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YAGMAR - Mítica Luz

Sexta-feira, 16.04.21

Os lisboetas YAGMAR (You Actually Gave Me A Ride) têm já uma carreira com interessante longevidade, mas só começaram a dar realmente nas vistas há cerca de dois anos com o EP Amargo, o segundo da banda, um registo que levou a banda a muitos palcos deste país e a fazer parte da colectânea Fnac Novos Talentos 2019. Acabaram por tocar no festival com o mesmo nome e também no Super Bock em Stock, em dois mil e dezanove. No início do ano passado arregaçaram as mangas para incubar o primeiro longa duração, com a ajuda do produtor e engenheiro de som Vitor Carraca Teixeira, conhecido pelo seu trabalho com nomes emergentes e já consolidados do panorama musical em Portugal como Dream People, Meses Sóbrio, Vila Martel, Left., entre outros, refugiando-se no seu estúdio para criar um disco que terá o nome de Homem Severo e que vê a luz dentro de dias.

Yagmar antecipam edição do primeiro LP “Homem Severo” com single “Mítica Luz”  – Glam Magazine

Homem Severo terá um alinhamento de oito composições que, por premonição ou não, se tivermos em conta o atual período pandémico que vivemos, acabam por se adequar a estes tempos conturbados e ao estado de espírito que de algum modo nos assalta quase todos e que está cheio de interrogações e ansiedades. Sonoramente, será, certamente, um flirt aos ritmos africanos acompanhados de melodias de outras regiões, tal como sucedeu nos EPs anteriores, mas com outra maturidade e acuidade melódica.

Há sempre algo que nos guia nos momentos de aperto, aquilo que nos faz ter perseverança e lutar contra os momentos desafortunados desta vida. É este o mote de Mítica Luz, o mais recente tema retirado do alinhamento de Homem Severo, um turbilhão melódico e rítmico mas que, por vezes, nos deixa respirar. Confere....

Facebook: https://www.facebook.com/yagmarband/

Instagram: https://www.instagram.com/yagmar.jovem/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC9iIEutk-qrsKOMI6Fy-kZw

Soundcloud: https://soundcloud.com/user-556339908

Spotify: https://open.spotify.com/artist/4MH8poPCB7vchDU77AG6C8?si=O4ZxyirjRw6hXK2F8ktHdg

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publicado por stipe07 às 14:36

Dream People - Almost Young

Sexta-feira, 19.03.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai realmente ao encontro das expetativas plasmadas no press release de antecipação, porque nos oferece uns Dream People mais maduros e confortáveis na busca de autenticidade e substância no seu trabalho.

Dream People Lançam Álbum “Almost Young” Com Listening Party | Arte Sonora

De facto, estes Dream People são mesmo uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renunciam pintá-la como ela é, cantando-a sem adornos, complexa e intrincada. É aí que reside a profundidade deste Almost Young, um alinhamento onde leveza e amor coabitam com a dor, a perda e a solidão, muitas vezes dentro do invólucro de uma só canção.

Assim, se Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco aborda o conceito de perda da juventude e funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito, já People Think é mais optimista e até eufórica. Com uma vibe claramente oitocentista, contém uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto e com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência, esquecendo-se da juventude. Aliás, esta ideia de abandono e de perda da juventude, é transversal a todo disco. Ela espelha receios e angústias dos cinco membros da banda: o receio da mudança de pele, da transformação. O receio de sair do ninho e aterrar no mundo real. A enorme angústia de se ser quase jovem mas não se poder voltar a sê-lo, porque esse tempo simplesmente não volta.

Almost Young é um disco sobre o fim de uma era. E é também, mais uma vez, um disco feliz e triste, que mesmo nos momentos altos esconde uma camada negra de melancolia e dor, só acessíveis ao ouvido mais atento. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 09:45

Dream People - Talking of Love

Quinta-feira, 11.03.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai ver a luz do dia amanhã e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.

Dream People have just released People Think, the first single from Almost  Young, the Lisbon band's new album. | FrontView Magazine

Depois da divulgação do single People Think é, agora, e enquanto a redação de Man On The Moon, não se debruça afincadamente no conteúdo de Almost Young, confere, como aperitivo, Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco e uma canção que, pelos vistos, e de acordo com o grupo, transparece o conceito chave do novo disco: o conceito de perda da juventude.A canção funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito.

De facto, e continuando a parafrasear o press release de Talking Of Love, esta é uma canção multidimensional e caleidoscópica, tal como o seu vídeo. A música parte de um ambiente quase industrial, num ritmo semelhante ao de uma linha de montagem, mas vai progressivamente abrindo-se e transformando-se num indie pop dançável e recheado de camadas que se vão complementando entre si. O resultado é uma autêntica jornada, em que o tema principal é a liberdade.

Francisco Taveira fala do tema como sendo um castelo de metáforas que remete para uma espécie de revolução. Uma revolução pessoal e intima, da liberdade individual e do espírito, pela qual todos deveríamos passar. Por essa razão, ainda que recorrendo a símbolos, fala-se de temas “menos confortáveis”, como o sexo e a religião e descreve-se a necessidade de abandono de todos os espartilhos e limitações que nos impedem de chegar àquilo que verdadeiramente queremos ser, à nossa verdade. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 14:17

Tiago Plutão - Só Para Alguém Gostar

Sexta-feira, 12.02.21

Nascido em Lisboa há quase três décadas, Tiago Plutão mora na Lagoa de Albufeira e aprendeu a tocar guitarra sozinho há já dez anos. Entretanto formou um projeto musical com alguns amigos intitulado Jupiturno, mas no seu projeto a solo decidiu adoptar o nome Tiago Plutão, que se estreou em novembro último com o lançamento de um single intitulado Homem da Montanha, a primeira amostra do disco Relativizar, que vai ver a luz do dia ainda este trimestre e que dará o pontapé de saída no percurso discográfico do músico.

Agora, algumas semanas depois dessa primeira composição, chega hoje aos nossos ouvidos a segunda canção de Tiago Plutão e que também fará parte do alinhamento de Relativizar. Chama-se Só Para Alguém Gostar, foi gravada nos estúdios HAUS pelo Makoto Yagyu e pelo Fábio Jevelim (PAUS, Riding Pânico) e assenta num registo tipicamente rock, mas algo experimental e eminentemente psicadélico, nuances induzidas por um teclado vintage que deambula majestosamente entre diversas sobreposições de efeitos proporcionados por guitarras igualmente enleantes e um registo vocal amplo e intenso.

De acordo com o press release de lançamento, este tema, à semelhança do anterior, volta a girar em torno de questões muito actuais e pertinentes. É uma crítica a quem se encaixa e acomoda só para ser gostado, conforme confessa o próprio Tiago Plutão: Só Para Alguém Gostar é uma visão minha da sociedade que necessita muito da aceitação de terceiros, é uma constatação da observação de pessoas que fazem de tudo para agradar aos outros, consciente ou inconscientemente. Não sei, mas creio que devíamos olhar primeiro para dentro de nós e aprender a gostarmos mais de nós.

Só Para Alguém Gostar também já tem direito a um vídeo realizado por Sofia Rocha, muito cintilante e que espelha precisamente a mensagem plutónica deste single: sejam vocês mesmos, sem medos. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:48

Dream People - People Think

Sexta-feira, 15.01.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, com edição prevista para março e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.

Dream People regressam com “Putos de Portugal” – Glam Magazine

People Think é o mais recente single divulgado do alinhamento de Almost Young, uma canção aparentemente optimista e até eufórica - reminescente os anos oitenta - mas que é acompanhada de uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto. A quem com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência. A quem se esquece da juventude. O tema também já tem direito a um videoclipe conta com a participação do dançarino João Reis Moreira. Confere...

 

 

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publicado por stipe07 às 15:34

Tiago Plutão - Homem da Montanha

Quarta-feira, 11.11.20

Nascido em Lisboa há quase três décadas, Tiago Plutão mora na Lagoa de Albufeira e aprendeu a tocar guitarra sozinho há já dez anos. Entretanto formou um projeto musical com alguns amigos intitulado Jupiturno, mas no seu projeto a solo decidiu adoptar o nome Tiago Plutão, tendo acabado de se estrear com o lançamento de um single intitulado Homem da Montanha.

 Em dois mil e quinze os cientistas da missão New Horizons da NASA descobriram que Plutão terá uma cadeia de jovens montanhas muito altas, a par de uma estranha ausência de crateras. Tiago aproveitou essa informação para se apropriar dessas estranhas formas de relevo plutónicas, quer para o nome do seu projeto, quer para o ideário sonoro desta sua canção, conforme confessa no press release de lançamento da mesma...

Plutão tem sido um mundo difícil de desvendar desde a sua descoberta; está localizado numa zona do espaço denominada Cintura de Kuiper. Através de imagens obtidas, verificou-se que Plutão possui um relevo bastante acidentado, marcado pela presença de um grande número de cadeias montanhosas. É lá que vive o Homem da Montanha, meio que a observar tudo ao longe de forma analítica e criteriosa. Atrevido, desafiador e despreocupado, vive a vida sem medos.

"Homem da Montanha" é uma música altamente espacial, que nos faz sentir como se os sintetizadores nos trocassem as órbitas, rodando de forma caótica ao som de backvocals hipnotizantes, mas sempre traçando piruetas musicais graciosas que só nos podem levar a um lado: um grande amor plutónico. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:40

Noiserv – Uma Palavra Começada Por N

Sexta-feira, 06.11.20

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional e um dos artistas queridos da nossa redação chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na sua bagagem um já volumoso compêndio de canções, que começaram a ser inscritas nos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There. No outono de dois mil e dezasseis a carreira do músico ganhou um novo impulso com um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas que se tornou, justificadamente, mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional. Agora, quatro anos depois dessa pérola debitada quase integralmente nas teclas de um piano, Noiserv regressa com Uma Palavra Começada Por N, onze lindíssimas composições que, em pouco mais de meia hora, nos oferecem um David Santos de regresso a territórios sonoros mais intrincados, subtis e diversificados, com o registo, no seu todo, a proporcionar-nos um banquete intenso e criativo e a impressionar pelo modo como diferentes naunces, detalhes e samples se entrelaçam quase sempre com uma base melódica algo hipnótica, mas extremamente doce e colorida.

Noiserv - Caixa de música ONZE - man on the moon

Gravado no no seu novo estúdio A Loja e com alguns dos temas a terem já direito a excelentes vídeos que resultam de uma colaboração com os leirienses Casota Collective, Uma Palavra Começada Por N  marca também o regresso de Noiserv à língua de Camões, nomeadamente no modo como se serve da mesma como elemento estético fundamental das suas canções. De facto, a excelência melódica que faz já parte do adn deste músico e compositor lisboeta é aqui exemplarmente acompanhada por inquietantes letras que, sendo devidamente esmiuçadas, gostam de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera que as coisas mais simples desta vida nos podem proporcionar e a realidade às vezes tão crua, porque temos sempre a tendência natural para a complicar, um detalhe que ele soube, de novo, tão bem descrever, por exemplo, nas estrofes de Picotado (Regressa sempre em pressa, só por estar, Mas volta nessa vida torta, uma dança pouco solta, Picotado até lugar nenhum, Sempre só, sempre), ou de Neste Andar (As portas passavam sempre aos pares, Enquanto eu, só, encenei tudo, encenei tudo), apenas dois de vários outros exemplos que eu poderia trazer à baila para justificar esta minha opinião.

Mas há outras conclusões que são possíveis de extraír deste registo, além do notável avanço que o mesmo expressa relativamente à performance do autor como poeta e escritor e que, além das duas canções citadas, também em temas como Eram 27 Metros De Salto ou Neutro atinge picos de excelência. Olhando agora para a vertente sonora do alinhamento de Uma Palavra Começada Por N, uma das notas mais evidentes é que este músico e produtor, que ao longo da carreira tem açambarcado para a sua bagagem mental, com indelével e vincado carimbo, imensa herança sonora da vasta míriade de latitudes audíveis na indie contemporânea, desde, principalmente, o estupendo Almost Visible Orchestra (2013), um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcancou, três anos depois, laivos de excelência através das burilações exacerbadas que sustentaram as sequências ao piano de 00:00:00:00 (2016), agora alargou os seus horizontes, com superior mestria. Uma Palavra Começada Por N estabelece pontes entre aquilo que é definido como o orgânico e o acústico com o universo que geralmente carateriza aquela eletrónica de cariz mais ambiental, uma simbiose também sempre patente nas suas atuações ao vivo, em que é cada maior e mais intrincada a pafernália instrumental que o rodeia. De facto, este trabalho parece querer mostrar que Noiserv não receia minimamente que as suas criações possam depender, mais do que nunca, de todo um vasto catálogo de ligações de fios e transistores que debitam um infinito catálogo de sons e díspares referências, nem de encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música atual, porque, ao mesmo tempo e também sossegando de algum modo os mais seus seguidores mais puristas, o disco está também repleto de momentos em que são as cordas e o piano quem ditam as regras e sobem ao trono sagrado no arquétipo sonoro desses mesmos instantes.

Assim, se no início algo subversivo, imersivo e singular de < i >, relativamente à herança de Noiserv, se percebe que em Uma Palavra Começada Por N pouco ou nada do que vamos escutar será facilmente comparável ao que já conferimos deste artista anteriormente, o crescente teclado hipnótico, a percurssão frenética e as delicadas inserções vocais que conduzem a já referida Eram 27 Metros De Salto, o majestoso clima borbulhante de Meio, assim como a indescritível montanha-russa de flashes, efeitos e interseções que se vão sobrepondo em Mas e que criam laços indeléveis com as cordas em Parou, amplificam tal audácia progressiva e fazem-no, ainda por cima, de modo profundamente emotivo e cinematográfico. Noiserv mostra-se, logo nesta primeira metade do disco, um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico, mesmo que a tal nuvem minimal, nunca o traia, porque não fica. em nenhum instante, para trás.

No entanto, a partir daí,  na pueril melancolia afetiva a que sabe o piano que nos embala em Picotado, uma das canções mais bonitas de dois mil e vinte, no doce e tocante travo de Neste Andar e no arrojado psicadelismo das cordas que inflamam o manto sintético que abraça Neutro, percebemos que Noiserv mantém sempre, na tal interessante dicotomia em que agora subsiste e que é única no cenário alternativo nacional, um intenso charme, induzido por uma filosofia interpretativa que, mesmo tendo por trás um infinito arsenal instrumental, nunca abandona aquele travo minimalista, pueril, orgânico e meditativo que carateriza o cardápio sonoro deste músico único.

Em suma, não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Noiserv deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante do mesmo que, abraçando o músico, consome-o e dele se apropria. É por Noiserv não ter medo de se deixar enlear e possuir pelas opções instrumentais que toma, que as suas canções ganham a alma e o elo de ligação com a humanidade, que as carateriza, um desejo ardente que sempre o conduziu artisticamente, até porque, em entrevista dada ao nosso blogue há já sete anos, na ressaca de Almost Visible Orchestra, Noiserv confessou-nos que tem como único desejo que as suas músicas possam um dia fazer parte da vida de quem as ouve. O rumo evolutivo que o músico resolveu seguir em Uma Palavra Começada Por N, mostra que está, definitivamente, no bom caminho para atingir esse seu ardente desejo pessoal, suportado em músicas que, além de serem uma intensa fonte de prazer sonoro, têm cheiro, cor e sabor únicos no cenário musical alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Noiserv - Uma Palavra Começada Por N

01. < i >
02. Eram 27 Metros De salto
03. Mas
04. Parou
05. Meio
06. Picotado
07. Neste Andar
08. Neutro
09. Sem Tempo
10. Por Arrasto
11. Sempre Rente Ao Chão

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publicado por stipe07 às 14:12

Time For T - Simple Songs for Complicated Times EP

Sexta-feira, 04.09.20

Gravado, de acordo com a própria banda, durante o mais recente período de confinamento resultante da situação pandémica global e com início numa caravana que assentou arraiais nos arredores de Lagos, Simple Songs For Complicated Times é o novo EP dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis e que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor, Felipe Bastos e Juan Toran, os seus parceiros nestes Time For T.

Time For T antecipa edição de EP com “Qualquer Coisa” – Glam Magazine

Simple Songs for Complicated Times foi pensado, inicialmente, para ser uma coleção de canções feitas apenas com voz e guitarra, mas Saga acabou por pedir aos outros membros da banda e a alguns amigos que se encontravam em quarentena, para adicionarem as suas partes, porque cada um tinha a possibilidade de gravar em casa. O resultado é um tomo de canções feitas em português, inglês e espanhol e que nos cativam quase instantaneamente, não só porque, sonoramente, é um registo radiante, repleto de luminosas cordas,  

Aquela viola que ciranda por Fire On The Mountain, uma composição cuja crueza e imediatismo acústicos nos obrigam a fazer um sorriso fácil de orelha a orelha, a doce intimidade convidativa e sincera que plasma Brighton (Clumsy), o divertido aconchego de Manteiga, um tema que fala da experiência pessoal de Tiago por voltar a viver em Portugal e, paralelamente, daquela situação onde todos nós já nos encontramos, quando estamos sem tempo ou energia para fazer tudo aquilo que queremos e o minimalismo reconfortante, asim como o violino eloquente de Qualquer Coisa, um tributo à vida boémia, em toda a sua glória e comédia trágica, contendo uma lista de observações da vida em Portugal, mais concretamente em Lisboa, na altura dos Santos. são momentos maiores de um alinhamento que, no geral, balança num timbre luminoso de diversas cordas que se entrelaçam harmoniosamente com um jogo vocal repleto de interseções, uma salutar acusticidade, que nos oferece, de modo particuarmente impressivo e como a própria banda com clareza define bem melhor do que nós, um cardápio sonoro eclético que se abre em leveza aos hemisférios e meridianos, trazendo as praias, as florestas e os desertos à humanidade. Uma viagem imperdível à incandescência da música livre. É mesmo isto. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 14:19

Vila Martel - Nunca Mais É Sábado

Quinta-feira, 30.04.20

Os Vila Martel são Francisco Botelho de Sousa, Rodrigo Marques Mendes, Francisco Inácio, Tiago Cardoso e Afonso Carvalho Alves, um coletivo da capital que se estreou há algumas semanas nos discos com Nunca Mais É Sábado, um espetacular cardápio de oito canções cantadas em português e gravadas há já quase um ano e que são, claramente e sem sombra de dúvida, uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama alternativo nacional.

Vila Martel antecipam edição de disco “Nunca Mais É Sábado” com ...

É o puro indie rock, mas de forte travo psicadélico, falsamente inocente, rude e agreste q.b. e buliçoso e optimista que sustenta Nunca Mais É Sábado, um disco que é, também, um verdadeiro portento sonoro que, em quase meia hora, nos instiga e nos abana com ímpar majestosidade. Nunca Mais É Sábado é festa e cor, mas também um impressivo e irrepreensível retrato da urbanidade e dos defeitos e qualidades que tingem o adn de uma grande cidade cosmopolita como é Lisboa no início da segunda década do século vinte e um, um enorme nicho em que centenas de milhares de seres formatados por rotinas, sonhos inatingíveis e superstições inócuas, vagueiam sempre pela mesma rota e com um objetivo sorridente comum... o sábado da libertação, o dia em que não há a obrigação da escala e do serviço e em que a única permissa que realmente interessa é a busca da libertação e da diversão, como se o amanhã fosse apenas uma miragem inócua e ínsipida.

O modus operandi dos Vila Martel para esta epifania, foca-se naquilo que é o elétrico, nomeadamente o modo como a manipulação da eletricidade em estúdio induz, quer nas teclas quer nas cordas,  um caudal massivo de tonalidades sonoras vibrantes, que acabam por funcionar como uma metafora perfeita para tudo aquilo que é o frenesim próprio da nossa contemporaneidade e as alterações que as tais rotinas e obsesões provocaram, inevitavelmente, no mundo que nos rodeia e na sociedade em que vivemos e o quanto isso tem de glorioso e de frenético.

Escorreito e eletrificado de fio a pavio, Nunca Mais É Sábado é redentor no modo como transpira uma profunda sensação de conforto coletivo, não só devido a tudo aquilo que certamente ofereceu aos seus criadores durante o seu período de incubação, mas também por causa do que nos proporciona agora, enquanto objeto sonoro de degustação simples mas contundente e profunda e com um duplo significado, por um lado muito pessoal e circunstancial, por ser capaz de nos fazer sorrir e animar o âmago, mas também, por outro, universal e mitológico, por retratar de modo tão fiel toda a trama que tece as prisões e as contigências que socialmente nos afligem. Espero que apreciesa sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:09

Grand Sun - Sal Y Amore

Quarta-feira, 08.04.20

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, acabam de se estrear no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, encarna, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

Sal Y Amore em tempos de contenção, segundo Grand Sun ~ Threshold ...

Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Sal Y Amore é um disco de viagens, mas também de festa, um compêndio vasto, eclético e heterogéneo de nuances e sensações, umas mais terrenas, e outras eminentemente cósmicas, que podem muito bem vir a ter como consequência maior a catalogação dos Grand Sun como uma nova banda de massas da pop e da cultura musical nacional, já que essa aposta numa estética feita de exuberância sonora e de uma indisfarçável mescla tem muitas vezes esse resultado radioso e que, ao fim e ao cabo, é, garantidamente, o desejo maior de quem quer ser protagonista da forma de manifestação artística que seleciona.

O clima frenético, seco e cru de Circles, assente num indie rock visceralmente ruidoso e sujo, mas que não deixa de ser melodicamente apelativo, até porque é um convite direto à ação e ao movimento, a psicadélica majestosidade do contemplativo edifício instrumental em que se sustenta She Wants You, a alegoria pop particularmente luminosa de Veera, composição conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, o glam rock oitocentista de Dear Ruby, espelhado num sintetizador retro felizmente algo descontrolado e num poderoso e libidinoso riff de guitarra, a sentida homenagem aos Queen a que exala A Picture e o impetuoso travo sessentista da lisergia punk que conduz Feeling Tired, uma canção em que teclado e baixo dividem protgonismo, enquanto a guitarra arbitra, sem preferência e com ímpar isenção, esse duelo imprevisível pela posse da posição maior no pódio do protagonismo melódico do tema, são os momentos maiores de Sal Y Amore, uma sátira representação do ruído a que estamos expostos diariamente e um sal saudável para a hipertensão, que os Grand Sun resolveram colocar nos nossos pratos nesta incaraterística primavera dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 13:17






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