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I LIKE TRAINS – Kompromat

Terça-feira, 29.09.20

Já com um histórico de quase duas décadas, visto terem iniciado as lides musicais em dois mil e quatro, os I LIKE TRAINS de Guy Bannister, Alistair Bowis, Simon Fogal, David Martin e Ian Jarrold, têm um novo disco intitulado Kompromat, uma coleção de nove canções que sucedem ao excelente The Shallows, de dois mil e doze e que, uma vez mais, refletem sobre o estado atual do mundo em que vivemos, nomeadamente a conjuntura politica atual, uma imagem de marca sempre muito presente neste grupo natural de Leeds.

I LIKE TRAINS share new single & video "Dig In"- Album 'KOMPROMAT' out Aug  21st via Atlantic Curve - Circuit SweetCircuit Sweet

Se The Shallows versava sobre a relação do homem com as máquinas e, mais especificamente, o modo como a internet está a reescreve a realidade, Kompromat é a materialização de uma visão impressiva feroz relativamente a um mundo que, segundo este projeto, está cada vez mais perigoso, por causa da ascenção dos populismos de direita, com a figura de Trump à cabeça, mas com Boris Johnsson a ser também diretamente visado na crítica, assim como a suposta influência russa em diferentes atos eleitorais. Aliás, Kompromat é uma expressão russa que significa material comprometedor, no sentido de haver um propósito claro de fornecer informações sobre um político, empresário ou outra figura pública, de modo a criar publicidade negativa, chantagem e extorsão sobre ele. De acordo com o grupo, quer estas duas figuras politicas, quer alguns governos, são diretamente responsáveis por toda uma campanha de desinformação que está a tomar conta dos media a nível global e que visa a eliminação de qualquer tipo de crítica ou alternativa a uma forma de governar que protege cada vez mais o capitalismo, tornando as sociedades menos solidárias e quem as governa menos atentos aqueles que mais sofrem e que não têm acesso às benesses de uma sociedade de consumo que divide para reinar.

O single The Truth, uma majestosa canção feita com aquele rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e que contém uma sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem onde mais dói, é o âmago desta filosofia estética de Kompromat, porque é frequente imensas vezes já não se ter muito bem a noção de onde reside a verdade, tão voraz é o nosso consumo de informação nesta era digital, sendo possivel entender e interpretar de modo diferenciado as muitas narrativas que vão invadindo o nosso feed.

Sonoramente, Kompromat obedece ao ADN que tem tipificado a carreira dos I LIKE TRAINS, assente num punk rock de forte cariz progressivo, com uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurar, em simultâneo, uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas sem descurar o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, abertamente nebulosa e cinzenta. Essa atmosfera é percetivel no perfil detalhista das distorções das guitarras, no vigor do baixo, nos sintetizadores vibrantes e, principalmente, num registo percurssivo compacto, que funciona com a amplitude necessária para dar às canções uma sensação plena de epicidade e fulgor.

De facto, Kompromat é uma súmula rara de um pós punk anguloso, um passeio emocionante e encadeado, com cada tema a personificar um ataque bombástico aos nossos sentidos, um incómodo sadio audível logo no riff abrasivo de A Steady Hand e que se vai aprimorando num fluxo constante e paciente e onde não falta, imagine-se, um leve toque de graciosidade.

A sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, em Desire Is A Mess, as reverberações ultra sónicas de Dig In e, principalmente, a rispidez visceral extremamente sedutora e apelativa de A Man Of Conviction e a arquitetura sonora variada e sempre crescente de The Truth, um longo tema, mas nada monótono, cheio de mudanças de ritmo, com a junção crescente de diversos agregados e que atinge o auge interpretativo numa bateria esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, num resultado de proporções incirvelmente épicas, são outros momentos incríveis de um disco sarcástico, mas também atencioso e terno,  em que tudo resulta de forma coesa, inclusive o ruído abrasivo, que aqui em vez de magoar, fascina e seduz. Espero que aprecies a sugestão...

I LIKE TRAINS - Kompromat

01. A Steady Hand
02. Desire Is A Mess
03. Dig In
04. PRISM
05. Patience Is A Virtue
06. A Man Of Conviction
07. New Geography
08. The Truth
09. Eyes To The Left (Feat. Anika)

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publicado por stipe07 às 17:54

Mush - 3D Routine

Quinta-feira, 27.02.20

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 18:45

Menace Beach – Black Rainbow Sound

Domingo, 09.09.18

Pouco mais de ano e meio após o excelente Lemon Memory, a dupla Menace Beach de Ryan Needlham e Liza Violet está de regresso aos lançamentos discográficos com Black Rainbow Sound, um compêndio de dez canções que, sendo o terceiro da carreira deste projeto oriundo de Leeds, na Inglaterra, tem tudo para lançar definitivamente o grupo para uma projeção superior que o antecessor e Ratworld, o álbum de estreia, editado no início de dois mil e quinze, têm vindo a prometer e a projetar desde que viram a luz do dia.

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Apesar das origens, os Menace Beach continuam com os ouvidos muito colocados no outro lado do atlântico, continuando a apostar numa sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, mas desta vez também olham com especial atenção para a Europa, com a herança do punk de Manchester e da eletrónica alemã e a própria contemporaneidade de nomes como os Bauhaus, TOY, The Horrors, Spacemen 3 e outros a saltarem ao pensamento do ouvinte mais atento à medida que se escuta este Black Rainbow Sound. E isso sucede porque, desta vez, os Menace Beach oferecem um alinhamento com uma menor crueza lo fi que os registos anteriores, em favor de um som mais elaborado, negro e intrincado, com Black Rainbow Sound, o tema homónimo e que conta com a participação especial de Brix Smith, a mostrar esse lado inédito no grupo, assente numa mistura do sintético com as guitarras, com um nível de psicadelia incomum tendo em conta o historial anterior da banda.

Esta caraterística nova dos Menace Bech, plasmada logo nesse primeiro tema de Black Rainbow Sound e, por sinal o homónimo, serve para o grupo afirmar essa espécie de virar de página, que funciona, neste caso concreto, como um avanço em frente rumo a novos territórios, fruto não só da ânsia de experimentar nvas receitas mas também de provar o amadurecimento e o grau de confiança cada vez maior de uma dupla que percebe que já conseguiu grangear uma bade de fâs sólida e devota e que quer agora alargar o seu espetro sonoro e chegar a outros ouvintes. Os teclados Cósmicos de Satellite e o clima progressivo, negro e rugoso de Crawl In Love, além de abrirem portas para o habitual mundo paralelo feito de guitarras distorcidas governado pela nostalgia do grunge e do punk rock a que os Menace Beach nos habituaram, já não está impregnado por aquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções que era apanágio da dupla, plasmando agora um clima mais adulto, ponderado e, acima de tudo, mais elaborado e amplo.

À medida que Black Rainbow avança notamos, em suma, que as canções dos Menace Beach estão menos simples e diretas e, por isso, mais desafiantes. Se em 8000 Molecules as vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras e pelos efeitos das teclas e se em Hypnotiser Keeps The Ball Rolling há uma demanda por territórios mis viscerais e crus, já em Tongue alguns dos principais ingredientes típicos do grunge e do punk rock direto e preciso também estão presentes, nomeadamente no baixo, mas é mais intrincada e feliz a mistura destes elementos com travos de shoegaze, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o habitual grunge, mas que, honrando a herança desse subgénero do rock alternativo, também não é apenas delírio e pura experimentação sónica, até porque, logo a seguir, em Mutator, os Menace Beach até colocam a própria eletrónica setentista em elevado ponto de mira e em Holy Crow o rock psicadélico típico dessa mesma década.

Caldeirão sonoro contundente e mais elaborado que os dois discos anteriores dos projeto, Black Rainbow Sound coloca os Menace Beach na senda de um clima mais pop, com as guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso, a serem também agora acompanhadas, em termos de protagonismo, por uma vertente sintética, uma nuance nova que dá à banda novos horizontes, sendo o resultado final uma espécie de eletropop rock, neste caso baseado num leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, tudo aliado a um trabalho de exploração experimental pleno de bom gosto, criatividade e consistência. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Black Rainbow Sound

01. Black Rainbow Sound (Featt. Brix Smith)
02. Satellite
03. Crawl In Love
04. Tongue
05. Mutator
06. 8000 Molecules
07. Hypnotiser Keeps The Ball Rolling
08. Holy Crow
09. Watermelon
10. (Like) Rainbow Juice (Feat. Brix Smith)

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publicado por stipe07 às 16:16

Alt-J (∆) – Relaxer

Segunda-feira, 12.06.17

Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green são três amigos que se conheceram na Universidade de Leeds em 2007 e juntamente com Gwil Sainsbury, entretanto retirado, formaram os  Alt-J (∆), banda que está de regresso aos lançamentos discográficos com Relaxer, sete originais e uma excelente cover do clássico House Of Rising Sun, dos The Animals. Recordo que este projeto começou a criar raízes quando Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

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Agora, três anos depois desse excelente registo, neste Relaxer o trio de Leeds continua a oferecer-nos canções que só mostram a sua verdadeira identidade e complexidade quando são escutadas forma viciante, com o habitual pendor orgânico de cariz eminentemente acúsatico a revelar-se de modo ainda mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

O alinhamento de Relaxer abre com 3WW, um tema que entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, é uma epopeia onde em quase cinco minutos se acumula à volta de um ré constante um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, também muito por causa da performance vocal de Ellie Roswell, vocalista dos Wolf Alice, que também pode ser escutada em Deadcrush, um trecho movido a sintetizador, rasgado por uma melodia profundamente sintética e digital. E depois, no virtuosismo da guitarra que trespassa o funk de Hit Me Like That Snare, no modo como em Pleader os Alt-J selecionaram os riquíssimos arranjos do diverso arsenal instrumental que foi monumental e cuidadosamente executado pela Orquestra Metropolitana de Londres, no trip-hop acústico de Adeline e na leveza tocante e singela de Last Year, rematada pelo modo como a voz de Marika Hackman transborda de melancolia, fica expresso um arregaçar de mangas cada vez mais liberto de uma certa formatação criativa bem balizada, com o trio a mostrar que se tem dedicado de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, sempre com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, já que é feita de imensos detalhes e com uma elevada subtileza.

O som complexo e profundo dos Alt-J (∆) continua a resistir com solidez e de modo exemplar ao tempo e ao sucesso. Relaxer comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico, prende-se com a capacidade em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico apresentado. E este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - Relaxer

01. 3WW
02. In Cold Blood
03. House Of The Rising Sun
04. Hit Me Like That Snare
05. Deadcrush
06. Adeline
07. Last Year
08. Pleader

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publicado por stipe07 às 18:46

Alt-J (∆) – In Cold Blood

Quinta-feira, 30.03.17

Alt-J (∆) - In Cold Blood

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

Agora, três anos depois desse excelente registo, os Alt-J (∆) vão regressar aos álbuns com Relaxer, oito canções, das quais conheceu-se, em primeiro lugar 3WW, tema que abre o alinhamento e agora In Cold Blood, a canção seguinte, uma composição que alarga um vasto leque de referências e que da pop ambiental contemporânea ao art-rock clássico, passando pelo R&B, é uma epopeia onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses diversos universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. Confere In Cold Blood e o artwork de Relaxer...

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publicado por stipe07 às 15:49

Alt-J (∆) – 3WW

Terça-feira, 07.03.17

Alt-J (∆) - 3WW

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

Agora, três anos depois desse excelente registo, os Alt-J (∆) vão regressar aos álbuns com Relaxer, oito canções, das quais já se conhece a que abre o alinhamento. A canção chama-se 3WW e entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, é uma epopeia onde em quase cinco minutos se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. Confere 3WW e o artwork de Relaxer...

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publicado por stipe07 às 21:07

Menace Beach – Lemon Memory

Sábado, 21.01.17

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro de 2015 com Ratworld, um trabalho que já tem sucessor. Lemon Memory chegou aos escaparates através da Memphis Industries a vinte de janeiro último e assume-se como um excelente sucessor de um registo inicial marcante para a dupla e um compêndio de canções capaz de lançar definitivamente este projeto para uma projeção superior.

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Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, em especial o dos anos noventa. Lemon Memory é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas aparente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria, como se percebe logo em Give Blood, o vigoroso e pulsante tema de abertura do disco.

A abertura realmente promete e logo depois, em Maybe We'll Drown, o single que antecipou o lançamento deste Lemon Memory e em Can't Get A Haircut somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também nas variações ritmícas de Lemon Memory o tema homónimo e no fuzz de Sentimental, dois instantes que clarificam o cuidado melódico e a impetuosidade elétrica impostos, em simultâneo, pelos Menace Beach às suas criações sonoras, dois aspetos que permitem às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Suck It Out, uma canção inicialmente mais roqueira, sombria e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente riff que introduz Owl e quando parece que vai instalar-se novamente um caldeirão sonoro contundente, espraia-se, sem aviso prévio, um clima mais pop, mas algo psicadélico, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

À imagem do antecessor, Lemon Memory é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho destes Menace Beach é, ao ouvi-los, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração para a dupla, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Lemon Memory

01. Give Blood
02. Maybe We’ll Drown
03. Sentimental
04. Lemon Memory
05. Can’t Get A Haircut
06. Darlatoid
07. Suck it Out
08. Owl
09. Watch Me Boil
10. Hexbreaker II

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publicado por stipe07 às 14:38

Kaiser Chiefs - Stay Together

Quinta-feira, 13.10.16

Depois de há pouco mais de dois anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Education, Education, Education & War, o quinto álbum da carreira, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, está de regresso, em 2016, com Stay Together, um novo registo de originais que viu a luz do dia a sete de outubro último, através da Caroline Records e que foi produzido por Brian Higgins (Girls Aloud, Pet Shop Boys, New Order) e misturado por Serban Ghenea (Rihanna, Beck, Taylor Swift, Justin Timberlake).

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Depois da politica e do belicismo terem feito parte do ideário lírico de Education, Education, Education & War, o amor é o tema central na escrita e nas emoções que transbordam das onze canções de Stay Together. Mas há também, em 2016, uma inflexão sonora nos Kaiser Chiefs, que agora calcorreiam territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto, como se percebeu já há alguns meses quando foi divulgada Parachute, a primeira amostra conhecida do álbum. Assim, a pop sintetizada, assente numa mesca de teclados e guitarras com a habitual tonalidade grave e imponente da secção ritmíca deste quarteto e uma composição eminentemente polida e luminosa, é a grande força motriz de composições com o habitual acerto melódico e, por isso, contagiante e radiofónico, do grupo.

Canções do calibre de We Stay Together, uma canção onde o etéreo e o majestoso se confundem insistentemente nos efeitos, na batida e num esporádico falsete de Ricky Wilson, também em destaque na divertida High Society, a dançável Hole In My Soul, que contém alguns curiosos violinos que conferem à composição um indisfarçável charme, a caliente e sorridente Good Clean Fun, ou o já citado single Parachutes, assim como a belíssima e tocante balada Indoor Firework e a melodicamente feliz e inspirada alegoria rock oitocentista Why Do You Do It to Me?, são marcas impressivas deste novo ajuste conceptual dos Kaiser Chiefs e o modo interessante como conseguiram abrir novas portas, sem colocarem em causa o nível qualitativo da sua herança. Depois, a  batida de Press Rewind e a grandiosidade de Happen In A Heartbeat conseguirão, certamente, oferecer à banda e aos fãs excelentes momentos ao vivo, principalmente quando tal se verifique em grandes multidões.

Com o superior sentimentalismo de Still Waiting termina um alinhamento feliz porque além de ter aquele efeito de novidade que permite revitalizar a imagem do grupo e o sucesso do mesmo, abre aos Kaiser Chiefs, como já referi, novas portas que mesmo que não definam ao certo qual o trilho sonoro do futuro do grupo, servirão, pelo menos, para engrandecer e diversificar um histórico discográfico cada vez mais eficaz para que o percurso da banda seja sempre considerado bem sucedido. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:32

Kaiser Chiefs – Falling Awake

Domingo, 08.02.15

Kaiser Chiefs - Falling Awake

Depois de há quase um anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Education, Education, Education & War, o quinto álbum da carreira, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White e Simon Rix Nick Baines e Vijay Mistry, estará de regresso, em 2015, com um novo trabalho ainda sem título ou data de edição prevista.

Falling Awake é o primeiro tema divulgado desse novo disco dos Kaiser Chiefs, uma canção de amor festiva e com sintetizadores algo inéditos neste grupo, detalhe ao qual não será alheio o trabalho de produção, a cargo de Ben H. Allen III. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:05

Menace Beach - Ratworld

Terça-feira, 27.01.15

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro com Ratworld, um trabalho com um dos artworks mais insólitos que vi ultimamente e que chegou aos escaparates através da Memphis Industries.

Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano dos anos noventa. Ratworld é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas parente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado noa voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria.

Logo em Come On Give Up, o single que antecipou Ratworld, e em Elastic, somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também no baixo de Dropout e no fuzz de Lowtalkin, dois instantes que clarificam o que vem adiante e onde é possível vislumbrar um cuidado melódico e etéreo que permite às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas. O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Blue Eye, uma canção inicialmente mais introspetiva e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente refrão de Dig It Up e instala-se novamente um caldeirão sonoro onde também está o clima mais pop e acessivel de Tennis Court, outro single já retirado do trabalho, e o tema homnónimo, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

Até ao ocaso, não podemos deixar de salientar o reverb algo tóxico da guitarra de Tastes Like Medicine e o groove de Infinite Donut, uma das canções mais interessantes de Ratworld e que nos remete para uma espécie de fuzz rock, que se mantém em Pick Out The Pieces, talvez o tema mais psicadélico e etéreo da rodela.

Ratworld é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho de Ratworld é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Ratworld

01. Come On Give Up
02. Elastic
03. Drop Outs
04. Lowtalkin
05. Blue Eye
06. Dig It Up
07. Tennis Court
08. Ratworld
09. Tastes Like Medicine
10. Pick Out The Pieces
11. Infinite Donut
12. Fortune Teller

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publicado por stipe07 às 21:21






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