados, assentando, no geral, em lindíssimas melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta de modo mais grave e existe uma maior escassez instrumental. Aqui Parado é um tema que nos apresenta, com exatidão, esta ambivalência que, no fundo, é algo fictícia porque o rumo melódico e instrumental que sustenta esta e as outras canções é, apenas, uma forma de apresentar as diversas cargas emotivas que as letras contêm. E depois, no modo como em Dorme a bateria se relaciona com o fuzz da guitarra e os diferentes registos vocais, a solo e em coro, são aspetos que esclarecem-nos que este é um coletivo de músicos único e que também consegue libertar-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentarem, quando é necessário, mais luminosos e expressivos. Aliás, isso também fica plasmado em Casa Comigo, canção que impressiona pelo seu edifício melódico, que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino rock, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de Velhos, mas com superior abrangência e cor.

Velhos acaba por ser uma espécie de narrativa espiritual e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e, ao longo da sua audição, acabamos, frequentemente, por ter de esquecer tudo aquilo que nos rodeia para conseguirmos saborear devidamente algo grandioso, porque transmite um rol de emoções e sensações com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica bastante contemplativa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Setembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11

15
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


posts recentes

Born-Folk - Heat And Rum

Panda Bear – Buoys

Flak - Verão

The Dirty Coal Train - Ju...

Flak - Cidade Fantástica

Time For T - Maria

Flak - Manto Branco

Flak - Ao Sol da Manhã

Old Jerusalem - Black poo...

Capitão Fausto - Sempre B...

PAUS - Madeira

Bruno Pernadas e Ricardo ...

Minta & The Brook Trout -...

Benjamim e Barnaby Keen -...

Ganso - Pá Pá Pá

Trêsporcento - Território...

Vaarwell - Homebound 456

Luis Severo - Luis Severo

Trêsporcento - O Sonho

Velhos - Velhos

Noiserv - 00:00:00:00

Terrakota - Oxalá

Noiserv - Sete

Miss Lava - Sonic Debris

You Can't Win, Charlie Br...

X-Files

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds